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Agência Diap, 16 de dezembro de 2008
Deputados repudiam proposta de ‘flexibilização’ das
leis trabalhistas
Deputados da bancada petista na Câmara classificaram como "oportunista" o
pleito do presidente da Vale, Roger Agnelli, ao solicitar ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva a flexibilização temporária
das leis trabalhistas em função da crise econômica
mundial.
Para os parlamentares, o que as grandes empresas precisam fazer é usar
parte dos exorbitantes lucros faturados nos últimos anos para
manter empregos e não comprometer o poder de compra dos trabalhadores.
Entre as propostas do presidente da Vale, publicadas na imprensa neste
domingo (14), está a redução de salários,
da jornada de trabalho e dispensa de contratos trabalhistas.
"É uma proposta oportunista. Os empresários não
podem se aproveitar da crise para escrachar os trabalhadores. Isso é um
pensamento da época da ditadura, quando se buscava individualizar
os lucros e socializar os prejuízos", afirmou o deputado
André Vargas (PT/PR).
O petista lembrou que a Vale tem obtido os maiores lucros entre todas
as mineradoras do mundo. A empresa tem um faturamento superior a US$
30 bilhões por ano, emprega mais de 60 mil pessoas e está presente
em mais de 30 países.
André Vargas elogiou as medidas que o Governo tem adotado para
combater os reflexos da crise na economia brasileira e disse que a
estratégia de manter os investimentos públicos e reduzir
impostos vai manter a economia aquecida.
"Não podemos transferir a conta da crise mundial para
os trabalhadores brasileiros. A proposta de Agnelli atende unicamente
ao capitalismo selvagem. Se reduzirmos o poder de compra dos trabalhadores,
aí sim, teremos problemas com a crise", avaliou.
Equívoco
Para o deputado Marco Maia (PT/RS) a proposta do presidente da mineradora é um
equivoco. "Ao contrário do que propõe o presidente
da Vale, o que o País precisa fazer é dar condições
ao trabalhador para que não seja reduzido seu poder de compra.
Qualquer medida que restrinja o consumo acentuará ainda mais os
efeitos da crise".
E acrescenta: "Uma coisa compensa a outra. Se agora os grandes
empresários, especialmente os que atuam no ramo da exportação,
têm menos lucros, no passado eles bateram recordes. Eles devem
usar o saldo para segurar as despesas em momentos de dificuldades como
este", afirmou Maia.
Marco Maia também destacou os efeitos positivos das medidas
anunciadas pelo presidente Lula contra a crise. "O presidente
Lula adotou medidas de incentivo ao crédito, redução
de juros e impostos. No último fim de semana, por exemplo, as
montadoras de carros sentiram na prática os efeitos da medida
que reduz impostos para a compra de carros novos. Estamos no caminho
certo, não há necessidade de se pensar em redução
de salários ou de precarização das relações
trabalhistas", finalizou.
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Agência Diap, 16 de dezembro de 2008
CNT: avaliação do Governo
Lula bate novo recorde em meio à crise
A avaliação positiva do Governo do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva em dezembro atingiu novo recorde de 71,1% ante 68,8% em
setembro, apontou nesta segunda-feira (15), pesquisa do instituto Sensus
encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).
O desempenho é o melhor desde 1998, quando o instituto começou
a fazer a pesquisa para a CNT. A avaliação negativa do
Governo passou para 6,4% em dezembro ante 6,8% em setembro.
O desempenho pessoal do presidente Lula foi aprovado por 80,3% dos
entrevistados este mês frente aos 77,7% na sondagem anterior.
A pesquisa avaliou mais uma vez a intenção de voto para
a sucessão presidencial em 2010 e o governador de São
Paulo, José Serra (PSDB) manteve a liderança na consulta
estimulada. Serra tem 46,5% das intenções de voto, enquanto
a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), está em terceiro
lugar, com 10,4%. Heloisa Helena (PSol) é a segunda colocada
com 12,5%.
Sobre a crise financeira global, 83,5% dos entrevistados disseram
ter tomado conhecimento, dos quais 41,9% acham que o Brasil sairá fortalecido.
Contraditoriamente, 40% deste mesmo universo acham que o Brasil não
está preparado para enfrentar a crise.
A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 8 e 12 deste mês
com 2.000 entrevistados em 136 municípios. A margem de erro
da pesquisa é de 3 pontos percentuais.
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Vermelho, 16 de dezembro de 2008
Governo propõe que direitos
humanos e mulheres ganhem ministérios
Ao participar nesta segunda-feira (15) da abertura da 11ª Conferência
Nacional dos Direitos Humanos, em Brasília, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva propôs que as secretarias dos Direitos
Humanos e de Políticas para as Mulheres sejam transformadas em
ministérios.
Para Lula, as sugestões devem integrar o documento final da
conferência que, durante quatro dias, revisará e atualizará o
Plano Nacional dos Direitos Humanos (PNDH).
“ Se amanhã entra alguém que não pense
assim, e quiser acabar com o ministério, é um direito
do presidente da República trocar ministro para lá e
para cá. Estou convencido de que nós precisamos de uma
continuidade por mais alguns anos neste país. Acho que vamos
ter que aprimorar todas as coisas que fizemos aqui”, disse Lula,
no evento realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.
Em agosto, o presidente encaminhou projeto de lei ao Congresso para
criar o Ministério da Pesca, no lugar da Secretaria Especial
de Aqüicultura e Pesca, ocupada por Altemir Gregolin. A proposta
ainda encontra resistência dos parlamentares.
No início deste ano, Lula mudou o status do cargo do titular
da Secretaria Especial de Políticas para a Promoção
da Igualdade Racial (Seppir) para ministro de estado-chefe do órgão.
Com essa alteração, o ministro, Edson Santos, não
teve de abrir mão do mandato de deputado federal para assumir
a secretaria.
Mais de mil defensores dos direitos humanos e representantes dos
governos federal, estaduais e municipais participarão da conferência.
Eles foram escolhidos nos estados e no Distrito Federal em conferências
locais realizadas neste ano. O número de representantes é proporcional
ao número de habitantes de cada estado.
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Vermelho, 16 de dezembro de 2008
Brasil menospreza o efeito do desemprego
no campo
A próxima safra de cana-de-açúcar “poderá passar
por percalços, mas a solidez dos fundamentos do setor garante
que os problemas serão contornados''. A previsão é do
presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wagner Rossi.
O otimismo do ex-deputado federal pelo PMDB de Ribeirão Preto
(SP) contrasta com a tensão causada pelo desemprego de milhares
de bóias-frias.
Djalma Batigalhia*, de Ribeirão Preto -
SP.
Serra quer piorar ainda mais o desemprego entre bóias-frias
O trabalho, a toque de caixa, de uma comissão formada por representantes
do Ministério do Trabalho, usinas de açúcar e álcool
e entidades representativas dos trabalhadores rurais, em busca de uma
solução para o drama dos desempregados dos canaviais,
mostra que as contrariedades e os transtornos que o Brasil enfrentará no
campo serão bem maiores que os “percalços” apontados
pelo presidente da Conab.
São Paulo: berço do desemprego
Pelo menos 180 mil cortadores de cana, só em São Paulo,
ficarão sem trabalho diante do cumprimento do Protocolo Ambiental,
assinado entre as usinas de açúcar e álcool e
o governador de São Paulo, José Serra (PSDB).
Uma colhedora tem capacidade para cortar mais de 700 toneladas por
dia de cana crua. Para cortar quantidade equivalente, seriam necessários
oitenta homens e a queima da cana antes do trabalho. No auge da colheita
manual, entre 1985 e 1990, os 83 municípios da região
de Ribeirão Preto chegaram a ter mais de 80 mil bóias-frias
trabalhando nas lavouras de cana.
Migração inversa
Estes trabalhadores rurais não são migrantes que vêm
de outros estados para a colheita e voltam para suas cidades após
a safra. Moram com suas famílias nas periferias das cidades-dormitórios.
Se confirmada a previsão, só na região de Ribeirão
Preto, um contingente de 114 mil trabalhadores, mais que a população
de Sertãozinho (103 mil habitantes) -cidade que ironicamente
tem seu parque industrial praticamente inteiro voltado à produção
canavieira-, ficará desempregado.
Segundo Inês Facioli, coordenadora da Pastoral do Migrante de
Guariba, o avanço da mecanização irá gerar
uma migração inversa, com a saída de trabalhadores
da região. ''Não vai ter outro jeito, porque todos precisam
de remuneração para viver. Vai inverter a situação.
A mecanização existe desde o final dos anos 80.''
Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ribeirão
Preto, Silvio Palviqueres, conta que já foram feitas cerca de
dez reuniões em Brasília entre o Ministério do
Trabalho, a entidade que representa os usineiros e representantes da
Confederação dos Trabalhadores na Agricultura para montar
um programa de qualificação de mão de obra.
Serra fez um pacto com as usinas
Palviqueres disse, em entrevista, que Serra, desde que foi assinado
o protocolo para o fim das queimadas, não recebe os trabalhadores
rurais para debater a realidade do desemprego no campo.
“Serra fez um pacto com as usinas, mas não ouviu nenhum
trabalhador. Parece um ditadorzinho” lamentou o presidente do
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ribeirão Preto.
A cada 100 vagas extintas pela máquina, são criadas
apenas 12 contratações para pessoal especializado. A
mecanização de toda a colheita de cana-de-açúcar
tem data para ser totalmente implantada: 2014.
Hoje, o processo de mecanização da colheita da cana
na região de Ribeirão Preto tem média superior à do
estado. Ou seja, as pequenas e médias cidades da região
de Ribeirão Preto - por onde o atual presidente da Conab já se
elegeu várias vezes deputado federal - é hoje a mais
atingida pela mecanização sem contrapartida ao desemprego.
Até agora, nada de efetivo foi feito para se evitar que milhares
de famílias sem emprego e renda vaguem de uma cidade para a
outra em busca do próprio sustento.
O desafio brasileiro
Somente com condições que permitam confiar no futuro
do emprego no campo ou na recolocação dos trabalhadores
fora dos canaviais, haverá uma retomada de fato sólida
e consistente. O desafio brasileiro é eliminar as queimadas,
garantindo um horizonte estável para os trabalhadores e para
os municípios produtores de açúcar e álcool.
A continuidade do crescimento do Brasil no que se convencionou chamar
de agronegócio deve estar subordinada à consolidação
da justiça social e do respeito aos direitos elementares do
nosso povo. E não apenas ao lucro dos agronegociantes.
É necessário concretizar as expectativas de distribuição
de renda e valorização do trabalho nas quais se baseia
o bom otimismo. E, mesmo crescendo, fazer com que mais brasileiros
participem do progresso continua a ser um desafio.
*Djalma Batigalhia é jornalista.
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Gazeta do Povo, 16 de dezembro de 2008
Senado
PEC que cria 7,3 mil vagas para vereadores
vai à votação
O plenário do Senado pode votar amanhã a proposta de
emenda à Constituição (PEC) que aumenta em 7.343
o número de vereadores no país, crescimento de 14,1%.
Embora nos bastidores haja apoio de vários partidos, os líderes
das bancadas preferiram não antecipar como irão se posicionar.
A proposta vem sendo questionada porque além de aumentar o
número de vereadores mantém as regras da Constituição
de repasse para as câmaras municipais. O texto aprovado na Câmara
dos Deputados previa a redução das despesas, mas esse
parágrafo foi retirado no Senado sob o argumento de que irá tratar
essa parte em uma nova emenda constitucional.
A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), disse ser favorável
a emenda, mas que consultará a bancada para tirar um posicionamento. “Só vota
com acordo”, afirmou. O líder do governo no Senado, Romero
Jucá (PMDB-RR), também disse que a proposta só será votada
se houver consenso entre os líderes.
Amigos
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) admitiu que há pressão
para que a proposta seja aprovada. “É uma pressão
forte, temos amigos dependendo disso para assumir o mandato”,
disse. A PEC prevê que as novas regras se aplicam à eleição
deste ano.
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Gazeta do Povo, 16 de dezembro de 2008
Automóveis
Após pacote, clientes lotam
concessionárias
Redução de impostos devolveu ânimo,
ainda momentâneo, aos compradores de automóveis
Depois de algumas semanas escondido, com medo da crise e das taxas
estratosféricas de juro, o consumidor – estimulado pelo
pacote tributário do governo federal – ganhou coragem
para negociar um carro novo. Desde o fim de semana, as concessionárias
estão batendo recordes de movimentação. Comparado
ao que vinha sendo registrado em novembro e no começo de dezembro,
as vendas triplicaram, segundo avaliação da regional
paranaense da Federação Nacional da Distribuição
de Veículos Automotores (Fenabrave-PR).
“A informação que tenho é que várias
lojas permaneceram movimentadas hoje (ontem), que não é exatamente
um dia típico de vendas”, afirmou o presidente da Fenabrave-PR,
Luiz Antônio Sebben. Segundo ele, o fator importante para esse
resultado é que as montadoras e lojas acumularam os benefícios
oferecidos com a renúncia fiscal do governo, o que tornou os
preços “especialmente atrativos” – com todos
os descontos, os veículos passaram a custar entre R$ 2 mil e
R$ 3 mil a menos.
“ Nossas lojas realmente ficaram muito cheias, estavam parecendo
shopping em véspera de Natal”, disse o diretor da rede
de concessionárias Volkswagen Corujão, Antônio
Carlos Altheim. De acordo com ele, a rede estava vendendo cerca de
50 automóveis por fim de semana, e, no último, o número
passou de 80. “Acredito que com esses incentivos o setor voltará ao
caminho normal, inclusive em 2009”, completou. A opinião
de Altheim, no entanto, não é compartilhada pelos analistas
econômicos.
Para poder aplicar imediatamente o desconto do Imposto sobre Produtos
Industrializados, que incide na indústria e não no comércio,
as concessionárias fizeram um acordo com as montadoras: as notas
fiscais dos automóveis que estavam em estoque foram devolvidas
e refaturadas nas fábricas. “Já sabíamos
que isso iria gerar três ou quatro dias de tumulto, mas as montadoras
estão dando conta da demanda”, afirmou Altheim.
Revertendo o excesso de estoque, que até a semana passada pressionava
para baixo o preço dos veículos, já há quem
diga que agora faltam modelos. “Das linhas de mil cilindradas
do Palio, Mille e Siena, hoje estamos com falta de alguns modelos e
cores específicos”, afirmou o gerente comercial da Fiat
Florença, Ademilson Alano. A explicação para isso,
de acordo com ele, é que o fim de semana foi excepcional: “Estávamos
comercializando de 20 a 25 automóveis por fim de semana. Nesse último,
foram mais de 100”.
Para o presidente da Fenabrave-PR, ainda é muito cedo para
falar em falta de veículos, mesmo com as montadoras em férias
coletivas. “Se tivermos mais dois ou três finais de semana
iguais a esse, é possível que apareçam modelos
com programação de entrega. Isso não é falta,
mas sim um cronograma de atendimento às concessionárias”,
explicou.
O comerciante José Júlio de Castro está planejando
a compra de um automóvel há cerca de seis meses, e aproveitou
a reviravolta no setor para checar as condições de pagamento.
Quando conversou com a reportagem ainda não havia batido o martelo,
mas estava prestes a fechar a compra de um Gol 1.6. “Estou há tempo
esperando pela melhor oportunidade, mas vou financiar uma parte do
valor, então o que vai me fazer decidir mesmo é o preço”,
declarou.
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Gazeta do Povo, 16 de dezembro de 2008
Construção civil
Crise devolveu normalidade ao mercado,
diz Sinduscon
Ao apresentar o balanço do setor ontem, o presidente do Sindicato
da Indústria da Construção Civil no Paraná (Sinduscon-PR),
Hamilton Pinheiro Franck, fez questão espantar qualquer tom
pessimista, e iniciou a conversa dizendo que isso é “coisa
dos alarmistas, sem base fundamentada”, e que a crise financeira
internacional veio “em boa hora”. O Produto Interno Bruto
(PIB) da construção civil deve fechar o ano com um crescimento
de cerca de 10% em relação a 2007. Para 2009, a expectativa é um
crescimento bem menor, na ordem de 6% – uma desaceleração
que, na opinião do dirigente, só traz o mercado de volta
ao seu normal.
“Havia uma euforia desmedida por parte de algumas empresas do
setor e também por compradores, que achavam que ia comprar hoje
para vender ano que vem com um lucro enorme”, diz Franck. “Imóvel é sim
um ótimo investimento, mas não é instrumento de
especulação. O mercado estava fora do normal.”
De acordo com os dados apresentados ontem pelo Sinduscon-PR, o volume
de financiamentos de imóveis com recursos da caderneta de poupança
deve chegar a R$ 30 bilhões no fim do ano – totalizando
cerca de 250 mil unidades em todo país, sendo cerca de 13 mil
no Paraná. Outros R$ 10,5 bilhões em financiamento devem
ter origem no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) – R$
650 milhões no Paraná.
O presidente da entidade diz que as dificuldades de concessão
de crédito trazidas pela crise financeira internacional não
devem afetar o setor de construção civil, que vive hoje
um momento bastante favorável. “As condições
hoje são bastante honestas, se pensarmos em taxas entre 6% e
12% ao ano. Além disso, o Brasil tem muito espaço para
crescer.” O estoque de financiamento habitacional corresponde
a 2% do PIB brasileiro – bem abaixo de outros países latino
americanos. “Podemos chegar a 10% em quatro anos, sem nenhuma
grande aventura.”
Segundo os dados divulgados ontem pelo Sinduscon, a área liberada
para novas construções chegou a 2,87 milhões de
metros quadrados entre janeiro e outubro deste ano – um aumento
de 66% em relação ao mesmo período do ano passado.
Até o fim do ano, o número deve ultrapassar a faixa dos
3,4 milhões de metros: mais que o dobro do liberado em 2007.
Abyara
Com relação aos lançamentos de imóveis,
Franck diz que não houve frustrações ao longo
do ano, nem com o início da crise. “O que aconteceu foram
situações pontuais, se empresas que tinham problemas
de gestão e que teriam problemas uma hora ou outra. A crise
só acelerou.” No começo de novembro, a Abyara anunciou
corte no seu quadro de funcionários e a suspensão de
novos lançamentos. A construtora confirmou, no entanto, que
vai finalizar os dois empreendimentos já lançado em Curitiba.
Até o fim do ano devem ser lançadas 6,9 mil unidades
residenciais (em prédio) em toda capital. O número, de
acordo com o Sinduscon, é quase 80% maior do que o registrado
em 2007.
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Folha de S.Paulo, 16 de dezembro de 2008
Câmara pode efetivar dono de
cartório sem concurso
Mudança constitucional beneficia
3,7 mil titulares dos 13.416 estabelecimentos do país
Constituição de 1988 tornou obrigatório
o concurso para definir quem controla os cartórios, mas regra
só foi regulamentada em 1994
FERNANDA ODILLA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Câmara dos Deputados pode votar hoje ou amanhã a proposta
que tem o objetivo de efetivar na função, sem concurso
público, responsáveis por cartórios. De acordo
com a Associação Nacional de Defesa dos Concursos Públicos,
a chamada "PEC (Proposta de Emenda à Constituição)
dos Cartórios" beneficiará 3,7 mil titulares dos
13.416 cartórios de todo país.
Deputados do PMDB, do PT e do PTB defendem a votação nesta
semana. A PEC beneficiará quem atende a dois critérios: é tabelião
titular ou substituto nos últimos cinco anos e ocupava funções
no cartório entre 1988 e 1994. Isso porque a Constituição
Federal de 1988 determinou a realização de concurso público
de provas e títulos para comandar os cartórios, mas a regra
só foi regulamentada em 1994.
O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) se manifestou contra a PEC.
O parecer pedindo sua rejeição, assinado pelos conselheiros
Antônio Humberto, Joaquim Falcão e Marcelo Nobre, foi enviado
aos presidentes da Câmara e do Senado e à Casa Civil.
A regulamentação, contudo, remeteu à legislação
dos Estados definir regras para concursos e remoção e omitiu
a situação dos então responsáveis pelos cartórios.
Segundo Naurican Lacerda, tabelião concursado em Brasília
e integrante da associação que é contra a PEC, a
proposta vai beneficiar famílias inteiras e filhos de autoridades,
em especial em Mato Grosso do Sul, em Minas Gerais, no Tocantins, em
Goiás e no Paraná. A associação é formada
por pessoas aprovadas em concurso e que aguardam nomeação
para os cartórios.
Beneficiados
Entre os beneficiados pela PEC, segundo a associação, está Valter
Sâmara, amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e
da primeira-dama Marisa Letícia, de Ponta Grossa (PR); o presidente
do Flamengo, Marcio Braga, do Rio de Janeiro; e um irmão do advogado
do empresário Marcos Valério (acusado de ser o operador
do esquema do mensalão).
Sâmara é dono do 1º Tabelionato de Protestos de Títulos
em Ponta Grossa e comanda cartórios desde a década de 70.
Segundo ele, fez concurso para assumir um cartório ainda durante
o governo militar de Ernesto Geisel (1974-79).
Mas, por decreto, trocou duas vezes de posto até assumir um dos
mais rentáveis cartórios de Ponta Grossa. Sâmara
nega que será beneficiado pela PEC. "Na época remoção
não era concurso, era automático.
Por isso não vou ser beneficiado nem prejudicado. Hoje já não é assim",
diz ele, afirmando ser defensor do concurso público para tornar
mais justo o processo. "Mas também não pode mandar
embora quem dedicou uma vida ao cartório."
Entidades como a ATC (Associação dos Titulares de Cartórios)
defendem que os interinos já são beneficiados pelo tempo
que permaneceram no cartório sem atenderem à norma constitucional
do concurso. "Não podemos esquecer que a Constituição
de 1988 já efetivou aqueles que eram titulares até sua
promulgação. Não se pode repetir esse privilégio",
diz o presidente da ATC, Robson de Alvarenga.
Procurados ontem, Márcio Braga, do 9º Ofício do Registro
de Distribuição do Rio, e Maurício Leonardo (irmão
do advogado de Valério, Marcelo Leonardo), do 8º Ofício
de Notas em Belo Horizonte, não responderam aos recados deixados
pela reportagem. Braga declarou ao Conselho Nacional de Justiça
que assumiu em agosto de 1994 por decreto o comando do cartório.
Leonardo afirmou ter entrado por concurso público em novembro
de 1997, um ano antes de colar grau em direito.
A associação em defesa dos concursos públicos informa,
entretanto, não ter havido concurso em Minas Gerais nessa data. "Os
primeiros concursos foram em 1998", afirma Naurican Lacerda. Ele
diz que só no Estado de Minas, por exemplo, há 2.200 pessoas
que foram aprovadas em concursos públicos e não vão
assumir seus cargos caso a PEC seja aprovada.
O líder do PT na Câmara, deputado federal Maurício
Rands (PE), defende a proposta, alegando que ela vai favorecer pequenos
cartórios que ficaram "num limbo entre a Constituição
e a regulamentação da lei".
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Folha de S.Paulo, 16 de dezembro de 2008
Governo decide em janeiro nova regra
para FGTS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo vai decidir até meados de janeiro o novo valor para
os imóveis que poderão ser comprados com a liberação
do dinheiro do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
A medida fará parte do pacote de estímulo à habitação,
conforme antecipou a Folha.
Atualmente, o trabalhador só pode sacar o dinheiro depositado
no fundo se estiver comprando imóveis de até R$ 350 mil.
Esse valor não é corrigido desde 2003, apesar dos pedidos
feitos pelo setor da construção civil.
A proposta de reajuste no valor do imóvel já foi levada
em outros momentos ao Conselho Curador do FGTS, instância máxima
de controle do fundo, mas nunca foi à frente por veto do Ministério
da Fazenda ao impulso que a medida traria na demanda. Num cenário
de crise, essa avaliação foi alterada.
De acordo com técnicos que estão discutindo a medida, a
referência para a correção não será a
inflação ou índices setoriais, mas a capacidade
do FGTS de sustentar a liberação de mais recursos.
Uma elevação no valor do imóvel implicará maior
quantidade de saques do fundo, um movimento que já é esperado
por causa da queda prevista no emprego ao longo de 2009. Combinados,
esses efeitos podem reduzir a capacidade de o FGTS financiar habitação
de baixa renda e saneamento, o que o governo quer evitar.
A ampliação no valor dos imóveis elegíveis
para compra com recursos do fundo depende de autorização
do CMN (Conselho Monetário Nacional), integrado pelos ministros
Guido Mantega (Fazenda), Paulo Bernardo (Planejamento) e Henrique Meirelles
(presidente do Banco Central).
O pacote que o governo prepara também incluirá estímulos à habitação
de baixa renda. A equipe do ministro Mantega propõe aumentar o
subsídio que o governo dá à construção
de casas ou conjuntos habitacionais adquiridos por famílias com
renda de até R$ 1.140,00.
A estratégia de impulso à construção civil
tem duas vantagens na visão do governo: reduz demissões,
já que o setor emprega muita mão-de-obra, e não
pressiona as contas externas, pois há pouca importação
envolvida na atividade. (LEANDRA PERES)
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Folha de S.Paulo, 16 de dezembro de 2008
Carga tributária baterá novo
recorde neste ano
Receita será de 36,60% do PIB,
diz estudo do IBPT
MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
Apesar da crise, mais uma vez a carga tributária brasileira
baterá novo recorde anual em proporção do PIB
(Produto Interno Bruto). Ao final deste ano, os contribuintes terão
recolhido R$ 1,063 trilhão em tributos aos governos federal,
estaduais e municipais. Para um PIB estimado em R$ 2,9 trilhões,
a carga será de 36,60%, ou 1,06 ponto percentual acima dos 35,54%
do ano passado.
A previsão é do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento
Tributário), com base na carga fiscal acumulada nos nove primeiros
meses do ano. Os dados foram divulgados ontem, dia em que, pela primeira
vez na história do país, a arrecadação de
tributos atingiu R$ 1 trilhão no mesmo ano -informação
antecipada pela Folha ao final do ano passado.
Segundo Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT, por enquanto "a
crise ainda não se refletiu na arrecadação de tributos".
Os números mais recentes da Receita são de outubro, quando
a maior parte da arrecadação era referente às vendas
de setembro, mês em que a crise começou.
Amaral diz que os primeiros reflexos da crise econômica deverão
começar a aparecer neste trimestre. Assim, as receitas tributárias
de novembro (que deverá ser divulgada nesta semana) e deste mês
(que sairá em janeiro de 2009) deverão ser inferiores às
de iguais meses do ano passado.
A Receita não divulga dados trimestrais ou semestrais sobre a
carga tributária no país, mas apenas anuais. Na sexta-feira
passada, foi divulgada a carga referente a 2007, que alcançou
34,8% do PIB, ou 1,3 ponto acima da de 2006. O percentual do IBPT de
2007 (35,54%) é superior ao da Receita porque o instituto considera
em seus cálculos os valores pagos com multas, juros e correção,
além de incluir as contribuições corporativas e
as custas judiciais.
Nos primeiros nove meses deste ano, os fiscos dos três níveis
de governo já arrecadaram R$ 779,14 bilhões, valor que é R$
108,66 bilhões superior aos R$ 670,48 bilhões de 2007.
Se a previsão do IBPT se confirmar, a arrecadação
avançará R$ 139 bilhões neste ano em relação
a 2007 -mesmo sem a CPMF. Ao final do ano, cada brasileiro terá pagado
R$ 5.628 aos fiscos -mais R$ 708 em relação a 2007.
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Folha de S.Paulo, 16 de dezembro de 2008
Lula afirma que vai mediar relação
com sindicatos
Em troca, presidente pede a empresários "esforço" para
manter nível de emprego
Representantes de empresas pediram a Lula flexibilização
de leis do trabalho; presidente não sinalizou com modificações
SIMONE IGLESIAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se comprometeu a mediar
a relação das empresas com os sindicatos. Antes de assumir
o compromisso, em reunião com 31 empresários na quinta
passada, no Palácio do Planalto, ele obteve a garantia de que
haverá tentativa de manter o nível de empregos no país.
Para 2009, o governo prevê alta do desemprego.
" Discutimos para que nenhum empresário dispense trabalhador porque é importante
manter o nível de emprego. Eu assumi o compromisso de conversar com dirigentes
sindicais para saber da possibilidade de estabelecermos acordos em alguns setores
que foram mais afetados", disse Lula durante o programa de rádio "Café com
o Presidente". Segundo Lula, os empresários assumiram "de corpo
e alma" a responsabilidade de ajudar o Brasil a enfrentar a crise.
Ele não deu detalhes de que forma fará a mediação.
Durante a reunião da semana passada, alguns empresários
pediram a Lula a flexibilização das leis trabalhistas.
O presidente disse que conversará com os ministros Carlos Lupi
(Trabalho) e Guido Mantega (Fazenda), mas não sinalizou com modificações.
Em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo" no domingo,
o presidente da Vale, Roger Agnelli, sugeriu a flexibilização
da legislação trabalhista devido aos efeitos da crise financeira.
Artur Henrique, presidente da CUT, classificou a proposta de Agnelli
de "oportunista". "É oportunismo usar do clima
de temor provocado pela crise financeira nascida no exterior para colocar
assalariados contra a parede", disse a central sindical em nota.
O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva
(PDT-SP), afirmou que as centrais não aceitam retirar direitos
dos trabalhadores e que a orientação aos sindicatos tem
sido resistir às demissões. "Mas temos que abrir as
possibilidades de discutir, negociar, mas nada de mexer em FGTS."
Para o presidente da UGT (União Geral de Trabalhadores), Ricardo
Patah, acordos podem ser feitos setorialmente, aprimorando regras existentes. "O "lay
off" [suspensão do contrato com o trabalhador] já existe
hoje, mas por pouco tempo. Há uma proposta para ampliar para dez
meses. São necessários ajustes. Sabemos que 2009 vai ser
um ano difícil."
Redução de preços
As medidas de estímulo à economia anunciadas na semana
passada foram tema da reunião da coordenação política,
ontem, e do programa de rádio do presidente. Lula disse esperar
que a redução do IPI e do IOF derrubem os preços
dos produtos e também levem à redução da
taxa de juros.
" Podemos esperar que os preços dos produtos vão cair, a taxa
de juros vai cair, e o povo vai ter mais facilidade para comprar coisas que ele
estava com medo de comprar", disse. Na reunião com seus principais
ministros, Lula mostrou uma carta que recebeu do diretor de Assuntos Corporativos
da Ford, Rogelio Golfarb, elogiando "a ação rápida
na implementação de medidas para estruturar a venda de veículos".
Na carta, Golfarb diz ao presidente que a Ford está repassando
integralmente ao consumidor o desconto proveniente da isenção
de impostos.
Colchão
À noite, em Salvador, Lula disse que, se as pessoas ficarem lendo jornal
ou assistindo à televisão, vão colocar debaixo do colchão
o "dinheirinho que têm" porque "todo mundo fala que a crise
veio para acabar com o mundo".
Na inauguração de um complexo viário, o presidente
afirmou que o Brasil é o país "mais bem preparado
do mundo" para enfrentar a crise. "Nós fizemos uma poupança,
temos US$ 207 bilhões de reservas."
De acordo com o presidente, a crise não nasceu em "países
pobres". "A crise é muito séria, ela nasceu nos
Estados Unidos, na Europa, no Japão, ninguém pode acusar
os países pobres pelas suas conseqüências", afirmou
Lula.
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Colaboraram JULIANNA SOFIA , da Sucursal de Brasília, e LUIZ FRANCISCO
, da Agência Folha
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Revista Consultor Jurídido, 16 de
dezembro de 2008
Informação e propaganda
Divulgar projeto social não é promoção
pessoal de prefeito
A divulgação de projeto social não é promoção
pessoal, segundo entendimento do juiz da 4ª Vara Municipal de Belo
Horizonte, Renato Luís Dresch. O juiz negou procedimento a uma
ação do Ministério Público que acusava o
prefeito da cidade de fazer propaganda pessoal com recursos públicos.
A propaganda oficial divulgava o projeto Vila Viva, que tem o intuito
de urbanizar favelas e casas irregulares na cidade. Para o MP, “o
informe publicitário, além de utilizar farta adjetivação
a respeito do programa Vila Viva, fez inegável propaganda, com
recursos oficiais, da pessoa do atual prefeito”.
O juiz reconheceu que a propaganda estava muito próxima desse
comportamento, mas afirmou que não houve ilegalidade. “Considero
ter havido representação da autoridade municipal e não
ato de promoção pessoal”, disse. Segundo ele, a
veiculação era necessária para estimular pessoas
que moravam em condições precárias a participar
do projeto.
Processo: 0024.08.174650-5
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Última Instância, 16 de dezembro
de 2008
Justa causa
Divulgação de
demissão por e-mail dá indenização
O Banco do Brasil está obrigado a pagar R$ 100 mil para um ex-gerente
geral de agência no exterior por ter divulgado, por e-mail, a toda área
internacional do banco a demissão por justa causa. O ex-gerente,
com base na relevância da credibilidade nos contatos internacionais
para obtenção de novo emprego, apelou para o Tribunal Superior
do Trabalho para tentar aumentar o valor da indenização
por danos morais. A 8ª Turma do TST rejeitou o recurso.
Funcionário de carreira do Banco do Brasil desde 1983 e gerente
geral da agência do banco na cidade de Santiago, no Chile, de
2001 a 2005, o bancário recebia salário de R$ 31.440,61
quando foi demitido. O motivo da dispensa foram irregularidades, apuradas
em processo administrativo, relacionadas a um acidente automobilístico
ocorrido em novembro de 2002, em Santiago.
O veículo, conduzido pelo gerente, era de propriedade do banco.
O acidente aconteceu em um fim de semana, mesmo com a norma da empresa
que proibia o uso de veículo fora do expediente. Os desdobramentos
do acidente agravaram a situação. Não houve cobertura
das despesas pelo seguro, pois o contrato feito pelo banco com a seguradora
não cobria situações desautorizadas pelo empregador.
O funcionário, então, ressarciu a despesa relativa ao
acidente, de aproximadamente US$ 32 mil, em três parcelas. No
entanto, não informou o procedimento nem o fato ocorrido à diretoria
internacional do banco pois, segundo ele, não era obrigado a
isso.
O caso só se tornaria conhecido pelo banco na auditoria feita
na agência em 2004, e, em maio daquele ano, o gerente foi chamado
a prestar informações. Posteriormente, foi aberto o inquérito
administrativo. Em junho de 2005, houve a demissão por justa
causa e a divulgação por correio eletrônico, a
gerentes e rede externa, do desligamento.
A dispensa foi revertida para demissão imotivada na primeira
instância, por não ter sido respeitado o princípio
da imediatidade — entre a ciência do fato ocorrido e a
demissão passou-se mais de um ano —, mas o trabalhador
não obteve a indenização por danos morais. O Tribunal
Regional do Trabalho da 10ª Região, porém, reformou
a sentença.
O ex-gerente pleiteou no TST o aumento do valor da indenização.
A ministra Maria Cristina Peduzzi, relatora do recurso de revista,
avaliou que, para a determinação do valor, foram ponderados
e expressos pela segunda instância parâmetros como a duração
do vínculo empregatício (mais de 20 anos), o valor da
remuneração do autor, superior a R$ 30 mil, o porte do
empregador, a participação do empregado no ato motivador
da justa causa, a circunstância de a indenização
não poder representar o enriquecimento sem causa do trabalhador,
o desrespeito aos direitos da pessoa na publicidade da rescisão
contratual, as finalidades da indenização e o grau de
instrução do reclamante.
A relatora entendeu, então, não ter sido demonstrada,
pelo trabalhador, nenhuma violação constitucional no
acórdão regional, e considerou razoável o valor
fixado pelo TRT da 10ª Região. “A decisão
pautou-se pelo bom senso, pois evitou valores extremos, ínfimos
ou vultosos”, concluiu. A 8ª Turma seguiu o voto da ministra
Peduzzi e não conheceu do Recurso de Revista.
RR — 910/2005-016-10-00.6
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Notícias do Tribunal Superior do Trabalho
16/12/2008
Por falta de provas, JT rejeita reclamação
de assédio sexual
Por não conseguir comprovar ter sido vítima de assédio
sexual, por apresentar uma única testemunha que não foi
aceita pelo juiz de primeiro grau por não ter relação
direta com os fatos, uma ex-empregada da Viação Itapemirim
teve rejeitado seu pedido de indenização por danos morais
pela Justiça do Trabalho da 2ª Região (SP). A Sétima
Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou seu agravo de instrumento
contra decisão do TRT/SP que trancou seu recurso de revista.
Contratada em dezembro de 2003 para trabalhar na agência da
Itapemirim em Caxingui (SP), a bilheteira afirmou que, no decorrer
do contrato de trabalho, passou por situações constrangedoras,
impostas por seu superior hierárquico, que a assediava diariamente,
muitas vezes na frente de colegas de trabalho, e enviava mensagens,
que ela apagava com receio de causar problemas, pois era casada. Apenas
um foi guardado, contendo o seguinte texto: “Linda, você é a
coisa mais linda na minha vida, mil beijos”. Na inicial da reclamação
trabalhista, a empregada contou ter conhecido aquele que viria a ser
seu chefe quando estava empregada numa empresa terceirizada e indagou
se a Itapemirim estava admitindo novos empregados. A resposta, segundo
ela, foi negativa, mas o futuro chefe teria anotado seu telefone e,
três meses depois, ligou com uma proposta de emprego.
“Minha felicidade durou pouco”
A felicidade inicial por conseguir um emprego melhor, segundo a bilheteira,
durou pouco. A insistência do assédio acabou resultando
no fim de seu casamento, quando seu companheiro leu uma mensagem enviada
para seu celular pelo chefe. Atendida por uma psicóloga da empresa,
disse ter negado o acontecido por medo de perder o emprego, mas um
mês depois recebeu aviso prévio indenizado.
Na reclamação trabalhista, pediu indenização
por danos morais no valor de R$ 40 mil. Mas a única testemunha
que apresentou na fase de instrução foi rejeitada pela
juíza por não se tratar de uma funcionária da
Itapemirim, e sim de uma vizinha e amiga da trabalhadora. O TRT/SP
manteve o indeferimento da indenização e considerou correta
a suspeição da amiga como informante. “Não
se tratando de funcionária da empresa, é evidente que
as suas informações não seriam relevantes para
formar a convicção do juízo quanto ao assédio
sexual”, afirmou a decisão do TRT, fundamentada nos artigos
130 e 765 do CPC que dão ao magistrado “ampla liberdade
na direção do processo e poderes para indeferir provas
inúteis”.
Na tentativa de destrancar o recurso por meio de agravo de instrumento,
a empregada alegou cerceamento de defesa. Mas o relator, ministro Pedro
Paulo Manus, rejeitou o agravo pelos mesmos fundamentos adotados pelo
TRT/SP – o da prerrogativa do juiz de indeferir o depoimento
de testemunhas que considere suspeitas ou irrelevantes para a solução
do caso. “Para se chegar a outra decisão, necessário
seria revolver fatos e provas, fato obstaculizado pela Súmula
nº 126 do TST”, concluiu o ministro Manus. ( AIRR-1932/2004-072-02-40.9)
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Faltas por doença: JT manda reintegrar
soropositivo demitido por justa causa
Um cobrador de ônibus, portador de HIV e demitido por justa causa
devido à quantidade de faltas ao serviço, recebeu mais
uma decisão favorável na Justiça do Trabalho. O
recurso de revista da Viação Santa Brígida Ltda.
foi rejeitado pela Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho,
que manteve decisão que a condenou a reintegrar o trabalhador.
Para o ministro Guilherme Caputo Bastos, relator do recurso, a demissão, “além
de discriminatória, causou-lhe sérios prejuízos”,
inclusive no recebimento do benefício previdenciário.
O trabalhador foi admitido em setembro de 2002, com jornada noturna,
e demitido em abril de 2003. Por ser portador de HIV e com a doença
(AIDS) se desenvolvendo, recebeu laudo indicando a mudança de
turno para o período da manhã, para não prejudicar
sua dieta alimentar e a medicação adequada. Solicitou
a alteração à empresa, porém seu pedido
foi negado. Sua doença se agravou e ele precisou ser internado
por mais de uma semana, às vésperas da rescisão.
A empresa dispensou o cobrador por justa causa por comportamento negligente,
com o argumento do grande número de faltas. No entanto, o trabalhador
alega sempre ter apresentado atestados médicos, com as devidas
justificativas. Além da reintegração, pleiteou,
na ação reclamatória, indenização
por danos morais no valor de R$ 50 mil, não concedida pela JT.
No entanto, a determinação de reintegração
se mantém desde a primeira instância.
Ao manter a sentença, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(SP) considerou que a dispensa do empregado enfermo adquiriu caráter
obstativo (impeditivo) ao gozo do auxílio-doença previsto
no artigo 476, da CLT, e julgou nula a demissão, com base no
disposto no artigo 9° da CLT. Ressaltou que, conforme informação
de testemunha, “nem exame demissional foi realizado”. O
TRT/SP afirmou, ainda, que a dispensa não poderia ser mantida
sob o pretexto de faltas contínuas, pois a empresa “não
poderia ignorar que um portador do vírus HIV tem seu sistema
imunológico enfraquecido e, diante disto, fica vulnerável
a inúmeras doenças oportunistas”.
O Regional avaliou que a empregadora tinha ciência de que o
cobrador se submetia a “rigoroso e contínuo tratamento
de doença incurável” pelos constantes comparecimentos
do empregado ao médico e declarou, então, que o ato da
empresa “atenta contra os princípios constitucionais que
velam pela dignidade humana, pela vida e pela não discriminação”.
Por isso, concluiu que a empresa “não poderia tê-lo
dispensado, ainda mais por justa causa”.
Ao analisar o recurso da empresa ao TST, o ministro Caputo Bastos
ressaltou que era dever da empresa encaminhar o empregado ao órgão
previdenciário, para que pudesse usufruir do seu direito ao
auxílio-doença previdenciário durante o prazo
necessário ao tratamento e, constatada a incapacidade para o
trabalho, pudesse se aposentar por invalidez. O que o relator constatou,
no entanto, é que a justa causa, além de ser discriminatória, “causou
sérios prejuízos”, ao trabalhador. De acordo com
o TRT/SP, o benefício, após a dispensa, é limitado
e muito mais burocrático, “tanto que o reclamante relata
que pleiteou o benefício há três ou quatro meses
e não obteve resposta favorável”.
Para o ministro, a jurisprudência segue no entendimento de que,
nos casos de portadores do vírus HIV, “o mero exercício
imotivado do direito potestativo da dispensa faz presumir discriminação
e arbitrariedade”. Então, ao avaliar a condenação à reintegração,
o relator verificou que a decisão “não contraria
a legislação pertinente à matéria” e
está em conformidade com o entendimento do TST. Seguindo o voto
do relator, a Sétima Turma não conheceu do recurso de
revista da Viação Santa Brígida e manteve, inclusive,
multas por embargos declaratórios aplicadas pelo Regional à empresa.
( RR– 1407/2004-062-02-00.1)
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