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Agência Diap, 29
de novembro de 2008
Antônio Augusto de Queiroz
A força política
e eleitoral do bloquinho
É unânime entre os analistas políticos o diagnóstico
de que o PMDB foi o grande vencedor das eleições municipais, tanto
em números de votos quanto em números de prefeitos e vereadores
eleitos, inclusive quanto ao seu crescimento nas capitais e nas cidades com mais
de 200 mil eleitores.
Sobre a segunda força política e eleitoral,
entretanto, não há consenso. Alguns apontam
o PSDB, que foi o segundo em número de prefeitos e
vereadores. Outros citam o PT, o segundo em número
de votos. Mas ninguém analisou o desempenho do bloquinho
(PSB, PDT, PCdoB, PRB e PMN), que, realmente, foi o segundo
em número de prefeitos e de vereadores, tendo superado
tanto o PSDB quanto o PT, conforme tabela a seguir:
Partido/Bloco Prefeito
seleitos (%) Vereadores
eleitos (%)
PMDB 1.200
= 21,72% 8.492
= 16,34%
Bloquinho 797
= 14,42% 8.449
= 16,26%
PSDB 786
= 14,22% 5.905
= 11,36%
PT 559
= 10,11% 4.168
= 8,02%
O bloco de esquerda, conhecido como bloquinho, é uma
força política e eleitoral que jogará papel
importante na eleição dos presidentes da Câmara
e do Senado e, principalmente, na sucessão do presidente
Lula, basicamente por seis razões: 1) possui militância,
2) tem capilaridade, 3) dispõe de máquina administrativa,
4) conta com recursos, 5) possui a terceira maior bancada
da Câmara dos Deputados, e 6) dispõe de nomes
para a Presidência ou Vice-Presidência da República.
Apenas para exemplificar seu peso político, na eleição
proporcional de 2006 para a Câmara dos Deputados, o
bloquinho teve 13,6 milhões de votos, atrás
apenas do PT, que teve 13,9 milhões, e à frente
do PMDB, que teve 13,5 milhões e do PSDB, que teve
12,8 milhões. É, entre as quatro forças
políticas em análise, quem mais recebe recursos
do Fundo Partidário.
Além disto, no plano estadual, já administra
os estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte,
pelo PSB, e Amapá e Maranhão, pelo PDT. E administrará,
a partir de 2009, pelo menos uma grande capital, Belo Horizonte,
além de contar com bom número de prefeitos
e vereadores nas cidades com mais de 200 mil eleitores.
Com um arsenal desses de votos, recursos, máquina
e livre da polarização PT x PSDB, que hoje
predomina no cenário político nacional, não é uma
força que possa ser secundada numa campanha presidencial,
especialmente se mantiver unidade política e de ação.
(*) Jornalista, analista político
e diretor de Documentação do Diap
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Vermelho, 29 de novembro
de 2008
Sondagem de votos indica absolvição
de Paulinho no Conselho de Ética
Ao menos 8 dos 15 integrantes do Conselho
de Ética devem rejeitar o relatório do deputado
Paulo Piau
Levantamento entre titulares e suplentes do Conselho de Ética
da Câmara aponta para a absolvição do deputado Paulo
Pereira da Silva (PDT/SP). A expectativa é de que o relatório
do deputado Paulo Piau (PMDB/MG), que pede a cassação do
mandato do deputado, seja rejeitado por, no mínimo, 8 dos 15 integrantes
do colegiado que terão direito a voto na próxima semana.
Alguns membros do colegiado preferiram não se manifestar.
Paulinho, como é conhecido no meio sindical, é suspeito
de participar de esquema fraudulento de liberação
de verbas do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES), descoberto durante a Operação
Santa Tereza, da Polícia Federal (PF).
A provável absolvição no Conselho de Ética
faria parte de acordo do período pré-eleitoral,
que viabilizou o apoio do bloquinho - PDT, PSB, PC do B,
PMN e PRB - à candidatura da ex-ministra Marta Suplicy
(PT) à Prefeitura de São Paulo.
Oposição
O relatório favorável à cassação
deverá ser acompanhado apenas pelos partidos de oposição.
Os dois deputados titulares do PSDB no conselho - Mendes Thame (SP)
e Ruy Pauletti (RS) - além de Moreira Mendes (PPS/RO) e Solange
Amaral (DEM/RJ), são votos certos pela cassação.
Já o deputado Efraim Filho (DEM/PB) deverá votar contra
o relatório. A cúpula do DEM recomendou o voto a favor
da cassação, mas decidiu que isso não será tratado
como questão partidária.
Os integrantes de partidos aliados deverão votar
em peso contra o relatório. Piau não deverá ter
o apoio nem mesmo dos integrantes de seu partido. "Não
existem provas cabais, concretas, contra o Paulinho",
argumentou o deputado Wladimir Costa (PMDB/PA), ao justificar
o voto contra a cassação. O deputado Antônio
Andrade (PMDB/MG) não se pronunciou oficialmente sobre
o relatório, mas a amigos confidenciou que está propenso
a votar contra.
Os dois representantes do bloquinho no colegiado - Dagoberto
(PDT/MS) e Abelardo Carmarinha (PSB/SP) - anunciaram o voto
contra o relatório de Piau. Sandes Júnior (PP/GO)
também deu sinais que votará contra a cassação.
A posição deverá ser seguida pelo presidente
do conselho, Sérgio Morais (PTB/RS). O deputado José Carlos
Araújo (PR/BA), que deverá votar no lugar do
corregedor Inocêncio Oliveira (PR/PE), também
deverá votar pela absolvição.
Os dois deputados do PT - Fernando Melo (AC) e Leonardo
Monteiro (MG) - não se pronunciaram sobre os seus
votos. Uma das estratégias para absolvição
de Paulinho é, no lugar dos titulares petistas, fazer
votar deputados suplentes da base aliada.
Os deputados Marcelo Ortiz (PV/SP) e Hugo Leal (PSC/RJ)
são suplentes que estão prontos para derrubar
o pedido de cassação. Se os dois titulares
petistas não votarem, o relatório de Piau deverá ser
derrubado por dez votos e contará com apenas cinco
favoráveis.
"Espero que meu relatório seja aprovado pela
consistência. Há provas cabais contra a quebra
de decoro. Agora não há provas de crime",
reconheceu Piau. A interlocutores, porém, ele também
prevê que dificilmente o relatório será aprovado.
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Agência Senado, 29
de novembro de 2008
Integração social
e trabalhista "precisa avançar", diz Inácio
A integração continental em questões
sociais e do trabalho ainda "precisa avançar
muito", disse o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE)
após participar, nesta sexta-feira (28), em Montevidéu,
de audiência pública promovida pelo Parlamento
do Mercosul em comemoração aos 10 anos de
assinatura da Declaração Sociolaboral do
bloco. Durante os próximos anos, sugeriu, será necessário
definir metas objetivas a serem alcançadas nos quatro
países que firmaram a declaração -
Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Na opinião do senador, seria necessário,
por exemplo, estabelecer um movimento em defesa da unificação
da jornada de trabalho de todo o bloco em 40 horas - no
Brasil, atualmente, são 44 horas. Os sistemas de
Previdência Social, para ele, deveriam igualmente
ter regras semelhantes nos países do bloco. E o
próprio trânsito de trabalhadores dentro do
Mercosul, recorda Arruda, deveria ter regras mais simples.
Atualmente, observou, ainda existem problemas no reconhecimento
mútuo de títulos e diplomas profissionais.
Representante brasileiro na audiência, o sociólogo
Marcílio Ribeiro de Santana - que participou, há dez
anos, da elaboração da Declaração
Sociolaboral e hoje é assessor internacional do
Ministério do Trabalho e Emprego - disse que o Mercosul
nasceu com um "evidente déficit social" e
foi direcionado, no início, muito mais a questões
econômicas e comerciais. A declaração,
observou, nasceu a partir da pressão de movimentos
sociais dos países do bloco. Mas a aplicação
do documento, ao longo desta década, ainda teria
deixado muito a desejar.
" Há uma percepção unânime
de que a eficácia da declaração está muito
aquém do que esperávamos", disse Santana.
Na avaliação do sociólogo, um dos
caminhos para a retomada dos debates sobre o tema seria
a elaboração de um Plano Regional de Trabalho
Decente, por meio do qual se estabeleceriam metas claras
a serem perseguidas, no âmbito laboral, em todos
os países do bloco. Ele lamentou a existência
atual de um "vazio programático" no setor,
embora exista certa concordância entre os movimentos
sociais da região a respeito de objetivos a serem
alcançados. Outra providência possível,
na opinião do sociólogo, seria a criação
de um Instituto do Trabalho do Mercosul, unificando diversos
foros atualmente existentes.
Por sua vez, o secretário-geral da Central dos
Trabalhadores Argentinos (CTA), Hugo Yaski, considerou
a Declaração Sociolaboral do Mercosul uma "manifestação
de desejos, que não gera compromissos, vínculos
ou obrigações". Em sua opinião,
a declaração deveria ser atualizada e transformada
em um protocolo. Ele reconheceu que os atuais governos
dos países do bloco promovem processos de transformação
política e social e não aceitam mais o "alinhamento
automático" com os Estados Unidos. Mesmo assim,
Yaski alertou para a existência de "milhões
de trabalhadores desocupados" no Mercosul, que não
podem, a seu ver, esperar mais dez anos por um novo ciclo
de crescimento econômico.
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Gazeta do Povo, 29 de novembro
de 2008
Impostos
Lula começa a negociar
para “salvar” a reforma tributária
O presidente recebeu José Serra,
um dos maiores críticos da proposta, no Palácio
do Planalto. O Ministério da Fazenda fala em “diálogo” com
os estados
Acuado pela oposição na Câmara dos
Deputados e por um grupo de governadores contrários à aprovação
da reforma tributária ainda neste ano, o governo
federal ontem começou a negociar para tentar “salvar” a
proposta. O secretário extraordinário de
Reformas Econômico-Sociais do Ministério da
Fazenda, Bernard Appy, afirmou que o governo está disposto
a dialogar com os estados. E o presidente Lula (PT), encontrou-se,
em Brasília, com o governador José Serra
(PSDB), de São Paulo, considerado um dos grandes
críticos da reforma.
Ao deixar o Palácio do Planalto, Serra adotou um
discurso de cordialidade. “(Vim aqui) para trocar
idéias sobre as questões tributárias
(...). Há muito equívoco a esse respeito.
Não há ninguém nesse país que
defenda mais a reforma tributária. Pode ser que
tenha alguém que defenda com a mesma intensidade”,
afirmou Serra.
Crítico dos principais pontos abordados pela reforma
tributária em negociação no Congresso
Nacional, o governador negou que seja resistente à proposta.
Porém, seus interlocutores fazem campanha na Câmara
e no Senado para evitar a unificação das
alíquotas do ICMS (para acabar com a guerra fiscal)
e a cobrança do tributo no estado de destino.
Prejuízo
São Paulo é um grande “exportador” de
produtos para outros estados e, com a cobrança do
tributo no estado de destino, poderia perder arrecadação.
Estimativas do PSDB apontam que a unificação
do ICMS e a cobrança do imposto no destino podem
causar um prejuízo de cerca de R$ 16 bilhões
para o estado de São Paulo.
Ontem, porém, o governador optou por um discurso
diplomático sobre o assunto e contemporizou. “Os
problemas são as medidas e os detalhes. Minha preocupação
não é regional, é nacional. Reforma
tributária é uma coisa muito delicada, pela
complexidade que envolve, pela dificuldade jurídica
que envolve (a discussão)”, disse o governador.
Diabo nos detalhes
Segundo Serra, é fundamental haver um acordo entre
a União, os estados e os municípios, do contrário,
há riscos de mais polêmicas e divergências. “Às
vezes, o diabo reside nos detalhes”, disse ele.
Na Câmara, a proposta de reforma tributária
aguarda votação no plenário da Casa.
Os governistas buscam acordo com os partidos de oposição
na tentativa de garantir que a proposta de emenda à Constituição
(PEC) seja aprovada, mas há restrições
do PSDB e DEM.
Ministro diz que a culpa é dos
paulistas
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem, em Curitiba,
que deixar de votar a reforma tributária será um “péssimo
sinal”. “Num momento como este (de crise internacional),
nós deveríamos dar uma sinalização efetiva
de que queremos simplificar os tributos, abrir espaço para diminuir
a carga tributária, dar uma racionalidade no trabalho dos empresários
que têm que enfrentar essa barafunda de legislações
do ICMS e acabar com a guerra fiscal”, afirmou. Bernardo mostrou
certa irritação com as discussões que têm
sido feitas em torno do tema. Para o ministro, os “embaraços” que
têm aparecido em relação ao projeto mostram o “poderio
político e econômico” de São Paulo. “Na
verdade, se eu estou vendo bem, é São Paulo que não
quer que aprove”, afirmou Bernardo. Segundo ele, em relação
a outros estados, as discussões giram em torno de mais repasses
ou mais compensações.
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Gazeta do Povo, 29 de novembro
de 2008
Impostos
Governo garante que estados
não terão perdas
O secretário extraordinário de Reformas
Econômico-Sociais do Ministério da Fazenda,
Bernard Appy, afirmou ontem que o governo federal está disposto
a incluir na proposta de reforma tributária mecanismos
que garantam que os estados não venham a perder
arrecadação com as mudanças que venham
a ser implantadas. “Estamos com absoluta disposição
para dialogar com os secretários de Fazenda dos
estados para que fiquem confortáveis com a reforma.”
Ele ressaltou que, ao fim do período de transição
de 12 anos da adoção da nova legislação
relativa ao ICMS, o conjunto dos estados registrará um
ganho líquido de receita de R$ 8,2 bilhões – o
que, para ele, é um indicador de que a reforma é favorável
ao país e aos governadores.
Appy ainda afirmou que é possível a aprovação
da reforma tributária pelo menos em primeiro turno
na Câmara ainda este ano e que as críticas
ao projeto têm um caráter mais político
do que técnico.
Ele ainda comentou as as declarações do
secretário da Fazenda do Estado de São Paulo,
Mauro Ricardo Machado Costa, que afirmou que a reforma
tributária seria ruim para a indústria nacional.
Appy disse que ela será favorável às
empresas e à economia nacional. Segundo ele, a reforma
tributária tem como um dos principais focos o fim
da guerra fiscal entre os estados, que é exercida,
basicamente, com isenções de impostos relativos
ao ICMS.
“A CNI (Confederação Nacional da Indústria)
está apoiando o projeto de reforma tributária.
Se houvesse esse risco (prejuízo para as indústrias),
posso lhe garantir que a CNI não estaria apoiando
o projeto. Ao contrário, o que temos com a guerra
fiscal é uma generalização de concessão
de incentivos para importação em detrimento
da produção nacional. E a indústria
sabe disso. Se continuar a forma como está, o risco
que temos é o contrário: o de o sistema atual
quebrar a indústria nacional.”
Appy ressaltou que as recentes críticas feitas
pelo secretário da Fazenda de São Paulo estão
no rol dos comentários que não contribuem
em nada para o processo de debate e aperfeiçoamento
do projeto de reforma tributária. O secretário
afirmou que Costa tem um estilo “metralhadora giratória”,
pois pega qualquer ponto da reforma tributária sem
a devida análise dos números que estão
por trás do tema que abordou.
Appy deu como exemplo um comentário de Costa segundo
o qual a reforma ampliaria o déficit da Previdência
Social. Segundo Appy, a proposta que é analisada
pelo Congresso propõe a redução de
20% para 14% da contribuição das empresas
para a Previdência. “O Ministério da
Previdência já negociou um texto que dá segurança
de que vai ser indicada uma fonte de recursos (para garantir
essa redução).”
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Gazeta do Povo, 29 de novembro
de 2008
Eleições 2010
Convite para Aécio
entrar no PMDB
O ministro das Comunicações, Hélio
Costa (PMDB) convidou o governador de Minas Gerais, Aécio
Neves (PSDB), a tornar-se um peemedebista. Segundo o ministro,
Aécio só terá chances de se lançar
candidato à sucessão presidencial em 2010
se deixar o PSDB. Para Costa, o governador “precisar
ter coragem” e trocar de legenda. O ministro aproveitou
ainda para criticar os tucanos ao dizer que eles já escolheram
o nome que lançarão à sucessão – insinuando
que seria o governador de São Paulo, José Serra.
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Gazeta do Povo, 29 de novembro
de 2008
Empregos
Indústria do PR sentirá o
impacto das paralisações
As férias coletivas anunciadas por montadoras e
suas fornecedoras deverão ter forte impacto sobre
o desempenho da indústria paranaense neste fim de
ano. O segmento automotivo responde por quase 15% da produção
industrial do estado, segundo a Federação
das Indústrias do Paraná (Fiep), e, durante
dezembro, vários fabricantes estarão parados. É comum
que a indústria dê folgas nesse período,
mas paralisações tão prolongadas não
eram vistas havia alguns anos. Além disso, o mês
de novembro já não está sendo dos
mais movimentados – em São José dos
Pinhais, metade dos funcionários da Volkswagen recebeu
férias de dez dias, e a concorrente Renault/Nissan
reduziu o ritmo de produção.
De janeiro a setembro, as montadoras acumularam alta de
35% na produção e, segundo o Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), foram as principais
responsáveis pelo crescimento de 11% da indústria
do estado. Em setembro, o nível de emprego do segmento
foi o maior da história, quase 60% acima do registrado
há sete anos – mas, provavelmente, o quadro
será menor nos próximos meses. “As
empresas vinham operando em níveis muito altos,
e agora têm de se adequar à nova demanda do
mercado”, comenta Roberto Zürcher, economista
da Fiep.
Calendário
A linha de veículos de passeio da Renault/Nissan
será paralisada a partir de segunda-feira. Os dois
turnos, que empregam 2 mil pessoas, ficarão parados
até 5 de janeiro. A unidade de veículos utilitários,
que tem 600 trabalhadores, entra em férias no dia
19 e também volta em 5 de janeiro. A Volvo começa
a parar no dia 8, quando entram em férias as linhas
de ônibus e caminhões semipesados. A unidade
de caminhões pesados só será fechada
no dia 19. Todas voltam a funcionar em 5 de janeiro.
A Volks voltou a trabalhar em três turnos, com 3,6
mil funcionários, mas já anunciou uma nova
parada, entre 22 de dezembro e 12 de janeiro. A Case New
Holland, que fabrica tratores e colheitadeiras, vinha trabalhando
em três turnos e só terá a folga normal
de fim de ano para seus 2 mil funcionários, entre
22 de dezembro e 5 de janeiro. (GO
e FJ)
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Gazeta do Povo, 29 de novembro
de 2008
Empregos
Volvo é a 1.ª montadora
a demitir por causa da crise
Montadora sueca deve dispensar entre
300 e 400 funcionários, a partir de segunda-feira.
Unidade localizada na Cidade Industrial de Curitiba emprega
hoje 2,7 mil pessoas
Guido Orgis e Fernando Jasper
A Volvo anunciará nos próximos dias uma redução
em seu quadro de funcionários. Com uma projeção
de vendas menores para o primeiro trimestre do ano que vem, a montadora
de ônibus e caminhões estuda demitir entre 300 e 400 trabalhadores.
As dispensas podem começar já na próxima segunda-feira
e devem se concentrar no quadro de 290 temporários que estão
nas linhas de montagem. Os funcionários efetivos, porém,
não devem escapar de cortes.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande
Curitiba (SMC), a Volvo faz projeções de
vendas para o primeiro trimestre de 2009 e já deixou
claro que será necessário fazer um ajuste
na sua mão-de-obra. Neste ano, o aquecimento no
mercado de caminhões levou a um aumento de quase
30% no número de trabalhadores na fábrica
da Cidade Industrial de Curitiba. Hoje, a unidade emprega
2,7 mil pessoas, sendo 1,8 mil na linha de produção.
A negociação entre a Volvo e o SMC sobre
o processo de demissões não passará da
próxima semana. Isso porque em 8 de dezembro entram
em férias coletivas os 250 funcionários das
linhas de ônibus e de veículos médios.
No dia 19, saem os trabalhadores da linha de veículos
pesados, que emprega pouco mais de 1,5 mil pessoas. Os
cortes serão feitos antes das férias.
O vice-presidente do SMC, Nelson Silva de Souza, diz que
parte dos contratos temporários termina agora e
não será renovada. É possível
também que a empresa opte por rescindir contratos
que vencem mais tarde – alguns vão até março
de 2009. “Ainda estamos conversando para reduzir
ao máximo as demissões. A Volvo pode usar
o banco de horas e tem como ampliar as férias depois
do fim do ano”, diz Souza. As férias coletivas
vão até 13 de janeiro.
A assessoria de imprensa da Volvo confirmou que sua direção
esteve reunida nesta semana para “promover ajustes
da produção para o ano que vem, considerando
todas as possibilidades, que incluem banco de horas e férias
coletivas”. A companhia prometeu voltar a se pronunciar
na segunda-feira.
O enxugamento na folha de pagamento da Volvo vem após
o melhor ano da história da montadora sueca no Brasil.
De janeiro a outubro, a companhia fabricou 12,5 mil caminhões,
um volume 45% maior do que no mesmo período do ano
passado. A expansão foi puxada por uma alta de 36%
nas vendas internas, que bateram em 8,7 mil unidades nos
primeiros dez meses do ano. As exportações
de caminhões tiveram um salto de 70%, atingindo
a marca de 3,6 mil unidades embarcadas. O segmento de ônibus
teve um desempenho mais modesto, com aumento de 6% na produção – foram
mil unidades de janeiro a outubro. No momento, a produção
na fábrica de Curitiba continua no ritmo pré-crise.
Por dia, são montados 56 caminhões pesados,
23 semi-pesados e 7 ônibus.
Na apresentação de um novo modelo de caminhão,
no início de novembro, a companhia já apontava
que haveria uma redução de até 10%
nas vendas em 2009. A retração porém
era ponderada pelo fato de que 2008 foi um ano muito aquecido.
O ano que vem, nesta projeção preliminar,
seria o segundo melhor da história da Volvo no país.
O que é insuficiente para manter o atual quadro
de trabalhadores.
Bosch também vai parar em
dezembro
A fábrica da Bosch na Cidade Industrial de Curitiba, que emprega
4,5 mil pessoas, também vai parar em dezembro. Segundo a empresa,
os funcionários entram em férias coletivas no dia 22 e
voltam ao trabalho em 5 de janeiro. A Bosch fornece sistemas injetores
de motores diesel a montadoras brasileiras e estrangeiras e, por isso,
tem sofrido com a queda da demanda dos mercados interno e externo. A
empresa não descarta demitir parte dos funcionários, mas,
por enquanto, afirma não ter feito demissões. Em Araucária,
os 900 metalúrgicos da Brafer Construções Metálicas
estão em greve desde quinta-feira. A empresa apresentou ontem
uma nova proposta de reajuste salarial, que será apreciada em
assembléia na segunda-feira. (FJ)
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Folha de S.Paulo, 29 de
novembro de 2008
CASO PAULINHO
STF autoriza investigação
na Força Sindical
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Celso de Mello, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal),
autorizou ontem a realização de diligências
na Força Sindical propostas pela PGR (Procuradoria
Geral da República) para investigar o deputado federal
Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força.
A Folha revelou nesta semana que Paulinho é alvo de novo inquérito
no STF para apurar denúncia de desvio de dinheiro público.
Presidida por ele, a Força é suspeita de lançar
mão de alunos fantasmas para justificar repasses federais que
bancaram cursos para desempregados.
A PF deverá realizar uma perícia nos relatórios
de presença de alunos.
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Folha de S.Paulo, 29 de
novembro de 2008
Desemprego será drama
da China, diz economista
País precisa incentivar consumo
e setor de serviços
RAUL JUSTE LORES
DE PEQUIM
A crise na economia chinesa é maior do que o governo
admite e boa parte do plano de estímulo serve "às
grandes construtoras, como sempre". As críticas
são de um dos mais conhecidos economistas do país,
Mao Yushi, 79, diretor do "think tank" Instituto
de Economia Unirule, em Pequim.
Editor da China Economic Review, o veterano economista participou da
Academia Chinesa de Ciências Sociais, o principal centro de estudos
do governo, além de dar aulas na Universidade de Pequim e em
Harvard, nos Estados Unidos.
Em entrevista à Folha ele diz que o país precisa incentivar
o consumo e a indústria dos serviços e afirma que o desemprego
será o maior drama do país no próximo ano.
DESACELERAÇÃO
A desaceleração é bem maior do que dizem. O governo
diz que o PIB vai crescer de 8% a 9% em 2009, mas acho que serão
6% ou 7% no máximo. Com 6%, não vai ter como empregar
os milhões de chineses que buscam emprego anualmente, pela idade
ou porque migram do campo para as cidades.
EMPREGO DIMINUI
O governo precisa focar urgentemente a criação de empregos.
O desemprego é o maior temor deste país e deve ficar
dramático em 2009. O tipo de indústria que tem crescido
na China, mais competitiva e tecnologicamente avançada, não
cria tantos empregos como as fábricas de produtos baratos abertas
há 20 anos. O setor exportador e o da construção
civil vão deixar milhões de desempregados. A metade deste
país que vive no campo, quando compara o tipo de vida na zona
urbana, pensa em migrar. E os recém-formados serão os
que vão sofrer mais, seus salários cresceram, mas o número
de empregos, não.
MENOS IMPOSTOS
Não faltam alternativas para o governo, além do corte
das taxas de juros. A dívida em relação ao PIB é muito
pequena, o país tem superávit fiscal, superávit
na balança comercial e a cobrança de impostos na China
duplicou em relação ao crescimento do PIB nos últimos
15 anos, apesar do crescimento de 10% ao ano. Acho que Pequim precisa
reduzir o imposto de valor agregado [o ICMS local] rapidamente. Pode
gastar mais e reduzir os impostos.
MAIS SERVIÇOS
O setor de serviços na China ainda é muito pouco desenvolvido
e o governo deveria investir mais, liberar as barreiras e as proibições
para deixar mais investimento nesses setores. Turismo, educação
e saúde, música, entretenimento -são setores muito
pequenos na China. Temos poucas academias de ginásticas, poucos
cinemas, poucas escolas particulares e uma vasta gama de negócios
que empregam muita gente. Em países desenvolvidos, os serviços
representam mais de 70% do PIB, aqui são só de 39%.
RECEITA VELHA
Pelo pouco que se sabe do trilionário plano de estímulo à economia,
o governo mais uma vez vai construir novos aeroportos, ferrovias e
estradas. É bom um país ter infra-estrutura moderna,
mas essas obras são muito caras e criam muitos empregos temporários. É uma
receita de velhas crises, mas esta crise é diferente. Temos
que estimular o consumo, o investimento, as pequenas e médias
empresas, não apenas as grandes construtoras, como sempre. Os
investimentos precisam ir para o interior.
CAMPO SEM DINHEIRO
O governo quer aumentar o poder aquisitivo dos camponeses, o que é muito
bom. Mas acho que a reforma rural vai levar anos pra ser implementada,
e é essa metade da população chinesa que não
consome quase nada. Há grandes dúvidas sobre a propriedade
da terra na China. É muito difícil que um agricultor
possa negociar sua terra livremente, mesmo com a aprovação
da reforma.
CAMPONÊS SEM TERRA
Sou a favor de que os camponeses possam negociar sua parcela. Quanto
mais liberdade para o cidadão fazer o que quiser da sua vida,
melhor, mas o "timing" foi ruim. Hoje o governo teme milhares
de camponeses sem terra e desempregados.
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Revista Consultor Jurídico,
29 de novembro de 2008
Acusação de conluio
TST pede para o MPT apurar
se Ibope forçou acordo
A Seção Especializada em Dissídios Individuais do
Tribunal Superior do Trabalho, manteve a decisão do Tribunal Regional
do Trabalho da 2ª Região de expedir ofícios ao Ministério
Público do Trabalho e à Ordem dos Advogados do Brasil para
apuração de suposta fraude trabalhista pelo Instituto Brasileiro
de Opinião Pública (Ibope). Uma conversa gravada entre
um ex-funcionário, o coordenador de Recursos Humanos do Ibope
e uma advogada indicada pelo coordenador comprovaria a fraude.
Na ação rescisória ao TRT-SP, o ex-supervisor
administrativo do Ibope conta que foi demitido sem justa
causa em fevereiro de 2001, recebendo pela rescisão
R$ 5.447,91. No entanto, ainda haveria uma parte da indenização
a ser paga. O ex-funcionário alega que foi pressionado
pela empresa a entrar com reclamação trabalhista
e a aceitar o valor do acordo, homologado em juízo,
em que o Ibope pagou R$ 15,6 mil.
Em sua explicação sobre a fraude, o ex-funcionário
cita frases do coordenador de Recursos Humanos. “Entrando
na Justiça, você pega estes R$15 mil e não
reclama mais nada”, cita uma delas. Já a advogada
disse, segundo o ex-funcionário, que a proposta é uma
utilização “desvirtuada” da Justiça
do Trabalho, porque “você está usando
a Justiça como órgão homologador, o
que ela não é”.
Ao perguntar o que aconteceria se não aceitasse a
transação, o coordenador teria respondido que
o processo poderia demorar mais de 10 anos, porque “depende
muito da empresa”.
O ex-supervisor argumenta que foi coagido moralmente, porque
o coordenador ainda afirmou que o diretor da empresa era “vingativo” e
que, se pudesse fazer o processo durar 20 anos, ele o faria.
Além disso, o diretor o perseguiria e daria más
referências. O ex-funcionário afirma que, além
disso, outro motivo que o fez concordar com as condições
impostas foi que sua esposa, também empregada do Ibope,
foi demitida quatro dias depois da sua própria demissão.
Na ação rescisória para invalidar a
sentença homologatória, o ex-funcionário
apresentou, para provar a trama, gravações
de conversas com o coordenador de Recursos Humanos e com
a advogada indicada pelo próprio coordenador para
atuar como sua representante.
A decisão de enviar os ofícios para apuração
dos fatos foi proferida inicialmente pelo TRT-SP no julgamento
da ação rescisória. O TRT julgou procedente
a ação. Posteriormente, ao apreciar embargos
declaratórios da empresa, acabou por definir a extinção
do direito do ex-empregado por haver decorrido o prazo legal
prefixado para seu exercício, ou seja, a decadência.
No entanto, a decisão de envio dos ofícios
foi mantida. Empresa e trabalhador recorreram ao TST. O Ibope,
insurgindo-se contra os ofícios, e o funcionário
contra a decadência. O Ibope argumenta que o envio
dos ofícios é incompatível com o reconhecimento
da decadência da ação.
“A declaração de decadência da
ação rescisória não impede a
apuração dos fatos em outras esferas de competência,
jurisdicionais ou administrativas”, disse o ministro
Emmanoel Pereira.
O ministro Emmanoel esclarece que, “nos autos da ação
rescisória, evidenciou-se a participação
da advogada do reclamante no conluio fraudatório aparentemente
perpetrado no processo original”. Para o ministro, é dever
do juiz, ao constatar a ocorrência de ilícito,
oficiar aos órgãos competentes para que tomem
as medidas cabíveis.
Assim, seguindo proposta do relator, a SDI-2 negou provimento
aos recursos ordinários de ambas as partes, confirmando
a necessidade de oficiar aos órgãos competentes
para ciência dos fatos narrados pelo autor.
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