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JB ONLINE, 03 de novembro
de 2008 | Economia
Centrais sindicais pedem audiência
com Lula para discutir crise
JB Online
SÃO PAULO - Preocupadas com a crise internacional e seus reflexos no
Brasil, as centrais sindicais enviaram hoje um pedido de audiência
urgente com o presidente Lula e o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Eles irão levar um documento
com medidas sobre desenvolvimento e formas de amenizar o impacto da crise
para os trabalhadores. - Queremos discutir o mais rápido possível
com o governo como minimizar os efeitos da crise internacional para os
trabalhadores e evitar que cortes nos investimentos atinjam as áreas
sociais - adiantou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira
da Silva, o Paulinho.
A Força Sindical, a CGTB,
a CUT, a Nova Central, a CTB, e UGT também definiram hoje em São
Paulo que farão no próximo dia 3 de dezembro uma Marcha
em Brasília.
A intenção é entregar
um documento aos parlamentares e ao presidente Lula reivindicando a
redução da jornada de trabalho, a aprovação
da Convenção 151 da OIT – que trata sobre demissões
imotivadas, da Convenção 158 – que trata sobre
os direitos de negociação dos servidores públicos,
a valorização do trabalho e manutenção
dos investimentos em políticas sociais públicas.
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AGÊNCIA BRASIL, 03
de novembro de 2008
Empresários da construção
civil questionam ministra sobre criação da CaixaPar
Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A criação da empresa Caixa Participações
(CaixaPar), que permite que a Caixa Econômica Federal possa entrar como
sócia de empresas da construção civil, não agradou
aos empresários do setor. O presidente da Câmara Brasileira da
Indústria da Construção Civil (CBIC), Paulo Safady Simão,
disse hoje (29) que a medida não foi negociada com o setor e pegou os
empresários de surpresa.
“É um equívoco
do governo. A Caixa é uma financiadora do sistema, ela detém
o monopólio de financiamento. Não nos parece correto que
uma empresa que financia o setor seja sócia do setor. Não
estou dizendo que foi feito com essa intenção, mas é uma
porta aberta para possíveis distorções da concorrência
do mercado”, afirmou.
Segundo Safady, o temor é que
a medida atenda apenas poucas grandes empresas do setor e deixe os pequenos
empresários de lado. “Estamos pleiteando medidas universais
para o mercado como um todo. Queremos uma solução de mercado”,
ressaltou.
O tema foi abordado durante uma
mesa redonda com a participação da ministra Dilma Rousseff,
chefe da Casa Civil da Presidência da República, durante
o 3º Encontro Nacional da Indústria, realizado em Brasília.
Dilma explicou que a Caixa só pode ser sócia de empresas
que obtiverem o nível 2 no Índice de Governança
Corporativa na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). “Geralmente,
as grandes empresas estão neste nível, mas nada impede
que pequenas ou médias empresas estejam”, disse.
Dilma garantiu, no entanto,
que os pequenos empresários da construção civil
não vão ficar desamparados no caso de dificuldades financeiras,
e lembrou o anúncio feito hoje pelo ministro da Fazenda, Guido
Mantega, de uma linha especial de R$ 3 bilhões para o setor. “O
governo acha que as pequenas e médias empresas da construção
civil são de fato o coração do setor. Elas têm
que ser preservadas e certamente serão”, assegurou a ministra.
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Folha de S.Paulo, 3 de novembro
de 2008
Receita prepara alongamento de imposto
A pedido do ministro Mantega, órgão
avalia o impacto no caixa do Tesouro de ampliação de prazos
de recolhimento | Empresários pedem mais prazo para reforçar
capital de giro com crise financeira; para a Receita, arrecadação
crescerá menos em 2009
CLAUDIA ROLLI
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
A Receita Federal deve entregar
até amanhã ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, estudo
que avalia o impacto no caixa do Tesouro da ampliação
de prazos para o recolhimento de impostos das empresas.
O pedido para fazer o estudo foi feito na última sexta-feira pelo ministro à secretária
da Receita Federal, Lina Vieira, e tem como objetivo atender reivindicação
de empresários que querem ter mais dinheiro em caixa para enfrentar
os efeitos da crise financeira global.
Lina afirma que vai apresentar ao ministro estudo sobre impostos que ainda
não são recolhidos no final do mês, como o IPI (Imposto
sobre Produtos Industrializados) para alguns produtos, a Cofins (Contribuição
para o Financiamento da Seguridade Social) e as contribuições
previdenciárias.
A idéia é permitir, por exemplo, que as empresas que pagam o
IPI no dia 20 de cada mês possam fazê-lo no dia 30, e assim ter
mais capital de giro ao longo do mês.
O pedido para ampliar os prazos foi feito no mês passado pela CNI (Confederação
Nacional da Indústria), que estima que o prazo médio de pagamento
de tributos é hoje de 30 dias. A confederação sugeriu
que esse prazo passe para 60 dias, durante um período de seis meses,
a partir do próximo ano.
O secretário do Tesouro, Arno Augustin, também deverá fazer
um levantamento sobre o impacto do alongamento de prazos no seu fluxo de caixa,
segundo afirma a secretária da Receita. "A partir desses dados,
o ministro vai decidir quais medidas serão tomadas", diz Lina.
O governo tem compromissos a cumprir, entretanto, a partir de um cronograma
já estabelecido de arrecadação. "Quando se altera
o cronograma, isso pode afetar as contas do governo. Por isso é preciso
uma avaliação detalhada da secretaria do Tesouro", afirma.
Ao estender os prazos para que as empresas paguem seus impostos, o governo
federal quer também evitar a perda de arrecadação no ano
que vem, quando a desaceleração da economia deve se intensificar.
Com os prejuízos enfrentados pelas empresas em decorrência da
crise, a previsão de a Receita arrecadar 11% a mais no próximo
ano deve ser revista, segundo a secretária. "O êxito da arrecadação
está principalmente baseado em dois tributos, o Imposto de Renda da
Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro
Líquido, que representam a lucratividade das empresas. Se houver, portanto,
redução na lucratividade das empresas, a arrecadação
será reduzida", afirma.
Com expansão mais forte da economia, a Receita arrecadou com tributos
e impostos federais R$ 508,8 bilhões de janeiro a setembro, 10% a mais
que no mesmo período de 2007, apesar do fim da CPMF. Só em setembro,
foram recolhidos R$ 55,6 bilhões, novo recorde.
" Sabemos que muitas empresas vão enfrentar prejuízos porque
fizeram negócios atrelados ao dólar. Com certeza, esses prejuízos
vão resultar em um crescimento menor de arrecadação [em
2009]. Não sabemos quais são os números, mas seremos afetados",
diz Lina. "Pela análise de todos os setores econômicos até setembro
e pela injeção de investimentos do PAC [Plano de Aceleração
de Crescimento] era previsto para o ano que vem um retorno muito grande [para
a arrecadação]. Agora vamos ter de analisar novamente os números."
Em época de dificuldades financeiras, o recolhimento de impostos e tributos
tende a cair, segundo a secretária. "O que as empresas fazem quando
entram em dificuldade é parar de recolher impostos. Primeiro pagam funcionários
e fornecedores. Se sobrar dinheiro, pagam os impostos", afirma.
As medidas adotadas pelo governo federal e pelo Banco Central para injetar
mais dinheiro na economia e amenizar os efeitos da crise no país estão
corretas, segundo avalia Lina. Tanto que a Receita Federal mantém a
previsão de arrecadar neste ano 7% mais do que no ano passado. "Não
acredito que a crise nos afete neste ano. Esperamos chegar em dezembro com
a nossa meta de arrecadação mantida, que é a de crescer
7% [sobre 2007]."
Em relação à concessão de novos benefícios
fiscais a determinados setores da economia, a secretária afirma que
não devem ocorrer em momentos de dificuldades como esse. "Na época
de vacas gordas, pode se conceder benefícios porque a desoneração
tem como ser compensada na efetividade da arrecadação. Mas em
momentos de maior dificuldade, não podemos olhar com benesse a concessão
de benefícios."
Mais mudanças
As mudanças na estrutura da Receita Federal vão se intensificar,
segundo a secretária. "A oxigenação vai continuar.
Faço as escolhas, e elas vão continuar com base na análise
dos currículos e do perfil das pessoas, que também são
sabatinadas por mim, pelo ministro [Mantega] e pelo secretário executivo
[Nelson Machado]."
Sobre as críticas de que os sindicalistas chegaram ao poder na Receita
nessa nova gestão, Lina, que assumiu a chefia do órgão
em julho, diz: "Somos todos concursados. Não interessa a que partido
político as pessoas pertencem. E não é novidade [ter sindicalistas]
na casa. Nas gestões anteriores também havia pessoas que passaram
por sindicatos."
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Folha
de S.Paulo, 3 de novembro de 2008
Há mais eleitores que habitantes
em 28 cidades do país
TSE diz que, para definição de
domicílio eleitoral, residência pode ser confirmada por
outros vínculos, como profissionais | Em Tapiraí (MG),
cidade campeã das distorções, são 2.437 votos
para 1.841 habitantes; tribunais vêem dados com naturalidade
RUBENS VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL
Pelo menos 28 municípios
brasileiros registraram, nas últimas eleições
municipais, mais votantes do que a população medida
pelo IBGE, conforme levantamento feito pela Folha.
Proporcionalmente, Tapiraí (MG) foi o município campeão
na disparidade, com 2.437 votos depositados nas urnas para uma população
de 1.841 habitantes, segundo o censo do IBGE do ano passado.
Em Analândia (SP), neste ano houve 4.490 eleitores para 4.166 moradores.
A eleitora Adriana Batista Alves de Lima fez uma denúncia na Polícia
Federal, agora sob apuração no Ministério Público
de Itirapina (SP). Ouvida pelos agentes, contou que títulos de eleitor
de moradores de Pirassununga foram transferidos para Analândia sob promessa
de receberem a posse de terrenos no município. Segundo a denúncia,
eles deveriam votar em determinado candidato a prefeito.
Tanto o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) quanto os TREs (Tribunais Regionais
Eleitorais) de Minas Gerais e de São Paulo receberam com naturalidade
as disparidades entre número de moradores e votantes.
O TSE informou, por meio da assessoria, que "a jurisprudência do
TSE consolidou-se no sentido de admitir que a residência no município,
para fins de definição de domicílio eleitoral, pode ser
abonada por outros vínculos -patrimoniais, profissionais e comunitários-,
o que, as mais das vezes, determina percentuais mais elevados de eleitorado
sobretudo em municípios de baixa densidade demográfica que tenham
algum fator de atração migratória (econômico, turístico
etc.)".
O TSE realizou revisão em 1.129 cidades em 2007. "A Corregedoria
Geral Eleitoral informou que a revisão pode ser realizada em duas hipóteses:
denúncia fundamentada de fraude ou os três requisitos previstos
na resolução nº 21.538/ 2003", disse a assessoria.
Segundo o TRE de São Paulo, "o domicílio eleitoral não
se confunde com domicílio civil, ele é bem mais flexível.
Domicílio eleitoral é o lugar em que a pessoa mantém vínculos
políticos, sociais e econômicos".
O TRE paulista informou ter feito, entre 1999 e 2007, revisão nos sete
municípios referidos no levantamento da Folha. "Nas revisões,
o eleitorado foi chamado para comprovar o domicílio eleitoral. Os que
não compareceram tiveram a inscrição eleitoral cancelada."
O juiz auxiliar da Corregedoria Eleitoral de Minas Gerais, José do Carmo
Veiga, disse, por meio da assessoria do TRE-MG, que "no segundo semestre
de 2007 foram procedidas revisões em 174 municípios de Minas
onde havia uma desproporção entre eleitorado e população,
conforme indicou o TSE".
Segundo o corregedor, como conseqüências da revisão "foram
cancelados mais de 200 mil títulos de eleitor nesses municípios,
daqueles eleitores que não compareceram à revisão ou não
conseguiram comprovar o vínculo com a cidade onde estava inscrito".
De acordo com o corregedor, "os tipos de domicílio são diversos",
o que pode "gerar, inclusive, a desproporção".
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Folha de S.Paulo, 3 de novembro
de 2008
Entrevista da 2ª - André Singer
Parceria PSDB-PT é inviável,
afirma cientista político
PMDB não será o fiel da balança
entre PT e PSDB, pois sempre se inclina para o favorito
O CIENTISTA POLÍTICO André Singer,
50, diz que o PT se consolidou como partido do proletariado, e o PSDB,
como partido da classe média. A polarização entre
eles impede que o projeto de união entre petistas e tucanos articulado
pelo governador Aécio Neves (PSDB) tenha êxito no plano
nacional. Autor de "Esquerda e Direita no Eleitorado Brasileiro" (2000)
e ex-porta-voz do presidente Lula, Singer diz que o PMDB não será o
fiel da balança, mas o termômetro: "O PMDB vai se inclinar
para onde o vento estiver soprando".
MAURICIO PULS
DA REDAÇÃO
Na entrevista a seguir, concedida na quarta, o professor do Departamento de
Ciência Política da USP observa que o DEM se converteu em um partido
auxiliar da candidatura de José Serra (PSDB) à Presidência.
FOLHA - Sua tese destaca a importância da identificação
ideológica para explicar o comportamento do eleitor. Mas, numa
eleição local, o que distingue esquerda e direita?
Tanto Marta quanto Kassab prometiam construir hospitais, escolas...
ANDRÉ SINGER - A campanha de São Paulo foi uma campanha pouco
ideológica de parte dos grandes partidos, mas eu acredito que o corte
ideológico está acontecendo por baixo das campanhas, no que diz
respeito ao alinhamento do eleitorado: o eleitorado está se alinhando
ideologicamente. A eleição revelou alinhamentos que antes não
estavam postos da maneira como estão colocados hoje.
FOLHA - Quais são eles?
SINGER - Existe uma consolidação do PT como
o partido do proletariado, e do PSDB enquanto um partido da classe
média. Esse é um alinhamento de natureza social que envolve
aspectos ideológicos da maior importância, e que se revelou
melhor na eleição de 2008, que, por ser local, não é puxada
por candidatos nacionais. Ficou mais claro o perfil dos partidos.
O PT está se consolidando como um partido do proletariado. Se você olha
para a Grande São Paulo, o PT perde na capital, que é um distrito
eleitoral predominantemente de classe média, mas ganha na maioria das
cidades do cinturão proletário de São Paulo -São
Bernardo, Diadema, Osasco, Guarulhos. No Rio Grande do Sul, o PT perdeu em
Porto Alegre, mas ganhou em Canoas; no Rio, o partido teve pouca expressão
na capital, mas ganhou em Nova Iguaçu e Belford Roxo; em Minas, não
disputou diretamente em Belo Horizonte, mas ganhou em Betim e Contagem.
Já o PSDB vai bem em Franca e São José dos Campos, que
têm uma classe média forte. A grande capital que o PSDB ganhou
foi Curitiba, típica cidade de classe média. A vitória
dos Democratas em São Paulo é também uma vitória
do PSDB.
Formalmente é uma vitória dos Democratas, porque Serra fez uma
costura política muito arriscada que acabou dando certo e que colocou
os Democratas como partido auxiliar do PSDB e particularmente da candidatura
de Serra à Presidência.
FOLHA - Que papel no espectro ideológico está reservado
ao PMDB?
SINGER - O PMDB é o que a gente poderia chamar de um
partido da classe política. Não é um partido de
classe. O PMDB tem características muito adequadas para abrigar
lideranças políticas locais, pois tem a flexibilidade
para que essas lideranças possam negociar posições
junto ao governo federal. Essa é uma forma que liga eleições
municipais às eleições federais e que faz com
que lideranças locais que orbitam em torno do centro, mas que
podem se deslocar tanto para a direita quanto para a esquerda, encontrem
uma legenda nacional que as permita estar em posições
diferentes de acordo com as tendências do país. Isso significa
que o PMDB, ao contrário do que tem se dito, não é o
fiel da balança: ele é o termômetro. O PMDB vai
se inclinar para onde o vento estiver soprando. Pouco provavelmente
o PMDB estará unido em qualquer das circunstâncias, como
já não está unido hoje. O PMDB de São Paulo
está com Serra, e o PMDB do Rio está com Lula.
FOLHA - Isso explica por que o PMDB está sempre se dividindo.
SINGER - Possivelmente continuará assim, porque essa é a
característica que lhe dá força. O que está se
chamando de vitória do PMDB é na realidade a vitória
de uma forma política que atrai lideranças locais. A
vitória do PMDB em Salvador e Porto Alegre é a vitória
de lideranças locais que migraram de outros partidos para o
PMDB.
FOLHA - Na prática o PMDB cresceu antes da eleição:
elegeu 1.059 prefeitos em 2004, subiu para 1.212 com as trocas, e agora
elegeu 1.202.
SINGER - Exatamente. Não é uma vitória
eleitoral: é uma vitória do jogo político. É que
houve uma migração para o PMDB à medida que o
partido se alinhou ao governo Lula. O enfraquecimento do Democratas
tem a ver com isso: é que uma parte de sua base migrou para
o PMDB porque este se revelou uma legenda mais confortável,
porque pode oscilar entre quem está no poder. Isso faz com que
o PMDB não tenha uma característica definida, nem ideológica
nem social.
É diferente do caso dos Democratas, uma legenda que procura se caracterizar
ideologicamente: tem uma postura de centro-direita. Essa postura perdeu espaço,
e o Democratas está transitando de um partido grande para um partido médio.
FOLHA - Um fato muito ressaltado é a distância
entre a aprovação a Lula e a votação dos
candidatos que ele apoiou. Por que parte do eleitorado apóia
Lula, mas rejeita o PT?
SINGER - As pesquisas mostraram que houve uma ascensão
importante da aprovação ao governo Lula. Isso não
significa que as pessoas, por aprovarem o governo, votarão automaticamente
nos partidos ou candidatos desse governo. Essa ligação
não é imediata. Se você considerar que boa parte
do PMDB está associada ao governo, é preciso contabilizar
esses votos como votos alinhados ao governo Lula, porém não
ao PT. O PT tem características próprias, diferentes
das características do governo Lula. O PT está se caracterizando
agora, mais até do que antes, como partido ligado ao proletariado,
e nessa medida ele é fortemente rejeitado pela classe média.
A oposição PSDB-PT tem raízes sociais: o PT vai
perder as eleições sempre que o centro e a direita estiverem
aliados em circunscrições em que eles tenham a maioria.
Isso explica por que o PT não tem, e não terá,
o tamanho do apoio ao governo Lula.
FOLHA - É cedo para apontar as perspectivas de eventuais
candidatos governistas, como Dilma Rousseff, que hoje só tem
3% dos votos?
SINGER - É cedo no sentido de que existe a dinâmica
econômica entre este momento e 2010, e é cedo no sentido
de que sempre existem acontecimentos políticos que influenciam.
Mas não é cedo para fazer uma projeção
com base nos dados que nós temos hoje. O fato de Dilma ter uma
intenção de voto baixa é absolutamente natural.
Em Belo Horizonte, Marcio Lacerda tinha baixíssima intenção
de voto até o início do horário eleitoral. Grande
parte do eleitorado não acompanha a política, não
sabe quem são os candidatos e as alianças que estão
se formando. Esses eleitores precisarão ser informados a respeito.
A partir do momento em que essa informação chegar, ela
terá um efeito imediato: uma parte importante do eleitorado
quererá, por razões objetivas, votar na continuidade
deste governo, e uma parte importante quererá votar contra.
Isso independe um pouco de quem seja o candidato. O país está dividido
entre uma classe média que votará contra o candidato
do governo e um proletariado que votará a favor.
Isso significa que a disputa de 2010 será muito dura.
FOLHA - Serra tem uma estratégia de confronto com o governo
Lula, enquanto Aécio parece buscar uma candidatura de consenso. Mas,
dada a polarização entre PT e PSDB, a opção de
Aécio parece cada vez difícil.
SINGER - Na eleição de 2008, Serra conseguiu dois trunfos.
Primeiro, conseguiu costurar uma aliança com o Democratas, que foi um
dos problemas mais sérios que ele teve em 2002, quando afastou esse
grupo da sua candidatura. Neste momento ele fez uma ponte com a ala direita
da oposição, e isso aumenta o cacife dele numa região
que ele não tinha. O segundo trunfo que ele conquistou foi uma aliança
momentaneamente sólida com a seção paulista do PMDB -leia-se
Orestes Quércia. Isso significa que ele não tem a maior parte
do PMDB, mas tem uma parcela importante, significativa.
A distinção entre Serra e Aécio é muito interessante
porque há uma espécie de inversão. Serra cresceu porque,
tendo sido um homem de esquerda, sabe como fazer política social. Não é por
acaso que o governo dele, e depois o de Kassab na cidade, deram continuidade às
políticas sociais do PT. Essa foi uma das razões de sua vitória,
porque ele soube somar o apoio natural que esse bloco tem junto à classe
média com uma certa penetração nas camadas de menor renda.
Por outro lado, Aécio, que sempre está dentro do espectro da
oposição mais à direita do que o governador Serra, fez
uma aliança mais à esquerda, com o PT.
O PT de Belo Horizonte fez uma opção que aponta para um possível
caminho do PT -um caminho mais centrista. Por razões de como está estruturado
o jogo político e ideológico no Brasil, não há nenhuma
possibilidade de aliança nacional. E, porque ela não existe,
esse experimento de Belo Horizonte é um experimento artificial. Essa
característica artificial foi notada pelos eleitores, e por isso Marcio
Lacerda teve dificuldades para ganhar no primeiro turno. É um arranjo
de conveniências locais com alguma incidência sobre o jogo político
nacional, mas que provavelmente não terá muita influência,
a menos que Aécio decida sair do PSDB. O que considero muito pouco provável.
FOLHA - É improvável que ele saia candidato
pelo PMDB?
SINGER - Acho muito improvável porque me parece que,
embora os políticos sejam muito flexíveis, os cortes
sociais e ideológicos não são. Aécio sabe
disso e sabe que ele terá um prejuízo muito grande saindo
do PSDB. A disputa brasileira se dará, por muito tempo, entre
dois grandes projetos representados pelo PT e pelo PSDB, que são
projetos diferentes, embora eles tenham tentado aliança em Belo
Horizonte, que a meu ver não deu certo. Creio que o que aconteceu
em Belo Horizonte terá servido mais para Aécio se manter
em evidência e participar do jogo numa condição
em que, até por sua juventude, lhe permitirá ainda dar
muitos passos pela frente e ser um personagem importante da política
brasileira. Mas não saindo do PSDB.
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Agência Diap, 3 de
novembro de 2008
REFORMA TRIBUTÁRIA
PEC 233/08: proposta corta contribuição
patronal a partir de 2011
O relatório do deputado
Sandro Mabel (PR/GO) sobre a reforma tributária (PEC 233/08),
do Governo, prevê que a contribuição patronal para
a Previdência Social, hoje fixada em 20% sobre a folha de pagamento,
seja reduzida automaticamente em um ponto porcentual ao ano a partir
de 2011. A redução progressiva até 14% foi incluída
no projeto como uma garantia de que isso ocorrerá independentemente
de aprovação ou não de uma lei regulamentando o
assunto.
O texto também proíbe
o Governo Federal de compensar a perda de receita, estimada em R$ 18
bilhões (ou R$ 3 bilhões por ano), com aumento de alíquotas
do novo imposto federal sobre valor adicionado (IVA), como previsto na
proposta do Executivo.
Na prática, a desoneração
da folha de pagamento é a medida de maior impacto de toda a reforma
tributária, proporcionando significativa economia para as empresas
intensivas em mão-de-obra, ou seja, aquelas que empregam muitos
trabalhadores.
Atualmente, para cada real de
salário pago ao trabalhador, a empresa precisa recolher 20 centavos
referentes ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), oito centavos
de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e mais quatro
centavos de seguros e contribuições para o chamado Sistema
S.
Se somados os custos de férias
e 13º salário, o custo sobre a folha de pagamento cresce
quase 50%.
Alguns integrantes da equipe
econômica preferiam que o Governo desse prioridade à desoneração
da folha em relação ao conjunto da reforma tributária.
O temor é de que as dificuldades em aprovar a proposta de emenda
constitucional acabem atrasando a redução da contribuição
previdenciária.
Outros técnicos
também sugerem que a pauta tributária não seja
mais focada na desoneração de empresas, mas na desoneração
de pessoas físicas, com uma reforma do Imposto de Renda (IR).
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Agência Diap, 3 de
novembro de 2008
RELAÇÕES DE TRABALHO
Trabalho: terceirização
e incentivo à contratação de dona de casa
em pauta
A Comissão de Trabalho
da Câmara analisa vários projetos de sua pauta ordinária,
entre eles, destaque para o PL 6.975/06, do deputado Nelson Pellegrino
(PT/BA). A matéria dispõe sobre a formação
compulsória de provisão, pelas empresas prestadoras de
serviços, para o pagamento de obrigações trabalhistas.
O relator da proposta no colegiado é o
deputado Sandro Mabel (PR/GO) e seu parecer é favorável
ao projeto, com emendas.
Orçamento 2009
Os deputados do colegiado irão debater as prioridades do colegiado na
apresentação de emendas ao Orçamento de 2009. A Comissão
poderá apresentar oito emendas, sendo quatro de apropriação
(que propõe o acréscimo ou inclusão de dotações)
e quatro de remanejamento.
As emendas da Comissão deverão estar relacionadas a projetos
do Ministério do Trabalho e Emprego e aos demais ministérios,
contanto que as áreas se refiram a matérias do campo temático
da Comissão. Os deputados devem autenticar suas emendas na secretaria
da Comissão até a manhã desta terça-feira (4).
Visita de Lupi
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, deve comparecer no colegiado
nesta quarta-feira (5). Na semana passada, o ministro desmarcou a visita em
razão de complicações na sua agenda.
Ele vai discutir assuntos relativos às emendas da Comissão ao
Orçamento 2009 e outros assuntos de interesse de sua pasta.
A reunião será às
10 horas, no plenário 12.
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Agência Diap, 3 de
novembro de 2008
RELAÇÕES DE TRABALHO
CCJ: periculosidade para vigilantes
na ordem do dia do colegiado
Há algum tempo na pauta
da Comissão de Constituição e Justiça da
Câmara, a proposta da deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM), que
institui o salário adicional de periculosidade para os vigilantes
e empregados em transporte de valores (PL 1.033/03) continua na agenda
do colegiado.
O relator, deputado Geraldo Pudim (PMDB/RJ), apresentou parecer pela aprovação
da matéria na Comissão e também do substitutivo aprovado
na Comissão de Trabalho. Ao que parece, a base do Governa na Casa apresenta
resistência ao projeto, o que têm atrasado sua apreciação.
A Comissão se reúne, nesta terça-feira (4), às
14h30; na quarta e quinta-feira, a sessão será pela manhã, às
10h, sempre no plenário 1.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
03/11/2008
Sexta Turma julga descanso só para
mulher incompatível com a Constituição
A norma contida no artigo 384
da CLT que prevê para a mulher, no caso de prorrogação
da jornada, descanso de 15 minutos antes de iniciar o trabalho extraordinário é incompatível
com o princípio constitucional da igualdade entre homens e mulheres.
Este entendimento norteou a Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho
a reformar decisões de Tribunais Regionais que concediam esse
benefício da CLT a duas trabalhadoras, uma bancária paulista
do Banco Nossa Caixa S.A. e uma funcionária da Telecomunicações
do Paraná S.A. – Telepar.
Segundo os ministros da Sexta
Turma, o artigo 384 não foi recepcionado pela Constituição
Federal de 1988. Para o ministro Horácio Senna Pires, relator
do recurso de revista da Telepar, a Constituição, em seu
artigo 5º, caput, igualou homens e mulheres ao fixar que “todos
são iguais perante a lei sem distinção de qualquer
natureza”, citando, ainda, o inciso I do mesmo artigo, no qual
homens e mulheres “são iguais em direitos e obrigações”.
Já o ministro Aloysio Corrêa da Veiga, relator do recurso
do banco, destacou que as únicas normas que possibilitam tratamento
diferenciado à mulher são as que tratam da proteção à maternidade.
Em um dos processos julgados,
a bancária trabalhou por 27 anos para a Nossa Caixa. Quando foi
dispensada, em junho de 2004, ajuizou reclamação trabalhista
pleiteando que fossem pagos como tempo extraordinário os 15 minutos
de intervalo não-usufruídos, mas concedidos pela CLT. A
Justiça do Trabalho de São Paulo concedeu-lhe o benefício,
agora retirado pela decisão da Sexta Turma.
Ao relatar o recurso de revista,
o ministro Aloysio Corrêa da Veiga julgou que não se justifica
o tratamento diferenciado. “A recomposição da fadiga,
no ambiente de trabalho, é igual para o homem e para a mulher.
Não há fragilidade a determinar o descanso antes do início
da jornada extraordinária”, concluiu. O relator ressaltou,
ainda, que não pode ser admitida a diferenciação
apenas em razão do sexo, sob pena de se estimular discriminação
no trabalho entre iguais.
No caso da Telepar, a funcionária
trabalhou 17 anos na empresa e foi despedida em fevereiro de 2000, quando
exercia a função de assistente de serviços e compras.
Na ação trabalhista analisada pela 1ª Vara do Trabalho
de Cascavel (PR), o pedido relativo ao artigo 384 foi indeferido. No
entanto, o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR)
mudou a sentença e converteu o intervalo não concedido
em pagamento de horas extras.
A Telepar buscou mudar a decisão
no TST. O ministro Horácio Senna Pires adotou, no recurso de revista,
o mesmo entendimento do precedente da Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) de 25/04/08, no E-RR-3886/2000-071-09-00.0,
onde não se admitiu a diferenciação apenas em razão
do sexo. O relator reformou a decisão do Regional e retirou da
condenação o pagamento das horas extras deferidas. (RR
1458/2004-033-15-40.1 e RR-36726/2002-900-09-00.5)
(Lourdes Tavares)
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03/11/2008
Motorista de ônibus de aeroporto tem
direito a periculosidade
Conduzir passageiros e tripulação
até as aeronaves possibilitou a um motorista de microônibus
e ônibus o direito ao adicional de periculosidade. A Sétima
Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou provimento a agravo de instrumento
da Infraero – Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária
e da Turis Silva Serviços Auxiliares de Transporte Aéreos
Ltda., por concluir que o motorista, embora não tivesse contato
direto com substâncias perigosas, estava em constante exposição
a elas, por trabalhar nos locais de abastecimento das aeronaves.
Contratado em dezembro de 2001,
o motorista dirigia ônibus que levavam passageiros e tripulação
do terminal até os aviões. Ao ser demitido, em março
de 2005, ajuizou reclamação trabalhista alegando que, no
desempenho de suas funções, era exposto a agentes nocivos à sua
saúde, porque permanecia dentro do ônibus, aguardando o
embarque dos passageiros, próximo ao abastecimento de aviões
de pequeno porte. Na ação, pediu o pagamento do adicional
no percentual de 30% sobre o salário base, entre outras verbas.
A 15ª Vara do Trabalho de
Porto Alegre condenou a Turis Silva e, subsidiariamente, a Infraero a
pagar o adicional de periculosidade no percentual requerido, com base
na Súmula nº 191 do TST. No mesmo sentido decidiu o Tribunal
Regional do Trabalho da 4ª. Região (RS), com base no laudo
que comprovou que o empregado trabalhava próximo dos aviões, “local
em que havia grande quantidade de inflamáveis e em que o risco
de infortúnio era bastante considerável”.
O ministro Ives Gandra Martins,
relator do agravo na Sétima Turma, entendeu que o Regional aplicou
ao caso a Súmula 364, inciso I, do TST: “faz jus ao adicional
de periculosidade o empregado exposto permanentemente ou que, de forma
intermitente, sujeita-se a condições de risco”. A
Turma considerou também que a NR-16 da Portaria 3.214/78, do Ministério
do Trabalho, caracteriza como perigosas as atividades de produção,
armazenagem e descarga de inflamáveis, de abastecimento de veículos,
aviões e navios. “O contato direto com substâncias
perigosas não se dá somente pelo seu manuseio, mas também
por exposição, o que efetivamente ocorre quando o empregado
trabalha nos locais de abastecimento de aeronaves”, afirmou o relator. “O
risco de incêndio ou explosão, nesse caso, atinge não
somente o empregado que esteja realizando o abastecimento, mas também
aquele que está executando outras atividades no local.” (AIRR-293/2006-015-04-40.0)
(Lourdes Côrtes)
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SINTRICOMB BRUSQUE, 3 de
novembro de 2008
Madeireira Dalcégio conquista
Campeonato de Bocha do Sintricomb
A equipe Madeireira Dalcégio conquistou o título do
9º Campeonato de Bocha do Sintricomb (Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias da Construção e do Mobiliário
de Brusque e região). O jogo decisivo aconteceu na noite de
sexta-feira, 31, na Associação da empresa Siemsen.
Na grande final, a Dalcégio enfrentou o time da Empreiteira
AMF. A disputa foi bastante acirrada entre as duas equipes e o título
somente foi decidido depois de quase três horas de confronto.
O 3º lugar ficou com o time da Empreiteira Venzon e a quarta posição
com a Formabella.
Após o encerramento e a entrega da premiação,
os participantes comemoraram com uma grande festa, regada a muita música
e churrasco. O prefeito de Botuverá, Moacir Merísio,
marcou presença no evento, mostrou bom desempenho com uma sanfona
em mãos e animou a festa.
Os quatro primeiros colocados receberam
como prêmio troféus.
A 9ª dição do Campeoanto de Bocha do Sintricomb
teve início no dia 18 de setembro. Participaram da competição
10 equipes: Madeireira Dalcégio, Empreiteira AMF, Empreiteira
Venzon, Formabella, Empreiteira Trainotti, Indroluz, Marcenaria Depinho
I, Marcenaria Depinho II, Morisa Móveis e DD Serv.


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