 |
Agência Diap, 2 de
Dezembro de 2008
Construtoras e setor metalúrgico
iniciam ciclo de demissões
Luiz Amador da Silva trabalhou
por 15 anos na Grande São Paulo, os últimos três anos
na construção civil, na MVG Engenharia e Construção,
de Guarulhos. Ele e a esposa estão desempregados e decidiram voltar
para Lajedo, interior de Pernambuco, onde pretendem montar um pequeno
negócio com o resgate do FGTS.
Na quarta-feira (3), o Sindicato
dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo
(Sintracon/SP) assinou a homologação da carteira de Silva. "Vou
para o Norte trabalhar para mim. Deus queira que dê tudo certo",
roga ele.
Edmilson Santos Ferreira, Manoel
Zito e Gilberto Oliveira da Silva também tiveram as carteiras
de trabalho homologadas no mesmo dia. Os três estavam entre sete
trabalhadores demitidos pela empresa Fr Instalações e Construções,
que reduziu o número de empregados. Ferreira, de 29 anos e há dez
em São Paulo, decidiu passar o fim do ano em sua terra natal,
Vitória da Conquista (BA) e buscar emprego na capital paulista
em janeiro.
Fazer
bicos
Zito também volta no Natal para Seabra (BA), na Chapada Diamantina,
para visitar os familiares que não vê há oito anos, desde
que veio para São Paulo. Ele e a esposa vão "se virar" fazendo
bicos até conseguir um trabalho fixo. "A crise não preocupa
porque o brasileiro sabe se virar de uma forma ou de outra", diz Zito.
Dos trabalhadores que passaram
pelo sindicato naquela tarde, apenas Silva já havia conseguido
um novo trabalho, na empresa Cimatti, com o mesmo salário, próximo
a R$ 800 por mês. "Ainda tem muita empresa contratando. Se
Deus quiser vai continuar assim", afirmou.
Nos últimos dois anos,
o setor imobiliário apresentou crescimentos superiores a 10% e
fez crescer nos empregados da construção civil a confiança
de que o mercado de trabalho se manteria aquecido de modo indeterminado.
No entanto, a crise financeira externa, que a maioria dos trabalhadores
vê pela televisão como uma realidade distante, já exerce
efeitos sobre as construtoras, sobretudo as que abriram seu capital.
Otimismo
Os pedreiros e mestres de obra entrevistados vêem a onda de demissões
no setor como mais uma redução sazonal, típica do período
de chuvas. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil de São Paulo, Antonio de Sousa Ramalho, vê o cenário
com preocupação.
Ele estima que as demissões
no setor da construção civil chegarão a 100 mil
postos de trabalho, que não serão recuperados no próximo
ano. Esse número corresponde a 4,5% do total de empregos na construção
no país, hoje estimados em 2,2 milhões.
Apenas em São Paulo, o
número de homologações passou de 150 por semana
em outubro para 130 por dia. A homologação só é feita
quando o empregado permaneceu mais de um ano na empresa. No dia em que
a reportagem do Valor esteve no Sindicato, foram efetuadas 140 homologações.
"Exagero
nestas demissões"
" A gente sabe que muita coisa que acontece não é resultado
da crise. Afinal, os apartamentos que já foram vendidos têm que
ser construídos e entregues, e temos as obras do PAC e para a Copa de
2014. Existe um pouco de exagero nestas demissões e isso é ruim
para todo mundo", observou Ramalho.
No setor da construção
pesada, as obras seguem em ritmo normal e sem sinais de demissões,
afirma o presidente do sindicato em São Paulo, Wilmar Gomes dos
Santos. "As obras do PAC continuam.
O Serra também diz que
garante os investimentos em São Paulo. As obras em andamento devem
ter continuidade, mas as que começam em 2009 preocupam",
afirma Santos. O setor da construção pesada emprega 120
mil trabalhadores em São Paulo.
O impacto da crise sobre o emprego
mostra-se forte em segmentos que até setembro encontravam dificuldade
em preencher as vagas com pessoal qualificado. Além da construção
civil, o setor automotivo, também altamente dependentes da oferta
de crédito no país, inicia o ciclo de demissões.
Demissões
crescem
No Rio Grande do Sul, o número de demissões homologadas pelo
Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul cresceu 40% em novembro,
em relação a igual mês de 2007 e chegou a 730. Para dezembro,
outras 522 estavam agendadas e a entidade decidiu suspender as homologações
até a reunião com o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas
da cidade, informou o vice-presidente Leandro Velho.
Segundo ele, há cerca
de 48 mil metalúrgicos na região e as demissões
ocorrem principalmente em empresas de médio porte, que poderiam
estar usando a crise como "desculpa" para substituir funcionários
por outros com salários mais baixos.
O presidente do Sindicato das
Indústrias Metalúrgicas, Oscar de Azevedo, disse que a
entidade não tem números a respeito do assunto, mas há 30
dias percebeu uma redução acentuada no número de
contratações, que beirava as 500 por mês. O setor,
disse, vem sendo prejudicado pela dificuldade no repasse de financiamentos,
inclusive do Finame.
Quase
mil demitidos
Na região de Campinas, o Sindicato dos Metalúrgicos registrou
em novembro 940 demissões em cinco empresas. O caso mais grave, diz
o presidente do sindicato, Jair dos Santos, ocorreu na empresa de equipamentos
de telefonia Foxconn, que anunciou o corte de 1 mil funcionários.
Após paralisação
da fábrica de Indaiatuba e uma rodada de negociações
com o sindicato, o número foi revisto para 560. "Agora a
fábrica entra de férias e, pelo menos até janeiro,
se se comprometeu a não efetuar outros cortes", informa Santos.
O sindicalista observa que o
primeiro sintoma da crise foi o fim da realização de horas
extras e o anúncio das férias coletivas, que não
eram adotadas pelas empresas da região desde 2002. "A indústria
metal-mecânica está globalizada no processo produtivo. A
crise na montadora da GM nos Estados Unidos afeta diretamente a produção
no Brasil. A crise da Sony Ericsson na Europa afeta a produção
de componentes feita aqui na região", argumenta Santos.
Na Bahia, onde 30% da produção é voltada
para exportações, o anúncio das férias coletivas
também foi recebido com receio pelos 8,8 mil metalúrgicos.
Marcos Vinicius Pereira dos Santos, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos
de Camaçari, observou que ainda não há indício
de cortes, mas a produção de automóveis, que era
de 912 unidades/dia, já teve redução drástica.
Férias
coletivas
Em Taubaté (SP), informa o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos,
Isaac Jarbas do Carmo, a maioria das fábricas de autopeças já iniciou
ou enviou aviso de férias coletivas por conta das férias anunciadas
por Renault e General Motors. "As empresas estão preferindo não
renovar o contrato dos trabalhadores temporários, que tinham expectativa
de efetivação", observa. No ABC, ainda não há indicativos
de demissões, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos.
No Rio de Janeiro, as empresas
do setor de metalurgia começam a reduzir investimentos e as jornadas
de trabalho, diz o presidente da Força Sindical no estado, Francisco
Dal Prá.
"Um problema sério
no Rio é a construção naval. Em Niterói e
no Rio há ameaças de demissões", ressalta.
A Força Sindical vai se reunir com Petrobras, BNDES e governo
para negociar a vinda de investimentos no setor naval para o Estado.
O setor gera no Rio de Janeiro 20 mil empregos diretos.
Estagiários
também pagam
Até o mercado de estágios foi influenciado pela crise financeira
e por uma mudança na legislação em setembro, que garante
aos estudantes além da bolsa-auxílio, o direito a férias
e ao auxílio-transporte. Segundo o Núcleo Brasileiro de Estágios
(Nube), houve redução de 60 mil vagas em outubro em relação
a setembro, para 1,04 milhão em todo o país.
"Novembro talvez tenha um
resultado pior. O mercado está muito conservador. As empresas
estão congelando vagas e existe uma mistura de problemas",
afirma Carlos Henrique Mencaci, presidente do Nube.
Além da instabilidade
financeira, ele observa que a lei obriga as empresas a ter um número
de estagiários do ensino médio equivalente a no máximo
20% do total de trabalhadores. "Isso impactou muito as pequenas
e médias empresas, que têm estagiários acima desse
percentual", diz. (Fonte: Valor Econômico; intertítulos
do Diap)
|
O ESTADO DO PARANÁ,
02 de dezembro de 2008 | Economia
Preço da cesta básica
sobe em 11 capitais
Agência Estado
O preço da cesta básica subiu em novembro em 11 das 17 capitais
do País em que o Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos (Dieese) realiza a Pesquisa Nacional da Cesta
Básica. Apesar do movimento predominante de alta, os técnicos
do Dieese ponderam que se trata de variações menores se comparado
com outubro. As variações mais expressivas foram anotadas em
Vitória, onde o preço da cesta de alimentos essenciais sofreu
um reajuste de 5,90%, e em Recife, cidade em que os gastos com a alimentação
básica subiram 3,44%. Do lado das quedas, as mais fortes foram apuradas
em João Pessoa (1,40%) e Florianópolis (0,79%).
Ainda de acordo com os pesquisadores
do Dieese, o preço da cesta básica em Porto Alegre continuou
a ser o maior do País, mesmo tendo registrado uma queda de 0,34%
no mês passado. Para levar os alimentos básicos para casa
no mês passado, o consumidor gaúcho com baixa renda teve
que desembolsar, em média, R$ 239,00. Em São Paulo, o preço
da cesta não ficou muito longe da registrada em Porto Alegre:
fechou em R$ 238,66. Os menores preços foram registrados em João
Pessoa e Recife, com R$ 174,83 e R$ 175,22, pela ordem.
Salário mínimo
O salário mínimo
ideal para atender as necessidades básicas de uma família
composta por quatro pessoas - dois adultos e duas crianças - em
novembro seria de R$ 2.007,84. É a este valor que chegaram os
técnicos do Dieese ao fazer suas contas com base no preço
da cesta básica mais cara do País.
O salário proposto
pelo Dieese corresponde a 4,83 vezes o mínimo vigente hoje no
País, que é de R$ 415,00. Em outubro, de acordo com os
técnicos do Dieese, o valor necessário para arcar com
as despesas de uma família nos parâmetros do Dieese com
alimentação, moradia, saúde, educação,
vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência seria
de R$ 2.014,73 ou 4,85 vezes o valor do piso nacional. Em outubro do
ano passado, o mínimo sugerido era de R$ 1.726,24, ou 4,54 vezes
o mínimo daquele período, que era de R$ 380,00.
|
Gazeta do Povo, 2 de Dezembro
de 2008
Crise financeira
País crescerá menos
de 3% em 2009
Projeções coletadas pelo
BC estão mais pessimistas. Ministro da Fazenda diz que atingir
meta de crescimento de 4% será desafio
Os efeitos da crise internacional
levaram o Banco Central (BC) a registrar, pela primeira vez no ano, uma
expectativa de crescimento econômico inferior a 3% em 2009 em sua
pesquisa semanal com agentes do mercado financeiro, o chamado Boletim
Focus. A média do levantamento aponta para um crescimento de 2,8%
para o Brasil no ano que vem e faz com que as projeções
do mercado se distanciem ainda mais da estimativa do governo, de expansão
de 4%.
Em um cenário bem mais
pessimista traçado pela Organização das Nações
Unidas (ONU), o Brasil poderá ter crescimento econômico
quase nulo em 2009. A previsão da ONU, com um eventual agravamento
da crise financeira global, é que o PIB brasileiro tenha expansão
de apenas 0,5% no ano que vem e que a economia global recue 0,4%. As
projeções estão no relatório anual da organização
sobre as perspectivas econômicas mundiais, que será divulgado
em janeiro. O estudo tem três cenários: o base, o otimista
e o pessimista. No cenário base, o crescimento econômico
do Brasil em 2009 ficaria em 2,9%, e no otimista, 3%.

Um dos principais motivos para o pessimismo dos analistas consultados pelo
BC é a inflação, cuja projeção se deteriorou,
tornando improvável um ciclo de redução dos juros básicos
em 2009. “O câmbio desvalorizado ainda vai aparecer na inflação”,
resume o economista sênior da Unibanco Asset Management, José Luciano
Costa.
A próxima reunião
do Comitê de Política Monetária (Copom) será nos
dias 9 e 10 próximos, mas, por enquanto, a maioria do mercado
ainda aposta numa manutenção da Selic, indicou o Focus
divulgado ontem. Para 2009, o cenário vem mudando neste campo,
com a expectativa dos juros passando de 13,31% para 13,50%.
Com o aperto monetário,
reforçando os reflexos negativos da crise, os especialistas diminuem
suas esperanças de um crescimento mais significativo do PIB nacional.
O presidente do BC, Henrique Meirelles, e sua diretoria já haviam
ouvido esta avaliação dos economistas na semana passada.
De modo geral, segundo fontes que participaram dos encontros, os especialistas
deixaram claro que as contas para 2009 ficavam entre 2% e 3%.
Para o economista-chefe da Sul
América Investimentos, Newton Rosa, o PIB brasileiro vai crescer
3%. Ele reconhece que, por conta das expectativas de alta dos preços,
o Brasil está na contramão do resto do mundo. E lembra
que, por conta da turbulência externa, a maior parte das economias
vai crescer menos e registrar declínio da inflação.
No Brasil, por conta do dólar mais caro, as pressões inflacionárias
são maiores. As previsões de inflação para
o próximo ano subiram. A expectativa para o IPCA em 2009, que é tomado
como referência pelo BC, passou de 5,20% para 5,25%.
A pesquisa Focus também
aponta que a previsão para o dólar no fim do ano subiu
de R$ 2,10 para R$ 2,20. Para o final de 2009, passou de R$ 2,10 para
R$ 2,15.
O ministro da Fazenda, Guido
Mantega, reconheceu que será um “desafio” atingir
a taxa de 4% de expansão da economia, previsão oficial
para 2009. Para ele, trata-se de uma meta ambiciosa, que “não
será fácil de ser cumprida”. “Se cruzássemos
o braço, esse crescimento seria de 2%, 2,5%. Mas não vamos
poupar esforços”, afirmou o ministro.
Mantega afirmou que, se
preciso, o governo irá ampliar os investimentos e diminuir tributos
para garantir os 4% de crescimento do PIB. “E o mais importante é que
tivemos um déficit nominal de apenas 0,08%. Ou seja, temos condições
de mobilizar recursos para enfrentar a crise.” Na avaliação
do ministro, o Brasil está mais bem posicionado em relação
a outros países emergentes.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
02 de dezembro de 2008 | Economia
Fracassa tentativa de acordo no Mercosul
Agência Estado
O Mercosul não se entende sobre a adoção de uma estratégia
comercial diante da recessão que se anuncia em todo o mundo. O bloco
não consegue chegar a um acordo sobre como tratar da entrada de produtos
chineses nem como lidar com o crescente volume de importação
em uma época de crise. Não há posição comum
nas negociações da Organização Mundial do Comércio
(OMC) e a Argentina insiste em manter um quarto de seu comércio protegido.
O chanceler brasileiro, Celso
Amorim, defendeu ontem que o bloco e a OMC encontrem uma solução
para ajudar a indústria argentina. Mas indicou que o momento não é de
endurecer posições e todos precisam mostrar flexibilidade.
Amorim esteve reunido com o chanceler da Argentina, Jorge Taiana, durante
viagem a Doha para encontro da ONU, ontem. Os dois tentaram aproximar
as posições negociadoras, mas não há acordo,
por enquanto. "Teremos de encontrar uma solução específica
para a Argentina. Temos de entender que viveram uma crise e merecem atenção
e respeito. O Brasil poderia também defender um patamar de proteção
pedido pela Argentina, mas isso é uma negociação",
afirmou Amorim.
Buenos Aires quer manter
24% de seu comércio protegido. A proposta ainda fala de um corte
de apenas 42% nas tarifas de importação. Os países
ricos alertam que não aceitarão a conclusão da
Rodada Doha sem um maior acesso aos produtos industriais nos mercados
dos países emergentes. Sabendo que terão de pagar algo
por um acordo e por benefícios nas exportações
agrícolas, Brasil e Uruguai vêm pressionando por um acordo
até o fim do ano e aceitam que terão de fazer concessões
na abertura de seus mercados. Peter Allgeier, embaixador americano
na OMC, chegou a confessar a outros negociadores que a Argentina estava
conseguindo isolar o Mercosul na Rodada Doha. As informações
são do jornal O Estado de S. Paulo.
|
Vermelho, 2 de Dezembro de
2008
Para Mantega, é piada questionar
a solidez da Petrobras
O ministro da Fazenda, Guido Mantega,
saiu nesta segunda-feira (1º) em defesa da Petrobras na discussão
sobre a estatal tomar empréstimos junto a bancos federais. Segundo
ele, é uma '' tempestade em copo d'água ''questionar a
solidez financeira da companhia. É uma piada. Só quem está muito
desinformado pode colocar isso em dúvida'', reiterou.
Mantega admitiu que o fato de
grandes empresas estarem se financiando com bancos locais está estreitando
a oferta de crédito para empresas menores, mas disse que esse é um
''desafio que o governo vai enfrentar''. ''Vamos aumentar esse volume
de crédito'', garantiu.
O ministro disse ainda que a
Petrobras vai manter os investimentos de R$ 50 bilhões previstos
para 2009. ''A Petrobras vai continuar sendo a maior empresa brasileira''
, completou Mantega.
Mais investimentos
O diretor de abastecimento e
refino da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse nesta segunda-feira que
o momento de crise é o mais adequado para se investir. Com isso,
ele sinalizou que a estatal não vai diminuir o ritmo os investimentos,
apesar da menor demanda prevista parta os próximos anos.
''O momento mais adequado para
se tocar os investimentos é justamente no período de crise.
Quando todos pensam em parar, temos de manter o ritmo porque a crise
não vai durar para sempre'', disse Costa, após participar
de seminário sobre biocombustíveis, no Rio.
O executivo informou que o plano
de negócios da Petrobras para o período 2009-2013 está em
fase de conclusão e deverá ser divulgado até o próximo
dia 20. A expectativa é de que o planejamento seja aprovado pelo
conselho de administração na reunião marcada para
o próximo dia 19.
Costa acrescentou que
mesmo com o mercado estagnado, o investimento para se aumentar a produção
de petróleo será obrigatório. Ele citou o dado
que indica que são necessários pelo menos mais 8,6 milhões
de barris por dia a cada ano somente para substituir a redução
da produtividade dos campos ao redor do mundo. ''A Petrobras continua
investindo e o pré-sal é prioridade'', afirmou.
|
FOLHA DE LONDRINA, 02 de
dezembro de 2008 | Política
Relator da reforma política
propõe fim da reeleição
Brasília - Ao propor
o fim da reeleição e o mandato de cinco anos para todos
os cargos eletivos, inclusive de senadores, o deputado João Paulo
Cunha (PT-SP) afirmou ontem, que essa mudança poderá ser
o ''embrião'' da reforma política. Na próxima quarta-feira,
ele formalizará a proposta na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) da Câmara, ao apresentar relatório às
mais de 50 emendas constitucionais que tratam desse assunto.
''O debate da reeleição
pode ser o pontapé da reforma'', disse o deputado à Agência
Estado. Se o relatório for aprovado na CCJ, a etapa seguinte será discuti-lo
em uma comissão especial antes de ir ao plenário.
O deputado vai estabelecer a
coincidência dos mandatos, o que significa reduzir o dos senadores,
de oito para cinco anos. Já os deputados teriam mais um ano de
mandato, passando de quatro para cinco anos. O mesmo aconteceria com
o presidente da República, governadores, prefeitos, vereadores
e deputados federais e estaduais. Essa mudança só entraria
em vigor a partir de 2014, mas o deputado admite negociar a antecipação
para 2010.
''Vai depender do acordo'', disse.
Informalmente, João Paulo tem conversado sobre o fim da reeleição
e a consciência de mandatos com líderes dos partidos aliados
ao governo e da oposição, de quem tem obtido boa receptividade.
Cida Fontes
|
FOLHA DE LONDRINA, 02 de
dezembro de 2008 | Opinião
Medo petista pelo reflexo da crise
na eleição
Deduz-se que medidas do Governo visam não
beneficiar o povo mas não perder receita e não obstruir
o caminho para a sucessão em 2010
A preocupação do PT não é com o eventual aumento
do desemprego por causa da crise, mas que o desemprego lhe tire votos na eleição
presidencial de 2010. Assim é que se portam os parlamentares do partido,
pouco preocupados com as questões de interesse da população
e sim que esses interesses não atendidos resultem em prejuízo
político. Esta é a triste realidade que impera e uma amostragem
dos homens públicos que se tem.
Eles nem têm o zelo de
esconder isto do povo, porque afirmam publicamente essa preocupação.
Como fazem agora os deputados federais e senadores petistas (e assim é também
nos demais escalões legislativos), que se articulam para evitar
o crescimento do discurso da oposição sobre a crise, porque
temem reflexos eleitorais em 2010. Deduz-se que as medidas anticrise
do Governo não visem propriamente beneficiar os brasileiros e
sim não perder arrecadação e não obstruir
o caminho para a continuidade no poder.
É do regime democrático
esse anseio, politicamente aceito se a meta é dar sequência
a programas desenvolvimentistas do partido e do Governo - quando eles
existem - e não por mera ambição de poder. Por isso
que, paralelamente às reformas na área política,
há que haver primeiro a reforma de mentalidade. Porque, sabendo-se
que o espírito público dos políticos não é grande,
não se poderá esperar melhora de comportamento dessa comunidade,
detentora de tanto poder. O receio predominante do petismo, pelo que
se constata, não é com a redução de postos
de trabalho e sim que isto ocorrendo converta-se em bandeira oposicionista.
Porque isto significaria perda de votos. O mesmo se diz das oposições,
que visam tirar proveito da intensificação da crise no
Brasil (reflexo da crise mundial) para, também elas, assumirem
posições de comando. Tudo é pelo poder, que não
significa um ardor cívico pela causa das grandes soluções
nacionais mas apenas a ocupação dos postos, com todas as
regalias que vêm a reboque.
Um deputado governista
diz que ''a maior conquista do Governo foi a geração
de tantos empregos'' - um mérito que não é nada
governamental e sim do arrojo e dos avanços do empreendedorismo
privado, apesar do Governo. Ele diz que é preciso incentivar
as empresas, que são as que geram trabalho e ganho, mas não
assinala para atitudes como diminuição de impostos que
resultaria em mais folga da cadeia empresarial para expansão
e mais contratações, nem com mudanças na legislação
do trabalho que é um dos terrores da classe empresarial mesmo
cumprindo inteiramente as obrigações trabalhistas. Porque
essas coisas não rendem votos.
|
Gazeta do Povo, 2 de Dezembro
de 2008
Corrida presidencial
Aécio diz que PSDB e PMDB
podem estar juntos em 2010
Governador de Minas Gerais descarta sair
do ninho tucano para ser o candidato peemedebista ao Planalto, na sucessão
de Lula
O governador de Minas Gerais,
Aécio Neves (PSDB), disse ontem, em Curitiba, que fica lisonjeado
com as “gentilezas recebidas por parte de companheiros do PMDB”,
que lhe têm feito convites para que troque de partido com vistas à eleição
presidencial de 2010. Ele, porém, afirmou que está bem
na atual legenda. O tucano sugeriu ainda que as duas siglas podem construir,
juntas, um projeto para o Brasil.
Na semana passada, o ministro
das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), que também é mineiro,
convidou Aécio Neves para ingressar no partido e ser o candidato
da sigla na disputa pela Presidência da República, daqui
a dois anos. A resposta do governador de Minas Gerais foi dada durante
o “Encontro Estadual de Empreendedores e Líderes Rurais”,
organizado pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep),
em Pinhais, região metropolitana de Curitiba. Aécio foi
um dos palestrantes, ao lado de outras lideranças da oposição
ao governo federal, como a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), récem-eleita
presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
“Tenho uma relação
pessoal histórica com o PMDB. Foi o único partido do qual
participei antes de construirmos o PSDB. Mas estou satisfeito”,
disse Aécio, que é pré-candidato ao Planalto, assim
como o seu colega de partido, José Serra, governador de São
Paulo. O paulista teria a preferência dentro da legenda. Mas o
mineiro não vê a situação desse jeito. “Ninguém
pode ser candidato de si próprio. O PSDB, antes de dizer quem é o
candidato, deve definir qual a sua proposta, qual a sua bandeira e o
que vai diferenciá-lo do governo que está aí.”
Aécio Neves, mais
uma vez, foi cortejado por dois pré-candidatos ao governo do
Paraná em 2010: o senador Osmar Dias (PDT) e o prefeito de Curitiba,
Beto Richa (PSDB), que também participaram do evento. Richa
afirmou apenas que ainda é muito cedo para debater a corrida
presidencial. Já o pedetista, candidato assumido, provocou o
aliado dizendo que em 2009 eles deveriam combinar bem o rumo a tomar,
para que possam caminhar juntos e “fechar a conta” eleitoral
a favor do mesmo grupo, o qual atualmente faz oposição
ao governador Roberto Requião (PMDB).
|
Folha de S.Paulo, 2 de Dezembro de 2008
Conselho de Ética
Paulinho não irá a
votação de processo
O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), acusado de quebra de decoro parlamentar,
não acompanhará amanhã no Conselho de Ética a votação
do processo que definirá seu futuro político. Ele vai comandar
a 5ª Marcha das Centrais Sindicais, que pretende reunir em Brasília
até 30 mil pessoas. "É uma coincidência. O evento
já estava marcado", disse Paulinho, que preside a Força.
Ele afirmou que espera contar com o apoio de deputados da base aliada. "As
pessoas que acompanharam o processo sabem das injustiças que estão
fazendo contra mim."
|
O ESTADO DO PARANÁ,
02 de dezembro de 2008 | País
Lula pede estudo para elevar saque
do FGTS em tragédia
Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou estudos aos ministros
da área econômica para o aumento do valor dos saques do Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), em caso de catástrofes
naturais, e o direito a dois saques por ano. Atualmente, o decreto 5113/2004
permite o limite de R$ 2,6 mil e apenas um saque no período de 12 meses.
A decisão foi tomada
na reunião desta segunda-feira (1º) com o grupo de coordenação
política, em resposta ao pedido do governador de Santa Catarina,
Luiz Henrique da Silveira (PMDB), e da senadora Ideli Salvatti (PT-SC),
para atender os moradores do Estado, atingidos pelas enchentes.
|
Vermelho, 2 de Dezembro de 2008
Aprovado feriado de Zumbi em todo
o território brasileiro
O calendário de feriados
nacionais será acrescido de mais uma data – 20 de Novembro,
data da morte do líder negro Zumbi dos Palmares -, que marca o
Dia Nacional da Consciência Negra. A Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou o projeto
de lei de autoria da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), que estabelece
no calendário oficial o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência
Negra, a ser comemorado anualmente com feriado em todo o território
brasileiro.
Atualmente, apenas alguns estados
comemoram a data com feriado. A partir da aprovação do
projeto, que deve voltar ao Senado Federal para votação
final, o dia 20 de novembro será feriado nacional junto com os
dias 1º de Janeiro, 1º de Maio, 7 de Setembro, 15 de Novembro
e 25 de Dezembro.
Para o deputado Chico Alencar
(PSOL-RJ), relator da matéria na Comissão de Educação
da Câmara, a instituição da data como feriado nacional “têm
o intuito de oferecer instrumento político para estimular a identificação
e o reconhecimento do preconceito racial que permeia a sociedade brasileira,
bem como de propiciar rica oportunidade de reflexão sobre tal
preconceito.”
A data, além de homenagear
os afro-brasileiros, tem ainda a função de reconhecer o
importante fenômeno da eclosão do movimento de “consciência
negra” no País, assim como de oferecer à sociedade
a oportunidade de refletir sobre suas origens, sua história e
seus heróis.
O parlamentar socialista lembra
ainda que “a sociedade vive um momento em que o tema da discriminação
racial ocupa lugar de destaque e insere-se no amplo debate em torno dos
direitos humanos”, acrescentando que “em consonância
com tal momento, ampliam-se as ações governamentais voltadas
para a promoção da igualdade racial e para a inclusão
social dos brasileiros afro-descendentes.”
A data já há muito
vem sendo utilizada pelo Movimento Negro como referência, em razão
do assassinato do seu líder máximo, ícone da resistência
africana no Brasil, em 20 de novembro de 1695. Zumbi, tal como Tiradentes – herói
brasileiro homenageado com o feriado nacional de 21 de abril – teve
a cabeça decepada e exposta à exibição pública.
Eternizou-se na consciência
de todos os brasileiros como símbolo da luta pela liberdade,
pelo respeito aos direitos humanos e pela igualdade racial. Sua importância
já foi reconhecida por ocasião da inscrição
de seu nome no Livro dos Heróis da Pátria, ao lado do
próprio Tiradentes.
|
Agência
Senado, 2 de Dezembro de 2008
Congresso lembra luta de Chico Mendes
em defesa da Amazônia

O trabalho realizado pelo líder sindical e ambientalista Chico Mendes
será lembrado nesta quarta-feira (3), em sessão solene do Congresso
Nacional, às 11h. Antes, às 10h, haverá debate com estudantes
da rede pública do Distrito Federal sobre a luta dos seringueiros pela
preservação da floresta amazônica e apresentação
do cantor acreano Sérgio Souto. A homenagem, proposta pelos senadores
Tião Viana (PT-AC), Marina Silva (PT-AC) e Cristovam Buarque (PDT-DF)
e apoiada por diversos parlamentares, visa marcar os 20 anos do assassinato
do líder acreano.
Participam da homenagem, ao lado
de senadores e deputados, familiares do ambientalista, como sua esposa,
Ilzamar Mendes, seus filhos e seu primo e também sindicalista Raimundo
Barros. Foram convidados ainda os ministros da Justiça, Tarso Genro,
e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, além
do jornalista Zuenir Ventura, autor de livro e de diversas reportagens
sobre Chico Mendes. Também devem participar da sessão Suely
Bellato, integrante da Comissão de Anistia do Ministério
da Justiça, e representantes do Conselho Nacional dos Seringueiros
e do Fórum Brasileiro de ONGs e de Movimentos Sociais para o Meio
Ambiente e o Desenvolvimento - Fboms.
Chico Mendes foi fundador do Partido
dos Trabalhadores no Acre e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri.
Em 1985, liderou o 1º Encontro Nacional de Seringueiros, que resultou
na aprovação da proposta denominada União dos Povos
da Floresta, unificando interesses de seringueiros e índios em defesa
da Amazônia. Com a repercussão nacional e internacional do
movimento, o ambientalista recebeu diversos prêmios, entre os quais
o Global 500, oferecido pela Organização das Nações
Unidas (ONU).
Como resultado das ações
lideradas por Chico Mendes pela preservação da floresta,
são criadas reservas extrativistas no Acre, o que contraria interesses
de grandes proprietários de terras da região. Seguidas
ameaças de morte recebidas pelo ambientalista são reportadas
a autoridades policiais, o que, no entanto, não evita o assassinato
do sindicalista, em 22 de dezembro de 1988.
|
Vermelho, 2 de Dezembro de 2008
Deputado espera por trabalhadores
para votar Convenção 151
Na próxima quarta-feira (3), quando acontecerá a 5ª Marcha
da Classe Trabalhadora pela Valorização do Trabalho, em Brasília,
o deputada Daniel Almeida (PCdoB-BA) apresenta para votação,
na Comissão de Trabalho da Câmara Federal, o parecer favorável à ratificação
da Convenção 151 da Organização Internacional do
Trabalho (OIT).
A data foi escolhida pela simbologia, pois nesse dia estarão na capital
federal milhares de trabalhadores. A defesa do deputado comunista reflete o
desejo dos trabalhadores pela aplicação das garantias estabelecidas
pela OIT. "É importante que o movimento sindical compareça à sessão
do colegiado para garantir a aprovação do parecer", afirma
Daniel.
A convenção trata das relações de trabalho no serviço
público e dispõe sobre o direito de sindicalização
e procedimentos para definir as condições de trabalho. A norma
reconhece também como instrumentos válidos para a solução
de conflitos, a mediação, a conciliação ou a arbitragem.
O projeto já foi aprovado pelas comissões de Relações
Exteriores e de Constituição e Justiça (CCJ). O passo
seguinte será encaminhar o projeto para votação no plenário.
Segundo o deputado, é fundamental que o movimento sindical dialogue
com os líderes partidários na Câmara, e, sobretudo com
o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), a fim de aprovar a proposta
ainda este ano e enviá-la ao exame do Senado.
|
Agência
Diap, 2 de Dezembro de 2008
Fator previdenciário muda e
reduz valor de novas aposentadorias
Na iniciativa privada, o debate sobre a idade
mínima deve estar ligado a um outro tema: a estabilidade no emprego.
Caso contrário, ninguém conseguirá aposentar-se
Silvia Barbára*
As aposentadorias requeridas a partir de dezembro
serão calculadas com o novo fator previdenciário, resultando
em mais um achatamento do seu valor inicial.
Os benefícios ficarão em média
0,55% menores, uma queda ligeiramente mais acentuada do que em 2007, quando
o valor das novas aposentadorias por tempo de contribuição
caíram cerca de 0,52%.
Em determinadas faixas etárias, a perda
pode chegar a quase 1%. O maior rebaixamento está concentrado entre
os trabalhadores com 60 anos de idade (-0,95%), seguidos de quem decidir
se aposentar aos 57 e 54 anos.
A diferença ocorre porque o IBGE calcula
a expectativa de vida em cada faixa etária e em algumas delas, o
aumento de sobrevida foi mais significativo.
Fator previdenciário x limite de idade?
O fator previdenciário é um redutor aplicado sobre a média
de contribuições que o trabalhador fez ao INSS. Ele é definido
a partir de três variáreis: tempo de contribuição,
idade e expectativa de vida. Quanto menores os dois primeiros, maior a redução.
Esse mecanismo não foi criado para retardar
o pedido de aposentadoria, mas simplesmente para que o INSS gastasse menos
com os segurados. É fácil explicar por quê...
A Constituição garante aposentadoria
aos 35 anos de contribuição (homem), 30 anos (mulher e professor
de educação básica) e 25 anos (professora de educação
básica).
Pelos cálculos já atualizados com
a expectativa de vida de 2007 e considerando que uma pessoa tenha começado
a contribuir para o INSS aos 18 anos, só recebe a aposentadoria
integral quem trabalhar por 46 anos (homem); 41 (mulheres) e 36 anos (professoras
de educação básica).
Dada a grande diferença entre o que garante
a Constituição e o que impõe a regra do fator, ninguém
retarda a aposentadoria. Simplesmente, se aposenta por um valor muito abaixo
do que contribuiu durante a vida.
Por esse motivo, interessa ao governo trocar o
fator previdenciário pela exigência de uma idade mínima
para a concessão da aposentadoria.
Essa questão ressurgiu porque a Comissão
de Seguridade Social e Família da Câmara aprovou, no dia 8
de outubro, o PL 3.299/08, que acaba com o fator previdenciário
e altera o mecanismo de cálculo dos benefícios. A proposta,
do senador Paulo Paim (PT/RS), já passou no Senado.
Boa notícia? Sem dúvida, desde que
ninguém queira negociar a idade mínima. Nesse caso, melhor
ficar com o fator previdenciário e buscar um mecanismo para atenuar
os seus efeitos, além de estabelecer uma forma menos draconiana
de calcular os benefícios.
Vale lembrar que, na iniciativa privada, o debate
sobre a idade mínima deve estar ligado a um outro tema: a estabilidade
no emprego. Caso contrário, ninguém conseguirá aposentar-se!
(*) Professora de Geografia, diretoria da Fepesp
e colaboradora do Diap
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
02 de dezembro de 2008
Loja de móveis no PR não
poderá abrir em domingos e feriados
A 1ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) manteve decisão
do TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná) e rejeitou recurso impetrado
pela Comercial de Móveis Brasília Ltda, localizada em Londrina,
que pedia para que o estabelecimento comercial pudesse funcionar aos domingos
e feriados.
Para o relator no STJ, ministro
Francisco Falcão, o caso se trata da hipótese de decretação
do prazo decadencial para impetração do mandado de segurança.
Citando a doutrina de Hely Lopes Meirelles, o relator observou que o
prazo para impetração não conta da publicação
da lei, mas do ato administrativo que concretiza a ofensa ao direito
do impetrante.
Por maioria, a Turma negou o
recurso especial. Ficou vencido o ministro Teori Albino Zavascki, que
deu provimento ao recurso. Para ele, não houve decadência
em razão da natureza do pedido. O ministro entendeu tratar-se
de um pedido tipicamente preventivo em que o empresário pedia à Justiça
que a administração deixasse de puni-lo por desobedecer à lei.
Segundo o site do STJ, o ministro Zavascki entendeu que o ato administrativo
não existe ainda e o objetivo do empresário era evitar
que esse ato, de caráter punitivo, viesse a se concretizar.
Decadência
O caso chegou à Justiça quando um empresário impetrou
mandado de segurança pedindo que não fosse punido por abrir sua
loja nos horários proibidos pela lei municipal, argumentando que ela
contraria lei federal. O pedido foi acatado pelo juízo de primeiro grau.
Essa decisão acabou sendo reformada em segunda instância por decadência,
ou seja, esgotamento do prazo legal para contestar a lei.
A lei municipal que disciplinou
o horário de funcionamento do comércio varejista de móveis
em Londrina foi editada em 1990. Segundo o tribunal estadual, o empresário
cumpriu a legislação plenamente e, só em dezembro
de 2002, é que decidiu contestar a lei, configurando assim a
decadência.
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
01/12/2008
Falta de isenção de fiscal
do trabalho resulta em anulação de multa
Uma multa administrativa aplicada
por um auditor fiscal do trabalho a uma empresa de transporte coletivo
um dia depois de uma discussão entre o fiscal e um trocador foi
anulada pela Justiça do Trabalho, que entendeu haver “ilegal
discricionariedade da autoridade” na imposição dos
valores. A decisão, da Justiça do Trabalho da 3ª Região
(MG), foi mantida pela Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho,
que rejeitou agravo de instrumento da União contra a anulação.
Na ação anulatória,
a Empresa Alcino Gonçalves Cotta, da cidade mineira de Matozinhos,
contou que, no dia 10/12/2002, “ocorreu um desencontro de informações” entre
um fiscal do Ministério do Trabalho e o trocador de um de seus ônibus
quanto à forma de concessão do passe livre aos fiscais.
Segundo a empresa, o fiscal teria passado pela roleta sem se identificar
como fiscal e, ao ser cobrada a passagem, afirmado que a empresa teria
de ter um caderno em que ele assinaria a justificativa do não-pagamento.
Mas, ainda de acordo com a inicial, esse procedimento diz respeito aos
serviços de transporte coletivos de Belo Horizonte. Para a empresa,
que faz o trajeto Matozinhos-Belo Horizonte, a orientação
do DER-MG é de que os beneficiários do passe livre saltem
pela porta da frente, sem pagar a passagem. “A questão relativamente
simples se tornou um desentendimento quando o trocador disse que o fiscal
não precisava pagar a passagem, mas esta seria descontada de seu
salário”. O caso foi registrado em boletim de ocorrência
pela Polícia Militar.
No dia seguinte, o fiscal, juntamente
com outros colegas, foi à empresa e aplicou diversas multas, no
valor total de cerca de R$ 7 mil. A transportadora questionou então
a legitimidade da fiscalização. “O comparecimento
para fiscalizar a empresa poucas horas depois de ter tido sério
desentendimento com seu representante gerará no espírito
do cidadão mediano a impressão de se tratar de desforra,
de uso indevido de poderes e demonstração de poder, e certamente
iria macular perante a sociedade a imagem de todo o corpo de profissionais
da Administração Pública”, argumentou.
A 32ª Vara do Trabalho de
Belo Horizonte considerou “de extrema suspeita” a fiscalização. “No
meu sentir, o auditor agiu com espírito de vingança e ainda
trouxe colega como colaborador, atendendo interesse pessoal indireto,
em evidente desvio de finalidade do ato administrativo”, assinalou
o juiz de primeiro grau. Como agravante, a sentença observa que
a empresa, de pequeno porte, é optante do SIMPLES, e neste caso
a legislação determina o critério da dupla visita
do fiscal, antes de lavrar o auto de infração, com a finalidade
de instruir os empregadores e empregados no cumprimento das leis de proteção
do trabalho. Este entendimento foi mantido pelo TRT/MG, ao julgar recurso
ordinário da União e negar seguimento a seu recurso de
revista.
No agravo de instrumento ao TST,
a União sustentou que os autos de infração diziam
respeito a infrações às normas de medicina e segurança
do trabalho efetivamente cometidas pela empresa. “Constatada a
infração, a lavratura do auto é procedimento não
apenas cabível mas obrigatório”, defendeu, acrescentando
que caberia à empresa provar a tese de que o fiscal agiu por vingança.
Mas o relator, ministro Renato de Lacerda Paiva, ressaltou que o TRT
decidiu com base na aplicação do princípio da persuasão
racional. “Cumpre observar que não mais vigora o sistema
de prova legal, onde o valor das provas era tarifado”, assinalou. “No
sistema atual, é livre a apreciação e a valoração
das provas, bastando que o juiz atenda aos fatos e circunstâncias
constantes dos autos e indique os motivos que lhe formaram o convencimento”,
concluiu. ( AIRR 1618/2005-111-03-40.0)
(Carmem Feijó)
|