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BEM PARANÁ, 05 de
novembro de 2008 | Economia
Indústria
Produção brasileira avança
6,5%
A produção industrial brasileira acumula alta de 6,5% no ano
e de 6,8% nos últimos 12 meses, até setembro, informou ontem
o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A atividade
cresceu 9,8% na comparação com setembro do ano passado. As estimativas
dos analistas ouvidos pelo AE Projeções variavam de 6,80% a 11,0%,
com mediana de 8,70%. Ante agosto, a produção cresceu 1,7% em
setembro, na série com ajuste sazonal. O resultado veio dentro das
estimativas (-0,3% a 2,6%) e acima da mediana de 1,0%.
Os resultados da produção industrial de setembro mostram que
o setor “mantém a trajetória ascendente da atividade produtiva”,
segundo observam os técnicos do IBGE no documento de divulgação
da pesquisa.
Os resultados prosseguem “sustentados
pelo desempenho do setor de bens de capital, que sinaliza investimentos
na capacidade produtiva, e pelo dinamismo da demanda doméstica,
em linha com as estatísticas recentes do comércio varejista
e da evolução do emprego e da renda”.
O efeito calendário teve um reflexo importante nos resultados da produção
industrial em setembro ante igual mês do ano passado, segundo ressaltou
coordenação de indústria do IBGE, Isabella Nunes.
A economista da coordenação
de indústria do IBGE, Isabella Nunes, ressaltou que o crescimento
de 2,7% apurado na produção no terceiro trimestre ante
o segundo trimestre é o melhor resultado para um terceiro trimestre
desde 2004.
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Agência Diap, 5 de
novembro de 2008
ORÇAMENTO 2009
Novos parâmetros reduzem para
4% estimativa de crescimento do PIB
O Governo deve enviar nos próximos
dias ao Congresso Nacional os novos parâmetros do Orçamento
Geral da União de 2009 prevendo uma redução de 4,5%
para 4% na estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB),
o que implica em menos R$ 15 bilhões de receitas e gastos públicos
para o ano que vem. Será mantida a previsão de superávit
primário equivalente a 3,8% do PIB e de mais 0,5% do PIB para
formação do Fundo Soberano.
A estimativa de comportamento
do câmbio e da taxa básica de juros para 2009 será informada
mais adiante, quando a equipe econômica tiver uma avaliação
mais segura sobre o que de fato vai ocorrer com esses dois indicadores.
A Agência Brasil apurou
na área econômica que o ajuste efetivo do comportamento
dos tributos depende, ainda, de uma nova estimativa da Receita Federal,
o que vai ocorrer mais para o final do ano. No momento, o Governo quer
sinalizar aos parlamentares que, com a queda do ritmo do crescimento
da economia, haverá na mesma proporção uma perda
de tributos e risco de aumento de gastos, especialmente subsídios,
que estão sendo destinados ao setor agrícola, e despesas
com pessoal.
O volume de recursos desembolsados
no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por outro
lado, deve passar de R$ 14 bilhões, em 2008, para R$ 18 bilhões
em 2009, devido a um maior número de obras concluídas. É uma
despesa de investimento que terá prioridade no Governo pelos efeitos
que pode trazer para a atividade econômica.
A economia deve crescer
cerca de 4% em 2009, segundo uma qualificada fonte do Governo, em parte
pelo efeito do atual crescimento e do que vai ocorrer no ano que vem.
Caso em 2008 o crescimento anual fique em 5,0 % do PIB, haveria um
efeito de carregamento (carry over) de 2% para 2009. Ou seja: é o
efeito de parte desse elevado crescimento que vai passar para 2009,
sendo necessário um esforço adicional de algo como 2%
ao longo do ano para dar os 4% do PIB esperados pelo Governo. (Fonte:
Agência Brasil)
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DIÁRIO DO GRANDE ABC,
05 de novembro de 2008 | Economia
Crise internacional pode ser positiva
para a construção civil
Leone Farias
Do Diário do Grande ABC
A crise financeira internacional, "por
incrível que pareça", poderá ser positiva para
o setor da construção civil, na avaliação
do vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, que
falou na segunda-feira com exclusividade ao Diário.
"Nos últimos dois
anos, houve muita empolgação, com empresas abrindo capital
na Bolsa, estabelecendo planos de negócios muito ousados e adquirindo
um banco de terras muito grande. Acredito que manteremos um crescimento
menos acelerado, mas mais seguro, numa perspectiva mais sustentável",
disse o executivo, que acredita que haverá, a partir de agora,
planos mais "comedidos" e um cenário de ajustes.
No entanto, o vice-presidente
da Caixa não vê motivos para os consumidores se alarmarem
com riscos de uma nova Encol (companhia que faliu na década de
1990 e deixou milhares de mutuários com prejuízos), já que
novas regras como a do patrimônio de afetação (que
separa o empreendimento do patrimônio da construtora) e da SPE
(Sociedade de Propósito Específico) tornaram a atividade
muito mais segura.
"Vivemos uma situação
muito mais confortável do que no passado e há um olhar
atento do governo federal para o crescimento do setor", disse. Hereda
aposta na continuidade da expansão desse mercado em 2009, apesar
da crise. "Imaginava-se em crescer 8%, já se fala em crescer
5%, não se pode dizer que é um crescimento pequeno",
disse.
Como demonstração
da confiança no cenário, ele destaca que a Caixa não
alterou suas condições de crédito imobiliário
nem da linha do FGTS (que cobra Taxa Referencial mais 3% ao ano) nem
da poupança (TR mais 6% ao ano).
CAPITAL
DE GIRO
Instituição responsável por mais de 50% do crédito
imobiliário do País, a Caixa deve iniciar, até sexta-feira,
a operação de ajuda a construtoras, por meio de linhas de financiamento
ao capital de giro.
Anunciada na última semana,
como forma de dar fôlego às companhias do segmento, a ajuda
inicialmente, envolve montante de R$ 3 bilhões, que pode subir
para R$ 5 bilhões, após autorização do CMN
(Conselho Monetário Nacional) para utilização de
5% de recursos da poupança.
As linhas serão para financiar
20% do custo de obras, o que costuma somar (sem incluir o terreno) 60%
do VGV (valor geral de vendas) dos empreendimentos.
O número de construtoras
atendidas vai depender dos lançamentos imobiliários mas
o alvo prioritário, segundo Hereda, é atender empresas
que já lançaram imóveis e venderam unidades. "Para
quem já vendeu, é um compromisso nosso atender. Já tivemos
empresas que nos procuraram e estamos conversando", disse.
O executivo destacou que, nesse
momento de crise financeira internacional, há companhias brasileiras
- não apenas do setor imobiliário - que enfrentam problemas
de liquidez (ou seja, capacidade de transformar com rapidez e sem grandes
perdas ativos como ações e outros títulos em dinheiro).
"Às vezes,
a gente confunde solvência (capacidade para pagar as dívidas)
com liquidez. Mesmo as que têm planos de negócios consistentes,
com uma crise internacional que estamos vivendo, é natural que
haja crise de liquidez", afirmou o executivo, que faz uma metáfora: "É como
um soco que a gente leva. Deixa atordoado, mas depois, passa. Após
algum tempo, a gente nem lembra mais", disse.
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NCST, 5 de novembro de 2008
Material de construção
deve continuar caro, apesar da crise
Segundo diretor da Anamaco, demanda vai
continuar forte nos próximos meses, mesmo com preços
elevados
Apesar do receio de desaquecimento econômico no Brasil, o preço
dos materiais de construção deve continuar alto nos próximos
meses, segundo a Associação Nacional dos Comerciantes de Material
de Construção (Anamaco). "Muitas pessoas estão no
meio da reforma da casa e elas não vão deixar de comprar porque
o produto está caro", diz Hiroshi Shimuta, diretor da Anamaco.
A demanda mais forte, segundo ele, vem dos materiais de base, como cimento,
aço, areia e tijolo. O índice da Associação Brasileira
da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) confirma
a tendência. Em setembro, as vendas de materiais de base cresceram 38,8%
em relação ao mesmo período do ano passado. Já a
comercialização de materiais de acabamento cresceu 7,46% na mesma
comparação.
Resultado deste cenário é que a demanda aquecida esgotou os estoques
de cimento da indústria, no início de outubro, de acordo com
Sindicato do Comércio Varejista de Materiais de Construção,
Maquinismos, Ferragens, Tintas, Louças e Vidros de São Paulo
((Sincomavi). "A dificuldade do mercado de material de construção
começou a partir das grandes obras. Mas quando falo disso, falo de cimento",
afirma Reinaldo Pedro Correa, presidente do Sincomavi.
A Abramat estima que o ritmo de crescimento atual siga até o segundo
semestre de 2009. "Muitas obras estão no começo e ainda
há muitos materiais de acabamento que necessariamente serão consumidos",
diz Melvyn Fox, presidente da entidade.
Ele afirma, contudo, que não haverá falta de produtos de acabamento
como ocorreu com o cimento. "As indústrias investiram muito em
ampliação da capacidade produtiva e não há nesse
momento falta de materiais de construção", afirma.
Preços
Para o consumidor, a demanda se reflete na alta dos preços. Os materiais
de base foram os principais responsáveis na elevação nos
preços em 2008, medidos pelo Índice Nacional do Custo da Construção
(INCC) calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em
outubro, o INCC apresentou inflação de 0,85% em relação
a setembro, quando cresceu 0,94%.
Os preços de materiais elétricos e acabamentos em metais como
aço e cobre também podem subir nos próximos meses, segundo
Fox. "O dólar valorizado gera um custo maior em insumos que dependem
de commodities", afirma. Segundo Shimuta, o risco de aumento será maior
se a cotação do dólar permanecer alta por muito tempo
e chegar aos combustíveis e afetar o preço dos transportes. "Metade
dos nossos custos estão relacionados ao transporte, porque o nosso produto é muito
pesado", diz. Segundo ele, alguns itens já estão sofrendo
reajuste de 6% a 10%, por causa do dólar.
Medidas
Na semana passada, o governo anunciou a criação de uma nova linha
de financiamento do capital de giro das empresas de construção
civil. O objetivo da medida é conter o desaquecimento do setor, que é um
grande empregador.
A linha será formada por meio da liberação de 5% dos depósitos
da caderneta de poupança e poderá atingir R$ 11 bilhões.
Hoje, os bancos têm de destinar 65% dos depósitos da poupança
ao crédito imobiliário. A partir de agora, 5% entre os 65% poderão
ser usados para financiar as construtoras. A decisão dependerá dos
bancos. A Caixa Econômica Federal antecipou que oferecerá R$ 3
bilhões para cobrir custos de construção e compra de carteira
de recebíveis das empresas.
A Abramat apóia as medidas anunciadas pelo governo para fortalecer o
setor. Mas Fox diz que ainda seria necessário um auxílio para
o cliente final. "Achamos importante dar prazo a esse consumidor com ampliação
de prazo, mais recursos disponíveis e redução da taxa
de juros", diz. Segundo Shimuta, a construção auto-gerida,
em que o próprio cliente faz a reforma ou o "puxadinho", representa
60% das vendas do setor.
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BEM PARANÁ, 05 de
novembro de 2008 | Economia
Vestuário: Segmento aposta em
crescimento de 8%
Um dos poucos setores que espera dias melhores
com a crise global do mercado financeiro é do vestuário.
Um dos poucos setores que espera dias melhores com a crise global do mercado
financeiro é do vestuário. O presidente do SindiVestuário,
entidade das indústrias de confecção, Ronald Masijah,
projeta para este ano um Natal melhor do que o de 2007 para o setor. A previsão
de crescimento de 8% tem como base as projeções de queda na importação,
em virtude do aumento do preço do dólar.
Segundo Masijah o impacto deve se maior com relação as roupas
importadas da China, que inundaram o mercado na data passada. “Deste
limão (a crise econômica mundial), vamos fazer uma limonada, tirar
algo positivo”, compara Masijah.
Ele ressalta que o dólar
na casa dos R$ 2,30 ou R$ 2,50 protege de certa forma a indústria
e o emprego no setor do Vestuário. “Perdemos competitividade
para as importações de roupas chinesas devido ao câmbio
muito baixo nos últimos 12 meses”, argumenta.
O empresário garante que
não haverá aumento de preços, assim como nos anos
anteriores. “Ao longo de todo Plano Real, para um reajuste médio
da ordem de 95%, o setor reajustou menos de 15%, afirma. Segundo Masijah,
não deve haver aumentos nos preços dos produtos do vestuário
até o final do ano.
A indústria brasileira
do vestuário produz 6 bilhões de peças por ano,
conforme os dados estatísticos do segmento. A projeção é de
fechar o ano com uma produção de 6,5 bilhões, gerando
uma receita de US$ 34 bilhões.
Para manter essa produção, 20.100 unidades fabris empregam 1,080
milhão de pessoas . A distribuição das empresas no Brasil
aponta a maior concentração na região Sul, com 4.800.
Em seguida está o Sudeste, Centro-Oeste , Nordeste e Norte.
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Gazeta do Povo, 5 de novembro
de 2008
Legislação ambiental
Selo verde no setor de cal e calcário
Sistema permitirá identificar quais
empresas se preocupam com o meio ambiente
O Arranjo Produtivo Local (APL) de Cal e Calcário da Região Metropolitana,
entidade que congrega os sindicatos dos produtores de cal, calcário
e associações da área no Paraná, prepara-se para
lançar o selo verde para empresas que respeitam a legislação
ambiental. Ainda não há data marcada para a implantação
da ferramenta, mas segundo o APL, faltam apenas alguns detalhes para concluir
o projeto.
De acordo com o secretário executivo do APL, Fábio Pini, a história
do setor de mineração está marcada por ações
de beneficiadoras que, ao longo dos anos, não se preocuparam com o meio
ambiente e expansão urbana. “O empresário preocupava-se
com dinheiro e com quantos funcionários estava empregando”, explica
Pini. Segundo ele, porém, de três a quatro anos para cá,
o quadro começou a mudar, principalmente depois que a fiscalização
apertou.
Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo

Em maio, o IAP interditou três empresas de cal em Colombo acusadas de
poluir o ar.
Para dar suporte às empresas que queiram se adequar, o APL vai promover
palestras, fazer o diagnóstico, propor soluções e um cronograma
de ações. Depois disso, será chamada uma auditoria externa.
Caso a empresa seja aprovada, ela passará a contar com o selo verde. “O
selo não significa que ela não pode ser multada pelo Instituto
Ambiental do Paraná (IAP), por exemplo. Significa apenas que ela está seguindo
o caminho correto”, explica.
Segundo Pini, contudo, o interesse em colocar em prática o “selo
verde” não está relacionado apenas ao meio ambiente. “Estamos
pensando no mercado também. Não é justo uma empresa gastar
e cuidar do meio ambiente e ter de concorrer com outra que não faz nada.
Além disso, tem a questão de consciência do consumidor,
que pode passar a preferir produtos das empresas com selo verde”, diz
Pini.
Interessados
Nenhuma empresa no Paraná tem ainda o selo verde, mas já há um
punhado de empresários interessados. Um deles é Alzemir Gulin,
proprietário da Argafácil, produtora de argamassa feita com cal.
Segundo ele, quando seus pais montaram uma indústria de cal, há cerca
de 40 anos, não tinham preocupação com o meio ambiente. “Eles
só pensavam que tinha que dar certo. Esse tipo de cultura é comum
no setor”, conta. Quando Gulin foi montar sua própria empresa,
há 15 anos, porém, teve uma atitude diferente.
“ Desde o nascimento da Argafácil tive a preocupação
com o meio ambiente. Acredito que, agora, este selo verde seja uma premiação
para quem preserva, pois será um diferencial no mercado”, avalia.
Com medidas simples na sua empresa – implantação de uma “cortina” verde
de árvores, filtros, pavimentação e umidificação
do pátio e das vias de acesso da empresa – Gulin espera a implantação
do selo verde, para pedir o seu.
Detalhes
Confira os problemas causados pelo pó da cal e as aplicações
do material:
Problema
O pó formado em todas as fases de produção da cal (extração,
transporte, descarregamento, moagem etc) causam poluição atmosférica
e problemas respiratórios.
Ações
Medições, umidificação do piso, pavimentação
do piso, formação de “cortinas” verde de árvores,
implantação de filtros, vedação de ambientes, implantação
de exaustores podem ajudar a minimizar o problema.
Usos
CAL
- construção civil - pavimentação - processos industriais
no setor sucroalcooleiro (açúcar e álcool) - medicamentos
- vidros - cerâmicas - tratamento de água e esgoto - siderurgia
- tratamento de couro em curtume - agricultura
CALCÁRIO
- agricultura - construção civil (tintas) - brita e areia
Produção
28% do cal e 24% do calcário para agricultura produzidos no país
são do Paraná.
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Agência Diap, 5 de
novembro de 2008
INFRA-ESTRUTURA
País terá 100% de saneamento
básico só em 20 anos, mostra estudo da FGV
Com o atual ritmo de investimentos
do país em saneamento básico, de R$ 10 bilhões por
ano, o Brasil precisará de, ao menos, 20 anos para conseguir universalizar
o serviço à toda a população.
A conclusão está na
terceira etapa da pesquisa Impactos Sociais de Investimentos em Saneamento,
divulgada nesta terça-feira (4) em São Paulo, realizada
pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio
Vargas (FGV), a pedido do Instituto Trata Brasil.
De acordo com o estudo, seriam
necessários recursos equivalentes a cinco Programas de Aceleração
do Crescimento (PAC), do governo federal, para que toda a população
do país passasse a ser atendida.
Enquanto o valor estimado para levar o serviço de saneamento a toda
a população é de R$ 200 bilhões, a previsão
do PAC, lançado em 2007, é de investir em saneamento cerca de
R$ 40 bilhões.
“A regra no Brasil foi,
até agora, um saneamento andando a passos de cágado. O
Brasil não estava fazendo seu dever de casa na área de
saneamento. A taxa de redução do déficit de saneamento
vinha andando a um quarto do ritmo de redução da pobreza,
nos últimos 15 anos”, disse o coordenador da pesquisa, professor
Marcelo Néri, chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV.
Apesar da defasagem de investimentos
no setor, a pesquisa mostra que, em 2007, o crescimento das obras de
saneamento básico aumentou sensivelmente e se equiparou ao ritmo
de redução da pobreza.
“A gente sabe que não
foi renda, a gente sabe que não foi o Bolsa Família. Pode
ser uma combinação de PAC anunciado, da Lei Geral de Saneamento.
Houve alguma coisa no setor do saneamento diferente em 2007, foi um salto
nove vezes maior que nos três anos anteriores”, ressaltou
Néri.
Para o presidente do Instituto
Trata Brasil, Raul Pinho, a melhora em 2007 está ligada à criação
do Ministério das Cidades, que centralizou as ações
de saneamento no país. “São investimentos que estão
sendo feitos desde 2003, que foram acentuados com o PAC em 2007. A criação
do Ministério das Cidades, quando a agenda do saneamento foi resgatada,
se reflete agora”, analisou.
Segundo o toxicologista do Hospital
das Clínicas, da Universidade de São Paulo (USP), Antony
Wong, o cuidado com o saneamento básico é imprescindível.
A falta de saneamento está ligada à principal causa de
morte no mundo.
“Dados da OMS [Organização
Mundial da Saúde] mostram que doenças respiratórias
são classificadas em primeiro lugar como causas de morte. E
não é por causa de poluição. Pode ser causada
por falta de higiene. As pessoas [sem saneamento] respiram um ar mais
contaminado, com bactérias ou vírus. Há diminuição
da capacidade imunológica, o que faz com que ele não
consiga combater os agentes infecciosos”, explicou. (Fonte: Radiobrás)
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Folha de S.Paulo, 5 de novembro de 2008
Rondônia: Cassol tem mandato
cassado sob suspeita de compra de voto
MATHEUS PICHONELLI
DA AGÊNCIA FOLHA
O TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Rondônia acatou o pedido de cassação
do mandato do governador Ivo Cassol (sem partido), sob a suspeita de compra
de votos na campanha de 2006, quando ele foi reeleito pelo PPS.
Por meio de sua assessoria, Cassol afirmou que está tranqüilo por
ser inocente e disse que irá recorrer ao TSE.
A relatora do processo, a desembargadora Ivanira Feitosa Borges, também
ordenou a realização de nova eleição para governador
para o dia 14 de dezembro.
Cassol é acusado de ser beneficiário de um esquema de oferecimento
de vantagem a empregados da empresa Rocha Segurança e Vigilância
Ltda, pertencente a um irmão do senador Expedido Júnior (PR-RO),
também cassado ontem pelo TRE.
A denúncia foi feita pelo procurador regional eleitoral Reginaldo Pereira
da Trindade. Segundo ele, Cassol e Expedito buscaram "proveito ilegítimo
nas eleições, corromperam centenas de vigilantes da empresa" oferecendo
e pagando, para cada um, R$ 100 mediante depósito bancário, para
comprar voto.
O procurador afirma que cerca de mil votos foram comprados e que os depósitos
foram feitos nos dias que antecederam o primeiro turno, em setembro de 2006.
A denúncia foi fundamentada com base em uma denúncia anônima
e, posteriormente, em relatos feitos por cinco vigilantes e um advogado que
trabalhavam naquela empresa, e que foram incluídos no programa de proteção
a testemunhas.
Trindade afirma na ação que Expedito e Cassol têm "notórias
e indiscutíveis" relações e cita o fato de eles terem
trocado apoio nas eleições daquele ano.
Ele diz que Cassol "participou não apenas da compra de votos, que
lhe favoreceu, mas, sobretudo, das várias medidas que foram engendradas
na tentativa de desvanecer as provas colhidas e que embasavam as infrações
eleitorais" nas investigações.
Acusa Cassol de usar o cargo para ordenar à Polícia Civil que
instaurasse inquérito a fim de "investigar pessoas que delataram
o esquema de corrupção" com o intuito de "coagir" testemunhas.
Procurado ontem, Expedito Júnior não foi localizado.
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Vermelho, 5 de novembro de
2008
Para Chomsky, crise marca o fim de
um modelo fundamentalista
A crise financeira atual representa
também a crise de um modelo cultural que tem como principal doutrina
o fundamentalismo do livre-mercado. A opinião é do lingüista
e intelectual norte-americano Noam Chomsky.
Em rápida entrevista à Agência
Reforma, do México, Chomsky diz que esse modelo foi um desastre
para a humanidade, "um duro golpe contra a democracia" nas últimas
décadas. Confira abaixo:
Qual é a magnitude
da atual crise econômica?
Ninguém sabe quão grave será. E não é uma
só crise: são várias. Uma é a crise financeira
que se encontra nas primeiras páginas. Outra é a recessão
na economia real, ou seja, a economia produtiva. Uma terceira, nos Estados
Unidos, é a iminente crise do ineficiente e custoso sistema privado
de atenção à saúde. Esses problemas interagirão
de maneira complexa.
Não vejo nenhuma utilidade
em compará-la com a queda do Muro de Berlim. Esse foi um passo
crucial para a queda da União Soviética. Não dá indícios
de que as instituições do Estado capitalista estejam enfrentando
um destino similar, exceto setores como os bancos de investimento e,
por diferentes razões, setores industriais como o automobilístico
nos Estados Unidos.
Quais são as lições
dessa crise?
A mais imediata é que o fundamentalismo de mercado foi
um desastre, o qual não deveria surpreender os latino-americanos
ou outros povos submetidos a essa disciplina. Mais especificamente, a
liberalização financeira conduz ao desastre. Também
o fato de que a liberalização é um sério
golpe contra a democracia. Outra lição sublinha a sensível
observação política do principal filósofo
social estadunidense do século 20, John Dewey: a política é "a
sombra que as grandes empresas projetam sobre a sociedade".
Será o ocaso do
poder dos EUA e o início da hegemonia da China ou da Índia?
É muito pouco provável, apesar de que a crise
pode levar adiante o processo de diversificação da economia
mundial. Os EUA têm enormes vantagens, além de seu opressor
poderio militar. A Europa tem uma economia de escala comparável,
mas é heterogênea e prefere se manter à sombra dos
EUA. China e Índia vêm crescendo, assim como outros países
da Ásia que desafiam a lógica ortodoxa neoliberal, mas
têm enormes problemas internos. Um indicador está dado pelo Índice
de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU: a China ocupa o 81º lugar;
a Índia, o 128º. E isso é apenas a superfície.
É a crise das
finanças ou a crise de um modelo cultural?
É a crise de um "modelo cultural" se desse
modo nos referirmos a um sistema doutrinário: o fundamentalismo
do livre-mercado. Mas, apesar das pretensões, essa doutrina nunca
foi aceita pelos mesmos centros de poder ocidentais. Isso é como
um patrão histórico que se remonta por séculos,
e é um importante fator na criação do Terceiro Mundo
nas regiões colonizadas.
Quais serão as
conseqüências da crise econômica no âmbito cultural?
Isso é imprescindível. As crises econômicas
freqüentemente vêm acompanhadas pela aparição
da grande arte.
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Congresso em Foco, 5 de novembro de 2008
Barack Obama, presidente dos Estados
Unidos da América
David Katz

No discurso da vitória, em Chicago, Obama dá recado: “Àqueles
que querem destruir o mundo, nós vamos derrotar vocês".
Se alguém aí fora ainda duvida de que algumas coisas podem acontecer
em nosso país, se alguns questionam os sonhos de nossos fundadores,
hoje é a resposta para suas dúvidas.”
Foi com essa espécie de desabafo que o democrata Barack Obama, extra-oficialmente
declarado novo presidente dos Estados Unidos, iniciou o discurso da vitória
em Chicago, diante de milhares de eufóricos e emocionados eleitores
norte-americanos. O senador por Illinois é o 44º presidente da
história dos EUA, e o primeiro negro a ocupar o posto mais alto da Casa
Branca, sede do governo.
Com a conquista de 338 votos de delegados dentre os 538 colégios eleitorais
nos estados (até cerca de 3h20 desta quarta-feira), dos 270 necessários
para a vitória, e após o telefonema no qual a derrota foi admitida
pelo republicano John McCain, o democrata apareceu com contida felicidade e
alívio diante da gigantesca platéia. Como manda o figurino, chegou
de mãos dadas com a nova primeira-dama, Michelle Obama, e as filhas
Malia e Sasha.
Obama fez um pronunciamento de quase meia-hora no Grant Park, em Chicago, no
qual saudou o “corajoso líder” derrotado John McCain, e
repetiu diversas vezes o lema de campanha “Yes, we can” (“Sim,
nós podemos”, no que era acompanhado em uníssono pela multidão).
E, em meio a uma ovação unânime, mandou um recadinho ao
mundo, com atenção especial aos terroristas.
“À queles que querem destruir o mundo, nós vamos derrotar
vocês. Àqueles que querem paz no mundo, nós apoiaremos vocês”,
bradou, endurecendo o discurso ameno e calculado durante a campanha presidencial,
e fazendo referência à mudança tão apregoada em sua
proposta de gestão. “Um novo amanhecer está no horizonte”,
profetizou Obama, dirigindo-se a cidadãos que o acompanhavam em todo o
mundo, “nos cantos mais esquecidos do planeta”.
Agradecimentos
Finalmente vitorioso, o avaiano de Honolulu Barack Hussein Obama fez alguns
agradecimentos a figuras-chave de sua campanha e da vida pessoal, como "a
rocha que sustenta a minha família, o amor da minha vida, a nova primeira-dama
dos Estados Unidos da América".
Em momento de alta carga emotiva, o democrata lembrou dos ensinamentos da avó materna,
Madelyn Dunham, morta nesta segunda-feira (3) no Hawaii, onde vivia. Levando
populares às lágrimas, Obama disse que Madelyn o teria inspirado
a agir em momentos difíceis, e que seu exemplo permanecerá com
ele.
Obama agradeceu também ao próprio adversário, dizendo
que a nação norte-americana teve "o privilégio" de
testemunhar "os serviços desse corajoso líder" McCain,
que recebeu a honraria "herói de guerra" pelas inúmeras
missões militares, em mais de uma guerra. Obama declarou querer trabalhar
com o republicano para o bem do país.
" [McCain] lutou duro e por um longo tempo", ensejou Obama, referindo-se à extensa
agenda da campanha presidencial. "E ainda mais arduamente pelo país
que ama. Ele fez um sacrifício que a maioria de nós não
pode sequer imaginar", completou, agora com referência à epoca
em que McCain foi combatente das forças armadas.
Por fim, Obama se dirigiu novamente aos eleitores, dizendo que faria um governo
em que negros, brancos, latinos, asiáticos, gays, homossexuais e demais
minorias não seriam discriminados. E estendeu os agradecimentos ao eleitorado: "Jamais
esquecerei a quem essa história pertence. E ela pertence a vocês." (Fábio
Góis)
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Agência Diap, 5 de
novembro de 2008
INSEGURANÇA
Trabalhadores da GM em férias
coletivas temem demissões
A montadora General Motors anunciou
que entraram em férias coletivas, a partir de segunda-feira (3),
os funcionários de São Caetano do Sul (na região
do Grande ABC, em São Paulo), São José dos Campos
(interior do estado), Mogi das Cruzes (na Grande São Paulo) e
Gravataí (RS).
Segundo a assessoria de imprensa
da GM, as férias fazem parte de uma série de medidas para
adequar os estoques das fábricas e concessionárias Chevrolet.
"A situação é passageira
e a produção se normalizará dentro de dois a três
meses", informa a assessoria da GM. A assessoria informou que demissões
são assunto descartado pela empresa.
Os funcionários da montadora,
porém, estão preocupados com a decisão. "O
pessoal está com medo de perder o emprego", relatou o metalúrgico
Ademir Justino Cassemiro, funcionário da GM em São Caetano. "A
crise é mundial, não sabemos como vai nos atingir."
O secretário-executivo
da Força Sindical e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos
de São Caetano, Aparecido Inácio da Silva, não
tem uma previsão sobre o que pode acontecer nos próximos
meses. "Os trabalhadores estão preocupados. Há insegurança
no ar, mas, no momento, não há nada a ser feito, só esperar",
afirmou.
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FOLHA DE LONDRINA, 05 de
novembro de 2008 | Cidades
Trabalho Doméstido Infantil
- Sociedade confunde colaboração com exploração
Jovens sem tempo para brincar e estudar
e com responsabilidades de adulto; situação ainda é muito
comum no PR
Curitiba - Corpo e mentalidade
de uma garota de 14 anos, mas responsabilidades de um adulto. Até alguns
meses, a rotina da adolescente era lavar roupa e louça, cozinhar
e limpar a casa. Ela e a irmã de 15 anos eram instruídas
pela mãe a ''darem conta'' do serviço doméstico
enquanto trabalhava como diarista. Sem tempo para brincar ou disposição
para estudar, as duas foram encaminhadas por uma assistente social ao
Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) de
Monte Castelo, na cidade de Colombo, Região Metropolitana de Curitiba
(RMC). No local, as 31 crianças e adolescentes participantes (a
maioria está lá por trabalho doméstico) recebem
aulas de informática, dança, artes visuais e conceitos
de cidadania. Para fazer parte da turma, a criança precisa estar
na escola e a família dela recebe uma ajuda de custa de R$ 40
mensais.
Com ares de adulto, um rapazinho
de 14 anos também está lá porque era incumbido pela
mãe de cuidar dos dois irmãos menores enquanto ela trabalhava.
Acordava mais cedo e cuidava do café dos pequenos. Enquanto o
caçula ia para escola, ele limpava a casa, arrumava a cozinha
e fazia o almoço. À tarde, ia com o irmão do meio
para a escola. Depois, ele ainda tinha que lavar roupa, preparar o lanche
e deixar o jantar adiantado. Como perdeu provas e não tinha tempo
de estudar, ele reprovou. Agora, na quinta série do ensino fundamental,
sonha em ser professor de Língua Portuguesa. Os responsáveis
pelo Peti afirmam que quando ele não fazia o trabalho mandado,
apanhava.
Os casos relatados são
exemplos de exploração doméstica. Esse abuso foi
considerado uma das piores formas de trabalho infantil pela Organização
Internacional do Trabalho (OIT) e adotado com tal pela Justiça
brasileira. Menores de 18 anos não podem exercer a função
de trabalhador doméstico no País desde que entrou em vigor
o decreto número 6.481, em 12 de setembro, assinado pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Antes, era legal a contratação
registrada em carteira de maiores de 16 anos e menores de 18 para exercer
serviços domésticos.
''As mães deixam os filhos
com sobrecarga de atividades com a explicação de que precisam
trabalhar. Nosso trabalho começa na conscientização
dos pais e no ensino de conceitos de cidadania para as crianças
e adolescentes'', comenta a coordenadora do Peti Monte Castelo, Inalda
Bezerra da Silva, ao ressaltar que contra a miséria das famílias
- boa parte conta apenas com o salário da mãe (a figura
paterna é rara entre os participantes) - é difícil
argumentar.
Ela destaca que, além
da exploração dentro da própria casa, há aqueles
expostos ao trabalho na residência de empregadores. ''Atendemos
a um caso em que a mãe entregou a filha para uma família
de classe média curitibana em troca de salário. Ela tinha
13 anos e ainda engravidou do filho do patrão, também adolescente'',
conta.
A menina de 14 anos conta que,
depois que chegou ao Peti, a mãe dela está ''pegando leve''.
''Ela entendeu que era errado e agora eu ajudo apenas.'' No entanto,
a irmã de 15 anos saiu do programa. No caso do menino de 14 anos,
ele entende que há necessidade de colaborar com o serviço
doméstico porque a mãe sempre está cansada. ''Eu
agora vou à escola e tenho tempo para brincar. Eu continuo fazendo
os trabalhos, mas quase não apanho mais'', diz.
Declarações como
essas preocupam as entidades. A coordenadora do Peti diz que falta chance
de profissionalização para os mais velhos. ''Eles precisam
ter apoio de programas que dêem a eles a chance de competir e progredir.
Eles não têm educação suficiente. Não
basta proibir o trabalho, tem dar a chance para eles e para os pais de
uma melhor condição de vida'', suplica.
Cláudia Palaci
Equipe da Folha
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
05/11/2008
Representante comercial obtém na
JT indenização da empresa representada
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho
rejeitou recurso em que a empresa Avery Dennison, fabricante de adesivos
industriais, pretendia rescindir decisão na qual fora condenada
a pagar indenização de R$ 490 mil a um ex-representante
comercial. A Justiça do Trabalho afirmou sua competência
para julgar a matéria e considerou que a empresa, ao conceder
a representação a outro e deixar de acionar o representante,
causou-lhe prejuízos.
O representante trabalhou para
a Avery desde julho de 1987, recebendo comissões sobre as vendas
realizadas em percentuais variáveis entre 6% e 8%. Segundo informou
na inicial, em agosto de 2005 tomou conhecimento de que a empresa havia
contratado outro representante comercial para a mesma região.
Com base na Lei nº 4.886/65, que regula os contratos de representação
comercial, pediu a indenização de R$ 490 mil pela rescisão
do contrato, alegando que, embora não houvesse disposição
expressa neste sentido, sempre detivera exclusividade de representação
na praça do Distrito Federal.
A 8ª Vara do Trabalho
de Brasília (DF) rejeitou a preliminar de incompetência
da Justiça do Trabalho para apreciar a matéria, suscitada
pela Avery Dennison, e julgou os pedidos procedentes, condenando a
empresa a pagar a indenização. De acordo com a sentença,
embora a exclusividade de representação não se
presuma na ausência de ajustes expressos (conforme dispõe
o artigo 31, parágrafo único, da Lei nº 4.886/1965),
a condição do representante era anterior a esse dispositivo
legal, cujo texto em vigor resulta em alteração introduzida
pela Lei nº 8.420/1992. Acrescentou, ainda, que a situação
delineada nos autos refletia claramente a existência de trabalho
com exclusividade não averbada, durante anos seguidos.
A indenização,
no entendimento do juiz de primeiro grau, tem natureza de perdas e
danos, ou seja, se destina a reparar os prejuízos causados ao
representante. “Considero identificada a rescisão pela
empresa, que simplesmente parou de acioná-lo, em detrimento
de terceiro, bem como a quebra de exclusividade”, afirmou o juiz.
A condenação foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho
da 10ª Região no julgamento de recurso ordinário,
e a decisão transitou em julgado em julho de 2006. Um ano depois,
a Avery ajuizou ação rescisória visando à sua
desconstituição – igualmente rejeitada pelo TRT/DF,
o que levou a empresa a interpor o recurso à SDI-2.
Nas razões recursais,
insistiu na tese de que o contrato existente entre as partes não
previa a exclusividade da representação comercial à qual
se refere o artigo 31 da Lei nº 4.886/65, ressaltando que alteração
introduzida pela lei posterior não modificou o texto original.
A empresa alegou ainda ser irrelevante a discussão sobre ter
parado de “acionar” seu representante comercial, “porque
a obrigação de agenciar negócios é dele
e não da empresa representada.”
O relator do recurso, ministro
Barros Levenhagen, rejeitou a pretensão de rescindir a decisão
ao observar a “aparente contradição” entre
o caput e o parágrafo único do artigo 31 da nova redação
da Lei nº 4.886/65. “O caput assegura ao representante o
direito às comissões pelos negócios realizados,
quer diretamente pelo representado, quer por intermédio de terceiros,
ainda que a exclusividade não fosse contemplada no contrato
de representação, como se infere da ressalva de ele se
apresentar omisso a respeito”, assinalou, enquanto o parágrafo único
afirma que a exclusividade de representação não
se presume na ausência de ajustes expressos. “Conspira
contra a rescisória a circunstância de a norma considerada
violada conter redação imprecisa, em razão da
qual não se pode concluir que a decisão efetivamente
a teria vulnerado em sua literalidade”. O fato de haver interpretações
divergentes no âmbito dos Tribunais sobre a necessidade ou não
do ajuste expresso sobre a exclusividade de zona afasta a possibilidade
de procedência da ação rescisória, conforme
a jurisprudência do TST (Súmula nº 83, item II).
( ROAR 275/2007-000-10-00.3)
(Carmem Feijó)
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05/11/2008
Plano de carreira não impede equiparação
salarial na PETROBRAS
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho
deu provimento a embargos de um empregado paranaense da PETROBRAS Petróleo
Brasileiro S/A e restabeleceu decisão que concedeu equiparação
salarial com um colega que exercia as mesmas funções mas,
de acordo com a empresa, tinha maior experiência. A SDI-1 restabeleceu,
assim, decisão da Justiça do Trabalho da 9ª Região
(PR) no sentido de que, sendo igual o trabalho imposto pela empresa,
não é possível distinguir capacidade.
O trabalhador recorreu à SDI-1
quando a condenação foi retirada pela Terceira Turma do
TST, ao julgar recurso de revista da PETROBRAS. A empresa se opunha à equiparação
alegando possuir plano de cargos e salários convalidado por convenções
coletivas de trabalho, e afirmava que a diferença salarial entre
os dois empregados “decorreu de trajetória funcional e de
fato anterior ao exercício das mesmas atribuições”.
Em suas razões recursais, o empregado sustentou a invalidade do
plano de carreira por não ter sido homologado pelo Ministério
do Trabalho e porque não previa promoção por antigüidade.
Para a SDI-1, o quadro de carreira
de uma empresa somente tem validade quando for homologado por autoridade
competente e dispuser de mecanismos de promoção por critérios
de antigüidade e merecimento, como estabelecem o artigo 461, parágrafo
2º, da CLT e a Súmula nº 6 do TST. “A norma coletiva
não pode referendar a supressão desse critério,
pois tal requisito se encontra expressamente previsto em lei”,
destacou o relator, ministro João Batista Brito Pereira. O ministro
assinalou que a jurisprudência do Tribunal reforça este
entendimento, nas Súmulas nº 6 e 231. ( E-ED-RR-29-2005-654-09-40.0)
(Mário Correia)
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05/11/2008
TST rejeita indenização a
professor que teve nome usado em divulgação de curso
Um professor de educação
física teve seu pedido negado pela Justiça do Trabalho
do Paraná ao buscar indenização da União
de Ensino do Sudoeste do Paraná S/C Ltda. – Unisep, que,
depois de demiti-lo, continuou usando seu nome na página na internet
para divulgar curso de pós-graduação. Mesmo com
recurso ao Tribunal Superior do Trabalho, o trabalhador não conseguiu
reformar a decisão, pois a Sétima Turma rejeitou o agravo
de instrumento contra acórdão regional que entendeu ter
havido nítida compactuação do professor na veiculação
de seu nome.
Contratado pela Unisep em 2001
e dispensado em agosto de 2003, como professor e coordenador do Curso
de Licenciatura em Educação Física, o professor
teve seu nome utilizado na página da instituição
na web para atrair alunos para o curso de pós-graduação
em Atividade Física e Saúde. Na ação ajuizada,
pediu indenização por danos morais, com o argumento de
ter sido violado o seu direito de personalidade especificamente quanto
ao direito ao nome, por ser inalienável e intransferível.
Alegou que não houve autorização para a continuação
do uso de seu nome na internet, com claro interesse publicitário,
após não figurar mais como empregado da Unisep.
A Vara do Trabalho de Francisco
Beltrão (PR) entendeu não ter havido abuso de direito e
indeferiu o pedido. O juiz considerou que, com “a expressiva oferta
de profissionais na área do magistério, a inserção
do nome do autor em curso de pós-graduação por ele
idealizado, longe de causar-lhe malefício, mostra-se elemento
apto a valorizar seu currículo e facilitar eventual futura contratação”.
O professor recorreu ao Tribunal
Regional do Trabalho da 9ª Região (PR), que não verificou
ter a Unisep utilizado indevidamente o nome do professor sem consentimento
para fins comerciais. O Regional considerou que houve, no mínimo,
complacência para ocorrência da utilização
comercial do nome do professor, devido ao tempo decorrido entre o seu
desligamento (setembro de 2003) e a da data do ajuizamento da reclamação
trabalhista (março de 2004). Entendeu, também, que, na
hipótese de número suficiente de inscritos, talvez sequer
tivesse o professor manifestado sua indignação.
O Tribunal Regional destacou,
ainda, o depoimento do preposto da instituição de ensino,
afirmando que o curso de pós-graduação foi esquematizado
pelo professor e não foi realizado devido ao número insuficiente
de interessados. O representante da Unisep disse, ainda, que o nome foi
mantido na página porque, se houvesse alunos suficientes, o professor
seria convidado a participar.
O ministro Guilherme Caputo Bastos,
relator do agravo de instrumento, entendeu ser inviável o destrancamento
do recurso, objetivo do agravo, pois, para decidir de forma diversa do
Regional, “seria imprescindível reexaminar o suporte fático
dos autos, o que é defeso nesta fase recursal, ante o que expressa
a Súmula nº 126”. O voto do relator foi definido após
analisar o acórdão do Tribunal Regional, que, com apoio
na prova oral, julgou não ter havido ofensa ao direito fundamental
e personalíssimo do nome, fixado no artigo 5º, XXVII, da
Constituição Federal. (AIRR – 125/2004-094-09-40.8)
(Lourdes Tavares)
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