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Agência
Diap, 12 de dezembro de 2008
Centrais sindicais: 'decisão
do Copom é sabotagem; fora Meirelles já'
As centrais sindicais condenaram a manutenção da taxa de
juros em 13,75%, anunciada no início da noite da última quarta-feira
(10) pelo Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco
Central (BC).
Antes do anúncio, enquanto os membros do colegiado estavam reunidos
para definir a taxa Selic (juros básicos), as entidades fizeram
protestos em Brasília e em São Paulo, repudiando os juros
altos. "Ou caem os juros, ou cai (Henrique) Meirelles (presidente
do BC)", é a principal bandeira dos trabalhadores.
O presidente da CTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil),
Wagner Gomes, destaca que a deliberação do Copom
desperta indignação e mostra que o Copom está "na
contramão da história e continuam desprezando solenemente
os interesses do povo brasileiro".
"O pretexto para tamanha indiferença é e sempre
será a estabilidade monetária, ainda que os índices
de inflação indiquem que os preços estão
sob controle", denuncia.
O presidente da CUT, Artur Henrique, denuncia que o Banco Central
sabota o desenvolvimento: "Enquanto cobramos do Governo Federal
medidas contundentes - as adotadas até agora socorrem setores
econômicos sem, no entanto, estarem atreladas de maneira
explícita à exigência de manutenção
e geração dos empregos - o BC continua na contramão
do desenvolvimento", diz nota da entidade.
Em nota, a Força Sindical ressalta que a manutenção
da taxa básica de juros "é um desastre para
a economia brasileira" e "um banho de água fria
no crescimento" durante o primeiro semestre de 2009. "O
Governo não pode continuar com esta política que
privilegia os especuladores em detrimento da produção
e o emprego", afirma o presidente da entidade, Paulo Pereira
da Silva (Paulinho).
Segundo o presidente da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores
do Brasil), Antonio Neto, a decisão do Copom "afronta
a sociedade" no momento em que "o Governo federal, os
empresários nacionais e os trabalhadores fazem esforços
hercúleos para o Brasil exorcizar a crise econômica
internacional". "O Copom insiste em sabotar, deliberadamente,
o crescimento econômico, a geração de empregos",
afirma o sindicalista.
NOVA CENTRAL E FORÇA SINDICAL
FAZEM "SARDINHA" EM FRENTE AO BC E PEDE REDUÇÃO
DE JUROS
A Nova Central Sindical dos Trabalhadores e a Força Sindical realizaram
no dia (10) manifestação em defesa da queda da taxa básica
de juros, a Selic. Os manifestantes seguiram em passeata do Congresso Nacional
até o Banco Central (BC), onde promoveram uma "sardinhada".
Para José Calixto Ramos, Presidente da Nova Central, a idéia da
sardinha foi pelo o símbolo da miséria por ser o mais barato dos
peixes. A idéia é mostrar aos conselheiros do Banco Central que
essa será a situação do povo brasileiro se os juros não
baixarem. A última reunião do ano do Comitê de Política
Monetária (Copom) do Banco Central começou ontem (9) e termina
hoje no fim da tarde, quando será anunciada a taxa básica de juros.
A expectativa dos analistas de mercado é que o colegiado
mantenha a Selic em 13,75%. Mas os manifestantes pedem que os juros
diminuam em dois pontos percentuais, passando para 11,75%.
Para que a população possa consumir mais, o governo
precisa sinalizar que o país está seguro diante da
crise financeira internacional. "Se nós pudéssemos
sair de 13,75% e passar para 11,75%, a sociedade iria entender
que o país está bem, iria comprar e nós poderíamos
salvar o primeiro trimestre de 2009."
Participantes da passeata exibiram faixas pedindo a queda dos
juros e a saída do presidente do Banco Central, Henrique
Meirelles, se a situação piorar.
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Agência
Diap, 12 de dezembro de 2008
Câmara aprova projeto que
pode retirar milhões de brasileiros da informalidade
Os trabalhadores informais, que atuam por conta própria, estão
bem perto de garantir direitos como aposentadoria, licença-maternidade
e auxílio-doença, contribuindo para o INSS com alíquota
menor.
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (10), por 346
votos a zero, o projeto de lei complementar (PLP) 2/07, do deputado Antonio
Carlos Mendes Thame (PSDB/SP), que formaliza os microempreendedores individuais
- como pipoqueiros, ambulantes, cabeleireiros. Agora, só falta a
sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no
próximo dia 18, para o projeto passar a valer a partir de julho
de 2009.
A nova categoria será enquadrada no Supersimples com o
nome de Microempreendedor Individual (MEI). Para aderir, o interessado
deverá ter faturamento anual inferior a R$ 36 mil e, no
máximo, um empregado.
O preço para a formalização do negócio
será de R$ 50 (abertura da empresa). Além disso,
os microempreendedores deverão pagar taxa mensal de R$ 45,65
para garantir os direitos previdenciários, mais R$ 1, se
for contribuinte do ICMS (Imposto sobre Circulação
de Mercadorias de Serviços), e R$ 5, caso recolha ISS (Imposto
sobre Serviços).
Segundo o Sebrae, as mudanças no Supersimples podem beneficiar
11 milhões de empreendedores, sendo dez milhões apenas
com a criação do MEI em profissões que vão
de costureiras e manicures a sapateiros, marceneiros, encanadores
e mecânicos.
Ainda de acordo com a instituição, o grande atrativo
do projeto é a garantia de direitos do trabalhador formal,
com custo menor, como aposentadoria por idade ou invalidez e seguro
para acidentes.
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Vermelho,
12 de dezembro de 2008
Brasil tem a pior taxa de juros
do mundo; veja o ranking

O site da Uptrend Consultoria Econômica mostra as taxas reais (descontada
a inflação) dos juros praticados nos 40 principais países
do mundo. Quando se conta os últimos 12 meses, o Brasil tem a
segunda maior taxa do mundo: 5,3% (perde da Austrália, 5,6%).
Mas na lista que usa a inflação projetada para os próximos
12 meses, o juro brasileiro não tem rival: são obscenos
7,9% de juro real, 2,4 pontos acima da Hungria, segunda colocada. Veja
a lista completa.
Fonte: www.uptrend.com.br (28/10/2008) Os números do site
(www.uptrend.com.br) são de 28 de outubro, e portanto não
refletem os últimos movimentos dos bancos centrais destes países.
Quase todos têm sido no sentido de cortar os juros, para fazer
frente à ameaça de recessão devido à crise
do capitalismo global com centro nos Estados Unidos.
Observe a tabela ao lado, com os dados da Uptrend. Quando o critério é a
inflação dos últimos 12 meses, 20 dos 40 países
apresentam taxas de juros reais negativas, abaixo de zero. Quando o
critério é da inflação futura, este número
sobe para 23.
Dos países mais ricos do mundo, membros do G7, apenas dois mantêm
taxas de juros reais acima de zero: a Alemanha, com 0,8%, e a França,
com 0,7%. Os EUA, depois de sucessivos cortes promovidos pelo Fed (Federal
Reserve, o banco central do país), figuram na 37ª colocação
do ranking, com -4,0% de juro anual.
Mesmo parada, Selic subiu 2 pontos
Por isso Abram Szajman, presidente da Federação do
Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio),
considerou a decisão do Copom (Comitê de Política
Monetária do Banco Central do Brasil) ''dissociada da realidade
econômica mundial''.
Nesta quarta-feira (10), o Copom manteve a taxa de juros Selic em
13,75%. ''O nosso BC ignora o risco do contágio pela recessão
mundial e se preocupa com o perigo mais imaginário do que real
da inflação'', disse Szajman. Ele observa que, mesmo
nominalmente parada, a Selic subiu até 2 pontos nos últimos
meses, na comparação com os juros cobrados nos EUA e
na Europa.
A grita dos trabalhadores
O dirigente da Fecomércio expressa a opinião amplamente
dominante no chamado capital produtivo – asfixiado pela escassez
de crédito devido à crise global, agravada pela orientação
fundamentalista do Copom. Entre os trabalhadores a condenação é ainda
mais enérgica, já que o perigo de recessão ou
desaceleração significativa de economia traz de volta
o fantasma do desemprego.
''Lamentamos a decisão, que só serve para impedir o
acesso ao crédito, permitir que os bancos continuem alimentando-se
de taxas abusivas, aumentando seus lucros, enquanto a produção
segue com o freio de mão puxado diante das incertezas geradas
por uma política econômica distante da realidade e das
necessidades do país'', disse o presidente do Sindicato dos
Metalúrgicos de São Paulo (principal filiado à Força
Sindical), Miguel Torres, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.
A nota da CTB registra que ''o Banco Central está na contramão
da história e do mundo civilizado, onde a ordem geral é reduzir
juros e ampliar as despesas e o déficit público''. Mas
a central sindical também aponta quais os interesses, ultraminoritários,
mas poderosos, que se beneficiam desse fundamentalismo: ''A decisão
do Copom premia a usura, alimenta a ganância dos especuladores
e contraria frontalmente os interesses da classe trabalhadora'', afirma
a CTB (veja mais em http://portalctb.org.br).
''O Banco Central e o Comitê de Política Monetária
(Copom) patinam em meio à crise, sabotam o princípio
de desenvolvimento e jogam contra os empregos e os salários,
que devem ser prioridade absoluta na conjuntura em que nos encontramos'',
afirma a CUT (veja mais em www.cut.org.br).
A chuva de críticas à política do Banco Central
sob o comando de não é novidade: acompanha a gestão
de Henrique Meirelles desde o seu início em 2003. O fator novo é que
ela passou a destoar acintosamente do comportamento dos bancos centrais
do planeta. Resta saber até onde o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva vai permitir que o BC continue a sabotar o esforço
em defesa do desenvolvimento brasileiro.
Da redação, com agências
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Gazeta
do Povo, 12 de dezembro de 2008
Estímulo fiscal
Imposto de Renda ficará mais
leve; carros e crédito, mais baratos
Pacote de bondades do governo pretende
estimular o consumo e afastar do Brasil os efeitos da crise. Arrecadação
federal vai cair R$ 8,4 bilhões com as medidas

O governo federal vai abrir mão de R$ 8,4 bilhões em arrecadação
de impostos para estimular a economia brasileira no ano que vem. O pacote
de bondades para empresas e contribuintes inclui duas novas alíquotas
para o Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) – o que diminui
o valor pago pelo trabalhador –, um corte pela metade no Imposto
sobre Operações Financeiras (IOF) para pessoa física,
e isenção e reduções no Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI) na fabricação de veículos.
As medidas relativas ao imposto de renda representam mais da
metade da renúncia fiscal anunciada pelo governo: R$ 4,9
bilhões em 2009. Com a correção na tabela
do ano que vem, o governo mantém a isenção
para quem ganha até R$ 1.434 e cria duas novas faixas.
Para quem ganha entre R$ 1.434 até R$ 2.150, haverá uma
nova alíquota de 7,5%. A renda de R$ 2.150 até R$
2.866 será tributada em 15% (alíquota já existente).
E, para quem ganha mais de R$ 2.866 até R$ 3.582, haverá nova
faixa de cobrança, de 22,5%. Já os rendimentos
acima de R$ 3.582 serão tributados em 27,5%.
“ Na prática, as novas faixas tributárias
reduzem efetivamente impostos para quem recebe salários
entre R$ 1.434 e R$ 3.582”, explica o economista do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos
(Dieese/PR), Cid Cordeiro. Quem tem um salário bruto de
R$ 1,8 mil, por exemplo, a partir de 2009 pagará 7,5%
ao invés de 15% para o Leão (veja exemplos na tabela
abaixo).
De acordo com Cordeiro, o pacote é a primeira grande
medida anunciada para diminuir os impactos da crise financeira
internacional sobre a economia brasileira. “Os indicadores
de outubro já revelaram quedas na produção
e demissões em índices preocupantes, mas essa renúncia
fiscal significa que R$ 8 ou R$ 9 bilhões deixarão
de ser recolhidos pelo governo e serão usados no consumo
da população. É uma sobra de recursos para
o consumidor adquirir bens e serviços”, explicou.
A alíquota do IOF, por sua vez, será reduzida
já a partir de hoje para pessoas físicas. O valor
vigente de 3% ao ano foi abatido pela metade, para 1,5% ao ano,
mas em cima desta alíquota ainda continuará incidindo
o 0,38% instituído para repor perdas com o fim da CPMF.
A renúncia fiscal do IOF representa cerca de R$ 2,5 bilhões
por ano.
Automóveis
A terceira medida anunciada pelo governo foi a redução
no IPI para automóveis, válida a partir de hoje
até 31 de março do ano que vem. Com ela, a indústria
poderá produzir veículos com preços mais
baixos, e repassar valores para o consumidor.
Com a nova tabela, carros de motor 1.0 serão isentos
de IPI – antes a alíquota era de 7%. Carros com
motor acima de 1.0, até 2.0 movidos à gasolina
terão IPI reduzido de 13% para 6%, e movidos a álcool
ou flex, de 11% para 5,5%. Carros com motor acima de 2.0, no
entanto, terão a alíquota mantida. Picapes 1.0
terão redução de 8% para 1%; e de 1.0 até 2.0
terão redução geral de 8% para 4%.
O presidente da Federação Nacional da Distribuição
de Veículos Automotores no Paraná (Fenabrave/PR),
Luiz Antônio Sebben, recebeu bem as notícias de
redução nos impostos. “Isso vem somar esforços.
Com essa redução, as previsões mais pessimistas
para o fim de ano e para 2009 já podem ser reavaliadas.” Ainda
ontem, antes do anúncio do pacote, a Fenabrave havia anunciado
a previsão de um recuo de 19% nas vendas de automóveis
e comerciais leves em 2009 em relação a 2008.
Mas Sebben ressaltou que, apesar da redução no
imposto sobre a fabricação, é importante
estar atento ao volume de crédito na praça. “Os
dados de 2008 mostram que 70% dos veículos são
vendidos por meio de financiamento. É bom saber que teremos
preço, mas ainda precisamos garantir crédito e
taxas atrativas”, afirmou.
O governo anunciou ainda que vai utilizar as reservas internacionais
para financiar o pagamento da dívida externa de empresas
brasileiras (públicas e privadas) que não estão
conseguindo rolar esses compromissos. Serão refinanciadas
as parcelas que vencem até 2009. Com a medida, o governo
espera contribuir para redução dos juros no mercado
interno e ainda ajudar na estabilização do mercado
de câmbio. O governo espera usar nessas operações
mais de US$ 10 bilhões do total de reservas, na casa dos
US$ 200 bilhões.
Lula ordenou redução nos
juros no BB e na Caixa
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva determinou ao Banco do Brasil e à Caixa
Econômica Federal uma revisão nas taxas cobradas aos consumidor.
Ela alegou que não há justificativa técnica para
as elevações que têm ocorrido nas taxas de juros
ao consumidor. Em dezembro, as taxas de juro para empréstimo pessoal
chegaram a 107,6% ao ano, as maiores desde 1999.
A perspectiva é que a redução dos juros
nos bancos públicos levaria a uma reavaliação
nas taxas cobradas nos bancos privados. Para o economista do
Dieese, Cid Cordeiro, usar os bancos públicos como instrumento
de concorrência é uma medida importante por parte
do governo. “O Estado não precisa fixar, mas sim
utilizar as suas ferramentas para criar novos parâmetros
de mercado”. Segundo a ministra, o objetivo do governo,
no que diz respeito à CEF e ao Banco do Brasil, é “uma
revisão do que cobram acima da taxa Selic.”
Segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos
de Finanças (Anefac) divulgada ontem, os bancos não
repassaram as quedas da Selic ao consumidor – de setembro
de 2005 até novembro deste ano, a Selic sofreu redução
de 6 pontos porcentuais (de 19,75% para 13,75% ao ano). No mesmo
período, a taxa média ao consumidor, após
elevações e reduções, voltou aos
141,12% ao ano registrados há três anos. (AL)
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Gazeta
do Povo, 12 de dezembro de 2008
Copom
Enquanto o mundo reduz os juros,
Brasil mantém a taxa Selic
Para economistas, corte na taxa não
reduziria custo ao consumidor. Juro alto é reflexo da
incerteza no mercado mundial, dizem analistas
Enquanto as grandes economias mundiais usam o corte das taxas
básicas de juros como instrumento para aquecer a economia
em tempos de crise, o Brasil optou por manter a Selic no mesmo
patamar de 13,75% na noite desta quarta-feira (10). Segundo
analistas, uma redução da taxa teria pouco efeito
para o consumidor.
O professor de Finanças da escola de negócios
Ibmec-SP, Carlos Fagundes, explica que é o risco de
crédito, maior em períodos de incerteza – em
que as empresas têm lucros menores e os trabalhadores
estão mais sujeitos ao desemprego –, que define
o rumo das taxas de juro ao consumidor.
Ou seja: em momentos como o atual, a tendência dos juros
ao consumidor é para cima, com influência limitada
da taxa básica de juros. “É um procedimento
perverso, (decorrente da) redução da atividade
econômica”, explica o economista.
Juros em alta
O Procon divulgou na quarta-feira uma pesquisa mostrando que
a taxa média para o empréstimo pessoal ficou
em 6,25% no início de dezembro, o maior valor desde
março de 1999. Para o cheque especial, a taxa ficou
em 9,24%, a maior desde junho de 2003.
Esses números evidenciam, segundo o economista Miguel
Daoud, da consultoria Global Financial Advisor, um velho problema
da economia brasileira: muita gente em busca de crédito
e baixa poupança interna.
“Nós não atingimos ainda 20% do PIB (Produto
Interno Bruto) em investimentos. O custo do dinheiro representa
a lei de oferta e procura e as deficiências estruturais
do país, como a má distribuição
de renda”, explica Daoud.
Ele lembra que, além do risco econômico, existem
outros fatores que contribuem para a cobrança de altas
taxas de juro do consumidor: os impostos que incidem sobre
os empréstimos e o recolhimento de depósitos
compulsórios.
Desta forma, diz o economista, a redução da
taxa ao consumidor no país estaria mais ligada a decisões
do governo federal do que do Banco Central. “Reduzir
a taxa de juros dos ‘pobres mortais’ teria de passar
por medidas da parte do governo, como a redução
da carga tributária e dos compulsórios”,
ressalta.
Corte da Selic
Segundo Fagundes, do Ibmec, um corte de 0,25 ou 0,5 ponto
percentual na Selic, considerado o custo atual do dinheiro,
teria um efeito pequeno na vida do consumidor. Entretanto,
ajudaria o governo a diminuir seus passivos.
“O efeito mais relevante é nas contas do governo.
O governo é liquidamente devedor e boa parte da vida
está atrelada à taxa do interbancário.
O efeito é relevante para as contas públicas”,
diz o economista.
O analista da Global Financial Advisor diz que a redução
da Selic, em um momento de pressão sobre os juros como
o atual, também tem uma função de mudar
o humor, a expectativa, dar um norte para o mercado.
Ele lembra, porém, que uma redução da
taxa poderia pressionar ainda mais a cotação
do dólar, uma vez que pode espantar o estrangeiro que
investe no Brasil por conta das altas taxas de juro. Na primeira
semana de dezembro, a conta financeira teve déficit
de US$ 1 bilhão, segundo dados do BC.
Fagundes, porém, diz acreditar que a redução
de juros em outros países anula a fuga de investidores
do país, uma vez que a diferença da taxa brasileira
em relação às demais continuaria alta
mesmo com um corte de 0,5 ponto percentual.
Ele ressalta, aliás, que os juros podem cair no curto
prazo: “Não é improvável exista
uma manifestação, mesmo que simbólica,
de uma pequena redução (no curto prazo). Não é uma
impossibilidade prática."
Inversão do quadro
Embora adiantassem que o BC não iria reduzir as taxas
de juros ontem, analistas ouvidos no início desta semana
pelo G1 disseram que o quadro citado pelo Banco Central para
justificar a alta dos juros no primeiro semestre - inflação
em alta, consumo e produção em alta - já se
dissipou. E os números de instituições
importantes já refletem esta tendência.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) mostraram uma redução acima do esperado
do movimento industrial, de 1,7%, no mês de outubro.
Da mesma forma, o número de empregos no setor caiu 0,2%
em outubro, na comparação com o mesmo mês
do ano anterior.
Enquanto isso, a inflação segue perdendo força:
o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M),
calculado pela Fundação Getúlio Vargas
(FGV), ficou em 0,38% em novembro, ante 0,98% no mês
anterior.
Segundo a FGV, a tendência de queda nos preços
continuou no início de dezembro. Na primeira prévia
do mês, o Índice de Preços ao Consumidor
(IPC), que mede os preços em São Paulo, caiu
para 0,28% nas quatro semanas encerradas no dia 5, ante 0,39%
do período imediatamente anterior.
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Folha
de S.Paulo, 12 de dezembro de 2008
Pacote de R$ 8,4 bi tenta evitar
recessão
Governo já admite recessão,
lança medidas para estimular consumo e reduz Imposto de
Renda e tributação de carros e crédito
Mantega afirma que tem "bala na agulha" e
promete mais medidas já para a próxima semana e
para o início do próximo ano
VALDO CRUZ, SHEILA D'AMORIM
LEANDRA PERES, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A previsão do próprio governo de que o país
corre risco de recessão no início de 2009 levou
o Ministério da Fazenda a acelerar a adoção
das medidas divulgadas ontem para aumentar a renda do consumidor
e reduzir pressões sobre o câmbio. Ao todo, a Receita
vai abrir mão de R$ 8,4 bilhões em impostos para
beneficiar os consumidores no próximo ano. O valor é menor
do que o gasto com o Bolsa Família neste ano, de R$ 10,7
bilhões.
Das quatro medidas divulgadas, três terão impacto direto
no bolso das pessoas e uma vai beneficiar as empresas com dívida
externa. O governo pode liberar até US$ 10 bilhões das
reservas internacionais para emprestar a empresas com dívida externa
vencendo em 2009. O pacote de estímulo sai um dia após
o governo, por meio do Banco Central, manter a taxa de juros em 13,75%,
o que em tese desestimula o consumo.
As pessoas físicas serão beneficiadas com a criação
de novas alíquotas do Imposto de Renda, diminuição
da alíquota de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)
de 3% para 1,5% nas operações de crédito ao consumidor
e redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)
de automóveis, com o compromisso das montadoras de queda nos preços
finais.
O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que as medidas anti-recessão
não terminam aí. Novas serão divulgadas, algumas
já na próxima semana. "O que já fizemos é uma
parte do que o governo pretende fazer para evitar um desaquecimento forte
da economia no ano que vem." Ele não quis adiantar quais
são, mas lembrou que o governo pode reduzir mais os depósitos
compulsórios e estimular a habitação.
Uma proposta em discussão é usar os bancos oficiais, especialmente
Caixa e Banco do Brasil, para estimular financiamentos que embutem prazo
de carência no qual o tomador pode deixar de pagar prestações.
Segundo Mantega, a meta é fazer o que for necessário para
perseguir crescimento de 4% em 2009 (analistas prevêem 2,5%), destacando
que, se necessário, o governo gastará o 0,5% do PIB (R$
14,2 bilhões) destinado ao Fundo Soberano e que, num primeiro
momento, iria engordar o superávit primário (economia para
pagamento de juros da dívida).
" O perigo é não fazer nada e cair o nível de atividade.
Aí, sim, perderíamos arrecadação. Quando chegar janeiro,
provavelmente faremos cortes em custeio e possivelmente um aumento do investimento
público." Nas previsões da Fazenda, o PIB pode encolher até 1%
no último trimestre deste ano, na comparação com o terceiro
trimestre, e recuar novamente no primeiro trimestre de 2009, registrando dois
trimestres negativos seguidos, critério para determinar uma recessão.
Para o secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa,
a recessão "é possível, mas vamos trabalhar
para que não", acrescentando ainda que as previsões
são imprecisas. Na avaliação de Nelson Barbosa,
a economia do país não deve registrar uma "queda muito
grande no primeiro trimestre, ficar estável no segundo e iniciar
uma recuperação no segundo semestre".
Para Mantega, o país só vai sofrer uma queda forte no ritmo
econômico se o governo ficar na defensiva. "Eu disse aos empresários
hoje para confiarem, para não demitirem. Se começarem a
demitir, toda a cadeia vai demitir. Eu disse que confiem, porque o governo
tem bala na agulha e eu sei que posso chegar a 4% sem causar desequilíbrios
na economia."
A defesa do governo para que as pessoas não deixem de consumir
para não paralisar a economia contrasta com a política
conservadora do BC, que, apesar da reversão do cenário
econômico após o aprofundamento da crise a partir de setembro,
mantém a maior taxa de juros reais do planeta.
Apesar da resistência do BC em reduzir a Selic, taxa que serve
de referência para a economia, Mantega insiste em que as medidas
de redução de IOF farão o custo dos financiamentos
aos consumidores cair.
O ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento) também aposta que o
acordo com as montadoras, que permitiu a redução do IPI,
vai se traduzir a partir "de amanhã [hoje]" em redução
do valor dos carros assim como a manutenção do emprego. "Isso é fácil
de fiscalizar. Se não houver [diminuição dos preços],
chamaremos os empresários para conversar."
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Folha
de S.Paulo, 12 de dezembro de 2008
CORTES:
BANK OF AMERICA ADMITE ELIMINAR
35 MIL TRABALHADORES
O Bank of America -um dos maiores bancos dos EUA- anunciou
ontem que deverá demitir até 35 mil funcionários
nos próximos três anos após a conclusão
da compra do banco de investimentos Merrill Lynch. Segundo
informe da instituição ao mercado, o plano de
demissões deverá ser apresentado no início
de 2009, "para dar uma idéia mais precisa do número
de cortes", e terá eliminações nos
dois bancos e em todos os seus setores. O banco quer acabar
com as sobreposições causadas pela compra do
Merrill Lynch e eliminar custos devido à crise financeira
internacional.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
12/12/2008
JT rejeita justa causa de trabalhador
que se embriagou em horário de almoço
A CLT prevê, entre os motivos para a demissão por justa
causa, a “embriaguez habitual ou em serviço”. Com
base nesta definição, o Tribunal Regional do Trabalho
da 23ª Região (MT) condenou a Fazenda Farroupilha, situada
no município de Pedra Preta, ao pagamento de verbas rescisórias
a um trabalhador demitido por se embriagar no intervalo para almoço.
A condenação foi mantida pela Sétima Turma do
Tribunal Superior do Trabalho, que rejeitou agravo de instrumento da
fazenda porque esta não conseguiu demonstrar a existência
de violação legal ou de divergência jurisprudencial
específica, condições necessárias à admissão
do agravo.
O trabalhador foi admitido pela Farroupilha em 1994, para prestar
serviços gerais. Foi demitido em 1998 sem receber verbas rescisórias,
e ajuizou reclamação trabalhista em que pedia, também,
horas extras e FGTS. Na contestação, a fazenda afirmou
que a dispensa se deu por justa causa porque, naquele dia, o empregado “se
apresentou no local de trabalho em completo estado de embriaguez, sem
as mínimas condições físicas e psicológicas
para desempenhar suas funções”.
A sentença de primeiro grau manteve a justa causa, com base
nos depoimentos e nas provas apresentadas pela Farroupilha. As testemunhas
ouvidas contaram que, no dia em que foi demitido, o empregado, no intervalo
para almoço, “caiu da cama” no alojamento da fazenda
e se machucou. Antes disso, teria comprado dois litros de cachaça
e estava em estado “alterado” e cheirando a álcool.
O trabalhador, em seu depoimento, afirmou que costumava ingerir bebida
alcoólica, mas, naquele dia, não havia bebido nada. O
juiz de primeiro grau, porém, considerou que os demais depoimentos
deixaram claro seu estado de embriaguez, condição “extremamente
grave, pois o autor trabalhava como operador de máquinas”.
No julgamento do recurso ordinário, o TRT/MT reformou a sentença,
adotando o entendimento de que, no caso, o trabalhador foi encontrado
alcoolizado (“apagado”, conforme as testemunhas) no intervalo
para almoço. “É bem verdade que o empregado, cônscio
de seus afazeres, deveria se preservar de modo a concluir a jornada
de trabalho”, afirmou o TRT. No caso, porém, assinalou
que o trabalhador “detém a prerrogativa de desfrutar do
seu tempo (entenda-se: aquele em que não está à disposição
do empregador) da maneira que melhor lhe aprouver”. Ainda que
reconhecendo a ocorrência da embriaguez, o Regional verificou
que ela não se deu durante o serviço, pois o trabalhador
não retornou ao trabalho depois que sofreu ferimentos ao cair
da cama. Também considerou não ser o caso de embriaguez
habitual, tratando-se de um episódio esporádico.
Insatisfeita com a condenação ao pagamento das verbas
rescisórias, a empresa interpôs recurso de revista, que
teve seguimento negado pelo TRT, por não ter conseguido demonstrar
divergência jurisprudencial específica para o caso. No
julgamento do agravo de instrumento pela Sétima Turma do TST,
o relator, ministro Pedro Paulo Manus, manteve a decisão do
Regional, pelos mesmos motivos que fundamentaram o trancamento do recurso
de revista. ( AIRR 2158/1998-021-23-00.2)
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