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O ESTADO DO PARANÁ,
06 de novembro de 2008 | Economia
Índice da construção
civil registra variação de 0,95% em outubro
Redação
O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) registrou
variação de 0,95% em outubro, ante 1,30% em setembro, segundo
divulgou ontem o IBGE. No ano, o índice acumula alta de 10,15% e em
12 meses, de 11,52%.
O custo nacional da construção
ficou em R$ 667,21 por metro quadrado em outubro, sendo R$ 389,11 relativos às
despesas com materiais e R$ 278,10, com a mão-de-obra. A parcela
dos materiais apresentou alta de 1,48% em outubro, ante 2,03% em setembro.
No ano, os materiais subiram
11,90% e em 12 meses, aumentaram 13,12%. Os custos regionais apontaram
os seguintes valores no custo da construção, por metro
quadrado, em outubro: R$ 707,13 (Sudeste); R$ 665,13 (Norte); R$ 659,87
(Sul); R$ 640,30 (Centro-Oeste) e R$ 621,20 (Nordeste).
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BEM PARANÁ, 06 de
novembro de 2008 | Economia
PIB
IBGE revisa expansão da economia
do País
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) revisou o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2006
para 4% em 2006
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revisou o crescimento
do Produto Interno Bruto (PIB) de 2006 para 4% em 2006, ante alta anterior
de 3,8%. Em valores absolutos, a economia brasileira alcançou R$ 2,370
bilhões. Já o PIB per capita ficou em R$ 12.688, crescimento
em volume de 2,5% na comparação com 2005.
A agropecuária foi
a atividade que registrou maior crescimento em volume (4,5%) entre
2005 e 2006. Porém, foram os serviços que mais ganharam
peso, passando de 65% para 65,8% do PIB, com variações
em volume (4,2%) e em preço (7,2%) acima do total da economia
(3,7% e 6,5% respectivamente). A indústria, por sua vez, cresceu
2,3% em volume em 2006, acima dos 2,1% verificados em 2005.
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O ESTADO DO PARANÁ,
06 de novembro de 2008 | Economia
Caixa lucra R$ 722,5 milhões
no 3º trimestre
Agência Estado
A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido de R$ 722,5
milhões no terceiro trimestre de 2008, mais de dez vezes superior ao
resultado do mesmo período do ano passado, quando o lucro foi de R$
62,5 milhões. De janeiro a setembro, de acordo com os dados informados
nesta quarta-feira (5), a instituição acumula resultado positivo
de R$ 3,3 bilhões, alta de 90% ante o lucro de R$ 1,7 bilhão
registrado no mesmo período de 2007.
Segundo informações
da Caixa, o bom desempenho no trimestre foi influenciado pelas operações
de crédito e por um maior controle das despesas administrativas.
A Caixa informou também
que seus ativos somavam R$ 276,1 bilhões no fim de setembro,
o que representa um crescimento de 15,3% em relação ao
volume de um ano antes. O patrimônio líquido da instituição
somava R$ 12,2 bilhões em setembro, alta de 16,8% em relação
ao mesmo mês do ano passado. Os depósitos, de acordo com
a Caixa, somavam em setembro R$ 157,4 bilhões - um crescimento
de 19,6% na mesma base de comparação. As cadernetas de
poupança captadas pela Caixa somavam R$ 88,5 bilhões,
uma evolução de 24,2% sobre setembro do ano passado.
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Folha de S.Paulo, 6 de Novembro
de 2008
Setor de construção
civil começa a demitir
Crise leva empresas a reverem custos e
obras, além de metas de lançamentos | Cortes ocorrem na área
administrativa, mas também afetam técnicos que trabalhavam
com projetos a partir de 2009
JULIO WIZIACK
DA REPORTAGEM LOCAL
A crise financeira começou
no mercado imobiliário americano e acabou afetando a construção
civil brasileira. Além de reverem as metas de lançamento,
construtoras e incorporadoras listadas na Bolsa estão realizando
demissões. Os cortes começaram há dois dias.
A Folha apurou que a Cyrela demitiu 300 funcionários. Por meio de sua
assessoria, a empresa afirmou que seu quadro de funcionários continua
inalterado. Na JHSF, especializada em empreendimentos de alto padrão,
foram cerca de 40. A Lopes demitiu 60, mesmo número da Abyara. Segundo
o gerente de Relações com Investidores da Abyara, Alexandre Hermann
Sande, há chances de novas demissões. Na Even, 25 foram demitidos.
Entre eles, estão engenheiros, advogados, mestres de obra e projetistas,
além de profissionais da área técnica que trabalhavam
em projetos previstos para os próximos anos.
A JHSF afirmou que não fará mais cortes. Na Even, as demissões
foram anunciadas juntamente com a contratação de 70 postos de
trabalho nos canteiros de obra.
Segundo as próprias construtoras, o setor entrou em um período
de ajustes de custos para responder aos efeitos da crise financeira que abalou
o mercado de crédito no Brasil. "As demissões fazem parte
desses ajustes", diz Paulo Safady Simões, presidente da CBIC (Câmara
Brasileira da Indústria da Construção).
Segundo ele, ao mesmo tempo em que cortam custos, as companhias precisam concluir
suas obras para gerar receita. "A saúde financeira dessas empresas
não pode ser comprometida." Para Simões, o governo acertou
ao responder com um pacote prevendo até R$ 16 bilhões em crédito
ao setor. "Essas linhas de financiamento têm como objetivo gerar
caixa para as construtoras concluírem os empreendimentos," diz.
Analistas do setor afirmam que demissões e revisões de projetos
eram previstas, mas que isso afeta a cotação das ações
dessas empresas. "Os cortes eram inevitáveis", diz Sande,
da Abyara. Segundo ele, a reestruturação da incorporadora prevê ainda
a venda de terrenos e até mesmo de participações em empreendimentos
imobiliários. "Vamos anunciar tudo isso e a revisão de "guidance" para
baixo nos próximos dias." "Guidance" é a meta
prometida pelas companhias aos investidores. Em geral, ela se refere ao total
de lançamentos futuros, permitindo estimar a geração de
receita.
Há cerca de dois anos, após se capitalizarem na Bolsa, as incorporadoras
e construtoras adquiriram terrenos a alto custo, contando com a permanência
do ritmo de crescimento do setor na casa dos atuais 10%. Com a crise, que fez
secar o crédito para os empreendimentos, esse ritmo será menor.
Alguns economistas já estimam um ritmo entre 2% e 5%. Se confirmado,
o setor deverá fechar 2008 com 2,1 milhões empregados, 100 mil
a menos que o previsto antes da crise.
" Essa é a pior crise enfrentada pelo setor", afirma Antonio
de Sousa Ramalho, presidente do SintraCon-SP (Sindicato dos Trabalhadores da
Construção Civil de São Paulo). "Todas as construtoras
estão demitindo." Segundo Ramalho, a média diária de
homologações no sindicato era de 40. "A partir de setembro
passou para 150."
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Folha de S.Paulo, 6 de Novembro
de 2008
CONSTRUÇÃO CIVIL
Camargo Corrêa tem lucro
e vendas recordes no 3º tri
DA REPORTAGEM LOCAL
A expansão das operações
da CCDI (Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário) resultaram
num incremento de receita de 215% no terceiro trimestre deste ano em
relação ao mesmo período de 2007, atingindo R$ 137
milhões. O lucro subiu 150%, sempre no mesmo período, beirando
os R$ 19 milhões.
De janeiro a setembro, o faturamento da construtora somou R$ 477 milhões
e o lucro, R$ 95 milhões. De acordo com Paulo Mazzali, diretor de finanças
da CCDI, a empresa deverá atingir as metas prometidas ao mercado de
capitais. "Ainda não há sinais claros do que irá acontecer,
mas atuamos em diversas categorias e temos a flexibilidade de mudar de acordo
com a reação do mercado", afirma.
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Folha
de S.Paulo, 6 de Novembro de 2008
TRABALHO
Decreto muda Sistema S para ampliar
curso profissionalizante
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva assinou ontem decretos que alteram os regimentos das entidades
que compõem o Sistema S, com o objetivo de aumentar o número
de vagas gratuitas para cursos profissionalizantes.
Os cursos gratuitos de capacitação e de formação
inicial serão implantados de forma crescente nas entidades -Senai e
Sesi (de aprendizagem); Senac e Sesc (serviços sociais).
Até 2014, Senai e Senac terão de investir na gratuidade 66% de
sua receita (tributos pagos pelas empresas). Para a indústria (Senai),
o ponto de partida é de 50% dos recursos, a partir do ano que vem. No
comércio (Senac), de 20%. O Sistema S tem uma receita anual de cerca
de R$ 7 bilhões.
Governo e representantes da indústria e do comércio chegaram
a um acordo, após atritos no início do ano, quando o governo
sugeriu criar um fundo para disciplinar parte desse recurso. Empresários
falaram em tentativa de "estatização".
Ontem, em fala no Palácio do Planalto na solenidade de assinatura dos
quatro decretos, o presidente da CNI (Confederação Nacional da
Indústria), deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE), disse que o entendimento
representa "o triunfo do diálogo" e ocorre após "um
debate franco".
Para o presidente da CNC (Confederação Nacional do Comércio),
Antônio de Oliveira Santos, a iniciativa da gratuidade está "resgatando
os princípios de criação do sistema".
O presidente Lula não discursou no evento. Em nome do governo, falaram
os ministro Carlos Lupi (Trabalho) e Fernando Haddad (Educação). "Foram
esgotadas todas as etapas [de negociação] até que o consenso
fosse estabelecido", disse Haddad. Segundo ele, nenhuma das partes teve
de ceder. "É a melhor notícia que poderíamos dar
para a juventude", completou.
Para Lupi, esses cursos de qualificação devem ser focados nos
6 milhões de pessoas que atualmente recebem o seguro-desemprego. "Esse
foco é importante para que eles possam conseguir outro emprego o mais
rápido possível", afirmou.
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BEM PARANÁ, 06 de novembro de 2008 |
Política
Legislativo
“Transparência” e
regimento devem ficar para 2009
Projeto para divulgação de
gastos e lista de funcionários da Assembléia não
deve sair até dezembro
Ivan Santos
Jonas Oliveira
O deputado estadual Tadeu Veneri (PT): petista quer discutir pendências
e modernizaçãoA votação de algumas das questões
mais polêmicas da Assembléia Legislativa devem ser adiadas mais
uma vez, e serem “empurradas” para 2009. A lista inclui a reforma
do regimento interno na Casa – emperrada há mais de um ano – e
a implementação de medidas de transparência, como a divulgação
das prestações de contas das verbas de gabinete dos parlamentares
e da lista de funcionários do Legislativo.
A alegação do presidente da Assembléia, deputado Nelson
Justus (DEM), é que dificilmente haverá tempo para chegar a um
consenso entre os parlamentares e concluir a elaboração e discussão
desses projetos para colocá-los em votação até o
final de dezembro, quando a Casa entra em recesso de final de ano. Segundo
ele, a prioridade será para a votação do Orçamento
do Estado para o ano que vem, e da proposta de reforma tributária apresentada
pelo governo Requião.
Em relação à reforma do regimento, prometida e discutida
internamente há mais de um ano, Justus alega que um dos principais responsáveis
pela proposta, o ex-deputado estadual José Maria Ferreira (PMDB), foi
eleito prefeito de Ibiporã, e portanto não pode concluir o projeto.
Além disso, o presidente alega que ainda existem muitas dúvidas
sobre a proposta final do regimento – que estabelece as normas para todos
os procedimentos da Casa, como votações, andamento das sessões,
e preenchimento dos cargos de direção, entre outros. “Queremos
discutir melhor para não ter muitas emendas quando formos votar”,
afirma.
A mesma alegação é dada pelo deputado em relação
as medidas de transparência para gastos e contratações.
Durante o ano, a Assembléia foi alvo de uma série de denúncias
de contratações de funcionários “fantasmas” e
de desvios dos salários dos mesmos, inclusive com investigações
por parte da Polícia Federal e do Ministério Público.
Além disso, o governador Roberto Requião (PMDB) chegou a enviar
uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) prevendo que todos os poderes – inclusive
o Legislativo – fossem obrigados a publicar mensalmente na internet informações
detalhadas sobre a prestação de contas de verbas de gabinete
e lista de funcionários. Classificada por Justus como “brincadeira
de mau gosto”, a PEC foi engavetada. Como forma de dar uma resposta à opinião
pública, o deputado prometeu então apresentar uma proposta da
própria Mesa Executiva nesse sentido, mas agora já admite que
dificilmente ela será colocada em pauta este ano. “Não
sabemos se vai dar para votar”, afirmou ontem.
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Folha de S.Paulo, 6 de Novembro
de 2008
RUMO A 2010
Aécio Neves fala a tucanos
sobre atrair aliados de Lula
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em um discurso voltado exclusivamente
para as eleições presidenciais de 2010, o governador de
Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), falou ontem aos deputados da
bancada do PSDB no Congresso sobre a necessidade de atrair partidos hoje
aliados do presidente Lula para a chapa presidencial tucana.
Cortejado pelo PMDB, o governador minimizou as chances de deixar a sua atual
legenda para concorrer ao cargo de presidente em outra sigla. Disse que "é um
quadro do PSDB" e que, apesar de ter uma relação boa com
o PMDB, "agora é hora de construir um projeto para um novo governo".
Aécio criticou a teoria de que Lula consegue eleger qualquer pessoa
e disse que o presidente, que era visto como um "Midas", não
tem a capacidade de "ungir" seu sucessor em 2010 e nem de levar os
atuais aliados para um candidato do PT.
Segundo o governador, o PSDB tem grandes chances de chegar à presidência
em 2010 levantando questões como a ética, que "foram colocadas
debaixo do tapete", e aglutinando forças que não estarão
ao lado do PT.
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Folha
de S.Paulo, 6 de Novembro de 2008
Liminar do TSE revoga cassação
de Ivo Cassol
Um dia após ser cassado, governador
obtém liminar garantindo o mandato | Juíz eleitoral se baseou
em precedente que permite suspender decisões de cassação
quando se tratar de chefes do Executivo.
MATHEUS PICHONELLI
DA AGÊNCIA FOLHA
DA FOLHA ONLINE
O ministro Arnaldo Versiani,
do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), concedeu liminar na noite desta
quarta-feira que suspende a decisão do TRE-RO (Tribunal Regional
Eleitoral) de Rondônia que ontem cassou o mandato do governador
Ivo Cassol (sem partido).
Versiani acatou o recurso apresentado pela defesa do governador. O ministro
se baseou em entendimento da Corte que permite suspender decisões de
cassação de mandatos quando se tratar de chefes do Poder Executivo.
Cassol cancelou os compromissos que tinha em Brasília e se reuniu, ontem à tarde,
com seus advogados para traçar a estratégia de sua defesa para
tentar se manter no cargo.
Os objetivos da defesa foram conquistados apenas um dia após o TRE-RO
anunciar a cassação. Com a decisão, Cassol continuará no
cargo até que o TRE-RO publique o acórdão da decisão,
pois existe a possibilidade de o governador entrar com recurso no próprio
tribunal regional.
O TRE-RO cassou o mandato de Cassol e do senador Expedito Júnior (PR-RO)
por abuso de poder e compra de votos durante as eleições de 2006.
De acordo com a acusação, o governador e o senador integrariam
um esquema de contratação de funcionários de uma empresa, às
vésperas do primeiro turno das eleições de 2006, para
trabalhar como "formiguinhas" -nome dado a cabos eleitorais-, o que
caracterizaria a compra de votos.
Na sessão de ontem à noite, o Tribunal também cancelou
a eleição em que Cassol foi reeleito e marcou para 14 de dezembro
uma nova eleição para o governo do Estado.
Em nota divulgada ontem, Cassol disse que é inocente e que jamais utilizou
de "subterfúgios ilegais" em eleições.
" Sou inocente! Em toda minha vida pública jamais utilizei de subterfúgios
ilegais para vencer qualquer eleição, tanto para prefeito quanto
para governador", afirmou Cassol na nota.
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Congresso em Foco, 6 de Novembro
de 2008
Obama não mudará relação
com Brasil, dizem especialistas
Apesar de histórica e simbólica,
a eleição do candidato democrata Barack Obama nos Estados
Unidos não mudará a relação econômica
entre a maior potência mundial e o Brasil, maior país da
América do Sul e detentor do 11º Produto Interno Bruto (PIB)
do mundo. Essa é a opinião de especialistas em política
externa ouvidos pelo Congresso em Foco. Segundo eles, Obama deve se concentrar
primeiro em acabar com os efeitos da crise financeira nos EUA.
Somente depois o presidente eleito
vai trabalhar o relacionamento com parceiros econômicos mais consolidados,
como a União Européia e a China. O Brasil, assim como a
América Latina, entraria na agenda de Obama apenas após
essas duas negociações. "A tendência para os
próximos dois anos é ele atuar na política interna
e aumentar a presença do Estado para acabar com a crise",
afirmou o consultor Sidney Ferreira Leite, da Trevisan Consultoria e
Escola de Negócios.
“Se nós tomarmos
a perspectiva histórica, a relação entre Brasil
e Estados Unidos sempre oscilou para melhor e para pior, independente
do partido que estava no governo”, lembrou o cientista político
João Paulo Peixoto, da Universidade de Brasília (UnB).
Para o especialista da UnB, que ainda está nos Estados Unidos,
onde acompanha as eleições, a relação entre
os dois países se move muito mais por questões pontuais
do que estruturais. “A nossa relação independe do
partido que estava no governo”, opinou.
Já o professor do Departamento
de Política da Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo (PUC-SP), Paulo Edgar Rezende, aponta que o Brasil,
inicialmente, não enfrenta, por exemplo, uma crise que deva ser
colocada imediatamente na agenda dos EUA.
Relações econômicas
Mas eles não são
unânimes em afirmar qual seria o presidente com melhor relacionamento
comercial com o Brasil. Para o consultor da Trevisan, Sidney Ferreira
Leite, Obama será melhor para o Brasil do que seria o seu rival
republicano. "Se você me perguntasse isso em janeiro, eu diria
que era o McCain. Hoje, com essa crise, eu acredito que Obama é a
melhor opção”, diz o consultor da Trevisan.
Isso porque, na opinião
do consultor, é preciso considerar o histórico republicano
no governo dos EUA. Redução de impostos das grandes empresas
e dos mais ricos, pouca presença na economia e nos serviços
públicos são marcas do Partido Republicano. “Acho
que Obama é quem reúne as qualidades para tirar os Estados
Unidos da crise. E isso vai ser bom para o Brasil e para o sistema econômico
internacional”, explica Leite.
O professor da UnB João
Paulo Peixoto não concorda. Para ele, ainda é difícil
fazer um prognóstico sobre os planos do próximo governo
americano. “Obama não tem experiência executiva nenhuma.
Mas isso vai depender muito dos assuntos que forem colocados na agenda
de Obama como novo presidente”, comentou.
Mas ele lembra que, ao longo
de toda a campanha eleitoral, somente o republicano John McCain mencionou
o Brasil durante as discussões. “McCain tinha o assunto
energia muito forte na sua agenda. Tanto que ele disse que pretende incluir
no relacionamento entre os países a questão no etanol feito
da cana-de-açúcar”, relembrou.
A opinião é compartilhada
pelo professor da PUC-SP. Paulo Edgar Rezende cita as ações
brasileiras na Organização Mundial do Comércio (OMC)
contra o protecionismo agrícola dos norte-americanos e lembra
que os democratas sempre se mostraram mais sensíveis às
reivindicações de organizações sindicais,
defendendo a manutenção de barreiras comerciais que contrariavam
os interesses do Brasil. “Obama é mais reticente ao livre
comércio”, afirma.
Em entrevista ao site do jornal
O Estado de S. Paulo, o ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto
Mangabeira Unger, que foi professor de Obama na Universidade de Harvad,
disse que o democrata pode aproximar os dois países e ser o “o
interlocutor de uma solução” no impasse comercial
entre EUA e Brasil a respeito do etanol.
Mas, durante a campanha, Obama
defendeu tarifas elevadas para a importação do etanol produzido
a partir da cana-de-açúcar. "No futuro, ele representará os
interesses de todo os EUA, que têm interesse, em longo prazo, na
organização do mercado mundial de agrocombustíveis
e no desenvolvimento das bases científicas dos instrumentos tecnológicos",
disse o ministro.
Mudanças
Segundo o consultor Sidney Ferreira
Leite, apesar de o Brasil não ser prioridade da política
externa americana, a tendência é o país conquistar
mais espaço economicamente durante a gestão do democrata.
Ao contrário da União Européia e da China, que importam
basicamente commodities brasileiras, os EUA consomem produtos nacionais
com maior valor agregado.
“Tem um potencial de crescimento
econômico muito grande. O último texto da [secretária
de Estado] Condoleezza Rice coloca o Brasil ao lado da China, da Índia
e da África do Sul como estados líderes”, afirmou
o consultor da Trevisan.
Já o professor Paulo
Edgar Rezende lembra que o Brasil tem uma crescente presença
no cenário internacional e que a posição do país
hoje é mais confortável do que a de outros da América
Latina. O México, compara o especialista, tem quase 90% das
suas exportações destinada aos EUA. “O Brasil equilibra
com União Européia, Ásia, China, países árabes
e africanos”, disse. (Mário Coelho)
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Vermelho, 6 de Novembro de
2008
Sindicatos ajudaram a virar estados
anti-Obama
O movimento sindical americano, unido
em torno da campanha de Barack Obama e a favor de uma política
econômica dirigida à criação de milhares de
empregos, fez história com a eleição do candidato
democrata à presidência dos Estados Unidos.
Por John Wojcik, para o People's Weekly
World
Nos últimos dias da contagem
regressiva para as eleições, uma mobilização
sem precedentes de trabalhadores em prol do candidato Barack Obama ajudou
a forçar o candidato republicano John McCain a defender estados
como Virginia, Ohio, Florida e Carolina do Norte — que historicamente
são republicanos até a medula, mas que agora fizeram uma
mudança histórica.
Os líderes sindicalistas
estão orgulhosos de terem desempenhado o papel principal na formação
da opinião pública em relação ao modo como
Obama vê a economia — que o julgou mais qualificado que McCain
para tratar a crise financeira que atropela o país.
Quando Obama fez um comício
para mais de 100 mil pessoas na semana passada em Denver, ele levantou
um tema que foi usado no trabalho dos sindicalistas para elegê-lo.
''Nós sabemos como é a filosofia Bush-McCain'', declarou
Obama. É uma filosofia que diz que devemos dar mais aos milionários
e aos bilionários e eu espero que consigamos derrubá-la''.
A Virginia, um estado considerado
''vermelho'' [republicano] há muito tempo, exemplifica como o
movimento trabalhista ajudou a fazer debandar os assustados republicanos.
Centenas de trabalhadores saudaram
a candidata à vice-presidência pelo partido republicano,
Sarah Palin, em sua recente visita a Richmond. Levando cartazes nos quais
podia-se ler slogans como ''Obama é melhor'', ''Mulheres inteligentes
apóiam Obama-Biden'' e ''É a economia, Sarah. Não
mude de assunto'', eles arrancaram saudações e buzinadas
de apoio de motoristas que formavam uma fila de milhares de carros que
passavam pelo local.
Essa ação ocorreu
dias depois de Nancy Pfotenhauer, uma das assessoras de McCain’s,
tentar convencer um comentarista da NBC que só estava acontecendo
uma inclinada pró-Obama na Virgínia por culpa dos habitantes
do norte do estado, que, segundo ela, não são originários
de lá, mas são ''democratas de Washington que se mudaram
para o norte do estado''.
De acordo com a assessora, Richmond
pertenceria à Virgínia ''real''. Mesmo assim, a atividade
pró-Obama feita pelos sindicatos foi intensa ali e também
em todo o Estado.
O secretário de finanças
da AFL-CIO, Richard Trumka, mencionou a Virgínia em uma conversa
recente na Universidade de Illinois, em Chicago.
Sua descrição
do esforço dos trabalhadores foi contrastada duramente com a abordagem
de dividir-e-conquistar da campanha de McCain: O esforço na Virgina
foi construído da base por filiados que trabalharam unidos em
todo o estado. É um movimento de homens e mulheres, jovens e adultos,
operários e intelectuais de todas as raças e credos reunidos,
trabalhando, lutando e vencendo juntos''. Mesmo Trumka fez história
este ano liderando a campanha para combater os efeitos do racismo nesta
eleição.
A nível nacional, o movimento
sindical lançou uma campanha intensa para registrar eleitores
de última hora nos momentos finais da campanha.
A AFL-CIO teve 250 mil voluntários
e 4 mil trabalhadores pagos, que trabalharam em 20 estados decisivos
na corrida presidencial, na corrida para o senado e para a câmara
de representantes. em alguns estados, como Minnesota, Oregon e New Hampshire,
os sindicatos se envolveram em campanhas para o senado e para a presidência.
Em New Hampshire eles também trabalharam pró-Obama.
Os outros campos de batalha
dos sindicalistas foram Ohio, Wisconsin, Indiana, Pensilvânia e
Michigan. A Virginia e a Carolina do Norte, dois dos estados com menor
número de trabalhadores sindicalizados no país também
constaram da lista.
Os esforços dos sindicalistas
na Virginia e na Carolina do Norte foram liderados pelo sindicato dos
trabalhadores das comunicações, o Communications Workers
e pelo sindicato dos metalúrgicos do estado, que estão
entre os maiores da Virginia
A AFL-CIO estima que o total
de gastos na campanha por seus membros chegou a US$ 250 milhões.
O valor não inclui o
gasto pela coalizão Change to Win, a outra federação
sindical dos EUA. Um dos sindicatos filiados à coalizão,
o The Service Employees, sozinho gastou mais de US$ 100 milhões.
Nos últimos sete dias
da campanha, 25 mil voluntários da Califórnia, Ilinois
e Nova York, que não eram estados considerados indecisos, foram
mobilizados para contatar eleitores e arregimentar votos. Os níveis
de participação de voluntários e trabalhadores dos
sindicatos foram sem precedentes na história.
Josh LeClair, um voluntário
de Orlando, Florida, disse ao People's Weekly World que encontrou morando
em um trailer um trabalhador aposentado da indústria automobilística
que também é um veterano da Segunda Guerra Mundial. Ao
saudar o voluntário, o veterano disse que não votaria ''naquele
muçulmano''. LeClair gastou uma hora com o veterano desfazendo
os boatos e discutindo o que McCain tinha feito em relação
a questões sobre aposentadoria e benefícios sociais para
veteranos.
LeClair retornou no dia seguinte
com artigos sobre as questões levantadas e passou a tarde conversando
com o veterano sobre seu avô, que também havia lutado na
Segunda Guerra Mundial. Ao deixar o trailer, LeClair havia conquistado
mais um eleitor para Obama.
Nos últimos dias de campanha
foram contabilizadas cerca de 70 milhões de chamadas telefônicas,
10 milhões de visitas de casa em casa, 57 milhões de cartas
enviadas e 27 milhões de panfletos distribuídos em portas
de fábrica.
A campanha também incluiu
o que a AFL-CIO chamou de ''abordagem microcentrada'', que objetivou
os eleitores considerados mais difíceis de abordar, como os veteranos,
aposentados e proprietários de armas. Muitos desses eleitores
foram contatados mais de 20 vezes e os sindicalistas pretendiam contatar
todos eles nos últimos dias de campanha.
Um programa intitulado ''Final
Four Day Blitz'' foi realizado para alcançar todos os membros
dos sindicatos que se declararam eleitores de Obama, para garantir que
compareceriam às urnas.
Programas de proteção
de eleitores foram realizados em Ohio, Michigan, Pensilvânia, Missouri,
Virginia, Wisconsin, Novo Mexico, Colorado e Nevada. Em Ohio e Michigan
esses programas dedicaram atenção especial às pessoas
atingidas pela propaganda do governo Bush, de que seriam pessoas inabilitadas
para votar por vários motivos.
People's Weekly World
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Agência Senado, 6 de Novembro de 2008
CAS aprova proposta de recomposição
salarial de aposentadorias e pensões
A Comissão de Assuntos
Sociais (CAS) aprovou, nesta quarta-feira (5), substitutivo a projeto
de lei do senador Paulo Paim (PT-RS) que recompõe o poder aquisitivo
das aposentadorias e pensões pagas pela Previdência Social
aos seus segurados. A proposta mantém uma paridade constante entre
o valor das aposentadorias e o número de salários mínimos
que representavam os benefícios na data de sua concessão,
sem vinculá-los diretamente.
Pelo projeto (PLS 58/03), a regra
abrangia, também, os inativos e pensionistas da União,
mas essa parte foi retirada durante sua tramitação na Comissão
de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), por
inconstitucionalidade. Isso porque dispositivo da Carta prevê que é da
competência exclusiva do presidente da República legislar
sobre aumento de remuneração e aposentadoria de servidores
públicos.
A decisão dos senadores
foi aplaudida com entusiasmo por dezenas de aposentados e pensionistas
que lotavam o plenário da comissão. Eles entregaram um
manifesto com um milhão de assinaturas coletadas pela Confederação
Nacional dos Aposentados (Conap), pedindo a aprovação da
proposta.
Ao anunciar a aprovação
do projeto, que tramita no Congresso desde 2003, a presidente da CAS,
senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), marcou para a próxima
quarta-feira (12) a votação, em turno suplementar, do substitutivo.
O texto, relatado pelo senador Expedito Júnior (PR-RO), receberá decisão
terminativa na CAS.
Durante sua tramitação
na CCJ, onde o projeto foi aprovado na forma de substitutivo, o relator
da matéria, o então senador pela Bahia Rodolpho Tourinho,
criou um parâmetro de atualização dos benefícios
que denominou "índice de correção previdenciária".
O mecanismo, sem atrelar diretamente as aposentadorias e pensões
ao salário mínimo (o que é inconstitucional), não
permite que haja desvalorização dos benefícios porque
mantém seu poder aquisitivo ao longo dos anos.
Na CAS, Expedito Júnior
apresentou parecer favorável ao projeto, na forma do substitutivo
aprovado na CCJ. Ele explicou que a proposta também permite que,
no prazo de cinco anos, haja uma recuperação gradativa
das aposentadorias pagas atualmente, que perderam seu poder de compra
ao longo dos últimos anos.
Batalha
A vice-presidente da CAS, senadora
Rosalba Ciarlini (DEM-RN), pediu a todos os aposentados que continuem
a luta, porque uma batalha foi vencida, mas a guerra pela aprovação
final dependerá ainda de outras instâncias, como as votações
no Plenário do Senado e nas comissões e no Plenário
da Câmara dos Deputados. Além disso, a proposta deverá ser
submetida à sanção presidencial, como lembrou a
parlamentar.
O senador Romeu Tuma (PTB-SP)
prometeu fazer um apelo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva
para que ele não vete o projeto. Tuma disse que a proposição,
ao manter o poder aquisitivo das aposentadorias, vai impedir o arrocho
sofrido pelos aposentados nos dias de hoje.
Durante o debate da proposta,
o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) manifestou preocupação
por ter sido informado de que "a ordem do Planalto é engavetar
os projetos de Paulo Paim", tanto o que acaba com o fator previdenciário,
que já está em tramitação na Câmara,
quanto o que foi aprovado pela CAS nesta quarta-feira, que mantém
o poder aquisitivo das aposentadorias. Segundo foi informado, somente
esse último resultará numa despesa extra de R$ 6,5 bilhões
anuais, no Orçamento da União.
- Neste momento não podemos
esquecer o senador Rodolpho Tourinho, porque foi ele que retirou as inconstitucionalidades
que havia na proposta e possibilitou sua aprovação através
da criação de um fator especial de correção
que não permite o arrocho, porque mantém o poder aquisitivo
dos benefícios - lembrou.
Ao falar no final da reunião,
Paim manifestou sua satisfação pela aprovação
do projeto e fez questão de lembrar que a proposta está em
discussão desde 2003, sempre com muita paciência e muita
negociação. Disse, no entanto, que acredita na aprovação
da proposta ainda em 2008, que considera um ano especial por marcar os
60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e
os 20 anos da Constituição brasileira.
- Esse ano será,
também, o Ano dos Aposentados no Brasil. Acabar com o fator
previdenciário é ponto de honra para todos aqueles que
têm sensibilidade social. E garantir o valor aquisitivo das pensões
e aposentadorias, ao longo dos anos, representa uma segunda conquista
histórica. Se for preciso, os parlamentares farão uma
vigília no dia de Natal, nas duas Casas do Congresso, para conseguirmos
a aprovação desses dois projetos - prometeu Paim.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
06/11/2008
Justiça gratuita não isenta
empregador de depósito recursal
O benefício da justiça
gratuita, embora relacionado, como regra geral, à figura do empregado,
pode ser aplicado também ao empregador pessoa física, mas
não atinge o depósito recursal, cujo credor não é o
Estado, e sim o empregado. Com este fundamento, a Sexta Turma do Tribunal
Superior do Trabalho rejeitou agravo de instrumento contra decisão
do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região que considerou
deserto recurso de um empregador doméstico pela ausência
de comprovação das custas processuais e do depósito
recursal.
Ao recorrer, o empregador deixou
de recolher os valores e pediu os benefícios da justiça
gratuita alegando ser pobre. O TRT/SP rejeitou os pedidos por considerar
que a isenção de custas só deveria beneficiar o
trabalhador, desde que atendidos os requisitos legais. “No caso,
o empregador não produziu nenhuma prova do alegado de pobreza”,
afirmou o Regional, que negou seguimento também ao recurso de
revista, objeto do agravo julgado pela Sexta Turma.
O relator do agravo, ministro
Maurício Godinho Delgado, lembrou que, para a extensão
da justiça gratuita ao empregador tem caráter excepcional
e exige a comprovação de que o pagamento de custas comprometeria
o sustento próprio e da família, pois, “tratando-se
de alguém que teve capacidade econômica para contratar pessoa
a seu serviço, desaparece a presunção legal de pobreza”.
O ministro destacou ainda que, no processo do trabalho, além do
pagamento das custas, exige-se o recolhimento do depósito recursal. “Essa
imposição visa a garantir a satisfação do
julgado, pois o levantamento do depósito em favor do vencedor
será ordenado de imediato pelo juiz, assim que transitada em julgado
a decisão”, explicou.
Desse modo, ainda que se concedesse
a justiça gratuita ao empregador, o benefício somente alcançaria
as custas processuais, emolumentos e honorários periciais, não
o isentando do recolhimento do depósito recursal. “É que
a justiça gratuita atinge despesas processuais passíveis
de serem arcadas pelo Estado, ao passo que o depósito gradativo
da condenação é vantagem própria do credor
privado favorecido pela condenação judicial, no caso, o
empregado, ainda que submetida tal vantagem a condição
resolutiva (eventual reversão da condenação), concluiu
o relator. ( AIRR 4007/2002-902-02-40.0)
(Carmem Feijó)
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06/11/2008
Quinta Turma rejeita recurso assinado por
advogada quando ainda era estagiária
Não tem validade o ato
processual assinado por estagiário de Direito, mesmo com procuração
nos autos. Com esse entendimento, a Quinta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho, em voto do ministro Emmanoel Pereira, negou provimento a
recurso de uma ex-empregada da Companhia Paulista de Força e Luz
(CPFL).
A autora teve rejeitado, pelo
Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (SP/Campinas),
recurso ordinário em que contestava sentença de primeiro
grau na ação trabalhista que moveu contra seu ex-empregador.
O TRT entendeu ser inválida a representação processual
assinada por advogada que, à época da procuração
juntada aos autos, ainda era estagiária.
Inconformada com essa decisão,
ela apelou ao TST, mediante recurso de revista. Alegou, entre outros
fundamentos, que “as formas processuais não são um
fim em si mesmas, e sim meros meios de atribuir legalidade extrínseca
aos atos do procedimento”. E indicou ofensa a dispositivos constitucionais
e do Código de Processo Civil, além de contrariedade à Orientação
Jurisprudencial nº 319 da SDI-1 do TST.
Na primeira sessão de
julgamento da matéria, a relatora, ministra Kátia Magalhães
Arruda, apresentou voto favorável à autora do recurso,
propondo afastar a irregularidade de representação. No
entanto, o ministro Emmanoel Pereira manifestou-se contrário a
esse posicionamento e acabou obtendo, por maioria, a aprovação
de seu voto divergente. Emmanoel Pereira fundamentou seu entendimento
na Lei nº 6.494/1977, cujos parâmetros são observados
pelo Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que assegura ao
estagiário o exercício de atividades privativas da advocacia,
entre as quais as postulações perante qualquer órgão
do Poder Judiciário, desde que exercidos em conjunto com o advogado,
sob sua responsabilidade exclusiva.
O ministro reforçou sua
tese mencionando a proibição expressa no artigo 34, inciso
XXIV, do Estatuto da OAB. “Tanto lhe é vedado o exercício
de atos privativos, quando desacompanhado, que o próprio estatuto,
visando a assegurar a eficácia dessa proibição,
configurou a extrapolação dos limites impostos na habilitação
como infração disciplinar”, assinalou. Diante desses
parâmetros, refutou os argumentos sobre a suposta afronta a dispositivos
da Constituição e do CPC, ressaltando que a advogada, na
condição de estagiária, “não somente
estava impedida de interpor recurso ordinário, como extrapolou
os limites das atividades autorizadas àqueles submetidos ao estágio”.
O ministro também afastou
a alegada contrariedade à OJ nº 319, da SDI-1, ressaltando
que essa orientação considera válidos os atos praticados
por estagiários apenas nos casos em que, entre o substabelecimento
e a interposição do recurso, sobrevenha a habilitação
para atuar como advogado. “No presente caso, a situação é diversa:
quando da subscrição do recurso ordinário, a estagiária
ainda não havia sido alçada à condição
de advogada, o que somente veio a ocorrer quase dois meses após
a prática do ato”, acentuou. ( RR 593/2002-092-15-00.0)
(Ribamar Teixeira)
Obs.: A presente matéria
substitui a anterior sobre o mesmo tema, publicada em 03/10, que, por
equívoco, considerou o voto vencido da ministra Kátia
Arruda.
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06/11/2008
Baneb indenizará bancários
por suprimir bonificação de férias
A Oitava Turma do Tribunal Superior
do Trabalho rejeitou recurso de revista do Baneb – Banco do Estado
da Bahia S/A - que suprimiu a bonificação de férias
concedida aos empregados, quando da sua incorporação pelo
Grupo Bradesco. A reclamação foi movida pelo Sindicato
dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Vitória
da Conquista e Região e visou à declaração
de nulidade do ato praticado por aquela instituição bancária.
A bonificação foi
ajustada em convenção coletiva de trabalho pelo sindicato
em favor dos empregados do Baneb e ex-empregados do Banco do Nordeste
S/A, e consistia de abono correspondente a uma remuneração
mensal, pagos na ocasião das férias. Além da remuneração
devida no mês de gozo das férias, o empregado recebia outro
salário/remuneração de igual valor, e o benefício
era aplicado mesmo na hipótese de o empregado vender dez dias
de suas férias, convertendo-os em pecúnia.
Segundo o sindicato, esse procedimento
vinha sendo cumprido ao longo dos anos, mas, após sua aquisição
pelo Grupo Bradesco, 1999, o Baneb deixou de pagar a bonificação
sobre os dez dias que os empregados “vendiam” de suas férias,
resultando em prejuízo para eles. Para o sindicato, a vantagem
já estava incorporada ao patrimônio econômico/jurídico
do empregado e não podia mais ser afastada. Assim, requereu o
restabelecimento da norma vigente e a condenação do banco
a restabelecê-la àqueles que optassem pela transformação
em pecúnia dos dez dias de férias. Alternativamente, pediu
indenização no valor de cinco remunerações
mensais (a última recebida), a título de perdas e danos.
A Vara do Trabalho de Itapetinga
(BA) declarou nula a alteração contratual e determinou
o seu pagamento – em valores corrigidos - a partir de julho de
1999. Em sua defesa, o Baneb alegou que, antes de ser incorporado ao
Bradesco, interpretava-se erroneamente a norma instituidora da vantagem,
por inexistir previsão legal ou regulamentar de pagamento da bonificação
sobre o abono pecuniário (art.143 da CLT). Sustentou que a bonificação
fora concedida unilateralmente na época em que o Poder Público
podia modificar vantagens e que, após a privatização,
regidos pelas normas trabalhistas da iniciativa privada, adotou-se o
valor correto.
O Tribunal Regional do Trabalho
da 5ª Região (BA) manteve a sentença de primeiro grau
ante o argumento fulminante da juíza relatora. “É verdade
que a prática criou um desnível remuneratório entre
o empregado que gozava trinta e o que gozava vinte dias de férias
(este tinha a bonificação acrescida de dez dias). O nivelamento,
todavia, se desejado pelos interessados, há de ser realizado pela
forma mais vantajosa, nunca pelo rebaixamento, como quer a demandada”,
afirma o acórdão regional.
No recurso do Baneb ao TST, a
ministra Maria Cristina Peduzzi, relatora na Turma, verificou que o TRT
aplicou corretamente a jurisprudência do TST (Súmula nº 51),
segundo a qual as cláusulas regulamentares que revoguem ou alterem
vantagens só atingem os trabalhadores admitidos após a
revogação ou alteração do regulamento. “O
Tribunal Regional bem aplicou o direito à espécie, de modo
que o recurso de revista não comporta conhecimento pelas violações
apontadas, nem por divergência jurisprudencial”, concluiu.
(RR-601/2002-621-05-00.5 5RR-601/2002-621-05-00.5)
(Lourdes Côrtes)
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