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GAZETA
DO POVO, 10 de novembro de 2008 | Economia
Indústria
Demissões e férias coletivas
no setor madeireiro
Se a situação
das madeireiras não era das melhores com a variação
cambial, a crise da economia norte-americana e a proximidade do inverno
nos Estados Unidos, que diminui o ritmo na construção
civil, fizeram cair a expectativa de bons negócios neste final
de ano. Algumas empresas estão antecipando as férias
coletivas e outras já dispensaram trabalhadores.
O clima de incertezas ronda
as empresas exportadoras que têm nos Estados Unidos seu principal
público consumidor. A Braspine, em Jaguariaíva, concedeu
férias coletivas de 15 dias no mês passado e repetiu a
medida neste mês. O setor produtivo ficará parado até o
próximo dia 17. A Línea Paraná Madeiras, em Sengés,
demitiu neste mês 174 funcionários e, segundo informações
do Sindicato dos Trabalhadores, não pagou verbas rescisórias.
Há pelo menos mais duas
madeireiras que exportam molduras para o mercado norte-americano e
que estariam na mesma situação. As empresas foram contatadas,
mas não deram retorno à reportagem.
O empresário ponta-grossense Álvaro
Scheffer, do ramo madeireiro, comenta que a saída para evitar
demissões neste período é a adoção
de férias coletivas. Ele considera que a situação é preocupante. “Os
pedidos estão diminuindo, não podemos dizer que a produção
está parada, mas está em stand by”, afirma. As
turbulências, segundo ele, podem ser usadas pelo setor para refletir
sobre as mudanças que são necessárias. “Nos
Estados Unidos é muito comum o uso de madeira na construção
civil, não somente no acabamento, mas na construção
em si, no Brasil usa-se muito a alvenaria”, comenta Scheffer.
Para o secretário geral
da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias
da Construção e do Mobiliário do Paraná,
Reinaldim Barboza Pereira, a crise enfrentada pelas madeireiras pode
ser sanada com a procura de novos mercados, como o brasileiro, onde
a construção civil está em alta. Na avaliação
de Scheffer, essa mudança merece cuidado, mas considera que “é na
crise que muitas empresas crescem”.
Para o presidente do
Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Madeira, em
Sengés, João Maria Viana, a retração
do mercado externo está prejudicando principalmente os trabalhadores. “Além
das demissões, sabemos de muitos pagamentos atrasados”,
afirma. Na visão de Pereira, da Federação, a
situação não é tão grave quanto
está sendo desenhada pelo setor. “Com a subida do dólar,
a crise foi amenizada, resta saber se isso vai incidir sobre o salário
do funcionário”, comenta.
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NCST, 10 de novembro de 2008
Emprego fica mais difícil para
pessoas com baixa escolaridade
Vagas para quem é analfabeto ou só estudou
até a 4ª série do ensino fundamental diminuíram
no último ano
A oferta de empregos no Brasil
para pessoas com baixa escolaridade é cada vez menor, de acordo
com os dados de 2007 da Relação Anual de Informações
Sociais (Rais), divulgados nesta quinta-feira, 6, pelo Ministério
do Trabalho. As informações mostram que as vagas crescem
no mercado de trabalho do País para quem tem ensino médio
ou superior completo.
No ano passado, o emprego, que
cresceu 7% em geral no País, caiu para quem é analfabeto
ou tem apenas até a 4ª série do ensino fundamental.
Entre os analfabetos, o número de empregos, que já é baixo,
caiu 1,13%. Entre os brasileiros que têm a 4ª série
primária, caiu quase 2%, registrando-se 42,8 mil vagas a menos.
Pessoas que não completaram
os oito anos do ensino fundamental também têm mais dificuldades:
apesar de ter havido crescimento, ele foi de apenas 1,23%. "As empresas
vêm exigindo cada vez mais uma escolaridade mais alta", disse
o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
Na faixa de cima da escolaridade,
os que têm ensino médio ganharam 11,6% mais vagas - a maior
faixa de crescimento, mais de 60% acima da média nacional. Para
empregos que exigem curso superior houve a segunda maior alta - 10,75%.
Já o curso superior incompleto ajuda menos do que o ensino médio.
A explicação pode estar no fato de a pessoa ser mais qualificada
para uma vaga de escolaridade mais baixa, mas ainda não o suficiente
para uma que exige ensino superior.
No total, foram criados no País,
em 2007, 2,452 milhões de novos postos de trabalho formais. Desses,
378 mil foram empregos públicos, e o restante, contratos celetistas.
O setor que apresentou maior crescimento foi o da construção
civil, com 16,11% de expansão.
Mas houve crescimento em todos
os outros setores, e o de serviços ainda concentra a maior parte
dos empregos. Em números absolutos, a área de serviços
criou mais 706 mil vagas no ano passado.
O maior crescimento de
emprego formal foi na Região Norte, com 9,1% de aumento, na
comparação com 2006. Apesar disso, o Sudeste ainda é a
região que concentra maior número de vagas. Em 2007,
o Nordeste, pela primeira vez, ultrapassou a Região Sul em números
absolutos de postos de trabalho criados e também no crescimento
proporcional. Enquanto os postos de trabalho cresceram no Nordeste
6,17%, o aumento no Sul foi de 5,38%.
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FORÇA SINDICAL, 10
de novembro de 2008
São Paulo (SP): Temor à crise
já traz efeitos ao mercado de trabalho
Escrito por Cibelle Bouças, Marli
Lima, Sérgio Bueno, Vanessa Jurgenfeld e Carolina Mandl, de
São Paulo, Curitiba
A preocupação com os efeitos da crise internacional sobre a atividade
econômica no país levou empresas de diferentes setores a reverem
a programação de férias e até a cortar pessoal.
O setor de autopeças antecipou as férias coletivas ajustando-se
ao calendário das montadoras. A situação mais dramática
está nos segmentos da construção civil e de papel e celulose,
nos quais empresas já iniciaram o processo de demissões. No setor
varejista, a contratação de temporários para as vendas
de fim de ano - que só em São Paulo gera 300 mil novos postos
de trabalho nessa época - está em suspenso.
No setor da construção
civil de São Paulo, a média de homologações,
que era de 40 pessoas por dia, aumentou para 150 pessoas/dia desde a
semana passada, informou o Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil de São Paulo (Sintracon-SP). E o aumento não é comum
nesse período, afirma o presidente da entidade, Antonio de Sousa
Ramalho. "As construtoras estão com dificuldades de obter
crédito para dar início a alguns projetos e preferem dispensar
parte dos funcionários, enquanto não têm uma definição
sobre o que farão em 2009", afirma. A maior parte das demissões,
diz, é de engenheiros e mestres de obras.
O setor previa criar 700 mil
vagas no país em quatro anos por conta de novos projetos. Diante
da indefinição, Ramalho acredita que neste ano pelo menos
100 mil postos de trabalho deixarão de ser criados e outros 175
mil serão congelados em 2009. O Sintracon-SP representa 300 mil
trabalhadores da construção. No país, o setor possui
aproximadamente 2,2 milhões de trabalhadores.
No setor de papel, como informou
o Valor esta semana, houve demissões em empresas que têm
atividades ligadas à Aracruz, que reviu seus projetos de investimento
após prejuízo com derivativos. Em Belo Horizonte, o grupo
Plantar (que produz eucaliptos) anunciou a demissão de 750 dos
1 mil trabalhadores. No segmento metalúrgico, a General Motors
anunciou na quarta-feira a abertura do programa de demissões voluntárias
na fábrica de São José dos Campos (SP), que possui
9,4 mil trabalhadores, mas sem meta de homologações.
Em Campinas, além das
férias coletivas, há um crescente número de demissões
comunicadas ao Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região.
Segundo o presidente da entidade, Jair dos Santos, o setor de autopeças
efetuou desde a última quinzena de outubro entre 250 e 300 demissões.
O primeiro setor a reagir à crise
foi o automotivo. No Paraná, a Volkswagen foi a primeira a antecipar
as férias de 1,8 mil metalúrgicos. Outras 35 empresas avaliam
fazer o mesmo. "Como elas, outras que não participaram da
reunião também devem dar férias aos empregados,
pois a demanda caiu", diz o presidente do Sindimetal, Roberto Karam.
As decisões já tomadas devem atingir cerca de 15 mil trabalhadores
do segmento. Ele contou que a Renault e Bosch também estudam uma
paralisação temporária das unidades instaladas no
Estado. Procurada, a Renault não confirmou a informação.
A Bosch informou que decidirá sobre o tema na próxima semana.
Em Santa Catarina, a Jofund,
que faz acessórios para freios de carros, deu férias coletivas
a partir do dia 20 de outubro. A Embraco, que fabrica motores para eletrodomésticos,
vai dar férias coletivas no fim do ano, mas ainda não estipulou
os dias, nem quando começam e nem quantos serão.
Em Betim (MG), onde a Fiat concedeu
férias coletivas a 2 mil dos dos seus 16 mil funcionários,
os fornecedores também acompanharão o calendário.
Entre as fornecedoras, já anunciaram férias coletivas entre
novembro e dezembro (mesmo período da Fiat) a Nemak Brasil e a
Magneti Marelli Cofap. Para o presidente do sindicato dos metalúrgicos
de Betim (Sindbet), Marcelino Rocha, a medida compensa a ausência
de férias coletivas dos últimos dois anos e ajuda a adequar
estoques.
Em Camaçari (BA), a Ford
confirmou nessa semana a antecipação das férias
coletivas em 15 dias, para 10 de dezembro. Com a montadora, outras 27
empresas que juntas congregam 8.800 trabalhadores devem antecipar as
férias, segundo Marcos Vinicius Pereira dos Santos, diretor do
Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari.
Em Gravataí (RS), 17 empresas
de autopeças deram férias coletivas a 1,3 mil a 1,4 mil
empregados, seguindo a paralisação da General Motors na
região. Os empregados voltam a trabalhar entre 11 e 17 de novembro
e retomam as férias, seguindo a montadora, afirma o presidente
do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí, Valcir Ascari.
Entre as empresas, a Delphi concedeu férias a toda a equipe.
Há indústrias de
autopeças que não se sentiram obrigadas a tomar medidas
drásticas. Em Caxias do Sul (RS), o grupo Randon, concederá férias
no fim de dezembro, mantendo uma "tradição histórica" da
companhia, informou o diretor corporativo de relações com
investidores, Astor Schmitt. Em Canoas (RS), onde trabalham em torno
de 11 mil metalúrgicos, as empresas ainda não comunicaram
aviso de férias ao sindicato local.
No Paraná, os fabricantes
de louças e cerâmicas de Campo Largo, esperam parar na segunda
quinzena de dezembro, como normalmente ocorre, diz o presidente do Sindilouça,
José Canisso. "Não estamos vendendo 'pra burro', mas
também não está uma catástrofe." Os
fabricantes de móveis de Arapongas (PR) não pensam em reduzir
a produção. "As empresas estão até contratando",
disse o diretor-executivo do Sima, sindicato da indústria, Silvio
Luiz Pinetti. O presidente do Sindicato da Indústria de Material
Plástico (Simpep), Dirceu Galléas, comentou que "o
setor está em dúvida do que vai acontecer", porque
as encomendas tiveram queda de 20%, em função da redução
dos estoques dos clientes.
No setor químico, as empresas
não informaram se anteciparão as férias, que normalmente
ocorrem em dezembro, disse o secretário-geral da Federação
dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas
do Estado de São Paulo (Fequimfar), Sérgio Luiz Leite. "Houve
um problema localizado, que foi a demissão de 340 pessoas da Probel
Colchões, por conta da crise. Mas não vejo um problema
disseminado na categoria."
No setor varejista, 31
grandes grupos ainda analisam se farão contratações,
devido à crise, diz o diretor-executivo do Instituto para o
Desenvolvimento do Varejo (IDV), Emerson Kapaz. O presidente da Federação
dos Empregados no Comércio do Estado de São Paulo (Fecomerciários),
Luiz Carlos Motta, disse que as contratações se aquecem
no fim de novembro. No ano passado, o setor contratou 300 mil temporários.
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CONGRESSO EM FOCO, 10 de
novembro de 2008
A experiência democrática
brasileira
João Luís de Almeida Machado*
Democracia significa o governo
do povo [demos=povo; cratos=governo]. Isso de certa forma explica, por
exemplo, um fenômeno eleitoral e político como o do atual
presidente, ex-metalúrgico e sindicalista, Luiz Inácio
Lula da Silva. A representatividade de Lula tem como uma de suas mais
importantes explicações a sua origem humilde, de migrante
nordestino, que veio para São Paulo, se estabeleceu, criou seus
filhos, profissionalizou-se e acabou se engajando numa das mais relevantes
lutas empreendidas pelos brasileiros nos últimos 50 anos, a batalha
pela democracia, contrária à ditadura e suas arbitrariedades.
A palavra democracia, ao longo
da década de 1960 e 1970, culminando com o movimento pelas eleições
diretas nos primeiros anos da década de 80, revestiu-se de uma
aura que transcendia a simples noção de governo do povo.
Transcendeu e criou, para os
brasileiros, a compreensão de um milagre legítimo e mais
que necessário. Milagre que, aos olhos de muitos, começou
a se configurar com a eleição presidencial de 1989 e que,
para todos os que viveram aquela celebração do exercício
de cidadania, se desfez em mil pedaços com a vitória do
caçador de marajás e criador do desastroso plano econômico
que foi nomeado em sua própria homenagem, Fernando Collor de Mello.
A democracia mal havia ressurgido
e já se mostrava frágil, para muitos, um engodo, uma farsa.
Existiam aqueles que acreditavam que estávamos despreparados para
essas práticas de civilidade, que a ausência de liberdades
individuais e a verdadeira lavagem cerebral imposta ao povo brasileiro
durante a ditadura militar nos haviam tornado incapazes de separar o
joio do trigo, de distinguir as melhores propostas, de perceber as reais
intenções dos candidatos.
Como compensação
pelo desgaste sofrido com a Era Collor, seu substituto na presidência,
o ex-senador Itamar Franco, conseguiu reequilibrar a administração
pública e, com o surgimento do Plano Real, criar bases para a
reestruturação econômica que seria vivida pelo país
nas administrações de seus sucessores, Fernando Henrique
Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.
Petistas e tucanos consolidaram-se,
então, como as principais forças políticas no cenário
nacional. Não há como negar que as conquistas alcançadas
pelo país ao longo dos últimos 15 anos contam com a marca
das duas bandeiras políticas, PT e PSDB. Isso não impediu,
porém, que desilusões e amarguras fossem vividas e presenciadas
por todos.
A abertura democrática
aliada à expansão vertiginosa dos meios de comunicação
de massa, em especial depois da explosão da internet, possibilitou
que a população soubesse mais, conhecesse com detalhes
até então nunca antes revelados os bastidores do poder,
as artimanhas e interesses dos mandatários da República.
Essas revelações
chamuscaram políticos de todas as colorações e legendas.
Abriram-se processos e "tiroteios" entre os partidos e seus
representantes. Alguns foram cassados e sumiram de cena, abrindo espaço
para que outros ganhassem os holofotes [ainda que temporariamente]. Até mesmo
Fernando Henrique e Lula foram alvejados e, durante algum tempo, pareciam
destinados a sucumbir com seus partidos.
O escândalo do mensalão,
por exemplo, tirou José Dirceu de cena, justamente ele que era
[e ainda é] considerado por muitos como o principal articulador
das viradas que levaram Lula ao poder. O PSDB também foi alvo
de investigações e teve questionados e/ou processados "caciques" como
o ex-governador de Minas Eduardo Azeredo e o ex-ministro da Saúde
José Serra.
Nesse sentido, ao encerramento
de mais um pleito eleitoral no Brasil, em nível municipal, com
a eleição de prefeitos e vereadores, analisando-se com
brevidade a história recente de nosso país, desses 20 e
poucos anos de exercício regular do voto para os principais cargos
eletivos do Executivo e Legislativo, cabe refletir.
Será que a democracia
realmente só permanece por não termos outra opção
melhor para a política e a administração do país?
Se pensarmos a democracia a partir dos avanços da área
econômica (a estabilidade econômica, o controle da inflação,
a criação de reservas econômicas de vulto pelo país,
a expansão da atividade produtiva, o aumento do poder de compra
dos brasileiros), da questão das liberdades individuais (direito
de livre expressão das idéias, de participação
política, de ir e vir) ou ainda do acesso a benfeitorias sociais
(aumento da quantidade de crianças nas escolas, ampliação
da oferta de medicamentos a preços populares, criação
de projetos como o bolsa-família], passamos a crer que a democracia
representativa é, certamente, o melhor modelo político
disponível no mundo em que vivemos.
Se, por outro lado, nos orientarmos
pelos escândalos políticos e corrupção (mensalão,
anões do Congresso, dólares na cueca), pela pobreza que
ainda impera em várias regiões do país (nos morros
do Rio de Janeiro, nas favelas de São Paulo, no interior do Nordeste),
pela distribuição desigual de riquezas (que cria bolsões
de riqueza e zonas de exclusão, totalmente miseráveis)
ou ainda pela qualidade ruim dos serviços públicos (a qualidade
da educação que nos coloca sempre nos últimos lugares
das avaliações internacionais, as filas de espera nos hospitais,
estradas esburacadas, a violência que assusta e mata, a burocracia),
possivelmente passemos a achar que a democracia só continua a
prevalecer por ainda não conhecermos melhor alternativa de governo.
O que fazer? Em primeiro lugar,
creio ser imprescindível que a população não
apenas vote e delegue poderes aos representantes eleitos. É imperativo
que exista uma fiscalização regular das atividades político-administrativas
em todas as instâncias e poderes. Ao povo compete, em nome da democracia,
cobrar dos políticos eleitos a efetivação de leis
e ações que realmente melhorem a qualidade de vida da população.
Outro aspecto fundamental é que
entre os poderes existam também fiscalização e cobrança
quanto às responsabilidades que competem a cada um deles – Executivo,
Legislativo e Judiciário. E que não sejam permitidos acordos
que permitam apadrinhamento e troca de favores.
Cabe ainda compreender que a
democracia prevê direitos e deveres e somente será plena
em seu funcionamento quando as pessoas entenderem que o seu exercício
deve contemplar os interesses da coletividade e não os individuais,
particulares, de pequenos grupos. Essa compreensão é, talvez,
um dos maiores empecilhos ao pleno exercício da democracia, pois
somos educados ao longo de toda a nossa existência, dentro do capitalismo
neoliberal, a lutar a partir de fronts individualizados, personalistas
ou, na melhor das hipóteses, de nichos específicos – família,
religião, trabalho.
*João Luís de Almeida
Machado é editor do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br);
mestre em Educação, Arte e História da Cultura;
professor universitário e pesquisador; autor do livro "Na
Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora
Intersubjetiva).
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AGÊNCIA CUT, 10 de
novembro de 2008
Presidente Lula sanciona lei que amplia
direitos das mulheres grávidas
A responsabilidade do futuro pai com a vida do filho não será exigida
apenas a partir do nascimento. A partir da última quinta-feira (6) em
diante, a responsabilidade paterna é estendida para a gestação
e o suporte à mãe da criança durante toda a gravidez.
Isso é o que assegura a Lei nº 11.804, sancionada pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, ao disciplinar o direito de alimentos da
mulher gestante e a forma como será exercido.
Com vigência da concepção
ao parto, o direito a alimentos gravídicos compreende valores
para cobrir as despesas do período de gravidez. Estão garantidos
também valores referentes à alimentação especial,
assistência médica e psicológica, exames complementares,
internações, parto, medicamentos e demais prescrições
preventivas e terapêuticas indispensáveis, a juízo
do médico, além de outras que o juiz considere pertinentes.
Acesso
aos direitos gravídicos
Tão logo seja confirmada a gravidez, a mulher poderá buscar na
Justiça o direito a alimentos gravídicos do futuro pai da criança.
Por determinação do juiz, o pai do bebê terá de
se apresentar no juizado em até cinco dias.
Em audiência, o juiz fixará os
valores correspondentes a alimentos gravídicos até o nascimento
do bebê, quando serão revertidos em pensão alimentícia
em favor da criança. As despesas supridas pelo futuro pai da criança
será condizente com a sua renda, considerando também a
contribuição financeira da mulher grávida para as
despesas da gestação.
Na legislação
anterior, as mulheres só podiam requerer o suporte financeiro
após o nascimento da criança e quando comprovada a paternidade
por meio de exame de DNA.
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GAZETA DO POVO, 10 de novembro
de 2008 | Economia
Setor metal-mecânico
Negociações começam
com chance de demissões
A poucas semanas do início
da negociação salarial entre trabalhadores e empresas do
setor metal-mecânico, os dois lados dão sinais de que vão
protagonizar uma queda-de-braço para definir os reajustes. De
um lado, as empresas argumentam que as perspectivas são de redução
de produção e consumo, por conta da crise econômica;
do outro, sindicalistas dizem que a situação não é tão
grave e prometem paralisar atividades caso suas reivindicações
não sejam aceitas. Uma das empresas que está em negociação
com os trabalhadores é a multinacional Bosch, que teve suas exportações
reduzidas e que, por isso, poderá demitir uma parte de seus quase
5 mil funcionários.
Cerca de 30 mil metalúrgicos
de Curitiba e região têm data-base em 1º de dezembro,
mas as grandes empresas costumam negociar em separado. De acordo com
o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), a Bosch
ofereceu duas possibilidades, que foram rejeitadas pelos trabalhadores
em assembléia ontem de manhã. O presidente da entidade,
Sérgio Butka, antes de saber da possibilidade de demissões
na Bosch, disse ontem à tarde que os trabalhadores podem entrar
em greve a partir da semana que vem, caso a empresa não reformule
as propostas. A multinacional ofereceu aumento de 11% em dezembro, sem
abono, ou o pagamento da inflação no ano (7,15%) e abono
de R$ 700 em dezembro, e o restante do aumento (3,6%) em dezembro de
2009. Em nota, a assessoria da Bosch disse que fará novas rodadas
de negociação com os trabalhadores. A empresa afirma ainda
que a “adequação no quadro de colaboradores devido à queda
de exportações e da crise econômica mundial já se
faz sentir também na empresa, assim como em diversas outras companhias”.
De acordo com a nota, não existe, hoje, perspectivas de retomada
das exportações. A Bosch também sentiu retração
no mercado interno e informou que vai adequar a produção
com férias coletivas.
Divergência
“As empresas estão
passando a mensagem errada. Estamos em um momento de diminuição
da produção, não de crise”, afirma Butka.
Várias montadoras, em Curitiba e outros estados, já reduziram
a produção. A GM anunciou um programa de demissão
voluntária (PDV) e dados divulgados ontem indicam queda nas vendas
em outubro. “As empresas estavam produzindo além do limite,
pagando horas extras para os funcionários. Agora há um
momento de restrição do crédito, mas a situação
deve voltar a se normalizar em dezembro”, opina o sindicalista.
A ameaça de greve
ocorre um dia após o Sindimetal (sindicato do setor metal-mecânico)
divulgar que pelo menos 35 empresas de Curitiba e região darão
férias coletivas para seus funcionários em dezembro.
O SMC contra-argumenta, dizendo que 42 empresas deram férias
coletivas em 2007, e que essa estratégia é normal. Segundo
o presidente do Sindimetal, Roberto Karam, cada entidade vê a
crise de uma forma. “Tomara que os sindicalistas estejam certos.
Mas o cenário é muito grave sim. Em nenhum momento pensamos
em usar a situação atual como forma de pressão.
Afinal, as empresas, por natureza, querem trabalhar, produzir e vender,
e não reduzir produção.”
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
10/11/2008
JT invalida acordo fraudulento que pretendia
liberar bens de empresa endividada
A Justiça do Trabalho
rescindiu decisão que homologou, em 1999, acordo no valor de R$
250 mil entre um engenheiro mecânico e a Companhia Jansen – Agricultura,
Indústria e Comércio, diante de indícios de haver
ajuste secreto e fraudulento entre eles com o objetivo de recuperar,
para o sócio da empresa, bens constritos por dívidas fiscais,
com o INSS e com o Estado de Santa Catarina, em valores superiores a
R$ 2,5 milhões. A Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou recurso
ordinário em ação rescisória interposto tanto
pela empresa quanto pelo engenheiro.
Antes da homologação
do acordo, o juiz da Vara do Trabalho de Blumenau (SC) havia expedido
ofício ao Juízo Falimentar para que informasse se a empresa
tinha contra si processo de falência, a fim de prevenir que o Judiciário
fosse usado para encobrir eventual fraude contra credores - processo
que durou mais de um ano. Apesar disso, o relator do recurso no TST,
ministro Barros Levenhagen, concluiu haver indícios mais do que
suficientes para reforçar a convicção de que o acordo
engendrado teria objetivado, na realidade, “prejudicar outros credores
da empresa, com a pretendida recuperação dos próprios
bens, a partir da condição privilegiada do crédito
trabalhista”.
Um dos indícios foi o
procedimento da Companhia Jansen nesse caso. Em outras reclamações
trabalhistas, a empresa não fez conciliação: ao
contrário, contestou pedidos, impugnou cálculos e embargou
execuções. Nesta ação, ajuizada em novembro
de 1997, o engenheiro afirmou ter sido contratado em 1991, como gerente
comercial, e não ter recebido salários, comissões
e horas extras, entre outras parcelas, e requereu o pagamento de R$ 555.630,34
para a quitação do débito.
A fraude
A história, contada pelo
juiz da Vara do Trabalho de Blumenau, revela que a empresa, em 1998,
dizendo-se devedora de R$235.076,23, reconheceu parcialmente a procedência
do pedido do engenheiro e fez acordo com o suposto ex-empregado no valor
de R$ 250 mil. Descumprido o acordo, que previa cláusula de multa
de 40%, a executada ofereceu, espontaneamente, três bens à penhora,
antes de formalizada sua citação. Na última atualização,
em abril de 2003, o valor do débito era superior a R$ 500 mil,
já incluída a multa.
Em seu relato, diz o juiz que,
pelo depoimento da preposta e das testemunhas ouvidas na instrução,
o engenheiro era pessoa de confiança do presidente da companhia
- e da viúva, após o falecimento do dirigente. A empresa
já não estava em atividade vários anos antes do
início da ação, e os únicos empregados eram
os responsáveis pela manutenção do patrimônio,
dentre os quais, segundo afirmou a preposta, não estava incluído
o engenheiro mecânico.
Diante do apurado e da constatação
de que a empresa estava desativada, com todo o patrimônio onerado
em execuções judiciais, mas mesmo assim continuava realizando
vultosos acordos, o juiz determinou a remessa ao Ministério Público
do Trabalho. Este verificou que os advogados das partes contrárias
eram associados, ou seja, atuavam no mesmo escritório, com ações
conjuntas na Justiça Federal e no Tribunal de Justiça de
Santa Catarina, e o advogado da empresa havia sido contratado pelo engenheiro
em outra ação.
O MPT propôs, então,
a ação rescisória, e o Tribunal Regional do Trabalho
da 12ª Região (SC) decidiu invalidar o acordo homologado
e julgar improcedente a reclamação trabalhista. No TST,
a SDI-2 não alterou o entendimento regional, pois, diante do quadro
apresentado, concluiu que houve a colusão alegada pelo MPT e negou
provimento a ambos os recursos. ( ROAR– 14/2004-000-12-00.0)
(Lourdes Tavares)
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10/11/2008
FGTS e aposentadoria: inconstitucionalidade
não retroage a 1987
Os efeitos da decisão
do Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade do artigo
453, parágrafo 2º da CLT e entendeu que a aposentadoria espontânea
não extingue o contrato de trabalho não dá origem
a direito àqueles que não buscaram a Justiça dentro
do prazo prescricional para assegurar o pagamento da multa de 40% pela
extinção do contrato de trabalho pela aposentadoria. Com
este fundamento, a Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou
recurso de uma ex-empregada da Brasil Telecom S.A. que, 20 anos após
sua demissão, pretendia receber a multa.
Em reclamação trabalhista
ajuizada em 2007, a Justiça do Trabalho da 9ª Região
(PR) aplicou a prescrição total, sob o entendimento de
que a decisão do STF não interrompeu ou suspendeu a prescrição
do direito de ação, que continuava a ter como marco inicial
a data da rescisão do contrato – ocorrida em 1987. A trabalhadora
recorreu então ao TST alegando que o direito à multa dos
40% só foi reconhecido com a publicação do resultado
da ADIN nº 1.721-3 do STF, em junho daquele ano, e que esta seria,
portanto, a data a ser considerada para início da contagem do
prazo prescricional para reclamar as diferenças daí decorrentes.
O relator, ministro Aloysio Corrêa
da Veiga, observou que a ação declaratória da inconstitucionalidade
torna nula a lei de origem, mas não pode legitimar situações
concretas que se consolidaram no tempo de vigência da lei. “A
existência de coisa julgada ou de prescrição em razão
de atos que se aperfeiçoaram no período de vigência
da lei nula não torna viável restabelecer pretensões
que já se encontram consumadas, seja pelo tempo, seja pelo ato
jurídico perfeito”, afirmou em seu voto, lembrando a conduta
de um grande número de trabalhadores que ajuizaram ação
trabalhista a fim de receber a multa, questionando a tese de que a aposentadoria
extinguia o contrato de trabalho. “O ordenamento jurídico
traz elementos necessários para que a parte adote medidas para
fazer valer o seu direito”, assinalou. “A inércia
pelo tempo traz como conseqüência a prescrição,
que evidencia atos e condutas com o fim de assegurar a defesa das partes
em juízo no prazo que a Constituição Federal indica”.
O ministro Aloysio explicou
que a multa deveria ter sido buscada no prazo de dois anos da extinção
do contrato, e não 20 anos depois, com base no julgamento de
ação que declarou a inconstitucionalidade de uma norma
legal que sequer existia na época da extinção
do contrato de trabalho da empregada (a ADIN julgou inconstitucional
apenas os parágrafos 1º e 2º do artigo 453 da CLT,
que foram acrescentados em 1997 pela Lei nº 9.528). “Pelo
princípio da actio nata, a autora já tinha o direito
de ação desde o momento da despedida, não sendo
a decisão judicial em ação direta de inconstitucionalidade
o momento em que surgiu esse direito”, afirmou. E destacou ainda
que a possibilidade defendida pela trabalhadora atentaria contra o
direito de defesa do empregador, pois ele dependeria de documentos
que a legislação apenas o obriga a manter pelo tempo
da prescrição. ( RR 7961/2007-663-09-00.2)
(Carmem Feijó)
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