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Glogo.com, 25 de dezembro de 2008
Lula sanciona lei que cria recursos
para o Fundo Soberano
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou na quarta-feira
(24) o projeto que criou o Fundo Soberano do Brasil, aprovado na última
quinta (18) pelo Senado, e também editou Medida Provisória
(MP) que garantirá os recursos para o Fundo.
A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa
da Presidência da República, que também destacou
que tanto a lei, quanto a MP serão publicadas no Diário
Oficial da União de sexta-feira (26).
O teor da Medida Provisória, no entanto, não foi divulgado
pela assessoria de Lula. A princípio, a MP criou cerca de R$
15 bilhões para o Fundo.
Na última quinta-feira (18), a criação do Fundo
Soberano foi aprovada pelo Senado, mas no dia seguinte a votação
dos recursos que iriam compor o Fundo não foi concluída,
fato que tornaria inviável o Fundo Soberano.
O projeto prevê que os recursos do fundo sejam utilizados exclusivamente
para investimentos e inversões financeiras sob as formas de
aquisição de ativos financeiros externos, para aplicação
em depósitos especiais remunerados em instituição
financeira federal ou diretamente, pelo Ministério da Fazenda;
e por meio da integralização de cotas do Fundo Fiscal
de Investimentos e Estabilização (FFIE), a ser constituído.
Mais cedo, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, disse que “faltou
seriedade” a oposição ao impedir a votação
dos recursos para o Fundo. “O fundo foi aprovado e os recursos
não. Isso é no mínimo falta de seriedade, porque
se fosse para rejeitar o fundo deveriam ter trabalhado nesta direção”,
disse.
“ Esse fundo é fundamental para que o Brasil possa investir
recursos que foram conquistados no momento em que a economia estava
crescendo fortemente e a arrecadação cresceu fortemente”,
completou o presidente do PT, que se reuniu com Lula no Palácio
do Planalto nesta quarta.
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JB Online, 25 de dezembro de 2008
Dilma conta com simpatia do PT para
2010, diz Berzoini
O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, afirmou nesta quarta-feira
(24) que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, contará com
a 'simpatia' dos correligionários, caso venha a ser mesmo a candidata
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições
de 2010.
Ao deixar o Palácio do Planalto, após uma visita a Lula,
Berzoini afirmou que PT e Dilma deram início às conversas
sobre as próximas eleições, mas ressaltou que
a decisão final do partido só deverá ser tomada
em fevereiro de 2010.
"Nós já começamos a discutir com a ministra
Dilma. Todos vocês são testemunhas de que ela foi convidada
para diversos eventos do PT. Todos nós temos por ela um grande
apreço e uma simpatia muito grande", disse.
A ministra integrava o PDT no Rio Grande do Sul, mas deixou a legenda
em 2000 para, em 2001, se filiar ao PT. Por esta razão (fato
de ela ter menos tempo de PT do que muitos outros colegas), já circulou
nos bastidores a informação de que o nome da ministra
não era o favorito entre os petistas mais antigos e que ela
seria a favorita apenas do presidente Lula e não de boa parte
do PT.
Mas, hoje, Berzoini afastou essa possibilidade ao falar que Dilma
conta com o 'apreço' e a 'simpatia' do partido.
O presidente do PT deixou claro, no entanto, que o partido ainda
não decidiu qual será o nome a disputar as próximas
eleições e garantiu que a democracia dentro da legenda
será preservada, apesar da importância da indicação
do nome escolhido por Lula.
" Temos um clima de tranqüilidade para definir (o nome),
a democracia do PT está assegurada, mas a palavra do presidente
(Lula) terá um peso muito grande e será imprescindível",
disse Berzoini.
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AFP, 25 de dezembro de 2008
EUA têm 5º mês de
queda no consumo das famílias
Os gastos de consumo das residências americanas registraram
queda pelo quinto mês consecutivo em novembro, o que não
acontecia desde 1959, com redução de 0,6% em relação
a outubro. No entanto, a baixa é inferior às previsões
dos analistas, que esperavam um retrocesso de 0,8% no consumo.
As rendas dos lares retrocederam pela primeira vez desde julho, uma
queda de 0,2% em novembro, segundo o departamento do Comércio.
Os analistas previam uma estabilidade em comparação ao
mês anterior.
Com a redução do consumo maior que a da renda, as residências
mostraram prudência ante a crise, poupando dinheiro. A taxa de
poupança teve forte alta, de 2,8% (contra 2,4% em outubro),
o maior nível desde maio.
O índice dos preços vinculados aos gastos de consumo
das residências (PCE), referência para a política
monetária do Federal Reserve (Fed, banco central americano),
retrocedeu em novembro 1,1% em relação ao mês anterior,
depois de uma queda de 0,5% em outubro.
Mas levando-se em conta a inflação e os impostos, a
renda disponível real em novembro subiu 1%, e o consumo pessoal
real avançou 0,6%, o primeiro aumento mensal desde maio e o
maior desde dezembro de 2006.
"Apesar do incremento real no consumo e na renda serem alentadores,
estão motivados por fortes reduções de preços",
advertiu Ryan Sweet, economista da Moody's Economy.com.
A acelerada queda dos preços nos últimos meses aumentou
os temores sobre a deflação, a espiral de redução
dos preços e a desaceleração do crescimento de
difícil reversão. "As finanças das famílias
estão justas e os consumidores tentam equilibrar seus gastos
poupando mais. A taxa de poupança subirá, em detrimento
do consumo", estima Sweet.
Já a desaceleração da tendência de baixa
da renda real "implica em uma menor redução do consumo
no quarto trimestre do que o previsto anteriormente, um alívio
em um trimestre de rápida deterioração da atividade
econômica", disse Peter Kretzmer, economista do Bank of
America.
"Agora estimamos que os gastos de consumo baixarão 1,8%
em ritmo anual neste trimestre (contra a queda de 3,8% no terceiro
trimestre)".
Os Estados Unidos enfrentam uma longa recessão após
a crise hipotecária americana provocar um terremoto financeira
mundial. O departamento de Trabalho anunciou hoje que recebeu 30 mil
novas solicitações de auxílio desemprego na semana
passada, totalizando 586 mil, o que ilustra a debilidade do mercado
de trabalho.
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Congresso em Foco, 25 de dezembro de 2008
Um Natal entre o abismo e a esperança
Celso Lungaretti (*)
O que o mundo realmente celebra no Natal? A saga de um carpinteiro
que trouxe esperança a pescadores e outras pessoas simples de
um país subjugado ao maior império da época. Os
primeiros cristãos eram triplamente injustiçados: economicamente,
porque pobres; socialmente, porque insignificantes; e politicamente,
porque tiranizados.
Jesus Cristo nasceu três décadas depois da maior revolta
de escravos enfrentada pelo Império Romano em toda sua existência.
As mais de 6 mil cruzes fincadas ao longo da Via Ápia foram
o desfecho da epopéia de Spartacus, que, à sua maneira
rústica, acenou com a única possibilidade então
existente de revitalização do império: o fim da
escravidão. Roma ganharia novo impulso caso passasse a alicerçar-se
sobre o trabalho de homens livres, não sobre a captura e o chicote.
Vencido Spartacus, não havia mais quem encarnasse (ou pudesse
encarnar) a promessa de igualdade na Terra.
Jesus Cristo a transferiu, portanto, para o plano místico:
todos os seres humanos seriam iguais aos olhos de Deus, devendo receber
a compensação por seus infortúnios num reino para
além deste mundo.
Este foi o cristianismo das catacumbas: a resistência dos espíritos
a uma realidade dilacerante, avivando o ideal da fraternidade entre
os homens.
Hoje há enormes diferenças e uma grande semelhança
com os tempos bíblicos: o império igualmente conseguiu
neutralizar as forças que poderiam conduzir a humanidade a um
estágio superior de civilização.
A revolução é mais necessária do que
nunca, mas inexiste uma classe capaz de assumi-la e concretizá-la,
como o fez a burguesia, ao estabelecer o capitalismo; e como se supunha
que o proletariado industrial fizesse, edificando o socialismo.
O fantasma a nos assombrar hoje é o do fim do Império
Romano: que este impasse nos leve à decadência extrema
e, enfim, nos sujeite à destruição cega.
O capitalismo produz legiões de excluídos em muito
semelhantes aos bárbaros que deram fim a Roma; não só os
que vivem na periferia do progresso, mas também os miseráveis
existentes nos próprios países abastados, vítimas
do desemprego crônico.
E as agressões ao meio ambiente, decorrentes da ganância
exacerbada, estão atraindo sobre nós a fúria dos
elementos, com conseqüências avassaladoras. Décadas
de catástrofes serão o preço de nossa incúria.
No entanto, como disse o grande jornalista Alberto Dines, "criaturas
e nações cometem muitos desatinos, mas na beira do abismo
recuam e escolhem viver".
Se a combinação do progresso material com a influência
mesmerizante da indústria cultural tornou o capitalismo avançado
praticamente imune ao pensamento crítico e à gestação/concretização
de projetos alternativos de organização da vida econômica,
política e social; tudo muda durante as grandes crises, quando
abrem-se brechas para evoluções históricas diferentes.
Temos pela frente não só uma recessão mundial
(que ninguém, em sã consciência, pode garantir
que não desemboque numa depressão tão terrível
como a da década de 1930), como a sucessão de emergências
e mazelas decorrentes das alterações climáticas.
O sofrimento e a devastação serão infinitamente
maiores se os homens enfrentarem desunidos esses desafios. Caso as
nações e os indivíduos prósperos venham
a priorizar a si próprios, voltando as costas aos excluídos,
estes morrerão como moscas.
O desprendimento, substituindo a ganância; a cooperação,
em lugar da competição; e a solidariedade, ao invés
do egoísmo, terão de dar a tônica do comportamento
humano nas próximas décadas, se as criaturas e nações
escolherem mesmo viver.
E há sempre a esperança de que os mutirões criados
ao sabor dos acontecimentos acabem apontando um novo caminho para os
cidadãos: o de que mobilizando-se e organizando-se para o bem
comum aproveitam muito melhor suas próprias potencialidades
e os recursos finitos do planeta.
Então, para além deste Natal transformado na própria
celebração do templo e de seus vendilhões, vislumbra-se
outro, o verdadeiro. Se frutificarem os esforços dos homens
de boa vontade.
*Jornalista, escritor e ex-preso político,
Celso Lungaretti mantém os blogs http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/ e http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/
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Gazeta do Povo, 25 de dezembro de 2008
Congresso
Salários de novos vereadores
custariam R$ 214 milhões
Cálculo foi feito com base na remuneração
média mensal de R$ 2.240 que os políticos municipais
recebem na atual legislatura
A criação de mais 7.343 vagas de vereadores custaria,
só com os salários, pelo menos R$ 214 milhões
por ano. A emenda constitucional que cria essas vagas foi aprovada
na Câmara dos Deputados e no Senado, mas sua promulgação,
para que entrasse em vigor, foi vetada pelos deputados e agora a questão
está em análise no Supremo Tribunal Federal (STF). O
cálculo do custo foi feito com base no subsídio médio
mensal de R$ 2.240 que os vereadores recebem na atual legislatura,
segundo estimativa da Confederação Nacional dos Municípios
(CNM). Com as novas vagas, saltaria de 51.748 para 59.302 o número
vereadores em todo o país – o Paraná pode ganhar
465 vagas em 126 cidades.
Se entrasse em vigor em janeiro, os valores poderiam ser ainda maiores,
porque a cada início de legislatura os subsídios são
redefinidos. A estimativa leva em conta apenas os 13º salários
que eles receberiam durante um ano. A inclusão de outros benefícios
dados aos parlamentares e de contratação de servidores
comissionados elevaria as despesas para mais de R$ 250 milhões.
A expectativa de 7.343 candidatos a vereadores que não se elegeram
em outubro, e ficaram com suplentes, era de que, com a aprovação
da emenda constitucional eles tomariam posse em fevereiro, junto com
os eleitos. Mas a polêmica se instalou depois que o Senado derrubou
justamente o artigo que reduzia o limite de gastos com as câmaras
municipais: a Câmara aprovou redução de 8% para
4,5% do orçamento municipal o teto para os gastos com o legislativo
municipial.
O presidente CNM, Paulo Ziulkoski, disse que mais importante do que
se discutir o número de vereadores é o debate sobre os
gastos das câmaras municipais. Segundo ele, quando o Poder Judiciário
determinou um corte de cerca de 8 mil vagas de vereadores, em 2004,
nem por isso gastos caíram. Ele alerta ainda que, mesmo que
a emenda constitucional acabe sendo promulgada, ela só valeria
para 2012.
“Para o cidadão, o que interessa é o gasto, e
o gasto vem aumentando”, disse Ziulkoski, ressaltando que em
3.384 cidades não haveria mudança nas vagas de vereadores.
Pela proposta, municípios de até 15 mil habitantes teriam
nove vereadores. O número vai aumentando conforme a população:
cidades com um milhão de habitantes ficariam com 31 vereadores
e aquelas com mais de 8 milhões de habitantes, com 55 vereadores.
O Senado ingressou com pedido de liminar no STF para forçar
a promulgação pela Câmara. O ministro Celso de
Mello, do STF, antes de decidir, pediu informações à Câmara
sobre sua recusa em promulgar a PEC. Mas uma decisão sobre o
assunto só deve sair em janeiro.
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Gazeta do Povo, 25 de dezembro de 2008
Tributos
Investimento em previdência amansa
a mordida do Leão
Planos de previdência privada no modelo
PGBL permitem dedução no Imposto de Renda cobrado sobre
parte da renda do contribuinte
O décimo terceiro, ou outro benefício de fim de ano,
pode ser útil para amansar a mordida do Leão do Imposto
de Renda no começo de 2009. Quem tem um plano de previdência
privada do modelo Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) pode
deduzir do IR os valores aplicados até 30 de dezembro.
A dedução é válida somente para este modelo
de plano e para quem faz a declaração no formulário
completo de Imposto de Renda. Além disso, é preciso lembrar
que a dedução é válida até o limite
de 12% da renda bruta anual do contribuinte. Quem tem um rendimento
líquido de R$ 100 mil, por exemplo, vai pagar o equivalente
a 27,5% deste valor em imposto. Se este contribuinte aplicar R$ 1 mil
mensalmente em um PGBL, poderá deduzir R$ 12 mil deste valor,
e pagar imposto sobre R$ 88 mil.
“ Neste tipo de plano, o IR incide sobre o valor total investido,
no momento do resgate”, explica a gerente de produtos de previdência
privada do Banco Santander, Priscila Chiavelli. A alíquota,
neste caso, varia de acordo com o tempo de permanência do dinheiro
na aplicação – de 35%, para quem sacar até 2
anos depois, até 10%, para quem sacar mais de 10 anos depois
da aplicação. “No momento da contração,
o cliente opta por esta tributação através da
tabela progressiva, ou ainda pela tributação fixa de
15%, com ajuste na declaração anual de IR”, explica.
Escolha
Já para quem tem um plano no modelo Vida Gerador de Benefício
Livre (VGBL), a cobrança do imposto é feita apenas sobre
o rendimento, no momento do resgate. Por isso, no período de
aplicações não é possível deduzir. “Pensando
em um projeto de aposentadoria, os dois planos são bastante
semelhantes. A escolha por um ou outro é uma decisão
tributária”, observa o professor da Universidade Positivo
José Pio Martins. O VGBL, portanto, é mais indicado para
quem não tem imposto a pagar.
Pio Martins lembra ainda que a preocupação com o investimento
não termina com a escolha do modelo. “Tomada a decisão
de investir em um plano de previdência privada, você precisa
resolver, junto com o banco, onde aplicar este dinheiro, de acordo
com o seu perfil. Você precisa dizer ao seu gerente em que tipo
de fundo, mais conservador ou arrojado, quer que o seu dinheiro fique”,
diz.
Doação
Também acaba no último dia útil do ano o prazo
para o contribuinte destinar parte do seu Imposto de Renda para projetos
sociais e culturais. Para as pessoas físicas, o limite de dedução é de
6% do imposto apurado. Para que a doação tenha validade
como isenção fiscal, no entanto, ela deve ser feita para
um fundo municipal ou estadual, administrado pelos respectivos governos – uma
doação feita diretamente para uma entidade, por exemplo,
não pode ser abatida. Uma vez feita a contribuição,
o próprio fundo deve emitir um comprovante.
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Folha de S.Paulo, 25 de dezembro de 2008
Cuba se iguala a Haiti como destino
de ajuda brasileira
Doações em alimentos a países
de América Latina, África e Ásia totalizam R$
70 mi
Entre os sul-americanos, Bolívia e Paraguai
estão entre os que mais recebem apoio humanitário do
Brasil em caráter emergencial
CLAUDIO DANTAS SEQUEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
O governo Lula tem destinado a maior parte da assistência humanitária
internacional à América Latina, onde Cuba e Haiti surgem
como principal destino das doações de alimentos. Segundo
levantamento da Folha na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento),
no Ministério da Saúde e no Itamaraty, a assistência
de caráter emergencial a países da região supera
50 mil toneladas.
Só de gêneros alimentícios, o Brasil doou o equivalente
a R$ 67,4 milhões. Para comparação, a cifra corresponde
ao 1,07 milhão de benefícios do Bolsa Família (R$
62 -valor básico). Procurado pela reportagem, o Ministério
da Saúde não informou os valores gastos com medicamentos
e vacinas para assistência internacional. O Itamaraty também
não disse quanto repassou a embaixadas para aquisição
de ajuda local.
Em 2007, o governo criou o Grupo de Trabalho Interministerial de Assistência
Humanitária (Giahi), coordenado pelo Itamaraty. Mas o ministério
não possui informações detalhadas, nem anteriores
a 2006.
A análise dos dados da Conab mostra uma curva crescente nos montantes
de ajuda internacional a partir do segundo ano do primeiro mandato de
Lula, atingindo nível recorde em 2008. O salto histórico
nos patamares de assistência neste ano foi alavancado pela medida
provisória 444/08.
O texto, autorizando a doação recorde de 45 mil toneladas
de arroz, 2.000 de leite em pó e 500 kg de sementes de hortaliças,
foi aprovado pelo Senado às vésperas do recesso e durante
a visita do presidente cubano, Raúl Castro. Além de Cuba,
com 15.000 toneladas, foram beneficiados Haiti (15.000), Jamaica (5.000)
e Honduras (5.000). A última temporada de furacões no Caribe
deixou destruição nesses países.
Na ilha dos irmãos Castro, os furacões deixaram 200 mil
pessoas desabrigadas e prejuízo de US$ 8,6 bilhões, segundo
cifras oficiais. Antes mesmo da aprovação da MP, o governo
Lula autorizou a entrega de 1.500 toneladas dos estoques da Conab em
Porto Alegre. Os cubanos já haviam recebido em setembro uma remessa
de cestas básicas, num total de 14.580 kg.
O superintendente de Programas Institucionais e Sociais de Abastecimento
da Conab, João Cláudio Dalla Costa, explicou que a maior
parte dos alimentos que compõem os estoques humanitários
provém da agricultura familiar. "As ações humanitárias
internacionais têm a finalidade de prevenir e mitigar países
em situações de emergência", afirma.
Desde que Raúl substituiu Fidel e deu início a um processo
gradual de abertura do regime, Cuba entrou na lista de prioridades da
política externa brasileira. Nos primeiros três trimestres
do ano, o comércio bilateral cresceu 58%, atingindo US$ 483 milhões.
Haiti
O país mais pobre das Américas, que também tem sofrido
com a passagem de furacões, era até agora o líder
nas remessas brasileiras. Com a última doação do
governo, o total em assistência alimentar é quase 15.600
toneladas. Desde 2004, o Brasil comanda a frente militar da missão
de paz das Nações Unidas e auxilia na recuperação
econômica.
Para o governo, as medidas ajudam na projeção internacional
do país. "Temos que fazer mais. A Espanha destina 2 bilhões
por ano em cooperação com países pobres. Generosidade
aqui é entendida como fraqueza. Mas os que criticam praticaram
a subserviência", afirma o assessor para Assuntos Internacionais
da Presidência, Marco Aurélio Garcia.
Entre os principais destinos da ajuda alimentar e médica na América
do Sul estão Bolívia e Paraguai. Em fevereiro de 2006,
a FAB levou 14.075 kg de alimentos para 13 mil famílias. O apoio
humanitário não impediu o presidente boliviano, Evo Morales,
de ocupar militarmente a Petrobras três meses depois. Já os
paraguaios têm recebido medicamentos e vacinas. Em outubro também
houve entrega de alimentos -28.014 kg. Além do apoio, o Brasil
financia projetos de infra-estrutura no Paraguai. Mas o presidente Fernando
Lugo quer mais, e ameaça não pagar a dívida de R$
19 bilhões relativa à hidrelétrica de Itaipu.
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Folha de S.Paulo, 25 de dezembro de 2008
SUCESSÃO NOS EUA / JULGAMENTO FINAL
História pode julgar
Bush em vida por "guerra ao terror"
Cresce pressão sobre Obama para
que investigue atos de seu antecessor em questões como
tortura em interrogatórios
O mais provável é que o democrata
recomende instituir uma comissão bipartidária de apuração,
como a do 11 de Setembro
SÉRGIO DÁVILA
DE WASHINGTON
Na recente bateria de entrevistas que deu antes de se recolher na
residência de Camp David, no Estado de Maryland, onde passa o
Natal hoje, o presidente George W. Bush voltou a repetir que não
se preocupa com o julgamento da história, pois estará morto
quando isso acontecer. O republicano se preocupa, no entanto, com o
movimento cada vez maior de entidades progressistas pedindo seu julgamento
em vida.
Organizações como a Aclu, uma das principais de direitos
civis dos EUA, Human Rights First, Human Rights Watch, Brennan Center
for Justice e advogados como Vincent Bugliosi, que mandou para a cadeia
Charles Manson nos anos 70, Scott Horton, que defendeu o dissidente russo
Andrei Sakharov (1921-1989), e Michael Ratner, presidente do Center For
Constitutional Rights, pressionam Barack Obama a abrir investigações
sobre seu antecessor quando assumir o governo, no próximo dia
20.
Especialistas em lei como Harold Krent, reitor da Faculdade de Direito
Chicago-Kent, especulam se Bush não usará os dias que lhe
restam para dar perdão preventivo a todos os que, em sua definição,
tiverem lutado na "guerra ao terror", livrando assim membros
de seu governo de futuros constrangimentos. A Casa Branca não
comenta a possibilidade, mas a Aclu já entrou com ação
preventiva contra a medida.
Ordens executivas
Durante a campanha, Obama disse que revisaria todas as ordens executivas
assinadas por Bush que ferissem os direitos civis ou a Constituição.
Tais ordens são o equivalente à brasileira medida provisória,
atos tomados pelo Executivo com força de lei e que podem ser anulados
por novas ordens ou contestadas pelo Congresso. Estima-se que Bush tenha
assinado mais de 200 na luta antiterror, a maioria delas secreta.
São atos como os que permitiram técnicas de interrogatório
baseadas em torturas ilegais, primeiro no Afeganistão, depois
na prisão de Guantánamo; a instalação de
prisões secretas fora do país comandadas pela CIA, a agência
de inteligência americana; e a espionagem sem mandato judicial
de cidadãos americanos em comunicação com suspeitos
no exterior, que depois virou lei.
O mais provável, no entanto, é que o presidente eleito
recomende ao Congresso que institua uma comissão independente
e bipartidária nos moldes da que investigou as falhas que levaram
ao 11 de Setembro. Desta vez, ela levantaria todos os desmandos constitucionais
que ocorreram nos oito anos da dupla Bush-Dick Cheney na Casa Branca,
divulgaria recomendações, mas não implicaria ninguém
legalmente.
O ponto de partida seria o relatório elaborado por comissão
bipartidária da Comissão das Forças Armadas do Senado
e divulgado há duas semanas. Ele chegou à conclusão
de que o abuso de detentos na prisão de Abu Ghraib, então
sob controle americano, no Iraque, foi resultado direto de políticas
adotadas pelo então secretário da Defesa de Bush, Donald
Rumsfeld, e Alberto Gonzales, então assessor legal da Casa Branca
e depois secretário de Justiça.
O comando obamista vê com bons olhos a abertura do levantamento,
mas teme aonde a apuração pode chegar, caso saia do controle
do governo. A partir do dia 6, Dianne Feinstein assumirá o comando
da Comissão de Inteligência do Senado. A senadora democrata
da Califórnia é autora de medida que exigia que a CIA seguisse
as mesmas regras de interrogatório dos militares, que proíbem
a tortura. Bush vetou a lei.
Ela não fará pressão sozinha. O congressista John
Conyers, atual presidente da Comissão de Justiça da Câmara
dos Representantes (deputados federais), é simpático ao
pedido de entidades de direitos humanos européias que querem o
indiciamento de membros ou ex-membros do gabinete de Bush suspeitos de
terem quebrado a lei em ações antiterrorismo.
Em entrevista ao jornal conservador "Washington Times", na
segunda-feira, o vice-presidente admitiu que ao menos três detentos
sofreram a simulação de afogamento chamada de "waterboarding",
comumente apontada como tortura.
" Era tortura?", perguntou-se Dick Cheney. "Não acredito
que fosse tortura." No dia anterior, havia sido indagado pela Fox News:
se o presidente, em tempos de guerra, decidir tomar ações para
proteger o país, elas são legais? "Como proposição
geral, creio que sim."
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Folha de S.Paulo, 25 de dezembro de 2008
Petróleo cai quase 10%,
para US$ 35
DA REPORTAGEM LOCAL
Os preços do petróleo desabaram quase 10% ontem, véspera
de Natal, com a expectativa de forte retração na demanda
global no início de 2009. Nem a queda nos estoques de petróleo
nos EUA, que costuma impulsionar as cotações, conseguiu
deter a desvalorização da commodity, que teve sua nona
baixa consecutiva.
O dado preocupante foi que, enquanto os estoques de petróleo recuaram
na última semana, os de gasolina e demais combustíveis
refinados aumentaram. O descompasso entre os estoques da commodity bruta
e refinada foi visto como sinal de retração.
Em Nova York, o petróleo do tipo light cru para entrega em fevereiro,
o contrato mais negociado, chegou ao piso de US$ 35,13 pouco antes do
encerramento da Bolsa. No fechamento, terminou a US$ 35,35, com baixa
de 9,31% apenas ontem. No pico, em julho, o barril chegou a US$ 145,29.
Desde julho, já caiu mais de 75% em Nova York. Em Londres, o petróleo
do tipo Brent encerrou a US$ 39,04 o barril, com baixa de 3,27%.
Bolsas
Mesmo com o estresse no mercado de commodities, as Bolsas mundiais tiveram
um dia de poucos negócios. A Bolsa de Nova York funcionou apenas
até as 13h (16h em Brasília) por causa dos feriados. A
Bolsa de Nova York teve alta de 0,58% no índice amplo Dow Jones,
apesar da fraqueza do mercado de trabalho americano, que perdeu 30 mil
postos de trabalho só na última semana e tem o maior patamar
de pedidos de seguro-desemprego em 26 anos.
Por outro lado, dados de queda na renda e encomenda de bens duráveis
vieram melhor que o esperado pelos investidores.
O pessimismo foi maior ontem na Europa e na Ásia. A Bolsa de Londres
recuou 0,93% e a de Paris, 0,39%. A Bolsa de Tóquio teve baixa
de 2,37%.
No Brasil, as Bolsas não funcionaram ontem. Já o mercado
interbancário de câmbio abriu apenas pela manhã,
mas registrou poucos negócios. O dólar comercial encerrou
a R$ 2,375, com baixa de 0,54%.
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Última Instância, 25 de dezembro
de 2008
STJ tranca inquérito
contra homem que prestou falsa declaração de
pobreza
A 6ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) determinou
o trancamento do inquérito policial contra um servidor público
de Brasília que prestou falsa declaração de pobreza
para conseguir o benefício da justiça gratuita. O entendimento
dos ministros foi de que a declaração é mera presunção
e, sendo passível de verificação pelo juiz, não
pode constituir prova para caracterização de crime.
O servidor público havia cumprido pena por tráfico de
drogas em 2003. Para ser isentado do pagamento da multa imposta pela
condenação, de R$ 11 mil, sua defesa o orientou para
apresentar declaração de pobreza. O processo contra ele,
no entnanto, atestava que o servidor teria residência em condomínio
horizontal, emprego público e ainda atuaria como empresário.
O juiz lhe negou o benefício da justiça gratuita, e encaminhou
o caso ao MP (Ministério Público), que instaurou inquérito
na Polícia Civil para apurar crime de falsidade ideológica.
Para a relatora do caso, desembargadora convocada Jane Silva, como
o juiz negou o pedido do benefício por entender que a declaração
era inidônea, não houve abalo à fé pública.
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Revista Consultor Jurídico, 25 de
dezembro de 2008
Falta de voto
Prazo para justificar ausência
nas eleições termina sexta
O prazo de justificativa da ausência no segundo turno das eleições
municipais termina na sexta-feira (26/12). Para justificar, é necessário
preencher o Requerimento de Justificativa Eleitoral e entregar em qualquer
cartório ou posto de atendimento ao eleitor.
O formulário também pode ser encaminhado via postal
ao cartório eleitoral onde o eleitor é inscrito. O requerimento
está disponível, gratuitamente, nos cartórios,
postos eleitorais e no site do Tribunal Superior Eleitoral e dos Tribunais
Regionais Eleitorais em cada estado.
A justificativa deve conter dados pessoais do requerente, o motivo
da ausência à votação, a apresentação
de documentos que comprovem a identidade e as razões apresentadas
pelo eleitor. A aceitação da justificativa fica a critério
dos juízes das zonas eleitorais.
O TSE informa que, enquanto o eleitor não regularizar a sua
situação com a Justiça Eleitoral, não terá o
direito de tomar posse em cargos públicos, tirar passaporte
e obter empréstimos em bancos públicos.
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