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Agora SP, 20 de dezembro de 2008
Orçamento 2009: Congresso dá aumento
de 6,22% a aposentados
Aposentados e pensionistas do INSS que recebem um benefício maior
que o salário mínimo têm, por enquanto, reajuste
garantido de 6,22% em fevereiro. O aumento, que não prevê reajuste
real (acima da inflação), integra o Orçamento de
2009, aprovado nesta quinta-feira (18), no Congresso Nacional.
Com o reajuste, o teto dos benefícios, de R$ 3.038,99, passará para
R$ 3.228,01.
Os aposentados vão receber o reajuste no pagamento feito em
março. Para o salário mínimo (e para quem recebe
o piso), o Orçamento prevê um reajuste de 11,98% -o valor
deverá ir de R$ 415 para R$ 464,71 em fevereiro.
As centrais sindicais ainda negociam com o governo alterações
nesses índices, principalmente no caso dos aposentados que ganham
acima do piso. O ministro da Previdência, José Pimentel,
já disse que pretende dar aumento maior a esses segurados -que
somam cerca de 8,4 milhões.
Por enquanto, a inflação nos últimos 11 meses,
pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor),
o indexador oficial das aposentadorias, está em 6,17%. É preciso
considerar 11 meses porque a aposentadoria teve aumento, neste ano,
em março, e, em 2009, terá em fevereiro. De março
até agora, o índice acumulado é de 4,94%. Para
ter o índice fechado, será preciso esperar as inflações
de dezembro e de janeiro.
Se a inflação superar os 6,22% , o aumento, de qualquer
forma, terá de ser maior.
Em janeiro, o governo deverá acelerar as negociações
com os sindicalistas, já que estão em análise
na Câmara dois projetos que alteram os benefícios do INSS. "Os
aposentados estão dispostos a brigar por aumento melhor",
disse Warley Gonçalves, presidente da Cobap (confederação
de aposentados). Em janeiro, está programada uma série
de protestos.
A despesa mensal com os benefícios do INSS deverá subir
de R$ 16,3 bilhões para R$ 17,7 bilhões.
O Orçamento
Além do reajuste, o Orçamento de 2009 manteve praticamente
o mesmo volume de despesas do projeto apresentado em agosto, mas a União
prepara contingenciamento de R$ 20 bilhões. Isso porque, na conta
final, houve queda de apenas R$ 2 bilhões entre a proposta de
R$ 608 bilhões enviada pelo governo e a aprovada ontem.
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Agência Informes, 20 de dezembro de
2008
Plano de Defesa Nacional tem
destaque para Amazônia e pré-sal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou
nesta quinta-feira (18), no Palácio do Planalto, o
decreto de lançamento da Estratégia Nacional
de Defesa, que estabelece diretrizes e ações
de médio e longo prazos para reformular e dinamizar
o setor de defesa do País. Entre os principais objetivos
está a reorganização das Forças
Armadas e a reestruturação da indústria
brasileira de material de defesa, além da reformulação
da política de composição dos efetivos
das três Forças – Exército, Marinha
e Aeronáutica.
O plano prevê prioridade para as fronteiras do país
e a Amazônia, assim como as áreas onde estão as
reservas de petróleo do pré-sal. Além do aumento
de efetivo, dos atuais 17.000 para 25.000 militares na região,
o plano prevê maior presença da Marinha na foz do Rio
Amazonas, com navios-patrulha e navios-transporte, equipados com helicópteros
adaptados para operações na água. Haverá ainda
uma base naval do mesmo porte da do Rio, que concentra 80% do efetivo
e abriga todas as embarcações de guerra que o Brasil
tem hoje.
O deputado Carlos Zaratini (PT-SP) disse que o novo plano vai recuperar
o papel das Forças Armadas brasileiras. “O setor estava
necessitando de um novo direcionamento. O plano anunciado resgata o
papel dessas importantes instituições para a segurança
da nação brasileira”, disse. Zaratini destacou
os investimentos na indústria naval brasileira. “Está em
curso a construção de um submarino nuclear e de caças
para as a Força Aérea, projetos que qualificam a indústria
nacional e ajudam substancialmente no desenvolvimento científico
e tecnológico do País, beneficiando toda a população”,
afirmou.
Dissuasão
O deputado José Genoino (PT-SP) enfatizou a importância
da iniciativa do governo Lula: “O Plano Nacional de Defesa sustenta-se
na necessidade de redefinir nossa concepção de defesa
nacional. Hoje, ela deve estar baseada na dissuasão, na mobilidade,
na flexibilidade e na possibilidade de uma integração
cada vez maior entre Exército, Marinha e Aeronáutica,
tanto na preparação e no emprego de recursos e equipamentos,
quanto no acesso às tecnologias de ponta”. Para ele, a
iniciativa é estratégica, pois estabelece parâmetros
e diretrizes claras para a defesa nacional, “atualizando-os frente
aos paradigmas e exigências da nova geopolítica global
e regional, fortalecendo o poder decisório do País”.
O deputado Praciano (PT-AM) disse que o plano veio em boa hora e
ressaltou a importância do aumento do efetivo e de investimentos
em equipamentos das Forças Armadas para melhorar o monitoramento
na Amazônia brasileira. “Precisamos assegurar a soberania
territorial brasileira, a defesa das nossas riquezas, especialmente
da biodiversidade, dos rios e das florestas da Amazônia. Essa
região não pode ocupar um papel secundário no
plano de defesa nacional”, afirmou. De acordo com o petista,
a reorganização desse setor trará muitos benefícios
para o País.
Eixos
A Estratégia Nacional de Defesa pretende modernizar a estrutura
nacional de defesa atuando nos três eixos estruturantes: reorganização
das Forças Armadas, reestruturação da indústria
brasileira de material de defesa e política de composição
dos efetivos das Forças Armadas. A reestruturação
da indústria brasileira de material de defesa tem por objetivo
assegurar que o atendimento das necessidades de equipamento das Forças
Armadas apóie-se em tecnologias sob domínio nacional.
Revezamento.
A Estratégia pretende também orientar a relação
da sociedade com suas Forças Armadas e discutir a composição
dos efetivos militares – e sua conseqüência sobre o
futuro do Serviço Militar Obrigatório. O propósito é manter
a obrigatoriedade do serviço militar inicial para os homens e
zelar para que as Forças Armadas reproduzam, em sua composição,
o patrimônio humano da Nação. O Serviço Militar
Obrigatório deve funcionar, portanto, como espaço republicano,
tendo em seus quadros representação social e geográfica
semelhante à que se verifica na população.
O plano não trata de recursos orçamentários para
reequipar as três Forças Armadas, reorganizar a indústria
de defesa e ampliar a qualificação dos recrutas. No entanto,
estão previstas alterações legais para torná-lo
realidade. Uma é a criação de uma estrutura, a Secretaria
de Material de Defesa, que concentrará a aquisição
de equipamentos e coordenará pesquisas em tecnologias.
Comitê ministerial
O Plano foi elaborado por um comitê ministerial, presidido
pelos ministro Nelson Jobim e coordenado pelo ministro Mangabeira Unger.
O Comitê foi integrado ainda pelos ministros do Planejamento,
Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo; da Fazenda, Guido
Mantega; e da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, além
dos comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.
Segundo o presidente Lula, o Plano será uma peça extremamente
importante para o Brasil, como um exemplo de paz, concórdia
e desenvolvimento na América do Sul. Especialmente no momento
em que o País defende a idéia de criar um conselho de
defesa da América do Sul, para atuar em uma política
de solidariedade com os países vizinhos.
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Contas Abertas, 20 de dezembro de 2008
Bolsa Família terá em
2009 a maior verba desde sua criação
O Orçamento da União para 2009, aprovado nesta quinta-feira
(18) no Congresso Nacional, mostra que o principal programa social do
governo Lula, o Bolsa Família, vai ter a maior verba desde que
foi lançado, em 2004. No próximo ano, o programa vai contar
com um orçamento de quase R$ 12 bilhões, o que representa
um crescimento de 10% sobre a atual dotação do programa,
que este ano é de R$ 10,9 bilhões.
Se comparado a 2006, por exemplo, o crescimento no montante de recursos
previsto ao programa em 2009 é 34% superior ao registrado naquele
ano.No Projeto de Lei do Executivo que chegou ao Congresso Nacional
o montante previsto para o Bolsa Família era de pouco mais de
R$ 12 bilhões. Mas o programa sofreu decréscimo de R$
52,7 milhões e foi aprovado em cerca de R$ 11,9 bilhões.
A meta do governo federal é atender cerca de 11,1 milhões
de famílias no ano que vem. Hoje, o Bolsa Família já beneficia
quase 11 milhões de lares com o repasse de aproximadamente R$
840 milhões mensais àqueles que se encontram em situação
de pobreza ou miséria.A atual gestão governamental já indicou
inúmeras vezes a sua preocupação com a manutenção
dos programas sociais do governo. Prova disto é que, apesar
da crise financeira que começou a apontar reflexos no país,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia declarado
que nada seria obstáculo para o bom andamento destes programas. “A
gente pode até não aumentar o benefício. Mas podem
ter certeza que não haverá crise no mundo que me faça
tirar um centavo dos pobres”, assegurou o presidente.
Em outubro, o programa social completou cinco anos de existência.
Mais de R$ 41 bilhões já foram desembolsados com o Bolsa
Família.O montante é superior, por exemplo, ao orçamento
global autorizado para o Ministério da Educação
este ano, R$ 40,6 bilhões. Desde o seu lançamento em
2003, metade dos recursos gastos com o programa foi destinada à região
Nordeste. De acordo com o governo, essa verba tem contribuído
para que o país alcance patamares inéditos no enfrentamento
da pobreza e da fome.
Em se tratando de estado, o Bolsa Família, desenvolvido pelo
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
(MDS), tem o maior número de famílias beneficiadas na
Bahia. De acordo com o órgão, quase 1,4 milhão
de famílias são contempladas no estado, o que corresponde
(baseando-se em uma média de quatro pessoas por família)
a 5,6 milhões de pessoas ou 40% da população baiana.
Outros estados como São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco também
contam com os maiores índices de famílias cadastradas
no programa Bolsa Família.
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Vermelho, 20 de dezembro de 2008
Serraglio entra no páreo e cresce
chance de 2º turno na Câmara
Conforme já havia cogitado, o deputado Osmar Serraglio
(PMDB-PR) lançou nesta sexta (19) sua candidatura avulsa à presidência
da Câmara dos Deputados, deixando o quadro da disputa imprevisível.
O lançamento aconteceu um dia depois que Michel Temer (PMDB-SP)
comemorava a retirada do candidato Milton Monti (PR-SP). Ele acompanhou
a determinação do seu partido que formalizou apoio
ao peemedebista.
Osmar Serraglio, que comanda a Primeira Secretaria, responsável
por toda a administração da Casa, é uma figura
respeitada pelos seus colegas e aposta na sua experiência na
Mesa e no trabalho realizado para se eleger presidente.
Numa coletiva à imprensa, o candidato disse que pesou na sua
decisão o trabalho de corpo-a-corpo que fez nos gabinetes dos
deputados nas últimas duas semanas. Diz que as intenções
de votos foram manifestadas apenas pelas lideranças dos partidos.
Como o voto é secreto, ele acredita que sua candidatura é viável.
Com Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e Ciro Nogueira (PP-PI) na disputa, agora
são quatro candidatos com bastante representatividade na Casa,
o que leva aos concorrentes a apostarem na realização
de segundo turno.
No Senado, caso o PMDB não abra mão de lançar
candidato e garanta o seu apoio a Tião Viana (PT-AC), a situação
de Temer pode se complicar ainda mais. Nesse cenário, é improvável
que os petistas continuem lhe apoiando.
No blog de Josias de Souza desta quinta, um dos líderes do
PSB teria declarado que questionou o presidente Lula sobre a possibilidade
de o PMDB comandar as duas Casas. Diz o blogueiro que Lula saiu-se
com um comentário sintomático: "Se isso acontecer,
o Temer pode não ter nem cinco votos do PT."
O PMDB lançou a candidatura de Garibaldi Alves (RN) na última
quarta com 17 votos favoráveis dos 20 senadores do partido no
Senado. O atual presidente da Casa apresentou pareceres de juristas
atestando que ele cumpriu um mandato tampão e não concorre
a reeleição, o que a legislação não
permite.
Para os senadores petistas o lançamento de Garibaldi é um
atestado de que o PMDB não tem candidato na Casa. A líder
do partido Ideli Salvatti (SC), que já manifestou a intenção
de questionar judicialmente a candidatura de Garibaldi, disse que se
o partido tivesse candidato apresentaria um com viabilidade.
Influenciado pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL), um grupo de senadores
do partido vai insistir na tese da candidatura própria. O nome
de José Sarney (AP) foi o mais trabalhado, mas ele só aceitaria
retornar ao cargo numa política de consenso.
Líder do PSB demonstra otimismo
Diante do quadro estabelecido nas duas Casas, o líder do PSB
na Câmara, Rodrigo Rollemberg (DF), considerou que as candidaturas
de Aldo Rebelo e Ciro Nogueira permanecem “muito fortes”.
“Nós temos quatro candidatos que têm muita credibilidade
na Casa e muitos relacionamentos. Existe um clima de desejo de mudanças
na condução dos trabalhos (...) A única coisa
certa é que nós teremos segundo turno e aí será uma
nova eleição com características bem diferentes”,
argumentou ao Vermelho.
Ele confidenciou que já esperava a retirada da candidatura
de Milton Monti por falta de segurança do próprio candidato.
Prevê que os votos do PR vão migrar para candidaturas
alternativas como a de Aldo e Ciro.
No seu entendimento o grupo de deputados que apoiava Monti não
está disposto a apoiar uma candidatura que reflita a continuidade,
como a de Temer. “Embora tenha sido formalizado o apoio do PR
ao blocão, os votos da bancada não se transferem automaticamente.
Portanto acho que nós vamos ter bastantes novidades nisso”,
considerou.
De Brasília,
Iram Alfaia
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Vermelho, 20 de dezembro de 2008
Lula diz que ainda não conversou
com Dilma sobre 2010
O presidente da República, Luiz Inácio Lula
da Silva, afirmou nesta sexta-feira, durante café-da-manhã com
jornalistas no Palácio do Planalto, que nunca conversou com
a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sobre sua possível
candidatura para sucedê-lo em 2010. “Podem ficar surpresos
que nunca conversei com a Dilma sobre candidatura porque quando conversar
vai ser definitivo. Já insinuei muito. Ela não tem
resistências dentro do PT. Estou vendo como ela se comporta,
vendo como os partidos reagem. Ela é uma pessoa extremamente
gabaritada para assumir o cargo. Mas só isso não basta.”
Entretanto, o presidente ressaltou que é necessário
que a ministra se “exponha” mais na mídia para ter
maior visibilidade diante da população. “É preciso
ter mais disposição de dar mais entrevistas. Assunto é o
que não falta para ela falar, e conhecimento também não”,
disse.
A última pesquisa CNT/Sensus, divulgada na semana passada
pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), mostrou
que 50,4% da população conhecem ou já ouviram
falar na ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ainda segundo a pesquisa,
43,9% votariam em Dilma Rousseff para presidente da República
se ela tiver o apoio do presidente Lula. Outros 30,1% responderam que
não votariam de forma alguma na ministra e 16,3% votariam se
a conhecessem melhor.
Para o presidente a falta de conhecimento da população
sobre a ministra Dilma não é um problema. “Ela
[Dilma] é a mais preparada para ocupar o cargo. Dilma tem todo
o tempo do mundo para ser conhecida aqui e lá fora. Com as inaugurações
do PAC no ano que vem ela pode se tornar conhecida. Vou inaugurar 100
escolas técnicas”, completou.
Terceiro mandato descartado
O presidente também comentou sobre os boatos que circulam
na mídia sobre uma eventual tentativa de buscar uma nova reeleição.
Segundo Lula, não há hipótese de disputar um terceiro
mandato presidencial em 2010 e também de voltar ao cargo em
2014. No início da semana, a Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou o parecer do deputado
João Paulo Cunha (PT-SP) recomendando o fim da reeleição
para titulares dos Executivos federal, estadual e municipal. A comissão
retirou do texto três PECs (propostas de emenda constitucional)
que abriam brecha para reeleições sucessivas do chefe
do Poder Executivo.
“ Todo mundo quer ser presidente. Dizem que envelhece, é espinhoso,
deixa o cabelo branco, mas todo mundo quer. E quem está aqui
não quer sair. Não trabalho com a idéia absurda
que alguns companheiros falam de voltar em 2014. Juscelino (ex-presidente
Juscelino Kubitschek) achou que voltava e não voltou",
disse Lula. Segundo ele, ex-presidente não deve dar palpites. "Ex-presidente
deve ficar calado. Só falar quando for chamado. Todo ex-presidente
tem muito telhado de vidro", afirmou.
Lula descartou ainda a possibilidade de se candidatar a senador da
República. "O presidente tem que ter a noção
exata do cargo que exerceu. Não pode ficar por aí disputando
cargo. Não voltarei ao Parlamento", disse.
Perguntado sobre as recentes pesquisas que apontam recorde de aprovação
ao seu governo, o presidente disse que é "sensível",
mas que "não se deixa seduzir" pelos índices
de popularidade que conquistou. "Sou uma pessoa sensível,
mas não me deixo seduzir, porque quem sobe pode cair. Como não
posso passar de 100%, a tendência será de cair. Mas eu
não deixo o ego subir. Porque se eu deixar subir, quando cair
pode bater o desespero", disse.
Disputas na Câmara e Senado
O presidente também comentou sobre a disputa para as presidências
do Senado Federal e da Câmara dos Deputados. Lula lamentou que
ainda haja indefinição na sucessão da presidência
das duas casas legislativas. “Pensei que o jogo estava definido
com o companheiro Tião [Viana (PT-AC)] no Senado e o deputado
Michel Temer (PMDB) na Câmara”, disse.
Na última semana, a bancada do PMDB no Senado lançou
o nome do atual presidente, senador Garibaldi Alves (RN), à reeleição,
a revelia da expectativa de que, tendo lançado Temer na Câmara,
o comando do Senado ficaria com o PT.
Sobre a candidatura de Garibaldi, Lula afirmou ter dúvidas
sobre a legalidade do processo. Isso porque a Constituição
Federal impediria que o presidente assumisse a presidência em
mandatos subseqüentes. “Conversei com vários juristas.
Isso [a reeleição] não pode acontecer legalmente”,
avaliou Lula.
Mesmo reconhecendo a indefinição, Lula ressaltou ser
necessário que os eleitos tenham a ‘respeitabilidade’ e
a ‘credibilidade’ de seus liderados e alertou para o cuidado
necessário para resolver os impasses entre as maiores bancadas
das duas Casas, para que não terminem com a eleição
de “um novo Severino”. “Não podemos incorrer
no erro do passado quando o resultado da falta de bom senso foi a eleição
de Severino”, avaliou o presidente, se referindo a eleição
do então deputado Severino Cavalcanti, em 2005, que sete meses
depois renunciou à presidência e ao mandato. Eleito pelo
chamado baixo clero, Severino era acusado de receber dinheiro de um
dono de restaurante instalado na Casa para favorecer seus negócios.
América Latina
Ao comentar a relação do Brasil com as nações
latino-americanas, o presidente disse aos jornalistas que o Brasil
não pode "se estressar" com países vizinhos
como Equador, Paraguai e Bolívia. Ao comentar a decisão
anunciada, mês passado, do presidente equatoriano Rafael Correa
de suspender pagamento de uma dívida com o Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Lula disse que "mantém
uma boa relação com ele" e que "o impasse já foi
solucionado.
Lula disse esperar que, até o dia 29 deste mês, o Equador
pague uma nova parcela da dívida. Ele disse ter "certeza" de
que, tanto neste caso com o Equador quanto nas reclamações
do governo paraguaio e o desejo de aumentar o valor da energia de Itaipu
que o Paraguai tem direito e que repassa, o Brasil tem razão.
O presidente relatou que encontrou nesta semana na Costa do Sauípe,
na Bahia, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que disse
que pretende manter boas relações com os Estados Unidos. "Espero
que o (Barack) Obama tenha ouvidos", disse.
Lula demonstrou que o trabalho do governo brasileiro de intermediar
as relações entre países latino-americanos com
os Estados Unidos está em "um momento de mais facilidade." Ele
disse, por exemplo, que ontem foi até surpreendido com a proposta
apresentada pelo presidente cubano Raúl Castro, de trocar presos
políticos em Havana por cinco agentes do serviço de inteligência
de Cuba detidos em Miami há dez anos por espionagem. "Quem
fez a pergunta arrancou uma novidade", disse. "Obama vai
ter um papel de ajudar a América Latina, até para evitar
a imigração", disse.
Lula afirmou que o Obama deve agir em três frentes rapidamente, "para
não ser engolido pela máquina." A primeira delas
seria ajudar os países da América Latina, porque "se
eles crescerem haverá mais emprego e com isso diminuirá a
migração para os Estados Unidos." Outra frente seria
mudar a política com o Oriente Médio. Para o presidente, "do
jeito que está, nunca haverá paz". Isto porque,
segundo ele, "o Hamas não senta na mesa de negociações,
e por isso nunca vai obedecer o que for acordado." A terceira
frente seria apoiar o crescimento no mundo. Para Lula, os Estados Unidos
deveriam ajudar todos a crescerem, "porque assim diminuirá a
pressão contra eles."
Questionado sobre em quem jogaria os sapatos, numa referência
ao episódio em que um jornalista iraquiano atirou seus sapatos
contra o presidente norte-americano, George W. Bush, Lula disse que "não
daria sapatada em ninguém." Ele acredita, porém,
que a partir de agora haverá mais dificuldades para os repórteres,
com a possível colocação de vidros entre os jornalistas
e os entrevistados. Os seguranças, brincou, deverão exigir
também sapatos mais "cheirosos e leves", para não
machucar ninguém. Lula brincou também ao dizer que acha
que os entrevistados "têm direito de dar sapatada, também,
em quem fizer pergunta tola."
Da redação com agências
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Folha de S.Paulo, 20 de dezembro de 2008
Lula diz que ainda testa Dilma e que
não quer voltar em 2014
Presidente afirma que ministra é "gabaritada",
mas que só isso não é suficiente
Lula critica a falta de acordo na disputa pelas
Mesas da Câmara e do Senado e diz que é preciso evitar
erro que "levou à eleição do Severino"
SIMONE IGLESIAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que ainda
está testando politicamente a ministra Dilma Rousseff (Casa
Civil) para escolhê-la como sua candidata em 2010. Segundo ele,
a ministra é extremamente "gabaritada", mas falta
a ela traquejo político.
Ao mesmo tempo em que trabalha para construir seu sucessor, Lula rejeitou
a possibilidade de concorrer a cargos políticos. E aproveitou
para cutucar seus antecessores: "Ex-presidente dará contribuição
extraordinária se souber ficar quietinho". Afirmou também
que não voltará ao Congresso.
Sobre a eventual candidatura de Dilma, foi taxativo: "Ela é extremamente
gabaritada [para ser presidente]. Mas só isso não basta.
Estou observando, vendo como ela se comporta, como os partidos reagem".
Como sugestão para que a ministra decole, Lula disse que ela deveria
falar mais com a imprensa. As declarações do presidente
foram dadas em café da manhã com jornalistas.
Informado da pouca paciência da ministra com entrevistas, desconversou: "Nunca
entrevistei a Dilma. Comigo ela sempre foi simpática". Lula
se esquivou de falar em um plano B à sua sucessão, mas
disse que "nomes não faltam, porque todo mundo quer sentar
aqui [na sua cadeira]". Lula disse que ainda não conversou
com a petista sobre ela ser candidata, porque, quando o fizer, "vai
ser definitivo".
Ele tratou como absurda a tese de que concorrerá a presidente
em 2014. Disse esperar "estar vivo até lá" e
sair do governo em posição privilegiada, de modo que aliados
queiram sua presença na campanha. " Não trabalho com
a hipótese absurda de alguns companheiros de sair agora [2010]
e voltar em 2014. Juscelino Kubitschek [1956-1961] pensou que iria voltar
e não voltou. Ex-presidente não deve dar palpite sobre
governo, só deve falar quando for consultado, porque ex-presidente
tem telhado de vidro", declarou.
CONGRESSO
" Eu pensei que o jogo já estivesse definido", disse, em referência às
candidaturas de Tião Viana (PT-AC), à presidência do Senado,
e de Michel Temer (PMDB-SP), à presidência da Câmara. Em seguida,
criticou o lançamento de vários nomes. Lula afirmou que, "do
ponto de vista das liberdades individuais", todo mundo pode concorrer. Mas "poder",
reforçou, é uma coisa. Outra é que os escolhidos precisam
ter "credibilidade" para liderar. "Não podemos incorrer
no mesmo erro do passado, quando o resultado da falta de bom senso levou à eleição
do Severino [Cavalcanti]. Quando pulveriza muito, dá problema, não
se pode sair atirando para tudo que é lado."
Severino foi eleito presidente da Câmara em 2005, quando o PT se
dividiu em duas candidaturas. Poucos meses depois, renunciou sob acusação
de recebimento de propina de um servidor da Casa. Em março deste
ano, Lula afirmou que a oposição foi a responsável
pela queda do deputado. "Elegeram o Severino. Não levou muito
tempo e perceberam que ele não era oposição, e trataram
de derrubar o Severino com a mesma facilidade com que o elegeram. Aquela
parte da elite paulista e do Paraná, [aqueles] que te convidavam
para fazer palestra toda semana para falar mal de projetos, hoje, se
te encontram na rua, não cumprimentam. (...) Continuo tendo o
mesmo respeito hoje que eu tinha por você há muito tempo",
disse o petista em março.
Quanto a Garibaldi Alves (PMDB-RN), que busca a reeleição
no Senado, Lula disse que consultou juristas e que ele não pode
concorrer.
VEREADORES
O presidente se mostrou contrário à PEC (proposta de emenda
constitucional) que aumenta o número de vereadores. A emenda foi
aprovada no Senado e, depois, barrada na Câmara. "Não
são 7.000 vereadores que vão resolver os problemas das
cidades."
SAPATADA
Lula brincou com a possibilidade de que os presidentes passem a lançar
sapatos contra os repórteres quando fizerem perguntas inconvenientes.
Depois, soltou uma gargalhada e respondeu que não jogaria sapato
em ninguém. "Se a moda pegar, as empresas vão ter
que fazer sapatos mais leves e cheirosos. Ou então teremos que
conceder entrevistas protegidos por vidros blindados."
POPULARIDADE
Lula disse que não é um "insensível",
mas que procura não comentar resultados das pesquisas porque não
se deixa "seduzir" quando aparece com índices favoráveis. "Meu
ego não cresce um milímetro, porque se o ego cresce quando
sobe pode bater o desespero quando cai."
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Folha de S.Paulo, 20 de dezembro de 2008
Senadores têm desprezo pela opinião
pública
FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A farra do aumento de vagas de vereadores passou no Senado na madrugada
de quarta para quinta-feira por uma razão simples: historicamente,
aquela Casa se sente imune à opinião pública.
Com mandatos de oito anos, os senadores votam projetos impopulares
com mais desenvoltura que os deputados, cujos mandatos são de
apenas quatro anos.
Na Câmara, o cenário é mais complexo. Os deputados
já haviam aprovado a medida, mas o presidente da Casa, Arlindo
Chinaglia (PT-SP), decidiu não assinar a promulgação
da emenda constitucional. Alegou em público que os senadores deturparam
o projeto ao não terem votado um limite nos gastos.
A última preocupação de Chinaglia foi com as contas
públicas nas cidades brasileiras. O petista estava mais interessado
em tentar salvar um pouco sua imagem e ganhar alguma notoriedade política
após uma gestão sem brilho na terceira cadeira mais importante
na hierarquia da República.
Não foi à toa Chinaglia ter escolhido o dia de ontem, ainda
sob os holofotes por causa da recusa em promulgar a farra dos vereadores,
para falar em público o que há meses sussurrava em conversas
reservadas: seu desejo de ser candidato ao governo paulista em 2010.
Ele já havia tateado o terreno ao tentar, sem sucesso, ser indicado
candidato do PT à Prefeitura de São Paulo. Apesar de ocupar
cargo de presidente da Câmara, seu desempenho nas pesquisas nunca
passou de inexpressivo 1%. Chinaglia não fez grandes amizades
nem construiu relações políticas para alavancar
sua carreira. Tampouco optou por avançar com assuntos polêmicos
aos deputados, mas que o deixariam bem com a opinião pública.
Quando assumiu sua cadeira, em fevereiro de 2007, a emenda constitucional
que acabava com o voto secreto de deputados (inclusive na cassação
de mandatos) estava pronta para ser votada, depois de ter sido aprovada
em primeiro turno. Chinaglia nunca conseguiu levar o assunto adiante.
Uma de suas maiores obras foi a chamada Lei Seca, mas o assunto só começou
a tramitar na Câmara porque o Planalto baixou medida provisória.
Como ato final de seu mandato, a decisão de Chinaglia de não
promulgar a farra dos vereadores foi inócua. O TSE já havia
indicado que a medida não valeria a vereadores que tomam posse
agora no início do ano. Ou seja, haverá tempo para o Congresso
levar o assunto adiante para a eleição de 2012.
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Folha de S.Paulo, 20 de dezembro de 2008
Setor de infra-estrutura terá mais
R$ 5 bi do FGTS
Será o segundo repasse em apenas
uma semana
DA SUCURSAL DO RIO
Depois dos R$ 5 bilhões da semana passada, o Conselho Curador
do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) aprovou ontem
o repasse de mais R$ 5 bilhões para investimento em projetos
de infra-estrutura. As verbas saem do FI-FGTS (Fundo de Investimento
do FGTS), nascido no fim de 2007 com aporte de R$ 5 bilhões
e que já liberou, neste ano, R$ 15 bilhões.
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou no Rio que, entre os projetos
contemplados, estarão o novo terminal no porto de Santos, a hidrelétrica
de Santo Antônio, no rio Madeira, e a reforma na malha ferroviária
da América Latina Logística. " A criação
desse fundo e o aumento do seu orçamento são uma grande
vitória. Prova de que há demanda e que o governo está atento",
afirmou Lupi.
O conselho alegou, para justificar o segundo repasse em apenas uma semana,
o fato de que a próxima reunião está prevista somente
para março do próximo ano. Se o novo repasse não
saísse agora, na visão dos conselheiros, obras com financiamento
já aprovado seriam prejudicadas.
Neste ano, segundo o ministério, o FGTS financiou R$ 39 bilhões
em projetos de saneamento, habitação, infra-estrutura urbana
e infra-estrutura de desenvolvimento. O FGTS tem patrimônio de
R$ 215 bilhões, atualmente. Juros de mercado determinam o custo
dos empréstimos derivados do FI-FGTS, mas variam de acordo com
o perfil do tomador. Já as linhas de investimento normais do FGTS
são a TR (Taxa Referencial) mais 3%.
Lupi também ressaltou ontem medidas tomadas pelo conselho que
procuram manter aquecido o setor imobiliário em meio à crise
internacional. Entre elas estão a redução dos juros
dos financiamentos para habitação popular: 6% para 5% mais
TR. Para quem é detentor de conta vinculada do FGTS, o juro cai
para 4,5% mais TR.
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Folha de S.Paulo, 20 de dezembro de 2008
Sindicato diz que aceita salário
menor para evitar corte de empregos na Vale
DA SUCURSAL DO RIO
O Sindimina-RJ (Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de
Prospecção, Pesquisa e Extração de Minério
do Rio de Janeiro) vai propor na segunda-feira à Vale a redução
da jornada de trabalho e a proporcional diminuição das
remunerações desde que a companhia aceite rever todas
as demissões realizadas desde novembro.
Segundo o presidente do sindicado, Jorge Campos, essa é a condição
básica para um acordo. "Só vamos negociar com a reintegração
de todos os empregados", diz o sindicalista, que liderou ontem uma
manifestação em frente à sede da Vale, no centro
do Rio. De acordo com o sindicato, 150 pessoas participaram do protesto,
que contou com mil bonecos representando familiares dos demitidos e 3.000
velas com o número de desligamentos.
" Já ocorreram, pelo menos, de 2.500 a 3.000 demissões. Sem
contar os 4.000 terceirizados que perderam o emprego em todo o país e
os 8.000 que estarão em férias coletivas em dezembro", disse
Campos. A Vale contesta os números. Diz que são 1.300 demissões
e 5.500 trabalhadores em férias coletivas. A empresa não se pronunciou
sobre os terceirizados.
De acordo com Campos, a manifestação também serviu
como uma forma de protesto contra o presidente da Vale, Roger Agnelli. "Foi
também um ato contra as declarações do presidente
da Vale, que quer cortar os direitos trabalhistas."
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Gazeta do Povo, 20 de dezembro de 2008
Justiça Eleitoral
TSE mantém cassação
de Belinati, e Londrina terá novo 2.º turno
Votação deve ser convocada
até o carnaval. Mas o candidato impugnado promete ir
ao STF para tentar rever punição e assumir a
prefeitura
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve ontem a cassação
do registro de candidatura de Antonio Belinati (PP), vencedor das eleições
para a prefeitura de Londrina. O tribunal também orientou a
realização de um novo segundo turno no município,
entre Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT), segundo e terceiro
colocados no primeiro turno.
O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) confirmou
que irá seguir a indicação e que as eleições
devem ser marcadas na próxima semana, possivelmente para fevereiro
ou março. As decisões, porém, não encerram
o imbróglio jurídico que envolve o pleito londrinense.
No começo da madrugada, o TSE indeferiu dois embargos de declaração
em favor de Belinati. Os processos movidos pela defesa do deputado
estadual e pela Assembléia Legislativa do Paraná solicitavam
a reversão da sentença e o detalhamento dos motivos da
cassação, determinada em 28 de outubro, dois dias após
o segundo turno .
Doze horas depois de negar os recursos, em sessão extraordinária
realizada à tarde, os ministros encerraram a apreciação
da Consulta 1.657, formulada pelo TRE do Piauí. O julgamento
serve de parâmetro para orientar situações em que
houve impugnação de candidatura após a realização
das eleições, como em Londrina.
O TSE definiu que em casos de municípios em que há disputa
de segundo turno com candidato sem registro, o pleito retroage obrigatoriamente
ao primeiro turno. Ou seja, é refeita a contagem de votos, descontando-se
a participação do nome impugnado. Em uma recontagem sem
Belinati, Hauly não conseguiu somar a maioria dos votos no primeiro
turno e por isso é necessária a realização
de um novo pleito contra Barbosa Neto.
A consulta aponta que a decisão é válida a partir
do julgamento de recurso do candidato cassado no TSE. Como Belinati
teve os embargos indeferidos, a Justiça Eleitoral paranaense
tem autonomia para convocar um novo segundo turno.
O coordenador de Comunicação Social do TRE-PR, Marden
Machado, afirmou que o tribunal já planeja os preparativos para
a nova eleição. “Esperamos que a eleição
venha a acontecer um pouco antes do Carnaval (final de fevereiro) ou
no começo de março.” De acordo com ofício
expedido pelo TSE aos TREs de todo Brasil há uma semana, o prazo
de preparação para a nova disputa é de 20 a 40
dias. Depois, haverá mais três ou quatro semanas de campanha
eleitoral.
O indeferimento dos embargos de declaração abriu caminho
para a convocação de um novo segundo turno, mas não
esgotou os recursos cabíveis a Belinati. “Acompanhamos
o decorrer do julgamento com muita felicidade”, disse o advogado
do deputado, Eduardo Franco.
O otimismo está relacionado ao posicionamento do ministro Eros
Grau, único dos seis juízes presentes que votou a favor
de Belinati. Ele também é ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF), instância que pode reverter o posicionamento do
TSE.
Eros Grau destacou que os motivos que levaram à cassação
de Belinati – primeiro no TRE-PR e depois no TSE – eram “sanáveis” e
que, portanto, não seriam critério de inelegibilidade.
A maioria dos colegas concordou, mas não aceitou reverter a
decisão.
“O voto do Eros Grau deixou bem claro que podemos recorrer ao
STF”, disse o deputado federal Ricardo Barros (PP). Presidente
do partido no Paraná, ele atua como porta-voz de Belinati no
caso. Franco afirmou que vai entrar com um recurso extraordinário
no TSE, instrumento que pode levar a causa ao STF. Ao mesmo tempo,
Belinati cogita a hipótese de solicitar uma medida cautelar
ao STF, que garantiria a posse dele no cargo de prefeito – desde
que ele renunciasse o mandato de deputado estadual – enquanto
não houvesse uma decisão final.
Como o Supremo entra em recesso hoje, a análise vai direto
para o presidente do tribunal, Gilmar Mendes. “Isso é muito
positivo para nós. O presidente (Mendes) já demonstrou
em outras oportunidades todo seu amor à Constituição,
independentemente de pressão da mídia ou de setores da
sociedade”, disse Franco. No recesso judiciário de julho,
Mendes causou polêmica ao conceder dois habeas-corpus ao banqueiro
Daniel Dantas.
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Revista Consultor Jurídico, 20 de
dezembro de 2008
Limites dos direitos
Direitos do cidadão
têm sido usados contra ele próprio
por Armando Coelho Neto
A Declaração Universal dos Direitos Humanos completou
60 anos. Mundialmente, mais difícil do que garantir os direitos
nela prescritos, está a disposição contida no
Artigo XXIV: "3. Esses direitos e liberdades não podem,
em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos propósitos
e princípios das Nações Unidas."
Nele está implícito o estabelecimento de limites para
que os direitos garantidos não sejam utilizados ao arrepio da
principiologia daquela Carta, seu espírito, seu componente teleológico:
a valorização do homem em seu amplo espectro, particularmente
enquanto integrante de uma sociedade, da qual não pode ser vítima
e nem violentá-la.
No Brasil, o aniversário daqueles Preceitos foi marcado por
aquele desafio, para que os direitos não possam ser exercidos
de forma contrária àqueles princípios. Nesse sentido,
entre os exemplos, o uso de algemas figura como uma das vertentes mais
polêmicas. Não deixa de ser uma contradição,
não se admitir o uso de algemas – o mal menor, ao mesmo
tempo em que a sociedade admite o mal maior – a prisão. É justamente
por fugir a uma lógica tão primária que as discussões
sobre o assunto, mesmo sob a bandeira de defesa dos direitos humanos,
são viciadas e perdem a credibilidade.
Concorrem para aquela realidade outras agravantes. A primeira é que,
finalmente, a Polícia Federal prendeu um figurão que,
segundo uma reportagem da revista Veja, edição 2.068,
de 16 de julho último, teria laços suspeitos tanto com
o atual governo, quanto com o anterior.
"O banqueiro que esteve no centro dos maiores escândalos
de corrupção da última década foi preso
duas vezes em uma única semana. Ah, se ele contasse o que sabe!",
destacou a revista sob o título "Dantas contra a parede".
No corpo da reportagem, o veículo relaciona ações
milionárias suspeitas, operações lesa-pátria
sem precedentes, até acentuar: "Poucos homens de negócios
representam com mais nitidez a natureza perversa do capitalismo brasileiro
dependente do estado macrófago do que o banqueiro".
Feitas as ressalvas ao jornalismo praticado por aquele periódico,
uma figura de repercussão, com supostos laços fortes
com a atual estrutura do Estado, do presente e do passado, foi presa
e o trato da questão foi diferenciado. Acabou se consolidando
no imaginário coletivo a figura do banqueiro, rico, intocável
e, conseqüentemente, não algemável.
Em meio ao debate, o Supremo Tribunal Federal expediu com inusitada
urgência a Súmula 11, considerada por muitos um desserviço
ao princípio da igualdade constitucional. Diz aquela decisão
que: "Só é lícito o uso de algemas em caso
de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade
física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros,
justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade
disciplinar civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade
da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo
da responsabilidade civil do Estado".
Na prática, a decisão não vetou o uso, mas jogou
o assunto para o nebuloso e controvertido campo da subjetividade, ao
se referir a "fundado receio de fuga ou perigo", abrindo
um vasto campo para especulações para nulidades processuais.
Leia-se, impunidade.
Mais uma vez, ficou difícil para o cidadão comum entender
o "behind Word" de que falam os ingleses. Parte-se de presunções,
cujo raciocínio o cidadão comum não alcançará:
quem por presunção não foge das algemas goza da
mesma presunção de que da cadeia também não
fugirá. A prevalecer a lógica econômica, poderá até fugir
do País. No campo da subjetividade, esses cidadãos privilegiados
poderão, caso condenados, ficar até mesmo em suas casas,
num quarto de hotel. Afinal, da cadeia ou de casa, de lá não
fugirão, poderão circular livremente, pois não
irão se evadir. Em resumo, aquela súmula acabou por reforçar,
indiretamente, o estigma das algemas para os consagrados três "P", "pobre,
preto e prostituta".
Algema é tema polêmico, sendo usada ou não, desde
que o preso seja famoso, pertença à classe abastada.
Não foram poucas as críticas à Polícia
Federal quando da prisão do ex-juiz Nicolau dos Santos Neto.
Ele fora preso longe das câmaras, sem algemas, sob forte esquema
de segurança para que não fosse filmado. As poucas imagens
de Nicolau foram captadas por uma grande emissora de televisão
através de uma vidraça quebrada na escadaria da PF paulista.
Ainda assim, foi preciso a ajuda de uma lente de aproximação.
Também ali, os crimes foram esquecidos e a imprensa passou a
dar cobertura ao protecionismo exercido pela Polícia Federal.
Para a mídia, a regra era mostrar.
Outro foco comprometedor das discussões pode residir ou se
acentuar no fator ano político, em que o que menos importa,
para grande parte dos políticos, é o bem estar social,
o progresso, a consolidação da democracia no País.
O mais importante na selvageria política, quando se está na
oposição, é defenestrar o concorrente. Dentro
desse contexto, o debate se vicia por deixar transparecer o ranço
político, quando a Polícia Federal começou a prender
financiadores de campanhas.
Algemas na berlinda, o Artigo XXIV, 3, da DUDH em cheque, o debate
precisa ser aprofundado, pois, afinal, o que não falta nos fins
de tarde na televisão brasileira é a exibição
de pessoas algemadas, jogadas nos camburões, sob o achincalhe
e execração de um apresentador virulento. Sobre isso,
paira o silêncio de muitos críticos das algemas.
Pela contradição, por fugir a lógica primária
do poder prender e não poder algemar, por poder mostrar o pobre
e não poder mostrar o rico, o debate perde a credibilidade.
A discussão sobre o combate à corrupção
perde espaço para o método usado contra um "figurão",
o que serviu de mote até para expedição de uma
súmula, que empurra o tema na seara das presunções.
O debate sobre as algemas não é primário apenas
entre os defensores dos figurões. Dentro da PF, ele engatinha. "É preciso
fomentar a consciência, a obrigação de preservar
a imagem dos presos. Mas os "cana-dura" insistem em querer
exibir o preso como um troféu, com pouca ou nenhuma prova",
avalia o delegado federal Walace Pontes, da PF capixaba. Com essa ressalva,
ele abre uma vertente feliz do debate que é o uso ostensivo
de algemas, o constrangimento em si, que reside na exibição
do preso algemado. Faz coro com ele a delegada Arryanne Queiroz, da
PF do Distrito Federal: "É preciso coibir a exposição
popularesca do indivíduo algemado".
Going to the point, como dizem os magistrados ingleses, a Polícia
Federal tem cometido falhas até abusivas, quando já chegou
a permitir a veiculação de imagens de presos trajando
cueca, outros recém-despertados. Tudo, registre-se, em detrimento
do direito de imagem das pessoas, com afronta às próprias
normas internas da PF, que formalmente condena a prática. A
propósito, antes de cada operação, além
dos detalhes técnico-operacionais, são feitas recomendações
quanto à preservação da imagem das pessoas, entre
outros avisos.
O homem, quando preso, sofre poucas restrições em seus
direitos de cidadão, entre as quais um dos maiores: a liberdade,
mas a grande maioria sobrevive, inclusive o de ter sua imagem reservada.
Na PF, não são poucas as críticas internas. Num
recente congresso, afirmou um delegado que não quis se identificar: "Cansamos
de participar de operações com vários presos e,
na hora de interrogá-los, não somos munidos com os indícios
de materialidade nem de informações suficientes para
uma perfeita avaliação do caso". Segundo ele, "a
pasta do alvo não contempla indícios robustos o suficiente
para ensejar até mesmo um pedido de prisão". "Por
vezes", diz o policial, "tudo que se tem é um áudio,
sem que se tenha uma noção se é só aquilo
ou se integra um quebra-cabeça que ao final terá algum
sentido". É com base em fragilidades como essas que, em
algumas operações, pessoas são presas, algemadas
e exibidas à sociedade. Tratam-se de vícios, que embora
não configurem regra, que podem ser superados e contribuir para
melhorar o nível da discussão, o aperfeiçoamento
dos trabalhos.
Debate viciado, a PF está sob o risco de que atos da espécie
fragilizem outros trabalhos, em que policiais mostraram o melhor de
seus talentos, atingiram melhor os fins do Estado. De outro lado, em
discussão a aura da Justiça, onde, ainda que se reconheça
que a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar
Mendes possa ter sido constitucional, técnica e amparada na
Declaração Universal dos Direitos Humanos, as circunstâncias
em que a decisão foi tomada estão longe de afastar do
imaginário popular a idéia de que a justiça existe
apenas para proteger os ricos.
Nesse largo espectro de contradições, emerge o desafio
de pôr em prática a máxima da presunção
da inocência diante da necessidade de se impedir que os direitos
não possam ser exercidos de forma contrária aos princípios
das Nações Unidas. Nesse sentido, a corrupção,
fonte de ameaça a todos os outros direitos da Carta Universal,
mote para interceptações telefônicas, uso de algema,
sinaliza com a necessidade de se ampliar o debate e torná-lo
menos vicioso. Limites! Eis a palavra-chave, posto que a contundência
da realidade não pode fomentar o espírito da tirania,
numa sociedade em que o próprio direito corre o risco de ser
utilizado contra ela própria. Que venham as sapatadas!
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Revista Consultor Jurídico, 20 de
dezembro de 2008
Decisões antagônicas
Vínculo de diretor
estatuário de S.A. gera divergência
por Samanta Brito Xavier
Existe uma grande discussão sobre a natureza jurídica
do vínculo existente entre o Diretor Estatutário e a
Sociedade Anônima. O Tribunal Superior do Trabalho em 1988 editou
a Súmula 269, onde recepcionou a tese da suspensão do
contrato de trabalho, salvo a existência comprovada de subordinação
jurídica inerente a relação de emprego.
No entanto, vem crescendo o número de ações ajuizadas
por ex-diretores requerendo o reconhecimento do vínculo empregatício,
gerando várias decisões antagônicas sobre o tema.
Assim, diversas teses foram elaboradas, como: a extinção
do contrato de trabalho; a suspensão do contrato de trabalho;
a interrupção do contrato de trabalho e a manutenção
do contrato de trabalho.
A tese da extinção do contrato de trabalho é baseada
na incompatibilidade dos cargos, ou seja, ninguém poderá ser
empregado e empregador ao mesmo tempo.
A tese da suspensão do contrato de trabalho, recepcionada pelo
TST, entende que a incompatibilidade de cargos não chega a provocar
a extinção do contrato gerando na verdade a suspensão
do contrato de trabalho, ou seja, com a destituição do
cargo de diretor o contrato volta a fluir normalmente.
A de interrupção do contrato de trabalho, o trabalho
fica interrompido, haja vista que o tempo de serviço será computado
para todos os efeitos legais, de acordo com o artigo 499 da CLT onde
estabelece que o tempo de serviço em cargo de diretoria é computado
para todos os efeitos legais. Sendo certo que a interrupção
do ponto de vista legal é mais vantajosa que a suspensão
ou extinção do contrato de trabalho.
Assim, para os que defendem esses posicionamentos, o vínculo
empregatício entre o diretor e a companhia seria de natureza
estatutária e não submetidos às normas trabalhistas.
Já a quarta posição entende que não haverá alteração
jurídica de empregado quando este for eleito a diretor, não
extinguindo os direitos trabalhistas. Sobressaindo a tese da manutenção
do contrato de trabalho, posto que a subordinação inerente
ao contrato de trabalho não acabaria, uma vez que estariam subordinados
ao conselho de administração.
Desta forma como existe divergência doutrinária e também
jurisprudencial sobre o tema não chega a uma conclusão
precisa quanto ao vínculo empregatício do diretor estatutário,
que dependerá do caso em concreto.
Sendo assim, cabe aos acionistas das sociedades anônimas a busca
da advocacia preventiva para melhor enquadrar as questões a
fim de precaver e evitar eventuais litígios trabalhistas.
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