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Agência Brasil, 27 de dezembro de 2008
Crise afetará mais o
mercado de trabalho mais qualificado, diz FGV
O mercado de trabalho brasileiro, sobretudo o mercado formal, que se
mostrava aquecido até setembro deste ano, batendo recorde de geração
de emprego, deverá passar por uma desaceleração
devido à crise internacional. A afirmação foi feita
pelo chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação
Getulio Vargas, Marcelo Neri.
Até agosto, o emprego no país estava 24,7% acima do
nível de 12 meses do ano passado, que foi o recorde anterior
da série, disse Neri, em entrevista à Agência Brasil
. Isso correspondeu à abertura de 1,88 milhão de postos
de trabalho formais (com carteira assinada) no Brasil no período
de 12 meses encerrado em agosto.
Neri considerou esse resultado surpreendente, pois a crise internacional
havia sido anunciada há um ano e várias economias desenvolvidas
já enfrentavam recessão, com extinção de
inúmeros postos de trabalho.
“Até o último PIB [Produto Interno Bruto, soma
de todas as riquezas produzidas no país] o quadro era surpreendente:
apesar da crise, anunciada há mais de um ano lá fora,
muitos países desenvolvidos estão com crescimento negativo
e com destruição de postos de trabalho, e o Brasil, até pouco
tempo, batia recorde de geração de emprego formal.”
Mudança
O economista ressaltou que os números no mercado de trabalho mudam
conforme o PIB, cuja variação no terceiro trimestre do
ano atingiu 6,8%. Nos 12 meses encerrados em setembro, a taxa de crescimento
do PIB foi de 6,4%, a maior da série histórica.
Como a crise chegou em outubro ao mercado de crédito, destacou
Neri, trouxe preocupações, “como aquelas vividas
nas crises externas da metade dos anos 90, que acabaram se tornando
crises de desemprego”. Para ele, somente as grandes empresas
deverão sofrer de forma mais acentuada o desaquecimento deste
fim de ano, por causa da segunda etapa da crise.
Neri acredita, no entanto, que o desaquecimento tende a ser menor
no mercado de trabalho das pessoas não qualificadas. “Quem
está sofrendo mais com a crise, tanto no Brasil quanto fora,
são as grandes empresas e as pessoas que trabalham nesses setores
e têm trabalhos mais qualificados, mais formais”.
Sinais ainda inconsistentes
Neri destacou, porém, que não existem até agora
sinais consistente de que a crise tenha se instalado no mercado de trabalho
brasileiro. “Chegou ao mercado creditício, às exportações,
mas não ao mercado de trabalho. Houve algum desaquecimento no último
mês, mas não a diminuição de postos de trabalho.”
Neri aposta que, apesar da desaceleração prevista, o
ano de 2008 ainda deverá ser recorde na geração
de emprego formal. “É um dado importante a ser considerado,
porque é o ponto de partida para 2009 de um Brasil surpreendentemente
bom, onde o mercado de trabalho cresce há quatro anos, mesmo
com o mundo em um contexto de recessão.” O economista
alertou que deve-se esperar um quadro de desaquecimento, embora a desaceleração
tenha foco mais nas grandes companhias do que nas pequenas empresas.
Surpresa
Ele explicou que as grandes companhias são mais sujeitas às
variações das exportações e mais abertas
aos canais de crédito do que os pequenos empresários e
os trabalhadores menos qualificados. “Meu diagnóstico é que
a crise ainda não se instalou no mercado de trabalho brasileiro. É preciso
ficar atento, mas o mercado de trabalho do Brasil tem surpreendido”,
afirmou.
O economista considera difícil fazer agora previsões
e disse que as que tem visto estão “completamente furadas.
E estão furadas mais para baixo do que para cima”. Isso,
segundo ele, é natural, devido ao grau de preocupação.
Neri chamou a atenção para o fato de que, até mesmo
a pobreza, envolvendo renda gerada não só pelo trabalho,
não aumentou no Brasil, mesmo durante as crises externas.
“O Brasil tem redes de proteção social, uma série
de amortecedores, como o seguro desemprego, e tem uma situação
macroeconômica que vai oferecendo essa surpresa que é crescer
a 6,8%, quando todos os países desenvolvidos estão no
negativo”.
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O Estado de São Paulo, 27 de dezembro
de 2008
Remanejamento de verbas dará ainda
mais fôlego ao PAC
Um empurrão de última hora nos investimentos do governo
será discutido nesta sexta-feira, em reunião do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva com o ministro do Planejamento, Paulo
Bernardo. Obras que estão andando rápido e já esgotaram
suas verbas receberão recursos extras, tirados de outros empreendimentos
mais lentos ou parados.
Assim, será dado fôlego principalmente ao Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC), que já é o
maior e mais importante conjunto de investimentos públicos do
governo federal nas últimas décadas. O remanejamento
ocorre todo final de ano e, desta vez, vai beneficiar projetos que
a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, quer incluir no programa.
Lula e Bernardo também discutirão o Orçamento
de 2009, que foi aprovado pelo Congresso, mas ainda não foi
oficialmente enviado ao Planalto. “Queremos ver se recebemos
o texto logo para sancionar até o dia 2 de janeiro”, disse
o ministro. Se o prazo for cumprido, ministérios poderão
iniciar o ano executando o Orçamento. Do contrário, receberão
apenas um duodécimo das dotações para o mês
de janeiro.
Na reunião, será discutida a necessidade de modificar
os investimentos previstos no Orçamento, para acomodá-los à nova
versão do PAC, que Dilma quer divulgar no fim de janeiro. Ela
já anunciou que o programa não prevê mais de R$
504 bilhões - valor da versão de janeiro de 2007 -, mas
R$ 1,1 trilhão em investimentos em infra-estrutura públicos
e privados, até 2010. O novo valor decorre da atualização
de projetos já listados no programa e da inclusão de
novos, como o trem-bala São Paulo-Rio.
Um dos temas da reunião será o corte de R$ 4,8 bilhões
que o Congresso fez em investimentos do PAC, para alocar em outros
projetos. Outro problema que será analisado é que o corte
no PAC foi feito de forma linear e obras com execução
adiantada foram prejudicadas.
Plantão
Assim que Lula e Bernardo baterem o martelo sobre os remanejamentos,
começará uma corrida para empenhar o dinheiro recebido
das obras paradas. Não é raro que técnicos trabalhem
até o último minuto. Nem Paulo Bernardo escapou. Lula
disse que ele está de plantão até cinco para a
meia-noite do dia 31. “Vou ver se consigo uma alforria antes”,
brincou o ministro.
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Gazeta do Povo, 27 de dezembro de 2008
Depois da Vale, agora lojistas também
pedem fim dos direitos trabalhistas
O empresariado brasileiro mostra que não tem escrúpulos
quando o assunto é tirar proveito da atual crise econômica
financeira. Depois que o presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli,
cantou a bola, agora é a vez da A Associação
Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop) sugerir que a flexibilização
dos direitos trabalhistas para supostamente "evitar demissões
em 2009". Conforme o presidente da entidade, Nabil Sahyoun,
os empresários vão buscar um diálogo com o governo
neste sentido a partir de janeiro. "É preciso que as
flexibilizações durem por, no mínimo, um ano,
e não apenas três meses", disse.
Segundo Sahyoun, o setor está evitando demissões até o
final deste ano para avaliar melhor as perspectivas para 2009, e as
decisões ficarão para janeiro. "Quem mais gera emprego
no Brasil é o varejo e o setor de serviços. O governo
tem feito muito pouco para ajudar estas empresas", disse.
Mas parece que a crise ainda não atingiu o setor como quer
fazer crer seus dirigentes. Mesmo em plena crise internacional, o setor
de shoppings prevê a inauguração de 23 novos empreendimentos
em 2009. Segundo o presidente da Alshop, todos estes empreendimentos
já tiveram sua construção iniciada durante 2008,
o que garante que eles serão concluídos. "Sai mais
caro interromper as obras do que concluí-las com agilidade",
disse. O executivo destacou que não faltarão lojistas
interessados em participar destes shoppings porque é uma maneira
de aumentar a participação de mercado. Ele afirmou que,
com os novos empreendimentos, o número de shoppings no Brasil
no final de 2009 chegará a 689.
Sahyoun disse que algumas empresas terão dificuldades em obter
crédito para os futuros empreendimentos, mas que isso será suprido
por bancos nacionais ou eventuais parcerias com empresas estrangeiras.
Ele afirmou ainda que algumas empresas que captaram recursos na Bovespa
estão em boa situação de caixa e poderão
utilizar estes recursos em novos projetos.
Para os próximos dois anos, estão previstos investimentos
de R$ 8,3 bilhões no setor, mas o executivo admitiu que eles
vão variar de acordo com as condições da economia. "É possível
que alguns projetos que ainda estão na fase das discussões
iniciais não saiam do papel", disse. Segundo ele, a crise
levará ao fechamento de muitas lojas, enquanto outras vão
aproveitar o momento para crescer e investir. "É natural
viver altos e baixos", disse. Na dúvida sobre se o próximo
período será de alta ou baixa demanda, os empresários
já querem garantir seus lucros a custa da redução
dos direitos trabalhistas.
Centrais repudiam proposta
Em meados de dezembro, quando veio à tona as sugestões
do presidente da Vale de flexibilização das leis trabalhistas,
as centrais sindicais foram unânimes em repudiar a proposta.
Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT),
Arthur Henrique da Silva Santos, o momento é de garantir o emprego.
Ele diz que parte dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador vai
para o BNDES. "Esse dinheiro beneficia tanto a Vale quanto outras
empresas e, por isso, elas deveriam diminuir os lucros e manter os
empregos".
Santos disse, na ocasião, que os sindicatos ligados à CUT
estão orientados a fazer mobilização e greve em
caso de propostas de suspensão de contrato de trabalho e redução
de jornada e de salário.
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira dos Santos,
o Paulinho, criticou a idéia de mudança temporária
nas leis trabalhistas. "Essa medida pode se tornar definitiva
depois da crise, por isso não podemos mexer nas garantias dos
trabalhadores", diz. Paulinho admite a possibilidade de utilização
dos instrumentos previstos na lei para garantir os empregos. "A
suspensão do contrato e a redução de jornada com
redução do salário devem se tornar mais freqüentes
no ano que vem, com o agravamento da crise."
A Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) condena
toda mudança nas leis trabalhistas . "A choradeira dos
empresários não tem nenhuma justificativa. Eles lucraram
muito e agora querem descontar nas costas dos trabalhadores no primeiro
momento de dificuldade", diz o coordenador da entidade, José Maria
de Almeida.
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Gazeta do Povo, 27 de dezembro de 2008
Sucessão presidencial
“Não podemos deixar de
ganhar essa eleição”
Entrevista: Sérgio Guerra, presidente
nacional do PSDB
A tarefa do presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE),
em 2009 não será fácil: escolher entre os dois
principais governadores do partido, o paulista José Serra e
o mineiro Aécio Neves, o candidato à sucessão
presidencial de 2010. Isso sem permitir que a legenda sofra um novo
racha, como nas eleições presidenciais de 2002 e 2006.
Desta vez, ele garante que a escolha não ficará restrita à cúpula
tucana. Se bem conduzidas, as prévias, na sua opinião,
ganharão apoio popular e ajudarão as campanhas de todos
os candidatos tucanos. Guerra adianta que, antes dessa escolha, trabalhará para
consolidar a aliança com o PPS e o DEM, de forma a garantir
palanques para a campanha tucana em todos os estados.
Em 2009, o PSDB terá de escolher seu candidato à sucessão
presidencial. Mais uma vez o partido está dividido entre dois
nomes, José Serra e Aécio Neves. Há risco de
racha?
Antes disso, temos uma tarefa política indispensável
de estruturação das bases. Falo de PSDB, PPS e DEM. Em
2006, a candidatura Geraldo Alckmin tinha apoios bastante amplos, com
governadores, prefeitos, deputados e senadores, mas essa enorme base
política não se transformou em campanha.
Antes de fechar o nome de um candidato, o senhor quer construir
uma aliança partidária que lhe dê sustentação?
Queremos, até junho de 2009, palanques sedimentados que possam
sustentar uma campanha e apoiá-la de fato em todos os estados.
Para não repetir o que aconteceu em 2006, quando o candidato
era impedido de se deslocar para alguns estados por conta de divergência
de seus aliados. Não vamos ajustar essa base para José Serra,
Aécio Neves ou qualquer candidato, mas para a aliança
do PSDB com o PPS e o DEM.
Mais do que falta de campanha de aliados, o que contribuiu mesmo para
as derrotas do PSDB, em 2002 e 2006, foi a divisão interna do
partido.
Não devemos temer nem dramatizar o cenário de dois candidatos
potenciais com imenso poder eleitoral e forte articulação
política. Se houver disputa, sob qualquer forma, o partido vai
saber que essa disputa o fortalecerá e será desenvolvida
de forma construtiva.
As prévias são uma opção?
Há um sentimento geral dentro do PSDB que se expressa na seguinte
frase: não podemos deixar de ganhar essa eleição.
O melhor candidato para o PSDB será aquele que tenha mais chances
de ganhar a eleição. A escolha não será feita
como era antes.
Ou seja, não será mais a cúpula que escolherá.
Há suficiente democracia dentro do PSDB para que a escolha
não seja de cúpula. O sistema de prévias, bem
conduzido, pode alargar o partido, ganhar apoio popular, construir
mobilização e ajudar as campanhas. Podemos, portanto,
recorrer a prévias na falta de um acordo prévio.
Quando se dará essa escolha do candidato?
As prévias serão um instrumento para resolver um impasse
e serão feitas, se o forem, no limite da construção
da unidade do partido. Ninguém supõe a realização
de prévias que aprofundem uma divisão do partido. Pelo
nosso cronograma, no segundo semestre de 2009, vamos iniciar a discussão
sobre potenciais candidatos, de forma que até o fim do ano seja
tomada uma decisão.
As pesquisas de opinião indicam o governador José Serra
como o candidato mais competitivo. Até que ponto isso pesará na
escolha?
É inegável o tamanho eleitoral de José Serra.
Da mesma forma que é absolutamente previsível a capacidade
de o pré-candidato Aécio Neves crescer. São dois
candidatos de grande valor e competitivos. Vários fatores são
importantes numa decisão dessas. Pesquisas são um deles.
Exames mais amplos sobre alianças também são importantes.
Haverá suficiente massa crítica para tomarmos, na hora
adequada, a decisão que precisamos tomar.
O senhor acha possível ter uma chapa puro sangue, com
Serra e Aécio, conforme defendem alguns tucanos?
Seria desejável, mas é muito pouco provável.
A popularidade do presidente continua batendo recordes. Até que
ponto seu prestígio poderá interferir no resultado
da próxima eleição?
O presidente não elege um poste. A ministra Dilma (Rousseff,
da Casa Civil) não é um poste, mas Lula é Lula
e Dilma é Dilma. Para que Dilma fosse Lula, ela teria de ter
nascido no Nordeste, construído uma ampla vida sindical e ter
disputado várias vezes a Presidência, superando expectativas.
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Gazeta do Povo, 27 de dezembro de 2008
Pesquisa
Negócios entre empresas caem
6% no ano por causa da crise
Só no último trimestre,
número de fusões e aquisições recuou
quase 40% em relação ao anterior. No Paraná,
queda foi ainda maior
O mundo dos negócios foi bastante impactado pela crise financeira
internacional neste último trimestre de 2008. De acordo com
levantamento da auditoria KPMG, o número de fusões e
aquisições fechadas de outubro até o dia 17 de
dezembro caiu para 121, contra 196 no trimestre anterior. Por conta
disso, o ano deve fechar com uma retração da ordem de
6% no número de operações – foram 644 neste
ano, contra 699 no ano passado.
“Existem dois fatores que contaram para essa queda. O principal
foi a crise. Foi o que impactou diretamente o último trimestre,
que está mais fraco que o anterior e será mais fraco
que no ano passado”, disse o sócio da KPMG responsável
pela pesquisa, Luís Motta.
Ele conta ainda que durante todo o ano já se observava um apetite
menor de estrangeiros por operações envolvendo empresas
brasileiras, e que este foi outro fator que contribuiu para que 2008
não batesse o recorde de fusões e aquisições
no país. “Em 2007, nos três primeiros trimestres,
tivemos 111 transações com estrangeiros. Neste ano foram
apenas 90.”
De acordo com Motta, até o terceiro trimestre esta queda estava
sendo compensada por empresas brasileiras. Muitas abriram o capital
na Bolsa de Valores de São Paulo no ano passado, e ainda tinham
dinheiro em caixa para fazer compras. No entanto, no último
trimestre as companhias brasileiras também suspenderam os negócios
com outras empresas.
Paraná
No Paraná, a queda no número de operações
foi bem mais intensa que na média nacional. Enquanto no ano
passado foram realizadas 115 operações, neste ano elas
totalizaram 55 até o dia 17 de dezembro – uma redução
de 52,2%. No último trimestre foram apenas 7 negócios,
contra 16 no terceiro, 9 no segundo e 23 no primeiro.
“Grande parte da consolidação que ocorreu talvez
não tenha passado pelo Paraná”, avalia o responsável
pela pesquisa. Entre os setores que mais sofreram consolidação
(como Tecnologia da Informação, com 72 acordos, Alimentos,
com 54, e Educação, com 52), é possível,
segundo Motta, que o Paraná tenha ficado de fora – ou
porque estes setores já estão bastante concentrados no
estado, ou porque ainda vão passar por esta fase no futuro.
Luís Motta acredita que o primeiro trimestre de 2009 ainda
será um tanto morno, com reflexos da fase mais aguda da crise
internacional ainda fazendo com que empresas adiem planos de crescimento.
No entanto, a partir do segundo trimestre os movimentos de compra e
fusões devem voltar a aparecer. “As empresas que querem
ser líderes, com crise ou sem crise, têm de ser globais
e buscar ganhos de escala. Isso não acabou. Talvez a velocidade
com que isso acontece diminua, mas a necessidade de ser um player global
continua”, avalia.
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Gazeta do Povo, 27 de dezembro de 2008
Preços
Os pequenos luxos que alimentaram
a inflação
Alta das despesas pessoais, segunda
categoria com maior inflação no ano, reflete
o aumento da renda do brasileiro em 2008. Para o ano que
vem, a perspectiva é outra
Elas passaram despercebidas diante do elevado aumento dos preços
dos alimentos, que dominaram o noticiário econômico no
primeiro semestre. Embora pouco alardeadas, as despesas pessoais, escondidas
no fim da tabela do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor
Amplo), foram o segundo item com maior aumento de preços em
2008 – 6,72% até novembro. O porcentual, que fica acima
do índice geral de 5,61%, reflete, segundo economistas, o aumento
da renda do brasileiro, que se deu ao luxo, em 2008, de gastar mais
com salão de beleza, futebol e empregada doméstica.
A lista da categoria, traçada pelo IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística), inclui ainda gastos com cinema,
animais, hotel, excursão e máquinas fotográficas. “São
serviços dispensáveis, que são eliminados do orçamento
das famílias quando a situação aperta”,
explica o economista do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE/ FGV),
André Braz. “Quando a minha renda cai, eu paro de ir à manicure,
de contratar jardineiro ou de ir a um lava-carros. Quando a renda aumenta,
eu vou para o lazer e deixo essas pessoas trabalhando para mim. Por
isso as despesas pessoais são como um indicador para sabermos
se a renda está expandindo ou não. Neste ano, a gente
sabe que ela expandiu”, completa o coordenador da pesquisa de
preços da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas
(Fipe), Antônio Evaldo Comune.
O aumento dos preços, explicam os economistas, se dá em
função do aumento da procura – é um caso
típico da tal da “inflação de demanda”.
Um exemplo é a alta do custo do empregado doméstico,
que foi de 10,08% até novembro deste ano. “Há espaço
para que eles exijam aumento, porque a demanda está elevada.
O empregado pode muito bem migrar para outro emprego se não
tiver um bom salário, porque as famílias estão
disputando bons profissionais. Houve um aumento do poder de negociação”,
detalha Braz.
Foi o que aconteceu à analista de sistemas Priscyla Komochena.
Ela pagava R$ 35 por dia à sua empregada, que ia à sua
casa quatro vezes por mês. “Em agosto, ela falou que por
menos de R$ 45 não trabalhava. Conversei com alguns amigos e
vi que todo mundo estava pagando esse valor”, conta. “É o
preço do mercado. Como ela é de confiança, tive
de pagar; não dá para mudar de empregada.”
Priscyla também percebeu a alta dos preços da manicure – que,
de acordo com a tabela do IPCA, teve aumento de quase 8% este ano. “Antes,
em qualquer lugar era fácil achar mão por R$ 7. Agora,
está na média de R$ 10. Em shopping, então, é absurdo:
você paga R$ 15.”
“Bode expiatório”
Quem está do outro lado do balcão encontra apenas um
motivo para os preços terem subido: o aumento dos custos. “Tivemos
de 15 a 20% de aumento nos gastos com cosméticos”, diz
a esteticista Irene Cassol, que mantém uma clínica de
estética em Curitiba. O produto com maior alta nos últimos
meses foi a cera de depilação – o que, para Irene,
justificaria o índice de 11,27% de aumento nos preços
desse serviço, segundo o IPCA. “Antes, cobrávamos
R$ 5 a axila; agora, cobramos R$ 6. A meia-perna era R$ 7, ficou R$
8; a virilha era R$ 10, ficou R$ 12. Tudo por causa da cera, que está muito
cara.” Irene pagava R$ 19 por um quilo do produto no início
do ano; agora, paga R$ 26 – um aumento de 36%.
Entre os distribuidores, a justificativa é a carga tributária: “O
que saiu do normal foi a substituição que o governo impôs
para substituir a CPMF [Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira, extinta no início
do ano]. Pelo menos, é o que nos conta a indústria”,
comenta o proprietário de uma distribuidora de cosméticos,
Mário Emer. Ele se refere à substituição
tributária do ICMS (Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços), aplicada em alguns estados do país
desde o início do ano, em que o imposto é cobrado de
forma antecipada pelo governo estadual – entre eles, o de São
Paulo, que concentra boa parte da indústria brasileira. O distribuidor
conta que a substituição aumentou de 8% a 20% os valores
dos produtos. A cera de depilação, aquela usada por Irene,
subiu 18%.
O argumento é o mesmo entre os distribuidores de rações
para animais, outro item com grande elevação de preços
este ano – 13,27%, segundo o IPCA. “O problema é que
o governo estima que eu tenha uma margem de lucro maior do que a real.
O estado está supondo que é de 40% a 55%, dependendo
do tipo de produto. A nossa é de 15% a 20%”, reclama o
proprietário da pet shop Rei dos Animais, Ricardo Braga de Lima.
A substituição tributária, apesar da opinião
de Emer, pouco tem relação com a extinção
da CPMF – e, segundo os economistas, também não
influenciou a alta das despesas pessoais neste ano. “Todo mundo
vai arranjar uma razão para aumentar preço, mas a substituição
tributária não apareceu economicamente em despesas pessoais”,
opina Comune, da Fipe, para quem a desculpa da substituição
tributária é uma espécie de “bode expiatório”.
Braz, do IBRE/ FGV, admite que a mudança na carga tributária
pode ter tido algum impacto nos índices, mas não responde
totalmente pelo aumento dos preços – o que ainda explica
melhor o fenômeno, para ele, é mesmo o aumento da renda
do brasileiro.
Para 2009, a expectativa dos economistas é que, assim como
os preços dos serviços pessoais sobem quando a economia
cresce, eles diminuam com a desaceleração do país,
provocada pela crise financeira mundial. “À medida que
a economia desacelerar, o salário parar de crescer e o desemprego
subir, esses serviços pessoais devem ter aumentos menores. Em
2009, eles não devem encontrar espaço para subir tanto.”
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Revista Consultor Jurídico, 27 de
dezembro de 2008
Passagem estreita
Empresa de ônibus indeniza
obesa que não passou na roleta
A empresa de ônibus Viação Senhor do Bonfim foi condenada
a pagar indenização de R$ 3 mil por danos morais a uma
passageira de 138 quilos, que sofre de obesidade mórbida. Mesmo
pagando a passagem, ela era obrigada a embarcar pela porta da frente
do coletivo e viajar em pé. Por causa do seu tamanho, ela não
conseguia passar pela catraca. A decisão é do juiz Carlos
Manuel Barros do Souto, do Juizado Especial Cível de Angra dos
Reis (RJ).
Segundo Souto, a empresa deve colocar no mercado serviços adequados
ao consumidor, sob pena de ser responsabilizado pelos danos causados.
O juiz determinou que a empresa permita o acesso da mulher pela porta
traseira, mediante o pagamento da passagem. A multa é de R$
1 mil para cada vez que o acesso for negado.
A passageira juntou ao processo atestado comprovando a sua doença.
Já a empresa não conseguiu provar que os fatos não
aconteciam. Para o juiz, a lei não foi cumprida porque a empresa
não flexibilizou o atendimento à mulher.
“Ainda que a ré não aceitasse declinar a exceção
apenas pelo visual, bastaria que solicitasse da autora um documento
médico. Se assim não procede e se mantém na inércia,
falta com o dever correlato de cooperação, que nasce
do princípio da boa-fé objetiva", afirmou o juiz.
Barros do Souto disse ainda que os danos morais decorreram dos constrangimentos
que a passageira teve que suportar diariamente ao entrar no coletivo
pela porta da frente e de ser obrigada a ficar de pé.
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Folha de S.Paulo, 27 de dezembro de 2008
FERNANDO RODRIGUES
Congresso humilhado
BRASÍLIA - A medida provisória baixada ontem por Lula sobre
o fundo soberano cumpre dois objetivos principais. Primeiro, dará imediatamente
ao Palácio do Planalto R$ 14,2 bilhões para investir em
obras de infra-estrutura. Segundo, humilhará o Congresso.
Uma proibição constitucional impede o governo de criar
novos créditos no Orçamento por meio de medida provisória.
O fundo soberano havia sido aprovado pelo Congresso na semana passada,
mas ainda sem destinação de recursos. O governo começaria
2009 sem dinheiro para torrar nas obras destinadas a segurar um pouco
a crise econômica -e a alavancar a candidatura de Dilma Rousseff.
Lula encontrou um artifício jurídico. Burlou o espírito
da proibição constitucional. A MP baixada ontem não
cria novos créditos, mas autoriza o Tesouro a emitir títulos
cujo valor será depositado diretamente no fundo lulista.
Como MPs entram em vigor ao serem editadas, mesmo se for derrubada depois
no Supremo Tribunal Federal, parte considerável do dinheiro já terá evaporado.
Esse é um episódio sem mocinhos. A oposição
equivoca-se ao estrangular o governo no momento em que são necessários
recursos para conter a desaceleração da economia. Já o
Planalto mostra seu habitual desprezo pelo Congresso ao patrocinar uma
manobra jurídica no apagar das luzes do ano.
Lula tem maioria na Câmara e no Senado. Poderia ter aprovado os
créditos para seu fundo dentro das normas constitucionais. Mas
a articulação política incompetente do Planalto
só defende com facilidade mulas-sem-cabeça como o aumento
de vagas de vereadores. Nada de trabalhar duro na votação
de uma medida polêmica. Pouco importa se é vital ou não
para o país num momento como o atual. É mais fácil
depois ganhar o debate na mão grande, editando uma MP.
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Última Instância, 27 de dezembro
de 2008
Mesário que não compareceu às
eleições de 2006 tem condenação suspensa
O ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Henrique Neves concedeu
liminar para suspender a condenação de Danilo José Alves,
de Itapetininga (SP), por ter deixado de atender convocação
para prestar serviço de mesário nas eleições
de 2006. A condenação pelo crime previsto no artigo 344
do Código Eleitoral foi suspensa até o julgamento do mérito
do habeas corpus pelo tribunal.
O juiz eleitoral condenou Danilo Alves à pena máxima
estipulada no artigo, ou seja, dois meses de detenção,
que mais tarde substituiu por prestação de serviços à comunidade.
A sentença do juiz foi confirmada pelo TRE-SP (Tribunal Regional
Eleitoral de São Paulo).
No habeas corpus, Danilo sustenta que não há crime,
no caso, quando a lei determina a hipótese de sanção
administrativa para a conduta supostamente irregular. Conforme informações
divulgadas pelo TSE, no pedido de liminar ele solicitou a suspensão
da ação penal e que fosse isento de cumprir os serviços
comunitários impostos pelo juiz eleitoral.
O ministro Henrique Neves afirmou, ao conceder a liminar, que o habeas
corpus é impetrado contra decisão condenatória
transitada em julgado (ou seja, não passível de recurso).
“O Supremo Tribunal Federal tem reconhecido, nestes casos, a
excepcionalidade de manejo do habeas corpus, quando se busca o exame
de nulidade ou de questão de direito, que independe da análise
do conjunto fático-probatório”, destacou Henrique
Neves. Segundo o ministro, a pretensão de Danilo Alves pede
apenas o exame do enquadramento legal do não-comparecimento
de mesário convocado.
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