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MTE, 29 de dezembro de 2008
MTE tira dúvidas sobre nova
lei do estágio
O Ministério do Trabalho e Emprego publicou Cartilha Esclarecedora
sobre a Lei do Estágio. O material foi preparado com o intuito
de explicar os pontos da Lei nº. 11.788 a estudantes, instituições
de ensino e empresas contratantes.
O texto segue uma metodologia de 37 perguntas e respostas que, entre
outras questões, tratam da duração de estágio,
benefícios e prorrogação. Já na apresentação
do texto destaca-se a importância de se reconhecer o estágio
como um vínculo educativo-profissionalizante, que alia o conteúdo
aprendido enquanto aluno às tarefas a serem desempenhadas.
Para o ministro Carlos Lupi, o estágio quando exercido de
forma correta e em cumprimento com a lei permite o desenvolvimento
não só do profissional, mas também do Brasil. "A
partir do estabelecimento de condições dignas para o
estágio do jovem estudante no ambiente de trabalho, fomenta-se
no País a construção de um mercado mais justo
e uma formação profissional que propicie a vivência
prática de conteúdos teóricos ministrados no ambiente
próprio das instituições de ensino", afirmou
Lupi.
Dúvidas
O texto da nova Lei do Estágio, de 25 de setembro de 2008, suscitou
dúvidas nos atores envolvidos com a questão, somente o
Ministério do Trabalho e Emprego recebeu cerca de 3 mil e-mails
solicitando esclarecimentos. Para atender a demanda, surgiu a Cartilha
que se fundamenta nas bases da mudança.
Alguns pontos que têm sido debatidos pelo MTE, por intermediação
do secretário de Políticas Públicas, Ezequiel
Nascimento, são estágio obrigatório e não-obrigatório;
os requisitos a serem observados na sua concessão; a participação
dos agentes de integração e a jornada de trabalho diária.
E todos esses tópicos constam da Cartilha.
O material do Ministério do Trabalho e Emprego destaca ainda
o prazo de duração do estágio que é de
até dois anos, para o mesmo concedente, com exceção
aos portadores de deficiência; do auxílio transporte,
opcional quando se trata de estágio obrigatório e compulsório
quando não obrigatório; e dos contratos firmados antes
da publicação da nova Lei que para serem prorrogados
devem se ajustar às disposições atuais.
Além disso, a Cartilha menciona o recesso de 30 dias após
um ano de duração do estágio e as garantias da
legislação sobre saúde e segurança do trabalho.
Desta forma, o Ministério vem esclarecer uma Lei que é tão
importante para a sociedade. "Geração de cidadãos
produtivos, aptos a conduzir o País ao destino que merece e
que lhe está reservado. Este é o objetivo do MTE, o compromisso
de uma efetiva qualificação preparando o jovem para e
mercado de trabalho.", confirmou Ezequiel Nascimento.
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G1, 29 de dezembro de 2008
Oposição pretende entrar
na Justiça contra o Fundo Soberano
A oposição ameaça entrar na Justiça
contra a alteração feita pelo governo na lei que criou
o Fundo Soberano. Como o congresso aprovou-o, mas não indicou
de onde viriam os recursos para formá-lo, o governo lançou
mão de uma Medida Provisória (MP) que permite a emissão
de títulos, porque tem o prazo limite até o dia 31
de dezembro para destinar os recursos ao Fundo, desagradando o PSDB
e o DEM
Na última sexta-feira (26), a sanção do projeto
que criou o Fundo e a MP que destina cerca de R$ 14,2 bilhões
em títulos da dívida pública referente ao valor
poupado pelo governo foi publicadas no Diário Oficial da União.
Contrariados com a posição adotada pelo Palácio
do Planalto, parlamentares do PSDB e do DEM reagiram à medida
provisória, que chamaram de manobra do governo para driblar
a decisão do Congresso.
“ Essa medida provisória frauda uma decisão do
Legislativo e do próprio Judiciário. É fundamental
que o governo tenha limites na utilização do dinheiro
público. O Judiciário já tinha decidido que era
proibido criar crédito por medida provisória”,
afirmou o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ).
O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS),
reagiu às ameaças da oposição. “Acho
que não houve nenhuma fraude. Ou o Brasil criava o crédito
para o Fundo Soberano ou o país ficaria sem o recurso durante
todo o ano de 2009”, defendeu o petista.
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EFE, 29 de dezembro de 2008
Para assessores de Obama, economia
dos EUA será pior em 2009
Dois assessores do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama,
disseram neste domingo (28) que é provável que a situação
econômica do país piore ainda mais e que o desemprego passe
dos 10%.
"Muitos analistas acreditam que o índice de desemprego
poderia chegar aos 10% até o final do próximo ano",
afirmou o ex-secretário do Tesouro Lawrence Summers, nomeado
por Obama como diretor do Conselho Econômico Nacional.
"Nossa economia podia estar em US$ 1 trilhão abaixo de
sua capacidade plena, o que se traduz em uma perda de renda de mais
de US$ 12 mil para uma família de quatro", escreveu Summers
em uma coluna publicada no jornal "The Washington Post".
O economista repetiu os planos de Obama para gastos em obras governamentais,
incluindo os fundos para melhoria e atualização da infra-estrutura,
e o avanço da tecnologia ambiental, mas minimizou a importância
do estímulo direto aos consumidores.
Nos EUA, a despesa dos consumidores representa cerca de 67% da atividade
econômica. Em fevereiro, o Congresso aprovou e o presidente George
W. Bush promulgou uma devolução de impostos no valor
de US$ 150 bilhões a cerca de 130 milhões de contribuintes
com a esperança de estimular o gasto.
A maior parte dos beneficiados desse reembolso usou o dinheiro para
pagar dívidas e, no terceiro trimestre, a economia dos EUA teve
uma contração de 0,5%, a primeira desde a recessão
de 2001.
"Alguns argumentam que, em vez de tentarmos criar empregos junto
com o investimento em um crescimento a longo prazo, deveríamos
nos concentrar exclusivamente nas políticas de curto prazo que
gerem despesa dos consumidores", afirmou Summers.
"Mas este é o enfoque que nos levou a alguns dos problemas
que temos hoje, e é um enfoque que devemos rejeitar se quisermos
fortalecer a nossa classe média e a nossa economia a longo prazo",
acrescentou.
Já David Axelrod, que dirigiu a campanha eleitoral de Obama
e será seu assessor na Casa Branca, disse que os programas econômicos
do novo Governo "são planejados de modo que deixem marcas
duradouras".
Obama, disse Axelrod em pronunciamento na televisão, ainda
não decidiu o que fará com as reduções
de impostos aplicadas pelo Governo do presidente George W. Bush, as
quais, segundo muitos democratas, favoreceram os mais ricos.
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Congresso em Foco, 29 de dezembro de 2008
“Judiciário cria muita
indisposição”, diz Ricardo Barros
Vice-líder do governo mostra
como parlamentares ameaçam aumentos de juízes
e promotores depois da campanha contra os 'ficha-suja'
Renata Camargo
O ano de 2008 foi marcado por interferências dos Poderes Executivo
e Judiciário nos trabalhos do Congresso. Enquanto o governo
Lula não aliviou em termos de medidas provisórias, que
chegaram a trancar a pauta da Câmara em mais de 60% das sessões,
os ministros de tribunais superiores “legislaram” matérias
sobre as quais os congressistas não tinham consenso para deliberar.
Entre elas, a súmula antinepotismo do Supremo Tribunal Federal
(STF), que causou desconforto entre deputados e senadores que insistiam
em empregar parentes, e a resolução do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) sobre a fidelidade partidária, editada ainda
em 2007, que rendeu este ano a cassação de um congressista.
Mas o grande impasse entre os Poderes se deu mesmo em torno dos "ficha-suja",
lista de políticos processados na Justiça divulgada pela
Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).
" A questão dos 'ficha-suja' criou uma indisposição
muito grande aqui [no Congresso]. Nós tínhamos um pouco
mais de 70 parlamentares concorrendo às eleições
municipais e vem a Associação dos Magistrados Brasileiros
dizer que quem está condenado em primeira instância é 'ficha-suja'.
Que coisa mais idiota! É contra a Constituição
a posição da AMB. O Judiciário cria muita indisposição.
O Ministério Público ataca demais o Poder Legislativo,
o Poder Executivo. E depois eles acham que está tudo bem. E
não está tudo bem", disse ao Congresso em Foco o
vice-líder do governo no Congresso, deputado Ricardo Barros
(PP-PR).
Em entrevista exclusiva ao site, o deputado assume que está instaurado
o conflito entre o Legislativo e a Justiça, tantas vezes amenizado
em declarações à imprensa – como fizeram
os líderes do governo, Henrique Fontana (PT-RS), e do PSDB,
José Aníbal (SP), em
entrevista ao Congreso em Foco publicada na última sexta-feira.
Ricardo Barros assume que o Congresso não se esforça
para votar o reajuste nos vencimentos dos ministros do STF. O parlamentar
avisa que, caso queira que o reajuste de 5%, o Judiciário terá que "fazer
concessões". Entre elas, "pegar leve" com medidas
como a divulgação dos "ficha-suja".
" O que acontece aqui é que nós temos problemas
com o Judiciário. Eu já expressei os problemas nas associações
de magistrados e, sinceramente, não vi nenhum trabalho deles
no sentido de superar isso. Ficam aqui tentando ganhar o aumento na
pressão, sem ter que fazer concessões. Não é uma
negociação toma lá, dá cá. Mas é a
questão da habilidade. Se você quer alcançar um
objetivo, tire as pedras do caminho", avisa.
Equiparação salarial
Em seu quarto mandato, Ricardo Barros é também defensor
declarado da equiparação salarial entre os Poderes – medida
impopular que garante um aumento de cerca de R$ 8 mil para os deputados
e senadores, elevando o atual salário de R$ 16.500 com a remuneração
dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), R$ 24.500.
O parlamentar afirma que o Congresso tem proposto diversas intervenções
no Judiciário. Entre elas, a responsabilização
do Ministério Público em relação a denúncias
infundadas, o estabelecimento de uma experiência mínima
para seguir a carreira de juiz e a volta do recesso no Judiciário.
Mais imposto
Na entrevista, o vice-líder defende a criação
de um novo imposto destinado a cobrir novos gastos da Previdência,
como a polêmica Contribuição Social da Saúde
[CSS].
Este ano, o Senado aprovou três projetos que garantem mais
direitos aos aposentados. As propostas mudam normas, eliminando o fator
previdenciário (equação de cálculo para
benefício de aposentados) e aumentando a atualização
dos valores das aposentadorias. Paralelamente, a CSS – cobrança
de 0,1% de todas as movimentações financeiras, uma espécie
de nova CPMF – está no plenário da Câmara, à espera
da votação de um destaque da oposição para
seguir ao Senado.
" A correção dos aposentados tem grande impacto
no caixa da Previdência, sem nenhuma fonte. Eventualmente, a
gente pode incluir uma fonte, como fizemos com a Emenda 29, fazendo
a CSS [Contribuição Social da Saúde]. Pode ser
que aí equilibremos o jogo e possamos avançar",
prevê.
Ricardo Barros fala também de temas polêmicos como o
terceiro mandato do presidente Lula. Contra a reeleição,
o deputado confirma que um terceiro mandato já foi cogitado
entre os governistas, mas nega que a estratégia ainda esteja
sendo utilizada e que deva ser incorporada no texto da reforma política. "Isso
já esteve em pauta. Eu sou contra. Eu votei contra a reeleição
quando foi votado no governo do [ex-presidente] Fernando Henrique.
E olha que na época eu era do PFL. Não acredito que reeleição
ajude o país", afirma. Para o cenário de 2010, o
vice-líder prefere não arriscar um palpita, mas acredita
que a disputa deve ficar entre PSDB e PT.
Sobre a atual crise financeira mundial e seus efeitos na economia
brasileira, o governista se mostra otimista e afirma que o Brasil tem "um
bom colchão e uma economia sólida". Porém
avisa: somente aumentar o crédito disponível não
irá resolver o problema, é urgente baixar os juros. "Para
os juros praticados hoje, o empresário toma o empréstimo,
mas não consegue ganhar o suficiente para pagar a dívida
por causa dos juros altos. Estamos na contramão do mundo. Por
que o país que consegue grau de investimento tem que cobrar
o juro mais alto do mundo? Essa incoerência precisa ser resolvida
de forma rápida. Eu espero que o ministro [da Fazenda, Guido]
Mantega consiga fazer prevalecer a sua visão, embora eu respeite
muito o presidente [do Banco Central, Henrique] Meirelles", insiste.
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Gazeta do Povo, 29 de dezembro de 2008
Pesquisa
Eleitor já não lembra
em quem votou para vereador
Dos entrevistados, 28,5% esqueceu o
nome do candidato escolhido na última eleição
e quase a metade não soube citar nenhum parlamentar
Mais de um quarto dos eleitores de Curitiba não lembra em quem
votou na última eleição para vereador, apesar
de o pleito ter ocorrido há menos de três meses. Levantamento
do Instituto Paraná Pesquisas mostra que 28,5% dos eleitores
esqueceu o nome do candidato em que votou para a Câmara Municipal.
O porcentual da população que lembra em quem votou é de
70,8%. Para especialistas, é alto o grau de esquecimento dos
eleitores, o que revela que uma parcela da população
não tem interesse na escolha de representantes para o Legislativo.
O desinteresse fica mais evidente ao observar a parcela da população
que desconhece quem são os vereadores eleitos. A pesquisa mostra
também que 42,2% dos cidadãos não sabem o nome
de um único vereador que vai assumir uma vaga na Câmara
em 2009. Somente 13,4% dos eleitores conseguiu citar o nome de três
vereadores, enquanto que 17,9% deles citou o nome de dois parlamentares.
Pouco mais de um quarto dos entrevistados (25,6%) citou o nome de um
vereador. O Paraná Pesquisas entrevistou 800 eleitores entre
18 e 21 de dezembro. A margem de erro do levantamento é de 3,5%.
Para o diretor do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, o resultado
do levantamento indica que uma parcela da população está distanciada
do debate político e tem muito pouco interesse em participar. “Uma
parte até lembra em quem votou, mas não consegue identificar
o nome dos parlamentares do Legislativo municipal. A Câmara não
faz parte dos assuntos do cotidiano da população”,
avalia Hidalgo. “Quem sabe com o tempo esse quadro muda.” Para
ele, parte da população votou nas últimas eleições
sem “o menor compromisso” e sem ter muito conhecimento
sobre o candidato que escolheu. Com essa postura de pouco envolvimento,
explica Hidalgo, fica fácil os eleitores esquecerem em quem
votaram.
O professor de Ciências Políticas Fabrício Tomio,
da Universidade Federal Paraná (UFPR), avalia que o desinteresse
pela eleição do Legislativo municipal é, de certa
forma, normal. “Ocorre o mesmo na maior parte das democracias
do mundo. Essa parcela da população que não lembra
em quem votou, muito provavelmente não iria nem votar, caso
não isso não fosse obrigatório.”
Para Tomio, não é falta de relevância institucional
que faz com que os eleitores dêem pouca atenção à eleição
de vereadores. “O trabalho da Câmara é relevante,
pois todas as decisões importantes tomadas pela prefeitura acabam
passando por ela.”Segundo o cientista político, seria
formidável que houvesse um interesse maior da população,
mas isso só vem a acontecer quando as pessoas conseguem perceber
que o trabalho de um vereador pode trazer mudanças em sua vida
cotidiana.
Já o professor de Ciências Poíticas Carlos Luiz
Strapazzon, do Centro Universitário Curitiba, considera que
a Câmara Municipal de Curitiba, assim como em outros Legislativos
municipais, é absolutamente “domesticado” pelo Poder
Executivo. “Sobretudo quando há uma figura carismática,
como a do prefeito Beto Richa (PSDB), a Câmara acaba se tornando
um orgão voltado para suas rotinas internas e de interesses
de curto prazo.”
Na avaliação de Strapazzon, como os vereadores acabam
não discutindo questões de alta relevância pública,
a Câmara acaba “desaparecendo” da cena pública.
Strapazzon afirma que a principal conseqüência do desinteresse
dos eleitores pelo trabalho da Câmara é o desconhecimento
de como são aplicados os recursos públicos.
Funções
O vereador, de maneira geral, é o representante do povo, mas tem
atribuições definidas por lei:
> Fiscaliza e julga as contas do Executivo.
> Elabora a Lei Orgânica do Município.
> Legisla sobre assuntos de interesse local.
> Elabora as leis que estão dentro de sua competência.
> Analisa e aprova projetos dos próprios vereadores e do
Executivo.
> Apresenta indicações e requerimentos.
> Participa das comissões permanentes e extraordinárias.
> Elabora o regimento interno das câmaras municipais.
Salários
> O presidente recebe R$ 15 mil bruto (R$ 12 mil líquido)
por mês.
> Os demais vereadores ganham R$ 9 mil bruto (7 mil líquido).
Estrutura
> Cada vereador tem direito a R$ 14 mil mensais para contratar
até 10 assessores.
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Folha de S.Paulo, 29 de dezembro de 2008
FERNANDO RODRIGUES
Terceira via para 2010
BRASÍLIA - O Brasil tem hoje 27 partidos políticos registrados
no Tribunal Superior Eleitoral. À primeira vista é um número
grande. Na prática, já ocorreu uma decantação
no sistema. É difícil para os de fora do establishment
político ter sucesso eleitoral.
Neste ano que termina, pela primeira vez em quase duas décadas,
só três siglas (PMDB, PT e PSDB) obtiveram 50% dos votos
nas eleições de prefeito nas cerca de 5.600 cidades. Avança
a polarização entre dois grupos políticos (petistas
e tucanos). Os demais ficam relegados a um segundo plano.
Não é à toa que a eleição de 2010
vem sendo dada como definida entre apenas José Serra (PSDB) e
Dilma Rousseff (PT). Muita gente parece não se conformar com a
decretação dessa inevitabilidade.
O problema é como viabilizar uma terceira via. Os partidos com
poder para tal (PMDB e DEM) abdicaram de conquistar o Planalto. Contentam-se
em ser coadjuvantes. Construir uma nova sigla é tarefa inglória.
O começo é do zero, sobretudo no rádio e na TV.
Mas essa partidocracia petista e tucana pode sofrer um abalo. Chegou
ao TSE uma consulta do deputado Miro Teixeira, do PDT do Rio. Miro é o
mesmo que há alguns anos provocou um terremoto com a tese da verticalização
das alianças. Agora, ele indaga algo simples.
Depois do advento da fidelidade partidária, o TSE considera legítimo
um político deixar seu partido para criar uma nova legenda. Nesse
caso, seria também legal o político levar consigo para
a nova agremiação o patrimônio obtido nas urnas (o
tempo de rádio e de TV)? Se a resposta for sim, placas tectônicas
se movimentarão na política.
É possível até uma centena de peemedebistas, pedetistas
e outros mais (mesmo tucanos e petistas) se juntarem para quebrar a escrita bipolar
entre Serra e Dilma em 2010. Está nas mãos do TSE.
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Folha de S.Paulo, 29 de dezembro de 2008
Em dois anos, PAC alcança 15%
da meta
Dados do governo apontam que faltam
R$ 538 bilhões em investimentos nos próximos
2 anos para cumprir objetivo traçado
Governo diz que obras em fase de planejamento têm
diminuído e que o programa deslancha no próximo ano,
com mais desembolsos
AGNALDO BRITO
DA REPORTAGEM LOCAL
Lançado em janeiro de 2007, o PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) encerra seu segundo ano atingindo 15% da meta global
de investimentos públicos e privados previstos até 2010. É a
primeira vez que o governo apresenta números consolidados de
todos os protagonistas do PAC.
Dados do comitê de monitoramento do Gabinete Civil da Presidência
da República, obtidos com exclusividade pela Folha, mostram que,
nos dois primeiros anos do programa, os investimentos privados e públicos
(o que inclui desembolsos da União e das estatais) foram de R$
98,2 bilhões.
A execução do Orçamento da União nos dois últimos
anos é a menor parte, R$ 16,9 bilhões em recursos pagos.
Nesse valor estão as despesas liquidadas e de restos a pagar de
2007 e 2008 até o dia 31 de novembro. De acordo com o comitê de
monitoramento, os gastos com parte das 2.198 ações que
integram o PAC foram completados com investimentos de R$ 24 bilhões
em projetos de geração e transmissão de energia
elétrica e mais R$ 57,3 bilhões nos setores de petróleo
e gás.
A estimativa revisada de investimentos em obras de infra-estrutura social
e urbana, energética e de logística e transporte (os três
eixos que formam o PAC) é de R$ 636,2 bilhões no quadriênio
2007-2010.
Os números revelam o tamanho do desafio do governo federal para
cumprir as metas traçadas para o PAC. E, a despeito da crise e
de desconfianças, o governo promete que o PAC deslancha em 2009.
Mas a tarefa não é pequena.
A partir do dia 1º de janeiro, União, estatais e setor privado
terão, para cumprir a meta do programa, de desembolsar o restante
dos R$ 538 bilhões, o que vai exigir investimentos diários
de R$ 736,98 milhões em todos os 730 dias que restam ao atual
presidente até a entrega da faixa ao sucessor.
Será tarefa exeqüível? O setor privado, que cobra
há tempos do governo mais agilidade na execução
do programa, acha que a toada de 15% até agora é o possível
-tomada a estrutura do Estado disponível atualmente. "O governo
montou um acampamento na Casa Civil para acompanhar o PAC, onde há uma
estrutura de primeiro mundo. Mas, nos ministérios onde tudo acontece,
da estruturação dos projetos à execução
das obras, as condições são precárias. Junte
tudo isso e veja o monstro que aparece", disse José Mascarenhas,
presidente da Comissão de Infra-Estrutura da CNI (Confederação
Nacional da Indústria).
A entidade acompanha pari passu a execução orçamentária
do governo federal, que é uma parte do PAC. É quase impossível
saber o que acontece com a parte do programa sustentada por estatais
e empresas privadas que possuem obras no PAC.
Segundo o governo, 56% do programa está nas mãos de estatais,
como a Petrobras, dona da maior parte, a Eletrobrás, a partir
das subsidiárias Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul, e a Valec,
entre outras. O setor privado, afirma o governo, é dono de 17%
dos investimentos totais de R$ 1,111 trilhão, somados aí os
R$ 636,2 bilhões para o quadriênio 2007-2010, mais os R$
474,9 bilhões de aportes em infra-estrutura previstos para além
de 2010.
A ONG Contas Abertas também critica essa deficiência nos
dados do PAC, afirmando que apenas uma fatia menor do programa pode ser
acompanhada. O TCU (Tribunal de Contas da União) já emitiu
até um parecer contestando números de desempenho anunciados
pelo governo sobre investimentos no programa.
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Folha de S.Paulo, 29 de dezembro de 2008
folhainvest
Conta-salário passa
a valer a partir de sexta
Trabalhador da iniciativa privada poderá escolher
o banco em que desejar receber o pagamento sem arcar com tarifas
Em negociação desde 2006, iniciativa é temida
pelos bancos por dar liberdade ao correntista, o que deve aumentar
a concorrência
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
Após uma saga de dois anos e meio do cumprimento de exceções à regra,
a conta-salário passará a valer, de fato, a partir de
sexta-feira para todos os trabalhadores assalariados da iniciativa
privada. Com ela, o assalariado ficará finalmente livre para
escolher o banco em que deseja receber seu pagamento, sem pagar tarifas
ou ter de esperar mais do que um dia pela transferência.
Temida pelos bancos por facilitar a liberdade de escolha do cliente,
a conta-salário funciona como uma espécie de "porta
de saída" do banco com que a empresa empregadora decidiu
se relacionar -e efetuar o pagamento do empregado. Assim, a conta-salário
não fica no banco escolhido pelo funcionário, mas no conveniente
para a empresa empregadora, que em muitos casos "vendeu" a
folha de pagamento à instituição financeira.
Tabu
A conta-salário foi criada em setembro de 2006, parte de um pacote
para instituir a concorrência bancária. Mas acabou esvaziada
por adotar uma série de exceções à regra
principal.
Por lobby dos bancos, a implantação da "portabilidade" dos
salários segue um cronograma longuíssimo, com várias
regras de transição, amplamente negociado com o Banco Central.
A implantação foi iniciada em setembro de 2006, mas só terminará em
2012, quando os servidores públicos também terão
o benefício.
Por esse motivo, Estados e municípios ainda vendem caro suas folhas
de pagamento. O próprio INSS pretende leiloar a folha de aposentados
e pensionistas do país. Vista como tabu pelos bancos, a conta-salário
abre espaço a uma concorrência indesejada no setor. Por
esse motivo, segundo entidades de defesa do consumidor, nenhum banco
deve fazer qualquer publicidade sobre o assunto.
" Os bancos sabem que o cliente não muda de banco assim tão
fácil. Dá muito trabalho. A [instituição da] conta-salário
demorou, mas aconteceu. Junto com a padronização das tarifas, que
ainda não trouxe como resultado a diminuição das tarifas,
a conta-salário vai trazer mais concorrência. Os bancos vão
fazer de tudo para não perder o cliente", disse a advogada Maria
Inês Dolci, coordenadora do Pro Teste e colunista da Folha.
Muito cedo, os bancos viram nas folhas de pagamento uma forma de "comprar" novos
clientes. Isso porque, no Brasil, mudar de banco é uma aventura
onerosa e burocrática -envolve troca de débitos automáticos,
perda de bônus em seguros, custos de saída de financiamentos
e barreiras em investimentos- que poucos clientes estão dispostos
a encarar.
Na iniciativa privada, a conta-salário entrou em vigor em abril
de 2007 e mesmo assim apenas para os trabalhadores de empresas que tinham
assinado contrato para pagamento de salário após 5 de setembro
de 2006. Ou seja, valia para uma minoria.
Como abrir
A conta em que o funcionário recebe não vai virar automaticamente
uma conta-salário. Para ter a facilidade, o trabalhador interessado
deverá procurar o banco atual e comunicar sua decisão.
O funcionário não precisa efetuar a mudança no setor
de Recursos Humanos da empresa, que continua se relacionando com o banco
antigo.
Entidades de Defesa do Consumidor orientam o cliente a fazer uma comunicação
por escrito ao banco, com dados sobre número da instituição,
agência e conta a que deverão ser transferidos os valores.
O banco deverá dar um comprovante de ciência, com o compromisso
de transferir os valores a partir de uma determinada data, como o próximo
pagamento.
Para Maria Inês Dolci, o cliente que tentar abrir uma conta-salário
no banco será "assediado", como quando telefona a um
call center para interromper um serviço público. " O
consumidor tem de ter o propósito de transferir tudo e ter um
outro relacionamento, principalmente porque vai pagar taxas no outro
banco. Se ele ficar com os dois, não vai ter a conta-salário",
disse.
Se o cliente tiver outros produtos desse banco -débito automático,
crédito consignado, fundos de investimento, seguros-, poderá ter
dificuldade em obter a conta-salário. Isso porque a conta-salário
prevê um relacionamento limitado, com a possibilidade apenas de
ter uma cartão magnético e efetuar, no máximo, quatro
saques mensais -acima disso, o banco pode cobrar tarifa. Nessa conta,
o cliente não pode nem receber depósitos. As regras permitem,
no entanto, que o cliente tenha debitados parcelas de financiamentos
já adquiridos, como o crédito consignado.
Para Jorge Higashino, superintendente de projetos da Febraban (entidade
que reúne instituições financeiras), não é verdade
que os bancos não queiram dar publicidade à conta-salário
nem que os bancos procurem motivos para descaracterizá-la. "Se
for utilizar muito a conta-salário é melhor ter uma conta
normal. A conta-salário é um convênio da empresa
com o banco. Se sai da empresa, não pode mais movimentar essa
conta", disse.
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Folha de S.Paulo, 29 de dezembro de 2008
Governo quer garantir crédito
para casa
Projeto é que garantia seja
parcial e limitada aos primeiros anos após a venda,
quando o risco de inadimplência é maior
Medida faz parte de pacote habitacional que o governo
deve lançar em janeiro; foco serão casas com valor de
R$ 50 mil até R$ 100 mil
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O pacote habitacional que o governo prepara para anunciar em janeiro
terá como foco a construção de casas com valor
entre R$ 50 mil e R$ 100 mil. O projeto do governo é oferecer
garantias parciais do Tesouro Nacional aos financiamentos concedidos
pelas construtoras a seus clientes nos primeiros anos após a
venda, quando a taxa de inadimplência é mais alta. Com
isso, a equipe econômica avalia que reduzirá o risco do
investimento e conseguirá atrair os investidores privados.
A proposta em discussão ainda inclui a padronização
das casas que serão construídas. O governo considera que
pode reduzir custos se as exigências feitas por municípios
forem uniformes em todo o país. Hoje, o código de obras
varia de uma cidade para outra, o que exige que as construtoras façam
mudanças nos projetos. A idéia é que, para aderir
ao programa habitacional que será lançado, os municípios
aceitem fazer exatamente o projeto definido pelo governo.
Uma outra forma de reduzir os custos será a oferta de infra-estrutura
nos locais onde forem construídas essas residências. A equipe
econômica discute a oferta, por União, Estados e municípios,
de benfeitorias como energia elétrica, saneamento e água
tratada.
A garantia que o Tesouro oferecerá às construtoras deverá cobrir
só parte das perdas com inadimplência. A equipe econômica
ainda estuda o percentual, mas a idéia é que parte significativa
do risco continue no setor privado para evitar que as construtoras concedam
financiamento a clientes ruins.
O governo vai concentrar a ajuda nos primeiros cinco anos do financiamento.
Essa é a época de maior risco de desistência dos
compradores e também quando as construtoras estão gastando
para levantar o imóvel. Passado esse período, a tendência é que
quem comprou já esteja morando no imóvel e não deixe
de pagar. Para as construtoras, se houver inadimplência, o imóvel
pode ser revendido depois de concluído.
O ministro Guido Mantega (Fazenda) já anunciou que o objetivo
do governo é construir 300 mil casas em dois anos. A definição
do valor das moradias que serão construídas é baseada
na avaliação do governo de que a construção
para a baixa renda tem financiamento por meio de programas subsidiados
pela União e por recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço).
A classe média mais alta seria financiada diretamente pelos bancos
privados e com a retirada de recursos das contas vinculadas do FGTS.
Portanto, a necessidade de estímulo estaria concentrada na classe
média de renda mais baixa, sem fonte de financiamentos nem oferta
de imóveis em quantidade suficiente.
O orçamento para o novo pacote habitacional ainda não foi
definido. A opção por oferecer uma garantia parcial leva
em conta as restrições de gastos do governo. Se a União
fosse construir as casas e depois vendê-las, teria uma despesa
muito elevada. Ao conceder garantias, que funcionarão como uma
espécie de seguro contra a inadimplência, o governo consegue
construir muito mais com o mesmo dinheiro.
As medidas para estimular a construção civil fazem parte
de um pacote maior que o governo lançará em janeiro para
tentar atenuar a queda no crescimento da economia. A meta do governo,
considerada pouco realista pela maior parte dos analistas, é alcançar
um crescimento de 4% em 2009. O próprio Banco Central estima que
o PIB não aumente mais que 3,2% no ano que vem.
A construção civil também deverá ser beneficiada
por uma mudança no valor máximo dos imóveis a serem
adquiridos com o saque de recursos do FGTS. O limite atual, de R$ 350
mil, deve subir. O governo analisa se esse teto se aplicará somente às
retiradas do fundo ou também para financiamentos por meio do SFH
(Sistema Financeiro da Habitação). Segundo estudo da FGV
Projetos, ao fim de 2007 o déficit de moradias no país
era maior que 7,2 milhões de unidades.
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Última Instância, 29 de dezembro
de 2008
Justiça do Trabalho
mantém isenção de imposto de renda para
portador de HIV
A 3ª Turma do TRT-3 (Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais)
determinou, em recurso da Caixa Econômica Federal contra decisão
de primeira instância, a isenção do imposto de renda
de um funcionário portador de HIV.
Os desembargadores confirmaram sentença que declarou isento
de imposto o salário recebido pelo funcionário, na reclamação
trabalhista.
Segundo o TRT-MG, a decisão se baseou em dispositivo de lei
que permite que pessoas portadoras de doenças consideradas graves,
como a AIDS, sejam isentas de imposto de renda.
No recurso, a Caixa Econômica Federal alegava que a lei somente
isentaria proventos de aposentadoria por doença grave, e não
aqueles provenientes do trabalho assalariado.
O argumento foi rejeitado, sob o entendimento de que o fato gerador
do imposto de renda é o momento do pagamento, pouco importando
se os valores pagos decorrem de parcelas devidas no curso do contrato
de trabalho.
O relator do caso foi o juiz convocado Danilo Siqueira de Castro Faria.
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Última Instância, 29 de dezembro
de 2008
TRT-DF reconhece vínculo empregatício
de menor que trabalhava ilegalmente
A 2ª Turma do TRT-10 (Tribunal Regional do Trabalho no Distrito
Federal) reconheceu a existência de vínculo de trabalho
de um menor de 15 anos, contratado aos 14 para tarefas de serviços
gerais. A decisão determinou, portanto, que o empregador deve
arcar integralmente com todas as obrigações trabalhistas
devidas ao menor.
Apesar de a Constituição proibir o trabalho de menor
de 16 anos – argumento usado pela 1ª Vara do Trabalho de
Gurupi, que não reconheceu o vínculo de emprego – os
desembargadores entenderam existir diferença entre o trabalho
proibido e o ilícito, permitindo assim a exceção.
A decisão de primeira instância se baseou em súmula
do Tribunal Superior do Trabalho que determina a jurisprudência
de um caso semelhante. O juízo condenou o empregador apenas
ao pagamento de saldo de salário, horas extras e reflexos em
Fundo de Garantia.
Para os desembargadores do TRT, a súmula não se aplica
ao caso, por se tratarem de situações distintas em que
não cabe aplicação analógica. O relator
do processo, desembargador João Amílcar, concluiu que “ainda
que ambas as situações sejam direcionadas ao alcance
do bem comum, o núcleo de cada uma delas é absolutamente
distinto".
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