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Vermelho, 23 de novembro de 2008
Crise dificilmente rivalizará a
Grande Depressão, diz historiador
Nos últimos dias, você ouviu - muito
- como a atual crise financeira é a pior desde
a Grande Depressão. Pode ser. Muito menos claro é se
ela se transformará em algo de fato parecido com
a Depressão, quando em três anos a economia
encolheu quase pela metade e o desemprego chegou a 24%.
As atuais medições econômicas ainda
são muito mais animadoras que isso. Também
há outras diferenças tranqüilizadoras.
O historiador norte-americano Bryant Simon comenta as
semelhanças e diferenças da tual crise
com a crise dos anos 20.
Quando a Depressão começou, os Estados Unidos virtualmente
não contavam com uma rede de segurança para os necessitados
e nenhuma regulação para os bancos. As autoridades
do governo na época relutaram em resgatar os agentes do mercado
em apuros.
Mas para alguns historiadores, o enredo atual exibe temas familiares."É um
processo muito semelhante ao da Grande Depressão, porque o
que você tem são pessoas não gastando dinheiro
suficiente", disse o historiador Bryant Simon, da Universidade
Temple, diretor de estudos americanos. Consumidores altamente endividados
e bancos com problemas são tóxicos para uma economia
movida pelo consumo, ele disse.
" Não é tão severo quanto daquela vez",
disse Simon. "Mas se os bancos não emprestarem dinheiro,
não é possível recolocar a economia em movimento,
já que as pessoas não gastarão dinheiro suficiente." Os
Estados Unidos têm enfrentado recessões periódicas
e dolorosas durante sua história. Mas a Grande Depressão
foi tão ampla e profunda que provocou ação dramática
para mudar as regras do mercado.
Algumas dessas mudanças - como a garantia aos depósitos
- tornam outra Depressão muito menos provável, concordam
muitos especialistas. O atual arrocho de crédito pode testar
a teoria. O falecido economista Hyman Minsky disse que os sistemas
capitalistas tendem a "se alavancarem constantemente com mais
dívida", notou o ex-economista do Fed (Federal Reserve,
o banco central americano), Tim Yeager, que foi um dos alunos de
Minsky e agora é professor de finanças na Universidade
de Arkansas.
"O crédito fica mais fraco, os empréstimos ficam
cada vez piores e o risco cresce", disse Yeager. "É como
um esquema de Ponzi." Ele ouve ecos nas manchetes financeiras
atuais. " Esta é uma boa explicação para
o que aconteceu desta vez. É uma boa explicação
para o que aconteceu na Grande Depressão." Na memória
popular, o crash do mercado de ações em 1929 provocou
a Depressão, apesar de muitos especialistas dizerem que o
crash foi mais um sintoma do que a causa.
Novamente nas últimas semanas, o mercado tem oscilado de
forma tensa. " Isso é o que todos estão vendo
agora e é onde as semelhanças terminam no momento",
disse Tom Smith, professor de finanças da Escola de Negócios
Goizueta da Universidade Emory.
Mas apesar das semelhanças, o mercado de ações
está longe de reproduzir o colapso da Grande Depressão.
O Dow, o índice das ações das grandes empresas,
perdeu cerca de 40% em um ano. Em outubro de 1929, as ações
perderam 40% em um mês e perderiam quase 90% em três
anos.
Os bancos eram um foco na época assim como agora, mas por
motivos diferentes, disse Smith. " Nos anos 30 foi um fracasso
do sistema bancário. O que tivemos desta vez foi um fracasso
das práticas bancárias." Estas práticas
incluíram a criação de papéis inovadores
que visavam diluir o risco de empréstimos ruins. Em vez disso,
eles espalharam o veneno financeiro ao redor do mundo quando o mercado
imobiliário estagnou, já que muitos dos papéis
eram apoiados por hipotecas.
Outra diferença: durante a Depressão, a maioria dos
empréstimos vinha de bancos comunitários pequenos,
virtualmente não regulados. O governo não garantia
os depósitos e os bancos podiam investi-los da forma que quisessem.
Assim que os Estados Unidos foram apanhados pela recessão
econômica mundial, milhões de americanos viram suas
rendas caírem. A aprovação da tarifa Smoot-Hawley
exacerbou o problema ao reduzir o comércio. Muitos - especialmente
na América rural - não conseguiam pagar suas dívidas.
A necessidade de obter dinheiro se acelerou até uma corrida
frenética aos bancos, que não dispunham de dinheiro
suficiente à mão para atender todos os depositantes
ao mesmo tempo.
Durante os primeiros 10 meses de 1930, 744 bancos faliram, disse
Roger Cominsky, um sócio sediado em Buffalo da firma Hiscock & Barclay's
Financial Institutions & Lending. Ao final da década,
9 mil tinham falido - quase um entre três.
Em comparação, os bancos comunitários do século
21 são relativamente fortes. Mas eles têm uma participação
nacional menor na concessão de empréstimos. Em vez
deles, a economia depende de um punhado de grandes bancos e outras
instituições financeiras.
Ambas as crises ocorreram após "bolhas" econômicas
que inflaram a riqueza de muitos americanos, pelo menos no papel.
Nos anos 20 foram as ações, e nesta década os
imóveis.
Em ambos os casos a propriedade foi impulsionada pelo crédito
fácil, termos e regras fáceis que visavam encorajar
os compradores a irem além de sua capacidade de pagar.
Com as ações, era uma "margem" - os investidores
precisavam apenas de uma fração do preço para
realizar a compra. Um corretor emitia uma "call" (opção
de compra) que exigia que o comprador apresentasse mais dinheiro,
mas isso era fácil se os preços subissem. Com os imóveis
residenciais, foi uma combinação de política
pública que encorajava o crédito fácil, juntamente
com práticas de empréstimo e investimento que alimentaram
a farra. Os consumidores usavam refinanciamento ou empréstimos
tendo o imóvel como garantia para financiar outras grandes
compras.
Tanto nas ações quanto nos imóveis, o jogo
podia continuar enquanto os preços continuassem subindo.
Durante os primeiros anos da Depressão, cerca de 40% dos
empréstimos bancários eram garantidos com ações,
disse Brian Olasov, diretor administrativo da McKenna Long & Aldridge,
que presta consultoria a bancos e já realizou pesquisa extensa
sobre crises bancárias.
" Agora, cerca de seis décimos dos portfólios
dos bancos são relacionados a imóveis." Apesar
das semelhanças, a maioria dos especialistas não acha
que a crise de 2008 levará a uma repetição plena
da Depressão. Mas Yeager, o ex-economista do Fed, disse que
o pior ainda pode estar por vir. " Há uma grande tempestade
se formando."
Fonte: Cox Newspapers
Tradução: George El Khouri Andolfato / UOL Mìdia
Global
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Agência Brasil,
23 de novembro de 2008
Lei Maria da Penha: mulheres
cobram ampliação do atendimento
Organizações não-governamentais, sindicatos
e movimentos feministas promoveram neste sábado (22) ato público
na Estrutural, cidade localizada a 15 quilômetros de Brasília,
dentro da campanha mundial 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência
contra as Mulheres, iniciada no Brasil no último dia 20.
O período concentra atividades de conscientização
sobre a gravidade do problema social. No caso brasileiro, a principal
bandeira é a busca da implementação efetiva, em
todo o país, das garantias da Lei Maria da Penha - que cria
mecanismos para coibir a violência doméstica contra a
mulher - sobretudo na qualidade do atendimento prestado às vítimas."
A gente entende que tem muitos desafios ainda para implementar a lei,
no sentido de um atendimento humanizado e adequado em todas as delegacias
de polícia, e não só nas especializadas no atendimento às
mulheres. Elas [as delegacias especializadas] são em número
pequeno, apenas 403, o que é muito pouco em um país com
mais de 5.600 municípios. Mas se todas as delegacias derem o
atendimento que a Lei Maria da Penha coloca, com certeza as mulheres
vão denunciar muito mais”, afirmou Marlene Libardoni,
diretora executiva da ONG Ações em Gênero Cidadania
e Desenvolvimento (Agende), responsável pela coordenação
da campanha.
Segundo a ativista, é nos pequenos municípios que as
mulheres enfrentam mais dificuldades, pela escassez de delegacias e
a existência de juizado único. Para ela, uma alternativa é a
Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, que mereceria
maior divulgação. “De qualquer município,
a qualquer hora do dia e da noite ou no fim de semana, a mulher ou
alguém que assiste um ato de violência pode ligar e acionar
uma proteção para a vítima.”
Uma das novidades da campanha neste ano é o relato de 16 pessoas
que promoveram atitudes eficazes para o cumprimento da Lei Maria da
Penha. Foram convidados artistas, policiais, juízes e funcionários
de serviços de atendimento.
Joelma Chaves de Souza, atendente do Ligue 180, disse ter ficado lisonjeada
com o convite e espera que o seu exemplo incentive as mulheres que
sofrem violência a buscar seus direitos.
“Que elas possam ter a coragem de denunciar, ligar e ir até à delegacia
contra esse agressor ,que agride fisicamente, moralmente, psicologicamente.
A gente que trabalha no atendimento ajuda até mesmo a salvar
a vida de uma pessoa”, ressaltou.
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Gazeta do Povo, 23 de novembro de 2008
Sucessão
Eleição no Congresso é ponto
de partida para 2010
Para cientista político,
Legislativo é o mais importante dos poderes. Mas
não funciona como deveria
Brasília - A eleição dos novos presidentes
da Câmara dos Deputados e do Senado, em fevereiro de 2009,
marca o início dos principais acordos políticos para
a sucessão ao Palácio do Planalto, em 2010. A disputa
será decisiva para o futuro do relacionamento entre PT e seu
principal aliado no Congresso Nacional, o PMDB. A escolha de quem
dirige o Poder Legislativo, entretanto, também tem interferência
no dia-a-dia do cidadão comum.
“Os presidentes das duas Casas podem adiantar ou retardar
a votação de projetos, que ao virarem lei mudam as
vidas das pessoas. Só isso já é um poder muito
grande”, explica o deputado federal Gustavo Fruet (PSDB). O
paranaense disputou a presidência da Câmara em 2007 e
ficou em terceiro lugar, atrás do eleito Arlindo Chinaglia
(PT-SP) e de Aldo Rebelo (PC do B-SP). “A questão é que
a sociedade mantém muita distância da eleição,
presta atenção em quem manda no Executivo.”
Uma pesquisa realizada na disputa de 2007 apontou que Rebelo, que
concorria à reeleição, era conhecido por apenas
8% da população. O cargo então ocupado por ele,
porém, é o terceiro na linha sucessória presidencial.
Ou seja, em caso de impedimento do presidente Lula e do vice José Alencar,
ele assumiria o posto.
O cientista político David Fleischer, da Universidade de
Brasília, lembra que o presidente do Senado é também
presidente do Congresso Nacional, ou seja, do Legislativo como um
todo. Segundo ele, o atual ocupante do cargo, senador Garibaldi Alves
(PMDB-RN), demonstrou o tamanho da força que possui ao devolver
ao Palácio do Planalto a Medida Provisória 446, que
concede anistia a entidades filantrópicas. “O Legislativo é,
em tese, o mais importante dos poderes, mas na prática isso
não funciona.”
Além dos presidentes, estarão em jogo em fevereiro
todos os demais postos das mesas diretoras das duas Casas. Ao todo,
cada uma tem sete cargos: um presidente, dois vice-presidentes e
quatro secretários. Todos têm influência política
e burocrática na dinâmica do Congresso.
Dois paranaenses fazem parte das mesas atuais. O senador Alvaro
Dias (PSDB) é o segundo vice-presidente do Senado. O deputado
Osmar Serraglio (PMDB) é o primeiro-secretário da Câmara.
Alvaro é, na prática, o segundo “reserva” de
Garibaldi e Serraglio tem uma função de prefeito. Pelas
mãos dele passam todos os contratos administrativos da Câmara.
Como não é permitida reeleição na próxima
disputa, eles terão de deixar os cargos.
Serraglio já anunciou que pretende concorrer à presidência
da Câmara. Ele será candidato avulso, ou seja, sem o
respaldo do partido, que já escolheu Michel Temer (PMDB-SP)
como nome oficial. Alvaro pode ser indicado pelo PSDB primeiro vice-presidente,
mas já manifestou que tem mais interesse de ser nomeado líder
da legenda.
“A eleição do Temer é praticamente certa.
Só não sai se ocorrer algo fora do previsto no Senado”,
diz Fleischer. O professor lembra que, em 2007, PMDB e PT fizeram
um acordo para eleger os presidentes do Senado e da Câmara,
divididos entre as duas legendas, respectivamente. Em 2009, o trato
seria inverter os postos.
O problema é que o PMDB tem maioria nas duas Casas, prerrogativa
para a escolha dos presidentes. Uma corrente do partido tenta desfazer
a negociação para comandar Senado e Câmara. A
medida pode provocar uma divisão entre PMDB e PT, que também
abalaria a manutenção da aliança entre os dois
partidos para 2010.
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Gazeta do Povo, 23
de novembro de 2008
Corrida presidencial
Economia desaquecida prejudica
Dilma em 2010
Brasília - O nome dela foi lançado como candidata em
2010 pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
após uma audiência com o Papa Bento XVI. Mas governistas
de dentro e de fora do PT ainda olham com desconfiança e descrença
a pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ao
Palácio do Planalto. Os efeitos da crise financeira e o incipiente
desempenho do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)
são apontados como impactantes na construção da
candidatura de Dilma.
Os aliados avaliam que Dilma só ganha força num cenário
econômico de desenvolvimento, o que cada dia se torna mais distante,
devido à crise financeira mundial. “O eleitor é pragmático:
se 2010 for pior que 2008, ele vai mudar. Mesmo que 2010 seja melhor
que 2003, o parâmetro será 2008”, avalia o líder
do PSB no Senado, Renato Casagrande.
Para o senador, os aliados vêem com desconfiança o nome
de Dilma porque ela não representa uma candidatura natural no
PT. “A ministra é competente, mas a candidatura dela está diretamente
vinculada ao desempenho do governo, especialmente do PAC”, disse
Casagrande, que defende a candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE).
Num cenário de instabilidade econômica, tendo como principal
adversário o governador de São Paulo, José Serra
(PSDB), há aliados que apontam alternativas à candidatura
de Dilma, como o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também
cobiçado pelo PP para disputar o governo de Goiás em
2010.
“Num cenário recessivo, não seria melhor o Meirelles
para peitar o Serra? Ele tem discurso econômico mais consistente”,
defende o líder do PR na Câmara, Luciano Castro (RR).
Segundo ele, a aliança do PR com o PT em 2010 não será automática. “A
ministra Dilma merece todo o nosso respeito, mas o nome dela não
foi discutido com o nosso partido. Ela carece de respaldo e traquejo
político que uma disputa dessas exige.”
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Gazeta do Povo, 23 de novembro de 2008
Corrida presidencial
Ministra fica de fora só “se
houver uma hecatombe”
Embora o PT só vá decidir sobre o candidato à sucessão
de Lula em fevereiro de 2010, está claro no partido que Dilma
só não será a escolhida “se houver uma
hecatombe” – uma denúncia grave contra a ministra
ou um recrudescimento da crise sem precedente. A avaliação
dentro do próprio PT é que, sem um candidato natural,
o aval de Lula será decisivo a favor de Dilma.
O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), reconhece
que o nome de Dilma está à frente no partido e agrega
cada vez mais simpatia, mas argumenta que não há motivos
para antecipar uma decisão nem impedir o surgimento de outros
candidatos. Para Berzoini, a crise só afetará a candidatura
do Palácio do Planalto se o governo não tomar as medidas
necessárias para superá-la, o que não está ocorrendo
até agora: “O governo adotou medidas adequadas e fortes.
Se continuar nessa toada, o nome do presidente Lula será muito
forte. É nisso que se ancora o nome da ministra Dilma, já que
ela não tem um passado eleitoral”, disse Berzoini.
Berzoini tem conversado com os aliados sobre a sucessão presidencial,
especialmente com PMDB, PCdoB e PSB. O PMDB, que já foi crítico
da candidatura de Dilma, hoje mostra mais simpatia, mas líderes
do partido – o maior da base governista – avaliam que,
se o governo Lula não estiver bem, setores do partido vão
apoiar o candidato da oposição, provavelmente Serra.
O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), tem repetido que
o partido não tem pressa de decidir sobre a sucessão
presidencial e admite que há correntes defendendo um nome
próprio na corrida pelo Planalto.
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Folha de S.Paulo,
23 de novembro de 2008
FHC quer que PSDB defina nome
já no ano que vem
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL
O presidente de honra do PSDB e ex-presidente da República,
Fernando Henrique Cardoso, defendeu ontem que o partido apresente à sociedade
já no ano que vem um único candidato à sucessão
do petista Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto,
em 2010. Ele não descarta a convenção como mecanismo
de escolha.
"É cedo para definir [esse nome] agora, mas não é cedo
para iniciarmos as conversas entre nós. E não temos medo. Se houver
divisão, fazemos a convenção. Mas [o partido] tem de ter
um candidato. Caso contrário, as forças da sociedade não
têm por onde ecoar, não têm como se exprimir porque não
há outro lado. Nós temos de apresentar o outro lado", disse.
O ex-presidente, no entanto, não quis citar nomes. "Nós
temos vários líderes com essa capacidade de despertar entusiasmo
nos nossos militantes. Vamos convergir e, no momento que isso acontecer,
podem contar comigo. Essa é a única coisa que eu quero
fazer -ajudar a formar essa visão que incorpore alguém",
disse ele em São Paulo, em evento para uma platéia de 400
pessoas, entre prefeitos e vereadores eleitos do PSDB no Estado.
Antes de iniciar seu discurso, FHC fez questão de avisar que havia
jantado com o governador de São Paulo, José Serra, na madrugada
anterior.
O paulista trava disputa interna com o colega mineiro Aécio Neves
pelo direito de concorrer à Presidência pela chapa tucana.
O ex-presidente também deve se reunir com Aécio nos próximos
dias.
À tarde, ao chegar ao evento, Serra foi saudado como "futuro presidente
da República", mas não quis falar de eleição.
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Folha de S.Paulo, 23 de novembro de 2008
SUCESSÃO NOS EUA / CRISE
ECONÔMICA
Obama anuncia plano
para criar empregos
Sem citar valores nem detalhes,
presidente eleito promete pacote de estímulo econômico
que abrirá 2,5 milhões de vagas em dois anos
Em discurso radiofônico, democrata alerta
para risco de deflação e pede que Congresso aprove
medidas que sua equipe prepara
DA REDAÇÃO
Em meio à desaceleração da economia americana,
o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, anunciou ontem em seu
programa semanal de rádio que trabalha na criação
de um plano agressivo de estímulo econômico para os
dois primeiros anos de seu governo. Entre outras coisas, o pacote
prevê a abertura de 2,5 milhões de empregos até janeiro
de 2011.
" Corremos o risco de cair em uma espiral deflacionária que pode
aumentar ainda mais nossa enorme dívida (...) Se não agirmos incisivamente
e de forma ressonante, a maioria dos especialistas hoje acredita que poderemos
perder outros milhões de empregos", declarou.
Em outubro, o democrata já havia pedido medidas que injetariam
na economia US$ 175 bilhões. Mas seu discurso mostra que ele
defenderá um pacote bem mais amplo, embora nenhum valor tenha
sido citado. Com a crise econômica decorrente do estouro da bolha
de crédito, o desemprego no país registra um pico histórico
-segundo o Departamento do Trabalho, 540 mil pessoas entraram com novos
pedidos por seguro-desemprego na última semana, a maior alta
em 16 anos.
Os EUA também vivem um forte temor de deflação
-o que pode empurrar a economia de vez para a recessão. O índice
americano de preços ao consumidor, divulgado nesta semana, registrou
em outubro recuo de 1% -a maior queda mensal desde fevereiro de 1947,
quando começou a ser medido. Com a expectativa de mais baixas,
o consumidor deixa de comprar, o que por sua vez prejudica a produção
e provoca mais deflação, num círculo vicioso.
" Não há forma rápida nem fácil de resolver
esta crise, que está sendo burilada há anos e que deve piorar antes
de começar a melhorar", disse Obama. O presidente eleito, que toma
posse em 20 de janeiro, afirmou ainda ter instruído sua equipe econômica
a trabalhar na proposta de estímulo, que, defende ele, precisa ser rapidamente
aprovada em um Congresso de maioria governista.
" Trabalharemos nos detalhes nas próximas semanas, mas será um
esforço nacional de dois anos para dar impulso à criação
de empregos e fincar as bases de uma economia forte e em crescimento", declarou.
Deputados e senadores democratas já haviam anunciado a intenção
de fazer do estímulo econômico prioridade na pauta. Entre
outras medidas, é esperada uma redução de impostos
para a classe média e uma injeção de verbas em
obras de infra-estrutura e nos serviços públicos. As
montadoras também negociam um pacote de resgate com o Legislativo,
mas a votação travou em detalhes.
Anteontem, a mídia americana anunciou que Timothy Geithner,
presidente da unidade de Nova York do Federal Reserve (banco central
dos EUA) e visto como pragmático e apartidário, será o
próximo secretário do Tesouro. Os mercados financeiros
reagiram bem à escolha, que deve ser formalizada nos próximos
dias.
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Revista Consultor
Jurídico, 23 de novembro de 2008
Acesso ao benefício
Servidor pode sacar FGTS se
regime de trabalho mudar
O servidor público tem direito a saque nas contas do Fundo de
Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) caso seu regime de trabalho
seja convertido de celetista para estatutário. A decisão é da
Turma Nacional de Uniformização da Jurisprudência
dos Juizados Especiais Federais (TNU), ao dar provimento ao pedido de
uniformização apresentado por uma servidora pública.
Ela pedia autorização para levantamento do saldo de sua
conta do FGTS.
“O STJ pacificou entendimento de que é possível
o levantamento do saldo da conta vinculada ao FGTS nas situações
em que ocorrer a conversão do regime jurídico celetista
para estatutário, sem que isso implique ofensa ao artigo 20
da Lei 8.036/90”, constatou o juiz federal Sebastião Ogê Muniz,
relator do processo no TNU.
O parágrafo único do artigo 20 vedava o saque pela conversão
de regime. Entretanto, explica Ogê Muniz, o dispositivo foi revogado
pela Lei 8.678, de 1993. O juiz citou, ainda, ementa do Resp 907.724
cuja decisão é de 18 de abril de 2007.
A servidora recorreu do entendimento da Turma Recursal da Seção
Judiciária do Rio de Janeiro, que considerou ser possível
esse levantamento, pela lei, apenas na hipótese de demissão
sem justa causa, não sendo possível em caso de mudança
do regime jurídico do trabalhador.
No pedido, a servidora argumentou que o acórdão afronta
jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça,
expressa nos Resp 907.724, 724.930 e 692.569. Já a Caixa Econômica
Federal apresentou outras decisões do STJ em sentido contrário.
A sessão da TNU foi realizada na sexta-feira (21/11), na sede
da Seção Judiciária de Pernambuco, em Recife.
A Turma Nacional é presidida pelo corregedor-geral da Justiça
Federal, ministro Hamilton Carvalhido, e composta por 10 juízes
federais provenientes das turmas recursais dos juizados, sendo dois
de cada região da Justiça Federal.
Processo 2006.51.19.00.4037-3/RJ
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Revista Consultor Jurídico, 23 de
novembro de 2008
Prova trabalhista
Falta de anotações
em carteira comprova desemprego
O juiz pode se valer de meios de provas legais para avaliar se houve
o desemprego alegado no processo. Um dos meios pode ser a própria
Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), sem anotações
de vínculos empregatícios, como prova do desemprego.
O entendimento é da Turma Nacional de Uniformização
da Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais (TNU). A Turma
negou pedido de uniformização formulado pelo Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS).
Para o juiz federal Élio Wanderley de Siqueira Filho (relator),
no âmbito judicial, prevalece o princípio do livre convencimento
do juiz. Por maioria, o TNU afastou o argumento do INSS que citou
entendimento do Superior Tribunal de que a Justiça exige a
prova do desemprego mediante registro em órgão do Ministério
do Trabalho (Resp 448.079 e 627.661).
Segundo o juiz Élio Wanderley, a exigência de que essa
prova seja implementada por registro no Ministério do Trabalho
tem como destinatário o INSS, por ocasião do pedido
de concessão do benefício previdenciário. O
juiz citou, ainda, a Súmula 27, da TNU, segundo a qual “a
ausência de registro em órgão do Ministério
do Trabalho não impede a comprovação do desemprego
por outros meios admitidos em Direito”.
Em seu pedido, o INSS contestou decisão da Turma Recursal
da Seção Judiciária do Paraná, que concedeu
auxílio-doença ao autor da ação, entendendo
que não houve perda da qualidade de segurado, considerando
a incidência do prazo de tolerância diferenciado por
ter o autor ficado desempregado. A condição de desemprego,
no caso, foi considerada comprovada pela Turma Recursal pela ausência
de anotações na sua carteira de trabalho.
Processo 2007.70.95.01.1823-8/PR
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