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Vermelho, 12 de novembro
de 2008
Dieese: 13º salário colocará R$
78 bi na economia nacional
O pagamento do 13º salário
pelos empregadores deve injetar na economia brasileira até o fim
do ano cerca de R$ 78 bilhões, aponta pesquisa do Dieese (Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
Segundo o levantamento, aproximadamente 68,2 milhões de brasileiros
são beneficiados com o 13º salário, entre eles aposentados
e contribuintes da Previdência Social.
Nesse cálculo, o Dieese
não leva em conta os autônomos e assalariados sem carteira
que, eventualmente, recebem algum tipo de abono de fim de ano. Também
não é considerado pelo estudo o adiantamento da primeira
parcela do 13º salário ao longo do ano.
"Dessa forma, os dados apresentados
constituem uma projeção do montante que entra na economia
ao longo do ano e não necessariamente nos dois últimos
meses. Entretanto, estima-se que a maior parte, cerca de 70% do total
dos valores referentes ao 13º, seja paga no final do ano",
explica documento do Dieese.
O número de pessoas que
receberá o 13º salário em 2008 é cerca de 6,9%
superior ao observado em 2007. Estima-se que 4,4 milhões de pessoas
passaram a receber o benefício neste ano, por terem requerido
aposentadoria ou pensão ou se incorporado ao mercado de trabalho.
O Dieese aponta que aproximadamente
26,7 milhões dos que recebem o 13º salário, ou 37,7%
do total, são beneficiários da Previdência Social
como aposentados ou pensionistas. Os empregados formais (41,5 milhões
de pessoas) correspondem a 60,9% do total. Os empregados domésticos
com carteira de trabalho assinada totalizam quase 1,9 milhão,
equivalendo a 2,7% desse conjunto de beneficiários, e aproximadamente
1 milhão de pessoas (ou 1,4% do total) refere-se a aposentados
e instituidores de pensão da União (Regime Próprio).
Destino da verba
O 13º salário tem
como destino o pagamento de dívidas para 60% dos brasileiros consultados
pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças,
Administração e Contabilidade (Anefac). A pesquisa, divulgada
nesta terça-feira (11), foi realizada em outubro deste ano, com
573 consumidores de todas as classes sociais.
O percentual é maior do
que o verificado na pesquisa de 2007 (58%). Segundo a Anefac, como vem
ocorrendo todos os anos, a maior parte dos consumidores (mais de 50%)
tem dívidas contraídas no cheque especial e no cartão
de crédito.
Outros 15% pretendem comprar
presentes, contra 20% do ano passado. Como nos anos anteriores, os brinquedos
são os produtos que mais têm atraído os recursos
do décimo terceiro (73%, contra 81% em 2007). “Todos os
itens de consumo apresentaram uma redução na intenção
de gastos dos consumidores neste ano em relação a 2007,
sendo a maior redução no item comprar ou trocar de veículo,
que teve uma redução de 50% na intenção de
compra”, informa comunicado da associação.
Da redação, com agências
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Vermelho,
12 de novembro de 2008
Contra a crise, economistas defendem
distribuição de renda
Companheiros do Brasil no Bric, grupo que
reúne as maiores economias emergentes, Rússia, Índia
e China têm as atenções mundiais voltadas ao
desempenho de suas economias nesse período de crise financeira
global. A análise da situação desses três
países por economistas locais foi um dos pontos altos do simpósio
internacional “Perspectivas para o Desenvolvimento no Século
21”, organizado pelo Centro Internacional Celso Furtado e realizado
nos dias 6 e 7 de novembro no Rio de Janeiro.
Professor da Escola de Estudos Orientais
e Africanos da Universidade de Londres, o chinês Dic Lo afirmou
que a atual crise servirá para que seu país resolva
o paradoxo constituído pelas graduais transformações
econômicas iniciadas há três décadas sob
o comando da direção do Partido Comunista Chinês: “Existe
uma pressão para a China aderir ao Consenso de Washington,
como se esse fosse um caminho natural para o seu crescimento econômico.
Por outro lado, a corrente anti-globalização defende
as reformas capitalistas, mas não admite que a China assuma
uma política neoliberal, no que se refere à desigualdade
social e a má distribuição de renda”,
disse.
Lo propõe uma alternativa, que é “trabalhar
com o mercado, mas adotar políticas sociais para corrigir
os excessos”. O governo chinês, segundo o economista,
demonstra ter essa percepção: “Houve preocupação
em aliar o crescimento econômico com políticas de proteção
ao trabalho e um forte processo de sindicalização”,
disse. Frente à crise atual, Lo acredita que a China vá se
portar como na crise asiática, iniciada em 1999: “Na
ocasião, o governo chinês aumentou seus gastos com investimentos
e optou pela expansão do PIB”.
Um fator específico que, segundo Lo,
dá segurança à China em momentos de crise financeira é o
fortalecimento de sua economia doméstica: “A distribuição
igualitária da renda foi fundamental para alavancar o consumo
de massas e fortalecer a economia doméstica nesses anos de
crescimento acelerado. Houve uma revolução de consumo
da população chinesa como um todo”, disse.
O recente e fantástico crescimento
da China, na explicação do economista, conhece duas
etapas. Na primeira, que durou do fim dos anos oitenta até 1995,
o governo investiu maciçamente no crescimento da indústria
pesada, o que provocou a transformação da mão-de-obra
agrícola em mão-de-obra industrial e ocasionou uma
grande migração da população rural para
as cidades.
A segunda fase, que dura até hoje,
marca a gradual abertura da China para o capital externo e o mercado
financeiro: “A liberalização, acentuada a partir
de 2000, já trouxe conseqüências macroeconômicas
sérias, como a demissão de 65 milhões de trabalhadores
das empresas estatais ou coletivas”, afirma Lo. A atual crise,
espera o economista, servirá para enfraquecer o setor da elite
política chinesa que defende uma maior adesão ao Consenso
de Washington: “A crise mostrou a todos que o aumento das atividades
ligadas à especulação não pode continuar”.
China sobe, Rússia desce
Ao contrário de um governo comunista
que se abre gradualmente ao capitalismo, o caso da Rússia é exemplo
de uma abertura radical realizada em poucos anos, fato que faz com
que a situação atual do país seja bem diferente
da situação chinesa. Essa demonstração
foi feita pelo economista russo Vladimir Popov, que é professor
da Nova Escola Econômica de Moscou: “China e Vietnã fizeram
reformas que não trouxeram redução da economia.
Na Rússia, e nos países do Leste Europeu, ocorreu o
oposto”, disse.
Segundo Popov, até hoje o PIB russo
se encontra abaixo dos níveis registrados em 1989, ano da
queda do regime comunista. O estresse social causado pelo desmantelamento
do estado soviético e a apropriação do aparato
bélico e industrial russo por uma nova elite dirigente, segundo
o economista, está na origem da crise que só permitiu à Rússia
voltar a crescer continuamente a partir de 1998. O problema da desigualdade,
no entanto, ainda é o mais grave do país na opinião
de Popov: “Segundo a revista Forbes, existem 500 bilionários
na Rússia. Na Alemanha foram identificados 50”, disse.
Popov afirmou que o sucesso chinês
se deve à herança maoísta, que concentrou nas
mãos do Estado o sistema bancário, a posse das terras
e o acúmulo de reservas: “Por isso, ao contrário
da Rússia, a liberalização econômica teve
efeito positivo quando chegou à China”, disse. O economista
russo afirmou que o atual sucesso da economia chinesa pode servir
de inspiração na busca de soluções para
a economia global: “O importante do crescimento chinês é que,
pela primeira vez, de verdade, um país conseguiu vencer o
atraso econômico sem adotar o modelo ortodoxo neoliberal”.
A pobre Índia rica
Colônia britânica até 1950
e país democrático e capitalista desde então,
a Índia é um caso a parte, como demonstrou o economista
indiano Rayaprolu Nagaraj, que é professor do Instituto Indira
Gandhi de Pesquisa sobre o Desenvolvimento. O país ocupa atualmente
o 12º lugar no ranking das maiores economias do mundo, mas ainda
enfrenta o desafio de promover a distribuição de renda
e combater a extrema pobreza que assola parte de sua enorme população,
sobretudo os 56% que vivem no meio rural.
A atual posição de força
da economia indiana, segundo Nagaraj, se explica pelo fortalecimento
do mercado doméstico: “Durante décadas, o crescimento
econômico do país não dependeu de poupança
externa ou de fluxos financeiros privados internacionais”,
disse. Em um primeiro período, que durou até a década
de 1980, a Índia cresceu e conseguiu reduzir a pobreza absoluta.
A partir da década seguinte, com o aceleramento das reformas
e a adesão ao Consenso de Washington, a coisa se modificou: “As
reformas fizeram a Índia crescer ainda mais, mas tiveram impacto
negativo na redução da pobreza”, disse o economista.
Nagaraj aponta como grandes desafios para
a Índia aprofundar a democracia e diminuir a desigualdade
social. Algumas medidas já vem sendo tomadas pelo governo
indiano, como a adoção de políticas de inclusão
positiva e do sistema de cotas nos postos de trabalho e no ensino
superior para os membros das castas mais baixas, como os dalits (intocáveis),
que representam 15% da população. A crise atual, segundo
Nagaraj, também pode servir como momento de reflexão
para o governo indiano: “A Índia está numa encruzilhada:
ou segue a ortodoxia de Washington ou aprofunda as políticas
de investimento interno e combate à pobreza e à desigualdade
social”.
Fonte: Agência Carta Maior
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 12 de novembro de 2008 | Dinheiro
Caixa amplia limite de financiamento
para construção
A Caixa Econômica Federal ampliou o limite de financiamento para compra
de material de construção de R$ 7.000 para R$ 25 mil. Segundo
informou a instituição nesta segunda-feira, o empréstimo
tem juros de 6% a 8,16% ao ano, de acordo com a faixa de renda --com limite
em R$ 1.900.
A linha de crédito chamada
de Construcard FGTS prevê prazo do financiamento em até 40
meses. A contratação é simplificada, diretamente
nas agências da Caixa, e permite incluir até 15% do valor
do material para custos de mão-de-obra.
Para renda acima de R$ 1.900,
há a opção da linha de crédito Construcard
Caixa/SBPE, com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo.
O limite mínimo de empréstimos nesse caso é de R$
1.000 e valor máximo conforme a capacidade de pagamento aprovada
para o tomador.
Em qualquer dos casos, a Caixa
exige que a documentação do imóvel esteja em ordem
e que o tomador do empréstimo não comprometa mais de 30%
da renda mensal. Tanto o Construcard FGTS quanto o Construcard Caixa/SBPE
são aceitos em mais de 40 mil lojas credenciadas no país.
Com Agência Brasil.
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Folha
de S.Paulo, 12 de novembro de 2008
Montadoras terão R$ 4 bi do governo
de SP
Nossa Caixa anuncia linha de crédito com
valor igual à do Banco do Brasil para ajudar financeiras de fabricantes
de veículos | Para montadoras, os R$ 8 bi disponíveis nos
bancos públicos paulista e federal devem ser "suficientes
para os próximos meses"
Divulgação

O governador de São Paulo, José Serra, o ministro da Fazenda, Guido
Mantega, o secretário estadual do Emprego e Relações do
Trabalho, Guilherme Afif Domingos, e o presidente da Anfavea, Jackson Schneider
TATIANA RESENDE
DA REDAÇÃO
O governo de São Paulo
lançou ontem uma linha de crédito de R$ 4 bilhões
para as financeiras das montadoras de veículos de todo o país,
o mesmo valor anunciado na semana passada pelo governo federal para
minimizar os efeitos da crise internacional no setor.
Os empréstimos oferecidos pela Nossa Caixa para as financeiras poderão
ser pagos em até 18 meses. As garantias serão as carteiras de
crédito dos bancos das montadoras e as taxas de juros, definidas em
cada negociação. "Estamos somando esforços com o
governo federal no sentido de fornecer crédito para manter o nível
de emprego na economia", afirmou o governador José Serra (PSDB)
na assinatura do acordo.
O presidenciável tucano afirmou ainda que o impacto desses recursos
no mercado, "sem dúvida, é significativo, basta dizer que é semelhante
ao do Banco do Brasil". Segundo a assessoria de imprensa do banco federal,
mais de R$ 1 bilhão já foi liberado até agora para oito
financeiras de montadoras.
Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, presente ao evento, para garantir
a continuidade do crescimento da economia brasileira, "é preciso
que os governos tomem iniciativas como essa".
A Nossa Caixa e o BB, os dois bancos com linhas especiais para os fabricantes
de veículos, estão em processo de negociação. Serra,
no entanto, negou que tenha tratado da venda do banco estadual com Mantega.
" Por incrível que pareça, não conversamos. Esse é um
assunto que não está concluído", disse, acrescentando
que o projeto de lei que vai permitir a aquisição do banco será enviado à Assembléia
Legislativa "assim que se conclua a negociação", sem
estipular prazos.
O governador de São Paulo rechaçou a avaliação
de que, com a possível venda do banco estadual, é o governo federal
que assumirá o financiamento.
Lembrando que o processo de venda da instituição pode consumir
meses, Serra disse que adotaria a medida independentemente da negociação. "A
Nossa Caixa não pára pelo fato de existir um processo de negociação",
afirmou, acrescentando que a abertura da linha não provoca prejuízo
para o banco.
Recursos
suficientes
Para o presidente da Anfavea (associação das montadoras), Jackson
Schneider, os R$ 8 bilhões disponíveis nos bancos públicos
paulista e federal devem ser "suficientes para os próximos meses". "Houve
retração de crédito em linhas importantes. O consumidor
ia à loja, não encontrava o crédito ou não encontrava
nas condições que precisava para adquirir o produto", afirmou.
Em outubro, as vendas de veículos caíram 11% em relação
a setembro e tiveram a primeira retração na comparação
com o mesmo mês do ano passado, de -2,1%.
O recuo, que gerou férias coletivas de milhares de trabalhadores das
montadoras, ocorre após o setor bater sucessivos recordes. No acumulado
do ano até outubro, ainda tem alta de 23,4% em emplacamentos, com a
marca histórica de 2,45 milhões de unidades. A expectativa de
Schneider é que, com o dinheiro extra, "já neste mês
comece a haver uma reversão positiva" nos licenciamentos.
Como "os recursos dos bancos privados tendem a se normalizar", acrescentou, "acreditamos
que a falta de liquidez no mercado está superada".
Segundo o presidente da Anfavea, estão confirmados os investimentos
no país de US$ 23 bilhões entre 2008 e 2011 que já haviam
sido anunciados pelas montadoras.
Luiz Montenegro, presidente da Anef (associação das financeiras
das montadoras), prevê que os R$ 8 bilhões serão tomados
pelas empresas até dezembro. Segundo a entidade, neste ano, até setembro,
foram liberados R$ 42,4 bilhões em financiamentos (CDC), 11,7% a menos
do que no mesmo período de 2007. As operações com leasing
totalizaram R$ 64,9 bilhões -alta de 81,3%.
Colaborou CATIA SEABRA, da Reportagem
Local
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FOLHA DE LONDRINA, 12 de
novembro de 2008 | Política
Supremo julga hoje ações
que questionam fidelidade partidária
Para o ministro Celso de Mello, a infidelidade
partidária ''traduz um gesto de intolerável desrespeito à vontade
soberana do povo''
Brasília - O Supremo Tribunal Federal (STF) espera colocar hoje um ponto
final na polêmica sobre os políticos que são condenados
a perder o mandato porque trocam de partido sem justificativa. O plenário
do STF julgará duas ações que questionam a constitucionalidade
da resolução baixada há um ano pelo Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) prevendo essa punição para os políticos
infiéis eleitos pelo sistema proporcional (deputados e vereadores) que
mudaram de legenda depois de 27 de março de 2007. Naquela data, o TSE
respondeu a uma consulta do então PFL sobre fidelidade partidária.
Aprovada em outubro do ano passado
pelo TSE, a resolução que será analisada pelo Supremo
disciplinou o processo de perda de cargo por infidelidade. Ela foi aprovada
depois que o STF decidiu que os mandatos pertencem aos partidos e não
aos políticos. Na época, participaram da sessão
do TSE em que foi aprovada a resolução os ministro Marco
Aurélio Mello, Cezar Peluso e Carlos Ayres Britto. Os três
integram o Supremo e vão participar do julgamento.
No STF, a expectativa é de
que dificilmente as ações contrárias à resolução
terão sucesso. Há um sentimento generalizado de que a posição
adotada pelo tribunal é moralizadora e não deve ser modificada.
Em outubro, quando o Supremo julgou o assunto, o decano do tribunal,
ministro Celso de Mello, afirmou que a infidelidade partidária
era um desvio ético e político.
‘‘O ato de infidelidade
(do parlamentar), quer à agremiação partidária,
quer, sobretudo, aos eleitores, traduz um gesto de intolerável
desrespeito à vontade soberana do povo’’, disse. ‘‘Lamentavelmente,
hoje, no entanto, os deveres de respeito à vontade do eleitor
e de fidelidade ao partido sob cuja legenda se deu a eleição
não têm merecido a reverência que lhes deveria ser
dispensada’’, criticou o ministro na época.
Outro dado que não pode
ser desprezado é que a resolução do TSE foi relatada
pelo ministro Cezar Peluso, hoje vice-presidente do Supremo e um dos
mais respeitados integrantes do tribunal e formadores de opinião.
São admitidas pelos ministros
apenas quatro possibilidades de mudança de partido. São
elas: criação de um novo partido, incorporação
ou fusão de legenda, mudança substancial ou desvio reiterado
do programa partidário e grave discriminação pessoal.
Além de ter o apoio de
ministros do Supremo, a resolução do TSE é defendida
pelo advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli,
que representa o governo no STF. Toffoli esteve com o presidente do STF,
Gilmar Mendes, para defender a resolução do TSE.
O tribunal eleitoral já aplicou
a súmula. A primeira decisão foi tomada em março
deste ano. Na ocasião, o tribunal julgou procedente um pedido
para decretar a perda do mandato do deputado federal Walter Brito Neto
(PRB-PB) por infidelidade partidária. No entanto, até hoje
ele não foi cassado.
A resolução do
TSE é questionada no STF pela Procuradoria Geral da República
e pelo Partido Social Cristão (PSC). Nas ações, é alegado
que o TSE teria invadido uma competência privativa da União
ao legislar sobre direito eleitoral e processual. No entanto, em outras
ocasiões, o STF reconheceu que o TSE pode editar resoluções.
Isso ocorreu, por exemplo, quando foi analisada uma resolução
sobre o número de vereadores nas Câmaras Municipais.
Mariângela Gallucci
Agência Estado
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Congresso em Foco, 12 de novembro de 2008
Janela para os infiéis
Parlamentares apostam em aprovação
de projeto que abre 30 dias, no terceiro ano de mandato, para político
mudar de legenda
Mário Coelho
O Supremo Tribunal Federal (STF) julga hoje (12) duas ações diretas
de inconstitucionalidade (Adin) contra a Resolução 22.610/07,
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que disciplinou a fidelidade partidária.
Mas, independentemente da decisão dos ministros, que tendem a ratificar
o texto do TSE, o Congresso se movimenta para criar regras mais frouxas para
o troca-troca partidário.
Parlamentares ouvidos pelo Congresso em Foco acreditam que a decisão
do Supremo não deve ter influência no debate. No máximo,
ajudará a acelerar a aprovação de uma lei tratando sobre
o tema. Tramitam no Congresso atualmente 26 projetos que tratam da fidelidade
partidária.
Algumas dessas proposições estão esquecidas nas gavetas
das comissões desde o início da década de 1990. Mas os
parlamentares apostam suas fichas em uma iniciativa mais recente para abrir “janelas” e
permitir a troca de um partido por outro mesmo durante o mandato, prática
proibida ano passado pelo STF e pelo TSE.
O Projeto de Lei Complementar (PLP) 124, de 2007, de autoria do deputado Flávio
Dino (PCdoB-MA), abre um intervalo de 30 dias para uma nova filiação
partidária. O parlamentar, por exemplo, poderia trocar de partido no
mês de setembro do terceiro ano de mandato, antes das eleições.
Dessa maneira, quem mudar de legenda não será punido.
De acordo com projeto, aprovado na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) e que está pronto para ir a Plenário,
os políticos podem mudar de partido desde que fiquem na mesma circunscrição
eleitoral. Um vereador, por exemplo, não poderia sair de sua agremiação
política, entrar em outra e buscar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Exceção à regra
Autor do projeto, Flávio Dino diz que seu projeto não enfraquece
a atual legislação. Para ele, o TSE cometeu alguns erros que
precisam ser corrigidos. O principal deles é de a norma não prever
exceções. “Toda regra tem sua exceção. E
o TSE não colocou isso na resolução”, afirmou.
Mesmo com uma série de críticas contra a possibilidade de mudança,
o deputado acredita que a brecha não dá espaço para o
fisiologismo. “Imagina se o [governador de São Paulo] José Serra,
por exemplo, que hoje poderia vencer a eleição para presidente,
mudaria de partido”, exemplifica.
Entretanto, partidos como PMDB contam com a aprovação da matéria
e a abertura da janela para engordar seus quadros. O presidente da legenda,
Michel Temer, já convidou o governador de Minas Gerais, Aécio
Neves (PSDB), que tem perdido a queda de braço contra Serra no ninho
tucano, para se filiar à sigla. “Até em uma das instituições
mais antigas, como o matrimônio, existe a possibilidade de troca”,
filosofou o deputado.
“ Ninguém é contra a fidelidade partidária. Mas não é possível
que o parlamentar fique amarrado a um determinado partido”, afirmou o deputado
Leonardo Picciani (PMDB-RJ), relator do PLP 124 na CCJ. Os deputados usam como
argumento para o enfraquecimento das regras o fato de que a legislação
não pode negar o direito de transferência de partido ao político
que não tiver mais afinidade com a legenda.
Sobrecarga no TSE
Atualmente, tramitam no TSE 15 processos envolvendo infidelidade partidária
de deputados federais e senadores. Somente um foi cassado até agora:
Walter Brito Neto (PRB-PB). Apesar da decisão da corte eleitoral, até hoje
Brito Neto se mantém no cargo. A Câmara dos Deputados argumenta
que é preciso conceder ampla e irrestrita defesa ao parlamentar. Veja
a situação dos deputados no TSE
O TSE recebeu um total de 2.024 recursos relacionados a processos sobre infidelidade
partidária. Desses, 1.429 são de vereadores, 18 de deputados
estaduais, 14 de deputados e um de senador. Em vários casos, o mesmo
político responde a mais de uma ação.
O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) é um dos críticos da criação
da janela de transferência. “Isso é uma patifaria. A reforma
política não sai, independente do presidente [da República]”,
disparou. Ele é relator no Senado do Projeto de Lei da Câmara
(PLC) 58, de 2007, de autoria do deputado Luciano Castro (PR-RR), que torna
inelegível o candidato que mudar de partido fora do período permitido,
e perda do mandato do candidato que se desligue do partido pelo qual se elegeu. “O
TSE fez certo, aqui não se vota nada”, reclamou.
Apesar das críticas de Jarbas Vasconcelos, a corrente favorável à permissão
da mudança de partido no mandato está crescendo. Ontem (11),
os ministros Tarso Genro (Justiça) e José Múcio Monteiro
(Relações Institucionais) defenderam a janela de troca.
Segundo Genro, essa mudança deverá ocorrer por meio de uma proposta
de emenda à Constituição (PEC), e não por um projeto
complementar. De acordo com a matéria, o político poderá mudar
de partido para concorrer à eleição na mesma localidade.
Essa mudança, no entanto, deverá ocorrer, exclusivamente, no
período de 30 dias imediatamente anterior ao término do prazo
de filiação que permite a candidatura.
Já o ministro das Relações Institucionais fez uma defesa
mais radical do abrandamento das regras: "Três anos, quatro ou cinco
meses depois que você serviu ao seu partido e foi fiel ao seu mandato,
você pode mudar". Mas, para ele, a decisão final sobre o
troca-troca será do Congresso.
Julgamento
Em 25 de outubro do ano passado, o TSE definiu que a fidelidade partidária
valeria a partir de 27 de março daquele ano para os mandatários
de cargos proporcionais e, a partir de 16 de outubro, para os eleitos pelo
sistema majoritário. O relator da resolução, feita a pedido
do STF, foi o ministro Cezar Peluso.
São quatro as hipóteses que autorizam o mandatário a sair
da legenda sem sofrer a perda do cargo: se o partido sofrer fusão ou
for incorporado por outro; se houver criação de nova sigla; se
houver mudança substancial ou desvio do programa partidário;
ou ainda, ocorrer grave discriminação pessoal do mandatário.
Nesses casos, a troca de partido é aceita por estar devidamente justificada.
O STF julga hoje as Adins 4086 e 3999, que contestam a resolução.
A primeira é de autoria da Procuradoria Geral da República (PGR)
e a outra do Partido Social Cristão (PSC). Ambos argumentam que a matéria é inconstitucional,
pois o texto conteria especificações que deveriam estar previstas
em leis, como, por exemplo, dizer em que casos o Ministério Público
atuaria.
Do outro lado, defendendo a matéria, estará a Advocacia Geral
da União (AGU). O advogado-geral da União, José Antônio
Dias Toffoli, esteve ontem no STF, onde se reuniu com o presidente Gilmar Mendes
para defender a resolução do TSE. “Nós estamos defendendo
que a ação é improcedente, ou seja, que a resolução
adotada pelo Tribunal Eleitoral está correta”, afirmou Toffoli.
Para Flávio Dino, dificilmente o STF aceitará as Adins. Pelo
menos, não integralmente. Na opinião do deputado, ex-juiz federal,
o máximo que o Supremo fará é promover algumas correções
na resolução. Mas ele se mostra otimista quanto ao resultado. “Eu
acho que o julgamento do Supremo vai impulsionar a discussão dos projetos
aqui na Câmara. Mais especificamente o meu, que já está em
trâmite avançado”, comentou.
Da composição do TSE na época da confecção
da resolução, três ministros fazem hoje parte do Supremo:
Marco Aurélio Mello (então presidente), o relator da norma, Cezar
Peluso, e Carlos Ayres Britto, atual comandante da corte eleitoral. Os três
devem manter a resolução da maneira que está. São
necessários seis votos – de 11 – para derrubar a resolução.
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Folha de S.Paulo, 12 de novembro
de 2008
Obama diz que não vai e esvazia
cúpula do G20
SÉRGIO DÁVILA
DE WASHINGTON
O escritório de transição
de Barack Obama confirmou ontem que o presidente eleito não vai à reunião
do G20 marcada para este fim de semana em Washington nem enviará representantes.
Mais: o democrata não pretende se encontrar paralelamente com
líderes estrangeiros, hipótese antes aventada por seus
assessores.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o premiê britânico,
Gordon Brown, entre outros, contavam com a presença de Obama no evento
ou pelo menos com encontros paralelos com o democrata como maneira de garantir
a validade e a continuidade de decisões que serão tomadas pelo
ainda presidente George W. Bush, que deixa o poder em 70 dias.
Em vez disso, Obama decidiu evitar a reunião completamente e enviar
representantes seus aos encontros laterais que já foram requisitados
por vários dos líderes que estarão em Washington no fim
de semana, entre eles o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão
do presidente eleito foi tomada por motivos protocolares, mas terá o
efeito prático de esvaziar o evento convocado por Bush.
"Só temos um presidente por vez", disse ontem John Podesta,
coordenador da equipe de transição de Obama, na primeira entrevista
coletiva do grupo em Washington, ao justificar a ausência de Obama no encontro
e em reuniões laterais.
"Essa é uma frase que vocês ouvirão cada vez mais até o
dia 20 de janeiro", data em que Barack Obama toma posse, afirmou Podesta.
Tesouro
É por esse motivo, também, que Obama deve segurar para a semana
que vem a divulgação do nome de seu secretário do Tesouro.
A avaliação da equipe de transição é que um
anúncio nessa área agora causaria ruído e desviaria a atenção
do mundo da reunião, que Obama julga ser importante. "Quando candidato,
o presidente eleito ressaltou a importância de reuniões multilaterais
como essa" para a solução da crise, disse John Podesta.
Para o coordenador da transição, "não é apropriado
que duas pessoas apareçam nesse encontro", referindo-se a Bush
e Obama. "Mas vamos ser mantidos informados de todas as decisões
antes e durante o encontro, e o secretário do Tesouro, Henry Paulson,
tem falado constantemente com o presidente eleito e recebido suas opiniões
a respeito."
" Acho que o presidente eleito Obama está sendo inteligente, pois é preciso
muito preparo para alguém ser eficaz numa reunião desse tipo",
disse à Folha Simon Johnson, do Instituto Brookings.
Para o ex-economista-chefe do FMI, a ausência de Obama "pode enfraquecer
o encontro, sim, mas a data foi idéia dos europeus, então é responsabilidade
deles trazer propostas concretas para a negociação."
Com ele concorda James Wolfensohn, ex-presidente do Banco Mundial. "Sei
que metade [dos líderes] está vindo aqui com a expectativa de
que Obama seria convidado. Se ele não for, não veremos muita
coisa sair dessas reuniões, porque eles não acham que o presidente
Bush conseguirá fazer algo."
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Folha de S.Paulo, 12 de novembro de 2008
ARGENTINA
Corte aprova fim de monopólio
de central sindical
DE BUENOS AIRES
Em uma decisão que altera o mapa sindical da Argentina, a Corte Suprema
de Justiça decidiu ontem que sindicatos minoritários podem eleger
delegados e representar trabalhadores nas empresas.
A sentença é um revés para a principal central do país,
a CGT (Confederação Geral do Trabalho), historicamente base do
peronismo, hoje no governo. O secretário-geral da CGT, Hugo Moyano, é um
dos vice-presidentes do Partido Justicialista, da presidente Cristina Kirchner.
Pela lei, só o sindicato majoritário em seu setor pode ter "personalidade
sindical": representar a categoria perante o Estado e empresas.
A decisão, sobre uma disputa específica, abre caminho para que
sindicatos possam exercer função sindical sem "personalidade
sindical". As maiores beneficiadas são a CTA (Central de Trabalhadores
Argentinos) e a CGT Azul e Branca.
" A sentença deve levar a algum tipo de reforma sindical, já que
o quadro pode ser caótico com tantas representações",
disse Alberto Robles, do Instituto Mundo do Trabalho. (TG)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
12/11/2008
Telefonista que também atuava como
digitadora consegue jornada especial
A Telemar Norte Leste S/A foi
condenada pela Justiça do Trabalho a pagar horas extras e reflexos,
com aplicação do adicional previsto em norma coletiva a
telefonista que realizava também trabalho de digitação
. Para a Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho, evidenciou-se
a jornada especial, prevista no artigo 227 da CLT, ante a constatação
de que a empregada exercia atividade preponderante de telefonista, cumulada
com a de digitação.
Contratada pela Telemar Norte
Leste em 1994, a telefonista trabalhou quase dez anos, até ser
demitida, em 2003 e imediatamente admitida nos quadros da Telebase Serviços
Básicos em Comunicação Ltda., onde continuou realizando
o mesmo trabalho, sob a mesma chefia e cumprindo o mesmo horário.
O que alterou foi somente seu salário, reduzido de R$ 729,64 para
R$ 696,76.
Fraude contratual trabalhista
Essa alteração
deu-se apenas no papel, mas causou-lhe prejuízos com a redução
do salário. Ao mudar de empresa, a telefonista não mais
recebeu os benefícios previstos nos acordos coletivos de trabalho
celebrados entre a Telemar e o sindicato da categoria, como a cesta básica,
redução do tíquete-refeição, e uma
gratificação denominada devida aos funcionários
com mais de sete meses de trabalho, equivalente a 2,25 salários
percebidos, o que caracterizou, a seu ver, fraude contratual trabalhista.
A empregada exercia seu trabalho
na área de comunicação de dados, junto a um colega,
com atividades idênticas às suas, mas recebia R$ 1.500,00
a menos. A cada 90 minutos de trabalho, deveria corresponder um descanso,
não deduzido da jornada normal de trabalho, de 10 minutos, mas,
segundo informou na inicial da reclamação trabalhista,
a empresa jamais lhe concedeu este intervalo e nem o remunerou como hora
extra. Aliada à digitação de dados, ela trabalhava
com fone de ouvido acoplado à sua cabeça –head set – fazendo
e recebendo ligações, numa jornada de 40 horas semanais.
A ação foi ajuizada
na 3ª Vara do Trabalho de Juiz de Fora (MG), e nela a telefonista
requereu, entre outras verbas, o reconhecimento da jornada de seis horas,
conforme previsto no art. 227 da CLT para a categoria. O juiz, porém,
concedeu apenas a equiparação salarial com os empregados
da Telemar e participação nos lucros. O Tribunal Regional
do Trabalho da 3ª Região, ao julgar recurso ordinário,
entendeu ser possível o exercício das duas atividades – telefonista
e digitadora - simultaneamente, mas concluiu não se aplicar ao
caso a jornada de seis horas prevista na norma celetista.
A trabalhadora recorreu ao TST,
insistindo em seu direito às seis horas diárias de trabalho.
A relatora do processo no TST, ministra Dora Maria da Costa, destacou
que a decisão do TRT registrou que a empregada desempenhava atividade
ininterrupta de telefonia. “A jurisprudência do TST tem se
inclinado a favor de conceder a jornada especial quando o trabalhador
labora de forma preponderante na atividade de telefonista”, afirmou.
Seguindo seu voto, a Oitava Turma reformou, assim, o acórdão
regional e condenou a Telemar a pagar, como extraordinárias, as
horas da jornada excedente à sexta diária, com o adicional
previsto nas convenções coletivas de trabalho, com reflexos
nas demais verbas salariais. ( RR 1213/2003-037-03-00.0)
(Lourdes Côrtes)
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12/11/2008
Dano moral não é reconhecido
por controle de uso do toalete
A Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho não aceitou o recurso de uma ex-teleoperadora
da Vivo de Goiânia, que pretendia receber indenização
por dano moral por sentir-se ofendida com a determinação
da empresa de permitir que, durante o expediente, os empregados somente
usassem o toalete nos intervalos de duas pausas, de 15 e 5 minutos.
A ação foi proposta
em 2007, quando a empregada, na inicial, informou ter sido contratada
pela empresa Atendo Brasil para prestar serviços de atendimento
telefônico na Vivo. Foi admitida em 2005 e demitida imotivadamente
em 2007. Disse ainda que, fora das pausas estabelecidas, se necessitasse,
poderia ir ao toalete desde que solicitasse ao seu chefe. Com o pedido
negado pela instância do primeiro grau e pelo Tribunal Regional
da 18ª Região (GO), a empregada entrou com recurso de revista
no TST, mas também não teve êxito.
No recurso, a alegação
principal foi a de que “o controle das necessidades fisiológicas” justificaria
a indenização “em face da violação
da honra, da imagem, da integridade física e psíquica e
da liberdade pessoal” da trabalhadora. “Não se pode
confundir o poder diretivo da empresa com o poder de decidir acerca das
necessidades fisiológicas de seus empregados, regrando-as, como
ficou comprovado”, sustentou.
O relator do processo na Sétima
Turma, ministro Ives Gandra Martins Filho, destacou o registro feito
pelo Regional de que o objetivo da empresa era impedir a saída
dos empregados ao mesmo tempo, de forma a não atrapalhar o desenvolvimento
das atividades. A própria telefonista informou que freqüentemente “havia
muitos atendentes no banheiro”. Esclareceu o Regional que “a
simples exigência de justificação para ir ao toalete
fora dos intervalos não caracteriza a ocorrência de dano
moral, mas apenas um pequeno incômodo capaz de ser suportado por
qualquer pessoa fisiologicamente normal, tratando-se, pois, de regular
uso do poder diretivo por parte da empresa”.
Não havia, porém,
proibição neste sentido, tampouco a empregada possuía
transtornos fisiológicos em razão do controle de ida ao
banheiro. “Em momento algum o Regional afirmou que existiu ‘controle
das necessidades fisiológicas’ da trabalhadora”, esclareceu
o relator. “O que havia era a limitação das saídas
de todos os empregados para ir ao banheiro, a fim de impedir que um grande
número de operadores o fizesse ao mesmo tempo”. Para concluir
diferentemente do Tribunal Regional, que não viu dano moral a
justificar a indenização correspondente, implicaria o reexame
dos fatos e provas, “visto que a questão requer a configuração
do ato ilícito da empresa, do efetivo dano sofrido pela empregada
e do nexo causal entre ambos, o que não ocorreu, no caso”,
concluiu o relator, mencionando a Súmula nº 126 do TST. (
RR-1419-2007-001-18-00.1)
(Mário Correia)
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