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Vermelho, 9 de novembro de 2008
Lula: País colhe frutos dos
sacrifícios do governo e do povo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a
afirmar que a economia brasileira está bem preparada para
enfrentar a crise internacional. Ao discursar neste sábado
(8), durante a cerimônia de abertura do encontro do G20 realizado
em São Paulo, Lula disse que medidas tomadas no passado
garantem a relativa estabilidade do país no momento de turbulência
financeira global.
Segundo o presidente, a crise não pegou o Brasil desprevenido. “Meu
governo e a sociedade fizeram sacrifícios e agora começamos
a colher os resultados de nosso trabalho.” Lula destacou que
em 2007 o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 5,4% e que
este ano deve crescer 5%.
Ele disse também que a inflação no país
permanece em níveis baixos e que as contas públicas
estão em ordem, devido ao superávit primário
de cerca de 4% que o governo mantém desde 2004. ''Desde 2007,
o Brasil passou de devedor a credor no mercado internacional”,
complementou. “Nossa reservas internacionais somam mais de
U$ 200 bilhões.”
O presidente afirmou que, nos últimos anos, 9 milhões
de brasileiros saíram da miséria e outros 20 milhões
integraram o mercado nacional — o que fortaleceu ainda mais
a economia brasileira. Mas Lula reiterou que o Brasil, assim como
outros emergentes, mantém-se preocupado com a crise e, principalmente,
com seus impactos no desenvolvimento social.
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Vermelho, 9 de novembro de 2008
Reunião do G-20: Lula chama
países ricos de 'irresponsáveis'
Diante de ministros da área econômica e presidentes
de bancos centrais de 18 países e da União Européia,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou neste sábado
(8) os países ricos de irresponsáveis, na abertura
da reunião do G20 — o grupo das 20 maiores economias
mundiais. Para Lula, não é justo que o restante do
mundo pague pelas inconseqüências dos mercados financeiros.
O presidente foi categórico: quem deve tomar medidas para
evitar maiores conseqüências da crise financeira global
são as nações desenvolvidas. “É hora
de uma ação coordenada — mas o exemplo deve partir
dos países ricos. É deles que se espera a adoção
das principais medidas nesse sentido.”
Lula enfatizou que a crise nasceu nas economias avançadas
devido à “crença cega” na capacidade de
auto-regulação dos mercados e pela falta de controle
sobre as atividades dos agentes financeiros. “Por muitos anos,
especuladores tiveram lucros excessivos, investindo o dinheiro que
não tinham em negócios mirabolantes. Todos estamos
pagando por essa aventura.”
Ele voltou a criticar a postura dos países ricos em vários
momentos. “A desordem que se instaurou nas finanças
mundiais, nos últimos anos, ameaça o funcionamento
da economia real. O preço a pagar por essa irresponsabilidade
se pode medir de várias formas. Para nós, o que importa é a
ameaça de uma recessão generalizada e, na sua esteira,
a perda de milhões e milhões de empregos, o aumento
da pobreza e da exclusão.”
Em outro ponto do discurso, ele voltou a pedir que os ricos assumam
as conseqüências de suas práticas de livre mercado. “As
políticas de cada país não podem transferir
riscos e custos a outros países. Cada país deve assumir
suas responsabilidades”, ressaltou. “Os países
desenvolvidos e instituições como o Fundo Monetário
Internacional [FMI] devem adotar medidas para restaurar a liquidez
nos mercados internacionais.” O diretor-geral do FMI, Dominique
Strauss-Kahn, estava entre os ouvintes.
Emergentes
Lula defendeu o redesenho do sistema financeiro internacional, com
maior participação dos países emergentes nas
instâncias decisórias multilaterais. “É hora
de um pacto entre governos para a criação de uma nova
arquitetura financeira mundial, capaz de promover segurança
e desenvolvimento em bases eqüitativas para todos.”
Na sexta-feira (7), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já havia
adiantado que o tema estaria em discussão na abertura do encontro.
Para Lula, os países emergentes, responsáveis por 75%
do crescimento mundial, têm direito de participar de igual
para igual nesse processo.
A mesma demanda foi apresentada por Lula em praticamente todas as
cúpulas multilaterais das quais o Brasil participa. Ele pediu
mais voz para os países emergentes e em desenvolvimento nas
instâncias decisórias multilaterais, como o FMI e o
G7, grupo dos sete países mais industrializados do mundo (Estados
Unidos, Canadá, Japão, Grã-Bretanha, França,
Alemanha, Itália).
“Temos de trazer para a esfera pública decisões
antes tomadas por supostos especialistas, mas que só serviam
a interesses privados. É amplamente reconhecido que o G7 sozinho
não tem mais condições de conduzir os assuntos
econômicos do mundo. A contribuição dos países
emergentes é também essencial”, frisou Lula. “As
instituições financeiras globais devem se adequar à nova
realidade econômica. Devem abrir-se à maior participação
dos países emergentes e em desenvolvimento.”
O presidente também destacou a importância da boa governança
nos mercados domésticos no processo de redefinição
do sistema financeiro internacional. Nesse sentido, defendeu o aperfeiçoamento
de mecanismos de regulação, supervisão, governança
corporativa e de avaliação de riscos. “Nestas
atividades, o Estado deve buscar o equilíbrio entre a eficiência
dos mercados financeiros, a estabilidade de todos os mercados e a
promoção do desenvolvimento econômico.”
Segundo Lula, são necessárias ações
preventivas para evitar novas crises financeiras. “As políticas
nacionais e as instituições financeiras internacionais
devem incorporar o sentido de prevenção de crises financeiras
em suas políticas e mecanismos de supervisão e acompanhamento
dos mercados.”
A reunião
Até este domingo (9), os ministros de área econômica
e os presidentes dos bancos centrais do G20 analisarão as
causas da atual crise financeira, as medidas adotadas até agora
e as ações necessárias para minimizar impactos
e evitar crises futuras. Eles criarão grupos de trabalho para
tentar consolidar propostas que serão discutidas na primeira
reunião de chefes de Estado do grupo, no próximo dia
15, em Washington.
Participarão desta reunião os oito países do
G8 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha,
Itália, Japão e Rússia), África do Sul,
Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, China,
Coréia do Sul, Índia, Indonésia, México,
Turquia e União Européia. Juntos, os países-membro
representam cerca de 90% do produto nacional bruto mundial, 80% do
comércio internacional e cerca de dois terços da população
do planeta.
Da Redação, com informações
da Agência Brasil
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Congresso em Foco, 9 de novembro de 2008
FMI dá “certificado
de bom comportamento” ao governo Lula
Reforma tributária extingue
contribuições sociais para reservar recursos
aos credores da dívida pública, protesta
Osiris Lopes Filho
O presidente Lula, em reuniões com políticos, ministros
e empresários, tem afirmado o seu propósito de ver aprovada,
ainda neste ano, proposta de emenda constitucional em matéria
tributária que encaminhou à Câmara dos Deputados
em 28 de fevereiro, a PEC 233/08.
A propósito, no dia 29 de outubro, o deputado Sandro Mabel (PR-GO)
apresentou substitutivo e relatório, no âmbito da Comissão
Especial destinada a proferir parecer à Proposta de Emenda à Constituição
31-A/07, de autoria do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG).
Em realidade, o citado substitutivo decorre da apreciação
pelo relator de 15 propostas de PECs tratando de tributos, inclusive
a 233/08, encaminhada pelo governo Lula.
A cobertura dada pela imprensa a esse evento foi mínima, embora
impostos e contribuições afetem os bolsos dos contribuintes
e os caixas das empresas, de uma forma tal que tem expandido a anemia
aos infelizes padecentes tributários, vitimados por uma sangria,
que lhes vai sugando as energias vitais, promovida pelo apetite arrecadatório
do Fisco.
O relatório que explica o substitutivo e descreve as emendas,
que aproveita ou rejeita, fazendo-lhes comentários, é extenso
e cheiro de detalhes. Foi auto-intitulado de “A nossa reforma
tributária”.
Na realidade, trata de tributos no seu conteúdo. Todavia, penso
que mais significativa no seu conteúdo do que a parte tributária é a
disciplina das transferências intergovernamentais. A relação
jurídico-tributária começa com a prática
do fato gerador do tributo pelo contribuinte e se encerra com o seu
pagamento. Esses pagamentos somados compõem a arrecadação
do imposto, taxa ou contribuição.
O destino dessa arrecadação é matéria de
direito financeiro, vale dizer, refere-se à transferências
intergovernamentais e aplicações nos gastos públicos. É o
que abunda no substitutivo.
Propõe-se a extinção de contribuições
financiadoras da seguridade social – PIS, Cofins, CSLL – e
cria-se um bolão de recursos, do qual serão retiradas
as receitas que irão assegurar financiamentos para vários
fundos especializados.
A fragilidade dessa nova sistemática, que detalha os percentuais
destinados a cada finalidade, é que se mantém a Desvinculação
das Receitas da União (DRU). Vale dizer, antes de se distribuírem
as receitas para atender aos diversos objetivos, se reservam 20% da
arrecadação para compor o superávit primário,
eufemismo para encobrir a realidade financeira deste governo: a prioridade
essencial é pagar aos rentistas, que financiam a dívida
pública federal.
A rigor, não pode ser séria uma emenda à Constituição
que reserva a parte substancial dos recursos não a finalidades
sociais, hoje servidas pelas contribuições que serão
extintas, mas para pagar os credores da dívida pública
federal. É assim que o governo Lula obtém certificado
de bom comportamento do FMI.
O substitutivo Mabel é exemplo da fidelidade e do oportunismo
aos interesses imperialistas, por parte da União, castração
da autonomia financeira estadual, enterro das fontes de recursos da
seguridade social, tentativa canhestra de construção
da reforma tributária, partindo da cúpula para a base.
Obra arrojada de aprendiz de tributação.
*Osiris de Azevedo Lopes Filho, advogado, professor de Direito na Universidade
de Brasília e ex-secretário da Receita Federal. Correio
eletrônico: osirisfilho@azevedolopes.adv.br
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Gazeta do Povo, 9 de novembro de 2008
Sustentabilidade
“Se capricharmos, a Amazônia
deixará de existir em 15 anos”
Entrevista com o redator-chefe
da revista National Geographic Brasil Matthew Shirts
O desenvolvimento é o único modo de salvar a Amazônia,
na opinião do jornalista norte-americano Matthew Shirts, redator-chefe
da revista National Geographic Brasil, que na semana passada participou
do Fórum Latino-Americano Amazônia, Sustentabilidade
e Imprensa, em Manaus. O californiano, que há 20 anos mora
no Brasil, considera que parte das pessoas que vivem na floresta
só promove o desmatamento por falta de opção
de trabalho. Nesta entrevista à Gazeta do Povo, Shirts fala
também das dificuldades para a imprensa fazer o leitor se
interessar por temas ambientais.
A Amazônia é o grande tema brasileiro nos Estados
Unidos e na Europa. Há mais pontos de interesse?
Em termos ambientais a grande questão é a Amazônia. É a última
grande floresta do mundo, o bioma ainda funciona, não foi
destruído, desmontado. É diferente da Mata Atlântica,
que funciona em pedacinhos. É difícil exterminar a
Mata Atlântica, pois ela cresce em qualquer lugar, meio, separadamente.
A Amazônia, não. Tem um ponto em que não volta
mais. Destruir a Amazônia será uma burrice imensa do
Brasil e o mundo inteiro vai sentir saudades.
O senhor acha que há alguma mistificação
em relação à Amazônia no restante do
mundo?
Acho que não. Eles já cortaram suas florestas, sabem
que isso é possível. Se a gente caprichar, derrubaremos
a Amazônia em 10 ou 15 anos, dependendo do nível de
investimentos. Há consciência de que no primeiro mundo
foi cometido um erro. Essa preocupação é real.
Acredito inclusive que a Europa e os Estados Unidos devem pagar para
manter a Amazônia. Não digo intocada, acredito que o
desenvolvimento é a única maneira de salvar a Amazônia.
Como o desenvolvimento pode salvar a floresta?
Há milhões de pessoas na floresta. E alguns milhões
não têm nada melhor para fazer do que derrubar árvore.
Um dos lugares que tem menos desmatamento, segundo dizem, é em
torno de Manaus, porque a pessoa pode vender picolé, trabalhar
na fábrica. Em outras áreas, onde não há atividade
econômica, a pessoa corta três arvores e vive uma semana
disso.
Por que o senhor considera que há dificuldade para
trabalhar temas relativos à sustentabilidade?
É um tema que pode ser complexo para o leitor. Pode ser chato,
porque tende a lidar com limites: “Não faça isso,
não faça aquilo”. O desafio é tornar o
assunto menos opressivo. Já as empresas estão atentas
a isso. A cultura da sustentabilidade faz parte da cultura interna
das grandes empresas.
Os veículos ainda não encontram a maneira
de tornar o assunto interessante, ou ele não é mesmo?
Mudanças climáticas é a grande pauta do século
21, mais do que Barack Obama, mais do que a crise financeira, e,
no entanto, eu não consigo vender essa pauta para o leitor.
Tem algo de errado. Ou eu estou enganado em achar que é uma
grande pauta, ou estou fazendo alguma coisa errada.
* O repórter viajou a Manaus a convite
da Revista Imprensa.
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Gazeta do Povo, 9 de novembro de 2008
Eleições
PMDB admite não fazer aliança
nacional em 2010
Caciques entendem que a legenda
virou partido de ocasião dividido por interesses
regionais
O PMDB não terá candidato próprio em 2010,
assim como não fará aliança nacional com nenhum
dos dois lados da disputa – nem com o PT nem com o PSDB. Sem
aliança formalizada em âmbito nacional, não poderá ambicionar
sequer um candidato a vice em um dos lados. Quem garante tudo isso
são os caciques do partido, que vão mais longe: daqui
até 2010, ninguém conseguirá ter “o partido
inteiro”; as seções regionais vão apoiar
um ou outro candidato e a maioria só vai se decidir sobre
qual deles na “curva de Hamilton”.
A referência à conquista do piloto inglês Lewis
Hamilton, que ganhou o campeonato mundial de pilotos na última
curva da última corrida, domingo passado, dá bem a
medida de como os próprios caciques reconhecem que o PMDB,
em sua maior parte, se tornou um partido de ocasião. Ainda
existem seções “ideológicas” – como
em Pernambuco e no Rio Grande do Sul –, mas na maior parte
dos estados os líderes escolhem seu destino político
mapeando a proximidade com o poder.
Com o fim da verticalização, o PMDB se adaptou a uma
estratégia de sobrevivência que lhe permite, nas eleições
nacionais, fazer acordos variados nos estados. Dois anos antes da
eleição presidencial de 2010, algumas seções
estaduais do partido já pendem para o PT (ou “o candidato
de Lula”) ou PSDB (ou “o Serra”), mas a grande
maioria vai aguardar para só revelar sua preferência
na última curva. Até lá, a maioria vai usufruir
de cargos e benefícios concedidos pelo governo federal.
São Paulo e Pernambuco estão desde já com a
eventual candidatura do governador José Serra e não
fazem segredo disso. “Há possibilidade de conquistar
muitas adesões para o Serra”, diz o ex-governador Orestes
Quércia, presidente do PMDB paulista. O Rio Grande do Sul
do prefeito José Fogaça e do senador Pedro Simon, e
Santa Catarina do governador Luiz Henrique devem se encaminhar para
Serra.
A Bahia do ministro Geddel Vieira Lima é dada como aliada
certa do candidato do PT, assim como o Rio de Janeiro do governador
Sérgio Cabral, o Rio Grande do Norte do deputado Henrique
Eduardo Alves e o Amazonas do governador Eduardo Braga. Mas ninguém
antecipa tendências no Maranhão do senador José Sarney,
ou Alagoas do senador Renan Calheiros e Goiás do prefeito
Iris Rezende – que acaba de se reeleger com o apoio do PT,
mas é conservador.
Poucos falam abertamente sobre suas preferências. “O
partido não vai decidir rápido”, admite o governador
Paulo Hartung (ES). O senador Jarbas Vasconcelos (PE) vai mais longe: “O
PMDB não tem homogeneidade”. Não tem mesmo. As
seções estaduais não obedecem a um comando nacional
e fazem política de acordo com seus interesses regionais,
reconhecem os caciques do próprio partido. E é exatamente
por isso que a legenda consegue eleger boas bancadas, observa um
cacique estadual.
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Folha de S.Paulo, 9 de novembro de 2008
BB deve pagar até R$ 13 bilhões
pelo Banco Votorantim
Negócio pode ser anunciado
nos próximos dias, mesmo antes de aprovação
da MP 443, que trata dos bancos
Pelo modelo acertado, o BB fica com participação
minoritária, e controle do banco segue com a família
Ermírio de Moraes
GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA
O Banco do Brasil conseguiu tirar o Bradesco das negociações
e acertou a compra de 49% do Banco Votorantim, braço financeiro
do grupo controlado pela família Ermírio de Moraes.
A participação deverá sair por cerca de R$ 13
bilhões, valor pelo qual o Bradesco se viu desmotivado a desembolsar
neste momento.
Os detalhes da transação estão em análise
final nos comandos das duas instituições. O negócio
poderá ser anunciado nos próximos dias, dependendo da
avaliação dentro do governo sobre a conveniência
da divulgação antes da aprovação no Congresso
da medida provisória 443, que permite ao BB e à CEF (Caixa
Econômica Federal) comprarem participações em outros
bancos.
Com a Nossa Caixa e o Banco Votorantim, o BB pode retomar a liderança
do mercado no ranking por ativos. A projeção é que
o BB tenha atingido R$ 450 bilhões em ativos em setembro, o
que o levaria a um total de R$ 571 bilhões se somado à posição
atual da Nossa Caixa e do Votorantim. O Itaú Unibanco soma R$
575 bilhões até setembro.
Resistências
O negócio esbarrou em resistências dentro do Banco de
Brasil. Parte dos executivos não concordava inteiramente com
o preço nem com o modelo de negócio, que prevê que
o controle do Banco Votorantim continue com a família Ermírio
de Moraes.
O modelo já foi utilizado em parcerias com seguradoras e com
o banco sul-africano First-Rand, na constituição de uma
financeira para atuar no setor de veículos. No entanto, executivos
do banco avaliavam que a medida provisória veio justamente para
garantir um modelo mais ousado, em que o banco assumisse o controle.
No caso da participação minoritária, o interesse
do BB é ganhar em agilidade na tomada de decisões e poder
inclusive pagar salários mais competitivos a seus executivos.
Hoje, o banco tem limites por ser uma instituição pública.
Além desse negócio, o Banco do Brasil ainda pode abrir
uma linha de crédito especial para o banco da família
Ermírio de Moraes.
Ao mesmo tempo em que ampliou o leque de possíveis negócios,
o que inclui de compra de carteiras a instituições inteiras,
o BB redobrou o sigilo das possíveis negociações.
O banco estatal analisa a aquisição de pequenas instituições
privadas -pelo menos cinco estão na mira. A avaliação
no governo é que os concorrentes, insatisfeitos com a medida
provisória, trabalham para inviabilizar os possíveis
negócios.
Segundo a Folha apurou, o BB tem interesse em adquirir bancos inteiros
e não apenas as carteiras de crédito para dar liquidez
neste momento em que o dinheiro não está circulando.
Amanhã, a cúpula do BB se reúne com o conselho
de administração para avaliar o desempenho do banco nos últimos
três meses. Não está descartado que prováveis
aquisições ou novas compras de carteira entrem na pauta.
Procurados, o Banco Votorantim e o BB não comentaram a negociação.
Colaboraram SHEILA D"AMORIM , em São
Paulo, e TONI SCIARRETTA , da Reportagem Local
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Folha de Londrina, 9 de novembro de 2008
Construtora anuncia demissões
na Capital
Curitiba - A incorporadora Abyara anunciou ontem demissões e
suspensão de novos lançamentos imobiliários em
Curitiba. Na semana passada, a incorporadora já tinha anunciado
a venda de terrenos e da participação em empreendimentos
para seus sócios. Os lançamentos foram suspensos até que
a demanda por novos produtos imobiliários volte a crescer. Há três
meses, a dívida da empresa estava calculada em R$ 378,5 milhões
e tem vencimentos de curto prazo. A empresa garantiu que não
vai alterar o cronograma de obras nos dois empreendimentos que possui
em Curitiba.
Um dos empreendimentos, o Botânica, no Cristo Rei, está com
98% dos apartamentos vendidos, cada um com valor médio de
R$ 500 mil. O outro, Reserva Ecoville, no Mossunguê, já teve
75% dos apartamentos comercializados cada um também com valor
médio de R$ 500 mil. Os dois prédios juntos têm
um total de mil apartamentos. A empresa informou que apenas os lançamentos
futuros estão suspensos e que as obras em curso serão
realizadas. Os dois empreendimentos são os únicos que
a companhia tem no Paraná. A Abyara não divulgou o
número de demissões.
A Abyara pretende fazer a venda de participação em
empreendimentos já lançados em parceria com outros
incorporadores imobiliários e terrenos ainda não incorporados.
A companhia tem ações na bolsa que chegaram a R$ 38
e ontem estavam pouco acima de R$ 1.
O advogado especializado em habitação, Orlando Anzoategui
Junior, disse que as pessoas que compraram imóveis da incorporadora
devem procurar informações de como está a situação
financeira da empresa em relação a bancos e fornecedores.
Ele acredita que a Abyara não vai conseguir terminar os empreendimentos.
A empresa tem lançamentos no Rio de Janeiro, Manaus, Curitiba,
São Luis, Natal, Florianópolis, Salvador, Vitória,
Caxias do Sul, Juiz de Fora, São José dos Campos, entre
outros locais. A empresa foi fundada em São Paulo em 1995
para trabalhar na intermediação imobiliária
e entrou na bolsa de valores em setembro de 2006.
Andréa Bertoldi
Equipe da Folha
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Folha de Londrina, 9 de novembro de 2008
Setor madeireiro do PR dribla crise
com outros mercados
Com a diminuição da exportação
para os Estados Unidos, empresas buscaram outros países
e faturam com a valorização do câmbio
A exportação de madeira compensada e outros derivados
para os Estados Unidos sofreu uma queda substancial. O motivo é a
crise imobiliária americana, devido à retração
no mercado de construção civil. Entidades empresariais
do setor calculam que dos 30 mil metros cúbicos entregues mensalmente
para aquele país, 22% deixaram de ser exportados nos últimos
dois meses. Entretanto, as empresas do Paraná que optaram por
outros mercados no exterior estão faturando com a valorização
do câmbio, para cada US$ 1 exportado os empresários brasileiros
estão faturando US$ 2,15.
''A queda poderá ser ainda maior, da ordem de 40% para os
EUA'', declara Jorge Camilotti, presidente do Sindicato da Indústria
de Madeira do Estado do Paraná. A previsão do líder
empresarial se baseia na falta de crédito dos bancos para
aquecer a produção da indústria brasileira.
Segundo ele, além dos bancos brasileiros não emprestarem,
o setor da construção civil americano também
não vem conseguindo crédito naquele país. ''Falta
capital de giro para ambos os lados'', sintetiza.
O imbróglio aumenta, segundo o dirigente patronal, porque
o governo brasileiro só disponibiliza o Banco Nacional de
Desenvolvimento Social (BNDS) para linhas de crédito. ''O
BNDS só serve para empresas grandes, não é o
caso da indústria madeireira paranaense'', argumenta. Além
da falta de crédito, a indústria madeireira no Paraná vem
sofrendo restrições ambientais no Norte do estado,
principalmente de árvores da espécie jequitibá e
cedro. O compensado utiliza como 'recheio' a madeira das espécies
pinus e eucalipto, sendo sua parte externa coberta pelas espécies
do Norte do Estado.
Diante desta situação, Jorge explica que o setor já amarga
uma queda de 50% na produção de madeira beneficiada.
Diante disso, as demissões, férias coletivas e até fechamento
de fábricas paranaenses já começaram em todo
estado. ''Quem optou por outros mercados, escapou'', pondera Antonio
Rubens Camilotti, presidente da Associação Brasileira
de Madeiras Mecanicamente Processadas (Abimci). Rubens, que é irmão
de Jorge, representa o setor madeireiro nacional. Segundo ele, a
queda nas expotações para os EUA já vinham caindo
desde o primeiro semestre de 2007, em torno de 60% de queda.
Rubens argumenta que a queda americana fez com que o setor realocasse
as exportações para a Europa, Oriente Médio, África
e parte do continente asiático. Mesmo com esta readequação,
a indústria paranaense contabilizou uma perda de 15% ainda
no ano passado. Em contrapartida, se o volume de 130 mil metros cúbicos
mensais exportados pelo País para o mundo caiu, o câmbio
tratou de valorizar o produto em até 34%. Para cada dólar
exportado, o Brasil faturou US$ 2,15. Do total de produtos à base
de madeira exportados em 2007, o Brasil faturou US$ 3,7 bilhões.
Edson Pereira Filho
Reportagem Local
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