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Agência Diap, 24 de dezembro de 2008
Reforma trabalhista opõe empresários
e assalariados
Se a reforma trabalhista já tivesse sido realizada em comum acordo
entre empregados, patrões e Governo, Roberto Della Manna, um dos
vice-presidentes da Fiesp (Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo), acredita que a desoneração
da folha já teria ocorrido e poderia ajudar as empresas a enfrentarem
as conseqüências da crise. "Agora não adianta
discutir isso. É preciso cortar juros, oferecer mais financiamentos
e redução de impostos”.
O debate da reforma trabalhista foi reaceso no final de novembro,
em meio à crise, quando o ministro Tarso Genro (Justiça)
disse em um debate na CNI (confederação das indústrias)
que o País perdeu a oportunidade de fazer a "necessária" reforma
trabalhista.
A CUT reagiu à proposta: "O ministro erra ao defender
mudanças na legislação trabalhista, por desconsiderar
que momentos de crise, como o atual, são sempre usados por neoliberais
em geral para, no embalo do clima de temor, propor rebaixamento das
condições de vida e de trabalho daqueles que não
construíram a crise, mas, ao contrário, constroem o desenvolvimento
nacional", disse, em nota, Artur Henrique, presidente da central.
Oportunismo
Cláudio Montesso, presidente da Anamatra (Associação
Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho), avalia que possíveis
demissões independem de a reforma trabalhista ter sido ou não
feita. "As demissões ocorrem em função da queda
no nível de atividade econômica, não do custo da
mão-de-obra ou da proteção garantida aos trabalhadores”.
Discutir a reforma trabalhista neste momento, segundo Montesso, é uma
atitude oportunista. "Quando a economia estava favorável à ampliação
de direitos para os trabalhadores, ninguém quis fazer a discussão.
Vincular a reforma à crise é um debate oportunista de
quem sempre defendeu a desregulamentação do mercado”.
Em relação à ampliação de direitos
dos trabalhadores, Montesso diz que ela não irá onerar
as empresas. No caso da ampliação da licença-maternidade,
ele lembra que as empresas que a concederem irão receber benefícios
fiscais. "E no caso do marido da gestante, a empresa não
fica impedida de demitir. Se tiver de reduzir posto de trabalho, pode
escolher entre outros funcionários”.
Momento inoportuno
Cláudio Dedecca, professor da Unicamp, diz que os benefícios
estão sendo concedidos aos trabalhadores de forma fragmentada. "Não
sabemos nem o que queremos com essa proteção social do
trabalho que ocorre por meio de medidas pontuais. Nem empresários
nem trabalhadores querem fazer a discussão de temas agora. O único
consenso entre as partes é fazer com que o País continue
crescendo”.
A redução da jornada de trabalho, reivindicação
legítima das centrais sindicais, segundo Dedecca, precisa ser
discutida com cautela. "O regime tributário no Mercosul
criou uma proteção alfandegária entre os países
muito baixa. Se a jornada for reduzida no Brasil, o que impede a indústria
automobilística de produzir na Argentina? É uma questão
delicada”.
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Agência Diap, 24 de dezembro de 2008
Juros para pessoa física sobem
em novembro e atingem 58,7% ao ano
Os juros para pessoa física subiram 3,8 pontos percentuais em
novembro, alcançando 58,7% ao ano, o maior nível desde
março de 2006. Segundo dados divulgados nesta terça-feira
pelo Banco Central, a taxa para pessoa jurídica caiu 0,4 ponto
percentual, passando de 31,6% ao ano em outubro para 31,2% em novembro.
A taxa média geral ficou em 44,1% ao ano, valor 1,2 ponto percentual
maior do que no mês anterior.
O spread bancário para pessoa física chegou a 43,6%
ao ano em novembro, alta de 3,8 pontos percentuais em relação
a outubro. Para pessoa jurídica, o spread foi de 18,3% ao ano
no mês passado, alta de 0,8 ponto percentual. A inadimplência
ficou estável em novembro, em 4,2%.
Os juros do cheque especial subiram 4 pontos percentuais em novembro,
passando de 170,8% ao ano em outubro para 174,8% no mês seguinte.
A taxa do crédito pessoal também aumentou de 57,5% ao
ano em outubro para 60,6% ao ano em novembro.
Para o financiamento de veículos, a taxa passou de 34,1% ao
ano para 37,6% em novembro.
PIB
O volume de crédito concedido alcançou 40,3% do PIB (Produto
Interno Bruto) em novembro, contra 39,6% em outubro. A relação
alcançou um patamar recorde. O volume total cresceu 2%, alcançando
R$ 1,2 trilhão em novembro. Para pessoa jurídica, o crescimento
foi de 3%, mas para pessoas físicas foi de apenas 0,1%.
"Se observa uma continuidade de crescimento no crédito,
principalmente no crédito voltado para a pessoa jurídica",
afirmou o diretor chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir
Lopes.
A média diária de concessão de crédito
aumentou 4,2%, crescendo 6% para pessoas físicas e 3,3% para
pessoa jurídica.
Perspectivas
Segundo Lopes, o volume de crédito deverá crescer 16% em
2009 --a metade da expansão acumulada nos últimos 12 meses,
que é de 32,8%. Para 2008, a previsão é fechar o
ano com um crescimento de 31%.
"Crescer 16% não é trivial, principalmente em um
ano em que você está em recuperação, não é tão
baixo", afirmou Lopes. A projeção é que o
volume de crédito alcance 42% do PIB no ano que vem. Para 2008,
a relação crédito/PIB deve ficar em 40,5%.
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Agência EFE, 24 de dezembro de 2008
Brasil e França reforçam
aliança com acordos militares e políticos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chefe de
Estado da França, Nicolas Sarkozy, reforçaram nesta
terça-feira (23) a aliança estratégica entre
os dois países com a firma de dez acordos, principalmente
militares, e posições comuns para combater a crise
financeira e salvar a Rodada do Desenvolvimento de Doha.
Os tratados foram assinados hoje no Rio de Janeiro durante a visita
oficial ao Brasil realizada por Sarkozy, que ontem, em sua condição
de presidente rotativo da União Européia (UE), participou
da cúpula Brasil-UE com Lula.
"Estabelecemos uma associação para falar com a
mesma voz nos fóruns internacionais, nos quais defenderemos
uma reestruturação do sistema financeiro, combateremos
o protecionismo e impulsionaremos as negociações da Rodada
de Doha", disse Sarkozy, em entrevista coletiva.
"Associamo-nos para participar juntos nos debates dos grandes
temas da agenda internacional e comprometidos com uma ordem internacional
mais justa", acrescentou Lula.
Os dois presidentes também assinaram um plano de ação
que orientará a relação entre os dois países
nos próximos anos e que prevê, além de um diálogo
político contínuo, cooperação econômica
e comercial, militar, espacial, nuclear, ambiental e educativa.
Sarkozy anunciou que França e Brasil apresentarão na
próxima Cúpula do Grupo dos Vinte (G20, os países
mais ricos e os principais emergentes), prevista para 2 de abril, em
Londres, propostas conjuntas para reestruturar o sistema financeiro
internacional, definir um novo papel para o Fundo Monetário
Internacional (FMI) e impulsionar as negociações da Rodada
de Doha.
Após a reunião do G20 em novembro, em Washington, "Brasil
e França continuarão atuando conjuntamente com vistas à refundação
do sistema financeiro internacional para evitar novas distorções
e recolocá-lo a serviço do financiamento da economia
e do desenvolvimento", segundo o plano de ação assinado.
O presidente francês também defendeu um maior protagonismo
internacional do Brasil nos fóruns internacionais.
Sarkozy apoiou que o Brasil seja incluído no Conselho de Segurança
da ONU como membro permanente, e disse que continuará lutando
por uma reestruturação do Grupo dos Oito (G8, os sete
países mais desenvolvidos e a Rússia) que dê espaço
a países como Brasil, China e Índia.
Segundo o plano de ação, as duas nações
reafirmam sua "vontade de ampliar o Conselho de Segurança
da ONU e o G8 com a entrada de novos membros" e a França
apóia a candidatura brasileira às duas instituições.
"Queremos que o G8 seja transformado verdadeiramente em um G14.
Não podemos tratar os assuntos mais importantes do mundo sem
países como o Brasil ou China, ou sem um país árabe",
afirmou.
O plano de ação prevê que "Brasil e França
serão parceiros privilegiados na área de defesa e desenvolverão
uma cooperação militar a longo prazo baseada em associações
industriais e transferência de tecnologia".
"Se a França aceita transferir a tecnologia militar é porque
estamos conscientes de que o Brasil tem um grande potencial para promover
a paz e a segurança, assim como tem um grande potencial econômico
e político", disse Sarkozy.
Segundo Lula, o Brasil optou pela firma dos acordos militares com
a França porque o país europeu "não só ofereceu
os equipamentos em venda, mas também se comprometeu a construí-los
no país e a transferir a tecnologia".
O presidente brasileiro disse que espera que a associação
com a França tenha resultados concretos antes de 7 de setembro
de 2009, quando Sarkozy voltará ao país como convidado
especial para as comemorações do Dia da Independência.
Acrescentou que o aumento das relações já permitiu
que o investimento francês no Brasil crescesse 62% em 2007 e
que o fluxo comercial chegasse a US$ 7 bilhões no ano passado.
"A França se transformou em um mercado prioritários
para nossas exportações, que queremos diversificar para
que sejam de produtos de maior valor agregado", disse.
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Agência Brasil, 24 de dezembro de 2008
Nova lei incluirá 10 milhões
de pessoas na Previdência
A lei complementar publicada nesta segunda-feira (22) no Diário
Oficial da União que modifica o sistema de concessão de
aposentadorias também traz alterações para os pequenos
empresários. O texto faz ajustes na Lei Geral da Micro e Pequenas
Empresas e cria uma nova categoria de contribuintes para a Previdência
Social: o microempreendedor individual.
O ministro da Previdência, José Pimentel, afirmou nesta
terça-feira (23), em entrevista a emissoras de rádio,
que a mudança deve atrair em torno de 10 milhões de trabalhadores.
“ Nós vamos formalizar algo em torno de 10 milhões
de feirantes, pedreiros, eletricistas, encanadores, doceiros, pipoqueiros,
costureiros, os pequenos negócios”, disse. O microempreendedor é o
trabalhador autônomo que tem receita bruta anual de até R$
36 mil (de até R$ 3 mil por mês).
A lei passa a valer a partir de julho. A categoria fica isenta de
impostos federais e tem redução do ICMS (Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços). “Eles
serão constituídos como pessoa jurídica, com um único
CNPJ que vai valer para estados, municípios e a União.
Ele tem imposto zero para o governo federal e contribuirá com
R$ 1 por mês a título de ICMS. Antes, o trabalhador nessa
faixa tinha que pagar cerca de R$ 480 mensais só de ICMS”,
comparou.
A contribuição mensal do microempreendedor à Previdência
será de 11% sobre o salário mínimo, em torno de
R$ 45,65. Segundo Pimentel, ele terá direito à aposentadoria
por idade, licença saúde, licença maternidade,
licença por acidente de trabalho e outros benefícios.
“ Esta lei vem trazer um conjunto de benefícios que
vai aumentar a formalização e reconhecer direitos. Isso
simplifica muito e nosso objetivo é criar condições
para que essas pessoas, querendo, possam se formalizar”, afirmou.
Segundo Pimentel, municípios, estados e União estão
se organizando para atender esse trabalhador a partir do segundo semestre
de 2009. “Estamos firmando convênios para que ele possa
procurar a prefeitura do seu município, ou uma unidade do governo
estadual ou a Receita Federal para fazer essa formalização”,
acrescentou.
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Vermelho, 24 de dezembro de 2008
Greve vence e TRT revoga 600 demissões
da Amsted-Maxion
Os metalúrgicos da Amsted-Maxion, de Osasco (SP),
saíram vitoriosos do julgamento, nesta segunda (22), no TRT
(Tribunal Regional do Trabalho) da 2ª Região. Por unanimidade,
os oito desembargadores e o presidente do Tribunal, Décio
Sebastião Daidone, determinaram que a empresa revogue todas
as cerca de 600 demissões realizadas entre os últimos
dias 15 e 19.
“É um resultado amplamente favorável para nós
e vai estabelecer, no mínimo, um processo de negociação
decente”, enfatizou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos
de Osasco, Jorge Nazareno.
O tribunal ainda decidiu que a empresa deve parar as demissões
em massa e pagar multa de R$ 80 mil. Caso insista em tal prática,
deverá pagar multa de R$ 5 mil por trabalhador demitido, seguindo
decisão liminar concedida na última sexta-feira, 19.
Todos os quatro dias parados devem ser pagos pela empresa.
Na decisão, o TRT considerou que a empresa se mostrou inflexível
a qualquer proposta de negociação feita pelo sindicato
e pelo próprio tribunal, também não apresentou
qualquer planejamento que comprovasse que as demissões seguiam
um plano frente às dificuldades financeiras que a empresa alega
enfrentar.
A decisão também afirma que Amsted-Maxion não
estabeleceu critérios objetivos para as dispensas, nem o impacto
social do volume expressivo de pessoas dispensadas e a preocupação
do sindicato quanto ao futuro da empresa. Considerou ainda que a realização
das demissões por meio de telegrama foi um ato de violência
contra os trabalhadores que estavam em greve.
A decisão do TRT seguiu a orientação das duas
audiências que antecederam o julgamento. A primeira ocorreu na
quinta-feira (18) e a outra nesta segunda. Nesta última, foram
reforçadas as propostas feitas na primeira audiência e
feitas considerações, como o fato da empresa ter sido
arbitrária e sonegado o direito de informação
aos trabalhadores e ao sindicato. Com isso, o TRT julgou procedente
todas as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores.
A ordem é negociar
A ordem do TRT é o restabelecimento das negociações
com o sindicato. Caso a empresa ainda tenha necessidade de realizar
demissões, deve negociar com a entidade medidas progressivas,
como: Plano de Demissão Voluntária (PDV), remanejamento
de trabalhadores, redução de jornada, suspensão
de contratos, e, em último caso, demissão quando se esgotarem
todas as possibilidades.
“A Justiça pediu ampla divulgação da decisão
para que outras empresas saibam qual vai ser a postura frente a casos
como o da Amsted-Maxion”, esclareceu a secretária-geral
do sindicato, Mônica Veloso. “Na minha opinião,
vai ser muito difícil que em Brasília a Justiça
do Trabalho não seja favorável aos trabalhadores porque
não é essa a conduta”, opinou.
A decisão foi informada aos trabalhadores (demitidos ou não)
que compareceram em número expressivo na reunião realizada
na sede do sindicato na manhã desta terça-feira (23).
Leia abaixo a íntegra da decisão.
Ao julgamento, por unanimidade de votos:
1. Afastar as preliminares de ausência de ex aurimento das negociações,
de aviso prévio da greve, de convocação da assembléia
dos trabalhadores;
2. Declarar não abusiva a greve devendo a empresa pagar os
dias de paralisação;
3. Reverter as demissões dos estáveis (o que inclusive
já foi aceito pela empresa);
4. Reverter as demissões efetuadas no período de greve
[de 16 a 19 de dezembro], uma vez que os contratos estavam suspensos;
5. Declarar nula a demissão em massa [ocorridas na segunda-feira,
15 de dezembro], tendo em vista a inobservância do procedimento
de negociação coletiva e do direito de informação,
sendo que deverão ser revistas para observar o procedimento
adequado. (...)
6. Manter a liminar com as observações contidas no dispositivo,
até o trânsito em julgado desta decisão [multa
de R$ 5 mil por trabalhador em caso de demissão em massa]”.
- Consulte a decisão no site do TRT:
www.trt02.gov.br, processo 20281200800002001
Fonte: http://www.fsindical.org.br/fs/index.php
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Gazeta do Povo, 24 de dezembro de 2008
Crise
Renault vai suspender contrato de mil
trabalhadores
Medida, negociada com sindicato, é válida
por cinco meses. Estoque da empresa equivale a três meses de
produção
Com um estoque de 3 mil automóveis e a produção
parada desde 25 de novembro, a Renault vai suspender, por cinco meses,
o contrato de mil trabalhadores da fábrica de São José dos
Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. O artifício
da suspensão temporária foi a alternativa encontrada
pela empresa e pelo Sindicato dos Metalúrgicos (SMC) para evitar
a demissão dos funcionários, no que seria o maior corte
de pessoal da história da indústria metalúrgica
paranaense.
Ontem, segundo o sindicato, foi firmado um protocolo de intenções
definindo os moldes do acordo, que deve ser assinado após 5
de janeiro, quando os funcionários retornarem das férias
coletivas e aprovarem o mecanismo. A Renault está em recesso
por ocasião das festas de fim de ano e ninguém foi encontrado
para comentar o assunto.
A suspensão deve abranger todos os trabalhadores do segundo
turno da produção da Renault (700 pessoas) e uma parte
do primeiro turno (outras 300 pessoas). O presidente do SMC, Sérgio
Butka, explicou que, durante estes cinco meses, os “suspensos” não
terão perda salarial – uma parte da remuneração
virá do seguro-desemprego do Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT) e o restante virá da empresa. Os demais benefícios,
como férias, décimo-salário e FGTS, continuam
sendo pagos pela montadora.
Segundo Butka, o protocolo de intenções firmado ontem
também prevê que, em caso de demissão após
os cinco meses de contrato suspenso, a empresa se compromete a pagar
igual parcela à desembolsada pelo FAT para os demitidos. Isso
porque a lei brasileira prevê que, após o pagamento do
seguro-desemprego pelo FAT, o trabalhador só pode recebê-lo
novamente após 16 meses de contribuição previdenciária. “Nós
apostamos que nos próximos cinco meses vamos retomar a produção.
Se não tiver jeito, nos 16 meses seguintes a empresa vai ter
que desembolsar aquilo que o FAT já pagou para o trabalhador.”
Durante o período em que o contrato estiver suspenso, os trabalhadores
receberão treinamento da empresa, conforme prevê a legislação
trabalhista.
Sérgio Butka conta que a Renault tem 3 mil automóveis
em estoque, o que correponde a uma produção para três
meses de vendas. Com a suspensão dos contratos, a fábrica
de São José dos Pinhais funcionará em apenas um
turno, com a produção diária de 300 carros. O
número de trabalhadores afetados pela medida representa 40%
do “chão de fábrica” da Renault, de acordo
com o SMC.
“Nós nunca vivemos uma situação dessa.
Já estivemos em outras crises, mas não com um volume
de demissões como o que a Renault estava querendo fazer. Claro
que o parque industrial era menor, as maiores empresas antes tinham
até 700 funcionarios”, disse Sérgio Butka, que
está há cerca de 20 anos no sindicato.
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Gazeta do Povo, 24 de dezembro de 2008
Crise
Sindicato estima 5 mil demitidos no
Paraná
A indústria paranaense de base metal-mecânica já demitiu
cerca de 5 mil trabalhadores desde meados de outubro, segundo estimativa
do presidente do sindicato que representa as empresas (Sindimetal),
Roberto Karam. Ele conta que, em meados de novembro, uma pesquisa da
entidade mostrava que 62 empresas já haviam dispensado 1,3 mil
trabalhadores, e a previsão era chegar a 5 mil até o
fim do ano. “Quando a gente fez essa estimativa eu torcia muito
para estar errado. Mas infelizmente esse número está se
confirmando”, lamenta Karam.
O número engloba os cortes promovidos por grandes empresas
do setor. A Volvo mandou embora 430 trabalhadores; a Bosch, outros
200; a CNH demitiu 350 pessoas; a Volkswagen dispensou 66 pessoas,
e a Electrolux, 50. Só nesta conta são quase 1,1 mil
trabalhadores que perderam seus empregos de novembro para cá.
Suspensão é permitida
para treinamento
A suspensão temporária do contrato de trabalho está prevista
na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). De acordo com
o artigo 476-A, “o contrato de trabalho poderá ser suspenso,
por um período de dois a cinco meses, para participação
do empregado em curso ou programa de qualificação profissional
oferecido pelo empregador, com duração equivalente à suspensão
contratual, mediante previsão em convenção ou acordo
coletivo de trabalho e aquiescência formal do empregado”.
O artigo determina que a suspensão não poderá ocorrer
mais de uma vez no período de 16 meses. E diz ainda que, “se
ocorre a dispensa do empregado no transcurso do período de suspensão
contratual ou nos três meses subseqüentes ao seu retorno
ao trabalho, o empregador pagará ao empregado, além das
parcelas indenizatórias previstas na legislação
em vigor, multa a ser estabelecidas em convenção ou acordo
coletivo, sendo de, no mínimo, 100% sobre o valor da última
remuneração mensal anterior à suspensão
do contrato.”
E os cortes se propagam por toda a cadeia de fornecedores de insumos
e peças. Afetam a indústria química, do plástico,
vidro e tecidos, de componentes eletrônicos.
“Vamos ter que buscar alternativas. É o que a gente está tentando
fazer. Bloqueamos a realização de rescisões e
estamos endurecendo na homologação de demissões”,
disse Sérgio Butka, do Sindicato dos Metalúrgicos da
Grande Curitiba (SMC).
Karam e Butka acreditam que a fábrica da Volks em São
José dos Pinhais será a próxima a anunciar grandes
cortes ou acordos de redução de jornada ou suspensão
de contrato. “É claro que a Volkswagen vai demitir mais
ou vai tentar acordo. Não tem jeito, eles não são
diferentes de ninguém”, avalia Roberto Karam.
Bolha
O presidente do Sindimetal lembra ainda que os cerca de 5 mil empregos
que estão sendo cortados agora correspondem ao que foi contratado
para atender à demanda criada de um ano para cá. “Esses
empregos não existiam no passado. Estamos retornando aos níveis
do início de 2007.”
Para ele, o retorno do consumo será a única garantia
para estes empregos. “Nós entendemos que tem que existir
um movimento do sistema financeiro e do governo para reativar o mercado.
Não resolve colocar dinheiro na montadora. Ela vai ter dinheiro
para produzir, mas não vai conseguir vender. Toda a concentração
de esforços tem que ser no sentido de retornar ao que havia
há seis meses: crédito barato e fácil. Se isso
não ocorrer, não tem saída para as empresas”,
avalia Karam.
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Folha de S.Paulo, 24 de dezembro de 2008
Brasil forte militarmente é garantia
de paz, diz Sarkozy
Lula afirma que país precisa
ter "capacidade de dizer não quando tiver de dizer
não"
Presidente brasileiro declara que acordo militar
assinado ontem com o governo francês ajudará no controle
da Amazônia e do pré-sal
RAPHAEL GOMIDE
DA SUCURSAL DO RIO
CIRILO JUNIOR
DA FOLHA ONLINE, NO RIO
No dia em que assinou com seu colega brasileiro um acordo bilionário
na área de defesa, o presidente da França, Nicolas Sarkozy,
afirmou no Rio que o Brasil forte militarmente é garantia de
paz no mundo. O acordo, que não teve o valor total revelado,
pode chegar a 8,6 bilhões (cerca de R$ 28,6 bilhões),
sendo 6 bilhões (cerca de R$ 19,9 bilhões) para empresas
francesas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também ressaltou
a importância de o país ter Forças Armadas preparadas
para a defesa do território e de áreas como o pré-sal.
" Todos os acordos são conseqüências da vontade do Brasil
de ter instrumentos para favorecer a paz e a segurança do mundo. Temos
confiança no poder militar a serviço da paz. Temos consciência
de que o Brasil poderá ter status de potência militar para a paz.
A França pensa que o Brasil poderoso é um elemento de segurança
e estabilidade para o mundo", afirmou o francês.
A parceria foi anunciada ontem, no segundo dia da visita oficial de Sarkozy
ao Rio, com acertos de cooperação em várias áreas.
Foi confirmada a construção em parceria de quatro submarinos
convencionais e um de propulsão nuclear -o valor não foi
revelado-, e de 50 helicópteros (total de 1,89 bilhão,
ou R$ 6,29 bilhões), com transferência de tecnologia. Indagado
sobre notícias que estimam o acordo entre 6 bilhões e 8,9
bilhões, Nelson Jobim, ministro da Defesa, disse que era "especulação".
Para Lula, que chamou a parceria de "histórica", uma
das maneiras de um país se tornar potência é "a
capacidade militar, não pensando em atacar quem quer que seja,
mas em se defender". "É a capacidade de dizer não
quando tiver de dizer não." Ele afirmou que o novo acordo
vai ajudar "a tomar conta melhor da Amazônia, vai fazer com
que o Brasil possa tomar conta do nosso petróleo, que está em águas
profundas, a mais de 300 quilômetros da costa marítima".
Sarkozy disse querer ver o Brasil como "um dos líderes mundiais" e
defendeu a participação do país no Conselho de Segurança
da ONU (Organização das Nações Unidas). Sugeriu
a ampliação do grupo dos oito países mais ricos
do mundo. "O G-8 não pode se reunir sem China, Brasil e Índia, é inaceitável.
Não podemos tratar de um grupo sem um país árabe
-o Egito, por exemplo. O Conselho de Segurança tem de evoluir.
Não é possível que o continente africano não
tenha um assento", disse Sarkozy.
Lula criticou os antecessores Fernando Henrique Cardoso (Brasil) e Jacques
Chirac (França). Segundo ele, os dois "fizeram festa" "há mais
de oito anos" para anunciar a construção de uma ponte
entre Brasil e Guiana, que não está pronta. Lula prometeu
concluí-la.
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Folha de S.Paulo, 24 de dezembro de 2008
ELIO GASPARI
Lula 2.0 tem a voz do velho
sindicalista
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O problema é que ele chama de jogatina "desavergonhada" aquilo
que o Copom vê como "mercados"
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NA NOITE DE segunda-feira Nosso Guia fez ao mesmo tempo uma prestação
de contas do governo Lula 1.0 e o discurso de posse de Lula 2.0. Um
mostrou resultados, o outro ofereceu esperança. Poucos presidentes
puderam dizer como ele: "De 2003 para cá, o salário
mínimo cresceu em termos reais, 51%, e o emprego também
cresceu fortemente. Em 2007, batemos um recorde: 1,812 milhão
de novos empregos com carteira assinada. Em 2008, novo recorde: até outubro,
2,148 milhões de empregos. Resultado: a taxa de desemprego caiu
de 12,3% em 2003 para 7,6% em outubro de 2008. (...) Mudamos de cara
e de astral".
Pode-se avaliar a distância que separa o Lula 1.0 do 2.0 quando
se vê que, no mesmo dia em que sua fala foi ao ar, o Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados, o Caged, informou que em novembro passado
perderam-se 41 mil empregos formais. Pior: enquanto Lula falava à tarde
num crescimento de 4% para 2009, o Banco Central informava que a previsão
de seus sábios baixa a bola para 3,2%.
Deixando-se de lado leviandades verbais como a "marolinha",
Lula artilhou-se na estratégia certa de combate à crise:
deve-se estimular o consumo e o governo deve ser o indutor do resgate.
Se a banca internacional e seus fâmulos nativos não estivessem
mudos e quebrados, esmolando na porta do companheiro Obama, essas posições
de Nosso Guia seriam vistas como excentricidades populistas. Infelizmente,
Lula 2.0 tem amarrada à perna esquerda a bola de ferro de um organismo
extra-constitucional chamado Copom. Um dia alguém fará a
conta e descobrirá que essa invenção do tucanato
causou mais males ao Brasil que as tropas de Solano Lopez. Não
contentes com a marca da maior taxa de juros do mundo, conseguiram também
a excentricidade de terem sido os únicos a subir a Selic enquanto
o resto do mundo reduzia suas taxas ao longo do ano.
Colocando-se acima do poder republicano do presidente (por abdicação
do titular) os Copomitas refletem a anarquia financeira da mesma forma
que, durante a ditadura, os superpoderes do Alto Comando do Exército
refletiam a anarquia militar. Com uma diferença: a anarquia financeira
derreteu a economia mundial. Nosso Guia diz muito bem quando fala em
jogatina "desavergonhada". O doutor Henrique Meirelles e seus
colegas de Copom chamam essa mesma coisa de "mercados".
O discurso de fim de ano de Lula 2.0 teve um grande momento: "É imprescindível
que os trabalhadores defendam produção e emprego".
A frase é ambígua, mas na hora em que o presidente da Vale,
doutor Roger Agnelli comemorou os 40 anos do AI-5 sugerindo "medidas
de exceção" para as relações trabalhistas,
nada melhor do que o discreto reaparecimento de um velho líder
sindical.
Se os trabalhadores não prestarem atenção, o mesmo
empresariado que vai ao BNDES pegar o dinheiro do FAT a juros camaradas,
haverá de tungar seus direitos trabalhistas. Acabarão retardando
o recolhimento de impostos e antecipando a renegociação
das horas extras. Agnelli gostaria que o governo passasse a faca na proteção
que as leis dão ao trabalho, assim como a Fiesp gostou quando
a ditadura passou a faca nas garantias individuais da patuléia.
Depois, quando a história aparece com a conta, bota-se toda a
culpa nos militares ou na reforma trabalhista do governo Lula.
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Folha de S.Paulo, 24 de dezembro de 2008
Fiesp dá curso a trabalhador
com jornada menor
DO "AGORA"
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de
São Paulo) anunciou ontem que irá oferecer pelo menos
100 mil vagas em cursos gratuitos profissionalizantes para os trabalhadores
que tiverem redução de jornada e de salário por
conta da crise internacional que afetou o emprego no país. Os
cursos serão no Senai-SP (Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial).
As empresas que firmarem esse tipo de acordo é que deverão
inscrever os seus empregados no curso. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf,
afirmou, em nota, que "uma grande vantagem ao trabalhador é a
possibilidade de reciclagem e qualificação profissional
em cursos que, em valores de mercado, seria muito difícil pagar".
Trabalhadores e empresas de diversos setores já começaram
a fechar acordos desse tipo para evitar demissões em massa ainda
neste ano. É o caso da AçoTécnica, de Jandira (Grande
São Paulo) e da concessionária Alta Volkswagen. A proposta
da Fiesp foi criticada pelas centrais sindicais. Segundo elas, a medida
pode desencadear uma onda de redução de direitos.
" Antes de negociar a redução da jornada, o sindicato tem
obrigação de esgotar todas as possibilidades. É uma decisão
extrema. Cada caso deve ser analisado com cuidado. Não pode transformar
em regra para prejudicar o trabalhador", disse Artur Henrique, presidente
da CUT (Central Única dos Trabalhadores).
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, também
vê com ressalvas a redução de direitos. "Tem
muito empresário que não está quebrando que vai
usar essa flexibilização para empurrar a crise pro bolso
do trabalhador. O sindicato não pode permitir isso", disse.
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