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Agência Câmara, 31 de dezembro
de 2008
Matérias polêmicas voltarão à pauta
da Câmara em 2009
A reforma tributária (substitutivo às PECs 233/08, 31/07
e 45/07), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
das Medidas Provisórias (511/06), a revisão da PEC dos
Vereadores (333/04) e as propostas sobre reforma eleitoral são
algumas das matérias que os deputados deverão voltar a
debater a partir de 2009.
Um grande embate político envolverá a votação,
em Plenário, das PECs relativas à reforma tributária.
O texto votado pela comissão especial, de autoria do deputado
Sandro Mabel (PR-GO), já está em negociação
com o governo federal e com governadores desde sua aprovação
no colegiado.
O principal dilema é encontrar uma fórmula que simplifique
o sistema tributário nacional sem acarretar perdas na arrecadação
dos estados, dos municípios e da União. Como a grande
mudança no ICMS é a cobrança do imposto no estado
de destino da mercadoria ou serviço, os estados produtores temem
sofrer perdas que não seriam integralmente repostas pelos fundos
de desenvolvimento regional e de equalização de receitas
criados por Mabel.
O debate deve ganhar ingredientes adicionais devido aos impactos que
a crise internacional vier a provocar sobre o Brasil, como diminuição
das exportações, desemprego e menor crescimento do Produto
Interno Bruto (PIB).
Fim do trancamento
Depois de vitórias tanto do governo quanto da oposição
no primeiro turno, a Câmara ainda precisa votar em segundo turno
a PEC das Medidas Provisórias, para enviá-la ao Senado.
A proposta acaba com o trancamento da pauta pelas MPs e remete, às
comissões de Constituição e Justiça da
Câmara e do Senado, a análise da admissibilidade das MPs.
O governo conseguiu manter a necessidade de maioria absoluta para inverter
a pauta quando a MP passar a ser o primeiro item da pauta depois de
15 dias de tramitação.
Já a oposição conseguiu que fosse retirada, do
texto, a possibilidade de o presidente da República retirar
uma MP após 15 dias de editada, anulando os seus efeitos jurídicos.
Vereadores
Os deputados também irão analisar as mudanças feitas
pelo Senado na PEC dos Vereadores. O texto aprovado na Câmara recompõe
vagas nas câmaras municipais, mas impõe limites para os
gastos com os legislativos das cidades. Os senadores mantiveram a recomposição
de vagas, mas recusaram os limites de gastos.
No final de 2008, a Mesa Diretora da Câmara não aceitou
promulgar a PEC dessa forma, pois avaliou que é fundamental
haver limites de gastos. Com isso, a tendência é a matéria
tramitar novamente para os deputados decidirem se mantêm o texto
da Câmara ou o do Senado.
Se for mantido o dispositivo que limita os gastos, deverá haver
uma economia de R$ 1,2 bilhão por ano em todo o Brasil.
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Agência Senado, 31 de dezembro de 2008
Crise econômica, excesso de MPs
e reajustes de aposentadorias marcaram debates em Plenário
em 2008
A crise financeira que abalou os Estados Unidos e a Europa e atingiu
o Brasil foi um dos temas mais citados pelos parlamentares em discursos
no Plenário durante o segundo semestre de 2008. Enquanto a bancada
governista procurava tranqüilizar a população, afirmando
que as medidas adotadas pelo Executivo eram suficientes para blindar
a economia, como afirmou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), a oposição
acusava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não perceber
a gravidade da questão.
Para o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), por exemplo, a crise
financeira chegou ao Brasil não como uma "marola",
como afirmou o presidente Lula, mas como uma "tempestade devastadora",
que tem provocado recessão e desemprego. A queda das taxas de
juros foi uma das sugestões feitas para tentar estimular a economia,
assim como a redução dos gastos públicos e a concentração
nas obras de infra-estrutura, como as do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC).
A divergência de opiniões entre governo e oposição
a respeito do enfrentamento da crise desembocou na discussão
sobre o Fundo Soberano do Brasil (FSB). Os parlamentares acabaram aprovando
a criação do fundo, mas não os recursos destinados
a ele. O Executivo decidiu então destinar R$ 14 bilhões à reserva
por meio de medida provisória, atitude que está sendo
contestada no Supremo Tribunal Federal (STF).
Interferência
A constante edição de medidas provisórias pelo
Executivo também rendeu discursos muitas vezes exaltados de
parlamentares que acusavam o Planalto de "usurpar a função
legisladora do Congresso". Também houve críticas à atuação
do Poder Judiciário, acusado de legislar ao interpretar as leis,
como no caso da fidelidade partidária.
Em várias ocasiões, como na cerimônia que comemorou
os 20 anos da Constituição, o próprio Garibaldi
Alves Filho, presidente do Senado, afirmou haver uma invasão
dos outros Poderes da República sobre o Congresso. Em abril,
a oposição protestou com a obstrução das
votações na Câmara e no Senado, e Garibaldi chegou
a permanecer 45 dias sem ler novas MPs em Plenário.
A crise culminou com a devolução da MP 446/08, que pretendia
conceder benefícios tributários a entidades filantrópicas
e anistiar instituições suspeitas de fraude. Foi a primeira
vez desde 1989 que o Senado devolveu uma MP ao governo. A atitude ainda
está sendo questionada juridicamente.
Aposentadorias
Outro tema que mobilizou parlamentares de todos os partidos foi a
tentativa de recompor o valor das aposentadorias e pensões por
meio da votação de três projetos: o PLS 58/03,
que permite ao beneficiário da Previdência Social receber
montante equivalente, na atualidade, ao número de salários
mínimos recebidos à época da concessão
do benefício; o PLC 42/07, que determina uma política
de atualização dos salários mínimos e cuja
emenda garante o mesmo percentual de reajuste do mínimo às
aposentadorias e pensões; e o PLS 296/03, que prevê o
fim do fator previdenciário.
Tais matérias, que são de autoria do senador Paulo Paim
(PT-RS) ou receberam emendas suas, já tiveram sua tramitação
completa no Senado e foram encaminhadas à Câmara, mas
levaram senadores de todos os partidos a realizarem três "vigílias" em
Plenário, na tentativa de sensibilizar o Executivo e os deputados
a aprovarem-nas. Mão Santa (PMDB-PI), Mário Couto (PSDB-PA),
Pedro Simon (PMDB-RS), Expedito Júnior (PR-RO), Flexa Ribeiro
(PSDB-PA) e Rosalba Ciarlini (DEM-RN), entre outros, apoiaram o movimento
encabeçado por Paim.
Piso salarial para os professores
A aprovação do projeto que criou o piso salarial de
R$ 950 para os professores e falta de disposição de alguns
municípios para o cumprimento da lei, sob a alegação
de falta de recursos, também foi registrada em discursos. Cristovam
Buarque (PDT-DF) é o autor da proposição convertida
em norma jurídica.O Senado decidiu também que os recursos
destinados constitucionalmente à educação devem
ser usados apenas nessa área, ficando de fora do cálculo
da Desvinculação de Receita da União (DRU). Defendida
pela senadora Ideli Salvatti (PT-SC), a Proposta de Emenda à Constituição
93/06, que trata do tema, agora tramita na Câmara.
Mais recursos para a Saúde
Também marcaram o ano os debates em torno da regulamentação
da Emenda Constitucional 29, que determina os percentuais mínimos
a serem investidos em saúde pelos governos federal, estaduais
e municipais. Proposta nesse sentido (PLS 121/07), de autoria do senador
Tião Viana (PT-AC) foi aprovada em abril e seguiu para Câmara.
Caso aprovada daquela Casa, a matéria (PLP 306/08) garantirá R$
23 bilhões a mais para a Saúde, nos próximos cinco
anos.
Pré-sal
A descoberta de grandes jazidas de petróleo localizadas na
chamada "camada pré-sal" também motivou prolongados
debates, tanto em Plenário como nas comissões. O Senado
chegou a promover um seminário, com a presença de especialistas
da área, para discutir o assunto. Os debates trataram da viabilidade
da exploração dessas jazidas, da necessidade de se criar
uma nova empresa para administrar o petróleo pré-sal
e de como aplicar os recursos oriundos dessa exploração.
Com relação a isso, houve várias propostas: formação
de uma poupança para necessidades futuras do país, aplicação
em infra-estrutura, aplicação em ações
sociais.
Biocombustíveis
Paralelamente ao debate sobre o petróleo pré-sal, correram
as discussões sobre a ampliação do uso de biocombustíveis.
Sobretudo no começo de 2008, quando o preço do petróleo
quase atingiu U$ 150 dólares o barril, muitos senadores defenderam
o uso dos combustíveis derivados de recursos renováveis,
como o álcool etanol, produzido a partir da cana, e o biodiesel,
produzido a partir de vegetais como soja e girassol, entre outros.
Muitos senadores reagiram às críticas feitas - sobretudo
nos Estados Unidos e na Europa - à adoção dos
biocombustíveis, vistos como vilões da crise de alimentos
que assombrou o mundo no primeiro semestre de 2008. Os parlamentares
brasileiros lembraram que o etanol brasileiro é bem menos poluente
do que o petróleo e libera mais energia do que os seus similares
produzidos a partir de milho ou de beterraba. Eles destacaram também
que, no Brasil, há espaço para a ampliação
das lavouras de cana-de-açúcar sem que isso ameace a
produção de alimentos.
Conflitos sócio-ambientais
A demarcação da Reserva Raposa/Serra do Sol de forma
contínua ou em ilhas, decisão que está sendo referendada
pelo STF, também gerou debates: senadores como Mozarildo Cavalcanti
(PTB-RR) e Augusto Botelho (PT-RR) apontaram a importância da
permanência dos arrozeiros na região, e outros, como João
Pedro (PT-AM) e Marina Silva (PT-AC) defendem a permanência somente
dos índios no território.
Nepotismo
Uma súmula editada pelo STF proibiu o nepotismo nos três
Poderes da República. Com isso, parentes de parlamentares e
de servidores com cargo de chefia tiveram que ser demitidos. Senadores
que defendiam a permanência de "pessoas de confiança" no
trabalho de gabinetes ou que pediam a imediata demissão de qualquer
parente registraram suas posições em discursos. Foram
demitidos mais de 80 parentes de senadores e servidores.
Investigações
A utilização indevida de cartões corporativos,
a má aplicação de verbas públicas destinadas
a organizações não-governamentais (ONGs) e o uso
da Internet para a prática da pedofilia foram assuntos que mobilizaram
os senadores no Plenário e fora dele - tanto que motivaram o
funcionamento de três comissões parlamentares de inquérito
no Senado em 2008.
Logo no começo do ano, a imprensa denunciou alguns ministros
e outros funcionários do Executivo pelo uso abusivo de cartões
corporativos. Instalada em março, a CPI Mista dos Cartões
Corporativos, como ficou conhecida, foi presidida pela senadora Marisa
Serrano (PSDB-MS) e teve como relator o deputado Luiz Sérgio
(PT-RJ). Os trabalhos da CPI Mista foram encerrados em 5 de junho,
com a aprovação do relatório final que propôs
um projeto de lei regulamentando o uso de cartões corporativos
e sugeriu ao Ministério Público que investigasse irregularidades
ocorridas durante os governos de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz
Inácio Lula da Silva.
Já a CPI das ONGs, instalada em 2007, prosseguiu neste ano
os seus trabalhos. Inicialmente presidida pelo senador Raimundo Colombo
(DEM-SC), passou a ter como presidente o senador Heráclito Fortes
(DEM-PI) depois que Colombo se licenciou, no final do primeiro semestre.
A comissão tem como relator o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE).
Diversas organizações não-governamentais foram
investigadas até agora, entre elas a Fundação
de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec),
acusada de ter pago indevidamente a reforma do apartamento ocupado
pelo então reitor da Universidade de Brasília, Timothy
Mulholland, orçada em aproximadamente meio milhão de
reais. Em novembro, os trabalhos da CPI foram prorrogados por mais
180 dias.
Por fim, a CPI da Pedofilia, presidida pelo senador Magno Malta (PR-ES)
e tendo como relator o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), vem
investigando, desde março, inúmeros casos de abuso de
crianças e adolescentes e de uso da Internet no aliciamento
de menores de idade para a prática da pedofilia e na distribuição
de material pornográfico com imagens de crianças e adolescentes.
A CPI já conseguiu que grandes empresas de telecomunicação
e Internet como Google, TIM, Oi/Telemar e Brasil Telecom, entre outras,
assumissem o compromisso de prevenir e reprimir o mau uso dos canais
e sites que disponibilizam. Além disso, projeto de lei proposto
pela comissão tipificando condutas relacionadas à pedofilia
e estabelecendo penas já foi aprovado no Congresso e aprovado
pelo presidente da República. A comissão também
continua em 2009 os seus trabalhos.
Reflexos da Satiagraha
A Operação Satiagraha, em que a Polícia Federal
prendeu, entre outros, o banqueiro Daniel Dantas, foi assunto de acalorados
debates em Plenário. Muitos senadores acusaram a instituição
de ter transformado a prisão dos acusados em um "espetáculo",
abusando do uso das algemas. Outros senadores defenderam a PF e apoiaram
especialmente o delegado Protógenes Queiroz, que chefiou a operação.
Também foi muito criticado o presidente do STF, Gilmar Mendes,
que concedeu, por duas vezes, habeas corpus ao empresário Daniel
Dantas.
Supostas irregularidades na operação acarretaram investigações
que demonstraram a participação da Agência Brasileira
de Inteligência (Abin) na Satiagraha e apontaram o uso excessivo
e indiscriminado de escutas ilegais, que atingiram o senador Demóstenes
Torres (DEM-GO) e Gilmar Mendes.
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Agência Diap, 31 de dezembro de 2008
Balanço: Trabalho aprova proposições
polêmicas em 2008
André Santos
No ano de 2008, a Comissão de Trabalho da Câmara, que
analisa o mérito das matérias relacionadas à classe
trabalhadora, apreciou muitas proposições polêmicas
que aguardavam decisão do colegiado há anos. A Comissão
também promoveu debates de projetos de interesse dos trabalhadores
em várias instâncias da Casa. Em 2009, a agenda do colegiado
será bastante intensa. O movimento sindical precisa estar atento,
acompanhar de perto e intervir mais efetivamente na agenda e nos trabalhos
dessa comissão temática.
No início de 2008, o presidente do colegiado, deputado Pedro
Fernandes (PTB/MA), havia alertado que colocaria em pauta proposições
polêmicas. Para o próximo ano, o objetivo do parlamentar é dar
continuidade à tramitação das matérias
que, segundo Fernandes, "ainda terão um caminho extenso
até sua apreciação definitiva".
Entre as proposições aprovadas na Comissão, algumas
não agradaram aos trabalhadores, a exemplo do projeto de lei
que pretende regulamentar o trabalho dos terceirizados no País,
aprovado no segundo semestre de 2008. Outra proposição,
também considerada ruim pelos trabalhadores e que foi aprovada
no primeiro semestre, é o projeto de lei complementar que cria
as fundações públicas.
Servidores públicos
No dia 18 de junho, a Comissão aprovou o Projeto de Lei Complementar
(PLP) 92/07, que autoriza o Poder Público a criar fundações
estatais (de direito público ou privado) para atuar nas áreas
de saúde, educação, assistência social, cultura,
desporto, ciência e tecnologia, meio-ambiente, previdência
complementar do servidor público, comunicação social
e promoção do turismo nacional.
A matéria, de autoria do Executivo, também já foi
aprovada na Comissão de Constituição e Justiça
da Casa e aguarda para ser apreciada em plenário.
Servidores públicos e aposentados se uniram em uma marcha,
no dia 10 setembro, em Brasília, e protestaram contra a criação
das fundações estatais. Ao final das atividades, dirigentes
sindicais entregaram um abaixo-assinado ao presidente do Senado, Garibaldi
Alves (PMDB/RN), com assinaturas de milhares de cidadãos recolhidas
pelas entidades em todos os estados brasileiros, contra a aprovação
do projeto. Se aprovada na Câmara, a matéria seguirá para
o Senado.
Direito de greve
No dia 7 de maio, a Comissão aprovou o PL 4.497/01, da deputada
Rita Camata (PMDB/ES), que dispõe sobre o direito de greve do
servidor. A matéria foi aprovada com um destaque que prevê a
negociação do pagamento dos dias parados dos servidores
em razão de greve.
A proposta está na Comissão de Constituição
e Justiça da Casa e o relator, deputado Magela (PT/DF), busca
entendimento com servidores e Governo para tentar votar um texto de
consenso entre as partes. Isso não será tarefa fácil,
pois o grupo de trabalho criado no âmbito do Ministério
do Planejamento está desativado.
Já no final do ano, os servidores foram contemplados com a
aprovação pela Comissão de Trabalho, no dia 3
de dezembro, data em que aconteceu a 5ª Marcha da Classe Trabalhadora,
do PDC 795/08, que aprova, com ressalvas, os textos da Convenção
151 e da Recomendação 159, da Organização
Internacional do Trabalho (OIT).
Como a matéria já havia sido aprovada pelas comissões
de Relações Exteriores e de Constituição
e Justiça, a decisão final cabe agora ao plenário
da Casa.
Criação de cargos
Proposições com o objetivo de criar cargos nos poderes
Executivo e Judiciário também foram aprovadas no colegiado.
No primeiro semestre, os deputados ainda resistiram à aprovação
das matérias que versavam sobre a criação de cargos,
principalmente no Judiciário, mas um entendimento permitiu a
aprovação de vários projetos na Comissão
ainda neste ano.
Iniciativa privada
No 1° semestre, o colegiado aprovou o PL 1.981/03, do deputado Vicentinho
(PT/SP), que dispõe sobre a participação dos sindicatos
no sistema de inspeção das disposições legais
relativas às condições de trabalho e à proteção
dos trabalhadores no exercício profissional.
O projeto está na Comissão de Constituição
e Justiça aguardando parecer do deputado Paes Landim (PTB/PI).
O texto visa a participação dos sindicatos na inspeção
do trabalho com o objetivo de evitar o descumprimento da legislação
trabalhista e previdenciária.
Ainda no primeiro semestre, a Comissão aprovou ainda o PL 2.513/07,
da senadora Patrícia Saboya (PDT/CE), que amplia a licença-maternidade
de 120 para 180 dias. A proposta, agora Lei 11.770/08, foi sancionada
pelo presidente Lula em 9 de setembro.
Outra matéria aprovada na Comissão foi a que altera
o rito sumaríssimo na Justiça do Trabalho, conteúdo
do PL 1.432/03, do deputado Dr. Rosinha (PT/PR). A matéria está na
Comissão de Constituição e Justiça e aguarda
exame do parecer pela constitucionalidade, juridicidade e técnica
legislativa do relator, deputado Regis de Oliveira (PSC/SP).
Terceirização
Apesar dos cinco destaques aprovados na Comissão de Trabalho,
o PL 4.302/98, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que dispõe
sobre as relações de trabalho na empresa de trabalho temporário
e na empresa de prestação de serviços a terceiros,
continua provocando efeitos danosos.
A matéria ainda será examinada pela Comissão
de Constituição e Justiça, cujo relator é o
deputado Colbert Martins (PMDB/BA), antes de ir a votos no plenário.
Audiências públicas
Entre os debates realizados pela Comissão, destaque para do PL
1.987/07, do deputado Cândido Vaccarezza (PT/SP), que consolida
a legislação trabalhista. A matéria está em
análise no Grupo de Trabalho que trata da Consolidação
das Leis. Outra discussão promovida pelo colegiado tratou das
Convenções 151 e 158 da OIT.
A primeira trata da negociação coletiva no serviço
público, aprovada em todas as comissões da Casa, e a
segunda proíbe a demissão imotivada (sem justa causa).
A Convenção 158 foi rejeitada na Comissão de Relações
Exteriores e aguarda indicação de relator na Comissão
de Trabalho da Câmara.
No segundo semestre, o colegiado realizou debates sobre a jornada
de trabalho dos caminhoneiros. Atualmente, a proposta aguarda votação
no plenário da Câmara. O PL 2.660/96 exige um descanso
mínimo de 30 minutos a cada 4 ou 5 horas de direção
dos caminhoneiros.
O projeto autoriza o caminhoneiro a dirigir, no máximo, 13
horas por dia - dois períodos de 5 e mais um período
extra de 3 horas. A proposta, que tramita há 12 anos no Legislativo,
está pronta para ser votada em plenário há dois
anos.
Jornada de trabalho
Em novembro, a Comissão de Trabalho realizou audiência pública
para debater os projetos que reduzem a jornada de trabalho de 44 para
40 horas semanais. Com a presença de dirigentes sindicais e representantes
dos empresários, o presidente da Comissão, Pedro Fernandes,
anunciou que colocaria o PL 4.653/94 em pauta.
O deputado Bruno Araújo (PSDB/PE), por meio do requerimento
3.643/08, pediu à Mesa Diretora da Câmara revisão
do despacho inicial do projeto, a fim de que a matéria seja
examinada antes pela Comissão de Desenvolvimento Econômico,
Indústria e Comércio. Com a decisão da Mesa, a
matéria não pôde ser apreciada na Comissão
de Trabalho.
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Agência Diap, 31 de dezembro de 2008
Tribunal Superior do Trabalho edita
novas orientações jurisprudenciais
Gláucia Pinto Montin*
O TST (Tribunal Superior do Trabalho) publicou seis novas Orientações
Jurisprudenciais da Subseção I Especializada em Dissídios
Individuais. As OJs abrangem assuntos variados, incluindo aviso prévio,
acordo, estabilidade, prescrição, representação
processual e jornada de trabalho. Elas foram publicadas nos dias 3,
4 e 5 de dezembro de 2008 e receberam os números de 367 a 372.
Aviso prévio - OJ 367
A orientação diz respeito ao aviso prévio de 60
dias, que tenha sido concedido através de norma coletiva (acordo
ou convenção coletiva). Uma vez existente norma coletiva
que estipule o período do aviso prévio em 60 dias e que
silencie sobre os efeitos jurídicos do mesmo, a sua projeção
se dará por 60 dias, e não ficará limitada ao período
mínimo previsto por lei, que é de 30 dias.
Isso quer dizer que todo o período deverá ser computado
como tempo de serviço, sendo aplicadas ao caso as disposições
contidas no parágrafo 1º do artigo 487 da CLT (Consolidação
das Leis do Trabalho) - "A falta do aviso prévio por parte
do empregador dá ao empregado o direito aos salários
correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração
desse período no seu tempo de serviço" -, inclusive
com repercussão nas verbas rescisórias.
Acordos - OJ 368
Trata-se de processos nos quais são homologados acordos pelo juízo
sem o reconhecimento de vínculo empregatício. Nesses casos,
deve haver discriminação expressa das parcelas sujeitas à incidência
da contribuição previdenciária, sob pena de o valor
total do acordo homologado ser considerado de natureza salarial, sendo
devida a incidência das contribuições sobre o mesmo,
conforme o parágrafo primeiro do artigo 43 da Lei 8.212, de 24
de julho de 1991 (renumerado do parágrafo único pela Medida
Provisória 449, de 2008).
Este artigo 43 estabelece que as contribuições sociais "incidirão
sobre o valor total apurado em liquidação de sentença
ou sobre o valor do acordo homologado". É importante destacar
que, conforme o artigo 195, item I, alínea "a", da
Constituição Federal de 1988, as contribuições
sociais do empregador incidem "sobre a folha de salários
e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa
física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo
empregatício".
Estabilidade - OJ 369
Distingue as figuras do dirigente sindical e delegado sindical quanto à abrangência
da estabilidade provisória. Essa nova orientação
não concede estabilidade provisória prevista no artigo
8º, VIII, da Constituição Federal ao delegado sindical,
por não ser cargo eletivo, como é o de dirigente sindical,
conforme explica o artigo 523 da CLT.
Prescrição - OJ 370
O TST entendeu conveniente orientar também quanto à prescrição
a ser aplicada sobre ações que tratam de diferenças
dos expurgos inflacionários na multa de 40% do FGTS (Fundo de
Garantia por Tempo de Serviço), instituindo a OJ 370. Esta orientação
dispõe que, se houver ajuizamento de protesto judicial interruptivo
dentro de dois anos após a Lei Complementar 110, de 29 de junho
de 2001, a prescrição é interrompida.
Também dispõe que é irrelevante que ultrapasse
o período de dois anos da propositura de outra medida acautelatória
com o mesmo objetivo se ela tiver ocorrido antes da vigência
da LC 110/2001, pois foi esta que estabeleceu o prazo prescricional
de dois anos, conforme disposto na Orientação Jurisprudencial
344 da SBDI-1.
Representação processual - OJ
371
Há na OJ 371 orientação para que não seja
caracterizada irregularidade de representação processual
quando o mandato judicial não possuir data da outorga de poderes.
Deve-se considerar, nesses casos, a data em que o instrumento for juntado
aos autos, a teor do que dispõe o artigo 370, item IV, do Código
Processual Civil.
Jornada de trabalho - OJ 372
Por fim, a OJ 372 dispõe que "a partir da vigência
da Lei 10.243, de 27 de junho de 2001, que acrescentou o parágrafo
1º ao artigo 58 da CLT, não mais prevalece cláusula
prevista em convenção ou acordo coletivo que elastece o
limite de cinco minutos que antecedem e sucedem a jornada de trabalho
para fins de apuração das horas extras".
Dessa forma, não serão válidas cláusulas
normativas firmadas pelos sindicatos de categorias profissionais que
estabeleçam tempo superior a cinco minutos como tolerância
para o cômputo de jornada extraordinária.
(*) advogada especialista em direito do trabalho
empresarial
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Agência Brasil, 31 de dezembro de 2008
Economia para pagar juros da dívida
até novembro é recorde
A economia de recursos públicos para pagar os juros da dívida
foi recorde nos 11 primeiros meses do ano, mas no acumulado de 12 meses
ficou ligeiramente abaixo da meta estabelecida pelo governo. Segundo
números divulgados nesta terça-feira (30) pelo Banco Central
(BC), o superávit primário no acumulado do ano atingiu
R$ 134,8 bilhões, equivalente a 5,08% do Produto Interno Bruto
(PIB). O resultado é 0,3 ponto percentual a mais do que o registrado
no mesmo período de 2007.
No acumulado em 12 meses, no entanto, o superávit primário
caiu, passando de R$ 127,9 bilhões (4,48% do PIB) para R$ 123,1
bilhões (4,27% do PIB). Dessa forma, o superávit nesse
período está um pouco abaixo da meta de 4,3% do Produto
Interno Bruto para o ano, levando-se em consideração
a reserva de 0,5% do PIB para compor o Fundo Soberano.
Em novembro, o superávit primário do setor público
(União, estados, municípios e estatais) somou R$ 1,9
bilhão. No mês passado, os juros nominais somaram R$ 10,9
bilhões, alta de R$ 1,6 bilhão.
Segundo o Banco Central, esse crescimento nos juros ocorreu por causa
das operações de swap cambial, vendas de dólares
no mercado futuro realizadas para conter a alta da moeda norte-americana.
O resultado dessas operações, desfavorável ao
BC, é incorporado aos juros nominais.
De janeiro a novembro, os juros apropriados atingiram R$ 145,6 bilhões
(5,48% do PIB), 0,73 ponto percentual a menos do que o registrado nos
mesmo período do ano passado. No acumulado em 12 meses, os juros
alcançaram R$ 157,8 bilhões (também 5,48% do PIB),
valor também menor do que os R$ 159 bilhões (5,57% do
PIB) registrados até outubro.
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Gazeta do Povo, 31 de dezembro de 2008
Câmaras municipais
Rio tem vereador mais caro do Brasil.
Em Curitiba, salário também é alto
A capital fluminense paga também
o maior salário: os 51 eleitos vão receber R$
9.400 mensais. Em Curitiba, os salários aumentaram de
R$ 7.155 para R$ 9.280
A Câmara Municipal do Rio de Janeiro tem o vereador mais caro
das 26 capitais brasileiras. Cada um custará quase R$ 6 milhões
em 2009. A capital fluminense paga também o maior salário:
os 51 eleitos vão receber R$ 9.400 mensais, graças ao
aumento de 7% aprovado há poucos dias. Os vencimentos são
apenas R$ 120,00 superiores aos dos vereadores curitibanos.
Os 38 vereadores de Curitiba terão à disposição
R$ 80,3 milhões em 2009. Se sobrar dinheiro, vai para um fundo
especial, aprovado este mês, com o objetivo de fazer reformas
no prédio, capacitar servidores e adquirir equipamentos. Eles
aprovaram reajuste de 29% nos vencimentos, que passam de R$ 7.155 para
R$ 9.280. Cada um tem à disposição um carro de
padrão médio, com ar condicionado, alugado pela Câmara
e trocado a cada dois anos. As contas de telefones fixos e celulares
são pagas pela Câmara, desde que as ligações
sejam locais.
Na outra ponta, os 15 parlamentares de Macapá (AP) têm
o menor custo individual, de R$ 678 mil por ano. E os 13 vereadores
de Boa Vista, em Roraima, são os de menor salário: R$
3.500.
Os números escondem mordomias e benefícios. É o
caso do auxílio-paletó, de R$ 9 mil, que os 38 vereadores
de Manaus recebem em janeiro. Eles têm ainda R$ 18 mil por mês
para pagar 20 assessores e recebem, de quebra, um auxílio-bolsa
(R$ 3 mil mensais), para custear o estudo de funcionários. Em
Teresina (PI), os 23 vereadores não se conformam em ter 20 auxiliares
cada, enquanto o presidente da Casa mantém 56 (R$ 46 mil).
Capital paulista
A Câmara de São Paulo vai gastar R$ 5,6 milhões
com cada um dos 55 vereadores em 2009. Além do salário
de R$ 9.288, eles dispõem da verba indenizatória, de
R$ 13,3 mil, para exercício do cargo. Se o vereador não
gasta tudo no mês, o valor fica acumulado. Têm ainda verba
de gabinete de R$ 71,5 mil para contratar até 18 auxiliares.
A TV Câmara custa, sozinha, cerca de R$ 10 milhões por
ano.
Belo Horizonte
Cada parlamentar de Belo Horizonte vai custar R$ 2,8 milhões
ao contribuinte em 2009. Os 41 vereadores recebem salário de
R$ 9.288 e têm direito a R$ 15 mil mensais para custeio do gabinete.
Têm ainda R$ 29.326 por mês para pagar até 15 assessores.
Porto Alegre
Em Porto Alegre, os 36 vereadores se consideram austeros. Não
recebem aumento há três anos nem fizeram previsão
para 2009, quando seus subsídios seguem na faixa de R$ 8,3 mil.
Mas podem gastar com transporte, gráfica, telefonia, assinaturas
de periódicos, correio, diárias e material de expediente
até R$ 10 2 mil, valor da chamada Quota Básica Mensal
(QBM). Os vereadores usam seus próprios carros e são
ressarcidos pela quilometragem percorrida. Mas há limites.
Fortaleza
Em Fortaleza, os vereadores recebem a verba de desempenho parlamentar
no valor de R$ 12,8 mil por mês. Os moradores preferem chamar
o recurso de “verba da preguiça”, pois o vereador
pode gastar e só depois presta contas.
Salvador
Os 41 vereadores de Salvador também iniciam o novo mandato
com reforço salarial. Os vencimentos passam de R$ 7.155 para
R$ 9.288 - aumento de quase 30%. Cada legislador passa a ter um custo
anual de R$ 2,2 milhões para a população. Para
o presidente da Câmara, Valdenor Cardoso, a situação é “normal”.
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Gazeta do Povo, 31 de dezembro de 2008
Memória
Há 30 anos era revogado o AI-5,
marco da ditadura
Brasília - A revogação do AI-5 (Ato Institucional
número 5), que suspendeu uma série de direitos democráticos
e transformou-se em símbolo da ditadura militar no Brasil (1964-1985),
completa 30 anos hoje. O ato ficou em vigor por dez anos, mas foi revogado
pelo então presidente Ernesto Geisel, que deu início à abertura
política no país. Para o presidente nacional da Ordem
dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, o fim dos efeitos do ato e o
restabelecimento do recurso jurídico do habeas corpus marcam
um novo momento do Brasil. “O país começava a se
reencontrar com a democracia’’.
Britto destaca ainda a atuação da OAB, comandada na época
por Raymundo Faoro. Segundo ele, a instituição atuou
pela restauração dos direitos individuais e democráticos. “O
desfecho positivo propiciou a abertura democrática, que, na
seqüência, desembocou na anistia, no fim da censura, nas
eleições diretas para governador e presidente da República
e na Constituinte. Na democracia, enfim.”
Em 13 de dezembro de 1968, o então presidente Arthur da Costa
e Silva (1967-1969) redigiu o AI-5, que se transformou em um dos principais
símbolos da ditadura (1964-1985). O ato concedia poder irrestrito
aos governantes com direito à censura a meios de comunicação
e ao fechamento do Congresso Nacional, Assembléias Legislativas
e Câmaras Municipais, entre outras medidas.
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Gazeta do Povo, 31 de dezembro de 2008
Cenário político
PMDB entra em 2009 mais forte para
2010
Posse dos novos prefeitos, amanhã,
marca a consolidação do partido como o fiel da balança
para a eleição presidencial
A posse dos prefeitos eleitos dos 5.563 municípios brasileiros,
amanhã, vai mudar o cenário político nacional
e definir mais claramente o quadro eleitoral de 2010. O PMDB, o grande
campeão das eleições de outubro, começa
o ano mais fortalecido, a ponto de ser considerado o fiel da balança
na corrida presidencial. A legenda vai comandar nada menos do que 1.207
prefeituras a partir do dia 1º (21,7% dos municípios brasileiros).
Serão 147 cidades a mais do que os peemedebistas têm atualmente.
Tais números tornam o palanque que o PMDB pode oferecer um atrativo
para qualquer partido que queira fazer o novo presidente da República.
Há seis capitais entre as cidades que serão dirigidas
por peemedebistas: Rio de Janeiro, Florianópolis, Porto Alegre,
Salvador, Goiânia e Campo Grande. O PMDB também teve bons
resultados na eleição para vereador. Dos 51.915 mil vereadores
que tomam posse amanhã, 8.482 são do partido (16,3% do
total).
Esse resultado, somado ao tamanho da bancada federal do partido,
torna a legenda ainda mais importante para a disputa de 2010. Tanto
que já cogita exigir a indicação do vice em uma
chapa do PT na disputa pela Presidência, ao mesmo tempo é assediado
pelo PSDB.
Ainda há a possibilidade, mesmo que remota, do partido lançar
candidato próprio para concorrer à Presidência.
No entanto, seja qual for o rumo que o partido tomar, analistas políticos
consideram certo que o PMDB continuará a ser essencial para
a manutenção da governabilidade. E, por isso, sempre
será bem-vindo em qualquer aliança.
Por enquanto, o partido usa o sucesso nas urnas em 2008 para tentar
conquistar ainda mais poder dentro do governo federal. Além
dos cinco ministérios que a legenda já tem, o PMDB quer
conquistar mais um: o da Justiça, que hoje é comandado
pelo petista Tarso Genro. Os números das urnas também
fizeram a legenda mudar seu posicionamento na disputa pela presidência
da Câmara dos Deputados e do Senado. O PMDB dá sinais
de que acordo firmado com o PT para revezar a presidência de
cada Casa entre os dois partidos pode ser quebrado já em 2009.
Os bons números da legenda em todo o país não
se repetiram no Paraná. No estado, o PMDB conquistou menos votos
que em 2004, embora tenha continuado com o maior número de prefeituras:
138 (34,5% dos 399 municípios paranaenses). Além disso,
não conquistou nenhuma cidade grande.
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Gazeta do Povo, 31 de dezembro de 2008
Governo
Tesouro emite R$ 14 bi para Fundo Soberano
O governo federal emitiu R$ 14,244 bilhões em títulos
públicos para a criação do Fundo Soberano do
Brasil. Esse valor foi contabilizado nas contas públicas como
despesa. Mas enquanto o dinheiro não for gasto para financiar
empresas o governo federal manterá uma poupança do
mesmo valor, depositada no Banco do Brasil. Isso porque o próprio
governo ficou com os títulos emitidos que não foram
oferecidos aos investidores no mercado.
Por causa dessa poupança no mesmo valor da despesa, chamada
no jargão orçamentário de “reserva primária’’,
o secretário do Tesouro, Arno Augustin, explicou que não
há impacto fiscal nas contas públicas, por enquanto.
O impacto virá quando o governo começar a vender os títulos
no mercado e usar os recursos para emprestar a empresas ou para elevar
o orçamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES). “No curto prazo, essa é uma reserva
primária. Tem impacto quando é feita a aplicação’’,
disse o secretário do Tesouro.
Augustin disse que, apesar da queda do superávit primário
(economia depois do pagamento das despesas do governo) no fim do ano,
o governo teve dinheiro para fazer o fundo e ainda cumprir a meta fiscal,
de 3,8% do PIB. Como a divulgação das contas públicas é feita
com quase um mês de atraso, o superávit primário
de 2008 só será conhecido em janeiro.
Augustin disse que o dinheiro do Fundo Soberano não será gasto “no
curto prazo’’, mas evitou informar quando o governo pretende
começar a usar essa reserva. Como o Banco do Brasil administra
o fundo, não há garantias de que o governo vai divulgar
quando usar o dinheiro e onde ele será aplicado.
A lei que regulamenta o Fundo Soberano foi aprovada pelo Congresso
antes do recesso parlamentar. Mas, no mesmo dia da aprovação,
a Comissão de Orçamento deixou de votar a autorização
para que recursos fossem transferidos para o Fundo. Por isso, o Ministério
da Fazenda elaborou uma engenharia financeira que garantiu os recursos
com a emissão dos títulos públicos.
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Folha de S.Paulo, 31 de dezembro de 2008
Lula diz que críticos torcem
para que crise "arrebente" país
DA AGÊNCIA FOLHA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem em Recife
(PE) que seus críticos torcem para a crise financeira "arrebentar
o Brasil", para que ele perca popularidade. Segundo pesquisa do
Datafolha divulgada no começo deste mês, 70% dos brasileiros
consideram seu governo ótimo ou bom -um recorde de avaliação
positiva.
" Tem gente torcendo para a crise arrebentar o Brasil. Tem gente dizendo: "Ah,
agora a crise vai pegar o Lula. Agora é que nós vamos ver. Queremos
ver se ele vai continuar bom na pesquisa. Queremos ver porque agora ele vai se
lascar'", disse Lula. "É assim que falam."
Ele disse que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, precisa
melhorar a situação da economia com muita rapidez. "Se
ele não fizer no primeiro ano, no segundo ano vão começar
a pegar no pé." As declarações foram feitas
em um discurso durante a inauguração de parte de um parque
batizado de Dona Lindu, apelido da mãe do presidente, Eurídice
Ferreira de Melo.
O parque foi construído pela administração do prefeito
petista João Paulo em uma área cedida pela União.
Com projeto de Oscar Niemeyer, a construção custou R$ 29
milhões, de acordo com a prefeitura. No local, também foi
construído um memorial em homenagem a retirantes da região.
Lula agradeceu a homenagem à mãe e lembrou de quando ela
deixou Pernambuco com oito filhos e se mudou para São Paulo sem
o marido.
A passagem por Recife foi o último compromisso oficial do presidente
neste ano. De lá, Lula viajou para Fernando de Noronha (PE). Ele
vai passar o feriado de Ano Novo no arquipélago, onde ficará hospedado
em hotel usado pela Aeronáutica. " Não sou nadador
nem mergulhador, sou medroso de água. Mas espero amanhã ser
convencido por algum instrutor de que eu posso mergulhar. Se eu vir um
boto ou um golfinho, eu quero abraçá-lo e beijá-lo
e desejar um feliz Ano Novo", disse Lula ao chegar ao arquipélago.
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Folha de S.Paulo, 31 de dezembro de 2008
PAULO RABELLO DE CASTRO
Por que 2009 será bom
para o Brasil
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Lula não deve claudicar nas grandes reformas exigidas pelo país
e, em especial, do acesso a mais conhecimento
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POR TODOS os cantos do nosso país, tenho conversado com os
mais variados públicos. A mesma impressão se me renova:
o povo brasileiro está maduro e reflexivo, valoriza a informação
e detesta comprar gato por lebre. Estamos, de fato, num momento especial
do nosso aprendizado coletivo como nação. Ainda há muita
violência e grassam as arbitrariedades, até as praticadas
pelos poderes públicos. Mas os direitos de cada um são
os que prevalecem, ao final, como valor para a opinião pública.
Os direitos ao trabalho, ao conhecimento, à propriedade e à proteção
da lei estão gravados na percepção íntima
dos brasileiros, atitude essencial às práticas democráticas.
A conduta dos nossos últimos presidentes tem sido altamente
educativa para a consolidação das liberdades políticas
e econômicas. É grande a tentação do continuísmo
político. Está por toda parte na nossa vizinhança,
como o péssimo hábito do nepotismo por sucessão
(o casal Kirchner) ou o populismo onipotente (Chávez, "eu
sou o pai de vocês") ou o "ficandismo" popular
(Uribe, e seu terceiro mandato) ou o continuísmo geriátrico
(os irmãos Fidel e Raul Castro).
Sabemos que Lula deve lutar diariamente contra a insistência dos áulicos
e dos puxa-sacos. Mas a alternância é essencial. O presidente
tem faro para não repetir Getúlio. E essa qualidade o torna
mais destacado como político e líder mundial.
Sublinho aspectos da "vontade política" do Brasil para
2009 por serem atributos essenciais à superação
de um ambiente de crise mundial aguda. Dou um exemplo: a força
do dólar, neste momento, parece estar ancorada quase exclusivamente
no extraordinário peso político da democracia americana,
valor percebido por americanos e estrangeiros, sendo que estes ainda
preferem entesourar a moeda e os títulos públicos emitidos
pelo Tio Sam. Na classificação de riscos de crédito,
hoje atribuída em grau máximo (AAA) aos títulos
do Tesouro dos EUA, sobressai a impressão geral da certeza de
que os EUA honrarão seus pagamentos, apesar dos montantes crescentes
da sua dívida pública. No extremo oposto, vemos países
bufões, fanfarrões ou, simplesmente, pobres ou mal administrados,
que se afastam recorrentemente de seus compromissos, pelas mais variadas
e exóticas razões. O país que não gosta de
pagar é também o que passa por cima dos direitos individuais
dos seus cidadãos, que invade fronteiras de vizinhos, que fecha
Congressos e manda prender juízes por sua independência.
E, nessa avaliação de risco político, desponta hoje
o Brasil por sua grande estabilidade prospectiva, conquista de um povo
amadurecido que tem tido competência ao eleger e depois trocar
seus melhores líderes. Portanto o real, mesmo pressionado, como
o será em 2009, por um saldo em conta corrente bastante negativo,
constitui um dos poucos regimes monetários de razoável
confiabilidade no mundo.
A crise de rumo das finanças mundiais, a confusão na cabeça
das lideranças, nada disso é motivo de medo ou de perigo
para nós. O teste ácido de 2009 encontrará um Brasil
mais disposto e preparado para co-liderar, mundialmente. E haverá o
fortalecimento do regime monetário do real, desde que o presidente
Lula não claudique, nos anos finais de sua grande gestão,
por almejar para o país uma dose fraca de avanço nas reformas
transformadoras, da tributação, do trabalho, da Previdência,
a financeira e, em especial, do acesso a mais conhecimento. Esse compromisso
reformista foi o que faltou na sua boa mensagem de Natal.
PAULO RABELLO DE CASTRO, 59, doutor em economia
pela Universidade de Chicago (Estados Unidos), é vice-presidente
do Instituto Atlântico e chairman da SR Rating, classificadora
de riscos. Preside também a RC Consultores, consultoria econômica,
e o Conselho de Planejamento Estratégico da Fecomercio-SP. Escreve às
quartas-feiras, a cada 15 dias, nesta coluna.
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Folha de S.Paulo, 31 de dezembro de 2008
Confiança da indústria
recua ao menor nível desde 1998
Um terço dos empresários
deve cortar vagas, diz FGV
TATIANA RESENDE
DA REDAÇÃO
Os empresários nunca estiveram tão pessimistas com relação
ao futuro. Sondagem da FGV (Fundação Getulio Vargas)
sobre as expectativas da indústria para os próximos meses
aponta para o patamar mais baixo da série histórica,
iniciada em abril de 1995.
Já sobre a situação atual, a avaliação
dos entrevistados é a pior desde julho de 2003, após alcançar
um pico de otimismo em junho passado. Os dois indicadores, que já vinham
sendo afetados pela crise econômica nos últimos meses, compõem
o índice de confiança da indústria, que está no
menor nível desde outubro de 1998.
Com relação ao dado de novembro, houve queda de 11% e,
no comparativo com igual mês do ano passado, redução
de 37%. Aloísio Campelo Júnior, coordenador da pesquisa,
ressalta que, por causa do período de coleta (1º a 23 de
dezembro), parte dos entrevistados respondeu antes do pacote anunciado
pelo governo no dia 11. " A produção deve mostrar
continuidade do ritmo mais fraco iniciado em outubro, quando recuou 1,7%
ante setembro", prevê Cláudia Oshiro, economista da
Tendências.
A avaliação dos empresários sobre a situação
dos negócios nos próximos seis meses é a pior da
série histórica. "Mas as expectativas são voláteis",
afirma Otto Nogami, economista do Ibmec São Paulo, referindo-se
a possíveis mudanças no cenário com o anúncio
de novas medidas em janeiro.
O nível de demanda global, que vinha caindo desde setembro, igualou-se
a julho de 2003. Já o de estoques chegou ao mais baixo patamar
desde aquele mês. A pesquisa mostra que 21% dos empresários
consideram o estoque excessivo.
O indicador para a produção de dezembro a fevereiro é o
menor desde janeiro de 1991, e o para o emprego, o mais baixo desde abril
de 1999. Nesse quesito, 32,5% dos empresários afirmam que vão
diminuir o quadro. O maior pessimismo, diz Campelo, foi verificado em
metalurgia, mecânica e material de transporte, que engloba montadoras
e autopeças.
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Última Instância, 31 de dezembro
de 2008
Londrina deverá depender
de novo segundo turno para eleger prefeito
Caso a coligação do candidato Antônio
Belinati (PP), que obteve maior número de votos nas
eleições deste ano para a prefeitura de Londrina
(PR), não consiga uma liminar até esta quarta-feira
(31/12), a tendência é que a cidade paranaense
tenha que passar por uma nova eleição em segundo
turno para a prefeitura, provavelmente em fevereiro de 2009.
Nesse caso, a orientação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é que
o cargo de prefeito deverá ser ocupado interinamente pelo presidente
da Câmara Municipal, a ser eleito no próximo dia 1º de
janeiro. Belinati teve o registro de sua candidatura negado por inelegibilidade
pelo TSE depois que o TCE-PR (Tribunal de Contas do Estado do Paraná)
rejeitou sua prestação de contas referente ao período
em que foi prefeito da cidade.
Embora o candidato tenha recorrido da decisão, o pedido foi
negado na madrugada do último dia 19 de dezembro, por 5 votos
a 1. A orientação do TSE foi consolidada no sentido de
que fossem anulados os votos dados a Belinati nos dois turnos.
Com base na decisão, a juíza eleitoral do município,
Denise Hammerschmidt, enviou ao TRE-PR uma solicitação
de agendamento de nova eleição em segundo turno entre
os candidatos Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT), respectivamente
2º e 3º colocados no primeiro turno, com 23,61% e 22,92%
dos votos válidos. Belinati teve 36,38%.
Entretanto, segundo informou a assessoria de imprensa do TRE-PR, como
o tribunal está em recesso, somente no dia 20 de janeiro, data
da primeira sessão de 2009, os desembargadores irão definir
um eventual cronograma para o novo pleito. De acordo com Código
Eleitoral a realização de nova eleição,
nesse tipo de caso, deve ocorrer no prazo de 20 a 40 dias a contar
da decisão judicial.
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