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Agencia Diap, 6 de dezembro de 2008
FGTS: livro amplia debate jurídico
sobre o fundo
Procurador do Banco Central lança, na próxima terça-feira
(9), livro com uma abordagem jurídica sobre o FGTS
Após quatro anos de estudos aprofundados sobre o Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço (FGTS), Fabiano Jantalia, procurador do
Banco Central e ex-advogado da Caixa Econômica Federal, lança
o livro "Fundo de Garantia do Tempo de Serviço" pela
editora LTr.
A obra é fruto de uma ampla pesquisa feita pelo autor durante
sua pós-graduação em Direito na Universidade
do estado do Rio de Janeiro (Uerj) e discute, em detalhes, muitos
aspectos da Lei 8.036/90, que rege atualmente o FGTS.
Além de amplo histórico sobre a proteção
do emprego no Brasil desde a época do Império, o livro
traz um estudo comparativo entre a legislação brasileira
e a de 13 outros países do mundo.
Mudanças na lei
Com abordagem de temas como a administração, o patrimônio,
planos econômicos e a conta vinculada de fundo de garantia, Jantalia
apresenta, na obra, análise de todas as hipóteses de
saque, sustentando a necessidade de mudança da lei para ampliar
as possibilidades de acesso aos recursos do fundo.
"Não há, no mundo, mecanismo que confira tamanha
proteção ao trabalhador, o que mostra que o FGTS é um
poderoso instrumento de proteção do trabalhador. Mas
há necessidade de algumas mudanças na lei, para modernizá-la.
As possibilidades de saque, por exemplo, ainda são muito restritas
e, em alguns casos, desnecessariamente burocráticas",
diz Jantalia.
Para o autor, as previsões de saque por doença ou
para compra da moradia requerem uma nova discussão por parte
da sociedade. "É preciso dar mais poderes ao Conselho
Curador do FGTS para dispor sobre o assunto, deixando na lei somente
o que for estritamente necessário".
Outro exemplo bastante atual que requer mudanças é o
caso de desastres naturais. "Há casos, como na recente
tragédia em Santa Catarina, onde milhares de pessoas perderam
tudo o que tinham, em que, apesar do trabalhador ter direito ao saque,
um decreto limita o valor a R$ 2.600. Ou seja, ainda que a pessoa
tenha R$ 30 mil, não pode usar todo o valor para reconstruir
sua vida. Isso não faz sentido", cmenta o autor.
O livro "Fundo de Garantia do Tempo de Serviço" será lançado
na próxima 3ª feira (9), às 19h, no Caixa Cultural
de Brasília (DF).
O autor
Fabiano Jantalia é mestrando em Direito, Estado e Constituição
pela Universidade de Brasília (UnB) e especialista em Direito
Público pela Uerj, onde se graduou em 2002. Foi advogado da
Caixa Econômica Federal de 2002 a 2006, onde atuou desde a primeira
instância até o Supremo Tribunal Federal.
Foi gerente de Contencioso de FGTS da Diretoria Jurídica
da Caixa. Desde 2006, é procurador do Banco Central em Brasília
(DF), onde atua na Coordenação-Geral de Consultoria
Monetária e Internacional da Procuradoria-Geral da Autarquia. É também
Diretor da Associação Nacional dos Procuradores do
Banco Central do Brasil (APBC)
Mais informações com Renata
Batt (61) 8422-4716 - renata@doiseixos.com.br ou Nayane Taniguchi
(61) 8433.4901- nayane@doiseixos.com.br
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Agencia Diap, 6 de dezembro de 2008
Aposentadoria: PLS 58 está numerado
na Câmara dos Deputados
O projeto do senador Paulo Paim (PT/RS), PLS 58/03, que dispõe
sobre o reajuste dos benefícios mantidos pelo regime geral de
previdência social e o índice de correção
previdenciária, chegou à Câmara dos Deputados e
tramitará agora como Projeto de Lei 4.434/08.
O projeto, aprovado em decisão terminativa na Comissão
de Assuntos Sociais (CAS) do Senado no dia 12 de novembro teve aberto
prazo para pedido de votação no plenário do
Casa, mas não houve apresentação de recurso.
Desse modo, a matéria seguiu direto para exame da Câmara,
sem, contudo, passar pelo exame do plenário do Senado.
A proposta ainda não foi distribuída às comissões
temáticas da Câmara. Entretanto, é possível
antecipar sua tramitação, que poderá passar
pelas comissões de Seguridade Social e Família; Trabalho;
Finanças e Tributação; e por fim, Constituição
e Justiça, antes de ir a voto no plenário.
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Agencia Diap, 6 de dezembro de 2008
Grupo de trabalho tripartite vai
fiscalizar recursos do FAT e FGTS
Programas financiados com recursos provenientes do Fundo de Amparo
ao Trabalhador (FAT) e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) serão acompanhados, a partir de agora, por um Grupo de
Trabalho (GT). Instituído por meio de Portaria 996, de 1º de
dezembro, e assinada pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi,
o GT terá como finalidade analisar o cumprimento dos objetivos
dos programas (de cunho social), em especial aqueles voltados à manutenção
e geração de empregos.
O Grupo será constituído por representantes do MTE, das
centrais sindicais e das confederações de empregadores,
e terá que prestar informações ao ministro Lupi.
Por parte do MTE, participam um representante do gabinete ministerial;
das Secretarias de Relações do Trabalho; de Políticas
Públicas de Emprego; de Inspeção do trabalho;
e da Nacional de Economia Solidária.
FAT/FGTS
Havendo necessidade, a portaria também prevê que outros
servidores das áreas técnicas do Ministério do
Trabalho, pessoas ou entidades do setor público ou privado poderão
colaborar.
O FAT é um fundo especial, vinculado ao MTE e é destinado
ao custeio do Programa do Seguro-Desemprego, do Abono Salarial e
ao financiamento de programas de desenvolvimento econômico.
As principais ações de emprego financiadas com recursos
do FAT estão estruturadas em torno de dois programas: o Programa
do Seguro-Desemprego (com as ações de pagamento do
benefício do seguro-desemprego, de qualificação
e requalificação profissional e de orientação
e intermediação do emprego) e os programas de geração
de emprego e renda, cujos recursos são alocados por meio dos
depósitos especiais criados pela Lei 8.352, de 28 de dezembro
de 1991 (incorporando, entre outros, o próprio Programa de
Geração de Emprego e Renda - Proger, nas modalidades
Urbano e Rural e o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura
Familiar - Pronaf).
Os FGTS, além de proteger quem é demitido sem justa
causa, o favorece o trabalhador de forma indireta, ao proporcionar
as condições necessárias à formação
de um Fundo de aplicações, voltado para o financiamento
de habitações, assim como para investimentos em saneamento
básico e infra-estrutura urbana.
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Agencia Diap, 6 de dezembro de 2008
Espanha registra maior queda industrial
de sua história
A produção industrial na Espanha registrou
a maior queda da história em outubro, em conseqüência
da crise financeira mundial. A produção em fábricas,
refinarias e minas deslizou 12,8%, depois de um declínio
de 9,1% em setembro.
Esta foi a sexta queda consecutiva do ritmo industrial no país.
As atividades com maiores baixas em outubro em relação
ao mesmo mês de 2007 foram de automóveis (29,2%); produtos
minerais não-metálicos (24,9%), indústria de
papel (22,5%) e extração de minerais exceto produtos
energéticos (22,2%).
As únicas atividades que cresceram foram de produção
e refino de petróleo (9,3%); materiais de transporte (6,9%);
tabaco (1,4%) e equipamento e instrumentos médico-cirúrgicos,
de precisão, ótica e relojoaria (0,8%).
Sem descontar os efeitos de calendário, o Índice
de Produção Industrial (IPI) caiu 11,2% em outubro,
em relação ao mesmo mês de um ano antes, devido
principalmente à queda de 17,7% no caso dos bens intermediários
e de 12,2% para os bens de capital.
No caso dos bens de consumo, a taxa caiu 6,2% (sendo 17,9% para
os bens duráveis, com aumento de 4,1% para os não-duráveis),
enquanto a energia caiu 1,4%.
UE
O Banco Central Europeu (BCE) estimou nesta quinta-feira (4) que
a Zona Euro vai se contrair no próximo ano pela primeira vez
desde 1993, ao mesmo tempo que efetuou o maior corte na taxa de juro
de referência da sua história.
A região dos 15 que partilham a moeda única européia
já registrou uma contração no segundo e terceiro
trimestres enquanto a economia norte-americana tem estado em recessão
desde dezembro de 2007.
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Congresso em Foco, 6 de dezembro de 2008
Sucessor de Lula depende do resultado
da crise
Antônio Augusto de Queiroz*
O resultado da eleição presidencial de 2010 dependerá,
para sorte ou azar do presidente Lula e de seu (sua) condito (a),
do resultado da crise econômica, que, por sua vez, depende
das decisões de governo e, principalmente, da maior ou menor
desaceleração produtiva do mundo. A crise é sistêmica
e nenhum país, isoladamente, ficará imune a seus reflexos
negativos.
Parece fora de dúvida que a situação do Brasil é menos
dramática do que a de outros países, porque, apesar
das taxas estratosféricas de juros, sua economia é dinâmica
e possui fundamentos sólidos, acumulou grandes reservas, terá em
2008 um superávit primário gigante, próximo
do déficit nominal zero, o câmbio é flutuante,
a inflação está sob controle, as políticas
sociais irrigam a economia com recursos, as instituições
financeiras oficiais (BNDES, BB e CEF) dispõem de dinheiro
para oferta de crédito, o PAC ajuda para efeito de manter
a economia aquecida, entre outros aspectos positivos.
Entretanto, o fato de o Brasil estar em melhor situação
no cenário mundial, embora seja um alento, pouca altera o
quadro, especialmente se houver recessão e desemprego, já que
o brasileiro não irá fazer comparações
com outros países, mas com a situação do país
anterior à crise.
Logo, o presidente e seu governo, antes de se preocupar com a escolha
do(a) candidato(a) agora, deve priorizar o enfrentamento da crise,
pois a eleição ou não do(a) candidato(a) oficial
dependerá da situação econômica no momento
da eleição.
As sucessivas crises políticas durante os dois mandatos do
presidente Lula, graças à confortável situação
econômica e aos programas sociais, em nada afetaram a ação
e o prestígio governamental, e a prova cabal disto são
os índices de popularidade do presidente e de aprovação
do governo. Num ambiente de crise econômica, entretanto, uma
crise política terá efeito devastador sobre a estabilidade
do governo, que fica vulnerável em dois dos três pilares
de sustentação: o político e o econômico.
Neste cenário, o governo deve agir em duas frentes para evitar
a deterioração do quadro a ponto de tornar inviável
uma candidatura com sua chancela: priorizar o combate à crise
e buscar unificar sua base para a sucessão nas presidências
da Câmara e do Senado. A deflagração de uma crise
política agora, e a sucessão no Congresso é uma
fonte potencial forte, e terá reflexos devastadores sobre a
governabilidade. Portanto, todo cuidado é pouco com essa disputa.
Estes, em nossa avaliação, são os desafios
do governo no momento. As forças políticas e eleitorais,
que hoje estão reduzidas a quatro no país (PT, PSDB,
PMDB e Bloco de Esquerda), bem como os cenários de disputa
ou composição, serão objeto de reflexão
em outro texto.
*Jornalista, analista político
e diretor de Documentação
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Gazeta do Povo, 6 de dezembro de 2008
Produção
Indústria do PR foi uma das
poucas a crescer em outubro
Resultado teve influência
da fabricação de caminhões, que ainda
vinha em ritmo forte há dois meses. Cenário
mudou drasticamente com anúncio de demissões
nesta semana
Apesar da desaceleração generalizada da produção
industrial no país, a indústria paranaense teve crescimento
de 1,2% em outubro, comparado ao mês anterior. Segundo os dados
divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), em outubro o país passou pelo recuo produtivo mais
disseminado em dois anos, com desaceleração em 10 das
14 localidades pesquisadas. Posicionado na contramão do Brasil,
a manutenção do crescimento industrial no Paraná foi
reflexo do último suspiro da indústria de caminhões,
que a partir de novembro diminuiu sua produção e culminou
na demissão de funcionários no início de dezembro.
“No caso do Paraná a manufatura de caminhões
ainda não tinha acompanhado o impacto negativo da indústria
automobilística como um todo, o que segurou os indicadores
gerais no estado”, explica o economista da coordenação
de indústria do IBGE, André Macedo. Os índices
de produção acumulados do Paraná também
se mantêm positivos. Em relação a outubro de
2007, o crescimento de produção foi de 3,9%, a 25ª taxa
positiva consecutiva nessa base de comparação. O indicador
acumulado no ano foi de 10,4%, ao passo em que o acumulado de doze
meses apontou ligeira redução no ritmo de crescimento,
de 10,1% em setembro para 9,1% em outubro.
As pressões negativas mais relevantes no ano vieram de outros
produtos químicos (-19,3%) e alimentos (-3,3%), com destaque
para os recuos nos itens adubos e fertilizantes; e açúcar
cristal, respectivamente. “O açúcar, especificamente,
continuou perdendo participação para o etanol no mix
de derivados da cana-de-açúcar, enquanto a indústria
de petroquímicos como adubos tem passado por declínio
no uso, problemas de precificação e competição
do mercado internacional”, disse Macedo.
Participação
A indústria de caminhões segurou os indicadores do
estado em outubro, mas não é previsto que repita esse
desempenho em novembro. Em 2008 a Volvo passou por um ciclo de crescimento
que culminou na contratação, em agosto, de 200 funcionários
para começar a operar um turno extra de produção
de caminhões. Mesmo com a crise financeira mundial, até 5
de novembro a empresa mantinha recordes de produção
e até então não havia sinais de demissão.
Mas, no início desta semana, 430 postos de trabalho foram
cortados, e o planejamento atualizado da empresa para 2009 prevê aumento
da retração do mercado interno, além de redução
de exportação de cabines e de blocos.
Vendas e emprego
A indústria paranaense também detectou aumento modesto
nas vendas em outubro. Segundo levantamento da Federação
das Indústrias do Estado (Fiep), o crescimento foi de 2,3%
no mês e acumulou alta de 11,84% nos dez primeiros meses do
ano em relação ao mesmo período de 2007. No
entanto, o índice mensal ficou abaixo do verificado nos dois últimos
anos (9,21% e 5,3%), evidenciando um sinal de desaceleração
da economia local. As vendas industriais de veículos automotores,
segundo a Fiep, decresceu 8,16% no mês. O acumulado dos primeiros
dez meses foi de 19,8% em relação ao mesmo período
de 2007.
O coordenador do departamento econômico da Fiep, Maurílio
Schmitt, avalia que os impactos da crise financeira internacional
se refletiram, em outubro, principalmente nos gêneros de veículos
automotores e máquinas e equipamentos. “A crise bateu
na oferta de crédito, que abastecia diretamente os dois gêneros.
As decisões de compra e de investimento desses bens com maior
valor estão comprometidas, e a inércia só sustentará capital
para os negócios por um curto período”, afirma.
Os indicadores de emprego na indústria de outubro apontam
aumento de 5,65% no pessoal empregado total e de 6,53% no pessoal
empregado na produção, segundo a Fiep.
Dados regionais confirmam desaceleração
Os resultados regionais da produção industrial confirmaram
a brusca desaceleração do setor em outubro, com perda
de ritmo na maior parte dos locais. Das 14 regiões pesquisadas
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
10 registraram queda na atividade em relação a setembro,
o que representa o recuo mais disseminado em mais de dois anos. São
Paulo, o maior parque industrial do país, registrou redução
de 0,2% ante o mês anterior, com melhor desempenho do que a média
nacional (-1,7%) no período.
Apesar do peso da indústria paulista, dessa vez não
foi São Paulo a principal região responsável
pelo desempenho negativo da indústria nacional em outubro
ante mês anterior, segundo explica a economista Isabella Nunes,
da coordenação de indústria do IBGE. Segundo
ela, os estados com o maior impacto na queda nacional foram, nessa
ordem, Rio Grande do Sul (-5,5% em outubro ante setembro), Minas
Gerais (-1,9%), Bahia (-3,9%) e Amazonas (-3,5%).
Isabella disse que esses locais sofreram influência negativa
das paralisações e férias coletivas, programadas
ou não, que afetaram vários segmentos. No caso de bens
duráveis (automóveis e eletrodomésticos) os
efeitos mais significativos ocorreram em Minas Gerais e Amazonas,
enquanto as paradas na indústria química afetaram as
indústrias gaúcha e baiana.
Em São Paulo, o resultado não foi pior em outubro,
segundo Isabella, porque a diversificação da indústria
do estado fez com que a força de alguns setores tivesse compensado
a queda na produção apurada em outros. A atividade
de veículos automotores manteve crescimento no estado, mas
houve forte desaceleração, passando de 18,5% em setembro,
na comparação com igual mês do ano passado, para
4,8% em outubro.
Segundo Isabella, os dados regionais da indústria, em geral,
confirmam que a crise mundial passou a ter efeitos no setor a partir
de outubro. Exceto o Pará, beneficiado pela extração
mineral, todas as regiões pesquisadas mostraram desaceleração
no crescimento do terceiro trimestre para outubro.
Agência Estado
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Gazeta do Povo, 6 de dezembro de 2008
Trabalho
EUA têm maior corte de vagas
em 34 anos
Empresas norte-americanas demitiram
533 mil pessoas em novembro, o pior número desde
dezembro de 1974. Taxa de desemprego subiu para 6,7%
A recessão aprofundou-se no mês passado nos Estados
Unidos, com as companhias realizando os mais expressivos cortes de
pessoal dos últimos 34 anos, e puxando a taxa de desemprego
para o nível mais elevado desde 1993. O mercado de trabalho
norte-americano dispensou 533 mil pessoas em novembro, o que excedeu
em 50% as previsões já sombrias dos analistas de Wall
Street.
Tais dados sugerem que a recessão que se instalou no país
há 11 meses irá aproximar-se ou até superar
a crise de 1981-1982, com o mercado de trabalho desmoronando frente às
pressões vindas dos mercados imobiliário, automobilístico
e financeiro.
As autoridades do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA)
devem responder daqui a dez dias cortando o juro para níveis
inéditos desde os anos 50. A taxa básica de juros dos
EUA está atualmente em 1%, e economistas esperam redução
de pelo menos 0,5 ponto porcentual.
As demissões registradas em novembro estão no nível
mais acentuado desde dezembro de 1974 e o mês teve a 11ª retração
consecutiva no mercado de trabalho norte-americano. Só nos últimos
três meses, foram perdidos 1,2 milhão de empregos em
vários segmentos da economia.
A taxa de desemprego nos EUA subiu para 6,7%, a maior dos últimos
15 anos, e economistas prevêem que a taxa irá atingir
8% nos próximos meses. O presidente eleito Barack Obama pediu
ontem um esforço “urgente” para colocar as pessoas
desempregadas de volta no mercado e para estimular a economia americana. “Não
existe solução rápida ou fácil para segurar
essa crise, que ficou anos em gestação, e é provável
que ela piore antes de melhorar”.
O presidente dos EUA, George W. Bush, usou a palavra “recessão” pela
primeira vez ao descrever a situação da economia americana
e pediu ao Congresso que considere esse fato na aprovação
do pacote de socorro à indústria automotiva.
Setores
De acordo com os números divulgados ontem, na construção
civil foram cortados 82 mil postos de trabalho. O setor de serviços
sozinho cortou 370 mil empregos em novembro, após perdas de
153 mil postos no mês anterior, e as indústrias demitiram
163 mil pessoas.
Montadoras têm apoio, mas não
há definição de como serão socorridas
Com os dados de emprego nos EUA mostrando o maior corte de vagas em
34 anos, os executivos das montadoras tiveram, aparentemente, uma melhor
recepção dos deputados norte-americanos para o plano
de ajuda de US$ 34 bilhões. Com GM e Chrysler parecendo cada
vez mais próximas da concordata (elas querem US$ 11 bilhões
do governo ainda neste mês), a Câmara dos Representantes
pareceu disposta a aprovar ajuda para o setor, em um momento em que
a economia americana caminha para a pior recessão em pelo menos
26 anos.
Na quinta-feira, os representantes de Ford, GM e Chrysler haviam
tido recepção mais fria do Senado. Mas, apesar do maior
apoio na reunião de ontem com os deputados, não houve
consenso nem de como nem de quanto será a ajuda. Uma das hipóteses
era que o dinheiro saísse do pacote de US$ 700 bilhões
para as instituições financeiras, mas o governo já disse
ser contra tal medida.
Chrysler
Em um novo sinal da crise, a Chrysler contratou um escritório
de advocacia para aconselhá-la em um pedido de concordata.
A terceira maior montadora dos EUA confirmou o contato.
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Folha de S.Paulo, 6 de dezembro de 2008
Dilma inicia articulação
no PT para 2010
Em evento de corrente majoritária
do partido, ministra fala sobre crise como a fiadora da
estabilidade econômica no país
Chefe da Casa Civil evita falar como pré-candidata,
mas diz que o PT precisa ser um "partido unido" e ligado
aos movimentos sociais
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
JOEL SILVA
ENVIADOS ESPECIAIS A SÃO ROQUE (SP)
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) participou ontem à noite,
em São Roque (SP), de evento da corrente majoritária
do PT, a CNB (Construindo um Novo Brasil), que inicia o processo
de consolidação de seu nome como pré-candidata à sucessão
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010.
A aposta dos petistas é transformar a atual chefe da Casa Civil
em fiadora da estabilidade financeira do Brasil e nome mais bem preparado
para dar continuidade ao processo de retomada do crescimento. Dilma
foi convidada para tentar tranqüilizar os militantes sobre eventuais
efeitos da crise econômica no Brasil e para traçar um
plano de ação que agregue partido e governo com vistas
nos próximos dois anos.
" Não há nenhuma resistência ao nome dela. Ela é uma
pessoa apreciada e admirada por todos. Vamos trabalhar para que em 2010 nós
tenhamos um candidato ou uma candidata, que pode ser a ministra Dilma, que dê continuidade
ao desafio que Lula assumiu e venceu até agora", afirmou o deputado
federal Ricardo Berzoini, presidente nacional do PT.
A CNB substituiu o antigo Campo Majoritário da sigla, implodido
após a crise do mensalão em 2005. Dilma fez uma palestra
na abertura do encontro, que acontece até amanhã em um
luxuoso hotel fazenda de São Roque, cidade a cerca de 60 quilômetros
de São Paulo.
Dilma não quis falar como pré-candidata. Disse apenas
que "a construção de um novo Brasil passa pela forma
como o país enfrentará a crise". Para ela, o PT
precisa ser um "partido unido" e manter suas "articulações
com os movimentos sociais". "O diálogo dos militantes
do governo com os demais petistas é fundamental e não
depende da eleição".
A ascensão da ministra Dilma passa pelo fortalecimento da CNB,
que nas últimas eleições municipais assistiu às
derrotas de adversários internos como a Novo Rumo, da ex-ministra
Marta Suplicy, e a Mensagem ao Partido, do ministro Tarso Genro (Justiça).
A ministra afirmou que o Brasil vive um momento de desaceleração
econômica, mas que não afetará o desempenho da
economia de forma catastrófica em 2009. "Depois da crise,
virá a retomada", disse. Hoje, estará no seminário
o ex-ministro José Dirceu, que deixou o governo no escândalo
do mensalão, em 2005.
Hotel fazenda
Para o evento, as diárias do hotel custam em média cerca
de R$ 350, com refeições completas para os participantes.
Até ontem, a CNB não havia informado quantas militantes
participariam do encontro nem quem pagaria as despesas. A Folha apurou
que são mais de 220 pessoas.
O hotel, que tem quadras poliesportivas, piscinas, academia de ginástica,
sauna, salão de festas, bosques e restaurantes, foi fechado
para os petistas no final de semana.
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Folha de S.Paulo, 6 de dezembro de 2008
CONSELHO DE ÉTICA
PSOL recorrerá pela
cassação de Paulinho
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O PSOL anunciou que vai ingressar com recurso contra a decisão
do Conselho de Ética da Câmara de absolver o deputado
Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) da acusação de quebra
de decoro parlamentar.
Para o recurso, o PSOL precisa recolher 52 assinaturas de deputados
e aprovar o pedido no plenário da Câmara com os votos
da maioria dos deputados presentes na sessão. A decisão
sobre quando o recurso será votado é do presidente da
Casa, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Chinaglia afirmou que a Câmara
não pode ser responsabilizada pelos atos do Conselho. Ele não
comentou sobre a hipótese do recurso.
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Folha de S.Paulo, 6 de dezembro de 2008
Novo pacote mira agricultura, construção
civil e indústria
Equipe econômica leva a Lula na próxima
semana medidas que envolvem isenção fiscal
Governo estuda reduzir alíquota de IOF
e antecipar em até 20 dias o pagamento por obras públicas
para reforçar caixa de empresas
JULIANA ROCHA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
DENYSE GODOY
DA REPORTAGEM LOCAL
A equipe econômica entregará ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, na próxima semana, um novo pacote de medidas
para tentar injetar recursos na economia, aliviar o caixa das empresas
e estimular a demanda e o crescimento em 2009. O montante dos recursos
e os setores beneficiados, porém, serão decisão
do presidente já que envolve renúncia fiscal.
Na avaliação da equipe do ministro Guido Mantega (Fazenda),
como a perspectiva é de queda na arrecadação em
2009 por causa de ritmo menor de crescimento, não será possível
adotar todas as medidas de uma vez. Nas palavras de um assessor da
Fazenda, o pacote inclui um pouco mais de tudo do que já foi
anunciado. Uma das opções apresentadas é a redução
do IOF para estimular o crédito, medida que não conta
com a simpatia de toda a equipe econômica. Há resistências
a essa proposta até mesmo na Fazenda.
A renúncia fiscal se a alíquota do IOF voltar aos níveis
de janeiro, antes do aumento feito num momento de forte expansão,
pode chegar a até R$ 12 bilhões, que corresponde ao valor
arrecadado a mais neste ano. Ontem, em reunião com empresários
na Fiesp, em São Paulo, Mantega antecipou a preparação
do pacote. Segundo a Folha apurou, devem ser beneficiados os setores
agrícola, automobilístico, de bens de capital e de construção
civil.
Mantega não deu detalhes das medidas que serão adotadas,
mas adiantou que, no caso da construção, trata-se de
liberação de capital de giro. O setor vem tendo vários
encontros com autoridades do governo.
Um dos pedidos do setor para reforçar o caixa das construturas
foi a antecipação em 20 dias do prazo de pagamento das
faturas de obras públicas. Segundo Paulo Safady Simão,
presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Construção
Civil), a quitação é feita com 30 dias, e o pleito é para
que ela ocorra com dez dias. "Isso daria mais caixa.
O ministro Mantega e Paulo Bernardo (Planejamento) acham que isso é possível." A
Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo) juntou empresários dos mais importantes do país
-como Benjamin Steinbruch, presidente da CSN (Companhia Siderúrgica
Nacional), Clodorvino Belini, da Fiat, Ivoncy Ioschpe, da Ioschpe-Maxion,
e Ivan Zurita, da Nestlé- para que eles pessoalmente relatassem
a Mantega os problemas pelos quais estão passando.
" Pedi que todos falassem franca porém respeitosamente. É importante
que o governo ouça as dificuldades de quem vive a crise no dia-a-dia",
afirmou Paulo Skaf, presidente da entidade. Foi em resposta a essas preocupações
que o ministro contou do pacote. A avaliação apresentada pelos
empresários ao ministro, em São Paulo, é de que o crédito
internacional continua "zerado". Mantega ouviu reclamações
de que o acesso ao crédito piorou nesta semana, e os empresários
não acreditam que os bancos públicos terão capacidade de
atender à demanda.
Os empresários argumentaram que o governo teria que antecipar
medidas fiscais previstas para o primeiro semestre de 2009. Um dos
assessores de Mantega admitiu, porém, que mesmo com a antecipação
do anúncio das medidas não haverá mais tempo hábil
para implementá-las neste ano.
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Folha de S.Paulo, 6 de dezembro de 2008
Projeto que veta demissão
de maridos de grávidas é polêmico, diz Garibaldi
LARISSA GUIMARÃES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), definiu ontem
como polêmico o projeto de lei que proíbe a demissão
do trabalhador cuja mulher ou companheira esteja grávida.
A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça)
da Câmara aprovou anteontem a proposta, de autoria do presidente
da Casa, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). O texto segue agora para
votação no Senado.
" Não deixa de ser um projeto polêmico, por conta do contexto
econômico que vivemos, mas deve ser analisado pela Casa", disse, referindo-se à crise
econômica.
Anteontem, o próprio Chinaglia disse ter ficado surpreso pela
aprovação da proposta, apresentada em 1997. O líder
do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que ainda
não há um posicionamento do governo em relação à proposta,
mas afirmou ser "pessoalmente" contra a medida. "O incentivo
não pode ser baseado na natalidade."
O projeto estabelece que o funcionário não pode ser dispensado
durante período de 12 meses. O prazo passa a ser contado a partir
da concepção presumida -definida por médico do
SUS. A regra não impede demissão por justa causa nem
protege funcionários temporários. A multa por descumprimento
equivale a 18 meses de remuneração.
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Última Instância, 6 de dezembro
de 2008
TJ mantém cargo
de professora que recebeu adicional de férias
18 vezes
A 2ª Câmara Criminal do TJ-GO (Tribunal de Justiça
de Goiás) reverteu sentença de primeira instância
que havia condenado professora da rede pública à perda
do cargo por ter inserido, indevidamente, adicional de férias
a seu favor na folha de pagamento. Na denúncia, ela é acusada
de repetir 18 vezes a inclusão do valor de férias em
benefício próprio, sendo submetida a processo administrativo
que gerou punição administrativa. A professora ficou
três meses sem receber salário e foi transferida de local
de trabalho.
Segundo o TJ-GO, a Câmara Criminal acatou, nesta quinta-feira
(4/12), a apelação criminal interposta pela professora
Aparecida de Fátima Rodrigues Prado pois, mesmo com as punições,
ela voluntariamente ressarciu o erário do valor subtraído.
Isso foi feito antes mesmo de inquérito policial e denúncia
do MP (Ministério Público). Apesar disso, foi condenada
a três anos de reclusão e teve decretada a perda do
cargo.
Em seu voto, o desembargador Benedito do Prado observou que a sentença
condenatória não observou o artigo 16 do Código
Penal, que prevê a diminuição da pena base em
dois terços em caso de arrependimento e ressarcimento de danos
antes do recebimento da denúncia.
Com isso, o relator recalculou a pena, que foi fixada definitivamente
em nove meses e dez dias de reclusão. A condenação
previu, ainda, a substituição da reclusão pela
pena restritiva de direitos, o que gerou apenas prestação
de serviços à comunidade.
A sentença também excluiu a perda do cargo. O relator
observou que, com a reforma parcial da sentença, a pena aplicada
ficou inferior a um ano. Como “conseqüência, tem-se
que os efeitos da condenação quanto à perda
do cargo somente alcançam a pena privativa de liberdade aplicada
igual ou superior a um ano, conforme determina o artigo 92 do Código
Penal”, afirmou o desembargador.
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O Globo-Online, 6 de dezembro de 2008
Fator previdenciário:
governo admite mudanças, mas centrais saem insatisfeitas
BRASÍLIA - Depois de se reunir com as principais centrais sindicais
do país, o ministro da Previdência, José Pimentel,
disse que o governo está disposto a encontrar uma alternativa
para o fim do fator previdenciário proposto no projeto do senador
Paulo Paim (PT-RS), já aprovado no Senado e agora tramitando
na Câmara. Mas as centrais saíram insatisfeitas porque
o governo não apresentou nenhuma proposta concreta.
O fator previdenciário é uma fórmula usada
para calcular as aposentadorias e tem o objetivo de inibir aposentadorias
precoces. Ele é aplicado desde 1999 e já rendeu uma
economia de mais de R$ 10 bilhões ao governo. " Estamos
construindo com o Congresso e com as centrais alternativas"O
ministro José Pimentel apontou como uma das possibilidades
aplicar no regime geral da Previdência algumas regras existentes
hoje no regime do servidor público federal, que foi aprovado
dentro da chamada PEC paralela, no início do governo de Luiz
Inácio Lula da Silva.
Na prática, o objetivo do governo é adotar um novo
fator previdenciário que seja mais flexível e que incentive
as pessoas a se aposentar mais tarde. A avaliação da
Previdência é que o atual modelo se esgotou e não
consegue mais segurar as pessoas no mercado de trabalho. O ministro
não explicou quais seriam esses critérios a serem adotados,
mas uma das fórmulas existentes no serviço público
combina tempo de contribuição e idade. " O governo
faz o discurso que quer acabar com o fator previdenciário,
mas não tem proposta "
Ela é a "Fórmula 95", que leva em conta
idade e tempo de contribuição. Para o servidor ter
direito à aposentadoria integral - o teto do setor privado
-, a soma desses dois fatores deve chegar a 95 anos, para os homens,
e 85 anos, no caso das mulheres. Cada ano a mais trabalhado é abatido
da idade: em vez de ter que atingir 60 anos de idade e 35 anos de
contribuição, pode ter 59 anos e 36 de contribuição,
chegando à mesma soma de 95. Hoje, o trabalhador se aposenta
por tempo de contribuição (35 anos para homens e 30
anos para mulheres) - nesse caso, se aplica o fator previdenciário,
reduzindo muito o valor do benefício - ou por idade - 65 para
homens e 60 para mulheres, nesse caso com o beneficio integral.
- Estamos construindo com o Congresso e com as centrais alternativas.
Há regras na PEC paralela com as quais podemos dialogar e
que não precisariam ser aprovadas por emendas constitucionais
e sim apenas por projetos de lei - disse Mas as centrais saíram
insatisfeitas do encontro, afirmam que o governo não apresentou
nenhuma proposta concreta. Os sindicalistas reivindicam apenas o
fim do fator previdenciário sem adoção de qualquer
outro critério. Eles são contra, por exemplo, substituir
o fator previdenciário por idade mínima, que é outra
discussão dentro do governo.
- Estamos com sentimento de indignação porque o ministro
não tem qualquer proposta. Ele jogou para o Congresso toda
a responsabilidade da discussão do assunto. O governo faz
o discurso que quer acabar com o fator previdenciário, mas
não tem proposta - criticou o presidente do Sindicato Nacional
dos Aposentados, João Batista Inocentine.
PT vai apoiar proposta de Paim
Na quarta-feira, o líder do PT na Câmara, Maurício
Rands (PE), disse que o partido vai apoiar a proposta de Paim. Rands
afirmou que uma das propostas em discussão é a fixação
de uma idade mínima para a aposentadoria. O petista disse
que o partido também é a favor da instituição
de um reajuste maior do benefício para os aposentados que
ganham acima do piso previdenciário. No entanto, o líder
argumentou que a primeira mudança deve ser feita junto com
o estabelecimento de idade mínima para aposentadoria.
O relator do projeto na Comissão de Constituição
e Justiça da Câmara também é um petista,
o deputado Pepe Vargas (RS). Ele já declarou que negocia uma
alternativa ao projeto de Paim.
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Notícias do Tribunal Superior do Trabalho
06/12/2008
TST publica novas Orientações
Jurisprudenciais
O Tribunal Superior do Trabalho publicou, nas três últimas
edições do Diário Eletrônico da Justiça
do Trabalho, as Orientações Jurisprudenciais nºs
367 a 372 da Subseção I Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-1), as de nºs 149 a 153 da Subseção
II Especializada em Dissídios Individuais e as Orientações
Jurisprudenciais Transitórias de nºs 62 a 67 da Subseção
I Especializada em Dissídios Individuais.
Orientações Jurisprudenciais
da SDI-1:
367. AVISO PRÉVIO DE 60 DIAS. ELASTECIMENTO POR NORMA
COLETIVA. PROJEÇÃO. REFLEXOS NAS PARCELAS TRABALHISTAS.
O prazo de aviso prévio de 60 dias, concedido por meio de
norma coletiva que silencia sobre alcance de seus efeitos jurídicos,
computa-se integralmente como tempo de serviço, nos termos
do § 1º do art. 487 da CLT, repercutindo nas verbas rescisórias.
368. DESCONTOS PREVIDENCIÁRIOS. ACORDO HOMOLOGADO
EM JUÍZO. INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO.
PARCELAS INDENIZATÓRIAS. AUSÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO.
INCIDÊNCIA SOBRE O VALOR TOTAL.
É devida a incidência das contribuições
para a Previdência Social sobre o valor total do acordo homologado
em juízo, independentemente do reconhecimento de vínculo
de emprego, desde que não haja discriminação
das parcelas sujeitas à incidência da contribuição
previdenciária, conforme parágrafo único do
art. 43 da Lei nº 8.212, de 24.07.1991, e do art. 195, I, “a”,
da CF/1988.
369. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. DELEGADO SINDICAL.
INAPLICÁVEL.
O delegado sindical não é beneficiário da estabilidade
provisória prevista no art. 8º, VIII, da CF/1988, a qual é dirigida,
exclusivamente, àqueles que exerçam ou ocupem cargos
de direção nos sindicatos, submetidos a processo eletivo.
370. FGTS. MULTA DE 40%. DIFERENÇAS DOS EXPURGOS
INFLACIONÁRIOS. PRESCRIÇÃO. INTERRUPÇÃO
DECORRENTE DE PROTESTOS JUDICIAIS.
O ajuizamento de protesto judicial dentro do biênio posterior à Lei
Complementar nº 110, de 29.06.2001, interrompe a prescrição,
sendo irrelevante o transcurso de mais de dois anos da propositura
de outra medida acautelatória, com o mesmo objetivo, ocorrida
antes da vigência da referida lei, pois ainda não iniciado
o prazo prescricional, conforme disposto na Orientação
Jurisprudencial nº 344 da SBDI-1.
371. IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO. SUBSTABELECIMENTO
NÃO DATADO. INAPLICABILIDADE DO ART. 654, § 1º,
DO CÓDIGO CIVIL.
Não caracteriza a irregularidade de representação
a ausência da data da outorga de poderes, pois, no mandato
judicial, ao contrário do mandato civil, não é condição
de validade do negócio jurídico. Assim, a data a ser
considerada é aquela em que o instrumento for juntado aos
autos, conforme preceitua o art. 370, IV, do CPC. Inaplicável
o art. 654, § 1º, do Código Civil.
372. MINUTOS QUE ANTECEDEM E SUCEDEM A JORNADA DE TRABALHO.
LEI Nº 10.243, DE 27.06.2001. NORMA COLETIVA. FLEXIBILIZAÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE.
A partir da vigência da Lei nº 10.243, de 27.06.2001,
que acrescentou o § 1º ao art. 58 da CLT, não mais
prevalece cláusula prevista em convenção ou
acordo coletivo que elastece o limite de 5 minutos que antecedem
e sucedem a jornada de trabalho para fins de apuração
das horas extras.
Orientações Jurisprudenciais
da SDI-2:
149. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. INCOMPETÊNCIA TERRITORIAL.
HIPÓTESE DO ART. 651, § 3º, DA CLT. IMPOSSIBILIDADE
DE DECLARAÇÃO DE OFÍCIO DE INCOMPETÊNCIA
RELATIVA.
Não cabe declaração de ofício de incompetência
territorial no caso do uso, pelo trabalhador, da faculdade prevista
no art. 651, § 3º, da CLT. Nessa hipótese, resolve-se
o conflito pelo reconhecimento da competência do juízo
do local onde a ação foi proposta.
150. AÇÃO RESCISÓRIA. DECISÃO
RESCINDENDA QUE EXTINGUE O PROCESSO SEM RESOLUÇÃO
DE MÉRITO POR ACOLHIMENTO DA EXCEÇÃO DE COISA
JULGADA. CONTEÚDO MERAMENTE PROCESSUAL. IMPOSSIBILIDADE
JURÍDICA DO PEDIDO.
Reputa-se juridicamente impossível o pedido de corte rescisório
de decisão que, reconhecendo a configuração
de coisa julgada, nos termos do art. 267, V, do CPC, extingue o processo
sem resolução de mérito, o que, ante o seu conteúdo
meramente processual, a torna insuscetível de produzir a coisa
julgada material.
151. AÇÃO RESCISÓRIA E MANDADO DE
SEGURANÇA. IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO
PROCESSUAL VERIFICADA NA FASE RECURSAL. PROCURAÇÃO
OUTORGADA COM PODERES ESPECÍFICOS PARA AJUIZAMENTO DE RECLAMAÇÃO
TRABALHISTA. VÍCIO PROCESSUAL INSANÁVEL.
A procuração outorgada com poderes específicos
para ajuizamento de reclamação trabalhista não
autoriza a propositura de ação rescisória e
mandado de segurança, bem como não se admite sua regularização
quando verificado o defeito de representação processual
na fase recursal, nos termos da Súmula nº 383, item II,
do TST.
152. AÇÃO RESCISÓRIA E MANDADO DE SEGURANÇA.
RECURSO DE REVISTA DE ACÓRDÃO REGIONAL QUE JULGA
AÇÃO RESCISÓRIA OU MANDADO DE SEGURANÇA.
PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE. INAPLICABILIDADE. ERRO GROSSEIRO
NA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO.
A interposição de recurso de revista de decisão
definitiva de Tribunal Regional do Trabalho em ação
rescisória ou em mandado de segurança, com fundamento
em violação legal e divergência jurisprudencial
e remissão expressa ao art. 896 da CLT, configura erro grosseiro,
insuscetível de autorizar o seu recebimento como recurso ordinário,
em face do disposto no art. 895, “b”, da CLT.
153. MANDADO DE SEGURANÇA. EXECUÇÃO.
ORDEM DE PENHORA SOBRE VALORES EXISTENTES EM CONTA SALÁRIO.
ART. 649, IV, DO CPC. ILEGALIDADE.
Ofende direito líquido e certo decisão que determina
o bloqueio de numerário existente em conta salário,
para satisfação de crédito trabalhista, ainda
que seja limitado a determinado percentual dos valores recebidos
ou a valor revertido para fundo de aplicação ou poupança,
visto que o art. 649, IV, do CPC contém norma imperativa que
não admite interpretação ampliativa, sendo a
exceção prevista no art. 649, § 2º, do CPC
espécie e não gênero de crédito de natureza
alimentícia, não englobando o crédito trabalhista.
Orientações Jurisprudenciais
Transitórias da SDI-1:
62. PETROBRAS. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA.
AVANÇO DE NÍVEL. CONCESSÃO DE PARCELA POR
ACORDO COLETIVO APENAS PARA OS EMPREGADOS DA ATIVA. EXTENSÃO
PARA OS INATIVOS. ARTIGO 41 DO REGULAMENTO DO PLANO DE BENEFÍCIOS
DA PETROS.
Ante a natureza de aumento geral de salários, estende-se à complementação
de aposentadoria dos ex-empregados da Petrobras benefício
concedido indistintamente a todos os empregados da ativa e estabelecido
em norma coletiva, prevendo a concessão de aumento de nível
salarial – “avanço de nível” -, a
fim de preservar a paridade entre ativos e inativos assegurada no
art. 41 do Regulamento do Plano de Benefícios da Fundação
Petrobras de Seguridade Social – Petros.
63. PETROBRAS. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA.
INTEGRALIDADE. CONDIÇÃO. IDADE MÍNIMA. LEI
Nº 6.435, DE 15.07.1977.
Os empregados admitidos na vigência do Decreto nº 81.240,
de 20.01.1978, que regulamentou a Lei nº 6.435, de 15.07.1977,
ainda que anteriormente à alteração do Regulamento
do Plano de Benefícios da Petros, sujeitam-se à condição “idade
mínima de 55 anos” para percepção dos
proventos integrais de complementação de aposentadoria.
64. PETROBRAS. PARCELAS GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE
E PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS DEFERIDAS POR NORMA
COLETIVA A EMPREGADOS DA ATIVA. NATUREZA JURÍDICA NÃO
SALARIAL. NÃO INTEGRAÇÃO NA COMPLEMENTAÇÃO
DE APOSENTADORIA.
As parcelas gratificação contingente e participação
nos resultados, concedidas por força de acordo coletivo a
empregados da Petrobras em atividade, pagas de uma única vez,
não integram a complementação de aposentadoria.
65. REPRESENTAÇÃO JUDICIAL DA UNIÃO.
ASSISTENTE JURÍDICO. APRESENTAÇÃO DO ATO DE
DESIGNAÇÃO.
A ausência de juntada aos autos de documento que comprove
a designação do assistente jurídico como representante
judicial da União (art. 69 da Lei Complementar nº 73,
de 10.02.1993) importa irregularidade de representação.
66. SPTRANS. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. NÃO
CONFIGURAÇÃO. CONTRATO DE CONCESSÃO DE SERVIÇO
PÚBLICO. TRANSPORTE COLETIVO.
A atividade da São Paulo Transportes S/A - SPTrans de gerenciamento
e fiscalização dos serviços prestados pelas
concessionárias de transporte público, atividade descentralizada
da Administração Pública, não se confunde
com a terceirização de mão-de-obra, não
se configurando a responsabilidade subsidiária.
67. TELEMAR. PRIVATIZAÇÃO. PLANO DE INCENTIVO À RESCISÃO
CONTRATUAL (PIRC). PREVISÃO DE PAGAMENTO DA INDENIZAÇÃO
COM REDUTOR DE 30%. APLICAÇÃO LIMITADA AO PERÍODO
DA REESTRUTURAÇÃO.
Não é devida a indenização com redutor
de 30%, prevista no Plano de Incentivo à Rescisão Contratual
da Telemar, ao empregado que, embora atenda ao requisito estabelecido
de não haver aderido ao PIRC, foi despedido em data muito
posterior ao processo de reestruturação da empresa,
e cuja dispensa não teve relação com o plano.
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