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Agência Diap, 18 de dezembro de 2008
Trabalhador terceirizado terá facilidade
para se aposentar
A Comissão de Trabalho aprovou e agora será analisada pela
Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara,
antes da votação no plenário da Casa, o PL 2.421/07,
do deputado Nelson Pellegrino (PT/BA), que facilita a comprovação
dos requisitos para a aposentadoria especial pelos trabalhadores terceirizados.
Essa aposentadoria é concedida ao trabalhador exposto no local
de trabalho a condições que prejudiquem sua saúde
ou integridade física.
A proposta altera a Lei de Benefícios da Previdência
Social (Lei 8.213/91) para determinar que a empresa tomadora de serviços
terceirizados também será responsável por comprovar
a efetiva exposição do trabalhador a agentes nocivos
no local de trabalho.
Co-responsável
Atualmente, somente a empregadora do terceirizado é obrigada a
fornecer documentos comprovando essa situação especial.
O deputado Roberto Santiago (PV/SP) foi o relator do parecer vencedor
favorável ao projeto de Pellegrino.
Como relator inicial da proposta, o deputado Edgar Moury (PMDB/PE)
havia elaborado um substitutivo - que foi rejeitado - tornando a empresa
tomadora "responsável subsidiária" e não "co-responsável".
Ou seja, ela só seria acionada se a empregadora não emitisse
os documentos necessários.
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NCST, 18 de dezembro de 2008
Rosalba comemora instalação
de fábrica de cerâmicas no RN
A senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) informou nesta terça-feira
(16) que a empresa catarinense Itagres confirmou nesta semana a instalação
de uma fábrica de cerâmicas em Mossoró (RN). A expectativa,
informou a senadora, é que a fábrica já esteja produzindo
no primeiro semestre do próximo ano.
Rosalba Ciarlini contou que a luta para levar a Itagres para Mossoró começou
durante o segundo mandato dela como prefeita daquela cidade. Ela informou
que o prédio da fábrica já está inclusive
construído e faltavam apenas detalhes burocráticos para
que começasse a funcionar.
Esses detalhes, disse Rosalba Ciarlini, foram solucionados esta semana
quando a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene)
liberou recursos do Fundo Constitucional do Nordeste para a compra
de equipamentos da fábrica. A senadora informou que esse foi
o primeiro empreendimento financiado pela Sudene depois que o órgão
foi recriado.
- É uma boa notícia e mostra que valeu a pena lutar,
não desistir, mesmo quando houve entraves na Controladoria Geral
da União e no Ministério da Integração
Regional - disse a senadora.
Rosalba Ciarlini destacou ainda que a fábrica deverá funcionar
como atrativo para que se instale na região um pólo cerâmico,
que trará outras empresas para Mossoró. Só a fábrica
da Itagres gerará cerca de 3.500 empregos diretos ou indiretos
na cidade, destacou a senadora.
Aliados
O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), aparteou
a senadora para destacar que as dificuldades para instalação
da fábrica só foram superadas após entendimento
entre os vários órgãos envolvidos na aprovação
do projeto.
- Com a tenacidade, a obstinação da senadora Rosalba
comemoramos a liberação, por parte da Sudene e do Banco
do Nordeste, de recursos para a instalação dessa fábrica
que será modelar, localizada em Mossoró - disse.
Garibaldi ressaltou ainda o papel da Controladoria Geral da União,
da Sudene e do Banco do Nordeste como aliados no processo que acabou "convergindo
nesse grande investimento em favor do desenvolvimento de Mossoró e
do Rio Grande do Norte".
O presidente do senado louvou a atitude da senadora Rosalba Ciarlini
e do senador José Agripino (DEM-RN) na luta pela instalação
da fábrica e pelo entendimento com os órgãos federais
e agradeceu o apoio do ministro da Integração Nacional,
Geddel Vieira Lima.
- No final, Mossoró foi quem saiu ganhando. O Rio Grande do
Norte terá um grande investimento, com a criação
de centenas de empregos, que poderão chegar aos milhares com
a criação de um pólo cerâmico na região
- afirmou.
Também em aparte, o senador Efraim Morais (DEM-PB), parabenizou
a bancada do Rio Grande do Norte que conseguiu essa vitória
para a região de Mossoró.
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Vermelho, 18 de dezembro de 2008
Lula cobra posição e
planos de Obama para a América Latina
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira
(17) que está na hora da América Latina “exigir” uma
discussão política com o presidente eleito dos Estados
Unidos, Barack Obama, para saber a relação que ele terá com
a região. "Está na hora da América Latina exigir
uma discussão política com ele [Barack Obama] para saber
qual a visão que ele vai ter na relação com a América
Latina", cobrou Lula.
Segundo Lula, os presidentes da região não podem ser
vistos como “um grupo de esquerdistas, todos revolucionários”. “Não
queremos mais Aliança para o Progresso como foi feito na década
de 1960 com o Brasil, ele [Barack Obama] tampouco pode olhar para a
América Latina como um grupo de esquerdistas, todos revolucionários,
recebendo orientação de Cuba. Já não existe
mais isso na América Latina”, disse o presidente Lula.
Aos 33 mandatários presentes no encerramento da Cúpula
da América Latina e do Caribe sobre Integração e
Desenvolvimento, realizada por sugestão do presidente Lula na
Costa do Sauípe, Bahia, o governante brasileiro afirmou que a
esquerda que fazia luta armada nas décadas de 1960 e 1970 chegou
ao poder na maioria dos países, ganhou as eleições
e hoje está no governo.
Lula disse esperar que o presidente eleito dos Estados Unidos tenha
outra visão sobre a Venezuela e que reestabeleça relações
com Cuba. “Espero que o Obama tome a decisão de reatar
relações diplomáticas com Cuba. Não existe
mais nenhuma explicação política, sociológica,
nenhum analista do mundo, um psicólogo qualquer, entenderia
porque ainda existe o bloqueio a Cuba. Será que é vingança?”.
Lula destacou que, se os encontros realizados em Sauípe não
tivessem apresentado avanços, já teria valido a pena
pela entrada de Cuba no Grupo do Rio, oficializada ontem (16). "Só o
fato do Grupo do Rio ter aprovado a volta de Cuba às instituições
e instâncias multilaterais já é um feito inusitado,
porque os que presidiram os países antes de nós não
tiveram coragem de colocar Cuba no Grupo do Rio".
América Latina sai mais forte de cúpula
Mas o fato é que a entrada de Cuba no Grupo do Rio foi apens
um dos muitos pontos positivos da reunião. Reunidos pela primeira
vez sem a presença dos Estados Unidos e da Europa, os líderes
latinos e caribenhos levantaram a voz contra os países ricos
e firmaram as bases para a criação da União da
América Latina e do Caribe.
A decisão de criar esse organismo continental, que exclui
EUA e Canadá e que pretende renegar ainda mais a Organização
dos Estados Americanos (OEA), não figura na resolução
final da 1ª Cúpula da América Latina e do Caribe.
O objetivo, segundo explicou hoje o presidente do México,
Felipe Calderón, em coletiva de imprensa após a cúpula, é que
o grupo comece a funcionar no início de 2010, coincidindo com
o bicentenário do começo do processo de independência
de vários países da região.
Calderón explicou que o futuro organismo multilateral englobará todos
os países da América Latina, desde o Rio Bravo até a
Patagônia, e contará com estrutura e funções
permanentes.
Esse impulso à integração foi a mais importante
decisão adotada pelos líderes reunidos no Brasil, que
aprovaram também uma declaração final na qual
levantaram sua voz contra os países ricos e pediram que o Primeiro
Mundo assuma sua responsabilidade perante a crise econômica.
As críticas que vieram sendo feitas pelos líderes latino-americanos
contra os países desenvolvidos e os organismos financeiros multilaterais
foram refletidas em um texto relativamente aberto, para não
desagradar nenhuma parte.
Na declaração, os líderes expressaram "grande
preocupação" com a crise financeira e lembraram
que "os países desenvolvidos foram os causadoras da crise
e devem assumir os custos de sua solução".
Os países em desenvolvimento, segundo o texto, "não
devem ser penalizados por práticas financeiras não sustentáveis",
uma idéia sobre a qual insistiram vários participantes
da cúpula, como a presidente argentina, Cristina Fernández
de Kirchner.
O documento reivindicou a participação dos países
em desenvolvimento na construção de uma "nova arquitetura
financeira internacional", com uma regulação eficiente
e transparência no funcionamento do sistema financeiro mundial.
Entre as medidas para fazer frente à crise, os líderes
encomendaram a seus ministros da Fazenda a elaboração
de uma estratégia para facilitar o pagamento de intercâmbios
comerciais com moedas locais e avaliar a experiência de uma possível
moeda comum.
A América Latina pediu também aos países ricos
regras estáveis de comércio e a eliminação
de subsídios agrícolas. Fora isso, defendeu uma reforma
das Nações Unidas para democratizar seus órgãos
principais, especialmente o Conselho de Segurança.
O crescimento da xenofobia e a discriminação preocupam
profundamente os líderes latino-americanos, que condenaram a "criminalização
dos fluxos migratórios e as medidas que atentam contra os direitos
humanos dos imigrantes".
A livre circulação de pessoas, de acordo o documento, "é tão
importante como a circulação de bens e os fluxos financeiros".
À margem da declaração final, Argentina, Venezuela
e Brasil assinaram um texto próprio de condenação
ao racismo, a discriminação e a intolerância religiosa.
Além das críticas em direção aos países
ricos, responsabilizado também pela mudança climática
e suas nefastas conseqüências para os emergentes, os líderes
reiteram sua aposta na cooperação sul-sul e se comprometem
a analisar fórmulas conjuntas para impulsionar o desenvolvimento.
Sobre política, destacaram seu compromisso com o direito dos
Estados de construir "seu próprio sistema político,
livre de ameaças, agressões e medidas coercitivas unilaterais
em um ambiente de paz, estabilidade, justiça, democracia e respeito
aos direitos humanos".
A cúpula também aprovou resoluções particulares
que pedem o diálogo para resolver o polêmico litígio
entre Reino Unido e Argentina sobre a soberania das ilhas Malvinas.
Da redação,
com agências
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Vermelho, 18 de dezembro de 2008
Os movimentos sociais diante da integração
da América Latina
Não foi por acaso que dezenas de entidades participaram, na segunda-feira
(15), da Marcha pela Unidade Latino-Americana e Caribenha. Principal
ato de convergência entre as diversas cúpulas que ocorrem
desde sexta-feira (12) em Salvador, a animada passeata – com cerca
de 10 mil participantes – ratificou a adesão e as expectativas
dos movimentos diante de um continente cada vez mais livre e soberano.
“É importante que os jovens da América Latina possam se unir
neste momento para construir uma saída soberana para a crise”, afirma
Lúcia Stumpf, diretora nacional da UJS (União da Juventude Socialista)
e presidente da UNE. Segundo ela, essa saída tem de garantir investimentos
na juventude e na educação
A Oclae (Organização Continental Latino Americana e
Caribenha de Estudantes) assumirá o compromisso de articular
tais interesses na região em meio às transformações. “A
juventude, através da Oclae, vai marchar unida, a partir dessas
cúpulas até o Fórum Social Mundial, direcionando
todas as nossas forças para enfrentar cada debate e construir
caminhos comuns”, diz Lúcia.
Outro entusiasta é Rubens Diniz, membro do Cebrapaz (Centro
Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz) e integrante
da comissão que organizou a Cúpula dos Povos do Sul. “A
integração latino-americana já faz parte das lutas
dos movimentos sociais do continente. Não só os governos
mas também os movimentos precisam estabelecer seus projetos – ver
qual modelo de desenvolvimento e integração nós
queremos.”
Para Rubens, a representatividade da comissão organizadora
do encontro demonstra essa preocupação. “A cúpula
integrou entidades que compõem a CMS (Coordenação
dos Movimentos Sociais), centrais sindicais, movimentos estudantil,
comunitário, de mulheres, de negros e pela paz, além
de organizações internacionais, como a rede Aliança
Social Continental – da qual participam movimentos da América
Latina e do Caribe.”
Artur Henrique, presidente da CUT, avaliou que a marcha de segunda-feira
foi “um ato extremamente importante, bastante representativo,
que mostrou a unidade do movimento sindical” na região.
De acordo com Artur, “as centrais sindicais brasileiras assumiram
a posição de vanguarda da organização da
classe trabalhadora no Brasil e da luta por uma integração
que tenha como centro o desenvolvimento econômico, com distribuição
de renda, respeito ao meio ambiente e valorização do
trabalho.”
Ressalvas
Apesar de apoiarem a luta pela unidade latino-americana e caribenha,
alguns segmentos apontam insuficiências. É o caso dos
trabalhadores do campo e do movimento negro. “Somos a favor da
integração, mas ficaríamos mais contemplados se
os debates se aprofundassem nos temas da soberania alimentar e da agricultura
familiar”, declara João da Cruz, secretário de
Políticas Agrícolas da Fetag-BA (Federação
dos Trabalhadores na Agricultura da Bahia).
Membro da coordenação nacional da Unegro (União
de Negros pela Igualdade), Vicente Silva dos Santos também pondera
sobre a articulação dos movimentos na região. “Ainda
não podemos dizer que a pauta do movimento negro está contemplada.
Falta uma visão mais clara, mais límpida, do que os negros
precisam no Brasil, na América Latina e no Caribe.”
De Salvador,
André Cintra
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Congresso em Foco, 18 de dezembro de 2008
Dinheiro público à deriva
Mais de R$ 70 bilhões em convênios
envolvendo prefeituras, estados, ONGs e governo federal estão
sem fiscalização

Lúcio Lambranho e Eduardo Militão
Enquanto o governo promete aumentar a fiscalização dos
repasses feitos às prefeituras, estados e ONGs, por meio do
Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse
(Siconv), mais de R$ 70,3 bilhões em transferências dessa
natureza estão sem o devido controle.
É que o revela levantamento exclusivo feito pelo Congresso
em Foco sobre mais de 79 mil convênios registrados no Sistema
Integrado de Administração Financeira (Siafi). Os dados
se referem aos repasses federais feitos desde que o Siafi foi criado,
em 1987, até o último dia 8 de dezembro, e demonstram
que o governo acumula um passivo de convênios sem fiscalização
a cada ano.
Para se ter uma idéia, dos R$ 3,3 bilhões em convênios
inadimplentes, apenas R$ 267 milhões (8%) são objeto – como
prevê a Instrução Normativa da Secretaria do Tesouro
Nacional (STN) 1, de 1997 – de tomada de contas especial, instrumento
adotado pela administração pública após
o esgotamento de todas as medidas administrativas para tentar reparar
os prejuízos causados aos cofres públicos.
MEANDROS DA BUROCRACIA
Convênios com problemas não são investigados
(em R$ bilhões)
Problema
|
Total
|
Sem tomada de contas
|
%
|
| Inadimplentes |
1.115.086.423,71
|
937.431.605,94
|
84,1%
|
| Inadimplência
suspensa |
2.209.839.282,49
|
2.120.286.785,11
|
95,9%
|
| Sem
prestação de contas* |
50.716.406.324,46
|
50.716.406.324,46
|
100%
|
| Sem
prestação analisada* |
16.617.190.323,60
|
16.587.230.508,42
|
99,8%
|
| TOTAL |
70.658.522.354,26
|
70.361.355.223,93
|
99,6%
|
OS CONVÊNIOS PROBLEMÁTICOS
Inadimplentes – Com
inadimplência suspensa
Sem
prestação de contas – Sem
prestação de contas analisada
*Não há necessidade de investigação,
mas sequer houve a fase preliminar: o recebimento das prestações
e a análise dos documentos. Fonte: Congresso em Foco, com base
em dados do Siafi
Uma das quatro modalidades de convênios problemáticos
analisadas pelo site diz respeito às entidades que já entregaram
as prestações de contas, mas que ainda aguardam a análise
do órgão que repassou o dinheiro. Nessa modalidade, houve
um aumento de R$ 4,1 bilhões entre 2007 e 2008 dos recursos
sem as análises determinadas pela IN 1/1997.
No relatório de atividades de 2007, o Tribunal de Contas da
União (TCU) incluiu nessa categoria de repasses esquecidos (média
de 5,4 anos de atraso) um total de R$ 12,5 bilhões. No levantamento
feito pela reportagem, o valor subiu para R$ 16,6 bilhões em
um total de 48.416 convênios (veja
a tabela com as transferências nessa situação).
Pela IN 1/97, a partir da data do recebimento da prestação
de contas, o órgão repassador tem 60 dias para se pronunciar
sobre a aprovação ou não dos documentos apresentados
por quem recebeu o dinheiro do governo. Na prática, a papelada é esquecida
nas gavetas dos ministérios e autarquias, pois a maioria dos órgãos
transfere mais recursos do que sua capacidade de fiscalizar, segundo
técnicos do orçamento ouvidos pelo site.
Só para se ter uma noção do problema, entre as
prestações de contas já recebidas mas ainda não
analisadas, existem 45 convênios cujo fim da vigência acabou
ainda durante o governo José Sarney (1985–1989). Eles
somam R$ 39.213,20. O passivo segue pelos governos seguintes. Juntas,
as gestões de Fernando Collor e Itamar Franco (1990–1994)
deixaram para trás 1.213 convênios com valor de R$ 49,35
milhões.
Os dois mandatos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002)
resultaram em mais de R$ 4 bilhões – quantidade superior
a 10 mil convênios. A maior parte – mais de R$ 12 bilhões
em recursos e 27 mil convênios – se referem ao atual governo.
Quase a metade do dinheiro sem análise teve o fim da vigência
ainda em 2006.
Sem alarde
Para tentar se livrar desse passivo e acabar com a responsabilidade
dos ministérios pelo descumprimento de uma determinação
do próprio governo, o Executivo publicou, sem alarde, uma portaria
que arquiva os convênios mais antigos. Segundo o Ministério
do Planejamento, trata-se da Portaria Interministerial 24, de 19 de
fevereiro passado.
A norma autoriza o arquivamento dos processos relativos aos convênios
e contratos de repasse que tenham prazo de vigência encerrado
até 25 de julho de 2002, valor registrado até R$ 100
mil e cuja prestação de contas tenha sido apresentada
até 31 de julho de 2007. A portaria é assinada pelos
ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, da Fazenda, Guido Mantega,
e da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage.
Segundo um dos técnicos do orçamento ouvidos pelo site,
a portaria não pode ser comparada à anistia para as entidades
filantrópicas sem investigação (leia
mais), pois convênios antigos custam mais para serem fiscalizados
do que o próprio valor do repasse, mas é um "atestado
de incompetência gerencial" do governo.
Burocracia
Do total de R$ 70,6 bilhões de convênios sem controle,
a maior parte (R$ 52,4 bilhões ou 10.867 convênios) também
foi esquecida nas gavetas da burocracia. Mas como essas prestações
de contas ainda não foram entregues, esses convênios estão
fora da norma do governo (veja
a tabela com as transferências nessa situação).
O levantamento do Congresso em Foco identificou outras 3.892 transferências
para convênios (cujo valor soma R$ 1.773.432.009,76) que estão
dentro do prazo de 60 dias para a entrega da prestação
de contas, conforme a instrução normativa da STN. No
entanto, mais de R$ 20 bilhões em 1.272 convênios já tiveram
sua vigência encerrada há mais de dois anos, o que demonstra
que o governo federal segue sem condições de cobrar que
sejam enviadas as prestações de contas.
Ainda segundo a portaria, está vedado o arquivamento dos convênios
quando esses estiverem submetidos a tomada de contas especial ou se forem
objeto de denúncia. Mas, nesse ponto, a norma do governo também
se revelou inócua, pois existe um número grande de transferências
que já deveriam estar sob a tomada de contas. Novamente, o governo
foi omisso.
Contas rejeitadas
Ao todo 9.291 convênios, que somam R$ 1,1 bilhão de repasses,
tiveram a prestação de contas rejeitada e constituem
o grupo da chamada inadimplência efetiva. O montante repassado
deveria ser devolvido caso fosse confirmada a má aplicação
dos recursos após a tomada de contas especial. A instituição
que recebeu o convênio está impedida de receber recursos
federais até a regularização.
Só que, pelo artigo 38 da IN 1/97, o ministério ou órgão
federal que repassou o dinheiro deveria tomar medidas para tentar reaver
o dinheiro quando "não for apresentada a prestação
de contas no prazo de até 30 dias concedido em notificação
pelo concedente".
Mas, de acordo com o levantamento exclusivo do Congresso em Foco,
apenas 929 convênios (10% do total e R$ 177.654.817,77) têm
tomadas de contas já instauradas. O restante ficou sem uma apuração
mais cuidadosa. São 8.632 convênios cuja vigência
terminou entre 1984 e 2008, com o prazo já vencido para a instauração
do procedimento.
Inadimplência suspensa
Para completar o quadro de convênios sem a análise devida,
estão os que estão com inadimplência suspensa.
São 14.757 transferências de dinheiro, representando R$
2,2 bilhões de repasses cuja prestação de contas
foi rejeitada. A inadimplência referente a R$ 137 milhões
foi suspensa por decisão judicial, na maioria dos casos, porque
o gestor responsável pela irregularidade não é o
atual dirigente atual da instituição. Caso, por exemplo,
de ex-prefeitos.
Nessa modalidade, todos os convênios, segundo instrução
da STN, também deveriam ter tomada de contas especial instauradas,
mas só 400 convênios com valor de R$ 89 milhões,
ou seja, apenas 2,7% do total, já estão nessa fase de
apuração.
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Congresso em Foco, 18 de dezembro de 2008
Senado aprova PEC dos Vereadores
Depois de liberar a pauta com a aprovação
de duas medidas provisórias, o Senado esperou a última
sessão deliberativa do ano para aprovar seis propostas de
emenda à Constituição (PEC) na madrugada desta
quinta-feira (18). Ou seja, considerando-se que a Carta Magna possui
56 emendas constitucionais (veja
a íntegra), os senadores apreciaram em apenas uma noite
nada menos que 10,7% do número de emendas em vigência
(excluídas as "de
revisão", que são seis).
A mais polêmica foi a apreciação da chamada “PEC
dos Vereadores” (PEC 20/08), que, acompanhada pelos próprios
interessados (os suplentes de vereadores, que tomarão posse
com a aprovação), provocou discussões acaloradas
entre os senadores. A PEC foi aprovada por 54 votos a 5, e uma abstenção
(em primeiro turno), e por 58 votos a cinco, e nova abstenção
(em segundo turno), e será promulgada nesta quinta-feira (18),
uma vez que já foi apreciada pelos deputados, entrando em vigor
imediatamente.
Em linhas gerais, a PEC 20 amplia de 51.748 para 59.791 o número
de vereadores do país (diferença 7.343 – ou 14,1%
de ampliação de vagas). A matéria altera a proporcionalidade
de vereadores em relação à quantidade de habitantes
de cada município. Assim, os menores municípios (até 15
mil habitantes) teriam nove e os maiores (até 8 milhões)
55 vereadores.
A despeito do aumento de vagas nas câmaras legislativas, não
haverá aumento de gastos com o custeio dos novos postos. Isso
porque foi excluído do texto, por meio de acordo de líderes,
o artigo segundo da PEC, exatamente o que definia o repasse extra de
verbas. O entendimento também possibilitou a quebra de prazos
regimentais (interstícios), com a conseqüente realização
de sessões extraordinárias consecutivas – pelo
regimento interno, uma PEC deve ser analisada em cinco sessões,
em primeiro turno, e mais três em segundo.
O debate se tornou atribulado quando o senador Aloizio Mercadante
(PT-SP), observando o período de crise financeira internacional,
sugeriu uma emenda à PEC determinando que as câmaras municipais
ficassem proibidas de aumentar os gastos com as novas vagas em 2009,
em comparação com as despesas registradas em 2008. A
idéia não chegou a ser analisada pelos senadores, uma
vez que, caso fosse aprovada, a alteração voltaria para
o exame dos deputados.
Outras PECs
Por 58 votos favoráveis e uma abstenção, os senadores
aprovaram a PEC 12A/04, que regulariza a situação de
57 municípios que estavam ameaçados de extinção.
Em outubro, foi aprovada pelos senadores uma proposta que, além
manter a criação dos 57 municípios, estabelece
critérios para criação, incorporação,
fusão, desmembramento e instalação dos entes.
Com a aprovação da PEC 12A/2004, fica validada a criação
dos municípios antes das novas regras. A nova emenda será promulgada
ainda hoje (18) em sessão do Congresso.
No início deste mês, a Câmara aprovou a matéria
por unanimidade, mas com alterações, o que forçou
seu retorno ao Senado (leia).
Outra PEC aprovada há pouco pelos senadores foi a PEC 56/0,
que regulamenta a aposentadoria dos trabalhadores da área de
extrativismo vegetal. A matéria, que ainda será encaminhada
para a apreciação dos deputados, estabelece que os homens
poderão se aposentar aos 65 aos, enquanto as mulheres, aos 60.
Porém, essa idade-limite pode ser reduzida em cinco nos casos
em que a atividade seja exercida em regime de economia familiar.
Também foram aprovadas as seguintes proposições:
– a PEC dos Precatórios (12/06), que institui o regime
especial de pagamento de precatórios (dívida judicialmente
imposta à Fazenda Pública), que recebeu alterações
e volta à Comissão de Constituição e Justiça;
– a PEC 22/06, que altera as regras de composição
do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A proposta, que segue
para a Câmara, estabelece que o presidente do Supremo Tribunal
Federal será representante natural da corte no CNJ;
– e a PEC 07/08, que transfere da União para o Distrito
Federal a competência de organizar e manter a estrutura de sua
Defensoria Pública, como feito em outros entes federativos.
Aprovada por unanimidade, a matéria segue para a Câmara.
(Fábio Góis e Rodolfo Torres)
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Gazeta do Povo, 18 de dezembro de 2008
Educação básica
STF garante piso nacional de R$ 950
a professores
Brasília - O Supremo Tribunal Federal decidiu ontem
manter, com ressalvas, a aplicação da Lei 11.738, de
julho de 2008, que fixa o piso salarial de R$ 950 para professores
em todo o país. Pelo texto, o piso deve ser adotado em todos
os municípios até 2010. Mas a carga horária
será estabelecida pelos estados e municípios até o
julgamento do mérito da ação – que não
tem data para ocorrer.
A aplicação da lei foi questionada, na Suprema Corte,
por governadores de cinco estados: Paraná, Ceará, Mato
Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Com a decisão
de ontem, os governadores tiveram vitória parcial na ação
ajuizada no STF.
Na prática, segundo especialistas, as ressalvas feitas pela
Suprema Corte afetam as condutas dos governos estaduais e municipais,
que terão liberdade para fixar quais os porcentuais que os professores
terão de ficar em sala de aula.
Apenas os ministros Ellen Gracie e Celso de Mello não participaram
da sessão do STF. Para os ministros Carlos Alberto Menezes Direito
e Cármen Lúcia, os estados e municípios é que
devem definir a carga horária a ser estabelecida para cada professor.
O ministro-relator da ação, Joaquim Barbosa, rejeitou
os argumentos contrários à fixação do piso
salarial nacional e seguiu as ressalvas apresentadas por Direito e
Cármen Lúcia.
Os governadores do Mato Grosso do Sul, de Santa Catarina, do Paraná,
do Rio Grande do Sul e do Ceará reagiram à lei. Para
eles, o texto fere a Constituição e estabelece regras
que não são claras. Em defesa da lei, o advogado-geral
da União, José Antônio Dias Toffoli, afirmou que
o texto foi submetido à votação no Congresso e
foi aprovado. Toffoli se referiu ao fato de o Congresso reunir parlamentares
de todo o país, inclusive dos estados que questionam a validade
da lei.
Reação
No Paraná, o governador Roberto Requião se manifestou
contra o piso nacional de professores e enviou, por iniciativa própria,
um outro projeto de lei específico para o estado. De acordo
com a proposta enviada à Assembléia Legislativa, o piso
paranaense fica em R$ 1.392.
Requião defende que o estabelecimento de um mínimo em
todo o país fere a autonomia dos estados e, no caso do Paraná,
impede o afastamento dos professores para reciclagem. Segundo o governador,
no formato exigido pela lei federal, seria necessário pagar
hora atividade de 30% aos professores, o que inviabilizaria o programa.
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Gazeta do Povo, 18 de dezembro de 2008
Trabalho
Empresas pressionam por leis mais flexíveis
Volkswagen sinaliza demissões caso
os sindicatos não aceitem sua proposta. Apesar dos pedidos,
governo descarta mudar a CLT
Empresários brasileiros estão pressionando governo e
sindicatos por uma flexibilização das leis trabalhistas.
De acordo com os empregadores, as medidas serviriam para que a crise
não os obrigue a demitir funcionários em 2009. Algumas
das propostas são a redução da jornada, associada
a salários mais baixos, e a suspensão do contrato de
trabalho por um prazo de dez meses – o dobro do permitido pela
lei atual.
Entre as companhias instaladas no Paraná, a Volkswagen foi
a primeira a anunciar publicamente a intenção de discutir
o assunto. A montadora quer flexibilizar a jornada por meio de banco
de horas, vinculando a carga de trabalho à demanda do mercado.
A idéia não agrada ao Sindicato dos Metalúrgicos
da Grande Curitiba (SMC), que representa os funcionários da
fábrica de São José dos Pinhais.
O presidente da Volks do Brasil, Thomas Schmall, afirmou que “quem
for mais flexível corre menos risco de demissão”.
Em entrevista a jornais de São Paulo, o executivo disse que
sua proposta foi bem recebida pelo sindicato do ABC paulista, mas que
as negociações estariam mais difíceis com o sindicato
de Taubaté (SP) e com o SMC. Para Schmall, “não
faz sentido trabalhar o ano inteiro da mesma forma se vendermos muito
menos no primeiro trimestre”.
Para o primeiro-secretário do SMC, Jamil Dávila, Schmall
foi “injusto” com os trabalhadores de São José.
A unidade emprega cerca de 3,6 mil pessoas e, ao menos por enquanto,
não demitiu em razão da crise. Outras três empresas
paranaenses do setor automotivo – Volvo, Bosch e Case New Holland – dispensaram
quase mil pessoas em menos de um mês.
“Flexibilizar não é apenas questão de banco
de horas”, diz Dávila. “Desde 2007, os operários
trabalharam em mais de 60 dias que seriam de folga, como sábados
e domingos, além de estender em duas horas a jornada diária.
Fomos, sim, muito flexíveis quando o mercado estava em alta.
E agora, que está em baixa, aceitamos estender as férias
para compensar depois.”
Recusa
Recentemente, empresas como Vale e Companhia Siderúrgica Nacional
(CSN) também pediram regras mais flexíveis. Na terça-feira,
a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou
uma proposta oficial ao governo – que, no entanto, não
pretende mexer na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT),
segundo disse ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega. “Não
estamos estudando mudanças na CLT. Apostamos, sim, nas negociações
feitas entre trabalhadores, patrões e sindicatos para impedir
demissões.”
A maioria dos sindicalistas e alguns economistas também são
contrários à flexibilização. “Retirar
direitos ou diminuir salários vai no sentido inverso do crescimento
do país”, diz o presidente da Central Única dos
Trabalhadores no Paraná (CUT-PR), Roni Barbosa. “É preciso
atacar o problema pelas causas corretas. E reduzir jornadas e salários é retirar
dinheiro de circulação, é reduzir a demanda justamente
em meio à crise”, afirma Anselmo Santos, pesquisador do
Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp.
Referindo-se à redução da carga e dos salários,
o presidente do Conselho Estadual do Trabalho do Paraná, Carlos
Zimmer, diz não ser contra “uma saída que preserve
empregos”, mas exige contrapartidas. “A questão
pode até ser discutida, desde que seja acertada com todas as
categorias. E desde que seja em caráter temporário, voltando à normalidade
na seqüência e vinculada à manutenção
do emprego.”
O especialista em Economia do Trabalho José Márcio Camargo,
economista da Opus Gestão de Recursos e professor da PUC-Rio,
afirma que 2009 “será um ano de aumento do desemprego,
de uma forma ou de outra”. Mas diz que a postura rígida
dos sindicatos pode resultar em mais demissões. “Se eles
aceitarem flexibilizar, o desemprego pode crescer menos. Caso contrário,
certamente crescerá mais.”
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Gazeta do Povo, 18 de dezembro de 2008
Trabalho
Parcelas extras do seguro-desemprego
vão custar R$ 1,1 bi
O presidente do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador
(Codefat), Luiz Fernando Emediato, informou que o FAT poderá dispor
de até R$ 1,1 bilhão – que equivale a 10% da reserva
técnica do fundo – para arcar com o pagamento de mais duas
parcelas adicionais do seguro-desemprego. Essas parcelas seriam destinadas
aos trabalhadores demitidos de determinados setores onde o Ministério
do Trabalho apontar que está havendo um número anormal
de dispensas em razão da crise financeira. De acordo com o Ministério
do Trabalho, esse volume de recursos seria suficiente para atender com
mais duas parcelas do seguro-desemprego até 1 milhão de
trabalhadores demitidos.
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Gazeta do Povo, 18 de dezembro de 2008
Trabalho
Para Fiep, Brasil pode ter crescimento
nulo em 2009
O Brasil poderá ter crescimento nulo em 2009 caso não tome
medidas mais agressivas, como a redução da taxa de juros,
para conter a desaceleração econômica, segundo o
presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep),
Rodrigo da Rocha Loures. A indústria paranaense, fortemente influenciada
pelo agronegócio e pelo setor automotivo, deve ser uma das mais
afetadas pela crise. Para ele, o governo federal está trabalhando
apenas “topicamente” para conter os efeitos do choque global. “ Poderemos
viver um cenário de recessão. E recessão é pior
do que inflação”, afirmou Rocha Loures, que defende
também a desoneração da folha de pagamento e do
investimento das empresas.
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Folha de S.Paulo, 18 de dezembro de 2008
Parlamento da União Européia
rejeita maior jornada de trabalho
Proposta permitiria a ampliação
do teto de 48h para 65h semanais no bloco
MARCELO NINIO
DE GENEBRA
O Parlamento Europeu rejeitou ontem uma proposta para permitir a ampliação
da jornada semanal de trabalho para além do teto atual, de 48
horas. A idéia, enviada ao órgão após aprovação
pelos ministros do Trabalho dos 27 países da União Européia,
era flexibilizar o limite e permitir a negociação entre
empresários e trabalhadores para aumentar a jornada semanal
para até 65 horas.
O princípio da jornada semanal máxima de 48 horas seria
mantido, mas os países-membros poderiam acionar uma cláusula
de não-participação ("opt-out", no jargão
do Parlamento), se o trabalhador aceitasse trabalhar mais tempo. Para
os defensores da proposta, os trabalhadores sairiam ganhando com uma
regulação mais frouxa. Mas a maioria dos deputados concluiu
que a cláusula estenderia as horas de serviço, mas não
necessariamente os benefícios trabalhistas.
Com a rejeição da proposta, o Parlamento tem agora 90 dias
para chegar a um acordo sobre as novas normas com o Conselho Europeu
(instância na UE dos governos nacionais). A eurodeputada Ilda Figueiredo,
do Partido Comunista Português, comemorou a decisão.
" A proposta punha em risco cem anos de conquistas fundamentais do trabalhador",
disse à Folha. Para ela, "o mais correto seria o oposto do sugerido
pelo Conselho Europeu, ou seja, a redução da jornada sem perda
de salários, para permitir a criação de mais empregos".
Cortes na jornada de trabalho têm sido defendidos por empresários
de vários países, como forma de reduzir custos e evitar
demissões em massa por causa da crise. Os empregadores, porém,
propõem que os salários também encolham.
O governo britânico, um dos principais defensores do "opt-out",
prometeu continuar sua campanha pela flexibilização. A
rejeição da proposta "não é o fim da
história", disse o ministro das Relações de
Trabalho, Pat McFadden. "A liberdade de opção nas
horas de trabalho tem funcionado no Reino Unido e em outros países",
disse.
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Folha de S.Paulo, 18 de dezembro de 2008
FAT tem R$ 1 bi para parcela extra
do seguro-desemprego
Número de meses de recebimento, que é de
três a cinco, pode ser ampliado para sete
Dinheiro será usado para pagar parcelas adicionais
a até 1 mi de trabalhadores que venham a ser demitidos por causa
da crise mundial
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O FAT (Fundo de Amparo ao Trabalho) dispõe de um "colchão" de
R$ 1,1 bilhão para pagar parcelas adicionais do seguro-desemprego
a até 1 milhão de trabalhadores que venham a ser afetados
por demissões em massa provocadas pela crise. Ontem, o Ministério
do Trabalho anunciou a criação de uma ferramenta para
monitorar setores que registrem níveis de desemprego fora do
padrão.
A legislação permite que desvios ou anormalidades na média
de demissões de um determinado setor levem à ampliação
do seguro-desemprego em duas parcelas extras ao trabalhador (hoje são
pagas de três a cinco parcelas, mas há previsão para
pagamento de até sete). As prestações extras precisam
ser aprovadas pelo Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo
ao Trabalho), que tem entre seu membros o ministro do Trabalho, Carlos
Lupi.
" O FAT tem um bom "colchão", mas imaginamos que não
será necessário usar tudo. O FAT não deixará de amparar
ninguém em nenhuma circunstância", disse Luiz Fernando Emediato,
presidente do Codefat. Segundo ele, propostas para ampliação do
seguro-desemprego ou da Bolsa Qualificação -conhecida como "lay
off", onde há suspensão do contrato de trabalho, em vez de
demissão- para dez parcelas dependem de mudança na lei.
O secretário de Emprego e Relações do Trabalho de
São Paulo, Guilherme Afif Domingos, enviou ao Codefat estudo da
Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas)
para adoção do "lay off" pelo prazo de dez meses.
O secretário de Políticas Públicas de Emprego do
ministério, Ezequiel Nascimento, disse que uma medida nesse sentido
requer decisão de governo e aprovação pelo Congresso.
Comparação
Com o monitoramento, o governo avaliará o desempenho de nove setores
de atividade, que poderão ser desdobrados em mais de 600 classes.
A idéia é analisar os números do emprego em cada
Estado em relação aos últimos 12 meses, ao acumulado
do ano e aos últimos anos (desde 2003).
Para o diretor do Departamento de Emprego e Salários do ministério,
Rodolfo Torelly, o mecanismo permitirá a comparação
de um setor com ele mesmo. "Vamos definir um corte, mas já trabalhamos
com a hipótese de, com variação negativa acima de
30%, sugerir ao Codefat adotar medidas", disse Torelly. O prazo
de variação, acrescentou o diretor, pode ser dos últimos
três meses.
Em reunião ontem, o conselho aprovou a liberação
de R$ 10 bilhões -sendo R$ 4 bilhões em recursos novos-
para financiar investimentos de micro e pequenas empresas a partir de
janeiro de 2009.
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Folha de S.Paulo, 18 de dezembro de 2008
Acordos flexibilizam direitos trabalhistas
Sindicatos já aceitam reduzir jornada
e adiar reajuste e apóiam suspensão do trabalho com
manutenção do vínculo empregatício
Na Zona Franca de Manaus, cerca de 1.000 demissões
foram evitadas com adoção de sistema em que o Estado
arca com dispensa
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
DA AGÊNCIA FOLHA
Enquanto o debate sobre flexibilização dos direitos
trabalhistas ganha corpo, a redução da jornada, o adiamento
de reajustes e o "layoff" -suspensão do trabalho com
manutenção do vínculo empregatício- já estão
na mesa de negociações de empresas e sindicatos.
A concessionária Alta VW procurou o Sindicato dos Comerciários
de São Paulo, na última segunda, para negociar a redução
de 20% nos salários dos funcionários com a respectiva diminuição
da jornada.
" Enfrentamos dificuldades para pagar dívidas, inclusive o 13º.
Em razão disso, procuramos o sindicato. Não é a melhor alternativa,
mas assim conseguimos manter o nível de emprego", disse a gerente
de RH da Alta VW, Zenaide dos Santos. Ela diz que a rede emprega cerca de 320
pessoas.
O Sindicato dos Comerciários de São Paulo recebeu ao menos
quatro solicitações nas últimas semanas para negociar
flexibilidade, afirma seu presidente, Ricardo Patah. A postergação
do aumento salarial fechado em setembro e a revisão do percentual
de ajuste estão em negociação. "Estamos negociando,
mas com critério", disse Patah.
O Sindicato dos Químicos de São Paulo fechou acordo com
a Müeller, fabricante de componentes plásticos para a indústria
automotiva. Segundo Helio Rodrigues de Andrade, diretor do sindicato,
a empresa demitiu 100 trabalhadores e instituiu o "layoff" para
200: os funcionários ficarão parados até cinco meses
e receberão o salário líquido, sem recolhimento
do FGTS e do INSS e sem vale-transporte. Enquanto isso, fazem cursos
de qualificação.
O presidente do Sindicato da Construção Civil de São
Paulo, Antonio de Sousa Ramalho, também admite a possibilidade
de "layoff". Segundo Ramalho, hoje a entidade se reúne
com representantes da Temon, que faz montagens industriais, para negociar
flexibilizações.
O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba não conseguiu
evitar 350 demissões na Case New Holland, mas obteve acordo para
manter o plano de saúde dos demitidos até fevereiro de
2009 e o pagamento integral da PLR (Participação nos Lucros
e Resultados).
A CUT e a Força Sindical aceitam negociar com as empresas para
evitar mais demissões neste ano e em 2009. " A CUT é contra
qualquer retirada de direito, mas a gente não é contra
discutir saídas contra a demissão", diz Adi Lima,
secretário-geral da CUT-SP. João Carlos Gonçalves,
secretário-geral nacional da Força, diz que a entidade
orienta os trabalhadores a evitar demissões "a qualquer custo".
Para Roberto Della Manna, diretor do departamento sindical da Fiesp (Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo), a negociação
direta entre empresa e sindicato pode trazer riscos. "Não
se pode negociar com segurança sem o respaldo da Justiça
do Trabalho e do Ministério do Trabalho. Falta segurança
jurídica. Esse tipo de negociação pode acarretar
um passivo trabalhista oculto."
Zona Franca
Cerca de mil demissões foram evitadas desde outubro na Zona Franca
de Manaus graças a um mecanismo que a CNI (Confederação
Nacional da Indústria) quer ver ampliado. O sistema está previsto
na legislação trabalhista e, diferentemente das férias
coletivas, é oneroso para o Estado.
A CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) prevê que
o contrato de trabalho do empregado possa ser suspenso por um período
de dois a cinco meses. Nesse tempo, ele recebe a chamada Bolsa Qualificação,
modalidade do seguro-desemprego, paga pelo governo.
A empresa é obrigada a custear, durante todo o período
em que ele estiver suspenso, um curso de capacitação. Depois,
o empregado volta ao trabalho. A CNI defende que a suspensão de
cinco meses seja ampliada para dez meses.
(PAULO DE ARAUJO, VERENA FORNETTI,
BRENO COSTA)
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Folha de S.Paulo, 18 de dezembro de 2008
TRABALHO
Mudança no FGTS é aprovada
em Comissão
DA REPORTAGEM LOCAL
A Comissão de Legislação Participativa da Câmara
aprovou ontem, por unanimidade, o parecer da deputada federal Luiza
Erundina (PSB/SP), sobre a sugestão de projeto de lei nº 71/2007,
que propõe alterações na lei do FGTS.
Agora, o texto será encaminhado ao presidente da Câmara,
deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que determinará seu envio
para uma comissão, provavelmente a de Tributação
e Finanças da Câmara.
A sugestão de projeto de lei foi elaborada pelo Instituto FGTS
Fácil e pela União Geral dos Trabalhadores. Das oito propostas
feitas, cinco foram aprovadas por Erundina.
A principal sugestão muda o índice que corrige o saldo
das contas do FGTS -a TR (Taxa Referencial) será substituída
pelo IPCA do IBGE.
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Última Instância, 18 de dezembro
de 2008
Pagamento de temporários
devem ser base de cálculo de PIS e Cofins
Valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos
sociais de trabalhadores temporários não podem ser excluídos
da base de cálculo do PIS e da Cofins. O entendimento é do
ministro Francisco Falcão, da 1ª Turma do STJ (Superior Tribunal
de Justiça).
De acordo com informações do STJ, os ministros julgaram
procedente o recurso da Fazenda Nacional contra Aleph Serviços
Temporários.
A Fazenda Nacional interpôs recurso especial contra decisão
do TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região, com o
argumento que os valores pagos aos empregados de empresas locadoras
de mão-de-obra não podem ser deduzidos das receitas das
empresas para o cálculo do PIS (Programa de Integração
Nacional) e da Confins (Contribuição para Financiamento
da Seguridade Social).
Consta nos autos que a empresa prestadora de serviços de locação
de mão-de-obra temporária impetrou mandado de segurança
em 2005, objetivando apenas o reconhecimento de seu direito líquido
e certo de recolher o PIS e a Cofins somente sobre a taxa de administração
cobrada das empresas tomadoras de serviços, excluindo os valores
recebidos do pagamento dos salários e encargos sociais do trabalhadores.
Em apelação ao STJ, a Fazenda Nacional sustentou violação
do CPC (Código de Processo Civil) e da Lei 9.718/98 por omissão
e obscuridade quanto à apreciação das questões
suscitadas, uma vez que valores pagos aos empregados por locadoras
de serviço não podem ser deduzidos das receitas das empresas.
O relator do processo, ministro Francisco Falcão, afirmou que,
com a edição da Lei 9.718/98, definiu-se que as contribuições
para o PIS e Cofins devidas pelas pessoas jurídicas de direito
privado seriam recolhidas com base no cálculo na receita bruta,
independentemente do tipo de atividade exercida.
O ministro afirmou, ainda, que os valores recebidos dos trabalhadores
temporários não podem ser excluídos do PIS e Cofins
devido ao principio da legalidade. Seguindo o entendimento do relator,
a Turma, por maioria, acolheu o recurso da Fazenda Nacional.
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