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O ESTADO DO PARANÁ,
02 de janeiro de 2008 | Economia
Emprego crescerá em 2008,
mas alta de salário vai ceder
Agência Estado
As primeiras previsões
para 2008 indicam que o emprego estará em alta em vários
setores produtivos no País. Uma sondagem da Fundação
Getúlio Vargas (FGV), por exemplo, mostrou que dois terços
das indústrias pretendem contratar funcionários até fevereiro.
A construção civil, em particular, projeta bater
recordes na contratação de mão-de-obra. O
setor automotivo planeja ultrapassar 3 milhões de veículos
fabricados, o que significa mais postos de trabalho. Novas siderúrgicas
entram em operação, tudo para fazer frente ao crescimento
de 10,8% na produção de aço bruto para 2008
- a meta é praticamente dobrar a capacidade produtiva até 2012.
Uma projeção da
LCA Consultores aponta que os novos empregos com carteira assinada devem
fechar 2008 próximos ao 1,7 milhão de 2007. O ministro
Carlos Lupi discorda: “Alcançaremos sim os 2 milhões
de empregos, isso porque o investimento é maciço.” Há quem
fale em números maiores para a geração de empregos,
dependendo do desempenho da economia. Mas, mesmo com tanta confiança,
não há ninguém muito otimista com o aumento dos
salários.
A expansão do emprego
tende a ser maior para quem tem mais estudo, vive fora das metrópoles
e recebe menos de 2 salários mínimos ou na faixa de 5 a
10 salários. E a renda do trabalhador das regiões metropolitanas
em novembro deste ano, R$ 1.143,60, é ainda inferior aos R$ 1.167,96
do mesmo mês de 2002. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), o valor mínimo
para atender todas as necessidades básicas de um brasileiro são
R$ 1.726,24 mensais.
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 02 de janeiro de 2008 | Brasil
Lula adia férias para resolver
pendências com ministros
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva adiou o início de suas férias que estava
previsto para esta quarta-feira. Lula decidiu que só vai viajar
na próxima sexta-feira, dia 4. A idéia dele é inicialmente
ir para São Paulo e depois estender para o litoral. Antes, o presidente
quer resolver algumas pendências com os ministros Guido Mantega
(Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento).
Hoje pela manhã Lula já conversou
com Mantega e Bernardo sobre a execução orçamentária
de 2007 e também tratou a respeito dos ajustes na proposta do
Orçamento Geral da União de 2008 --sem a arrecadação
da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira), governistas afirmam que será necessário fazer
ajustes no texto para cortar cerca de R$ 30 bilhões.
No entanto, uma nova rodada de
reuniões entre Lula e os ministros foi marcada para tarde de hoje.
O presidente também pretende fazer reuniões com os ministros
Fernando Haddad (Educação) e Márcio Fortes (Cidades).
Ainda não foram agendadas as audiências com Haddad e Fortes,
mas elas devem ocorrer até sexta-feira à tarde.
Na sexta-feira à noite,
Lula deve viajar para São Paulo de férias com a primeira-dama,
Marisa Letícia. A Folha Online apurou que o presidente pretende
estender seu período de descanso para o litoral, mas ainda não
decidiu qual será o local escolhido.
Um dos locais mais prováveis é a
Restinga da Marambaia --área no litoral no Rio de Janeiro sob
proteção da Marinha. O local tem cerca de 40 km de praia
e vigilância permanente da Marinha. É um dos favoritos do
presidente e da primeira-dama porque lá tem privacidade e segurança.
No entanto, auxiliares
de Lula não descartam outras hipóteses. A Folha Online
apurou que uma das alternativas seria uma viagem curta até Fernando
de Noronha (PE). O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a ex-primeira-dama
Ruth Cardoso estiveram lá com toda a família.
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O ESTADO DO PARANÁ,
02 de janeiro de 2008 | Nacional
Segunda via de documentos roubados
poderá ser gratuita
O Projeto de Lei 713/07, do deputado Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP), estabelece
que será gratuita a segunda via de documentos que tenham sido roubados
ou furtados. Conforme o projeto, para que o benefício seja concedido,
o interessado deverá apresentar o boletim de ocorrência do roubo
ou furto.
"Como é possível
que alguém, vítima da violência desenfreada do cotidiano,
venha a ser vítima outra vez, na cobrança da segunda via
dos seus documentos?", pergunta o deputado.
O projeto tramita em conjunto
com o PL 481/99, do deputado Enio Bacci (PDT-RS), que isenta de taxas
a segunda via dos documentos pessoais dos desempregados e das pessoas
que ganham até dois salários mínimos. As propostas
tramitam em caráter conclusivo e serão analisadas pela
Comissão de Constituição e Justiça e de
Cidadania.
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ÂMBITO JURÍDICO,
02 de janeiro de 2008
TST rejeita reclamação
contra penhora de salário de aposentado da Câmara
A reclamação correicional – instrumento em que a parte
aciona a Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho – não
pode ter a finalidade de modificar o mérito de uma decisão judicial.
O corregedor-geral atua administrativamente e, portanto, está tecnicamente
impossibilitado de substituir o juiz natural para rever a jurisdicidade da
decisão – ou seja, de apreciar a questão como se fosse
um recurso. Com este fundamento principal, o ministro Milton de Moura França,
vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho, no exercício da Presidência
e da Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho, julgou improcedente
uma reclamação correicional apresentada por um servidor aposentado
da Câmara dos Deputados, em Brasília. Ele pretendia a suspensão
da ordem de penhora de 30% de seus proventos de aposentadoria para o pagamento
de dívida trabalhista de empresa da qual foi sócio.
A penhora foi determinada pelo
juiz da 3ª Vara do Trabalho de Brasília na fase de execução
de reclamação trabalhista em que a GCB Editora de Guias
Comerciais do Brasil Ltda. foi condenada ao pagamento de diversas verbas
a um ex-vendedor publicitário. Contra a ordem de penhora, o aposentado
entrou com mandado de segurança, mas o Tribunal Regional do Trabalho
da 10ª Região (DF) rejeitou-o por entender incabível
mandado de segurança quando, no processo principal, havia embargos à execução
aguardando julgamento.
Na reclamação correicional,
interposta durante o recesso judiciário, o ex-sócio da
empresa alega que os rendimentos decorrentes de salários são
impenhoráveis. Embora admitindo já ter interposto o recurso
adequado contra a rejeição do mandado de segurança
(o agravo regimental), argumentou que somente lhe restava acionar a Corregedoria-Geral “ante
a inquestionável e iminente lesão grave e de difícil
reparação que poderia sofrer” com a penhora de 30%
de seus proventos.
O ministro Moura França,
porém, explicou no despacho que a decisão do TRT de considerar
incabível o mandado de segurança seguiu a jurisprudência
do TST (Orientação Jurisprudencial nº 92 da SDI-1).
Quanto à possibilidade de lesão grave com a retenção
de 30% do salário, o ministro observou que a penhora já foi
realizada, mas não se concretizou, ou seja, o desconto não
foi efetivado. “Segundo informações da Direção
do Departamento de Pessoal da Câmara dos Deputados, outras duas
ordens judiciais de penhora sobre os proventos do ex-servidor aguardam
cumprimento naquele órgão, que, por óbvio, antecedem
a atual”, observou. “Por isso, desta ordem não decorre,
ao menos até o presente momento, qualquer prejuízo que
possa comprometer o seu sustento e o de sua família”, concluiu.
(RC 188177/2007-000-00-00.9)
Fonte: TST
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CONSULTOR JURÍDICO,
02 de janeiro de 2008
Justiça independente
Corregedoria não muda mérito
de decisão judicial
A reclamação correicional — instrumento em que a parte
aciona a Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho — não
tem poder para modificar o mérito de decisão judicial. O corregedor-geral
atua administrativamente e, portanto, está tecnicamente impossibilitado
de substituir o juiz natural para rever a jurisdicidade da decisão.
Com este entendimento, o ministro
Milton de Moura França, vice-presidente do Tribunal Superior do
Trabalho, no exercício da Presidência e da Corregedoria-Geral
da Justiça do Trabalho, julgou improcedente reclamação
correicional apresentada por um servidor aposentado da Câmara dos
Deputados, em Brasília. Ele pretendia a suspensão da ordem
de penhora de 30% de seus proventos de aposentadoria para o pagamento
de dívida trabalhista de empresa da qual foi sócio.
A penhora foi determinada pela
3ª Vara do Trabalho de Brasília na fase de execução
de reclamação trabalhista em que a GCB Editora de Guias
Comerciais do Brasil Ltda foi condenada ao pagamento de diversas verbas
para um vendedor de publicidade. Contra a ordem de penhora, o aposentado
entrou com Mandado de Segurança, mas o Tribunal Regional do Trabalho
da 10ª Região (DF) rejeitou o pedido, por entender incabível
este tipo de ação quando, no processo principal, há embargos à execução
aguardando julgamento.
Na reclamação correicional,
o ex-sócio da empresa alega que os rendimentos decorrentes de
salários são impenhoráveis. Embora admitindo já ter
ajuizado o recurso adequado contra a rejeição do Mandado
de Segurança (o Agravo Regimental), argumentou que somente lhe
restava acionar a Corregedoria-Geral “ante a inquestionável
e iminente lesão grave e de difícil reparação
que poderia sofrer” com a penhora de 30% de seus proventos.
O ministro Moura França,
porém, explicou que a decisão do TRT de considerar incabível
o Mandado de Segurança seguiu a jurisprudência do TST (Orientação
Jurisprudencial 92 da SDI-1). Quanto à possibilidade de lesão
grave com a retenção de 30% do salário, o ministro
observou que a penhora já foi realizada, mas o desconto ainda
não foi efetivado.
“Segundo informações
da Direção do Departamento de Pessoal da Câmara dos
Deputados, outras duas ordens judiciais de penhora sobre os proventos
do ex-servidor aguardam cumprimento naquele órgão, que,
por óbvio, antecedem a atual”, observou. “Por isso,
desta ordem não decorre, ao menos até o presente momento,
qualquer prejuízo que possa comprometer o seu sustento e o de
sua família”, concluiu.
RC 188.177/2007-000-00-00.9
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Agência Diap, 2 de
janeiro de 2008
POPULARIDADE
Lula é o mais bem avaliado
dos últimos 20 anos
Uma nova pesquisa do instituto
Brasmarket vem consolidar a percepção da fortaleza que
cerca a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final
do seu quinto ano de mandato. O levantamento feito na capital paulista
aponta o petista como o melhor presidente desde a redemocratização
e mostra uma vantagem para Lula mesmo em temas espinhosos como a prorrogação
da Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF) e a transposição do Rio São
Francisco.
Para o professor de Ciências Políticas do Centro Universitário
do Distrito Federal (Unidf), Leonardo Barreto, os seguidos resultados positivos
para o presidente decorrem de seu estilo de liderança. "Ele é um
líder carismático e nesses casos escapolem fatores racionais
das análises das pessoas. Elas acreditam que a capacidade do líder
está acima de todas as coisas", diz.
Barreto afirma que o mito Lula vai criar grandes dificuldades para quem tiver
a missão de substituí-lo a partir de 2011. "Ele é tão
forte que é difícil ver um sucessor. Conseguimos enxergar candidatos
a presidente, mas ninguém com a dimensão dele", afirma.
O tamanho da força de Lula ficou evidente principalmente quando os entrevistados
foram convidados a apontar qual o melhor presidente do País desde o
fim da ditadura. Lula apareceu com 51,5%, superando com folga a soma de seus
quatro últimos antecessores, que foi de 31,5%.
O tucano Fernando Henrique Cardoso registrou 17,6%, o agora senador José Sarney
(PMDB/AP) foi lembrado por 5,7%, seguido do também senador Fernando
Collor de Mello (PTB/AL), com 4,1%, mesmo percentual do vice que assumiu após
o impeachment do alagoano, o mineiro Itamar Franco. O percentual dos pesquisados
que se negaram a apontar um preferido foi de 17%.
Se o desempenho do atual presidente perante seus antecessores foi muito bom,
o "debate" sobre os temas atuais está no mesmo patamar.
Os dados do levantamento do Brasmarket mostram que o governo conseguiu vender
para a população seu discurso sobre a CPMF, apesar de ter sido
derrotado no Congresso.
O instituto perguntou aos entrevistados qual a real motivação
que levou o Congresso a extinguir o tributo. A maioria respondeu que o fim
do "imposto do cheque" se deveu ao interesse da oposição
em prejudicar o presidente Lula (30,8%) e em benefício de ricos e empresários
(23,4%). Para 17,9% dos entrevistados o interesse no fim do tributo foi do
povo em geral e para 11% o benefício é dos mais pobres. Outros
17% não quiseram opinar.
Para Barreto, o resultado evidencia a distância entre o pensamento da
classe média e do restante da população. "A classe
média é muito pequena hoje e esse discurso de redução
de impostos, assim como o ético, é mais importante apenas para
essa camada da população".
O professor da Unidf acredita que o resultado se deve também ao fato
de a maior parte da população não pagar o tributo de maneira
direta, somado à constatação de que foram os próprios
PSDB e DEM que criaram a CPMF. "A população não enxergou
sinceridade no discurso da oposição. Eles não pareciam
ser realmente contra, até porque o PSDB negociou até a última
hora e foi o partido, junto com o DEM, que criou a CPMF".
Para ele, o levantamento mostra que a tentativa da oposição de
levantar a bandeira em favor de menos impostos foi fracassada. Barreto observa
também que a impressão da população é que
a disputa foi apenas partidária. "A pesquisa mostra que tudo foi
visto como uma simples briga partidária e o discurso do governo de que
o dinheiro era para a saúde e para os programas sociais ecoou na sociedade".
Outra amostra do apoio popular ao presidente foi dada quando a questão
da transposição do rio São Francisco foi colocada diante
dos entrevistados. O governo decidiu tirar do papel a transposição,
tendo inclusive licitado o primeiro lote da obra. Movimentos sociais, no entanto,
questionam o projeto e acusam que o objetivo do empreendimento é beneficiar
o agronegócio e não resolver o problema da falta de água
para a população.
Foi esse o principal argumento que levou o bispo de Barra (BA), dom Luiz Cappio,
a fazer uma greve de fome para tentar forçar a paralisação
do projeto, iniciativa que acabou fracassando.
O Brasmarket quis saber dos paulistanos qual a opinião sobre o embate.
Questionados sobre quem tinha razão no imbróglio mais uma vez
Lula se saiu bem. Para 49,6% dos entrevistados o presidente está correto,
enquanto que 19,5% preferem o posicionamento do bispo. Outros 13,6% acham que
nenhum tem razão, enquanto 3,3% dividem os méritos. Não
quiseram responder ao questionamento 13,9% dos entrevistados.
Barreto vê nessa questão a principal amostra da força do
presidente petista. Ele destaca que a maioria da população não
conhece a fundo o assunto e que mais uma vez o carisma de Lula decide. "É impressionante
o papel do Lula. É praticamente impossível ele perder qualquer
debate na sociedade. Essa, por exemplo, é uma questão em que
a maior parte das pessoas não tem informação, então
o que pesa mesmo são o carisma e a força política do presidente",
concluí. (Fonte: http://www.blogdoonipresente.blogspot.com/)
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Congresso em Foco, 2 de janeiro de 2008
Sem CPMF, Receita revê método
de fiscalização
Diretor da PF diz ter perdido instrumento
de trabalho. Coaf diz que nada muda no combate à lavagem
de dinheiro
Eduardo Militão
Hoje (2) é o primeiro dia útil em que a Receita Federal começa
a aplicar o novo instrumento de fiscalização contra a sonegação,
a mesmo quarta-feira em que a Contribuição Provisória
Sobre Movimentação Financeira (CPMF) deixa de existir. A CPMF
retirava 0,38% de todas as retiradas bancárias dos brasileiros – cheques,
saques, transferências e pagamentos –, uma operação
que rendia aproximadamente R$ 40 bilhões aos cofres da União.
A instrução normativa 802 da Receita obriga instituições
financeiras, como bancos e administradoras de cartões, a informarem
ao governo as movimentações de pessoas físicas e jurídicas
que ultrapassarem o volume de R$ 5 mil e R$ 10 mil por semestre. Os dados deverão
ser detalhados mês a mês.
Sem a CPMF, a Receita lançou mão da regulamentação
da lei complementar 105/2001 e do decreto 4489/2002, que tratam do envio de
informações financeiras pelos bancos à Receita e aos demais órgãos
de controle.
Mas essa não é a única lupa dos fiscais. Eles vão
utilizar informações prestadas pelos contribuintes em suas declarações
de imposto de renda com outros documentos. A assessoria do órgão
cita como exemplos de contraprova a Derex (Declaração sobre a
Utilização dos Recursos em Moeda Estrangeira Decorrentes do Recebimento
de Exportações) e a Dirf (Declaração do Imposto
sobre a Propriedade Territorial Rural).
A oposição, que bancou a derrubada da CPMF, disse que instrução
normativa da Receita Federal prova ser falsa a alegação de que
o fim do tributo beneficiaria os sonegadores. Apesar disso, em nota, a Receita
reafirmou que a Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira era “um dos importantes instrumentos fiscalizatórios” do
governo.
Tranqüilidade
Ao contrário do que chegou a ser alardeado por governistas no Congresso,
o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) não será atingido
pelo fim da CPMF. “Esse problema não influencia de forma alguma
o Coaf. Para nós, não tem pertinência”, tranqüiliza
o ouvidor do órgão, Francisco Carlos Félix.
Responsável por ajudar no combate à lavagem de dinheiro, o Coaf
recebe dos bancos comunicações de movimentações
suspeitas – ou “atípicas”. Os bancos e outras instituições
financeiras repassam esses dados a depender do setor de atividade dos clientes,
e não do pagamento de CPMF. Quando as operações “atípicas” somam-se
a outros fatos suspeitos, o Coaf alerta a Polícia, a Receita Federal
e o Ministério Público.
Temor
Apesar disso, o diretor geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa,
se mostrou preocupado com o fim da CPMF. “A CPMF era um recurso considerável”,
disse ele na semana passada, ao divulgar o balanço de atividades da
corporação. “O Estado todo perdeu. Nós também
perdemos uma ferramenta importante de investigação”, afirmou
ele ao jornal Correio Braziliense.
A ARRECADAÇÃO DA CPMF
2003 ........ R$ 23,6 bilhões
2004 ........ R$ 26,4 bilhões
2005 ........ R$ 29,2 bilhões
2006 ........ R$ 32,7 bilhões
2007 ........ R$ 36 bilhões*
2008 ........ R$ 39 bilhões*
Valores sem correção inflacionária.
*Previsão. Fonte: Receita Federal
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Folha de São Paulo,
2 de janeiro de 2008
Lula desiste de apresentar mudanças
na Constituição
Presidente avalia que não tem maioria
estável para enfrentar oposição em temas polêmicos
| Desde 2003, Executivo foi autor de 13 PECs; reforma tributária
será enviada ao Congresso com aviso de que não é prioridade
do governo
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva decidiu que não vai apresentar mais nenhuma proposta
de emenda constitucional até o fim do segundo mandato (2010).
Desde 2003, quando assumiu a Presidência, o petista enviou 13 PECs
ao Congresso Nacional.
Segundo a Folha apurou, a decisão de Lula foi tomada em reunião
com seus principais auxiliares após a derrota da PEC apresentada pelo
Planalto para prorrogar a CPMF, o imposto do cheque, até 2011. O Senado
Federal rejeitou a proposta em 13 de dezembro.
Lula avalia que a derrota deixou claro que ele não tem maioria estável
na Casa para enfrentar batalhas polêmicas com a oposição
tucano-democrata. Por isso orientou os ministros a não apresentar medidas
administrativas que exijam PEC de autoria do Executivo.
Uma PEC necessita do apoio mínimo de 308 dos 531 deputados e de 49 dos
81 senadores. Além desses três quintos, a proposta deve ser aprovada
em dois turnos de votação em cada Casa. Formalmente, Lula tem
53 senadores nos partidos que sustentam o governo no Congresso, mas há dissidentes
que na prática reduzem esse número, tornando arriscadas as ofensivas
para aprovar PECs.
Daí Lula ter dito aos auxiliares que não enviará mais
proposta desse tipo. A exceção será a apresentação
de uma proposta de reforma tributária, promessa feita durante as negociações
fracassadas da CPMF.
O presidente, porém, dirá publicamente que a reforma tributária
não será uma prioridade legislativa do Executivo. Afirmará que
a eventual aprovação dependerá do apoio do Congresso e
da sociedade.
Lula deverá se reunir com governadores e empresários antes do
envio da reforma tributária ao Congresso como forma de mostrar que,
ao contrário da CPMF, ela não é de interesse apenas do
governo.
Reservadamente, Lula crê que a rejeição da CPMF pelo PSDB
e DEM acuará a oposição politicamente na discussão
da reforma tributária, pois tucanos já propõem uma nova
tentativa de acordo para aumentar os recursos para a saúde.
Apesar de todos os 13 senadores do PSDB terem votado contra a extensão
da CPMF, o partido se dividiu nas negociações com o governo.
A ala dos governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) perdeu
a batalha contra o grupo do ex-presidente Fernando Henrique e do líder
no Senado, Arthur Virgílio (AM). Há entre tucanos a preocupação
com eventuais danos do discurso de Lula de que a rejeição da
CPMF fragilizou a área da saúde.
Aprovação
Das 13 PECs enviadas por Lula, 5 foram aprovadas quase na íntegra ou
parcialmente.
A primeira foi a reforma da Previdência de 2003, que endureceu as regras
de aposentadoria para o servidor público.
A segunda PEC versava sobre reforma tributária apresentada em 2003,
mas o Congresso aprovou apenas a parte que propunha a prorrogação
da CPMF e da DRU (Desvinculação de Receitas da União)
até o final de 2007. O restante dessa proposta, como o fim da guerra
fiscal entre Estados, ainda tramita no Congresso.
Em 2005, o governo apresentou a PEC do Fundeb, o fundo da educação
básica, que elevava recursos para a área.
Em 2007, o governo conseguiu aprovar a PEC que elevava em 1 ponto percentual
(de 22,5% para 23,5%) o repasse da União ao Fundo de Participação
dos Municípios.
Em dezembro, o Senado rejeitou a parte da PEC 50 que previa a prorrogação
da CPMF até 2011, mas aprovou a extensão da DRU no mesmo período.
Oito PECs apresentadas por Lula estão paradas ou caminham a passo de
tartaruga, como a reforma sindical e a minirreforma tributária de 2004.
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Folha de São Paulo,
2 de janeiro de 2008
Memória
FHC também teve dificuldades
no Congresso
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Nos dois mandatos de sua Presidência (1995-2002), o tucano Fernando Henrique
Cardoso foi autor de 27 propostas de emenda constitucional -média de
quase 3,4 a cada ano. No poder desde 2003, Lula tem média de 2,6 PECs
por ano.
Das 27 PECs do tucano, 10 foram aprovadas quase na íntegra ou parcialmente.
Exemplos: a quebra do monopólio do petróleo em 1995, boa parte
da reforma da Previdência que tornou mais rígidas as regras do
sistema de aposentadoria geral, uma reforma administrativa e uma prorrogação
da CPMF. Seis PECs apresentadas por FHC foram rejeitadas -11 continuaram a
tramitar após o final de seu governo.
Assim como Lula, FHC teve interesse político na aprovação
de PECs que não eram de autoria do Executivo. A mais famosa foi a que
criou em 1997 a reeleição, proposta do à época
deputado federal Mendonça Filho, do então PFL e atual DEM.
Apesar de Lula e FHC terem construído alianças para formar maioria
no Congresso, ambos tiveram dificuldades e colheram derrotas. O Legislativo,
por exemplo, negou a FHC a cobrança previdenciária dos servidores
públicos inativos. Os dois tentaram aprovar, sem sucesso, a reforma
tributária. (KA)
Para alterar Constituição, é preciso
apoio da Câmara e do Senado
Não pode ser apresentada
PEC que acabe com as cláusulas pétreas, elencadas no
artigo 60 da Constituição: "forma federativa de
Estado; voto direto, secreto, universal e periódico; separação
dos Poderes e direitos e garantias individuais".
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Folha de São Paulo,
2 de janeiro de 2008
STF pode vetar nova norma para vigiar
contas
Para Marco Aurélio Mello, mecanismo
que substitui CPMF é inconstitucional | OAB entende que a
medida, que prevê o envio de dados de correntistas dos bancos à Receita
Federal, configura quebra do sigilo bancário
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello afirmou
ontem que, caso seja provocado, o tribunal deverá derrubar o mecanismo
criado pelo governo que obriga instituições financeiras a repassarem
semestralmente à Receita Federal dados sobre a movimentação
financeira de pessoas físicas e jurídicas.
A contestação ao dispositivo deverá partir do Conselho
Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), por meio de ação
de inconstitucionalidade. O vice-presidente do conselho, Vladimir Rossi Lourenço,
alega que a medida caracteriza quebra de sigilo bancário.
O mecanismo foi criado pelo governo na última quinta-feira, sob a forma
de instrução normativa, publicada no Diário Oficial da
União, e entrou em vigor ontem. A medida prevê que os bancos enviarão
informes à Receita sobre todas as movimentações de pessoas
físicas que atinjam R$ 5.000 no semestre -em conta corrente ou poupança.
Para pessoas jurídicas, o valor é de R$ 10 mil.
"É flagrantemente inconstitucional, salta aos olhos o conflito com
a Constituição. Certamente a assessoria jurídica da Receita
não foi ouvida", disse Marco Aurélio.
"Se o Supremo for provocado, e a OAB já sinalizou neste sentido,
deverá se manifestar contrário. Se quiserem, modifiquem a Constituição,
mas enquanto ela estiver em vigor será respeitada. É o preço
da democracia", completou.
Mais informações
A Receita espera receber dados de, no mínimo, 25 milhões de pessoas
físicas -universo de contribuintes que declarou Imposto de Renda no
ano passado. Também avalia pedir informações nos próximos
meses sobre operações no mercado financeiro, aplicações
em fundos de investimento e compra de moeda estrangeira.
O argumento do governo é que se trata de uma saída para conseguir
fiscalizar as movimentações bancárias após o fim
da cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre
Movimentação Financeira), o chamado imposto do cheque. Oficialmente,
a contribuição deixou de ser cobrada ontem.
A CPMF foi extinta após uma derrota histórica do governo no Senado
em dezembro. Faltaram quatro votos para que a contribuição fosse
estendida até 2011. Na prática, significa uma perda de arrecadação
de R$ 38 bilhões na estimativa de receita para este ano. O governo anunciou
que não tentará aprovar uma nova emenda constitucional sobre
o tema.
Oficialmente, nenhum partido se manifestou contra o dispositivo de acesso aos
dados bancários. O advogado-geral da União, José Antonio
Dias Toffoli, não foi localizado ontem pela reportagem.
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FOLHA DE LONDRINA, 02 de
janeiro de 2008 | Política
TSE divulga datas para propaganda partidária
Brasília - O Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) divulgou as datas de veiculação da
propaganda partidária gratuita em 2008, nas formas de inserção
nacional e programa em bloco. Entre os 27 partidos políticos
com registro no TSE, 24 terão direito a exibir programa em
cadeia nacional de rádio e televisão. Já as
inserções serão veiculadas por 13 legendas.
As informações são do site do TSE.
A duração dos programas
em bloco varia de cinco a dez minutos. O tempo a que cada partido tem
direito é definido pelo número de votos obtidos para a
Câmara dos Deputados. As datas são definidas pelo TSE com
base na manifestação da preferência de cada partido.
As legendas devem requerer ao Tribunal a formação das redes
da rádio e TV, informando as datas de divulgação
de seu interesse, até o dia 1º de dezembro do ano anterior
ao da transmissão.
A propaganda dos partidos políticos
será realizada entre janeiro e junho, como determina a legislação,
já que 2008 é ano eleitoral. O primeiro turno das eleições
municipais para prefeito e vereador acontecerá no dia 5 de outubro
e o segundo turno, se houver, no dia 26 do mesmo mês, apenas nas
cidades com mais de 200 mil eleitores.
As transmissões são
feitas em cadeia nacional de rádio e TV, ou em inserções
individuais de 30 segundos ou um minuto, veiculadas no intervalo da programação
normal das emissoras. A rede de propaganda partidária gratuita é formada às
quintas-feiras, mas o TSE, se considerar necessário, poderá autorizar
a transmissão em outros dias.
Quando há coincidência
no pedido de datas, o partido que apresentou o requerimento em primeiro
lugar tem prioridade, sendo vedada a transmissão de mais de um
programa no mesmo dia.
O Partido Republicano Brasileiro
(PRB) abre as transmissões da propaganda partidária no
dia 24 de janeiro de 2008.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
02 de janeiro de 2008
Ano eleitoral começa com restrição
de doações, informa TSE
A partir desta terça-feira, 1º de janeiro de 2008, a Administração
Pública está proibida de fazer distribuição gratuita
de bens, valores ou benefícios, exceto em casos de calamidade pública
ou estado de emergência. A informação é do TSE (Tribunal
Superior Eleitoral).
Programas sociais que começaram
a ser executados no ano passado podem continuar. O Ministério
Público poderá acompanhar a execução financeira
e administrativa desses programas.
O TSE informa ainda que a partir
de hoje também é obrigatório o registro de pesquisas
de opinião pública sobre eleições ou candidatos
ao pleito municipal deste ano. O registro deve ser feito na Justiça
Eleitoral até cinco dias antes da divulgação das
pesquisas.
As empresas deverão prestar
informações como quem contratou a pesquisa, valor e origem
dos recursos gastos, metodologia e período de realização
da pesquisa, questionário completo aplicado e o nome de quem pagou
pela realização do trabalho.
Quem divulgar a pesquisa sem
registrar as informações está sujeito a multa de
50 mil a 100 mil Ufir (de R$ 53,2 mil a R$ 106,4 mil). A divulgação
de pesquisa fraudulenta pode ser punida com detenção de
seis meses a um ano e multa nos mesmos valores.
O primeiro turno das eleições
municipais para prefeito e vereador acontecerá no dia 5 de outubro
e o segundo turno, se houver, no dia 26 do mesmo mês, apenas
nas cidades com mais de 200 mil eleitores.
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FOLHA DE LONDRINA, 02 de janeiro de 2008 |
Economia
Mudanças facilitam uso do
FGTS
São Paulo - Hoje passa a vigorar
série de novidades no uso do Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço (FGTS) em financiamento habitacional e também
nas linhas de financiamento com recursos desse fundo, em que os
juros são menores que no Sistema Financeiro da Habitação
(SFH). Duas das novidades contemplam o trabalhador que possui conta
do FGTS. Antes, não havia distinção nas condições
para cotistas e não cotistas. Agora o cotista tem desconto
de 0,50 ponto porcentual no juro e pode financiar imóvel
de até R$ 350 mil, quando o limite geral máximo é R$
130 mil. O acesso aos financiamentos também vai ficar mais
fácil. Além da Caixa, Itaú e Real vão
oferecer empréstimos dessa linha. Bradesco e Santander estudam
oferecer a opção ao cliente. (Agência
Estado)
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FOLHA DE LONDRINA, 02 de janeiro de 2008 |
Economia
Tabela do IR sofre correção
de 4,5%
São Paulo - A nova tabela do
Imposto de Renda passa a vigorar neste mês e corrige em 4,5%
as faixas de incidência do tributo. A faixa de isenção
será elevada de R$ 1.313,69 para R$ 1.372,81 por mês.
Já a alíquota de 15% incidirá sobre os ganhos
entre R$ 1.372,82 e R$ 2.743,25. A maior alíquota, de 27,5%,
passará a incidir sobre os salários acima de R$ 2.743,25,
contra os R$ 2.625,12 anteriores. O IR retido na fonte será menor.
Isso representa um desconto menor no salário do trabalhador
com registro em carteira. Para a declaração anual
do IR, no entanto, a nova tabela só será válida
em 2009.(Folhapress)
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FOLHA DE LONDRINA, 02 de
janeiro de 2008 | Opinião
Muitas razões para acreditar
no Brasil
Se os governos ajudarem, tanto melhor, mas
se não o fizerem acabarão sendo arrastados a reboque
Apesar dos desmandos governamentais, que marcaram sobretudo o ano de 2006 e
tiveram continuidade em 2007, o Brasil cresce como nação e se
desenvolve economicamente. As políticas públicas têm ajudado
pouco nesse sentido, e em quase tudo atrapalharam muito, mas existe um país-cidadão
operoso que avança, atropelando o próprio Governo, que não
consegue desempenhar no mesmo compasso as tarefas que lhe compete. O ano que
ora se inicia não é apenas de esperança mas traz sinais
de robustecimento da prosperidade, em ritmo lento mas contínuo.
Não há razões
aparentes para estagnação ou retrocesso mas, ao contrário,
fortes indicativos de avanço e melhoria em todas as atividades.
O aumento do consumo que se verifica reclama mais produção,
e mais produção significa o giro intensificado da roda
da economia, com reflexos positivos no emprego e na melhor distribuição
da renda. A ação da iniciativa privada, embora tangida
por pesada carga tributária e por algumas leis anacrônicas
e prejudiciais ao desenvolvimento sócio-econômico - destacadamente
a arcaica legislação trabalhista - vai derrubando barreiras
e consolidando posições. Algumas vícios sociais,
típicos da cultura brasileira, se apresentam ainda desafiadores,
mas certamente irão se diluindo na medida em que os padrões
de vida forem melhorando. Essa marcha é evidente e irreversível.
Não de trata de ufanismo e de otimismo vazios mas de realidade.
Muita coisa está por fazer
neste país-continente de 190 milhões de patrícios
e não existem impedimentos que não possam ser removidos.
A sociedade, que segura a barra e toca este país, haverá de
reformular também os governantes e toda a legião de homens
públicos, pelo seu trabalho, pela posição de vanguarda
na corrida desenvolvimentista, pelo exemplo e pela luta contra os desmandos
e por reformas. A pressão popular precisa intensificar-se e ser
constante, porque as instituições governamentais, infelizmente,
são como filhos rebeldes que precisam de corretivo e vigilância
permanente.
Não se pode esperar coisas
revolucionárias dos governos - destas que resultem em grandes
saltos de qualidade - mas espera-se isto da sociedade, de forma a emancipar
o próprio povo e fazer que as autoridades públicas se aprumem
em seus passos. Neste limiar de 2008 as forças vivas e pulsantes
deste país precisam robustecer a convicção de que
só pela mobilização se implantará a moralidade
pública e se varrerá os entulhos que ainda atrapalham a
marcha do progresso.
Mesmo assim, embora as
tantas trapalhadas governamentais e uma certa corrente de pessimismo
que ainda vigora, muitas coisas boas vêm acontecendo. O Brasil é cada
brasileiro, por isso a nação justa e altiva que todos
anseiam haverá de ser construída pelos cidadãos.
Se os governos contribuírem, tanto melhor, mas se não
o fizerem acabarão sendo arrastados a reboque dos avanços
da sociedade e da revolução produtiva.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
02 de janeiro de 2008
MPF quer aplicação do
Estatuto do Idoso em transporte interestadual
O Ministério Público Federal no município de Dourados
(MS), por meio do procurador da República Luiz Antonio Ximenes Cibin,
expediu recomendação às empresas prestadoras do serviço
de transporte coletivo interestadual para que cumpram integralmente o artigo
40 do Estatuto do Idoso.
O artigo prevê que, no
sistema de transporte coletivo interestadual, os idosos com renda igual
ou inferior a dois salários mínimos têm direito a:
reserva de duas vagas gratuitas por veículo; desconto de 50%,
no mínimo, no valor das passagens, quando excedidas as vagas gratuitas.
Para fazer uso de uma das vagas
gratuitas, o idoso deverá solicitar um único “Bilhete
de Viagem do Idoso”, nos pontos de venda próprios da transportadora,
com antecedência de, pelo menos, três horas em relação
ao horário de partida do ponto inicial da linha do serviço
de transporte. No mesmo momento também poderá solicitar
a emissão do bilhete de viagem de retorno (há previsão
para esse pedido no artigo 3º, parágrafo 2º, do Decreto
5.934/2006).
Após esse prazo de antecedência,
os bilhetes referentes aos assentos reservados que não tenham
sido objeto de concessão do benefício poderão ser
colocados à venda e, enquanto não forem comercializados,
permanecerão disponíveis para o exercício do benefício
da gratuidade.
O interessado na concessão
do bilhete gratuito ou com desconto deverá fazer prova de sua
idade e da renda igual ou inferior a dois salários mínimos.
Para comprovar a idade, o idoso
deve apresentar o original de qualquer documento pessoal de identidade
com fé pública e que contenha foto. Já a comprovação
da renda pode ser feita por meio de: Carteira de Trabalho e Previdência
Social com anotações atualizadas; contracheque de pagamento
ou documento expedido pelo empregador; carnê de contribuição
para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social); extrato de pagamento
de benefício ou declaração fornecida pelo INSS ou
outro regime de previdência social público ou privado; ou
documento ou carteira emitida pelas Secretarias Estaduais ou Municipais
de Assistência Social ou congêneres.
Segundo a Recomendação
10/2007, mesmo as empresas que operam em linhas internacionais devem
cumprir o Estatuto do Idoso se em seu itinerário houver seções
que liguem um estado a outro.
As empresas têm 15
dias para enviar as informações ao MPF sobre a adoção
das providências ora recomendadas. O idoso que não tiver
atendido seu direito nas viagens interestaduais pode apresentar suas
reclamações ao Ministério Público Federal
situado, em Dourados, na Rua Major Capilé, nº 1.590, Centro
(Telefones: 3411-1719, 3411-1700) ou ao Procon, localizado na rua Joaquim
Teixeira Alves, nº 1453, Dourados (Telefones: 3423-1188 e 3411-7706).
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Folha de Londrina, 2 de janeiro de 2008
Seu Direito: Pensão Alimentícia
Minha ex-esposa procurou um advogado para
fazer a separação de bens e acabou ficando com a maior
parte.
Fomos casados durante 17 anos.
A separação ocorreu há 12 anos, e desde então
sempre a ajudei financeiramente. Agora, ela está cobrando uma
pensão alimentícia. Como devo proceder?
A primeira medida a ser tomada será a constituição de
um advogado de sua confiança. Levando-se em consideração
tão somente as informações apresentadas na pergunta, algumas
medidas judiciais podem ser adotadas, porém, é necessário
que cada caso seja analisado com muita cautela, tendo em vista as suas peculiaridades.
A princípio, a fixação de pensão alimentícia à ex-esposa
independe da partilha de bens do casal, ou seja, o fato dela ter ficado com
a maior parte dos bens do casal não exime a obrigação
alimentícia do ex-marido, se ela não renunciou a tal direito
por ocasião da separação ou do divórcio.
Ainda, tal pensão é cabível principalmente se o ex-marido
já prestava e presta uma ajuda financeira e se ela não tiver
condições de se engajar no mercado de trabalho devido à elevada
idade ou falta de capacitação.
Porém, é necessário ressaltar que para a fixação
dos alimentos será sempre levada em consideração a possibilidade
econômica de quem os presta proporcionalmente à necessidade de
quem os recebe. Em recente decisão, o Tribunal de Justiça de
São Paulo já se manifestou a respeito: ''Divórcio - Alimentos
- Pensão alimentícia - Verba mantida à ex-esposa em razão
de sua idade dificultar o ingresso no mercado de trabalho - Admissibilidade
- Ex-marido, ademais, que já oferecia voluntariamente à ex-cônjuge
numerário mensal a título de alimentos.
Ementa da Redação: Em ação de divórcio,
deve ser mantida à ex-esposa, se, em razão da idade da cônjuge,
evidencia-se dificuldade de ingresso no mercado de trabalho, aliado ao fato
de que o ex-marido voluntariamente já lhe oferecia numerário
mensal a título de alimentos. TJSP - Ap. 353.303-4/8-00 - Segredo de
Justiça - 9 Câm. - j. 27.01.2005 - rel. Des. Ary Bauer'' (in Revista
dos Tribunais 835, Editora RT, pág. 208). Tal pensão se extinguirá caso
a ex-esposa venha a contrair novas núpcias. Cássio N. Tanaka,
advogado
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CONSULTOR JURÍDICO,
02 de janeiro de 2008
Coação no trabalho
Assédio moral: o preço
que não vale a pena pagar
por Fábio Goulart Villela
A República Federativa
do Brasil, enquanto Estado Democrático de Direito, fundamenta-se
na dignidade da pessoa humana e nos valores sociais do trabalho e da
livre iniciativa (Constituição Federal de 1988, artigo
1°, III e IV).
E como sói acontecer com
toda a economia de mercado, torna-se cada vez mais incessante a busca
pelo aprimoramento da produção, pelo aumento da produtividade
e pela ampliação da fonte de consumo.
Neste contexto sócio-econômico,
não é rara a adoção de métodos de
trabalho que implicam dissimulada violência à dignidade
da pessoa humana do trabalhador, cujos prejuízos decorrentes não
se limitam à individualidade atingida. É o que acontece
com a prática do assédio moral no ambiente de trabalho.
O assédio moral no trabalho,
também conhecido como coação moral, psicoterror
laboral ou mobbing, consiste em comportamento arbitrário que tende
a acarretar dano à personalidade, à dignidade ou à integridade
física ou psíquica do trabalhador, ocasionando a degradação
do ambiente de trabalho.
Trata-se de conduta abusiva,
de natureza psicológica, que atenta contra a dignidade psíquica
do trabalhador, de forma reiterada, tendo por efeito a sensação
de exclusão do ambiente e do convívio social. Ocorre geralmente
nas relações hierárquicas autoritárias, com
predominância de condutas negativas, relações desumanas
e aética, durante longo tempo, dirigidas ao subordinado, com o
intuito de desestabilizar a relação da vítima com
o ambiente de trabalho. Exterioriza-se através de atos intimidatórios
ou insultuosos que visam a provocar, na vítima, medos ou humilhações
capazes de minar sua autoconfiança e isolá-la do meio de
trabalho.
Segundo a melhor doutrina, são
características do assédio moral: a) a abusividade da conduta;
b) a natureza psicológica do atentado à dignidade psíquica
do indivíduo; c) a reiteração da conduta; d) a finalidade
de exclusão. Para alguns autores, acrescer-se-ia a existência
de efetivo dano psíquico-emocional, o que entendemos não
constituir elemento de caracterização, mas, sim, da responsabilidade
civil decorrente de tal conduta.
Nas relações de
trabalho, o assédio moral se concretiza pela exposição
dos trabalhadores a situações humilhantes, vexatórias,
repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho. As constantes
humilhações, a exposição do trabalhador ao
ridículo, a supervisão excessiva, as críticas cegas,
o empobrecimento das tarefas, a sonegação de informações
indispensáveis à realização do trabalho,
a exigência de prazos exíguos e insuficientes ao cumprimento
de tarefas, as repetidas perseguições são caracteres
desta prática odiosa.
O fenômeno do assédio
moral deteriora o ambiente de trabalho, acarretando a queda de produtividade
e a ocorrência de acidentes e doenças ocupacionais. Traz
sérios prejuízos ao próprio empreendimento, na forma
de longas ausências decorrentes de afastamentos e pagamento de
indenizações a título de danos morais e materiais,
cuja competência para julgamento da Justiça do Trabalho
já resta plenamente pacificada pela Suprema Corte.
O terror psicológico provoca
na vítima danos emocionais e doenças psicossomáticas,
como alterações do sono, distúrbios alimentares,
diminuição da libido, aumento da pressão arterial,
desânimo, insegurança, entre outros, podendo acarretar quadros
de pânico e depressão, ou até mesmo levar à morte
ou ao suicídio.
O assédio moral caracteriza-se
pela freqüência e intencionalidade da conduta, não
se confundindo com desentendimentos isolados no ambiente de trabalho
ou a prática de supervisão criteriosa.
O agressor pode ser o empregador,
chefe ou preposto (assédio vertical descendente), o(s) colega(s)
de trabalho (assédio horizontal) ou o grupo de subordinados (assédio
vertical ascendente). Já o assédio moral misto exige a
presença de pelo menos três sujeitos: o assediador vertical,
o assediador horizontal e a vítima.
O psicoterror laboral pode acarretar
a rescisão indireta do contrato de trabalho, com base no artigo
483, alínea "e", da CLT ("praticar o empregador
ou seus prepostos, contra ele ou pessoas de sua família, ato lesivo
da honra e boa fama"), que consiste em resolução unilateral
do contrato por culpa do empregador. Isso sem falar na real possibilidade
de ser deferido em juízo o pagamento de indenização
por danos morais e materiais decorrentes desta prática.
No assédio moral praticado
por empregado contra colega de trabalho, a hipótese é,
visivelmente, de justa causa para a resolução do contrato
de trabalho, com fundamento no artigo 482, alínea "j",
da CLT ("ato lesivo da honra ou da boa fama praticado no serviço
contra qualquer pessoa, ou ofensas físicas, nas mesmas condições,
salvo em legítima defesa, própria ou de outrem").
Frise-se, ainda, que a responsabilidade
civil do empregador por ato causado por empregado, no exercício
do trabalho que lhe competir, ou em razão dele, deixou de ser
uma hipótese de responsabilidade civil subjetiva com presunção
de culpa (Súmula 341 do STF), para se transformar em hipótese
legal de responsabilidade civil objetiva (artigo 932, inciso III, do
Código Civil).
Em resumo, basta a efetiva comprovação
da existência de nexo de causalidade entre a conduta de seu preposto
e o dano produzido à vítima, para que se verifique a responsabilidade
do empregador, independentemente de culpa.
Diante de todos os aspectos
fático-jurídicos acima esposados, exsurge a seguinte
indagação: vale a pena pagar este preço?
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
02 de janeiro de 2008
Grupo Móvel encontra 49 trabalhadores
em situação degradante em fazenda
Os integrantes do Grupo Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego
localizaram 46 homens e 3 mulheres alojados em barracos cobertos com plástico
preto na Fazenda Santa Maria, no município de São Félix
do Xingu (PA), avaliada em R$ 8 milhões. As pessoas trabalhavam na construção
de cercas e pontes desde setembro deste ano.
De acordo com informações
do MPT (Ministério Público do Trabalho), os trabalhadores
se alimentavam apenas de arroz branco e não tinham condições
de higiene. Eram obrigados a comprar do capataz os produtos de primeira
necessidade e os próprios equipamentos de trabalho. As dívidas
eram anotadas em cadernos que foram apreendidos pela fiscalização.
De difícil acesso, o local dificultava a fuga dos trabalhadores.
O grupo levou dois dias de viagem para chegar ao local, depois que recebeu
a denúncia.
Nenhum dos trabalhadores tinha
registro em carteira de trabalho, os salários não estavam
sendo pagos e todos possuíam dívidas com o "gato" -
como são chamados os contratantes de empreitada - e com o suposto
proprietário da fazenda, Luis Carlos Reis. Há suspeitas
de que ele não seja o verdadeiro proprietário. Por isso,
segundo o procurador Emerson Resende, a investigação será aprofundada.
Luis Carlos Reis assinou TAC
(termo de ajustamento de conduta) perante o MPT e responderá pelo
crime de trabalho análogo a de escravo (artigo 149 do Código
Penal). Ele pagou as verbas rescisórias, incluindo o dano moral
individual fixado pelo procurador (R$ 138 mil). O suposto proprietário
comprometeu-se ainda a pagar R$ 51 mil em equipamentos para aparelhar
o Grupo Móvel, bem como a cumprir 29 obrigações
trabalhistas, sob pena de multa de R$ 5 mil por empregado e item descumprido.
Todos os trabalhadores
foram encaminhados para a cidade mais próxima, Vila Rica (MT),
onde receberam as verbas rescisórias. Os trabalhadores receberão
ainda três parcelas do seguro-desemprego.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
02/01/2008
Corregedor-geral aponta áreas sensíveis
da Justiça do Trabalho
O corregedor-geral da Justiça
do Trabalho, ministro João Oreste Dalazen (foto), apresentou,
na sessão do Órgão Especial que encerrou o ano judiciário
de 2007, um relatório resumido de suas atividades no ano. Nele,
o ministro aponta diversos aspectos que têm chamado sua atenção
por serem recorrentes nas 14 correições ordinárias
realizadas desde que assumiu a Corregedoria-Geral, em março deste
ano. O grande problema a ser enfrentado, na sua avaliação, é a
enorme quantidade de processos em fase de execução, objeto
constante de suas recomendações aos Tribunais Regionais
do Trabalho.
Nas correições
ordinárias, o foco tem sido a movimentação processual
não apenas nos Tribunais Regionais do Trabalho, mas também
nas Varas do Trabalho. “Tenho enfatizado e emprestado maior valor à condução
responsável do processo pelos juízes”, afirmou o
ministro. “Mais que as estatísticas, preocupa-me, em correição
ordinária, avaliar a postura do juiz na presidência do processo.”
As correições também
examinam os Regionais no tocante a questões administrativas que
repercutem na atividade jurisdicional – e aqui surgem os primeiros
destaques do corregedor-geral. Pontos que têm merecido atenção
e sido objeto de recomendações é a existência
de critérios disciplinando a autorização excepcional
para o juiz fixar residência fora da sede da jurisdição,
de critérios para avaliação do juiz substituto vitaliciando,
de critérios objetivos para a promoção por merecimento
e a tramitação dos eventuais processos disciplinares destinados
apuração da responsabilidade funcional do juiz, entre outros.
O gargalo da execução
No plano do exercício
da função jurisdicional, execução de sentença é o
maior problema verificado nas correições. “Quantidades
alarmantes de processos nessa fase foram detectados em todas as Regiões
visitadas”, observa o relatório. Até setembro de
2007, 2,4 milhões de processos aguardavam execução.
O ministro destacou também “a grave e lastimável
desatenção de alguns juízes de primeiro grau relativamente
ao sistema BACENJUD”.
A partir de denúncia feita
por uma empresa, a Corregedoria-Geral empreendeu diligência que
junto ao Banco Central e instituições financeiras que resultou
na apuração da existência de um volume elevado de
valores bloqueados por meio do BACEN-JUD e não transferidos pelo
juízo da execução para uma conta judicial, em banco
oficial. No Rio de Janeiro, Itaú e Bradesco informaram a existência
de quase R$ 30 milhões nessa situação. Em Santa
Catarina, somente no Bradesco existem cerca de R$ 13 milhões paralisados.
A fim de prestigiar cada vez
mais a eficácia da execução – e, portanto,a
efetividade dos direitos trabalhistas -, o ministro Dalazen tem recomendado
especificamente a prolação de decisões líquidas
(com o valor da condenação previamente estabelecido) tanto
no primeiro quanto no segundo grau de jurisdição, em causas
submetidas ao rito sumaríssimo. Outra recomendação é para
que os TRTs criem o juízo auxiliar de conciliação
na execução, mediante maior aproveitamento dos Juízes
substitutos, e a intensificação do uso do convênio
com a Receita Federal para acesso às informações
fiscais dos devedores.
Com vistas ao cumprimento das
extensas recomendações que costuma registrar nas atas das
correições que realiza, o ministro criou na Corregedoria-Geral
da Justiça do Trabalho um sistema de acompanhamento e cobrança
bimestral das providências efetivamente adotadas pelos Tribunais.
Mais que isso, pretende retornar a vários TRTs em 2008 “para
acompanhar de perto o atendimento às recomendações
e, enfim, para aquilatar o grau de responsabilidade administrativa e
de aprimoramento da Corte”.
A informatização
da Justiça do Trabalho também tem merecido atenção
da Corregedoria-Geral. Na avaliação do ministro Dalazen, “é preocupante
a morosidade dos Tribunais na implantação dos sistemas
informatizados que fazem parte do Sistema Integrado da Gestão
de Informação da Justiça do Trabalho”.
Boas práticas
Várias iniciativas dos
TRTs são apontadas como relevantes pelo corregedor-geral. Na área
ambiental, há Regionais que adotaram políticas sócio-ambientais
muito antes de o Conselho Nacional de Justiça fazer recomendações
neste sentido. A adoção de medidas simples e concretas,
como o desligamento de aparelhos de ar condicionado a partir de determinado
horário, a utilização de canecas em vez de copos
descartáveis e a reutilização de envelopes foram
registradas como exemplo a ser seguido pelos demais TRTs e pelo próprio
TST.
No TRT da 24ª Região
(MS), o ministro Dalazen destaca a criação da Vara da Cidadania,
projeto de inclusão digital que utiliza computadores doados pela
Receita Federal. No TRT da 13ª (PB), a iniciativa louvável é o “Projeto
Arrematar”, de leilões unificados realizado por leiloeiro
oficial.
(Carmem Feijó)
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02/01/2008
TST teve aumento de 12% na produtividade
em 2007
O Tribunal Superior do Trabalho
encerrou o ano judiciário de 2007 apresentando um número
recorde de processos solucionados: foram 152.621, 12% a mais que no ano
passado, quando foram julgados 135.718. Na última sessão
do Órgão Especial do ano, no dia 19/12, o ministro Rider
Nogueira de Brito (foto), presidente do TST, destacou que estes são
os primeiros resultados de vários fatores e de diversas medidas
tomadas ao longo do ano. “Os resultados dessa nova realidade só aparecerão
mais concretamente em 2008”, afirmou.
Em 2007, o TST completou a sua
nova composição, estabelecida pela Emenda Constitucional
nº 45/2004. Com a posse de seis ministros em novas vagas, e dois
que preencheram vagas preexistentes, o Tribunal passou a contar com 27
integrantes. Como conseqüência dessa ampliação,
foram criadas e instaladas a Sétima e a Oitava Turmas. Responsáveis
principalmente pelo julgamento de agravos de instrumento e recursos de
revista – os dois tipos de processo mais comuns no TST -, espera-se
que as novas Turmas aumentem em cerca de 30% o número de processos
julgados. O ministro Rider de Brito lembrou que esses órgãos,
instaladas apenas no segundo semestre – em outubro e novembro,
respectivamente -, “ainda não deslancharam totalmente”,
mas sua existência já se refletiu no aumento da produtividade
do Tribunal. Os ministros empossados este ano receberam um acervo de
cerca de 10 mil processos, anteriormente distribuídos aos juízes
de Tribunais Regionais que, durante dez anos, atuaram como convocados
no TST.
Também em decorrência
da nova composição, o TST instalou em dezembro o Órgão
Especial, composto de 14 membros – os sete ministros mais antigos,
incluídos os membros da direção, e sete eleitos
pelo Tribunal Pleno. A Constituição faculta aos Tribunais
a criação de órgãos especiais quando sua
composição ultrapassa a 25 integrantes, com o objetivo
de dar mais agilidade a decisões que antes seriam da competência
do Tribunal Pleno. “O TST, fiel à salutar tradição
de valorizar a experiência de seus magistrados, escolheu para compor
o Órgão Especial os ministros que se seguem em antigüidade
aos sete primeiros”, ressaltou o ministro Rider de Brito.
Reestruturação e informatização
Para tornar possível a
formação dos gabinetes dos novos ministros e priorizar
a atividade judiciária, o TST passou por uma significativa reforma
em sua estrutura administrativa no segundo semestre, que introduziu amplas
alterações estruturais, extinguindo e ajustando setores
para racionalizar a rotina administrativa. O principal objetivo foi o
aproveitamento do maior número possível de servidores nas
atividades da área-fim, visando agilizar os procedimentos e o
julgamento dos processos.
A fim de impulsionar a apreciação
de maior quantidade de recursos de revista, agravos de instrumento e
embargos, entre agosto e dezembro foi realizado um grande mutirão
com servidores de gabinetes, que trabalharam nos fins de semana e feriados.
O sucesso da medida pode ser medido pelos números alcançados:
foram examinados, entre agosto e novembro, mais de 21 mil processos dessas
classes. A criação da Coordenadoria de Registro de Conteúdo
Processual formalizou os procedimentos de triagem dos agravos de instrumento.
Aqueles que não preenchiam os chamados requisitos extrínsecos
de admissibilidade são despachados pelo ministro presidente por
meio de assinatura digital. Dos mais de 64 mil processos triados pela
unidade, 10.407 foram despachados pela Presidência até outubro
por não preencherem os requisitos necessários à sua
admissão. Os demais são classificados, em sistema informatizado,
a partir de seus pressupostos e dos temas tratados, facilitando o julgamento.
Na área de informática,
a Secretaria de Tecnologia da Informação investiu no desenvolvimento
de ferramentas que permitem a elaboração de minutas de
votos e despachos em lote, por meio da assinatura digital dos ministros.
Criou também o Gabinete Virtual, que possibilita o acesso remoto
(externo), de forma eficiente e segura, à rede do TST. Investiu-se,
também, no treinamento dos servidores para a utilização
desses recursos. A progressiva informatização dos procedimentos
judiciários permitirá a implantação definitiva
do Diário Eletrônico da Justiça do Trabalho – que
em dezembro entrou em operação ainda em caráter
experimental, sem cunho oficial.
Ainda no campo da informática,
convênio assinado com a Secretaria da Receita Federal, em setembro,
permite aos juízes do Trabalho ter acesso, em tempo real, pela
Internet, aos dados cadastrais de pessoas físicas e jurídicas,
facilitando a execução trabalhista. Outro convênio,
com a Ordem dos Advogados do Brasil, dá acesso ao banco de dados
do órgão de classe. Foram assinados também dois
contratos da máxima importância para a integração
digital de toda a Justiça do Trabalho: com a Embratel, para a
criação de uma rede de dados que começa a interligar
todos os órgãos do Judiciário Trabalhista, e som
o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), para o desenvolvimento
do Sistema Unificado de Administração Processual (SUAP),
que resultará na implantação do processo virtual.
“Essas realizações
só foram possíveis porque a Presidência pôde
contar com a compreensão e apoio dos ministros e com a valiosa
colaboração dos servidores da Casa, aos quais credito os
resultados alcançados até a presente data”, concluiu
o ministro Rider de Brito, ao fim da apresentação do relatório
ao Órgão Especial.
(Carmem Feijó)

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