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Agência Diap, 30 de
outubro de 2008
CARTEIRA ASSINADA
Desemprego cai, menor taxa dos últimos
10 anos em setembro, divulga Dieese/Seade
O desemprego recuou de 14,5% para 14,1%
nas seis regiões metropolitanas do país em que é realizada
a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) pela Fundação Estadual
de Análise de Dados (Seade) e Departamento Intersindical de Estatísticas
e Estudos Socioeconômicos (Dieese). É a taxa mais baixa registrada
em um mês de setembro desde 1998.
O total de desempregados atingiu
2,8 milhões de pessoas com redução de 72 mil em
comparação a agosto. A redução é 168
mil quando comparado com desempenho de setembro do ano passado. No período,
ocorreram 205 novas admissões e o corte de 75 mil vagas, resultando
na geração de 130 mil postos de trabalho, 0,8% acima de
agosto e superou em 58 mil o número de pessoas que entraram para
o mercado.
A maior parte das contratações
ocorreu em serviços (171 mil), seguido da construção
civil (18 mil) e indústria (16 mil). Nos segmentos do comércio,
foram suprimidas 37 mil vagas e em outros setores (38 mil).
Na comparação com
agosto, a maior redução na taxa de desemprego foi constatada
em Recife (-4,2%), embora essa região dentre as seis pesquisadas
registre o maior percentual de desempregados proporcionalmente à população
economicamente ativa : (20,4%) ante (21,3%) em agosto.
A segunda maior taxa de desemprego é de
Salvador (19,7%), 1% menos do que no mês anterior. Essa variação
nos municípios baianos representa um avanço sobre o mesmo
mês de 2007, quando detinha a maior taxa de pessoas em busca de
uma vaga (21,7%).
Nas demais regiões metropolitanas
foram constatados os seguintes índices de desemprego: Distrito
Federal (15,8%), 0,6% de queda; Belo Horizonte (9,5%) com recuo de 2,1%;
Porto Alegre (11,2%), 0,9% menor; e São Paulo (13,5%), 3,6% abaixo
de agosto.
No quesito nível de renda,
a pesquisa mostra que, em agosto, piorou para quem teve ganho mensal
médio de R$ 1,227. Estes tiveram renda de 0,4% menor do que em
julho. Já na média o rendimento médio dos ocupados
aumentou em 1% para quem estava na faixa de R$ 1.171.
As condições foram
melhores para os trabalhadores do Distrito Federal, onde o rendimento
médio atingiu R$ 1.735, que indica um ganho 2,6% superior ao verificado
em julho último.
No conjunto das seis regiões,
conforme a pesquisa, a massa de rendimentos cresceu 1,6%. (Fonte: Agência
Brasil)
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O ESTADO DO PARANÁ,
30 de outubro de 2008 | Economia
Crise gera incerteza para o mercado
de trabalho
Agência Estado
A insegurança que paralisa os mercados financeiros e concentra a liquidez
dos recursos no sistema bancário nacional nas grandes instituições
do setor está provocando um cenário totalmente incerto para as
perspectivas do mercado de trabalho nas principais regiões metropolitanas
do País para os próximos meses. Os economistas responsáveis
pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) realizada pela Fundação
Seade em convênio com o Dieese ponderam, contudo, que há uma tendência
dos resultados de outubro ainda registrarem uma pequena melhora na redução
do patamar de desocupados e até de aumento de renda média dos
trabalhadores em São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador
e Distrito Federal.
"Os resultados relativos
a este mês ainda podem acompanhar o quadro favorável de
expansão da economia nacional. Mas daí em diante é bem
provável que já registraremos os efeitos da crise global
sobre o nível de atividade no País, o que certamente deve
afetar o patamar de geração de empregos e de renda",
comentou Clemente Ganz Lúcio, diretor-técnico do Dieese.
O coordenador de análise
da PED da Fundação Seade, Alexandre Loloian, destacou que
o fator que causa grande apreensão e dificuldades para avaliar
os rumos do mercado de trabalho nas seis regiões metropolitanas
para um curto horizonte de tempo, inferior a seis meses, é que
houve uma brusca queda da concessão de crédito na economia.
Em setembro, o desemprego na região metropolitana de São
Paulo atingiu 13,5%, a menor taxa para o mês desde 1996. Para as
seis regiões metropolitanas a taxa chegou a 14,1%, abaixo dos
14,5% registrados em agosto.
"Qual cenário é possível
traçar quando não se sabe quando o crédito será restabelecido?",
comentou Loloian. Segundo ele, é compreensível que os empresários
fiquem mais cuidadosos para expandir suas fábricas, pois não
há condições razoáveis de financiamento disponíveis
no mercado, dado que boa parte dos recursos em poder dos bancos está aplicada
cautelosamente em títulos públicos, aguardando um momento
mais claro da conjuntura. "A verdade é que ninguém
sabe, hoje, para onde vai a crise. Ela pode começar a perder força,
mas se piorar o que poderá ocorrer?", questiona Clemente
Ganz Lúcio, diretor-técnico do Dieese.
Ele ressaltou que é possível
que em abril comece a ficar mais evidente a magnitude dos impactos
da crise financeira sobre os empregos e rendimentos dos ocupados no
Brasil. Segundo ele, é no começo do segundo trimestre
que sazonalmente pode ser delineada a tendência do mercado de
trabalho para o ano, pois já teriam passado as férias
de verão e o carnaval. "Contudo, se já registrarmos
no próximo mês efeitos expressivos sobre a capacidade
do País de criar postos de trabalho, surgir uma redução
da massa real dos salários e diminuição do consumo
das famílias, é porque a situação é mais
grave do que imaginamos", opinou.
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O ESTADO DO PARANÁ,
30 de outubro de 2008 | Economia
Estudo aponta desaceleração
na indústria
Agência Brasil
O Índice de Confiança da Indústria (ICI), medido pela
Fundação Getulio Vargas, caiu 11,7% entre setembro e outubro
deste ano, demonstrando desaceleração da atividade econômica
e pessimismo para os próximos meses. Este é o menor índice
desde janeiro de 2006: há dois anos, o nível foi de 99,1 pontos.
Em outubro, o nível é de 106,1 pontos, contra os 102,2 desde
julho de 2008.
Os dados coletados entre os
dias 1º e 27 deste mês já mostram a preocupação
dos empresários: das 1.101 empresas consultadas, 10,1% prevêm
piora nos próximos seis meses, enquanto 40,4% acreditam numa situação
melhor. Desde julho de 2003 que a pesquisa não aponta um resultado
tão ruim neste quesito.
O Índice de Situação
Atual (ISA) e o Índice de Expectativas (IE) também caíram
se comparados ao mês de julho: de 127,5 para 109,4 pontos para
o ISA e de 114,1 para 101,5 pontos para o IE.
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Agência Câmara,
30 de outubro de 2008
Plenário da Câmara aprova
o fundo soberano
Rodolfo Stuckert
O Plenário aprovou, nesta
quarta-feira, a criação do Fundo Soberano do Brasil
(FSB), que será composto por recursos excedentes ao superávit
primário. Ele financiará projetos empresariais estratégicos
do Brasil no exterior e os seus recursos poderão ser aplicados
nos ativos mais rentáveis, como ações e títulos
privados. Por causa de um acordo entre os partidos, foi transferida
para esta quinta-feira (30) a análise de dois destaques para
votação em separado (DVS). Os demais destaques serão
votados na terça-feira (4).
A matéria foi aprovada
na forma de substitutivo do deputado Pedro Eugênio (PT-PE), da
Comissão de Finanças e Tributação, ao Projeto
de Lei 3674/08. Entre as mudanças feitas por ele, estão
a possibilidade de mais de um banco federal ser o agente operador dos
recursos do fundo e a proibição de uso do dinheiro resgatado
do FSB em despesas de caráter continuado (remuneração
de servidores, por exemplo). O texto original previa que o fundo seria
administrado por apenas um banco.
O primeiro aporte de recursos
que o governo pretende fazer no fundo é de R$ 14 bilhões,
vindos do excedente do superávit e equivalentes a 0,5% do Produto
Interno Bruto (PIB) atual. Também poderão ser direcionadas
ao fundo ações de empresas de economia mista, como a Petrobras
ou o Banco do Brasil, até o limite em que o controle acionário
dessas companhias continue sob o domínio da União.
Resgates
Os recursos do FSB resgatados pela União deverão ser incluídos
no Orçamento federal. Eles terão a função exclusiva
de minimizar os efeitos negativos, na economia, de problemas como a falta de
liquidez. Para ocorrer o resgate, será necessário um parecer
técnico do conselho deliberativo do fundo.
Um decreto regulamentará detalhes
do funcionamento do FSB, como a política de aplicação,
com critérios e níveis de rentabilidade e de risco; as
diretrizes de gestão; e as regras de supervisão.
As decisões sobre as aplicações
com recursos do fundo caberão ao conselho deliberativo, que, de
acordo com o substitutivo aprovado, será composto pelos ministros
da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central. Segundo
o projeto original, o Poder Executivo deliberaria sobre essa composição.
O conselho deverá aprovar
a forma, o prazo e a natureza dos investimentos.
Outro ponto mudado pelo relator é o
aumento da freqüência de envio de relatórios de desempenho
ao Congresso Nacional. Eles passam de semestrais a trimestrais.
Íntegra da proposta:
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PL-3674/2008
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Gazeta do Povo, 30 de outubro
de 2008
Ajuda
Construção ganha
linha de crédito de até R$ 11 bi
construção civil para conter
o desaquecimento do setor. Os recursos virão da liberação
de 5% dos depósitos da caderneta de poupança e poderão
atingir R$ 11 bilhões, dos quais a Caixa Econômica Federal
já antecipou que oferecerá R$ 3 bilhões para cobrir
custos de construção e compra de carteira de recebíveis
das empresas.
A linha oferecida pela Caixa
terá garantia especial do governo federal, por meio de retenção
de dividendos, e será oferecida às empresas a uma taxa
de 10% a 11% ao ano, mais variação da Taxa Referencial
(TR). Assim, as empresas com dificuldades poderão tomar dinheiro
emprestado a um custo anual de 11,4% a 12,4% ao ano.
“Tudo está sendo
feito a taxa de juros de mercado”, disse o secretário
de Política Econômica do Ministério da Fazenda,
Nelson Barbosa. O argumento é que os recursos da poupança
são captados hoje a uma taxa de cerca de 7% ao ano. Se a Caixa
cobrar 12%, ainda terá cerca de 5% ao ano de lucro.
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Vermelho, 30 de outubro de
2008
Juros: EUA cortam de 1,5% para
1%; Copom mantém 13,75%
As críticas contra o Copom
(Comitê de Política Monetária do Banco Central ,
do Banco Central), por ter mantido nesta quarta-feira (29) a taxa Selic
de juros básicos em 13,75% ao ano, foram ainda mais contundentes
por se contraporem ao corte decidido no mesmo dia pelo Federal Reserve
(ou Fed, o banco central dos Estados Unidos), de 1,5% para 1,0% anuais.
Fontes: Copom
e 'The New York Times'
Veja o gráfico ao lado,
que mostra as curvas das taxas de juros básicas do Brasil e dos
Estados Unidos. Observe como, a partir do estouro da chamada crise do
subprime, o Federal Reserve decidiu sucessivos cortes na taxa de juros.
E note como o Copom de Henrique Meirelles fez a opção inversa,
elevando os juros em 2,5 pontos, em sucessivas majorações
decididas a partir de abril.
Fiesp: "Ação inibidora
do crédito"
Embora desta vez a taxa de juro
não tenha subido, as críticas choveram sobre o Copom, por
não ter acompanhado os bancos centrais dos EUA e outros países,
preferindo manter a taxa em 13,75%. Desde as centrais sindicais até os
representantes patronais do chamado setor produtivo, a condenação
foi unânime.
A nota da Fiesp (Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo) apontou que os bancos
centrais ao redor do mundo estão indicando a possibilidade de
redução de juros. Só fogem a esta regra países
como a Islândia, em grandes dificuldades face à crise, "o
que decididamente não é o caso do Brasil."
"O Banco Central vem tomando
uma série de medidas para promover a liquidez objetivando o restabelecimento
do crédito. A manutenção de juros altos é ação
inibidora deste processo, pois garante aos bancos retorno certo com baixo
risco, incentiva o carregamento de títulos e inibe o crédito
aos múltiplos agentes", disse a Fiesp.
O presidente da Fiesp, Paulo
Skaf, disse que a decisão "deve ser bem recebida" mas "desde
que seja vista como o início de um processo de queda continuada
dos juros, fator essencial à retomada do crédito evitando
assim uma maior freada da atividade econômica no Brasil".
Fecomercio vê Copom "na
contramão"
As federações
do comércio dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro (Fecomercio)
também chamaram a atenção para a "contramão" em
que está o Copom. "Enquanto o mundo inteiro se preocupava
com o ritmo da economia e a Europa, o Japão e os Estados Unidos
reduziam consistentemente suas taxas de juros, o Banco Central do Brasil
parecia caminhar na contramão e ignorar os claros sinais de recessão
que estão à vista de todos", afirmou Abram Szajman,
presidente da Fecomercio-São Paulo.
" Se o governo não reduzir os juros, setores industriais dependentes
de crédito, voltados praticamente apenas para atender o mercado interno,
são os que sofrerão mais. É o caso do setor automobilístico
e da construção civil, justamente aqueles que o governo considera
como os mais relevantes para manter o ritmo de atividade e o nível de
emprego" concluiu Szajman.
Orlando Diniz, presidente da
Fecomércio-Rio de Janeiro, também foi crítico. "O
Copom mostrou-se atento à gravidade da crise financeira internacional,
mas perdeu a oportunidade de amenizar seus efeitos, o que significaria
optar pelo corte nos juros. Se as altas anteriores da Selic vinham sendo
compensadas pelo alargamento dos prazos dos financiamentos, agora, com
a crescente aversão ao risco e a baixa liquidez, o impacto dos
juros será maior", disse.
Lula faz ironia com Copom e Alencar
O prefeito de Belo Horizonte
(MG), Fernando Pimentel (PT), que teve nesta quarta-feira uma audiência
com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse à imprensa
que o próprio Lula defendeu a redução dos juros.
Em um momento da reunião
de Lula com o oprefeito em fim de mandato e o eleito para sucedê-lo,
Márcio Lacerda (PSB), passou pela sala o vice-presidente, José Alencar,
mineiro e uma das vozes mais críticas à ortodoxia do Banco
Central. "Vamos ver se o Copom vai agir hoje como o Alencar quer",
disse o presidente, conforme o relato de Pimentel.
Lula, no entanto, mantém
uma política de "autonomia de fato" em relação
ao Banco Central. Embora tenha manifestado contrariedade já em
outras ocasiões, não ousa enquadrar ou substituir o presidente
do BC, Henrique Meirelles, que comanda um bunker ultra-ortodoxo no interior
da equipe econômica do governo.
Fed mantém política
de cortes drásticos
O Federal Reserve (Fed, o banco
central dos Estados Unidos) decidiu nesta quarta-feira, por unanimidade,
reduzir a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, de 1,5%
ao ano para 1%. Desde meados do ano passado o Fed tem feito sucessivos
cortes nos juros, na tentativa de aquecer a atividade conômica
no país.
Este foi o segundo corte de
meio ponto neste mês. O juro real (descontada a inflação)
que já era negativo no país desde o início do ano,
pois o Fed acredita que a inflação vai recuar nos próximos
trimestres para um "nível consistente com estabilidade de
preços". A taxa dos Fed Funds (títulos que lastreiam
os empréstimos interbancários no overnight) alcançou
o menor patamar desde 2003-2004 (veja o gráfico).
Ao comentar a medida, que pretende
atenuar a recessão dada como certa nos EUA, o Fed fez um diagnóstico
sombrio: "O ritmo da atividade econômica parece ter se tornado
marcadamente mais lento, devido em grande parte a um declínio
nos gastos de consumo". Aponta ainda que o enfraquecimento das economias
de outros países afeta as perspectivas das exportações.
O comunicado manifesta esperanças
de melhora, depois das medidas da os governos e bancos centrais tanto
dos EUA como de outros países. Mas a Bolsa de Nova York recuou
depois da decisão e fechou em baixa de 0,83%.
Cortes dos juros se espraiam face à crise
O primeiro corte de juros de
outubro nos EUA, no início do mês, foi uma decisão
coordenada entre vários países, numa tentativa de resposta
conjunta à crise. O desta quarta-feira não, mas coincidiu
com decisões semelhantes de outros países.
A China decidiu reduzir em 0,27
ponto a sua taxa de juros básica, de 3,87% ao ano para 3,60%.
Esta foi a terceira redução da taxa de juros chinesa em
seis semanas.
O banco central da Noruega decidiu no mesmo sentido nesta quarta. Nesta sexta-feira
(31) será a vez do Japão examinar um corte nos juros. Esta tem
sido a tendência geral dos bancos centrais do mundo, que deixaram de
priorizar a rigidez antiinflacionária diante da ameaça maior
de uma recessão econômica, muitos deles praticando inclusive taxas
de juros negativas.
Da redação,
com agências
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Agência Diap, 30 de outubro de 2008
PERDA DE FORÇA
Eleições 2008:
com Lula no poder, oposição perde 910 prefeituras
O período de poder
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva representou uma
desidratação municipal dos partidos de oposição.
Em relação ao mapa eleitoral municipal de 2000,
quando o tucano Fernando Henrique Cardoso ainda era o presidente,
PSDB, DEM e PPS, atualmente as principais legendas da oposição,
já encolheram em 910 prefeituras. A maior redução
aconteceu com o DEM, que deve comandar a partir do próximo
ano 532 cidades a menos do que fazia em 2000, quando ainda se
chamava PFL.
Esses números apontam claramente a volatilidade da política nacional,
onde grande parte dos políticos se alia automaticamente aos principais
núcleos de poder do País, independentemente de ideologia.
Assim, o PMDB, que se manteve na base de sustentação do governo
federal durante as gestões de Fernando Henrique e de Lula, conseguiu
preservar nos últimos anos sua condição de partido com
o maior número de prefeituras. Enquanto era aliado de Fernando Henrique
em 2000, os peemedebistas conquistaram a gestão de 1.257 cidades.
Na eleição seguinte, em 2004, houve uma queda por conta da demora
do partido em aderir completamente ao novo governo petista. O PMDB perdeu 200
prefeituras, mas mesmo assim ainda venceu em 1.057 cidades. Agora, completamente
afinado com o governo Lula, o partido voltou a se fortalecer, com vitórias
em 1.203 municípios.
Declínio
Para a oposição, ao contrário, o afastamento do Palácio
do Planalto significou a redução de sua capilaridade municipal.
Em 2000, quando ocupava a Vice-Presidência da República e era
o segundo partido mais forte do governo Fernando Henrique, o então PFL
ganhou em 1.028 cidades.
Quatro anos depois, caiu para 790. Desde então, já com o nome
novo e um discurso muito forte de oposição ao governo federal,
a queda foi mais drástica ainda, com a vitória em apenas 496
cidades, embora tenha vencido em São Paulo - a maior de todas. Um desempenho
pior, por exemplo, que o modesto e governista PP, que ganhou em 549 municípios.
O comando nacional do DEM atribui também essa queda à suposta
cooptação feita pelo governo federal sobre os quadros do partido.
Segundo o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), somente a
adoção do princípio da fidelidade partidária -
que puniu os infiéis com a perda de mandato - foi capaz de frear a sangria
nos quadros do partido.
Entre os tucanos, a queda foi menos sensível até por conta dos
importantes governos regionais controlados pelo partido, como São Paulo
e Minas Gerais, e pela expectativa de poder para a sucessão presidencial
de 2010. Afinal, o partido tem hoje nos governadores de São Paulo, José Serra,
e de Minas, Aécio Neves, dois nomes com grande potencial político
para disputar a sucessão de Lula. Mesmo assim, os tucanos perderam 204
cidades desde 2000.
PPS
Menor dos três partidos de oposição, o PPS também
sentiu na pele os efeitos de ser ou não aliado do governo. Em 2000,
tinha 166 prefeituras. Embora tivesse candidato à Presidência
em 2002, com Ciro Gomes, sua direção mantinha boa relação
com o governo Fernando Henrique.
Com a vitória de Lula, o PPS se juntou à base aliada, ganhando
o Ministério da Integração Nacional, entregue justamente
a Ciro, e outros cargos importantes. Assim, saltou em 2004 para 306 prefeituras.
Mas o PPS rompeu com o governo nesse mesmo ano e Ciro acabou se mudando para
o governista PSB. Na oposição, o PPS voltou a encolher, caindo
agora para 132 prefeituras. (Fonte: O Estado
de S.Paulo)
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Gazeta do Povo, 30 de outubro
de 2008
Repúdio
Parlamentares acusam o TSE de ter
cometido um “atentado à democracia”
Os deputados estaduais repudiaram
a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que cassou a candidatura
de Antonio Belinati (PP) e ameaçaram ontem aprovar uma moção
de repúdio contra o que consideram um “atentado à democracia”.
Os discursos inflamados de apoio
a Belinati durante a sessão da Assembléia Legislativa partiram
de aliados e de adversários. É consenso de que a cassação
deveria ter sido julgada pelo TSE antes da eleição e não
dois dias após o segundo turno.
Outra problema levantado pelos
deputados é o precedente aberto para outros prefeitos eleitos
que estão pendurados no TSE, aguardando decisão final.
O deputado Stephanes Júnior
(PMDB) foi o primeiro a puxar a fila dos descontentes com a Justiça
Eleitoral. Chegou a defender que possíveis prejuízos dos
manifestantes em Londrina sejam cobrados do TSE.
O presidente da Assembléia
Legislativa, Nelson Justus (DEM), não quis entrar no mérito
do julgamento, mas também discordou da decisão extemporânea. “Uma
canetada brusca arranha a democracia”, afirmou.
A deputada estadual Rosane Ferreira
(PV) criticou a demora da Justiça no julgamento de processos e
Ney Leprevost (PP) disse que a Constituição Federal foi
rasgada porque estabelece que “todo poder emana do povo e por ele
será exercido”.
Alguns deputados estavam dispostos
a tomar uma atitude mais radical contra o TSE e cogitaram a idéia
de aprovar uma moção de repúdio, mas a proposta
não avançou. O líder do governo, Luiz Cláudio
Romanelli (PMDB), disse que a Justiça colocou as manguinhas de
fora pela omissão do Legislativo. Ele insinuou uma eventual interferência
política no julgamento. “Foi cometida uma fraude, a manipulação
de um sujeito oculto que deve ser muito forte e poderoso”, afirmou.
Além das críticas,
o deputado Tadeu Veneri (PT) defendeu que os legislativos tomem medidas
práticas para evitar a repetição do que está ocorrendo.
A solução, segundo ele, seria cobrar rapidez no julgamento
das ações envolvendo políticos. “Estamos votando
aqui contas de governadores que já deixaram o cargo há 5
anos. Por que tanta demora do Tribunal de Contas? A população
fica com a impressão que existe certa tolerância com os
casos envolvendo políticos”, afirmou.
Para o deputado Jocelito
Canto (PTB), Belinati não deveria se preocupar porque está com
a “alma lavada” depois de ter sido reeleito mesmo tendo
enfrentado até a prisão. “Não precisa nem
pegar esse mandato. O senhor já enfrentou a máquina do
governo federal, estadual e municipal e deu uma rasteira em todo mundo,
tipo Bruce Lee contra os 50 chinezinhos. Já ganhou moralmente
o respeito do povo”, disse.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
30/10/2008
Frentista soropositivo receberá indenizações
por dano moral e discriminação
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho Frentista admitiu recurso de revista de um frentista
demitido por ser portador do vírus HIV e concedeu, além
da indenização por dispensa discriminatória, reparação
por dano moral no valor de R$ 10 mil. “A indenização
prevista no artigo 4º da Lei nº 9.029/1995 remunera apenas
o dano material decorrente da despedida discriminatória, não
tendo o condão de compensar o dano moral sofrido”, afirmou
o relator, ministro Carlos Alberto Reis de Paula.
O empregado descobriu ser portador
do vírus HIV ao contrair pneumonia em março de 2002 e ter
que se afastar do trabalho por quinze dias. Ao término da licença,
mas antes de retornar ao trabalho, realizou uma série de exames,
em que se constatou a presença do vírus. Pouco depois de
retornar, foi comunicado da dispensa. Deduziu ter sido demitido por ser
soropositivo, pois, ainda no período de afastamento, após
várias abordagens de uma funcionária do posto em que trabalhava,
sua mãe revelou o seu verdadeiro problema de saúde.
Informaram-lhe que receberia
alguns meses de salário para que permanecesse em sua residência,
o que não se concretizou, evidenciando, a seu ver, a discriminação,
porque tinha condições de trabalhar, conforme alta médica
reconhecida pela perícia do INSS. Um dia antes da homologação
da rescisão, a empresa foi notificada por uma advogada da Fundação
Açoriana para o Controle da AIDS de que o frentista era soropositivo
e a demissão, logo após o conhecimento desse fato, se constituiria,
a seu ver, num ato discriminatório. A própria Delegacia
Regional do Trabalho, por meio do Núcleo de Promoções
da Igualdade de Oportunidades e Combate à Discriminação
em Santa Catarina, após denúncia encaminhada, constatou
a natureza discriminatória da medida, por intermédio de
um fiscal.
Na Sexta Vara do Trabalho de
Florianópolis, o empregado postulou ação, visando à declaração
da natureza discriminatória da rescisão, o pagamento dos
salários em dobro, do período de afastamento do trabalho,
com base na maior remuneração e indenização
por danos morais no valor de R$ 80 mil. Todavia, o juiz apenas condenou
o posto apenas a pagar multa por atraso das verbas rescisórias
e anotar em sua carteira de trabalho a data da dispensa.
No recurso ordinário,
o Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (SC) concedeu
a indenização com base no artigo 4º da Lei nº 9.029/1995,
que prevê pagamento em dobro dos salários do período
de afastamento. Para o Regional, a discriminação e o dano
moral são situações muito próximas, ou seja,
quem discrimina está produzindo danos na esfera extrapatrimonial
de valores da personalidade. Com base neste entendimento, considerou
que o eventual sofrimento com a despedida injusta e discriminatória
já estaria sendo reparado pela indenização.
Ao recorrer ao TST, o frentista
alegou que a indenização por discriminação
não exclui a indenização por danos morais, pois
esta teria respaldo em dispositivo legal diferente: o artigo 5º,
incisos V e X da Constituição Federal. O relator, Carlos
Alberto Reis de Paula, destacou que o empregador, ao dispensar discriminatoriamente
o portador do HIV, “ofendeu a concepção que o trabalhador
tinha de si mesmo, causando-lhe prejuízo pessoal e provocando
ainda abalo em sua reputação”. Para o ministro, a
Constituição Federal admite que, de um mesmo fato, possa
resultar dano tanto de ordem material como moral, uma vez que considera
o patrimônio e a honra como bens jurídicos autônomos,
individual e separadamente tuteláveis.
O artigo 4º da Lei nº 9.029/1995
oferece ao trabalhador discriminado duas opções: a readmissão
com ressarcimento integral de todo o período de afastamento, ou
o pagamento em dobro da remuneração desse mesmo período.
A remuneração em dobro, no entendimento do ministro Carlos
Alberto, é verba que visa a indenizar o dano decorrente do não-pagamento
do salário. “Assim, sua natureza material é manifesta”,
explicou. A readmissão, por sua vez, “materializa ou densifica
os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, do
estado democrático de direito, dos valores sociais do trabalho
e da função social da empresa, protegendo aquele que, como
no presente caso, sofre de despedida meramente discriminatória,
já que era perfeitamente capaz de continuar trabalhando.” É com
base neste dispositivo legal que o TST tem reconhecido o direito à estabilidade
do portador de HIV. “Admitir que a readmissão tenha ao mesmo
tempo natureza de composição dos danos material e moral
poderia colocar o empregado em situação mais desfavorável
do que antes da promulgação dessa lei dita especial, uma
vez que a Constituição e o Código Civil impõem
a compensação por dano moral em toda sua extensão
e profundidade, vale dizer, não estabelecem limites ou tarifações”,
concluiu. ( RR-3957/2002-036-12-00.2)
(Lourdes Côrtes e Carmem
Feijó)
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30/10/2008
Doença ocupacional: industriária
obtém reintegração e pensão vitalícia
Uma funcionária da Chocolates
Garoto S.A. receberá mensalmente, além do salário
pela reintegração ao emprego, indenização
por danos materiais convertida em pensão vitalícia, por
sofrer de doença profissional, a lesão por esforços
repetitivos (LER). A decisão da Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho considerou que houve redução da capacidade
de trabalho da empregada por culpa da empresa, e que a reintegração
não impede o recebimento de indenização por danos
materiais. A trabalhadora teria perdido, devido à doença,
a plena capacidade de trabalho, pois apresenta limitações.
Segundo o ministro Guilherme
Caputo Bastos, relator do recurso de revista, a pensão mensal
vitalícia destina-se “a reparar a parte lesada dos valores
que deixaram de ser percebidos em virtude do evento danoso”. O
entendimento do relator, seguido por unanimidade pela Sétima Turma,
foi de que a reintegração por força de decisão
judicial não induz à conclusão de que não
tenha sido diminuída a possibilidade da trabalhadora de obter
ganhos superiores ao que vem recebendo após ter sido reintegrada,
em relação ao que poderia receber se não tivesse
sido reduzida a sua capacidade laboral.
Se não há dúvidas
de que a empresa foi a única responsável pela moléstia
que ocasionou a incapacidade parcial da trabalhadora, “o ressarcimento
pelos danos decorrentes da doença funcional advém da responsabilidade
infortunística e da responsabilidade civil da reclamada”,
afirma o ministro Caputo Bastos. Por essa razão, concluiu ser
possível admitir a cumulação do salário recebido
pela reintegração no emprego com o recebimento da pensão
decorrente da reparação civil, já que, com a redução
de sua capacidade laboral a trabalhadora “sofreu lucros cessantes
e também depreciação”.
Entre outras tarefas, a trabalhadora
ficou anos embalando bombons, encaixotando chocolates e carimbando caixas.
Foi assim que desenvolveu a doença conhecida como LER. Após
aproximadamente dez anos como acondicionadora, auxiliar de produção
e auxiliar de operação, a empregada foi demitida em agosto
de 1997. Ela ajuizou, então, uma reclamatória trabalhista,
anterior a esta que ganhou agora no TST. Na ação mais antiga,
pleiteou a reintegração, alegando estabilidade no emprego
em virtude de doença ocupacional. A sentença lhe foi favorável.
Na ficha médica da funcionária,
havia registros de queixa de dor no punho direito desde 1993, mas a empresa
só emitiu a Comunicação de Acidentes de Trabalho
(CAT), para obtenção de auxílio-doença do
INSS, em agosto de 1996. Foram três anos, segundo a trabalhadora,
após o diagnóstico, nos quais não sofreu nenhum
tratamento ou encaminhamento por parte da empresa. Posteriormente, a
perícia judicial da Vara de Acidentes de Trabalho de Vitória
(ES) verificou que houve perda definitiva de sua capacidade de trabalho.
Ao apreciar a ação
de danos morais e materiais, a 9ª Vara do Trabalho de Vitória
julgou improcedente a ação. No recurso ao Tribunal Regional
do Trabalho da 17ª Região (ES), a trabalhadora conseguiu
decisão favorável quanto aos danos morais, no valor de
R$ 25 mil. Finalmente, no TST, obteve também o direito à indenização
por danos materiais. (RR – 71/2006-009-17-00.0)
(Lourdes Tavares)
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