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AGÊNCIA SINDICAL, 25
de novembro de 2008
Brasil poderá ter 800 mil jovens
aprendizes empregados até 2010
O Ministério do Trabalho
e Emprego homologa hoje (24) a meta de inserção de 800
mil aprendizes profissionais no mercado de trabalho até 2010.
O anúncio será na I Conferência Nacional da Aprendizagem
Profissional, entre 24 e 26 de novembro, em Brasília, reunindo
mais de 600 empresários. O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva e o ministro Carlos Lupi, participam da abertura do encontro, às
19 horas.
Durante a conferência,
será lançado o selo ‘Parceiros da Aprendizagem’,
a ser concedido pelo ministério a empresas que desenvolverem ações
em favor da aprendizagem. A Lei 10.097 estabelece que todas as empresas
de médio e grande porte contratem jovens de 14 a 24 anos, atendendo
uma cota de aprendizes fixada entre 5% e 15% do total de empregados.
Programação – Ao
longo da conferência haverá palestras, painéis e
debates sobre assuntos ligados à formação profissional
de jovens, com participação de vários especialistas.
Mais informações:
imprensa do MTE
Telefone (61) 3317.6537
www.mte.gov.br
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FOLHA DE LONDRINA, 25 de
novembro de 2008 | Economia
Brasil tem 22 milhões de microempresários
Grupo inclui desde vendedores ambulantes
e camelôs até empregadores ou profissionais liberais,
como médicos e dentistas
Rio de Janeiro- Os microempresários
já somam 22 milhões de pessoas no Brasil e apresentam rendimento
e mobilidade social acima da média dos demais trabalhadores, segundo
mostra pesquisa divulgada ontem pelo economista Marcelo Neri, da Fundação
Getúlio Vargas (FGV).
O conceito de microempresário
da pesquisa é amplo e inclui desde vendedores ambulantes e camelôs
até empregadores ou profissionais liberais, como médicos
e dentistas. De acordo com o estudo de Neri, a renda domiciliar per capita
dos microempresários era de R$ 761 em 2007, superior à renda
média per capita do total dos ocupados (R$ 526).
Ele explica que a renda desse
grupo está acima da média porque inclui não apenas
a renda do trabalho, mas também transferências de programas
sociais, como o Bolsa Família. A pesquisa mostra também
que, segundo projeções para 2008, grande parte, ou 72%
dos microempresários estão nas classe A, B ou C, mas pelo
menos 54% desse total estão na classe C, e somente uma pequena
fatia no topo da pirâmide social.
De qualquer modo, de acordo com
Neri, a mobilidade social é maior para os microempresários
do que para o restante da população. Em 2003, segundo a
pesquisa, 42,8% dos microempresários estavam na classe C e 22,5%
estavam na classe D.
Em 2008, segundo projeções
da FGV, o porcentual de microempresários na classe C tinha subido
para 54% enquanto a fatia na classe D havia caído para 18,1%.
A pesquisa destacou os microempresários como ponto de partida
para análise do Crediamigo, programa de microcrédito do
Banco do Nordeste, instituição que encomendou o desenvolvimento
do estudo a Néri.
Neri disse que o Brasil tem ''amortecedores''
para a crise internacional e, entre eles, figuram com destaque o aquecimento
do mercado interno e as políticas sociais. Ele afirmou que ''ainda
não há sinais de que a crise chegou no mercado de trabalho
no Brasil''.
Para Neri, a redução
da pobreza e a ampliação da classe C - em detrimento das
classes D e E - serão fatores ''muito importantes para segurar
a economia brasileira''. Segundo ele, ''o mercado interno é um
amortecedor da economia do País bastante importante para enfrentar
a crise''.
De acordo com Neri, a classe
C, que ele chama de nova classe média, que chegou a 47,1% da população
total do País em 2007, será de 50% do total em 2008, segundo
projeções feitas a partir da Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílio (Pnad) do IBGE.
Em 2003, a classe C equivalia
a 37,6% da população. No que diz respeito à classe
E, ou seja, a camada de renda mais baixa, a projeção de
Neri é que caia de 18,1% da população, segundo os
dados de 2007, para 15,3% segundo as projeções para 2008.
Em 2003, essa fatia era de 28,0%. De acordo com o economista da FGV,
outros amortecedores do País para a crise são a inflação
baixa, a situação fiscal controlada e as reservas internacionais.
Jacqueline Farid
Agência Estado
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AGÊNCIA SINDICAL, 25
de novembro de 2008
Centrais pedem e Lupi promete usar
dinheiro do FAT e FGTS na preservação de empregos
Os dirigentes das Centrais Sindicais
brasileiras que estiveram com o ministro Carlos Lupi (Trabalho) na última
quarta-feira (19), em Brasília, saíram do ministério
com o compromisso que a Pasta ampliará a supervisão sobre
o destino dos recursos dos fundos dos trabalhadores (FAT e FGTS), a fim
de garantir a aplicação do dinheiro em projetos que gerem
empregos, além de impedir investimentos em empresas que demitirem
trabalhadores.
Após a reunião,
o ministro anunciou em entrevista coletiva a formação de
um Comitê de Acompanhamento, formado por membros do ministério
e representantes das Centrais, para monitorar todos os investimentos
realizados com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) liberados pelo governo
para estimular o crédito e para obras de infra-estrutura.
Propostas -
Na reunião com o ministro, os líderes sindicais entregaram
o documento unitário das Centrais, com 18 propostas para amenizar
os efeitos da crise financeira sobre o Brasil, principalmente no que
se refere ao mercado de trabalho. Entre as sugestões, as entidades
pedem o aumento das parcelas do seguro-desemprego, além da ampliação
do benefício aos trabalhadores rurais envolvidos no Plano Safra.
Lupi também prometeu apoiar a luta pela retirada de projetos de
flexibilização de direitos que tramitam no Congresso Nacional.
Juros – O
documento assinado pelos presidentes da Força Sindical, CUT,
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Central
Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), União Geral de Trabalhadores
(UGT) e Nova Central Sindical de Trabalhadores reitera ainda que é necessário
fortalecer o mercado interno e reduzir a vulnerabilidade da economia,
algo que não será possível com os juros nos patamares
em que estão.
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FOLHA
DE LONDRINA, 25 de novembro de 2008 | Economia
''Estamos sendo atingidos'', diz agora
Lula
Para presidente, o Brasil está em uma
situação melhor para enfrentar a crise do que outros países
emergentes
Brasília - O
ministro da Fazenda, Guido Mantega, relatou que, durante a reunião
ministerial realizada ontem, na Granja do Torto, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva avaliou que o Brasil está em uma
situação melhor para enfrentar a crise financeira internacional
do que outros países emergentes, como, por exemplo, a Índia,
a Coréia e a Rússia.
Em entrevista coletiva sobre
a reunião do presidente com os ministros, Mantega reproduziu
ainda outra frase do presidente sobre a crise: ''Estamos sendo atingidos,
seremos atingidos, mas, em relação à Índia,
Coréia ou Rússia, o Brasil está em uma situação
melhor.''
O presidente afirmou, segundo
o ministro da Fazenda, que a situação da economia brasileira
não se deve a uma fatalidade nem à sorte. ''Se fosse
isso, todos os países estariam surfando na onda das commodities'',
disse o presidente, segundo o ministro.
Lula destacou, de acordo com
o relato de Mantega, que, diferentemente de outros governos, o do Brasil
fortaleceu as reservas, buscou novos mercados e se tornou menos vulnerável.
''Tudo isso foi algo produzido pelo governo ao longo do tempo. Não é por
acaso que o Brasil está em situação melhor. Estamos
mais bem equilibrados que outros países, que estão tendo,
por exemplo, grande fuga de capitais'', afirmou o ministro da Fazenda.
Biocombustíveis
De manhã, durante o
programa semanal de rádio ''Café com o Presidente'',
lula afrimou que é necessário apostar numa nova matriz
energética e o mundo se curvará ao biocombustível.
''Sabemos que o mundo precisa produzir mais biocombustível,
que é preciso diminuir a emissão de gases de efeito estufa
e que, para isso, não podemos usar a mesma quantidade de petróleo
que estamos utilizando''. Na semana passada o presidente participou
da 1 Conferência Internacional de Biocombustíveis, em
São Paulo, com a presença de quase cem delegações
estrangeiras.
Lula lembrou que em dezembro
o Brasil comemora a produção de 7 milhões de carros
flex, veículos capazes de funcionar tanto com álcool
quanto com gasolina. Ele listou as vantagens do biocombustível,
destacando o fato de ser menos poluente. ''E já estamos trabalhando
na produção de etanol de segunda geração,
o que é mais importante, porque vamos produzir etanol de cavaco
de madeira e de bagaço de cana.''
O presidente voltou a desvincular
a alta nos preços dos alimentos da produção de
biocombustíveis, explicando que o aumento dos alimentos está ligado à especulação
no mercado futuro.
Agência Estado
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Vermelho, 25 de novembro
de 2008
Mantega a ministros: país crescerá 4%
em 2009, sem recessão
"A situação
no Brasil está sob controle, graças ao que nós fizemos",
disse nesta segunda-feira (24) o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Ele prestou contas dos reflexos da crise econômica no Brasil, em
reunião com todos os ministros convocada pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, na Granja do Torto. Mantega previu para
2009 um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) "em torno de
4%".

A primeira reunião pós-crise da equipe ministerial
Esta foi a terceira reunião com todos os 37 ministros este ano e a primeira
desde que a crise atingiu sua fase aguda, em setembro. Apenas o ministro do
Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior não participa
do encontro, pois cumpre agenda no exterior.
Além de Mantega, falaram
Henrique Meirelles, do Banco Central, Dilma Rousseff (Casa Civil), que
falou dos investimentos do PAC, e José Gomes Temporão (Saúde),
que falou sobre as previsões de evolução da dengue
neste verão. A tarde a palavra foi aberta a todos os ministros.
Cenário mundial: da crise financeira à econômica
"Haverá uma desaceleração
mas não haverá recessão", garantiu o titular
da Fazenda aos jornalistas, em coletiva no intervalo para almoço.
No entanto, pintou um cenário grave na economia mundial: "A
crise mundial está se transformando de uma crise financeira em
uma crise da economia como um todo", afirmou. "Há uma
desaceleração forte das economias dos Estados Unidos, da
União Européia e do Japão" e "algumas
delas já estão em recessão".
Nos anos 30, segundo o ministro,
a crise terminou se agravando porque "cada um foi para o seu lado",
o que desembocou na 2ª Guerra Mundial. "Agora, os países,
que já estão escaldados", estão fazendo políticas
anticíclicas para "contrabalançar essa queda das economias".
No entanto, admitiu que apesar das medidas nos países centrais
para evitar o “derretimento” dos bancos, o crédito
não voltou e isso passou a afetar a economia como um todo. Mantega
foi enfático na defesa de "uma nova ordem econômica
mundial", pois a que existe hoje "está superada".
"Sairemos da crise de forma robusta"
Quanto ao cenário brasileiro,
Mantega foi bem mais otimista. "O Brasil se encontra numa situação
muito mais favorável que os países avançados e mesmo
os países emergentes". Vive um momento de "certo dinamismo
econômico". e até setembro não se sentiu a crise. "Haverá uma
deterioração", admitiu, "mas não recessão".
O ministro fez a defesa das "medidas
importantes" do governo para fundamentar seu otimismo. "O governo
brasileiro já está fazendo uma ação anticíclica",
para que a economia brasileira "vá para um patamar em torno
de 4%", afirmou.
Mantega lembrou também
que a valorização do dólar hoje não implica
em aumento da dívida pública brasileira, mas em redução,
graças à posição credora do país.
Segundo ele, a dívida pública caiu de 41% do PIB brasileiro
para 37%.
"Nós ainda sairemos
(da crise) de forma robusta e mantendo o crescimento. Não haverá recessão",
repeiu o ministro. "O Brasil está em posição
mais favorável... o país foi pego num momento de dinamismo",
salientou o ministro, destacando os bons fundamentos da economia, o forte
ritmo da atividade econômica doméstica e a menor vulnerabilidade
do Brasil aos choques externos.
Polêmica com "contaminação" que
vem de fora
Mantega voltou a descartar um "pacote
anticrise" da parte do governo federal, defendendo intervenções
pontuais. Ele destacou o papel dos investimentos públicos, das
obras do PAC, e agregou: "Tudo isso mantém a economia brasileira
em crescimento. O governo continuará tomando medidas anticíclicas
de modo a estimular o crescimento", disse.
O ministro polemizou com a ansiedade
dos jornalistas durantre a coletiva. “Há uma contaminação
da visão que temos por aqui. Como lá fora a situação é crítica, é de
redução do nível de atividade, de desemprego aumentando,
muitas vezes somos contaminados como se o Brasil estivesse nas mesmas
condições. O Brasil não está nas mesmas condições”,
assegurou.
A projeção do ministro
em relação ao desempenho da economia no próximo
ano não bate com as estimativas de analistas do mercado. De acordo
com pesquisa semanal do Banco Central, analistas e empresários
esperam uma expansão de 3% do PIB em 2009, após um avanço
de 5,24% em 2008. Em outra pesquisa divulgada nesta segunda-feira, a
Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que o país
deve crescer, em média, 3,9% num horizonte de três a cinco
anos.
Da redação, com
agências
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Folha
de S.Paulo, 25 de novembro de 2008
VINICIUS TORRES FREIRE
Governo estuda mexer no IR
Por ora, plano é apenas "tirar da
prateleira" estudos sobre IR e folha de salários, para o
caso de "necessidade da crise"
O PROJETO de mexer no Imposto de Renda e sobre
a folha de pagamento de empresas outra vez sai da prateleira abarrotada
de quase-idéias do governo.
Dizem no Planalto que, por ora, se trata apenas de deixar "mais opções à disposição
do presidente" em caso de "necessidade de estimular o consumo e a
produção".
Estuda-se baixar a alíquota menor do IR e mexer na mais alta. Haveria
mais alíquotas superiores à de 15% (hoje só existe a de
27,5%). Mais não se diz. No caso da folha de pagamento, os integrantes
do governo que falaram sob reserva não quiseram dar dica adicional.
Não se sabe, pois, se a idéia é reduzir a contribuição
patronal para o INSS, por exemplo.
Mexer no IR não é medida de fácil ou pronta execução.
Não é fácil porque o governo arrumaria animosidades, digamos,
com a classe média e daí para cima (para ser efetiva, a mexida
teria de atingir profissionais bem pagos e sem carteira assinada).
O governo daria assim munição para a oposição morta-viva,
que cobraria redução de gastos em vez de aumento de impostos.
Cobraria, sim, mesmo que houvesse redução de impostos para mais
contribuintes e mesmo que a oposição, sem vergonha na cara, vote
com o governo em quase todos os aumentos exorbitantes de gasto público
(e depois critique o governo pela despesa extra).
Segundo, se o governo apenas "estuda" a mudança no IR, o projeto
não fica pronto tão cedo. Seria votado em 2009. Assim, o aumento
de alíquota entraria em vigor em 2010.
O governo perderia alguma receita, embora os informantes digam que "haveria
compensações com a alta do consumo" etc., os argumentos
de praxe. Mas nunca se sabe como o contribuinte-consumidor vai reagir em tempo
de crise: se vai consumir, se vai poupar -ou se vai ficar desempregado. De
resto, com o aumento "vegetativo" do gasto, mais a despesa encomendada,
menos a receita que será perdida com a queda do crescimento, o governo
deve ficar com as contas apertadas em 2009.
O governo vai e vem nesse assunto faz tempo. Em fevereiro, o ministro Guido
Mantega prometia um projeto de redução do IR para os mais pobres "em
questão de dias". Mas Lula abafou a idéia, pregada porém
pelo PT desde sempre. Também em fevereiro, Lula parecia ter desistido
de desonerar a folha de pagamento das empresas, pois as centrais sindicais
reclamavam que tal isenção tiraria dinheiro da Previdência.
No fim das contas, a reforma tributária foi mais ou menos para o Congresso
sem previsão de mudança em alíquota de IR (que não
está na Constituição, mas há medidas infraconstitucionais
na reforma). A princípio, haveria mexida no IR, segundo Bernard Appy,
secretário do governo para reformas. Era a opinião dele pelo
menos até meados do ano (o novo imposto federal sobre consumo compensaria
a queda de receita com o IR). Em agosto, a nova secretária da Receita
Federal, Lina Vieira, defendeu a mudança, o que pegou mal no Ministério
da Fazenda. Mantega não gostou da história (não gostou
porque se tratava de um vazamento ou porque agora é contra a idéia?).
Aliás, a primeira equipe da Fazenda de Lula e os antecessores de Lina
Vieira na Receita dizem que o aumento de alíquotas seria infrutífero
em termos de arrecadação.
vinit@uol.com.br
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Folha
de S.Paulo, 25 de novembro de 2008
Governo estuda reduzir alíquota
do IR
Governo quer beneficiar classe média ao
diminuir imposto da pessoa física; empresas podem pagar menos
ao INSS | Equipe econômica entende que a baixa renda está parcialmente
protegida da crise com o Bolsa Família e com o reajuste do mínimo
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Além de reduzir o imposto
cobrado nos empréstimos (o IOF), conforme a Folha publicou no
sábado passado, o governo estuda também reduções
no Imposto de Renda da pessoa física e a desoneração
da folha de pagamento entre as medidas que poderão ser adotadas
em 2009 para garantir o crescimento econômico de 4%.
As mudanças no IR têm o objetivo de reduzir as alíquotas
e tornar o tributo mais progressivo, uma antiga promessa petista. Segundo a
Folha apurou, o alvo é beneficiar a classe média. A equipe econômica
entende que a baixa renda está parcialmente protegida da crise por meio
do Bolsa Família e da política de reajuste do mínimo.
A dificuldade é que, para reduzir o tributo pago por uma parte dos trabalhadores,
o governo tem de elevar a alíquota máxima do IR, de 27,5%. Uma
mudança legal que, se for feita em 2009, só entraria em vigor
em 2010 pela exigência de que aumentos de tributos sejam aprovados no
ano anterior ao do início da sua cobrança.
Aumentar o número de alíquotas do IR da pessoa física é uma
maneira de deixar mais dinheiro no bolso de parte dos trabalhadores e, portanto,
estimular o consumo. Com a criação de novas faixas de tributação,
o governo poderia reduzir o imposto pago pela maior parte da população
e, ao mesmo tempo, cobrar mais dos que têm renda mais alta.
As projeções sobre impactos na arrecadação federal
e quais seriam as faixas de alíquotas estão sendo feitas pelo
Ministério da Fazenda. A idéia é deixar pronta a análise
da medida e o que pode ser feito para, caso seja necessário estimular
a economia, a decisão possa ser tomada mais rapidamente.
No caso da folha de pagamento, a desoneração da contribuição
previdenciária patronal seria feita caso o governo não consiga
aprovar a proposta de reforma tributária. O projeto em discussão
no Congresso já prevê queda de seis pontos percentuais na alíquota
-de 20% para 14%. Além disso, o governo concorda em eliminar a cobrança
de 2,5% relativa ao salário-educação.
Essas duas medidas não são novidade no cardápio de projetos
da equipe econômica. A diferença, segundo assessores do ministro
Guido Mantega (Fazenda), é que o momento atual respalda esse tipo de
mudança.
Na visão da Fazenda, a discussão sobre a progressividade do IR
esbarrou na questão da inflação. É que um estímulo
ao consumo num cenário em que a economia já está em crescimento
poderia acabar se transformando em aumento de preços por falta de oferta.
Com a crise internacional, os assessores do ministro Mantega entendem que o
cenário é outro. Caso o governo detecte desaceleração
muito acentuada da economia, a redução na cobrança do
IR seria uma maneira de segurar o crescimento.
O entrave nesse cenário seriam as restrições fiscais. É que,
se houver queda abrupta na receita de impostos por causa de um PIB menor, o
governo terá dificuldades de abrir mão de receita. Na Fazenda,
um dos argumentos contrapostos a essa idéia é que o estímulo
ao crescimento pode compensar a perda de arrecadação ao manter
o dinamismo econômico.
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CONTAS ABERTAS, 25 de novembro
de 2008
Ex-presidentes do Brasil custam R$
3,3 milhões por ano
Há 23 anos foi eleito o primeiro presidente civil do Brasil após
o período da ditadura. De lá para cá, o país teve
quatro presidentes da República. Eles recebem atualmente R$ 3,3 milhões
por ano. A conta individual paga pela União aos ex-presidentes José Sarney,
Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique pode chegar a R$ 828,9 mil
a cada ano, se todos receberem os benefícios integrais. Isto porque
cada ex-inquilino do Palácio do Planalto tem direito aos serviços
de quatro servidores para atividades de segurança e apoio pessoal, a
dois veículos de luxo com motoristas e ao assessoramento de mais dois
servidores.
Em fevereiro deste ano, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto que regulamentou
uma lei assinada em 2002 pelo presidente Fernando Henrique que trata,
entre outros temas, das benesses aos ex-presidenciais. Segundo a Casa
Civil, a idéia do novo decreto era tornar mais claro o texto da
Lei 10.609, de 2002, que alterou a Lei 7.474, de 1986. Com a regulamentação,
um ex-presidente passou a custar aos cofres públicos pouco mais
de R$ 63,4 mil por mês. Este valor inclui despesas com servidores
(R$ 41,3 mil), contribuição ao INSS (R$ 10,7 mil) e vencimento
de cada ex-presidente, no valor de R$ 11,4 mil.
No último ano de seu mandato,
o então presidente FHC aumentou de seis para oito o número
de cargos disponíveis para os ex-presidentes. A ampliação
foi confirmada no decreto assinado por Lula. Os dois novos cargos comissionados
fazem parte do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores
(DAS de nível 5), que recebem mensalmente cerca de R$ 9 mil. Completam
o quadro dois funcionários DAS-1, com remuneração
de R$ 2,1 mil, dois DAS-2, com vencimentos de R$ 2,7 mil e dois DAS-4
no valor de R$ 6,8 mil.
De acordo com a Casa Civil, a
Lei assinada pelo presidente Fernando Henrique alterou o artigo 2 do
parágrafo 2º, possibilitando a contratação
de dois novos servidores nível DAS-5 para assessoramento. Com
isto, são dois motoristas, dois seguranças e quatro assessores.
Desde 1986, são pelo menos quatro normas que tratam do assunto
assinadas por Sarney, Itamar, FHC e Lula.
Além dos oito servidores,
cada ex-presidente tem direito a dois carros oficiais. Segundo estimativa
do Contas Abertas (CA), o custo mínimo mensal com os dois veículos Ômega
CD chega a R$ 5,6 mil por mês. Além do combustível,
na estimativa foi considerada a depreciação do valor do
carro no período de cinco anos. Com a adição dos
valores gastos com os veículos, a quantia paga pela União
a um ex-presidente chega a R$ 69,1 mil. Não foi informado se todos
utilizam os dois carros.
Segundo a Casa Civil, no primeiro
semestre deste ano, os quatro presidentes pós-redemocratização
mantiveram preenchidos os oitos cargos a que têm direito com base
na prerrogativa constitucional. Caso não sejam nomeados todos
os servidores, o cargo fica vago porque é destinado ao ex-presidente.
Vale ressaltar que o benefício vale apenas para os ex-presidentes.
No caso de falecimento, o beneficio é interrompido e não
passam para os familiares.
O benefício de R$ 3,3
milhões pago aos ex-presidentes equivale a 18.217 pagamentos do
Bolsa Família, principal programa de transferência de renda
do governo Lula. Esta quantia seria o suficiente para bancar 1.518 famílias
atendidas pelo Bolsa Família ao longo de doze meses. A comparação
leva em conta o valor máximo distribuído hoje pelo governo
federal a famílias com renda mensal por pessoa a R$ 120 que mantêm
até três crianças e dois adolescentes na escola.
Nesse caso, os beneficiários podem sacar o máximo de R$
182 ao mês. O benefício básico, porém, é de
R$ 62. Com o valor que custeia os quatro ex-presidentes seria possível
distribuir a bolsa a 4.456 famílias que recebem a quantia mínima
ao longo de um ano.
A partir de 2011, ano em que
termina o mandado do presidente Lula, a conta paga pela União
aos ex-presidentes vai ser ampliada para quase R$ 4,2 milhões
por ano. Para o cientista político Antônio Flávio
Testa, os ex-presidentes seriam mais necessários ao país
como senadores da República, com vencimentos mensais específicos
da Casa Legislativa. “Eles poderiam dar uma contribuição
maior ao país como senadores vitalícios com direito ao
voto. Isso seria muito mais produtivo do que ficar simplesmente recebendo
recursos da União”, argumenta. “Para que isso aconteça é preciso
vontade política, do Congresso e do presidente da República
para votar um projeto que trate do tema”, aponta.
O cientista político observa
que dos quatro ex-presidentes, dois deles estão no Senado, Sarney
e Collor. Itamar Franco, por sua vez, foi governador. Já Fernando
Henrique tornou-se consultor internacional. “Eles não precisam
dessa quantia toda”, conclui Testa, ao ressaltar que os ex-presidentes
têm muito que contribuir para o país e devem ser aproveitados
sob esta condição.
A título de comparação,
um deputado custa por ano R$ 114 mil por mês e um senador R$ 139,7
mil. Por ano, a quantia que cada congressista recebe chega a R$ 1,4 milhão
para deputados e R$ 1,7 milhão para os senadores.
Amanda Costa
Do Contas Abertas
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Agência Diap, 25 de
novembro de 2008
Empresas dão golpe nos trabalhadores
terceirizados
Aumenta o desrespeito aos funcionários
terceirizados, como atraso de salários, não pagamento
de tíquetes e recolhimento do Fundo de Garantia, o que levou
a um crescimento de 38% no número de denúncias
Apesar de envolver milhares de
trabalhadores, a contratação de empresas de prestação
de serviços terceirizados à administração
pública federal gera uma série de problemas. Todo fim de
ano uma enxurrada de denúncias chega ao Ministério Público
do Trabalho (MPT). Somente de 2007 para 2008, esse número saltou
de 70 para 97, um crescimento de 38,57%.
As acusações são de atraso ou não pagamento de
salários, tíquete-refeição, vale-transporte e de
contribuições ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Também existem
casos em que as empresas simplesmente desaparecem com o dinheiro dos funcionários,
que são obrigados a entrar na Justiça para assegurar seus direitos.
As reclamações contra as terceirizadas são tão
corriqueiras que parece até que o Governo faz vistas grossas ao cumprimento
das leis trabalhistas. Uma iniciativa recente do Ministério do Trabalho
para resolver o assunto é a elaboração de um projeto de
lei para regulamentar a terceirização de mão-de-obra.
O texto, que deve estar pronto até dezembro, já é motivo
de críticas pelos empresários do setor. A necessidade de regras
para o segmento ficou ainda mais clara nas últimas duas semanas, quando
os terceirizados de vários órgãos públicos ameaçaram
cruzar os braços, caso as obrigações não fossem
pagas em dia.
Situação recorrente
Na avaliação do procurador do MPT, Adélio Justino Lucas,
esse tipo de situação é recorrente, principalmente no
fim do ano quando chegam ao término vários contratos emergenciais
de seis meses. Segundo ele, a contratação pelo menor preço
- um dos critérios de seleção no pregão eletrônico
- leva muitas companhias a fazer propostas fora da realidade, ou seja, bem
abaixo do valor necessário para cobrir todos os custos empregatícios.
" Vemos muitos casos onde a empresa recebe o dinheiro do Governo, não
paga ao trabalhador e a União é que fica com o prejuízo",
destacou. Essa questão só será resolvida quando houver uma
análise técnica e mais criteriosa dos contratos para saber se eles
são compatíveis com a realidade.
Para a presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio, Conservação,
Trabalho Temporário, Prestação de Serviços e Serviços
Terceirizáveis no Distrito Federal (Sindiserviços), Maria Isabel
Caetano dos Reis, a contratação de empresas de prestação
de serviços não deveria seguir os requisitos da lei das licitações
e contratos públicos (Lei 8.666/93). "O pregão pode ser
bom para comprar materiais, não para contratar pessoas", frisou
Maria Isabel. Essa forma de selecionar faz com que muitas empresas de fundo
de quintal ganhem licitações e, logo em seguida, desapareçam
com o dinheiro do trabalhador.
Preocupada em evitar casos como o da empresa de prestação de
serviços Ravelli, que foi à falência deixando muitos trabalhadores
na mão em 2006, o Ministério da Fazenda exigiu da empresa vencedora
de sua licitação que faça depósitos de parte das
contribuições compulsórias em uma conta corrente. A medida é uma
forma de resguardar o trabalhador. Há dois anos, o Ministério
da Fazenda está trabalhando com contratos emergenciais porque as empresas
que ganharam a licitação questionam os depósitos na Justiça.
Mas o Governo conseguiu, recentemente, derrubar a liminar da empresa no Superior
Tribuna de Justiça (STJ). Independentemente dessa iniciativa, os terceirizados
estão extremamente insatisfeitos. As principais reclamações
são a de que não tiram férias há cinco anos devido
aos contratos emergenciais e o não pagamento de contribuições,
como o FGTS, pelas empresas contratadas. O ministro da Fazenda informou, no
entanto, que o depósito do fundo está sendo feito normalmente.
Trabalhadores ameaçam
parar
Atualmente, uma das situações mais graves é a da Conservo.
A empresa tem 300 contratos com a administração pública
e todos terão de ser rescindidos porque a Controladoria-Geral da União
(CGU) a classificou como inidônea. Uma investigação do órgão
concluiu que a companhia cometeu várias irregularidades, como conluio
entre empresas para ganhar licitações públicas.
O temor, tanto dos administradores públicos quanto dos trabalhadores, é de
que ela não pague a rescisão devida aos 4mil terceirizados, o
que provocaria uma onda de ações judiciais contra a Conservo
e a União. Os funcionários ameaçam cruzar os braços.
Por enquanto, apenas uma parte dos trabalhadores está com salário
atrasado, mas o futuro é nebuloso. Na semana passada, o MPT convocou
representantes da Conservo e de seis ministérios, além do Banco
Central (BC), Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Supremo
Tribunal Federal (STF), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico (CNPq) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES) para dar explicações sobre a demora no repasse
dos salários e benefícios aos terceirizados.
Na audiência, a própria dona da Conservo, Débora Cúgola,
admitiu não ter dinheiro em caixa para quitar os salários. "Só tenho
condições de pagar o trabalhador se o Governo me pagar a fatura.
Não tenho dinheiro", afirmou. Ela explicou que o repasse de dinheiro
para a empresa está bloqueado, inviabilizando os pagamentos das remunerações.
A CGU entende, no entanto, que os trabalhadores têm o direito a receber
pelos dias de serviço prestado, mas que os ministérios só terão
o dinheiro liberado quando explicarem por que mantiveram o contrato com a empresa
classificada como inidônea. A justificativa dada é que não
houve tempo para a entrada de nova companhia. Isso porque o comunicado foi
feito no fim de outubro.
Montana
Também com salários e benefícios atrasados, os terceirizados
da empresa de prestação de serviços Montana Soluções
Corporativas cogitaram cruzar os braços nos ministérios do Trabalho,
dos Transportes e na Caixa Econômica Federal. Por meio de nota, a Montana
explicou que "houve um problema momentâneo de fluxo de caixa e,
diante disso, a empresa resolveu dar prioridade para o pagamento de tributos
e salários dos seus 4mil colaboradores".
O Ministério do Trabalho informou que pode rescindir o contrato, caso
os salários não sejam pagos. Já os trabalhadores do Ministério
dos Transportes adiantaram ao Correio que estão dispostos a fazer uma
paralisação, senão receberem em dia no próximo
mês.
No Ministério das Cidades, o problema não é de fluxo de
caixa, mas de irregularidades na empresa que prestava serviços. Com
a rescisão do contrato firmado entre a pasta e a Imperial Construções,
Administrações e Serviços, que mudou recentemente de nome
para Plural, e substituição pela Orion, vários funcionários
exigem o recebimento do salário atrasado, assim como a multa de 40%
pela demissão sem justa causa.
A terceirizada Maraci Santana preferiu pedir demissão do cargo e fugir
do desgaste. "Não dava para agüentar mais esta situação",
afirmou. Os terceirizados do ministério pretendem entrar com ações
na Justiça para garantir os direitos trabalhistas. (Fonte: Correio Braziliense)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
25/11/2008
JT rejeita dano moral por “acerto
de contas” com motorista de ônibus
Por ter recebido três tiros
enquanto dirigia um ônibus, um motorista da Paratodos Transporte
e Turismo Ltda. ajuizou reclamação trabalhista a fim de
receber indenização por danos morais e materiais. O pedido,
no entanto, foi julgado improcedente pela Justiça do Trabalho
desde a sentença de primeiro grau: os tiros foram disparados por
antigos comparsas do motorista num furto de carreta em Cachoeiro do Itapemirim,
a pretexto de um “acerto de contas”. No Tribunal Superior
do Trabalho, o motorista tentou, por meio de agravo de instrumento, fazer
com que seu recurso de revista fosse examinado, mas a Sétima Turma
rejeitou a tentativa.
Na inicial da reclamação,
o motorista contou que, no dia 3/9/2002, por volta das 22h, “quando
no exercício pleno de sua atividade funcional”, foi atingido
por quatro tiros de revólver, em várias partes do corpo,
por duas pessoas que se passavam por passageiros comuns. Em conseqüência
dos disparos, teria sofrido lesões corporais e emocionais graves
e perdido parte do movimento do braço direito. Pediu, entre outras
verbas, pensão mensal até que atingisse os 70 anos de idade
e dano moral de R$ 130 mil.
Na contestação,
a empresa deu nova versão para o ocorrido. Disse que o empregado “tem
uma extensa folha corrida” e respondia a dois processos criminais – pelo
roubo da carreta, no qual foi preso em flagrante, e por outra tentativa
de roubo. “Deduz-se, portanto, que ele tem vários desafetos
com desejo de vingança”. Na versão da empresa, corroborada
pelos registros policiais, os disparos foram feitos da porta, e os atiradores
fugiram em seguida sem roubar nada dos passageiros ou do trocador. Não
teria sido, portanto, um assalto, e sim uma tentativa de homicídio.
O próprio motorista teria declarado, no inquérito policial,
que, ao apontar a arma, um dos homens teria dito que “alguém
mandou lembrança”.
O juiz da 9ª Vara do Trabalho
de Vitória julgou indevidas as indenizações pedidas. “Entre
os marginais que lesaram o trabalhador e a empregadora não se
demonstrou a existência de qualquer relação de preposição:
não há nenhum outro vínculo entre eles”, observou. “Ainda
que se admita que assaltos sejam acontecimentos previsíveis, nem
assim seria razoável supor que viessem seguidos de disparos de
armas de fogo. O suposto assalto constitui, em relação à empresa
de transporte coletivo, motivo de força maior – o que exclui
a responsabilidade civil”, concluiu. O entendimento foi mantido
pelo Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (ES) no
julgamento de recurso ordinário do motorista. O TRT/ES também
negou seguimento a seu recurso de revista.
O motorista interpôs então
agravo de instrumento para o TST, insistindo na responsabilidade do empregador
pela reparação dos danos sofridos. Mas o relator, ministro
Pedro Paulo Manus, assinalou que o TRT/ES, “soberano na análise
do conjunto de provas”, registrou que os disparos “foram
efetuados por criminosos, com os quais o empregado praticou furto”.
Por constatar que não
houve culpa da empresa, e sim do próprio empregado, a Sétima
Turma rejeitou as alegações de violação dos
artigos 932, inciso III, e 933 do Código Civil, que atribuem responsabilidade
civil objetiva ao empregador pela reparação de danos causados
por seus empregados no exercício de suas funções,
e do artigo 927, parágrafo único, do mesmo código,
que estabelece a obrigação de reparar o dano, independentemente
de culpa, quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor da lesão
implicar, por sua natureza, riscos aos direitos de outras pessoas. “Como
bem ressaltou o Tribunal Regional, o acidente não está relacionado à natureza
da atividade desenvolvida pela empresa”, concluiu o relator. (AIRR
601/2005-009-17-40.4)
(Carmem Feijó)
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25/11/2008
Assédio sexual: mulher perde por
ajuizar ação três anos depois da demissão
O assédio sexual e uma
ação penal imerecida sofridos por uma auxiliar de escritório
deixaram de resultar em condenação da empregadora devido à prescrição
bienal da ação movida pela trabalhadora. Ao apreciar o
recurso de revista da autora, a Primeira Turma do Tribunal Superior do
Trabalho adotou o entendimento predominante no TST de que o prazo para
reclamar indenização por dano moral decorrente de relação
de emprego é de dois anos após a extinção
do contrato de trabalho, e não o trienal da Justiça Comum,
relativo à reparação de dano civil.
A auxiliar de escritório
e caixa da Faria Motos Ltda. trabalhou para a empresa de maio de 1997
a outubro de 2001. Ela conta que, um ano e meio antes de sua dispensa,
um de seus superiores hierárquicos, contador da empresa, passou
a assediá-la sexualmente. A empregada levou ao conhecimento do
dono da empresa e, depois disso, passou a ser perseguida pelo contador,
que disse querer se vingar. Assim o fez, segundo relatou na inicial:
acabou por acusá-la de se apropriar do dinheiro do caixa e, mesmo
a funcionária negando, foi demitida.
Diante das humilhações
sofridas, que a deixaram “doente física e emocionalmente”,
a trabalhadora procurou a delegacia de defesa da mulher e apresentou
queixa por assédio sexual. O inquérito foi arquivado, porque
o Ministério Público opinou que entre a vítima e
o indiciado não havia relação de subordinação
(necessária para caracterizar o assédio). No entanto, foi
reconhecida a conduta delituosa do contador, que recebeu multa. Foi aí que
o contador requereu, em nome da Faria Motos, abertura de inquérito
policial por apropriação indébita de cheques pré-datados
pela antiga empregada. Ela foi absolvida da acusação, tendo
como base depoimentos de outros funcionários, que levaram a supor
uma trama engendrada pelo contador, conforme relatório do MPT.
Então, a trabalhadora
pleiteou a reparação de danos morais e materiais, por ter
sua integridade física, psíquica, profissional e moral
abalada devido ao assédio sexual e à ação
penal. Ela pediu R$ 6.855,00, como ressarcimento das despesas com psicóloga
e advogada (da ação penal). A ação foi ajuizada
na 1ª Vara Cível da Comarca de São José do
Rio Preto (SP) em dezembro de 2004, mais de dois anos depois da sua demissão
da empresa - em outubro de 2001-, contando com o prazo de três
anos para prescrição na Justiça Comum.
No entanto, o processo foi encaminhado
para a 1ª Vara do Trabalho de São José do Rio Preto
(SP), que julgou extinta a demanda, em decorrência da prescrição.
O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (SP) confirmou
a sentença, afirmando que o dano moral da relação
de emprego atrai a competência da Justiça do Trabalho para
conhecer e julgar a questão, como prevê o artigo 114 da
Constituição Federal, aplicando-se a prescrição
bienal, prevista no art. 7º, inciso XXIX, da Constituição.
A trabalhadora recorreu ao TST,
com o argumento de que a indenização por dano moral não é crédito
trabalhista e sim ressarcimento, sendo aplicável, no caso, o prazo
do Código Civil (artigo 206, parágrafo 3º, inciso
V). Alegou ainda que, tendo sido a ação ajuizada antes
da vigência da Emenda Constitucional 45/2004, não se poderia
falar em prescrição bienal, pois a Justiça do Trabalho
nem sequer era competente para julgar o caso. Ao apreciar o recurso de
revista, o ministro Lelio Bentes Corrêa, relator, com ressalvas
de entendimento, mas se submetendo à jurisprudência do TST,
propôs que o recurso não fosse conhecido.
O relator destacou que a competência
da Justiça do Trabalho para processar e julgar conflitos com pedidos
de danos materiais e morais resultantes de vínculo de emprego,
salvo nas hipóteses de danos resultantes de acidente de trabalho
e doença profissional, já estava definida antes mesmo da
edição da EC 45. Assim, concluiu, “o ajuizamento
da ação na Justiça Comum, antes da vigência
da referida emenda, não tem o condão de alterar a fluência
do prazo prescricional bienal previsto no artigo 7º, inciso XXIX,
da Constituição da República”. ( RR– 1112/2005-017-15-00.0)
(Lourdes Tavares)
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25/11/2008
TST garante a ajudante de cozinha direito
de produzir prova médica
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho decidiu que uma ajudante de cozinha tem direito
de produzir prova pericial médica que confirme a existência
de doença profissional adquirida por causa do trabalho realizado
na empresa. A empregada foi contratada em fevereiro de 1988 pelo Banespa
S.A. - Serviços Técnicos, Administrativos e de Corretagem
de Seguros -, e demitida em 25 de maio de 2001, quando estava de licença
médica.
A ajudante de cozinha recorreu à Justiça
do Trabalho pedindo o reconhecimento do direito à estabilidade
acidentária e conseqüentes indenizações salariais.
Ela afirma que, quando foi demitida, estava em tratamento médico.
Isso porque desenvolveu doença ocupacional denominada DORT (Distúrbio
Osteomuscular Relacionado ao Trabalho) e hérnia de disco (dor
lombar) em decorrência dos movimentos contínuos exigidos
no desempenho de suas funções.
O Banespa alega que a Lei nº 8.213/1991 é clara:
o segurado que sofreu acidente de trabalho ou moléstia profissional
tem garantida, por no mínimo 12 meses após o fim do auxílio-acidentário
ou alta médica, a manutenção do seu contrato de
trabalho com a empresa. Sendo assim, para a empregada ter direito à estabilidade,
deveria ter ficado afastada do emprego por período superior a
15 dias, recebendo auxílio-doença – o que não
ocorreu.
A trabalhadora pediu a realização
de perícia médica para provar a doença profissional,
mas foi negada. Ela perdeu a causa na 11ª Vara do Trabalho de São
Paulo e no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP).
Nas duas instâncias, o entendimento foi de que não havia
prova nos autos de que a empregada foi declarada incapacitada para o
trabalho por período superior a 15 dias e tenha recebido o benefício.
No TST, o recurso de revista
foi examinado pelo ministro Carlos Alberto Reis de Paula. O relator concluiu
que houve cerceamento de defesa, porque a empregada não pôde
produzir a prova pericial médica pedida. De acordo com o ministro,
a Súmula nº 378, inciso II, do TST, assegura estabilidade
ao trabalhador quando houver “o afastamento superior a 15 dias
e a conseqüente percepção do auxílio doença
acidentário, salvo se constatada, após a despedida, doença
profissional que guarde relação de causalidade com a execução
do contrato de emprego”. Portanto, para analisar o direito à estabilidade
acidentária da empregada, é imprescindível que ela
possa apresentar a prova pericial.
Os ministros da Terceira Turma
concordaram com o voto do relator e decidiram, então, anular a
sentença de primeiro grau e o acórdão do TRT/SP.
Os autos serão devolvidos à Vara do Trabalho para que seja
reaberta a instrução processual, permitindo à empregada
a produção da perícia, e realizado novo julgamento
da causa. ( RR – 2570/2002-011-02-00.7)
(Lilian Fonseca)
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