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O ESTADO DO PARANÁ,
18 de novembro de 2008 | Economia
Sindicato pede garantia de emprego
em pacote anticrise
Agência Estado
Dirigentes das maiores centrais sindicais do País vão encaminhar
ao governo federal um documento com propostas de garantia de emprego para a
classe trabalhadora no atual momento de crise financeira global. Uma das idéias é o
estabelecimento de uma cláusula que impeça a demissão
de trabalhadores nos setores que estão recebendo auxílio financeiro
da União para enfrentar os impactos da crise. Os líderes sindicais
estão reunidos nesta segunda-feira (17) em São Paulo para concluir
o documento que será apresentado, nos próximos dias, aos ministros
do Trabalho, Carlos Lupi, da Fazenda, Guido Mantega, e ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva.
Além da idéia de
atrelar a liberação de recursos à garantia de emprego,
os sindicalistas afirmam estar preocupados que a crise - que já motiva
convocação de férias coletivas e licenças
remuneradas - comece a ocasionar demissões em massa no inicio
do próximo ano. "O setor automotivo recebeu R$ 8 bilhões
dos governos federal e estadual", disse o presidente da Força
Sindical, Paulo Pereira da Silva, em referência às linhas
de crédito do Banco do Brasil e da Nossa Caixa oferecidas aos
bancos de montadoras. E questionou: "Custaria o governo colocar
uma cláusula de garantia do emprego aos trabalhadores?"
A contrapartida proposta pelos
sindicatos valeria para o repasse de qualquer recurso público
para ampliar a liquidez do sistema bancário ou crédito
ao setores produtivos.
Os representantes dos trabalhadores
propõem ainda que os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço (FGTS), do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e dos
bancos públicos sejam investidos em habitação e
saneamento. Isso funcionaria como uma contrapartida social ao uso desses
recursos públicos para ajudar as empresas.
O documento traz ainda outras
16 reivindicações que aliviariam os possíveis impactos
da crise no emprego e na renda dos brasileiros. Os sindicalistas também
reforçam pedidos já feitos ao governo federal, como a ampliação
do número de parcelas do seguro-desemprego para até dez
meses. Hoje, o seguro é pago em até cinco parcelas. Os
dirigentes devem agendar, ainda esta semana, uma audiência com
o ministro do Trabalho e aguardam também uma data para tratar
do assunto com o presidente Lula.
O encontro das centrais sindicais
para finalizar o documento acontece desde a manhã de hoje, na
sede da União Geral dos Trabalhadores (UGT), no centro da capital
paulista. Participam do encontro representantes da Central Geral dos
Trabalhadores do Brasil (CGTB), da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras
do Brasil (CTB), Central Única do Trabalhadores (CUT), Força
Sindical, Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) e UGT.
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Agência Câmara,
18 de novembro de 2008
Liberdade sindical pode gerar polêmica
em consolidação de leis
Laycer Tomaz
O relator do projeto de consolidação das leis trabalhistas, deputado
Arnaldo Jardim (PPS-SP), acredita que a Câmara aprovará a proposta
no primeiro semestre de 2009. O substitutivo ao PL 1987/07, do deputado Cândido
Vaccarezza (PT-SP), já recebeu o apoio de entidades como o Ministério
Público do Trabalho e a Associação Nacional dos Magistrados
da Justiça do Trabalho (Anamatra). Porém, a Anamatra está preocupada
com artigos que tratam de questões sindicais.
De acordo com Renato Sant'Anna,
diretor da entidade, trechos da Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT) que estão sendo reconsolidados pela Câmara
ainda pressupõem que o Estado controla a atuação
dos sindicatos. "E nós entendemos que, segundo o artigo 8° da
Constituição de 1988, a liberdade sindical inclui a liberdade
de organizar os sindicatos", alertou.
Segundo ele, esse vai ser um
aspecto polêmico, porque não há consenso sobre o
aproveitamento, no texto da consolidação feita pela Câmara,
dos artigos da CLT sobre liberdade sindical.
Revisão
O relator Arnaldo Jardim lembra que a consolidação não
subtrai direitos nem causa mudanças de mérito nas leis. O que
ocorre é a supressão de dispositivos conflitantes, repetitivos
ou desatualizados, para sintetizar toda a legislação. "O
texto não se fixa na organização sindical. Portanto, não
acredito que isso será um ponto de conflito", avalia o deputado.
O que existe, segundo ele, é a
necessidade, reconhecida por todos, de rever as leis sobre a organização
sindical. Porém, ele ressalta que o atual trabalho da Câmara
não é de revisão. "Quando falamos de consolidação,
o objetivo é produzir um texto que dê coerência à legislação
e dissipe pontos contraditórios", explicou.
O substitutivo de Arnaldo Jardim
tem mais de 900 artigos que consolidam 62 leis. Ele será apreciado
em Plenário depois de passar pelo grupo de trabalho sobre o tema
e pela Comissão de Constituição e Justiça
e de Cidadania (CCJ).
Íntegra da proposta:
- PL-1987/2007
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NCST, 18 de novembro
de 2008
Impacto da crise no emprego é mais
rápido do que se esperava
Construção civil foi um dos
setores mais afetados; segundo sindicato, foram feitas mais de 100
homologações por dia nas últimas 2 semanas
O impacto da crise econômica no emprego foi mais rápida do que
o que a maioria dos analistas esperava. Segundo dados de sindicatos e empresas,
a crise foi responsável por pelo menos 6,5 mil pessoas nos últimos
45 dias - o número, no entanto, pode ser muito maior, pois as homologações
em sindicatos contabilizam apenas as demissões de funcionários
com mais de um ano de casa.
"Chegamos a fazer mais
de 100 homologações por dia nas duas últimas
semanas de outubro", conta o presidente do Sindicato dos Trabalhadores
da Construção Civil de São Paulo, Antônio
de Souza Ramalho. "Porém, todos diziam que os cortes
haviam sido mais fortes entre os funcionários com menos de
um ano de trabalho. E esses não temos como medir."
A construção
civil foi um dos setores que mais demitiram por causa da crise, assim
como a metalurgia (que inclui a cadeia automotiva) e os eletroeletrônicos.
Até agora foram 2,3 mil, 2,7 mil e 900 demissões confirmadas,
respectivamente.
"Existe uma ordem",
diz o presidente do instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea), Marcio Pochmann. "Os setores afetados foram aqueles
que demandam que seus consumidores usem mais crédito. Dificilmente
uma casa, um carro ou um eletrônico novo cabem com folga no
orçamento de uma família."
A Syntax, empresa montadora
de PCs e notebooks, por exemplo, demitiu ao todo mais de 100 funcionários
em outubro. Na fábrica da Bahia, ficaram só 25 empregados
de um total de 100. O corte no escritório administrativo da
companhia, em São Paulo, foi de 30 pessoas. Alguns departamentos,
como o de pesquisa e marketing, foram extintos.
Um dos funcionários
demitidos conta que os diretores da companhia atribuíram à crise
a redução de pessoal. "Disseram que era hora de
enxugar custos, para a empresa se manter." Duas levas de demissões
foram feitas entre setembro e outubro, com menos de um mês
de intervalo entre elas.
Um funcionário que
permanece na empresa confirmou os cortes. Segundo eles, a medida
ocorreu por dois motivos. O primeiro foi a retração
nas vendas, que começou em agosto. Depois, em outubro, a disparada
do dólar fez a situação da companhia piorar.
Como ela apenas monta os computadores no País, todos os insumos
utilizados na produção são importados. A alta
da moeda americana praticamente travou a produção e
as demissões foram uma questão de sobrevivência
para a empresa.
Pochmann, do Ipea, considerou "surpreendente" a
velocidade com que os efeitos da crise chegaram ao emprego. "Esperava
uma desaceleração para outubro, mas um resultado negativo
foi inesperado", afirmou, sobre a pesquisa divulgada esta semana
pela Fiesp.O nível de emprego na indústria paulista
caiu 0,41% em outubro, ante setembro, o que significou o corte de
10 mil postos de trabalho. A maior parte dos cortes nas empresas
brasileiras ocorreu no Estado de São Paulo, mas a região
de Manaus (AM) também foi muito afetada. "Nosso normal
era fazer cerca de mil homologações por mês",
conta João Brandão, secretário de formação
do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas. "Mas em setembro
fizemos 1.439 e em outubro, 1.733."
O setor mais afetado na região é o
de eletroeletrônicos. Sony e Evadin já anunciaram mais
de 500 demissões por causa de crise. "A Xerox demitiu
60 e está ameaçando fechar sua atuação
na região", diz Brandão. "E as empresas fabricantes
de motos e autopeças anunciaram férias coletivas. Se
não receberem os mesmos incentivos que os automóveis,
podem cortar gente em janeiro também", diz o secretário.
A economista Fernanda Batolla,
da Credit Suisse Hedging-Griffo, diz que "já esperava
um arrefecimento por causa da alta do juros, mas, agora, o efeito
se dará mais rapidamente. Fernanda observa que a população
ocupada já sem grandes movimentações para cima
ou para baixo há três meses. Nas contas da instituição,
a taxa de desemprego sairá dos atuais 7,6% para 9% em 2009.
"O 13º salário
e as férias, concentradas em dezembro e janeiro, vão
mascarar um pouco os impactos da crise", diz Pochmann. "Em
janeiro veremos o verdadeiro estrago." Ele prevê primeiro
trimestre de 2009 com PIB zero. "Se isso acontecer no 4º trimestre
será terrível. O governo terá de fazer ações
precisas para garantir o emprego da população."
Ana Paula Lacerda e Marianna Aragão
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BEM PARANÁ, 18 de
novembro de 2008 | Economia
Consignado
Caixa disponibilizará R$ 10
bilhões em 2009
A Caixa Econômica Federal informou nesta ontem que disponibilizará R$
10 bilhões para o crédito com desconto na folha de pagamento
em 2009. Isso representa, segundo a instituição, um aumento de
25% em relação ao montante esperado para este ano (R$ 8 bilhões).
De janeiro a outubro, foram emprestados
R$ 6,2 bilhões pela Caixa por meio desta linha de crédito,
o que representa 1,2 milhão de contratos, ou 11% de participação
no mercado. Este montante é 9,7% superior ao emprestado nos dez
primeiros meses de 2007 (R$ 5,6 bilhões).
O banco público
informou ainda que manterá a “atual política de
juros e prazos”, que está em vigor desde o primeiro semestre
de 2008. De forma geral, informou a instituição financeira,
as taxas permanecem entre 1,49% e 2,35% ao mês.
No caso dos empréstimos com desconto em folha do Instituto Nacional
do Seguro Social (INSS), a Caixa informou que o prazo máximo é de
60 meses.
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Gazeta do Povo, 18 de novembro
de 2008
Congresso
Governo pretende barrar mudanças
na Previdência
Ministro articula a derrubada do projeto
que recupera o poder de compra das aposentadorias. União estima
que perderia R$ 76 bilhões por ano com a proposta
O ministro da Previdência, José Pimentel, vai hoje ao Congresso
para tentar convencer os parlamentares a não aprovar o projeto do senador
Paulo Paim (PT-RS) para recuperar o valor das aposentadorias. Segundo Pimentel,
o projeto, se aprovado, custaria R$ 76 bilhões anuais ao governo, que
não tem esse dinheiro. Ele se reunirá com Paim, com o presidente
do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), e com os parlamentares da Comissão
de Orçamento. Ainda hoje, as bancadas do DEM e do PT no Senado se reúnem
para fechar, cada uma, um acordo a respeito do assunto.
A proposta de Paim foi aprovada na última quarta-feira em caráter
terminativo na Comissão de Assuntos Sociais do Senado – o que
não exigiria a votação em plenário e faria com
que ela fosse encaminhada para a Câmara. Mas ontem Garibaldi Alves indicou
a intenção de levar a proposta para votação por
todos os senadores. Na semana passada, o líder do governo, senador Romero
Jucá (PMDB-RR), disse que iria apresentar um requerimento para que a
matéria fosse apreciada por todos os senadores.
O texto prevê a criação de um índice de reajuste
que mantenha a equivalência de salários mínimos recebidos
pelo aposentado ao longo dos anos, o que seria uma maneira de conservar o poder
de compra. Pimentel argumenta que os benefícios previdenciários
têm tido ganhos reais, acima da inflação. No entanto, há uma
grande diferença de reajuste entre quem ganha o equivalente ao piso
e os demais aposentados e pensionistas.
Nos últimos anos, o reajuste de quem recebe acima piso tem sido apenas
o equivalente à inflação acumulada no período,
considerando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Já o salário mínimo tem recebido reajustes maiores – o
equivalente à soma do INPC com o índice de crescimento do PIB.
Com isso, o ganho real de quem tem o reajuste vinculado ao do salário
mínimo foi de 37,05% de 2003 a 2005, enquanto as faixas acima do piso
tiveram ganho real de 0,89% .
Além desse projeto, outras duas propostas de Paim que mexem com a Previdência
aguardam votação na Câmara dos Deputados. Uma trata do
fim do fator previdenciário – cálculo que faz com que as
pessoas tenham de se aposentar mais tarde com o aumento da expectativa de vida
média da população. A outra prevê que o mesmo índice
de reajuste aplicado para o mínimo valha para todas as faixas de aposentadoria.
Na avaliação do deputado Dr. Rosinha (PT-PR), a intenção
de rever os índices de reajuste dos aposentados é boa, mas o
caminho tomado pelo senador está errado. “Não posso trabalhar
a questão da Previdência relacionando com o salário mínimo. É possível
recuperar o poder de compra dos aposentados sem ter o mínimo como parâmetro”,
afirma o deputado.
Contradizendo o discurso do governo, Dr. Rosinha afirma que há dinheiro
para fazer a recuperação das aposentadorias. O senador Alvaro
Dias (PSDB-PR) também defende a tese de que a Previdência é capaz
de bancar os reajustes. “O déficit acontece porque o governo aplica
verbas da previdência em outros setores”, argumenta o senador.
O aposentado Urandi Ribeiro Do Val espera pelas aprovação das
propostas de Paim no Congresso, mas prevê os problemas que os projetos
enfrentarão para passar. “O lobby dos aposentados é forte,
mas o governo tem nas mãos muito poder para negociar. Tenho medo de
que os parlamentares troquem seus votos por cargos.”

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Gazeta do Povo, 18 de novembro de 2008
Construção civil
Abyara tem lucro no trimestre, mas
desempenho é ruim
A Abyara Planejamento Imobiliário, ao contabilizar a primeira parcela
da venda da sua empresa de corretagem, teve lucro líquido de R$ 132,6
milhões no terceiro trimestre deste ano. O valor é bastante superior
ao registrado no mesmo período do ano passado – quando houve prejuízo
de R$ 5 milhões – mas não reflete a realidade da empresa.
Os lançamentos caíram 63% e, até o fim do ano, nenhum
outro apartamento com a marca Abyara sairá das pranchetas. Em relação às
unidades já lançadas, como o Botânica e o Reserva Ecoville,
em Curitiba, a incorporadora garante que vai concluir as obras.
Com a venda do controle da sua corretora para a consultoria imobiliária
Brasil Brokers, a Abyara conseguiu sanar algumas dívidas de curto prazo.
O valor do negócio, firmado no fim de agosto, é de R$ 250 milhões,
dos quais R$ 150 milhões foram aportados na Abyara Intermediação,
para o pagamento de dívidas bancárias. Em dezembro será pago
o restante do valor. Com isso, as dívidas de curto prazo da Abyara,
que somavam R$ 351,5 milhões no segundo trimestre deste ano, caíram
para R$ 268 milhões. A dívida total caiu de R$ 573,1 milhões
para R$ 444,8 milhões.
Os lançamentos da Abyara no terceiro trimestre deste ano somaram apenas
R$ 497 milhões, contra R$ 1,3 bilhão do mesmo período
do ano passado. Desde o início de 2007, foram lançadas 18,1 mil
unidades residenciais, das quais 9,4 mil já foram vendidas. Novos lançamentos
estão suspensos, pelo menos até que o mercado se restabeleça,
de acordo com a direção da empresa. A expectativa da Abyara,
no início de 2008, era lançar até R$ 3,3 bilhões
em valor geral de vendas (VGV). A estimativa caiu para R$ 1,1 bilhão.
A empresa está reduzindo o quadro de funcionários – em
cerca de 40% – e vendendo terrenos e projetos, que podem render uma receita
de quase R$ 200 milhões.
O resultado financeiro da Abyara não agradou ao mercado – seus
papéis negociados na bolsa caíram 5,51% ontem. O mesmo ocorreu
com outras empresas do ramo. De acordo com levantamento feito pelo site InfoMoney,
o índice setorial imobiliário teve baixa de 7,23% ontem. No ano,
as ações da Abyara acumulam queda de 95%; o setor, de 80%. Já o
Ibovespa, que mede o desempenho de mais dos 66 papéis mais negociados,
caiu 45% no período.
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O ESTADO DO PARANÁ,
18 de novembro de 2008 | Política
Sucessão no Senado envolve também
brigas pessoais
Agência Estado
As pedras no caminho do candidato Tião Viana (PT-AC) à presidência
do Congresso vão muito além da guerra interna entre o PMDB da
Câmara e o do Senado. O jogo sucessório envolve a disputa entre
aliados e adversários do governo, mágoas e vetos pessoais, além
de vingança e picuinhas da política do Acre. O caso do senador
Renan Calheiros (PMDB-AL) é exemplar. De público, ele nega o
veto a Viana. Nos bastidores, contudo, deixa claro que quem lhe dificultou
a vida ao substituí-lo na presidência da Casa, acatando pedidos
de cassação de seu mandato, jamais terá seu voto.
Em outubro de 2007, acuado por
cinco representações, o então presidente do Senado
pediu afastamento e entregou o posto a Viana. A principal acusação
era de que teria contas pessoais - incluindo a pensão de uma filha
- pagas pelo lobista de uma empreiteira. Renan acabou absolvido pelos
colegas duas vezes, mas jamais recobrou o prestígio de antes.
O DEM também deu seu
recado aos tucanos. Líderes do partido dizem que preferem "ver
Satanás" sentado ali, na cadeira de presidente do Senado,
a um petista que seja a "encarnação" do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva no comando da Casa. "Não
permitiremos que tomem o último bastião da oposição",
desafiou o líder José Agripino (DEM-RN), em conversa com
um tucano nesta semana.
Adversário de Viana
no Estado, o senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC) é outro que
não admite fortalecer a candidatura do petista ao governo estadual
com a presidência da Casa. O PSDB faz corpo mole para se manifestar,
de olho nos dividendos da briga em 2010. Os tucanos apostam no racha
da aliança governista para abocanhar ao menos o apoio de uma
fatia do PMDB na eleição presidencial. As informações
são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Congresso em Foco, 18 de
novembro de 2008
Linha direta entre Lula e Obama
As primeiras declarações do
presidente eleito americano sinalizam a manutenção
do isolamento de Chávez e do bom relacionamento entre Brasil
e EUA, mas é preciso ter cautela, adverte Marcos Magalhães.
Ligação
esperada
Ainda que tenha aguardado uma longa fila à sua frente, Lula recebe de
Obama, por telefone, sinais de manutenção do bom relacionamento
bilateral
Marcos Magalhães*
Parece uma daquelas coincidências interessantes. Um dia depois de o jornal
Correio Braziliense publicar na primeira página uma charge que mostrava
um ansioso Luiz Inácio ao lado do telefone, o presidente eleito dos
Estados Unidos, Barack Obama, finalmente ligou para o presidente Lula e estabeleceu
um primeiro contato com seu colega brasileiro. Isso depois de já haver
conversado por telefone com chefes de Estado e de governo de 15 outros países,
entre os quais Egito, Coréia do Sul e Polônia.
Durante cerca de 15 minutos, os dois trocaram impressões sobre a crise
financeira mundial e estabeleceram a primeira ponte política. Obama
elogiou a política econômica brasileira e ressaltou sua disposição
em levar adiante a cooperação bilateral na área de biocombustíveis.
Lula, por sua vez, convidou o presidente eleito a visitar o Brasil – o
que, segundo Obama, ocorrerá na “primeira oportunidade” que
aparecer.
Se tudo der certo, os dois presidentes poderão no mínimo repetir
o bom relacionamento que tiveram até hoje Lula e o atual presidente
George W. Bush. Quem diria que Lula e Bush, com histórias política
e de vida tão diferentes, iriam se dar tão bem? Quem diria que
a durona Condoleezza Rice, principal assessora de Bush para a área externa,
aproveitaria a boa maré na relação bilateral para passear
na Bahia? Pois é, agora Lula terá pela frente um político
diferente, dono de uma história de conquistas até semelhante.
Obama, primeiro presidente negro. Lula, primeiro presidente operário.
Lula já foi até chamado de “Obama do Brasil” pelo
jornal norte-americano Christian Science Monitor. E este líder de esquerda
que veio das camadas mais pobres da sociedade brasileira, disse o jornal em
editorial, teria “uma ou duas coisas a ensinar a Obama”. Entre
elas, talvez o que o Monitor chama de “soluções práticas” que
agradam tanto aos investidores globais como à maioria da sociedade brasileira.
Como vai fluir essa nova química, esse contato pessoal entre Lula e
Obama, só o tempo vai dizer. Tem tudo para dar certo. Mas nem sempre
as boas previsões se confirmam. De certa forma, porém, a longa
espera de Lula tem duas histórias a contar. A primeira é a do
isolamento da América do Sul. Lula foi o primeiro líder sul-americano
a receber um telefonema do presidente eleito dos Estados Unidos, que já havia
distribuído chamadas para diversos outros países. Na América
Latina, só o presidente mexicano Felipe Calderón havia sido lembrado
antes. A outra história é a da iniciativa norte-americana de
fortalecer a liderança brasileira na América do Sul, especialmente
em contraposição ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
Em uma de suas primeiras declarações sobre países sul-americanos,
Obama deixou claro que trabalhará no sentido de reduzir a dependência
de seu país em relação ao petróleo comprado de
produtores como a Venezuela. Bush e Chávez nunca tiveram nada em comum,
mas o atual presidente norte-americano nunca havia anunciado publicamente uma
proposta como a de Obama.
Ao isolar Chávez e se aproximar de Lula, Obama de certa forma sinaliza
a manutenção, em seu governo, do bom relacionamento existente
até hoje entre Lula e Bush. O pragmatismo brasileiro – apesar
da retórica muitas vezes semelhante à de Chávez, como
assinala o Christian Science Monitor – parece ter conquistado Washington.
Antes, no Brasil, se mediam as chances de uma boa relação bilateral
pelo grau de protecionismo do presidente eleito dos Estados Unidos. Os republicanos,
nessa ótica, sempre saiam na frente por serem teoricamente mais ligados
ao livre comércio. Mas acabavam mantendo medidas quase sempre tão
protecionistas quanto as de seus adversários democratas. A agenda se
ampliou. Agora existem muitos outros temas em jogo – do futuro da energia à segurança
mundial. E os dois presidentes ainda terão muito que conversar.
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NCST, 18 de novembro de 2008
Parlamentares discutem com ministro
benefícios da Previdência
O presidente da Comissão Mista de Orçamento, deputado Mendes
Ribeiro Filho (PMDB-RS), deve se reunir na terça-feira (18) com o ministro
da Previdência, José Pimentel, para discutir uma forma de reajustar
os benefícios previdenciários, com o objetivo de recuperar o
poder de compra de aposentados e pensionistas que recebem mais de um salário
mínimo. Também participarão do encontro o presidente do
Congresso, Garibaldi Alves; o relator da proposta orçamentária
de 2009, senador Delcídio Amaral (PT-MS); e o senador Paulo Paim (PT-RS).
Segundo José Pimentel, cerca de 16 milhões de aposentados e pensionistas
recebem até um salário mínimo e 8 milhões, acima
desse valor.
O líder do governo na
Comissão de Orçamento, deputado Gilmar Machado (PT-MG),
afirma ser consenso que os benefícios previdenciários superiores
ao salário mínimo precisam de uma política de recuperação.
Entretanto, o deputado destaca que isso não pode ser feito de
uma hora para outra. Segundo ele, o Orçamento de 2009 pode apontar
alguma solução para esse problema. "A proposta já vem
com os recursos para os 2/3 dos aposentados - agora, temos que tentar
melhorá-la. Já está assegurada a correção,
pela inflação, para os aposentados que ganham mais de um
salário mínimo. Precisamos definir o percentual em que
podemos iniciar a recuperação [do valor do benefício]",
disse.
A Comissão de Assuntos
Sociais do Senado aprovou, na quarta-feira (12), projeto de lei que estabelece
diretrizes para a valorização do salário mínimo,
estendendo a mesma fórmula de reajuste para as aposentadorias
e pensões (PLS 58/03). Ou seja, os benefícios previdenciários
devem ter correção anual pela variação da
inflação, mais o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
Como foi aprovado em caráter terminativo, caso os senadores não
apresentem recurso obrigando o projeto a ser votado pelo Plenário
do Senado, ele virá direto para análise da Câmara.
O autor da proposta, senador
Paulo Paim, defende a recomposição do valor dos benefícios. "Hoje
não existe política para os aposentados. Em pouco tempo,
todos os aposentados e pensionistas estarão recebendo somente
um salário mínimo no Regime Geral da Previdência
Social. Queremos uma política de recomposição
para que o cidadão que se aposentou com dois ou três salários
mínimos fique com dois ou três salários, sabendo
que 90% deles ganham, no máximo, até quatro, cinco salários
mínimos", explicou.
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Vermelho, 18 de novembro
de 2008
Mídia internacional reverencia
papel do Brasil no G-20
A reação positiva
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à repercussão
do encontro do G-20, realizado no final de semana, encontra apoio diante
da avalanche de matérias favoráveis publicadas pelos principais
jornais do mundo sobre o tema. Nos textos produzidos pela imprensa internacional,
a situação do Brasil e as posições do próprio
Lula foram inúmeras vezes ressaltadas por seu equilíbrio,
bom senso e assertividade.
Veja
o que disseram alguns jornais estrangeiros:
— No New York Times, Sheryl Stolberg assinalou a presença de Lula
ao lado direito de Bush, sob o gigantesco quadro de Abraham Lincoln. Deu espaço
também a declarações do presidente brasileiro, no sentido
de que a economia dos países emergentes começava a sofrer efeitos
de uma crise gerada nos países desenvolvidos e nos Estados Unidos em particular.
O cenário, observou a jornalista, "passou a mostrar veementemente
a maneira como a crise financeira, originada em Wall Street, espalhou-se pelo
mundo e está ajudando a reestruturar a ordem econômica internacional.
Ao decidir convidar para o encontro líderes de países em desenvolvimento,
deu-lhes Bush estímulo a suas agendas próprias".
— Ainda no New York Times, Mark Landler saudou a iniciativa de se ampliar
o número de participantes do Fórum de Estabilidade Financeira (Financial
Stabilit Forum) “de modo a nele incluir também os ministros da Fazenda
e presidentes de bancos centrais de países como o Brasil e a China”.
Outro articulista do Times, Steven Lee Myers, reproduziu a preocupação
do presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, de que a reunião, entre
países ricos e emergentes, estava perigosamente deixando de lado os países
mais pobres.
— O El País, de Madri, reproduziu entrevista na qual o presidente
Lula disse que a cúpula de Washington "foi histórica e representou
uma verdadeira mudança no panorama político mundial. Saio daqui
com a certeza de que a geografia política do mundo ganhou uma nova dimensão".
O jornal observou que o Brasil aproveitou a reunião para avançar
com o tema da liberalização do comércio mundial, "uma
vez que a rodada de Doha em julho passado encalhou em seu enésimo fracasso".
A delegação brasileira solicitou uma nova reunião ministerial
da Organização Mundial do Comércio (OMC) para tentar chegar
a um resultado final até o final do corrente ano. Foi feita também
referência expressa à interveniência do Brasil para que a
Espanha, inicialmente excluída, fosse convidada também para participar
da cúpula de Washington.
— No sábado, o El País publicou uma entrevista interessante — “Nunca
os países emergentes tiveram tanto a dizer", do economista Emílio
Ontiveros — na qual ele assinalou que "a cúpula do G-20 levantou
muitas expectativas dado o contexto de crise global em que se desenvolveu. Ademais,
novos países ganham em importância, como a China, a Índia
e o Brasil".
— Pedro Rodríguez, correspondente em Washington do também
madrilenho ABC, escreveu a matéria intitulada "O G-20 ilustra o novo
mapa da economia global traçado pela crise". Conforme o texto, “a
presença de emergentes gigantes cada vez mais decisivos, como a China,
o Brasil e a Índia, torna evidente a obsolescência do sistema financeiro
global, orquestrado há 60 anos". Rodríguez diz que o presidente
Lula "foi um dos líderes que abertamente apresentou a cúpula
de Washington como o lançamento de um novo status quo internacional: ‘Estamos
falando de G-20 porque o G-7 não tem mais razão de existir’.”
— No Les Echos, jornal francês especializado em economia e finanças,
a jornalista Marie-Christine Corbier aponta que a crise financeira teve um lado
positiva para os países emergentes, que foi a imposição
de sua forte presença: países como a África do Sul, o Brasil,
a China e a Índia deram um golpe nos velhos tradicionais integrantes do
G-7 ou do G-8, grupos nos quais eles não estavam incluídos.
— Em editorial, o Le Monde observou que "o G-20 prefigura o desaparecimento
do G-8, o que é uma coisa positiva: aceitando serem minoritários,
como o foram em Washington, os países ocidentais demonstram que eles aceitam
a conformação de um novo equilíbrio mundial. Cabe agora à China,
ao Brasil e a outros países emergentes, provar que eles compreendem os
deveres — e não apenas os direitos — que esse reconhecimento
implica”.
— O Diário da China (China Daily, principal jornal chinês
editado em inglês, desde 1981, com tiragem de 200 mil exemplares diários),
destacou o encontro entre os presidentes Lula e Hu Jintao — e, em particular,
a declaração do último de que pretende trabalhar muito próximo
do Brasil para ressuscitar as negociações da rodada comercial de
Doha. O artigo enfatizou o apelo feito pelo presidente brasileiro aos demais
parceiros da rodada, apontando sua conclusão como um dos grandes sinais
positivos para enfrentar a crise financeira internacional.
Da Redação, com informações
da Agência Estado
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Vermelho, 18 de novembro
de 2008
Japão vê sua primeira
recessão desde 2001
A economia japonesa, a segunda
maior do mundo, encolheu mais do que o esperado no terceiro trimestre.
Com contração de 0,4% do PIB (Produto Interno Bruto), o
Japão entrou oficialmente em recessão – no trimestre
anterior, a queda já tinha sido de 3,7%. Apesar do PIB estagnado
por mais de uma década, é a primeira recessão real
no país desde 2001. O governo estimava avanço de 0,1% no
terceiro trimestre.
O Japão se une assim à Eurozona,
Alemanha, Itália, Irlanda e Hong Kong na lista de países
e territórios que entraram oficialmente em recessão pelo
choque provocado pela crise financeira mundial. A maioria dos economistas
prevê que uma das próximas a entrar para a relação
será a economia dos Estados Unidos.
O retrocesso do PIB japonês
no terceiro trimestre de 2008 é explicada pela queda de 6,7% em
ritmo anual, e de 1,7% em relação ao trimestre precedente,
dos investimentos em capital das empresas.
A maioria das empresas japonesas
limitou os gastos evitando construir novas fábricas ou adiando
a compra de equipamento, já que previam uma queda de demanda nos
Estados Unidos, principal cliente das exportações japonesas.
A situação ficou ainda pior com a hesitação
dos bancos a conceder créditos.
Cooperação e Desenvolvimento
Econômico), o PIB japonês vai cair 0,1% em 2009, menos do
que o previsto 0,9% dos Estados Unidos e o 0,5% da
União Européia.
Algumas das maiores empresas
japonesas dependem de exportações. Além da contração
da economia em seus principais mercados, como Estados Unidos e União
Européia, elas são atingidas pela apreciação
do iene, que deixa seus produtos ainda mais caros no exterior.
Para tentar reanimar a economia,
o Banco Central do Japão cortou sua taxa de juros no mês
passado pela primeira vez em sete anos. É uma das mais baixas
taxas de juros do mundo -passou de 0,5% ao ano para 0,3%. O Banco Central
também diminuiu a taxa básica de empréstimos para
as instituições financeiras, de 0,75% para 0,50%.
Da redação, com agências
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
18/11/2008
SDI-1 mantém nulidade de notificação
de trabalhador por telefone
Após várias marcações
de data para a audiência inaugural, o trabalhador não compareceu
no dia do qual foi notificado por meio de telefonema à secretária
de seu advogado. A Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho, ao rejeitar embargos
do Banco do Nordeste do Brasil S.A. – BNB, manteve decisões
anteriores da Justiça do Trabalho que consideraram inválida
a notificação por telefone. Segundo a ministra Maria de
Assis Calsing, relatora dos embargos, o telefonema “não
cumpriu sua finalidade essencial”, pois a parte não compareceu à audiência.
Devido ao não-comparecimento
do trabalhador, a sentença mandou arquivar a ação.
O autor recorreu, então, ao Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região
(SE), que verificou haver certidão confirmando a alteração
na data da audiência, inicialmente marcada para 08/11/2000, depois
adiada para 22/11/2000 e, por último, confirmada para 08/11/2000.
Esta última data é que foi comunicada ao advogado do trabalhador
por telefone. O Regional destacou haver outra certidão informando
a presença do autor da reclamação na Vara do Trabalho
no dia 22/11/2000, no horário marcado para a realização
da audiência. Diante disso, o TRT/SE declarou nulo o arquivamento
e determinou que se procedesse a nova notificação. O BNB
apelou para o TST, mas a Quinta Turma manteve a decisão regional
ao negar provimento ao recurso.
Inconformado, o banco interpôs
embargos à SDI-1, alegando que o objetivo da notificação é dar
ciência à parte da existência de ato processual, podendo
o ato ser realizado de outro modo, desde que alcance o seu fim. E afirmou
que há certidão do diretor da Secretaria da Vara do Trabalho
atestando ter dado ciência da audiência inaugural ao advogado
do reclamante. Com esses argumentos, apontou violação dos
artigos 154 do CPC e 796 da CLT na decisão da Quinta Turma.
Ao analisar os embargos, a ministra
Calsing esclareceu que o artigo 154 do CPC “ampara o princípio
da instrumentalidade das formas, considerando válidos os atos
que, realizados de modo diferente do preconizado na lei, lhe preencham
a finalidade essencial, o que não ocorreu no caso”. Assim,
concluiu que não se pode falar em violação aos artigos
indicados, como queria o banco. A ministra entendeu que, “em vista
do prejuízo causado à parte, e não tendo a notificação
por telefone previsão legal, não merece censura o acórdão
embargado que manteve a decisão em que se declarou a nulidade
da sentença que determinara o arquivamento”. ( E-RR– 777898/2001.0)
(Lourdes Tavares)
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18/11/2008
Repouso semanal computado em horas extras
não integra outras verbas
O descanso semanal é remunerado,
conforme estabelecido em lei, e sua repercussão, majorada com
a integração das horas extras em outras verbas, implicaria
pagamento em duplicidade, pois já estão inclusos no salário
os valores pertinentes a ele. Com este entendimento, fundamentado nas
Súmulas 347 e 376 do TST, a Oitava Turma do Tribunal Superior
do Trabalho negou provimento ao recurso de bancária contra o Banco
Itaú S/A.
A bancária pretendia que,
no cálculo das horas extras devidas pelo banco, repercutissem
os repousos semanais remunerados aumentados com a integração
dessas horas em outras verbas trabalhistas, quando acionou a Justiça
do Trabalho, para recuperar, a seu ver, direitos sonegados pelo Banco.
Admitida em setembro de 1987 para exercer a função de caixa,
recebia salário de R$ 1.079,77 quando o banco, sem motivo justificado,
a demitiu, em novembro de 2001.
Na reclamação trabalhista,
informou que sua jornada sempre ultrapassava o limite contratual e legal,
mas não recebeu, na totalidade, as horas extras devidas. Acometida
de LER – Lesão por Esforço Repetitivo – no
curso do contrato de trabalho, decorrente das atividades exercidas, afastou-se
cinco vezes por acidente de trabalho e passou por cinco cirurgias.
Demitida durante o tratamento
Por determinação
médica, o banco deveria remanejá-la para uma tarefa que
exigisse menos esforços repetitivos, mas ela continuou a executar
os serviços de caixa, envolvendo basicamente digitação,
o que contribuiu para agravar a moléstia profissional. Segundo
relatório médico, a bancária perdeu 50% da capacidade
de movimento do braço direito e 75% do braço esquerdo.
Na época de sua dispensa, encontrava-se em tratamento. Na reclamação,
pediu a reintegração ou indenização, horas
extras, diferenças de horas relativas ao intervalo de dez minutos
a cada 50 trabalhados e, finalmente, a integração dessas
horas e diferenças nos RSRs com reflexos nas demais verbas.
O TRT da 2ª Região
(São Paulo) condenou o banco a pagar o adicional de 50% sobre
as horas trabalhadas além da sexta diária, mas indeferiu
seu pedido de reflexo dos RSRs, já majorados pela horas extras
nas demais verbas. No TST, a ministra Maria Cristina Peduzzi manteve
a decisão do Regional e citou precedente do ministro Ives Gandra
Filho no sentido de que as horas extras habitualmente trabalhadas já refletem
nas demais parcelas trabalhistas, dentre as quais os RSRs: “Seria
repicar o reflexo, com multiplicação dos haveres trabalhistas,
em detrimento da realidade do efetivo labor prestado e da retribuição
devida”, explicou. A SDI-1, porém, condenou o Banco Itaú ao
pagamento de 12 salários, desde a despedida da bancária,
a título de indenização. ( RR-1.273/2002-007-02-00.5)
(Lourdes Côrtes)
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