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FOLHA DE SÃO PAULO,
07 de novembro de 2008 | Dinheiro
Governo prevê atingir saldo de
40 milhões de vagas formais
LARISSA GUIMARÃES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo prevê atingir
em 2008 a marca de 40 milhões de postos de trabalho com carteira
assinada. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou a estimativa
ontem, na divulgação da Rais (Relação Anual
de Informações Sociais), censo do mercado de trabalho
formal.
Pelos dados do ministério, até setembro deste ano o país
já contava com 39,6 milhões de empregos formais.
Contaram-se o número de registros até dezembro de 2007, cerca
de 37,6 milhões, segundo a Rais, mais os empregos com carteira assinada
gerados de janeiro a setembro -2,08 milhões de vagas, segundo o Caged
(Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
O ministro afirmou que o número de postos de trabalho continuará a
crescer, apesar da crise financeira internacional. "O impacto da crise
no Brasil será bem menor do que em outros países que têm
foco na exportação de produtos mais sofisticados", disse
Lupi
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O ESTADO DO PARANÁ,
07 de novembro de 2008 | Economia
Salário mínimo ideal
seria de R$ 2.014,73
Agência Estado
Levantamento divulgado nesta quinta-feira (6) pelo Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontou que
o salário mínimo do trabalhador brasileiro deveria ser de R$
2.014,73 em outubro, para suprir suas necessidades básicas e da família.
A constatação foi feita por meio da utilização
da Pesquisa Nacional da Cesta Básica do mês passado, realizada
pela instituição em 17 capitais do País.
Com base no maior valor apurado
para a cesta, de R$ 239,82, em Porto Alegre, e levando em consideração
o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo
deve ser suficiente para garantir as despesas familiares com alimentação,
moradia, saúde, transportes, educação, vestuário,
higiene, lazer e previdência, o Dieese calculou que o mínimo
deveria ser 4,85 vezes superior ao piso vigente, de R$ 415.
Em setembro, o valor do salário
mínimo necessário era menor, de R$ 1.971,55, e correspondia
a 4,75 vezes o mínimo em vigor. Em outubro de 2007, o salário
mínimo necessário foi estimado em R$ 1.797,56 e correspondia
a 4,73 vezes o mínimo oficial da época, de R$ 380.
De acordo com o Dieese,
com a predominância de alta nos preços dos produtos básicos
nas localidades pesquisadas e a inclusão de mais uma capital
na pesquisa (Manaus) com custo acima da média, o tempo de trabalho
necessário para a aquisição da cesta básica
na média das 17 localidades correspondeu, em outubro, a 109
horas e 34 minutos. Em setembro, para as 16 cidades consideradas, a
jornada necessária ficava em 106 horas e 21 minutos. Em outubro
de 2007, também considerando 16 capitais, o tempo de trabalho
necessário era bem inferior, correspondendo a 99 horas e 19
minutos.
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FOLHA DE LONDRINA, 07 de
novembro de 2008 | Economia
Emprego cresce para quem tem estudo
As oportunidades são cada vez menores
para as pessoas de baixa escolaridade; entre os analfabetos vagas
caíram 1,13% em 2007
Lisandra Paraguassú
Brasília - Os empregos
no Brasil são cada vez em menor número para pessoas com
baixa escolaridade, de acordo com os dados de 2007 da Relação
Anual de Informações Sociais (Rais), divulgados ontem pelo
Ministério do Trabalho. Os dados mostram que as vagas crescem
no mercado de trabalho do País para quem tem ensino médio
ou superior completo.
No ano passado, o emprego, que
cresceu 7% em geral no País, caiu para quem é analfabeto
ou tem apenas até a 4ªsérie do ensino fundamental.
Entre os analfabetos, o número de empregos, que já é baixo,
caiu 1,13%. Entre os brasileiros que têm a 4ªsérie
primária, caiu quase 2%, registrando-se 42,8 mil vagas a menos.
Pessoas que não completaram
os oito anos do ensino fundamental também têm mais dificuldades:
apesar de ter havido crescimento, este foi de apenas 1,23%. ‘‘As
empresas vêm exigindo cada vez mais uma escolaridade mais alta’’,
disse o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
Na faixa de cima da escolaridade,
os que têm ensino médio ganharam 11,6% mais vagas - a maior
faixa de crescimento, mais de 60% acima da média nacional. Para
empregos que exigem curso superior houve a segunda maior alta - 10,75%.
Já o curso superior incompleto ajuda menos do que o ensino médio.
A explicação pode estar no fato de a pessoa ser mais qualificada
para uma vaga de escolaridade mais baixa, mas ainda não o suficiente
para uma que exige ensino superior.
No total, foram criados no País,
em 2007, 2,452 milhões de novos postos de trabalho formais. Desses,
378 mil foram empregos públicos, e o restante, contratos celetistas.
O setor que apresentou maior crescimento foi o da construção
civil, com 16,11% de expansão.
Mas houve crescimento
em todos os outros setores, e o de serviços ainda concentra
a maior parte dos empregos. Em números absolutos, a área
de serviços criou mais 706 mil vagas no ano passado. O maior
crescimento de emprego formal foi na Região Norte, com 9,1%
de aumento, na comparação com 2006.
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FOLHA
DE SÃO PAULO, 07 de novembro de 2008 | Dinheiro
Governo eleva crédito e socorro
a empresas
Ampliação de prazo para o pagamento
de tributos deixará R$ 21 bilhões no caixa das empresas
por mais dez dias | Bancos oficiais prometem mais crédito ao setor
produtivo, com R$ 10 bi do BNDES e R$ 9 bi do BB; empresários
queriam mais
JULIANA ROCHA
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A ampliação
do prazo de pagamento de cinco tributos federais, anunciada ontem
pelo governo, vai deixar R$ 21 bilhões no caixa das empresas
por dez dias, segundo os cálculos do ministro Guido Mantega
(Fazenda).
A mudança, antecipada pela Folha, é parte de um pacote com mais
cinco medidas apresentado em reunião do Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social, no Palácio do Planalto, com participação
do presidente Lula.
Para a platéia de empresários, sindicalistas e representantes
da sociedade civil, o governo procurou mostrar sua preocupação
em reduzir o impacto da crise financeira na economia e reforçar o discurso
otimista de que as dificuldades serão menores no Brasil.
Para isso, incluiu entre as medidas R$ 10 bilhões do BNDES para financiar
empresas, R$ 5 bilhões do Banco do Brasil para pequenas e médias
empresas e R$ 4 bilhões para garantir os financiamentos de automóveis
até o fim do ano.
De tudo o que foi anunciado, no entanto, apenas a liberação de
dinheiro para os bancos das montadoras já está em vigor.
" O desafio agora é impedir que haja uma interrupção
no crescimento da economia. Temos que manter o ritmo da atividade, porque depois é difícil
retomar", disse Mantega.
Desde a piora da crise, em meados de setembro, o governo já anunciou
redução dos depósitos compulsórios para dar liquidez
ao sistema financeiro, linhas de crédito à construção
civil e ajuda aos agricultores para a safra 2008/2009.
O alongamento do prazo dos tributos ainda precisa ser regulamentado por medida
provisória para entrar em vigor. O impacto também só ocorrerá no
primeiro mês em que a mudança de datas for colocada em prática,
o que ainda não foi divulgado pelo governo. A partir do segundo mês,
o período para quitar os impostos será igual ao do mês
anterior, sem benefício ao fluxo de caixa da empresa.
O governo deu mais dez dias para o recolhimento do IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados), o Imposto de Renda retido na fonte e a contribuição
previdenciária, tanto a patronal quanto a recolhida do empregado. O
pagamento de PIS e Cofins será esticado em cinco dias.
A decisão do governo não atende integralmente ao pedido dos empresários,
que propunham o alongamento para 60 dias, em média, do pagamento. "Não
dá para passar de um mês para outro porque, se vai de dezembro
para janeiro, você tem uma perda de arrecadação de R$ 20
bilhões. Isso não é possível. Leva todo o superávit
primário [economia para pagamento dos juros da dívida pública]",
afirmou Mantega.
Ele prometeu, ainda, agilizar a devolução de créditos
tributários das empresas. Para isso, prometeu criar "um mutirão" de
auditores ficais.
Mantega disse que o BNDES terá mais R$ 10 bilhões para aplicar
em linhas de capital de giro, pré-embarque (financiamento da produção
do bem que será exportado) e empréstimos-ponte (crédito
de curto prazo que pode se transformar em operação de longo prazo).
Segundo ele, o Tesouro Nacional poderá capitalizar o BNDES. Outra opção é o
próprio banco emitir títulos a serem vendidos a outros bancos.
O ministro admitiu, inclusive, uma nova mudança no compulsório
para que as instituições privadas comprem os títulos do
BNDES. "Isso não é uma ajuda. Tudo será feito em
condições de mercado", disse.
A segunda linha de capital de giro virá do Banco do Brasil, para pequenas
e médias empresas, no total de R$ 5 bilhões. A origem dos recursos
ainda não está definida. Mantega afirmou que serão recursos
próprios do BB, que terá também a responsabilidade de
fazer operações de redesconto (empréstimos) com os bancos
das montadoras.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
07 de novembro de 2008 | Dinheiro
Empresários e trabalhadores
esperavam mais
DA REPORTAGEM LOCAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apesar de reconhecerem o esforço
do governo em adotar medidas para suprir a escassez de crédito,
representantes da indústria e dos trabalhadores as classificaram
como paliativas e tímidas para combater os impactos da crise financeira
mundial no Brasil.
Autor da proposta de alongar o prazo de pagamento dos tributos federais, Armando
Monteiro Neto, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria),
afirma que o governo poderia ter oferecido mais alguns dias para os empresários.
Para Monteiro, a data de pagamento do PIS/Cofins poderia ser o último
dia do mês, já que para esse imposto o prazo foi estendido em
apenas cinco dias. Ele admite que não será possível postergar
o pagamento para o mês seguinte, sob pena de reduzir a receita do governo
neste fim de ano e, conseqüentemente, prejudicar o superávit primário
(economia para pagar os juros da dívida).
" O alívio ao caixa das empresas é fundamental. O governo
age de forma certa ao adotar medidas que permitam mais capital de giro e crédito.
Mas a eficiência [das medidas] dependerá da intensidade da recessão
mundial e de como chegará ao Brasil", diz Sergio Watanabe, presidente
do Sinduscon-SP.
Para o Dieese, as medidas estão corretas porque visam preservar o nível
de atividade econômica. "Mas é preciso que o sistema financeiro
volte a irrigar rapidamente a economia real com crédito. Para sustentar
o emprego e a renda, o mercado interno precisa de crédito", afirma
Clemente Ganz Lúcio, diretor-técnico do Dieese.
Wagner Gomes, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras
do Brasil), afirma que não adianta o governo disponibilizar bilhões
para as empresas se não baixar as taxas de juros. "O que o governo
anunciou até agora é uma gota em um oceano."
Para Fábio Romão, economista da LCA, ao facilitar e aumentar
os recursos para as empresas, o governo demonstra confiança no crescimento
do país e dá sinais positivos para os que frearam investimentos. "Essa
sinalização vem no sentido de evitar demissões e outras
medidas que possam ter impacto negativo no emprego."
O empresário Abílio Diniz, da rede de supermercados Pão
de Açúcar, elogiou o governo. "No auge da crise, é preciso
serenidade e acho que isso não tem faltado ao governo. Com tudo o que
está sendo feito pelo governo, eu tenho orgulho de ser brasileiro." Paulo
Godoy, presidente da Abdib (indústria de base), foi menos enfático,
mas discursou na mesma linha. "É hora de cada um fazer a sua parte.
Foi dada uma sinalização pelo ministro Guido Mantega de corte
[no Orçamento]. Mas é preciso trabalhar para combater a burocracia
e o anacronismo da legislação."
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BEM PARANÁ, 07 de
novembro de 2008 | Economia
Construção civil
Abyara anuncia medidas de contenção
no País
A incorporadora imobiliária tem dois
grandes empreendimento em Curitiba
A incorporadora imobiliária Abyara informou ontem, por meio de comunicado
ao mercado, que irá suspender seus lançamentos até que
a demanda por novos produtos imobiliários e a disponibilidade de linhas
de crédito sejam restabelecidas. Em Curitiba, o grupo tem dois empreendimentos
recém lançados: o Reserva Ecoville e o Botânica.
Na nota, a companhia diz que
os acionistas integrantes do bloco de controle, incluído o Morgan
Stanley, endossam a adoção das medidas, que inclui a venda
de terrenos, de cotas de participação em empreendimentos
e corte de vagas no quadro de funcionários da companhia.
A incorporadora já havia adiantado ao mercado que iria tomar medidas
para enfrentar a crise de crédito do mercado mundial.
Já a incorporadora e construtora
Gafisa manteve sua projeção de realizar lançamentos
de imobiliários de R$ 3,5 bilhões este ano, conforme informou
em relatório. Se forem excluídos os lançamentos
de R$ 200 milhões da Fit Residencial, subsidiária da Gafisa,
no quarto trimestre deste ano que serão incorporados pela Construtora
Tenda, recém-adquirida pela Gafisa, a companhia irá lançar
R$ 3,3 bilhões.
“A Gafisa está preparada
e tem financiamento disponível para continuar a lançar
empreendimentos de acordo com nosso guidance (previsão) de lançamentos
para o ano de 2008, desde que a demanda se mantenha”, diz em relatório.
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UOL, 07 de novembro de 2008
| Economia
Deputados argentinos aprovam nacionalização
da previdência privada
Os deputados argentinos aprovaram
na madrugada desta sexta-feira, após um debate de 14 horas, a
nacionalização dos fundos de previdência privados,
projeto que causou uma intensa polêmica no país.
O projeto de lei foi aprovado
por 160 votos a favor e 75 contra, e agora deve ser sancionado ou não
pelo Senado, que o votará em 20 de novembro.
O Governo confiava em conseguir
a aprovação na Câmara Baixa (de deputados), onde
tem maioria.
No entanto, até alguns
setores do governante peronismo eram contrários ao projeto enviado
pela Presidência de Cristina Fernández de Kirchner, que
transfere ao Estado os ativos das Administradoras de Fundos de Aposentadoria
e Pensão (AFJP).
"Neste momento de recessão
mundial é preciso adotar medidas anticíclicas, geradoras
de confiança e, no entanto, se gerou mais desconfiança" com
este projeto, questionou o deputado Felipe Solá, membro da bancada
governista.
O legislador, que reconheceu
a existência de "tensão" com seus colegas do partido
no poder, é um dos peronistas "dissidentes" que votou
contra a medida, junto com os legisladores das opositoras Proposta Republicana
(PRO) e Coalizão Cívica (CC).
O encarregado de abrir o debate
foi o titular da comissão de Previdência Social, o governista
Juan Díaz Roig, que defendeu a iniciativa governamental e classificou
de "solidário" o sistema estatal.
O deputado Oscar Aguai, presidente
do bloco da opositora União Cívica Radical (segunda força
parlamentar), disse que os legisladores não tiveram tempo suficiente
para analisar o projeto, que começou a ser debatido no mês
passado em comissões parlamentares.
Porém, o titular da bancada
peronista, Agustín Rossi, se mostrou satisfeito por ter "conciliado
posições com blocos que não são alinhados" ao
Governo e já anteciparam que votarão a favor do projeto,
que afeta os cerca de US$ 30 bilhões dos fundos das AFJP.
A bancada governista aceitou,
na terça-feira, mudar 15 artigos da reforma proposta pela Presidência
a fim de assegurar o maior apoio possível à iniciativa.
A dirigente da opositora Coalizão
Cívica, Elisa Carrió, convocou para esta noite uma vigília
em repúdio à medida.
"É uma forma de acompanhar
os deputados que estão no recinto. Não quero que se sintam
sozinhos em uma batalha que lutaremos até o final", destacou.
O deputado da CC Fernando Sánchez
afirmou que "nem a bancada governista nem a da oposição
acreditam que está se discutindo a reforma do sistema de previdência".
"Todos sabemos que se trata
do manejo de caixa, dinheiro e poder", denunciou Sánchez.
Ele advertiu sobre o possível
desvio desses fundos no momento em que o Governo se prepara para enfrentar
o próximo ano eleições legislativas.
"A opinião pública
reivindica o controle sobre o manejo dos fundos", assinalou a analista
Analía do Franco, diretora da empresa de consultoria Analogías,
alinhada à postura da oposição em torno das pretensões
do Governo de utilizar o dinheiro para pagar compromissos de dívida
pública.
A transferência dos fundos
constituirá "um roubo da poupança dos trabalhadores",
afirmou na quarta-feira o deputado Federico Pinedo, de Proposta Republicana,
durante um ato de rejeição ao projeto governista que contou
com milhares de pessoas.
Os fundos de pensões,
que contam com 9,5 milhões de filiados, estão nas mãos
de bancos e seguradoras de capital argentino, espanhol, holandês
e americano.
As AFJP têm 55% de seus
investimentos em bônus soberanos e outros 14% em ações
de empresas, entre elas 14 que fazem parte do Merval, principal índice
da Bolsa de Valores de Buenos Aires.
As administradoras foram obrigadas
nesta semana a repatriar investimentos de US$ 600 milhões nos
demais países do Mercosul (Brasil, Paraguai e Uruguai), a maior
parte deles no mercado de capitais brasileiros.
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UOL, 07 de novembro de 2008
| Cotidiano
Pagamento de pensão alimentícia
durante a gravidez já é lei
Da Agência Senado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou na quarta-feira (5)
a Lei 11.804/08, publicada nesta quinta-feira (6) no Diário Oficial
da União (DOU), que irá beneficiar milhões de mulheres
grávidas, garantindo a elas o direito de receber do pai do seu filho,
durante o período de gestação, recursos para cobrir diversas
despesas.
Após o nascimento, explicita
a proposta, os valores serão convertidos em pensão alimentícia
em favor do menor até que uma das partes solicite a sua revisão.
De acordo com o texto, de autoria
do ex-senador Rodolpho Tourinho, a pensão alimentícia deverá cobrir
despesas adicionais do período de gravidez ou dela decorrentes,
da concepção ao parto, inclusive as referentes a alimentação
especial.
Os valores também serão
destinados a assistência médica e psicológica, a
exames complementares, a internações, ao parto, a medicamentos
e demais prescrições preventivas e terapêuticas consideradas
indispensáveis no entender do médico, além de outras
que o juiz julgar pertinentes.
Os alimentos previstos no texto
da lei referem-se à parte das despesas que deverá ser custeada
pelo futuro pai, considerando-se a contribuição que também
deverá ser dada pela mulher grávida, na proporção
dos recursos de ambos.
Os alimentos serão devidos
desde a data da citação do réu. Havendo dúvidas
quanto à paternidade, será realizado exame pericial e,
caso o resultado seja negativo, a autora responderá por danos
materiais e morais.
O então senador Rodolpho
Tourinho, ao justificar a proposta, observou que sua meta era inserir
em lei uma prática que já vem sendo concedida, via judicial,
a muitas mulheres, ou seja, a pensão de alimentos durante a gravidez.
Na maioria dos casos, no entanto, as futuras mães só contavam,
até hoje, com a participação financeira do pai após
o nascimento da criança.
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NCST,
07 de novembro de 2008
Idosos poderão ter direito a mais
residências construídas em programas habitacionais
Os idosos poderão passar a ter acesso a um número maior de unidades
residenciais construídas por programas habitacionais públicos ou
subsidiados com recursos públicos. É que a Comissão de Direitos
Humanos e Legislação Participativa (CDH) aprovou nesta quarta-feira
(5) parecer do senador Paulo Paim (PT-RS) a projeto de lei da Câmara (PLC
150/08) que altera o Estatuto do Idoso para garantir o benefício.
O estatuto (Lei 10.741/03) reserva aos idosos três por cento dos imóveis
residenciais construídos em programas governamentais. A proposta aprovada
determina que "pelo menos três por cento das unidades habitacionais
residenciais" construídas em programas públicos serão
reservadas para atendimento aos idosos. A justificativa para essa alteração
faz referência ao aumento do número de idosos no Brasil.
Ao ler parecer favorável ao projeto, Paulo Paim, autor do Estatuto do
Idoso, explicou que se trata de uma modificação "muito pequena,
mas que pode trazer benefícios aos idosos".
- Hoje há um limite de três por cento. Agora será um mínimo
de três por cento - explicou Paim aos senadores do colegiado.
A proposta segue para análise do Plenário.
Sugestões
O Senado começará a
analisar, em breve, um projeto de lei que obriga os notários
e oficiais de registro a encaminhar à corregedoria dos tribunais,
para fins de publicação, até o dia 31 de março
de cada ano, relatório pertinente ao quantitativo de emolumentos
recebidos no exercício anterior.
A proposta, elaborada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação
Participativa (CDH), foi aprovada nesta quarta-feira (5) em reunião
do colegiado. Ela altera a Lei dos Cartórios (Lei 8.935/94) e foi elaborada
com base em sugestão encaminhada pelo Conselho de Defesa Social de Estrela
do Sul (Condesesul), em Minas Gerais.
A CDH também aprovou, na mesma reunião, requerimento da senadora
Marina Silva (PT-AC) para que seja realizada uma diligência na Assembléia
Legislativa do Acre, no próximo mês. A finalidade do pedido da
parlamentar é a de que sejam tomados depoimentos e levantadas informações
sobre a contribuição do líder seringueiro e ecologista
Chico Mendes e do movimento dos seringueiros da Amazônia na preservação
da Floresta Amazônica.
O requerimento, segundo a senadora, é oportuno, já que em 2008
registra-se a passagem dos 20 anos do assassinato de Chico Mendes.
- Entendemos que a audiência reafirma o reconhecimento do trabalho do
movimento dos seringueiros, além de homenagear Chico Mendes com o claro
objetivo de fomentar seus ideais. A diligência para tomar informação é um
sinal da atenção e do reconhecimento do Senado Federal para a
importância da defesa do nosso meio ambiente amazônico - justificou
Marina Silva.
Fonte: Agência Senado
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O ESTADO DO PARANÁ,
07 de novembro de 2008 | Cidades
Trabalhadores protestam em frente a
prédio da Fiep
Flávio Laginski e Rosângela
Oliveira
Cerca de 200 trabalhadores da indústria de alimentação
do Paraná realizaram ontem um protesto em frente à sede da Federação
das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), no bairro Centro Cívico,
em Curitiba.
A mobilização teve
como objetivo pressionar os representantes patronais para fechar um acordo
coletivo. Após a mobilização, os trabalhadores conseguiram
a promessa de reposição salarial de 9% e 8%, mais o pagamento
de cesta básica.
De acordo com o diretor presidente
da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de
Alimentação do Paraná (Ftia), Ernane Ferreira Garcia,
a data-base da categoria que é formada por cerca de 45 mil trabalhadores
no Paraná - é setembro e, até o momento, ainda não
houve acordo entre as partes.
“Queremos um reajuste salarial
digno. Nosso piso é muito baixo. O salário inicial do trabalhador
desse ramo é de R$ 470 e queremos elevar essa soma para R$ 600”,
revela. Eles reivindicam ainda à aplicação de 7,15%
relativo ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC)
de setembro, e mais 5% referente ao Produto Interno Bruto (PIB) de 2007.
Após reunião
com representantes da Fiep e dos patrões, a categoria fechou
acordo. Quem ganha até R$ 1 mil terá 9% de reajuste salarial.
Os demais receberão 8%. Além disso, terão direito
a uma cesta básica no valor de R$ 40. Os salários com
reajuste serão pagos neste mês, retroativos a primeiro
de setembro.
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CONGRESSO EM FOCO, 07 de
novembro de 2008
Governo não vai bancar aumento
para aposentados
Relator do orçamento diz que, com
a crise financeira, não há possibilidade de dar às
aposentadorias o mesmo reajuste do salário mínimo
Lúcio Lambranho
Se depender da vontade do governo,
a equiparação do reajuste das aposentadorias com o mesmo
percentual concedido ao salário mínimo e o fim do chamado
fator previdenciário, regras já aprovadas pelo Senado e
que aguardam votação na Câmara, não farão
parte da ceia de Natal dos aposentados.
O principal argumento do Ministério
da Previdência é que a aprovação desses dois
projetos, bem como de outras 103 proposições que tratam
do assunto no Congresso, levaria o governo a desembolsar o equivalente
a um quarto (25%) do Produto Interno Bruto (PIB), descontada a inflação
de cada ano, apenas com o pagamento de aposentadorias. Hoje esses benefícios
equivalem a 7,2% das riquezas do país.
Além disso, o governo
alega que a crise financeira, que resultou no já anunciado corte
de R$ 8 bilhões na proposta orçamentária de 2009,
reduziu ainda mais as chances de aprovação das duas propostas,
capitaneadas pelo senador Paulo Paim (PT-RS) e uma frente de outros 20
senadores.
"No orçamento não
tem dinheiro. Esses dois projetos representam mais de R$ 18 bilhões
a mais de despesa. Não sei de onde pode vir esse dinheiro",
disse ao Congresso em Foco o relator da proposta orçamentária
de 2009, senador Delcídio Amaral (PT-MS).
Com essa posição,
o relator antecipou ao site o que dirá aos senadores da frente
parlamentar em favor dos aposentados em reunião marcada para a
próxima terça-feira (11). O encontro, que será na
presidência do Senado, também contará com a presença
do ministro da Previdência, José Pimentel.
O torniquete no cofre contra
as propostas também é reforçado pela líder
do PT no Senado, Ideli Salvatti (PT-SC). Ela classificou como “delírio” o
atendimento das reinvindicações de Paim, seu colega de
partido. "Já era muito difícil atender aos projetos
antes da crise, agora ficou impossível", diz Ideli.
Veto presidencial
Distantes das discussões
desde que o ex-ministro Luiz Marinho deixou a pasta para concorrer à prefeitura
de São Bernardo do Campo (SP), as centrais sindicais também
dão o assunto como encerrado. E com sabor de derrota. "Tínhamos
uma proposta bem avançada com o Marinho, mas a troca de comando
paralisou as negociações", lamenta o deputado Paulo
Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical.
Segundo o pedetista, estava em
curso um projeto que poderia, pelo menos, estancar as perdas dos aposentados,
garantindo a quem ganhasse até três salários mínimos
o direito de não ter o benefício reduzido a apenas um salário
mínimo nos anos seguintes. A nova regra, diz o presidente da Força,
entraria em vigor, mas manteria o fator previdenciário criado
pelo governo em 2000.
Pelas atuais regras, o desconto é maior
quanto mais cedo a pessoa se aposenta. O governo diz que, até o
ano passado, o mecanismo gerou uma economia de cerca de R$ 10 bilhões.
O fator previdenciário leva em conta a alíquota de contribuição,
a idade do trabalhador, o tempo de contribuição à Previdência
Social e a expectativa de sobrevida do segurado. "O governo não
deve ceder e o presidente vai ter que vetar o projeto, pois quando estiver
no plenário ninguém conseguirá votar contra",
avalia o presidente da Força Sindical.
Aprovado no dia 10 de abril deste
ano pelo Senado, o Projeto de Lei 3299/2008, que acaba com o fator previdenciário,
já recebeu parecer favorável e votação unânime
dos integrantes da Comissão de Seguridade Social. A proposta ainda
terá de ser examinada pelas comissões de Constituição
e Justiça e Finanças e Tributação, antes
de ser enviada para o plenário.
O autor do parecer na Comissão
de Seguridade Social, o deputado Germano Bonow (DEM-RS), tem a mesma
opinião do presidente da Força Sindical. "O projeto
passa pelas duas comissões e deve passar pelo plenário
também. Vai sobrar para o presidente vetar se o governo disser
que não tem dinheiro", avalia.
Idade mínima
Um dos argumentos do relator
para aprovar o projeto de Paim está embasado em informações
prestadas por técnicos do Ministério da Previdência.
Segundo ele, numa audiência pública promovida pela Câmara,
representantes da pasta alegaram que grande parte das pessoas que se
aposentaram pela regra do fator previdenciário tem poder aquisitivo
elevado e continua trabalhando e, portanto, contribuindo com a Previdência.
“O governo poderia fazer
essa conta para usar a contribuição dessas pessoas, que
não vão poder se aposentar pela segunda vez, e usar para
compensar as perdas sem o fator previdenciário”, explica.
Segundo a Confederação
Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap), cerca de 200 mil aposentados
perderam 40% do valor recebido durante o período ativo com aposentadorias
concedidas com base no fator previdenciário. "Esse estudo é relativo
apenas aos dois últimos anos, o que demonstra que as perdas podem
atingir um número maior de aposentados" , diz o presidente
da Cobap, Warley Martins.
O governo, segundo apurou o Congresso em Foco, até admitiria o fim do
fator desde que fosse instituída a idade mínima para a aposentadoria.
A nova regra seria de 60 anos para homens e 55 para mulheres.
Na oposição em
1998, o PT foi contra a proposta do então presidente Fernando
Henrique Cardoso. O fator previdenciário foi criado justamente
para compensar a derrota imposta pelo partido do presidente Lula naquele
ano, quando a proposta de criação de limite de idade, prevista
na PEC 20/98, foi derrubada. "As duas regras são ruins para
os aposentados. Vamos brigar com os senadores da frente para acabar com
o fator sem que se imponha a idade mínima", promete Warley
Martins.
Vigília e obstrução
Caso o governo não apresente
proposta para atender aos dois projetos, a frente de senadores promete
uma vigília de discursos durante toda a madrugada do próximo
dia 11, além de paralisar todas as votações no plenário
do Senado. O mais engajado é o senador Mário Couto (PSDB-PA),
que já prometeu fazer até uma “greve de banho” quando
os projetos estavam em tramitação no Senado.
Segundo ele, nos últimos
quatro anos, as perdas acumuladas dos aposentados foram de 40%. Seguindo
dessa maneira, diz o senador do Pará, em seis anos cerca de 26
milhões de aposentados vão acabar "na miséria" ganhando
apenas um salário mínimo. "Se tem dinheiro para dar
a banco, como é que o governo não tem dinheiro para resolver
o problema dos aposentados. Se o governo não ceder, vamos parar
o Senado", garante Mário Couto.
Enviado pelo governo junto com
outros projetos e medidas provisórias do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), o PL 1/ 2007 deveria criar regras para o reajuste
do salário mínimo, mas acabou sendo emendado já na
comissão especial da Câmara que tratava do tema.
Lá, antes mesmo da apresentação
da emenda de Paulo Paim no Senado, foi estendido o reajuste, com a variação
do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mais
o percentual de aumento do PIB, para todas as aposentadorias. Aprovado
no Senado com essa mesma emenda do senador gaúcho, o projeto retornou à comissão
especial, que aprovou a modificação sugerida por Paim.
O PL 1/07 está agora na Mesa Diretora da Câmara e espera
andar a fila de outros projetos para ser votado em plenário.
Superávit
Paulo Paim usa dados da Associação
Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip) como argumento
para o atrelamento do reajuste do mínimo às aposentadorias.
Segundo estudo da Anfip, há um superávit na Previdência
Social de cerca de R$ 50 bilhões.
"A fonte é a própria
receita da Previdência que é usada para fazer superávit
primário, não só neste governo, mas no anterior
também", diz Paim. "Lembro-me como se fosse hoje. Falei
como ministro Pedro Malan que o reajuste precisava ser feito pela variação
do mínimo e ele me disse que quando eu fosse governo poderia fazer
o que eu quisesse. Agora sou governo e a situação é mesma",
lamenta o senador do PT.
Além deste argumento,
Paim diz que é possível cortar benefícios dados
pela proposta de reforma tributária, que retira recursos da
Seguridade Social. "A conta patronal do INSS, contida na proposta,
passa de 22% para 14%. Se isso não for feito já podemos
conceder esses benefícios aos aposentados", garante Paim.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
07/11/2008
Banco do Brasil é condenado por ofensa
praticada por seu advogado
Ao defender o Banco do Brasil
em ação trabalhista movida por um de seus empregados no
Rio Grande do Norte, o advogado da instituição qualificou
o reclamante de desonesto, astuto e blefador. Sentindo-se moralmente
ofendido com as expressões utilizadas pelo advogado na contestação
de uma ação anterior, o funcionário pediu à Justiça
reparação por dano moral, e o banco foi condenado a pagar-lhe
indenização no valor de mais de R$ 108 mil.
A condenação foi
confirmada pela Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho, que rejeitou os
embargos do banco contra decisão da Primeira Turma do TST – que,
por sua vez, manteve o entendimento adotado pela Justiça do Trabalho
da 9ª Região (PR). Observou o Regional que o documento elaborado
pelo advogado foi preparado no departamento jurídico do banco, “ambiente
que, presumivelmente, proporciona aos advogados-empregados a serenidade
necessária para esse labor, já que não há contato
pessoal direto entre as partes”. Concluiu, portanto, que “a
intenção foi mesmo a de ofender, magoar o empregado, atingir-lhe
a honra e a imagem, de forma gratuita, porque sem respaldo em fatos concretos,
tudo ficando circunscrito aos valores objetivos do banco e de seu advogado-empregado”.
Para o relator do recurso na
Primeira Turma, ministro João Oreste Dalazen, a inviolabilidade
do advogado, por seus atos e manifestações no exercício
da profissão, de acordo com o artigo 133 da Constituição
Federal e do artigo. 7º, parágrafo 2º, da Lei nº 8.906/94,
consubstancia-se em relativa imunidade penal nos crimes contra a honra. “No
plano civil, todavia, não exime o constituinte de responder por
indenização em virtude de destemperança verbal do
advogado em juízo, sob a forma de grave ofensa moral assacada
contra a parte contrária”, assinalou. “O banco, cujo
advogado, em contestação referente a processo trabalhista
anterior, utiliza expressões altamente ofensivas à honra
do trabalhador, extrapolando os limites da normalidade na defesa dos
interesses de seu constituinte, suporta responsabilidade civil pelo pagamento
de indenização compensatória decorrente do dano
moral a que deu causa”.
Contra a decisão da Primeira
Turma, o banco interpôs embargos à SDI-1, sustentando que
não poderia ser responsabilizado pelos excessos praticados pelo
advogado, ainda que devidamente constituído. A relatora dos embargos,
ministra Maria Cristina Peduzzi, citou a teoria do risco-proveito, do
Código Civil, no qual “é reparável o dano
causado a terceiro em conseqüência de uma atividade realizada
em benefício do responsável”, a exemplo da responsabilidade
dos donos de hotéis com relação a eventuais danos
causados por seus hóspedes a terceiros, porque se beneficiam dessa
condição.
A relatora afirmou que não
há dúvida de que o advogado agiu em proveito do banco,
nos termos do inciso III do artigo 932 do Código Civil, que estabelece
como responsáveis pela reparação civil o “empregador
ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício
do trabalho que lhes competir, ou em razão dele”. O nexo
de causalidade exigido pela lei diz respeito “à relação
entre a conduta do advogado e o dano, que no caso é incontroverso”.
Ao concluir, a relatora informou
que o Banco do Brasil habitualmente é representado por advogados
dos seus quadros de funcionários, de forma que sua responsabilização
do banco se justifica também pelo fato de tratar-se de hipótese
de empregado que, no exercício de suas funções,
produz dano a terceiros. O voto da relatora foi seguido pela maioria
dos ministros da SDI, com ressalva de entendimento do ministro Aloysio
Corrêa da Veiga. ( E-RR-2.640/2002-921-21-00.4)
(Mário Correia)
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07/11/2008
Motorista assaltado recebe indenização
por ser intimidado pela empregadora
Após ser assaltado e agredido
com socos e ter registrado ocorrência policial, motorista de caminhão
da All – América Latina Logística Intermodal S.A.
foi submetido a interrogatório por representante da empresa que
queria esclarecimentos do trabalhador, com atitudes de intimidação,
inclusive com exposição de arma de fogo. Reincidente nessa
conduta, segundo o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
(RS), a empregadora foi condenada a pagar indenização por
danos morais, da qual recorreu ao Tribunal Superior do Trabalho. A Sétima
Turma, no entanto, manteve a decisão regional ao negar provimento
ao apelo da empresa.
Na inicial da ação,
o motorista contou que, após o assalto do caminhão, foi
constrangido a dar novas explicações dos fatos, sendo indiretamente
acusado pela participação ou pela facilitação
da ocorrência do assalto. Afirmou, ainda, que era responsável
pela cobrança de pagamento dos produtos entregues e, caso faltasse
algum valor na prestação de contas, não poderia
sair da empresa antes de quitar o total, devendo conseguir a importância
com colegas ou familiares, “sofrendo verdadeiro cárcere
privado”.
A indenização de
R$ 35 mil, estabelecida pelo TRT/RS, refere-se não somente à humilhação
pelo interrogatório após o assalto – no qual, segundo
o trabalhador, ele foi “responsabilizado pelas importâncias
furtadas do caminhão”. Mais que isso, a condenação
abrange também danos morais devido a outras questões, entre
elas a exposição do empregado a situações
vexatórias, como desfilar com uma tartaruga de plástico
embaixo do braço na frente dos colegas - obrigação
imposta aos motoristas que chegassem por último -, ser golpeado
com um pênis de borracha nas costas, ter seu nome colocado num
mural por chegar atrasado e ser chamado de “aranha”.
O Tribunal Regional reconheceu
os danos morais alegados pelo motorista - que transportava, entre outras
coisas, dinheiro - porque julgou que as provas analisadas eram contundentes
em confirmar a conduta imprópria da empresa em relação
ao empregado. O TRT considerou, ainda, que a intimidação
e a forma como esta ocorria, bem como as diversas situações
a que foi submetido o autor, caracterizavam dano moral por atentar contra
a sua integridade psíquica e submetê-lo a constrangimento.
O Regional ressaltou que o empregador, ao exercer o poder diretivo, não
pode expor o trabalhador de forma depreciativa, “ainda que tente
amparar essas atitudes em questões de ordem administrativa ou
de controle de produtividade”.
A empresa recorreu ao TST, mas
o ministro Ives Gandra Martins Filho, relator do agravo de instrumento,
manteve o entendimento do TRT/RS. Para o ministro Ives, independentemente
dos motivos que justificariam os interrogatórios - o zelo pela
segurança e pela produtividade -, a empregadora, responsável
direta pela qualidade das relações e do ambiente de trabalho,
deveria “observar critérios de razoabilidade e adotar medidas
compatíveis com os direitos da personalidade constitucionalmente
protegidos”.
Pelo contexto fático apresentado
pelo Regional e diante do que estabelece o artigo 5º, inciso X,
da Constituição Federal, segundo o qual são invioláveis
a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando
o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente
de sua violação, o ministro Ives Gandra considerou que
o TRT “proferiu decisão em estrita observância aos
princípios legais e constitucionais pertinentes”. ( AIRR – 1304/2005-003-04-40.9)
(Lourdes Tavares)
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