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Agência DIAP, 22 de janeiro de 2008
Governo injetou R$ 363 bi na economia
desde agravamento da crise
Desde o agravamento da crise financeira internacional, o Governo injetou
mais de R$ 360 bilhões na economia. Seja por meio de gastos próprios,
de redução de impostos ou de medidas monetárias
e cambiais, as autoridades brasileiras permitiram a circulação
de pelo menos R$ 363,3 bilhões para manter o nível de atividade
e combater a restrição ao crédito, que irriga o
consumo e os investimentos.
O número foi obtido com base em levantamento da Agência
Brasil e de anúncios recentes por membros do Governo. Grande
parte do dinheiro veio das medidas de redução e flexibilização
do compulsório – dinheiro que os bancos são obrigados
a manter depositado no Banco Central (BC). Segundo estimativa divulgada,
na última quinta-feira (18), pelo presidente do BC, Henrique
Meirelles, somente as mudanças no compulsório liberaram
R$ 98 bilhões.
Outra medida com potencial quase equivalente ao da liberação
do compulsório foi a mudança nas regras de contabilidade
das instituições financeiras definida pelo Conselho Monetário
Nacional (CMN) na última quarta-feira (17).
A decisão propiciou a liberação de R$ 81,2 bilhões
para a concessão de crédito. No mesmo dia, o CMN autorizou
os pequenos e médios bancos a usar R$ 5,4 bilhões do
Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para emprestar a pessoas físicas
e jurídicas.
Destinadas a conter a disparada do dólar, as atuações
no mercado de câmbio atingiram US$ 53,4 bilhões, que equivalem
a aproximadamente R$ 126 bilhões, tendo como base a cotação
do dólar em R$ 2,36 registrada na última sexta-feira
(19).
Mais da metade desse total, US$ 28,9 bilhões, vem de leilões
de swap cambial, operações que não eram feitas
pelo BC desde maio de 2006 e funcionam como venda de dólares
no mercado futuro.
O Governo também consumiu US$ 9,8 bilhões das reservas
internacionais para vender dólares diretamente aos investidores
e pressionar a cotação para baixo. A retirada de contratos
de swap cambial reverso, que na prática funcionam como compra
de moeda estrangeira no mercado futuro e empurram o dólar para
cima, somou US$ 1,5 bilhão.
A autoridade monetária também ofereceu, até agora,
US$ 10,8 bilhões em leilões de dólares de linhas
de crédito externas e US$ 2,4 bilhões em venda de moeda
estrangeira com o objetivo de incrementar o financiamento ao comércio
exterior. Essas duas últimas operações, no entanto,
funcionam apenas como empréstimos porque o BC vende o dinheiro
com compromisso de recomprá-lo mais tarde.
Até agora, o Governo atuou em quatro linhas: desonerações,
intervenções no mercado de câmbio, facilitação
do crédito e mudanças na legislação bancária
mediante principalmente liberação de parte do compulsório.
As atuações, que no começo se concentravam em
conter a alta do dólar, aos poucos passaram a incluir a ajuda
direta a setores da economia. (Fonte: Radiobrás)
Veja abaixo as medidas tomadas pelo Banco Central e o Conselho Monetário
Nacional desde o final de setembro, quando a crise econômica
se intensificou:
Mudanças na legislação
bancária
• BC unifica recolhimento do compulsório sobre operações
de leasing (arrendamento) e sobre depósitos a prazo. Autoridade monetária
também reduz alíquota sobre compulsório adicional a prazo
e aumenta de 30% para 40% parcela que pode ser recolhida em títulos, mas
alega que mudanças não injetarão recursos na economia (19
de dezembro)
• Alteração na contabilidade dos bancos permite
a instituições financeiras emprestarem R$ 81,2 bilhões
a mais para consumidores (17 de dezembro)
• Conselho Monetário Nacional (CMN) aprova destinação
de R$ 5,4 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) – que
garante depósitos de clientes em caso de quebra de bancos – para
pequenas instituições emprestarem a empresas e pessoas
físicas (17 de dezembro)
• Bancos são autorizados a abater do compulsório
a prazo valor aplicado em papéis do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES). Mudança libera R$ 6,2 bilhões
para a instituição (25 de novembro)
• BC altera forma de recolhimento da “exigibilidade adicional” – compulsório
adicional sobre depósitos à vista, a prazo e da poupança.
Em vez de ser recolhido em espécie, o dinheiro passa a ser recolhido
em títulos públicos (13 de novembro)
• BC dispensa apresentação de garantias em títulos
nos leilões de empréstimos de dólares destinados
a financiar o comércio exterior (4 de novembro)
• BC muda forma de recolhimento de compulsório sobre
depósitos a prazo e força bancos maiores a comprarem
carteiras de crédito de bancos menores (30 de outubro)
• BC autoriza desconto no compulsório sobre depósitos
a vista para bancos que anteciparem contribuições ao
FGC, injetando R$ 6 bilhões (27 de outubro)
• Presidente Lula edita MP 443, que permite a bancos oficiais
adquirirem ações de instituições financeiras
privadas sem licitação (22 de outubro)
• Bancos menores são autorizados pelo BC a vender mais
tipos de ativos para bancos maiores (16 de outubro)
• CMN autoriza Banco Central a obrigar que instituições
destinem dólares adquiridos em leilões de empréstimos
ao financiamento do comércio exterior (16 de outubro)
• BC aumenta abatimento sobre recolhimento da “exigibilidade
adicional” e depósitos a prazo. Autoridade monetária
também institui desconto para compulsório sobre operações
de leasing (arrendamento) e amplia número de bancos que podem
ter carteiras de crédito adquiridas por instituições
maiores. Mudanças injetam R$ 47,1 bilhões na economia
(13 de outubro)
• CMN autoriza BC a participar da administração
de bancos em dificuldade, restringindo até remuneração
de acionistas e diretores (9 de outubro)
• BC aumenta desconto no recolhimento do compulsório
sobre depósitos a prazo e reduz alíquotas da “exigibilidade
adicional” sobre depósitos a vista e a prazo, liberando
R$ 23,2 bilhões (8 de outubro)
• Presidente Lula assina MP 442, que autoriza BC a adquirir
carteiras de crédito e socorrer bancos em dificuldade (6 de
outubro)
• BC passa a usar recursos das reservas internacionais em linhas
de crédito no exterior para ajudar exportadores (6 de outubro)
• Bancos grandes que comprem carteiras de crédito de
bancos médios e pequenos têm compulsório reduzido,
liberando R$ 23,5 bilhões (2 de outubro)
• BC adia implementação do recolhimento do compulsório
para operações de leasing (arrendamento) e amplia valor
que pode ser deduzido do recolhimento da “exigibilidade adicional”,
injetando R$ 13,2 bilhões na economia (24 de setembro)
Atuações no mercado de câmbio
• Governo libera empréstimo de recursos das reservas internacionais
para empresas pagarem dívidas no exterior com vencimento até dezembro
de 2009 (11 de dezembro)
• BC e Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos,
firmam linha de swap, troca de dólares por reais, no valor de
US$ 30 bilhões até 30 de abril de 2009 (29 de outubro)
• Após a moeda norte-americana chegar a R$ 2,48, BC vende
dólares das reservas internacionais pela primeira vez em mais
de cinco anos para reduzir a cotação (8 de outubro)
• Redução a zero da alíquota do Imposto
sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (IOF)
para aplicações em renda fixa de estrangeiros no Brasil
e operação de empréstimos e financiamentos externos.
A medida atrai a entrada de capitais externos no país (22 de
outubro)
• Pela primeira vez desde maio de 2006, BC volta a fazer leilões
de swap cambial, troca de rendimentos entre a variação
do câmbio e dos juros que funcionam como venda de dólares
no mercado futuro (6 de outubro)
• BC leiloa US$ 500 milhões para bancos financiarem exportações
do Brasil. O dinheiro é emprestado, com a exigência de
ser devolvido após 30 dias (19 de setembro)
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Agência DIAP, 22 de janeiro de 2008
Deputado Osmar Serraglio é o
4º candidato à Presidência da Câmara
A disputa pela Presidência da Câmara dos Deputados ganhou,
na última quinta-feira (19), mais um componente - o quarto candidato:
o primeiro-secretário da Casa, Osmar Serraglio (PMDB/PR). Em entrevista
coletiva, Serraglio informou que sairá como candidato avulso,
já que o PMDB lançou oficialmente a candidatura do deputado
Michel Temer (SP), que é presidente nacional do partido. Também
disputam o cargo os deputados Ciro Nogueira (PP/PI) e Aldo Rebelo (PCdoB/SP).
“Estou dando à Câmara oportunidade de escolher
alguém, respeitando o principio da proporcionalidade partidária.
Sou do maior partido”, justificou o parlamentar paranaense. É tradição
na Câmara que o maior partido indique o presidente. Como o PMDB é o
maior partido, Serraglio entende que, votando nele, os deputados respeitarão
essa regra.
Osmar Serraglio se destacou no Congresso como relator da Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito do Mensalão. Na última
eleição para a Mesa Diretora da Câmara, elegeu-se
primeiro-secretário, segundo cargo em importância na direção
da Casa. Ele disse que, se for eleito, fará uma gestão “feijão-com-arroz,
com responsabilidade” e que pretende construir mais um prédio – o
Anexo V – para instalar gabinetes dos deputados.
O candidato oficial do PMDB, Michel Temer, tem conseguido apoio formal
de várias legendas: o primeiro apoio declarado foi do PT, que
tem a segunda maior bancada na Câmara. Também já formalizaram
apoio a Temer as bancadas do PSDB, do DEM, do PPS, do PTB, do PV e
do PR.
Os votos desses partidos, somados, chegam a 350, número mais
do que suficiente para Temer ser eleito em primeiro turno. A disputa
só será levada para o segundo turno se nenhum dos candidatos
conseguir maioria absoluta de votos (257) no primeiro turno de votação,
que é secreta.
O deputado Milton Monti (PR/SP), que havia se lançado candidato,
desistiu de concorrer e declarou apoio a Temer. Ele explicou que seu
partido decidiu compor o chamado “blocão” e apoiar
Temer, tendo, com isso, direito a ocupar a Segunda Secretaria da Mesa,
pela regra da proporcionalidade.
Os outros cargos da Mesa Diretora, como a primeira e a segunda vices-presidência,
a primeira, a segunda, a terceira e a quarta secretarias, estão
sendo negociados com os partidos que integram o bloco de apoio a Temer.
O segundo cargo em importância, que poderá ser a primeira
vice-presidência ou a primeira secretaria deverá ficar
com o PT, pela norma da proporcionalidade.
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Congresso em Foco, 22 de janeiro de 2008
Deputados faltaram mais em 2008
Índice de faltas na Câmara subiu
para 16% este ano. Ciro Gomes e outros quatro faltaram a mais da
metade das sessões
Edson Sardinha e Daniela Lima
Num ano marcado pelas eleições municipais e pela inexistência
de uma grande crise no Congresso, os deputados faltaram mais às
sessões deliberativas da Câmara em 2008. Os parlamentares
concluíram o ano legislativo com média de 16% de ausências
no plenário, mais de dois pontos percentuais acima da marca
registrada em 2007, que foi de 13,88%.
Levantamento feito pelo Congresso em Foco a partir de dados oficiais
da Secretaria Geral da Mesa revela que os 513 deputados no exercício
do mandato acumularam 7.643 faltas nas sessões destinadas a
votação, no período de 11 de fevereiro a 11 de
dezembro. Desse total, 5.977 foram justificadas. Em relação às
demais 1.666 ausências, não foi dado qualquer tipo de
explicação até o momento.
A queda na assiduidade dos parlamentares se deve, em grande parte, às
campanhas eleitorais. Os 84 deputados que foram candidatos a prefeitos
e vice-prefeitos fizeram o índice de ausências subir:
eles deixaram de participar de 20% das sessões deliberativas,
enquanto os outros integrantes da Casa que não concorreram a
cargos eletivos mantiveram a média de faltas em 15%, a mesma
registrada no primeiro semestre deste ano (leia
mais). Os concorrentes à prefeitura somaram 1.555 faltas.
Dessas, 1.159 foram justificadas.
A ASSIDUIDADE NA CÂMARA EM 2008
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Número
|
%
|
| Sessões* |
47.812 |
100% |
| Presença |
40.165 |
84,0% |
| Faltas não justificadas |
1.666 |
3,5% |
| Total de faltas |
7.643 |
16,0% |
TABELAS COMPLETAS
Por
faltas – Por
faltas injustificadas – Por
percentual de faltas
Candidatos – Não-candidatos
*Número de sessões
que os 513 deputados poderiam ter participado, juntos, durante o período
pesquisado
Os mais faltosos
Em comparação com o ano passado, também cresceu
o número de parlamentares que faltaram a mais de um quarto das
sessões deliberativas. Se, em 2007, 75 deputados tiveram menos
de 75% de presença, em 2008, o grupo dos mais faltosos subiu
para 93. Entre eles, estão 24 parlamentares que concorreram às
eleições municipais.
Se a Câmara dos Deputados seguisse norma imposta pela Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional às instituições
de ensino do país, cerca de um quinto dos deputados estaria
automaticamente “reprovado” por faltas. A regra diz que
estudantes, tanto do ensino fundamental quanto dos ensinos médio
e superior, precisam comparecer a mais de 75% das aulas, caso contrário,
serão reprovados automaticamente.
Em números absolutos, pela ordem decrescente, os deputados
mais faltosos em 2008 foram: Alberto Silva (PMDB-PI), Carlos Wilson
(PT-PE), Custódio Mattos (PSDB-MG), Nice Lobão (DEM-MA),
Ciro Gomes (PSB-CE), Sandro Mattos (PR-RJ), Enio Bacci (PDT-RS), Dr.
Pinotti (DEM-SP), Abelardo Camarinha (PSB-SP) e Silas Câmara
(PSC-AM). Com exceção de Abelardo e Silas, os outros
faltaram a pelo menos metade dos trabalhos em plenário.
Parlamentar mais idoso de todo o Congresso, com 90 anos, Alberto Silva
não participou de 83 das 96 sessões deliberativas realizadas
no período pesquisado, ou seja, faltou a 86,5% das reuniões
realizadas no plenário. O peemedebista, no entanto, justificou
75% das ausências. Ele também aparecia como o mais faltoso
nos últimos dois levantamentos.
Procurada pelo site na última quinta-feira (18), a assessoria
do deputado não retornou o contato. Mas, em julho, o gabinete
de Alberto Silva atribuiu as faltas do parlamentar a problemas de saúde.
Como os pedidos de licença médica do piauiense não
excediam a 120 dias, ele não foi substituído pelo suplente.
A reportagem apurou que, como parlamentar licenciado, Alberto tem
direito a continuar recebendo os R$ 16 mil de salário e a dispor
de mais R$ 15 mil de verba indenizatória mensais, entre outros
benefícios. Isso não aconteceria se ele cedesse o lugar
ao suplente.
Assim como o veterano peemedebista, o presidenciável Ciro Gomes
e o gaúcho Enio Bacci também são figuras carimbadas
nos levantamentos sobre assiduidade. Eles já figuravam entre
os 20 mais faltosos tanto no balanço de 2007 quanto no do primeiro
semestre de 2008. Até o último dia 11, Ciro havia registrado
presença em apenas 41 das 96 sessões deliberativas realizadas
até então. Ou seja, faltou a 57,3% das reuniões
plenárias. Bacci, por sua vez, compareceu a apenas metade de
todas as sessões.
Por meio de sua assessoria, Ciro atribuiu o número de ausências
a compromissos oficiais partidários e a um problema de saúde.
O deputado alega que, por ser uma liderança partidária,
deixou de comparecer a sessões na Câmara para atender
a convites de seu partido, o PSB, e outras legendas para participar
de congressos, seminários e debates políticos. Além
disso, explica a assessoria, Ciro apresentou dois atestados médicos
porque esteve afastado dos trabalhos, durante cerca de 30 dias, logo
após as eleições, por causa de uma virose, que
lhe causou uma paralisia facial.
Por que justificar
Os deputados que faltam a mais de um terço das sessões
estão sujeitos à perda do mandato, segundo o artigo 55
da Constituição. Em 1989, os peemedebistas Felipe Cheidde
(SP) e Mário Bouchardet (MG) foram cassados por esse motivo.
Mas, de lá pra cá, o regimento interno da Câmara
mudou e praticamente eliminou esse risco da vida dos parlamentares
ao estipular que a perda do mandato ocorrerá somente se o deputado
não justificar todas essas ausências.
Não estar presente às sessões deliberativas dói
no bolso. Se não participarem de todas as votações
em cada sessão, há desconto proporcional na remuneração
dos deputados, atualmente de R$ 16.512,09. Os deputados que justificarem
posteriormente suas ausências, no entanto, têm direito
a reembolsar o valor descontado. E isso eles podem fazer até o último
dia do mandato, ou seja, até 31 de janeiro de 2011.
As principais justificativas para as ausências são viagem
ou saídas do Congresso em missão oficial, licença
por questões de saúde ou para tratar de interesse particular,
desde que não ultrapassem 120 dias. Mesmo com vários
meios para se justificarem, muitos parlamentares deixam isso de lado
ou protelam a apresentação das explicações.
Quem menos justificou as faltas até agora foi o deputado Wladimir
Costa (PMDB-PA), com 26 ausências ainda não esclarecidas.
Na seqüência, mais uma vez Enio Bacci se destaca por não
ter justificado 21 das 48 ausências acumuladas no ano.
Depois dele aparecem Neucimar Fraga (PR-ES), eleito prefeito de Vila
Velha; Paulo Maluf (PP-SP), candidato derrotado à prefeitura
de São Paulo; Odílio Balbinotti (PMDB-PR); Dalva Figueiredo
(PT-AP), que perdeu a eleição em Macapá, e José Mentor
(PT-SP) – que deixaram de justificar 21 faltas. Ciro Gomes, com
20, Maria do Carmo Lara (PT-MG), prefeita eleita de Betim, com 18,
e Flávio Dino (PCdoB-MA), que concorreu em São Luís,
com 17, completam a lista dos dez deputados com maior número
de ausências ainda não justificadas.
O Congresso em Foco procurou, por e-mail, os dez parlamentares que
mais faltaram às sessões e os dez que menos justificaram
suas ausências, para que apresentassem seus esclarecimentos.
Além de Ciro, apenas Flávio Dino e Sandro Mattos se manifestaram.
Quinto deputado mais faltoso, Mattos informou, por meio de sua assessoria,
que suas ausências decorreram de compromissos políticos
em seu município, São João de Meriti (RJ), onde
concorreu a prefeito. O parlamentar fluminense faltou a 51 (53,1%)
das 96 sessões deliberativas realizadas entre 11 de fevereiro
e 11 de novembro.
Décimo deputado com maior número de ausências
não justificadas (17), Dino atribuiu suas faltas à campanha
política para a prefeitura da capital maranhense. "Houve
faltas não justificadas que foram descontadas de minha remuneração,
como manda a lei. Elas decorreram da participação nas
eleições municipais de São Luís",
explica.
Sempre presentes
Se a assiduidade dos parlamentares, em geral, caiu este ano em comparação
com 2007, o número de deputados que compareceram a todas as
96 sessões deliberativas realizadas na Câmara até o último
dia 11 aumentou consideravelmente.
No ano passado, apenas sete estiveram em todas as 126 reuniões
reservadas a votação no plenário. Em 2008, o grupo
dos mais assíduos passou a ser formado por 16 deputados. São
eles: Antônio Bulhões (PMDB-SP), Beto Faro (PT-PA), Eliene
Lima (PP-MT), Emanuel Fernandes (PSDB-SP), Flávio Bezerra (PMDB-CE),
Gustavo Fruet (PSDB-PR), Jofran Frejat (PR-DF), Leonardo Vilela (PSDB-GO),
Manato (PDT-ES), Mauro Nazif (PSB-RO), Paulo Rocha (PT-PA), Pedro Chaves
(PMDB-GO), Pedro Fernandes (PTB-MA), Pedro Wilson (PT-GO), Roberto
Santiago (PV-SP) e Tadeu Filippelli (PMDB-DF).
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Gazeta do Povo, 22 de janeiro de 2008
Emenda constitucional
PEC dos vereadores só em fevereiro
Discussão sobre o aumento de vagas
nos legislativos municipais deve ser analisada pelo STF após
o recesso do Judiciário
Brasília - Os presidentes do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN),
e da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), vão passar as
festas de fim de ano sem uma decisão final sobre a Proposta
de Emenda Constitucional (PEC) que cria 7.343 vagas de vereadores no
país, motivo de grave atrito entre as duas Casas desde a semana
passada.
A assessoria de imprensa do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem
Garibaldi recorreu para garantir o aumento das vagas, informou que
o mérito do mandado de segurança será decidido
depois do recesso do Judiciário, que termina em 31 de janeiro.
Nos últimos minutos da última sexta-feira, o ministro
do Supremo Celso de Mello pediu informações à Câmara
e não atendeu ao pedido de liminar feito por Garibaldi, para
imediata promulgação da emenda, com o argumento de que
esgotaria a questão antes das alegações de Chinaglia.
Na quinta-feira passada, a Mesa Diretora da Câmara decidiu
não promulgar a emenda constitucional, por considerar que ela
foi modificada no Senado e deixou de limitar os gastos das câmaras
municipais (de 8% para 4,5% do orçamento), apesar do aumento
de vereadores. A promulgação da emenda deveria ser conjunta,
da Câmara e do Senado. Na sexta, Garibaldi impetrou um mandado
de segurança no Supremo.
Durante o recesso, o caso ficará sob responsabilidade do presidente
do STF, Gilmar Mendes, e dificilmente será concedida a liminar
pedida por Garibaldi. “Realmente não acredito que isso
seja resolvido este ano. Estou defendendo uma prerrogativa do Senado.
Eu esperava um fim de ano sem esse problema. Durante 2008 tivemos um
entendimento salutar entre Senado e Câmara”, lamentou o
senador.
O relator do mandado de segurança será o ministro Carlos
Alberto Direito, que na sexta já tinha viajado de férias.
Coube então a Mello, o decano do STF, a providência de
pedir mais informações a Chinaglia. Com Mello também
de férias, caberá a Gilmar Mendes tomar qualquer decisão
até o fim de janeiro.
Chinaglia disse ontem que o setor jurídico da Câmara
providenciará as respostas ao Supremo assim que receber o despacho
do ministro. “Não vou deixar isto para a outra Mesa Diretora”,
afirmou o deputado, que sairá da presidência no início
de fevereiro, quando será eleita uma nova Mesa. Para ele, uma
coisa é criar 7.343 vagas de vereadores e cortar R$ 1,5 bilhão
de gastos dos legislativos municipais. Outra, é só ampliar
o número de cargos. Com esse argumento, ele tentarrá garantir
que o STF barre a emenda. “Não posso trair uma decisão
da Câmara, que aprovou o aumento do número de vereadores
condicionado à redução das despesas. Se no projeto
votado pelos deputados não tivesse o corte dos gastos, quem
garante que a PEC teria sido aprovada?”, justificou.
Garibalde Alves reconheceu que a aprovação da emenda
criando novas vagas de vereadores mas sem o trecho que limitava os
gastos das câmaras municipais causou desgaste aos senadores. “Acho
que causou porque o que vale é a interpretação.
Não adianta o que nós pensamos, mas o que o leitor, o
ouvinte, o cidadão que está do outro lado pensa. Por
mais que se diga que não há aumento de despesa, não
acreditam”, afirmou.
No despacho, assinado às 23h55 de sexta-feira, Celso de Mello
considerou cabível o mandado de segurança, diante do “litígio
instaurado entre as Mesas do Senado e da Câmara” e afirmou
que não se tratava de interferência do Judiciário
no Legislativo, pois, neste caso, trata-se de decidir sobre a existência
ou não de “eventuais excessos, abusos ou omissões
alegadamente transgressores do texto da Constituição
da República, não importando a condição
institucional que ostente o órgão estatal”.
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Folha de S.Paulo, 22 de janeiro de 2008
Mais da metade dos titulares de cartórios
não fez concurso
Dos 13.558 tabeliães no país,
menos de 37% são concursados, revela pesquisa do CNJ
Câmara poderá efetivar os donos de
cartório que foram alçados à função
há pelo menos cinco anos, mesmo sem o concurso obrigatório
LILIAN CHRISTOFOLETTI
ANA FLOR
DA REPORTAGEM LOCAL
Mais da metade dos cartórios no Brasil é administrada
por tabeliães que não passaram por concurso público.
Isso significa que o cargo, que tem caráter vitalício, é ocupado
por parentes que herdaram os tabelionatos ou por antigos funcionários
que foram nomeados "provisoriamente".
Levantamento do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que fiscaliza
os cartórios no Brasil, revela que, dos 13.558 titulares no cargo,
menos de 37% são concursados, como determina a Constituição
de 1988. Essa situação veio à tona com a tentativa
da Câmara dos Deputados de aprovar uma PEC (proposta de emenda
constitucional) que efetiva no cargo todos os titulares de cartórios
que foram alçados à função há pelo
menos cinco anos.
Segundo a Folha apurou, apesar de vários líderes defenderem
nos bastidores a PEC, poucos querem usar sua imagem para apoiar a proposta,
que deve ser colocada em votação apenas após o recesso
parlamentar, que começa amanhã.
De acordo com levantamento do CNJ, 5.001 titulares de cartórios
foram aprovados em concurso público. Outros 5.370 conquistaram
o cargo graças a um padrinho na administração. Dos
titulares, 3.187 não aceitaram responder à enquete do conselho.
Os cartórios são uma concessão do governo em que
uma pessoa é responsável por garantir a idoneidade de registros
oficiais como os de bens imóveis, nascimentos, casamentos, óbitos,
procurações, testamentos, atas e documentos. A PEC beneficiaria
todo tabelião titular ou substituto que está no cargo nos últimos
cinco anos e que ocupou a função no cartório por
pelo menos um dia entre 1988 e 1994.
Isso porque a Constituição de 1988 determinou a obrigatoriedade
do concurso, dando fim à nomeação dos titulares
de cartórios pelos governos -que em geral passavam de pai para
filho-, mas a regra só foi regulamentada em 1994. Desde então,
Estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio e o Distrito Federal
realizaram, em média, cinco concursos cada um. Mas há Estados
que nunca realizaram concursos.
Para concorrer à vaga de escrivão, é necessário
ter diploma de bacharel em direito. A nova regra determinou que, sempre
que o titular de um cartório morre, é transferido ou desiste
do posto, há um prazo de seis meses para a realização
de um novo concurso.
Em São Paulo, está em fase de conclusão o quinto
concurso. São cerca de 4.500 candidatos concorrendo às
106 vagas de ingresso e remoção.
Segundo o conselheiro Antonio Umberto de Souza Júnior, muitas
vezes o número de concursados no posto é pequeno porque,
muitas vezes, o titular não-concursado ingressa com recursos na
Justiça para anular do resultado da prova -deixando aprovações
congeladas.
Uma vez aprovado no concurso, o candidato escolhe a localidade conforme
sua classificação. O titular do cartório arca com
os custos gerais. Em troca, fica com cerca de 60% do valor pago pelos
usuários dos serviços como faturamento. Os cerca de 40%
restantes são destinados ao Estado, utilizados em fundos para
registros gratuitos -como registro civil e de óbito- e aparelhamento
dos tribunais de Justiça.
Faturamento
Os cartórios no Brasil têm faturamentos que vão de
R$ 500 a R$ 2,2 milhões por mês. De acordo com levantamento
elaborado pelo Conselho Nacional Justiça, mais da metade deles
tem um rendimento médio mensal de R$ 5.000. Os cem maiores cartórios,
a maioria localizada nos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo,
faturaram entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões por mês em 2007,
segundo o CNJ.
Segundo o conselheiro Felipe Locke, o STF (Supremo Tribunal Federal)
já se posicionou pela obrigatoriedade do concurso público. "É o
meio mais transparente e que garante a igualdade de todos os interessados",
afirmou ele. O presidente da Associação dos Notários
e Registradores do Brasil, Rogério Portugal Bacellar, afirma ser
favorável ao concurso, mas defende que o Estado intervenha para
não deixar pessoas que, há anos, se dedicam aos cartórios.
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Folha de S.Paulo, 22 de janeiro de 2008
ENTREVISTA DA 2ª
PARAG KHANNA
Falta ambição para Brasil
se tornar superpotência
Para consultor de política externa
de Barack Obama, contudo, país influencia destino de superpotências,
como EUA e China
NOME ASCENDENTE , o americano de origem indiana
crê que Obama terá menos ferramentas para influir no mundo
-pela crise e o fracasso militar. Dirige o New America Foundation e é autor
de "The Second World -Empires and Influence in the New Global
Order" [O Segundo Mundo - Impérios e Influência na
Nova Ordem Global].
SÉRGIO DÁVILA
DE WASHINGTON
No novo mundo que espera o presidente eleito Barack Obama, a crise
econômica que assola os EUA fará o país ter menos
ferramentas não-militares de persuasão em sua política
externa, o chamado "soft power" (poder suave, expressão
cunhada por Joseph Nye, da Universidade Harvard).
Nesse mundo multipolar, ganham importância os países de "Segundo
Mundo", como Brasil e China. E isso não segundo a definição
clássica, da Guerra Fria, que usava o termo para os países
na órbita da então União Soviética, mas no
conceito de Parag Khanna, norte-americano de origem indiana que, aos
31 anos, é a nova estrela entre analistas de política externa.
São países com características de Primeiro e Terceiro
mundos. Khanna falou à Folha por telefone. Leia abaixo trechos
da conversa:
FOLHA - O sr. defende a redefinição dos
termos Primeiro, Segundo e Terceiro mundos. Chama os que fazem
parte do grupo do meio de "países em transição",
como o Brasil. Pode ampliar o conceito?
PARAG KHANNA - Os países do Segundo
Mundo estão presos nesse grupo em termos socioeconômicos.
O que os define é como lidam com a globalização,
se são capazes de capitalizar as oportunidades do mercado
global -como acredito que o Brasil é- ou se são
vitimados por esse mercado global -como acredito que muitos
países são.
Os países de Segundo Mundo são os que têm divisões
internas, com características de Primeiro Mundo e de Terceiro
Mundo, como China e Brasil.
Ambos são parte do mesmo grupo, mas a diferença é que
a China tem ambições globais. Competir com os EUA e a Europa
faz dela uma superpotência. Sim, você pode ter superpotências
de Segundo Mundo. Para ser uma, não é preciso ser rico
-a China não é rica internamente, mas poderosa.
FOLHA - O fato de um país ter ou não ambição
global o define?
KHANNA - Sim. Mas a relação
entre eles também é importante. A China e os
EUA são superpotências, o Brasil não. Mas,
se o Brasil decidir rejeitar as ofertas da China em termos
de comércio e investimento, isso vai prejudicar as ambições
globais chinesas.
Do mesmo modo, se o Brasil decidir não cooperar com os EUA na
América Latina, então as políticas dos EUA para
a região serão ainda mais fracassadas do que são
hoje. Meu ponto é que países de Segundo Mundo como o Brasil
têm influência sobre o sucesso das superpotências,
por isso têm poder.
FOLHA - Como esse conceito de Segundo Mundo difere do conceito
de Brics [acrônimo criado pelo Goldman Sachs em 2001 que agrupa
as potências emergentes Brasil, Rússia, Índia
e China], por exemplo?
KHANNA - Há muitos problemas com o
conceito de Brics. Em primeiro lugar, ele faz uma projeção
para 40 anos, o que não pode ser exato por definição,
especialmente no momento atual. Ele olha tão longe que é impossível
refutar, mas é impossível validar também.
Em segundo lugar, são apenas quatro países. Mesmo
quando se diz Brics + 11, como tem acontecido ultimamente,
são 15 países. Eu falo de 40 países no
Segundo Mundo.
Esse conceito é falho ao não levar em conta diplomacia,
estratégias política e militar.
FOLHA - Um dos capítulos mais longos de seu livro o
sr. dedica ao Brasil, onde já esteve. Qual sua impressão?
KHANNA - Muito favorável. A força
do país está em sua economia diversificada, não
só baseada nos recursos naturais mas também muito
industrializada e com inovações em alguns setores.
Além disso, acho positivo algumas políticas de
desenvolvimento do governo. Programas como o Bolsa Família,
por exemplo, são inovadores e difíceis de implantar.
Na verdade, não encontrei nada similar, com tamanho sucesso, em
nenhum outro lugar do mundo, com exceção talvez da China.
Os dois países estão criando um mercado interno muito forte
por conta disso.
Por fim, a diplomacia: acho o Itamaraty incrivelmente sofisticado, a
maneira com que lida com questões de comércio.
FOLHA - O sr. é um dos defensores do mundo multipolar,
em que os EUA perdem poder absoluto em favor de mais participantes
no diálogo mundial. Em relatório recente, a comunidade
de inteligência norte-americana admite pela primeira vez esse
cenário, para 2025. Eles estão finalmente ouvindo o
que a intelligentsia vem dizendo há anos?
KHANNA - Você é que está dizendo
que eles estão nos ouvindo, mas, se você comparar
os ponto-chave deles e os do meu livro, eu escrevi antes (risos).
Fui uma das pessoas ouvidas pelo relatório, na verdade.
Mas pode ser que eles estivessem atrás no conceito e
agora estão chegando lá.
FOLHA - Os EUA estão preparados para esse cenário?
KHANNA - O relatório aponta que em 2025 os
EUA ainda serão o país mais poderoso do mundo. Diz
também que o mundo será um lugar muito difícil
de ser governado, que a noção de comunidade internacional
será enfraquecida e que não haverá um líder
definitivo.
FOLHA - Mas o sr. diz que os EUA correm o risco de se tornarem
um país de Segundo Mundo...
KHANNA - Sim. Se você ligasse a TV
agora e assistisse às três maiores montadoras
norte-americanas de pires na mão, sendo socorridas
pelo governo, discordaria de mim?
FOLHA - Nesse sentido, é bom ou ruim o fato de Barack
Obama se tornar o novo presidente?
KHANNA - Bom, principalmente por conta da
situação econômica e de como ela afetará o
poder de ação dos EUA no mundo. Com o agravamento
da crise, será cada vez mais difícil contar
com corporações, ONGs, entidades beneficentes
e assistência internacional -instrumentos de "soft
power" que a política externa norte-americana
usa para compensar a estratégia militar, que é um
fracasso.
FOLHA - Que tipo de capitalismo sairá dessa crise?
KHANNA - Um capitalismo como o europeu, isso é inegável.
Um modelo de capitalismo de Estado, bem regulado, mas bem dirigido,
com grandes e importantes indústrias.
FOLHA - O sr. é um dos consultores do presidente eleito
para o Sudeste Asiático. O que acha da promessa que fez na
campanha, de ser mais agressivo em relação ao Paquistão?
Prometeu, por exemplo, fazer ataques pontuais dentro do país.
KHANNA - Esses ataques já estão
acontecendo sob George W. Bush, então não vejo
uma grande mudança de tática. Não acho
que será tão controverso assim, pelo menos não
em termos de realidade política americana.
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Folha de S.Paulo, 22 de janeiro de 2008
Obama planeja pacote maior do que socorro
a Wall Street
Plano custará entre US$ 675 bi e US$
775 bi e criará 3 milhões de empregos
Presidente eleito deve receber esboço no
dia 2, Congresso começa votação no dia 6 e democrata
quer assinar medida no dia 20
SÉRGIO DÁVILA
DE WASHINGTON
O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, sua equipe econômica
e os líderes democratas no Congresso colocam os últimos
detalhes num plano de estímulo à economia norte-americana
cujo custo final ficará entre US$ 675 bilhões e US$ 775
bilhões. O valor será gasto em dois anos.
Na hipótese mais alta, a ajuda é maior do que o resgate
a Wall Street aprovado pelo Legislativo norte-americano em outubro, de
US$ 700 bilhões, por sua vez o maior da história dos Estados
Unidos, e do qual o Tesouro já gastou a metade. Equivale também
a aproximadamente meio PIB do Brasil e a cerca de 5% do PIB dos EUA.
Batizado de Plano de Recuperação Econômica, revisa
para cima também a meta de criação de empregos,
agora estimada em 3 milhões de vagas. O número, que era
de 1 milhão durante a campanha, havia passado a 2,5 milhões
em novembro.
O aumento deve-se à constatação do governo de transição
de que a situação do país é mais grave do
que se esperava. Segundo cálculos da equipe de Obama, os EUA podem
perder até 4 milhões de vagas em 2009, levando o índice
de desemprego para 9%. Hoje, está em 6,7%, o maior em 15 anos,
após salto em novembro, quando o país perdeu 533 mil vagas,
a maior queda desde 1974.
Ontem, em sua primeira entrevista depois de eleito, o vice de Obama,
Joe Biden, confirmou os temores. "A economia está em condições
muito piores do que pensávamos", disse. Para ele, seja qual
for o valor do novo pacote, "está muito claro que será um
número que ninguém pensava há um ano. Toda pessoa
com quem falo concorda" em relação ao pessimismo.
Obama descansa com a família, desde sábado, no Havaí.
A idéia é que ele tenha o esboço do plano em mãos
quando voltar a Chicago, no dia 2 de janeiro, que os líderes de
seu partido já o apresentem ao novo Congresso no dia da posse
do Legislativo, em 6 de janeiro, e que ele assine a medida no dia de
sua posse, 14 dias depois.
A principal preocupação do democrata é com a criação
de empregos. A revisão da meta foi proposta depois de quadro pessimista
apresentado na terça-feira, em reunião fechada em Chicago,
por Christina Romer, que será a chefe do Conselho de Assessores
Econômicos da nova administração. O encontro durou
quatro horas.
Até US$ 1,3 trilhão
Já o pacote de estímulo começou em US$ 100 bilhões,
mas viu seu valor crescer com a deterioração no último
trimestre. Há economistas que pedem um estímulo de até US$
1,3 trilhão. "Meu conselho é errar pelo excesso",
disse Mark Zandi, da Moody's, em entrevista ao "New York Times" -o
serviço on-line do jornal foi o primeiro a publicar sábado
os valores.
Os US$ 675 bilhões a US$ 775 bilhões com que os obamistas
trabalham, no entanto, parecem ser o limite de segurança para
que a medida não seja rejeitada pela oposição republicana.
Os democratas terão maioria nas duas Casas do Congresso, mas não
conseguiram a maioria à prova de obstrução no Senado,
o que dificultará as coisas se a liderança republicana
não der seu aval ao pacote.
Os valores devem variar conforme o pacote avance nas duas Casas. "Não
se pode encarar isso apenas como um jogo de números", disse
Lawrence Summers, futuro diretor do Conselho Econômico nacional
de Obama. "Vai depender da qualidade dos programas de gastos que
pudermos identificar."
Os gastos se concentram em ajuda a desempregados e a trabalhadores de
baixa renda e em investimentos em educação, energia, saúde
e infra-estrutura. Os empregos viriam principalmente do último
setor, no qual Obama promete o maior investimento desde os anos 50.
Mas novos detalhes sobre a utilização do dinheiro vieram
a público, também. Cerca de US$ 150 bilhões iriam
para suspensão ou eliminação de IR na fonte para
assalariados de baixa renda. Outros US$ 100 bilhões, em empréstimos
para Estados e municípios continuarem seus programas de assistência
pública. Outros US$ 140 bilhões iriam para cortes de empréstimos
para a classe média (leia abaixo). A infra-estrutura ficaria com
US$ 350 bilhões.
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Folha de S.Paulo, 22 de janeiro de 2008
Déficit habitacional recua 9,5%
em 2007
Falta de moradias no país tem
queda de 754 mil domicílios, diz o Sinduscon-SP
Mais de 7,2 milhões de residências
são necessárias ainda no país para eliminar as
habitações precárias ou divididas por várias
famílias
CLAUDIA ROLLI
RENATO ESSENFELDER
DA REPORTAGEM LOCAL
Com o crescimento da economia, a melhora na renda e nas condições
de crédito imobiliário, o déficit habitacional
recuou pela primeira vez de forma significativa nos últimos
15 anos. A carência por moradias caiu 9,5% entre os anos de 2006
e 2007, o que representa uma redução de 754 mil domicílios
no cômputo do déficit.
É o que indica estudo da FGV Projetos elaborado para o Sinduscon-SP (Sindicato
da Indústria da Construção Civil paulista), que constatou
que o déficit no Brasil passou, nesse período, de 7,96 milhões
para 7,21 milhões de moradias necessárias para eliminar favelas
e cortiços e resolver o problema de domicílios habitados por duas
ou mais famílias.
A previsão para 2008 é de resultado ainda mais expressivo.
Isso porque o crescimento do país até o terceiro trimestre
deste ano -antes de a economia ser atingida pela crise global- foi superior
ao verificado em igual período de 2007. No terceiro trimestre
deste ano, o PIB cresceu 6,8% (em relação a igual período
de 2007). No ano passado, 5,4% (sobre o mesmo trimestre de 2006).
A diminuição no déficit habitacional é resultado
do surgimento de novas moradias (1,79 milhão) em número
superior ao de novas famílias (1,025 milhão) entre 2006
e 2007, segundo constata o estudo a partir de informações
da Pnad, do IBGE. " O que permitiu esse resultado em 2007 foi o
crescimento da economia, do emprego formal, que deu robustez aos caixas
do FGTS e da caderneta de poupança, as duas principais fontes
de recursos para atender o sistema financeiro de habitação",
afirma Sergio Watanabe, presidente do Sinduscon-SP.
Em 2002, os recursos do FGTS destinados à habitação
foram da ordem de R$ 3 bilhões, e 53% desse montante atendeu quem
ganha até cinco salários mínimos. Neste ano, foram
R$ 10,22 bilhões (até novembro), sendo 79% para essa mesma
faixa, segundo a Secretaria Nacional de Habitação do Ministério
das Cidades.
" Houve aumento expressivo nos recursos para habitação [FGTS,
programas de governos federal e estaduais, PAC], mas ainda faltam produtos para
atender essa população. Os bancos só começaram recentemente
a rever e a baixar o perfil de renda exigido [para conceder empréstimos]",
diz a secretária Inês Magalhães. Após mudança
de critério de análise, o governo apontou redução
ainda maior no déficit de moradias do país.
A expansão de prazos e de crédito para o mercado de imóveis
deve resolver entre 20% e 30% do déficit habitacional, na avaliação
de especialistas do setor. O restante deve vir de políticas públicas.
" Quase um terço dos domicílios inadequados [inclui improvisados,
moradias rústicas, favelas e cortiços] são habitados por
famílias com renda de até um salário mínimo, e 78,5%
na faixa até três salários mínimos. Não há como
resolver essa questão sem políticas públicas", afirma
Ana Maria Castelo, consultora da FGV Projetos e uma das autoras do estudo.
Ela também destaca que aumentou a concentração de
carências de habitação nas faixas mais baixas de
renda. Em 2006, 29,2% do total de domicílios considerados inadequados
estavam na faixa de renda familiar até três salários
mínimos. No ano passado, esse percentual passou para 31,1%.
Déficit zero
Em janeiro, o governo deve lançar o Plano Nacional de Habitação
(PlanHab), que prevê solucionar o problema do déficit habitacional
em 15 anos. A meta é construir 27 milhões de moradias até 2023
para atender a população de baixa renda e zerar o déficit
habitacional.
João Crestana, presidente do Secovi-SP (sindicato da habitação),
avalia que a participação das empresas na redução
do déficit habitacional tende a crescer se houver "boas políticas" de
apoio. "A família que ganha R$ 1.600 precisa de subsídio
para adquirir uma moradia de R$ 40 mil, que é o limite de preço
que se consegue atingir hoje por causa da alta tributação."
Segundo a FGV Projetos, o déficit de 7,21 milhões de unidades
de 2007 foi formado por 3,65 milhões de casas habitadas por duas
ou mais famílias, 3,29 milhões de moradias rústicas
(inclui 2 milhões em favelas); 153,65 mil cortiços e 109,77
mil habitações improvisadas.
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