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Agência
Diap, 29 de outubro de 2008
Quem foi quem no projeto que põe
fim ao contrato de trabalho
Por: Silvia Barbára*
Volto a falar e a me queixar do Projeto
de Lei 4.302/1998, aprovado por unanimidade na Comissão
de Trabalho da Câmara após um inacreditável
acordo, no dia 15 de outubro.
O projeto tem apenas três artigos,
sendo o último deles o tradicional “essa lei entra
em vigor na data de sua publicação”.
O artigo 1º trata exclusivamente do
trabalho temporário. Para tanto, os nobres parlamentares
alteraram nove artigos da Lei 6.019/74 e criaram um novo conceito
de “trabalho temporário”. A inovação
permite que um trabalhador possa permanecer “temporariamente” por
35 anos ou mais numa mesma empresa, desde que a cada nove meses
(270 dias, consecutivos ou não) deixe de receber salários
por três meses!!
As mudanças são horríveis,
mas estão longe de provocar o estrago gerado pelo artigo
2º, que serve exclusivamente para legalizar a burla nas relações
de emprego e pôr fim à relação de trabalho,
por meio da contratação de “prestação
de serviços” em caráter permanente. Inclusive,
sem as restrições (poucas, é verdade) propostas
para o trabalho temporário.
É disso que se trata. Semelhante
fraude já havia sido tentada com as chamadas “cooperativas
de mão-de-obra”, até que o Ministério
Público e a Justiça de Trabalho saíssem no
encalço das empresas.
Na nova versão, não são
mais pseudocooperativas, mas empresas de prestação
de serviço que irão substituir os empregados. Nesse
caso, podem ser empresas “cessoras de mão-de-obra” ou
o ex-empregado, coagido a abrir uma empresa para continuar desenvolvendo
o mesmo serviço que fazia antes. É claro, sem os
direitos previstos nas convenções coletivas de trabalho,
nem na CLT, nem na Constituição Federal.
O projeto só prevê restrição
para os empregados: eles perdem o direito, inclusive, de abrir
reclamação na Justiça do Trabalho. Não é à toa
que a “inexistência de vínculo” é reafirmada
duas vezes na proposição.
Quanto aos empregadores, a contratação
por “prestação de serviços” está completamente
liberada para qualquer atividade, em caráter permanente
ou não e sem o “ônus” da legislação
trabalhista e previdenciária. Quer coisa melhor??
Que esse projeto é uma sem-vergonhice
que antecipa e conclui a reforma trabalhista, disso ninguém
duvida.
Resta discutir a conduta dos parlamentares
presentes à sessão, transformada num verdadeiro show
de hipocrisia. Quem tiver estômago, pode acessar trechos
em áudio na página da Câmara.
Alegam os ilustres que a aprovação
foi fruto de um acordo e contou com cinco modificações.
Todas elas ridículas, que em nada alteram o conteúdo
perverso do projeto. Que raio de acordo é esse que só um
lado ganha?
Aos deputados ligados ao empresariado,
muito bem. Faz parte do jogo... Aos demais, que se dizem representantes
dos trabalhadores, que venham a público explicar como é que
eles aprovam um projeto que, por meio de uma redação
capciosa, nega aos trabalhadores os direitos que a Constituição
Federal lhes garantiu.
(*) Professora, diretora da Fepesp, entidade
filiada ao Diap, e colaboradora do Departamento
Para que não restem dúvidas
de quem tem contas a prestar aos trabalhadores, seguem os nomes
dos presentes, conforme a ata da sessão, e votaram a favor
da proposta:
PT
Paulo Rocha (PA); Tarcísio Zimmermann (RS); e Vicentinho (SP)
PCdoB
Daniel Almeida (BA); Vanessa Grazziontin (AM); e Manuela D´Ávila
(RS)
PSB
Maria Helena (RR); e Mauro Nazif (RO)
PDT
Paulo Pereira da Silva (SP) – absteve-se de votar
PTB
Luiz Carlos Busato (SP)
PMDB
Edgar Moury (PE); Wilson Braga (PB); Carlos Alberto Canuto (AL); Edinho Bez
(SC); e Tadeu Filippelli (DF)
PV
Roberto Santiago (SP); e Edigar Mão Branca (BA)
PSC
Filipe Pereira
PR
Gorete Pereira (CE); e Milton Monti (SP)
PSDB
Andreia Zito (RJ); Laércio Oliveira (SE); Carlos Alberto Leréia
(GO); Eduardo Barbosa (MG); e Eduardo Gomes (TO)
Ausentes à sessão:
PT
Marco Maia (RS)
PCdoB
Renildo Calheiros (PE)
PTB
Jovair Arantes; e Nelson Marquezelli (SP)
PMDB
Elcione Barbalho (PA)
PPS
Cláudio Magrão (SP)
PR
Aracely de Paula (MG); Sandro Mabel (GO) - autor do parecer que pediu a aprovação
do projeto
PSDB
Thelma de Oliveira (MT)
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Gazeta do Povo, 29 de outubro de 2008
Socorro
Linha para a construção
civil sai hoje
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anuncia hoje a criação
de uma linha especial de crédito de R$ 3 bilhões para capital
de giro para o setor da construção civil. Segundo ele, serão
recursos da Caixa Econômica Federal (CEF) que não virão
do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O custo do financiamento
ainda não foi definido, disse Mantega, “mas, seguramente, será a
taxas abaixo do mercado”. “O setor tem que ter garantias de que
de vai dar continuidade a seus projetos”, disse o ministro.
Segundo uma fonte da equipe econômica, as grandes construtoras podem
ter problemas de caixa com a escassez de crédito e correm o risco de
não entregar empreendimentos aos mutuários se não forem
tomadas medidas adicionais e fortes do setor público. Serão colocadas
em prática, segundo este interlocutor, as medidas que irrigarem a construção
civil com mais rapidez. Poderão se beneficiar da medida empresas pequenas,
médias e grandes, de capital aberto ou fechado.
A preocupação do governo, revelou a fonte, é o fato de
muitas construtoras do país – especialmente um grupo de pouco
mais de 20 que estão listadas na Bovespa – terem vendido, em média,
60% das unidades dos projetos lançados. Antes do aquecimento do mercado,
o número ficava entre 20% e 30%.
Com o “boom” do financiamento imobiliário, as construtoras
abriram capital e levantaram muito dinheiro. Compraram terrenos e começaram
a vender milhares de empreendimentos. Agora, não só a Bolsa despenca
como secaram os demais canais de financiamento. As construtoras ficaram, assim,
sem recursos para dar continuidade aos empreendimentos. Segundo analistas do
mercado, há empresas que não estão conseguindo honrar
seus compromissos.
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O ESTADO DO PARANÁ,
29 de outubro de 2008 | Economia
Crise deve beneficiar indústrias
têxtil e de vestuário
Agência Estado
As indústrias têxtil e de vestuário deverão ser
beneficiadas pela crise e chegarão ao Natal deste ano e em 2009 com
aceleração do crescimento, na contramão da desaceleração
prevista para a economia brasileira, segundo avaliam executivos das principais
entidades do setor. A expectativa da Associação Brasileira da
Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) é de
que os investimentos do setor no ano que vem, previstos em US$ 1 bilhão,
sejam mantidos.
Prejudicadas pelo aumento das
importações de produtos concorrentes, especialmente da
China, por causa da valorização do real ante o dólar,
as empresas do setor encaram a atual depreciação cambial
como oportunidade para recuperar o espaço perdido no mercado interno.
A balança comercial do
setor têxtil deverá somar um déficit de US$ 1,6 bilhão
este ano, segundo projeção do conselheiro da Abit, Rafael
Cervoni, que também é presidente do Sinditêxtil-SP.
Segundo ele, as importações são o principal fator
a explicar a significativa diferença entre o crescimento nas vendas
no varejo de tecidos e confecções (10,2% no acumulado de
janeiro a agosto, segundo o IBGE) e da indústria do setor.
Segundo o IBGE, a indústria
têxtil acumula alta na produção de apenas 0,3% de
janeiro a agosto, enquanto vestuário e acessórios aumentou
4,9%, ambos abaixo da média da expansão industrial no período
(6%).
Segundo Cervoni, as importações
de têxteis serão afetadas não apenas porque ficaram
mais caras por causa do dólar, mas também pela restrição
de crédito a empresas que já tinham fechado negócio. "Nas
três primeiras semanas de crise, os preços dos produtos
importados aumentaram quase 50%", afirma. Ele disse que alguns importadores
estão preferindo deixar as encomendas no porto, nos contêineres,
porque fica mais barato do que retirar as mercadorias. "Somos favoráveis à abertura
de mercado, mas contra a concorrência predatória",
disse Cervoni, que também é diretor-executivo do programa
Apex Brasil.
Do total produzido pela indústria
têxtil no Brasil, 92% ficam no mercado interno. O presidente do
SindiVestuário, entidade das indústrias de confecção,
Ronald Masijah, avalia que nem mesmo a perspectiva de desaceleração
do crescimento da demanda doméstica é considerada um obstáculo
para o setor. Ele também acredita que a crise pode ser uma oportunidade
para o setor concentrar as expectativas positivas, sobretudo, no próximo
Natal. "Deste limão, a crise econômica mundial, vamos
fazer uma limonada e tirar algo positivo", disse.
A avaliação
de Masijah é que, no fim deste ano, as importações
já terão caído o suficiente para elevar as vendas
dos produtos nacionais em 8% em relação ao Natal do ano
passado. "Os preços dos importados estão ficando
mais próximos dos nacionais e o nosso produto tem melhor qualidade",
explica. Além disso, ele acredita que recursos que estavam concentrados
no pagamento de prestações de bens duráveis, como
automóveis, vão ser revertidos para o consumo de vestuário
com a crise.
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Gazeta do Povo, 29 de outubro de 2008
Congresso
Disputa azeda relação
entre PT e PMDB
Petistas ameaçam não apoiar
o peemedebista Michel Temer para a presidência da Câmara
se aliados não abrirem mão do Senado
Em um jogo de ameaças cruzadas, PT e PMDB anteciparam a disputa pelo
comando do Senado e da Câmara. Sob pressão dos petistas, que ameaçam
abandonar o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), na eleição
para comandar a Câmara em 2009, caso os senadores peemedebistas não
abram mão da presidência do Senado para um petista, deputados
do PMDB dão o troco. Agora é a bancada federal que ameaça
romper a parceria e desembarcar da aliança em 2010. “É bom
que o PT se lembre de que Temer continuará presidindo o PMDB, se não
for eleito para a Câmara”, aconselha o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Isto
vai dificultar uma aliança futura com o PT”, conclui.
Ex-ministro de Lula e ex-líder do PMDB, o deputado Eunício Oliveira
(CE) adverte que a Câmara tem papel importante nesta crise financeira
internacional e diz que um rompimento com o maior partido da base aliada – o
PMDB – pode complicar a vida do governo. “Como lulista, vou contribuir
para que cheguemos a uma solução, mas conheço a bancada
e estou apenas verbalizando o que ouço: se abandonam o Michel, dão
ao PMDB o direito de abandonar a coalizão, o que será muito ruim
para o país.”
O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e o líder petista
na Câmara, Maurício Rands (PE), reuniram-se ontem com Temer e
o líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN). Os dois petistas
manifestaram-se dispostos a cumprir o acordo assinado pelo próprio Berzoini
dois anos atrás, prometendo apoio a Temer em troca da eleição
do atual presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Ao mesmo tempo,
porém, insistiram que o PT não aceita ficar sem a presidência
de uma das Casas.
O que preocupa a cúpula peemedebista da Câmara é que Berzoini
e Rands falaram em “esticar a corda” na tentativa de forçar
os senadores a cederem espaço ao PT. O problema é que a disposição
do PMDB do Senado é a mesma: “esticar a corda” em defesa
da tese de que as regras regimentais garantem ao maior partido, que tem 21
dos 81 senadores, o direito de indicar o presidente do Congresso.
A mesma expressão também fora citada em outra conversa realizada
na véspera, para discutir sucessão. Temer e Eduardo Cunha jantaram
na segunda-feira com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
O presidente do PMDB queria saber até onde os senadores do partido estão
dispostos a insistir em comandar a Casa. A conclusão foi que o PMDB
do Senado vai insistir na candidatura própria, tensionando ainda mais
a relação com o PT.
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Folha
de S.Paulo, 29 de outubro de 2008
PMDB se fortaleceu para sucessão,
diz Aécio
Governador mineiro afirma que "PSDB não
pode ter a pretensão de atuar de forma isolada" e que quadro
não está definido | Tucano diz que já passou o
tempo em que as decisões eram "concentradas nas mãos
de três figuras" do PSDB e defendeu prévias
PAULO PEIXOTO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE
Governador de Minas
e potencial candidato a presidente, Aécio Neves (PSDB) afirmou
ontem que "não há um grande vitorioso" após
as eleições municipais, embora tenha dito que o PMDB
terá "mais relevância" nas negociações
presidenciais. Ele disse que terão "surpresas" os
que acharem que o quadro de 2010 já está definido.
" Essa eleição não teve um grande vitorioso, não
teve um partido ou um ator que possa se dizer hegemônico, aquele que derrotou
todos os seus adversários. Até pela pluralidade do quadro brasileiro,
tivemos vitórias e derrotas", declarou. Aécio afirmou que é preciso
reconhecer o "avanço" do PMDB e que a sigla -que o corteja para
tê-lo em seus quadros- "passa a ter um papel ainda mais relevante
nas discussões futuras".
Apesar de não enxergar um vitorioso maior para 2010, acha normal cada
um ter sua leitura, inclusive a dele, que se vê fortalecido com a eleição
de Marcio Lacerda (PSB) em aliança com o PT de Belo Horizonte.
Sobre a situação de São Paulo, onde o prefeito Gilberto
Kassab (DEM), aliado do governador José Serra (PSDB), venceu a petista
Marta Suplicy, o tucano viu uma "derrota emblemática" do PT,
pelo fato de o presidente Lula ter colocado "todo o seu esforço" naquela
disputa. Mas disse que ainda assim "sai um jogo equilibrado" para
a disputa de 2010.
Aécio disse que não pode haver pressa sobre as definições.
Disse ser natural que as conversas comecem, mas atribuiu a pressa à imprensa.
Por duas vezes deixou claro que está nesse jogo. Primeiro quando disse
que "Minas está hoje mais forte e mais unida do esteve em qualquer
momento".
E quando afirmou: "Aqueles que já estão dando por certo
a definição do quadro, terão surpresas ao longo dessa
caminhada. O PSDB não pode ter a pretensão de atuar de forma
isolada e achar que apenas com um ou outro aliado tem condições
de vencer essas eleições".
Aécio defende que o escolhido tucano seja o que desenvolver um projeto
de governo que reúna o maior número de partidos para sustentá-lo,
inclusive da atual base do governo Lula, como PMDB, PSB e PDT.
Independentemente de quem será o escolhido, disse que "o PSDB sairá unido",
que isso é "condição fundamental" para vencer.
E que essa unidade passa pelo "diálogo, não pela imposição
de lado a lado".
Repetiu que, qualquer que for o escolhido, terá o apoio do outro e de
todo o partido, dizendo novamente que Serra já repetiu isso várias
vezes.
" Essa não será uma disputa entre um e outro, entre o governador
Serra e o governador Aécio ou outro nome que possa surgir como candidato.
Todos nós temos que ter desprendimento para compreender, no momento certo,
qual é aquele que tem melhores condições para conduzir esse
projeto."
Aécio voltou a dizer que já passou o tempo em que as decisões
eram "concentradas nas mãos de três figuras" da cúpula,
se incluindo entre eles. E disse que as prévias "são uma
possibilidade concreta e deverão ser discutidas com muita seriedade".
Mas que "prévia só existe quando há disputa".
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Congresso em Foco, 29 de
outubro de 2008
TSE: decisão anula vitória
de Belinati em Londrina (PR)
Os ministros do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE), por 5 votos a 2, aceitaram recurso do Ministério
Público Eleitoral (MPE) e impugnaram hoje (28) o registro de candidatura
do prefeito eleito de Londrina, Antônio Belinati (PP). Com a decisão,
a vitória do pepista é, à princípio, anulada
e fica sob júdice, já que cabem novos recursos. O processo
volta ao juiz eleitoral do município, que decidirá se acontecerá uma
nova eleição ou se o segundo colocado - o deputado Luiz
Carlos Hauly (PSDB-PR) - assume o cargo.
Belinati foi considerado inelegível pelo Tribunal Regional Eleitoral
do Paraná (TRE-PR) depois que o Tribunal de Contas estadual rejeitou
a prestação de contas relativa a convênio firmado entre
o município e a União durante gestão na administração
municipal em 2000. Ele, entretanto, conseguiu um recurso de revisão
com efeito suspensivo no Tribunal de Contas do Estado (TCE) da decisão
do próprio órgão. O TSE hoje, ao negar o registro de Belinati,
julgou que o ato que reprovou as contas do então prefeito de Londrina
foi suspenso por decisão administrativa da corte de contas local e que
isso só poderia acontecer com uma ordem judicial.
Inicialmente, a corte eleitoral havia permitido que Belinati se candidatasse.
Em 6 de outubro, o ministro do TSE Marcelo Ribeiro decidiu que o pepista poderia
participar do novo pleito tranqüilamente. Ribeiro seguiu, na época,
a jurisprudência do tribunal, de que o recurso de revisão não
afasta a inelegibilidade. Por conta disso, o Ministério Público
Eleitoral (MPE) entrou com um recurso, que foi examinado hoje (28). O processo
teve dois pedidos de vista (leia aqui) - um do ministro Arnaldo Versiani, em
16 de outubro, e outro do presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, em 25 de
outubro -, até chegar à decisão final.
Discussão
A análise do recurso provocou um intenso debate entre os ministros do
TSE. De um lado ficaram o relator Marcelo Ribeiro e Arnaldo Versiani. Os dois
entendiam que a jurisprudência do tribunal deveria ser mantida. "A
jurisprudência da corte é pacífica. Belinati não é inelegível
porque tem liminar", afirmou Ribeiro. Já Versiani fez várias
ressalvas - inclusive ressaltou o fato de Belinati se amparar em um despacho
administrativo -, mas entendeu que deveriam ser respeitadas as decisões
anteriores da corte eleitoral.
Para o presidente do TSE, pela primeira vez acontece na corte a discussão
se o recurso de revisão tem efeito suspensivo. "O que vale é o
acórdão original. Os vícios nas contas do candidato são
insanáveis", afirmou Ayres Britto. O ministro Joaquim Barbosa foi
mais duro. Disse que o Tribunal de Contas do Estado "quebrou a lei" ao
conceder efeito suspensivo e que há uma "dupla ilegalidade na decisão". "[Caso
aceitemos o recurso] Nós estaremos subordinando a decisão judicial,
que cabe ao Poder Judiciário, a uma decisão administrativa",
disparou.
Pendências
Em votação apertada, Belinati foi eleito com 138.926 (51,73%)
votos para seu quarto mandato como prefeito de Londrina. No segundo turno,
o candidato do PP venceu o Luiz Carlos Hauly, que teve a preferência
de 129.625 (48,27%) eleitores. A diferença entre os dois candidatos
acabou sendo de apenas 9.301 votos.
Belinati, que atualmente é deputado estadual, teve suas contas rejeitadas
pelo Tribunal de Contas do Paraná, no valor de R$ 150 mil, quando era
prefeito de Londrina em 1999. O TCE não aceitou uma transferência
de recursos pelo Departamento de Estradas e Rodagens (DER) ao município.
Mas o próprio órgão voltou atrás, concedendo uma
liminar ao candidato. Levantamento exclusivo feito pelo Congresso em Foco revela
que Belinati responde a dois processos de Execução Fiscal na
Justiça Federal do Paraná (leia mais).
Em 2000, o então
prefeito foi cassado pela Câmara de Vereadores e declarado inelegível
por três anos, suspeito de comandar um esquema de desvio de dinheiro
público. Ele chegou a ser preso duas vezes. Belinati foi cassado
sob a acusação de gastar em excesso para divulgar a inauguração
do Pronto Atendimento Infantil (PAI), em março de 1999, e de
promover-se com a obra, a maior da administração dele.
Belinati alegou ter gasto R$ 40 mil, mas os vereadores disseram que
as despesas superaram R$ 400 mil. (Mário Coelho)
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Agência Câmara,
29 de outubro de 2008
Deputados aprovam incentivo para construção
ecológica
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania
aprovou, em caráter conclusivo, nesta terça-feira, o Projeto
de Lei 34/07, do deputado licenciado Cassio Taniguchi, que prevê incentivos
para construções de edificações urbanas que utilizem
técnicas para reduzir o impacto ambiental e economizem recursos naturais.
A proposta será analisada em seguida pelo Senado.
Essa "construção
ecológica" (termo criado pela proposta) precisa ser objetivo
de Operações Urbanas Consorciadas, que são alterações
em vizinhanças ou áreas que mudam de tipo de utilização,
previstas no Estatuto das Cidades (Lei 10.257/01) e no Plano Diretor
de cada município.
Modalidades
de design
O tipo de incentivo a ser concedido não foi previsto na proposta e deverá ser
fixado em lei, que pode inclusive ser municipal, quando da sua regulamentação.
O texto aprovado especificou apenas que as modalidades de design e de obras
contempladas deverão constar dessa lei.
O relator da proposta,
deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), recomendou
a aprovação da proposta. Ele apresentou um substitutivo
ao texto do projeto, mas apenas para adequá-lo às emendas
aprovadas anteriormente pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável. A CCJ é responsável pelo texto final
de diversas propostas, como esta, que devem ser adequadas do ponto
de vista da legislação e da técnica para escrever
leis.
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Agência Diap, 29 de
outubro de 2008
ACIDENTE DE TRABALHO
Negligência do empregador poderá gerar
custos à empresa
O Ministério da Previdência
Social vai cobrar na Justiça os gastos com pagamento de benefícios
previdenciários decorrentes de acidentes de trabalho provocados
por negligência das empresas. Os ministros José Pimentel
(Previdência Social) e Carlos Lupi (Trabalho e Emprego) assinaram
acordo de cooperação que possibilita ação
mais eficaz para a cobrança desses benefícios pagos indevidamente.
O acordo de cooperação
técnica vai facilitar o trabalho dos procuradores na recuperação
de recursos gastos com pagamento de benefícios, como aposentadoria
por invalidez, auxílio-doença, auxílio-acidente
ou pensão por morte.
Segundo determinação
do ministro José Pimentel, as ações regressivas,
como são chamadas, deverão ser tratadas como prioridade
pela Procuradoria Federal Especializada junto ao Instituto Nacional do
Seguro Nacional (INSS).
MTE
Pelo acordo, o Ministério do Trabalho e Emprego se compromete a encaminhar
ao INSS os relatórios das causas dos acidentes de trabalho no prazo
máximo de 20 dias úteis após o encerramento da ação
fiscal.
Com base nestes laudos, os procuradores
terão mais instrumentos para comprovar perante a Justiça,
quando for o caso, que o acidente ocorreu devido o descumprimento pela
empresa das normas de segurança.
Segundo o procurador-chefe da
Procuradoria do INSS, Miguel Sedrez Júnior, o recebimento periódico
dos relatórios sobre as causas dos acidentes de trabalho irá facilitar
o ajuizamento de ações regressivas. Antes, para ter acesso
aos laudos, era preciso solicitar informações aos Tribunais
Regionais do Trabalho.
Ações
regressivas
Atualmente, estão em curso 438 ações regressivas contra
empresas de várias regiões do país. Somente em Manaus,
em 12 ações favoráveis ao INSS, as empresas tiveram que
pagar R$ 2,45 milhões.
Em outras 31 que estão
em curso na cidade, o Instituto poderá ser ressarcido em R$ 10
milhões, caso fique comprovado que o acidente ocorreu devido ao
descumprimento das normas de segurança.
Embora a Procuradoria Especializada
do INSS venha ajuizando ações em todo o país, a
idéia é concentrar o trabalho no estado de São Paulo,
região responsável por 47% dos acidentes ocupacionais ocorridos
no Brasil. Em 2007, foram registrados 653 mil acidentes de trabalho no
país, o que gerou uma despesa de R$ 5,076 bilhões ao INSS
com pagamento de benefícios acidentários.
No caso de o INSS ganhar
a ação, o trabalhador não perde o benefício,
caso fique comprovado que a empresa foi a responsável pelo acidente.
O INSS cobra da empresa, mas continua pagando o segurado, mesmo em
casos de falência. (Fonte: Ministério da Previdência)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
29/10/2008
TST exclui multa do FGTS de contrato extinto
com mútuo consentimento
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) deu provimento a embargos da
Companhia Paranaense de Energia (COPEL) e isentou-a do pagamento da multa
de 20% sobre os depósitos do FGTS em processo no qual a extinção
do contrato do trabalho se deu por mútuo consentimento entre as
partes.
As decisões anteriores – da
Justiça do Trabalho da 9ª Região (PR) e da Sexta Turma
do TST - haviam aplicado, por analogia, a regra que admite a multa nos
casos de culpa recíproca ou força maior, prevista no artigo
18, parágrafo 2º, da Lei n. 8.036/1990, que dispõe
sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. O TRT/PR registrou,
em seu acórdão, que o trabalhador não contestou
a afirmação da empresa de que a extinção
se deu com o consentimento de ambas as partes nem impugnou os documentos
apresentados neste sentido. Na rescisão, o empregado recebeu R$
15 mil a título de compensação de todas as parcelas
devidas em decorrência do extinto contrato de trabalho e verbas
rescisórias de R$ 6,8 mil. Para o Regional, “a dissolução
contratual decorreu da vontade das duas partes contratantes, vale dizer,
ambas deram causa à extinção, e não apenas
o trabalhador”.
Ao interpor embargos à SDI-1,
a COPEL questionou o fato de o TRT/PR (no recurso ordinário),
e a Sexta Turma (no recurso de revista), mesmo reconhecendo expressamente
que o distrato se deu por mútuo consentimento, impôs-lhe
a condenação. Coube ao ministro Milton de Moura França
o voto vencedor, que deu razão à empresa. “A lei é expressa
ao dispor os casos em que a multa de 20% é devida”, assinalou.
O ministro lembrou o princípio do Direito segundo o qual não
existe crime sem tipo nem aplicação de pena se não
prevista em lei. “Este princípio, embora de natureza criminal,
pode ser trazido como fundamento, devidamente mitigado, para a solução
da lide, considerando-se que, em última análise, a decisão
da Turma impôs à empresa uma penalidade sem qualquer arrimo
legal”, concluiu. (E-ED-RR-642.717/2000.5)
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29/10/2008
Venda de apartamento de filho para mãe é julgada
fraude à execução
Uma mãe mineira teve rejeitado,
pela Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, agravo de instrumento
relativo a um processo já em fase de execução (penhora)
para pagamento de dívidas trabalhistas, de um apartamento que
alega ser seu e que teria comprado do filho. O imóvel foi penhorado
independente de estar no nome da genitora, porque o juízo de origem
considerou que houve fraude na venda do bem. A executada precisaria comprovar
que houve ofensa direta à Constituição na decisão
relativa à execução de sentença para que
fosse aceito seu recurso no TST, o que não conseguiu.
A processo de execução é resultado
de ação trabalhista movida por uma ex-funcionária
da Casa Branca Serviços Gerais Ltda. em abril de 2003. Ela foi
contratada como faxineira em novembro de 1999 e dispensada em março
de 2003. Durante esse período, exerceu suas tarefas em outras
empresas tomadoras de serviços. Sem receber corretamente suas
verbas rescisórias, decidiu reclamar na Justiça os seus
direitos.
Quando, na fase de execução,
foram levantados os bens à penhora, o apartamento em Belo Horizonte
apareceu na lista de propriedades de um dos sócios da empresa,
que se desligou da firma em fevereiro de 2002. Em setembro de 2003, ele
transferiu o imóvel para o nome da mãe, com a lavratura
no cartório da escritura de compra e venda. Em outro processo
julgado contra os sócios da Casa Branca, o Tribunal Regional do
Trabalho da 3ª Regiào informou que havia pelo menos 28 processos
trabalhistas dependendo da penhora desse apartamento para serem solucionados.
A ação foi ajuizada
em abril e o apartamento vendido em setembro, mas a mãe alegou
que o contrato de compra e venda foi assinado em janeiro de 1997. No
entanto, não há documentos a partir desta data comprovando
a posse do imóvel pela executada, como custeio de impostos, taxas
ou despesas em que seja titular. Diante disso, o TRT/MG entendeu que
a transação teve o intuito de impossibilitar a execução.
No agravo de instrumento ao TRT,
a executada alegou violação de dispositivos constituicionais
genéricos, como o direito à ampla defesa, à propriedade
e ao devido processo legal. Mas para o relator, ministro Lelio Bentes
Corrêa, a fraude à execução devido à alienação
de bens pertencentes ao patrimônio da executada “reveste-se
de contornos nitidamente infraconstitucionais, fator que impossibilita,
no caso, a constatação de ofensa direta e literal a dispositivo
da Constituição”.
Segundo o ministro Lelio
Corrêa, “não procede a alegação de
violação do artigo 5º, LIV e LV, da Constituição
Federal, uma vez que a reclamada não foi cerceada no seu direito
ao contraditório e à ampla defesa, exercendo-o por meio
da interposição dos recursos legalmente previstos”.
Quanto à ofensa ao direito de propriedade, o relator afirma
que “não encontra respaldo, na medida em que reconhecida
a fraude na execução”. (AIRR – 593 /2006-106-03-40.2)
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