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Agência Diap, 19 de novembro de 2008
Crise financeira: centrais exigem
garantias para classe trabalhadora
Dirigentes das centrais sindicais do País vão encaminhar ao Governo
Federal um documento contendo propostas de preservação do emprego
e outras medidas que possam minimizar os efeitos da crise financeira internacional
sobre a classe trabalhadora. O texto, que será apresentado aos ministros
do Trabalho Emprego, Carlos Lupi, da Fazenda, Guido Mantega, e ao Presidente
da República Luiz Inácio Lula da Silva, o documento é uma
iniciativa das seis centrais sindicais - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras
do Brasil, Força Sindical, Central Única dos Trabalhadores, Central
Geral dos Trabalhadores do Brasil, União Geral dos Trabalhadores e Nova
Central Sindical de Trabalhadores.
Além da idéia vincular a liberação de recursos à garantia
de emprego, os dirigentes sindicais estão preocupados com a crise que,
já motiva convocação de férias coletivas e licenças
remuneradas, comece a ocasionar demissões em massa no inicio do próximo
ano.
Entre as propostas feitas pelas centrais sindicais, está o repasse de
recurso público para ampliar a liquidez do sistema bancário ou
crédito aos setores produtivos.
Contrapartida Social
Os representantes dos trabalhadores propõem ainda que os recursos do
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), do Fundo de Amparo ao
Trabalhador (FAT) e dos bancos públicos sejam investidos em habitação
e saneamento. Isso funcionaria como uma contrapartida social ao uso desses
recursos públicos para ajudar as empresas.
O documento traz ainda outras 16 reivindicações que aliviariam
os possíveis impactos da crise no emprego e na renda dos brasileiros.
Os dirigentes também reforçam pedidos já feitos ao Governo
Federal, como a ampliação do número de parcelas do seguro-desemprego
para até dez meses.
Hoje, o seguro é pago em até cinco parcelas. Os dirigentes devem
agendar, ainda esta semana, uma audiência com o ministro do Trabalho
e aguardam também uma data para tratar do assunto com o presidente Lula.
(Com CTB)
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Folha de S.Paulo, 19 de novembro de 2008
FERNANDO RODRIGUES
As centrais e suas idéias
BRASÍLIA - As centrais sindicais
brasileiras enviaram uma carta a Lula. Fazem sugestões para
enfrentar a atual crise financeira internacional. O documento é útil
por dois motivos. Primeiro, para saber que existem seis centrais
sindicais no Brasil. Segundo, por revelar o grau de desconexão
da realidade por parte dos sindicalistas.
Para economizar papel e tinta, eis apenas as siglas das centrais sindicais
brasileiras: CGTB, CTB, CUT, Força Sindical, NCST e UGT. A sopa de letras
se robusteceu depois de Lula aceitar repassar parte do imposto sindical a essas
organizações. Com dinheiro estatal, tudo fica mais simples e
fácil.
Mas não tão rápido. A crise financeira entrou em sua fase
aguda no início de setembro. Foram necessários mais de 60 dias
para as seis centrais produzirem o seu "documento unitário",
como foi batizado, e enviá-lo a Lula.
O texto parece obra empoeirada de alguém enroscado numa dobra do tempo
anterior à queda do Muro de Berlim. Os sindicalistas falam sobre a "imposição
dos dogmas do livre mercado" resultando em um "ambiente propício
ao ganho fácil e à especulação das megacorporações
multinacionais". O diagnóstico saiu na mesma semana em que o Citigroup
anunciou o corte de 52 mil empregos neste ano.
Entre as 18 propostas apresentadas pelos sindicalistas, ressurgem as sombrias
sugestões de "criar mecanismos de controle de fluxo de capital
externo e de controle de câmbio" ou um "programa de substituição
de importações para fortalecer o mercado interno".
A Grande Depressão da década de 30 se aprofundou porque os países
adotaram políticas contra o comércio internacional. Essa é a
receita das centrais: o Brasil deve se enclausurar e resolver as coisas sozinho.
No longo prazo, o real seria extinto, estaremos todos comendo rapadura e fazendo
escambo.
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MTE, 13 de novembro
de 2008
Proposta de anteprojeto
de terceirização já está disponível
no site do MTE
Minuta do texto pode ser consultada
pela sociedade e as sugestões de alterações
no projeto encaminhadas ao Ministério para análise
antes do envio à Casa Civil. Audiência Pública
desta quinta-feira debateu a questão em Brasília
Foto: Renato Alves

ANTEPROJETO DE TERCEIRIZAÇÃO
Coordenadora-geral da SRT, Maria da Gloria Bittencourt, o ministro
do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, o secretário de Relações
do Trabalho, Luiz Antônio de Medeiros, e o consultor jurídico,
Jerônimo Jesus dos Santos
Brasília, 13/11/2008 - O site do Ministério do Trabalho
e Emprego traz a partir desta quinta-feira a minuta
do texto do anteprojeto de lei para a regulamentação
da contratação de serviços terceirizados no setor
privado. De hoje (13) até o próximo dia 23, quem estiver
interessado pode enviar sugestões para mudanças no texto
que será encaminhado à Casa Civil. Na manhã desta
quinta-feira o ministro Carlos Lupi; o secretário das Relações
do Trabalho, Luiz Antônio de Medeiros; e a coordenadora-geral
da secretaria, Maria da Gloria Bittencourt, falaram sobre as premissas
do projeto em encontro no auditório do Ministério, em
Brasília. Ao final, representantes do governo, das centrais
sindicais, das confederações patronais e de empresas
privadas, além de trabalhadores presentes, puderam esclarecer
suas dúvidas em relação aos principais pontos
da proposta.
Por não haver
regulamentação legal que trate da terceirização,
há mais de um ano o Ministério vem se reunindo
com representantes de trabalhadores e empregadores para poder
apresentar essa proposta de forma que seja consensual e atenda
aos interesses de ambas as partes.
"Nós precisamos
avançar no sentido de construir para o Brasil uma legislação
perene, a mais perene possível. É uma realidade
que existe um percentual elevado de empresas apenas de fachada
que descaracterizam, precarizam e desmoralizam o trabalho (terceirizado)",
afirmou o ministro Carlos Lupi e completou: "Não
vamos aceitar empresas de fachada, queremos as que sejam especializadas
e tenham capital social correspondente ao serviço que
irão prestar".
Frisa-se que o MTE
não pretende regularizar a terceirização
de mão-de-obra, mas sim a contratação
de serviços terceirizados. Atualmente, existe um tomador
de serviços, uma empresa intermediadora e um trabalhador. "Com
o novo projeto haverá uma empresa (contratante) que
precisa de determinado serviço para uma atividade que
vai melhorar seu processo de produção, dar mais
dinamismo, crescimento econômico e avanço tecnológico;
e uma empresa contratada que seja especializada no ramo. E
esta, por sua vez, com seus próprios empregados, vai
prestar o serviço para a contratante", explica
Maria da Gloria Bittencourt.
Esta é a primeira
premissa do projeto: a diferença entre contratação
de serviços e intermediação de mão-de-obra.
Durante a cerimônia
desta quinta, o projeto recebeu elogios pela iniciativa de
levar adiante um trabalho correlato a milhões de brasileiros
e até pela situação mundial da economia. "Nesse
momento, essa lei tem aspecto fundamental para o Brasil, pois
ela amplia as possibilidades de emprego. A lei tem que ter
um objetivo de melhorar as condições do contrato
social e legalizar mais ainda as relações sociais",
apoiou o deputado constituinte Paulo Delgado.
A atual proposta determina
que a contratada tenha seus próprios empregados, que
estes sejam regulares, registrados e que tenham todos os direitos
trabalhistas assegurados. Para garantir o correto cumprimento
da legislação, o texto aborda a questão
da responsabilidade mútua da contratante e da contratada.
A primeira será responsável pela verificação
de que a empresa contratada cumpre com suas obrigações
como pagamento de salários, de fundo de garantia e questões
previdenciárias. A coordenadora informa que se a contratante
não monitorar ou o fizer de forma inadequada, será responsabilizada
pelo pagamento de todos os direitos desses trabalhadores, podendo
o empregado requerer seus benefícios a qualquer uma
das empresas, a qualquer tempo. O nome disso é responsabilidade
solidária.
Por outro lado, se
for mantido um controle efetivo, a contratante será responsabilizada
subsidiariamente. "Nesse caso o trabalhador vai pedir
primeiro para a empresa contratada, se esta não fizer
o pagamento, tiver dificuldade financeira ou estiver em falência,
aí a responsabilidade recai sobre a empresa contratante".
Esse compromisso mútuo impulsiona a contratação
de empresas idôneas. "Isso cria um laço legal,
entremeia uma necessidade muito grande de cumprimento das legislações",
comemora Bittencourt.
Para alcançar
tais metas o projeto prevê cláusulas obrigatórias
que dizem respeito ao cumprimento de contrato, à especificação
de serviço, a não contratação aleatória;
e ao prazo de vigência. O texto prevê também
a apresentação de documentos que comprovem idoneidade
financeira, fiscal e até questão de instalação
do local de funcionamento da contratada. "Diante dessas
amarras legais, o projeto do Ministério não criou
nenhuma restrição para empresa contratar serviços
da sua atividade fim ou meio, o que importa é que os
direitos do trabalhador sejam mantidos".
Decisão
das contratantes - Outro ponto crucial do anteprojeto é a
garantia de lastro da contratada, ou seja, se têm condições
de cumprir com o serviço a ser prestado e com o pagamento
dos direitos do trabalhador. Quem vai decidir isso é a
contratante por meio do Termo de Contrato que determinará o
acordo social com o capital que garanta a execução
do mesmo. A contratante deverá observar o tamanho
de sua demanda e o que necessita para sua conclusão,
e a partir daí, observar a condição
financeira da contratada. "O que significa isso a curto,
médio e longo prazo? Aprimoramento dos serviços
prestados. Cada vez mais só vão ficar no mercado,
as empresas que realmente podem prestar um serviço
de qualidade, que tenham especialização e condição
de produtividade".
Fiscalização -
Por não haver leis que tratem da terceirização,
tanto a fiscalização do Ministério Público
como do Ministério do Trabalho e Emprego são
levadas a trabalhar de forma subjetiva. O projeto do MTE acaba
com isso, pois estabelece mecanismos para o trabalho de fiscalização,
com previsão de multa de R$ 1.000 por trabalhador encontrado
em situação irregular quando não forem
cumpridos os requisitos do contrato. E de R$500 quando houver
qualquer tipo de discriminação do trabalhador.
Conclusão -
O secretário Luiz Antônio de Medeiros fechou
o evento reforçando que todas as propostas de nova
redação serão analisadas pelo MTE e
que esse processo deverá ser levado adiante com agilidade
para que o texto possa ser encaminhado a Casa Civil. "Esse é um
projeto que protege o trabalhador, o Brasil precisa dele.
Em breve, poderemos ter uma lei que ajude o país a
crescer e a fazer justiça social."
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O ESTADO DO PARANÁ,
19 de novembro de 2008 | Economia
Satisfação do povo é inversa
ao crescimento do País
Agência Estado
Embora seja comum a percepção de que a satisfação
com a vida, no geral, é maior nos países com maiores níveis
de renda per capita, as pessoas tendem a se sentir menos satisfeitas em países
que tiveram taxa de crescimento mais alta nos anos recentes do que em países
que cresceram menos, constata o estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID). "A insatisfação nos países com rápido
crescimento é resultado de aumento acelerado nas expectativas relacionadas
a consumo material e competição por status econômico e
social", informa o relatório. O BID classifica esta situação
como "paradoxo do crescimento infeliz".
Este fato, acrescenta, é uma
ameaça contra políticas que promovem eficiência,
pois algumas medidas para aliviar temporariamente o descontentamento
podem ser eficazes a este respeito, mas à custa de companhias
ou indivíduos bem-sucedidos economicamente que servem de referência
para grupos descontentes. No entanto, o estudo não leva em conta
se o descontentamento estaria ligado ao sentimento de inveja em relação
aos considerados bem-sucedidos, por exemplo.
Por conta da constatação
deste paradoxo, o BID estima que "uma política focada exclusivamente
no crescimento tem poucas possibilidades de ser politicamente sustentável".
Escala apresentada no estudo revela que o maior nível de satisfação
está ligado à população de países
com crescimento médio anual inferior a 2%. Em oposição,
o menor nível de satisfação está relacionado à população
de países que crescem anualmente mais que 7%.
Outro paradoxo constatado é o
da "aspiração". Os mais pobres e com menor nível
educacional têm uma opinião sobre políticas sociais
mais positiva do que os mais ricos ou com melhor nível educacional
dentro de um mesmo país. "A falta de aspiração
enfraquece a demanda do pobre por melhor educação, saúde
e proteção social", informa o estudo.
Sociedades com mais educação
e mais participativas politicamente têm mais chances de quebrar
este paradoxo. "Cidadãos descontentes, mas ativos politicamente,
são uma indicação melhor de progresso social do
que uma sociedade passiva e tolerante", avalia o BID.
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FOLHA DE LONDRINA, 19 de
novembro de 2008 | Economia
Setor madeireiro sofre mais com crise
mundial
Segmentos mais prejudicados foram
madeira serrada, portas e compensados, com vendas voltadas para exportação
Curitiba - O setor de madeira
demitiu 100 mil funcionários no Brasil neste ano em função
da queda que o dólar teve até setembro. Hoje, o segmento
emprega 2 milhões de trabalhadores. A estimativa é do
presidente da Associação Brasileira da Indústria
de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), Antônio Rubens
Camilotti. Segundo ele, os setores mais prejudicados foram de madeira
serrada, portas e compensados, produtos com maior valor agregado
e que possuem vendas mais voltadas para o mercado externo. Ele não
tem um levantamento de quantas pessoas foram demitidas no Paraná,
no entanto, disse que a cidade de Sengés foi mais afetada
porque tinha vendas concentradas no mercado americano.
Neste ano, o setor deve fechar
o ano com US$ 3,6 bilhões de exportações brasileiras
contra US$ 3,7 bilhões em 2007. A maior produção
do setor está concentrada em compensados que em 2008 deve ser
de 2,7 milhões de metros cúbicos, sendo 1,4 milhão
destinados à exportação. O segmento não teve
o mesmo volume de produção de 2007 e não avançou
praticamente nada. Camilotti acredita que os volumes mantenham-se nos
mesmos patamares. ''Não sabemos o tamanho da crise que vai vir'',
disse.
''Agora estamos em dois mundos.
De um lado, o dólar está melhorando a rentabilidade das
empresas e de outro os volumes exportados não aumentaram'', disse.
Ele acredita que a partir do final de janeiro ou fevereiro, o setor pode
ter novas perspectivas.
Em 2007, as exportações
brasileiras de madeira serrada de pinus apresentaram queda de 1,7% em
volume e de 6,5% em valor comparadas a 2006. Os Estados Unidos são
o principal destino das exportações de madeira serrada
de pinus do Brasil. Em 2007, os americanos importaram 52% do volume total
exportado pelo Brasil deste produto. A estimativa para 2008 mostra que
a madeira serrada de pinus deve apresentar queda de 0,4% passando de
1,308 milhões de metros cúbicos para 1,303 milhões
m3 em volume e acréscimo de 4,7% em valor de US$ 257 milhões
em 2007 para US$ 269 milhões em 2008.
A partir de hoje, o setor realiza
o 4º Congresso Internacional de Madeira Sólida de Florestas
Plantadas, em Curitiba. O tema central do encontro, ''Riscos globais
e as oportunidades para a indústria de produtos de madeira'',
pretende levantar discussões em torno da atual situação
econômica mundial, análises do mercado internacional e tendências
para o setor, novas tecnologias para a indústria madeireira e
colheita florestal.
Um dos palestrantes é o
especialista em previsões e análises de mercados internacionais
de produtos florestais, Bernard Fuller, presidente da Cambridge Forest
Products Associates. Ele vai falar sobre crise imobiliária americana
e o impacto no mercado internacional de produtos florestais.
Andréa Bertoldi
Equipe da Folha
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O ESTADO DO PARANÁ,
19 de novembro de 2008 | Política
Câmara aguarda STF para decidir
futuro de 'infiel'
Agência Estado
A Mesa da Câmara deverá manter por mais tempo o mandato do deputado
Walter Brito Neto (PRB-PB), descumprindo a decisão do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE), que cassou o seu mandato por infidelidade partidária.
A Mesa deverá esperar que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue recurso
extraordinário de Brito Neto, seguindo a orientação da
Comissão de Constituição e Justiça da Casa (CCJ),
antes de cumprir a determinação do TSE.
Brito Neto perdeu o mandato
por ter trocado o DEM pelo PRB em setembro de 2007, ou seja, depois de
27 de março daquele ano, data a partir da qual o TSE estabeleceu
que os mandatos pertencem às legendas, não aos parlamentares.
Parecer será entregue à Mesa nesta semana pelo corregedor
da Casa, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE). Caberá ao
presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), marcar a reunião
para votar o parecer.
Mesmo depois de o STF ter
autorizado, na semana passada, a cassação do mandato
de parlamentares que trocam de partido sem justificativa, a Câmara
tem resistido a cumprir a decisão do TSE. A ordem para que a
Mesa declare a perda de mandato de Brito Neto, por exemplo, foi dada
em setembro - até agora não foi cumprida. Chinaglia afirma
que a Mesa tem de agir com cautela. Ele argumenta que há casos
em que a Justiça Eleitoral determina a perda de mandato, mas
depois concede liminar, uma decisão provisória, mantendo
o parlamentar no cargo. As informações são do
jornal O Estado de S. Paulo.
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Congresso em Foco, 19 de
novembro de 2008
Senadores fazem vigília em plenário
por aposentados
Está em curso no plenário
do Senado uma vigília de protesto contra o que seria o descaso
do governo em relação a três propostas do senador
Paulo Paim (PT-RS), que alteram normas previdenciárias. As matérias,
já aprovadas pelos senadores, esperam apreciação
da Câmara.
Entre elas, estão a que
elimina o fator previdenciário (equação de cálculo
para benefício de aposentados); a que recompõe os valores
de pensões e aposentadorias dos beneficiários da Previdência
Social; e a que estende o meio de cálculo de reajuste do salário
mínimo aos benefícios da Previdência. Ao Congresso
em Foco, o autor das proposições disse estar confiante
no êxito da mobilização.
" A vida me ensinou que o Parlamento só ouve, efetivamente, o rufar
dos tambores das ruas se eles tocarem aqui dentro da Casa. Não adianta
tocar só lá no município", disse Paulo Paim, informando
que o esquema de plantão montado em seu gabinete já recebeu centenas
de e-mails e telefonemas "lindos" de todo o país. "Estamos
percebendo que a população está apoiando o nosso movimento.
Esperamos que isso sensibilize o Executivo e a Câmara dos Deputados, para
que votem os projetos."
Paim disse que cidadãos dos quatro cantos do Brasil estão se
reunindo para assistir à transmissão da sessão ordinária
pela TV Senado, e que pessoas ligam para seu gabinete "chorando",
supostamente emocionadas com a força-tarefa em curso no plenário. "Essa
vigília há de sensibilizar", acrescentou, dizendo acreditar
que também o presidente Lula está "sensibilizado".
Paim disse ainda que o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR),
garantiu que não iria apresentar requerimento para que um dos projetos
de lei de Paim – justamente o que promove a recomposição
de valores de aposentadorias e pensões – seja votado em plenário.
Caso isso se confirme, a matéria segue direto para a apreciação
da Câmara, uma vez que foi aprovada em caráter terminativo (sem
necessidade de ir a plenário na Casa de origem).
Além de Paim, senadores
como Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Valter Pereira (PMDB-MS), Mário
Couto (PSDB-PA), Mão Santa (PMDB-PI), Geraldo Mesquita (PMDB-AC),
Romeu Tuma (PTB-SP), Rosalba Ciarlini (DEM-RN), Sérgio Zambiasi
(PTB-RS), Marcelo Crivella (PRB-RJ), Papaléo Paes (PSDB-AP)
e José Nery (Psol-PA) já anunciaram que vão se
revezar em discursos sobre as contas da Previdência Social, além
das proposições que garantem benefícios para aposentados
e pensionistas. Os senadores prometem ficar até as 6h desta
quarta-feira (19).
Duas verdades
Os senadores se revoltaram com as declarações do ministro da
Previdência Social, José Pimentel, proferidas hoje após
a reunião com o presidente e o relator da Comissão Mista de Orçamento,
respectivamente o deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS) e o senador Delcídio
Amaral (PT-RS), além de parlamentares que apóiam as alterações
nos benefícios previdenciários. Segundo Paim, Pimentel mentiu
sobre o que foi discutido na reunião, em entrevista concedida logo depois
do encontro.
" O ministro foi infeliz, mais uma vez. Ele combinou uma coisa conosco dentro
da reunião e, do lado de fora, ele disse outra, envolvendo inclusive o
nome dos senadores", criticou Paim, para quem esse foi um dos motivos que
os levaram ao protesto, que estava previsto apenas para a próxima semana. "Na
próxima reunião, vou perguntar a ele [Pimentel] se ele é ateu",
bradou da tribuna Mário Couto, dizendo que pediu a Deus, antes da reunião
de hoje, que iluminasse "a cabeça do ministro".
Pimentel teria dito, na entrevista supracitada, que houve consenso entre os
presentes à reunião de que não haveria base orçamentária
para abrigar as alterações propostas por Paulo Paim – e
a implicações financeiras nelas embutidas. "Os senadores
se sentiram feridos. Nós temos orgulho próprio. Palavra é palavra,
e aqui no Parlamento temos um código entre nós: mentira leva
a impeachment, perda de mandato", disse Paim.
" Se a vigília não funcionar, vamos obstruir a pauta do Senado.
Respeitosamente, mas vamos obstruir", ameaçou Geraldo Mesquita, que
seguiu para o Senado direto do aeroporto, onde desembarcou há pouco de
um vôo com origem em Assunção, capital do Paraguai. "Não é possível
que não haja uma solução. Acho que é hora de pressionarmos
mesmo, com vigília, com obstrução, até que o governo
compreenda que não pode dar as costas a uma situação como
esta."
Tanto Paim quanto Mesquita garantiram que, se a vigília em curso, de
12 horas, não for suficiente, outras de 48 e até 72 horas estão
a caminho. "E nesse espaço de tempo vamos obstruir a pauta do Senado",
arrematou Mesquita, dizendo que ao menos 15 senadores já aderiram à vigília. "Vamos
parar esta Casa, se for necessário." (Fábio Góis)
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Folha de S.Paulo, 19 de novembro de 2008
AMÉRICA LATINA
Após anunciar 52 mil
demissões, executivo do Citi chega ao país
DA REPORTAGEM LOCAL
Um dia após anunciar 52 mil demissões, o presidente mundial do
Citigroup, o indiano Vikram Pandit, iniciou uma visita de dois dias ao Brasil
para conhecer as operações brasileiras do Citibank, décimo
maior banco em operação no país.
É a primeira viagem de Pandit ao Brasil como presidente mundial do Citigroup.
Segundo o Citibank brasileiro, Pandit não vai anunciar nenhuma aquisição
ou desinvestimento.
O executivo planejava conhecer as operações no Brasil em janeiro,
mas teve de adiar a visita por conta de agenda em meio à crise.
Na contramão da matriz americana, o Citibank brasileiro comprou neste
ano a corretora Intra, a oitava maior do varejo nacional. O valor não
foi revelado, mas o mercado estimava em R$ 200 milhões. À época,
o presidente do Citi no Brasil, Gustavo Marin, disse que o grupo tinha decidido
apostar em mercados de maior potencial de crescimento.
Com perdas de mais de US$ 20 bilhões desde o final do ano passado, o
Citigroup pretende reduzir em 20% as suas despesas. O grupo emprega 352 mil
funcionários e já demitiu 23 mil neste ano.
No Brasil, onde emprega 6.184 pessoas, não há definição
sobre o tamanho dos cortes. O banco afirmou em nota que vai "administrar
com cuidado" o atual quadro de funcionários para adequá-lo à "realidade
de mercado". (TONI SCIARRETTA)
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Agência Diap, 19 de novembro de 2008
CUT critica proposta de terceirização
do MTE
A CUT compareceu na quinta-feira (13), à audiência pública
convocada pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, para a apresentação
das diretrizes de um projeto de lei que será elaborado pela pasta para
regulamentar a terceirização no Brasil. Os representantes da
CUT, entre eles o secretário de finanças da Confederação
Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Miguel Pereira, fizeram
várias críticas ao projeto. Após a conclusão da
consulta pública, o PL será encaminhado à Casa Civil para
apreciação e posterior envio ao Congresso Nacional com caráter
de urgência.
Também participaram da reunião o secretário de Relações
do Trabalho, Luiz Antônio Medeiros, e os representantes das outras cinco
centrais sindicais e representantes do patronato. Entre os participantes chamou
a atenção a presença, na mesa, do deputado Laerte Oliveira
(PSDB/SE), que é o atual presidente da Federação das Empresas
Prestadores de Serviços de Asseio e Conservação.
" Não sabemos se isso foi uma ironia ou uma sinalização
de tendência", ironiza Miguel. "Mas o fato é que, por
todo o tempo, ouvimos os representantes do ministério, inclusive o próprio
ministro Lupi, falarem em combater a precarização dos direitos
trabalhistas. Com esta proposta, ao contrário, nossa análise é que
a precarização aumentará e muito. Nos parece que o MTE focou
seus interesses apenas na segurança jurídica para as empresas",
lamenta.
Grupo de trabalho
Em março deste ano foi criado um grupo de trabalho tripartite (trabalhadores,
governo e patrões) para discutir o projeto de lei, mas nunca chegou
a se reunir. As discussões se limitaram a encontros entre trabalhadores,
governo e patrões, sem que nunca tenham acontecido negociações
efetivas.
A audiência de quinta concluiu esse processo, quando o Ministério
definiu as premissas que balizarão a proposta de PL de sua autoria,
a ser encaminhado à Casa Civil. O anteprojeto está disponível
no site do ministério (http://www.mte.gov.br/) para a apreciação
da sociedade por somente dez dias a partir do dia 13. A pretensão do
MTE é concluir esse debate até o mês que vem.
" Com base nas críticas que apresentamos abaixo, é fundamental
que todos os sindicatos conheçam e divulguem a proposta, e fiquem alertas
para todos os prejuízos que poderão recair sobre a classe trabalhadora
caso a proposta de PL seja consolidada", adverte Miguel Pereira, representante
da CUT na audiência.
" Orientamos a todas as entidades e dirigentes que também enviem
e-mails com críticas e sugestões ou protocolem as contribuições
junto ao Ministério, em Brasília." O endereço para
o envio de sugestões é terceirizacao.srt@mte.gov.br
Entre as reivindicações apresentados pelos
trabalhadores estão:
1) Direito à informação e negociação prévia
com os sindicatos dos trabalhadores;
2) Proibição da terceirização na atividade-fim;
3) Responsabilidade solidária da empresa contratante pelos direitos
trabalhistas e previdenciários;
4) Igualdade de direitos e de condições de trabalho;
5) Penalização das empresas infratoras.
Veja os principais problemas da proposta atual do MTE:
- A proposta de PL pretende regulamentar a prestação de serviços
entre empresas (Código Civil) e não relações de
trabalho.
- Legaliza a figura dos "PJs", uma vez que diz o texto que a contratada
poderá ser pessoa jurídica especializada.
- Autoriza indistintamente a terceirização de serviços,
seja nas atividades fim ou meio, contrariando o disposto no Enunciado 331 do
TST.
- Estabelece como parâmetro para a terceirização somente
os serviços especializados, mas quem define esta especialização é o
próprio contrato social das empresas.
- Não será exigido dessas "empresas especializadas" objeto
social específico, ou seja, uma mesma empresa poderá ser "especializada" em
quantas atividades quiser.
- Os direitos dos trabalhadores da contratada serão os assegurados em
convenção coletiva dos respectivos trabalhadores pertencentes
a esta categoria profissional, ou seja, desvincula da categoria principal.
- Com essa concepção, o PL descaracteriza por completo as atuais
categorias profissionais.
- Não prevê negociação ou tratativas com os sindicatos.
- Dificulta a fiscalização e autuação por parte
da própria secretaria de fiscalização do MTE, por exemplo,
para estabelecer vínculo de emprego.
- Possibilita as subcontratações - quarterização,
quinterização etc. -, dificultando o acompanhamento e ação
sindical. (Com CUT)
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Folha de S.Paulo, 19 de novembro
de 2008
Autopeças deve demitir 5.000
no PR, diz sindicato
DIMITRI DO VALLE
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA
Usando como justificativa a crise
global, os setores de autopeças e montadoras do Paraná devem
começar a demitir a partir de janeiro, após o período
de férias coletivas.
Cerca de 5.000 postos de trabalho deverão ser atingidos, caso os efeitos
da crise não sejam revertidos. A informação é do
presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas
e de Material Elétrico do Paraná, Roberto Karam.
De acordo com o presidente do sindicato, as empresas do setor automotivo não
estão recebendo pedidos novos. Ele disse que a estimativa é que
o nível de produção no segundo semestre de 2008 seja 25%
menor do que o registrado no primeiro semestre deste ano. O Paraná reúne
o segundo maior pólo automotivo do país, atrás de São
Paulo.
Os problemas estão ocorrendo por causa da falta de crédito, que
atinge o consumo. "Os bancos não estão emprestando dinheiro
porque não sabem se vão receber. É preciso que eles voltem
a financiar crédito com juros menores e prazos maiores. Se voltarem
essas facilidades, podemos tentar reverter a situação",
disse Karam.
A assessoria do Sinfavea, que representa as montadoras, disse que não
faria comentários sobre o prognóstico do Sindimetal do Paraná. "A
avaliação é dele [Karam]. No nosso setor, há férias
coletivas, e não demissões", disse.
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Agência Diap, 19 de novembro de 2008
Redução da jornada:
presidente da Comissão de Trabalho promete colocar PL
em votação
O presidente da Comissão de Trabalho, deputado Pedro Fernandes (PTB/MA),
anunciou nesta terça-feira (18), em audiência pública,
que os projetos que reduzem a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais
vão entrar na pauta de votação do colegiado na última
quarta-feira do mês de novembro (26).
O presidente do colegiado acredita que a matéria não será votada
na mesma sessão, pois possivelmente haverá pedidos de vista para
que os deputados apresentem novas sugestões ao relatório. Assim
a votação da matéria poderá acorrer na quarta-feira
(3/12), dia da realização da 5° Marcha dos Trabalhadores.
Convidado para debater o tema na comissão, o presidente da Força
Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT/SP) considera que a crise nos
mercados financeiros internacionais não impede a redução
da jornada. "Pelo contrário: a medida será importante para
aumentar a capacidade de o cidadão conseguir empregos, bem como o consumo",
avalia o parlamentar.
A deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM), autora do requerimento que sugeriu
a audiência, avalia que a redução da jornada tornou-se
medida urgente com o advento da crise. "Precisamos votar os projetos o
quanto antes. Ou vamos esperar o nosso País cair no desemprego absoluto?",
questionou.
José Calixto, presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST),
afirmou que a diminuição da jornada semanal máxima dos
trabalhadores celetistas de 44 para 40 horas poderia desencadear um círculo
virtuoso, com a geração de dois milhões de empregos, o
que, segundo ele, pode servir de antídoto ao mal-humor dos mercados "A
redução da jornada pode até ajudar a combater a crise".
Para Lúcia Regina dos Santos Reis, representante da Central Única
dos Trabalhadores (CUT), a redução da jornada foi o centro da
pauta de reivindicações do movimento sindical. O tema será uma
das exigências da 5° Marcha Nacional a Brasília, organizado
pelas centrais sindicais, que acontecerá no próximo dia 3.
Contrário
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
deputado Armando Monteiro (PTB/PE), criticou a votação da jornada
menor para os trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis
do Trabalho (CLT) em meio à crise financeira internacional.
Segundo ele, a indústria recebe a informação com "grande
apreensão". "No momento em que o Brasil entra em um período
de incerteza, em que o cenário externo mudou para pior, não pode
o País, ele mesmo, adotar uma medida que vai implicar aumento dos custos
da produção", queixou-se.
A redução da jornada de 44 para 40 horas, de acordo com o presidente
da CNI, vai gerar "custos adicionais na economia brasileira, o que evidentemente
vai produzir efeitos indesejáveis, como a queda na produtividade".
Ele acrescentou que o ônus será repassado para a sociedade. (Com
Agência Câmara)
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Vermelho, 19 de novembro
de 2008
Após 14 anos de debate, redução
da jornada de trabalho será votada
A redução da jornada
de trabalho para 40 horas semanais será votada no próximo
dia 27. O presidente da Comissão de Trabalho da Câmara dos
Deputados, Pedro Fernandes (PTB-MA), acatou o pedido da deputada Vanessa
Grazziotin (PCdoB-AM) para pautar a matéria para votação.
O assunto foi discutido em audiência pública, realizada
na tarde desta terça-feira (18) por solicitação
da deputada comunista. Para a ela, que recebeu o apoio dos demais colegas
da Comissão, o objetivo da audiência pública foi
alcançado.
A intenção, ao
propor a realização do debate, era o de apressar a votação
do projeto que está na Comissão desde 1994. E fazer coincidir
a votação da matéria com a realização
da 5a Marcha da Classe Trabalhadora, que ocorre no próximo dia
3 de dezembro, em Brasília, e tem como um dos temas centrais a
redução da jornada de trabalho.
O deputado Vicentinho (PT-SP),
relator do projeto, que parabenizou e apoiou a deputada na solicitação
da votação, disse que estava pronto para votar. Ele lembrou
que a proposta está em debate há 14 anos, que já existem
43 projetos de lei sobre o mesmo assunto e que já foram apresentados
três pareceres – em 2005, em 2007 e o último em 24
de junho desde ano –, o que demonstram tempo e preocupação
demais com o tema.
Momento oportuno
Para o deputado Daniel Almeida
(PCdoB-BA), o momento é oportuno para a votação
da matéria porque representa uma medida para que o Brasil combata
os efeitos da crise econômica. Ele lembrou que o presidente Lula
já manifestou preocupação com o assunto e o tema é unanimidade
entre as centrais sindicais. Para o parlamentar, cabe ao Poder Legislativo
se unir ao Executivo e à sociedade nesse pleito e votar o projeto.
A redução da jornada
de trabalho representa, segundo os representantes das centrais sindicais
que participaram da audiência pública, mais do que abertura
de novos postos de trabalho. A redução da jornada de trabalho
gera mais qualidade de vida para os trabalhadores, que sofrem problemas
de saúde como estresse, depressão, lesões por esforço
repetitivo, devido as longas jornadas, e terão mais tempo para
lazer, estudo e convivência com a família.
Segundo os líderes sindicais,
a redução da jornada de trabalho é também
vantajoso para os empresários, já que gera maior produtividade.
“Câncer” para o
trabalhador
Eles também alertaram
para a necessidade da discussão das horas-extras e “Banco
de Horas”, que deve ser paralela à da redução
da jornada de trabalho. Para o representante da União Geral dos
Trabalhadores (UGT), Evanildo Cabral, do Sindicato dos Comerciários
de São Paulo, o Banco de Horas é um “câncer” para
o trabalhador e que a redução da jornada sozinha não
resolve o problema de sobrecarga da trabalho, principalmente para os
comerciários, segundo ele, os mais penalizados.
Joilson Cardoso, representante
da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) destacou
que a jornada de trabalho, além das 44 em que o trabalhador passa
no local de trabalho, é acrescida pelas horas extras e o tempo
em que gasta no trajeto de ida e volta. Ele destacou ainda que para as
mulheres, que cumpre a dupla jornada pelo acúmulo das tarefas
domésticas, a jornada de 44 horas semanais é ainda mais
penosa.
O presidente da Nova Central
Sindical de Trabalhadores (NCST), José Calixto Ramos, apresentou
dados que comprovam que a redução da jornada de trabalho é o
caminho para o desenvolvimento, citando os números dos países
desenvolvidos. Na Alemanha, a jornada semanal é de 40,3 horas;
nos Estados Unidos, 42,6 horas; na Espanha, 35 horas; no Japão,
42 horas; e na França, 38,6 horas.
De Brasília
Márcia Xavier
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BEM PARANÁ, 19 de
novembro de 2008 | Economia
Revista
Justiça condena grupo Pão
de Açúcar
O grupo Pão de Açúcar foi condenado pela 3ª Vara
do Trabalho de Brasília a pagar indenização de R$ 1 milhão,
revertida para o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), por fazer revista em
bolsas, sacolas e mochilas de funcionários. O grupo pode recorrer da
sentença. A decisão do juiz Francisco Luciano de Azevedo Frota é válida
para todas as unidades do grupo no país e prevê ainda que, se
a rede voltar a revistar os pertences de seus empregados, poderá receber
multa diária no valor de R$ 10 mil. “Funcionários prestaram
depoimento informando que a empresa fazia a revista e que se sentiam constrangidos.
Constatamos que o grupo não
fazia revistas íntimas. Mas, ao revistar bolsas, mochilas e sacolas
de seus funcionários, a empresa ofende a dignidade do trabalhador,
que está protegida pela Constituição”, diz
a procuradora Ana Claudia Monteiro. Em sua defesa, o grupo informou que
a revista poderia ser feita “nos moldes realizados” porque
havia um acordo coletivo assinado com o sindicato que representa a categoria.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
19/11/2008
Pleno do TST confirma norma da CLT que garante
intervalo para mulher
O Pleno do Tribunal Superior
do Trabalho rejeitou ontem (17) incidente de inconstitucionalidade em
recurso de revista do artigo 384 da CLT, que trata do intervalo de 15
minutos garantido às mulheres trabalhadoras que tenham que prestar
horas extras. Por maioria de votos, em votação apertada
(14 votos a 12), o TST entendeu que a concessão de condições
especiais à mulher não fere o princípio da igualdade
entre homens e mulheres contido no artigo 5º da Constituição
Federal.
O assunto vinha, até então,
dividindo os julgamentos nas Turmas do Tribunal e na Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1). De um lado, a
corrente vencedora no julgamento de ontem, que não considera discriminatória
a concessão do intervalo apenas para as mulheres. De outro, os
ministros que consideram que a norma, além de discriminatória,
prejudica a inserção da mulher no mercado de trabalho.
O processo foi encaminhado pela
Sétima Turma quando, no julgamento do recurso de revista, dois
ministros sinalizaram no sentido da inconstitucionalidade do artigo 384
da CLT. Nesses casos, quando se trata de matéria que não
tenha sido decidida pelo Tribunal Pleno ou pelo Supremo Tribunal Federal,
o Regimento Interno do TST prevê a suspensão da votação
e a remessa do caso ao Pleno.
O relator do incidente, ministro
Ives Gandra Martins Filho, destacou que “a igualdade jurídica
entre homens e mulheres não afasta a natural diferenciação
fisiológica e psicológica dos sexos”, e que “não
escapa ao senso comum a patente diferença de compleição
física de homens e mulheres”. O artigo 384 da CLT se insere
no capítulo que trata da proteção do trabalho da
mulher e, ressalta o relator, “possui natureza de norma afeta à medicina
e segurança do trabalho, infensa à negociação
coletiva, dada a sua indisponibilidade”.
Em sua linha de argumentação,
o ministro Ives Gandra Filho observou que o maior desgaste natural
da mulher trabalhadora, em comparação com o homem, em
função das diferenças de compleição
física, não foi desconsiderado na Constituição
Federal, que garantiu diferentes limites de idade para a aposentadoria – 65
anos para o homem e 60 anos para a mulher. “A diferenciação é tão
patente que, em matéria de concursos para policial militar,
a admissão da mulher é feita em percentual mais reduzido
(20% das vagas) e com exigências menores nos testes físicos”,
afirmou. “Se não houvesse essa diferenciação
natural, seria inconstitucional a redução dos requisitos
e das vagas”, ponderou. “Não é demais lembrar
que as mulheres que trabalham fora estão sujeitas à dupla
jornada de trabalho. Por mais que se dividam as tarefas domésticas
entre o casal na atualidade, o peso maior da administração
da casa e da educação dos filhos acaba recaindo sobre
a mulher.” ( IIN-RR - 1540/2005-046-12-00.5)
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19/11/2008
TST aceita recurso protocolado após
horário de expediente devido a fila
O fechamento do protocolo do
Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região quando ainda havia
fila à espera de atendimento não será impedimento
para que o Banco Cidade S/A tenha seu recurso ordinário julgado.
A Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho determinou o retorno
do processo ao TRT/SP, para que seja julgado. O representante do Banco
Cidade, na capital paulista, embora tenha chegado no horário,
esperou longamente numa fila e só obteve a chancela após
o encerramento do horário de atendimento ao público. O
Regional não aceitou o atraso e considerou que o recurso estava
fora do prazo, pois era o último dia para ser interposto.
O banco se insurgiu contra a
decisão do Tribunal Regional de reformar sentença da 53ª Vara
do Trabalho de São Paulo para responsabilizá-lo subsidiariamente
pelo pagamento de verbas trabalhistas reclamadas por um motoboy que executava
o serviço personalizado do banco de “atendimento home service” e
era contratado pelas Auto Moto Copacabana e Transval.
A referida intempestividade ocorreu
quando o Regional, ao examinar o recurso, entendeu que ele foi interposto
além do horário de atendimento ao público. “Tendo
sido intimado da sentença de embargos no dia 4/4/2006, o prazo
para interposição do recurso findou-se em 17/4/2005, já computada
a suspensão dos prazos em vista dos feriados da Semana Santa”,
entendeu o TRT/SP. Como o protocolo registrou a entrada do recurso às
19h45min do dia 17, o Regional considerou a data do dia seguinte, tendo
por fundamento o seu Regimento Interno, que estabelece o horário
de atendimento das 11h30min às 18h.
Diferentemente, o relator do
agravo na Sétima Turma, ministro Guilherme Caputo Bastos, adotou
o entendimento de que, antes das 18h, o procurador do banco já estava
presente ao local para protocolizar os documentos referentes ao processo,
e só não conseguiu fazê-lo porque a fila estava grande. “A
parte ingressou a tempo no local autorizado para a prática do
ato processual, de forma que o recurso não pode ser considerado
intempestivo”, esclareceu o relator.
Durante o julgamento na Sétima
Turma, o ministro Guilherme Bastos exemplificou o seu entendimento referindo-se à forma
como os bancos operam o encerramento do expediente. Lembrou que eles
fecham as portas e atendem os usuários que estão do lado
de dentro, e as operações bancárias são válidas.
( RR-1996-1998-053-02-40.2)
(Mário Correia)
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