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Agência Brasil, 1º de janeiro
de 2008
TSE mantém condenação
da Globo e de Clodovil
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou recurso
da TV Globo e manteve a condenação da rede
de televisão e do deputado federal Clodovil Hernandes
(PR-SP) ao pagamento de multa de R$ 21.282,00 por causa
da acusação de veicular entrevista com
Clodovil no dia 2 de julho de 2006.
Segundo a denúncia do Ministério Público Eleitoral
, a entrevista caracterizou propaganda política extemporânea.
O TRE de São Paulo já havia determinado a multa por
acatar a ação do MPE.
Inconformada com a decisão, a emissora interpôs recurso
alegando que o prazo para o ajuizamento da representação
seria de cinco dias contados a partir do dia da ciência do
fato a ser representado.
Isso, para a TV Globo, não aconteceu porque a representação
foi protocolada 46 dias após a exibição da entrevista.
Mesmo assim, a emissora teve o recurso negado.
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Diário Vermelho, 1º de janeiro
de 2008
Crescimento da indústria
deve alcançar 6% em 2007
A indústria comemora o crescimento esperado
entre 5,8% e 6% em 2007. Não é o melhor
resultado dos últimos anos, mas é mais
que o dobro do registrado no ano passado (2,8%). Segundo
o gerente do departamento de pesquisas e estudos econômicos
da Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (Fiesp), André Rebelo, o crescimento
foi sustentado pelo aumento da demanda interna.
" Todo mundo estava esperando o crescimento do mercado interno,
mas ninguém esperava um crescimento tão forte e tão
robusto como estamos vendo hoje".Desde 2000, o ano de maior
evolução na produção industrial foi 2004,
com alta de 8,5% em relação ao ano anterior. Tal crescimento,
porém, foi concentrado nos setores exportadores.
Os números de 2007, acrescenta Rebelo, refletem o desempenho
homogêneo dos diferentes setores industriais. Ele afirma que
a ampliação no mercado interno compensou as dificuldades
enfrentadas pelos setores exportadores por causa da valorização
do real frente ao dólar norte-americano.
O resultado direto de tal desempenho foi o crescimento de cerca de
5% do emprego na indústria. "A produção industrial
não aumenta só com máquinas, ela demanda mais
mão de obra".
Segundo o gerente, na média nacional, os números de 2004
foram melhores, mas o cenário é diferente no estado de
São Paulo. Lá, devido ao forte crescimento na produção
de açúcar e álcool, o crescimento no emprego deve
ser superior aos 7,45% registrados em 2004.
A previsão para 2008 é de manutenção
do ritmo de crescimento. Para isso, a indústria tem investido
na ampliação da capacidade produtiva.
De acordo com Rebelo, desde o final de 2006 vem se acelerando a
produção e a compra de bens de capital. "Seja
por conta da queda da taxa de juros, seja por conta do forte crescimento
do mercado interno, o setor privado está investindo como em
nenhum ano desde 2000".
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Gazeta do Povo, 1º de janeiro de 2008
BRASIL | PERSPECTIVAS 2008
Habitação – solução
ou reprodução do caos?

O grande limitador habitacional chama-se “preço
dos terrenos”, que disparou diante da abundância de
crédito, diz urbanista
por RAQUEL ROLNIK
Hoje em dia, comprar uma casa está cada vez mais fácil
para a maioria da população, graças à abundância
de crédito na praça para tal fim. Mas a possibilidade
do acesso à moradia em condições adequadas chegará aos
mais pobres, que constituem a maioria dos moradores das cidades?
O país está vivendo um momento excepcional de ampliação
do crédito para a construção habitacional. O
chamado PAC da habitação propiciou a disponibilização
de recursos para subsídios, que, compostos com os recursos
de crédito e, mais especificamente, do FGTS, permitem que
os financiamentos sejam mais acessíveis a faixas de renda
outrora não atingidas por estes. Também compõem
o PAC a possibilidade de financiamento ao setor público com
capacidade de endividamento e recursos a fundo perdido para a urbanização
de favelas, tanto na área de habitação como
de saneamento ambiental, que estavam bloqueados há mais de
uma década. Finalmente, empresas do setor da construção
civil abriram capital e captaram mais de R$ 20 bilhões no
mercado, que somados os recursos do PAC, do investimento obrigatório
dos bancos privados em habitação no âmbito do
SBPE totalizam mais de R$ 120 bilhões disponíveis para
investimento na área.
Em uma matemática primária, esses recursos seriam
suficientes para urbanizar todos os bairros que apresentam problemas
de inadequação de infra-estrutura – que o IBGE
contabiliza em 11 milhões de domicílios no país – e
oferecer alternativas de moradia para, pelo menos, 30% do atual déficit
habitacional – que é de aproximadamente 7 milhões
de unidades habitacionais. Entretanto o que está de fato ocorrendo
em nossas cidades parece anunciar um cenário bem diferente
desse!
Em primeiro lugar, é importante assinalar que mais de 90%
do chamado déficit se concentra nas famílias com renda
familiar mensal de zero a três salários mínimos,
com pouquíssimo acesso a crédito, não apenas
por limitadas possibilidades de retorno, como também pelos
inúmeros bloqueios existentes no sistema de financiamento,
como os métodos de análise de risco e a exigência
de propriedade da terra titulada no nome do tomador.
Porém, não reside aí o maior limitador para
o êxito da política de universalização
da moradia digna, até porque é possível, utilizando
a legalidade existente, dar aos direitos reais legalmente reconhecidos
o mesmo tratamento dado à propriedade no âmbito dos
financiamentos. O grande limitador na verdade chama-se “preço
dos terrenos”, que simplesmente disparou diante da abundância
de crédito, recebendo incrementos em algumas cidades de mais
de 50% só no ano de 2007!
Podemos estar diante de uma situação em que o subsídio
vai parar no bolso dos proprietários de terrenos, drenando
a capacidade destes atingirem quem mais precisa e reiteradamente
jogando os pobres “para fora” das cidades e de suas áreas
mais consolidadas e com infra-estrutura. Já vimos esse filme
antes: desde os arranjos financeiros formulados nos anos 1960 no âmbito
do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), o componente
solo foi delegado aos municípios e aos agentes promotores
dos conjuntos habitacionais.
Avaliação qualitativa da inserção urbana
dos terrenos realizada no âmbito do próprio BNH em 1985
revelou que menos de 10% dos terrenos adquiridos para a construção
de conjuntos habitacionais estavam situados dentro da malha urbana
ou imediatamente contíguos a ela, dotados de acesso e transporte
e servidos pelo menos por abastecimento de água e energia
elétrica Por outro lado, o controle de custos de produção
por parte dos agentes financeiros, aliado às limitações
dos tetos de financiamento nos programas habitacionais de baixa renda,
transformaram o preço dos terrenos no principal elemento de
sobrelucro para os promotores imobiliários do sistema.
O resultado parece se anunciar agora: boom imobiliário para
os setores de média e alta renda, produção de
guetos de pobres nas periferias e expansão de moradores em
favelas.
O produto mais paradoxal deste modelo é a enorme quantidade
de casas e apartamentos vazios em bairros consolidados de nossas
cidades. Em cidades como São Paulo, o número de imóveis
residenciais vazios é mais do que o dobro do que o déficit – são
mais de 400.00 para menos de 200.000 de déficit! A cena se
repete no Rio de Janeiro, Campinas, Curitiba, entre tantas outras.
É possível enfrentar este tema, induzindo o mercado
a um redirecionamento de recursos? Evidente que sim! Desde 2001 temos
no país uma das mais avançadas legislações
na área de planejamento e gestão do solo urbano: o
Estatuto das Cidades. Ela foi aprovada exatamente com o objetivo
de dotar as administrações municipais de instrumentos
para limitar a captura de investimentos públicos por parte
dos mecanismos de valorização imobiliária e
ampliar o acesso à terra urbanizada e subutilizada para os
mais pobres. Para poder aplicar os instrumentos, a lei requeria a
elaboração de Planos Diretores Participativos por parte
dos municípios metropolitanos e maiores de 20 mil habitantes.
Mais de 1.500 cidades elaboraram seus planos, sendo que muitas incluíram
esses instrumentos. Entretanto, para poder implementá-los é necessário
mais do que sua inclusão na lei. É necessária
a superação da fragilidade técnico-institucional
e vulnerabilidade política das gestões municipais às
pressões dos interesses por lucros imediatos, pouco comprometidos
com a sustentabilidade das cidades.
Nenhum país do mundo conseguiu universalizar suas necessidades
habitacionais sem uma política urbana e fundiária redistributiva.
E, em todos eles, os governos nacionais tiveram um papel determinante,
para além da disponibilização de recursos no
apoio a essa transformação da gestão local e,
sobretudo, na liderança de uma agenda para a política
urbana no país.
Nunca estivemos tão perto de uma mudança substantiva
nesse campo, mas também diante de um perigo tão eminente
de perdê-la, repetindo os erros do passado.
Raquel Rolnik, urbanista, é professora
de PUC-Campinas
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Gazeta do Povo, 1º de janeiro de 2008
BRASIL | GOVERNO
PAC vai criar empregos a partir de
2008, diz Lula
Para presidente, 2007 foi um dos
melhores anos para o Brasil
Ricardo Stuckert/ABr

Lula diz que o governo precisa trabalhar mais para recuperar os anos
sem crescimento
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
disse ontem que está com uma visão “muito otimista” com
relação a 2008, ano em que, segundo ele, as obras do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) começarão
a gerar emprego. “Nós achamos que muitos investimentos
estão para acontecer agora, sobretudo as obras do PAC”,
afirmou, em seu programa de rádio Café com o Presidente.
“Entre fevereiro, março e abril, quase todas as obras
vão começar a gerar emprego, ou seja, vão começar
a produzir alguns efeitos que nós queremos, para melhorar
a vida do povo, para gerar emprego e gerar distribuição
de renda”, completou.
Lula disse acreditar que 2007 foi um dos melhores anos dos últimos
tempos no Brasil e que está “satisfeito” com as
ações que vêm sendo desenvolvidas pelo governo. “Primeiro,
o povo brasileiro está acreditando cada vez mais que o Brasil é um
país que encontrou o seu caminho. Segundo, a economia está indo
bem. Os salários estão crescendo, o emprego está crescendo.
E é tudo que as pessoas desejam: tranqüilidade para viver
com muita dignidade.”
Apesar de estar satisfeito, Lula afirmou que o governo precisa
trabalhar mais para recuperar os anos em o país não
cresceu. “Eu estou feliz, estou satisfeito com as coisas que
estão acontecendo, sabendo que a gente não pode achar
que está tudo bem, ou seja, nós temos é que
fazer mais, temos que trabalhar mais, temos que ter muito mais garra,
ter muito mais otimismo para que a gente possa garantir que o Brasil
vai ter um longo ciclo de crescimento para recuperar as duas décadas
e meia que nós não crescemos”, avaliou.
O presidente ressaltou também que o governo já está pensando
em crescimento para 2009, porque, segundo ele, ainda não é possível
acreditar que os problemas do Brasil acabaram. “E aí nós
temos que começar a preparar já 2009, ou seja, a gente
não pode ficar achando que o Brasil não tem mais problema,
está crescendo, o mundo está acreditando no Brasil.
Tudo isso é verdade, mas nós podemos fazer muito mais,
e o Brasil precisa que nós façamos muito mais. E nós
estamos colhendo aquilo que nós plantamos. Graças a
Deus plantamos uma boa semente, estamos colhendo uma boa lavoura”,
disse.
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Gazeta do Povo, 1º de janeiro de 2008
BRASIL | MEIO AMBIENTE
Governo assume compromisso contra
o desmatamento
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
defendeu que governadores e prefeitos se comprometam a reduzir o desmatamento
no país. Lula afirmou que a preocupação dos brasileiros
com o meio ambiente vem aumentando. No entanto, na avaliação
de Lula, é preciso adotar medidas mais rígidas.
“Cada vez mais o povo está tomando consciência
de que nós precisamos cuidar do mundo que nós vivemos.
O Brasil, nos últimos três anos, está conseguindo
diminuir o desmatamento em 60%, o que é uma coisa extraordinária.
E nós precisamos ser mais duros”, disse.
“Eu já pedi para a ministra Marina (Silva) mapear quais
são as cidades que têm mais desmatamento para a gente
convocar os prefeitos aqui, convocar os governadores e fazer um acordo,
eu diria um compromisso, de que nós te-mos a obrigação
de evitar o desmatamento”, completou.
O presidente reiterou que o governo brasileiro está cuidando
da questão ambiental nos fóruns internacionais. “O
ministro Celso Amorim, a ministra Marina foram a Bali, na Indonésia,
em que nós apresentamos uma proposta, reiteramos a proposta
de Nairobi, que nós tínhamos apresentado. Ou seja,
os países ricos, que são os que mais poluem o planeta,
precisam assumir a responsabilidade de pagar pela preservação
que os países mais pobres estão fazendo.”
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Gazeta do Povo, 1º de janeiro de
2008
ECONOMIA | IMPOSTOS
Nova tabela do IR diminui
desconto
A nova tabela do Imposto de Renda passará a vigorar em janeiro
e irá corrigir em 4,5% as faixas de incidência do tributo,
o que proporcionará um pequeno ganho mensal no salário
do contribuinte. A faixa de isenção será elevada
de R$ 1.313,69 para R$ 1.372,81 por mês.
Já a alíquota de 15% irá incidir sobre os ganhos
entre R$ 1.372,82 e R$ 2.743,25. A maior alíquota, de 27,5%,
passará a incidir sobre os salários acima de R$ 2.743,25.
Com a elevação das faixas, o IR retido na fonte será menor.
Isso representa um desconto menor no salário do trabalhador
com registro em carteira. Para a declaração anual do
IR, no entanto, essa nova tabela só será válida
em 2009. Para a declaração do IRPF 2008 (ano-base 2007)
os limites serão os que vigoraram em 2007.
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Gazeta do Povo, 1º de janeiro de 2008
POLÍTICA | GOVERNO
Fim do Diário Oficial
em papel é adiado
Versão on-line
deveria substituir a impressa a partir deste mês
por DANIELA NEVES
Reprodução

Página do D.O. na internet: alerta sobre risco de fraude
O governo estadual vai manter a versão impressa do Diário
Oficial do Estado (D.O.) pelo menos até o fim de janeiro, apesar
do decreto prevendo que a partir deste mês apenas a versão
on-line ia ser ofertada ao público. De acordo com a Casa Civil,
durante este mês de janeiro será feita uma avaliação
para verificar a necessidade do Diário Oficial impresso. Se
for extinto em papel, o D.O. será acessado apenas na internet
a partir de fevereiro.
O Diário Oficial é o veículo responsável
por tornar válida qualquer ação governamental.
Se não forem publicados no D.O., as leis, os decretos e as
decisões do governo não são válidos.
A migração do Diário do papel para a internet,
porém, desagradou a alguns especialistas em Direito Administrativo.
O advogado Francisco Zardo, em reportagem publicada pela Gazeta em
26 de novembro, alertava para o risco de que venham a ocorrer, no
futuro, possíveis fraudes eletrônicas. O risco, avalia
ele, é que decisões governamentais já tomadas
e publicadas venham a ser modificadas posteriormente.
Outra crítica à extinção da versão
impressa é de que o fim do D.O. em papel excluiria quem não
tem computador do acesso ao Diário. No Sul do país,
segundo dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil, apenas
16,9% das residências têm acesso à internet. E,
apenas na Biblioteca Pública do Paraná, cerca de 30
pessoas procuram diariamente consultar o D.O. em papel.
Pelo Decreto Estadual 1.378, de 29 de agosto de 2007, o Departamento
de Imprensa Oficial deveria providenciar a edição e
divulgação do Diário Oficial estadual por meio
eletrônico, em substituição à edição
impressa. O decreto previa ainda que a última versão
impressa do D.O. deveria ser publicada em 30 de dezembro. O período
entre agosto e dezembro seria um tempo de transição
para melhorar a página na internet do Diário.
A intenção do governo com a publicação
do Diário apenas por meio eletrônico era dar agilidade
ao leitores do D.O. e economizar com o fim da impressão da
versão em papel. Desde que anunciou a mudança, o governo
vem melhorando o acesso no site do D.O.(www.dioe.pr.gov.br), pelo
qual é possível consultá-lo. Antes de agosto,
a navegação no site era difícil e estavam disponíveis
para consulta apenas as edições publicadas nos últimos
30 dias. Mas o banco de dados foi ampliado e o governo ainda melhorou
o método de pesquisa. De acordo com a Companhia de Informática
do Paraná (Celepar), depois da mudança, os acessos
diários ao site saltaram de 500 para cerca de 10 mil.
Além disso, no início de dezembro foi iniciado um
projeto-piloto para a certificação digital de documentos
impressos a partir do site do Diário Oficial. Dessa forma,
os documentos obtidos a partir da internet teriam o mesmo efeito
legal da versão impressa.
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Folha de São Paulo, 1º de janeiro
de 2008
Governo privilegia emendas
de ex-deputados em 2007
Planalto destina R$ 116 mi a
congressistas do PMDB; PSDB e DEM obtêm juntos
R$ 100 mi
Cinco ex-congressistas, dois dos quais não
se reelegeram depois do escândalo dos sanguessugas, estão
entre os políticos mais atendidos
SILVIO NAVARRO
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em 2007, o governo Luiz Inácio Lula da Silva privilegiou
cinco ex-parlamentares -dois deles que não se reelegeram após
o escândalo dos sanguessugas, que ocorreu no ano passado- e
um deputado suplente ao destinar verbas federais por meio de emendas
ao Orçamento da União.
O campeão entre os dez parlamentares que mais conseguiram "empenhar" (jargão
orçamentário para o compromisso de gastos) suas emendas
neste ano foi o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), irmão do
ex-presidente do Senado Renan Calheiros. Ele conseguiu empenhar R$
5,6 milhões de R$ 6 milhões possíveis.
Olavo enfrentou processo de cassação na Câmara,
que acabou arquivado no Conselho de Ética. Ele foi absolvido
de acusação de tráfico de influência para
beneficiar a cervejaria Schincariol e fraudes em licitação
com a construtora Gautama, pivô da Operação Navalha
da Polícia Federal.
Segundo dados do Siafi (sistema de acompanhamento de gastos da União)
recolhidos pela assessoria de Orçamento do DEM, o ranking dos
principais beneficiados traz na seqüência o ex-deputado
Benjamim Maranhão (PMDB-PB), sobrinho do presidente da Comissão
de Orçamento, senador José Maranhão (PMDB-PB). "Foi
uma surpresa para mim, não sabia", declarou o senador.
Benjamim foi acusado de integrar a máfia das ambulâncias,
do escândalo dos sanguessugas. Optou por não concorrer à reeleição.
No entanto, sem mandato, conseguiu R$ 5,5 milhões em emendas
que havia feito no ano anterior.
Ele é seguido pelo suplente Airton Roveda (PR-PR), que herdou
o mandato de deputado e já conseguiu R$ 5,3 milhões. "O
prefeito tem que ser competente e estar com as contas em dia. Comigo
não tem picaretagem", afirma Roveda.
Da oposição
Uma das raras exceções de parlamentares de oposição
na lista de campeões de liberação de emendas,
o tucano Bonifácio Andrada (MG) diz que desponta no ranking
quase todos os anos porque "apresenta emendas de acordo com as
prioridades do governo". Em 2007, foram R$ 5,2 milhões. "Sou
parlamentar de oito mandatos, tenho experiência em como tratar
com o Executivo."
Outro acusado de participar da máfia dos sanguessugas que recebeu
bom volume de recursos -R$ 4,7 milhões- foi o ex-deputado Heleno
Silva (PR-SE). Ele não tentou a reeleição.
A lista dos dez maiores beneficiados inclui ainda os ex-deputados Miguel
de Souza (PR-RO), hoje diretor de Planejamento do Dnit (Departamento
Nacional de Infra-Estrutura de Transportes), e Kelly Moraes (PTB-RS),
e o ex-senador João Alberto (PMDB-MA). Completam o ranking os
senadores Marcelo Crivella (PRB-RJ) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).
No levantamento dos chamados restos a pagar (resíduos de anos
anteriores), o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR),
faturou R$ 4,8 milhões. Esses recursos foram efetivamente pagos.
Partidos e Estados
Principal aliado do Planalto, a bancada do PMDB encabeça o ranking
de emendas destinadas neste ano. Foram R$ 116 milhões para seus
92 deputados e 20 senadores -as maiores bancadas nas duas Casas. O
segundo colocado foi o PT, com R$ 105 milhões. O partido tem
80 deputados e 12 senadores.
" A bancada é muito correta, fiel e faz pleitos legítimos,
por isso merece as emendas. Por mim eu quero é mais, e falo isso para
o governo e para os ministros", disse o líder do PMDB, Henrique Eduardo
Alves (RN).
Os valores prometidos aos parlamentares do PMDB e do PT representam
o dobro do que a oposição faturou: o DEM obteve R$ 54,3
milhões, e o PSDB, R$ 46,1 milhões. A bancada do DEM
tem 59 deputados e 14 senadores, e a do PSDB, 57 deputados e 13 senadores.
" O governo do PT é isso, não tem critério nem mérito.
Não vê que a oposição foi eleita com o voto do povo,
que assim como o eleitor da base também precisa de obras, de investimentos
nos municípios", disse o presidente do DEM, Rodrigo Maia.
No caso das chamadas emendas de bancada, que atendem aos interesses
dos governadores, o campeão foi Minas Gerais. Os congressistas
do Estado de Aécio Neves (PSDB) faturaram R$ 306,8 milhões.
O segundo colocado foi São Paulo, com R$ 124,5 milhões.
Como são os dois maiores colégios eleitorais do país,
ambos detêm mais cadeiras na Câmara.
A surpresa nas emendas de bancada aparecem a seguir no ranking: o Pará,
da governadora Ana Júlia Carepa (PT), com R$ 121 milhões,
e Goiás, com R$ 104,4 milhões. Todas as outras bancadas
ficaram abaixo de R$ 100 milhões.
A Secretaria de Relações Institucionais, chefiada pelo
ministro José Múcio, afirmou que "são emendas
apresentadas no último ano de mandato ou, em alguns casos, recursos
referentes a projetos em andamento em 2007, com liberação
programada conforme o andamento da obra". Sobre a preferência
aos aliados, disse que a destinação da verba acompanha
o histórico dos últimos anos e "não pode
ser vinculada a votações".
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Folha de São Paulo, 1º de janeiro
de 2008
saiba mais
Emenda é usada
em negociação com governo
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As emendas que deputados federais e senadores apresentam todo ano
ao Orçamento da União representam um dos principais
mecanismos de relacionamento entre governo e Congresso. De um lado,
parlamentares injetam no Orçamento previsão de obras
e investimentos em seus redutos eleitorais e, no ano seguinte, batalham
no governo para obter a liberação do dinheiro.
Do outro lado do balcão, o Executivo diz liberar os recursos
segundo critérios técnicos, mas o observado nos últimos
anos é que os parlamentares aliados são os mais beneficiados.
Outra prática comum é a torneira ser aberta com mais
vigor perto de votações importantes para o governo no
Congresso.
O primeiro passo para o "atendimento" das emendas é o "empenho",
que ocorre quando o governo se compromete a liberar o recurso. Porém,
devido aos congelamentos da execução orçamentária
-como forma de manter o equilíbrio fiscal-, alguns empenhos
acabam não sendo cumpridos.
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Folha de São Paulo, 1º de janeiro
de 2008
Cresce temor de recessão
nos EUA em 2008
Levantamentos nas últimas
semanas mostram que economistas e população
americana esperam crise maior na economia
Para professor de Harvard, probabilidade de recessão
neste ano atingiu 50%; Bush afirma que fundamentos econômicos
seguem fortes
Sérgio Dávila/Folha Imagem
Casa abandonada no bairro de Slavic Village, em Cleveland, uma das
cidades mais afetadas pela crise imobiliária nos EUA
SÉRGIO DÁVILA
ENVIADO ESPECIAL A CLEVELAND (OHIO)
Segundo gosta de repetir Wall Street, os economistas são
tão bons em suas avaliações que já previram
nove das cinco últimas recessões norte-americanas.
Ainda assim, em levantamentos recentes e entrevistas à Folha,
a maioria dos analistas ouvidos acha que há mais chances de
os Estados Unidos entrarem em recessão em 2008 do que o contrário.
" A probabilidade de haver uma recessão em 2008 atingiu agora 50%",
disse Martin Feldstein, de Harvard. "Se acontecer, vai ser mais profunda
e duradoura que as do passado recente", assusta. "Relativamente mais
otimista", como diz, seu colega John Taylor, de Stanford, coloca as chances "abaixo
dos 50%".
Em palestra recente na Brookings Institution, em Washington, Lawrence
Summers foi mais alarmista. "Acredito que o desaquecimento é quase
certo, que a probabilidade de recessão é maior do que
50% e que há uma possibilidade específica de uma recessão
que nos levará à pior performance econômica desde
o final dos anos 70 e começo dos 80", disse o ex-secretário
do Tesouro de Bill Clinton entre 1999 e 2001 e ex-reitor de Harvard.
Até o oráculo de recessões passadas se manifestou. "A
probabilidade de uma recessão moveu-se em direção
aos 50%", disse Alan Greenspan, o ex-presidente do Fed (o BC dos
EUA), numa entrevista à ABC News, e completou: "Se está acima
ou abaixo dos 50%, é extremamente difícil de dizer".
O grupo dos mais preocupados -ao qual o ex-todo-poderoso do banco central
dos Estados Unidos pertence- está crescendo. Pelo menos segundo
levantamentos realizados entre economistas nos últimos dias
de 2007. Para a média dos 88 analistas ouvidos pela Zogby a
pedido da agência de notícias Reuters entre 12 e 18 de
dezembro, a chance de recessão em 2008 é de 40%, um pulo
em relação aos 35% de novembro e aos 30% de outubro.
Já em levantamento idêntico do site do "Wall Street
Journal", feito em 18 de dezembro, a média dos 52 economistas
coloca a possibilidade em 38%, ante 33,5% no mês anterior e um
recorde de três anos. Mesmo o tradicional "Livingston Survey",
feito bianualmente desde os anos 40 com os 36 economistas mais influentes
do país, ouviu respostas desanimadoras, embora tecnicamente
não-recessivas: a média vê um crescimento de 1,9%
no PIB dos Estados Unidos no primeiro semestre deste ano -em junho,
a expectativa era a de um avanço de 2,9%.
Tecnicamente, porque não há acordo nem mesmo em relação
a o que é recessão. De acordo com a definição
do Escritório Nacional de Pesquisa Econômica (Nber, na
sigla em inglês), a que o governo norte-americano consulta nesses
casos, são necessários dois trimestres seguidos de crescimento
econômico negativos. Sendo assim, a última recessão
nos EUA foi no início dos anos 90, já que 2000 e 2001
alternaram trimestres positivos com trimestres negativos.
O presidente democrata Harry Truman (1884-1972) dizia: "Quando
seu vizinho perde o emprego, é recessão; quando você perde
o emprego, é Depressão". O republicano Ronald Reagan
(1911-2004) emendaria: "Quando Jimmy Carter perde o emprego dele, é recuperação",
referindo-se a seu antecessor. Já George W. Bush vem repetindo
o mesmo mantra com que encerrou sua última entrevista coletiva
do ano em Washington, no dia 21. "Os fundamentos estão
fortes, e nós tivemos um crescimento importante por uma razão:
somos competitivos, temos um mercado de trabalho flexível, mantivemos
os impostos baixos e as exportações em alta."
Quanto à crise do "subprime" (empréstimo de
alto risco), ele listou o pacote articulado por seu secretário
do Tesouro, Henry Paulson, que congela os juros de parte dos mutuários
afetados pela inadimplência, e uma lei que promulgou para cortar
os impostos desses.
O congressista Rahm Emanuel, um dos líderes da oposição,
fez outra lista: "Há uma crise financeira e habitacional
enorme, elevação dos custos de energia e de saúde
e, pela primeira vez desde a Depressão, índice de poupança
negativo. Fora isso, o presidente quer nos dizer que está tudo
bem."
Com ele parece concordar a população. Três levantamentos
feitos nas duas últimas semanas chegam ao mesmo resultado: mesmo
que não amparados pelos dados, os norte-americanos já se
vêem numa recessão. É o que responderam 70% dos
ouvidos pelo Gallup, 57% dos entrevistados pela Opinion Research Corporation,
em pesquisa encomendada pela CNN, e 43,4% dos ouvidos pelo Zogby (um
salto em relação aos 40% de novembro), em pesquisa para
a Reuters.
" A mentalidade de recessão já está sedimentada",
resumiu John Zogby, do instituto que leva o seu sobrenome.
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O Estado do Paraná, 1º de janeiro
de 2008
STF pode derrubar norma que substituirá CPMF
Agência Estado
O Supremo Tribunal Federal (STF) poderá derrubar o novo instrumento
que o governo criou para fiscalizar as operações financeiras
com o fim da CPMF. O ministro do Supremo Marco Aurélio Mello
considerou a medida da Receita Federal uma quebra de sigilo bancário
generalizada e adiantou que o tribunal deverá considerar a
decisão do governo inconstitucional, caso tenha de julgar
alguma ação nesse sentido. A norma da Receita Federal
entra em vigor nesta segunda-feira (31) e atinge além das
operações anteriormente alcançadas pela CPMF,
lançamento de débito, como saques e pagamentos.
"O Supremo, se convocado a se pronunciar, restabelecerá a
supremacia da Constituição. Não tenho a menor
dúvida (de que o tribunal invalidará a decisão)",
afirmou Mello, lembrando que compõe o colegiado de 11 ministros
do Supremo há 17 anos. "Conheço o Supremo como
ninguém", ressaltou.
Com o fim da cobrança da CPMF, que entra em vigor nesta segunda-feira,
a Receita Federal baixou uma instrução normativa, publicada
na quinta-feira passada no Diário Oficial da União,
obrigando as instituições financeiras a repassar semestralmente
ao órgão informações sobre as operações
de pessoas físicas que ultrapassem, no período de seis
meses, R$ 5 mil e, no caso de pessoa jurídica, R$ 10 mil.
Com a decisão, o governo terá um instrumento, perdido
com a CPMF, para identificar indícios de sonegação
e de evasão fiscal.
As declarações do ministro do Supremo foram acompanhadas
de críticas ao governo. Segundo Mello, os responsáveis
pela decisão deveriam fazer consultas aos assessores jurídicos
antes de tomarem decisões como essa para evitar desgaste entre
o Executivo e o Judiciário. Mello disse que há decisões
anteriores do Supremo, que formam o que é conhecido na linguagem
jurídica por jurisprudência, que reforçam a garantia
do sigilo bancário.
"Vejo (a decisão do governo) como um menosprezo aos
pronunciamentos do Supremo e isso não é bom para o
aprimoramento democrático. Não é por aí que
teremos dias melhores", afirmou o ministro. Mello ressaltou
que a Constituição só permite a quebra de sigilo
bancário pela Justiça para efeito criminal, depois
de apresentados fundamentos para isso. "Esse automatismo transforma
a exceção em regra. É jogar todos na vala comum,
como se todos fossem sonegadores", continuou o ministro. "No
afã de arrecadar, não podemos agir a ferro e fogo",
disse Mello.
A norma da Receita Federal entra em vigor nesta segunda-feira e
atinge cada modalidade de operação financeira e não
apenas as que eram anteriormente alcançadas pela CPMF, ou
seja, lançamento de débito, como saques e pagamentos.
As instituições financeiras terão de informar
também sobre operações de aquisição
de venda de títulos e ações em bolsas de valores,
no mercado futuro, no mercado de opções, compra de
moeda estrangeira, ouro e remessa de moeda estrangeira ao exterior.
Caso o limite seja ultrapassado por uma única operação,
o banco está obrigado a remeter as informações à Receita
sobre as demais transações, mesmo que os valores estejam
abaixo do limite estabelecido. A partir das informações,
em caso de indício de irregularidades, a Receita fica autorizada
a requisitar as informações e documentos que precisar
para apuração da suspeita de sonegação.
Com a CPMF, as instituições eram obrigadas a encaminhar à Receita,
trimestralmente, uma declaração contendo informações
globais sobre a movimentação financeira de seus clientes,
sem limite mínimo, com base nos valores registrados com a
cobrança da CPMF. Com os dados coletados, a Receita realizava
um cruzamento dos gastos referentes à CPMF com outras bases
de dados, como o Imposto de Renda. Em caso de movimentação
suspeita a Receita abria processo de fiscalização,
podendo requisitar extrato bancário dos contribuintes.
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