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O ESTADO DO PARANÁ,
08 de dezembro de 2008 | Economia
Miguel Jorge não vê crise
em construção e montadoras
Agência Estado
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,
Miguel Jorge, negou nesta sexta-feira (5) a existência de crise no setores
da construção civil e automotivo e garantiu que se uma retração
for constatada no primeiro trimestre do próximo ano o governo agirá. "Pelos
dados que temos, não enxergamos nenhuma crise à vista na construção
civil", afirmou a jornalistas, após participar de almoço
de fim de ano da Associação Brasileira da Indústria de
Eletroeletrônicos (Abinee).
Miguel Jorge salientou que, quando
houve dificuldades de crédito, o governo disponibilizou mais recursos
para a irrigação do setor. De acordo com ele, ao lado do
setor automotivo, a construção é uma das áreas
monitoradas de perto para identificar períodos de turbulência
e de grande expansão. "Por isso, há preocupação
especial do governo com esses dois setores. Tão logo se identifique
algum problema, o governo agirá para que ele seja o menor possível",
garantiu.
Dada a insistência dos
jornalistas em relação a indicadores que mostram forte
desaceleração no setor, Miguel Jorge fez a seguinte afirmação: "Se
vocês considerarem que uma redução no ritmo, na aprovação
de financiamentos, é um problema, então temos um problema,
mas redução do ritmo não é um problema." Ele
ressaltou que o déficit habitacional brasileiro é de 7
milhões de residências. "Precisamos fazer casas populares
e apartamentos para a baixa renda. Este é o segmento em que deveríamos
atuar mais fortemente", sugeriu.
Em relação à perspectiva
para a produção de veículos, Miguel Jorge disse
acreditar que a expansão deverá "chegar muito perto
dos dois dígitos em 2009". Para ele, se este crescimento
for constatado, será excelente porque, além de o mundo
estar em situação de crise, na Europa e nos Estados Unidos
não haverá expansão.
Ele considerou que, para a Associação
Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), um
crescimento de 10% pode parecer ruim, já que a taxa de expansão
do setor estava em 25% ao ano. Ele destacou, no entanto, que os investimentos
grandes e pequenos do setor foram mantidos e que a indústria estava
em operação não só nos dias de semana como
também nos sábados, domingos e feriados, além de
operação extra à noite. "Crescimento de 25% é insustentável
nestas condições. Tínhamos fila de entrega para
caminhões de até cinco meses. Isso não é razoável
em nenhum tipo de produção, é irreal", avaliou.
Ao fim da entrevista com
os jornalistas, Miguel Jorge relatou que tem conversado com representantes
de muitos setores recentemente e que, apesar de todos expressarem preocupação
com a crise, nenhum mencionou que já estivesse passando por
um problema prático.
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O ESTADO DO PARANÁ,
08 de dezembro de 2008 | Economia
O problema da crise é o desemprego,
diz Alencar
Agência Estado
O vice-presidente da República, José Alencar, avaliou que o maior
problema da crise é o desemprego e afirmou que o governo está pedindo às
empresas que tomem todas as medidas possíveis antes de pensar em demitir. "O
governo recomendou às empresas que façam um esforço para
se ajustar em todos os setores antes de pensar em dispensar um cidadão",
afirmou, após participar de reunião na sede da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em que também
estiveram presentes o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente da Fiesp,
Paulo Skaf, e empresários. O vice-presidente sugeriu que as companhias
podem ajustar seus preços antes de demitir, uma medida que também
contribuiria para o controle da inflação.
Alencar também defendeu
uma redução no custo de capital e da taxa básica
de juros, que, em sua visão, inibem o crescimento e o consumo
no País. Segundo ele, os níveis dos spreads bancários
(diferença entre o juro da operação de crédito
e o custo de captação dos recursos pelo banco), tanto
para a pessoa física como jurídica, é "absurdo". "A
taxa básica de juros é um despropósito." Ele
advertiu para a demora na redução dos juros: "Estão
demorando muito e pode ser trágico".
O vice-presidente ressaltou
que um problema de diagnóstico sobre as causas da inflação
também pode prejudicar a economia brasileira. "Quando você vai
a um médico, você tem que pedir a Deus por um diagnóstico
correto", comparou. Segundo ele, a tese do Banco Central é de
que a política monetária restritiva é um instrumento
de combate à inflação. Ele, contudo, destacou
que, em sua visão, a inflação não é de
consumo, é de custo. "Estamos vendo o mundo inteiro reduzindo
a taxa de juro", afirmou. Ele reconheceu que cada economia tem
características específicas, mas ressaltou que o Brasil
está em uma situação mais favorável do
que o resto do mundo e que "ajudar a economia real é uma
das saídas para essa situação".
Alencar afirmou que o governo
está preocupado e acompanha a crise diariamente, mas evitou
comentar sobre possíveis medidas para a economia brasileira.
Em sua visão, o governo tem como certo que é necessário
não paralisar os investimentos, desonerar certos segmentos da
economia e fazer um esforço para fortalecer a economia real. "Eu
acredito que o Brasil sairá desta fase fortalecido."
No que diz respeito à desvalorização
do real, o vice-presidente apenas comentou: "O câmbio é flutuante". "Ao
invés de o povo ir à Disneylândia, ele vai a Ouro
Preto."
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Gazeta do Povo, 8 de dezembro
de 2008
Crise
PAC e estímulo “pontual” são
arma do governo contra o desemprego
Primeiro trimestre do ano que vem deverá ser
o mais difícil pelo ponto de vista do emprego. Para manter as
vagas, a União até cogita cobrar menos impostos

Prédio em obras no bairro Batel, em Curitiba: setor de construção
já recebeu medidas de estímulo
Brasília - O governo não
se ilude de que o ano que vem será mais difícil do ponto
de vista da geração de empregos na economia brasileira,
mas acredita que pode evitar um cenário de forte contração
nos postos de trabalho. A partir da combinação de investimentos
mais fortes no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)
em 2009 com medidas pontuais de estímulo, focadas mais nos setores
de cadeia produtiva longa e intensivos em mão-de-obra – que
têm um importante “efeito multiplicador” –, a
equipe econômica acredita que pode sustentar um ritmo de atividade
que evite um cenário muito negativo para o emprego, informou uma
fonte do governo. Os desembolsos do PAC em 2009 estão estimados
em R$ 21,2 bilhões.
O ministro da Fazenda, Guido
Mantega, disse na sexta-feira que nesta semana poderá anunciar
medidas de estímulo ao setor produtivo. O cardápio de opções
da equipe econômica contém desde medidas para estimular
mais o crédito, especialmente para setores com mais dificuldades,
como automóveis e construção – que já foram
de algum forma contemplados –, até desonerações
tributárias. Aliás, no encontro de sexta-feira com Mantega,
os empresários paulistas deram ênfase à necessidade
de se cortar tributos para estimular o setor produtivo e evitar ou pelo
menos minimizar as demissões.
O governo avalia que o primeiro
trimestre de 2009 será o mais difícil do ponto de vista
da atividade econômica e do emprego e, por isso, tenta atuar não
só do lado real, mas também nas expectativas dos agentes
econômicos, consideradas cruciais para um desempenho razoável
do País. Não à toa, o ministro Mantega sustenta
seu discurso de que o País crescerá 4% em 2009, mesmo que
no governo cresça o grupo dos que trabalham com projeções
mais próximas de 3% a 3,5%.
A equipe econômica acredita
que, diante da queda na relação entre dívida e Produto
Interno Bruto (PIB) para menos de 40% e um superávit primário
acima da meta, terá no ano que vem espaço fiscal suficiente
para acelerar seus investimentos e assim contribuir para a geração
de empregos, especialmente em setores intensivos em mão-de-obra,
como a construção civil. “O governo vai atuar. Há uma
tempestade lá fora e é um fato que todo mundo vai se molhar,
mas isto não quer dizer que vamos pegar uma pneumonia”,
disse uma fonte. “Nós temos uma boa condição
física e armamento pesado para não deixar a peteca cair”,
acrescentou.
Mas o otimismo da equipe
econômica com o desempenho da economia em 2009 não contagia
o Congresso, que se articula cada vez mais para tentar aprovar medidas
que possam promover a geração de empregos. Por causa
disso, o projeto que reduz a jornada de trabalho de 44 horas semanais
para 40 horas, sem corte de salários, antiga bandeira das centrais
sindicais entrou na pauta de discussões do Parlamento brasileiro.
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O ESTADO DO PARANÁ,
08 de dezembro de 2008 | Política
PAC turbinado de R$ 1,1 trilhão
pode virar 'pactóide'
Agência Estado
A intenção do governo de dobrar o valor do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) dos R$ 503,9 bilhões anunciados em 2007 para R$
1,111 trilhão está amparada em bases incertas. O esfriamento
da economia e a alta no custo dos empréstimos podem transformar o PAC
turbinado e anunciado na quarta-feira pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma
Rousseff, em um verdadeiro "pactóide". Além disso,
o programa continua tropeçando na já conhecida lentidão
do governo em executá-lo.
Do novo montante anunciado,
R$ 73,9 bilhões, ou 6,6%, virão do orçamento federal.
O problema é que em 2009 o caixa do governo enfrentará duas
dificuldades: aumento de despesas e queda na arrecadação.
O crescimento dos gastos ocorrerá por
causa dos compromissos já assumidos de reajuste no salário
mínimo e nos salários dos funcionários públicos.
A receita será menor porque a economia crescerá menos.
A saída defendida
por representantes de empresários, como os presidentes da Associação
Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib),
Paulo Godoy, e da Câmara Brasileira da Indústria da Construção
(CBIC), Paulo Safady Simão, é a redução
das despesas de custeio da máquina. As informações
são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Vermelho, 8 de dezembro de
2008
Lula estuda limitar autonomia do
Banco Central sobre juros
O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva aguardará a decisão do Banco Central nesta semana
sobre a taxa de juros para tomar uma decisão mais importante.
Lula estuda agora uma eventual interferência política pública
e assumida para forçar uma queda da taxa básica de juros
caso o BC insista em manter os juros no atual patamar ou não sinalize
que vai baixar a taxa no ano que vem.
Por Kennedy Alencar, na Folha Online
A selic está hoje em 13,75%
ao ano. O Copom (Comitê de Política Monetária), órgão
do BC que se reúne a cada 45 dias para fixar os juros, terá o último
encontro deste ano nestas terça e quarta-feiras.
Lula avalia estabelecer limites à autonomia formal concedida ao BC desde
quando o petista chegou ao poder, em 2003. De lá para cá, houve
embates entre Lula e o BC, mas o presidente nunca questionou a autonomia da
instituição. Engoliu decisões das quais discordava.
Recentemente, Lula fez fortes pressões nos bastidores e deu duas declarações
públicas dizendo que acha que os juros precisam cair. Falou que estavam
acima do que indicava o bom senso e também disse que era hora de reduzir
juros e preços.
Lula deseja uma queda de 0,25 ponto percentual da taxa de juros, como sinal
de que será iniciado um processo que ajudaria a animar os agentes econômicos.
Lula vende otimismo em relação ao desempenho da economia no ano
que vem e acha que uma sinalização do BC de queda dos juros o
ajudaria nessa tarefa. Alguns auxiliares falam até em viés de
baixa: o BC manteria a Selic em 13,75%, mas deixaria claro que poderia reduzir
a taxa a qualquer hora antes da próxima reunião do Copom.
Não seria correto manter a Selic em 13,75% ao ano e ponto final, pensam
conselheiros econômicos do Palácio do Planalto. Lula enfrenta
uma enorme crise econômica internacional sem precedentes em seu tempo
de governo. Uma crise que poderá desidratar conquistas econômicas
e sociais dos seus quase seis anos de administração. Lula ainda
tem muito tempo de poder, dois anos. No entanto, esse é um espaço
de tempo curto para tomar decisões econômicas e vê-las surtir
resultados.
Conselheiros do presidente na área de economia são unânimes:
o BC já perdeu o timing para reduzir os juros. O modelo econométrico
que os diretores do BC julgam um oráculo não faria mais sentido
porque haveria uma outra economia no planeta de meados de setembro para cá.
Não valeriam grande coisa os dados cumulativos que são analisados
a cada reunião do Copom e que são cruzados com mais recentes
para se chegar a um diagnóstico econômico e fixar a política
monetária.
Bancos centrais de países mais desenvolvidos, países que têm
como amenizar impactos sociais negativos decorrentes de uma crise econômica,
já saíram na frente. Derrubaram suas taxas de juros a porretadas.
No Brasil, o BC sinaliza que talvez não reduza os juros, que ainda é preciso
ver se a inflação realmente está domada, que ainda não
dá para saber se a economia desacelerou mesmo neste final de ano.
Lula tem uma decisão difícil e solitária pela frente.
O presidente faz as seguintes reflexões. É ele quem foi eleito
em 2006. É ele quem tem 70% de aprovação (índice
bom e ótimo) no Datafolha. É ele quem será cobrado pelo
desempenho da autonomia. Como foi ele quem concedeu a autonomia formal ao BC,
seria a hora de limitá-la, retirá-la ou confirmá-la?
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Folha
de S.Paulo, 8 de dezembro de 2008
China oferece US$ 10 bi ao pré-sal,
diz Lobão
Ministro afirma que os chineses podem exigir
uma parcela da produção de petróleo como contrapartida
a empréstimo | Petrobras examinará redução "não
muito grande" dos preços do combustível por causa da queda
do petróleo, diz ministro
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Leia a seguir os principais trechos
da entrevista do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, concedida
na sexta-feira em Brasília. (VALDO CRUZ
e HUMBERTO MEDINA)
FOLHA - A comissão interministerial está na reta
final do fechamento das propostas do novo modelo de exploração
de petróleo no país?
EDISON LOBÃO - Estamos fechando provavelmente na próxima terça-feira.
Em seguida, o presidente deseja abrir um debate público. Ainda não
sabe como será, se vai chamar sindicatos, universidades, instituições
para falar sobre a matéria ou se simplesmente transfere para o Congresso
Nacional.
FOLHA - Pelo que tem sido
divulgado, o governo vai manter as regras atuais de concessão
para áreas já licitadas e, nas ainda não concedidas,
criar uma nova empresa e implantar a partilha de produção. É isso?
LOBÃO - Essa é uma das alternativas. Temos várias. A criação
da estatal é, talvez, a proposta, no meu entendimento, que obtém
maiores adesões.
FOLHA - Com partilha?
LOBÃO - É. Agora, a santidade dos contratos terá de ser
mantida. Não podemos rompê-los.
FOLHA - Mesmo com essa
crise mundial e o preço do petróleo despencando, a Petrobras
tem condição de manter o ritmo de seus investimentos?
LOBÃO - Tem. Há previsão de investimento superior a US$
100 bilhões, que em vez de encolher pode até aumentar. Se necessário,
o governo aportará recursos seus, das reservas, poderá aumentar
o capital.
FOLHA - Que reserva?
LOBÃO - Da reserva externa. Pode emprestar à Petrobras dinheiro
das reservas externas.
FOLHA - Isso está em
discussão?
LOBÃO - Isso é uma possibilidade, não há nenhuma
impossibilidade.
FOLHA - Especialistas e
dirigentes da Petrobras alertam que, em 2009, a geração
de caixa diminuirá com a recessão mundial e queda no petróleo.
E que a fonte externa de financiamento secou. Diante disso, dizem que
a estatal pode manter os investimentos, mas terá de alongá-los
para evitar problemas de caixa.
LOBÃO - Não trabalhamos com essa hipótese de alongamento.
Você diz que o financiamento externo secou. Não secou. A China
está oferecendo à Petrobras US$ 10 bilhões num primeiro
momento. Recebemos representante de um príncipe dos Emirados Árabes,
que também quer investir na Petrobras. Temos várias alternativas,
empréstimos internos, externos, o Orçamento da República,
a possibilidade de usar parte das reservas externas do país.
FOLHA - Mas tem analista
prevendo o barril abaixo de US$ 30.
LOBÃO - Não contemplo essa hipótese de o petróleo
cair a esse nível. É praticamente impossível. Basta os
produtores reduzirem a produção, o que é fácil.
FOLHA - Qual o piso do
preço do barril para a viabilidade do pré-sal?
LOBÃO - Caindo a menos de US$ 30 passa a ser negativo. A quanto se produz
petróleo hoje no Brasil? Algo em torno de US$ 20 e poucos. Se cai abaixo
disso, dá prejuízo. Alguém quer ter prejuízo? Não.
Então, basta reduzir a produção, o que é bom para
a humanidade, porque preserva o estoque.
FOLHA - Como foi a obtenção
do dinheiro chinês?
LOBÃO - A conversa foi da Petrobras, e o ministro tem que participar.
Os chineses pedem a participação do ministério. São
US$ 10 bilhões para investimentos na Petrobras, empréstimo para
o pré-sal.
FOLHA - Com contrapartida
de exportação de uma parte direta a eles?
LOBÃO - Se fizerem essa exigência, é razoável. Temos
que vender mesmo para alguém.
FOLHA - E as refinarias
premium, no Maranhão e Ceará, voltadas à exportação?
Especialistas dizem que, com a queda do crescimento mundial, a demanda
por refinarias cai.
LOBÃO - A Petrobras tem dito com freqüência, eu tenho dito,
a Dilma [Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil], o presidente já disse
também, que essas refinarias serão construídas no prazo
previsto. A do Maranhão começa no próximo ano, no segundo
semestre. É a mais importante, de 600 mil barris.
FOLHA - Com o petróleo
na casa dos US$ 40/50 o barril, podemos esperar uma redução
dos preços de combustíveis no Brasil?
LOBÃO - A influência do preço [do barril de petróleo]
no Brasil é pequena, porque nós produzimos tudo o que consumimos.
Por isso que não houve elevação interna quando o preço
bateu perto de US$ 150 o barril. Essa é uma questão que a Petrobras
vai examinar ao longo do tempo, mas, de qualquer forma, não se deve
esperar uma redução muito grande, porque aí, sim, poderia
criar embaraços a ela.
FOLHA - Segundo o senhor
diz, a criação da empresa estatal é quase consenso
no governo. Um dos motivos seria o governo ter mais controle sobre as
pesquisas, para saber o que existe no pré-sal?
LOBÃO - Essa é uma das preocupações. Porque o governo
pretende ser realmente o dono das ações e o dono da riqueza que
está ali. No sistema atual, quando você faz o leilão, o
petróleo passa a ser da empresa que ganhou a licitação.
Aqui, não. Passa a ser da estatal, que pertence ao povo.
FOLHA - Continua a idéia
de que essa nova estatal não será operadora?
LOBÃO - Não será operadora em nenhuma circunstância.
As operadoras serão a própria Petrobras e as demais. Em geral
não se inventa nada. É mais ou menos o modelo da Noruega.
FOLHA - Esse novo modelo
valeria só para o pré-sal?
LOBÃO - Na comissão interministerial há quem defenda só para
o pré-sal e há quem defenda para toda a possibilidade que possa
surgir no Brasil em matéria de exploração de petróleo.
Isso nós vamos decidir na próxima reunião.
FOLHA - O senhor está com
um discurso otimista, mas a Vale demitiu 1.300 pessoas. Esse quadro não
o preocupa?
LOBÃO - O quadro de demissões pelo mundo afora é infinitamente
maior. O que a Vale está fazendo é um ajuste na sua folha de
pessoal, necessário nesta hora.
FOLHA - Não
seria o caso, neste momento, de a Petrobras seguir a mesma receita?
LOBÃO - Ela está tomando medidas amplas, extensas. Consultou
seus funcionários, pediu que dessem sugestões sobre contenção
de gastos e recebeu inúmeras sugestões.
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Folha de S.Paulo, 8 de dezembro
de 2008
Serra amplia liderança para
2010; Ciro cai, e Dilma sobe
Governador paulista lidera com taxas que
variam de 36% a 47%, conforme o cenário | O deputado Ciro
Gomes caiu de 5 a 6 pontos percentuais, enquanto a ministra da Casa
Civil ganhou cinco pontos; Heloísa Helena ficou estável
DA REDAÇÃO
O governador paulista José Serra
(PSDB) reforçou sua condição de candidato favorito à sucessão
presidencial em 2010 após as eleições municipais
nas quais reelegeu Gilberto Kassab prefeito de São Paulo, consolidando
sua aliança com o DEM.
A menos de dois anos da eleição, Serra lidera com taxas que variam
de 36% a 47%, conforme o cenário. O segundo colocado, o deputado Ciro
Gomes (PSB), caiu de cinco a seis pontos percentuais, enquanto a ministra da
Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), subiu cinco pontos e varia hoje de 7% a 12%.
A ex-senadora Heloísa Helena (PSOL) manteve-se estável.
No cenário 1, Serra subiu de 38% para 41%, enquanto Ciro caiu de 20%
para 15%. Heloísa Helena manteve seus 14%, e Dilma subiu de 3% para
8%.
O governador mineiro Aécio Neves (PSDB) -que, com certa dificuldade,
conseguiu eleger Marcio Lacerda (PSB) para a Prefeitura de Belo Horizonte-
também melhorou um pouco seu desempenho: ele oscilou de 15% para 17%
no cenário em que aparece como candidato do PSDB -ainda está atrás
de Ciro (25%), mas aparece empatado com Heloísa Helena (19%).
Quando Ciro é retirado da disputa, Serra chega a alcançar 47%,
contra 17% de Heloísa e 10% de Dilma; se Aécio é o candidato
do PSDB, Heloísa assume a liderança com 27%, contra 23% do governador
mineiro e 12% da ministra da Casa Civil.
Por fim, no cenário em que tanto Serra quanto Aécio são
apresentados como candidatos (no mês passado o PMDB convidou o governador
mineiro a se filiar ao partido), Serra lidera com 36%, com Ciro (14%), Heloísa
(13%) e Aécio (12%) embolados em segundo. Dilma aparece mais atrás,
com 7%.
Serra lidera em todas as regiões, mas tem seu melhor desempenho no Sudeste
(no qual chega aos 50% dos votos no cenário sem Ciro) e no Norte/ Centro-Oeste
(onde obtém 47% no cenário sem Ciro). Aécio vai bem no
Sudeste -atinge 33% na simulação sem Ciro.
Ciro é mais forte no Nordeste (onde alcança 34% quando Serra
não é candidato), região em que Heloísa Helena
também se destaca (chega a 35% quando disputa contra Aécio e
Dilma).
A intenção de voto em Serra diminui conforme aumenta a escolaridade
-o oposto do que ocorre com Aécio e Dilma. O perfil dos eleitores da
ministra da Casa Civil ainda é muito diferente da base política
que elegeu Lula, o que sugere que hoje a maioria da população
ignora que o presidente tem defendido sua candidatura em 2010.
Apesar disso, na pesquisa espontânea Dilma já aparece com 2% -o
mesmo percentual de Geraldo Alckmin (PSDB), que, dois anos atrás, teve
39% dos votos no segundo turno da eleição presidencial. Lula
tem 25% de menções espontâneas, seguido de Serra com 6%
e Aécio com 4%. Ciro Gomes, Heloísa Helena e Fernando Henrique
Cardoso aparecem com 1%.
Eleições passadas
Nas últimas eleições presidenciais, o candidato que liderava
as pesquisas dois anos antes do pleito em geral teve êxito, embora Lula,
que liderava as pesquisas em 1992, tenha perdido em 1994.
Em dezembro de 1996 a emenda da reeleição ainda não tinha
sido aprovada, mas 38% dos eleitores apoiavam a recondução de
Fernando Henrique Cardoso ao cargo em 1998 (que venceu com 53% no 1º turno).
Em dezembro de 2000, Lula liderava as pesquisas com 26% a 30% das intenções
de voto, enquanto Serra tinha 6%. Em 2002, Lula venceu o tucano por 61% a 39%
no 2º turno. Em 2004, o apoio a Lula variava de 41% a 45%. Ele venceu
Alckmin por 61% a 39% no 2º turno.
O Datafolha ouviu 3.486 pessoas com 16 anos ou mais em 180 municípios
do país. A margem de erro máxima da pesquisa é de dois
pontos percentuais.
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Congresso em Foco, 8 de dezembro
de 2008
Tião minimiza candidatura
do PMDB
Para o senador petista, peemedebistas ainda
vão declarar apoio ao seu nome na sucessão a Garibaldi
no Senado
Rodolfo Torres
Em plena campanha para a presidência
do Senado, cuja eleição ocorrerá em fevereiro do
próximo ano, o senador Tião Viana (PT-AC) ignora, pelo
menos por enquanto, a decisão do PMDB, o maior partido da Casa,
de lançar candidato à vaga que ele disputa.
Para o senador petista, a decisão
do PMDB de lançar candidato próprio (leia mais) à sucessão
de Garibaldi Alves (RN) serviu apenas para acalmar os ânimos dentro
da bancada, que conta com 20 senadores e tem o ex-presidente José Sarney
(AP) como o nome mais cotado para concorrer ao cargo.
“Da maneira como agiu,
o PMDB vai ter tempo para se harmonizar internamente, superar os seus
obstáculos. Acho que nós vamos fazer um bom entendimento
e ter uma eleição pautada no equilíbrio político
nacional”, afirma o petista em referência à candidatura
do deputado Michel Temer (PMDB-SP) à presidência da Câmara
(leia mais). Temer conta com o apoio dos deputados do PT. Em contrapartida,
os petistas esperam apoio dos senadores peemedebistas à candidatura
do acreano no Senado.
Apesar dessa indefinição,
Tião Viana ainda aposta numa candidatura única, com o seu
nome, que represente o consenso entre todos os partidos. “Fui lançado
pelo meu partido, estou recebendo e buscando alianças em outros
partidos, e acredito que nós vamos ter uma enorme oportunidade
de marchar para uma candidatura única, pautada no entendimento,
em defesa da instituição Senado”, avalia.
A sua candidatura, diz o candidato
petista, já tem a adesão de 21 senadores. Para ser eleito,
o presidente do Senado precisa receber, no mínimo, 41 votos. Além
dos 12 senadores do PT, Tião tem o apoio declarado do PSB, que
tem dois senadores, e do PRB, que tem um representante na Casa.
O atual vice-presidente do Senado
ainda busca o apoio de outras legendas, como o Psol, com um senador,
e o PDT, que ocupa cinco cadeiras. “Eu espero alcançar a
simpatia e a adesão da unanimidade, porque isso não é um
fenômeno raro nesta Casa”, diz
MPs
Enquanto não recebe o
apoio que pode poupá-lo de uma disputa, o senador acreano afina
o discurso e se apresenta como o candidato que defenderá os interesses
do Legislativo. E, assim como o atual presidente do Senado, Garibaldi
Alves, Tião Viana também critica o excesso de medidas provisórias.
Para ele, a decisão de
Garibaldi de devolver ao governo a MP 446/08, que anistiava entidades
filantrópicas suspeitas de irregularidades, “procurou expressar
o inconformismo da Casa” em relação ao excesso de
MPs. Na avaliação dele, apesar de um parecer técnico
da Consultoria Legislativa do Senado contestar a devolução
da medida provisória, como revelou o Congresso em Foco (leia mais),
o potiguar agiu de "boa-fé".
O senador do PT avalia que ainda
está cedo para anunciar plataformas de campanha, mas adianta que
uma de suas propostas para presidir o Legislativo é o resgate
do papel do Congresso na sociedade. “Quero um Legislativo onde
todos teremos de edificá-lo, que esteja de frente para a sociedade,
que se aproxime dela, que encontre credibilidade.”
Confira abaixo a íntegra da
entrevista:
Congresso em Foco – O
senhor acaba de receber o apoio do PSB. Quais são as principais
propostas de sua candidatura?
Tião Viana – Do PRB também, e estou por receber também
do Psol e do PDT. E de outros partidos também, pois vemos um processo
de evolução de apoio. Eu, por enquanto, estou numa fase preliminar
de diálogo e não quero externar os compromissos, a pauta de propostas
de gestão. Porque essa fase é de entendimento partidário.
Então, agora estão as grandes diretrizes, que se resumem em recuperar
o papel de poder de Estado do Legislativo, que foi subtraído ao longo
dos anos e das sucessivas crises. Quem perdeu mais nas crises políticas
no Brasil foi o Poder Legislativo, especialmente nesses últimos dez
anos. É um fenômeno natural das democracias contemporâneas
o inchaço de poder do Executivo. E o Judiciário se defende com
a força que tem, que é uma força substantiva, porque está pautado
em um ordenamento jurídico, em manifestações de julgamento,
que são sempre muito sólidas. E o Legislativo, as crises vem
caindo sempre no seu colo, que acaba perdendo essa referência de Poder
de Estado. Quero um Legislativo em que todos teremos que edificá-lo,
que esteja de frente para a sociedade, que se aproxime dela, que encontre credibilidade.
E ao mesmo tempo em que tenha uma agenda de transformação para
o país, pautada nas grandes reformas, como a reforma política,
reforma tributária, reforma trabalhista, e todos os desafios que se
impõem à Casa. A regulação do rito das medidas
provisórias excessivas, que nós precisamos trabalhar, diminuir
esse poder de injunção do Judiciário, com seu ativismo
judicial, para que haja mais equilíbrio entre os poderes. E trabalhar
no fortalecimento na instituição partido político na Casa,
valorizando o mandato parlamentar, aproximando de uma agenda que seja a agenda
de que a sociedade precisa.
O senhor falou da retomada
do poder do Legislativo. Como o senhor vê, diante dessa perspectiva,
a atitude do atual presidente em devolver a MP 446?
O site de vocês mesmo mostrou um parecer do maior constitucionalista
que a Casa tem, doutor Guerzoni, dizendo que não havia segurança
jurídica para devolver a matéria (leia mais). Mas acho que o
presidente Garibaldi agiu de boa-fé, procurou expressar o inconformismo
da Casa, defendendo o não afogamento da Casa pelo excesso de medidas
provisórias, que esse é o senso-comum de todos os parlamentares.
Então ele traduziu o seguinte: temos que achar uma saída, temos
que dar uma resposta regulando essa matéria, porque a prerrogativa é nossa.
Então eu acho que, mais do que nunca, isso exige reunião dos
líderes e dos dirigentes da Casa para dar uma resposta normativa, legislativa,
a esse desafio. Acredito que estamos muito mais próximos da solução,
a partir dessa crise ocorrida, do que estávamos antes.
O senhor comandou a Casa
em 2007, num dos períodos mais turbulentos da história
do Senado, enquanto Renan Calheiros se afastou da presidência
do Senado após uma série de denúncias. O senhor
avalia que esse fato o credencia como natural candidato à presidência?
Acredito no Poder Legislativo. Defendo o Poder Legislativo como essencial ao
Estado Democrático de Direito no país, que vive dentro de um
modelo republicano e democrático. E tenho certeza de que, por esse ato
de idealismo, pela condição de um mandato que já tem dez
anos dentro da Casa, pela relação excepcional que eu consigo
ter com os senadores, pelo exercício de responsabilidade política
diária nas minhas atitudes, eu fui credenciado a essa oportunidade honrosa,
que qualquer senador tem, de se candidatar e disputar um eleição
agora. Fui lançado pelo meu partido, estou recebendo e buscando alianças
em outros partidos, e acredito que nós vamos ter uma enorme oportunidade
de marchar para uma candidatura única, pautada no entendimento, em defesa
da instituição Senado Federal. Ou seja, o que eu imagino é um
Congresso em 2010 mais forte, porque os partidos políticos estarão
mais fortes – por ação nossa, coletiva – e porque
os mandatos parlamentares estarão mais reconhecidos.
Por enquanto, sua candidatura
tem o apoio natural do PT, do PSB, do PRB. Mas o senhor precisa de
mais votos. Como resolver isso?
E estamos pedindo o apoio do Psol, do senador José Nery [PA], e do PDT.
Eles estão refletindo e darão a manifestação de
apoio no momento oportuno. E todos os demais partidos, que estão muito
simpáticos à minha candidatura. Eu espero alcançar a simpatia
e a adesão da unanimidade, porque isso não é um fenômeno
raro nessa Casa. Nós tivemos 'n' candidatos que tiveram efetivamente
o apoio consolidado de muitos partidos para uma eleição que seja
pautada na representação política institucional, e não
nas disputas que estão no campo da sociedade.
Diante disso, como o
senhor vê o lançamento de candidatura própria do
PMDB?
Está dentro do previsto. O PMDB é um partido grande, é respeitado,
com o qual tenho a melhor das convivências. Trabalhamos juntos na democracia
brasileira e acredito que o PMDB presta um grande serviço ao país
quando lança a candidatura do deputado Michel Temer [PMDB-SP] e procura
fazer a sua arrumação interna no Senado, vamos dizer assim. Acho
que ruim teria sido se o PMDB tivesse dito que não teria candidato,
que já apoiaria, porque os problemas estariam emergindo nessa hora.
Da maneira como agiu, o PMDB vai ter tempo para se harmonizar internamente,
superar os seus obstáculos e eu acho que nós vamos fazer um bom
entendimento e ter uma eleição pautada no equilíbrio político
nacional. Ou seja, o PMDB na Câmara, o PT no Senado, com todos os partidos
lançando não uma candidatura partidária, mas uma candidatura
institucional.
Então o
que o senhor está dizendo é que o lançamento
de candidatura do PMDB foi feito para, digamos, tranqüilizar
os ânimos dentro do partido para que depois ele se convença
de que essa não é a melhor solução?
É a minha expectativa e eu acredito no diálogo como caminho para
esse entendimento.
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Agência Diap, 8 de
dezembro de 2008
Petistas apresentam à Câmara
projeto sobre organização e custeio sindical
Os deputados petistas Tarcísio
Zimmermann (RS) e Eudes Xavier (CE) apresentaram à Câmara
dos Deputados, o PL 4.430/08, que dispõe sobre a organização
sindical, o custeio das entidades sindicais e a representação
dos trabalhadores nos locais de trabalho.
O projeto também altera
a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para dispor sobre
o diálogo social, a negociação coletiva e as convenções
e acordos coletivos de trabalho.
Ao justificar a apresentação
do projeto, os deputados afirmam que buscam "uma regulamentação
do artigo 8º da nossa Carta Magna, observando os princípios
democráticos, os valores da cidadania, da participação
política e social, da representatividade, do direito ao trabalho
digno, da valorização da negociação coletiva
entre trabalhadores e empregadores e da promoção dos direitos
fundamentais".
Democracia
nas entidades
Eles destacam que a proposição está voltada para "afirmação
da democracia nas organizações sindicais", em que destacam
ainda "a liberdade de associação aos sindicatos e a soberania
da base na filiação destes às federações,
confederações e centrais sindicais; a garantia de igualdade nas
eleições sindicais para todos os candidatos e também para
os candidatos da representação no local de trabalho".
E seguem: "as normas democráticas
para a sustentação financeira [da entidade sindical]; o
amplo acesso de sindicalizados e representados às informações
relativas à sua entidade sindical; o fortalecimento das centrais
sindicais, mantida a base do poder sindical nas mãos dos sindicatos;
e, finalmente, a garantia da não intervenção do
Estado na organização sindical".
Tramitação
O projeto ainda aguarda distribuição às comissões
técnicas competentes. Entretanto, é possível antecipar
seu andamento na Câmara, cujo texto certamente será examinado
pelas comissões de Trabalho; de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça.
Clique aqui e
veja a íntegra do projeto de lei
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Agência Diap, 8 de
dezembro de 2008
PL 3.299/08: relator estuda impacto
financeiro do fim do fator previdenciário
O deputado Pepe Vargas (PT/RS), relator
na Comissão de Finanças e Tributação do PL
3.299/08, do senador Paulo Paim (PT/RS), que extingue o fator previdenciário,
pretende discutir amplamente a proposta.
"Estamos na fase de levantamento
de dados. Esse não é o único projeto que trata da
previdência em tramitação, tem outro que trata do
reajuste dos benefícios [PL 4.434/08], então a gente tem
que ver o impacto global deles e tentar discutir com os setores envolvidos",
disse.
Na avaliação de
Pepe Vargas, o grande desafio será apresentar um parecer que atenda
aos interesses dos aposentados, sem prejudicar o equilíbrio financeiro
da Previdência. "A idéia é conversar e tentar
encontrar uma alternativa que seja viável", avaliou o relator.
A proposta prevê que a
aposentadoria volte a ser calculada de acordo com a média aritmética
simples até o máximo dos últimos 36 salários
de contribuição, apurados em período não
superior a 48 meses.
Em vigor desde 1999, o
fator previdenciário foi criado para desestimular aposentadorias
precoces. O fator é uma fórmula de cálculo das
aposentadorias que diminui o benefício para aqueles que se aposentam
por tempo de serviço e não por idade.
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Gazeta do Povo, 8 de dezembro
de 2008
Congresso Nacional
Homenagens longas na mira dos senadores
Alvaro Dias e Mozarino Cavalcanti propõem
a redução das sessões solenes que lotam a pauta
do Senado e prejudicam as votações
Brasília - Os senadores
Alvaro Dias (PSDB-PR) e Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) estão defendendo
a redução no número de sessões legislativas
dedicadas às homenagens. Para ambos, o Congresso Nacional perde
tempo ao dedicar horas a fio a homenagear tantas pessoas, datas e circunstâncias.
O tucano afirmou que os discursos
são tão longos nessas ocasiões que a chamada “ordem
do dia” se transforma em “ordem da noite”. “Refiro-me
ao número exagerado de sessões especiais, sessões
solenes, sessões de homenagem que se realizam em detrimento da
ordem do dia”, afirmou Dias, durante a sessão plenária
da última sexta-feira.
Em seguida, o tucano disse: “São
sessões que não têm hora para começar e não
têm hora para terminar. Primeiro, começam com muito atraso
e terminam invadindo horários produtivos do Congresso Nacional.” Dias
brincou com a longa duração de algumas sessões. “Nós
não temos tido quase ordem do dia mais. Estamos realizando ‘ordem
da noite’. As sessões deliberativas estão ocorrendo
quase sempre já à noite.”
Mas o senador negou que queira
acabar com as sessões especiais, solenes e de homenagem. “É evidente
que não estou propondo que se cancele a realização
de sessões especiais, sessões solenes, sessões de
homenagem. Tantas sessões dessa natureza acabam obstruindo os
trabalhos do Congresso como as medidas provisórias”, disse
ele.
Mozarildo fez coro em apoio
a Dias. “O Senado deve, sim, homenagear datas importantes, categorias
importantes. Isso faz parte da vida nacional também. Mas isso
deve ser feito dentro da ‘hora do expediente’ ou em sessão
própria, adequada, em horário fora da sessão,
como fazemos, por exemplo, pela manhã”, sugeriu.
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