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Vermelho, 4 de novembro de
2008
Especialista diz que crise agravará condição
de trabalho
Há 25 anos estudando as relações
de trabalho no mundo, o professor da Faculdade de Economia da Universidade
de Bolonha, Bruno Maggi, diz que a crise financeira internacional deve
piorar ainda mais as condições de trabalho. Haverá demissões
e mais precariedade. Além disso, quem ficar empregado terá mais
responsabilidade e sobrecarga, o que vai resultar em mais estresse”,
disse o pesquisador numa entrevista exclusiva à Agência
UnB. Ele esteve recentemente no país participando de um encontro
sobre o tema na capital federal.
O especialista italiano aponta
três níveis de transformação em curso no contexto
do trabalho. O primeiro deles ocorre no processo dentro da empresa. “Embora
o debate internacional afirme que houve aumento da autonomia dos trabalhadores,
minhas pesquisas indicam que, a rigor, é uma falsa autonomia.
Na prática o trabalhador não faz o que deseja. É obrigado
a escolher algo. É a empresa que impõe a ele o que deve
ser feito”, avalia.
A principal conseqüência
disso é o aumento da responsabilidade e da carga de trabalho,
o que pode levar o indivíduo ao suicídio. “Durante
o ano de 1989 e toda a década de 1990, em um intervalo de apenas
11 anos, foram registrados 90 casos de suicídio do setor bancário
da região Nordeste do Brasil”, lembrou.
Outro problema sério ocasionado
pelas condições cada vez mais precárias é o
número crescente de acidente de trabalho. De acordo com a Comissão
Européia, a cada 5 segundos há um acidente de trabalho
na Europa. Nos 15 países europeus mais desenvolvidos são
7,6 milhões de acidentes todos os anos.
“Na Europa, existe uma
legislação específica sobre o cuidado com o trabalhador.
No entanto, o resultado é assustador, pois os empresários
não respeitam a lei. Eles preferem pagar multas a cumprir as normas”,
diz o pesquisador.
O segundo nível de transformação
está relacionado ao redesenho do processo produtivo, ou seja,
uma redução da hierarquia. “São procedimentos
novos e mais sofisticados, com o apoio da informática e da eletrônica.
Assim, há uma centralização do trabalho na mão
de poucos.”
“O terceiro nível é a
relação entre os contextos público e privado de
trabalho e o mercado. As empresas mais fortes controlam todo o processo
de produção, estabelecem uma hegemonia. Assim, existem
cada vez menos regras por parte do Estado, pois as grandes multinacionais
o substituem”, argumentou.
Brasil tem alto índice de precariedade
Questionado sobre as conseqüências
da ausência do Estado nessa relação de trabalho,
Bruno Maggi adverte que o trabalhador terá reduzido a sua autonomia
e os direitos conquistados. “Sabe-se que, no Brasil, existe mais
de 25% de precariedade no contexto do trabalho. E esse é um índice
muito alto. É a lei dos grandes atores econômicos que prevalece,
enquanto o trabalhador não tem mais proteção.”
Como solução para
o problema, o especialista aponta a necessidade de fazer um diagnóstico
com critérios científicos em todos os setores. Ele cita
como exemplo a escola onde é necessário avaliar “a
condição do professor, do técnico e dos laboratórios,
entre outras questões.”
O pensamento que deve prevalecer,
segundo ele, é que o meio deve se adaptar ao trabalhador e não
ao contrário como ocorre naturalmente no país. “Em
vez de utilizar as novas tecnologias para fazer melhor a mesma atividade,
fazemos uma, duas, três ou quatro coisas a mais. São menos
pessoas para desempenhar mais tarefas. A tecnologia deveria facilitar
a vida das pessoas em vez de gerar demissão e, consequentemente,
sobrecarga.”
Outro problema levantado por
Maggi é a sobrecarga no trabalho. “Algumas empresas ainda
impõem outras atividades aos trabalhadores, como cursos e ginástica,
tudo fora do horário de trabalho. É o tempo privado a favor
da empresa. Outro exemplo que considero criminoso: a autoformação.
As organizações passam um CD para que o empregado continue
trabalhando e estudando em casa. É uma invasão cada vez
maior do espaço privado”, concluiu.
De Brasília,Iram
Alfaia
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Folha de S. Paulo, 4 de novembro
de 2008
Pequena empresa deve ter mais de
R$ 5 bi do FAT
Agricultura familiar também será beneficiada
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo decidiu usar R$ 5,25
bilhões do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) para dar crédito
a micro e pequenas empresas e à agricultura familiar. A decisão
deverá ser tomada na reunião do Codefat (Conselho Curador
do FAT) marcada para quinta-feira, quando será liberada a primeira
etapa dos recursos, no valor de R$ 1,25 bilhão. Outros R$ 4 bilhões
deverão começar a sair a partir de janeiro.
De acordo com Luiz Fernando Emediato, representante da Força Sindical
no Codefat e atual presidente do conselho, o FAT tem R$ 17 bilhões aplicados
em fundos extra-mercado do Banco do Brasil. Pelas regras, precisa manter uma
reserva de R$ 11 bilhões para pagamento de seguro-desemprego e abono. "É um
absurdo o dinheiro ficar parado, aplicado em títulos, quando as empresas
estão precisando", disse.
Emediato explicou que os recursos do FAT serão liberados para os bancos
repassadores, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, que farão
os empréstimos para micro e pequenas empresas investirem e para agricultura
familiar. Segundo ele, a maior parte dos recursos terá de ser usada
para investimento (como compra de equipamentos, por exemplo), mas que uma parte
poderá servir como capital de giro. Este ano, o FAT ampliou em 10,5%
o repasse de recursos para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social), elevando para R$ 84,8 bilhões o total do patrimônio
do fundo nas mãos do banco. Em agosto de 2007, esse volume era de R$
76,7 bilhões.
Levantamento do Ministério do Trabalho aponta ainda que, além
do repasse que o FAT é obrigado a fazer ao BNDES (40% de sua receita),
atualmente 53% do dinheiro destinado às instituições oficiais
de crédito para programas de geração de emprego e renda
estão no banco de desenvolvimento. Isso representa mais R$ 24,8 bilhões
do fundo especial no caixa do BNDES.
Os dados contábeis do FAT até agosto mostram que, neste ano,
o fundo já conta com superávit operacional (inclui receitas e
despesas financeiras) de R$ 4,8 bilhões.
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O ESTADO DO PARANÁ,
04 de novembro de 2008 | País
Vagas de estágio diminuem 40%
e afetam milhões de estudantes
As empresas e instituições de ensino ainda não se adaptaram às
novas regras da Lei 11.788/08, sancionada em 25 de setembro de 2008. As mudanças
afetaram diretamente os 13,5 milhões de estudantes em todo o Brasil,
pois houve uma diminuição de 40% no número de vagas oferecidas.
Segundo o Presidente do Nube
(Núcleo Brasileiro de Estágios), Carlos Henrique Mencaci,
essa baixa se deve a uma adaptação das empresas à nova
legislação. "Ainda é cedo para retomarmos a
quantidade de oportunidades oferecidas antes da Lei, acreditamos que
o mercado volte a contratar normalmente no prazo de um ano", explica.
Quem consegue uma colocação
passa por outro problema: ter o contrato assinado pela escola onde está matriculado.
Isso acontece por dois motivos, a falta da previsão do estágio
não-obrigatório no projeto pedagógico do curso e
algumas implicações jurídicas dentro da própria
instituição.
De acordo com a Abres,
Associação Brasileira de Estágios, o Brasil tinha
1,1 milhão de estagiários, sendo 385 mil do ensino médio
e 715 mil do superior. Esses dados certamente mudaram. "Levantamento
parcial mostra que temos por volta de 1,040 milhão de estagiários
e pode reduzir ainda mais", afirma Seme Arone Junior, presidente
da Abres. Uma notícia ruim para os 8,9 milhões de estudantes
no nível médio. Mencaci afirma que o essa diminuição
será ainda maior devido à cota estabelecida pelo artigo
17 da Lei para esses estudantes. "Houve limitação
justamente para os alunos com mais necessidade de um primeiro contato
no mercado de trabalho", finaliza.
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O ESTADO DO PARANÁ,
04 de novembro de 2008 | Economia
Domésticas em falta no mercado
Helio Miguel
Um setor em que a procura por profissionais está bem maior que a oferta é a área
de serviços domésticos, onde são os patrões - ou
patroas, principalmente - que fazem fila nas agências de emprego, em
busca de candidatas, cada vez mais escassas.
Este ano, só em Curitiba,
por exemplo, a Agência do Trabalhador abriu 3,8 mil vagas, mas
preencheu apenas 1,3 mil. A área, hoje, é uma boa chance
de recolocação para pessoas que estão há algum
tempo longe do mercado de trabalho. Basta, para isso, qualificação
e força de vontade.
Segundo a coordenadora do Centro
de Capacitação do Trabalhador (Cecap) de São José dos
Pinhais, Adriana Picussa, quando as interessadas fazem cursos na área,
fica muito mais fácil conseguir emprego. O Cecap promove um curso,
com apoio da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção
Social e da Agência do Trabalhador do município.
“As que vêm para
o curso saem bem qualificadas e com emprego garantido”, informa,
lembrando que recebe pelo menos uma ligação por dia de
pessoas procurando profissionais na área. “Todas que fizeram
o último curso estão trabalhando”, diz.
A gerente da Agência de
São José dos Pinhais, Silmara Claudino, confirma a informação. “Temos
muito mais patroas procurando, do que empregadas para ofertar”,
ressalta. Para ela, como o mercado de trabalho está aquecido em
muitos setores, as mulheres acabam preferindo outras opções,
mesmo se o salário é similar. A maioria das patroas paga,
na área, o mínimo regional, de R$ 530.
Outro motivo pelo qual sobram
vagas é a baixa auto-estima de profissionais da área que
estão há muito tempo sem trabalhar. De acordo com a instrutora
do curso, dona Wanda Pichorim, muitas mulheres chegam ao centro nessa
condição.
Para ela, muitas mulheres também
perdem oportunidades porque têm idéias erradas sobre a profissão. “Elas
dizem: Para que fazer um curso se eu sei limpar?”, aponta.
O curso de Empregada Doméstica
com Noções de Babá oferecido no Cecap abre turmas
em média duas vezes por ano. As aulas da turma deste semestre
começaram ontem e vão até o próximo dia 21.
Mas ainda dá tempo de entrar: as inscrições são
aceitas até sexta-feira.
Entre as matérias
ensinadas, estão Organização do Trabalho Doméstico,
Planejamento das Refeições, Cuidados com Crianças,
entre outras. As aulas são das 8h às 16h, de segunda
a quinta-feira. Mais informações, no setor de cursos
da Agência do Trabalhador de São José dos Pinhais,
pelo telefone (41) 3283-6800.
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Agência Diap, 4 de
novembro de 2008
POSIÇÃO DA CVM
Governo ainda precisa avalizar fusão
entre Itaú e Unibanco
O Governo Federal ainda vai
analisar as condições da operação que
culminou na fusão dos bancos Itaú e Unibanco, anunciada
nesta segunda-feira (3). A análise será feita pela
Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O objetivo é garantir
que os acionistas minoritários não tenham prejuízos
com a operação. Por enquanto, a CVM informa que não
houve irregularidades no processo.
A superintendente de Relações
com Empresas da CVM, Elizabeth Machado, explica que, com a fusão,
o Itaú vai incorporar as ações do Unibanco. “A
CVM tem que analisar o direito do [acionista] minoritário, ou
seja, se a troca é feita de forma eqüitativa, justa. Se
o direto do minoritário está sendo garantido na operação”,
disse.
De acordo com ela, na migração
de uma empresa para outra, os acionistas minoritários podem
ser prejudicados com a perda de participação na nova
holding. “Dependendo de como a relação de troca é fixada,
o acionista pode ter prejuízo. Teremos um longo trabalho pela
frente para analisar isso”.
A superintendente também
explica que a CVM vai analisar “como um todo” as condições
da divulgação da fusão, o que implica acompanhar
as convocações de assembléias e o detalhamento
da operação. “Em princípio, a primeira divulgação
foi feita de forma correta, agora virão as assembléias
e os detalhes”.
Hoje pela manhã, o Banco
Itaú e o Unibanco comunicaram a fusão ao mercado financeiro
em fato relevante enviado à CVM. O aviso foi feito antes da
abertura do pregão da Bolsa de Valores. Com a associação,
a holding deverá figurar entre as 20 maiores instituições
financeiras do mundo.
Além da análise
da CVM, o negócio entre os dois bancos precisa passar por órgãos.
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Agência Diap, 4 de
novembro de 2008
VISÃO CONCORDANTE
Para Belluzzo, fusão entre
Itaú e Unibanco é positiva
A fusão anunciada, nesta
segunda-feira (3), entre Itaú e Unibanco foi considerada
positiva pelo economista e professor da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzzo.
Para ele, em meio às incertezas criadas no sistema financeiro
de todo o planeta em meio à crise nascida nos Estados Unidos,
a decisão dos dois bancos brasileiros pode contribuir para
que o crédito no País se fortaleça.
Em entrevista ao sítio
Terra Magazine, Belluzzo disse que já havia fortes rumores de
que o Unibanco não se encontrava em situação muito
favorável nos últimos meses. “Esses rumores são
habituais em momentos de crise. Mas como você não pode comprovar
e atestar fica muito difícil de saber. Porque o próprio
rumor pode provocar uma corrida (aos bancos). Então, seja como
for o fato de ter sido feito a fusão, o fato de ser com o Itaú,
um banco reconhecidamente sólido e com excelente reputação,
há uma garantia de que o sistema pelo menos não está vulnerável”,
afirmou.
O professor entende que a operação
realizada aumenta a confiança e pode, de fato, se reverter em
melhorias no acesso ao crédito no país. “Mas não
há uma causalidade imediata entre a fusão e o aumento do
crédito”, ressalta.
A fusão do Itaú e
Unibanco criará a sexta maior instituição financeira
das Américas em valor de mercado, segundo levantamento da consultoria
Economatica. A soma do valor dos bancos brasileiros é de cerca
de US$ 41,323 bi; mais do que o Bradesco - o mais valioso até então
na América Latina – com US$ 34,162 bi.
A fusão
Comunicado divulgado pelo Itaú informa
que as negociações ocorriam há 15 meses. O nome
oficial do novo banco será Itaú Unibanco Holding S.A.,
mas não foi divulgado o nome fantasia, pelo qual será conhecido
pelos clientes.
A Febraban (Federação
Brasileira dos Bancos) disse que não comentará a fusão.
Segundo o documento divulgado
pelo Itaú, os controladores da Itaúsa e Unibanco constituirão
uma holding em modelo de governança compartilhada. A presidência
do Conselho de Administração ficará a cargo de Pedro
Moreira Salles (do Unibanco), e o presidente-executivo será Roberto
Egydio Setubal (do Itaú).
Para Salles, “um dos aspectos
mais significativos da associação diz respeito ao grande
alinhamento de princípios entre as duas instituições,
pautado por valores elevados, capacidade empreendedora e a obstinação
de buscar sempre os melhores talentos”.
Setubal destaca “o orgulho
que sente pela associação, que possibilitou a criação
de uma das maiores instituições financeiras internacionais,
com plena capacidade de disputar o mercado com os maiores bancos globais”.
Os dois bancos juntos têm
14,5 milhões de clientes de conta corrente, ou 18% do mercado.
As operações de cartões de crédito passam
a contemplar as empresas Itaucard, Unicard, Hipercard e Redecard.
O novo banco terá cerca
de 4.800 agências e postos de atendimento, representando 18% da
rede bancária. Em volume de crédito representará 19%
do sistema brasileiro. Em total de depósitos, fundos e carteiras
administradas atingirá 21%.
Mantega vê com bons olhos
Após participar de reunião
do Palácio do Planalto, o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
comentou o negócio que formará o maior banco do país
e o maior grupo financeiro do Hemisfério Sul.
“É importante, pois
solidifica os dois bancos. É normal que eu um momento de turbulência,
de problemas internacionais do setor financeiro, você tenha
um movimento de fusões.
São dois bancos tradicionais, dois bancos sólidos, que
têm uma atuação importante para a atividade econômica”,
afirmou Mantega.
O ministro destacou também
a questão que mais preocupa hoje o governo, que é a falta
de crédito no sistema financeiro. “É um fato importante
que, nesse momento, eles se unam de modo a continuar cumprindo o papel
de liberar crédito”, afirmou.
Mantega reconheceu que
a fusão vai aumentar a concentração do sistema
financeiro nacional, mas afirmou que esse fator é positivo na
medida em que fortalece as instituições que atuam no
país. “Vai mudar um pouco, mas não muito, porque
ele já é um setor concentrado. O importante é que
essa concentração vem no sentido de fortalecer o sistema
financeiro”, afirmou. “Elas vão ter um poderio financeiro
maior”, completou.
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FOLHA DE LONDRINA, 04 de
novembro de 2008 | Política
Governo aceita fatiamento da reforma
política
Objetivo é que proposta final seja
discutida e votada pela Câmara e o Senado no primeiro semestre
de 2009
Brasília - Diante da
resistência do Congresso em aprovar a reforma política,
o governo federal já está disposto a fatiar o projeto e
jogar algumas decisões para frente. A análise ponto a ponto
da reforma foi defendida ontem pelo ministro de Relações
das Relações Institucionais, José Múcio.
Por cerca de uma hora, Múcio e o ministro da Justiça, Tarso
Genro, se reuniram com representantes dos parlamentares, da Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB), AMB, Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil (CNBB), entre outros, no Palácio do Planalto.
''A proposta é que cada
ponto seja discutido de forma isolada para que um ponto não sirva
de elemento de negociação com outro'', defendeu. ''Não
precisa que você analise ela como um todo'', disse após
reunião com representantes da Frente Parlamentar pela Reforma
Política com Participação Popular, no Palácio
do Planalto. ''Essa é a idéia que nós demos mas é uma
decisão do Congresso'', ressaltou.
José Múcio defendeu,
ainda, que algumas mudanças passem a valer apenas duas ou três
eleições após aprovadas. ''Para que aquelas pessoas
que são atores da reforma não se sintam prejudicadas'',
justificou. A reforma política inclui temas polêmicos como
fidelidade partidária, coligações (verticalização),
sistema de lista, voto distrital e cláusula de barreira.
A fidelidade partidária,
segundo José Múcio, já poderia ser discutida para
a próxima eleição. Para isso, no entanto, o ministro
acredita que seria preciso encontrar uma janela que não tire o
mandato do partido, mas dê ao deputado o direito de ele fazer uma
opção.
Já a verticalização,
que obriga a repetição das alianças nacionais nos
estados, poderia valer para a próxima eleição ou
ficar para mais adiante, acredita o ministro. O mesmo vale para o sistema
eleitoral. ''O importante é que os deputados e senadores entendem
que chegou a hora e o tempo de fazer'', frisou.
O ministro descartou a convocação
de uma Assembléia Constituinte exclusiva para tratar da reforma
política. Todas as vezes que a gente deseja uma coisa que tem
dificuldade a gente quer convocar uma Assembléia Constituinte
exclusiva. Basta que haja uma vontade do Congresso, dessa Legislatura
ou de outra, de que esse problema precisa ser resolvido, ponderou.
O objetivo é enviar a
proposta final, devidamente dividida em temas, para que no primeiro semestre
de 2009 o assunto seja discutido e votado na Câmara e no Senado.
Agência Brasil
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Agência Diap, 4 de
novembro de 2008
VISÃO CONCORDANTE
Para Belluzzo, fusão entre
Itaú e Unibanco é positiva
A fusão anunciada, nesta
segunda-feira (3), entre Itaú e Unibanco foi considerada
positiva pelo economista e professor da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzzo.
Para ele, em meio às incertezas criadas no sistema financeiro
de todo o planeta em meio à crise nascida nos Estados Unidos,
a decisão dos dois bancos brasileiros pode contribuir para
que o crédito no País se fortaleça.
Em entrevista ao sítio
Terra Magazine, Belluzzo disse que já havia fortes rumores de
que o Unibanco não se encontrava em situação muito
favorável nos últimos meses. “Esses rumores são
habituais em momentos de crise. Mas como você não pode
comprovar e atestar fica muito difícil de saber. Porque o próprio
rumor pode provocar uma corrida (aos bancos). Então, seja como
for o fato de ter sido feito a fusão, o fato de ser com o Itaú,
um banco reconhecidamente sólido e com excelente reputação,
há uma garantia de que o sistema pelo menos não está vulnerável”,
afirmou.
O professor entende que a operação
realizada aumenta a confiança e pode, de fato, se reverter em
melhorias no acesso ao crédito no país. “Mas não
há uma causalidade imediata entre a fusão e o aumento
do crédito”, ressalta.
A fusão do Itaú e
Unibanco criará a sexta maior instituição financeira
das Américas em valor de mercado, segundo levantamento da consultoria
Economatica. A soma do valor dos bancos brasileiros é de cerca
de US$ 41,323 bi; mais do que o Bradesco - o mais valioso até então
na América Latina – com US$ 34,162 bi.
A fusão
Comunicado divulgado pelo Itaú informa
que as negociações ocorriam há 15 meses. O nome
oficial do novo banco será Itaú Unibanco Holding S.A.,
mas não foi divulgado o nome fantasia, pelo qual será conhecido
pelos clientes.
A Febraban (Federação
Brasileira dos Bancos) disse que não comentará a fusão.
Segundo o documento divulgado
pelo Itaú, os controladores da Itaúsa e Unibanco constituirão
uma holding em modelo de governança compartilhada. A presidência
do Conselho de Administração ficará a cargo de
Pedro Moreira Salles (do Unibanco), e o presidente-executivo será Roberto
Egydio Setubal (do Itaú).
Para Salles, “um dos
aspectos mais significativos da associação diz respeito
ao grande alinhamento de princípios entre as duas instituições,
pautado por valores elevados, capacidade empreendedora e a obstinação
de buscar sempre os melhores talentos”.
Setubal destaca “o orgulho
que sente pela associação, que possibilitou a criação
de uma das maiores instituições financeiras internacionais,
com plena capacidade de disputar o mercado com os maiores bancos globais”.
Os dois bancos juntos têm
14,5 milhões de clientes de conta corrente, ou 18% do mercado.
As operações de cartões de crédito passam
a contemplar as empresas Itaucard, Unicard, Hipercard e Redecard.
O novo banco terá cerca
de 4.800 agências e postos de atendimento, representando 18%
da rede bancária. Em volume de crédito representará 19%
do sistema brasileiro. Em total de depósitos, fundos e carteiras
administradas atingirá 21%.
Mantega vê com bons olhos
Após participar de reunião
do Palácio do Planalto, o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
comentou o negócio que formará o maior banco do país
e o maior grupo financeiro do Hemisfério Sul.
“É importante,
pois solidifica os dois bancos. É normal que eu um momento de
turbulência, de problemas internacionais do setor financeiro,
você tenha
um movimento de fusões.
São dois bancos tradicionais, dois bancos sólidos, que
têm uma atuação importante para a atividade econômica”,
afirmou Mantega.
O ministro destacou também
a questão que mais preocupa hoje o governo, que é a falta
de crédito no sistema financeiro. “É um fato importante
que, nesse momento, eles se unam de modo a continuar cumprindo o papel
de liberar crédito”, afirmou.
Mantega reconheceu que
a fusão vai aumentar a concentração do sistema
financeiro nacional, mas afirmou que esse fator é positivo
na medida em que fortalece as instituições que atuam
no país. “Vai mudar um pouco, mas não muito,
porque ele já é um setor concentrado. O importante é que
essa concentração vem no sentido de fortalecer o sistema
financeiro”, afirmou. “Elas vão ter um poderio
financeiro maior”, completou.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
04 de novembro de 2008
TSE recebe recurso de prefeito eleito
de Londrina para reverter cassação
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) recebeu na última sexta-feira (31/10)
recurso do candidato mais votado para a Prefeitura de Londrina (Paraná),
Antônio Belinati (PP). Ele questiona a decisão do Tribunal que
negou o registro de sua candidatura.
Na última terça-feira
(28/10), os ministros do TSE aceitaram recurso do Ministério
Público Eleitoral e negaram o registro a Belinati. A decisão
foi contra o entendimento do relator do caso, ministro Marcelo Ribeiro.
Em decisão individual, o ministro havia alterado decisão
do TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná), que negou
o registro por inelegibilidade uma vez que o Tribunal de Contas do
Estado rejeitou a prestação de contas de Belinati à frente
da prefeitura.
No novo recurso, a defesa do
candidato pede que o TSE aborde no processo pontos como a natureza
das irregularidades que conduziram o TCE a rejeitar as contas de Belinati.
Além disso, o candidato
questiona a alteração da jurisprudência, segundo
alega, já consolidada pelo Tribunal. Por fim, a defesa pede
que seja dado efeito modificativo ao novo recurso para alterar a decisão
do TSE e deferir o registro de candidatura de Belinati.
No julgamento de recurso do
MPE contra decisão do Justiça Eleitoral em Londrina que
deferiu o registro de candidatura de Antônio Belinati, o TCE-PR
considerou insanável a irregularidade verificada em convênio
firmado entre a Prefeitura de Londrina e o Departamento de Estrada
de Rodagem no valor de R$ 150 mil. Belinati, segundo o tribunal, não
teria comprovado o uso da verba.
Em 20 de julho de 2007, a sentença
do tribunal de contas transitou em julgado, situação
em que já não cabe recurso. Em 15 de maio de 2008, Belinati
entrou com pedido de revisão da decisão, ao qual foi
conferido efeito suspensivo.
Contudo, o plenário
do TSE, por maioria, entendeu que o efeito suspensivo concedido pelo
Tribunal de Contas do Estado não anula a condição
de inelegível do candidato.
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Vermelho, 4 de novembro de
2008
Mulheres serão maioria em 17
câmaras municipais
As mulheres conquistaram a maioria
das vagas para vereadoras em 17 câmaras municipais do Brasil
nas eleições de outubro. O número representa
um retrocesso em relação a 2004, quando 23 cidades
tinham o poder legislativo formado em sua maioria por mulheres.
O levantamento realizado com
base nos dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que
as regiões Norte e Nordeste são as campeãs em participação
feminina.
Quinze das 17 cidades onde o
legislativo é dominado por vereadoras estão localizadas
nas duas regiões.
As cidades de Pontal, em São
Paulo, e São João do Manhuaçu, em Minas Gerais,
completam a lista.
Além desses municípios,
em outras três localidades brasileiras houve divisão no
número de vagas.
Em São João Del
Rei (MG), Breves (PA) e Campo Limpo Paulista (SP) cinco homens e cinco
mulheres formarão a Câmara de Vereadores a partir de janeiro.
As regiões Sul e Centro-Oeste
não contam com uma única câmara onde as mulheres
são maioria.
O quadro se reflete nas capitais:
em Florianópolis, por exemplo, nenhuma candidata conseguiu ocupar
uma das doze vagas no legislativo local.
“Em alguns países,
quanto maior o IDH, maior a participação feminina. No Brasil,
curiosamente, as regiões com maior desenvolvimento parecem estar
na contramão da tendência mundial”, diz a cientista
política Patrícia Rangel, consultora do Centro Feminista
de Estudos e Assessoria (CFEMEA).
Ela explica que o sucesso das
mulheres do Nordeste ainda é motivo de estudos dos especialistas,
mas aponta dois fatores como os possíveis para o desempenho feminino
nas urnas ser bem superior na região.
“Talvez a disputa eleitoral
seja menos acirrada em algumas dessas localidades e um segundo ponto é a
tradição familiar preponderante na região”,
diz.
“Muitas dessas mulheres
podem integrar famílias de políticos já consagrados”.
Rangel afirma que existem três
problemas considerados “cruciais” para minimizar a participação
feminina nas eleições: o sistema político eleitoral,
os fatores culturais e os fatores econômicos.
“Muitas mulheres se intimidam
diante de resistências culturais bem arraigadas, além de
enfrentar dupla jornada de trabalho, em casa e na carreira. Elas não
têm tempo para atividades políticas como alguns homens”,
acredita.
“Por fim, o sistema político
eleitoral ainda não promove o equilíbrio de gênero
de forma adequada”, diz.
De acordo com José Eustáquio
Diniz Alves, coordenador de pós-graduação da Escola
Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) do IBGE e um dos
estudiosos do tema mais conhecidos no país, os números
comprovam que a participação feminina na política
brasileira ainda são considerados muito tímidos: em 5.561
municípios, apenas 17 tiveram a maioria formada por mulheres,
que representam 51,7% do eleitorado nacional.
Apenas 12,5% do total de vereadores
do país a partir do ano que vem serão mulheres, uma queda
de 0,1% em relação à disputa de 2004.
“O Brasil continua sendo
um dos países com menor percentagem de mulheres na política”,
afirma o professor, citando estudo da Inter-Parliamentary Union, que
coloca o país na 142ª colocação no ranking
mundial de participação feminina em cargos eletivos.
Ruanda, com 53% é o país
onde as mulheres têm conquistado maior espaço na política,
seguido de Suécia (47%), Cuba (43,1%), Finlândia (41%) e
Argentina (40%).
“O irônico das eleições
de 2008 é que a participação feminina nas câmaras
municipais - mesmo incentivada pela política de cotas - teve uma
ligeira queda, porém a conquista das prefeituras aumentou para
9,16% do total, enquanto em 2004 o percentual de mulheres eleitas para
os executivos municipais foi de 7,32%”, revela.
O professor defende alterações
na lei eleitoral como uma das únicas formas possíveis de
amenizar o problema de gênero na política brasileira.
Segundo ele, pela legislação
atual um partido é obrigado a reservar 30% das vagas para as mulheres,
mas não a preenche-las.
Para burlar a lei, as legendas
acabam lançando um número menor de candidatos e consequentemente
restringindo ainda mais a participação das mulheres.
“Na reforma política
o ideal é trocar a palavra vagas por candidaturas”, explica.
“A cota deve ser aplicada
como piso e não como teto, de forma a obrigar os partidos a lançar
um número mínimo de candidatas”, afirma.
Diferente do cenário verificado
em quase todo o país, algumas cidades se destacam na participação
feminina.
Montanhas, no Rio Grande do Norte,
elegeu a terceira prefeita consecutiva e pela segunda vez terá uma
câmara formada em sua maioria por mulheres.
Elas conquistaram cinco das nove
vagas.
Mas a campeã brasileira
de mulheres na política é a cidade de Dias D’ávila,
localizada a cerca de 50 Km de Salvador.
Além de ter a câmara
formada por 70% de vereadoras, três candidatas disputaram a prefeitura
local em outubro passado.
A prefeita Andréia Xavier
Cajado Sampaio (DEM), 43 anos, superou as duas adversárias e foi
reeleita com 12 mil votos.
Mulher do deputado federal baiano
Cláudio Cajado, Andréia - formada em Direito e Geografia
- Andréia cumprirá seu terceiro mandato na prefeitura local.
Entre as vereadoras, Aleide Freire
Santos foi reeleita para o quarto mandato consecutivo.
Ela cita que começou a
realizar trabalhos sociais e não conseguiu ficar mais longe da
política.
“Somos atentas aos pequenos
detalhes que fazem a diferença para a comunidade”, afirma,
acrescentando que a cidade baiana é dominada pelas mulheres.
Além de prefeita e sete
das dez vagas no legislativo, Dias D’ávila conta com uma
juíza e uma promotora de Justiça.
“Os homens daqui obedecem
porque eles não têm vez na política”, afirma
Aleide.
Com agências
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Vermelho, 4 de novembro de
2008
Kassab defende aliança entre
PSDB-DEM-PMDB em 2010
O prefeito reeleito de São
Paulo, Gilberto Kassab (DEM), defendeu nesta segunda-feira (3) a
aliança entre o DEM, o PSDB e o PMDB para as eleições
presidenciais de 2010. "Vamos tentar fazer com que essa aliança
possa ser repetida em uma dimensão nacional”, afirmou
Kassab em Brasília, ao sair de sua primeira audiência
com Lula após a reeleição.
“Na cidade de São
Paulo, a maior cidade do país, existe uma aliança que vai
muito bem dos Democratas com o PSDB, com o PMDB, e essa aliança
também existe no campo estadual e também vai muito bem. É natural
que eu queira defender dentro do meu partido que essa aliança
exista em nível nacional, sabendo que um dos partidos, o PMDB,
tem uma proximidade grande com o governo do presidente Lula. Em 2010
vamos tentar fazer com que essa aliança possa ser repetida em
uma dimensão nacional”, disse o prefeito.
O prefeito reelegeu-se,
vencendo a petista Marta Suplicy no segundo turno, em uma coligação
DEM-PMDB, contando com o apoio extra-oficial da ala do PSDB comandada
peko governador José Serra. O resultado paulistano enquadrou
o DEM no esquema presidencial de José Serra 2010, assim como
o PMDB-São Paulo, sob a chefia do ex-governador Orestes Quércia.
O PMDB nacional, porém, mantém-se na base de apoio do
governo Lula.
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Folha de S. Paulo, 4 de novembro
de 2008
SUCESSÃO NOS EUA
Obama chega como favorito ao dia
da decisão histórica contra McCain
Democrata negro mantém vantagem
em fatias importantes do eleitorado e nos principais Estados, segundo
pesquisas | Problemas na votação, virada de última
hora ou racismo oculto mudariam jogo para o republicano, afetado por
legado de Bush
Joe Raedle/France Presse
O democrata Barack Obama saúda
eleitores durante comício no Memorial dos Veteranos, em
Jacksonville, Flórida; crise econômica favoreceu sua
candidatura, após oito anos de governo republicano
SÉRGIO DÁVILA
ENVIADO ESPECIAL A CHICAGO
Após 21 meses de
campanha, 33 debates, US$ 660 milhões arrecadados e milhares
de milhas voadas e cidades visitadas, o candidato democrata negro Barack
Hussein Obama Júnior, de 47 anos, chega ao dia D das eleições
presidenciais mais longas e surpreendentes da história recente
dos Estados Unidos como o favorito, à frente de seu oponente,
o republicano branco John Sidney McCain 3º, de 72 anos.
Barack Obama ganhou pontos também em importantes fatias do eleitorado,
como operários brancos e mulheres brancas mais velhas -dois dos universos
que mais apresentaram resistência a seu nome durante o processo de primárias
de seu partido- e eleitores independentes e indecisos. Nas últimas horas,
John McCain apertou a diferença em algumas corridas em Estados-chave,
mas o estreitamento da vantagem era previsto.
Ainda assim, é preciso olhar as pesquisas com precaução,
não só pelo seu histórico recente -levantamentos erraram
em algumas ocasiões importantes durante as primárias-, mas, principalmente,
pelos vários componentes inéditos desta corrida. Não há consenso
entre analistas e pesquisadores sobre qual peso terá -se é que
terá algum- o fator racial.
Do mesmo jeito, espera-se um número recorde de eleitores, que deve ultrapassar
os 130 milhões. Esse comparecimento em massa, aliado a um sistema precário
de votação que ainda conta com cédulas de papel perfuradas
em alguns lugares e critérios de identificação que mudam
de cidade a cidade, pode atrasar ou conturbar o processo em Estados importantes,
como Ohio e Flórida.
É nessas três variantes ou numa virada de última hora, que
não era registrada pelas pesquisas até a conclusão desta
edição, que repousa a esperança de John McCain. O candidato
foi prejudicado pela maior crise financeira da história do país,
que acontece sob a guarda de seu companheiro de partido, George W. Bush, há oito
anos na Casa Branca.
Seja como for, não é improvável que os brasileiros vão
dormir hoje à noite sem saber quem é o novo presidente dos Estados
Unidos. As urnas começam a fechar na costa leste do país às
18h de Washington (21h de Brasília); o processo cruza o país
em direção ao oeste até 1h de amanhã (4h de Brasília),
quando o Alasca encerra o processo.
Um pool de emissoras e jornais dos EUA recebe o resultado da pesquisa de boca-de-urna
feita no país inteiro por um consórcio já às 17h
(20h de Brasília). Cada um decide, no entanto, quando vai começar
a divulgar. A CNN passará a dar os resultados por Estado assim que as
urnas locais fecharem. A Fox News não anunciará nada antes das
19h (22h de Brasília).
A campanha de Obama disse que o democrata só falará ao público
reunido no parque Grant, em Chicago, após o fechamento das urnas da
Califórnia, às 2h de amanhã de Brasília. O prefeito
da cidade, o democrata Richard Dailey, espera 1 milhão de pessoas.
Seja quem for o escolhido hoje, terá sido um dia histórico. Filho
de queniano com uma americana do Meio-Oeste, o havaiano Obama será o
primeiro negro a comandar o país. Nascido no Panamá, ex-herói
de guerra torturado no Vietnã, filho e neto de almirantes, John McCain
será o mais velho a assumir a Casa Branca.
Para chegar até aqui, Obama e McCain enfrentaram as duas máquinas
mais poderosas da política local: respectivamente os Clinton, que o
candidato democrata derrotou nas primárias de seu partido, e o comando
do Partido Republicano, que não tinha no político independente
seu nome preferido.
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Agência Câmara,
4 de novembro de 2008
Projeto permite que estagiário
ingresse na Previdência Social
O Projeto de Lei 4054/08, da
deputada Aline Corrêa (PP-SP), inclui na categoria de segurado
obrigatório do Regime Geral de Previdência Social (RGPS)
estagiário que presta serviços e recebe remuneração.
A proposta altera as leis 8212/91 (organização e plano
de custeio da Seguridade Social) e 8.213/91 (planos de benefícios
da Previdência Social).
A autora do projeto lembra que
a legislação previdenciária não prevê a
inclusão de estagiários no conjunto de segurados obrigatórios,
o que os impede de usufruir dos benefícios acessíveis aos
demais trabalhadores. Somente são considerados segurados os bolsistas
e os estagiários que prestam serviços a empresas.
Contribuições
Segundo Aline Corrêa, o projeto pretende modificar essa situação,
fazendo com que todos os bolsistas e estagiários sejam incluídos
como segurados obrigatórios, para terem direito à cobertura previdenciária.
Pela proposta, os empregadores deverão recolher as contribuições
correspondentes.
"Atualmente é significativa
a contratação de estagiários, tanto no âmbito
das empresas como do setor público. São, em geral, mão-de-obra
especializada e de baixo custo, pois não possuem os direitos trabalhistas
nem previdenciários assegurados aos demais trabalhadores",
afirma a deputada.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo pelas comissões de Trabalho,
de Administração e Serviço Público; de Seguridade
Social e Família; de Finanças e Tributação; e de
Constituição e Justiça e de Cidadania.
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UOL, 04 de novembro de 2008
| Cotidiano
Ministério lança projeto
para combater aliciamento de mão-de-obra ilegal na zona rural
Gabriela Sylos
Do UOL Notícias
Em São Paulo
O Ministério do Trabalho lançou nesta segunda-feira (3), em Imperatriz
(MA), um projeto inédito que pretende eliminar o aliciador ilegal de
trabalhadores no meio rural, chamados de "gatos". Segundo dados do
ministério, o Cadastro de Empregadores Infratores, com os nomes de pessoas
flagradas promovendo aliciamento ilegal, continha 206 registros até outubro
de 2008. Até o mesmo mês, 3.466 trabalhadores tinham sido resgatados
de condições degradantes de trabalho este ano. Desde 1995, já foram
30 mil.
O projeto Marco Zero é uma parceria dos Estados do Maranhão (que
concentra os maiores índices de empregados aliciados), Pará (Estado
onde há o maior número de resgate de trabalhadores em condições
degradantes), Piauí e Mato Grosso.
O ministério quer atender
empregadores e trabalhadores garantindo o cumprimento das leis trabalhistas.
Para isso, vai popularizar o Sistema Nacional de Emprego (Sine), que
divulga vagas e facilita o contato entre empregado e empregador, dificultando
assim o trabalho dos "gatos".
Como as agências do Sine
funcionam apenas em algumas localidades, o governo espera firmar parcerias
com entidades de empregadores e trabalhadores, além de organizações
de defesa dos direitos humanos, para divulgar de forma mais ampla o serviço.
Devem ser usados diversos tipos de comunicação, além
de visitas de funcionários a locais mais distantes para realizar
os cadastramentos.
"A iniciativa é boa,
ela cumpre uma determinação do plano nacional de erradicação
do trabalho escravo", afirma Leonardo Sakamoto, coordenador da ONG
Repórter Brasil, que combate o trabalho escravo. "Só esta
ação, entretanto, não vai erradicar o trabalho escravo",
diz Sakamoto, que lista como necessárias melhores condições
aos trabalhadores da terra e uma reforma agrária eficiente.
Sobre a ação dos
aliciadores, o coordenador da ONG lembra que eles estão mais presentes
nos locais onde há grande expansão agrícola, ou
seja, onde se exige maior número de trabalhadores. "O próprio
fazendeiro pode fazer o papel de 'gato'", afirma, "mas a implantação
do projeto vai contibuir, seja quem for o intermediário",
afirma Sakamoto.
Para Carlos Xavier, presidente
da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará,
as afirmações sobre os fazendeiros são infundadas. "Os
produtores querem contratar de forma legal", afirma. "Nós
estamos desenvolvendo um trabalho que leva informações
sobre a legislação da mão-de-obra", diz Xavier, "estamos
capacitando os trabalhadores que vêm do Piauí e do Maranhão
e entram no Pará de forma ilegal".
Os primeiros municípios
que receberão o projeto do ministério são Paragominas
(PA), Marabá (PA), Floriano (PI), Açailândia (MA),
Bacabal (MA), Codó (MA), Sinop (MT) e Alta Floresta (MT). Estas
cidades foram identificadas como áreas de fluxo migratório,
com uso intensivo de mão-de-obra rural, com aliciamento de pessoas
para trabalho análogo ao de escravo, além de ter forte
presença de entidades não governamentais que tratam do
tema.
José Egídio Quintal,
presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Açailândia, é a
favor do projeto e acredita que o setor precisa de melhorias, mas destaca
o que já foi alcançado. "Era muito mais rústico
antes, mas agora, mesmo por causa da exigência internacional, tem
melhorado", afirma. Quintal diz refutar o trabalho escravo, mas
ressalta que o trabalho no campo é naturalmente "desgastante".
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Folha de S. Paulo, 4 de novembro
de 2008
Sindicato propõe suspensão
de contratos de trabalho em Manaus
KÁTIA BRASIL
DA AGÊNCIA FOLHA, EM MANAUS
Na Zona Franca de Manaus, cerca
de 58 mil motos deixaram de ser fabricadas pelas duas maiores montadoras
do setor -Moto Honda e Yamaha- em quase duas semanas.
Os 12 mil trabalhadores colocados em férias coletivas no período
estão voltando ao trabalho, mas o Sindicato dos Metalúrgicos
do Amazonas diz que, se não forem tomadas medidas, haverá demissões
ainda neste mês. Por isso, lançou às empresas proposta
de acordo para suspender o contrato de trabalho -isto é, os salários-
por até quatro meses. Em troca, os empregados poderão receber
benefícios como seguro-desemprego e cursos de qualificação.
As férias parciais no pólo de duas rodas foram dadas para evitar
estoques nas fábricas diante da crise econômica, que afetou o
setor com restrição ao crédito nos financiamentos, segundo
as montadoras. A decisão provocou um efeito dominó nas fornecedoras
que produzem peças como velocímetros, conjuntos de geradores
e CDI (peças da parte elétrica) para as fabricantes de motocicletas.
De 20 a 31 de outubro, a Moto Honda e a Yamaha dispensaram 4.659 empregados
no período. Os outros 7.341 trabalhadores que retornaram das férias
são contratados de 13 fornecedores de componentes.
O Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, ligado a CUT, diz que a proposta
de suspender o contrato de trabalho por até quatro meses já tem
o aval dos governos estadual e federal.
O presidente do sindicato, Valdemir Santana, diz que uma empresa procurou informações
sobre a proposta, mas até ontem nada foi concretizado.
" Nós conversamos com os sindicatos patronais e eles acenaram que,
antes de fazer qualquer demissão, vão sentar à mesa para
que os trabalhadores não sejam demitidos", afirma.
A Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), autarquia federal
que concede os incentivos fiscais às industrias, avalia que as férias
coletivas no pólo de duas rodas foram um ajuste de produção.
" Faz parte de um ciclo normal a desaceleração da produção
no final de setembro e início de outubro", diz José Alberto
Machado, coordenador-geral de Estudos Econômicos.
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Gazeta
do Povo, 4 de novembro de 2008
“Dá Licença, Eu Sou Pai!”
Campanha defende licença-paternidade
de 15 dias
São Paulo - Como a mãe de primeira
viagem ainda se recuperava da cesariana, coube ao pai a tarefa de dar o primeiro
banho de Natália. Durante cinco dias, o trabalho doméstico
também foi todo dele. O motorista Fernando Alexandro Jurado, de 37
anos, teria feito mais não fosse a necessidade de voltar a trabalhar.
Ele é um dos homens que defendem a ampliação da licença-paternidade,
como pretende a campanha “Dá Licença, Eu Sou Pai!”,
que será lançada hoje em São Paulo.
A iniciativa é da Rede de Homens Pela Eqüidade
de Gênero – formada por organizações sociais
de defesa dos direitos humanos – e tem o objetivo de provocar a discussão
do assunto. Atualmente, pelo menos dois projetos de lei tramitam na Câmara
e no Senado pedindo a ampliação dos atuais 5 dias de licença
para pelo menos 15 dias. “Os homens também querem se envolver
mais com os cuidados dos filhos”, afirma a socióloga e pesquisadora
da Fundação Carlos Chagas Sandra Unbehaum.
Jurado é um exemplo disso. Ele sabe que
nem todo homem pensa como ele, mas conhece pelo menos um amigo que também
se dedicou integralmente aos cuidados do filho recém-nascido. “Ele é como
uma mãe para a Natália”, garante sua mulher, Íria
Machiniski.
O motorista não esconde a satisfação
de assumir esse papel. “A Íria teve complicações
após o parto e passou quatro dias internada para se recuperar. Ela
parou, mas a casa continuou funcionando”, diz. Mesmo assim, diz ter
ficado agoniado por ter de voltar ao trabalho e não poder ficar
em casa acompanhando a filha. “Seriam necessários pelo menos
15 dias”, diz.
Ele não é o único a pensar
assim. Um levantamento realizado no Recife neste ano, pela Universidade
Federal de Pernambuco e Instituto Papai, demonstra que os homens querem
a ampliação do período de licença-paternidade.
Para 78% dos entrevistados, os cinco dias são insuficientes. “Essa
pesquisa levanta a questão sobre o que o homem faria se tivesse
esse período ampliado”, diz Jorge Lyra, coordenador do Instituto
Papai. A resposta dada pelos homens contrapõe o senso comum de que
a maioria desperdiçaria esse tempo com o descanso e deixaria a tarefa
de cuidar dos filhos continuar a cargo da mulher (veja box).
O desconhecimento dos trabalhadores, porém,
ainda é grande. A mesma pesquisa revela que 76% dos homens ouvidos
conhecem a licença-maternidade, mas apenas 66% sabem sobre a paternidade.
“A campanha é para provocar o debate
e reforçar a importância dos projetos de mudança na
lei”, diz Sandra. “Ainda existem questões a serem resolvidas,
como quem vai custear essa licença maior, a empresa ou a Previdência?
Mas, sempre há um meio termo.”
Para alguns funcionários públicos,
isso já é realidade. Na própria Fundação
Carlos Chagas, onde Sandra trabalha, os homens têm o direito garantido.
O “meio termo” encontrado foi, além dos cinco dias,
conceder outros 15 dias livres por meio período. Os funcionários
públicos do Rio e de Pernambuco também têm o mesmo
período de licença. Os 15 dias, no entanto, são integrais.
Papel materno
Segundo a psiquiatra infantil e coordenadora do
Centro de Referência da Infância e Adolescência (Cria)
da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Vera Zimmermann,
a presença paterna nos primeiros meses de vida de uma criança
ajuda o fortalecimento da saúde mental do recém-nascido.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
04/11/2008
Atraso no abono obriga universidade a pagar
férias em dobro a ex-professor
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho restabeleceu sentença que condenou a Unisul
- Universidade do Sul de Santa Catarina a pagar férias em dobro
a ex-professor que as usufruiu sem ter recebido o adicional de um terço,
determinado pela Constituição Federal. A Turma concluiu
que o pagamento das férias após o decurso do seu gozo desvirtua
a sua finalidade de descanso e restauração das energias,
e, ainda, ocorre num período de maior necessidade financeira do
trabalhador, sendo cabível, assim, a aplicação do
artigo 137 da CLT.
A Unisul, com sede em Tubarão
(SC), admitiu o professor em agosto de 1998 para receber salário
por hora/aula. Em convênio firmado com a New Mexico State University
promoveu, na sede desta, curso de mestrado em língua inglesa,
com duração de três anos, do qual o professor participou.
A universidade arcou com a metade das despesas, ficando a outra metade
a cargo do próprio professor. O curso proporcionou a ele o título
de mestre, com conseqüente aumento do salário, por força
do Plano de Classificação de Cargos e Salário da
instituição.
Sem título, sem abono e sem
emprego
Em se tratando de universidade
estrangeira, a validação do diploma poderia encontrar óbice
junto ao Ministério da Educação, mas a Unisul assumiu
o compromisso de ajudá-lo – o que, segundo ele, não
ocorreu. Após quatro anos de conclusão do curso, o professor
foi demitido sem justa causa. Procurou emprego em outras universidades
e, apesar das vagas existentes, não foi admitido, uma vez que
seu título de mestrado, obtido por meio de convênio, não é válido
no País.
O professor tentou reverter os
prejuízos na Justiça do Trabalho, e, para tanto, requereu
a decretação de nulidade de sua dispensa, com reintegração
no emprego, demais verbas, indenização por dano patrimonial
e reembolso de despesas com sua participação no curso promovido
pela Unisul. Reclamou também do fato de não ter recebido
o abono de 30% relativo às férias já tiradas, e
pediu o pagamento em dobro. A sentença da 1ª Vara de Tubarão
concedeu-lhe os repousos remunerados, dobras sobre as férias,
acrescidos do terço constitucional com reflexos nas demais verbas
e valores quitados a título de mestrado – 50% - atualizados.
Ambos recorreram ao TRT da 12ª (SC),
que absolveu a Unisul do pagamento da dobra sobre os períodos
de férias sob o fundamento de que a sanção prevista
no artigo 137 da CLT se refere aos casos em que a concessão, e
não o pagamento, ocorre fora do tempo, não se aplicando
ao caso.
No TST, o professor sustentou
que a concessão e o pagamento das férias devem ocorrer
concomitantemente, sob pena de pagamento em dobro, e apresentou jurisprudência
neste sentido. O relator, ministro Carlos Alberto Reis de Paula, lembrou
que o período de férias é imprescindível
ao descanso do trabalhador, tanto é que a legislação “verdadeiramente
o obriga a usufruí-lo”, com respaldo no princípio
protetivo à saúde física e mental do trabalhador
e, porque não dizer, do cuidado com os demais aspectos da vida
de qualquer cidadão, como convívio social, familiar etc.. “Entendo
devida a dobra das férias não apenas para os casos de concessão
a destempo, mas também nos casos de pagamento posterior a sua
fruição, já que esse pagamento tem previsão
de até dois dias antes do período de férias, nos
termos do artigo 145 da CLT”, concluiu, ao restabelecer a sentença
quanto ao pagamento da dobra sobre as férias. ( RR-484/2006-006-12-00.3)
(Lourdes Côrtes)
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04/11/2008
BB: anuênio não é devido
fora da validade de acordo coletivo
A Segunda Turma do Tribunal Superior
do Trabalho julgou improcedente ação que condenou o Banco
do Brasil a pagar 1% de anuênio aos funcionários filiados
ao Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos bancários de Umuarama,
Assis Chateaubriand e Região, no Paraná. A condenação
havia sido determinada pela Vara do Trabalho de Campo Mourão e
confirmada pelo Tribunal Regional da 9ª Região.
A ação começou
em maio de 2000 quando o sindicato, entre outros pedidos, requereu a
manutenção do pagamento do anuênio para os funcionários
admitidos até 31/8/1996. De acordo com o sindicato, os benefícios
foram reconhecidos nos acordos coletivos de trabalho e pagos entre 1992
a 1999 e suprimidos a partir daquele ano por falta da formalização
do acordo, mas, em 1996, o banco teria mantido o pagamento mesmo sem
previsão em acordo. A sentença considerou tratar-se de
direito adquirido, incorporado ao patrimônio de cada um, e assim
não podia ser abolido unilateralmente pelo banco, sob pena de
caracterizar-se alteração unilateral do contrato de trabalho.
Condenou o banco ao pagamento dos anuênios e reflexos.
Após o Tribunal Regional
ter negado provimento ao seu recurso ordinário, informando que
não havia reparação a ser feita na sentença
do primeiro grau, o Banco do Brasil recorreu ao TST alegando que aquelas
verbas decorriam de cláusula normativa que não foi renovada,
as quais integraram o salário dos empregados apenas até agosto
de 1999. O relator do recurso na Segunda Turma do Tribunal, ministro
Renato de Lacerda Paiva, reconheceu que a “questão restringe-se à delimitação
da eficácia temporal das condições estipuladas por
acordo coletivo”.
Ainda que se deva prestigiar
e valorizar a negociação feita pelas organizações
sindicais, “não há como desconsiderar, por outro
lado, que a autonomia privada concretizada via acordo ou convenção
coletiva encontra-se condicionada a um prazo certo de validade estipulado
por lei, como é o caso do parágrafo 3º do artigo 641
da CLT”, afirmou o relator. O ministro esclareceu que o Tribunal
vem entendendo que a eficácia a ser atribuída às
condições negociadas coletivamente deve imperar apenas
de modo relativo em comparação a preceito de lei, porque
tem vigência limitada e não se incorpora de forma indefinida
os contratos individuais de trabalho. Os acordos coletivos disciplinam
as condições de trabalho até que outro preceito
normativo lhe revogue o teor (a chamada teoria da aderência limitada
pelo prazo).
Tal como o banco, o relator entendeu
que a decisão regional contrariou a Súmula nº 277
do TST, que estabelece que “as condições de trabalho
alcançadas por força de sentença normativa vigoram
no prazo assinado, não integrando, de forma definitiva os contratos”,
e excluiu da condenação o pagamento dos referidos anuênios,
julgando pela improcedência da ação. ( RR-44763-2002-900-09-00.7)
(Mário Correia)
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04/11/2008
TST suspende decisão que impedia turnos
de 12h para metalúrgicos de Tubarão
De um lado, a Companhia Siderúrgica
de Tubarão (CST) e a maioria dos trabalhadores, que desejam a
manutenção do turno de 12 horas praticado há mais
de dez anos. De outro, o Sindicato dos Metalúrgicos do Espírito
Santo (Sindimetal) e o Ministério Público do Trabalho da
17ª. Região - autor de ação civil pública
para impedir a renovação de cláusula de contrato
coletivo e determinar a implantação de turnos fixos de
oito horas diárias. Esta situação inusitada foi
objeto de intenso debate hoje (03) pelo Órgão Especial
do Tribunal Superior do Trabalho, que decidiu pela suspensão dos
efeitos de antecipação de tutela concedida pela Justiça
do Trabalho do Espírito Santo que impedia empresa e trabalhadores
de manter os turnos de 12h e determinava a implantação
imediata da jornada fixa de oito horas.
Ao ajuizar a ação
civil pública, o Ministério Público do Trabalho
obteve liminar com a antecipação de tutela. Na prática,
isso significaria que, antes mesmo do julgamento do mérito, a
CST teria de alterar o horário de trabalho de seus operários.
Contra essa decisão, a empresa interpôs mandado de segurança
rejeitado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 17ª. Região
e objeto de recurso ordinário pendente de julgamento pela Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-2) do TST. Propôs,
também, reclamação correicional na qual o corregedor-geral
da Justiça do Trabalho, ministro João Oreste Dalazen, suspendeu
liminarmente a eficácia da antecipação de tutela. “Embora
não caiba à Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho
ingressar no exame da legalidade ou não da escala de trabalho
que vem sendo adotada pela CST, objeto de sucessivos acordos coletivos
de trabalho, afigurou-se-me premente a necessidade de intervenção
administrativa, de modo a impedir os danos sociais que podem sobrevir
do cumprimento imediato da decisão de antecipação
de tutela”, explicou.
Contra esta decisão, o
MPT interpôs agravo regimental alegando, entre outros itens, a
ausência de tumulto processual e de prejuízo irreparável
que justificasse a decisão da Corregedoria-Geral. Sustentou, ainda,
que a proibição da jornada de 12 horas buscava “prestigiar
a saúde e a segurança dos trabalhadores, em observância
a fatores sociais, humanos, econômicos e biológicos”.
No julgamento, o Órgão Especial decidiu manter a suspensão
até o julgamento, pela SDI-2, do recurso ordinário em mandado
de segurança.
“Situação insólita”
O corregedor-geral, relator do
agravo, assinalou que, ao conceder a liminar, o que mais lhe chamou a
atenção foi a “situação insólita” que
motivou a reclamação correicional. “Cuida-se de explosivo
conflito de interesses entre a direção do SINDIMETAL/ES,
representante da categoria profissional, e a maioria dos trabalhadores
que representa, empregados da CST”, explicou. Tanto a empresa quanto
a maioria dos trabalhadores – mais de 80% – querem a manutenção
dos turnos de 12 horas para os que trabalham em sistema de revezamento,
enquanto que a cúpula do sindicato e o MPT “defendem ostensivamente
a adoção do turno fixo de oito horas”.
De acordo com informações
dos autos, a jornada de 12 horas não é diária: ela
envolveria quatro dias de trabalho por quatro dias de folga. Os operários
trabalham dois dias, das 6h às 18h, folgam 24 horas, retornam
para trabalhar mais dois dias, das 18h às 6h e folgam 96 horas – ou
seja, trabalham 15 dias e folgam outros 15 dias. “A jornada efetiva
mensal é bem inferior à resultante da virtual implantação
do turno fixo diário de oito horas”, disse o relator, ressaltando
que, “de há muito, instalou-se conflito entre a CST, o Sindimetal
e o Ministério Público do Trabalho em torno do assunto”.
No último acordo coletivo, com vigência de 2005 a 2007,
foi necessário que uma comissão de empregados propusesse
ação cautelar para que a questão dos turnos fosse
levada à assembléia geral pelo sindicato – e 86,4%
dos trabalhadores aprovaram a manutenção do que chamam
de “turno de 12 horas e quatro letras”. “Embora esses
turnos venham sendo praticados há aproximadamente uma década,
sempre com respaldo em sucessivos acordos coletivos de trabalho, o tema é objeto
de constante cizânia, aparentemente sempre que se aproxima nova
negociação”, constatou o corregedor-geral, que classificou
o quadro de “dramático e intrincado”.
Ao manifestar seu voto,
o ministro Dalazen defendeu que a mudança nos turnos pode acarretar
grave dano social e familiar aos empregados da CST. “Objetivamente,
o cumprimento imediato da tutela antecipada decerto conduziria a empresa à implantação
de turno fixo de revezamento de oito horas diárias”, afirmou. “Cuida-se,
portanto, de uma sucessão de fatos a atingir direta e maciçamente
empregados já adaptados, em suas rotinas pessoais, aos turnos
previstos no acordo coletivo, com compromissos familiares agendados.
A pronta eficácia da liminar que antecipou a tutela de mérito
acarretaria conseqüências irreversíveis sob o ponto
de vista da total impossibilidade de restituição aos
empregados, pois os transtornos pessoais e familiares causados pela
mudança me parecem imensuráveis e não passíveis
de reposição”, avaliou. “A matéria,
controvertida e envolta em nuances sociais e econômicas delicadíssimas,
não é própria para antecipação de
tutela, como se deu”, concluiu. (AG-RC-195136/2008-000-00-00.0)
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