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Correio Braziliense, 2 de novembro de 2008
SERVIDOR PÚBLICO
Planalto corrige Mantega sobre salário
do funcionalismo; acordo está mantido
Ministro Paulo Bernardo (Planejamento)
diz que serão cumpridos reajustes negociados com os servidores
do Governo Federal
Para evitar polêmica, o Governo agiu rápido para reverter
o mal-estar instalado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao
pedir aos senadores que vetem qualquer tentativa de elevação
de gastos públicos com o funcionalismo e Previdência
Social. Deixou claro que está mantida a promessa de aprovar
as medidas provisórias que reajustam o salário de mais
de 350 mil funcionários e criam 2 mil cargos na Polícia
Federal.
“O ministro Guido não estava falando das MPs. Ele estava
falando de outros projetos. Vamos cumprir o que está no acordo”,
afirma o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. “É claro
que o Governo cumprirá os acordos com os servidores”,
diz o ministro de Relações Institucionais, José Múcio
Monteiro. A intenção do Governo é que as MPs,
que já passaram pela Câmara, sejam votadas na próxima
semana no Senado.
Um interlocutor do Ministério da Fazenda amenizou as declarações
do ministro no Senado e frisou que Mantega está preocupado é com
a aprovação de projetos como o do senador Paulo Paim
(PT/RS), que derruba o fator previdenciário — que possibilita
descontos nos benefícios pagos pelo Instituto Nacional do
Seguro Social (INSS) — e não com as MPs que já foram
negociadas e estão previstas no orçamento.
Apesar de esses reajustes estarem garantidos, os servidores terão
dificuldade para conseguir qualquer outro benefício. A ordem
do Palácio do Planalto é evitar a criação
de gastos extras, seja por meio da inclusão de emendas nas
medidas provisórias em tramitação, seja pela
aprovação de projetos de lei de autoria de deputados
e senadores.
Em momento de crise, em que o Executivo ainda não sabe qual
será o impacto sobre a arrecadação de impostos,
será necessário cautela para evitar grandes cortes
no Orçamento. Mas uma coisa é praticamente certa.
A equipe econômica vai revisar os parâmetros econômicos
do Orçamento de 2009 e ajustes serão necessários.
O próprio Governo, que trabalhava com uma expansão
econômica de 4,5% para 2009, já admite que o país
deverá crescer entre 3,8% e 4%.
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Vermelho, 2 de novembro de 2008
Sucessão na Câmara vive
impasse entre PT e PMDB
A falta de consenso entre PT e PMDB em torno de uma candidatura única à presidência
do Senado abre espaço para o crescimento de um nome alternativo
na Câmara, onde petistas e peemebebistas concordam em apoiar
o deputado federal Michel Temer (PMDB-SP) para presidir a Casa. Parte
da base aliada, insatisfeita com a candidatura Temer, pode alavancar
o nome do deputado Ciro Nogueira (PP-PI), que se diz candidato.
Há dois anos, o PMDB, que tem maioria nas duas Casas, cedeu
a presidência da Câmara ao PT com a condição
de que, em 2009, os petistas apoiassem um nome do PMDB para o cargo.
No Senado, o eleito foi do PMDB. Agora, o PT cobra apoio para eleger
o senador Tião Viana (PT-AC), embora o PMDB queira lançar
um nome próprio para a disputa. O acordo de apoio, segundo
o partido, não valeria para as duas Casas.
Enquanto PT e PMDB divergem no Senado a respeito do candidato,
parte da base aliada que dá sustentação ao governo
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Câmara, insatisfeita
com a candidatura Temer, pode alavancar o nome do deputado Ciro Nogueira
(PP-PI), que se diz candidato.
A eleição para a presidência das Casas acontece
somente em 1º de fevereiro de 2008, mas, passadas as eleições
municipais - onde os parlamentares estiveram engajados em campanhas
próprias e de correligionários -, o foco passa a ser
a sucessão dos presidentes.
Câmara
O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves
(RN), disse que a eleição em cada Casa tem de ser "desvinculada". "O
compromisso que o PT tem conosco é devolver a presidência,
e isso é uma coisa da Câmara. Nada a ver no Senado."
Ele afirmou não crer que a falta de um acordo entre os dois
partidos no Senado possa prejudicar Temer na Câmara, mas disse
ser favorável ao "equilíbrio" para que um
partido só não comande as duas Casas. "Acho importante
a diplomacia, embora o PMDB seja o maior partido. (...) Um equilíbrio
seria interessante, seria importante."
Na Câmara, PT e PMDB concordam. "Fizemos um acordo e
vamos manter o acordo. Queremos estabilizar a candidatura de Temer.
Isso ajuda a reforçar a aliança PT e PMDB, que ajuda
a sustentação do governo do presidente Lula",
afirmou o líder petista na Câmara, deputado Maurício
Rands (PT-PE).
Ele também destacou a importância do "equilíbrio" entre
as Casas. Rands disse que o partido não vai retirar apoio
a Temer caso não haja acordo no Senado. "Não podemos
condicionar a eleição numa Casa à eleição
na outra."
Vice-líder do partido no Senado, Neuto De Conto (PMDB-SC)
diz que o acordo entre PT e PMDB só existe na Câmara. "Nunca
vi nem discutir e nem falar nesse acordo e em nenhum momento foi
dito que se tinha acordo ou o tema foi a discussão na bancada."
Neuto de Conto deixou claro, porém, que o partido não
abrirá mão de ter o comando das duas casas. "A
gente se sente no direito de manter a vaga [no Senado]." Segundo
ele, o partido ainda não tem nome para a disputa porque a
sucessão ainda não é prioridade, em razão
das medidas para evitar os desdobramentos da crise financeira.
A senadora Ideli Salvatti (SC), líder do PT no Senado, critica
justamente a ausência de um nome peemedebista. "O problema
do PMDB nessa insistência [em ter candidatura própria] é com
qual nome sair. É a história do 'com que roupa eu vou'.
Eu quero ir ao baile, mas com que roupa?", brincou.
Para a petista, as negociações ainda estão
no começo e "tudo o que está decidido ou não
está decidido" vale somente para o momento. "Tem
um longo caminho para a sucessão nas duas Casas, que normalmente é muito
disputada. Está se tratando da presidência, mas junto
vem a composição das mesas, as comissões. (...)
Tudo isso está no tabuleiro", analisou.
Segundo Ideli, o partido vai batalhar por um "consenso" no
Senado em torno do nome de Tião Viana para não ter "complicações" na
Câmara. "Tem uma candidatura do Ciro Nogueira andando
nos bastidores e não podemos colocar lenha na fogueira para
favorecê-lo."
Alternativo
O deputado Ciro Nogueira classificou sua candidatura à presidência
da Câmara como "irreversível", mas afirmou
que só lançará oficialmente seu nome na disputa
em dezembro, para "não atrapalhar o andamento da casa".
Ao ser questionado sobre a possibilidade de desistir de lançar
seu nome na disputa, Nogueira afirmou: "Acho que é quase
impossível desistir. Acho que é irreversível".
Ciro Nogueira disse também que não aceitará contrapartida
do PT ou PMDB para desistir da disputa. "Essa questão
de ministérios por exemplo, isso seria muito ruim para Casa.
Para mim não teria cabimento, não teria a menor possibilidade
de eu aceitar."
Executivo
Em meio às indefinições, o Executivo tem evitado
comentar a disputa no Legislativo. A ministra-chefe da Casa Civil,
Dilma Rousseff, no entanto, destacou que "é importante
que se honre acordos".
" Não nos cabe (Executivo) interferir nas eleições
dentro da Câmara e do Senado, uma vez que é um poder
independente. (...) Posso dar uma opinião não como
ministra, mas como cidadã. Acredito que é muito importante
que se honre acordos e, para o governo, é muito importante
que a aliança PT e PMDB se mantenha", declarou a ministra.
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Em Questão, 2 de novembro de 2008
Crise internacional não afetará empregos
no Brasil, diz Lupi
O aumento da geração de empregos no País e
até que ponto a crise internacional afeta o mercado de trabalho
foram alguns dos temas abordados pelo ministro do Trabalho e Emprego,
Carlos Lupi, em entrevista ao Bom Dia Ministro realizada na quinta-feira
(30). O programa, produzido pela Secretaria de Imprensa da Presidência
da República, é transmitido via satélite para
emissoras de rádio de todo Brasil. Leia abaixo os principais
trechos.
Crise internacional e emprego - Essa crise
não é de geração de emprego.
Ela é do sistema financeiro, de falta de recursos,
que teve origem com a questão imobiliária
nos Estados Unidos. Os americanos não tomaram as
medidas adequadas naquele momento e depois de um ano a
crise se avolumou e se espalhou pelo mundo todo. O Brasil
está em uma situação completamente
diferente. Estamos abrindo várias linhas de crédito
para não asfix iar principalmente o pequeno produtor,
pequeno e médio empresário, que representam
cerca de 60% da criação de empregos no País.
O Brasil, neste ano, vai gerar mais de 2,1 milhões
de empregos - os maiores números da história
da República Federativa do Brasil. Estou falando
de empregos com carteira assinada. Neste ano, a crise da
empregabilidade não vai passar nem perto do País.
Se tiver algum tipo de afetação no mercado
de trabalho, ocorrerá apenas no segundo semestre
de 2009, no setor muito específico da exportação.
Mas eu nem nisso acredito, porque o governo está agindo
rápido, abrindo linhas de crédito. O dólar
começou a cair e vai terminar esse ano por volta
de R$ 1,90. O Brasil continuará seu ritmo de crescimento. É esperar
para crer. Quem investe na produção tem que
continuar a acreditar no Brasil, porque o País é o
maior exportador de alimentos do mundo e as pessoas precisam
continuar a se alimentar.
Geração de emprego - A g eração
de emprego é o que dá cidadania. Eu trabalho desde
garoto. Tive minha primeira carteira assinada ainda menor - o que,
na época, podia -, com 13 anos. Eu me lembro como se fosse
hoje da minha felicidade ao ver essa carteira de trabalho assinada.
Penso que essa é a principal marca de um compromisso social
que um governo pode ter é o crescimento da economia e a geração
de emprego. Vamos continuar nesse caminho de crescimento da economia,
principalmente devido à demanda interna. O que o Brasil exporta
basicamente? Alimentos. As pessoas vão ter que continuar a
se alimentar. Europa, EUA, os 1,3 bilhão de chineses e os
1 bilhão de indianos terão de se alimentar. O Brasil é um
grande produtor de soja, de café, possui o maior rebanho de
gado. A questão do dólar prejudica a empregabilidade
no Brasil no sentido de aumentar os custos da produção,
mas, ao mesmo tempo, aumenta o valor agregado do produto exportado.
Nesse momento, temos que ter muita tranqüilidade e acreditar
em nos so País, na nossa vocação. Continuo afirmando:
vamos passar de 2,1 milhões de emprego em 2008 e vamos viver
um 2009 muito forte também.
Qualificação profissional - Esse é o
grande desafio do governo. O Bolsa Família é importante
porque as pessoas não ficam de pé sem alimentação.
O Programa tem como objetivo, em uma primeira etapa, deixar as pessoas
alimentadas, capazes de raciocinar, para que elas busquem sua empregabilidade.
Temos uma série de licitações em 20 regiões
metropolitanas brasileiras e estamos começando a encontrar
a chamada porta de saída do Bolsa Família. Não
temos como atingir de uma vez só todos os 11 milhões
de beneficiados pelo Programa, até porque ele começou
a ser implantado aos poucos, até chegar a esse número.
O Ministério do Trabalho e Emprego, em parceria com o Ministério
do Desenvolvimento Social, está abrindo neste ano 200 mil
vagas para beneficiários do Bolsa Família para q ue
eles façam cursos de capacitação profissional
e entrem no mercado de trabalho, conseguindo efetivamente sua cidadania.
Essa é a primeira etapa, que chamamos de 'porta de saída',
para dar dignidade e emancipação às famílias
beneficiárias. Quem não sabe o que é fome e
miséria, não consegue compreender a importância
de um programa como Bolsa Família. Ele é importantíssimo
porque tira as pessoas da miserabilidade.
Cursos de capacitação - Esses cursos
de capacitação são muito importantes principalmente
para o jovem que quer obter o seu primeiro emprego. Temos vários
cursos de capacitação, em convênios com as prefeituras
e governo dos estados. Estamos trabalhando firmemente nisso. É claro
que temos consciência de que ainda não atingimos ainda
aquilo que deveríamos, mas estamos trabalhando para evoluir
e trazer cada vez mais cursos de capacitação para o
trabalhador brasileiro.
Central de Empregos Nacional - Praticamente, esta
seria uma ampliação do Sine (Sistema Nacional de Empregos),
que atua na grande maioria das médias e grandes cidades do
Brasil. O que estamos trabalhando agora é na integração
desse sistema. Há um grande problema no Brasil hoje - a falta
da mão-de-obra qualificada. Em 2007, em torno de quatro milhões
de pessoas procuraram emprego por meio do Sine. Cerca de um milhão
conseguiram emprego. Outro milhão de vagas ficou sem ser ocupada,
porque os trabalhadores não tinham qualificação.
Então, o grande desafio nessa integração, na
informatização do sistema, é saber onde está o
emprego e que tipo de emprego é oferecido. Estamos trabalhando
nessa implantação. Mas esse é um sistema que,
mesmo com toda vontade, garra e otimismo para implantá-lo,
o resultado demora, no mínimo, dois anos.
Casa própria - Vamos aprovar o Orçamento
para ser executado em 2009. Saiu de algo em torno de R$ 7 bilhões
e vai para mais de R$ 11 bilhões. Ou seja, um crescimento
grande para botar dinheiro e aumentar o investimento. Essa área
estimula muito a construção civil, que é a maior
geradora de emprego no Brasil hoje. Continuaremos investindo para
que isso crie mais postos de trabalho.
Primeiro emprego - O grande desafio é qualificar
principalmente a juventude. Quem busca o primeiro emprego é quem
tem maior dificuldade para consegui-lo, por falta de uma qualificação
específica. No Ministério do Trabalho estamos ampliando
cada vez mais os cursos e as parcerias para que o jovem tenha oportunidade
de se qualificar e conseguir o tão sonhado emprego.
Mercado de trabalho jovem - Há cinco anos,
esses jovens não completavam a terceira série do ensino
fundamental. Não estou dizendo que está uma maravilha,
mas estamos avançando. Eu acho que o jovem, até os
18 anos, tem que estar na escola, estudando e se preparando.Precisamos
trabalhar com cursos de capacitação em parceria com
as prefeituras. Qualificar o trabalhador é o grande desafio
do mercado de trabalho moderno e globalizado. Quem se prepara e se
capacita, consegue emprego mais fácil, principalmente quando
o País está crescendo e gerando empregos. Essa é a
nossa principal prioridade e estamos trabalhando por isso.
Empregos verdes - Esses empregos são muito
positivos, porque eles preservam a natureza, geram consciência
cidadã e preparam o Brasil para os efeitos da degradação
do meio ambiente. Isso é uma área muito trabalhada
pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio de políticas
públicas fortes impedindo o desmatamento. Há o investimento
em reflor estamento, em políticas de fiscalização,
que também geram empregos. Esse é um tipo de trabalho
que olha para o futuro, o que é muito importante para as nossas
futuras gerações (Segundo a Organização
Internacional do Trabalho, o Brasil é o País onde pode
haver o maior crescimento de "empregos verdes").
Setor naval - Desde a época que o Rio de
Janeiro deixou o posto de capital da República, o presidente
Juscelino Kubitschek assumiu o compromisso de incentivar o crescimento
da indústria automobilística paulista e da indústria
naval no Rio de Janeiro. Mas durante décadas a indústria
naval ficou sucateada. De cinco anos para cá, ela vem batendo
recordes atrás de recordes. A própria Petrobras, que
antes encomendava os seus navios aos portos internacionais, agora
encomenda da indústria naval do Rio de Janeiro, de Pernambuco
e também de Santos. É uma vocação natural
e os investiment os vêm sendo feitos com linhas de crédito
do BNDES. A indústria naval do Rio de Janeiro já tem
encomendas para os próximos cinco anos e não tem mais
vazão para produzir as encomendas que estão chegando.
Sou muito otimista com relação à indústria
naval do Rio de Janeiro. É uma produção com
valor agregado muito grande e gera emprego qualificado. A indústria
naval já é, e será cada vez mais, a grande alavanca
do crescimento de empregos no Rio de Janeiro ao lado do setor de
serviços.
Pólo de serviços - O Rio de Janeiro
tem que ser (pólo de serviços do País) porque é a
principal atividade da cidade. O setor de serviços é muito
ligado ao turismo, ao setor de hotelaria, ao setor de restaurantes.
O Rio de Janeiro só perde para São Paulo na geração
de empregos no setor de serviços. Tenho certeza que essa continuará a
ser a vocação mais forte da cidade.
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Gazeta do Povo, 2 de novembro de 2008
Ficha-suja
Belinati é réu em quase
100 ações judiciais
Além de o TSE ter impugnado
sua candidatura à prefeitura de Londrina, outros
processos pedem a cassação de seus direitos
políticos
O deputado estadual Antonio Belinati (PP), eleito pela quarta vez
prefeito de Londrina e que teve sua candidatura impugnada pelo Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) dois dias depois da eleição, é réu
em quase cem ações, cíveis e criminais. Apenas
quatro processos, porém, já foram julgados em primeira
ou segunda instâncias. Em três, Belinati foi condenado.
Em um, absolvido.
A grande maioria dos processos se refere a licitações
supostamente fraudulentas do caso AMA/Comurb, escândalo ocorrido
na terceira gestão à frente da prefeitura. Mas nenhum
desses processos foi julgado sequer em primeira instância.
Nas três ações em que já foi condenado,
Belinati tenta reverter as decisões no Superior Tribunal de
Justiça. As condenações são por improbidade
administrativa e as sentenças estabelecem perda dos direitos
políticos por cinco anos, em duas das ações,
e por oito anos na terceira.
Bicho
A mais antiga dessas ações diz respeito a fatos ocorridos
no segundo mandato de Belinati como prefeito (1989-1992). Trata-se
da ação civil pública 937/97, que tramitou na
3ª Vara Cível de Londrina. Nela, ele é acusado
de retirar 50 milhões de cruzeiros (moeda da época)
dos cofres públicos para pagar premiação aos
jogadores do Londrina que ganharam o Campeonato Paranaense em 1992.
De acordo com os autos, Belinati prometeu arrecadar 200 milhões
de cruzeiros com empresários para pagar o “bicho” aos
atletas. Ele conseguiu 132 milhões e, segundo os autos, teria “inteirado” 50
milhões com dinheiro público. De acordo com a sentença
proferida em 14 de outubro de 2004 pelo juiz Rafael Vieira de Vasconcellos
Pedroso, Belinati repassou os 50 milhões para a Codel (atual
Instituto de Desenvolvimento de Londrina – Idel), na forma
de aumento da capital. Para dar cores de legalidade ao processo,
a Codel justificou o repasse ao clube a título de pagamento
pelas instalações de placas de publicidade no Estádio
Vitorino Gonçalves Dias.
“O contrato de publicidade foi simulado, não havendo
provas da prestação de serviço”, diz o
juiz na sentença. Segundo Pedroso, Belinati ofendeu “aos
princípios da legalidade, da moralidade e da impessoalidade
no trato da coisa pública”. A sentença obriga
o ex-prefeito a devolver o dinheiro aos cofres públicos e
cassa seus direitos políticos por cinco anos.
Belinati recorreu, mas o Tribunal de Justiça rejeitou o recurso
por unanimidade em novembro de 2005. Ele entrou com recurso extraordinário
que foi rejeitado em 7 de fevereiro de 2007. Agora ele tenta reverter
a decisão no STJ.
Remuneração dupla
O segundo processo no qual Belinati já foi condenado em duas
instâncias refere-se a 1994, quando ele foi eleito deputado
estadual. Mas, mesmo na Assembléia Legislativa, continuou
recebendo como membro do conselho fiscal da antiga Comurb (atual
Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização – CMTU).
Em primeira instância, a ação civil pública
tramitou sob o número 404/2000, na 6ª Vara Cível.
A sentença condena Belinati por improbidade e determina a
suspensão dos direitos políticos dele por oito anos
e a devolução do dinheiro.
Em 1º de junho de 2004, o TJ manteve a sentença. “Verifica-se
que o ato praticado pelo apelante afronta, além da lei da
improbidade administrativa, o disposto do artigo 37 da Constituição,
sem embargo da tipificação, delito contra a administração
pública”. Também neste caso, o deputado estadual
tenta reverter a decisão no STJ.
Sercomtel
A terceira condenação se refere ao terceiro mandato
de Belinati. Nesta ação, que tramitou na 6ª Vara
Cível, sob o número 423/01, o ex-prefeito é acusado
de ferir o princípio da publicidade. O ponto de partida é um
pedido de informações datado de 4 de maio de 1999.
Nele, o cidadão Leandro Volpato pede informações
sobre as dívidas pagas a bancos, quando da venda de 45% das
ações da Sercomtel para a Copel, em 1998.
A prefeitura vendeu as ações por R$ 186 milhões,
mas recebeu apenas R$ 120 milhões. Na resposta a Volpato,
a prefeitura disse que “somente a Câmara tinha legitimidade
para pedir informações sobre as contas do município”.
Na sentença proferida em 26 de maio de 2003, a juíza
Cristiane Tereza Willy Ferrari afirma: “Vejo que o réu
praticou um ato com falta de boa-fé ao negar-se à publicação
dos atos oficiais”. A sentença suspende os direitos
políticos de Belinati por cinco anos. O TJ manteve a decisão
de primeira instância e o deputado estadual recorreu ao STJ.
A reportagem tentou ouvir a defesa de Belinati. O advogado responsável
pelas ações, Antonio Carlos Vianna, foi procurado.
A secretária ficou de fazer contato e retornar a ligação,
o que não aconteceu até o fechamento desta edição.
Entenda o caso
Confira as etapas do julgamento da candidatura
de Antonio Belinati (PP):
5 de setembro – A juíza da 41ª Zona Eleitoral
de Londrina, Denise Hammerschmidt, havia liberado a candidatura de
Antonio Belinati, em primeira instância. Mas o registro eleitoral
dele é impugnado pelo TRE do Paraná. Na decisão,
o tribunal considera que o fato de o ex-prefeito ter contas rejeitadas
pelo Tribunal de Contas do estado impediria que ele pudesse se candidatar.
17 de setembro – O recurso de Belinati contra a cassação
de sua candidatura chega ao TSE e é distribuído para
o ministro Marcelo Ribeiro.
25 de setembro – O parecer da Procuradoria-Geral da União,
que sugere que o recurso de Belinati seja negado, é anexado
aos autos do processo.
6 de outubro – O relator do caso, Marcelo Ribeiro, libera – em
decisão monocrática – a candidatura de Belinati.
O ministro entendeu que seria necessária uma decisão
judicial e não administrativa (como a do Tribunal de Contas)
para garantir a cassação da candidatura. O Ministério
Público recorre da decisão.
16 de outubro – Na sessão plenária do TSE que
decidiria o caso, após um longo debate, o ministro Arnaldo
Versiani pede vistas do processo, adiando o julgamento. O recurso
entra na pauta no dia seguinte, 17 de outubro, mas não é analisado
pelos ministros do TSE.
25 de outubro – Depois de aguardar a votação
durante toda a semana, o recurso entra na pauta do TSE, na sessão
extraordinária antes do segundo turno, dia 26 de outubro.
No entanto, depois do voto de Versiani, favorável a Belinati,
o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, pede vistas do processo
e a decisão é adiada mais uma vez.
28 de outubro – A sessão de julgamento da candidatura
de Belinati é retomada. O recurso do ex-prefeito – agora
já reeleito – é negado por 5 votos contra 2 e
o TSE invalida a candidatura.
30 de outubro – Enquanto nas ruas de Londrina grupos pró e
contra Belinati saíram às ruas, os deputados estaduais
repudiaram a decisão do TSE que cassou a candidatura do deputado
e ameaçaram aprovar uma moção de repúdio
contra o que consideram um “atentado à democracia”. É consenso
de que a cassação deveria ter sido julgada pelo TSE
antes da eleição e não dois dias após
o segundo turno.
1º de novembro – A defesa de Belinati protocola no TSE
pedidos de explicações e detalhamentos da decisão
que cassou, na última terça-feira, o registro da candidatura
do prefeito eleito.
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Gazeta do Povo, 2 de novembro de 2008
Confiança
Wall Street abusou da “fé que
move os mercadinhos”
Investidores acreditaram na qualidade
de títulos que mal conheciam. É como se o
dono do armazém vendesse fiado para estranhos
O comerciante Lenoir Panizzi toca um pequeno mercado no bairro Pinheirinho,
em Curitiba. Conhece bem a clientela que atende há 15 anos.
Parte dela não precisa de dinheiro para fazer compras. Os
gastos são anotados na velha caderneta de fiado e a conta é acertada
depois. O dono do armazém confia nos 50 vizinhos que fazem
parte dessa lista quando eles dizem que vão pagar. E é o
que acontece no começo de cada mês. Relações
de confiança como essa são um ingrediente essencial
para o funcionamento da economia mesmo em seus níveis mais
sofisticados. O que vale para Panizzi e seus vizinhos vale para Wall
Street.
Imagine que Panizzi decida expandir o negócio. Ele leva seu
caderno de fiado a um banco e pede uma antecipação
do dinheiro. Como o comerciante é cuidadoso na seleção
de quem tem crédito, o risco é baixo e o gerente da
agência concorda, a um determinado custo, em fazer a operação.
A relação de confiança sobe, assim, um degrau.
O banco, sabendo que receberá dinheiro com determinada remuneração,
pode emitir títulos com base na caderneta. Os papéis
são vendidos para investidores que acreditam na solidez do
negócio apresentado pela instituição bancária.
Daí para a frente, os papéis podem passar por novas
transformações. Operações com derivativos,
swaps e securitização formariam um bolo ao redor da
caderneta da venda. É a parte mais complexa da crise atual.
Na direção do crédito
bancário
Há poucos anos, o mercado de carros usados era centralizado
em feirões e na compra e venda entre particulares. Muita gente
fazia disso uma segunda fonte de renda, negociando uns poucos carros
sem uma estrutura formal. Foi assim que Silvan Dal Bello começou
sua loja de veículos, a Bello’s Car. Quando juntou um
dinheirinho, decidiu que era hora de arriscar e abrir uma loja. Tinha
cinco carros em exposição. Hoje são mais de cem.
Em inúmeras ocasiões, a venda só saía com
uma boa dose de confiança no comprador.
“Era comum eu ter de fechar o negócio no fio do bigode,
levando um cheque pré-datado”, lembra. “No começo,
principalmente, dependia mais da confiança. Agora o acesso
ao crédito das financeiras é mais fácil.” O
setor de carros usados está se consolidando com lojas maiores
e financiamentos mais longos. Hoje, é possível parcelar
100% do valor do veículo em até 60 prestações.
Para Dal Bello, tão importante quanto acreditar no cliente é ganhar
sua confiança. “Tem gente que fala mal de vendedor de
carro usado, mas a maioria de quem está no circuito faz um
trabalho sério. Tenho muitos clientes que já compraram
três, quatro carros comigo”, afirma. “A competição é enorme,
está cheio de lojas na cidade. Quem não respeita o
cliente não firma o nome no mercado.” (GO)
É claro que os mercadinhos de bairro não entrarão
na roda da finança global dessa maneira. Negócios assim
envolvem bens mais caros, como casas e carros, e a complexidade do
rolo depende da regulação de cada país. Nos
Estados Unidos, as inovações financeiras tinham carta
branca para acontecer. O que deu errado para que a crise começasse?
Os investidores que mexiam com os papéis exóticos lastreados
em dívidas imobiliárias não tinham idéia
do que estava em suas mãos. Eles não sabiam se quem
comprou as hipotecas tinha como pagá-las e, ao mesmo tempo,
acreditavam que a inovação financeira nas operações
os preservaria de possíveis prejuízos. Teriam se dado
melhor investindo na caderneta do armazém.
O pânico financeiro que seguiu a queda nas hipotecas pode
ser traduzido como uma crise de confiança. É como se
os clientes da venda chegassem no caixa e lhes fosse negado deixar
a dívida no caderno porque não se acredita mais que
a conta será paga. Sem dinheiro, teriam de tentar vender alguma
coisa para levar o pão para casa. “Confiança é o
grau com que acreditamos que outra pessoa vai se comportar de uma
determinada forma”, define Sérgio Lazzarini, professor
do Ibmec-SP especializado no relacionamento entre companhias. “As
relações econômicas são baseadas em expectativas.
Você empresta para alguém a partir da probabilidade
de que a dívida será paga.”
Transparência
O conceito de confiança está presente até em
escolhas triviais. Compramos uma marca de pasta de dente porque acreditamos
que haverá um certo produto dentro do tubo. Essa mesma lógica,
de entregar o que se promete, move o mundo dos negócios. “Quanto
mais complexos ficam os mercados, mais difícil é conquistar
a confiança, ver quem é quem”, afirma o professor
de finanças Ivando Faria, da Universidade Federal Fluminense
(UFF). “Aí entra a necessidade de transparência.” Vem
daí, por exemplo, a demanda para que empresas abertas publiquem
seus balanços.
Outra característica da confiança é que quem
não cumpre a palavra é punido. Se por acaso a fábrica
de pasta de dente errar a fórmula, colocando pimenta no lugar
de hortelã, muitos consumidores deixarão de comprá-la
para sempre. Um exemplo mais corporativo é o de balanços
fraudados que, em tese, deveriam levar os responsáveis para
a cadeia. “Confiança e reputação têm
valor, são precificadas no mercado”, diz Faria.
Uma das razões para a crise atual ter atingido níveis
sistêmicos é que quem concedia o crédito aos
compradores de casas nos EUA não seria punido caso as prestações
não fossem pagas. “Assim, o risco não era bem
avaliado”, comenta o economista Giuliano Contento de Oliveira,
da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
(PUC-SP). “Quando estourou a crise, o volume de papéis
ruins já era muito grande e eles estavam espalhados pelo sistema
financeiro. Isso afetou a credibilidade de todo mundo.” Agora,
a desconfiança é tanta que até quem não
investiu no mercado imobiliário tem dificuldade para conseguir
crédito.
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Gazeta do Povo, 2 de novembro de 2008
Crédito internacional
A terceira fase do tremor financeiro
O economista Otaviano Canuto observa que a crise global está entrando
em sua terceira fase. Depois do estouro da bolha imobiliária
e do pânico financeiro, é hora de economias mais frágeis
pedirem socorro. Não por acaso, o Fundo Monetário Internacional
(FMI) voltou a aparecer com suas linhas de salvamento. Canuto é vice-presidente
de países do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)
desde 2007. Antes disso, ele passou pela diretoria do Banco Mundial
e foi professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em
entrevista à Gazeta do Povo de seu escritório em Washington,
na semana passada, ele disse que a crise provavelmente levará a
um período longo de desaceleração econômica
e que, depois das eleições presidenciais nos Estados
Unidos, o mundo financeiro caminhará para uma mudança
fundamental na maneira como os mercados são enxergados.
É exagero dizer que esta é a pior crise desde
os anos 30?
Não é exagero quanto à potencialidade da crise,
que é de um caráter tão profundo que poderia
gerar um quadro depressivo como aquele dos anos 30. A diferença,
enorme, é que na época a reação das autoridades
agravou o cenário e agora pelo menos a resposta tem sido tal
que deve evitar que o pânico se transmita com a mesma gravidade
para a economia como um todo.
Podemos esperar mais intervenção do Estado?
A resposta em termos de socorro a bancos e intervenção
em mercados financeiros era para conter o pânico e lidar com
o fato de que a crise estava implicando na paralisia do sistema bancário.
Agora a crise começa a atingir o lado real da economia. Isso
terá impacto de volta no sistema financeiro e vai exigir talvez
uma resposta de estímulos na área fiscal em todos os
países envolvidos para estimular o consumo. Vamos atravessar
no mínimo um ano com baixa atividade econômica, mesmo
que a gente tenha menor instabilidade financeira. O desempenho da
economia mundial será abaixo do seu potencial.
Tem alguma ação que falta ser anunciada? Seria
o caso da ajuda a quem comprou casas nos EUA?
Fala-se muito em possíveis planos de ajuda no lado dos consumidores
de baixa renda. Existem propostas, mas nada certo. O problema é que
se os preços das casas continuarem caindo vai existir um número
crescente de pessoas com o valor da casa abaixo da hipoteca e assim
se torna racional para muita gente entregar a casa.
O que quer dizer a volta dos pacotes do FMI?
Agora o sinal de queda está em economias emergentes, particularmente
nas economias que se tornaram dependentes do crédito externo
nos últimos anos. É o terceiro estágio da crise,
depois do estouro da bolha imobiliária nos EUA e do pânico
financeiro global. Como muitos desses países não têm
a autoridade monetária em condições de prover
segurança, então a ação das instituições
multilaterais será importante. Desde, é claro, que
essas instituições também saibam como se adaptar.
O BID também pode fazer acordos para ajudar países
em dificuldade?
Nós podemos acionar nossas linhas de emergência. E
estamos ampliando nosso volume de operações com os
países. O Brasil é um caso à parte, tem um volume
grande de linhas já negociadas com o governo e outras operações
com o setor privado. O país está bem, desenvolveu suas
próprias capacidades de resposta a uma turbulência como
esta.
Que mudança pode ocorrer após as eleições
americanas?
Acho que a postura pró auto-regulação do mercado,
que ganhou força nos últimos 25 anos, tende a ser revertida.
Estamos em um daqueles momentos em que um conjunto de princípios
que serve como guia está dando lugar a outro. O novo guia
será certamente mais desconfiado com relação às
propriedades de auto-regulação dos mercados financeiros.
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Folha de S.Paulo, 2 de novembro de 2008
Aécio e Serra vão gastar
juntos R$ 30 bi em 2009
Governadores de Minas e de São
Paulo concentram investimentos nos próximos 2 anos
Oposição critica as gestões
dos presidenciáveis tucanos que vão privilegiar as
obras de muita visibilidade e de alta capilaridade política
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL
FERNANDA ODILLA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A exemplo do que fez Gilberto Kassab (DEM) na disputa pela prefeitura
da capital paulista, os presidenciáveis e governadores tucanos
Aécio Neves (Minas Gerais) e José Serra (São
Paulo) vão encerrar seus atuais mandatos a reboque do calendário
eleitoral, rumo à sucessão do presidente Lula.
Levantamento feito pela Folha com base no planejamento estratégico
das duas gestões mostra que, juntos, eles investirão
só em 2009 cerca de R$ 30 bilhões, e apostarão
em obras de grande potencial de votos e alta capilaridade política,
como a recuperação de estradas vicinais no interior e
transporte coletivo nas duas capitais.
Nos dois casos, o levantamento revela a elevação dos
investimentos conforme se aproxima a eleição presidencial.
Em São Paulo, a série de investimentos do Estado, somados
recursos próprios e empréstimos para estatais, largou
com R$ 9 bilhões em 2007, encerrará este ano com R$ 12,7
bilhões e tem previstos R$ 18,6 bilhões para 2009 (Orçamento
enviado para a Assembléia) e R$ 19,4 bilhões para 2010
(projeção do programa de ajuste fiscal, receitas de concessão
e orçamento de estatais).
Ao final, se vingar o planejamento paulista, o acumulado de investimentos
da gestão Serra será de R$ 59,5 bilhões -média
de R$ 14,9 bilhões/ano a mais do que a de Geraldo Alckmin (2003-2006),
até agora o último candidato a presidente pelo PSDB,
derrotado por Lula.
Aécio vai transformar em bandeira o projeto batizado de "choque
de gestão", que tirou o Orçamento de Minas de um
déficit de R$ 2,4 bilhões em 2002 e ampliou para R$ 10,8
bilhões os recursos próprios para investimentos em 2009,
conforme a proposta orçamentária. No segundo mandato
do mineiro, ele começou 2007 com R$ 7,44 bilhões para
investir, neste ano, estimou gastar R$ 9 bilhões e reservou
R$ 10,8 bilhões para 2009.
Oposição
A oposição acusa os tucanos de manobra eleitoral. "Eu
reconheço o direito do governador José Serra se lançar
candidato, mas não o de sujeitar o Orçamento do Estado às
suas pretensões eleitorais", afirma o líder do PT
na Assembléia paulista, Roberto Felício.
" Os R$ 200 milhões que o governador Aécio gastou na Linha
Verde são menos do que investe em publicidade anualmente, somados os gastos
da administração direta e das empresas. Foi um governo carente
de obras, porque todas as promessas estão previstas para serem executadas
no final do mandato", alega o deputado estadual Sávio Souza Cruz
(PMDB), um dos principais críticos do tucano mineiro.
Os dois governos alegam que o incremento de ações ao
final dos mandatos é conseqüência de medidas drásticas
de redução de despesas e ampliação de receitas,
implantadas no início das atuais gestões. Ambos negam
que haja motivação eleitoral e dizem que muitas ações
já estão em andamento.
Como exemplo, São Paulo diz que quase dobrou os tipos de medicamentos
gratuitos no Dose Certa e que, das 26 novas Fatecs (Faculdades de Tecnologia)
pragramadas para 2010, 21 já foram entregues. No próximo
ano, os dois tucanos travarão um embate dentro do PSDB, por
isso, a elevação das receitas já em 2009.
Ambos, se quiserem mesmo concorrer ao Planalto, terão, conforme
a lei, de deixar seus cargos antes do início de abril de 2010,
outro ponto que explicaria a concentração de inaugurações
já para 2009. Minas contabiliza 410 obras em andamento e prevê a
licitação até 2010 de outras 200.
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Folha de S.Paulo, 2 de novembro de 2008
Lula eleva pressão no BC por
corte de juro
Presidente esperava que o Copom
sinalizasse que poderia reduzir a taxa antes mesmo da próxima
reunião do comitê
Para Lula, posição do BC é conservadora
frente à crise; presidente se incomoda com que outros países
baixem juros, e o Brasil, não
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai retomar com mais
força as pressões para que o Banco Central diminua
a taxa básica de juros, a Selic, hoje em 13,75% ao ano. Apesar
de já esperar a decisão do BC na quarta-feira, de manutenção
dos juros, Lula não ficou satisfeito.
A Folha apurou que o presidente queria um sinal político do
BC, com um viés de baixa na reunião do Copom (Comitê de
Política Monetária). Ou seja, manteria a taxa, mas deixaria
claro que poderia fazer uma redução antes de 45 dias,
o intervalo entre as reuniões do órgão do BC que
fixa a Selic.
Lula avalia que o Banco Central assumiu uma posição conservadora
no momento de crise e tem ficado incomodado com as notícias
de que os bancos centrais de outros países baixam os juros.
Para Lula, o BC brasileiro está na contramão dos bancos
análogos.
Segundo a Folha apurou, se o BC insistir numa política monetária
conservadora no momento de crise, Lula poderá voltar a pensar
na substituição do presidente da instituição,
Henrique Meirelles. No início do ano, Meirelles esteve a um
passo de deixar o governo.
Lula autorizou que o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, seu conselheiro
informal, fosse convidado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega,
para substituir Meirelles. A dúvida de Belluzzo e o agravamento
da situação econômica seguraram Meirelles no posto.
Obviamente, é um complicador substituir Meirelles no meio da
tormenta, mas Lula teme que a manutenção dos juros num
patamar alto possa impactar as taxas de crescimento do PIB (Produto
Interno Bruto), comprometendo a popularidade presidencial.
Lula deseja manter a economia sólida para vitaminar as chances
de eleger o sucessor em 2010. O presidente já disse a aliados
que deseja que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, seja a candidata.
O plano A de Lula é fazer com que o próprio Meirelles
conduza uma retomada do processo de queda dos juros. Nos bastidores,
porém, o presidente do BC tem resistido.
Apesar de o Copom ter tomado por unanimidade a decisão de manter
os juros em 13,75%, havia divisão na diretoria do BC nas últimas
semanas. Meirelles está aliado a um grupo mais conservador,
que cogitou até mesmo uma elevação. Mas a piora
da crise internacional no último mês e a pressão
do Palácio do Planalto contra a elevação da Selic
enfraqueceram esse grupo.
Há uma outra ala do Banco Central mais afinada com a Fazenda,
de Mantega. É a de Alexandre Tombini, diretor de Normas e Organização
do BC. Esse grupo tem uma avaliação de que a crise econômica
internacional mudou o cenário e de que os juros brasileiros
já estão num patamar suficientemente alto para combater
uma eventual alta inflacionária.
Mais: na avaliação de Mantega,
compartilhada por Lula, a desaceleração da
economia brasileira em decorrência do menor avanço
mundial já será suficiente para conter eventuais
pressões inflacionárias por conta do câmbio.
O real se desvalorizou em relação ao dólar,
o que tende a gerar um efeito negativo na inflação.
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Folha de S.Paulo, 2 de novembro de 2008
Brasileiro nos EUA perde
casa e trabalho
Com o estouro da bolha imobiliária,
uma das maiores comunidades de imigrantes do país
sofre com a crise e muitos retornam
Há ruas inteiras e prédios com imóveis
fechados, grande parte deixada para trás por brasileiros,
que são cerca de 30 mil em Newark
FERNANDO CANZIAN
ENVIADO ESPECIAL A NEWARK
O estouro da bolha imobiliária e a paralisação
do mercado de construção de novas residências
nos EUA atingiu em cheio uma das maiores comunidades de brasileiros
nos EUA, na cidade de Newark, no Estado de Nova Jersey. Nos últimos
meses, dezenas de famílias deixaram Newark, muitas para retornar
para o Brasil. Entre os brasileiros, a maioria dos homens trabalha
ou trabalhava na construção. Eles não só perderam
os empregos. Agora, perdem, em massa, as suas residências.
Há pouco mais de um ano, o mineiro Marcelo Costa, 37, estava
comprando, financiadas, duas casas em Newark. Quando tomou os empréstimos,
em 2004, os valores dos imóveis eram de US$ 400 mil e US$ 290
mil. Há pouco mais de dois anos, chegaram a US$ 620 mil e US$
500 mil, no pico do boom imobiliário norte-americano.
Na época, Costa surfava nessa boa onda trabalhando como corretor
de imóveis, o que lhe garantia um rendimento superior a US$
10 mil ao mês. "Em dois anos, minha vida virou de ponta-cabeça",
afirma.
Os preços dos imóveis que ele estava comprando começaram
a desabar com o estouro da bolha. Seu rendimento despencou junto. Como
no período de alta os compradores usam a valorização
para levantar novos empréstimos, Costa ficou na seguinte situação:
duas prestações muito altas em relação
ao valores dos imóveis (eles hoje valem aproximadamente o mesmo
que quatro anos atrás) e sem a renda de antes.
Resultado: teve de devolver os imóveis
aos bancos. Hoje, Costa mora na casa de um ex-cunhado e
luta para ganhar entre US$ 2.500 e US$ 3.000 por mês
dirigindo uma limusine entre Newark e Manhattan, na vizinha
Nova York. "Aqui não é como o Brasil.
Vou me levantar de novo, pode apostar", diz Costa,
há 17 anos nos EUA.
Em Newark, há ruas inteiras e prédios com imóveis
fechados, grande parte deixada para trás por brasileiros, que
somam cerca de 30 mil nesta cidade de 280 mil habitantes. De acordo
com o corretor brasileiro Valtair Souza, da Exit Realty, quase 70%
dos brasileiros que compraram casas em Newark durante o boom perderam
ou estão em vias de perder os seus imóveis.
Quem perde a casa e não vai embora acaba alugando muitos dos
imóveis disponíveis, que passam a ser administrados por
bancos ou corretoras. Enquanto o valor de uma prestação
("mortgage", em inglês), mais taxas de propriedade,
em Newark está hoje em US$ 5.000, em média, é possível
alugar imóveis grandes por menos de US$ 2.000. É o que
muitos acabam fazendo.
O boom imobiliário foi tão intenso em Newark que, por
falta de terrenos, muitas casas que chegaram a valer mais de US$ 600
mil foram construídas em áreas de indústrias e
galpões abandonados, degradadas e violentas. Hoje, estão
vazias, para alugar ou vender, e valem um terço do que custavam
no auge do mercado.
Quando estava em sua "grande fase", Costa trabalhava para
outro brasileiro, o "Dr. Mortgage", como é conhecido
Mario Damião, 44, âncora do programa de TV "Casa
Nova" (agora suspenso), exibido nos EUA e no Canadá, de
orientação sobre o mercado imobiliário.
Há 20 anos no país, o paulistano Damião tem há dez
anos uma licença para "mortgage banking" nos EUA.
No auge do boom, passou a ter, além de Costa, 95 corretores
na sua empresa. Na boa fase, a Castle Home Mortgage chegou a girar
US$ 25 milhões, vendendo 60 imóveis por mês.
Hoje, trabalha com apenas 20 pessoas e fechou 4 de seus 8 escritórios
na região. "Na época do boom era assim: "O
sujeito respira?". Então tem financiamento", diz Damião.
Como os preços não paravam de subir, o negócio
era muito pouco arriscado para os bancos, que tinham imóveis
em forte valorização como garantia caso o comprador ficasse
inadimplente. Até o mercado inverter e embicar para baixo.
Hoje, Damião diz ter vários imóveis para alugar
vazios. Ele não confia em alugá-los a quem diz trabalhar,
por exemplo, no setor de construção, caso da maioria
dos brasileiros. "É um emprego em extinção",
diz. Damião calcula "uns dez anos" para que a demanda
para a compra de imóveis volte a se ajustar à oferta
em Newark.
A crise imobiliária que acertou os brasileiros já deprime
também outros negócios, como as várias lojas de
Newark voltadas para eles. Na cidade, há ruas inteiras delas,
em que o português predomina. De acordo com Marta Martins, da
Pantanal, especializada em artigos importados do Brasil (de CDs de
forró a balas 7 Belo), o movimento caiu pela metade no último
ano.
" Muita gente já foi embora ouvindo dizer que as coisas estão
melhores no Brasil. Acho que agora em dezembro e janeiro, quando o frio apertar,
vai mais uma boa leva", diz.
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Folha de Londrina, 2 de novembro de 2008
Demitir sai caro e atrapalha
empresas
Ao dispensar um colaborador só o
Fundo de Garantia representa multa de 40% sobre o valor
recolhido e outros 10% para o caixa do governo
O governo é rico, mas o povo é pobre. Parece uma
incoerência, pois se o governo é rico significa que
há riquezas no país. Porém, se o povo é pobre
fica claro que a distribuição da riqueza não
ocorre como deveria.
O governo brasileiro fica com praticamente 40% do Produto Interno
Bruto (PIB), ou seja, de toda a riqueza que é produzida no
país. Este valor deveria ser redistribuído em benefícios
para a população. Mas não é o que ocorre.
Um dos casos gritantes na legislação brasileira e
que demonstra que o ônus sempre fica com o contribuinte é a
multa que as empresas pagam ao demitir o funcionário. Ao dispensar
um colaborador a empresa é obrigada a pagar a ele 40% de multa
sobre o valor do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)
recolhido e outros 10% para o caixa do governo. Traduzindo: o custo
financeiro para demitir um funcionário é incoerente
e sempre penaliza a empresa. ''Hoje, as demissões só ocorrem
em duas situações: quando o funcionário não
atende as expectativas da empresa ou quando está em dificuldades
financeiras e precisa enxugar a folha de pagamento. É sempre
importante esclarecer que o empresário não demite por
maldade, e sim por uma necessidade'', esclarece o presidente do Sescap-Ldr,
José Joaquim Martins Ribeiro.
Também há casos, lembra Ribeiro, de funcionários
que tentam fazer acordo para serem demitidos e sacar o FGTS. Quando
isso não ocorre, reduzem a produção para provocar
sua saída. Outra situação que eventualmente
se verifica é o empregador propor a demissão e depois
recontratar o funcionário após alguns meses.
Segundo Ribeiro, quem mais sofre este tipo de problema são
as pequenas e micro empresas. ''Imagine uma empresa com 8 funcionários
sendo que o mais antigo deles está há oito anos trabalhando
com um salário de R$ 1.500,00. O custo da demissão
passará de R$ 10 mil. Se a empresa está fazendo a demissão
para conter custos, como poderá arcar com o valor da rescisão?''
O mercado econômico, em todo o mundo, não segue uma
linha constante de crescimento. É comum momentos de euforia
intercalados com outros de estagnação. Com a globalização,
as crises locais podem se transformar em mundiais em poucos dias. É o
que se percebe com os reflexos da crise americana. A diferença é que
cada pais tem uma legislação trabalhista própria,
umas mais flexíveis e outras mais duras. As mais flexíveis
ajudam as empresas a enfrentar momentos de crise. Não é o
caso brasileiro onde o empregador fica com todo o ônus.
''No Brasil, quando o governo precisa de dinheiro para resolver
seus problemas ele cria um novo imposto, uma nova taxa'', lembra
o presidente do Sescap. É o caso dos 10% de multa que ele
cobra quando há a demissão do funcionário. Essa
contribuição começou em 2001 e foi elaborada
como forma de regularizar as questões originadas pela declaração
de inconstitucionalidade das leis que instituíram os planos
Verão (janeiro/89) e Collor I (abril/90) na tentativa de se
evitar a distribuição de várias ações
judiciais. Começou como contribuição provisória
e se transformou em permanente. ''Seria interessante que os sindicatos
empresariais, de trabalhadores e políticos se unissem para
iniciar a discussão para flexibilizar as leis e reduzir os
encargos contratuais. A flexibilização ajuda a aumentar
o número de empregos e a enfrentar crises'', conclui Ribeiro.
Fonte: Sescap-Ldr - Sindicato das Empresas
de Assessoramento, Perícias, Informações,
Pesquisas e Serviços Contábeis de Londrina
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Revista Consultor Jurídico, 2 de
novembro de 2008
Custo da ação
TST nega execução
de multa prevista convenção coletiva
Norma prevista em convenção coletiva de trabalho que
prevê multa não pode ser comparada a um título
executivo extrajudicial. Com esse entendimento, a 2ª Turma do
Tribunal Superior do Trabalho negou provimento ao recurso do Sindicato
dos Trabalhadores em Empresas de Cargas de Manaus e do Amazonas (Sindicargas),
que pedia o reconhecimento de uma dívida da empresa Cupim Manaus.
Segundo o sindicato, a empresa não compareceu a uma audiência
perante a Comissão Intersindical de Conciliação
Prévia, por isso, deviria pagar a taxa de custeio da ação
proposta pelos filiados. De acordo com a convenção
coletiva da categoria, o comparecimento era obrigatório.
A ação foi ajuizada em 2006 na Justiça Trabalhista
de Manaus, mas foi extinta sem julgamento de mérito. A decisão
de primeiro grau afastou a possibilidade de comparecimento obrigatório,
a não ser em casos de testemunhas previamente arroladas em
processo judicial, o que não era o caso das Comissões
de Conciliação Prévia (CPP). O sindicato, segundo
a decisão, sequer chegou a apresentar a cláusula da
convenção que se referia à obrigatoriedade do
comparecimento.
Seguindo o entendimento do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região,
o relator do processo no TST, ministro Renato de Lacerda Paiva, não
aceitou o argumento do sindicato, de que a Lei 9.958/00, que criou
as CCP, estabelecia a execução de títulos extrajudiciais
pela Justiça do Trabalho. A entidade queria que as custas
processuais da ação na Comissão Intersindical
de Conciliação Prévia e a multa pelo descumprimento
de cláusulas da convenção coletiva fossem executadas
judicialmente. Para o ministro, no entanto, a ação
de execução tratava de título não previsto
em lei.
AIRR-9146-2006-008-11-40.0
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Revista Consultor Jurídico, 2 de
novembro de 2008
Meio de sustento
Pais podem ser dependentes
de filhos na previdência
Os pais de segurado podem ser reconhecidos como seus dependentes, desde
que não tenham meios próprios de subsistência e
dependam economicamente do segurado. Com este fundamento, a 21ª Câmara
Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul confirmou
a sentença que determinou a inclusão de uma mãe
como segurada do instituto de previdência do estado como dependente
do filho.
A apelação foi interposta pelo Instituto de Previdência
do Estado do Rio Grande do Sul (IPERGS). O instituto sustentou que
não havia sido comprovado por parte da mãe a inexistência
de meios para prover sua subsistência.
A desembargadora Liselena Schifino Robles Ribeiro, relatora do caso,
destacou que, de acordo com o artigo 13 da Lei 7.672/82, que reestruturou
o instituto, considera-se dependente econômico a pessoa que
percebe, mensalmente, renda inferior a um salário mínimo
regional.
A relatora salientou que, conforme os documentos anexados no processo,
a mãe recebia, como aposentadoria da Previdência Social,
R$ 351,33, em março de 2007, inferior ao salário mínimo
regional (R$ 477,40), o que autoriza o reconhecimento da condição
de dependente econômica de sua filha.
“Resta induvidoso que a autora era dependente de sua filha,
sem que a pensão percebida junto ao INSS afaste seu direito à inscrição
como dependente na autarquia estadual, diante do seu pequeno valor”,
concluiu. Também participaram do julgamento os desembargadores
Francisco José Moesch (presidente) e Marco Aurélio
Heinz.
Processo 70.026.512.624
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