Informativo Eletrônico n.º 1.134   -   Ano 05   -   Curitiba (PR), 14 de dezembro de 2008.




Agência Diap, 14 de dezembro de 2008

DIAP completa 25 anos e é homenageado pelo Senado
O Senado realiza, na próxima terça-feira (16), às 14h, sessão solene para comemorar os 25 anos de fundação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) .

A homenagem ao DIAP foi solicitada pelo senador Paulo Paim (PT/RS), que elogia o trabalho desenvolvido pela entidade, ao assessorar a classe trabalhadora no Congresso Nacional. Paim lembra que o Departamento foi idealizado pelo advogado trabalhista Ulisses Riedel de Resende e, atualmente, é composto por mais de mil entidades de trabalhadores, sendo 90 do Distrito Federal.

Atuação

“ O DIAP não exerce qualquer tipo de patrulhamento ideológico. Pelo contrário, respeita todos os posicionamentos, tendo a verdade como seu principal compromisso. Assim, procura dar conta dos projetos em curso no Congresso Nacional e oferece elementos sobre a atuação parlamentar, contribuindo para que haja transparência e para que o cidadão tenha, afinal, meios de conferir se há coerência entre o discurso eleitoral e a prática legislativa de cada representante do povo” afirmou Paim.

Para Paim, o DIAP "exerce uma saudável pressão democrática, colaborando para a melhoria e o aperfeiçoamento das instituições, porque os pleitos que defende são legais, legítimos, morais e têm apenas um objetivo: a defesa da causa pública".




Vermelho, 14 de dezembro de 2008
AI-5: há 40 anos, país sofria o mais duro golpe da ditadura
Em 13 de dezembro de 68, quatro anos após o golpe militar que instaurou a ditadura, o ditador de plantão Costa e Silva anunciava o Ato Institucional nº 5. Os seus efeitos duraram mais de dez anos e representaram o período mais marcante da ditadura.

Em 13 de dezembro de 1968, quatro anos após o golpe militar que instaurou a ditadura no país, Arthur da Costa e Silva anunciava ao país o Ato Institucional nº 5 (AI-5), o mais duro dos decretos editados pelos militares. Os seus efeitos duraram mais de dez anos e representaram o período mais marcante da ditadura brasileira.

O ato suprimiu direitos civis e deu poderes absolutos ao regime militar. Como determinação mais extrema, o AI-5 resultou no fechamento do Congresso Nacional por prazo indeterminado, além de decretar a intervenção nos estados e suspender habeas corpus para crimes políticos e para reuniões de cunho político.

Parlamentares foram cassados, manifestantes foram presos e torturados, trabalhadores e estudante foram perseguidos. Três juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) foram cassados e outros dois foram aposentados compulsoriamente.

Em evento para lembrar os 40 anos do AI-5, o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), considerou o período de vigência do decreto como o mais “tenebroso” da história política do país.

“ No período em que vigorou, [o AI-5] instaurou uma cultura do medo, embora não tenha calado por completo as vozes que se opunham à ditadura, seja na luta social, seja na institucionalidade possível. Infelizmente [o AI-5], perdurou por dez anos e 18 dias", lembrou Chinaglia.

UNE cobra abertura dos arquivos

A União Nacional dos Estudantes (UNE) cobrou hoje a abertura dos arquivos secretos da ditadura militar. Para a presidente da entidade, Lúcia Stumpf, só conhecendo sua história o Brasil poderá evitar os “erros do passado”.

“ Um povo que não conhece seu passado é incapaz de construir um futuro altivo e soberano. Precisamos abrir os arquivos da ditadura para saber quem são nossos heróis, para que a gente possa identificar quem foram os agentes e quais foram as motivações que propiciaram o golpe de 1964”, disse a presidente da UNE à Agência Brasil.

Lúcia Stumpf aproveitou a ocasião para exigir que a Lei de Anistia não seja aplicada aos torturadores da ditadura militar. Para ela, eles cometeram crime imprescritível. “O momento exige que possamos punir os culpados pela tortura no período da ditadura militar. A não punição dos torturadores garante a perpetuação do sistema de tortura contra a juventude que existe até hoje”, disse.

Para Lúcia Stumpf, é preciso fortalecer as instituições e o direito da população de se manifestar para que momentos de repressão não voltem a ocorrer no país. “O que precisa ficar de memória daquele momento é que o povo tem que participar das decisões do rumo do Brasil e também fortalecer os espaços de participação da população entre si. O povo calado não constrói um país melhor e nenhum governo sozinho é capaz de construir um futuro com mais democracia e de respeito aos direitos da população”, analisou.




Vermelho, 14 de dezembro de 2008
Luis Nassif: 'O mercado opera o BC'
Nenhuma moeda mundial comportou-se com a volatilidade do real, depois da crise de setembro. Além dos problemas de política monetária, o Banco Central está se tornando refém do mercado, por conta de uma visão linear dos movimentos cambiais.

Por Luis Nassif

Nem se fale do erro monumental de ter permitido a apreciação do real ultrapassando qualquer limite de responsabilidade. O erro está agora, na administração do overshooting (a desvalorização abrupta do real).

O BC está caindo na mesma armadilha que vitimou Armínio Fraga em 2002.

Para combater as pressões no câmbio, o BC vende swap cambial – ou seja, operações no mercado futuro em que não entra dólar moeda. A visão linear diz que é o ideal, pois evita gastar reservas para conter a especulação.

No momento em que vende os contratos de dólar, a cotação cede. No dia seguinte, o BC estará vendido em dólares (isto é, comprometido a vender os dólares dos contratos por determinada cotação); e o mercado estará comprado.

Todos os comprados estarão pressionando para o real se desvalorizar. Com sua visão monofásica, a diretoria do BC enxerga o alívio imediato no mercado e não se dá conta do acúmulo de pressões criadas e que se manterão até o vencimento dos contratos.

Nesse jogo de mercado, enquanto a briga entre comprados e vendidos se dá entre investidores privados, é soma zero – pode agitar um pouco, mas perdas e ganhos são decididos entre eles.

Quando o BC entra no jogo, corre o risco de ficar em uma ponta e o mercado inteiro na outra.

As operações de swap podem criar bolhas especulativas (como já ocorreu com o swap reverso), o BC pode entrar em corner (isto é, não ter mais como reagir ao mercado).

Nesses dias que antecederam a reunião do Copom esse jogou ficou claro. Mesmo com fluxo positivo de dólares, o real continuou a se desvalorizar, em uma clara tentativa do mercado de operar o BC – obrigando a manter taxas Selic elevadas.

Esse movimento cambial deve ter sido decisivo para o BC manter a Selic inalterada.

Não é o primeiro erro sério do BC nesssa área. Quando foi instituído o IOF sobre entrada de capitais, a Fazenda sugeriu que a medida entrasse em vigor imediatamente, para evitar o movimento de porteira aberta. O BC susteou que se deixasse para implementar na segunda (a portaria era de quarta-feira anterior) não haveria problemas.

Nesse intervalo, entraram quase US$ 10 bi de recursos adicionais, ampliando a apreciação cambial.



Gazeta do Povo, 14 de dezembro de 2008
Políticas sociais
Governo quer criar bolsa de R$ 100 para jovens instrutores
Projeto deverá recrutar 1.750 pessoas entre 14 e 24 anos, moradoras de locais com altos índices de violência contra a criança e o adolescente, para promover atividades educativas e culturais dentro da comunidade

O governo do estado pretende oferecer R$ 100 por mês para adolescentes e jovens de 14 a 24 anos em situação de risco para que atuem como instrutores nas comunidades onde moram. O projeto que cria o bolsa-auxílio vai ser votado amanhã na Assembléia Legislativa, em segunda discussão. Para colocar a medida em prática, o governo anunciou que está disposto a destinar R$ 1,6 milhão no próximo ano ao projeto. A idéia é atender 1.750 jovens de dez cidades com altos indicadores de criminalidade e violência envolvendo crianças e adolescentes.

Nos municípios, foram escolhidas 35 comunidades e cada uma delas terá a participação de 50 adolescentes que vão trabalhar como palestrantes e lideranças nos grupos da mesma idade. O programa será coordenado pela Secretaria Estadual da Criança e da Juventude.

Para ser escolhido como um dos beneficiados com o repasse de R$ 100 por mês, o adolescente precisa estar freqüentando a escola e ter a família com renda familiar mínima. Ainda é necessário cumprir carga horária semanal de dez horas de atividades.

Os outros critérios são mais pessoais. “Tem de ter habilidade no esporte, na dança, na música ou em outras áreas. É como um instrutor que possa dividir seus conhecimentos com outros jovens”, explica a secretária estadual da Criança e da Juventude, Telma Alves de Oliveira.

Os chamados “agentes da cidadania” devem ajudar no reforço escolar, participar de atividades de fortalecimento de vínculo da família com o jovem, promover eventos festivos de aproximação da comunidade, atender usuários de drogas e comandar oficinas de qualificação profissional. O agente poderá participar do programa durante dois anos.

Os jovens terão o acompanhamento de uma comissão gestora. Cada um dos 35 núcleos terá uma comissão formada por cinco profissionais que serão contratados pelo estado, como psicólogo, assistente social, educador, professor de educação física e de ciências sociais.

A idéia do programa, de acordo com a secretária, é criar uma agenda positiva para os jovens durante o horário em que não estão na escola. “Não é uma bolsa de redistribuição de renda, mas um estímulo para termos o jovem falando com o jovem”, comenta.

Votação

O projeto foi aprovado em primeira discussão na Assembléia Legislativa, mas levantou dúvidas da oposição. O deputado Valdir Rossoni (PSDB) questionou o fato de a proposta ter sido enviada ao Legislativo sem a previsão de impacto financeiro, desobedecendo o que prevê a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Ele também defende que se a área social é realmente prioridade para um governo que “prega a Carta de Puebla” o volume de recursos para a área deveria ser maior.

O deputado estadual Reni Pereira (PSB), que pediu vistas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes da mensagem ser aprovada no plenário, diz que o programa tem uma “bonita finalidade”, mas tem ressalvas sobre o número de pessoas atendidas. “Pela propaganda, vai dar a impressão que o Paraná inteiro vai ser atendido, mas pelo impacto financeiro dá para ver que não vai suprir nem de longe a demanda”, prevê.

Para Pereira, o projeto também não traz critérios objetivos para a escolha dos adolescentes e jovens que poderiam ganhar a bolsa. “Se tivesse critério objetivo, todos que preenchessem os requisitos estariam aptos a receber o benefício”, diz.




Congresso em Foco, 14 de dezembro de 2008
PT rechaça candidatura de Garibaldi à reeleição
A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (PT-SC), criticou a iniciativa do atual presidente da Casa, Gabibaldi Alves (PMDB- RN), de concorrer à eleição para o cargo na próxima legislatura. A senadora, consultada pelo Congresso em Foco, afirmou que a candidatura de Garibaldi seria uma "ilegalidade" e que, apoiando a iniciativa do parlamentar, o PMDB dará mostras de que quer estender as negociações.

"Isso é ilegal. Não existe reeleição no Senado. E ele (Garibaldi) mesmo tendo assumido após a renúncia de Renan, foi eleito pelo plenário da Casa", sustentou a senadora. Ideli Salvatti disse ainda que o PMDB parece um partido sem candidato. "Eles passaram semanas dizendo que lançariam um candidato sem nome. E depois surgem com um candidato ilegal. Me parece é que o PMDB não tem um nome", criticou.

Garibaldi Alves anunciou ontem (12) à imprensa que pretende apresentar seu nome como candidato do PMDB à presidência. Ele fará o pleito oficialmente à legenda na próxima quarta-feira, dia 17.

O atual presidente da Casa lança esse projeto apoiado, principalmente, em dois pareceres jurídicos, ainda informais, que sustentam que, por não ele não ter concorrido ao cargo em 2007, poderia, sim, se laçar como candidato à presidência em 2009. O parlamentar assumiu a cadeira em dezembro de 2007, após seu companheiro de partido, Renan Calheiros (PMDB-AL) renunciar para evitar a cassação do mandato.

Candidatura suprapartidária

O anúncio da intenção de Garibaldi soou mal dentro do PT. O partido defende a candidatura do senador Tião Viana (PT-AC), articulada há semanas com integrantes de outras legendas. "A candidatura do Tião é suprapartidária. Conseguimos o apoio de senadores como o Osmar Dias (PDT-PR), que sempre se posiciona de maneira independente, e Renato Casagrande (PSB-ES). Esperamos ainda a resposta do PR", ostentou a senadora.

Ideli Salvatti aproveitou para, desde já, alfinetar o possível candidato. "O que o PMDB quer é ganhar tempo para conversar. Porque eles falaram uma, duas, três, várias vezes, que teriam um candidato sem nome. Aí, lançam um candidato que já feriu a Constituição devolvendo uma MP sem consultar o plenário e agora parece querer repetir comportamento afrontoso à legislação." (Daniela Lima)



Gazeta do Povo, 14 de dezembro de 2008
Custo de vida
Curitiba, cidade de preço baixo
Entre as capitais brasileiras, a paranaense é uma das mais baratas para se morar. Os supermercados têm preços mais baixos, e o metro quadrado custa menos que em outras cidades

Curitiba é uma das capitais brasileiras mais simpáticas para o bolso de seus moradores. Itens básicos e supérfluos podem ser encontrados por preços mais baratos do que em cidades com porte e renda média semelhantes. O metro quadrado dos apartamentos em áreas mais valorizadas também custa menos do que em outras capitais. Nos últimos meses, a escalada de preços na capital curitibana dava sinais de que ia provocar uma mudança no perfil barateiro da cidade. Mas a crise econômica mundial tende a diminuir essa pressão inflacionária.

A cesta básica de Curitiba tem um dos valores mais altos: R$ 228, o segundo maior entre 17 capitais pesquisadas. No entanto, observando com mais detalhe os itens que compõem a alimentação básica, vê-se que os preços dos produtos estão, em geral, abaixo da média nacional. Dos 13 produtos que fazem parte da cesta, 8 deles são mais baratos em Curitiba. Mas, como os itens mais caros – carne, feijão e tomate – são aqueles que têm grande participação na alimentação familiar, a cesta curitibana figura como uma das mais caras do país.

Em setembro, pelo quarto ano seguido, a entidade de defesa do consumidor Pro Teste divulgou a pesquisa Guia de Preços, que mostra os supermercados mais baratos de 13 cidades brasileiras. Curitiba também foi destaque positivo nos preços ao consumidor. Em uma cesta com cem produtos de marcas reconhecidas, de 15 categorias diferentes, a capital paranaense oferece os melhores preços médios, pelo segundo ano consecutivo. O preço médio mais caro é de Brasília, seguida por Florianópolis. A Pro Teste não revelou os valores gastos com as cestas. Considerando a mesma cesta de produtos, desta vez com base no menor preço, Curitiba aparece como o terceiro melhor lugar para se fazerem compras.

De acordo com economistas, o fator que mais interfere no preço é a concorrência que existe em Curitiba. “Não dá para quantificar o grau de concorrência do mercado curitibano, mas ele é bastante alto”, afirma Cid Cordeiro, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). “Quanto maior a concorrência, menor são os preços. Sempre é assim”, completa o diretor-presidente do Estação-Ibmec, Judas Tadeu Grassi Mendes.

De acordo com dados de Associação Paranaense de Supermercados (Apras), o estado tinha 2.675 supermercados em 2007, o equivalente a um para cada 3.883 habitantes. “O Paraná é um dos estados onde há maior competitividade”, afirma o presidente da entidade, Everton Muffato. Segundo ele, o número de hipermercados representa bem essa situação: há um para cada 110 mil paranaenses; em São Paulo, por exemplo, a relação é de um para 400 mil pessoas.

Curitiba, ao contrário de outras capitais, não é monopolizada por poucas redes. “No fim dos anos 90 ocorreram muitas aquisições e oportunidades de negócios. Em Santa Catarina, por exemplo, até hoje não houve compra de nenhuma rede local, e a única bandeira multinacional presente no estado tem pouca participação”, observa Muffatto. O levantamento da Pro Teste também é revelador: 50% dos supermercados pesquisados em Belo Horizonte são da Epa (rede regional) ou do Carrefour. Em Porto Alegre, Zaffari e Nacional (pertencente ao Wal-Mart) representam 44% dos estabelecimentos vistoriados. Em Salvador, as duas empresas mais visitadas representam 37% do total. Em Curitiba, a concentração é bem menor: os dois estabelecimentos com maior presença na pesquisa representam apenas 25% do total.



Consultor Jurídico, 14 de dezembro de 2008
Nome sujo
Quem divulga lista de devedores também responde por falhas
por Rodrigo Tavares

A entidade que mantém ou divulga lista de inadimplentes, mesmo que tenha obtido as informações de outra empresa, responde por inclusão irregular do nome de suposto devedor no cadastro. O entendimento é do ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça, que acolheu em parte recurso contra a Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre.

O ministro baseou a decisão no parágrafo único do artigo 7º do Código de Defesa do Consumidor. A norma estabelece que, “tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente pela reparação dos danos previstos nas normas de consumo”.

A consumidora recorreu ao STJ contra decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que isentou a entidade gaúcha de responsabilidade na inscrição de seu nome no cadastro de inadimplentes sem a devida notificação. De acordo com os juízes gaúchos, como o cadastro foi adquirido de outra associação, os lojistas de Porto Alegre não poderiam responder pelas irregularidades nele contidas.

A fundamentação não convenceu o ministro Salomão, que reformou a decisão. Para o ministro, “o banco de dados que divulga a existência de apontamentos em nome do devedor, ainda que tenha obtido a informação de terceiro órgão, responde solidariamente com a entidade responsável pela

negativação pelas falhas decorrentes desse cadastro”.

Luis Felipe Salomão citou também jurisprudência do STJ, segundo a qual “qualquer associação ou câmara de dirigentes que se sirva de banco de dados no qual o consumidor foi inscrito sem prévia notificação tem legitimidade para responder ao pedido de reparação de danos”.

Clique aqui para ler a decisão.

 


Consultor Jurídico, 14 de dezembro de 2008
Veículo automotor
Seguro obrigatório vale vítima de acidente com trator
Quem sofre acidente com trator também tem direito de receber indenização do seguro obrigatório. O entendimento é da 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, que manteve decisão que condenou a Kyoei do Brasil ao pagamento de indenização do seguro obrigatório no valor de 40 salários mínimos aos pais de um rapaz vítima de acidente em 1991.

De acordo com a decisão do 1º Tribunal de Alçada Civil de São Paulo, mesmo não tendo sido feito o seguro, o pagamento é devido pelo consórcio de seguradoras conforme disposto no artigo 7º da Lei 8.441/92. O dispositivo prevê que a “indenização por pessoa vitimada por veículo não identificado, com seguradora não identificada, seguro não realizado ou vencido, será paga nos mesmos valores, condições e prazos dos demais casos por um consórcio constituído, obrigatoriamente, por todas as sociedades seguradoras que operem no seguro objeto desta lei”.

A seguradora recusou o pagamento. Sustentou que não existe cobertura de seguro obrigatório em acidentes provocados por tratores. O argumento da empresa é que esse tipo de veículo não tem licenciamento facultativo. Também alegou que a cobrança de juros moratórios e correção monetária não foi objeto do pedido inicial.

O ministro Aldir Passarinho Junior, relator do caso, ressaltou que trator é um veículo automotor sujeito ao seguro obrigatório e que a obrigação de segurar independe de ser veículo sujeito ao licenciamento. “Tem-se, assim, que é desimportante cuidar-se de trator de utilização em fazenda ou não ter havido o pagamento do prêmio do seguro”, afirmou o ministro.

Sobre a cobrança de juros e correção, o relator sustentou que o pagamento independe de pedido expresso por se tratar-se de mera conseqüência do reconhecimento judicial do direito a atualização dos débitos, conforme dispõe o artigo 293 do CPC.

REsp 665.282

 


Folha de São Paulo, 14 de dezembro de 2008
Novo plano prevê aumento de 50% no crédito imobiliário
Governo divulga em janeiro projeto para elevar de 600 mil para 900 mil o número de moradias financiadas em 2009

Guido Mantega diz que arrecadação de impostos e volume de financiamentos para compra de carros novos cresceram em dezembro

VINICIUS TORRES FREIRE
GUILHERME BARROS
COLUNISTAS DA FOLHA

O governo Lula colocou na prancheta o projeto de aumentar para 900 mil, em 2009, o número de residências financiadas pela Caixa Econômica Federal e pelo setor privado. Neste ano, devem ser financiadas cerca de 600 mil moradias (entre novas e usadas), no valor de cerca de R$ 30 bilhões.

Até novembro, apenas a CEF havia fechado 446 mil contratos de financiamento, no valor de R$ 20,4 bilhões. O banco estatal estima chegar a 500 mil contratos no final do ano, somando um total de financiamento de R$ 22,8 bilhões.

O ministro Guido Mantega, da Fazenda, afirmou à Folha que pretende deslanchar o projeto em janeiro. Mantega conta ainda que, no início de 2009, o governo deve apresentar novidades para o setor de infra-estrutura. E, por fim, adianta que o BNDES terá R$ 110 bilhões para emprestar no ano que vem. O banco já teria fundos de R$ 50 bilhões e Mantega diz que o governo vai arrumar os outros R$ 60 bilhões "custe o que custar"
.
O ministro ainda não sabe dizer de onde virá um eventual dinheiro extra. Não especificou se haverá outro canais de crédito oficial além do FGTS (que já aumentou o volume de recursos para 2009), dos recursos da poupança ou de linhas para a habitação popular.

O projeto pretende atender dos consumidores mais pobres à classe média. A Fazenda estuda ainda se vai aumentar o subsídio para moradias populares, se aumenta o limite de preço para imóveis financiados pelo FGTS e se estende prazos de pagamento.
Na companhia do plano de expansão do crédito imobiliário, Mantega também pretende apresentar um projeto de obras para infra-estrutura. É um PAC 2? "Não tem nada de PAC 2, mas serão novidades importantes para o financiamento do setor", diz o ministro.

Impostos e juros

Apesar do ativismo governamental, Mantega afirma que tem recebido informações de que a situação do crédito e da arrecadação melhorou em novembro.

Segundo dados preliminares, a arrecadação federal de impostos teria aumentado 7% em novembro (em relação a novembro do ano passado, na rubrica "receita administrada pela Receita Federal do Brasil"). Se confirmado tal número, a arrecadação em 12 meses terá crescido ainda no ritmo de 10%, nível que tem se verificado desde agosto. Sobre a receita de impostos de dezembro, o ministro conta apenas que, nos primeiros dez dias do mês, a arrecadação se recuperou e ficou dentro da expectativa do governo -ou seja, "a arrecadação voltou ao normal".

Quanto ao crédito, Mantega diz ter sido informado de que a "situação geral melhorou". No caso de financiamento de veículos usados, a situação continua "ruim". Mas, em dezembro, o número de consultas para financiamento de veículos novos subiu, embora ainda abaixo dos níveis de novembro. As taxas de juros desses financiamentos também caíram, diz o ministro.

PIB e déficit externo

A situação do financiamento externo ainda é crítica, diz o ministro. Por isso, o governo anunciou na quinta-feira passada que vai auxiliar o refinanciamento da dívida externa de empresas que tenham pagamentos vencendo no último trimestre deste ano e em todo o ano de 2009.

O Banco Central vai emprestar a bancos brasileiros e estrangeiros dinheiro das reservas internacionais. Os bancos, por sua vez, apenas poderão emprestar a empresas que comprovem o vencimento do principal, de amortização ou de juros da dívida nesse período.

Alguns economistas, como o ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore, criticam o plano do governo de manter o crescimento da economia em torno de 4% no ano que vem. Os críticos consideram que, dados a provável redução do saldo da balança comercial, a contração do crédito e do investimento externos e o nível ainda alto dos gastos públicos, tal ritmo de crescimento do PIB poderia aumentar o déficit em conta corrente.

Isto é, o Brasil consumiria mais do que produz, importaria demais e teria menos recursos para cobrir o déficit. Em tese, tal cenário pode provocar mais desvalorização cambial e/ou inflação. O ministro, claro, rebate as críticas com críticas ao próprio Pastore. "Por acaso ele acertou as últimas previsões?" Mantega se refere a entrevistas concedidas por Pastore nas quais ele dizia, há dois anos, que o Brasil não tinha condições de crescer a taxas acima de 3,5% ao ano. O Brasil cresceu 5,7% em 2007, número que deve se repetir neste ano.

Superávit primário

Segundo Mantega, o superávit primário (poupança do governo, sem contar a despesa com juros) será o maior já registrado. Para o ano que vem, não é prevista mudança na meta de 3,8% de superávit. O investimento federal, que ficaria em 1% do PIB neste ano, subiria para 1,2% do PIB no ano que vem, na estimativa oficial.

Mantega descarta riscos de os estímulos governamentais induzirem um crescimento excessivo, que provoque um aumento do déficit.

" Vamos estimular em especial os setores econômicos que demandam menos importações, como habitação, construção civil, infra-estrutura. Isso não vai bater na conta corrente. Aliás, a maioria das previsões dos críticos para a conta corrente e para o PIB tem se revelado errada."




Folha de São Paulo, 14 de dezembro de 2008
Peugeot e Fiat podem acertar união, diz jornal
DA REUTERS

França e Itália estão considerando uma potencial união entre as montadoras Peugeot-Citroën e Fiat, informou o jornal "Milano Finanza" ontem.

A informação surgiu apenas dias depois de o executivo-chefe da Fiat, Sergio Marchionne, afirmar que a empresa italiana precisa encontrar um parceiro para sobreviver à crise que enfrenta a indústria automobilística.

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, trabalham sobre a questão da possível fusão, afirmou o jornal.

O Canadá ofereceu ajuda de cerca de US$ 2,64 bilhões às montadoras norte-americanas GM, Ford e Chrysler, com a condição de que os EUA também socorram as empresas.