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O ESTADO DO PARANÁ,
11 de novembro de 2008 | Economia
Emprego industrial cresce há nove
trimestres seguidos
Agência Estado
A continuidade da expansão do emprego industrial em setembro acompanha
os bons resultados apurados na produção do setor, segundo a economista
da coordenação de indústria do IBGE, Isabella Nunes. Segundo
ela, os resultados trimestrais de ocupação "mostram um ciclo
forte de expansão do emprego na indústria".
Segundo os dados divulgados nesta
segunda-feira (10) pelo IBGE, o emprego industrial aumentou 2,5% no terceiro
trimestre deste ano ante igual período de 2007, totalizando nove
trimestres consecutivos de expansão nessa base de comparação.
Ante o trimestre imediatamente anterior, houve aumento de 1% no emprego,
fechando sete trimestres consecutivos de crescimento.
Isabella destacou também
que os segmentos que estão puxando a ocupação industrial,
que são máquinas e equipamentos e meios de transporte,
são também aqueles que estão liderando o crescimento
da atividade industrial.
No que diz respeito à folha
de pagamento real, que mostrou significativo aumento de 7,9% em setembro
ante igual mês do ano passado, Isabella disse que neste caso
também há forte impacto do dinamismo da produção. "O
bom desempenho da indústria favorece as negociações
de salário, o poder de barganha dos trabalhadores é maior
quando o nível de produção está elevado",
afirmou.
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FOLHA DE LONDRINA, 11 de
novembro de 2008 | Economia
Serviços ficam mais caros para
famílias brasileiras
O aquecimento da economia brasileira, que resultou no crescimento das ofertas
de emprego e da massa salarial, também abriu espaço para alta
da demanda por serviços, o que contribuiu para a o aumento de preços
neste segmento.
Considerando o período
de novembro de 2007 a outubro de 2008, houve reajuste médio de
6,35%, acima da inflação medida pelo IPC-10 nos últimos
12 meses, que ficou em 5,47%. Segundo pesquisa realizada pelo economista
André Braz, da Fundação Getúlio Vargas, muitos
serviços registraram os maiores reajustes dos últimos quatro
anos. Entre eles, destacam-se teatros (14,86%), hotéis (11,29%)
e refeições em restaurantes (10,85%).
Através dos resultados
do IPC-10 da FGV, o economista verificou que os serviços mais
comuns ao dia-a-dia das famílias apresentaram reajustes acima
da inflação. Dos 34 selecionados, apenas 14 não
registraram aumentos superiores ao do IPC acumulado entre novembro de
2007 e outubro de 2008. Entre eles, estão mensalidades para TV
por assinatura (0,54%), exames de laboratório (1,17%) e cinema
(1,51%).
Agência Graffo
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FOLHA
DE SÃO PAULO, 11 de novembro de 2008 | Dinheiro
CEF deve ter participação
minoritária em construtora
Empresas preferem empréstimo à compra
de ação
LEANDRA PERES
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O CMN (Conselho Monetário
Nacional) será o responsável por definir o percentual
máximo que a CaixaPar, empresa criada por meio da MP 443,
poderá comprar em construtoras com dificuldades de caixa.
A idéia é que a Caixa Econômica Federal tenha
participações apenas minoritárias, mas a proibição
não deverá ser incluída no texto da MP que está na
pauta para ser votada hoje.
As negociações entre o Ministério da Fazenda e o relator
da MP, deputado João Paulo Cunha (PT-SP), para viabilizar a aprovação
da medida não incluem a exigência de venda dos ativos que foram
comprados, sejam participações em empresas ou bancos. O prazo
para que BB e Caixa saiam às compras deve se encerrar em 2010, com a
possibilidade de prorrogação por mais dois anos.
Segundo João Paulo, a medida provisória nunca teve a intenção
de "liberar" a Caixa para comprar partes majoritárias das
construtoras e por isso a regulamentação para evitar que isso
aconteça deve ser feita pelo CMN. A votação da MP 443
está prevista para começar hoje e ser concluída amanhã.
A aquisição de ações da construção
civil foi uma estratégia montada pelo governo para melhorar a situação
de caixa das empresas do setor que estão com dificuldades de tomar empréstimos
por causa da crise financeira internacional. A medida, no entanto, foi criticada
pelas empresas que dizem precisar de recursos de empréstimos e não
de compra de ações.
A venda dos bancos e empresas que forem comprados pelas instituições
estatais não terá prazo para ser feita para evitar prejuízos.
O governo avalia que se houver qualquer limitação desse tipo,
os compradores vão esperar pelo prazo final de venda e oferecer preços
muito baixos. Além disso, no caso dos bancos, Caixa e BB podem fazer
uma operação definitiva. O prazo a ser incluído pelo relator
na MP, que deve ficar em torno de dois anos, diz respeito apenas a aquisições
feitas por BB e CEF.
O trabalho de convencimento dos deputados para a aprovação da
MP incluiu também a distribuição de uma espécie
de memorial sobre a medida. O documento elaborado pelo Ministério da
Fazenda diz que a MP tem o objetivo de "impedir a ocorrência de
comportamentos oportunista por parte de instituições financeiras
[...] que, capitalizadas, poderiam vislumbrar a oportunidade de adquirir, a
preços artificialmente baixos, instituições ou empresas
com boas perspectivas de médio e longo prazo".
O governo também cita prejuízos à economia que seriam
causados por "demissões e reduções no nível
de investimento" de um setor estratégico, como a construção
civil.
A oposição não deve dificultar a votação
da medida. "O fato é que a crise é muito forte e precisamos
agir, por isso queremos colaborar. Queremos transformações [na
MP], mas não estamos com nenhuma intenção de obstruir",
disse o líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal
(SP).
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CONGRESSO EM FOCO, 11 de
novembro de 2008
A crise, suas causas e conseqüências
Antônio Augusto de Queiroz*
A tempestade financeira, para
usar uma expressão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ou o
terremoto, como diz Ignácio Ramonet, do Le Monde Diplomatique,
são os adjetivos mais amenos para qualificar a maior crise do
sistema financeiro, depois de 1929.
O mundo virtual, de faz de conta,
que movimenta seis vezes a riqueza mundial sem qualquer regulamentação,
algo como 250 bilhões de euros, veio a baixo. Os prejuízos
são incalculáveis, mas ninguém discute as causas
dessa tragédia. Discute-se apenas o que o governo de cada país
ou Estado fará para estancar as larvas do vulcão, que derretem
mercados mundo afora.
Um debate das causas levaria,
inevitavelmente, ao reconhecimento do fracasso das políticas neoliberais,
que tinham como slogan, na gestão Reagan, “O Estado não é a
solução, é o problema”. Porém, quando
o “deus mercado” falha – e falhará sempre porque
sua ganância não aceita limites – recorre-se sempre
ao Estado, subtraindo recursos que deveriam ser aplicados em favor dos
povos. A lógica dos capitalistas, notadamente os rentistas, é sempre
a mesma: privatizar os lucros e socializar os prejuízos.
A irresponsabilidade dos banqueiros
dos países centrais, especialmente dos EUA, nunca punida de forma
exemplar, prejudica a todos, num efeito dominó por força
da globalização dos mercados. Assim, país como o
Brasil, cujo sistema financeiro estava saneado, sofre as conseqüências
da crise, seja com a transferência de recursos das multinacionais
aqui instaladas para socorrer suas matrizes, seja com a especulação
nas bolsas de valores e no câmbio, seja com a redução
das exportações.
O fato é que a crise sai
do mundo virtual e atinge em cheio a economia real, com a escassez de
crédito, com a redução dos investimentos e, conseqüentemente,
com a desaceleração da economia mundial. Tudo isso resulta
em menos investimentos e menos produção, especialmente
em países cuja pauta de exportação é fundamental
para o equilíbrio da balança comercial e de serviços
com o resto do mundo, como é o caso brasileiro.
O desafio, agora, é punir
os responsáveis e superar a crise com garantia de crédito,
regulamentação dos mercados, e estímulo e apoio
aos investimentos, para preservar os empregos e manter a renda das famílias,
sob pena de uma grande recessão ou mesmo depressão econômica
mundial.
O irônico é que
somente o Estado, aquele ente que os neoliberais apresentavam como o “problema”,
poderá evitar essa tragédia, fornecendo os meios: crédito,
regulação e investimento.
*Antônio Augusto de
Queiroz é jornalista, analista político e diretor de
Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria
Parlamentar (Diap).
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O ESTADO DO PARANÁ,
11 de novembro de 2008 | Política
Lula diz que só com vontade
política é possível acabar com crise
Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (10)
que os países precisam construir um sistema financeiro mais transparente
e imune ao capital especulativo. Em discurso no Palácio Quirinale, em
Roma, onde foi recebido pelo presidente italiano Giorgio Napolitano, ele afirmou
que só com vontade política é possível acabar com
a crise financeira mundial. "Os governantes precisam entender que precisamos
ouvir menos analistas de mercado e mais analistas de problemas sociais, de
desenvolvimento e que conhecem as pessoas", disse.
Sob o olhar de Napolitano, um
ex-comunista, que demonstrou surpresa e satisfação com
a parte de improviso do discurso, Lula disse que os países em
desenvolvimento precisam ser mais ouvidos nos fóruns internacionais. "Penso
que essa crise é uma oportunidade extraordinária para fazermos
uma reflexão de tudo que fizemos de errado a partir do Consenso
de Washington e criarmos outro consenso em que o ser humano, o trabalhador,
a produção industrial e a produção científica
e tecnológica sejam a razão de ser da economia e não
a especulação financeira", disse.
Em seu discurso, o presidente
brasileiro disse que Brasil e Itália têm histórias
e culturas que se entrelaçam. "Nossos povos se admiram",
afirmou. "Nos reconhecemos uns nos outros e não poderia ser
diferente, pois temos hoje no Brasil mais de 30 milhões de descendentes
de italianos", completou. Lula ressaltou ainda que o intercâmbio
comercial entre os dois países chega a US$ 8 bilhões anualmente.
Giorgio Napolitano, em discurso
feito anteriormente, também lembrou da importância dos italianos
na formação e desenvolvimento do Brasil e destacou a importância
do Brasil no atual contexto. "O Brasil é um protagonista
influente nas relações internacionais", afirmou. "Neste
momento de crise, o Brasil é um dos principais países emergentes,
um baricentro das decisões", disse.
O presidente italiano disse
que, no encontro de governantes em Washington, no próximo final
de semana, para discutir a crise financeira, o Brasil poderá dar
uma grande contribuição para encontrar novas regras. "Concordo
com o presidente Lula de que é preciso encontrar uma estabilidade
no mercado e resolver os problemas", disse. Ele ainda ressaltou
que o Brasil, por ter um importante papel na estabilidade econômica
e política na América Latina, pode ajudar a intensificar
as relações entre a União Européia e a
região.
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE),11 de novembro de 2008 | Brasil
Senado adota licença-maternidade
de seis meses para "dar exemplo"
O presidente do Senado, Garibaldi
Alves (PMDB), publicou ato no boletim administrativo da Casa na última
sexta-feira (7) em que autoriza a licença-maternidade de seis
meses às servidoras da Casa.
A
Lei 11.770/08, oriunda de projeto de lei de autoria da senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), autoriza
as empresas a estender a licença-maternidade de suas funcionárias
por dois meses do que o previsto anteriormente.
A
licença-maternidade é facultativa
e a empresa que adotá-la pode abater o pagamento dos dois meses
adicionais à trabalhadora no Imposto de Renda.
Segundo Garibaldi, a iniciativa
de aplicar a lei no Senado é para "dar exemplo". "Tomei
essa iniciativa, inclusive para, de certa maneira, dar um exemplo de
como isso deve ser feito", disse o peemedebista à Agência
Senado.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
11 de novembro de 2008 | Dinheiro
General Motors demitirá 1.900
funcionários na América do Norte
DA REDAÇÃO
DA FOLHA ONLINE
A General Motors, a maior montadora
dos EUA, disse que demitirá mais 1.900 funcionários das
suas fábricas na América do Norte, dias depois de anunciar
que, sem a ajuda governamental, poderá não ter a liquidez
necessária para continuar operando no ano que vem. Na sexta-feira,
a empresa já havia anunciado o corte de outros 3.600 postos de
trabalho.
De acordo com um porta-voz da companhia, os novos cortes começarão
a ser efetuados no primeiro trimestre do ano que vem em fábricas de
motores, transmissão e estampas, visando reduzir gastos em um momento
de recrudescimento da crise financeira. Ele não disse quais unidades
serão afetadas, mas afirmou que nenhuma fábrica será fechada.
A GM disse que perdeu US$ 4,2 bilhões (excluindo ganhos extraordinários)
de julho a setembro e que "queimou" US$ 6,9 bilhões do seu
caixa no trimestre pela "desaceleração da demanda por veículos
combinada com a crise de crédito, especialmente na América do
Norte e na Europa".
A situação é tão dramática que ela já nem
descarta um pedido de concordata e suspendeu as negociações de
fusão com a Chrysler.
Na Europa, a Opel, subsidiária da General Motors, pediu ajuda ao governo
alemão para superar a atual crise, afirmou o jornal "Frankfurter
Allgemeine", informação confirmada pela chancelaria, que
disse que o auxílio será "examinado em detalhes.
O programa de ajuda chega a 40 bilhões de euros, de acordo com o jornal.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
11 de novembro de 2008 | Dinheiro
Crise no setor automotivo atinge 10
mil operários na Argentina
THIAGO GUIMARÃES
DE BUENOS AIRES
A crise das montadoras nos EUA
e na Europa e a queda na venda de veículos no Brasil já atinge
o setor na Argentina.
Segundo o Smata (principal sindicato de metalúrgicos do país),
cerca de 10 mil trabalhadores estão sendo afetados por medidas como
demissões, suspensões e férias antecipadas.
A Argentina exporta 60% de sua produção de veículos, que
em 2007 atingiu 544.647 unidades. O Brasil, destino de 70% das exportações
argentinas, registrou em outubro sua primeira queda do ano nas vendas ante
mesmo mês de 2007.
Apesar do bom desempenho geral em 2008, os números de outubro da indústria
argentina apontam desaceleração no setor. Em relação
a setembro, a produção caiu 7,7%, as vendas perderam 9,6% e as
exportações subiram 1,2%.
A montadora americana GM foi a primeira a demitir na Argentina. No final do
mês passado, anunciou a demissão de 435 empregados (20% do total)
da fábrica da Província de Santa Fé. O governo estadual
interveio para impedir as demissões e determinou conciliação
obrigatória entre as partes.
De acordo com o Smata, montadoras como Renault, Peugeot, Volkswagen, Fiat,
Iveco e Mercedes-Benz já anunciaram medidas como suspensões temporárias,
férias antecipadas e cortes de carga horária.
O sindicato fez um protesto em Buenos Aires ontem, com cerca de 12 mil participantes,
segundo Héctor Chaparro, secretário de Organização
da entidade. Nas faixas de manifestantes, muitos deles jovens com uniformes
de montadoras, inscrições como Por trabalho e melhores salários".
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BEM PARANÁ, 11 de
novembro de 2008 | Economia
Bosch
Funcionários votam pela paralisação
Os funcionários da Bosch, maior indústria do setor metalúrgico
no Paraná, decidiram em assembléia ontem permanecer com a paralisação
iniciada na última sexta-feira. A empresa, localizada na Cidade Industrial
de Curitiba (CIC), produz bombas injetoras e componentes para o sistema a diesel.
Na unidade do Paraná, trabalham cerca de 5 mil empregados.
Segundo a assessoria do Sindicato
dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, não houve acordo com
os trabalhadores, porque a empresa não apresentou uma nova proposta
salarial. A expectativa do sindicato é de que a empresa apresente
uma proposta que atenda às reivindicações dos trabalhadores.
Na assembléia de sexta-feira os metalúrgicos rejeitaram 11% de
reajuste salarial (aumento real + correção de 100% da inflação)
para abril do ano que vem e um abono de R$ 1,5 mil que seria pago no dia 9
de janeiro e decidiram paralisar a produção em um protesto de
72 horas.
Haverá nova assembléia
hoje na porta da fábrica, às 5h30, para decidir sobre a
manutenção da greve. Ontem estava agendada mais uma rodada
de negociações entre a empresa e o Sindicato.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
11/11/2008
Trabalho em minas: prorrogação
de jornada sem licença prévia é inválida
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho rejeitou recurso de revista da Carbonífera
Criciúma S.A., de Santa Catarina, contra condenação
ao pagamento, como extras, das horas excedentes à jornada legal
de 36 horas semanais garantida aos trabalhadores em subsolo. Embora a
prorrogação da jornada para 37h30min semanais fosse prevista
em acordos coletivos da categoria, a CLT a condiciona à autorização
da autoridade competente em matéria de higiene do trabalho.
O trabalhador, entre março
de 1999 e setembro de 2005, exerceu a função de mecânico
operador de “bob cat” (retro escavadeira) no subsolo da mina
de carvão mineral de propriedade da empresa. Ao ser demitido,
questionou na Justiça do Trabalho a validade das cláusulas
de convenções e acordos coletivos de trabalho que fixaram
a jornada semanal dos trabalhadores na indústria de extração
de carvão em 37 horas e 30 minutos, alegando que a alteração
seria contrária ao artigo 293 da CLT. A pretensão, indeferida
inicialmente pela Vara do Trabalho de Criciúma, foi acolhida pelo
Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (SC). Diante
da ausência da autorização da autoridade competente,
reconheceu como extras as horas excedentes às 36 da jornada regularmente
prevista na CLT.
No recurso ao TST, a mineradora
sustentou que a única exigência feita pela Constituição
Federal para que haja compensação ou prorrogação
de horário é a realização de acordo ou convenção
coletiva. A decisão que considerou nula a cláusula, no
seu entendimento, contrariou, entre outros, o artigo 7º, inciso
XXVI da Constituição, que garante eficácia à negociação
coletiva.
“Ocorre que, em se tratando
de trabalhador em minas de subsolo, a legislação cuidou
de traçar regramento especial, tendo em vista o elevado grau de
insalubridade presente na atividade, a precariedade das condições
de trabalho, ínsitas ao local, e os riscos a que se submetem os
trabalhadores”, explicou a relatora do recurso, ministra Rosa Maria
Weber – daí, portanto, a necessidade de licença prévia
da autoridade competente em matéria de higiene do trabalho. “Ressalto
que se trata de norma de cunho protetivo a direito indisponível
do trabalhador recepcionada pela atual Constituição, que
consagra como direito dos trabalhadores a redução dos riscos
inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e
segurança (artigo 7º, inciso XXII).”
A relatora afirmou em seu voto
que a decisão do TRT/SC não nega a possibilidade da prorrogação
da jornada (expressamente autorizada pelo artigo 295 da CLT, que permite
estender a duração para até oito horas diárias),
mas apenas recusou eficácia à norma coletiva pela ausência
das condições necessárias a sua validade. “Justamente
pelas peculiaridades de que se reveste, o trabalho em minas de subsolo
goza de tutela especial, por meio de normas imperativas e de ordem pública”,
assinalou a ministra Rosa Weber. “Assim, apesar de a Constituição
prestigiar o princípio da autonomia das vontades coletivas, prevalece
o princípio da reserva legal, sendo infensos à negociação
coletiva direitos indisponíveis do trabalhador”, concluiu.
( RR 1567/2006-053-12-00.7)
(Carmem Feijó)
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11/11/2008
Empregada terceirizada em empresa pública
ganha diferenças salariais
Uma ex-operadora de telemarketing
contratada pela Ask Companhia Nacional de Call Center para prestar serviços à Copel,
empresa responsável pela distribuição de energia
do Paraná, vai receber as diferenças salariais entre ela
e uma funcionária da Copel que realizava as mesmas atividades
e tinha salário maior. O seu direito foi reconhecido pela Justiça
do Trabalho da 9ª Região (PR) e mantido pela Sétima
Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que rejeitou recurso de revista
das duas empresas contra a condenação.
A ação foi ajuizada
em 2006. Nela, a operadora informava ter sido despedida sem motivo e
pedia para receber as diferenças salariais ao argumento de que
realizava atividades idênticas às da sua colega: elas atendiam
os clientes rurais da Copel e registravam informações tais
como queda de energia e venda de postes. A diferença entre os
salários era da ordem de 50%. A empresa de telemarketing, em sua
defesa, alegou a impossibilidade da equiparação salarial,
por serem diferentes os empregadores – sendo que os empregados
da Copel foram admitidos por concurso público. Negou, ainda, a
identidade de função entre a sua empregada e os funcionários
da Copel citados como paradigma e defendeu a legalidade da terceirização.
A decisão de primeiro
grau rejeitou o pedido da trabalhadora. O TRT/PR, reconhecendo o direito,
modificou a sentença e condenou a empresa ao pagamento das referidas
diferenças, com base, analogicamente, no artigo 12, alínea “a” da
Lei nº 6.019/1974, que garante aos trabalhadores temporários
remuneração equivalente à percebida pelos empregados
de mesma categoria da empresa tomadora ou cliente.
Ao recorrer ao TST, a Ask insistiu
na impossibilidade de equiparação com base no artigo 461
da CLT, que a assegura apenas para trabalhadores da mesma empresa. Mas
o relator do recurso na Sétima Turma, ministro Guilherme Caputo
Bastos, rejeitou (não conheceu) o recurso. “O TRT não
deferiu a equiparação salarial, deixando registrado expressamente
que ‘seria impossível, no caso dos autos, a equiparação
com base da CLT por não se tratar de mesmo empregador”,
observou. O ministro explicou que a decisão regional teve por
fundamento a interpretação analógica de outro dispositivo
legal, e este – a Lei nº 6.019/1974 – não foi
questionado nas razões de recurso. ( RR-1575-2006-007-09-00.9)
(Mário Correia)
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