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O ESTADO DE SÃO PAULO,
04 de dezembro de 2008 | Economia e Negócios
Governo faz raio-x do emprego
Diagnóstico servirá para avaliar
a reivindicação de trabalhadores de ampliar as parcelas
do seguro-desemprego
Isabel Sobral
O Ministério do Trabalho
estuda a ampliação do número de parcelas do seguro-desemprego
para os trabalhadores demitidos em setores econômicos mais afetados
pela crise financeira. O ministro Carlos Lupi, segundo a sua assessoria,
determinou à sua equipe técnica que acompanhe os desligamentos
formais de empregados, por meio dos registros do Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged), para ter o diagnóstico preciso de onde
o problema poderá se agravar.
As centrais sindicais pediram
a Lupi, na semana passada, o aumento do número de parcelas - que
hoje variam de três a cinco, dependendo da atividade e da faixa
salarial do empregado - para até dez parcelas. O ministro disse
aos sindicalistas ser favorável à idéia, mas não
de forma generalizada.
A ampliação do
benefício é uma medida temporária, já adotada
outras vezes. Em 2006, por exemplo, os desempregados dos setores de calçados,
de fabricação de móveis e de tratores - demitidos
entre janeiro e junho daquele ano - receberam mais duas parcelas do seguro.
O número de demissões
nesses segmentos, que chegou a quase 80 mil no período, foi considerado
elevado e provocado pela perda de competitividade externa das empresas,
em razão da desvalorização do dólar em relação
ao real.
A adoção de medidas
que garantam o emprego foi a principal reivindicação da
5ª Marcha dos Trabalhadores, realizada ontem. Por cinco horas, milhares
de pessoas organizadas por seis centrais sindicais caminharam pela Esplanada
dos Ministérios.
O presidente da Central Única
dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique Silva, propõs que o governo
exija das empresas que receberem socorro de bancos públicos ou
que forem beneficiadas por desoneração de impostos a contrapartida
de não demitirem empregados. Ele sugeriu que essa exigência
conste dos contratos de financiamentos bancários das empresas,
por exemplo.
“O presidente Lula tem
dito que as pessoas precisam consumir, nós completamos que as
pessoas só vão fazer isso tendo a garantia de que não
serão demitidas”, afirmou o dirigente.
O presidente da Central Geral
dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antônio Neto, acrescentou que
isso é o mínimo que se pode exigir de empresas que se têm
beneficiado de “recursos dos trabalhadores, como o FAT (Fundo de
Amparo ao Trabalhador) e o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)” para
voltarem a ter acesso ao crédito. Para ele, a medida não
vai engessar as empresas porque reforçará o consumo interno
que, por sua vez, garantirá o lucro.
Após marcharem pela Esplanada
dos Ministérios, um grupo de sindicalistas foi recebido pelo presidente
da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e pelo ministro-chefe da
Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci.
Além das medidas
direcionadas à proteção do emprego, os sindicalistas
pressionaram pela aprovação da proposta de redução
da jornada de trabalho e pelo fim do fator previdenciário, que
será o tema de encontro, hoje, das centrais com o ministro da
Previdência Social, José Pimentel.
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FOLHA DE LONDRINA, 04 de
dezembro de 2008 | Economia
Governo monitora setores para evitar
desemprego
Brasília - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem que
o governo está fazendo monitoramento em todos os setores da economia
para evitar o desemprego. ‘‘Estamos monitorando junto com todos
os setores empresariais e avaliando o que precisa ser feito adicionalmente
para que a economia continue rodando’’, disse o ministro que participou
do 3º Congresso Mundial de Engenheiros, em Brasília.
Ele avaliou que não ‘‘há uma
situação grave de desem-prego’’. ‘‘Agora,
se há uma possibilidade de desaceleração da economia, é preciso
estar atento e a ordem é preservar o emprego e a renda’’,
disse. ‘‘Vamos preservar a produção e fazer
com que a economia real sofra menos impacto possível nesta crise’’,
completou.
Paulo Bernardo avaliou que, ‘‘nem
de longe’’, a situação brasileira é parecida
com a da Europa, onde, segundo lembrou, há 10 mil desempregados
por dia. ‘‘Vamos fazer o que estiver ao nosso alcance,
mas não vamos fazer política irresponsável’’,
afirmou. ‘‘Vamos continuar mantendo a boa qualidade da
nossa política macroeconômica e o que estiver ao alcance
do governo vamos fazer’’, afirmou.
Leonencio
Nossa
Agência Estado
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Folha de S.Paulo, 4 de dezembro
de 2008
Desemprego aumentará em
2009, admite governo
Ministro do Trabalho diz que "primeiro
trimestre [do próximo ano] será brab o' | Lupi vê antecipação
de demissões e afirma que os primeiros setores a já mostrarem
retração são automotivo e construção
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O discurso otimista do ministro
do Trabalho, Carlos Lupi, deu lugar à preocupação.
Apesar dos números recordes de geração de empregos
formais registrados neste ano, o ministro prevê aumento do desemprego
no primeiro trimestre de 2009 e avalia que somente a redução
das taxas de juros, agora, pode atenuar o cenário.
" O primeiro trimestre será brabo. Já estamos fazendo o que
pode ser feito, usando recursos do FGTS [Fundo de Garantia do Tempo de Serviço]
e do FAT [Fundo de Amparo ao Trabalhador]. Mas só a redução
dos juros pode mudar o quadro, mais por um efeito psicológico", disse à Folha
Lupi -conhecido por assustar assessores com previsões mais favoráveis
do que os estudos técnicos autorizam.
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 7,5% em outubro, o menor patamar do
ano.
Nos três primeiros meses deste ano, o emprego formal alcançou
a marca histórica de 554.440 postos criados -aumento de 39% em relação
a igual período de 2007.
Para 2009, o governo já anunciou R$ 3 bilhões do FGTS para socorrer
construtoras e mais de R$ 4 bilhões do FAT para micro e pequenas empresas.
Lupi ainda estuda ampliar parcela do seguro-desemprego a setores que enfrentarem
demissões em massa.
Em outubro, dados do emprego formal mostraram os primeiros sinais de desaceleração,
aumentando a preocupação do governo. Para novembro, Lupi espera
resultado ainda pior porque muitas demissões que ocorrem sazonalmente
em dezembro foram antecipadas.
Para Fábio Romão, da consultoria LCA, o primeiro trimestre de
2009 aponta quadro "nada animador". "O mercado de trabalho estará respondendo
com mais clareza aos efeitos da crise financeira. Hoje os sinais ainda são
díspares", disse.
Para Romão, a taxa de expansão dos ocupados de 2009 ficará bem
abaixo da estimada para este ano -3,4%, em 2008, contra 2,1%, em 2009, o que
reduz as vagas abertas aos ingressantes no mercado de trabalho.
Lupi diz que os primeiros setores a demonstrar estrangulamento são automotivo
e construção civil. O setor de autopeças calcula que fechará mais
de 8.000 vagas até o final deste mês.
Entre as montadoras, cerca de 50 mil trabalhadores deverão cumprir férias
coletivas. Segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes
de Veículos Automotores), os dados que serão divulgados hoje
com os resultados de novembro ainda não vão apontar demissões,
porque, tecnicamente, os desligados estão sob aviso prévio.
O presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção),
Paulo Safady, disse que, no mês passado o setor registrou demissões
concentradas principalmente nas grandes empresas. Os dados ainda estão
sendo tabulados.
" Foi encerrado um ciclo de grandes obras, e houve um movimento maior de
demissão. A crise queimará uma gordura que foi criada no setor
e, com certeza, continuará mostrando efeitos em 2009. Não sabemos
com qual intensidade", disse ele.
"
Esperamos que o governo não só mantenha os investimentos
como aumente a intensidade para manter os empregos", disse Safady.
No setor bancário, os sindicatos calculam que 900 trabalhadores já tenham
sido demitidos nos pequenos bancos. Ontem, foi a vez de a Vale anunciar a demissão
de 1.300 funcionários. Outros 5.500 trabalhadores da mineradora foram
postos em férias coletiva.
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Folha de S.Paulo, 4 de dezembro
de 2008
Crise encerra "crescimento
chinês" na construção
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Com a crise financeira global,
o ciclo de "crescimento chinês" da indústria da
construção civil chega ao fim. No ano que vem, o setor
prevê expansão de 4,7% no cenário mais otimista,
menos da metade do crescimento estimado para este ano (10%), de acordo
com o Sinduscon-SP (sindicato da construção).
Em razão da piora no ambiente econômico a partir de setembro,
as construtoras já revisaram suas projeções de lançamentos
para este ano, o que impactará os resultados da indústria em
2009 no segmento imobiliário. A Cyrela, por exemplo, previa lançar
R$ 7 bilhões em empreendimentos neste ano, mas rebaixou a cifra para
algo entre R$ 5,25 bilhões e R$ 5,6 bilhões.
Como os projetos são de longa maturação -geralmente entre
12 e 36 meses-, essa freada das companhias só será sentida a
médio prazo, uma vez que as obras em andamento não devem sofrer
paralisação, segundo o sindicato. Com isso, o crescimento de
10% do setor neste ano já está garantido.
Apesar da diminuição do ritmo, o presidente do Sinduscon, Sergio
Watanabe, considera "saudável" o crescimento de 4,7% em 2009. "O
ritmo com que estávamos seguindo impunha dificuldades em relação
a materiais e mão-de-obra qualificada ", afirma.
Entre janeiro e novembro, os custos da construção subiram 15,68%
-só o vergalhão de aço, um dos principais insumos usados
pela indústria, registrou variação de 46,62%.
" O setor teve um ônus de crescimento, tanto do lado de pessoal qualificado
como do lado de aumento de custos. Estamos enfrentando uma crise no momento,
mas, mesmo que isso não estivesse no panorama, o setor não poderia
sustentar expansão de 10%", afirma a economista da FGV Projetos,
Ana Maria Castelo.
(PAULO DE ARAUJO)
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FOLHA DE LONDRINA, 04 de
dezembro de 2008 | Economia
Construcão civil crescerá menos
em 2009
Setor espera fechar 2008 com evolução
de 10%; para o ano que vem índice não deve superar
4,7%
São Paulo - A construção
A contrução civil
brasileira deverá fechar 2008 com um crescimento de 10%. A expansão
em 2009 deverá ser bem menor: entre 3,5% a 4,7%. A previsão é do
Sindicato da Indústria da Construção do Estado de
São Paulo (SindusCon-SP).
Segundo o presidente da entidade,
Sergio Watanabe, o setor será beneficiado pelas obras que já foram
contratadas neste ano, o que deve manter o nível de atividade
no setor até pelo menos o primeiro trimestre de 2009.
A previsão para o próximo
ano, feita pela economista Ana Maria Castelo, da FGV Projetos, apresenta
dois cenários: no cenário chamado ‘‘básico’’,
que aponta para uma redução pouco expressiva do nível
de investimento, mostra uma estimativa de alta do PIB da construção
civil de 4,7% e do PIB do país de 3,8%.
Já em um cenário
de ajuste lento, com uma maior queda no nível de investimento,
o PIB brasileiro subiria 2,8% e o da construção civil,
3,5%.
Entre os dois cenários,
Watanabe diz ser mais provável o primeiro. ‘‘Obras
já iniciadas em 2008 vão garantir a continuidade da atividade
em 2009’’, disse o presidente do SindusCon-SP, citando a
manutenção dos financiamentos feitos com recursos da poupança
e do FGTS e a garantia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
Social (BNDES) de formar ‘‘uma parte importante dos investimentos
em infra-estrutura, também contemplados nos orçamentos
da União, Estados e municípios’’.
Emprego
O nível de emprego na
construção civil deve permanecer no mesmo patamar dos últimos
meses pelo menos até o fim do primeiro trimestre de 2009, conforme
o diretor de Economia do Sindicato das Indústrias de Construção
Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Eduardo Zaidan. ‘‘Os
níveis de emprego devem ficar próximos aos atuais’’,
afirmou. Segundo ele, as obras privadas e de infra-estrutura já iniciadas
estão com financiamentos ‘‘bastante arranjados’’,
o que garante que ‘‘grande maioria vai continuar’’.
Zaidan disse esperar que a partir
do segundo trimestre do ano que vem esse patamar de emprego também
possa ser mantido, mas contou que ainda é cedo para afirmar o
que vai ocorrer. ‘‘A partir do segundo trimestre, se o ambiente
não se mostrar favorável, pode haver desaceleração
do crescimento’’, disse. A expectativa do Sinduscon-SP é de
continuidade das obras em andamento. ‘‘A construção
civil continuará trabalhando em 2009. Teremos um índice
razoável de crescimento em função das obras em execução’’,
disse Zaidan.
Em outubro, o setor registrou
recorde na contratação de emprego com carteira assinada.
Na comparação de outubro com o mesmo mês do ano passado,
o número de postos de trabalho cresceu 342 mil, o equivalente
a uma alta de 18,5%.
Ygor
Salles
Folhapress
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O ESTADO DO PARAJNÁ,
04 de de dezembro de 2008 | Economia
Recurso para moradia cresceu 51% este
ano
Joyce Carvalho
Mais uma vez, a Caixa Econômica Federal bateu o recorde em financiamento
habitacional. Neste ano, até o dia 28 de novembro, foram assinados 9.495
contratos somente em Curitiba, atingindo um investimento de R$ 540 milhões.
Isto corresponde a um crescimento de 51% em relação ao mesmo
período do ano passado.
O aumento também foi verificado
em todo o Paraná, com 28.835 contratos assinados neste ano, até novembro,
no valor de R$ 1,326 bilhão. Estes dados significam um crescimento
de 18% no comparativo com o mesmo período de 2007. Em todo o País,
o crescimento foi de 60%, com 446 mil contratos assinados no valor de
R$ 20,4 bilhões.
A projeção da Caixa
para Curitiba é fechar 2008 com 11 mil contratos, com valor total
financiado de R$ 610 milhões. Para o Paraná, o banco acredita
que atinge a marca de 33 mil contratos, no valor de R$ 1,530 bilhão.
Os novos recordes foram gerados
devido às melhores condições na taxa de juros e
prazos para financiamentos. Outro fator importante foi a realização
do Feirão Caixa da Casa Própria, que percorreu dez cidades
brasileiras. No Brasil, foram fechados 56 mil contratos, no valor de
R$ 4 bilhões, somente por intermédio do mutirão.
O gerente regional de negócios
da Caixa em Curitiba, Gueber Roberto Laux, explica que pessoas que possuem
uma renda de até três salários mínimos representam
40% da contratação total de crédito imobiliário.
A maior parte das pessoas que
fazem um financiamento habitacional (67%) tem até 40 anos de idade. "Hoje
em dia, as pessoas procuram o imóvel que servem para elas naquele
momento, com a expectativa de trocar depois", comenta.
A inadimplência vem caindo
nos últimos anos, de acordo com ele. Em 2001, chegava a 16% do
valor total financiado pela Caixa e 5,6% na quantidade de contratos.
Atualmente, a inadimplência acima de 90 dias chega a 0,3% nas duas
situações.
Este cenário contribui
na redução de juros do financiamento. Sobre a origem dos
recursos, foram aplicados R$ 272,5 milhões por meio da poupança
(SBPE) e R$ 267 milhões com dinheiro vindo do Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço (FGTS), somente em Curitiba.
Apesar da instabilidade mundial,
Laux afirma que 2009 tem tudo para ser um ano excepcional. A estimativa
baseia-se no apoio da Caixa para a aquisição de material
de construção, no auxílio para as empresas continuarem
construindo e também em uma taxa de juros menor para quem financia.
"Quem tem uma renda
até R$ 2 mil pode financiar um imóvel até R$ 80
mil com juros que chegam a 6,5% ao ano, o que é bem acessível",
avalia. O segredo para manter o ritmo no setor de construção
civil é investir na construção de imóveis
até R$ 150 mil, faixa na qual ocorre a maior procura para a
compra, diz o executivo.
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Folha de S.Paulo, 4 de dezembro
de 2008
Contratos habitacionais poderão
ser renegociados
Câmara inclui em medida provisória
possibilidade de refinanciamento de contratos do SFH feitos de 1987 a
2001 | Deputados "incham" MP com assuntos que não guardam
relação com o texto, como o recadastramento de armas e
a conservação de rodovias
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Ao aprovar na noite de
ontem a medida provisória que dá garantias à Caixa
Econômica Federal para a realização de empréstimos às
construtoras, a Câmara "inchou" a proposta com a inclusão
da possibilidade de renegociação de contratos de financiamentos
do SFH (Sistema Financeiro da Habitação) e com assuntos
que não guardam nenhuma relação com a medida,
como o recadastramento de armas e a conservação de rodovias.
A MP havia sido editada no início de novembro pelo governo na esteira
da crise econômica. Em seus dois artigos originais, ela permitia à União
abrir mão dos dividendos e juros que teria a receber da Caixa entre
2008 e 2010, algo em torno de R$ 1 bilhão. O dinheiro formará um
fundo que irá garantir até 35% dos empréstimos que o banco
estatal fará para dar capital de giro às empresas de construção
civil.
Na Câmara, a MP foi relatada por Paulo Pimenta (PT-RS) e aprovada em
votação simbólica (sem registro nominal dos votos). Ela
segue agora para votação no Senado, o que poderá acontecer
ainda neste ano. Todas as alterações só valem após
aprovação definitiva do Congresso e desde que não sejam
vetadas pelo presidente Lula.
A primeira emenda incluída pela Câmara diz que poderão
ser renegociados os contratos de financiamento de imóveis feitos até 2001
sem cobertura do FCVS (Fundo de Compensação das Variações
Salariais), que até 1987 acabava cobrindo eventuais saldos devedores.
" A Caixa diz que não faz renegociações dos financiamentos
sem cobertura do FCVS por falta de instrumento jurídico. Nosso objetivo é permitir
que haja negociação para contratos desequilibrados financeiramente",
disse Nelson Pellegrino (PT-BA), autor da emenda.
Outra emenda aprovada prevê que o governo continuará "operacionalizando" o
Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social.
Pela lei atual, isso acabaria no final do ano.
Pelo menos três modificações aprovadas ontem não
guardam relação com o tema da MP original. O primeiro "contrabando" permite
aos municípios contratar por mais dois anos empréstimos em organismos
estrangeiros ou no BNDES mesmo que a dívida financeira total do município
seja superior à sua receita líquida anual. Pela atual lei, essa
possibilidade acabou em junho.
A segunda alteração alheia ao tema estende em um ano -até dezembro
de 2009- a possibilidade de renovação do registro de porte de
arma. Por fim, os deputados aprovaram a ampliação, até 2010,
da permissão de o governo fazer manutenção e obras nas
rodovias federais transferidas a Estados como Minas e Rio Grande do Sul em
2002. Essa possibilidade acabaria no final do mês.
(RB)
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Agência Câmara,
4 de dezembro de 2008
Deputados aprovam MP que beneficia
a construção civil
Laycer Tomaz
O Plenário aprovou, nesta
quarta-feira, a Medida Provisória 445/08, a terceira editada
para combater os efeitos, no Brasil, da crise financeira internacional.
Ela permite à Caixa Econômica Federal repassar, à União,
apenas parte dos dividendos a que terá direito de 2008 a 2010.
O dinheiro extra que vai permanecer na Caixa - cerca de R$ 1 bilhão
- deverá ser usado para empréstimos destinados ao capital
de giro da construção civil. A matéria ainda será votada
pelo Senado.
O objetivo é direcionar
o dinheiro que seria devolvido ao governo federal, acionista controlador
da Caixa, para o financiamento de empreendimentos habitacionais.
O texto aprovado é o
projeto de lei de conversão do deputado Paulo Pimenta (PT-RS),
que fez mudanças na MP. Entre elas, está a obrigatoriedade
de a Caixa informar, na internet, o valor total dos recursos usados
graças à MP.
Lucro
A Caixa deverá repassar à União um mínimo de 25%
do lucro líquido ajustado. Outra novidade incluída pelo relator é a
determinação de que a Caixa envie ao Congresso, semestralmente,
um relatório com detalhes desses empréstimos.
Foi incluída emenda
do líder do DEM, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto
(BA), determinando que a Caixa devolva ao Tesouro Nacional, a partir
de 2011, os recursos não usados nos empréstimos relativos à MP.
Os valores serão corrigidos por taxa definida pelo Conselho
Monetário Nacional (CMN).
Aumento
do lucro
Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o dinheiro com o qual a Caixa
poderá contar por meio da MP será próximo de R$ 1 bilhão.
O banco poderá usar esse valor para cobrir 35% do risco de crédito
de novas operações de empréstimo de capital de giro. A
medida depende de regulamentação do CMN.
Nos primeiros nove meses de
2008, a Caixa teve lucro líquido de R$ 596 milhões -
87,5% a mais do que no período equivalente de 2007.
Ao anunciar o balanço
do terceiro trimestre, com lucro líquido de R$ 69,8 milhões,
a Caixa informou já ter recebido uma significativa demanda de
empresas interessadas nessa linha de capital de giro, cujo total disponível
deve ser de R$ 3 bilhões. A prioridade será dada às
empresas com projetos já lançados, mas com dificuldades
de obter recursos para as obras.
Habitação
social
Uma das mudanças do relator permite, ao governo, operar o Programa de
Subsídio à Habitação de Interesse Social segundo
as regras originais da lei que o criou (10198/04), sem a necessidade de descentralização
dos recursos a estados e municípios.
Outra lei (11.578/07) já havia
concedido essa permissão em relação a 2007 e 2008.
Com o novo texto, não haverá mais limite de tempo para
isso.
Estradas
No texto aprovado, Paulo Pimenta permite que o Departamento Nacional de Infra-estrutura
de Transportes (DNIT) use seu orçamento em obras de conservação,
recuperação e construção em rodovias transferidas
a estados.
Essas obras não dependerão
de pedido prévio dos governos que administram as rodovias nem
do fato de serem rotineiras ou emergenciais; de qualquer maneira, deverão
ser concluídas até o fim de 2010.
Empréstimos
municipais
Os municípios ganham mais dois anos para contraírem empréstimos
em organismos financeiros e em instituições ligadas a governos
estrangeiros. O prazo atual acabou em junho de 2008, depois de três prorrogações
sucessivas desde 2000.
O novo prazo será contado
a partir da publicação da lei originária da MP.
O empréstimo deverá ter avaliação positiva
da agência financiadora, do BNDES e da Caixa. O dinheiro deverá ser
destinado exclusivamente à complementação de programas
em andamento.
Íntegra
da proposta:
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MPV-445/2008
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Agência Diap, 4 de
dezembro de 2008
Por 10 a 4, Conselho de Ética
da Câmara absolve Paulo Pereira (PDT/SP)
O Conselho de Ética e Decoro
Parlamentar rejeitou agora à tarde, por 10 votos a 4, o parecer
que recomendava a cassação do deputado Paulo Pereira da
Silva (PDT/SP). Paulinho da Força, como é conhecido, é acusado
de envolvimento em um suposto esquema de desvio de verbas do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) descoberto pela Operação
Santa Teresa, da Polícia Federal.
O advogado de Paulo Pereira da
Silva, Leônidas Ribeiro Scholz, disse que a tônica do processo
foi um esquema que não existe e nunca existiu, como demonstrou
auditoria do próprio BNDES.
"Não fiz suposições
e me baseei em fatos e provas que indicam desvio de verbas do BNDES",
disse o relator, deputado Paulo Piau (PMDB/MG), que apresentou parecer
pela cassação.
Na semana passada, o jornal O
Estado de S.Paulo veiculou matéria em que antecipava resultado
favorável ao deputado. Em sondagem com os membros do Conselho,
o veículo antecipou que Paulinho tinha maioria no colegiado.
O presidente do Conselho de Ética,
deputado Sérgio Moraes (PTB/RS), indicou o deputado José Carlos
Araújo (PR/BA) para elaborar o parecer vencedor. Araújo
tem até a próxima quarta-feira (10) para apresentar o novo
parecer, pela absolvição de Paulo Pereira, que também
será votado pelo Conselho.
O parecer vencedor, isto é,
contrário à cassação, também será apreciado
no plenário da Câmara. Nessa arena, tudo indica que o parecer
pela absolvição do deputado terá ampla maioria de
votos.
Desse modo, pode-se dizer que
esta página está virada e o deputado Paulo Pereira da Silva
poderá voltar a atuar com a desenvoltura que vinha fazendo em
defesa do movimento sindical e dos trabalhadores na Câmara e no
Congresso.
Deputados
que votaram contra o parecer pela cassação:
Fernando Melo (PT/AC)
Leonardo Monteiro (PT/MG)
Sandes Júnior (PP/GO)
Wladimir Costa (PMDB/PA)
Efraim Filho (DEM/PB)
Abelardo Camarinha (PSB/SP)
Dagoberto (PDT/MS)
José Carlos Araújo (PR/BA), suplente
Rômulo Gouveia (PSDB/PB), suplente
Marcelo Ortiz (PV/SP), suplente
Deputados que votaram a favor
do parecer:
Paulo Piau (PMDB/MG), relator do processo
Moreira Mendes (PPS/RO)
Professor Ruy Pauletti (PSDB/RS)
Solange Amaral (DEM/RJ)
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Folha
de S.Paulo, 4 de dezembro de 2008
Vale anuncia corte de 1.300 funcionários
Mineradora atribui decisão à crise
internacional; demissões ocorrem no Brasil e no exterior, sendo 20%
do total em Minas Gerais | Empresa decide ainda colocar 5.550 empregados
em férias coletivas até fevereiro, à espera de melhora
na demanda por minério
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Afetada pela crise, a Vale anunciou ontem a demissão
de 1.300 funcionários em todo o mundo, sendo 20% do total em Minas
Gerais. A mineradora colocou ainda outros 5.550 empregados em férias
coletivas até fevereiro, à espera de uma melhora na demanda
mundial por minério de ferro. A empresa tem 62 mil empregados.
Por meio da assessoria, a Vale informou que o cenário de crise internacional
levou a uma redução brusca do consumo de aço -cujo principal
insumo, o minério de ferro, é fornecido pela Vale. Diante disso,
as demissões foram inevitáveis.
Segundo a Vale, os cortes são uma "adaptação do quadro
de funcionários" à demanda menor. A empresa não informou
quantos foram dispensados no Brasil e no exterior. Limitou-se a informar que
20% das demissões ocorreram em Minas.
A empresa afirmou que tenta reduzir as demissões ao mínimo possível.
Uma das medidas foi a realocação de 1.200 funcionários,
colocados em treinamento para atuar em outras atividades na companhia. Já entre
os trabalhadores em férias coletivas, 80% estão em Minas. Eles
ficarão parados de modo escalonado até fevereiro.
Com a queda da demanda -especialmente das siderúrgicas chinesas-, a
Vale já havia anunciado um corte de produção de 30 milhões
de toneladas de minério, concentrado em Minas, onde a companhia paralisou
quatro minas de custo mais alto e menos rentáveis.
A mineradora também anunciou a parada de duas pelotizadoras (fábricas
que agregam o minério em pequenas pelotas) no Espírito Santo,
além de cortar a produção de alumínio, manganês,
níquel e ferro-ligas no Brasil e no exterior.
O anúncio do corte de produção ocorreu há um mês. À época,
o presidente da Vale, Roger Agnelli, disse que o movimento era "momentâneo" e
representava "um ajuste normal de dia-a-dia e gestão de companhia".
Agnelli afirmou que preferia cortar a produção a vender o minério
a qualquer preço.
Ontem, o diretor administrativo de vendas da Vale, Fidel Blanco, afirmou, em
Paris, que os preços de matérias-primas não subirão
como nos últimos anos por conta da desaceleração global
da economia. "Nós temos uma crise de crédito, contração
na economia, grandes processos de redução de estoques de matérias-primas
em andamento e a demanda está realmente fraca", disse.
Representante dos trabalhadores no Conselho de Administração
da Vale, João Batista Cavallieri, presidente do Sindicato dos Ferroviários
de Minas Gerais e Espírito Santo, disse que uma "empresa do porte
e da importância da Vale" não pode demitir. Ele afirmou ter
solicitado uma reunião com a direção da companhia, que
deve acontecer na terça, para obter mais informações e "poder
tranqüilizar" os empregados.
O presidente do Metabase (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Extrativa
de Ferro e Metais Básicos de Itabira, MG), Paulo Soares da Silva, disse
que a Vale "esconde" informações sobre demissões
diante do revelado ontem e o que de fato está sendo anunciado na cidade. "São
400 demissões anunciadas s[o em Itabira, e esse número pode chegar
a 600."
Com PAULO PEIXOTO, da Agência Folha, em
Belo Horizonte, e a Reuters
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FOLHA DE LONDRINA, 04 de
dezembro de 2008 | Cidades/ Curitiba
Justiça concede benefícios
da Previdência
Mutirão hoje e amanhã tenta
reverter acúmulo de processos nas varas especializadas
Um mutirão realizado hoje
e amanhã pela Justiça Federal para tentar promover conciliação
entre o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e os segurados em
processos em andamento, refletem o grande acumulo de trabalho nas varas
previdenciarias. De acordo com o juiz da 1ª Vara do Juizado Especial
Federal (JEF) Cível e Previdência de Curitiba, José Antonio
Savaris, existem quatro varas especiais nas quais tramitam milhares de
processos e o volume é crescente.
Ele diz que diferenças
de critérios entre a administração previdênciaria
e o poder judiciário explicam os motivos pelos quais tantas pessoas
precisam recorrer a justiça para garantir que seu benefício
seja concedido. "Essas diferenças de critério dizem
tanto respeito à interpretação da legislação
previdênciaria mas também interpretação quanto
as questões de fato", afirmou.
"O médico perito
faz o exame, com as dificuldades porque são muitos exames feitos
em um dia, então talvez não tão aprofundadamente
quanto poderia, quanto deveria ser e isto é visto de maneira diferenciada
pelo perito judicial". Essas diferenças, segudo o juiz, garantem
que muitas vezes as decisões judiciais sejam favoráveis
aos beneficiários do Instituto. "Na maioria dos processos,
65% ou algo assim, se consegue ganho de causa na Justiça",
completa.
A informação é compartilhada
pelo presidente da Associação em Defesa dos Consumidores
e Contribuintes (Adec), Mário Miyasaki. A associação é uma
instituição não governamental que oferece orientação
jurídica gratuita a pessoas que tiveram seus benefícios
negados pela Previdência.
De acordo com Mário Miyasaki,
a instituição atende em média 250 pessoas por mês
e garante que 70% delas têm um resultado positivo na Justiça. "Os
que não conseguem é porque não apresentaram uma
documentação correta", afirma o presidente da associação.
Entre as situações
que levam ao indeferimento do benefício pela Previdência
e que geralmente tem decisão oposta na Justiça está a
falta de contribuição por parte do empregador."Nessas
situações a Previdência considera que a pessoa não
cumpriu as carências, mas ela teria direito ao auxílio-doença
porque não cabe ao funcionário fiscalizar o cumprimento
das obrigações pelo patrão e sim ao Estado",
diz.
Outro fator que, segundo Miyasaki,
não seria entendido administrativamente pela Previdência é a
qualidade de segurado. Normativamente a pessoa perde a qualidade de segurado
36 meses após a última contribuição. Mas
existem casos, como o de doenças adquiridas em função
do trabalho, que podem estender este prazo. "Uma pessoa que adquiriu
LER (lesão por esforço repetitivo), por exemplo, se ela
nunca mais conseguir trabalho, ainda assim ela terá a qualidade
de segurado, mas esse entendimento não é administrativo
na Previdência e sim judicial", explica.
Entre os problemas enfrentados
por quem está doente, conta Mário, é a época
de renovação de benefícios como o auxílio-saúde
que exige uma perícia médica a cada seis meses. "Em
casos até de doenças graves, passados os seis meses, a
perícia considera a pessoa apta para trabalhar. O problema é que
a pessoa não passa pelo exame admissional da empresa, que a considera
inapta. Essas pessoas ficam sem qualquer possibilidade de se manter",
alega.
Ele alerta, no entanto, que para
reverter estes casos na Justiça é preciso comprovação
da incapacidade, seja ela temporária ou permanente, não
se trata simplesmente de entrar com ação. Nestas situações
as pessoas devem reunir toda a documentação médica
possível que comprove a doença e sua evolução.
Valem atestados médicos, exames, cópias de prontuários
de postos de saúde e hospitais e até bulas e caixas de
remédios.
Além destes documentos
quem for a Adec em busca de orientação jurídica
precisa levar documentos pessoais e carteira de trabalho. A orientação
e análise prévia da documentação, supervisionada
por advogados especialistas da instituição, é gratuito.
Após a análise do direito, o segurado é aconselhado
a procurar a própria Justiça ou um advogado de sua confiança
para dar entrada na ação. Caso o usuário prefira,
um dos advogados da instituição poderá dar seguimento às
ações mediante o pagamento dos honorários advocatícios
de praxe.
O prresidente da Adec explica
ainda que o serviço prestado é restrito à questão
jurídica. "Não temos médicos disponíveis,
portanto, não fazemos uma avaliação médica.
Nos baseamos nos documentos que os usuários trazem", conta.
Ele alerta ainda que a Adec está bastante atenta a tentativas
de fraude. "Nas situações em que não há fundo
legal, não há doença comprovada, orientamos a nem
abrir o processo", diz.
Karla Losse Mendes
Equipe da Folha
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FOLHA DE LONDRINA, 04 de
dezembro de 2008 | Cidades/ Curitiba
Um terço das perícias
tem conclusão negativa
Curitiba - De acordo com dados da Previdência Social, cerca de um terço
das perícias realizadas em 2007 tiveram resultado negativo. Isso significa
que em pouco mais de 3 milhões das 9,1 milhões de perícias
realizadas no ano passado o usuário foi considerado apto a retornar
ao trabalho. Do total de perícias, 8,05 milhões dizem respeito
a pedidos de auxílio-doença.
Até outubro deste ano,
foram concedidos 1.831.804 auxílios-doença em todo País,
294.418 referentes a incapacidades temporárias causadas por acidentes.
Já em relação aos pedidos de aposentadoria por invalidez,
foram concedidos 174.421 pedidos, 6.615 deles causadas por acidentes.
As informações são dos boletins estatísticos
da Previdência Social divulgados mensalmente. Os dados sobre os
benefícios negados não foram divulgados, mas de acordo
com uma estimativa da Adec os números ultrapassam 1,7 milhão.
No Paraná, a média
de auxílios-doença concedidos entre 2005 e 2007 foi de
67,5 mil ao ano.
Já em relação
aos benefícios cessados no ano passado, a Previdência deixou
de pagar 118.722 aposentadorias por invalidez, incluindo as causadas
por acidentes. O principal motivo é morte do usuário que
corresponde a 101.750 casos. Em 708 situações, a Previdência
comprovou fraude e cessou o pagamento. A volta ao trabalho foi responsável
por 571 términos dos benefícios e em 522 casos, houve uma
transformação em outro tipo de benefício. Outros
9.646 tiveram cessação automática, e em 5.525 situações
o motivo não foi descrito.
Em relação
aos auxílios-doença, a Previdência deixou de pagar
2.292.454 benefícios incluindo os afastamentos por acidente.
O principal motivo foi o retorno ao trabalho que atingiu 2.088.496
projetos. Em segundo lugar está a transformação
do auxílio em outro tipo de benefício que foi o caso
de 120.486 segurados. A morte do usuário foi responsável
por 32.643 interrupções nos pagamentos e a detecção
de fraudes em 14.096 casos. Outros 16.289 benefícios deixaram
de ser pagos por cessação automática e em 20.444
casos não houve especificação dos motivos. (K.L.M.)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
04/12/2008
Representatividade sindical definida pelo
STJ vale na Justiça do Trabalho
A Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho entendeu que, uma vez definida a instituição
legítima para representar uma determinada categoria pelo Superior
Tribunal de Justiça, não cabe ao TST mudar essa decisão.
Na prática, o TST manteve o entendimento do Tribunal Regional
do Trabalho de Campinas (SP), que condenou o Sindicato dos Empregados
Rurais de Nova Granada ao pagamento de 15% dos valores recolhidos de
contribuição confederativa à Federação
dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (FERAESP).
A questão central desse
processo é a definição sobre a qual Federação
o sindicato deve pagar a contribuição confederativa. O
sindicato queria repassar os valores à Federação
dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo (FETAESP).
A 2ª Vara do Trabalho de São José do Rio Preto concordou,
aceitando o argumento de que o sindicato era livre para se associar,
nos termos da Constituição Federal.
Só que a Federação
dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (FERAESP),
preterida na partilha das contribuições, recorreu ao Tribunal
Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas/SP). A FERAESP
alegou que as duas federações já tinham recorrido à Justiça
para garantir a representatividade da categoria. O processo foi parar
no Superior Tribunal de Justiça, que optou pela legitimidade da
Federação dos Empregados Rurais Assalariados como representante
da categoria, em detrimento da Federação dos Trabalhadores
na Agricultura. Para o STJ, a Federação dos Assalariados
só reúne os trabalhadores empregados na agricultura, compatível
com o modelo do sindicato - diferente da Federação dos
Trabalhadores, que também congrega pequenos proprietários
rurais individuais.
Até a Emenda Constitucional
nº 45/2004, esse tipo de ação era julgada na Justiça
Comum, e não na Justiça Trabalhista. Então, o TRT
de Campinas acatou a definição feita pelo STJ e condenou
o Sindicato dos Empregados Rurais de Nova Granada a pagar 15% dos valores
recolhidos de contribuição confederativa à Federação
dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (FERAESP).
O Sindicato não se conformou com a decisão e trouxe o caso
para o TST. Alegou que estava sendo obrigado a se filiar à Federação
dos Empregados Rurais Assalariados, contrariando o seu direito constitucional
de livre associação. Afirmou, ainda, que a categoria era
assistida pela FETAESP.
Na primeira sessão de
julgamento, o relator, ministro Guilherme Caputo Bastos, defendeu a decisão
do Tribunal Regional e, por conseqüência, a definição
do STJ quanto à legitimidade da FERAESP para receber os repasses
sindicais. Mas o ministro Ives Gandra Filho pediu mais tempo para analisar
o assunto.
Quando o processo voltou à pauta
de julgamento, o ministro Ives decidiu seguir o mesmo entendimento do
relator. Apenas lamentou que dois ranços ainda contribuam para
a falta de legitimidade dos sindicatos no Brasil: a unicidade sindical
e a contribuição sindical. De acordo com o ministro, “muitos
sindicatos vendem a categoria pela contribuição assistencial
e vivem da contribuição sindical”. Aos novos aprovados
na carreira de juízes do trabalho que assistiam à Seção,
o ministro Pedro Manus ensinou: “esse vai ser um assunto que vai
atormentá-los a vida toda, até que se acabe com essa bendita
unicidade sindical”.
Por fim, a Sétima Turma
do TST concluiu que a representatividade da categoria já estava
definida em decisão definitiva do STJ, que não poderia
ser reexaminada. Os ministros entenderam, também, que não
houve desrespeito a princípios constitucionais e legais, como
sugerido pelo Sindicato. O TST não chegou a analisar o mérito
da questão e manteve o entendimento do TRT de Campinas que condenou
o Sindicato ao pagamento de 15% dos valores recolhidos de contribuição
confederativa à Federação dos Empregados Rurais
Assalariados do Estado de São Paulo (FERAESP). ( RR – 1497/2005-044-15-00.9)
(Lilian Fonseca)
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04/12/2008
Banespa: TST rejeita aposentadoria com base
em regulamento de 1965
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho
acolheu embargos do Banco Santander Banespa S.A. e declarou prescrito
o direito de um grupo de ex-funcionários que pleiteavam diferenças
de complementação de aposentadoria. O pedido baseava-se
num regulamento do Banespa de 1965, vigente à época de
sua admissão, mas os trabalhadores nunca receberam pagamentos
de aposentadoria com base nesse instrumento, e sim na alteração
promovida em 1975. “Neste caso, a prescrição é bienal,
contada a partir da aposentadoria”, afirmou o ministro Milton de
Moura França, redator do acórdão.
Anteriormente, a Sexta Turma
do TST havia determinado o retorno do processo ao Tribunal Regional da
2ª Região (SP), que havia declarado a prescrição
total. A Turma acolheu o pedido dos aposentados, de afastamento da prescrição
total e reconhecimento da prescrição parcial quanto aos
cinco anos anteriores ao ajuizamento da reclamação trabalhista.
O grupo argumentou que, por se tratarem de trabalhadores aposentados,
e sendo seus contratos de trabalho de trato sucessivo, a lesão
ao direito ocorreria mês a mês.
Desta decisão, o banco
interpôs embargos à SDI-1 alegando contrariedade à jurisprudência
do TST. O ministro Moura França ressaltou que o TRT/SP deixou
claro que os trabalhadores se aposentaram mais de cinco anos antes do
ajuizamento da ação e pretendiam o recebimento das diferenças
de complementação com base no Regulamento de Pessoal de
1965, em detrimento da alteração ocorrida em 1975 – que
foi observado desde a jubilação. “Neste contexto,
a hipótese é de aplicação da Súmula
nº 326 do TST”, afirmou. Esta súmula estabelece que,
em se tratando de pedido de complementação de aposentadoria “oriunda
de norma regulamentar e jamais paga ao ex-empregado, a prescrição é total,
começando a fluir o biênio após a aposentadoria”.
( E-ED-RR 374/2005-054-02-40.3)
(Carmem Feijó)
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04/12/2008
TST mantém reintegração
de portador do HIV por dispensa discriminatória
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho manteve
a decisão da Primeira Turma e condenou a PMSPV Empreendimentos
e Participações S/A a reintegrar empregado portador do
vírus HIV, por concluir que sua dispensa se dera em virtude de
discriminação social.
Ao deduzir ter sido vítima
de discriminação, por ser portador do vírus HIV,
o empregado interpôs ação trabalhista contra a empresa.
Admitido em 1987 como atendente de jogos e mercadorias, desde 1992 vinha
recebendo acompanhamento médico e, a partir de 1996, iniciou tratamento
anti-retroviral. A empresa conhecia esses fatos e custeava seus medicamentos.
Mas, devido às moléstias oportunistas, causadas pelo vírus
da AIDS, em alguns períodos ficou afastado do trabalho por determinação
médica.
Chamado para uma reunião,
em novembro de 2003, o empregado recebeu de uma funcionária do
Departamento de Pessoal carta de demissão, sem justa causa e sem
aviso prévio. Mandaram-no fazer exames demissionais, e o médico
do trabalho forneceu atestado de saúde ocupacional considerando-o
apto. Ele se insurgiu contra a demissão, mas a PMSPV a manteve
e depositou valores rescisórios em sua conta corrente.
Segundo informou na inicial da
reclamação trabalhista, o ex-empregado gastava mais de
R$ 4 mil por mês com o tratamento médico e viu-se obrigado
a utilizar os valores recebidos, além de arcar com R$ 946,25 mensais
para ter direito ao convênio médico que o atendia na empresa.
Pediu antecipação de tutela e imediata reintegração
ao emprego, na mesma função, com as mesmas vantagens a
que teria direito, indenização por dano moral e reembolso
de medicamentos.
A 37ª Vara do Trabalho de
São Paulo deferiu apenas o reembolso de medicamentos referente
a outubro de 2003, mas rejeitou a reintegração e a indenização
por dano moral. O empregado recorreu ao TRT de São Paulo, que
não entendeu caracterizada a discriminação, pois,
em seu depoimento, testemunha do empregado relatou que a empresa passava
por reestruturação desde o ano de 2002, com redução
do quadro funcional, e que ocorreram diversas rescisões contratuais à época
da sua demissão. Para o Regional, a empresa não descuidou
de sua responsabilidade social, e sua postura foi irretocável,
pois reembolsou montantes significativos com medicamentos, e questionou,
de forma contundente, à empresa seguradora sobre a suspensão
temporária e condições de permanência do empregado
no plano complementar de seguro de vida a uma perícia médica.
A Primeira Turma, ao julgar recurso
de revista, declarou a nulidade da dispensa, determinou a reintegração
do empregado com o pagamento dos salários vencidos e vincendos
e efeitos legais, por entender que a empresa tinha ciência do estado
de saúde do empregado e este estava apto ao trabalho. “Nessas
circunstâncias, os precedentes do TST orientam no sentido de que
a rescisão contratual sem sombra de dúvidas faz presumir
discriminação e arbitrariedade”, afirmou a relatora
na ocasião, ministra Dora Maria da Costa.
Nos embargos à SDI-1,
a empresa alegou que a Turma, ao alterar decisão das instâncias
inferiores, às quais cabe a análise dos fatos e provas,
teria contrariado a Súmula nº 126 do TST. O relator dos embargos
em recurso de revista destacou que, com a nova redação
do artigo 894 da CLT, a SDI-1 passou a ter função exclusivamente
uniformizadora, e não mais de revisão da decisão
das Turmas. A diretriz da SDI-1, portanto, é no sentido de que
não cabe recurso de embargos baseado em denúncia de contrariedade
a súmula de natureza processual. ( E-RR-14/2004-037-02-00.0)
(Lourdes Côrtes)
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