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Agência Diap, 31 de
outubro de 2008
FUNDO DE GARANTIA
FGTS vai repassar R$ 7 bi ao BNDES
via FI-FGTS para fortalecer setor produtivo
O conselho curador do Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou, nesta quinta-feira
(30), o repasse de R$ 7 bilhões do Fundo para o Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A operação
será feita por meio do Fundo de Investimento (FI) do FGTS.
O ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, que é presidente do conselho, explicou que o objetivo é fortalecer
a instituição para a concessão de empréstimos
ao setor produtivo. Desde antes do agravamento da crise externa, o presidente
do BNDES, Luciano Coutinho, solicitou maior repasse de recursos para
que o banco possa apoiar mais projetos em infra-estrutura.
O secretário-executivo
do conselho, Paulo Furtado, informou que foi aprovada uma resolução
que permite ao FI repassar recursos ao BNDES e receber debêntures,
que serão lastreadas nos projetos de infra-estruturas financiados
pelo BNDES.
"Esses projetos terão
de respeitar as áreas que o FI-FGTS pode financiar de acordo com
a lei", disse o técnico, lembrando que as áreas são
energia elétrica, ferrovias, portos, rodovias e hidrovias, além
daquelas que o próprio FGTS pode financiar, que são habitação
e saneamento.
Ainda de acordo com o secretário,
a remuneração e o prazo das debêntures estarão
vinculados aos contratos que forem selecionados, de modo que o fundo
seja ressarcido ao longo do andamento dos projetos. (Fonte: Agencia
Estado)
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Folha de S.Paulo, 31 de outubro
de 2008
Conselho amplia recurso do FGTS para
habitação
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) aprovou
ontem o orçamento de 2009, que prevê a liberação
de R$11,9 bilhões para o setor de habitação. O volume é 40%
superior ao autorizado para execução neste ano. O valor total
para investimentos no próximo ano será de R$ 27,4 bilhões.
Na reunião de ontem, o conselho curador também alterou as regras
do FI-FGTS (fundo de investimento em infra-estrutura) para permitir um repasse
imediato de R$ 7 bilhões para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social) aplicar em projetos de infra-estrutura. Em uma negociação
anterior com o banco, o fundo já havia repassado R$ 6,5 bilhões
neste ano.
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) afirmou que o orçamento de 2009 reflete
o aumento da arrecadação do FGTS neste ano. Ele acrescentou que,
no cenário de crise, os recursos serão importantes para manter
o nível de atividade na construção civil.
Dos R$ 11,9 bilhões para habitação, R$ 7,4 bilhões
beneficiarão famílias de baixa renda. Para o programa de financiamento
exclusivo para cotistas do fundo (com juros diferenciado), foi reservado R$
1 bilhão. Já a área de saneamento ficou com R$ 4,6 bilhões.
Capitalização
O BNDES vem buscando em várias fontes recursos para elevar sua capacidade
de empréstimo às empresas. Setores do governo e integrantes do
conselho vinham apresentando restrições ao empréstimo
direto ao banco com o temor de que o FGTS tenha o mesmo destino do FAT (Fundo
de Amparo do Trabalhador).
O FAT é a principal fonte do BNDES e encontra-se em situação
financeira delicada. Acredita-se que a partir de 2010 o fundo apresente resultados
negativos.
Na reunião do conselho, as bancadas que integram o colegiado (governo,
trabalhadores e empresários) precisaram interromper as discussões
para acalmar os ânimos. Apesar do clima tenso, no final foi aprovado
o repasse direto ao BNDES, que emitirá para o fundo debêntures
(papéis) próprias lastreadas em um conjunto de projetos de infra-estrutura.
Esses projetos serão avaliados pela Caixa e pelo comitê de investimento
do FI-FGTS e precisam ser das áreas de energia, rodovias, ferrovias,
portos, saneamento e hidrovias -setores previstos na lei de criação
do fundo de infra-estrutura. Segundo o secretário-executivo do FGTS,
Paulo Furtado, o prazo de pagamento ao fundo acompanhará a curva média
de retorno dos projetos. (JULIANNA SOFIA)
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Agência Diap, 31 de
outubro de 2008
TERCEIRIZAÇÃO
PL 4.302/98: FST se mobiliza para
que Câmara arquive projeto de FHC
As entidades que compõem
o FST (Fórum Sindical dos Trabalhadores) se movimentam na Câmara
para que a Casa vote a mensagem presidencial que pede o arquivamento
do PL 4.302/98, que trata da terceirização, recentemente
aprovado pela Comissão de Trabalho. As lideranças sindicais
conseguiram a assinatura dos líderes partidários do PDT,
PMDB, PT, PR e PPS, em apoio à apreciação pelo plenário
da Câmara, da Mensagem Presidencial 389/03.
O FST, após o projeto
ser aprovada pela Comissão de Trabalho da Câmara articulou
um movimento, cujo objetivo é pressionar os deputados a votar
o pedido de arquivamento deste projeto de lei que aprofunda a precarização
das relações de trabalho no País. Desde que o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva enviou a mensagem ao Congresso o DIAP
alerta para o fato de a Câmara ignorar o pedido.
Paralelamente a esta ação
do FST na Câmara dos Deputados, as entidades solicitaram também
gestões do ministro do Trabalho, Carlos Lupi para que converse
com os líderes partidários para que pautem em caráter
de urgência o pedido de arquivamento do projeto de lei.
“Conseguimos a maioria
absoluta através dessas assinaturas dos líderes e amanhã [hoje]
(30), estaremos procurando os líderes do PTB, PSB e PCdoB e outros
líderes que porventura queiram aderir a mais esta luta do FST,
disse o seu coordenador nacional José Augusto da Silva Filho”.
E acrescentou: “Vamos
nos mobilizar agora e empenharmos nossas forças e articulações
junto às lideranças da Casa e o presidente Arlindo Chinaglia
(PT/SP), para que esta matéria entre na ordem do dia do plenário
da Câmara, para que seja votada imediatamente (...). “Vamos
nos empenhar para que na próxima reunião do Colégio
dos Líderes, as lideranças se manifestem sobre a Mensagem
Presidencial, para que seja definitivamente pautada e votada”.
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O ESTADO DO PARANÁ,
31 de outubro de 2008 | Economia
CMN aprova uso da poupança para
crédito a construtora
Agência Estado
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou hoje resolução
permitindo que os recursos captados da poupança possam ser usados pelos
bancos para emprestar capital de giro às empresas construtoras imobiliárias.
Esses financiamentos poderão ser considerados no cálculo da exigibilidade
da poupança até um limite de 5%. Dos recursos captados pelos
bancos em poupança, 65% têm que ser aplicados em habitação.
Agora, os bancos têm a opção de aplicar 5% desse volume
em empréstimos para as construtoras imobiliárias.
O CMN, no entanto, impôs
condições para os empréstimos: ter prazo máximo
de 60 meses e ser concedido até 31 de março de 2009. O
empréstimo também tem que ter sido concedido a incorporações
imobiliárias submetidas ao regime do patrimônio de afetação
ou a sociedades de propósito específico constituídas
para construção e venda de imóveis.
Crédito rural
O CMN aprovou também uma
resolução que eleva de 65% para 70% a exigibilidade de
aplicação dos recursos da Poupança Rural em crédito
agrícola. Para compensar a mudança, o governo reduziu o
compulsório sobre os depósitos de Poupança Rural
que devem recolhidos ao Banco Central. A redução foi de
20% para 15%.
As mudanças valem
para o restante do ano-safra 2008/09. Ou seja, de 1º de novembro
a 30 de junho de 2009. Na mesma resolução também
foi definido que no mínimo 60% dos recursos da exigibilidade
sejam destinados exclusivamente a operações de crédito
rural. Os 40% restantes deverão ser destinados a operações
de financiamento de Cédulas do Produto Rural (CPRs), inclusive
aquelas que estão em poder da agroindústria, cooperativas,
fornecedores de insumos e tradings.
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O ESTADO DO PARANÁ,
31 de outubro de 2008 | Economia
Setor imobiliário segue aquecido
Rosângela Oliveira
Enquanto alguns setores da economia estão amargando prejuízos
com a crise internacional, o de imóveis continua com a mesa farta para
atender os investidores, que continuam com muita “fome”.
Só a Caixa Econômica
Federal (CEF) espera aplicar este ano em financiamento habitacional R$
23 bilhões. No Paraná as contratações do
banco até o mês de setembro atingiram R$ 1,038 bilhão,
contra R$ 1,225 bilhão durante todo o ano de 2007.
Segundo dados da Associação
Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança
(Abecip) o volume de contratações só com recursos
da poupança atingiu em setembro R$ 2,94 bilhões, elevando
para R$ 22,8 bilhões o montante contratado nos primeiros nove
meses de 2008. Esse total supera em 89,3% o volume contratado no mesmo
período do ano passado. Só nesse ano foram financiadas
227,2 mil unidades no País.
Ainda nesta semana o Conselho
Curador do FGTS (Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço) deveria
apresentar uma proposta para a liberação de mais R$ 11
bilhões para financiamento de imóveis em 2009. Diante desse
cenário, a contaminação do crédito imobiliário
brasileiro pela crise norte-americana parece remota.
“Os recursos para o financiamento
tem destinação exclusiva, e por isso não vai faltar
dinheiro. Além disso, não estão atrelados ao dólar,
o que garante que não haverá elevação dos
juros para quem financiou”, afirma o vice-presidente Sindicato
da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon/PR),
Normando Bau.
Segundo ele, a construção
civil é de longo prazo, e os empreendimentos que foram iniciados
serão concluídos nos próximos dois ou três
anos, sem a influência de aumento nos preços, pois que a
grande maioria dos insumos são nacionais, que não sofrem
com as flutuações cambiais.
Consórcio
E por ser considerado um investimento
seguro, o mercado de imóveis tem atraído cada vez mais
adeptos. A diretora superintendente da Ademilar Consórcio de Imóveis,
Tatiana Reichmann, afirmou que só neste mês de outubro a
venda de cotas bateu todos os recordes. Saltou de uma média mensal
de R$ 16 milhões para R$ 25 milhões em créditos
futuros.
“Os investidores estão
vindo em busca do consórcio, que apresenta, entre outras vantagens,
a ausência de juros”, comentou. Segundo Tatiana, muitas pessoas
que já têm imóvel estão adquirindo cotas de
consórcio como um investimento. O agente de trânsito, Jair
Pires do Nascimento Júnior ainda está pagando pelo consórcio
e tem planos de adquirir mais um.
“Fiz o consórcio
para comprar minha casa por achar a opção mais viável
que um financiamento. E quando terminar já vou fazer outro, pois
achei a opção muito segura”, afirmou.
Além dos investidores,
as classes sociais identificadas como média baixa renda também
estão migrando para o consórcio. E atentos a essa pluralidade
de perfil, as empresas estão diversificando seus produtos. Hoje
a Ademilar possui um consórcio com prestações de
R$ 175 com prazos de até 240 meses.
Venda e locação seguem
em alta
A estabilidade do mercado também
se reflete nas transações de venda e locação
de imóveis. Dados do Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento
do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar), do Sindicato
da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR),
apontam que o índice de locação sobre oferta em
Curitiba chega a quase 27% para imóveis residenciais. Já a
venda de imóvel usado sobre a oferta destes imóveis alcança
a margem de 22%.
“Além dos contratos
já firmados de locação, que continuarão com
os mesmos índices, o setor acompanha as tendências dos últimos
meses, mantendo-se estável”, garante o vice-presidente de
Estatística do Secovi-PR, Maurício Moritz.
Para os imóveis comerciais,
os índices de locação sobre oferta também
se mantêm estáveis, com uma média de 10,76%. O índice
de venda de usados sobre a oferta é de 8%.
“As vendas de imóveis
comerciais são muito sazonais. Para o setor manter este índice é uma
conquista”, explica o vice-presidente Administrativo do Secovi-PR,
Luiz Antônio Laurentino.
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O ESTADO DO PARANÁ,
31 de outubro de 2008 | Economia
Cautela ao receber o dinheiro do 13º salário
Mara Andrich
Para quem não tem dívidas e não sabe qual a melhor destinação
para o seu 13.º salário, não pense que pode gastar tudo
em presentes de Natal ou em viagens de fim de ano. O conselho dos especialistas é o
mesmo daquele dado para quem tem dívidas: cautela.
Para quem quer guardar um pouco
de dinheiro, o professor de Economia da UniFae Gilmar Lourenço
aconselha, nesse momento de crise, utilizar a poupança ou a renda
fixa, dependendo do valor. “Se quiser um rendimento maior, um investimento
seguro é comprar títulos do Tesouro Nacional”, diz
ele. O professor de Finanças da Faculdade Módulo, Cláudio
Carvajal, explica que para quem já investiu em ações,
o conselho é manter o investimento e esperar a crise amenizar.
Porém, o professor lembra
que também é importante guardar um pouco desse valor -
se possível - para as contas de início de ano, pois é em
janeiro e fevereiro que chegam IPVA, IPTU, matrícula e material
escolar, sem falar nas contas feitas nas férias. Às pessoas
que não pretendem guardar e preferem investir o dinheiro, a orientação é fazer
as compras de fim de ano antecipadamente. “O comércio já tem
uma demanda nesta época do ano, então já é possível
comprar os presentes. Sem falar que neste período é mais
fácil pesquisar, pois as lojas estão mais vazias”,
diz Carvajal. Na opinião de Lourenço, utilizar o 13.º para
pagar as compras à vista é uma boa alternativa. “Não
acredito que os preços aumentem tanto mais próximo do Natal,
mas nesta época é possível pesquisar mais.” O
economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese) Sandro Silva completa. “O ideal é sempre
pesquisar, comprar somente o essencial e tomar cuidado com as taxas de
juros”, orienta.
Ânimo
O Dieese ainda não divulgou
o valor que será agregado à economia paranaense com o 13.º salário,
este ano. Porém, no ano passado, o órgão contabilizou
que este dinheiro a mais que entra no bolso dos paranaenses somou R$
3,8 bilhões. Os dados desse ano devem ser divulgados nos primeiros
15 dias de novembro.
Aos
endividados, muita atenção na hora das compras
A chegada do final de ano gera sentimentos positivos em cadeia. O comerciante
fica mais satisfeito porque começa a vender mais por conta do Natal.
As pessoas que estavam desempregadas passam a ter oportunidades justamente
no comércio.
E, para completar, os trabalhadores
que vão gastar mais nas lojas para presentear a família
e amigos - o que gera a abertura de novas vagas de emprego - recebem
o 13.º salário.
Porém, os economistas
e especialistas em finanças dizem que é preciso ter muita
cautela na hora de dar um destino para esse dinheirinho a mais que entra
nesta época. E os conselhos não servem apenas para quem
está endividado, pois até para investir é preciso
tomar alguns cuidados, ainda mais em época de crise.
Então, o que fazer com
o 13.º salário? Para os endividados, o conselho dos especialistas é um
só: pagar as dívidas.
O professor de finanças
da Faculdade Módulo, de São Paulo, Cláudio Carvajal
salienta que é importante quitar primeiramente as chamadas “dívidas
ruins”, como a do cartão de crédito e do cheque especial
- cujos juros são altos, chegam a 10% ao mês.
“Quando se trata de dívidas, é sempre
bom quitá-las o quanto antes. E quando se tem uma oportunidade
como essa, do 13.º, o melhor que se tem a fazer é utilizá-lo
para isso”, orienta.
Segundo dados da Serasa, o número
de inadimplentes - que não pagam suas contas há pelo menos
90 dias - cresceu 7,6% nos primeiros nove meses deste ano em relação
ao mesmo período do ano passado. O total de pessoas com dívidas,
segundo o Banco Central, chega a mais de 80 milhões de brasileiros,
quase metade da população.
A maior parte dessas dívidas é com
bancos, em seguida ficam os cartões de crédito e, por último,
os cheques sem fundos.
Na opinião do professor
de Economia da UniFae Gilmar Lourenço, a mudança do cenário
econômico verificada nos últimos dois meses deve ampliar
a cautela.
“Como houve uma onda
consumista em 2007, o reflexo foi esse endividamento. Hoje, 35% da
renda das pessoas está comprometida com o pagamento de dívidas,
quando o padrão deveria ser 25%”, comenta.
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O ESTADO DO PARANÁ,
31 de outubro de 2008 | Economia
Paulo Bernardo prevê aumento
de 4% no PIB em 2009
Agência Estado
O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo,
disse nesta quinta-feira (30), no Palácio do Planalto, que o crescimento
do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 ficará perto de 4%, ante uma
estimativa oficial atual de 4,5%. Ele disse que não há necessidade
de mudanças no Orçamento por causa da crise. Segundo ele, no
final de novembro próximo o governo examinará o quadro para definir
se serão necessárias, ou não, alterações
no Orçamento, mas, no momento, não há dados que mostrem
a necessidade de mudanças.
"Os números são
completamente diferentes: tem gente que fala em 2,5%, ou 3,8%. O FMI
(Fundo Monetário Internacional) fala em 3,7%. Eu acho que vamos
ficar perto de 4%, talvez um pouco menos, mas isso não é ensejo
para fazermos grandes mudanças (no Orçamento)", disse
Bernardo, em entrevista após a divulgação do quinto
balanço do andamento das obras do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC).
Ao responder a uma pergunta
sobre eventuais mudanças do governo na proposta de Orçamento
por causa da crise, o ministro afirmou que não há dados
concretos sobre uma queda na arrecadação.
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O ESTADO DO PARANÁ,
31 de outubro de 2008 | Economia
Dilma reafirma que crise externa não
prejudica o PAC
Agência Estado
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, voltou a afirmar que a crise financeira
internacional não atingirá o cronograma das obras previstas no
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ao concluir no início
desta tarde a apresentação do quinto balanço do PAC, no
Palácio do Planalto. "Não identificamos nenhuma obra que,
por conta dos problemas de restrição de crédito internacional,
sofra conseqüências", disse a ministra, ao falar com jornalistas.
Ela afirmou que, em novembro,
as obras darão "um salto". "Não estamos
esperando depressão ou recessão, mas uma desaceleração,
e é sempre importante ressaltar que as obras do PAC combinam investimento
privado com investimento público", afirmou Dilma.
A uma pergunta sobre risco de
redução na arrecadação federal de impostos
e contribuições, a ministra respondeu que o governo não
prevê esse problema para os próximos meses. "Uma das
características desta crise é que o governo brasileiro
não quebrou como no passado", disse.
A ministra ressaltou que
o governo aumentou a execução orçamentária
em relação às obras do PAC e que redução
de investimentos em setores como o de rodovias foram "pontuais",
por problemas como greves de funcionários públicos e
chuvas em algumas áreas. Dilma Rousseff negou que a crise, agravada
no início de setembro, tenha surtido efeito nos canteiros de
obras do PAC.
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Vermelho, 31 de outubro de
2008
Altamiro Borges: Quem ganhou as eleições
de 2008?
Com os olhos voltados para a
sucessão presidencial, todas as forças políticas
se proclamam como vitoriosas das eleições municipais. Mas
quem, de fato, saiu mais fortalecido deste pleito? Muitos colunistas
da mídia burguesa, verdadeiros “jornalistas da boquinha” – tal
sua intimidade com as elites –, alardeiam que Lula foi derrotado
e que José Serra já é quase o novo presidente do
Brasil. Pura mistificação ideologizada. Já alguns
aliados do presidente Lula, mais realistas do que o rei, insistem em
afirmar que está “tudo bem” e não enxergam
qualquer perigo no horizonte.
Por Altamiro Borges
Nem uma coisa nem outra. Uma
visão mais nuançada do pleito municipal, que é uma
prévia da sucessão presidencial, mas não determina
o resultado do jogo, indica que o seu resultado foi de certo equilíbrio.
No geral, três blocos ganharam musculatura nesta eleição:
as forças aliadas do governo Lula, incluindo seu núcleo
mais a esquerda, cresceram bem; os setores mais centristas e pragmáticos,
em especial o PMDB, aumentaram o seu poder de barganha; e, apesar da
regressão eleitoral do PSDB, DEM e PPS, a oposição
de direita consolidou a candidatura do tucano Serra.
Manipulação da mídia
serrista
Parte da mídia hegemônica
tenta vender a imagem de que o governo Lula foi derrotado no pleito e
sai fragilizado para a sucessão presidencial. Colunistas que fazem
a cabeça de camadas médias entorpecidas, como Lucia Hippolito
e Boris Casoy, nem sequer disfarçam a empolgação
tucana. Reinaldo Azevedo, um serrista pedante paparicado pela revista
Veja, ridiculariza quem fala em “equilíbrio do resultado” e
garante que “Lula, o PT, Dilma Rousseff” e outros críticos
do deus-Serra foram os derrotados. “Ah, sim. O Chico Buarque também
perdeu. Ele promete agora dar apoio a Raúl Castro se um dia houver
eleições diretas em Cuba”, esbraveja o anticomunista.
Embalado por esta cantilena midiática,
o senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB, recobrou a sua arrogância
de coronel. “A sucessão presidencial já começou” e
Lula “não vai eleger qualquer poste”. O alvo do tucano,
que não consegue unir sequer seu partido e foi escorraçado
pelas urnas no seu estado, já é a ministra Dilma Rousseff. “Ela é uma
candidata produto da assombração de Lula. Não tem
característica de líder popular, é autoritária
e arrogante”. Até o moribundo FHC saiu da catacumba para
posar ao lado do demo Gilberto Kassab – para a frustração
do candidato oficial do seu partido, Geraldo Alckmin, que foi fritado
e rifado na eleição da capital paulista.
A trajetória ascendente das
esquerdas
Mas há mais vontade do
que realidade nestas avaliações. Basta analisar os números
dos prefeitos eleitos e a própria simbologia política desta
batalha. A base aliada do governo Lula, que reúne 16 partidos
numa gelatinosa composição, irá governar 93,5 milhões
de eleitores no país – 72,5% do eleitorado brasileiro. Já a
oposição de direita, formada pelo PSDB, DEM e PPS, governará 35,4
milhões de eleitores. A difusa base aliada comandará 20
das 26 capitais no país. PT, PSB, PDT e PCdoB, que compõem
o núcleo de esquerda do governo, foram os partidos que mais cresceram,
mantendo a trajetória ascendente dos últimos pleitos. Já a
oposição de direita encolheu.
Afora os números inquestionáveis,
o cinismo da direita e da mídia fica patente quando se recorda
como transcorreu a campanha eleitoral. Nenhum oposicionista agora arrogante
atacou o governo. Preferiu se travestir de “amigo” do presidente,
temendo a sua alta popularidade. O tucano eleito em São Luiz usou
o bordão “sou Lula, voto Castelo”. Irônico,
Lula desdenhou: “Parece que não existe oposição
neste país”. Para Emir Sader, “se os tucanos consideram
que Lula foi derrotado, deveriam tê-lo atacado na campanha. Se
fosse fazer a lista dos que elogiaram o Lula – incluindo até o
Kassab –, ele seria o vencedor praticamente unânime no Brasil
inteiro”.
Para onde caminha o PMDB?
Além da trajetória
ascendente das esquerdas, a novidade deste pleito foi o crescimento de
forças centristas, em especial do PMDB. Este “partido-ônibus”,
que reúne inúmeros caciques regionais, faz parte da base
de sustentação do governo Lula, controlando importantes
ministérios. Mas ele é movido pelo pragmatismo exacerbado.
A maioria dos seus dirigentes defende a manutenção da base
de apoio de Lula, inclusive com a indicação do vice na
sucessão de 2010. Mas algumas de suas lideranças não
escondem a vontade de desembarcar na oposição de direita,
dependendo das suas condições de competitividade em 2010
e dos efeitos da crise econômica no país.
Orestes Quércia, agora
absolvido pela mídia que antes o taxava de “fisiológico”,
virou aliado de Serra, emplacando a vice do demo Kassab. O cacique paulista
do PMDB prega uma guinada na política de alianças do seu
partido. “Prefiro a composição com Serra para presidente
para mudar essa administração do PT”. Dada a capilaridade
da legenda, que elegeu mais de mil prefeitos, ela será alvo de
intensa cobiça. Para o ex-ministro José Dirceu, que nunca
pecou pela falta de visão estratégica, a experiência
da capital paulista, manietada por Serra e que uniu o DEM e o PMDB, aponta
para a possibilidade de um “perigoso bloco eleitoral” contra
as esquerdas. Para ele, o PT deve superar seus graves erros na política
de alianças e priorizar a “conquista o centro político”.
Força e fragilidade de Serra
Por último, as eleições
de 2008 alavancaram José Serra. Sem escrúpulos, o grão-tucano
fritou o candidato do seu próprio partido, num dos mais cruéis
processos de “cristianização” da história
política brasileira, bancou seu demo-laranja na capital e ainda
atraiu parcelas do PMDB. Hoje, ele governa o maior estado da federação,
manieta a prefeitura de uma das maiores metrópoles do mundo e
mantém forte hegemonia no estado. Além disso, conta com
o apoio ativo da mídia, que não noticia nada sem pedir-lhe
permissão, e do grosso da elite empresarial. Seria cegueira não
enxergar os riscos no horizonte para a continuidade da experiência
progressista do governo Lula.
Mas também não
dá para exagerar na força do tucano, como induz sua mídia.
Em primeiro lugar, porque a oposição de direita encolheu
nas urnas. O demo só se safou do inferno devido à traição
de Serra; o PPS definhou e já discute sua extinção;
e o PSDB também recuou. Em segundo lugar, porque Serra sofrerá para
recompor a unidade do seu partido. Alckmin até pode deixar a
legenda e Aécio Neves parece não se acovardar diante
do sangrento “moto-Serra”. Em terceiro, porque a aliança
com o PMDB é sempre uma aposta de risco. É bom lembrar
a derrota do tucano-verde no Rio de Janeiro. Ou seja: Serra consolidou
o seu bloco e venceu uma batalha, mas não a guerra.
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FOLHA DE LONDRINA, 31 de
outubro de 2008 | Política
Crise será o principal desafio
de Lula para eleger sucessor
Para analistas políticos a turbulência
econômica poderá beneficiar a oposição
nas eleições presidenciais de 2010
Rio - Muito distante da marola anunciada pelo presidente Lula, a atual crise
econômica deverá adicionar emoção e incerteza à corrida
rumo às eleições de 2010. Para economistas e cientistas
políticos ouvidos pela Agência Estado, a turbulência e seus
efeitos sobre a economia real aumentam a chance da oposição no
pleito e vão exigir muito trabalho do governo para manter os investimentos
do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e não descuidar
da área social.
A ciência política
diz que normalmente a conjuntura econômica favorável leva à manutenção
de um grupo no poder, enquanto um cenário desfavorável
na economia incentiva a alternância, segundo observa o analista
político da Tendências Consultoria, Rogério Schmitt. ‘‘A
economia é um fator decisivo em eleições, sobretudo
as majoritárias’’, lembra.
O cientista político
César Romero Jacob, da PUC-Rio, ressalta ser ‘‘óbvio’’ que
a comparação imediata que se faz neste atual momento de
crise, em relação à sucessão presidencial, é que
o difícil cenário de 1999 ‘‘de algum modo atropelou
os planos de Fernando Henrique Cardoso (presidente de 1994 a 2002) fazer
o seu sucessor’’.
Segundo Jacob, o sucesso do
atual governo no pleito presidencial vai depender das políticas
adotadas para enfrentar a crise. ‘‘Se o Brasil se sair bem
de toda essa turbulência, Lula será visto como um vitorioso.
Se sair mal, é claro que o mito cairá por terra nas camadas
populares’’, acredita.
Esforços para sair da
crise, de olho nas eleições, não vão faltar
na avaliação da historiadora Marly Motta, da Fundação
Getúlio Vargas (FGV). Segundo Marly, um retrospecto mostra que
a última grande depressão econômica, em 1929, teve
um impacto político muito forte no Brasil, sendo um dos principais
fatores a deflagrar a revolução de 30.
Ela ressalta ainda que nos últimos
anos, no governo Fernando Henrique e no governo Lula ‘‘há uma
compreensão muito, muito clara de que o grande trunfo é o
bom desempenho econômico’’. Para ela, o presidente
Lula é ‘‘muito pragmático’’ e sabe
sua popularidade está ‘‘colada à sensação
de bem-estar econômico no País’’. Por isso,
segundo ela, a expectativa é que sejam adotadas ‘‘as
medidas necessárias, não importa a ideologia’’.
Schmitt, da Tendências,
avalia que ‘‘a gravidade política da crise para o
governo é proporcional à duração que ela
terá’’. Ele ressalta que quanto mais perto das eleições,
pior. Além disso, os efeitos sobre os planos do governo também
vão depender da intensidade da turbulência daqui para frente
e, sobretudo, da reação às dificuldades.
Obstáculos a parte, o
analista da Tendências ressalta o significativo trunfo que a elevada
popularidade do presidente Lula representa neste momento e, provavelmente,
em 2010. ‘‘O presidente tem um patamar muito confortável
de avaliação, numa aprovação que chega a
80%. Mesmo que a crise se prolongue, essa popularidade não deverá cair
abaixo de 50%, isso é o pior que pode acontecer e é um
patamar muito razoável’’, sublinhou. De qualquer modo,
Schmitt avalia que a crise aumenta as chances da oposição.
O impacto de uma crise como
essa sobre a percepção da população e a opinião
pública, segundo Schmitt, começa a ser percebido quando
a turbulência chega à economia real, ou seja, nas empresas
e no emprego. Esses efeitos, segundo ele, chegam com dois a três
trimestres de defasagem em relação ao início da
crise, ou seja, começarão a ser vistos mais claramente
em abril do ano que vem.
Jacqueline
Farid
Agência Estado
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Folha de S.Paulo, 31 de outubro
de 2008
GM anuncia que vai paralisar a produção
de carros em SP e RS
GRACILIANO ROCHA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE
Pátios lotados e vendas
travadas pelas restrições ao crédito levaram a GM
(General Motors) a anunciar ontem a paralisação da produção
de automóveis durante parte do mês de novembro em suas unidades
industriais de São Caetano do Sul (SP) e Gravataí (RS).
Na planta paulista, os 5.000 trabalhadores dos três turnos estarão
em férias coletivas durante dez dias e a produção será interrompida
entre os dias 3 e 17 de novembro, segundo a assessoria de imprensa da GM.
A montadora não informou quantos veículos deverão deixar
de ser fabricados no período em São Caetano do Sul.
Em Gravataí, as férias coletivas incluem 5.200 funcionários
da fábrica e de empresas sistemistas -que produzem componentes usados
pelos carros.
A fábrica gaúcha produz as linhas Celta e Prisma.
A montadora atribuiu a medida à "restrição de crédito
que já impacta as vendas de veículos no mercado brasileiro" e à necessidade
de "adequar os estoques da fábrica e da rede de concessionárias".
O anúncio das férias coletivas pegou de surpresa os funcionários,
segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí.
"Não esperávamos este anúncio", diz o presidente
do sindicato, Valcir Ascari. "As pessoas estão com medo de perder
o emprego."
De acordo com o sindicato, se considerados a licença remunerada e o
chamado day-off (interrupção em dia programado), a unidade só produzirá carros
entre 11 e 14 de novembro. Por dia, segundo os trabalhadores, saem da linha
de montagem cerca de 880 veículos.
Desde que a crise começou, além da GM, a Fiat e a Volkswagen
já haviam anunciado suspensão temporária da produção
em suas fábricas.
A partir da próxima segunda-feira, 1.800 pessoas que trabalham na unidade
da Volks em São José dos Pinhais (PR) entrarão em férias
coletivas, em períodos distintos entre os dias 3 e 19 de novembro. A
Fiat também colocou 1.700 funcionários de Betim, em Minas Gerais,
em férias coletivas, desde a semana passada.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
31/10/2008
Subordinação em cooperativa
não caracteriza vínculo de emprego
A Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho deu provimento a recurso da Cooperativa de Serviços
Múltiplos do Rio Grande do Sul (COOPSERV CECTRA Ltda.) e julgou
improcedente a reclamação trabalhista movida por um ex-cooperativado
que pretendia o reconhecimento de vínculo de emprego diretamente
com a sociedade. “O que não se admite, em matéria
de cooperativismo, é que os elementos da relação
de emprego existam em relação à tomadora de serviços,
e não em relação à própria cooperativa”,
assinalou o relator, ministro Ives Gandra Martins Filho.
A Justiça do Trabalho
da 4ª Região (RS) reconheceu a existência de vínculo
de emprego. Apesar de a cooperativa ter juntado seus atos constitutivos,
a ficha de matrícula e o cadastro associativo do trabalhador,
a decisão baseou-se em depoimento de testemunha que, entre outros
aspectos, afirmou que a estrutura da cooperativa possuía líderes
que visitavam os postos de trabalho, a fim de verificar o cumprimento
do contrato de trabalho. Afirmou ainda que o valor do pró-labore
era fixado em contrato, que a jornada era de 44h, que as faltas eram
descontadas e que as horas extras eram remuneradas. Para o TRT/RS, tratavam-se
de evidências dos requisitos caracterizadores da relação
de emprego.
Para o relator do recurso da
cooperativa no TST, “o Regional parte de enfoque teórico
já distorcido”, ao não admitir, em tese, cooperativa
fornecedora de mão-de-obra, o que não é vedado legalmente. “Às
cooperativas de trabalho aplica-se o disposto na Súmula nº 331
do TST quanto à intermediação de mão-de-obra”,
explicou. “O desvirtuamento da prestação de serviços,
quando realizada para atividade-fim, com pessoalidade e subordinação
em relação à empresa tomadora dos serviços,
leva ao reconhecimento do vínculo com a tomadora, não,
porém, com a cooperativa.”
O ministro Ives Gandra Filho
lembrou que, internamente, a cooperativa de trabalho pode contar com
trabalhadores cooperados e trabalhadores empregados. “O que distingue
uns dos outros é apenas a participação societária,
já que tanto uns como outros, na prestação de serviços,
terão coordenadores internos de seu trabalho e deverão
participar pessoalmente na prestação de serviços
para merecer retribuição.” No que diz respeito à subordinação,
portanto, não haveria como deixar de reconhecer o comando da própria
cooperativa na forma de engajamento dos trabalhadores cooperados na prestação
de serviços a terceiros. “Toda atividade laboral humana
está sujeita a um mínimo de coordenação,
desempenhada por pessoas que comandam outras, e o trabalho cooperado
não escapa dessa realidade”, concluiu. ( RR 592/2005-008-04-40.6)
(Carmem Feijó)
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31/10/2008
Empresa não é penalizada
por faltar a audiência em CCP
A Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou agravo de instrumento
do Sindicargas de Manaus e manteve decisão que indeferiu seu pedido
para executar a empresa Cupim Manaus pelo não pagamento de verbas
alusivas à taxa de custeio de ação proposta por filiados
perante Comissão Intersindical de Conciliação Prévia.
Para o Sindicargas – Sindicato
dos Trabalhadores em Empresas de Transportes de Cargas Secas e Molhadas,
Distribuidoras de Bebidas em Geral, Gás, Petróleo e Derivados
e Veículos Automotores de Duas Rodas e Similares do Município
de Manaus e do Estado do Amazonas, o pagamento das custas e da respectiva
multa, decorrente do não recolhimento, cabia ao empregador, uma
vez que ele não compareceu à audiência, descumprindo
uma cláusula estabelecida na convenção coletiva
de trabalho.
A ação visando à cobrança
foi ajuizada em março de 2006 na Justiça Trabalhista de
Manaus e o processo foi extinto sem julgamento de mérito. “O
comparecimento coercivo somente é determinado no caso de testemunha
previamente arrolada por algum dos litigantes, isso num processo judicial,
o que não é o caso do procedimento adotado pelas comissões
de CCP”, afirmou o Juízo, acrescentando que o sindicato
também não apresentou nenhuma cláusula na convenção
coletiva de trabalho que estabelecesse a obrigatoriedade do comparecimento à conciliação.
Após o Tribunal Regional
do Trabalho da 11ª Região (AM) ter negado seguimento ao seu
recurso, o sindicato entrou com o agravo de instrumento, mas o relator
do processo na Segunda Turma do TST, ministro Renato de Lacerda Paiva,
manteve a decisão regional que afirmou que “simples norma
prevista em Convenção Coletiva de Trabalho sobre pagamento
de taxas, custas ou multas não constitui título executivo
extrajudicial nos moldes que tratam os artigos 625-E, parágrafo único,
876 e 877 da CLT e 585 do CPC”. Refutou assim a argumentação
do sindicato de que a Lei 9.958/2000, que dispõe sobre as Comissões
de Conciliação Prévia, ampara a execução
de título executivo extrajudicial pela Justiça do Trabalho,
de modo que as custas processuais decorrentes da Comissão Intersindical
de Conciliação Prévia, bem como a multa estabelecida
por descumprimento de cláusulas da CCT, seriam títulos
exeqüíveis e juridicamente regulares. O relator esclareceu
que o Tribunal Regional apenas manteve a decisão inicial que extinguiu
o processo diante da impossibilidade jurídica do pedido, pois
a ação de execução tratava de título
não previsto em lei. ( AIRR-9146-2006-008-11-40.0)
(Mário Correia)
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