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Agência Brasil, 30
de novembro de 2008
Processo para me cassar é armação,
diz Paulinho da Força
Acusado de fazer parte de um esquema fraudulento que desviava
recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força
Sindical (PDT-SP), afirmou na sexta-feira (28) que está ''acompanhando
de longe'' o processo de sua cassação no Conselho de Ética
da Câmara. O esquema foi revelado pela Operação
Santa Tereza, da Polícia Federal.
''Isso é uma armação por conta do meu trabalho na
Câmara. Estou por dentro do que está acontecendo, mas acompanhando
tudo de longe'', disse Paulinho aos jornalistas, durante seminário
da Confederação Nacional dos Trabalhadores Universitários
(CNTU). ''O processo está na mão dos meus advogados e dos
deputados. Quem quiser me dar um voto de confiança que dê'',
afirmou.
O deputado também comentou o encontro com o presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, que jantou com representantes de várias
centrais sindicais do país na quarta-feira (26), na residência
oficial da Granja do Torto. Declarando-se “tranqüilo”,
Paulinho argumentou que, ao contrário do que foi noticiado na
imprensa, o jantar com Lula ''já estava marcado há mais
de um mês''. ''Não estou preocupado com nenhum destes boatos'',
disse.
Ainda na sexta-feira, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal
Federal (STF), autorizou formalmente a abertura de novo inquérito
para apurar supostas irregularidades que teriam sido cometidas pelo parlamentar.
Será investigada agora a contratação, sem licitação,
da Fundação João Donini pela Força Sindical,
presidida por Paulinho.
A fundação deveria ministrar cursos profissionalizantes
para desempregados e pessoas de baixa renda, custeados
por recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), do
Ministério do Trabalho e Emprego. Em documento encaminhado
ao STF, a Procuradoria-Geral da República sustentou
que o contrato entre a central e a fundação
foi contestado pelo Tribunal de Contas da União
(TCU) e pela Controladoria-Geral da União (CGU).
Entre as irregularidades, está a não-comprovação
de que a contratada possuía mais de cinco anos de
experiência no ensino profissional. Além disso,
o Ministério Público Federal em Ourinhos
(SP) também apurou que 26.991 nomes de alunos matriculados
nos cursos e 24.948 números de CPF se repetiam,
o que poderia configurar desvio de recursos do FAT.
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Carta Capital, 30 de novembro
de 2008
O fôlego do Brasil: como
o país ainda resiste à crise
Em meio ao bombardeio de más notícias da crise financeira
internacional, alguns indicadores mostram que o Brasil ainda resiste à turbulência.
No front externo, os investimentos diretos de estrangeiros no país
somavam o recorde de US$ 37,1 bilhões até a segunda-feira
24 e superaram as expectativas do governo, de US$ 35 bilhões no
fechamento do ano.
Segundo Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do Banco
Central (BC), trata-se de dinheiro que não se destina a aplicações
financeiras — mas ao setor produtivo. “É o reflexo
da percepção de que a economia brasileira tem bons fundamentos”,
disse em entrevista coletiva.
Do lado das contas internas, outra boa-nova. O déficit
nominal público, que inclui os gastos com o juro
da dívida interna, somou R$ 1,835 bilhão
entre janeiro e outubro. Nos últimos 12 meses, este
montante corresponde a apenas 1,1% do Produto Interno Bruto
(PIB) e é o menor em 17 anos.
O crescimento econômico do país, que deve
superar ligeiramente 5% neste ano, explica o bom resultado.
Isso porque mais produção implica maior arrecadação.
Os números positivos foram obtidos nas quatro esferas
de governo: União, estados, municípios e
estatais.
O mercado de trabalho também não reflete
a desaceleração mundial. A taxa de desemprego,
nas seis regiões metropolitanas do país,
caiu de 14,1%, em setembro, para 13,4%, em outubro. Segundo
o Dieese e a Seade — que apuram os números —, é a
menor taxa para o mês, desde que foi iniciada a série
histórica, em 1998. O número de desempregados
em outubro totalizou 2,6 milhões.
No crédito, o estoque total de operações
somou R$ 1,187 trilhão, em outubro, com crescimento
de 34,2% em 12 meses. O valor alcançou 40% do PIB,
relação também recorde.
Mas há sinais de desaceleração, segundo
o BC. Isso se deve sobretudo à elevação
da taxa de juro, que atingiu 42,9% ao ano, um aumento de
2,5 pontos porcentuais no mês e 7,5 pontos porcentuais
em doze meses. É o retrato do empoçamento
de recursos, pois os bancos têm relutado em financiar
empresas e cidadãos, temendo futura inadimplência
com o crescimento menor do PIB em 2009.
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Gazeta do Povo, 30 de novembro
de 2008
Paridade
Tragédia iguala "ricos" e
pobres
Moradores de rua e pessoas que tinham
boa situação financeira dividem o mesmo teto
e alimentos nos abrigos
Os deslizamentos de terra aumentaram a quantidade e modificaram
o perfil dos desabrigados em Blumenau, cidade mais atingida
pela maior catástrofe ambiental de Santa Catarina.
Das cerca de 5 mil pessoas encaminhadas aos 61 abrigos – no
plano original da Defesa Civil municipal estão previstos
35 pontos de abrigo, número que precisou aumentar
pela gravidade das chuvas da semana passada –, muitas
jamais imaginaram ter de sair de suas casas.
A vice-presidente da Comunidade Evangélica Luterana
de Blumenau, Márcia Delling Grahl, afirma que entre
as cerca de 50 pessoas que estão no abrigo da Igreja
Luterana do bairro Velha existe desde gente instruída
e de posses até moradores de rua que são
dependentes químicos. “A partir do momento
em que eles chegam aqui, todos são iguais, porque
a dificuldade é a mesma”, argumenta Márcia,
que já trabalhou como voluntária outras duas
ocasiões.
A diferença entre a população carente,
que sabe que a qualquer momento pode precisar de um abrigo,
e a remediada, que nunca se viu nessa situação,
aponta Márcia, é que a classe média
não se aceita como flagelada. “Muitos querem
voltar para casa de qualquer forma. Aí vem a Defesa
Civil e os obriga a ficar, mostrando o risco que é voltar.”
O professor Leocir Grosbelli, 47 anos, não está entre
os insatisfeitos em ficar em um abrigo. “Aqui é muito
melhor do que estar em casa. Fiquei três dias sem
dormir lá de medo que algo acontecesse com a minha
família”, diz. Ele e a família – a
esposa, Gládis Zeferino, 30 anos, e a filha Alicia
Sofia, de apenas 5 meses – estão impedidos
de retornar por causa de um muro de 20 metros que, pressionado
por toneladas de terra de um deslizamento, ameaça
cair sobre a casa em que moram no bairro Velha, umas das áreas
mais altas de Blumenau. Desde segunda-feira, eles estão
no abrigo da Igreja Luterana.
De experiência, Grosbelli afirma que guardará o
lado bom e ruim de ser um desabrigado. De bom, a solidariedade. “Todos
aqui se preocupam com a minha filha, que é o único
bebê do abrigo. Todo mundo quer saber se ela está doente,
se tem se alimentado. Querem sempre ajudar”, conta.
De ruim, pessoas que se aproveitam da situação. “Já vi
gente juntando um monte de roupa doada e sair para vender
e comprar droga.”
Para tentar conter esse tipo de ação, todos
os abrigos têm vigilância 24 horas de policiais
militares e homens do Exército – uma portaria
da PM catarinense proíbe a presença de quem
não esteja cadastrado nos respectivos abrigos. Além
disso, em muitas unidades, como na Igreja Luterana, os
casais com filhos dormem em áreas separadas dos
adultos solteiros.
O catador de papel Doronei da Costa, 27 anos, faz questão
de ajudar nas obrigações do alojamento. Ele
faz parte do grupo que limpa os banheiros. E mesmo sem
não ter mais onde morar, já que o barraco
onde vivia com a esposa foi completamente destruído
também por um deslizamento, Costa ainda tem forças
para ajudar o próximo. “Vou participar do
mutirão para reerguer a casa de um senhor que está abrigado
aqui conosco.” Questionado se o senhor em questão é um
amigo ou parente, o catador de papel mostra o tamanho de
sua solidariedade. “Não, não, é um
senhor que conheci aqui mesmo no abrigo.”
A estudante Mari Ângela Germaer, 35 anos, é uma
das pessoas que relutaram em sair de casa, mesmo sob perigo.
Também moradora de uma área alta no centro
da cidade, Mari disse não acreditar que ela, o marido
e os dois filhos, de 9 e 7 anos, correriam risco enquanto
a água dos rios estavam subindo. Até que
houve o deslizamento bem próximo da residência. “Mesmo
assim, relutei. Não queria deixar minhas coisas.
Mas quando vi uma árvore caindo no morro, mudei
de idéia”, afirma ela, que está com
a família desde terça-feira no abrigo da
Igreja Matriz de Blumenau.
Fez apenas uma exigência ao marido para ir: que
levasse junto os dois periquitos de estimação. “Isso
dá mais o ar da minha casa. E até já me
enturmei com os outros abrigados e acabamos formando uma
grande família”, comenta uma Mari já nem
tanto insatisfeita por dormir sob o mesmo teto que outras
80 pessoas.
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Gazeta do Povo, 30 de novembro
de 2008
Previdência
Projetos que aumentam as aposentadorias
tiram o sono do Planalto
Governo federal luta para derrubar
propostas do senador Paulo Paim (PT-RS) na Câmara.
Quem apóia as idéias argumenta que há recursos
para fazer as mudanças
Mais de uma centena de propostas que mexem com as regras
da Previdência tramitam hoje no Congresso, mas três
em específico têm tirado o sono do comando
do Palácio do Planalto nos últimos tempos.
A primeira propõe o fim do fator previdenciário,
outra defende que o mesmo reajuste dado ao salário
mínimo seja aplicado às aposentadorias e
a última prevê a recuperação
do poder de compra do aposentado, de modo que ele passe
a receber o correspondente ao mesmo número de salários
mínimos de quando se aposentou.
Os projetos, todos de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS),
já passaram pela aprovação dos senadores.
O governo federal espera agora que as propostas sejam rejeitadas
na Câmara dos Deputados. As chances de sucesso do
Executivo entre os deputados federais são grandes,
mas, por causa da popularidade dos projetos, os riscos
de as propostas serem aprovadas também são
altos. Com a possibilidade de derrota, o governo começa
a buscar um caminho alternativo.
Na semana passada, o líder do governo no Senado,
Romero Jucá (PMDB-RR), admitiu a possibilidade de
uma negociação. O governo já estuda
acabar com o fator previdenciário em troca de estabelecer
uma idade mínima para a aposentadoria. Hoje, é possível
se aposentar por tempo de contribuição (30
anos para mulheres e 35 para homens), sem precisar ter
uma idade mínima para isso.
Além dessa concessão, o governo também
pretende negociar um projeto para substituir as propostas
de reajustes das aposentadorias.
O governo anuncia uma catástrofe para as contas
da Previdência Social caso a negociação
não dê certo e as propostas de Paim acabem
passando no Congresso Nacional. “Não sei qual
será o manejo político para esta questão.
O que eu posso fazer é alertar que esses projetos
(de Paulo Paim) vão na contramão da necessidade
de manter o sistema previdenciário sustentável
a longo prazo”, afirma o secretário de Políticas
de Previdência Social do Ministério da Previdência,
Helmut Schwarzer.
Contra o pacote de propostas de Paim, Schwazer apresenta
os argumentos do governo: a falta dinheiro na Previdência
Social. O caixa previdenciário fechou 2007 com um
déficit de R$ 46 bilhões. Só a proposta
que prevê a recuperação do poder de
compra das aposentadorias causaria um gasto adicional de
R$ 76,6 bilhões. Já a idéia de aplicar
o mesmo reajuste do mínimo para quem ganha acima
do piso da Previdência custaria R$ 6,9 bilhões,
apenas em 2009.
Na outra ponta dessa discussão, estão os
que defendem as propostas de aumento para os aposentados
do regime geral da Previdência. “Há dinheiro.
A Seguridade Social, na qual está inserida a Previdência, é superavitária.
Então, se há dinheiro, vamos atender os aposentados”,
diz o senador Paulo Paim (PT-RS).
Sobra
A fala do senador é baseada em um estudo da Associação
Nacional dos Fiscais da Receita Federal (Anfip), que demonstra
haver uma sobra no caixa da Seguridade Social, na qual
estão inseridas, além da Previdência,
a saúde e a assistência social. Segundo o
estudo, a seguridade teve em 2006 um superávit de
R$ 48 bilhões, o suficiente para pagar o rombo da
Previdência que foi de R$ 42 bilhões naquele
ano e ainda ter uma sobra de R$ 6 bilhões.
No entanto, como os cálculos da Previdência
consideram apenas a arrecadação específica
para ela, o setor apresentou um rombo 11,9% maior que o
de 2005. “É muito mais uma questão
contábil do que de falta de dinheiro”, comenta
a presidente da Anfip, Assunta Bergamasco. Além
das contribuições específicas para
a Previdência, a Seguridade tem como fontes de recurso
a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
(CSLL) e a Cofins.
Schwarzer justifica o cálculo usado pelo governo. “Dentro
da Seguridade Social, a Previdência é deficitária
porque ela não consegue arrecadar para si o suficiente
para bancar os benefícios. Não é conflitante
a idéia de uma Previdência com déficit
estar inserida em uma Seguridade Social superavitária”,
diz.
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Gazeta do Povo, 30 de novembro
de 2008
Eleição 2010
Lula e Serra disputam espaço
em meio à crise
Medidas do presidente para tentar
reduzir o impacto da crise no país foram seguidas
pelo anúncio de decisões do governador paulista
Adversários na política, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) e o governador de São
Paulo, José Serra (PSDB), agora disputam espaço
no cenário econômico, graças à crise
financeira internacional e à ameaça de seus
reflexos no Brasil.
Cada passo tomado por Lula na tentativa de reduzir o impacto
da crise no país foi seguido pelo anúncio
de medidas pelo governador paulista. Serra é, ele
próprio, pré-candidato à eleição
presidencial de 2010. O presidente, que aposta suas fichas
na ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sabe que
as chances eleitorais de sua apadrinhada estão diretamente
relacionadas ao desempenho da economia.
O principal exemplo da competição – sempre
em tom cordial – é o socorro às montadoras
de automóveis, espinha dorsal do setor industrial.
Diante do cenário de enxugamento de crédito,
Lula abriu as torneiras do Banco do Brasil e destinou R$
4 bilhões para financiar a compra de carros.
Ato contínuo, Serra anunciou pacote de crédito
da Nossa Caixa com a mesma finalidade e o mesmo valor.
Isso em meio à negociação da venda
do banco estadual para o Banco do Brasil – no final
das contas, a instituição federal é que
será a credora do total de R$ 8 bilhões.
A falta de crédito na praça também
deixou empresas de todos os setores com pouco ou nenhum
capital de giro. Um pequeno alívio veio com o anúncio,
feito no início do mês pelo ministro da Fazenda,
Guido Mantega, de que o recolhimento de alguns impostos
federais seria adiado por dez dias.
Logo depois, Lula e Serra se reuniram para tentar prorrogar
o recolhimento do Supersimples por 60 dias – a ação
coordenada é necessária porque a arrecadação
do tributo, pago por micro e pequenas empresas, é dividida
entre União, estados e municípios. E na sexta-feira
o governador paulista anunciou a iniciativa de só cobrar
em fevereiro 50% do ICMS referente ao mês de dezembro.
Nesse meio tempo, o presidente enfrentou reclamações
de setores de seu próprio partido e bancou a compra
da Nossa Caixa pelo BB. Por um lado, Serra recebe mais
de R$ 5 bilhões para ampliar a vitrine de obras
para 2010. Por outro, o dinheiro investido ajuda a estimular
a economia como um todo – o que combina com os planos
eleitorais de Lula.
Futuro
A crise levou tucanos e petistas a redesenhar os cenários
para a próxima campanha presidencial. “A euforia
acabou e as pessoas começam a olhar para um futuro
oposicionista, pois não há mais onda de otimismo
para Lula e o PT surfarem”, avalia o presidente nacional
do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).
“Este é o tipo de debate inexorável,
do qual não há como fugir”, diz a líder
petista no Senado, Ideli Salvatti (SC). Embora ache cedo
para competições entre candidatos, Ideli
concorda que não há como ficar fora do debate. “Está tudo
precipitado. Não dá para fazer cara de paisagem”,
afirma.
O cientista político Paulo Kramer chama a atenção
para a mudança radical no cenário para 2010.
Lembra que, seis meses atrás, a perspectiva para
o governo era eleger um sucessor de perfil “pós-Lula” – de
continuidade – mesmo que a candidatura de Dilma não
vingasse. “Daqui para a frente, o que resta ao governo é torcer
para o candidato pós-Lula, porque a probabilidade
do anti-Lula com a crise aumenta.”
“Antes de chegar ao palanque, a crise vai bater
nos estados e se instalar nos palácios”, prevê o
senador Aloizio Mercadante (PT-SP), referindo-se não
apenas ao Planalto, como às dos governos paulista
e mineiro – Aécio Neves, governador de Minas,
também se movimenta para ser o candidato do PSDB à sucessão.
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Folha de S.Paulo, 30 de
novembro de 2008
Oposição dá início
a "operação 2010"
Cúpulas do DEM e do PSDB admitem
que o principal objetivo do movimento é fortalecer a
candidatura de Serra à Presidência
Líderes oposicionistas estão
articulando para melhorar a relação entre os
tucanos e os democratas nos principais colégios eleitorais
do país
FERNANDA ODILLA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Líderes nacionais dos principais partidos de oposição
ao governo Lula deram início a uma operação
para harmonizar a relação de PSDB e DEM em
importantes colégios eleitorais do país. Bahia,
Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Sergipe e Rio Grande do
Norte são os primeiros alvos da "operação
2010", planejada para construir palanques fortes para
o próximo candidato tucano à Presidência
da República.
As disputas locais criaram tensões entre essas duas siglas nesses
cinco Estados que, juntos, contam com 31,9 milhões de eleitores-o
equivalente a 25% do total de eleitores do Brasil, de acordo com números
do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Ouvidos pela Folha, integrantes da cúpula do DEM e do PSDB admitem
que o movimento está sendo pensado para fortalecer, principalmente,
a candidatura do governador José Serra (SP) a presidente. "Quanto
mais rápido resolver a situação nos Estados, mais
forte será o início da campanha presidencial em 2010",
afirma o deputado federal Rodrigo Maia (RJ), presidente nacional do
DEM.
Na Bahia, o PSDB abriu as portas para o ex-governador do DEM, Paulo
Souto. No Rio Grande do Sul, as bancadas federais tentam fazer com
que a governadora Yeda Crusius (PSDB) e o vice Paulo Feijó (DEM)
superem os problemas pessoais para dos dois partidos estarem juntos
em 2010. No Rio, o primeiro passo já foi dado: DEM e PSDB se
uniram para fazer oposição ao governador peemedebista
Sérgio Cabral na Assembléia Legislativa.
" O importante é criar bases para contar com elas na próxima
eleição", diz o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio
Guerra (PE). PSDB e DEM dizem não quer repetir os erros de 2006.
Faltou apoio
A avaliação é de que, na eleição
presidencial anterior, faltou apoio político ao então
candidato tucano Geraldo Alckmin, especialmente naqueles Estados onde
as duas siglas estavam separadas. Por isso, a Bahia, porta de entrada
do Nordeste com mais de 9,2 milhões de eleitores, é considerada
uma das prioridades da "operação 2010". Atualmente,
o PSDB e o PT baianos estão juntos, apoiando o governo petista
de Jaques Wagner.
Principal aliado de Serra na Bahia, o deputado federal Jutahy Júnior.
(PSDB-BA) deixou de lado a histórica rixa com Souto e avisou
ao comando do PSDB que aceita a filiação do adversário
e também o apóia como candidato tucano ao governo baiano.
O DEM nacional, contudo, articula para manter Souto no partido e convencer
os tucanos a abandonarem desde já os petistas para ajudar a
abrir as portas do Nordeste para José Serra.
No Rio de Janeiro, enquanto sondam o deputado federal Fernando Gabeira
para trocar o PV pelo PSDB, os tucanos já combinaram com o DEM
de trabalhar juntos na Assembléia como oposição
ao governo estadual. Os dois partidos prometem dificultar a vida de
Sérgio Cabral, peemedebista aliado de Lula e entusiasta da candidatura
da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência.
A tendência é manter a parceria firmada entre PV, PPS,
PSDB e DEM no segundo turno nas eleições municipais na
capital fluminense. Esse grupo deve se colocar contra os apadrinhados
do presidente Lula e do governador Cabral. "A experiência
com Gabeira significa um bom ponto de partida para a construção
de um palanque nacional para o PSDB", avalia o deputado federal
Otávio Leite (PSDB-RJ).
No Rio Grande do Sul, a missão é retomar as relações
entre a governadora do PSDB e o vice do DEM. As bancadas dos dois partidos
no Congresso têm dialogado para tentar fazer com que os problemas
pessoais entre os dois não contaminem a união das legendas
em 2010. "Temos um projeto que é muito maior, que é a
retomada do poder nacional com essa parceria histórica entre
PSDB e DEM", explica o presidente do DEM gaúcho, o deputado
federal Ônyx Lorenzoni. A idéia, diz ele, é repetir
a vitória que o Estado deu a Alckmin nos dois turnos das eleições
de 2006.
Em Aracaju (SE), o PT e o PSDB firmaram aliança formal para
apoiar a reeleição do prefeito Edvaldo Nogueira (PC do
B). No Rio Grande do Norte, os tucanos são aliados da governadora
Wilma Faria (PSB). A cúpula nacional tucana tenta descolar o
PSDB desses grupos políticos nos dois estados pensando na união
com o DEM.
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Folha de S.Paulo, 30 de
novembro de 2008
CUT lidera lobby no governo,
diz pesquisa
Central fez 30 visitas a gabinetes,
contra 25 da Fiesp e 24 da CNI, segundo tese de doutorado
de subchefe da Casa Civil
Dos parlamentares ouvidos, 39,66% reconheceram
ter atuado para "transformar em proposição
legislativa" tema de interesse do lobista
ANDRÉA MICHAEL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Pesquisa feita com 60 integrantes da administração
pública com poder de decisão -chefes-de-gabinete,
secretários nacionais, secretários-executivos
de ministérios, dirigentes de agências reguladoras-
revelou que, de 149 entidades integrantes de conselhos
de políticas públicas do governo, a campeã do
lobby no Executivo nos últimos cinco anos é a
Central Única dos Trabalhadores.
Com 30 visitas a gabinetes da administração, a CUT encabeça
a lista de 38 entidades que praticaram o lobby mais de dez vezes no
período e tiveram suas visitas às repartições
documentadas. Em segundo lugar, com 25 visitas, está a Fiesp
(Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo), seguida pela CNI (Confederação Nacional da Indústria),
com 24 reuniões.
A pesquisa faz parte da tese de doutorado de Luiz Alberto dos Santos,
subchefe de Análise e Acompanhamento de Políticas Governamentais
da Casa Civil, na qual ele compara o lobby no Brasil e nos EUA.
Ele diz que "33 entidades, que mantiveram mais de 10 contatos
no últimos cinco anos, são responsáveis por quase
a metade dos contatos totais. E, se considerarmos as entidades mais
atuantes -que mantiveram mais de 15 contatos-, teremos que um grupo
de 13 entidades foi responsável por 235 contatos, ou seja, 8,7%
das entidades consideradas responderam por 23,2% dos contatos".
Os dados da pesquisa de Santos foram apresentados num seminário
sobre a regulamentação do lobby promovido pela Controladoria
Geral da União, responsável por propor uma regulamentação
da atividade.
A pesquisa também abrangeu o lobby no Congresso -60 parlamentares
responderam. Ela revelou que tanto os parlamentares como os administradores
têm forte presença de filiados às entidades lobistas
(72,09% entre os gestores efetivos, 71,9% entre os deputados, 66,7%
entre os senadores).
Dos parlamentares, 39,66% admitiram ter atuado para "transformar
em proposição legislativa" matéria de interesse
da entidade. Dos 120 pesquisados, 119 são favoráveis à regulamentação
do lobby no país.
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Folha de S.Paulo, 30 de
novembro de 2008
Pior trimestre em 28 anos
deve derrubar o PIB dos EUA em 3,5%
Maiores bancos do mundo prevêem,
até o segundo trimestre de 2009, o maior recuo econômico
desde o pós-Guerra, em 1945
"A força mais poderosa que
remodela a economia hoje é o "desendividamento" das
famílias e empresas", diz relatório de
grandes bancos
FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL
O último mês de 2008 começa amanhã e
vai "empacotar" muito provavelmente o pior trimestre
em termos econômicos para o mundo desde 1980, ano que
inaugurou a mais forte recessão das últimas
décadas. O temor já é que a atual recessão
mundial se transforme aos poucos em uma depressão.
Resultados preliminares de outubro e novembro projetam queda de 3,5%
no PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA no último trimestre.
No Japão e nos países da União Européia
(que com os EUA compõem o G3), a queda deve ultrapassar 1,5%.
Relatório "confidencial" elaborado e distribuído
entre os 375 maiores bancos de 70 países que integram o IIF
(Instituto de Finanças Internacionais, na sigla em inglês)
projeta esses e outros números negativos. O documento afirma
que a queda no consumo e na confiança de empresas e consumidores é "maciça
e continuada".
" Nos EUA, o último trimestre do ano será particularmente
horrível, com as vendas domésticas subtraindo mais de cinco pontos
do PIB. Todos os componentes da demanda do setor privado estão em queda.
Até o segundo trimestre de 2009, teremos o maior recuo no crescimento
desde o período do pós-Guerra (1945)", diz o relatório
dos bancos. Na base da forte desaceleração atual, segundo o relatório,
estaria a necessidade de "desendividamento".
" A força mais poderosa que está remodelando a economia mundial
hoje é a pressão pelo "desendividamento". As famílias
simplesmente precisam diminuir as suas dívidas, assim como as empresas
e os bancos", diz o documento do IIF.
Nos EUA, a razão entre o total das dívidas do setor financeiro
em relação ao PIB subiu de 20% em meados dos anos 1980
para cerca de 120% no início de 2008.
O PIB dos EUA já caiu 0,5% no terceiro trimestre, puxado por
uma queda anualizada de 3,7% no consumo -a maior em 25 anos. O país
estará tecnicamente em recessão quando apresentar mais
um trimestre de crescimento negativo.
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Folha de S.Paulo, 30 de
novembro de 2008
Votorantim prioriza área
de cimento ao ajustar investimentos para o próximo
ano
DO COLUNISTA DA FOLHA
Diante da série de notícias relativas a cortes
de produção e de mudanças na gestão,
o presidente do conselho de administração da
Votorantim Participações, Carlos Ermírio
de Moraes, encaminhou um comunicado aos diretores do grupo
na quinta-feira à noite com o objetivo de esclarecer
a situação do conglomerado. Os executivos leram
a circular na manhã de sexta-feira.
No comunicado, Ermírio de Moraes afirma que o programa de investimentos
está mantido, em princípio, até 2012, mas admite "ajustes
seletivos de cronogramas em 2009 e possivelmente em 2010, dependendo
da intensidade do impacto da crise em nossos mercados relevantes".
Segundo o informe, "a profunda crise, que se alastrou internacionalmente,
tem reflexos na economia mundial e no nível de atividade de
todos os setores. Isso nos impõe a necessidade de tomarmos decisões
rápidas e corajosas para resguardar a competitividade das nossas
operações e do nosso ambicioso programa de investimento,
que, em princípio, está mantido até 2012, com
ajustes seletivos de cronogramas em 2009 e possivelmente em 2010".
De acordo com o comunicado, "o programa de investimentos para
2009 foi ajustado para R$ 5 bilhões, ficando seguramente entre
os dois maiores do setor privado brasileiro". O valor previsto
para o investimento antes da crise não chegou a ser divulgado,
mas, de acordo com o que a Folha apurou, a Votorantim chegou a discutir
o ajuste para R$ 4 bilhões, mas acabou optando por investir
R$ 5 bilhões em 2009.
Uma boa parte desses investimentos se dará na área de
cimento, que deve ser o último setor a sentir os efeitos da
crise em razão das diversas obras na área de construção
civil que estão em andamento e não podem ser interrompidas.
O setor deve suspender apenas os novos lançamentos.
No comunicado, Ermírio de Moraes defende com ênfase o
modelo de gestão da companhia e não indica intenção
de mudança. "O nosso modelo de governança, implantado
em 2001, é o resultado de décadas de trabalho, reflexão
e amadurecimento de gerações de executivos e acionistas,
e está fundamentado sobre sólidos valores", escreve.
A circular não dá muitas pistas sobre o futuro do Banco
Votorantim, o quarto maior banco privado do país. Diz apenas
que "é consenso entre os acionistas que o grupo deve continuar
nesse setor, dada sua contínua história de sucesso e
os resultados expressivos, com grande potencial de crescimento e de
geração de valor".
Sobre a fusão com a Aracruz, que chegou a ser anunciada em agosto
e depois desfeita com a crise, a circular diz que o grupo não
desistiu do negócio e que as conversas foram mantidas. "Uma
eventual integração da Aracruz com a VCP pode criar a
maior e mais competitiva empresa do setor no mundo".
O comunicado também trata das perdas que o grupo sofreu com
as operações de derivativos cambiais, que foram calculadas
em R$ 2,2 bilhões. De acordo com a circular, "o risco da
operação já foi todo neutralizado, a fim de dar
total transparência ao mercado e evitar o comprometimento da
imagem do grupo". (GUILHERME BARROS)
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Revista Consultor Jurídico,
30 de novembro de 2008
Lucro fácil
Juros sobre juros podem ser suspensos
no Supremo
por Paulo Cantergiani
Ninguém desconhece os efeitos nefastos que a capitalização
mensal de juros produz nos contratos bancários lastreados
em crédito, qualquer que seja a sua modalidade. Embora
proibida desde 7 de abril de 1933 pela Lei de Usura (que
a admitia apenas para períodos anuais, conforme Decreto
22.626/33, artigo 4º: “É proibido contar
juros dos juros: esta proibição não
compreende a acumulação de juros vencidos aos
saldos líquidos em conta corrente de ano a ano”),
as instituições financeiras de um modo geral
desafiam aquela vedação e insistem em cobrar
juros sobre juros na grande maioria dos seus contratos, cujo
exemplo mais emblemático é o cheque especial.
Neste último a prática é de muito fácil
constatação quando o saldo é devedor,
pois basta observar que rubrica “juros” debitada
em determinado mês é incorporada ao saldo devedor
que, no mês subseqüente, servirá de base
para o cálculo de novos juros, que incidirão
sobre aquele saldo já composto pelos juros do período
anterior. É, por assim dizer, contar juros sobre juros,
ou anatocismo.
Então, todo correntista que se socorria ao Judiciário
obtinha êxito no seu propósito de rever os encargos
cobrados pelos bancos porque os Tribunais pouco questionaram
a vedação da Lei de Usura, principalmente depois
do advento da Súmula 121 do Supremo Tribunal Federal
(“É vedada a capitalização de
juros, ainda que expressamente convencionada”), que
veda a capitalização de juros mesmo quando
expressamente convencionada. O ganho dos bancos se potencializa
porque é irrisório o número de clientes
que vai à Justiça para buscar seus direitos.
Os que vão, ganham.
Mas esta realidade sofreu uma reviravolta a partir da 17ª reedição
da Medida Provisória 1.963, de 31/03/2001, que foi
concebida originalmente para tratar tão somente da
administração dos recursos de caixa do Tesouro
Nacional, assunto absolutamente desconexo com o tema dos
contratos bancários.
Numa época em que a reedição de MP’s
representava a forma mais flagrante de usurpação
das funções legislativas do Congresso Nacional
pelo Presidente da República, aquela medida, que por
16 foi vezes reeditada sob seu formato original, passou a
contar, a partir da 17ª reedição — atualmente
ela apresenta o nº 2.170/01, também reeditada
várias vezes, a última delas em 23/08/01 —,
com um artigo 5º enxertado em seu bojo, onde autorizava
a capitalização de juros nos contratos bancários
em periodicidade inferior a um ano (Artigo 5º Nas operações
realizadas pelas instituições integrantes do
Sistema Financeiro Nacional, é admissível a
capitalização de juros com periodicidade inferior
a um ano).
A MP, embora nunca votada pelo Congresso Nacional, permanece
em vigor até hoje porque a Emenda Constitucional 32/01
veio logo em seguida para prever que as medidas provisórias
editadas anteriormente à emenda continuariam em vigor
até que fossem expressamente revogadas por outra MP
ou definitivamente votadas pelo Congresso, o que nunca ocorreu
até hoje e, a depender do nosso Parlamento, nem ocorrerá.
Na mesma situação estão aproximadamente
40 outras medidas provisórias que permanecem no cenário
jurídico em vigência indeterminada sem passar
pelo crivo do Congresso, produzindo efeitos como se fossem
verdadeiras leis, e não sujeitas sequer ao trancamento
de pauta, hoje tradicional para as medidas não votadas
em até 45 dias.
Muitos foram os questionamentos da MP perante o Judiciário
que, em várias ocasiões, através de
diversos tribunais locais, reconheceu a inconstitucionalidade
do artigo específico por faltar a “urgência
e relevância” essenciais a justificar uma medida
provisória em detrimento do processo legislativo natural
perante o Congresso. São exemplos disso o Tribunal
de Justiça do Paraná (como no incidente de
Declaração de Inconstitucionalidade 264.940-7/01,
de relatoria do Des. Edson Vidal Pinto, DJ 04/08/05) e do
Tribunal Regional Federal da 4ª Região (como
no incidente de Argüição de Inconstitucionalidade
na ApCiv 2001.70.00.004856-0, de relatoria do Des. Federal
Luiz Carlos de Castro Lugon, DJU 08/09/04), cujos Órgãos
Especiais vislumbraram ofender a Constituição
aquele artigo da Medida Provisória por ausência
dos já mencionados requisitos.
Na contramão deste raciocínio, porém,
situa-se o Superior Tribunal de Justiça, para quem
a capitalização é válida a partir
da MP 1.963, desde que prevista no contrato (esta decisão
está retratada no REsp 602.068, 2ª Seção,
de relatoria do Min. Antônio de Pádua Ribeiro,
DJ 21/03/05). Aquele Tribunal também superou a tese
da revogação do artigo 5º da aludida MP
a partir do artigo 591 do Novo Código Civil, que sequer
foi debatida amiúde.
Mas a decisiva palavra será dada pelo Supremo Tribunal
Federal quando concluir o julgamento da Ação
Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 2316, iniciado há mais
de 8 anos, onde se discute a inconstitucionalidade daquele
artigo da MP, o que vincularia todos os tribunais do país,
inclusive o STJ, no sentido de afastar o anatocismo.
A ADI já contava com 2 votos proferidos pelos Ministros
Sydney Sanches (relator) e Carlos Velloso, ambos já aposentados,
deferindo a cautelar para suspender a eficácia daquele
artigo 5º da MP 2.170 (sucessora da MP 1.963/01).
Em 05/11/2008, voltou à pauta do STF com mais quatro
votos, dois na mesma linha dos anteriores (Ministros Marco
Aurélio e Carlos Britto) e outros dois votos contrários,
no sentido de liberar a capitalização (Ministros
Carmen Lúcia e Carlos Direito).
Então, hoje o placar de 4 x 2 a favor da inconstitucionalidade
da norma alimenta a esperança dos usuários
do crédito bancário — que representam
a grande maioria do capital produtivo do país — em
ver restabelecida a ordem anterior e a tentativa de equilibrar
minimamente as condições e forças na
relação banco x cliente, expurgando aquilo
que há de mais cruel numa operação de
mútuo: a remuneração dos juros a partir
da capitalização.
Embora não haja prazo ou previsão para a conclusão
do julgamento (suspenso porque o quórum estava incompleto
na sessão de julgamento), estima-se alguma brevidade
ante o longo período de absoluta paralisia.
Não são poucos os casos em que o STF concede
liminares para assegurar a suspensão de um tributo
cuja discussão esteja em andamento (mas já com
maioria parcial de votos favoráveis ao contribuinte),
e este mesmo raciocínio pode ser aproveitado aos correntistas
que litigam com bancos e que estão perdendo espaço
para os juros capitalizados.
Por enquanto, resta ao cidadão confiar na Suprema
Corte e não sucumbir, persistindo na luta contra este
privilégio dado ao capital especulativo dos bancos
de maneira ilegal, obscura, ardilosa, e, mais grave de tudo, às
custas do capital produtivo do país.
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