Congresso em Foco, 28 de
Novembro de 2008
FHC e Lula na mídia: dois
pesos, duas medidas
Pesquisador diz que imprensa isentou o
tucano dos escândalos de seu governo, enquanto associa o petista
diretamente às denúncias que recaem sobre sua gestão
Renata Camargo
Uma análise sobre a cobertura
da imprensa revela que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi
tratado com condescendência pela mídia brasileira, ao longo
de seus oito anos de mandato, e passou incólume mesmo quando os
escândalos batiam à sua porta. A mesma sorte não
tem o presidente Lula, sempre retratado com desconfiança pelos
principais jornais do país e associado diretamente às denúncias
de irregularidade de seu governo.
Essa avaliação é feita
pelo professor da Universidade de Brasília (UnB), David Renault
da Silva, autor da tese de doutorado Nunca foi tão fácil
fazer uma cruz numa cédula? A Era FHC nas representações
da mídia impressa.
“Mesmo quando se fala mal
do governo do Fernando Henrique, tenta-se preservar sua figura do presidente”,
diz o diretor da Faculdade de Comunicação (FAC) da UnB. “O
presidente Lula não adianta dizer que ‘não sabe’.
Mas o FHC podia dizer, porque ele era um intelectual. O raciocínio é que
ele não se metia nessas coisas menores. O Lula, o PT, não é um
candidato da imprensa nacional. A grande imprensa nacional não é petista,
não tem interesse que o PT se mantenha no poder”, acrescenta.
Jornalista com passagem por cargos
de chefia nas principais redações da capital federal e
professor universitário há 15 anos, David atribui a “boa
vontade” da imprensa brasileira com o tucano a uma espécie
de “pacto de elites”. Esse acordo, segundo ele, foi tacitamente
construído em 1994 para tentar barrar o favoritismo eleitoral
de Lula naquele ano e frear o eventual retrocesso do então recém-lançado
Plano Real.
Pai do Real
“Do ponto de vista nacional,
as chamadas elites nacionais, as classes econômicas sociais dominantes,
não tinham candidato que pudesse fazer frente ao Lula. O Fernando
Henrique surgiu um pouco como esse candidato”, analisa David. “E
houve um claro apoio da mídia a FHC. Ele foi apontado como o ‘pai
do Real’ e sempre ocupou mais espaço no noticiário
do que Lula”, observa.
Para concluir seu doutorado,
David se debruçou sobre três mil notícias de jornais
e revistas publicadas entre 1995 e 2002. Ao observar o noticiário
político do período, constatou que o presidente não
teve sua imagem diretamente associada a escândalos mesmo quando
as denúncias resvalavam em seu gabinete.
Como exemplo, ele cita o caso
da denúncia de compra de votos para a aprovação
da emenda da reeleição e o do envolvimento de autoridades
do governo com lobistas para favorecer determinados grupos no leilão
das teles. Um grampo telefônico mostrava, inclusive, que o presidente
foi consultado sobre o assunto.
Restrições
“Se você pega o balanço
final dos dois governos de Fernando Henrique, você percebe que
na Era FHC tenta-se preservar a figura do presidente, no sentido de ‘o
presidente está fora de escândalos, ele é um homem íntegro’.
A Folha de S. Paulo, por exemplo, teve um editorial de primeira página
muito significativo que dizia: ‘presidente bom, governo nem tanto’”,
lembra David.
Para o pesquisador, FHC só teve
sua imagem abalada quando, em 1999, em meio a uma crise internacional,
alterou a política cambial e afetou os negócios dos grandes
veículos de comunicação. “Nessa época,
as empresas, inclusive de comunicação, perderam muito dinheiro,
pois tinham dívidas e projetos de investimentos em dólar.
Todos os jornais que tinham apoio bastante significativo ao presidente
parecem romper.”
Mas esse rompimento, segundo
ele, não chegou a se concretizar. Em parte, avalia, por causa
da resistência da mídia ao PT. “Eu não vejo,
digamos assim, essa condescendência da mídia com Lula que
você via com o governo passado. Há sempre uma desconfiança
de que pode mudar a qualquer momento. Sempre alerta”, afirma.
Embora critique o tratamento
dispensado pela mídia ao governo petista, David Renault também
não poupa o Partido dos Trabalhadores. “Ele está pagando
e tem que pagar mesmo. O PT tinha todo aquele discurso de ‘éticos
somos nós’. Aquele discurso ético existiu na retórica,
mas na prática não foi isso que se viu”, critica.
Confira a entrevista:
Congresso em Foco – A
que conclusão o senhor chegou após estudar a relação
da mídia com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao longo
de seus oito anos de mandato?
David Renault – Eu diria
que a mídia apoiou claramente o Fernando Henrique e sua política
em vários momentos. Isso se nota claro, por exemplo, no momento
que antecede e quando foi lançado o Plano Real. Críticas
há também. Inclusive, ele reclama muito da mídia
em entrevistas que deu posteriormente.
Que tipo de críticas?
Tem coisas até que a mídia
extrapola como o Dossiê Cayman. Nunca houve uma prova que aquilo
foi verdadeiro, mas a mídia tratou como se fosse. Agora o grampo
do BNDES, por exemplo, não tem como dizer que a mídia estava
perseguindo, pois ele mesmo foi gravado, em conversa com o Luiz Carlos
Mendonça de Barros, que era o ministro das Comunicações.
Mas há um discurso que tenta dizer o seguinte: “O presidente é uma
pessoa digna e não se meteu nessas coisas”.
A imagem dele, apesar
das denúncias, não chegou a ser arranhada?
Na crise cambial, falava-se que
ele era um presidente que não manteve a palavra no compromisso
que assumiu. Fernando Henrique também foi acusado de ter sido
negligente na questão da energia elétrica, que resultou
na crise do apagão. Mas, quando você pega no final do governo,
os jornais mostram o comando de uma grande figura. Mesmo quando se fala
mal do governo do Fernando Henrique, tenta-se preservar sua figura do
presidente. Quando surgiram os primeiros noticiários, fazendo
comparação dos escândalos do Lula e do FHC, raramente
se citava o nome dele. No sentido, de “o presidente está fora,
ele é um homem íntegro”. E talvez seja. Não é simplesmente
a mídia que quis trazer esse retrato. Se houvesse alguma coisa
comprovada de atos ilegais dele, a mídia não deixaria de
publicar. É o papel dela.
No caso do presidente
Lula o tratamento é outro?
Hoje a associação
de escândalos de governo é feita diretamente a Lula. O caso
Waldomiro Diniz envolveu o José Dirceu e recaiu diretamente sobre
Lula, porque estava no gabinete dele e “era impossível o
presidente Lula não saber”. Essa postura dá para
ver hoje na mídia. O presidente Lula não adianta dizer
que “não sabe”. Mas o FHC podia dizer, porque ele
era um intelectual. O raciocínio é que ele não se
metia nessas coisas menores. O Lula, o PT, não é um candidato
da imprensa nacional. A grande imprensa nacional não é petista,
não tem interesse que o PT se mantenha no poder. Veja, por exemplo,
essa recente crise financeira, em que o governo está autorizando
o Banco do Brasil e a Caixa a comprarem eventuais bancos quebrados. Aí a
mídia já começa a colocar as oposições
falando que “no fundo, o que há é uma intenção
do PT de reestatizar o sistema financeiro”. A mídia, de
um modo geral, em relação ao PT, está sempre receosa
no sentido de “será que esses caras não vão
cair na besteira de voltar aos velhos tempos e achar que o Estado tem
controlar tais setores?”. Eu não vejo, digamos assim, essa
condescendência da mídia com Lula que você via com
o governo passado. Há sempre uma desconfiança de que pode
mudar a qualquer momento. Sempre alerta.
Em sua tese, o senhor
defende que o bombardeio da mídia com publicações
de denúncias sobre o governo FHC parecia indicar que o “pacto
de elites” se romperia, mas esse rompimento teria ficado apenas
no ensaio. Que pacto é esse?
Primeiro, vamos entender elite
no conceito clássico, como uma determinada parcela da sociedade
que tem um domínio social e econômico sobre o outro. Lula,
na época, não era o candidato das elites nacionais. Então
quando surgiu o Fernando Henrique, ele claramente foi esse candidato.
E quando foi eleito, a grande imprensa – que evidentemente é aliada às
elites nacionais – fez esse “pacto” em torno de questões
que interessavam ao capital brasileiro, como as privatizações
e a redução do tamanho do Estado. Quando falo que “parece
que vai haver um rompimento” é o seguinte: quando Fernando
Henrique foi eleito no segundo mandato, o mundo já vinha na crise
financeira que começou em 1997, com a quebra dos Tigres Asiáticos;
depois em 1998 veio a crise na Rússia e o Brasil estava meio incólume.
Mas quando assumiu o segundo mandato, aquelas coisas que estavam represadas – a
questão cambial, por exemplo, com o dólar sobrevalorizado
em relação ao real – aquilo estourou. Então,
no início de 1999, ele teve que fazer a desvalorização
do real. E naquela época no noticiário você nota
claramente que parece haver um rompimento. As empresas levantavam a seguinte
questão: “E quem investiu? E quem acreditou na palavra do
presidente?”. Então os editoriais e noticiários retomam
que o problema é que os brasileiros e as empresas acreditaram
no presidente, que não haveria maxidesvalorização
cambial, que a política cambial seguiria segura. Nessa época,
as empresas, inclusive de comunicação, perderam muito dinheiro,
pois tinham dívidas e projetos de investimentos em dólar.
Todos os jornais que tinham apoio bastante significativo ao presidente
parecem romper. Mas depois você vê que, embora tenha diminuído
um pouco a boa-vontade da mídia em relação ao FHC – tanto
que a comemoração dos 500 anos foi um fiasco na retratação
da mídia –, não houve esse rompimento.
O interesse da mídia
em apoiar FHC foi basicamente econômico, então?
Se, por um lado, o empresário
tinha interesse que a economia prosperasse, por outro, em um determinado
momento, as pessoas de modo geral sentiram que o real podia sim resolver
o problema econômico do Brasil e tirar o país daquela crise
de hiperinflação. Nesse aspecto, houve sim um sentimento
de interesse econômico. E isso o PSDB usou para levantar a candidatura
do Fernando Henrique e a mídia apoiou para que o Plano Real ficasse
atrelado a Fernando Henrique.
O “pacto das elites” deixou
de existir com Lula?
Não tenho muitas condições
de entrar nessa análise, pois isso não foi objeto do meu
trabalho. Mas posso dizer que quando Lula assumiu, ele não teve
o mesmo apoio que o FHC teve. A mídia sempre olhou o Lula meio
como “o que vai acontecer”, “que presidente é esse?”.
No momento que o Lula manteve praticamente inalterada a política
econômica do governo anterior, a mídia foi reduzindo o seu
grau de desconfiança. Não acho que tenha existido em algum
momento o pacto da mídia com o governo Lula. Como no caso do Fernando
Henrique, em que claramente houve um apoio da mídia ao Plano Real,
que significaria um apoio ao candidato. Isso não houve no caso
do Lula nem no começo do governo. Ele sempre foi muito cercado
de dúvidas.
Em relação
aos “escândalos” de cada governo, na Era FHC, por
exemplo, houve o episódio de pagamento de propina a deputados
para votarem a favor da emenda da reeleição. Já no
governo Lula, houve o escândalo do mensalão. Esses dois
episódios foram tratados de maneira diferente pela mídia?
Foram. Isso você nota claramente.
Na época de FHC, o episódio da emenda da reeleição
começou com a Folha de S. Paulo divulgando a questão da
compra de deputados para votar a favor, mas você nota que há uma
responsabilização do governo, mas ninguém chega
a dizer que o presidente Fernando Henrique estava envolvido nisso. No
máximo, os editoriais sustentam que o escândalo “de
repente” pode bater na porta do presidente. No caso do mensalão,
no governo Lula, se você lembrar bem, desde o primeiro momento
a mídia apontou que o problema estava dentro do gabinete do Palácio
do Planalto. Sobre impeachment, por exemplo, o Fernando Henrique teve
muitos pedidos por parte das oposições, especialmente do
PT. Mas nunca teve apoio por parte da mídia. No máximo, “vamos
abrir uma CPI para discutir isso”. Com Lula houve um tratamento
diferenciado. A mídia não deixou de divulgar os escândalos
do governo do Fernando Henrique, mas seguramente expôs muito mais
o atual governo e seus escândalos. Isso dá para dizer seguramente.
Nos dois governos FHC
o número de CPIs abertas contra o governo foi muito menor do
que o registrado no governo Lula. Por quê?
Porque o governo Fernando Henrique
tinha uma maioria muito confortável no Congresso. Ele tinha uma
maioria folgada na Câmara e no Senado. A aliança do Fernando
Henrique era o PFL [atual DEM], PSDB e PTB, mas, logo quando assumiu,
ele fez um acordo com o PMDB e com partidos menores. Então tinha
uma maioria muito tranqüila no Senado, especialmente. Todas as tentativas
de CPI, e eram várias, foram derrubadas. Ele tinha uma maioria
que o Lula não tem. O Lula conseguiu formar uma maioria na Câmara,
mas ele nunca conseguiu no Senado. E na Câmara, como são
muitos deputados, é mais fácil barganhar – troca
de cargos, liberação de verbas e etc. Isso aconteceu direto
no governo Fernando Henrique. E os jornais, na época do FHC, raramente
pediam CPI. A não ser depois, quando veio a CPI do Apagão
e a CPI da Sudene. Mas, por exemplo, coisas como o grampo do BNDES e
o Caso Sivam, nada disso se conseguiu montar CPI.
Como o senhor avalia
a oposição feita pelo PT na Era FHC?
O PT era uma oposição
implacável, a tudo e a todos. E deu muito trabalho. Tudo era motivo
para criar uma CPI, ir à Justiça. Eles municiavam muito
a imprensa com informações contra o governo. Daí eu
pergunto: o PSDB e o PFL [DEM] fazem oposição ao governo
hoje? Fazem, desde o começo. Mas é café pequeno
diante do que o PT sempre fez desde o começo. Aquela foi uma oposição
brutal que só mudou no final do governo, nos dois últimos
anos talvez e, principalmente, no ano derradeiro. A partir de um determinado
momento, o PT sentiu que tinha de fato chance de chegar ao poder. Aí ele
foi maneirando seu discurso oposicionista. Inclusive se olhar o ano de
2002, foi complicado, porque a perspectiva do PT chegar ao governo fez
com que a inflação começasse a subir, o dólar
chegar a quase R$ 4. Não interessava ao PT assumir um poder com
um país despedaçado. A postura dele foi mudando.
Mas qual o diferencial
da oposição de hoje em relação à oposição
petista?
O PT era a oposição
de partido político dentro do Congresso. Mas a oposição,
na época, não era só o PT. Vinha também de
seus braços sindicais como a CUT [Central Única dos Trabalhadores]
e movimentos como o MST [Movimento dos Sem-Terra] – que, na época,
tinha ligação mais estreita com o PT. Foi uma oposição
muito serrada. A greve, por exemplo, dos petroleiros, o primeiro grande
embate do FHC com a oposição, era uma greve muito genérica.
A greve era contra as reformas constitucionais propostas pelo governo,
que eram reformas “neoliberais”, contra a privatização,
em defesa do monopólio da Petrobras... Foi um embate duro. O papel
dos movimentos sindicais nessas brigas era muito profundo, coisa que
o Lula não enfrentou. Lula tem a oposição no Congresso,
mas qual o movimento sindical nas ruas, dando apoio a essas oposições?
Não sei se outro governo teve uma oposição tão
aguerrida quanto no governo FHC, feita pelo PT.
Falta apoio popular hoje à oposição?
A oposição hoje,
dentro do Congresso, ela criou e cria muitos problemas para o governo,
especialmente no Senado, onde ele não tem maioria. Mas esse movimento
de oposição não tem o respaldo das ruas.
Até que ponto
o PT não está pagando, com as críticas que recebe
na imprensa, por ter deixado o seu discurso ético e revolucionário?
Ele está pagando e tem
que pagar mesmo. O PT tinha todo aquele discurso de “éticos
somos nós”. Aquele discurso ético existiu na retórica,
mas na prática não foi isso que se viu. Vemos hoje os mesmos
problemas que se viu no Brasil em tempos anteriores. Aquilo que Sérgio
Buarque de Holanda falava, da mistura do público com o privado...
A prática do PT se mostrou igualzinha a dos outros e em alguns
aspectos ainda mais corporativista. O PT teve o bom-senso de manter,
quando Palocci assumiu o Ministério da Fazenda, a equipe econômica.
Mas em outros ministérios, o PT fez uma limpeza geral: quem não
era do partido estava fora.
O senhor identifica hoje,
na imprensa brasileira, alguma figura política que receba o
mesmo tratamento que a mídia dispensou a FHC? Alguém
com esse mesmo “carisma”?
Carisma à altura do FHC?...
Não, acho que não. O [José] Serra seria, eu diria,
o herdeiro natural do Fernando Henrique. Mas, veja bem, quem era o Fernando
Henrique: era um professor, sociólogo, aposentado pelo regime
militar, ex-exilado, que se envolveu em movimentos políticos...
No começo de sua trajetória, Fernando Henrique foi um dos
que apoiaram o movimento dos metalúrgicos do ABC Paulista. Depois,
assumiu como suplente no Senado e, em seguida, se elegeu senador. Era
uma figura respeitada. Um cara tido como sério, honesto, intelectual.
Tanto que essa figura do intelectual a mídia sempre perpassou.
Logo quando ele despontou como candidato principal nas eleições
de 1994, a mídia falou: “finalmente esye país terá um
presidente à altura do futuro que merece”. A contrapartida
era o Lula, metalúrgico, um pouco mais do que analfabeto, radical,
despreparado. Ainda assim, no início, Fernando Henrique não
tinha o carisma de um Mário Covas, por exemplo. Mas, quando foi
para a Fazenda, ele ganhou o status de nome nacional. E o Plano Real
foi atribuído a ele. A primeira nota de Real foi assinada por
ele. Hoje no Brasil eu não vejo uma pessoa com esse carisma. O
Serra talvez se aproxime por ter fama de administrador competente. Ele
fez uma boa gestão no Ministério da Saúde, uma pequena,
mas boa gestão na prefeitura de São Paulo e está fazendo
um bom trabalho no governo de São Paulo. Mas essa figura que reúne
o intelectual, o homem público, o cordial, sereno e inteligente,
que é essa a imagem de Fernando Henrique, eu não vejo ninguém
hoje no Brasil.
A sua análise
recaiu apenas sobre a mídia imprensa, com pesquisas no noticiário
dos jornais e revistas. Se fosse hoje talvez poderia ser diferente...
O senhor avalia que a mídia impressa tem perdido espaço
em relação a outras mídias?
Antigamente, os jornais repercutiam
muito mais o que acontecia. Hoje, dificilmente, você segura uma
notícia de um dia para o outro. Ela está instantaneamente
divulgada. Há uma velocidade muito maior na geração,
na produção e na transmissão da informação.
Mas os jornais impressos ainda estão procurando ‘como vai
ser’. Ninguém sabe bem como vai lidar com esse negócio
da internet. Essa relação dos jornais, da revista e da
internet ainda não está clara. Tem muita gente deixando
o papel, porque se lê hoje na internet o que será lido amanhã nos
jornais.
A maneira de divulgar
e fazer política mudou com a internet?
Hoje se pode dizer que, se você quiser,
você faz o seu jornal. O blog, por exemplo, é um novo caminho
que também significa uma forma de concorrência com a mídia
tradicional, especialmente quando se fala de noticiário mais especializado.
Tem determinados blogs que trazem muito mais informações,
mais detalhes, do que os jornais e revistas. A internet é um outro
ponto de concorrência da mídia tradicional.
E até que ponto
a concentração de concessões de rádio e
TV nas mãos de políticos interfere no processo de construção
de imagem de um político?
Só interfere! Você tem
no Brasil uma infinidade de pequenos jornais, que são veículos
vinculados a políticos ou partidos. Todos têm um interesse
e defendem esse interesse. E eles têm uma interferência
muito grande sobre o que vai ser veiculado ou não. E isso contribui
para formar ou não a imagem de um candidato e de um governo.
São veículos de difusão de interesses políticos
de A, B ou C. A mídia não tem nada de democrática
quando se fala, especialmente, em rádio e televisão. É só você vê quem
são os detentores das concessões.