 |
Agência Diap, 3 de
janeiro de 2008
FUNDO DE AMPARO AO TRABALHADOR
Qualificação terá investimento
de R$ 850 milhões do FAT
A partir deste ano municípios
com menos de 200 mil habitantes também poderão receber
repasses para projetos de capacitação, orientação
e intermediação de mão-de-obra
A qualificação profissional terá investimentos de R$ 850
milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para o ano de 2008.
O orçamento é quase oito vezes superior ao do ano passado, quando
foram aplicados R$ 114 milhões nesta área. Esta será uma
das principais bandeiras do Ministério do Trabalho e Emprego, pois um
dos grandes problemas do trabalhador brasileiro é a falta de qualificação
profissional.
" Nunca se discutiu tanto sobre qualificação profissional
como agora. Queremos torná-la uma área de política pública
estratégica, assim como são a saúde e a segurança",
afirma o vice-presidente do Conselho Deliberativo do FAT, Ezequiel Nascimento.
O Conselho reúne representantes de trabalhadores, do governo e da sociedade
civil e tomou em 2007 medidas que buscam ampliar a rede de atendimento para
o próximo ano. Exemplo disso é uma resolução que
permite o repasse de recursos para municípios com menos de 200 mil habitantes
para projetos de qualificação, orientação e intermediação
de mão-de-obra. "Até este ano, apenas municípios
com mais de 300 mil habitantes tinham direito ao recurso", explica Nascimento.
Orçamento
Uma das principais fontes de recurso para o financiamento de programas voltados
para a geração de emprego e renda, o FAT fechou o ano de 2007
com um orçamento de R$ 31,6 bilhões. Somente o pagamento do abono
salarial Pis/Pasep vai beneficiar um total recorde de 14 milhões de
trabalhadores, que têm direito a receber um salário-mínimo
até junho de 2008. O início do calendário de pagamento
começou em agosto desse ano e mais de 12 milhões de trabalhadores
já sacaram o benefício nas agências da Caixa Econômica
e do Banco do Brasil.
Do total de recursos, R$ 8 bilhões foram aplicados em programas de geração
de emprego e renda. Só no Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC) o fundo investiu R$ 3,2 bilhões. Outro R$ 1,1 bilhão foi
aplicado na agricultura familiar, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento
da Agricultura Familiar (Pronaf) e mais R$ 2 bilhões foram investidos
no Programa de Geração de Emprego, Trabalho e Renda (Proger Urbano).
Destacam-se ainda o repasse de R$ 420 milhões para o setor rural, R$
2 bilhões para a linha FAT Giro Setorial - que financia capital de giro
para empresas industriais, possibilitando a geração ou manutenção
de emprego e renda -, e R$ 230 milhões em programas de Inovação
Tecnológica.
"O fundo injetou na produção econômica brasileira R$
22 bilhões, e aprovamos vários mecanismos de controle dos nossos
programas", acrescenta o vice-presidente do Conselho Deliberativo do FAT,
Ezequiel Nascimento. (Com MTE)
|
VERMELHO, 03 de janeiro de
2008
Real dobra em relação
ao dólar durante o governo Lula
O real praticamente dobrou de
valor em relação ao dólar nos últimos
cinco anos, com alta de 99,5% entre 2003 e 2007. Foi a maior valorização
frente ao dólar entre oito moedas – seis moedas latino-americanas
mais o euro – estudadas pela consultoria Economática,
que considerou o dólar Ptax venda (média das cotações
medida pelo Banco Central) do último dia do ano como referência
para cálculo no Brasil.
Neste período, o dólar
vendido no Brasil passou de R$ 3,53 em 2002 para R$ 1,77 no último
dia do ano passado. Durante esses cinco anos, o dólar também
perdeu valor em relação a outras moedas. O peso chileno
teve uma valorização de 45% e a moeda colombiana ganhou
43% em relação ao dólar. Já o euro teve uma
valorização de 28,7%.
No ano passado, a moeda brasileira subiu 20,7%, perdendo apenas para 2003,
quando o real aumentou 22,3%. No fim de 2002, o dólar estava valendo
R$ 3,53.
No plano externo, o dólar
se depreciou com os elevados déficits comercial e de orçamento
dos Estados Unidos, com a desaceleração do crescimento
da economia e a redução da taxa de juros, que reduzem a
rentabilidade dos investimentos no país e estimulam a aplicação
em outros mercados.
O Banco Central projeta um superávit
comercial menor este ano – de US$ 39 bilhões em 2007 para
US$ 30 bilhões em 2008 – com o crescimento das importações
num ritmo maior do que o aumento das exportações.
Na análise econômica
enviada nesta quarta-feira (2) aos clientes, os economistas do banco
francês BNP-Paribas avaliam que os mesmos fatores devem manter
o real valorizado neste ano. E acreditam que mesmo com a projeção
de déficit na conta de transações correntes, o
fluxo de entrada de dólares vai continuar intenso, por conta
dos investimentos estrangeiros e exportações.
|
CONGRESSO
EM FOCO, 03 de janeiro de 2008
Partidos registram mais de 800 mil novos
filiados
O número de pessoas que se filiaram
aos partidos políticos aumentou consideravelmente no último
ano.
Segundo levantamento do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE), apenas em 2007, 815,5 mil eleitores passaram
a integrar um dos 27 partidos políticos registrados.
Hoje em todo país, de
acordo com o TSE, o total de filiados é de mais de 12 milhões
em um total de 127 milhões de eleitores. Em 2006, esse número
era de 11.583.077 filiados, em um universo de 125.689.656 de eleitores.
Ainda segundo o levantamento,
o PT foi o partido que mais cresceu em 2007, com 108 mil novos filiados.
Nesse quesito, o PSDB vem em segundo lugar, com o ingresso de 100 mil
novos integrantes, seguido pelo PMDB, com 74 mil.
Apesar de o crescimento ter
sido menor em relação ao PT e aos tucanos, o PMDB ainda é o
maior partido brasileiro com um total de 2.096.121 filiados. Essa quandidade
de partidários dá aos peemedebistas a liderança
nos dois maiores colégio eleitorais do país, São
Paulo e Minas Gerais.
De acordo com o TSE,
a segunda maior legenda do país é o PP, que tem 1.279.311
filiados, seguido do PSDB, com 1.196.881, do PT, com 1.156.247, e
do Partido Democrático Trabalhista (PDT), com 1.020.309. (Erich
Decat)
|
INFOPESSOAL, 03 de janeiro
de 2008
Por quanto tempo devo guardar os comprovantes
de pagamento?
SÃO PAULO - Ano novo, vida nova. Muitas pessoas iniciam o ano fazendo
uma grande "faxina" nos papéis e acabam jogando fora documentos
importantes, que poderão ser exigidos no futuro.
Cuidado com a sede de limpeza!
Para não ter surpresas desagradáveis no futuro, como a
cobrança indevida de um serviço ou produto adquirido, ou
mesmo a perda da garantia de uma mercadoria, é preciso ficar atento
aos prazos de arquivamento dos documentos.
Atenção às
dicas!
De acordo com José Geraldo Tardin, diretor do Ibedec (Instituto Brasileiro
de Estudo e Defesa das Relações de Consumo), de acordo com o
Código Civil, o prazo mais comum de prescrição de dívidas é de
cinco anos. No entanto, há comprovantes que devem ser mantidos por mais
tempo.
Na tabela a seguir, você confere
o prazo para os principais documentos e comprovantes de pagamento:
| Documento |
Prazo |
| Seguros em geral (vida, veículos, saúde, residência
etc) |
1 ano após o término da vigência |
| Extratos bancários |
1 ano |
| Recibos de pagamento de aluguéis |
3 anos |
| Taxas e Impostos Municipais e Estaduais (Lixo, IPTU,
IPVA etc) |
5 anos |
| Contas de água, luz, gás, telefone (inclusive celulares) |
5 anos |
| Condomínio |
5 anos |
| Mensalidades escolares |
5 anos |
| Faturas de cartões de crédito |
5 anos |
| Contratos e recibos de serviços de profissionais liberais
como advogados, médicos, dentistas, pedreiros etc |
5 anos |
| Plano de saúde |
5 anos |
| Declaração de Imposto de Renda e documentos anexados |
6 anos |
| Comprovantes de pagamento de financiamentos de bens
como carros e imóveis |
até o término do pagamento de todas as parcelas
ou após a entrega da escritura definitiva (imóveis) e/ou documento
que oficialize a quitação (consórcio) |
| Notas fiscais |
até o término da garantia do produto |
| Documentos comprobatórios para aposentadoria junto
ao INSS |
20 anos |
|
ESTADÃO.COM/ SÃO PAULO, 03 de
janeiro de 2008 | Economia
Demissões nos EUA alcançam
o menor nível desde 2001
PATRÍCIA FORTUNATO - Agencia Estado
NOVA YORK - As grandes corporações demitiram menos em dezembro
nos EUA e os cortes de funcionários caíram 39%, para 44.416,
atingindo o menor nível do ano passado em demissões. Os dados
são da consultoria Challenger, Gray e Christmas. Para o ano de 2007
como um todo, as demissões recuaram 8,5%, para 768.264, o menor nível
desde 2001 (ano de recessão).
O setor financeiro demitiu bastante no ano passado: foram anunciados 153.105
cortes, o que representa mais que o triplo do registrado em 2006. Já as
montadoras eliminaram 78.800 postos de trabalho em 2007, quase a metade dos
158.766 cortes realizados no ano anterior.
Em relação ao mês de dezembro, o setor que mais demitiu
foi o varejo (7.961 empregos), seguido pelos setores automotivo, farmacêutico
e financeiro. As informações são de agências internacionais.
|
ÂMBITO JURÍDICO,
03 de janeiro de 2008
União consegue suspender reintegração
de trabalhadores da Emgepron
O vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Milton de Moura
França, que, durante o período de recesso judiciário,
responde pela Presidência do TST e pela Corregedoria-Geral da Justiça
do Trabalho, deferiu pedido da União e suspendeu a reintegração
de dois funcionários da Emgepron – Empresa Gerencial de Projetos
Navais decidida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
(RJ). O despacho, que não aprecia o mérito da questão,
foi dado em reclamação correicional ajuizada pela União.
Os dois trabalhadores foram contratados
pela Emgepron, empresa pública federal, a título de experiência
por 45 dias, prorrogáveis por mais 45. Ao fim deste prazo, foram
comunicados da rescisão dos contratos, com o pagamento dos direitos
decorrentes desse tipo de ajuste. Ajuizaram então reclamação
trabalhista na 21ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, onde obtiveram
antecipação de tutela determinando a reintegração.
A empresa impetrou mandado de segurança para sustar a ordem. O
pedido foi inicialmente acolhido pelo relator, mas o TRT/RJ derrubou
a liminar e manteve a reintegração. A ordem foi cumprida
no dia 18/12/2007.
Na reclamação correicional,
a União argumentou não ter sido cientificada de nenhum
dos atos praticados pelo TRT/RJ, e que a legislação prevê a
sua intervenção em todas as causas em que for parte a Emgepron.
Alegou ainda que a decisão suprimiu um grau de jurisdição,
já que o objeto da reclamação trabalhista – a
alegada estabilidade dos empregados da empresa pública – não
foi sequer examinada pela Vara do Trabalho.
Ao analisar o pedido, o ministro
Moura França observou que “há, efetivamente, nítido
tumulto processual, com sério comprometimento do inquestionável
direito de defesa da União”. A citação da
União, tanto na reclamação trabalhista quanto no
agravo regimental julgado pelo TRT/RJ, era “providência imprescindível
para a regularidade da relação processual, sob pena de
flagrante violação do devido processo legal.” A própria
juíza que deferiu a antecipação de tutela, ao dar
cumprimento à decisão, mandou citar a Advocacia-Geral da
União – não podendo, portanto, alegar desconhecimento
dessa exigência.
O despacho do corregedor-geral
em exercício restabelece a liminar que suspendeu a reintegração
até o trânsito em julgado do mandado de segurança
da União no TRT/RJ. (RC 188234/2007-000-00-00.6)
Fonte: TST
|
CONSULTOR JURÍDICO,
03 de janeiro de 2008
Direito prescrito
Extinta ação de procuradores que queriam ser promotores
O Superior Tribunal de Justiça extinguiu o processo movido por nove
procuradores do estado da Paraíba que queriam retornar à carreira
de promotor de Justiça e receber a diferença de vencimentos corrigida
monetariamente. Desde 1996, os procuradores tentam anular as transferências
determinadas pelo governador do estado entre os anos de 1978 e 1983.
A ação foi julgada
procedente em primeira instância, que afastou a prescrição
por se tratar de atos nulos por inconstitucionalidade e ilegalidade.
O Ministério Público e o estado da Paraíba apelaram,
defendendo a prescrição qüinqüenal e a legalidade
e constitucionalidade dos atos de transferência. Por maioria, o
Tribunal de Justiça da Paraíba reconheceu a prescrição
e extinguiu o processo.
Os procuradores recorreram com
Embargos Infringentes, que foram parcialmente acolhidos. A Justiça
determinou a reintegração dos autores às suas funções
e declarou prescritos os valores referentes à diferença
de vantagens remuneratórias (no período de afastamento)
dos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação. O Ministério
Público e o estado da Paraíba recorreram ao STJ. Alegaram,
em síntese, violação ao artigo 1º do Decreto
20.910/1932 (que regula a prescrição qüinqüenal)
e divergência jurisprudencial no que tange à prescrição.
A 2ª Turma do STJ, com base
no voto do relator, ministro Herman Benjamin, aplicou a prescrição
qüinqüenal prevista no Decreto 20.910/1932 para extinguir o
processo. Segundo o relator, considerando apenas o ato mais recente,
a ação foi proposta 13 anos depois da prática do
ato, o que revela a prescrição.
O relator considerou que tanto
a doutrina quanto a jurisprudência aplicam a prescrição
qüinqüenal para as ações pessoais contra o Poder
Público. “É inaceitável que qualquer servidor
pugne por direito baseando-se em suposta nulidade com a qual foi conivente
por tantos anos”, afirmou o relator. O ministro ressaltou que durante
todo esse tempo eles atuaram como procuradores do estado, defendendo-o
em juízo, assessorando seus governadores e firmando pareceres
sem que se tenha notícia de que protestaram contra essa situação.
A ação inicial
foi proposta em 1996 pelos procuradores José Murilo Bernardo,
Sabino Ramalho Lopes, Afrânio Ataíde Bezerra Cavalcanti,
Manuela Raposo da Costa, Manuel Sales Sobrinho, Severino Ramalho Leite,
Maria Anília Ângelo Paulino, Evaldo Gonçalves Queiros
e José Adalberto Targino Araújo.
REsp 473.838
|
Agência Diap, 3 de
janeiro de 2008
FUNDO DE GARANTIA
Casa própria: acesso a crédito
agora está mais fácil
Os trabalhadores, titulares de
conta no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), poderão
obter financiamento com recursos do fundo sem estar sujeitos às
limitações de renda e de valor do imóvel a ser adquirido.
A decisão foi tomada no último
dia 30 de dezembro de 2007 pelo Conselho Curador do FGTS que aprovou
regras diferenciadas para os cotistas. Para ter acesso a um empréstimo,
que poderá chegar até R$ 245 mil para imóveis avaliados
em até R$ 350 mil, o trabalhador já poderá apresentar
renda acima de R$ 4,9 mil por mês. As novas regras entram em vigor
a partir deste ano.
Regras
antigas
As antigas regras do FGTS excluia os trabalhadores com renda superior a R$
4,9 mil. Independente do valor do imóvel, os cotitidas do FGTS não
podiam obter um financiamento com recursos do fundo.
O empréstimo do FGTS tinha
como limitador não apenas a renda do trabalhador, como também
o valor do imóvel, que não poderia exceder a R$ 130 mil.
Para os não cotistas essas restrições permanecem,
pois o FGTS visa, prioritariamente, proporcionar acesso à casa
própria para as famílias de baixa renda.
Novas
Regras
A nova faixa de empréstimo só poderá ser acessada pelo
trabalhador que contar com, no mínimo, três anos de trabalho sob
o regime do FGTS. Outra exigência é que o saldo da sua conta vinculada
no fundo corresponda, na data da concessão do financiamento, a no mínimo
10% do valor da avaliação do imóvel.
Como ocorre na faixa de financiamento
popular, o pretendente ao empréstimo não pode ser proprietário
de imóvel residencial no município que reside e nem deter
financiamento, concedido pelo SFH, em qualquer lugar do país.
Juros
Para o cotista do FGTS que tem renda familiar menor que R$ 4,9 mil, a partir
deste mês, também terá vantagem para pegar empréstimo
com recursos do fundo. Será concedido desconto de meio ponto percentual
na taxa de juros. Essa redução só vale para novos contratos.
Com isso, para a faixa de renda
de R$ 1.875 a R$ 4.900, a taxa de juros fica em 7,66% ao ano, mais TR.
Para renda menor de R$ 380 a R$ 1.875, a taxa de juros fica em 5,5% ao
ano.
Para dar entrada no pedido
de empréstimo é preciso procurar uma agência da
Caixa Econômica Federal (CEF) com o extrato do FGTS, essas modificações
só estão disponíveis ara a este banco, os demais
ainda não operam desta forma. (André Santos)
|
Agência Diap, 3 de
janeiro de 2008
Reforma tributária: uma luta
social
Por: Alcides Domingues Leite
Júnior*
O Sistema Tributário Brasileiro é ineficiente
e injusto. Ineficiente porque, apesar de arrecadar 35% do Produto Interno
Bruto (PIB), algo em torno de R$ 800 bilhões anuais, não
oferece contrapartida semelhante àquela oferecida em países
que têm carga tributária igual ou até menor do que
a nossa. No Chile, a carga tributária é de 18% do PIB;
no Japão, Estados Unidos e Coréia do Sul é de 26%,
e no Canadá 34%. Nesses países, os cidadãos têm
acesso a serviços públicos de qualidade bastante superior à ofertada
no Brasil.
Aqui, os que têm recursos optam por pagar pela educação,
saúde e segurança. Nestes outros países, esses fatores
são de qualidade razoável para boa parte da população,
já que somente uma parcela se dá ao luxo de contratar empresas
privadas para oferecer estes serviços. Aqui é uma necessidade,
lá é uma opção.
É bem verdade que muito
dos recursos tributários no Brasil foram usados para a extensão
do sistema público de educação, saúde e segurança,
sem contar o sistema de previdência e assistência social.
Faz pouco tempo que a maioria
da população não tinha sequer acesso a esses serviços.
Hoje, eles estão praticamente universalizados, com exceção
da previdência social, que depende da formalização
do mercado de trabalho. No entanto, embora universalizados, a qualidades
dos serviços ainda é sofrível.
O sistema tributário brasileiro é mal
distribuído em relação à fonte da arrecadação
e ao seu destino. Aqui, os tributos incidem mais sobre a produção
e mão de obra (70% do volume arrecadado) do que sobre a renda,
os lucros e a propriedade (30%). Isso desestimula produção
e a geração de emprego formal e estimula a acumulação
pessoal de riqueza. Nos países desenvolvidos, a proporção
arrecadada é de 56% com produção e mão de
obra e 44% com itens relativos à riqueza.
Ainda quanto à fonte de
arrecadação, no Brasil o pobre paga mais tributos, relativo à sua
renda, do que o rico. Os que ganham menos de dois salários mínimos
gastam cerca de 50% com tributos; entre oito e dez pagam cerca de 32%;
e os que ganham acima de vinte salários mínimos pagam por
volta de 26%. A regressividade do modelo tributário brasileiro é absurdamente
injusta.
Quanto ao destino dos recursos
arrecadados, após o repasse feito pela União aos demais
entes federativos, através do Fundo de Participação
dos Estados e Municípios, o bolo fica assim dividido: a União
fica com 56%; os estados com 26%; e os municípios com apenas 18%.
Como a educação básica (fundamental e média),
a saúde e a segurança pública são responsabilidade
dos Estados e Municípios, a participação desses
entes no bolo fiscal deveria ser maior. A implantação do
Sistema Único de Saúde (SUS) e do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento
do Ensino Básico (Fundeb) atenuaram o problema, mas não
corrigiu a injustiça distributiva.
Ainda que consideremos a carga
tributária necessária, uma vez que o Brasil tem imensas
carências sociais a serem superadas, nós não podemos
mais aceitar as ineficiências e as injustiças do atual Sistema
Tributário Brasileiro. A implantação de um imposto
sobre valor agregado que seja cobrado na ponta do consumo, desonerando
a produção e o trabalho formal e permitindo ao consumidor
saber exatamente quanto do preço final do produto adquirido refere-se
aos tributos, faz-se urgente. Assim, como necessária é a
implantação de uma tabela de Imposto de Renda com maior
número de faixas, com alíquotas menores para a classe média
e maiores para aqueles que têm ganhos muito altos. O problema da
guerra fiscal entre os entes federativos também deve ser eliminado.
Essa prática desorganiza a economia e prejudica o sistema de competição,
típico do modelo capitalista.
Como vimos, as mudanças
são necessárias. No entanto, a experiência nos mostra
que somente quando houver pressão popular; quando o assunto tributário
se tornar um tema eleitoralmente forte, é que o Congresso irá se
mover para aprovar os projetos de reforma tributária que estão
prontos para serem votados. Este problema é, sobretudo, uma questão
social que aflige os mais pobres. Chegou a hora de a população
se engajar nessa luta.
(*) Professor de Mercado Financeiro
do curso de Administração de Empresas na Trevisan Escola
de Negócios
|
Agência Diap, 3 de
janeiro de 2008
A dependência do Governo em
relação ao Congresso
Por: Antônio Augusto de
Queiroz*
O principal desafio do presidente
Lula no 2º ano de seu 2º mandato, além da unidade de
sua base política nas eleições municipais, será manter
uma relação harmônica com o Congresso, de quem passou
a depender após a rejeição da CPMF. Sem fontes alternativas
que permitam recuperar, ainda que parcialmente, os recursos perdidos
com a não prorrogação da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF),
o Governo terá dificuldades para ampliar os programas sociais
e promover os investimentos previstos no PAC - Programa de Aceleração
do Crescimento, os dois principais cabos eleitorais dos candidatos oficiais
em 2008 e, principalmente, em 2010.
A relação com o Congresso, portanto, passou a ser um elemento
determinante para o sucesso do mandato presidencial. Três fatores precisam
ser considerados nessa reaproximação com o Legislativo. O primeiro é que
os governadores perderam o controle sobre as bancadas federais, da Câmara
e do Senado. O segundo é que a fidelidade partidária passou a
ser uma realidade e o Governo não poderá mais contar com infidelidade
nos partidos da oposição, devendo negociar em novas bases, inclusive
com aliados. E o terceiro é que o prazo para aprovar sua agenda em 2008 é curto,
por força da eleição municipal no segundo semestre, quando
as disputas entre aliados serão inevitáveis.
E do sucesso do Governo Federal depende da eleição de prefeitos
e vereadores dos partidos aliados, que criarão as bases para a sucessão
do presidente Lula. Daí a reação cautelosa do Palácio
do Planalto à principal derrota do Governo nos últimos cinco
anos. O Governo se utilizará de todos os meios ao seu alcance para arrancar
do Congresso uma nova fonte de recursos para suprir as perdas da CPMF, sinalizando
até mesmo com uma ampla reforma tributária.
Apesar das aparentes limitações políticas e temporais
para aprovar algo de consistente no Congresso em ano eleitoral, poucas vezes
o ambiente esteve tão propício a reformas como a política
e tributária. O Governo tem pressa para aprovar essas reformas antes
do natural acirramento de posições políticas pela proximidade
da sucessão presidencial de 2010, assim como a oposição,
de ressaca com a rejeição da CPMF, deseja uma agenda positiva.
E ambos sabem que ou fazem no primeiro semestre de 2008 ou não farão
mais antes de 2011.
Além da necessidade do Governo e da vontade da oposição,
especialmente do PSDB, que possui reais chances de poder nos três níveis
de Governo, existe o desejo dos presidentes da Câmara e do Senado em
mostrar serviço no último ano de seus mandatos. Arlindo Chinaglia
(PT/SP) já antecipou uma ambiciosa agenda para a Câmara, que inclui
desde as reformas política e tributária, passa pela regulamentação
da edição de medidas provisórias até os projetos
de combate à violência. O recém-eleito presidente do Senado,
Garibaldi Alves Filho (PMDB/RN), que assume após a maior crise já vivida
pelo Senado, tem pressa em pacificar a Casa e recuperar sua imagem, substituindo
o clima beligerante entre Governo e oposição pela aprovação
das reformas de interesse do País.
Por todos esses motivos o bom senso tende a prevalecer. As razões para
promover as reformas política e tributária estão dadas.
A decisão do Supremo Tribunal Federal, que reconheceu que o mandato
pertence ao partido e não ao candidato eleito, numa atitude legiferante,
exigirá do Congresso uma normatização sobre a matéria,
sob pena de o Judiciário assumir as funções do Legislativo,
preenchendo as lacunas deixadas. E a rejeição da CPMF demonstrou
que a existência de despesas permanentes e receitas provisórias é uma
combinação perigosa, que coloca em risco a paz social no País,
exigindo do Governo e do Congresso uma solução definitiva com
uma reforma tributária duradoura.
(*) Antônio Augusto de Queiroz é jornalista,
analista político e diretor de Documentação
do DIAP – Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar
|
Congresso em Foco, 3 de janeiro de 2008
Governo anuncia plano para cobrir
CPMF
Valter Campanato/ABr

Governo anuncia corte nos gastos dos três Poderes e aumento das alíquotas
do IOF e da CSLL para cobrir o rombo de R$ 40 bilhões deixado com o
fim da CPMF.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Paulo Bernardo, apresentaram
ontem (02/01) as medidas que serão adotadas para compensar os R$ 40
bilhões que deixarão de ser arrecadados pelo governo com o fim
da Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF).
No campo tributário, a expectativa do governo é arrecadar R$
10 bilhões com o aumento de 0,38% do Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF) e da Contribuição Social sobre Lucro Líquido
(CSLL) dos bancos que passará de 9 para 15%. No caso do IOF, as medidas
valem tanto para pessoas físicas quanto para jurídicas. As operações
mobiliárias, no entanto, ficam isentas.
Segundo Guido Mantega, após a implementação dessas novas
alíquotas, o governo deve arrecadar apenas com o IOF R$ 8 bilhões
e R$ 2 bilhões com a CSLL.
“ O novo valor do IOF começará a valer a partir de amanhã (3).
Essa medida vai ser implementada por meio de decreto. Já o aumento da
Contribuição sobre o Lucro começará a valer só daqui
a três meses, uma vez que virá por meio de medida provisória
e precisa respeitar a noventena”, explicou Mantega durante coletiva de
imprensa realizada em Brasília.
Outra medida anunciada é a redução de R$ 20 bilhões
dos gastos nos três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário. “Todo
mundo terá que apertar o cinto”, disse Mantega.
Segundo o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, os cortes ainda serão
discutidos com o Congresso.
“ Na semana que vem, vamos ter uma reunião com o relator do Orçamento
no Congresso, deputado José Pimentel (PT-CE), para acertamos os detalhes.
Em princípio não gostamos de idéia de fazer cortes lineares,
em que recursos da educação e da saúde, por exemplo, possam
ser tirados".
Segundo ele, a orientação do presidente Lula é de preservar
os programas sociais e o Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC).
“Vamos ter que concentrar os cortes nos investimentos porque a maior parte
dos custeios estão nos programas sociais”, adiantou.
O restante do recurso estimado para compensar o valor arrecadado com a CPMF,
de acordo com Guido Mantega, virá do aumento da arrecadação
dos impostos. (Erich Decat)
|
O ESTADO DO PARANÁ,
03 de janeiro de 2008 | Cidades
Feriados prolongados serão raridades
em 2008
Nájia Furlan
A inserção de um dia a mais no calendário deste ano provocou
outras alterações, além de ampliar o mês de fevereiro.
Sendo ano bissexto, o dia 29 volta a aparecer, como ocorre a cada quatro anos.
Além disso, a mudança joga quase todos os feriados deste ano
para os finais de semana. Ou seja, o número de dias úteis será maior.
São 11 feriados, contando
com o de ano novo (confraternização universal), que já passou.
Desses, sete caem em dias úteis, três no domingo e um no
sábado. Em 2007, dos 11 feriados, dez foram em dias úteis
e apenas um - o dia de Tiradentes (21/04) - foi num sábado.
Se para os trabalhadores, que
terão chances de descansar mais apenas no primeiro semestre, isso
não é muito bom, para os patrões quanto mais dias úteis
melhor. Porém, de acordo com o economista Sandro Silva, do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese),
apesar de muitos pensarem que quanto mais dias trabalhados maiores são
produção e lucro, nem sempre é assim. “O trabalhador
também tem que ter o direito de descansar. Se pensarmos pelo lado
do lazer, menos descanso é algo negativo. Ele precisa desse intervalo,
pois isso também influencia na produtividade que pode ser menor”,
afirma. Segundo o profissional, essa questão dos feriados ainda
provoca uma discussão bastante polêmica entre patrões
e empregados.
Servidores
Conforme divulgado no Diário
Oficial da União de 27 de dezembro de 2007, para os servidores
públicos federais feriados nacionais são apenas oito. São
eles 1.º de janeiro, 21 de abril, 1.º de maio, 7 de setembro,
12 de outubro, 2 e 15 de novembro e 25 de dezembro. Os demais - 5 de
fevereiro, 21 de março e 22 de maio - são pontos facultativos.
Dos oito feriados nacionais considerados na portaria 855 do Ministério
do Planejamento, quatro caem em dias úteis. Para as demais categorias,
cabe o que está firmado nas convenções coletivas.

|
FOLHA DE LONDRINA, 03 de
janeiro de 2008 | Opinião
Os novos propósitos do presidente
Lula
Três anos são poucos mas suficientes
para a realização do que foi prometido na entrevista
Na entrevista exclusiva que concedeu ao repórter Fábio Cavazotti,
deste Jornal, o presidente Lula fala de obras que pretende realizar nos três
anos que lhe restam do segundo mandato, mas promessas idênticas ela fizera
ao assumir pela primeira vez (e eram a tônica dos discursos de todas
as suas campanhas anteriores) e nada de revolucionário aconteceu. Uma
revolução social e econômica era justamente o que o então
candidato e depois presidente-eleito apregoava.
Ele afirma ao repórter
que neste mandato (e um ano já se foi) vai privilegiar a educação,
com investimentos no ensino fundamental e na abertura de novas universidades
e de cursos profissionalizantes. E mais, que criará uma zona de
segurança sanitária animal nas fronteiras Brasil-Paraguai
e Brasil-Bolívia; que delimitará áreas para plantio
de cana, poupando as destinadas à produção de alimentos;
que criará uma Secretaria de Relações Internacionais
do Agronegócio e que trabalhará com afinco pela agricultura.
Estes são temas que interessam de perto ao Paraná, e o
anseio é que tais projetos sejam de fato concretizados. O povo
fica naquela expectativa de confiar desconfiando.
Uma boa intenção,
no caso da agricultura, é estabelecer um zoneamento agrícola
para garantir que a produção de etanol cresça em
bases sustentáveis, preservando áreas com mais aptidão
para a produção alimentar. Porque certas zonas não
podem ser sufocadas pela cana e nem assistir ao êxodo de produtores
que hoje diversificam culturas. Ótimo também que o presidente
Lula anuncie programas de incentivo para o desenvolvimento nesse campo.
São belos propósitos, e o que todos desejam e que isso
se concretize.
A iniciativa privada tem proporcionado
avanços em muitos setores, e cumpre ao governo que acompanhe esse
ritmo e implante as políticas disciplinadoras e incentivadoras
e que no mínimo não atrapalhe. O presidente exalta que
hoje existe um equilíbrio das contas públicas e que agora
seu governo vai dedicar-se também à cultura do investimento,
por via do PAC, que prevê um aporte de R$ 503 bilhões. Por
ora são ainda palavras.
É certo que o Brasil trilha
no rumo do desenvolvimento econômico, com melhor distribuição
de renda e mais respeito ao meio ambiente, como diz o presidente, mas
sabe-se que isto se deveu muito pouco a políticas governamentais
e sim ao arrojo e à marcha irreversível da iniciativa privada.
Porque nenhuma lei favorecedora foi criada nesse sentido e nem ocorreram
reformas de viciados sistemas vigorantes. Com todas as boas intenções
do presidente Lula, o governo ainda cumprimenta com o chapéu alheio.
Se a administração
Lula cortar os gastos dispensáveis, se começar a ocupar-se
menos de aumentar a receita (e o fim da CPMF acena com possíveis
surpresas desagradáveis), se partir realmente para o investimento
produtivo, poderá ainda melhorar sua desgastada imagem e consagrar-se.
Três anos não são muito, mas suficientes para realizar
tudo o que foi prometido na entrevista, se o governo deseja mesmo tornar
realidade o que anuncia e se apressar.
|
Agência Diap, 3 de
janeiro de 2008
CICLO DE CRESCIMENTO
Após 12 anos, Governo prevê queda
no déficit da Previdência
O ano de 2007 pode ter sido o último
de um longo ciclo para a Previdência Social do país. Medido
como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), o déficit
do regime – que desde 1996 cresceu todos os anos, com exceção
de 2000 – entrará em trajetória de queda a partir
de 2008, acredita o Governo.
Se a economia se comportar como esperado, favorecendo a expansão da
massa salarial e de postos formais de trabalho, o ciclo que se inicia também
pode ser longo. "Se tudo der certo, as necessidades de financiamento do
regime cairão gradualmente em relação ao PIB, por uma
ou até duas décadas", disse o secretário de Políticas
de Previdência Social do Ministério da Previdência, Helmut
Schwarzer.
Ele prevê que, já em 2011, a relação déficit/PIB
estará em torno de 1,3%. Isso representaria queda de meio ponto percentual
em relação a 2006, quando as despesas com o pagamento de benefícios
superaram a receita líquida de contribuições previdenciárias
em montante equivalente a 1,8% do produto.
Para 2007, Helmut projeta déficit de R$ 46,65 bilhões, com despesas
de R$ 185,95 bilhões e uma arrecadação de R$ 139,3 bilhões.
Esse resultado corresponde a 1,84% do PIB, se considerada a última estimativa
de PIB nominal feita pela equipe econômica. O secretário pondera,
no entanto, que o crescimento do déficit por mais um ano está influenciado
pela mudança no calendário de pagamento de benefícios,
fator que antecipou para dezembro gastos que seriam feitos só em janeiro
deste ano (2008). Sem esse efeito, o rombo ficaria próximo de 1,72%
do PIB em 2007.
Virada
Tanto governo quanto Congresso apostam numa virada de tendência este
ano. No projeto original do orçamento de 2008, encaminhado em agosto,
o Executivo previu déficit de R$ 41,6 bilhões – ou 1,51%
do PIB nominal estimado na mesma proposta. O Congresso foi ainda mais otimista
e reduziu a projeção para 1,35% do PIB. O percentual ficou menor
pela reestimativa de receitas previdenciárias e do aumento do PIB nominal
projetado para 2008. Mesmo com ajustes na despesa, o déficit esperado
caiu nominalmente para R$ 37,2 bilhões na nova versão do projeto,
ainda em tramitação.
Na visão do governo, as perspectivas para a Previdência Social
são favoráveis não apenas pela aceleração
do crescimento, mas também por suas características, pois o país
cresce com aumento de massa salarial e formalização de empregos,
o que favorece a arrecadação de contribuições previdenciárias.
Na comparação dos primeiros onze meses de 2006 e 2007, por exemplo,
a arrecadação líquida da Previdência demonstrou
aumento vigoroso, de 9,2% acima da inflação do Índice
Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Também houve elevação
de despesas, principalmente por causa do aumento do salário mínimo,
ao qual é atrelada a maioria das aposentadorias e pensões do
Instituto Nacional de Seguro Social. Mas o ritmo, nesse caso, foi menor; os
gastos cresceram 6,3% acima da inflação. (Fonte:
Valor Econômico)
|
Folha de São Paulo,
3 de janeiro de 2008
Lula dribla legislação
eleitoral para ampliar o Bolsa Família
A três dias do fim de 2007, governo
estendeu benefício a pessoas de 16 e 17 anos | Proposta ficou
parada no Congresso, e Planalto editou medida provisória porque
lei restringe aumento de gastos em ano eleitoral
KENNEDY ALENCAR
ANGELA PINHO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Para driblar restrições
da legislação eleitoral, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva editou, a três dias do final de 2007, uma MP (medida
provisória) para ampliar o Bolsa Família, o principal programa
social do governo. Lula deu um bônus de R$ 30 reais para adolescentes
de 16 e 17 anos. Antes, o benefício era concedido a famílias
com crianças de até 15 anos, no limite de até três
beneficiadas.
A proposta de ampliação do Bolsa Família foi enviada ao
Congresso em outubro por meio de projeto de lei. Mas sua tramitação
ficou parada porque a Câmara dos Deputados teve a pauta paralisada por
outras MPs e pela ordem política do governo de priorizar negociações
com a oposição no Senado para tentar aprovar a CPMF até 2011.
Como a Câmara não apreciou o projeto, Lula resolveu concretizá-lo
via MP ainda em 2007 para evitar questionamentos judiciais com base na legislação
eleitoral. Como haverá eleições municipais neste ano,
há restrições para gastos do governo.
A lei nº 11.300, criada em 2006, proíbe durante todo ano eleitoral
a distribuição gratuita de "bens, valores ou benefícios" por
parte da administração pública, com exceção
dos casos de calamidade pública, estado de emergência ou "programas
sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária
no exercício anterior".
Avisado por auxiliares de que a lei 11.300 poderia impedir a ampliação
do Bolsa Família para adolescentes de 16 e 17 anos, Lula decidiu publicar
medida provisória em edição extra do "Diário
Oficial" da União do último sábado, dia 29, com data
retroativa a sexta-feira, dia 28.
A MP aumentou o valor máximo do benefício do Bolsa Família
de R$ 112 para R$ 172, no caso de uma família que tenha três filhos
de até 15 anos e dois de 16 ou 17 - o número máximo de
beneficiados.
Em detalhes, são R$ 58 de benefício básico, mais R$ 18
por adolescente de até 15 anos e R$ 30 para cada um de 16 ou 17. Com
a MP, as famílias já podem pleitear o bônus.
Dividendo político
Na avaliação de Lula, a ampliação do Bolsa Família
trará dividendos políticos ao seu governo e aos candidatos nas
eleições municipais que pertençam aos partidos que compõem
a sua base de apoio no Congresso Nacional.
O presidente crê que não prosperará eventual questionamento
judicial da oposição com base na lei 11.300.
Segundo auxiliares, Lula acredita que tentar impedir a ampliação
do Bolsa Família seria um tiro no pé da oposição
em pleno ano eleitoral.
Em setembro, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
havia estimado a inclusão de 1,7 milhão de jovens com essa mudança.
Ontem, a assessoria de imprensa da pasta disse que esse número deverá crescer.
A proposta de Orçamento da União para 2008 enviada ao Congresso
prevê R$ 700 milhões para a ampliação do Bolsa Família.
O valor total previsto para o programa é de R$ 10,4 bilhões -20,5%
maior do que o de 2007.
De acordo com o Ministério de Desenvolvimento Social, o aumento decorre
do reajuste de 18,25% das bolsas concedido em agosto e da extensão do
benefício aos adolescentes de 16 e 17 anos. Além dessa medida,
a MP publicada no dia 30 institui ainda mudanças no Projovem, como a
ampliação da idade máxima de 24 para 29 anos para receber
a bolsa de R$ 100.
|
FOLHA DE LONDRINA, 03 de janeiro de 2008 |
Mundo
Começa corrida para a Casa
Branca
Des Moines - A mais longa e mais ambicionada campanha presidencial na história
dos Estados Unidos enfrenta seu primeiro momento da verdade hoje, quando os
eleitores do Iowa, um pequeno estado rural no coração das grandes
planícies, escolhem seus favoritos.
As várias e contraditórias pesquisas publicadas no primeiro dia
do ano não fazem mais do que refletir a grande incerteza reinante no
que será a primeira consulta popular para democratas e republicanos
poderem designar seu candidato presidencial. Entre os democratas, o jovem senador
por Illinois Barack Obama e a ex-primeira-dama Hillary Clinton protagonizam
um duelo acirrado. Do lado republicano, o ex-governador do Arkansas Mike Huckabee
vence o ex-governador de Massachussetts Mitt Romney em duas pesquisas.
Mas o Iowa, com menos de três milhões de habitantes, pode destruir
ou impulsionar a campanha de um candidato. Não é a toa que os
oito concorrentes passaram a noite de réveillon no Estado, o qual percorreram
outras vezes nessa terça-feira, depois de inúmeros atos eleitorais
e milhões de dólares investidos nos útimos meses.
|
ÂMBITO JURÍDICO,
03 de janeiro de 2008
É possível realizar perícia
no início da execução
Não configura erro de procedimento do Juízo a determinação
de realização de perícia em processo de execução
fundado em título executivo extrajudicial, quando existir séria
controvérsia sobre o fato de a obrigação já estar
cumprida. Assim decidiu o Órgão Especial do TRT-MG, com base
em voto da desembargadora Cleube de Freitas Pereira, ao negar provimento a
agravo regimental interposto pelo Ministério Público do Trabalho,
que alegava erro de procedimento do juiz da Vara que determinou a realização
de perícia em ação de execução movida contra
empresa acusada de descumprir Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).
No processo principal, ao invés
de determinar a citação imediata da reclamada para pagar
a multa diária requerida pelo MPT, o Juízo de 1º grau
optou por designar audiência conciliatória, na qual foi
colhida defesa e determinada a realização de uma perícia
para verificar a real situação da empresa, já que
esta alegou que o TAC estava sendo regularmente cumprido. No agravo regimental,
o MPT pretendia a cassação da decisão do Corregedor
em exercício, que reconheceu a juridicidade do procedimento adotado
pelo juiz da Vara. Alegava ser impossível a realização
de perícia no início de um processo de execução,
já que a questão só pode ser discutida em embargos à execução.
Segundo esclarece a desembargadora
relatora, a CLT estabelece nos artigos 876 e 884 a maneira como se dará a
execução em acordos firmados com o Ministério Público
do Trabalho. Mas ela entende que o juiz pode adotar outras medidas para
decidir em algumas situações peculiares: “Ele não
pode cominar multa contra uma empresa ou exigir a garantia do Juízo
para a oposição de embargos, sem, sequer, averiguar se
a obrigação que ela alega ter cumprido fielmente foi, ou
não, desrespeitada”, ressaltou, acrescentando que o rito
ordinário pode ser aplicado à execução de
forma subsidiária, como previsto no artigo 598, do CPC e no Provimento
nº 01/01 do TRT-MG, que institui o poder/dever do Juízo de
analisar os requisitos indispensáveis à execução,
antes de determinar o cumprimento dos atos executórios.
A desembargadora salientou que
não houve desrespeito ao artigo 880, da CLT e nem subversão
de atos processuais, mas apenas a determinação de realização
de diligência que o Juízo entendeu indispensável
para uma perfeita prestação jurisdicional, com respeito
ao princípio da ampla defesa: “A situação
reflete apenas o zelo e a diligência do Juízo que deve primar
pela observância não apenas de um dos princípios
aplicáveis no âmbito desta Especializada (celeridade), mas
de todos os demais princípios contidos na Constituição
da República, como os da ampla defesa e do contraditório
(artigo 5º, inciso LV)” - finalizou.
( nº 00833-2007-000-03-00-9
)
Fonte: TRT3

|