 |
O ESTADO DO PARANÁ,
20 de novembro de 2008 | Economia
Para o IBGE, crise externa não
afetou mercado de trabalho
Agência Estado
O gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo,
disse nesta quarta-feira (19) que a crise internacional ainda não teve efeito no
mercado de trabalho metropolitano do País. "Com toda essa turbulência
internacional, o mercado de trabalho ainda não está sentindo
os efeitos da crise ao ponto de ocorrer redução do número
de ocupados. Não estão ocorrendo demissões, o mercado
está contratando", disse.
Azeredo argumenta que a pesquisa
divulgada nesta terça mostrou um aumento de 0,8% no número
de ocupados em outubro ante setembro, com a geração de
176 mil vagas de um mês para o outro. Na comparação
com outubro do ano passado, foram feitas 855 mil contratações. "O
nível de ocupação subiu, a taxa está estável,
parece não haver reflexo da crise", disse.
Azeredo observou que um dos primeiros
sintomas da crise no mercado de trabalho costuma ser o aumento da informalidade,
o que também não ocorreu em outubro. Ao contrário,
ele destacou o aumento de 1,9% no número de contratações
com carteira assinada ante setembro.
Rendimento
A queda de 1,3% no rendimento
médio real dos ocupados em outubro ante setembro representou o
maior recuo na margem, apurado pelo IBGE desde janeiro de 2006 (-1,6%).
O gerente da pesquisa mensal de emprego do instituto disse que a queda
na renda ante setembro ocorreu em quatro (São Paulo, Rio de Janeiro,
Salvador e Recife) das seis regiões pesquisadas, com aumentos
apenas em Belo Horizonte e Porto Alegre.
Segundo Azeredo, o deflator da
renda real, que é o INPC médio das seis regiões
pesquisadas, subiu para 0,50% em outubro, ante 0,16% em setembro, o que
pode ter influenciado o resultado do rendimento. Segundo ele, uma das
possibilidades para explicar a queda ante mês anterior, além
do deflator, pode ser também a contratação de trabalhadores
temporários em outubro, que costumam ganhar menos.
Azeredo ressaltou que, apesar
da queda na renda ante mês anterior, os dados comparativos a iguais
períodos do ano anterior prosseguem positivos. A renda real subiu
4,5% ante outubro de 2007 e, na média de janeiro a outubro de
2008, é 3,3% maior do que igual período do ano passado.
Mas a renda real média
das seis regiões, nos 10 primeiros meses deste ano (R$ 1.247,16),
ainda é 2,8% inferior do que a apurada em 2002, até o mês
de outubro daquele ano.
2008
O gerente de pesquisa de emprego
do IBGE disse que a série histórica da pesquisa mostra
que é provável que a taxa de desemprego final de 2008 seja
a menor da série iniciada em 2002. Na média de janeiro
a outubro, a taxa de desemprego nas seis regiões ficou em 8%,
bem inferior à apurada na média de igual período
do ano passado (9,6%). "A chance de termos uma taxa inferior a do
ano passado é muito grande", disse.
Azeredo destacou também
o nível de ocupação (total de ocupados em relação à população
total acima de 10 anos de idade nas seis regiões metropolitanas
pesquisadas) em 10 meses, que é o maior da série. Em 2008,
na média de janeiro a outubro, o nível de ocupação é de
52,4% e no ano passado, no mesmo período, era de 51,4%.
São Paulo
A taxa de desemprego apurada
na região metropolitana de São Paulo em outubro, de 7,7%, é a
menor taxa mensal na região de toda a série do IBGE, iniciada
em março de 2002, segundo Azeredo. Em setembro, a taxa na região
havia sido de 8%.
Segundo Azeredo, o que explica
o bom desempenho do mercado de trabalho paulista em outubro pode ser
estendido para todas as regiões, ou seja, "a economia mostra
ainda aquecimento que garantiu que, de setembro para outubro, tenha ocorrido
aumento significativo do número de ocupados".
Em São Paulo, que representa
40% dos ocupados nas seis regiões metropolitanas pesquisadas,
o número de ocupados subiu 1% em outubro ante setembro e 5% ante
outubro do ano passado. O número de desocupados na região
caiu 3,0% ante setembro e recuou 15,9% ante igual mês de 2007.
Segundo Azeredo, a crise
internacional ainda não afetou o mercado de trabalho metropolitano
em geral, inclusive em São Paulo, porque a economia brasileira
ainda mostra vigor. "As mudanças ocorridas no mercado de
trabalho foram graduais e continuam se sustentando, porque a economia
está bem arrumada, o dever de casa foi bem feito e isso explica
porque a crise ainda não afetou o emprego", disse.
|
Agência Diap, 20 de Novembro de 2008
IBGE: taxa de desemprego fica em
7,5% em outubro
Em relação a setembro,
o índice ficou estável e, no confronto com o décimo
mês do ano passado, recuou 1,2%
A taxa de desemprego nas seis
principais regiões metropolitanas do País ficou em 7,5%
no décimo mês do ano de 2008, o que mostra estabilidade
em relação a setembro, quando a taxa registrada foi de
7,6%. Em relação a outubro de 2007 (8,7%) houve uma diminuição
de 1,2 ponto percentual.
As informações
são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),
que divulgou a "Pesquisa Mensal de Emprego" hoje (19). A taxa
de desemprego de outubro é a segunda menor registrada desde que
a pesquisa começou a ser realizada, em março de 2002.
Desempregados
No confronto com setembro, houve estabilidade em uma das regiões pesquisadas
(Recife em 8,9%), queda em Salvador (de 11,3% para 10,7%), Belo Horizonte (de
6,1% para 5,9%), São Paulo (de 8% para 7,7%) e Porto Alegre (de 5,7%
para 5,6%). Houve elevação no Rio de Janeiro (de 6,9% para 7%).
Já na comparação
anual, houve redução nas seguintes capitais: Recife (de
12,2% para 8,9%), Porto Alegre (de 6,3% para 5,6%), Salvador (de 13%
para 10,7), São Paulo (de 9,5% para 7,7%) e Belo Horizonte (de
6,9% para 5,9%). Rio de Janeiro foi a única região com
alta: de 6,5% para 7%.
A tabela abaixo aponta a taxa
de desemprego atual, a do mês anterior e a de 12 meses atrás
para as seis capitais analisadas:
Em outubro de 2008, a população
ocupada (22,2 milhões) registrou alta de 0,8% em relação
ao mês anterior, e crescimento de 4% ante o décimo mês
do ano passado.
|
Local
|
Outubro 2007
|
Setembro 2008
|
Outubro 2008
|
|
Recife
|
12,2%
|
8,9%
|
8,9%
|
|
Salvador
|
13%
|
11,3%
|
10,7%
|
|
Belo Horizonte
|
6,9%
|
6,1%
|
5,9%
|
|
Rio de Janeiro
|
6,5%
|
6,9%
|
7%
|
|
São Paulo
|
9,5%
|
8%
|
7,7%
|
|
Porto Alegre
|
6,3%
|
5,7%
|
5,6%
|
|
Total
|
8,7%
|
7,6%
|
7,5%
|
|
Na análise mensal por
setores, a ocupação apresentou variação significativa
no grupamento de atividade de Educação, saúde, serviços
sociais, administração pública, defesa e seguridade
social (3,1%). Na comparação anual, o setor de construção
civil é destaque (8,4%).
Sobre o perfil dos contratados,
a pesquisa indica que o contingente de trabalhadores com carteira assinada
do setor privado apresentou recuperação de 7,3% na comparação
anual.
|
Folha de S.Paulo, 20 de Novembro
de 2008
Com a crise, ministro propõe
ampliar seguro-desemprego
IURI DANTAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Diante da crise financeira internacional,
o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse ontem que vai encaminhar ao
Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador) a proposta
de elevar o número de parcelas do seguro-desemprego, encampando
pedido das centrais sindicais.
O benefício poderia ser estendido dos atuais três a cinco meses
para até dez meses, dependendo do setor econômico.
Após se reunir com representantes das centrais, Lupi afirmou que a medida
seria "preventiva", uma vez que os dados sobre emprego no país
não indicam deterioração.
Após a chegada de Lula à Presidência em 2003, o governo
ampliou o número de parcelas do benefício apenas de forma tópica,
para setores específicos, como o da pesca.
O ministro antecipou que os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados), que será divulgado hoje, mostrará uma expansão,
com "um número positivo, mas menor do que a média que a
gente esperava". "Não vamos usar agora porque ainda não
há esse fato [de desemprego generalizado]", disse Lupi.
Os dados do Caged de setembro apontaram geração recorde de 282.841
vagas, aumento de 7,2% ante setembro de 2007.
Apesar do impacto crescente da crise internacional no Brasil, os dados oficiais
não registram aumento do desemprego ainda. Ontem, o IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que o desemprego ficou
em 7,5% em outubro, uma pequena queda ante os 7,6% de setembro, quando teve
início a crise internacional.
Além de encaminhar a proposta sobre o seguro-desemprego ao Codefat,
Lupi também se comprometeu com as centrais sindicais a se empenhar para
retirar do Congresso todos os projetos que flexibilizam a legislação
trabalhista.
" Neste momento, não dá para flexibilizar as relações
de trabalho porque senão o trabalhador vai ser o grande fiador de empresários
que cometeram erros", afirmou Lupi.
Também ficou acertado na reunião que o governo vai estudar a
desoneração completa da cesta básica. A maioria dos itens
já está livre de impostos, mas produtos de limpeza e higiene
ainda pagam tributos.
Outra decisão envolverá as centrais sindicais no monitoramento
de recursos do FAT e do FGTS (Fundo de Garantia dor Tempo de Serviço),
junto com representantes do Ministério do Trabalho. "Saímos
muito satisfeitos da reunião", disse Paulo Pereira da Silva, o
Paulinho da Força Sindical.
Segundo Lupi, os investimentos com recursos do FGTS previstos para 2009 deverão
gerar 1.378.335 empregos em projetos de saneamento, infra-estrutura urbana
e habitação.
|
Vermelho, 20 de Novembro
de 2008
Pesquisa: aumenta a discriminação
de negros no trabalho
O país comemora nesta quinta-feira,
20 de novembro, o Dia Nacional da Consciência Negra. A data,
que relembra o assassinato de Zumbi dos Palmares (1695), líder
da resistência negra contra o escravismo, tornou-se feriado em
mais de 300 cidades brasileiras. No entanto, apesar do reconhecimento
e dos avanços em relação aos direitos de reparação
da população afro-descendente, os negros e negras continuam
sendo discriminados no mercado de trabalho.
Segundo dados divulgados pelo
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
(Dieese), baseados na Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) em cinco
regiões metropolitanas - Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife,
Salvador, São Paulo - e no Distrito Federal, a desigualdade
entre negros e não-negros ainda persiste e, em alguns casos,
se deteriorou.
Mais desempregados
Na região metropolitana
de São Paulo, a pesquisa indicou que no ano passado em comparação
a 1998, o mercado de trabalho encolheu para os afro-descendentes nos
39 municípios. De acordo com o levantamento, 42,9% do total
de desempregados (1,5 milhão), no ano passado, eram negros ante
40,8%, em 1998. O mesmo percentual entre os que não se declararam
negros alcançou 59,2%, em 2007, contra 57,1%, em 1998. Os dados
indicam ainda que ''um terço da População em Idade
Ativa e da População Economicamente Ativa eram negros
em relação aos não-negros que representam 64%
destes contingentes”.
A avaliação técnica
do Dieese afirma que “tradicionalmente os negros entram no mercado
de trabalho mais cedo do que os não-negros e permanecem por
mais tempo, fato associado a um tipo de inserção mais
frágil, muitas vezes, relacionada à menor qualificação
profissional, o que leva à auto-ocupação ou ao
emprego doméstico e à construção civil,
em que a remuneração e o valor da aposentadoria costumam
ser insuficientes para suprir os gastos da família”.
Menos escolaridade
Quanto ao nível de escolaridade,
a pesquisa indica que há mais negros do que não-negros
classificados como analfabetos, embora em ambos os casos registra-se
diminuição da população que não
sabe ler e escrever. Em 2007, os negros analfabetos somaram 7,7% ante
11,2%, em 1998 , enquanto os não negros, 3,9%, contra 5,7%,
em 1998.
No Distrito Federal, a pesquisa
apontou que em 2007 os negros representavam um pouco menos que dois
terços da população em idade ativa e da população
economicamente ativa, mas são os mais preteridos na inserção
ao mercado de trabalho.
Segundo o economista Tiago
Oliveira, da equipe do Dieese, um dos responsáveis pela pesquisa
no Distrito Federal, em 2007 no DF a população era composta
por 1.259 mil pessoas, o que correspondia a uma participação
relativa de 63,7%. No mercado de trabalho, por sua vez, os negros representavam
64,5% dos trabalhadores. Deste total, 81% estavam ocupados, ao passo
que 19% desempregados.
O Estudo revela que de cada
10 desempregados no DF, aproximadamente sete eram negros, o que demonstra
uma sobre-representação deste estrato populacional no
contingente de desempregados no Distrito federal, disse Tiago Oliveira.
Outra conclusão da pesquisa é que
os negros continuam sendo ampla maioria na construção
civil e nos serviços domésticos que são setores
marcados pela menor cobertura dos mecanismos de proteção
social, além dos baixos rendimentos, jornadas extensas e, no
caso da construção civil, a alta rotatividade.
Setor público
Outro dado importante a considerar,
apontado pela pesquisa, é que 16,5% dos ocupados no DF pertenciam à administração
pública. Deste total, 54,1% eram negros e 45,9% não negros.
Para Tiago Oliveira, os números mostram, portanto, que os negros
estão sub-representados no emprego público.
No setor privado, enquanto
de cada 100 pessoas economicamente ativa quase 70 são negras,
no setor público, para cada 100 ocupados só 54 pertencem
a essa população - lembra Oliveira.
Gênero
Para a coordenadora da pesquisa
do Dieese na Bahia, Ana Margaret Simões, o mercado de trabalho
em Salvador, além de ser claramente racista, é marcado
pelo preconceito de gênero. “Pior que ser negro, neste
mercado de trabalho, é ser negra. A mulher negra é a
maior vítima. Vinte por cento das mulheres negras só encontram
ocupação no emprego doméstico. A taxa de desemprego
da mulher negra é de 26,4%, contra 19,2% do homem negro. É a
mais alta taxa entre as seis regiões metropolitanas pesquisadas.
Márcia Hipólito,
que coordena o trabalho de responsabilidade social da Organização
Gelre, maior empresa de RH do país, afirma que, apesar de ter
crescido a participação do negro no mercado de trabalho,
ainda há muito por fazer. O mercado continua restrito. Algumas
empresas anunciam a contratação de negros, mas é difícil
ver alguns deles nas companhias.
“Só as leis e
pesquisas não bastam, se não houver a conscientização
de toda a sociedade. É imprescindível existir respeito
entre as pessoas, que devem ser analisadas pelo seu potencial e não
pela cor da sua pele. Existe todo um histórico escravagista
do qual não se fala, mas que discrimina e exclui”, assegura,
reconhecendo, no entanto, que algumas empresas já possuem programas
de diversidade, porque perceberam que esse é um diferencial
frente ao mercado e seus clientes.
Saúde
Na área de saúde
também são chocantes os contrastes entre os indicadores
de saúde de negros e brancos. Levantamentos da organização
não-governamental (ONG) Criola, feitos com base em dados do
Ministério da Saúde e divulgados pela Agência Brasil,
revelam que negros e brancos são tratados de forma desigual
no sistema público de saúde brasileiro.
De acordo com o estudo,
as chances de crianças negras e pardas com menos de 1 ano
de idade morrerem de doenças infecciosas e parasitárias
são 44% maiores do que entre as brancas. No caso específico
da tuberculose, o risco é 68% superior ao dos não-negros.
Também nos registros de morte materna, o risco para mães
negras e pardas chega a ser 41% maior.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
20 de novembro de 2008 | Economia
Arrecadação federal
de R$ 65,5 bilhões é recorde em outubro
Agência Estado
A arrecadação de impostos e contribuições federais
somou em outubro R$ 65,493 bilhões, segundo dados divulgados nesta quarta-feira
(19) pela Receita Federal. O valor é recorde para meses de outubro.
O montante é 17,13% superior em termos reais ao volume registrado em
setembro e 12,36% maior do que o verificado em outubro de 2007.
As receitas administradas pela
Receita Federal em outubro somaram R$ 60,489 bilhões, montante
9,63% superior ao registrado em outubro de 2007 e 10,82% acima do valor
de setembro. As demais receitas somaram R$ 5,004 bilhões, com
alta real de 276,16% ante setembro e 60,69% maior do que registrado em
outubro do ano passado.
No acumulado do ano até outubro,
a arrecadação federal soma R$ 564,718 bilhões,
com alta real de 10,33% ante igual período de 2007.
|
Congresso em Foco, 20 de
Novembro de 2008
A exclusão racial nas urnas
Preconceito, falta de identificação
racial e resistência dos partidos políticos impedem crescimento
eleitoral dos negros no país, segundo especialistas
Júnia Gama e Mário Coelho
Embora 47,3% dos brasileiros
se declarem “pretos ou pardos”, segundo dados do último
Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
o movimento negro ainda está longe de ocupar espaço político
proporcional à fatia da população que representa.
Preconceito, falta de identificação
racial, resistência dos partidos políticos e imaturidade
do eleitor são os principais responsáveis pelo insucesso
eleitoral dos negros no Brasil, segundo ativistas ouvidos pelo Congresso
em Foco. Na avaliação deles, o país ainda está muito
distante de, a exemplo dos Estados Unidos, eleger seu primeiro presidente
negro (leia mais).
As barreiras começam nos
números. Aliás, na ausência deles. As entidades representativas
não dispõem de estimativas de quantos negros ocupam cargos
públicos eletivos no país, tampouco sabem quantos eleitos
em outubro empunham a bandeira da promoção da igualdade
racial. No Congresso Nacional, nem 10% dos parlamentares são identificados
como negros.
“A participação é muito
tímida por uma série de fatores. Os negros ainda não
ocupam os lugares que deveriam ocupar”, opina o prefeito de Suzano
(SP), Marcelo Cândido (PT), que foi reeleito em outubro.
Este ano houve a primeira iniciativa
localizada para fazer essa contagem. A ONG Educafro, presente em cinco
estados, iniciou um levantamento sobre o número de candidatos
apoiados pelo movimento negro em São Paulo na eleição
municipal. De acordo com a entidade, cerca de 50 dos 300 postulantes
por ela apoiados se elegeram vereadores.
Além de Marcelo Cândido,
outros quatro prefeitos paulistas afinados com o movimento foram eleitos:
Cido Sério (PT), em Araçatuba; Dr. Hélio (PDT),
em Campinas; Sergio Ribeiro (PT), em Carapicuíba, e João
Luiz dos Santos (PT), em Penápolis.
Resistências
Para o prefeito de Suzano, parte
da culpa pelo fracasso eleitoral dos negros é dos partidos políticos.
Cândido diz que, na maioria das vezes, os negros são candidatos
coadjuvantes, e não protagonistas, por decisão dos próprios
comandos partidários. “Não se vê dentro das
legendas discussão sobre as questões do negro no país
e políticas afirmativas. O PT tem feito isso com um pouco mais
de intensidade”, afirma.
Mas existe outro problema ainda
mais complicado de se resolver. Uma das mais destacadas personalidades
no debate sobre políticas de ações afirmativas para
afrodescendentes, o frei David Raimundo dos Santos, observa um fenômeno
que considera “estranho” a esse respeito. "Percebemos
que o negro ainda tem dificuldade de votar no negro", aponta.
Segundo ele, isso ocorre porque
muitos brasileiros se sentem envergonhados em assumir sua identidade
racial. "A comunidade brasileira ainda não tem maturidade
para o voto étnico", pontua. Mas frei David aponta que essa
evolução é uma questão de tempo. Enquanto
isso não ocorre, ele vê como necessária a implementação
de políticas de cotas obrigatórias.
"Deveria haver um percentual
mínimo de participação negra nos partidos. Sem isso, é difícil
que as legendas reservem espaço para os negros", alega. Hoje
as siglas são obrigadas, por lei, a reservar 30% de suas vagas
para a candidatura de mulheres. O percentual, no entanto, raramente é preenchido.
O prefeito de Suzano também
vê com preocupação a resistência do eleitor. “Durante
a minha campanha, muitos negros se posicionaram contra. E até usavam
em seu discurso termos um tanto pejorativos”, lembra. “Muitos
negros disseram que votariam em mim depois que escancarei o racismo velado,
quase subliminar que sofri na campanha”, diz.
Compromisso
Os dois principais órgãos
governamentais de promoção da cultura negra e das políticas
de eqüidade racial – a Fundação Cultural Palmares
e a Secretaria Especial de Políticas de Promoção
da Igualdade Racial (Seppir) – possuem canais de comunicação
com diversas lideranças do movimento no Brasil, mas carecem de
dados sobre a presença dos negros no poder.
Mesmo o levantamento da Educafro
não se baseou na cor da pele, segundo o coordenador para Políticas
Públicas da ONG, Eduardo Pereira Neto. "Apoiamos quem se
comprometeu com nossa luta, não importa a raça", conta.
Para garantir o envolvimento do candidato, a ONG convidou os candidatos a participarem
de uma sabatina dias antes do primeiro turno das eleições municipais
e ofereceu um termo de compromisso com as demandas do movimento para ser assinado
(veja a íntegra do documento). Na capital paulista, os candidatos Ivan
Valente (Psol), Soninha Francine (PPS) e Geraldo Alckmin (PSDB) se comprometeram.
Mas os dois candidatos que foram
ao segundo turno, o prefeito reeleito Gilberto Kassab (DEM) e a ex-prefeita
Marta Suplicy (PT) não assinaram a carta. De acordo com Eduardo,
ambos alegaram problema de agenda para cancelar a participação
no encontro.
O coordenador da Educafro acredita que o acesso Kassab será mais burocrático,
já que ele não se pronunciou formalmente sobre as políticas
raciais. No entanto, Eduardo promete acompanhar de perto os passos do prefeito. "Isso
não impossibilita o movimento negro de bater à porta da prefeitura
e cobrar ações afirmativas para a comunidade negra e para os
mais pobres. Vão ser quatro anos de cobrança", promete.
Poucos
no Congresso
Também este ano foi realizado o primeiro estudo sobre a presença
de parlamentares negros no Congresso Nacional. A equipe do Laboratório
de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas
das Relações Sociais (Laeser), da Universidade Federal do Rio
de Janeiro (UFRJ) constatou que, dos 513 deputados federais eleitos em 2006,
apenas 46 (8,9%) foram identificados como pretos ou pardos – conforme
termo usado pelo IBGE (veja aqui a íntegra da pesquisa).
No entanto, um fator problemático
no Brasil é o método usado para identificar quem é negro.
Na pesquisa realizada pelo Laeser, por exemplo, a classificação
foi feita por um grupo de cinco estudantes do centro, mais o coordenador
da equipe, professor Marcelo Paixão. Eles utilizaram fotografias
disponíveis no banco de dados do site do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) para avaliar a raça dos candidatos de 2006.
O critério utilizado foi
a análise da textura do cabelo e do tom da pele. Embora reconheça
que esse não seja o método mais preciso, Marcelo Paixão
defende que, se a identificação da raça estivesse
presente no questionário sócio-econômico preenchido
pelos candidatos, seria mais fácil realizar pesquisas sobre o
tema.
O professor admite que a hetero-classificação é passível
de erros, mas diz que, ainda assim, é possível ter uma
idéia da baixa freqüência dos negros no Congresso. "Não
queremos personalizar o debate, nossa objetividade é social, não
biológica", disse o professor, que preferiu não revelar
o nome dos parlamentares relacionados.
Cotas polêmicas
Para definir quem será beneficiado
pelas políticas públicas afirmativas, que reservam espaços
exclusivos para que sejam integrados socialmente, é preciso apontar,
primeiro, quem é negro. A dificuldade em identificar a raça
no Brasil é uma questão que divide opiniões. Dentro
do próprio movimento, há setores contra e a favor do sistema
de cotas.
Diferentemente dos Estados Unidos,
onde o critério de definição racial é o de
ascendência, no Brasil é utilizado o critério da
aparência. A histórica miscigenação entre
brancos, negros e indígenas do povo brasileiro embaralha a definição.
Utiliza-se, então, em
pesquisas governamentais, a autodefinição. Mais uma vez,
o método é considerado arbitrário para especialistas.
Autora da tese de mestrado “Ações afirmativas à brasileira:
necessidade ou mito?”, a procuradora do Distrito Federal Roberta
Kaufmann acredita que a classificação racial no Brasil
não pode ser desvinculada de questões culturais e sociais.
"A autodenominação é muito
falha. Leva a casos como o dos irmãos gêmeos da Universidade
de Brasília em que um foi escolhido para concorrer às
cotas e outro não. Instituir comissões para dizer se
a pessoa é afrodescendente é um retrocesso. Isso é um
absurdo num sistema que tenta dar uma identificação objetiva
para um critério que nunca foi objetivo", aponta Roberta
(leia a íntegra da entrevista com a procuradora).
|
Vermelho, 20 de Novembro
de 2008
Oposição batalha
contra proposta que limita poder de Lula
O título acima não
está errado. O DEM, PSDB e PPS obstruíram e acabaram evitando
a aprovação nesta quarta (19), no plenário da Câmara,
da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que muda
o rito de tramitação das Medidas Provisórias (MPs).
A proposta limita o poder do presidente Lula e dos seus sucessores de
editá-las. Os governistas querem aprovar a matéria na próxima
semana.
Entre as alterações,
a PEC acaba com o poder das MPs de trancar a pauta, estabelece um prazo
dez dias para que seja avaliada a admissibilidade constitucional na Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ) e proíbe
medidas provisórias relativas a créditos extraordinários,
a não ser em caso de guerra, comoção interna e calamidade
pública.
Se num prazo de 15 dias as medidas
não forem analisadas, elas passam para o primeiro item da pauta
e por decisão da maioria absoluta pode ceder lugar para outra
matéria. Pelas regras atuais, as MPs trancam a pauta do Congresso
se no prazo de 45 dias não forem apreciadas.
A PEC visa equilibrar o poder
entre o executivo e o legislativo. As inúmeras MPs que tramitam
nas Casas, além de trancarem a pauta, inviabilizam que o parlamento
vote projetos importantes, isto é, tenha uma pauta própria.
Mas, de forma enigmática,
os partidos de oposição obstruíram a votação
da matéria ao apresentarem requerimentos para adiar por cinco
sessões a votação da PEC. Eles não concordam
com a idéia de que o governo possa editar MP de crédito
extraordinário se depois de 75 dias um projeto de igual conteúdo
não tiver sido votado no Congresso.
“O que me deixa constrangido é ver
que os parlamentares que estão aqui, a maioria da base do Governo,
está aqui para votar um texto que diminui de forma gritante o
poder do Poder Legislativo”, criticou o líder da minoria,
José Carlos Aleluia (DEM-BA).
Incoerências são ressaltadas
“Há um esforço
inclusive inusitado a que assistimos neste momento nesse plenário.
Os deputados da base do governo lutando para limitar o poder do presidente
da República de editar medidas provisórias, e os partidos
da oposição estranhamente lutando contra aquele que é um
avanço substantivo numa questão essencial concernente ao
trancamento da pauta”, disse o deputado federal Flávio Dino
(PCdoB-MA).
Ele destacou que o ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso, que abusou do uso de medidas, disse em entrevista à imprensa
que o maior embaraço relativo ao funcionamento do parlamento é exatamente
o mecanismo de trancamento da pauta por causa de medida provisória.
O deputado comunista combateu
os argumentos da oposição referente aos créditos
extraordinários. “A oposição se aferra a uma
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Hoje o mesmo Supremo
que está banindo, corretamente, medidas provisórias sobre
o crédito extraordinário, amanhã poderá permitir”.
Com a PEC, Flávio Dino
diz que essa conquista será definitiva, ou seja, não será admissível
MP sobre crédito extraordinário, com exceção
dos casos de guerras e calamidades públicas.
O líder do PT na Casa,
Maurício Rands (PE), diz que sobre os créditos estão
estabelecidas as hipóteses do crédito extraordinário
e o crédito suplementar por projeto de lei.
“Como o crédito é indispensável
para a governabilidade, se decorridos 75 dias e esse crédito,
por projeto de lei, não tiver sido aprovado, é restabelecida
a faculdade do poder executivo de editar uma medida provisória
para garantir aquela suplementação de crédito, sem
a qual não se pode governar no Brasil”, explicou.
Maurício Rands diz que
a PEC estabelece uma posição de equilíbrio. “Estamos
legislando para restabelecer as prerrogativas do Congresso Nacional e
equilibrar as necessidades de governabilidade.”
De Brasília,Iram
Alfaia
|
Gazeta
do Povo, 20 de Novembro de 2008
Aposentadoria
Governo aposta que derruba propostas
de Paim na Câmara
Apesar do pedido do ministro da
Previdência, José Pimentel, o líder do governo no Senado,
Romero Jucá (PMDB-RR), garantiu que não apresentará recurso
para levar ao plenário a análise do projeto que corrige o
valor das aposentadorias e pensões, para que correspondam ao número
de salários mínimos que tinham à época da concessão.
O projeto foi aprovado em caráter terminativo pela Comissão
de Assuntos Sociais do Senado (CAS), na semana passada.
A estratégia é levar
a matéria para a Câmara, onde o governo tem maioria para barrá-la. “Não
vou apresentar o recurso. É pior. Não é questão
de empurrar para a Câmara e sim unir todas as medidas que estão
lá na Câmara e discutir uma nova reforma previdenciária.
Essa conta não é do governo, é do povo brasileiro”,
argumentou Jucá.
Senadores fizeram na madrugada
de terça para quarta-feira uma vígilia no plenário
do Senado para pressionar o governo a aprovar a proposta de autoria do
senador Paulo Paim (PT-RS). A vígilia terminou ontem por volta das
6 horas da manhã. Sem chegar a um acordo com o governo sobre o projeto,
Paim, autor da proposta, subiu à tribuna do Senado na terça-feira
e anunciou a vigília, que teve início às 19h40. Durante
a noite, pelo menos 15 senadores se revezaram na tribuna.
Na terça, após reunião
com Paim, o ministro da Previdência, José Pimentel, e o relator
do Orçamento 2009, senador Delcídio Amaral (PT-MS), disseram
que não há dinheiro para bancar a proposta. Mas, pressionado
pela presença de Paim e de Renan Calheiros (PMDB-AL), outro apoiador
do projeto, Pimentel disse que fará uma nova reunião para
analisar os argumentos do senador petista, embora tenha deixado claro que
não há como aprovar a idéia.
Na segunda-feira, o ministro do
Planejamento, Paulo Bernardo, disse que vai defender o veto presidencial
caso o projeto seja aprovado pelo Congresso. Segundo o ministro, o governo
não terá outra opção, pois o custo estimado
nas contas da Previdência em 2009 seria de R$ 5,89 bilhões
ao mês e de R$ 76,6 bilhões em todo o ano. A estratégia
do governo, porém, ainda é trabalhar politicamente para evitar
o desgaste político do veto presidencial.
Vigília
Ao encerrar a vigília
ontem pela manhã, Paim – que havia afirmado que Pimentel
mentiu ao falar que não há recursos – disse esperar
que a política de recuperação do valor dos benefícios
seja aprovada até o fim do governo Luiz Inácio Lula da
Silva. “Eu não tenho nenhuma dúvida de que o presidente
Lula é sensível a esse tema. Eu não acredito que
o presidente vá terminar seu mandato com esse tal de fator previdenciário
e sem uma política para os aposentados”, afirmou. Paim ainda
garantiu que outras vigílias podem ser realizadas nas próximas
semanas para continuar a pressionar o governo pela aprovação
da matéria. Além desse projeto, já tramitam no Congresso
outra duas propostas de Paim que alteram as regras da Previdência.
|
Agência Senado, 20 de Novembro de 2008
Licença-maternidade de 180
dias poderá ser estendida a todas as mães
A prorrogação da licença-maternidade de quatro para seis
meses poderá vir a ser assegurada na Constituição a todas
as mães. A ampliação da abrangência do benefício,
tornando sua concessão obrigatória tanto pelo setor público
quanto pelo privado, está prevista na proposta de emenda à Constituição
(PEC 64/07) da senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) que recebeu, nesta quarta-feira
(19), parecer favorável da Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania (CCJ) a partir de voto da senadora Serys Slhessarenko
(PT-MT).
Hoje, a Lei nº 11.770/08 já prevê a possibilidade desse direito,
ao criar o Programa Empresa Cidadã, que incentiva a prorrogação
da licença à gestante de 120 para 180 dias mediante incentivo
fiscal às empresas que a ele aderirem. A lei, que teve origem em projeto
(PLS 281/05) de autoria da senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), foi sancionada
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 9 de setembro passado.
A concessão da licença-maternidade de 180 dias foi autorizada às
servidoras do Senado, mediante ato assinado pelo presidente da Casa, Garibaldi
Alves Filho, e publicado no Boletim Administrativo de Pessoal do último
dia 7.
A PEC que recebeu parecer favorável da CCJ garante a todas as mães
a licença-maternidade por 180 dias sem qualquer tipo de redução
de tributos. Serys lembrou que administrações públicas
municipais e estaduais e empresas já reconheceram o benefício.
Agora, segundo afirmou, "resta o desafio de estender o benefício
a todas as mães", conforme determina a PEC 64/07, que propõe
alteração do inciso 18 do artigo 7º da Constituição.
Cláudio Bernardo / Agência
Senado
|
Folha de S.Paulo, 20 de Novembro
de 2008
Sindicato aponta demissões
na Vale, que nega cortes em massa
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
DA SUCURSAL DO RIO
A discussão sobre demissões
na mineradora Vale opôs ontem o presidente da companhia, Roger
Agnelli, e o representante dos funcionários no Conselho de Administração
da empresa, João Batista Cavalieri. O primeiro afirmou, em Brasília,
que a Vale faz "ginástica" para evitar demissões.
O segundo, que os cortes já começaram.
" O que a gente está fazendo é uma ginástica no sentido
de manter nossos empregados, porque não é hora de perder o investimento
pesado que sempre fizemos na formação de nossos técnicos",
declarou Agnelli. O executivo assinou ontem, no Planalto, acordo com o Korea
Eximbank para aporte de US$ 1 bilhão destinado à produção
de minério de ferro, níquel e alumínio.
Segundo ele, "o mercado parou" com a crise financeira, mas a recuperação
deve começar no início do ano que vem.
No Rio, Cavalieri, que também é presidente do Sindicato dos Ferroviários
de Minas Gerais e Espírito Santo, afirmou que as demissões já começaram
e afetam especialmente os trabalhadores da ferrovia Vitória-Minas -que
escoa o minério produzido em Minas.
Há ainda, segundo ele, um processo de desligamento de terceirizados,
que estão sendo substituídos por trabalhadores próprios
da mineradora.
Procurada, a Vale não informou o número de demitidos até agora.
Disse apenas, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que os cortes
representam "uma adaptação do quadro de funcionários à redução
de produção".
Segundo a Vale, não há plano de demissões em massa. A
companhia afirmou ainda que trabalha para realocar os empregados das minas
paralisadas para unidades onde a produção foi mantida ou para
novos projetos. A companhia reduziu a produção de minas de maior
custo e com minério de menor qualidade, produtos que não encontram
mercado com a atual retração da demanda.
Diante da forte queda na produção de aço especialmente
na China, a Vale foi obrigada a diminuir sua produção e paralisar
totalmente três minas: Congo Soco, em Barão de Cocais (MG); Feijão,
em Brumadinho (MG); e Mar Azul, em Nova Lima (MG).
Arrecadação menor
O presidente da Amig (Associação dos Municípios Mineradores
de Minas Gerais), Waldir Salvador, disse que essas três cidades já "perderam
de cara de 10% a 20% da sua receita" por causa da redução
de produção e o conseqüente pagamento menor da Cfem (Compensação
Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, espécie
de royalty da mineração).
A cidade mais afetada é Barão de Cocais, que teve sua única
mina fechada temporariamente. Da arrecadação total de R$ 50 milhões
do município, R$ 10 milhões vêm da Cfem.
Também podem sofrer cortes na receita Ouro Preto e Mariana, segundo
Salvador.
(IURI DANTAS e PEDRO SOARES)
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
20/11/2008
Gestante demitida antes de comunicar gravidez
será reintegrada
A Quinta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho rejeitou recurso da Pará Automóveis Ltda. contra
decisão que reconheceu o direito à estabilidade provisória
de empregada demitida ainda sem conhecimento, pela empresa, do seu estado
gravídico. Para a Turma, trata-se de garantia não-condicionada à comunicação
ou à confirmação da gravidez no curso do contrato
de trabalho. “De modo claro, o artigo 10, inciso II, alínea ‘b’ do
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias é expresso
ao estabelecer a fluência do direito desde a confirmação
da gravidez e não da data da ciência do evento pelo empregador,
que é irrelevante nos termos da norma que instituiu a garantia”,
afirmou o relator, ministro Emmanoel Pereira.
A empregada foi contratada como
auxiliar administrativo em 2002 pela NVP Veículos, mais tarde
vendida para a Pará Automóveis, em 2003. Foi então
demitida pela primeira empresa e admitida logo depois pela segunda, em
caráter de experiência, por 90 dias. Ao ser novamente dispensada,
descobriu que estava grávida de aproximadamente 4,5 meses, com
data provável para o parto em 19/03/2004.
Imaginando ser detentora da estabilidade
provisória, a empregada buscou sua reintegração
ao emprego ou, alternativamente, o pagamento de indenização
relativa ao período de estabilidade e as verbas daí decorrentes.
Sua reclamação foi julgada improcedente pela 12ª Vara
do Trabalho de Belém. No julgamento de recurso ordinário,
o Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (PA/AP) reformou
a sentença para declarar nula a rescisão e o contrato de
experiência e reconhecer a existência de um único
contrato de trabalho entre a primeira empresa e a Pará Veículos,
sua sucessora.
A reintegração
foi deferida, e a empresa recorreu então ao TST alegando desconhecer
o estado gravídico da empregada quando a demitiu, fato confirmado
por ela própria em seu depoimento. Sustentou que, mesmo desconsiderando
o contrato de experiência firmado entre as partes, a garantia constitucional
somente é devida a partir da data da confirmação
da gravidez até cinco meses após o parto.
Ao analisar o recurso, o relator,
ministro Emmanoel Pereira, observou ser firme o entendimento do TST no
sentido de que o fato de o empregador desconhecer a gravidez, por ocasião
da dispensa da empregada, não o exime da obrigação
de efetuar o pagamento da indenização decorrente da estabilidade
provisória. “A estabilidade assegurada no texto constitucional
reveste-se de caráter dúplice, pois não só tem
a finalidade de resguardar o direito da trabalhadora, mas principalmente
proteger o nascituro”, enfatizou, ao concluir que a decisão
do Regional encontra-se em consonância com a jurisprudência
do TST. ( RR-1854/2003-012-08-00.0)
(Lourdes Côrtes)
|
20/11/2008
União responderá por créditos
trabalhistas de empregada de cooperativa
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho restabeleceu sentença que responsabilizou
a União Federal, subsidiariamente, pelo pagamento de verbas trabalhistas
devidas a uma auxiliar de serviços gerais contratada pela Cooperativa
dos Trabalhadores da Vila Elizabeth – Contraviel para prestar serviços
de copa e limpeza ao Setor de Transporte da base física do Ministério
da Agricultura e Abastecimento em São José (SC). A relatora,
ministra Rosa Maria Weber, deu razão à empregada em pretender
ver reformada a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região
(SC) que excluiu a União da da condenação.
A relatora destacou que o Tribunal
Regional contrariou a Súmula nº 331, inciso IV, do TST, que
responsabiliza o tomador dos serviços pelas obrigações
trabalhistas não pagas pelo empregador, inclusive os órgãos
da administração direta, autarquias, fundações
e empresas públicas e sociedades de economia mista, “desde
que hajam participado da relação processual e constem também
do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de
21/6/93)”.
A responsabilização
decorre do benefício que o tomador dos serviços obtém
com o trabalho do empregado, “uma vez que este não pode
ser prejudicado, em caso de inadimplência de seu empregador”,
explicou a relatora. O objetivo é evitar o “enriquecimento
ilícito do real beneficiário do trabalho prestado pelo
empregado da empresa contratada mediante processo regular de terceirização”.
( RR-1244-2004-031-12-00.4)
(Mário Correia)
|