 |
Agência Senado, 17 de dezembro de 2008
Garibaldi submete ao PMDB na quarta-feira
sua candidatura à Presidência do Senado
O presidente do Senado, Garibaldi Alves, comunica oficialmente ao PMDB,
na próxima quarta-feira (17), que é candidato a continuar
presidindo a instituição até 2011. Numa entrevista
por telefone à Agência Senado, ele disse, na manhã desta
segunda-feira (15), que ainda não comunicou ao presidente da República
seu propósito.
- Não comuniquei nada ainda ao presidente Lula. Agora não é hora,
porque estou pleiteando ainda a candidatura dentro do PMDB. Depois
que o partido me homologar como candidato, aí sim, farei as
comunicações devidas. Por ora, me considero um pré-candidato.
O líder Valdir Raupp [PMDB-RO] é quem convoca essa reunião
[de bancada] e, pelo que sei, será quarta-feira. A reunião
será na liderança [do PMDB] e, só então,
submeterei minha candidatura aos colegas.
Sobre o parecer que o jurista Francisco Rezek elabora como sustentação à possibilidade
de sua candidatura, Garibaldi disse não ter certeza de que o
documento esteja pronto até quarta-feira. Nesse parecer, Rezek
deverá defender o entendimento de que o mandato de presidente
do Senado, que se encerra a 1º de fevereiro de 2009, foi o que
elegeu, dois anos atrás, Renan Calheiros. Portanto, Garibaldi,
que não foi candidato na sucessão anterior, está livre
para disputar a Presidência da Casa para as próximas duas
sessões legislativas (fevereiro de 2009 a fevereiro de 2011).
Indagado se recebeu manifestações contrárias à sua
candidatura, Garibaldi disse que apenas ouviu falar que a líder
do PT, Ideli Salvatti (SC), estaria disposta a impugná-la. De
acordo com o presidente do Senado, essa impugnação só pode
ocorrer depois da eleição, visto que a presidência
do Senado é um assuntointerna corporis.
- Não há rito processual para que se leve um assunto
desses à Justiça. Mas também não sei o
que eles pretendem fazer. O que o PT fizer, estou pronto para oferecer
meus esclarecimentos - acrescentou ele.
Perguntado se comunicou sua candidatura a Tião Viana (PT-AC),
o candidato do PT que, até agora, era o único nome lançado
na corrida sucessória, Garibaldi explicou que, sendo de outro
partido, não lhe caberia também fazer essa comunicação
ao parlamentar petista.
|
Agência Diap, 17 de dezembro de 2008
Brasil pode levar 87 anos para
igualar salários de homens e mulheres
O estudo "Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça" divulgado,
nesta terça-feira (16), pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), mostra que, se as políticas de igualdade de gênero
não forem aceleradas, serão necessários 87 anos
para igualar salários de homens e mulheres.
A ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres,
Nilcéa Freire, comemorou a redução das desigualdades
entre homens e mulheres, mas reconheceu que é preciso acelerar
o ritmo de implementação das políticas.
"Desde as últimas Pnads [Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios], temos tido notícias boas e más
em relação às desigualdades das mulheres. A boa é que
existe redução das desigualdades no Brasil. A mais importante
seria que diminuiu a diferença salarial entre homens e mulheres",
disse a ministra.
"A má é que a velocidade não é a
que queremos. Se fizermos uma regra de três simples, projetando
os dados da Pnad para o futuro, levaríamos 87 anos para superar
a diferença salarial entre homens e mulheres", lamentou.
Na avaliação do presidente do Ipea, Marcio Pochmann,
as desigualdades de gênero estão diminuindo no país,
mas ainda são "acentuadas". Segundo ele, a diferenças
entre homens e mulheres no mercado de trabalho são conseqüência
dos modelos agrícola e pecuário que o país viveu
no passado. Para acabar com as desigualdade, disse Pochmann, é preciso
que as políticas afirmativas sejam de Estado, portanto, contínuas,
e não apenas de governos.
O estudo analisou 11 blocos temáticos sociais para traçar
um perfil das desigualdade de raça e gênero no País.
Entre os aspectos analisados estão mercado de trabalho, população,
saúde, habitação e Previdência Social.
|
Agência Diap, 17 de dezembro de 2008
Câmara instala comissão
que debaterá redução da jornada de trabalho
O deputado Vicentinho (PT/SP) será o relator da proposta de emenda à Constituição
(PEC) que trata da redução da jornada de trabalho de 44
para 40 horas semanais, sem redução de salário.
Ele assumiu o cargo indicado pelo presidente eleito da comissão
especial da jornada máxima de trabalho, deputado Luis Carlos Busato
(PTB/RS). A primeira reunião de trabalho do colegiado, instalado
nesta terça-feira (16), será no dia 10 de fevereiro do
próximo ano, após o recesso parlamentar. A sessão
legislativa de 2009, começa no dia 2 de fevereiro.
A matéria a ser analisada pela comissão especial é a
PEC 231/95, de autoria dos ex-deputados e hoje senadores Inácio
Arruda (PCdoB/CE) e Paulo Paim (PT/RS). Com a aprovação
da proposta, torna-se desnecessária a votação do
projeto de lei que está pronto para votação na Comissão
de Trabalho, desde o dia 3 de dezembro, cujo relator é também
o deputado Vicentinho. A data coincidia com a 5ª Marcha da Classe
Trabalhadora, que aconteceu em Brasília.
No dia da votação, parlamentares e trabalhadores foram
surpreendidos pela manobra regimental para que a matéria fosse
retirada de pauta para que a Comissão de Desenvolvimento Econômico
também fosse incluída na relação de comissões
determinadas para deliberar sobre o mérito do projeto, devendo
esta se manifestar antes da Comissão de Trabalho. O autor do
requerimento foi o deputado Bruno Araújo (PSDB/PE).
A comissão especial, criada pelo presidente da Casa, Arlindo
Chinaglia (PT/SP), para desfazer o imbróglio que adiou a votação
do projeto de lei, terá prazo de 40 sessões contadas
a partir de hoje (16) para analisar a matéria, elaborar e votar
o parecer do relator. Concluídas essas etapas, a proposta será encaminhada à discussão
e votação, em dois turnos, no plenário da Câmara.
Pretexto patronal
Na rápida reunião de instalação, o relator
e o deputado Deley (PSC/RJ), cotado para o cargo de um dos três
vice-presidentes, foram os únicos que falaram sobre o trabalho
da comissão. Deley alertou os parlamentares para que não
se contaminassem com o discurso do empresariado que querem usar a crise
econômica como pretexto para retirar direitos adquiridos dos trabalhadores.
O relator da matéria falou sobre a experiência adquirida
na relatoria do projeto de lei sobre o mesmo assunto que tramita na
Comissão de Trabalho da Câmara. Ele disse que analisou
43 projetos de lei sobre o tema que existem na Casa desde 1994. E manifestou
disposição de diálogo, "até que se
chegue a um entendimento", afirmou.
A proposta, que reduz a jornada de trabalho das atuais 44 horas para
40 horas semanais, que altera os incisos 13 e 16 do artigo 7° da
Constituição, também aumenta para 75% a remuneração
da hora-extra.
|
Vermelho, 17 de dezembro de 2008
Comissão desfaz manobra tucana
contra redução da jornada de trabalho
O deputado Vicentinho (PT-SP) será novamente o relator
da matéria que trata da redução da jornada de
trabalho de 44 para 40 horas semanais. Ele assumiu o cargo indicado
pelo presidente eleito da Comissão Especial da Jornada Máxima
de Trabalho, deputado Luis Carlos Busato (PTB-RS). A primeira reunião
de trabalho da Comissão, instalada nesta terça-feira
(16), será no dia 10 de fevereiro do próximo ano, após
o recesso parlamentar.
A matéria a ser analisada pela Comissão Especial é a
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de 1995,
de autoria do então deputado e hoje senador Inácio Arruda
(PCdoB-CE). Com a aprovação dela, torna-se desnecessária
a votação do projeto de lei que estava pronto para ser
votado na Comissão de Trabalho no último dia 3 de dezembro.
A data coincidia com a 5a Marcha da Classe Trabalhadora, que aconteceu
em Brasília.
No dia da votação, parlamentares e trabalhadores foram
surpreendidos pela manobra regimental do deputado tucano Bruno Araujo
(PE) fez com que a matéria fosse retirada de pauta para que
fosse incluída a Comissão de Desenvolvimento Econômico
na relação de comissões determinadas a deliberar
sobre o mérito do projeto, devendo esta manifestar-se antes
da Comissão de Trabalho.
A comissão especial, criada pelo Presidente da Casa, para desfazer
o imbróglio que adiou a votação do projeto de lei,
terá prazo de 40 sessões contadas a partir desta terça-feira – 16
de dezembro – para analisar a matéria, elaborar e votar
o parecer do relator. Concluídas essas etapas, a PEC será encaminhada à discussão
e votação, em dois turnos, no plenário da Câmara.
Pretexto do emrpesariado
Na rápida reunião de instalação, o relator
e o deputado Deley (PSC-RJ), cotado para o cargo de um dos três
vice-presidentes, foram os únicos que falaram sobre o trabalho
da Comissão. Deley alertou os parlamentares para que não
se contaminassem com o discurso do empresariado que querem usar a crise
econômica como pretexto para retirar direitos adquiridos dos
trabalhadores.
O relator da matéria falou sobre a experiência adquirida
na relatoria do projeto de lei sobre o mesmo assunto que tramitava na
Comissão de Trabalho da Câmara. Ele disse que analisou 43
projetos de lei sobre o tema que existem na Casa desde 1994. E manifestou
disposição de diálogo, “até que se
chegue a um entendimento”, afirmou.
A PEC, que reduz a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas
semanais, alterando os incisos 13 e 16 do artigo 7° da Constituição,
também aumenta para 75% a remuneração da hora extra.
De Brasília
Márcia Xavier
|
Congresso em Foco, 17 de dezembro de 2008
Reforço de R$ 19 milhões
para prefeitos eleitos
Dos 26 eleitos nas capitais, só seis
não precisaram de novos recursos após eleição
para acertar prestação de contas e escapar de
punição
Mário Coelho
Dos 26 prefeitos eleitos em outubro, 20 receberam, ao todo, R$ 19
milhões após a eleição em doações
de pessoas físicas e jurídicas ou dos comitês partidários.
A quantia representa 16,3% dos R$ 117 milhões arrecadados pelos
candidatos vitoriosos nessas cidades durante a campanha. Caso não
recebesse a injeção financeira após a disputa
das urnas, parte deles corria o risco de não poder ser diplomada
e tomar posse por conta das restrições da Justiça
eleitoral.
Em números absolutos, quem mais levantou recursos após
a eleição foi o novo prefeito de Belo Horizonte (MG),
Márcio Lacerda (PSB). Eleito em coligação com
o PT e com o apoio informal do PSDB, o ex-secretário de Desenvolvimento
Econômico de Minas Gerais recebeu R$ 6.054.093,38 após
derrotar o deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG) no segundo turno.
A maior doação que Lacerda recebeu foi de R$ 500 mil,
feita pelo diretório nacional do PSB. Com isso, ele subiu sua
arrecadação para R$ 17.545.331,61, um aumento de 34,5%.
Veja
aqui a relação completa das doações nas
capitais
Dos 15 que saíram vitoriosos já no primeiro turno, somente
cinco não registraram doações depois de 5 de outubro.
São eles os prefeitos reeleitos: Raimundo Angelim (PT), de Rio
Branco (AC); Roberto Sobrinho (PT), de Porto Velho (RO); Ricardo Coutinho
(PSB), de João Pessoa (PB); Cícero Almeida (PP), de Maceió (AL),
e Luizziane Lins (PT), de Fortaleza (CE).
Já dos 11 candidatos que tiveram que enfrentar mais três
semanas de campanha e um novo turno de eleição, somente
Duciomar Costa (PTB), reeleito em Belém, não precisou
de novos aportes financeiros após 26 de outubro.
Correria após segundo turno
Os que passaram pelo segundo turno, por sinal, são responsáveis
por mais da metade do volume arrecadado pós-eleição.
Eles conseguiram R$ 11.059.787,07 para zerar suas campanhas, enquanto
os 11 vencedores de 5 de outubro precisaram levantar R$ 8.039.053,15
para ajustar as contas.
A petista Luizianne Lins, reeleita em Fortaleza, no primeiro turno,
tem uma história curiosa. Sua coligação arrecadou
R$ 3.823.635,75 em 5 de outubro, dia da eleição. O valor
equivale a 81,1% de tudo – R$ 4.714.714,63 – que Lins recebeu
durante os meses de campanha.
Proporcionalmente, quem mais recebeu dinheiro de última hora
foi o tucano Wilson Santos, que se reelegeu em Cuiabá (MT) no
segundo turno. Até 26 de outubro, ele tinha arrecadado R$ 1.688.262,59.
Após a vitória, seu comitê recebeu mais R$ 2.300.096,17,
o que representa 57,6% dos R$ 3.988.358,76 doados.
Na seqüência, os que mais arrecadaram após as eleições,
proporcionalmente, foram Nelsinho Trad (PMDB), reeleito em Campo Grande
(MS) e que conseguiu R$ 2.026.500 (55,75% dos R$ 3.634.422,80 declarados à Justiça
eleitoral), e Roberto Góes (PDT), eleito em Macapá (AP).
O pedetista arrecadou mais R$ 784.518,78 para chegar ao total declarado
de R$ 1.881.115,09, um aumento de 41,7%.
João da Costa (PT), eleito em Recife (PE) e que correu o risco
de ser cassado pela Justiça eleitoral, teve mais R$ 1.000.831,78
para acrescentar na prestação de contas. Reeleito para
mais quatro anos em Goiânia (GO), Íris Rezende (PMDB)
declarou uma receita de R$ 3.372.388,61. Desses, R$ 1.190.000 vieram
depois da vitória nas urnas.
Baixo risco
A arrecadação de última hora serviu para zerar
a campanha e evitar prejuízo político e financeiro. Caso
o prefeito recém-eleito ou reeleito apresentasse dívidas
na prestação de contas, não seria diplomado pela
Justiça Eleitoral. Dessa maneira, não tomaria posse no
cargo.
Para o cientista político David Fleischer, o elevado percentual
de doação após as eleições reflete
um doador que quer fazer uma “contribuição de baixo
risco”. “Ele não investe sem ter a garantia de que
o candidato está eleito. E também é muito bem-vinda
para o candidato, que vai saudar as dívidas”, afirmou
o professor da Universidade de Brasília (UnB).
Doadores preferenciais
Com base nos dados divulgados pelo TSE, um em cada R$ 10 arrecadados
diretamente pelas campanhas dos prefeitos eleitos nas capitais foi
bancado pelos setores imobiliário, de construção
e engenharia. Levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo mostra
que, dos R$ 115,9 milhões captados, pelo menos R$ 12 milhões
(10,38%) saíram diretamente desses setores.
Ao contrário das eleições para governador e presidente,
em que as grandes empresas despejam altas somas em vários candidatos,
a disputa pelo comando das cidades está mais pulverizada. Os
bancos, por exemplo, doaram R$ 2.047.000 a sete prefeitos eleitos.
O que mais doou foi o Itaú, com R$ 1.225.000,00.
Receberam dinheiro dos banqueiros os prefeitos de Florianópolis
(SC), Dário Berger (PMDB), de Curitiba (PR), Beto Richa (PSDB),
de Belo Horizonte (MG), Márcio Lacerda (PSB), de Natal (RN),
Micarla de Sousa (PV), do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), de São
Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e de Campo Grande (MS), Nelsinho Trad
(PMDB).
As prestações de contas também mostram outro
fato: as doações ocultas de campanha se espalharam pelo
país. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, dos R$ 115 milhões
arrecadados pelos prefeitos eleitos nas 26 capitais brasileiras, R$
41 milhões (36%) têm origem desconhecida.
“Podemos chamar isso de caixa 1,5”, brinca David Fleischer.
Na avaliação dele, doar dessa maneira é um jeito
de disfarçar a origem do dinheiro. “É uma prática
muito comum nos Estados Unidos, onde é conhecida como ‘soft
money’, já que não é muito fácil
de comprovar sua origem”, completou o professor.
|
Folha de S.Paulo, 17 de dezembro de 2008
Comissão aprova propostas que
acabam com a reeleição
Deputados defendem mandato de cinco anos
para cargos no Executivo e no Legislativo
Após passarem pela CCJ, PECs serão
agora analisadas em comissão especial antes de votação
nos plenários da Câmara e do Senado
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em meio a bate-boca, a CCJ (Comissão de Constituição
e Justiça) da Câmara dos Deputados aprovou ontem, em votação
simbólica (sem registro nominal de votos), parecer do deputado
João Paulo Cunha (PT-SP) sobre mais de 60 propostas que tratam,
principalmente, do fim da reeleição e do tempo de mandato
no Executivo e no Legislativo.
Apesar de os 60 textos reunirem diversas propostas, o relator e a maioria
dos deputados defendem o fim da reeleição com o estabelecimento
do mandato do presidente, governadores, prefeitos, vereadores e congressistas
em cinco anos (deputados ganhariam um ano de mandato; senadores perderiam
três).
Algumas das mais de 60 PECs (propostas de emenda constitucional) aprovadas
tratam ainda da escolha dos suplentes dos senadores, da data de posse,
do voto facultativo e da coincidência das eleições
em todos os níveis da Federação, entre outros assuntos.
Dúvidas em diversos pontos, como se as novas regras valeriam para
quem está no mandato ou apenas para os futuros eleitos, serão
sanadas apenas em um texto de consenso, a ser fechado em uma comissão
especial. Esse é o próximo passo da tramitação,
o último antes da votação em plenário.
Por se tratar de emenda à Constituição, o projeto
precisa do voto de 60% dos deputados, em dois turnos. Depois, segue para
o Senado. Na comissão especial, que deve começar seus trabalhos
apenas no ano que vem, já há consenso sobre relatoria e
presidência. Em um gesto para tentar provar que não pretende
permitir a possibilidade de um terceiro mandato ao presidente Lula, governistas
aceitaram dar ao DEM a relatoria. O PT ficaria com a presidência.
Também foi retirada uma PEC que tratava da prorrogação
de mandatos já em andamento.
O esforço, no entanto, não surtiu efeito e ontem mesmo,
durante a sessão da CCJ, já houve atrito com oposicionistas
sobre a possibilidade do terceiro mandato. A polêmica surgiu quando
o DEM conseguiu, com a ajuda do PMDB, retirar três PECs que revogam
artigo da Constituição que regula a reeleição,
sem, contudo, deixar explícita a sua proibição.
Na interpretação do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), o
efeito prático dessas PECs seria o de permitir a reeleição
infinita.
O PT tentou manter as PECs, mas acabou derrotado. Para Caiado, a reação
deixou claro que o partido vai tentar uma manobra na comissão
especial. "O que ficou lúcido e transparente é que
a reação do PT foi maior do que aquilo que se esperava.
Por quê? Para tentar o 13º, 14º mandato?", questionou.
João Paulo Cunha reagiu: "O problema do Caiado e de alguns
parlamentares do DEM tem que ser resolvido em um centro espírita,
pois é lá que se resolve problemas como medo e fantasma".
Apesar da negativa do petista, o deputado Carlos Wilian (PTC-MG) já anunciou
ontem na CCJ que vai propor o terceiro mandato. No texto que segue para
a comissão, 22 PECs que explicitam o fim da reeleição
foram mantidas. Na prática, no entanto, qualquer nova sugestão
pode ser acatada agora por emendas dos congressistas.
|
Folha de S.Paulo, 17 de dezembro de 2008
EUA têm menor taxa de juros de
sua história
Fed reduz taxa de 1% para faixa entre 0%
e 0,25% para tentar reanimar economia; inflação fica
negativa pelo 2º mês seguido
Para Roubini, BC dos EUA entra em "território
desconhecido'; Krugman vê problema profundo que exige criatividade
e sorte
SÉRGIO DÁVILA
DE WASHINGTON
Disparando uma das últimas armas de seu arsenal convencional
para reaquecer a economia dos EUA, o Federal Reserve (Fed, o BC dos
EUA), baixou ontem a taxa básica de juros do país de
1% para uma banda entre 0% e 0,25%, a menor desde que a instituição
passou a compilar os índices, em 1954.
A decisão histórica de cortar os chamados Fed Funds, os
fundos federais que lastreiam empréstimos interbancários,
foi tomada na última reunião do ano do Comitê de
Política Monetária (Fomc, na sigla em inglês) e surpreendeu
analistas, que esperavam corte de meio ponto. O Fed decidiu ainda cortar
a taxa de redesconto em 0,75 percentual, para 0,5%.
O Fed sinalizou ainda que as taxas devem permanecer baixas "por
algum tempo". Os mercados gostaram, e as Bolsas subiram com força.
Baixar os juros e injetar dinheiro na economia são as duas principais
ferramentas de que o BC dos EUA dispõe para estimular a economia
de um país oficialmente em recessão há um ano. Ambas
estão no limite. A primeira chega agora ao chão -o Fed
não pode definir juros oficiais abaixo de zero. No uso da segunda
ferramenta, e apenas desde setembro, o Fed já imprimiu US$ 1,1
trilhão, ou quase o PIB brasileiro.
" O Federal Reserve vai empregar todas as ferramentas disponíveis
para promover a retomada de crescimento econômico sustentável e
preservar a estabilidade dos preços", diz declaração
do fim da reunião de dois dias, na tarde de ontem. "Em particular,
o comitê antecipa que o enfraquecimento da economia provavelmente assegurará taxas
de fundos federais excepcionalmente baixas por algum tempo."
Entre outras medidas de exceção implantadas nos últimos
meses, estão a compra de "Treasuries", os títulos
do Tesouro dos EUA, e o empréstimo direto a instituições
financeiras e empresas. "O Fed recebe nota A ou A- pelo esforço
e notas não muito boas pelos resultados", disse Alan Blinder,
economista de Princeton e ex-vice-presidente do banco central.
A decisão de ontem foi considerada a entrada em nova era de política
monetária por economistas. "O Fed entrou em território
desconhecido no momento em que uma grave estagdeflação
toma lugar", disse Nouriel Roubini, economista pessimista da Universidade
de Nova York, referindo-se à combinação de estagnação
econômica e deflação.
" Era isso o que eu temia desde que percebi que o Japão realmente
estava naquela terrível e possivelmente mítica armadilha de liquidez",
disse o colunista progressista Paul Krugman, Nobel de Economia deste ano. "Estamos
com um problema profundo. Sair dele exigirá muita criatividade e talvez
um pouco de sorte."
O temor da deflação foi confirmado pelo Índice de
Preços ao Consumidor, o principal do país, que recuou 1,7%
em novembro, a maior queda desde que o indicador começou a ser
divulgado, em 1947. A baixa sucede a de 1% no mês anterior e foi
puxada principalmente pelo setor de energia. A taxa anualizada de inflação
nos EUA ficou em 1,1% em novembro, ou 2,6 pontos percentuais menor que
a de outubro.
Já a recessão deu novos sinais de força com a divulgação
de que a construção de novas casas caiu 19% em novembro.
Enquanto o presidente eleito, Barack Obama, sinalizava que novas medidas
devem ser necessárias, a Casa Branca tentou ser otimista. Indagada
sobre o perigo de uma espiral deflacionária, a porta-voz Dana
Perino disse ser essa uma maneira de olhar o problema: "A outra é ver
que preços mais baixos são bons para os consumidores americanos,
porque isso quer dizer que você tem mais dinheiro no bolso para
gastar em outras coisas", disse. Bush deixa o poder em 34 dias.
|
Folha de S.Paulo, 17 de dezembro de 2008
Lula rejeita flexibilizar regra trabalhista
para evitar cortes
Apesar de pressão de empresários,
presidente não pretende apoiar mudança na legislação
Governo "não vai jogar a conta da crise
nas costas do trabalhador", diz Bernardo, mas vai incentivar acordos
dentro das regras da CLT
KENNEDY ALENCAR
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apesar das pressões do empresariado, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva não pretende encampar medidas de mudanças
da legislação trabalhista por causa dos reflexos da crise
econômica mundial sobre a produção e a geração
de empregos no Brasil.
" Não vejo a menor possibilidade de o governo discutir a flexibilização
das leis trabalhistas ou medidas de exceção", disse ontem à Folha
o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Segundo ele, o governo "não
vai jogar a conta da crise nas costas do trabalhador".
Em entrevista no final de semana ao jornal "O Estado de S. Paulo",
o presidente da Vale, Roger Agnelli, defendeu a flexibilização
das leis trabalhistas e falou em "medidas de exceção".
Lula, que considerou "infeliz" a expressão "medidas
de exceção", está disposto a discutir o incentivo
a acordos entre sindicatos fortes e grandes empresas para contornar os
cortes. Nesse caso, dentro dos parâmetros da CLT (Consolidação
das Leis do Trabalho), seriam negociadas alternativas.
Há no governo uma ala que defende que o FAT (Fundo de Amparo ao
Trabalhador) arque com eventual custo de um acordo coletivo, mas é uma
idéia polêmica, sugerida por empresários, e que Lula
ainda não avaliou detalhadamente.
A Folha apurou que líderes sindicais e representantes da indústria
paulista chegaram a iniciar a negociação de um "acordo
guarda-chuva" com alternativas às demissões nos setores
mais afetados pela crise. A proposta foi apresentada ao presidente Lula
com o objetivo de exigir uma contrapartida do governo ao sacrifício
dos trabalhadores e das empresas.
O presidente, segundo integrantes da negociação, pediu
que as discussões fossem suspensas até janeiro. Caso o
Planalto referendasse agora um "acordão", o discurso
pró-consumo encampado por Lula para incentivar as compras de Natal
seria prejudicado, pois evidenciaria otimismo menor do que o aparentado
pelo governo. Além disso, Lula quer aguardar a resposta às
medidas anunciadas pela equipe econômica até agora antes
de buscar remédios mais amargos.
A ala do governo que defende eventual uso do FAT para cobrir os acordos é comandada
pelo ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge. Segundo a Folha apurou,
ele defendeu que o Ministério do Trabalho examine a opção
de usar parte dos recursos do seguro-desemprego para ajudar empresas
a pagar os salários de trabalhadores que fizerem concessões
num acordo coletivo.
Quando era executivo da Volks, Jorge esteve à frente de uma negociação
em que houve redução de 20% da jornada e do salário.
Na época, dividiu-se o valor do 13º salário, do adicional
de férias e da participação nos lucros em 12 vezes
para que o empregado mantivesse o nível mensal de remuneração.
Houve contestação judicial, porque a lei não permite
essa divisão. No entanto, prevaleceu o entendimento do "acordado
sobre o legislado". Ou seja, a Justiça do Trabalho oficializou
o acordo porque ele interessava às duas partes. A sugestão
de Jorge é que, caso não se atinja a remuneração
mensal do trabalhador após a redução da jornada
e a divisão desses benefícios, o seguro-desemprego cubra
essa diferença. Obviamente, é uma medida polêmica.
Auxiliares do presidente acreditam que dificilmente ele avalizará uma
medida assim. Há complicadores políticos e legais.
Para implementá-la, seria preciso uma modificação
legal do seguro-desemprego, a ser feita por projeto de lei no Congresso.
Somente um agravamento muito forte da crise, na contramão do discurso
otimista do governo, poderia criar clima político para a aprovação.
|
Folha de S.Paulo, 17 de dezembro de 2008
Para CNI, país precisa de marco
flexível
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) propôs
ao presidente Lula a adoção de mecanismos para flexibilizar
as relações trabalhistas no país visando amenizar
os impactos da crise.
O ponto mais polêmico prevê a suspensão do contrato
de trabalho por até dez meses, período em que o funcionário
receberia seguro-desemprego, mas manteria o vínculo empregatício.
Também está sobre a mesa uma proposta de reduzir a jornada
de trabalho e conseqüentemente o valor do salário.
Outra idéia da indústria é usar a participação
em lucros e resultados como complementação dos vencimentos
e um novo marco legal que seja adaptado à terceirização.
Segundo o presidente da CNI, deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE),
Lula ouviu as idéias, mas não emitiu opinião. "O
Brasil precisa construir um marco diferente, mais flexível",
disse Neto.
Volkswagen
Por conta da queda nas vendas, a Volkswagen também quer maior
flexibilização do trabalho nas suas fábricas, o
que inclui, além do banco de horas e das férias coletivas,
redução da jornada e corte na participação
nos lucros. " Precisamos agora buscar a maior flexibilidade possível",
afirmou ontem o presidente da Volks no Brasil, Thomas Schmall.
A Volks pretende procurar os sindicatos no início de 2009 para
renegociar com os trabalhadores. " As montadoras tiveram recordes
de vendas nesses anos. Agora, a crise nem se instalou e já querem
precarizar as condições de vida do trabalhador", disse
o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio
Nobre.
(IURI DANTAS e PAULO DE ARAUJO)
|
Folha de S.Paulo, 17 de dezembro de 2008
Déficit da Previdência
deve cair pela primeira vez em 13 anos
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Com base no resultado do déficit previdenciário acumulado
até novembro, o governo reviu para baixo a projeção
para o desequilíbrio nas contas da Previdência em 2008
e afirma que, pela primeira vez desde 1995, o saldo negativo cairá ao
final deste ano. A previsão é encerrar o período
com cerca de R$ 36 bilhões no vermelho.
Pelos cálculos iniciais, o déficit chegaria a R$ 44 bilhões. "No
cenário mais otimista, trabalhamos com R$ 36,08 bilhões.
No menos, chega a R$ 36,5 bilhões. Desde 1995, a Previdência
passou a ter resultado negativo. Desde então, o desequilíbrio
só vinha subindo. Chegou a estacionar em 2001, mas agora vai cair",
declarou o secretário de Previdência Social, Helmut Schwarzer.
Segundo ele, em 2007, o déficit previdenciário atingiu
1,75% do PIB (soma das riquezas produzidas no país em um ano).
Neste ano, projeta-se 1,27%. Em valores nominais, o resultado negativo
de 2007 ficou em R$ 44,8 bilhões e, espera a Previdência,
cairá para R$ 36 bilhões, aproximadamente. A recuperação
se explica pelo bom desempenho do mercado de trabalho neste ano.
Em novembro, o rombo foi de R$ 4,224 bilhões. O número
representa um crescimento -acima da inflação- de 120% ante
outubro deste ano. Na comparação com novembro de 2007,
o aumento foi de 53,9%. Na avaliação do secretário,
o dado de novembro está distorcido por conta do pagamento de parte
do 13º salário aos aposentados e pensionistas.
No mês passado, o governo gastou R$ 1,4 bilhão com o pagamento
da segunda metade da gratificação a parte dos aposentados.
Outra parte recebeu o 13º nos cinco primeiros dias deste mês.
Em 2007, o 13º saiu integralmente em dezembro.
Com a divisão, o governo antecipou para novembro parte da despesa
de dezembro, elevando o déficit. O saldo negativo acumulado até o
mês passado pulou para R$ 38,8 bilhões. Neste mês,
a arrecadação da Previdência será turbinada
com o recolhimento das contribuições sobre o 13º,
o que deve resultar num superávit de R$ 1,8 bilhão para
dezembro.
(JULIANNA SOFIA)
|
Folha de S.Paulo, 17 de dezembro de 2008
SP faz proposta para seguro-desemprego
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A Secretaria do Emprego de São Paulo encaminha hoje ao Codefat
(Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador) uma proposta
para ampliar o seguro-desemprego. Se aprovada, a regra conhecida como "layoff" permitirá que
as empresas licenciem trabalhadores sem quebrar o vínculo de
emprego. Durante a licença, o trabalhador pode receber até dez
parcelas de R$ 700.
O secretário do Emprego de São Paulo, Guilherme Afif Domingos,
afirma que o governo federal é soberano para decidir se acata
ou não a sugestão, mas que a iniciativa precisa ser debatida.
Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical,
diz que a entidade "vai trabalhar para que a proposta do governo
de São Paulo nem entre na pauta". O presidente do conselho
gestor do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), Luiz Fernando de Souza
Emediato, é ligado à Força.
" Isso ["layoff"] não tem possibilidade. A Força
vai se colocar contra porque é como deixar o trabalhador na geladeira",
disse Paulinho.
O secretário paulista afirma que o "layoff" dá ao
trabalhador a possibilidade de enfrentar o período de desaceleração
da economia até que o país volte a crescer. Afif diz ter
apoio da UGT (União Geral de Trabalhadores), que está presente
no conselho.
Segundo estudo encomendado à Fipe (Fundação Instituto
de Pesquisas Econômicas) pela secretaria, o FAT tem condições
de absorver o impacto da medida. O fundo, formado a partir de contribuições
trabalhistas, tem patrimônio de R$ 152 bilhões.
A análise da Fipe aponta que o impacto da medida que amplia o
seguro-desemprego durante a crise financeira mundial varia de R$ 4,3
bilhões a R$ 21,5 bilhões. (VF)
|
Folha de S.Paulo, 17 de dezembro de 2008
Nova tabela para cálculo do
IR entra em vigor dia 1º de janeiro
DA REPORTAGEM LOCAL
A tabela para calcular o Imposto de Renda das pessoas físicas,
que começará a valer no dia 1º de janeiro, foi publicada
ontem no "Diário Oficial" da União. A nova
tabela acrescenta duas alíquotas (7,5% e 22,5%) às duas
existentes na tabela atual (15% e 27,5%).
A alteração na tabela foi uma das medidas do governo para
injetar mais dinheiro na economia devido à crise, aumentar o consumo,
diminuir os estoques das indústrias e manter o nível de
emprego.
O ganho máximo mensal para os contribuintes será de R$
89,42 quando se compara a tabela nova com aquela que estava prevista
para vigorar em 2009. Em um ano, o ganho máximo será de
R$ 1.162,46, já incluído o 13º salário.
Quem tem renda líquida tributável (aquela após feitas
as deduções permitidas pela legislação, como
dependentes e contribuição previdenciária) deveria
pagar R$ 526,48 pela tabela que estava prevista para valer em 2009. Com
a nova tabela, vai pagar R$ 437,06.
O ganho será maior ainda quando se compara a nova tabela com a
que ainda está em vigor. No caso, o contribuinte deixará de
pagar, no máximo, até R$ 114,12 por mês à Receita
Federal, ou R$ 1.483,56 por ano (também com o 13º salário).
Com a mesma renda, os valores são, respectivamente, de R$ 551,18
e R$ 437,06.
O valor do abatimento por dependente do contribuinte (mulher, filhos,
pais etc.) foi mantido em R$ 144,20 -esse valor já constava da
tabela que deveria vigorar para 2009.
376 mil na malha fina
Segundo a Receita Federal, 376.038 contribuintes do Estado de São
Paulo caíram na malha fina do Imposto de Renda deste ano. Mas,
em 28 de novembro, somente 182.223 ainda tinham problemas com a Receita
Federal. Foram entregues 8,3 milhões de declarações
do IR no Estado. (MC)
|
Folha de S.Paulo, 17 de dezembro de 2008
FGTS: COMISSÃO DA CÂMARA
VOTA HOJE PARECER SOBRE MUDANÇA NA LEGISLAÇÃO
A Comissão de Legislação Participativa da Câmara
vota hoje o parecer da deputada Luiza Erundina (PSB/SP), sobre a sugestão
de projeto de lei nº 71/2007, que propõe mudanças
na lei do FGTS. Uma das propostas do Instituto FGTS Fácil e da
União Geral dos Trabalhadores muda o índice que corrige
o saldo das contas do FGTS. Pela proposta, a TR (Taxa Referencial) será substituída
pelo IPCA do IBGE.
|
Notícias do Tribunal Superior do Trabalho
17/12/2008
Gerdau pagará hora extra por redução
do intervalo de almoço
Mesmo se estabelecida em norma coletiva, a redução a 30
minutos do intervalo para repouso e alimentação não é admitida
pela Orientação Jurisprudencial nº 342 do Tribunal
Superior do Trabalho. Assim, a Oitava Turma do TST determinou à Gerdau
S.A. o pagamento dos 30 minutos faltantes para o intervalo mínimo
legal de uma hora não usufruídos por um ex-funcionário
da empresa que pleiteou o tempo como hora extra.
A autorização para a prática de intervalo de
30 minutos diários para descanso e refeições nas
empresas com refeitório próprio aconteceu em instrumento
normativo de 1994, e a Gerdau, que tinha refeitório para os
funcionários, aderiu à redução. A Justiça
do Trabalho da 4ª Região (RS) indeferiu o pedido de horas
extras por considerar válida a redução.
Contratado em novembro de 1985 como operador, o trabalhador foi demitido
em fevereiro de 1996 e ajuizou a reclamatória em julho de 1997.
Para o TRT/RS não se tratou, no caso, de “pactuação
de condições prejudiciais aos trabalhadores”. Ao
contrário, entendeu estar “diante de uma clara situação
de benefício mútuo, que deve ser respeitada, tendo em
vista o princípio da autonomia da vontade”. Inconformado
com a decisão, o trabalhador recorreu ao TST.
Apesar de ter entendimento próprio no mesmo sentido do acórdão
regional, a ministra Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, relatora do recurso
de revista, seguiu a jurisprudência do TST ao analisar a questão.
A decisão do TRT/RS é conflitante com a OJ nº 342
da SDI-1, que “não admite a redução do intervalo
para repouso e alimentação por meio de norma coletiva”.
Segundo a ministra, as normas relacionadas à medicina e à segurança
do trabalho estão fora das possibilidades de negociação
dos sindicatos, “por serem de ordem pública, inderrogáveis
pela vontade das partes, e revestirem-se de caráter imperativo
para a proteção do hipossuficiente, em oposição
ao princípio da autonomia”. ( RR– 89393/2003-900-04-00.5)
(Lourdes Tavares)
|
Substituição de terceirizados:
Furnas pede desistência de dissídio no TST
A concessionária de energia Furnas Centrais Elétricas S/A
pediu hoje (16) desistência do dissídio coletivo ajuizado
em janeiro deste ano no Tribunal Superior do Trabalho contra a Federação
Nacional dos Urbanitários, o Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas
de Energia do Rio de Janeiro e Região (SINTERGIA) e o Sindicato
dos Eletricitários de Furnas e DME (SINDEFURNAS). O pedido decorre
da assinatura, em agosto, de acordo com o Ministério Público
do Trabalho, pelo qual se comprometeu a substituir, em cinco anos, 1.800
funcionários terceirizados por concursados.
O dissídio coletivo foi instaurado pela empresa, em janeiro,
diante do anúncio da realização de diversas paralisações
dos trabalhadores não-concursados, que pretendiam a suspensão
de decisão da 8ª Vara do Trabalho de Brasília (DF)
que determinou a substituição de todos os trabalhadores
terceirizados da empresa em 30 dias.
A audiência de hoje foi agendada pela ministra Kátia
Arruda, relatora do dissídio coletivo, a pedido da empresa,
que pretendia que as entidades sindicais participassem do pedido de
desistência. Nenhum representante dos trabalhadores compareceu,
e a Federação Nacional dos Urbanitários pediu
adiamento da audiência por motivos médicos – sem,
contudo, apresentar atestados. A ministra indeferiu o adiamento, e
os representantes de Furnas formalizaram o pedido de desistência
condicionado a parecer favorável do MPT, signatário do
acordo para a substituição dos terceirizados. O MPT terá cinco
dias para manifestação.
|