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Vermelho, 15 de dezembro de 2008
PT vai questionar se reeleição
de Garibaldi é legal
O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), confirmou neste
domingo (14) à Agência Brasil que está decidido a
apresentar seu nome à bancada para disputar a reeleição
ao cargo, no biênio 2009-2010. A reunião do PMDB está marcada
para quarta-feira (17).
Ele está lastreado por um parecer do ex-ministro do Supremo
Tribunal Federal Francisco Rezek, pelo qual a reeleição
não significaria nesse caso recondução, uma vez
que o atual presidente assumiu um mandato tampão, sem ter passado
pelas sessões preparatórias da disputa.
Quanto à decisão do PT de questionar a legalidade da candidatura,
como informou a líder Ideli Salvatti (SC), o presidente do Senado
disse que tal medida só poderia ser tomada após a eleição
em fevereiro, caso seja eleito.
“ A legalidade, segundo estou informado, só pode ser
questionada depois da eleição”, disse Garibaldi.
Ele acrescentou que, nesse caso, o questionamento seria remetido à Mesa
Diretora após homologada a decisão tomada pelo plenário. “Não
pode haver impugnação de candidatura antes da eleição”,
afirmou Garibaldi.
O senador considerou a polêmica política sobre a sua
atitude um fato normal. “Quanto a isso não tem problema,
vamos discutir depois e, mesmo assim, se eu for eleito”.
Garibaldi Alves Filho disse que ainda não conversou sobre
sua pretensão com os senadores do Democratas (DEM) e do PSDB,
que aguardam apenas uma definição por parte do PMDB para
posicionar-se sobre a sucessão no Senado. O líder do
DEM, José Agripino Maia (RN), já disse que o partido
vai acompanhar “a tradição da Casa” e apoiar
o candidato apresentado pela maior bancada, no caso, o PMDB.
PT vai questionar
O PT vai questionar a legalidade da candidatura de Garibaldi à reeleição.
A informação é da líder do partido, senadora
Ideli Salvatti (SC). “Legalmente, com ou sem parecer, ele [Garibaldi
Alves] foi eleito. Neste caso, o único que não poderia
alegar que não foi eleito seria o Tião Viana (PT-AC),
que é primeiro-vice presidente”, disse Ideli.
Ela acrescentou que, “se esta candidatura não for questionada
por pessoas do PMDB, será contestada [pelo PT]. Não vamos
admitir uma nova afronta [à legislação], como
a que o Garibaldi fez, naquele arroubo de devolver a medida provisória
das filantrópicas ao governo”, afirmou a líder
do PT.
Ideli Salvatti não poupou críticas à forma como
o atual presidente se conduziu no comando do Senado. “Ele já criou
uma crise institucional, já afrontou a legalidade e não
vamos admitir mais uma”.
Para ela, se os peemedebistas insistirem numa eventual recondução
de Garibaldi Alves a situação será decidida no
voto o que, pessoalmente, ela não acredita que ocorra.
Segundo a senadora, a intenção manifestada por Garibaldi
Alves Filho de concorrer a um novo mandato já teria sido questionada
internamente no PMDB, pelo senador Jarbas Vasconcelos (PE).
Para Ideli, “esse novo movimento” dos peemedebistas é um
sinal claro de que o partido não tem candidato para concorrer à presidência
do Senado.
Já o líder Valdir Raupp, confirmou a intenção
do presidente do Senado de pôr seu nome à disposição
da bancada para concorrer a um novo mandato. “Esse é um
fato novo, que não vai trazer problemas para a bancada”,
ressaltou. Raupp disse que o nome de Garibaldi “passa tranqüilo” entre
os 19 senadores peemedebistas.
De acordo com o líder, Garibaldi relatou que teria conversado
com o senador José Sarney (PMDB-AP) sobre o assunto. Sarney,
por sua vez, teria falado ao presidente do Senado que estava “recebendo
pressões” para se candidatar, mas que ainda não
havia decidido se apresentaria ou não seu nome como alternativa
para a presidência do Senado no biênio 2009-2010.
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Vermelho, 15 de dezembro de 2008
Alemanha vê recessão
profunda em 2009
Especialistas do governo alemão prevêem uma
contração de 2% na maior economia da Europa no próximo
ano e esperam um aumento do déficit orçamentário à medida
que a receita tributária recuar e o desemprego crescer
No entanto, o jornal Bild am Sonntag citou o ministro da Economia,
Michael Glos, negando a previsão de contração
de 2%. "Tais números são puramente especulação",
disse Glos ao jornal.
Uma contração de 1% marcaria a pior perfomance econômica
anual da Alemanha desde que a República Federal foi fundada
em 1949, após a Segunda Guerra Mundial.
A revista Der Spiegel, citando um esboço de um relatório
econômico do governo previsto para ser publicado no início
de 2009, disse que a perspectiva de contração da economia
em 2% torna mais provável que a coalizão governista adote
novas "medidas de estímulo".
" O governo irá observar os desdobramentos econômicos
de perto", afirma o esboço do documento, segundo a revista. "Se
houver uma intensificação da crise internacional, ele
usará seu espaço para manobra para adotar novas medidas
de estabilização."
O esboço acrescenta que no próximo ano a Alemanha enfrenta
seu maior "teste de estresse" desde a reunificação
em 1990.
O governo cortou sua previsão de crescimento em 2009 para
0,2% em meados de outubro. A Alemanha foi a maior exportadoras de bens
no último ano mas agora está sofrendo da fraqueza da
demanda nos mercado externo.
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Vermelho, 15 de dezembro de 2008
China investirá em cinco grandes
setores em 2009
A China concentrará seus investimentos durante o ano
2009 em cinco grandes setores para manter um alto crescimento econômico,
resolver problemas sociais e contra-arrestar os efeitos da crise
global.
Segundo comentou o jornal Diário do Povo, órgão
do Partido Comunista da China (PCCh), o grosso dos recursos será destinado
ao desenvolvimento agrícola, a projetos de moradias de baixo
custo, a infra-estruturas, à conservação da energia
e à segurança social.
O jornal disse que o país vai dedicar grandes investimentos à execução
de projetos chave para o controle do uso da água, o conserto
de represas em perigo devido ao terremoto de Sichuán, e em instalações
para a economia em grandes áreas irrigadas.
Os investimentos em projetos habitacionais de baixo custo para famílias
de poucos rendimentos serão realizados tanto em zonas urbanas
como rurais e os governos locais deverão contribuir os fundos
e os terrenos para sua execução.
Com respeito aos planos de infra-estrutura, precisou-se que uma importância
linha férrea será construída de Lanzhou, capital
da província de Gansú, até o município
especial de Chongqing, a maior cidade do ocidente da China.
A rede também se estenderá desde Lanzhou até Urumqi,
capital da região autônoma de Uygur de Xinjiang, zona
extraordinariamente rica em recursos petroleiros e de gás natural.
Como parte dos planos econômicos para 2009, a China vai aumentar
a disponibilidade de dinheiro em 17 por cento, entre três e quatro
pontos percentuais a mais que a soma combinada do aumento do Produto
Interno Bruto (PIB) e da inflação.
Também o Conselho de Estado (gabinete) decidiu aumentar em
mais de 14 bilhões 600 milhões de dólares os empréstimos
para os bancos, e ao mesmo tempo estimulará aos bancos comerciais
a outorgar créditos para projetos relacionados com investimentos
centrais.
Devemos fortalecer o papel do setor financeiro para apoiar o crescimento
econômico e implementar uma política fiscal ativa e uma
política monetária moderadamente flexível, disse
um comunicado do gabinete.
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Congresso em Foco, 15 de dezembro de 2008
Derrotados nas urnas, parlamentares
devem R$ 2,2 milhões
Treze deputados têm até dia
31 para explicar à Justiça se pagaram dívidas.
Grandes despesas não resultaram em vitória na
urnas
Mário Coelho
Além do desempenho pífio nas urnas, parlamentares que concorreram
a prefeito em outubro acumularam R$ 2,2 milhões em dívidas
ao longo da campanha. Dos 83 deputados e senadores que concorreram ao
cargo nas últimas eleições, 13 declararam ao Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) ter gastado mais do que arrecadaram.
Do grupo que terminou a disputa com débitos, apenas a deputada
Maria do Carmo (PT-MG) conseguiu se eleger, em Betim (MG). Os demais
12 deputados fracassaram nas urnas. Os treze têm até o próximo
dia 31 para regularizar sua situação na Justiça
Eleitoral – pagar as dívidas ou contestar os dados do tribunal,
provando que não existem pendências financeiras. Caso contrário,
serão alvo de processo que pode resultar até na suspensão
de recursos do fundo partidário à legenda pela qual se
candidataram.
OS DEVEDORES
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tudo. Clique aqui
Juntos, os congressistas que encabeçaram as chapas para comandar
as prefeituras gastaram R$ 81.026.591,65 e arrecadaram R$ 78.819.254,78 – saldo
negativo de R$ 2.207.336,87. Nem todos saíram no prejuízo:
32 arrecadaram mais do que gastaram e outros 38 equilibraram receitas
e despesas.
Outros sete deputados não tinham informações sobre
suas despesas e receitas na página do TSE. Na conta final das
eleições, dos 70 parlamentares candidatos, apenas dez foram
eleitos prefeitos e outros três conseguiram a vaga de vice-prefeito,
cargo para qual não há arrecadação e posterior
prestação de contas. Veja a tabela completa com a prestação
de contas dos parlamentares candidatos.
O Congresso em Foco fez o levantamento com base nos números divulgados
pelo TSE. Todos os candidatos a vereador e a prefeito no país
tiveram que declarar suas contas até o fim do mês passado
ao juiz eleitoral da sua cidade. Depois de conferidas todas as notas
fiscais apresentadas, os dados foram enviados ao tribunal (confira).
Dívida milionária
A campanha com maior desequilíbrio nas contas finais foi a do
deputado Walter Pinheiro (PT-BA), que perdeu o segundo turno para o prefeito
reeleito de Salvador, João Henrique (PMDB). Ele também
ficou com uma dívida quase milionária.
Com 390.933 votos, o petista arrecadou R$ 3.543.263,93 e teve R$ 4.523.416,38
de gastos, de acordo com a prestação de contas enviadas
ao TSE. Walter precisa arrecadar aproximadamente R$ 980 mil até o
fim do mês para equilibrar a receita com as despesas.
O cálculo ainda mostra que Walter gastou R$ 11,57 para cada voto
depositado na urna em seu nome. O número está abaixo da
média nacional. Segundo o TSE, os candidatos gastaram aproximadamente
R$ 2,1 bilhões nas suas campanhas. O custo por eleitor foi de
R$ 16.
Depois dele, quem teve o maior prejuízo, de acordo com as informações
do tribunal, foi a deputada Jô Moraes (PCdoB-MG), que concorreu à prefeitura
de Belo Horizonte. Na sua prestação de contas, ela apresentou
arrecadação de R$ 1.244.609,00 e despesas de R$ 2.101.683,61.
A prestação de contas divulgada pelo tribunal aponta para
um prejuízo de R$ 857.074,61.
Além de Walter, Maria do Carmo e Jô, também declaram
ter gastado mais do que arrecadaram os deputados Rômulo Gouveia
(PSDB-PB), Manuela D'Ávila (PCdoB-RS), Fernando Gabeira (PV-RJ),
Barbosa Neto (PDT-PR), Pepe Vargas (PT-RS), Luciana Genro (Psol-RS),
Flávio Dino (PCdoB-MA), Francisco Rossi (PMDB-SP), Bel Mesquita
(PMDB-PA) e Reinaldo Nogueira (PDT-SP).
O tucano Rômulo Gouveia (PB) candidatou-se à prefeitura
de Campina Grande. Durante sua campanha, arrecadou R$ 1.450.863,00 e
gastou R$ 1.735.347,26. Ele ficou com restos a pagar de R$ 284.484,26.
Em Porto Alegre, a deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS),
que por pouco não passou para o segundo turno, teve um prejuízo
de R$ 274.971,66. Seu comitê de campanha registrou R$ 2.356.027,66
em doações e R$ 2.630.999,32 de despesas.
Votos
O valor da campanha, de acordo com o levantamento, não necessariamente
se traduz em eleição ou boa votação. Entre
todos os parlamentares que participaram da eleição de outubro,
Edigar Mão Branca (PV-BA), que disputou a prefeitura de Itapetinga,
teve um gasto de R$ 146,59 para cada voto recebido. Ele teve uma votação
de 461 sufrágios e não se elegeu. Sua campanha custou R$
67.602,11.
Dos dez parlamentares que tiveram a maior relação entre
número de votos e despesas, somente um se elegeu. O tucano Sebastião
Madeira será o novo prefeito de Imperatriz, no Maranhão,
a partir de 1o de janeiro. Ele gastou R$ 2.363.277,30 e recebeu 59.087
votos. Isso dá uma média de R$ 40 para cada sufrágio
que o parlamentar teve.
Entre os deputados endividados, o que gastou mais dinheiro por cada voto
obtido foi Bel Mesquita (PMDB-PA). A parlamentar teve uma média
de R$ 54,02 para cada sufrágio. Isso corresponde a 3,3 vezes à média
nacional. A deputada, que se candidatou à prefeitura de Parauapebas,
recebeu o apoio de 27.247 eleitores nas urnas.
Processos
Os eleitos que não apresentarem a prestação de contas
não serão diplomados e, com isso, não podem tomar
posse no cargo. O calendário eleitoral de 2008 prevê que
os novos prefeitos e vereadores devem receber o diploma até a
próxima quinta-feira, 18 de dezembro.
Já os candidatos não eleitos que ficarem inadimplentes
não receberão a quitação eleitoral. Os partidos
cujos comitês financeiros não apresentarem a prestação
ficam sem a quota do Fundo Partidário do ano seguinte ao do julgamento
final da prestação de contas.
Além disso, qualquer partido político ou coligação
pode representar à Justiça Eleitoral, relatando fatos e
indicando provas para pedir a abertura de investigação
judicial e requerer apuração de suposta conduta em desacordo
com as normas de arrecadação e aos gastos de recursos.
Comprovados a captação ou gastos ilícitos de recursos
para fins eleitorais, será negado diploma ao candidato, ou cassado,
se já tenha sido diplomado.
A prestação de contas dos candidatos eleitos deveria ter
sido julgada pelos juízes eleitorais até o dia 10 dezembro.
A diplomação dos eleitos deve ocorrer até o dia
18 do mesmo mês.
Erro no sistema
A assessoria do deputado Barbosa Neto afirmou que o parlamentar recebeu
uma “doação posterior para quitação
desse saldo”. “Já entramos com uma prestação
retificadora no TSE, porém o tribunal ainda não atualizou
as informações”, relatou a assessoria.
Neila Tavares, tesoureira da campanha de Fernando Gabeira, afirmou que
a dívida de R$ 50 mil não existe. Segundo ela, foi um erro
do sistema do TSE que gerou o débito. “O sistema não
reconheceu um lançamento que fizemos e colocou como dívida”,
afirmou. A tesoureira disse também que o erro já foi corrigido,
mas que o tribunal ainda não atualizou sua base de dados.
“É uma dívida pequena, vamos quitá-la logo”,
disse Flávio Dino, em entrevista ao Congresso em Foco. Ele deve quase
R$ 12 mil.
Já a assessoria de Manuela D’Ávila reconheceu que
os números estão corretos e que a dívida está sendo
negociada pelo diretório estadual do partido no Rio Grande do
Sul.
A assessoria da deputada Jô Moraes admite dívidas de campanha,
mas contesta o número divulgado pelo TSE. Segundo membros da campanha,
o saldo devedor total é de R$ 179.050,00 e não de mais
de R$ 850 mil, como diz o tribunal. A assessoria afirma que, por conta
do prazo para a prestação de contas, entregou a declaração
sem conferir os dados e que ela já está sendo corrigida.
O Congresso em Foco telefonou e enviou correio eletrônico para
os 13 deputados com dívidas. Mas apenas cinco responderam.
O maior devedor, Walter Pinheiro, não retornou os contatos feitos
em seu gabinete em Brasília e em seu escritório político
na Bahia. O deputado também não pôde atender a reportagem
na terça-feira passada (9), que o procurou pessoalmente na liderança
do governo no Congresso.
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Gazeta do Povo, 15 de dezembro de 2008
Paternidade
Projeto de lei confronta empregados
e patrões
Empregadores divergem da lei que garante
estabilidade ao futuro pai e estimam que alguns trabalhadores
podem até sair prejudicados na busca por emprego
Antes mesmo de virar lei, o projeto que proíbe as empresas
de demitir trabalhadores prestes a serem pais vem causando polêmica.
A proposta aprovada pela Comissão de Constituição
e Justiça da Câmara dos Deputados impede a demissão
sem justa causa durante um período de 12 meses, contando a partir
do provável início da gravidez. A empresa que desrespeitar
a medida terá de pagar 18 meses de salário ao futuro
pai demitido. Enquanto entidades ligadas a empregados defendem a aprovação
do projeto, grupos encabeçados por patrões criticam o
conteúdo da proposta. O texto ainda precisa ser votado pelos
senadores.
Em meio à crise que atinge a economia mundial, o presidente
da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Paraná, Roni
Anderson Barbosa, acredita que o projeto foi proposto em um momento
oportuno, no qual a entidade luta ainda mais pela manutenção
dos empregos. Para ele, a gravidez é um momento delicado na
vida de um casal, que precisa de garantias para o sustento da mãe
e, principalmente, do bebê. “Uma demissão nessa
hora pode desestabilizar a família e, o que é mais grave,
prejudicar o desenvolvimento da criança”, diz.
O segurança Rafael Fagundes passou por uma situação
parecida em agosto de 2007. Com o fim de um contrato de dois anos de
trabalho, ele foi obrigado a deixar o emprego de carcereiro da Polícia
Civil. Naquele momento, sua mulher, Daniele, estava grávida
do pequeno Arthur, que nasceria três meses depois de o pai ficar
desempregado. “Se essa lei já valesse no ano passado,
talvez eu não estivesse sem emprego hoje”, afirma. Atualmente,
Rafael faz alguns bicos como segurança e ganha em média
R$ 800 por mês. O segundo filho do casal, que já está a
caminho, deve nascer dentro de cinco meses. Até lá, Rafael
espera que a nova lei esteja em vigor e que ele tenha conseguido um
trabalho fixo. “Com o emprego garantido por um ano, qualquer
pai com certeza vai ficar mais tranqüilo. Afinal, filho sempre é uma
responsabilidade”, diz. Na opinião de Daniele, a lei permitirá que
o trabalhador não fique desamparado em um momento tão
importante para a família, como a gravidez. “Tudo o que
envolve criança tem muitas despesas. Como um pai desempregado
vai pagar essas contas?”, questiona.
Assim como o casal Fagundes, o advogado Vanderlei Sartori, assessor
jurídico do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias
do Mate, Laticínios e Produtos Derivados de Curitiba e Região,
vê com bons olhos o projeto de lei. Segundo ele, apenas uma justa
causa pode legitimar a demissão de um trabalhador cuja mulher
estiver grávida. “As empresas só levam em conta
o próprio lado e não vêem o contexto em que o empregado
está inserido antes de uma paternidade”, diz. Para Sartori,
a proposta favorece a reprodução da classe trabalhadora
e, por conseqüência, a própria empresa. “Ter
filhos é uma necessidade do sistema, que precisa a cada dia
de mais mão-de-obra”, afirma. “Nosso sindicato está torcendo
pela aprovação do projeto”, acrescenta.
Apesar de também considerar positiva a proposta, Barbosa, da
CUT-PR, avalia o projeto como paliativo. Na sua opinião, essa é apenas
uma de muitas ações necessárias para que os trabalhadores
adquiram, de fato, estabilidade nos empregos. “Hoje, as empresas
demitem sem justificativa nenhuma”, reclama. “É preciso
pôr um freio nessa grande rotatividade de funcionários
que ocorre em todo o Brasil”, defende.
Patrões reclamam
Por enquanto, a maioria dos empresários brasileiros tem se
manifestado contrária à aprovação do projeto.
De acordo com João Carlos Requião, assessor jurídico
da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio),
ainda são pouco claras as condições em que os
futuros pais deverão ganhar a estabilidade de 12 meses no emprego. “E
se a empresa demitir o funcionário quando ainda não havia
a informação de que a esposa dele estava grávida?
Será preciso reintegrá-lo, indenizá-lo ou algo
parecido?”, questiona.
O advogado critica também o texto do projeto, que vale apenas
para os futuros pais que estejam casados ou tenham uma união
estável com a gestante. “Pai não é só quem
está casado”, afirma. “Com o texto atual, o projeto
vai causar conflitos enormes. Ele ainda merece uma reflexão
maior”, afirma.
Prejuízo
Já Amilton Stival, coordenador do conselho de relações
de trabalho da Federação das Indústrias do Estado
do Paraná (Fiep), acredita que o projeto de lei pode prejudicar
o trabalhador, em vez de beneficiá-lo. Na sua opinião,
as empresas tendem a se tornar mais rigorosas na contratação
de funcionários, deixando de admitir homens casados, por exemplo. “Pessoas
solteiras, teoricamente, podem ter mais chances nas entrevistas”,
prevê. “Até mesmo aqueles que já tenham feito
vasectomia largarão na frente, se o projeto realmente virar
lei”, acredita. Uma grande preocupação para as
empresas, segundo Stival, é com o impedimento de demitir trabalhadores
mesmo em momentos de crise, como hoje. “Com a estabilidade do
emprego garantida a quem vai ser pai e sem poder demiti-lo, a companhia
vai à falência?”, pergunta.
Na opinião de Sérgio Malucelli, diretor-executivo da
Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado
do Paraná (Fetranspar), a proposta tem um caráter populista
e não mede o impacto que pode causar ao empresariado. Para ele,
o funcionário bom e zeloso não precisa de leis como essa
para se manter no emprego. “O empregado preocupado com o serviço
sempre vai ter sua vaga preservada”, afirma. “A medida
beneficiará o trabalhador relapso, que pode até se valer
dela para não ser demitido”, diz.
A lei atual
Saiba quais são os direitos já assegurados
aos trabalhadores que vão ser pais:
Pai
• Direito à licença-paternidade de cinco dias
após o nascimento do bebê.
Mãe
• Consultas e exames durante a gravidez valem como justificativa
de falta.
• Pode mudar de função ou setor que atrapalhe
a saúde do bebê.
• Durante a gravidez, e até cinco meses depois do parto,
não pode ser demitida, a não ser por justa causa.
• A partir do oitavo mês de gestação, tem
direito a licença-maternidade de 120 dias.
• Até que o bebê complete seis meses, pode se ausentar
do trabalho por dois períodos de 30 minutos para amamentar.
Fonte: Justiça do Trabalho
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Gazeta do Povo, 15 de dezembro de 2008
Paternidade
Para advogado trabalhista, projeto é inconstitucional
O Projeto de Lei nº 3.829, de 1997, é inconstitucional, na
opinião do advogado trabalhista Antônio Carlos Aguiar. Ele
questiona alguns pontos da proposta que, em sua avaliação,
vão contra o que determina a Constituição Federal.
Por exemplo, Aguiar alega que a paternidade de um empregado não
tem qualquer ligação com o contrato de trabalho estabelecido
com a empresa. “Um trabalhador acidentado ou que está prestes
a se aposentar, sim, deve ter a garantia de estabilidade”, afirma. “Tornar-se
pai, no entanto, é um evento totalmente distinto da relação
de vínculo do emprego”, argumenta.
Para o advogado, o projeto elimina, por meio de uma razão externa às
relações de trabalho, a situação de igualdade
que deve existir entre patrões e empregados. “A partir
do momento em que o funcionário ganha estabilidade no emprego
porque vai ser pai, a empresa perde a liberdade contratual de demiti-lo
quando julgar necessário”, diz.
Por fim, ele considera discriminatório o teor do projeto, que
garante apenas aos futuros pais a estabilidade de 12 meses no emprego.
Segundo Aguiar, a proposta exclui – e, portanto, discrimina – pais
que já têm um ou mais filhos. Além disso, o texto
menciona apenas o empregado cuja esposa ou companheira estiver grávida. “E
os trabalhadores que tiverem filhos fora do casamento ou frutos de
uma relação casual?”, indaga. “Eles serão
pais do mesmo jeito, com as mesmas responsabilidades”, diz. (ELG)
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Gazeta do Povo, 15 de dezembro de 2008
Eleições
PSDB quer Serra e Aécio juntos
em 2010
A idéia seria parte de um projeto
de poder que pretende se expandir para, pelo menos, dois mandatos
presidenciais
A cúpula do PSDB em São Paulo tomou a decisão
política de trabalhar por uma chapa puro-sangue para a Presidência
da República em 2010 e começa conversas para convencer
o governador Aécio Neves (Minas) a ser candidato a vice do governador
de São Paulo, José Serra.
A fórmula, que tem forte inspiração do ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso – que chamou para si o papel de mediador
da escolha –, defende que, em um eventual governo Serra, Aécio
seria bem mais que um vice: assumiria um importante ministério
da área social para ganhar densidade nacional.
A idéia não opera meramente com uma candidatura para
2010, informa qualificada fonte do partido, mas com um projeto de poder
que pretende se expandir para, pelo menos, dois mandatos presidenciais.
Aécio seria candidato a vice e, se a chapa puro-sangue vencesse,
assumiria a Saúde ou a Educação, para comandar
uma grande revolução na área. Seguiria, assim,
a mesma receita que fez de Serra, a partir de 1998, quando assumiu
o Ministério da Saúde, uma referência nacional.
Assim, Aécio se transformaria em candidato natural à sucessão
seguinte, em uma reedição moderna da política
do café-com-leite que vigorou no início do século
20. Para repetir a receita, o mineiro teria inserção
especialíssima em um futuro governo, sugerem tucanos paulistas.
Ele participaria das grandes decisões e se tornaria candidato
natural à sucessão.
Para garantir o acordo, Serra e o PSDB patrocinariam a extinção
da reeleição a partir do candidato eleito em 2010, o
que seria votado pelo Congresso em 2009, aparentemente sem dificuldades,
já que o PT também apoiaria a mudança.
Por enquanto Aécio resiste à idéia da chapa puro-sangue,
argumentando que uma sadia disputa interna ajudaria a mobilizar o partido
nacionalmente. Ele insiste em que o PSDB, antes de buscar um candidato,
deve definir um projeto para o país. Quando ouve o argumento
de que ainda não tem a mesma densidade eleitoral de Serra, admite – como
na semana passada – que nunca disputou uma eleição
nacional, mas que mesmo assim já consegue índices animadores
nas pesquisas eleitorais.
Legitimidade
Os serristas falam com extrema cautela da negociação.
Eles reconhecem, desde já, o “direito” de Aécio
postular a candidatura. A expressão que mais usam é que
a pré-candidatura de Aécio “é legítima”.
Em São Paulo, ninguém acredita, no entanto, que os interesses
cruzados possam redundar em conflito político. Uma das garantias
de paz, qualquer que seja a fórmula para definir o candidato
em 2010, é o papel de FHC – a única pessoa capaz
de falar a Serra e Aécio com eqüidistância.
Mas os tucanos paulistas estão mesmo de olho é no possível
resultado eleitoral de uma chapa puro-sangue. Eles acham que Minas
precisa aderir ao projeto para evitar o descompasso que ocorreu em
2002 e 2006. No primeiro turno de 2002, Aécio teve 58% dos votos
para governador e Serra, 23% para presidente; em 2006, no primeiro
turno, Aécio teve 77% na reeleição e Geraldo Alckmin,
40% para presidente. O cuidado dos tucanos tem outro viés: uma
chapa puro-sangue SP/MG uniria dois estados que representam 43 milhões
dos 130 milhões de eleitores do país.
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Gazeta do Povo, 15 de dezembro de 2008
Banco Mundial
Próximo ano será de crise
no emprego
O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, disse neste domingo
que a crise financeira em curso já se tornou uma crise econômica
e, no próximo ano, será uma crise de desemprego. “Vai
ser uma fase extremamente difícil”, afirmou, em uma visita à Província
de Sichuan, na China.
Zoellick ainda disse que a recuperação da crise pode
demorar mais caso os países venham a fechar seus mercados e
ficar mais protecionistas em uma tentativa de salvar as próprias
economias. “Me preocupa que o desemprego, principalmente se combinado
com uma queda de preços, possa levar a ondas de protecionismo.” Os
países desenvolvidos, na opinião do Banco Mundial, precisam
ser cuidadosos para não agravar as condições para
os países mais pobres; segundo Zoellick, as garantias que esses
países têm oferecido a títulos de dívida
de instituições bancárias “têm tornado
difícil para os países em desenvolvimento com bons programas
orçamentários lançar títulos no mercado”. “É importante
que os países desenvolvidos reconheçam que, em algum
momento, precisarão de estratégias de saída para
essas garantias, ou discipliná-las. Não digo que esse
passo precise ser dado agora, mas se não for assim os países
em desenvolvimento é que ficarão com o peso maior”,
disse.
Já a chanceler alemã, Angela Merkel, reunida em Berlim
com cerca de 30 pesos pesados da economia e das finanças da
Alemanha, pediu a realização de um “esforço
nacional” para enfrentar a crise econômica. Logo no início
desta “cúpula de crise”, Merkel pediu que todos
assumam “conjuntamente as responsabilidades”, já que
o governo não pode reativar a economia sozinho.
O vice-chanceler, Frank-Walter Steinmeier, também defendeu
uma ação conjunta. A reunião foi qualificada pelos
representantes como o ponto de partida para que o Estado e o setor
privado alemães dêem os braços para enfrentar “os
meses difíceis que estão por vir”.
Segundo alguns analistas, o governo da Alemanha já trabalha
em um segundo pacote de medidas anticrise avaliado em 30 bilhões
de euros, que viriam a se somar aos 32 bilhões de euros já aprovados
para infra-estruturas e incentivos durante os próximos dois
anos.
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Gazeta do Povo, 15 de dezembro de 2008
C&A indeniza cliente por fraude
em cartão de crédito
Uma consumidora que teve um saque realizado por terceiro com cartão
de crédito fraudado será indenizada pela C&A Modas.
A decisão unânime, que manteve sentença de primeira
instância, é da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais
Cíveis e Criminais do Distrito Federal.
A consumidora afirma que solicitou um cartão de crédito à C&A,
mas não chegou a tomar posse do mesmo. Meses depois, tomou conhecimento
de que seu nome constava nos cadastros de inadimplentes, devido a uma
dívida com a loja. A investigação sobre o caso
concluiu que o débito foi resultado de um saque realizado na
C&A por uma terceira pessoa, que fraudou o cartão da cliente.
Em sua defesa, a empresa alegou que a consumidora não sofreu
prejuízos financeiros. Também questionou sobre o valor
da indenização por danos morais, afirmando que a quantia
arbitrada, de R$ 3.000, estaria desproporcional e resultaria em “enriquecimento
sem causa” da autora da ação.
Segundo o juiz relator do caso, a C&A deve ser responsabilizada
porque foi descuidada com os dados pessoais da consumidora. “Sua
responsabilidade resulta da negligência com os dados dos clientes,
possibilitando a realização de golpes dessa natureza,
tendo em vista que para a realização de compras eram
necessários os dados da recorrida e, possivelmente, a senha
do cartão”, diz o magistrado na decisão.
O magistrado encerrou a questão, afirmando que o valor indenizatório
está correto e respeita as condições econômicas
de cada uma das partes.
Processo nº: 2007.07.1.012792-5
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