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Agência Câmara,
15 de novembro de 2008
Constituição
e Justiça
Despesa com aluguel
poderá ser deduzida do Imposto de Renda
As despesas com aluguel de imóvel residencial poderão ser
deduzidas da declaração anual de ajuste do Imposto de Renda.
Medida nesse sentido, que será restrita às pessoas físicas,
está prevista em projeto do senador Expedito Júnior (PR-RO)
que consta da pauta da reunião de quarta-feira (19) da Comissão
de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). O relator,
senador César Borges (PR-BA), incluiu em seu voto favorável
uma emenda estabelecendo o teto de R$ 15 mil para deduções
com aluguel, restrito a um único imóvel residencial, ocupado
pelo próprio contribuinte.
Ao propor a alteração, César Borges
argumenta que a não-fixação de um limite
de dedução de despesa com aluguel poderia beneficiar
os contribuintes de renda mais alta, "possibilitando
que menos imposto fosse pago quanto maior fosse a despesa
com aluguel". No mesmo sentido, o senador pela Bahia
considera essencial que o benefício seja restrito
a um único imóvel, utilizado como moradia da
família, para evitar a inclusão de deduções
com casas de veraneio.
Na justificação do projeto (PLS 317/08), Expedito
Júnior destaca que a moradia é um direito social
assegurado pela Constituição "sistematicamente
negligenciado pelo poder público". A dedução
no Imposto de Renda de despesas com aluguel de imóvel
residencial, argumenta ele, contribuiria para o cumprimento
desse mandato constitucional, "já que o gasto
com moradia é um dos itens mais significativos da
despesa familiar".
O parlamentar por Rondônia considera a regra vigente,
que impede deduções referentes a despesas com
aluguel dos rendimentos brutos no ajuste anual do Imposto
de Renda, um caso de "evidente impropriedade".
Para Expedito Júnior, a norma atual gera uma situação
em que "o Fisco acaba por receber dos dois lados: do
locatário, que não pode deduzir a despesa,
e do locador, que é tributado pelos valores recebidos".
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Folha Online, 15 de novembro
de 2008
PPS e PSDB discutem fusão
entre os dois partidos
De olho na sucessão presidencial de 2010, PSDB e PPS começaram
a discutir a possibilidade de fusão entre as duas siglas.
O assunto foi tratado em jantar na semana passada na casa do presidente
nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), do qual participaram
o governador e presidenciável tucano José Serra (SP)
e o deputado federal Nelson Proença (RS), integrante da executiva
nacional do PPS.
Ponta-de-lança da articulação, Proença
afirma que a possibilidade de criação de uma "janela" para
a migração partidária pode enfraquecer o PPS.
O risco de proibição de coligações
proporcionais em 2010 e o resultado das últimas eleições
municipais são outros fatores que levam a bancada da legenda
na Câmara dos Deputados, formada por 15 congressistas, a defender
a fusão.
Em 2008, o PPS elegeu 132 prefeitos – uma queda de 59% em
relação às 320 prefeituras que conquistou em
2004.
" Há uma tendência de os partidos pequenos desaparecerem,
e o quadro deverá se consolidar em três ou quatro grandes
partidos nacionais. Uma fusão faz parte de um movimento nacional
para enfrentar esta crise que está aí e o momento pós-Lula",
disse o deputado.
Serrista convicto, o congressista afirma que a fusão independe
de quem seja o candidato tucano à Presidência – se
Serra ou o governador mineiro Aécio Neves.
Proença é um egresso do PMDB que chegou ao PPS em
2001 – dez anos depois de o partido ter optado por abandonar
o nome “Comunista Brasileiro” para adotar “Popular
Socialista”.
O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, não defende
nem rechaça a fusão com os tucanos. Autorizou Proença
a dar andamento às conversas com o PSDB. "Não
temos uma política de vetos", afirmou.
Segundo Freire, o assunto ainda não está sendo discutido
internamente, mas deverá entrar na ordem do dia em virtude
da "inquietação" dos congressistas com a
possível restrição às coligações
e com a possível abertura de um período para o troca-troca
partidário sem o risco de perda de mandato.
" Com a reforma política e com a abertura dessa 'janela'
para migração, que é um salvo-conduto para a
traição, partidos da oposição sofrem
muita pressão e há intranquilidade entre os parlamentares."
Freire, que se auto-declara "um velho comunista", disse
que a união com o PSDB "não é estranha
nem violenta a cultura do Partidão" porque há identidade
entre as agremiações.
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Folha Online, 15 de novembro
de 2008
EUA sinalizam apoiar nova
regulação mundial na economia
O governo dos Estados Unidos vai apoiar, na cúpula
do G20, a criação de um grupo para supervisionar
as atividades das maiores instituições financeiras
do mundo e para eventualmente rediscutir e ampliar seus níveis
de regulamentação.
Ao lado da promessa conjunta dos países-membros,
de reforçar medidas de estímulo fiscal em
cada economia individualmente, esse deve ser o principal
ponto acordado pelos chefes de Estado na reunião
do G20, em Washington.
Os grupos devem discutir assuntos como uma possível
nova regulamentação para o mercado financeiro
internacional; a coordenação de medidas fiscais
conjuntas; mecanismos para garantir linhas de crédito
para o comércio exterior dos países em desenvolvimento;
e a institucionalização de reuniões
periódicas do G20 para monitorar a crise.
Uma das ambições do encontro é também
ressuscitar, até o final do ano, a chamada Rodada
Doha, de liberalização do comércio
mundial. O tema empacou com as resistências de UE
e EUA em reduzirem subsídios no setor agrícola
e, no caso dos emergentes, em abrir mais seus mercados à importação
e à atuação estrangeira nas áreas
financeira e de serviços.
Outra das idéias é que os grupos de trabalho
já apresentem propostas mais fechadas em cada área
logo no início de 2009. É possível
que os líderes concordem em realizar um novo encontro
para discutir essas recomendações no Reino
Unido, que assumirá a presidência rotativa
do G20 no ano que vem, no lugar do Brasil.
O ponto mais espinhoso entre as discussões deve
ser o da nova regulamentação para o setor
financeiro internacional, e qual a posição
dos EUA em relação ao assunto.Nesse sentido,
a Casa Branca fez questão de antecipar para a imprensa
o teor do discurso (semanal) que Bush faria neste sábado
pela manhã no rádio.
Embora Bush vá deixar a Casa Branca em 20 de janeiro,
os membros do G20 acreditam que seu sucessor, Barack Obama,
tenderá a ser até menos avesso que o atual
presidente a eventuais medidas que possam minimizar o risco
de descontroles no mercado e que possam vir a gestar uma
nova crise.
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Vermelho, 15 de novembro
de 2008
Em 1929, lucros excessivos
e desigualdade provocaram crise
Quando, daqui a alguns meses,
se procurar atenuar a atual recessão através
de uma política de investimentos públicos,
deveria aproveitar-se a ocasião para erguer um
monumento à memória de Marriner Stoddard
Eccles, presidente do Banco Central dos EUA, de 1934
a 1948, e aí gravar páginas do seu livro
Beckoning Frontiers, onde analisa, em pormenor, as causas
do colapso econômico de 1929-1930 e da grande depressão
que se lhe seguiu.
Por Jean-François Couvrat,
no blog DéChiffrages
Segundo M.S. Eccles, as grandes desigualdades na repartição
do rendimento líquido nacional entre salários
e lucros estão na origem da Grande Depressão:
salários baixos para a grande massa dos americanos,
lucros elevados para as empresas, confiscados por uma minoria:
" Se a riqueza nacional tivesse sido melhor repartida,
isto é, se as empresas se tivessem contentado com
lucros menos elevados, se as classes mais ricas tivessem
auferido rendimentos mais baixos e os agregados familiares
mais modestos remunerações mais elevadas,
a estabilidade da nossa economia teria sido maior."
E Eccles acrescenta ainda:
" Se, por exemplo, os seis bilhões de dólares
investidos pelas empresas e pelas grandes fortunas na especulação
bolsista tivessem sido aplicados numa política de
redistribuição baseada na descida dos preços
ou em aumentos salariais, com a conseqüente diminuição
dos lucros das empresas e dos mais ricos, teria sido possível
impedir ou pelo menos atenuar, em grande medida, o colapso
econômico desencadeado em 1929."
Quer se trate do texto original completo de M.S. Eccles
quer da tradução francesa, todos os que procuram
refletir sobre as reformas do capitalismo neles encontrarão
matéria para meditar.
De uma maneira geral, é costume distinguir diferentes
tipos de crise: crise do crédito com a correspondente
crise bancária, seguida de uma crise bolsista - é a
que estamos a viver neste momento; crise bolsista por esvaziamento
de bolha especulativa, a de 2000-2001; derrocada da bolsa
seguida da ruína do tecido industrial, como foi
a crise de 1929. Eccles propõe, todavia, um diagnóstico
que pode ser aplicado a todas estas crises.
Quando o excesso de lucros se concentra nas mãos
de um punhado de homens, o capital acumulado alimenta a
especulação bolsista ou a distribuição
de créditos a risco. Quando os salários se
mantêm baixos, as famílias consomem a crédito
fácil até o esgotarem e despreza-se assim
a solvência e o investimento de capital em novos
meios de produção.
Nestas condições, o que deverá ser
feito para reformar utilmente o capitalismo?
Acabar com as "golden parachute" (reformas
douradas) ou estabelecer patamares de remunerações
para os banqueiros são medidas populares mas, no
fundo, irrisórias. Acabar com os paraísos
fiscais, regulamentar os mercados financeiros que três
décadas de liberalismo desregrado deitaram abaixo,
tudo isto é sensato, mas insuficiente.
Aumentar os salários e reduzir os lucros seria
perfeitamente legítimo mas como incrementar tais
medidas quando o desemprego atinge níveis elevados
e paralisa as reivindicações dos trabalhadores?
Na França, o Estado poderia talvez começar
por pôr fim aos incentivos fiscais e seletivos, abandonar
o slogan "trabalhar mais para ganhar mais" e
deixar de culpar os desempregados.
A partir de 1933, Franklin D. Roosevelt tomou três
iniciativas no quadro do New Deal: reduziu os horários
de trabalho para quarenta horas semanais sem redução
dos salários, indenizou os desempregados e colaborou
com os sindicatos.
Tradução de José J.
Costa
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Vermelho, 15 de novembro
de 2008
Piauí: 5 mil trabalhadores
da construção civil bloqueiam rua
Cerca de cinco mil trabalhadores da construção civil realizaram
um protesto em frente à sede do Ministério do Trabalho
e Emprego em Teresina, Piauí, na manhã desta sexta (14).
Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial para R$ 750,00, mas a
classe patronal só aceita pagar R$ 610,00. Além do aumento
no salário, os manifestantes afirmam que existem vários
outros direitos que os patrões não vêm cumprindo.
Milhares de trabalhadores exigem salário digno
No prédio do Ministério do Trabalho aconteceu
uma rodada de negociação entre o presidente
do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção
Civil de Teresina, Raimundo Nonato Ibiapina e o representante
do patronado, o engenheiro Januário Pinheiro.
De acordo com o presidente Raimundo Nonato, ainda está muito
difícil de se chegar a um acordo, pois o valor oferecido
pelo partonado é bem aquém do reivindicado
pela classe trabalhista. "A classe trabalhadora é uma
das mais sofridas e com este salário não
dá para viver com dignidade. Queremos um salário
digno e vamos lutar para isso", fala o presidente.
Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores,
Antonio Rodrigues Silva, esta é apenas uma reivindicação,
mas caso patronado e trabalhadores não cheguem a
um acordo a greve será deflagrada. "Se o acordo
não acontecer, vamos convocar todos nossos companheiros
trabalhadores para pararem as atividades. Somos trabalhadores
iguais aos outros e também podemos cobrar",
afirma.
O Trânsito na Avenida Frei Serafim está sendo
controlada por policiais militares. Mas os trabalhadores
também fazem o controle. "Nós também
estamos no comando. Se os ônibus começarem
a passar rápido nós bloqueamos toda a avenida
e não passa mais ninguém", disse o trabalhador
Antonio Carlos.
Fonte: Portal CTB com TV Canal 13
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Agência Diap, 15
de novembro de 2008
Roberto Santiago é o
novo relator do projeto que susta Portaria 186
Antes relatado pelo deputado Laércio Oliveira (PSDB/SE), o PDC
857/08, que susta a Portaria 186, agora será relatado pelo deputado
Roberto Santiago (PV/SP), na Comissão de Trabalho da Câmara.
Laércio Oliveira já havia inclusive elaborado parecer favorável
ao projeto, portanto, contrário à portaria. Ainda não
se sabe as razões que levaram o antigo relator a abandonar a relatoria
do projeto de decreto legislativo do deputado Nelson Marquezelli (PTB/SP).
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Agência Diap, 15
de novembro de 2008
Terceirização:
projeto já tem relator na CCJ
O PL 4.302/98, que regulamenta a terceirização no Brasil,
aprovado recentemente na Comissão de Trabalho, já tem relator
na Comissão de Constituição e Justiça. A
tarefa da relatoria caberá ao deputado Colbert Martins (PMDB/BA).
As centrais sindicais e as confederações
organizadas no Fórum Sindical dos Trabalhadores
(FST) estão num movimento que pretende pautar a
Mensagem 389/03, do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, para arquivar o projeto.
Desse modo, as entidades sindicais de trabalhadores articulam
dois movimentos contra o projeto - um na CCJ de modo a
obstruir a discussão e votação da
matéria naquele colegiado; e outro, para votar a
mensagem de arquivamento deste projeto que vulnera as relações
de trabalho no País.
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Gazeta do Povo, 15 de novembro
de 2008
IBGE: sete estados e
DF concentram 80% do PIB nacional
Cerca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro são provenientes
de apenas oito das 27 unidades da Federação e estão
concentrados em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande
do Sul, Paraná, Santa Catarina, Bahia e Distrito Federal. No entanto,
a concentração do PIB nestas oito regiões reduziu-se
em 1 ponto porcentual (de 79,7% do PIB para 78,7%, ou o equivalente a
R$ 23,7 bilhões) entre 2002 e 2006, segundo mostra a pesquisa
do PIB regional de 2006 divulgada hoje pelo IBGE.
O levantamento mostra que, entre 2002 e 2006, a Região
Norte elevou em 0,4 ponto porcentual sua participação
no PIB do País, enquanto o Sul recuou em 0,6 ponto
a sua fatia.
No que diz respeito aos estados, entre 2002 e 2006, São
Paulo e Rio Grande Sul foram os estados que mais perderam
participação no PIB total do País.
Em São Paulo, houve recuo de 34,6% em 2002 para
33,9% em 2006, enquanto a fatia gaúcha passou de
7,1% em 2002 para 6,6% em 2006.
Segundo o documento de divulgação da pesquisa,
São Paulo "recuperou-se ligeiramente em 2005,
sem retornar ao patamar de 2002". Já o Rio
Grande do Sul retraiu sua participação no
PIB em 2004 e 2005, "quando uma forte seca, conjugada à queda
de preços dos grãos, reduziu sua participação".
O levantamento mostra também o PIB per capita (por
habitante) das regiões. Neste caso, o Distrito Federal
continua tendo o maior PIB per capita (R$ 37.600), quase
o triplo da média nacional (R$ 12.688) e bem à frente
de São Paulo (R$ 19.548) e Rio de Janeiro (R$ 17.695).
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Gazeta do Povo, 15 de novembro
de 2008
Eleições 2010
Dilma enfrenta resistências
no PT
A ministra deve ser a escolhida
por Lula para sucedê-lo, mas a entrada dela no páreo
presidencial enfrenta contestações de petistas
mineiros, gaúchos e paulistas
Alvo de fogo amigo até há pouco tempo, a
ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, é preparada
há cerca de um ano, dentro do Palácio do
Planalto, para ser candidata do PT à sucessão
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010:
ela já ganhou um ghost-writer (escritor fantasma)
para escrever seus discursos, faz treinamento de mídia
para entrevistas e tem a consultoria do marqueteiro João
Santana. Embora Lula tenha dito, em Roma, que ainda não
conversou com a ministra sobre o plano de torná-la
sua herdeira, não é de hoje que ele dá conselhos à “afilhada” sobre
como se aproximar dos aliados e até mesmo da oposição.
Mais sorridente e política, Dilma fez tratamento
facial, mudou a cor do cabelo, mas conseguiu diminuir as
resistências à sua candidatura nas fileiras
do PT por motivo mais pragmático: o partido não
tem concorrente natural para assumir o legado de Lula,
que, desde 1989, foi o único candidato petista às
eleições presidenciais.
Para piorar a situação, o PT também
não projetou nenhuma liderança nas disputas
municipais do mês passado, capaz de desafiar o desejo
do presidente. Marta Suplicy foi derrotada em São
Paulo e o governador da Bahia, Jaques Wagner, não
emplacou o prefeito de Salvador.
“Eu acho que Dilma adquiriu jogo de cintura política
e pode até aposentar aquele bambolê”,
disse o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), líder
do PMDB na Câmara, que no início do ano mandou
entregar o presente à ministra no auge da briga
por cargos no setor elétrico.
Alves comparou o comportamento de Dilma ao do governador
José Serra (PSDB), provável adversário
da ministra na campanha ao Planalto. “Serra também
era antipático e hoje é simpaticíssimo.
Todos mudam”, observou. Até agora, no entanto,
o PMDB ocupa posição de espectador no jogo
sucessório e namora tanto o PT como o PSDB. “O
importante, antes da escolha de qualquer nome, é unir
a base aliada para que possamos estar juntos em 2010”,
insistiu o líder do PMDB.
Pressão
A entrada de Dilma no páreo presidencial enfrenta
contestações residuais no PT de Minas, do
Rio Grande do Sul e em fatias do petismo em São
Paulo. O ministro da Justiça, Tarso Genro, é o
porta-voz dos descontentes gaúchos. Não sem
motivo: depois que o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu
e o deputado Antonio Palocci (SP), ex-ministro da Fazenda,
foram abatidos por escândalos, Tarso achou que era
chegada a sua hora. Não foi.
Sem conseguir seu intento, o ministro trabalha para ser
candidato ao governo do Rio Grande do Sul. “Nessa
questão da sucessão à Presidência,
eu estou subordinado ao presidente Lula que, como é óbvio,
não me tem como pré-candidato”, afirmou
o ministro, resignado, ainda em agosto. Três meses
depois, no entanto, às voltas com insistentes pressões
do PMDB – de olho na sua cadeira porque quer controlar
a Polícia Federal –, Tarso ainda não
conseguiu parar de alfinetar Dilma, que quer fazer do Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC) o carro-chefe
de sua campanha.
Incensado por uma ala do PT que deseja um candidato “histórico” – e
lembra que Dilma, egressa do PDT, é cristã nova
no partido –, o ministro do Desenvolvimento Social,
Patrus Ananias, ainda acalenta o sonho de ser o preferido
por Lula. Seus aliados torcem para que o presidente perceba
a vocação de Patrus para o palanque. Argumentam,
ainda, que o Bolsa Família será uma plataforma
muito mais vistosa do que o PAC. Ao que tudo indica, porém,
o destino de Patrus está atrelado ao governo de
Minas ou ao Senado.
“Como é a primeira vez que Lula não
vai disputar, é natural que esse debate seja feito
no partido”, avaliou o presidente do PT, deputado
Ricardo Berzoini (SP). “Mas o nome de Dilma já está na
praça”. Até na praça do Vaticano.
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Gazeta do Povo, 15 de novembro
de 2008
IBGE
PIB do Paraná teve
o 2.º pior resultado do país
Crescimento econômico
do estado em 2006 foi prejudicado pelos baixos preços
de produtos agrícolas
O dado mais recente do Produto Interno Bruto (PIB) regional
mostra que o Paraná teve o segundo pior desempenho
entre todos os estados brasileiros. Em 2006, a economia
paranaense cresceu apenas 2%, contra uma média nacional
de 4%. Mato Grosso foi o companheiro do fim da fila: teve
retração de 4,6% na comparação
com 2005. Os dois estados, bastante dependentes da atividade
agropecuária, foram prejudicados pelos baixos preços
da soja e milho de dois anos atrás. Os dados fazem
parte do levantamento Contas Regionais 2002-2006, divulgado
ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
Em 2006, a economia brasileira cresceu, em média,
2%. A atividade agropecuária teve participação
de apenas 8,3% no PIB paranaense de 2006. O melhor índice
desde o início da série, há seis anos,
foi o de 2003: 13,1%. Com a forte produção
agrícola, o Paraná chegou a uma participação
de 6,4% no PIB do Brasil. Mas esse porcentual foi caindo
e atualmente a economia paranaense representa apenas 5,8%
da economia nacional. A queda mais expressiva ocorreu em
2005 (6,3% em 2004 para 5,9%), principalmente por causa
da seca que derrubou a produção agrícola
desse ano.
De acordo com o professor Luciano Nakabashi, do departamento
de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR),
a queda nos preços dos grãos, que teve início
em 2003, afetou bastante as economias do Paraná e
do Mato Grosso. “Os preços começaram
a se recuperar apenas a partir de 2007. Como o dois estados
são altamente dependente da produção
e exportação de soja e também do milho,
no caso do Paraná, eles sofreram bastante com as
respectivas quedas de preço, o que ajuda a explicar
o fraco desempenho dessas duas economias em 2006”,
explica. A atividade agrícola, que em 2003 havia
crescido 24,6% no Paraná, acumula crescimento de
apenas 6,2% no período de 2003 a 2006.
“A exportação de produtos agrícolas
também não foi muito boa em 2006 e, por isso,
os dois estados mais dependentes dos grãos sofreram
mais”, observa o consultor do Instituto de Desenvolvimento
Gerencial (INDG), Guilherme Souza e Silva. Segundo ele,
o resultado econômico do Paraná foi agravado
pela falta de incentivos para a produção
industrial. “Os empresários pedem por mais
incentivos, mas isso depende de uma decisão política
dos governos. Certamente o apoio do governo federal surtiu
reflexos no crescimento de outros estados”, acrescenta.
No período de 2003 a 2006, a indústria paranaense
acumulou alta de 13%, dois pontos porcentuais abaixo do
registrado no período 2003-2005.
Em 2006, dezoito das 27 unidades da federação
tiveram crescimento igual ou superior à média
brasileira (4,0%). A Bahia cresceu 2,7% e foi o único
estado do Nordeste com resultado inferior a média
brasileira. O Ceará, que teve o melhor desempenho
dentre as 27 unidades da federação, com alta
de 8% no PIB, foi beneficiado pelo desenvolvimento da agricultura
familiar. De acordo com o IBGE, programas de incentivo,
que garantiram uma renda mínima para os pequenos
agricultores e o aperfeiçoamento das técnicas
de produção repercutiram na alta de 35,3%
na atividade agropecuária do estado.
“Quem alavancou foi, principalmente, a indústria.
Os benefícios federais concedidos pelo governo federal
tiveram impacto, mas apenas em parte”, disse a técnica
de Contas Regionais do IBGE, Alessandra Poça. Espírito
Santo, com a segunda maior alta do PIB, foi beneficiado
pelas atividades de pelotização (processo
que facilita as operações metalúrgicas)
do minério de ferro que é produzido em Minas
Gerais e também pela extração de petróleo
e gás natural. Outro beneficiado pela maior produção
de minério de ferro foi o Pará, que conquistou
o terceiro lugar no ranking nacional de crescimento, com
7,1%.
Oito estados concentram 80% das
riquezas
Apesar do crescimento das economias do Nordeste e do Norte em 2006, as
riquezas produzidas no Brasil continuam concentradas em poucas localidades.
Oito estados detêm 80% do PIB nacional. São eles: São
Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná,
Bahia e Santa Catarina, e o Distrito Federal. “A história
da formação econômica no Brasil mostra a concentração
muito grande de renda nacional nos estados do Sudeste, principalmente.
O atual governo federal está olhando com maior atenção
para o Norte e o Nordeste, mas o PIB vai continuar se acumulado nas mesmas
localidades ainda por um bom tempo”, observa Guilherme Souza e
Silva, do INDG.
O Sul foi a região que mais perdeu espaço na economia
nacional. Entre 2002 e 2006, perdeu 0,6 pontos percentuais, respondendo
agora por 16,3% do total de riquezas. O Centro-Oeste também
reduziu a sua importância, mas em ritmo menor (-0,1 ponto porcentual)
e agora representa 8,7% do PIB brasileiro. Sudeste e Nordeste, que
cresceram, cada um, 0,1 no período, respondem, respectivamente,
por 13,1% e 56,8% do PIB. A região Norte, que cresceu 0,4
pontos porcentuais, alcançou 5,1% do Produto Interno Bruto
do país. (RF)

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Folha de S.Paulo, 15 de
novembro de 2008
Construção
civil reduz ritmo e demite mesmo com ajuda
PAULO DE ARAUJO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Apesar das medidas de auxílio do governo ao setor
de construção civil, as incorporadoras continuam
em ritmo de desaceleração e seguem revisando
para baixo seus planos de lançamentos para este
ano. Após divulgar os resultados referentes ao terceiro
trimestre, ontem, a Abyara afirmou que não lançará novos
empreendimentos neste ano. Com isso, a empresa encerra
o ano com R$ 1,1 bilhão em lançamentos. A
expectativa inicial era de R$ 2,2 bilhões.
" A ordem agora é manter a cautela e a disciplina financeira",
diz a diretora financeira da empresa, Ana Granato. A Abyara já começou
a implementar um programa de contenção de gastos que inclui 40%
de corte na folha de pagamentos, como medida para enfrentar os efeitos da crise
financeira internacional no Brasil. O número de demissões não
foi informado.
De acordo com Granato, as ações do governo para estimular
o setor, embora bem-vindas, ainda não tiveram efeito. "Não
que não sejam suficientes, mas ainda não ocorreram de
fato." Entre as medidas anunciadas, está uma linha de financiamento
de capital de giro oferecida pela Caixa Econômica Federal no
valor de R$ 3 bilhões para os empreendimentos lançados
antes do dia 1º de outubro. A ajuda, porém, ainda depende
de regulamentação para entrar em operação.
A Caixa também poderá comprar participações
em construtoras com dificuldades de caixa.
A Cyrela e a Agra também anunciaram revisões significativas
em seu "guidance" (projeções) de lançamentos.
Em nota, a Cyrela afirmou que, "em virtude do atual cenário
econômico internacional e das incertezas sobre o impacto na economia
brasileira, a empresa optou por postergar parte dos lançamentos
previstos para 2008". A Cyrela previa lançar R$ 7 bilhões
em projetos neste ano e rebaixou para algo entre R$ 5,25 bilhões
e R$ 5,6 bilhões.
Já a Agra rebaixou de R$ 2,1 bilhões para R$ 1,4 bilhão
sua projeção de lançamentos. " Muitos consumidores
estão receosos com o que vai acontecer com emprego e crédito.
Precisamos nos ajustar à nova situação",
diz o diretor de relações com investidores da Agra, Fábio
Tsubouchi.
Para o presidente do Secovi-SP (sindicato da habitação),
João Crestana, as empresas agora adotam uma atitude de cautela
e devem se tornar mais seletivas com os projetos. "É preciso
priorizar a liquidez e garantir capital de giro. Se uma empresa tinha
cinco ou seis lançamentos previstos, agora vai escolher dois
ou três, aqueles que têm rentabilidade."
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Revista Consultor Jurídico,
15 de novembro de 2008
Cálculo proporcional
IRPF não incide
de uma só vez sobre benefício acumulado
Tributação de Imposto de Renda de Pessoa Física
não pode incidir de uma só vez sobre valor recebido acumuladamente
a título de benefício previdenciário, mas deve ser
dividida em relação a cada mês competente. O entendimento
foi da 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, ao negar
um recurso da Fazenda Nacional que exigia a incidência da alíquota
de IRPF sobre o total recebido por um contribuinte.
A decisão recorrida foi do Tribunal Regional Federal
da 4ª Região (Recife), que interpretou que o
imposto deveria incidir sobre a renda mensal da pessoa. Assim,
o valor acumulado de um benefício previdenciário
recebido de uma só vez não serve de forma integral
para o cálculo do IRPF, mas o montante deve ser repartido
entre os meses competentes, assim como a aplicação
da alíquota devida.
Para o fisco, no entanto, a incidência deveria ocorrer
no momento do recebimento do benefício, que configura
aquisição e disponibilidade econômica.
Além disso, a Fazenda cobrou também a inclusão
dos juros moratórios na base de cálculo do
imposto. O TRF-4 havia isentado essas verbas da tributação.
Mas, a ministra Eliana Calmon, relatora, afirmou que a postura
do tribunal regional seguiu a jurisprudência do STJ,
inclusive em relação aos juros. Ela justificou
que o Código Civil promulgado em 2002 classifica juros
como verbas indenizatórias, isentas da tributação. “A
questão não passa pelo direito tributário,
como faz crer a Fazenda, quando invoca o instituto da isenção
para dizer que houve dispensa de pagamento de tributo sem
lei que assim o determine”, disse a ministra.
REsp 1.075.700
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