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O
ESTADO DE SÃO PAULO, 04 de janeiro de 2008 | Economia & Negócios
Emprego crescerá em 2008, mas recuperação
salarial perderá fôlego
Segundo especialistas, a renda deverá crescer
menos que em 2007 e será prejudicada pela alta de preços
Eduardo Nunomura

As primeiras previsões para 2008 indicam que o emprego estará em
alta em vários setores produtivos no País. Uma sondagem da FGV,
por exemplo, mostrou que dois terços das indústrias pretendem
contratar funcionários até fevereiro. A construção
civil, em particular, projeta bater recordes na contratação de
mão-de-obra. O setor automotivo planeja ultrapassar 3 milhões
de veículos fabricados, o que significa mais postos de trabalho. Novas
siderúrgicas entram em operação, tudo para fazer frente
ao crescimento de 10,8% na produção de aço bruto para
2008 - a meta é praticamente dobrar a capacidade produtiva até 2012.
Uma projeção
da LCA Consultores aponta que os novos empregos com carteira assinada
devem fechar 2008 próximos ao 1,7 milhão de 2007. O ministro
Carlos Lupi discorda: “Alcançaremos sim os 2 milhões
de empregos, isso porque o investimento é maciço.” Há quem
fale em números maiores para a geração de empregos,
dependendo do desempenho da economia. Mas, mesmo com tanta confiança,
não há ninguém muito otimista com o aumento dos
salários.
A expansão do emprego
tende a ser maior para quem tem mais estudo, vive fora das metrópoles
e recebe menos de 2 salários mínimos ou na faixa de 5
a 10 salários. E a renda do trabalhador das regiões metropolitanas
em novembro deste ano, R$ 1.143,60, é ainda inferior aos R$
1.167,96 do mesmo mês de 2002. Segundo o Dieese, o valor mínimo
para atender todas as necessidades básicas de um brasileiro
são R$ 1.726,24 mensais.
É nesse contexto de
mais empregos, porém com a média dos salários
ainda em rédea curta, que o brasileiro vive a retomada do crescimento
da economia. Em 2007, aumentou o emprego formal e diminuiu o desemprego.
A taxa de desocupação de 8,2% em novembro foi a menor
desde março de 2002. Lentamente, o País vai gerando mais
postos de trabalho do que o ingresso de novos trabalhadores no mercado.
A evolução da
renda real, porém, está sujeita às pressões
inflacionárias. O poder aquisitivo continuará submetido
a teste em 2008, quando é provável que as tarifas de
serviços públicos voltem a subir após a evolução
desfavorável dos IGPs (que fecharam 2007 acima de 6%).
Por isso, a avaliação
do analista Fábio Silveira, da RC Consultores, é de que
apesar de continuar em crescimento, a massa real de rendimento dos
brasileiros desacelere nos próximos anos. “Para 2007,
estimou-se um aumento da massa real de rendimentos (MRR) de 6%, com
crescimento de 3% no pessoal ocupado. Para 2008, o pessoal ocupado
também deve crescer 3%, porém a MMR deve crescer apenas
5%.” Em 2009, ainda menos: 4%.
SETORES EM EXPANSÃO
A Confederação
Nacional da Indústria previu crescimento de 5% para os PIBs
brasileiro e industrial, de 14% dos investimentos e de 6,2% do consumo
das famílias no próximo ano. É quase uma cópia
dos dados reais da economia do terceiro trimestre de 2007, divulgados
pelo IBGE. “A expectativa para 2008 é que serviços,
comércio e a indústria de transformação
liderem a geração de empregos seguidos pela construção
civil”, diz Lupi.
“O fantasma do desemprego
está menos assustador”, resume o economista Fábio
Romão, da LCA Consultores. Como outros especialistas, ele prevê que
a construção civil será o grande destaque em 2008.
O Sinduscon de São Paulo informa para crescer a meta de crescer
10,2% este ano, 300 mil vagas têm de ser criadas. O setor emprega
hoje 1,8 milhão de trabalhadores com carteira assinada e 3,7
milhões informais. O PIB brasileiro deve crescer 5% em 2007.
O da construção prevê 7,9%.
O crédito puxou o crescimento,
junto a juros em queda e inflação baixa. Com o novo cenário,
o setor precisou se capitalizar. Em 2007, 14 empresas fizeram IPOs
e captaram R$ 8,1 bilhões.
A MRV Engenharia foi a recordista,
captando R$ 1,2 bilhão. “Um dos nossos gargalos para crescer
mais era capital”, afirma o vice-presidente de relações
institucionais, Leonardo Correa. Este ano, a empresa que foca os imóveis
de baixa renda triplicou de tamanho e lançou R$ 1,1 bilhão
em novas unidades. A meta para 2008 é dobrar de tamanho também
em mão-de-obra: chegar a 6,7 mil empregados.
Em dezembro de 2006, a engenheira
civil Cassia Gadioli, de 30 anos, foi transferida da MRV em Belo Horizonte
para São Paulo e percebeu a ebulição do setor.
Havia três edifícios em construção no bairro
onde foi morar. “Enche os olhos ver a economia girando, estagiários
sendo efetivados e funcionários chegando o tempo todo”,
diz.
Para o economista da CNI Paulo
Mol, o setor alimentício, que representa 20% de todo o emprego
nas indústrias, vai continuar se expandindo, sobretudo por causa
dos mercados sucroalcooleiro e de carnes e o consumo das famílias.
A indústria de transformação também sinaliza
boas perspectivas - a LCA Consultores prevê 45 mil novos postos
na metalurgia. “Hoje, a capacidade produtiva das indústrias é muito
melhor e o crescimento, mais sustentável”, diz Mol.
A atual utilização
da capacidade instalada é de 84,3%, o nível mais alto
já registrado, mas não assusta, porque dá sinais
de arrefecimento. Além disso, 85% das empresas com planos de
expansão em 2007 fizeram investimentos. Em 2008, será a
vez desses investimentos se traduzirem em mais empregos.
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FOLHA DE LONDRINA, 04 de
janeiro de 2008 | Economia
Cesta básica aumentou 18,25%
em um ano
O preço da cesta básica
em Londrina aumentou 18,25% nos últimos 12 meses. No dia
dois de janeiro de 2007, o kit composto por 13 produtos custava
R$ 148,92 para uma pessoa e R$ 446,76 para uma família de
quatro pessoas (dois adultos e duas crianças). Na última
pesquisa realizada, os valores foram de R$ 176,09 e R$ 528,28,
respectivamente.
Segundo o economista Flávio
Oliveira dos Santos, coordenador do levantamento mensal realizado por
alunos do curso de Administração de Empresas da faculdade
Metropolitana Iesb em 10 supermercados da cidade, dos 13 itens apenas
três apresentaram queda - açúcar (36%), carne (4,98%)
e arroz (3,81%). Os alimentos que mais puxaram a alta foram feijão
(242,21%), batata (86,12%) e margarina (30,02%).
Na avaliação mensal,
em dezembro a cesta básica registrou alta pela quinta vez consecutiva.
O reajuste foi de 4,85% em relação ao mês anterior.
Em novembro, a pesquisa apontou reajuste de 5,65%. Os produtos que contribuíram
para a alta foram tomate (126,16%), feijão (26,06%), banana (14,75%), óleo
de soja (12,49%), café (9,49%), margarina (8,37%), pão
(2,84%) e leite tipo C (2,58%). Já a carne (- 11,62%), a batata
(- 7,59%), a farinha (-5,26%), o arroz (-2,56%) e o açúcar
(- 0,42%) apresentaram queda. ''Caso o preço da carne não
tivesse caído, o custo da cesta básica seria ainda maior'',
analisa o economista.
De acordo com Santos, fatores
climáticos (calor excessivo) e a alta demanda devido às
festas de final de ano explicam a majoração do tomate.
Já as sucessivas altas do feijão, segundo o economista,
devem-se à entressafra e à ausência de um estoque
para regular o preço da leguminosa. ''A tendência é que
com o início da safra o produto tenha redução a
partir de fevereiro'', projeta o especialista.
Em dezembro, o custo da cesta
básica para uma pessoa ficou em R$ 176,09 e para a família
R$ 528,28. Conforme o levantamento, no supermercado mais caro o preço
do kit básico custou R$ 562,09 - família e R$ 187,36 -
individual. Já no mais barato, a cesta saiu R$ 471,68 e R$157,23,
respectivamente. ''A diferença de preços entre um supermercado
e outro ainda é significativa e segue valendo a dica para o consumidor
fazer a pesquisa de preço e, assim, forçar a redução
da cesta básica'', orienta Santos.
Consumidoras entrevistadas pela
FOLHA em um supermercado da cidade apontaram novamente o feijão
como o produto com preços mais assustadores. ''Comprei a R$ 6,
o quilo. Isso é um absurdo'', critica a auxiliar de cozinha Gracil
Aqua. Morando sozinha, a aposentada Kioko Misihida destaca além
do feijão, a alta do tomate e algumas folhas.
A auxiliar de serviços
gerais Fátima Siqueira Pádua compara o feijão a
ouro. ''O óleo também aumentou - já estou pagando
R$ 2,85 na lata. Somos em cinco pessoas em casa e o consumo é de
quatro quilos de feijão por mês. Temos comido menos a leguminosa
na janta e começamos a consumir mais fubá, polenta e salada'',
conta. Para a conta do supermercado não doer tanto no bolso, a
dica da consumidora é pesquisar em pelo menos quatro estabelecimentos
e escolher os produtos em promoção.
Caroline Vicentini
Reportagem Local
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DIÁRIO DE NATAL, 04
de janeiro de 2008 | Economia
Construção Civil: Novas
regras do FGTS impulsionarão o setor
As novas regras de financiamento habitacional através de recursos do
Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) serão mais um ponto
para a evolução do setor de construção civil neste
ano. A avaliação é do Sindicato da Indústria da
Construção Civil (Sinduscon RN) que espera que em 2008 as classes
D e E entrem no grupo de compradores de imóveis impulsionados por um
crescimento no poder aquisitivo da população e das boas oportunidades
de negócios. Pelas novas regras definidas pelo Conselho Curador do FGTS
- que começaram a valer na quarta-feira - os financiamentos são
expandidos para trabalhadores com renda maior de R$ 4,9 mil.
O limite de valor do imóvel
que pode ser adquirido também passa a ser maior (R$ 350 mil) e
o empréstimo pode chegar a R$ 245 mil. Antes, o empreendimento
poderia custar até R$ 130 mil e só podiam participar cotistas
com renda até R$ 4,9 mil. Com a mudança, o conselho do
fundo de garantia quer beneficiar parte dos titulares de contas vinculadas
que não eram atendidos por outros financiamentos do FGTS voltados
para a habitação popular.
O diretor de comunicação
e marketing do Sinduscon, Carlos Luiz Cavalcanti, acredita que a mudança
será positiva para a população e para o setor. Ontem,
ele esteve na Caixa Econômica Federal em busca de mais informações,
mas a agência local ainda não possuía as diretrizes
da ação. Entretanto, ele acredita que até a próxima
semana o banco já tenha condição de fornecer mais
informações. ‘‘Ainda não temos nada
da Caixa em mãos, mas - pelo o que pude ler na imprensa - a mudança
será positiva para o setor. A elevação dos limites
e os juros poderão contemplar uma parcela muito maior de pessoas’’.
Para a nova linha de crédito,
foi disponibilizado R$ 1 bilhão somente em 2008. As taxas de juros
são de 8,66% ao ano e o prazo de pagamento irá até 360
meses. Este é o prazo máximo dos empréstimos feitos
por meio da Caixa. Para ter acesso, o trabalhador deve ter contribuído
no mínimo três anos sob o regime do FGTS e saldo na conta
vinculada de no mínimo 10% do valor do imóvel.
E as perspectivas são
boas para o Sinduscon. Cavalcanti lembra que, mundialmente, em países
que passaram por processos de abertura de crédito, o setor de
construção teve um crescimento muito rápido. O
diretor do sindicato acredita que os números esperados para
o setor devem ser ultrapassados logo. ‘‘Aqui no RN contamos
com incorporadores de fora que estão chegando e vão ofertar
uma grande quantidade de imóveis. Além disso, as possibilidades
de financiamento estão se ampliando, com o aumento da concorrência
que dá ao consumidor maior oportunidade de escolha’’.
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O ESTADO DO PARANÁ,
04 de janeiro de 2008 | Economia
Emprestar dinheiro fica mais caro
Rosângela Oliveira [04/01/2008]
Se por um lado a grande maioria
da população comemorou o fim da cobrança da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF),
agora sentirá no bolso o peso das novas medidas anunciadas pelo
governo federal para compensar o fim do tributo. Entre elas, o aumento
da alíquota do Imposto Sobre Operações Financeiras
(IOF) e da Contribuição Social sobre Lucro Líquido
(CSLL). Para os especialistas, as medidas irão tornar mais caro
o custo do dinheiro e devem contribuir para ampliar as taxas cobradas
pelos bancos.
“Com isso, o maior impacto
será sentido pela população em geral - classes média
e baixa - pois o IOF é cobrado em todos os empréstimos.
E só não paga quem tem dinheiro para comprar à vista”,
afirma o vice-presidente de Relações Institucionais e com
os Associados do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças
(IBEF), Nelson Luiz Paula de Oliveira. Já em relação
ao aumento da alíquota da CSLL, Oliveira acredita que os bancos
deverão repassar esse aumento para os clientes. “Eles não
poderão criar taxas diferenciadas, mas o repasse da CSLL poderá vir
através de aumento de taxas de empréstimos ou tarifas”,
comentou.
Para o presidente do Instituto
Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Gilberto Luiz do
Amaral, as medidas terão pequeno impacto na carga tributária,
cerca de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) - que incluem o IOF, a CSLL
e as novas alíquotas da Previdência anunciadas na semana
passada. “Nós estamos projetando que a carga tributária
fecha em 37% em relação ao PIB. Com a queda da CPMF ela
passaria para 31,2%, porém, com o aumento do IOF ficará em
35,4%”, comentou. Já os bancos pagaram, em 2006, de CSLL
R$ 2,95 bilhões, e em 2007 isso passou para R$ 4,7 bilhões.
A expectativa do governo com a mudança da alíquota de 9%
para 15% é aumentar em mais R$ 2 bilhões a arrecadação.
Amaral também não descarta que essa diferença deverá ser
repassada aos correntistas.
Na avaliação
do representante do IBEF por trás das medidas do governo existe
uma intenção de tentar reduzir o consumo para manter
os níveis de inflação. “As vendas estão
aquecidas, e a preocupação é controlar o crédito
já que o governo está com medo da tendência de
inflação”, ponderou Nelson Oliveira. Mas no entendimento
do presidente do IBPT a medida sozinha não terá o efeito
necessário, “porque o brasileiro faz as contas de quanto
vai pagar de prestação e não sobre os juros embutidos”.
Para Amaral, as mudanças fazem parte da política monetária,
onde se aumenta o crédito sem aumentar a taxa básica
de juros.
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Folha
de São Paulo, 4 de janeiro de 2008
IOF pesará mais que a CPMF no crédito
Tributaristas têm dúvida sobre alcance
de medidas para consumidor, como gastos no cartão de crédito
internacional | Imposto sobre Operações Financeiras também
afeta contratação de seguros que antes tinham alíquota
zero, como os obrigatórios
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
Para o consumidor que
faz financiamento, o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)
deverá pesar consideravelmente mais no bolso do que sua perda
com a CPMF. Na média, operações de crédito
a partir de um ano ficarão 1,5% mais caras. Isso sem contar
a incidência adicional de 0,38% prevista para ser aplicada
no momento da liberação do recursos, conforme afirmou
anteontem o ministro Guido Mantega.
Nas contas da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças),
o consumidor que financiasse em 60 meses um carro com preço à vista
de R$ 25 mil e juros de 2% ao mês economizaria, sem a CPMF, um total
de R$ 2,81 ao mês -o equivalente a R$ 168,60 ao longo dos 60 meses. Com
o IOF elevado de 1,5% para 3%, o mesmo consumidor deverá pagar mais
R$ 1.387,80. No final, desembolsará mais R$ 1.219.
" O IOF vai penalizar mais do que o ganho sem a CPMF. Quanto maior o prazo,
maior o custo de financiamento. Agora, quem paga à vista sai ganhando
sem a CPMF", disse Miguel Oliveira, diretor da Anefac.
Outro impacto significativo terão as compras e o saque de dinheiro no
exterior com cartão de crédito internacional. No caso de uma
compra de US$ 100, o consumidor pagava R$ 3,52 de IOF com um câmbio de
R$ 1,76 e o imposto de 2%. Com o IOF de 2,38%, passará a pagar R$ 4,18
-aumento de 18,75%.
Segundo advogados tributaristas, não ficou clara a situação
dos consumidores que fizeram compras no exterior em dezembro pelo cartão,
mas cuja fatura fechará em janeiro, já quando vigora o imposto
maior. Tributaristas evitaram falar ontem sem a publicação das
medidas no "Diário Oficial", que foram divulgadas no final
da noite. Entrevista com técnicos da Receita para explicar as medidas,
prevista para ontem, foi adiada para hoje.
Até ontem, uma das maiores dúvidas dos tributaristas era se o
IOF maior incidiria sobre as aplicações financeiras, como os
fundos de investimento e os CDBs, que têm imposto de até 1,5%
para resgate antes de 30 dias. A publicação não mexeu
nos investimentos. Valem as alíquotas de IOF de 2007.
O IOF também subirá 0,38 ponto percentual no valor dos prêmios
de seguros. No caso do seguro-saúde, passará de 2% para 2,38%.
O IOF também passará a incidir em seguros obrigatórios,
aeronáutico, de responsabilidade civil, rural, entre outros, que hoje
têm alíquota zero. Com o aumento linear, todos esses produtos
terão recolhido 0,38% sobre o valor dos respectivos prêmios.
O aumento do IOF valerá somente a partir do contrato de novos financiamentos,
mesmo no caso de consumidores que tenham boletos prefixados para o pagamento,
por exemplo, de carros financiados. Alvaro Taiar, tributarista da consultoria
PriceWaterHouse&Coopers, lembra que a mudança incide apenas em novas
contratações porque o IOF já foi recolhido pelo banco,
mesmo que esteja diluído ao longo das prestações para
o consumidor.
Para Taiar, a exceção valerá para o cheque especial e
para os juros rotativos do cartão de crédito que configuram nova
contratação sempre que o cliente precisar do serviço.
" Nenhum tributo pode ser cobrado sobre prazos pretéritos",
disse Tiziane Machado, da Machado e Associados.
A advogada afirma que o IOF pode no máximo atingir os setores em que
há alíquota prevista, mas que hoje está zerada. "Não
atingirá as operações isentas, somente as que têm
alíquota zero, que podem subir por medida administrativa. Para as operações
em que concede isenção, terá de mudar a lei."
De acordo com Taiar, o IOF e o IPI foram criados com maior maleabilidade em
suas alíquotas para permitir uma intervenção em eventuais
distorções da economia, como abusos por dumping. "Não
deveria ser utilizado para aumentar a arrecadação, como claramente
acontece agora", disse.
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Congresso
em Foco, 4 de janeiro de 2008
Oposição promete dar resposta
ao governo no Congresso
Líderes da oposição no Congresso
se dizem traídos com medidas anunciadas pelo governo e prometem "cerrar
fileiras" pela não aprovação da CSLL.
A iniciativa do governo de aumentar as alíquotas
do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e da Contribuição
Social sobre Lucro Líquido (CSLL), além da previsão
de cortes nos gastos dos três Poderes, anunciadas ontem (2), é um
gesto de traição, disse ao Congresso em Foco, o líder
dos Democratas no Senado, José Agripino Maia (RN). As medidas
têm como objetivo compensar o rombo de R$ 40 bilhões deixado
com o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF).
“O presidente Lula disse que não haveria nenhum pacote e já no
segundo dia do ano anuncia essas medidas”, reclamou o senador.
A expectativa do governo no campo tributário é arrecadar R$ 10
bilhões com o aumento de 0,38% do IOF e da CSLL dos bancos que passará de
9% para 15%. No caso do IOF, as medidas valem tanto para pessoas físicas
quanto para jurídicas. As operações mobiliárias,
no entanto, ficam isentas.
Procurada pela reportagem, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban),
por meio de sua assessoria, disse que a entidade ainda avalia os reflexos das
novas medidas.
Medida Provisória
Apesar do IOF entrar em vigor por meio de decreto presidencial, o que deve
ocorrer hoje (3), a CSLL precisará ser apreciada pelos parlamentares
para ser aprovada.
“A CSLL será levada ao Congresso por meio de medida provisória
e nós vamos cerrar fileiras para derrubá-la”, garantiu Agripino
Maia.
Segundo ele, só haverá negociação se o governo
recuar. “Não houve nenhum dialogo. O presidente Lula começou
o ano esticando a corda”.
Surpresa
De férias na Espanha, o líder do bloco parlamentar da minoria
no Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), foi pego de surpresa com o anúncio
das novas medidas que além de aumentar a alíquota de impostos,
prevê cortes de R$ 20 bilhões nos três Poderes. O restante
do recurso estimado para compensar o valor arrecadado com a CPMF, de acordo
com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, virá do aumento da arrecadação
dos impostos.
“ Não estava sabendo disso”, disse o senador à reportagem. “Mas
me parece que o governo está querendo criar a CPMF de outra forma e se
isso realmente estiver acontecendo, não iremos aceitar de forma alguma”,
ressaltou.
Quanto a postura do presidente Lula em não cumprir o que prometeu no
final do ano passado, quando disse que não haveria aumento de impostos,
para Torres isso não é novidade.
“ Nunca levamos a palavra do Lula em consideração porque
ela é sempre volúvel”. (Erich Decat)
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Gazeta do Povo, 4 de janeiro
de 2008
BRASIL | ORÇAMENTO
Governo suspende concursos até ajuste
das contas, diz Bernardo
Ministro garante que aumento do salário
mínimo está a salvo dos cortes previstos
Valter Campanato/ABr

Paulo Bernardo assegurou que cortes atingirão ministérios e emendas
parlamentares e não o PAC.
Brasília – O governo
federal irá suspender a realização de novos concursos
para contratações de servidores públicos até que
esteja seguro em relação à manutenção
do equilíbrio das contas públicas. O Planalto anunciou
na terça-feira que pretende reduzir seus gastos em R$ 20 bilhões
para compensar parte das perdas causadas pelo fim da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF),
que deveria arrecadar cerca de R$ 40 bilhões só neste ano.
“
A nossa decisão é segurar (a realização de novos
concursos) até o momento em que tivermos reequilibrado as contas”,
afirmou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, ontem, em entrevista
coletiva em Brasília.
O minipacote de medidas compensatórias também prevê o aumento
das alíquotas do Imposto sobre Operação Financeiro (IOF)
e Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL)
.Segundo o ministro, os concursos já autorizados serão feitos. “Os
concursos autorizados estão mantidos. Os novos não serão
publicados enquanto não reequilibrarmos o Orçamento.”
O ministro disse que se reunirá na próxima semana com o relator
e o presidente da Comissão do Orçamento do Congresso para discutir
os cortes na peça orçamentária de 2008. No entanto, Paulo
Bernardo adiantou que os cortes vão ser focados nos investimentos dos
ministérios e nos previstos pelas emendas parlamentares, não
afetando os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC).
Segundo ele, o governo enviou ao Congresso um projeto de lei orçamentária
com planejamento de investimentos de R$ 30 bilhões. Tradicionalmente,
acrescentou Paulo Bernardo, as emendas parlamentares somam a esse valor outros
R$ 15 bilhões em investimentos, totalizando R$ 45 bilhões. Como
R$ 18 bilhões desse total pertencem ao PAC, a tesoura do governo vai
se concentrar nos R$ 27 bilhões restantes.
Em 2007, o Orçamento teve uma execução recorde tendo empenhado
(compromisso de pagamento) 91% dos investimentos previstos. O PAC foi o principal
responsável pelo resultado. Segundo o ministro, dos R$ 35,6 bilhões
empenhados (eram previstos R$ 39,1 bilhões), um total de R$ 20 bilhões
foram efetivamente pagos, sendo metade de 2007 e a outra metade de restos a
pagar de 2006.
Salário mínimo
Paulo Bernardo disse ainda que, “até segunda ordem”, o aumento
do salário mínimo está a salvo dos cortes previstos no
Orçamento de 2008 para compensar a perda da receita da CPMF. O governo
pretende aumentar o mínimo de R$ 380 para R$ 408,90. “Temos acordos
com as centrais sindicais e vamos respeitá-los”, garantiu.
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Folha
de São Paulo, 4 de janeiro de 2008
Governo "guarda" R$ 41 bi e isola
pressão em Orçamento
Dinheiro foi empenhado no fim do ano passado,
mas só será gasto agora em 2008 | Ministro do Planejamento
afirma que reajuste do mínimo será mantido e que disputa
com oposição não vai afetar investimentos
Alan Marques/Folha Imagem

Paulo Bernardo, em entrevista ontem, diz que PAC não está ameaçado
e que oposição não pode administrar o país "lá da
praia"
SHEILA D'AMORIM
LUCIANA OTONI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A estratégia do governo de acelerar o empenho de recursos do Orçamento
da União nas últimas semanas do ano passado garantiu uma folga
recorde de R$ 41 bilhões que permitirá à equipe econômica
continuar gastando dinheiro que foi arrecadado ainda em 2007 enquanto negocia
a aprovação do Orçamento de 2008 no Congresso. O valor
supera os R$ 38 bilhões que o governo perderá de arrecadação
neste ano com o fim da cobrança da CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira).
Com isso, ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, o governo
tenta evitar ficar refém da oposição nos debates da proposta
orçamentária que já deveria ter sido aprovada e busca
assegurar o andamento de obras do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) num ano de eleições.
" Orçamento é igual Carnaval, todo ano tem. Às vezes
atrasa um pouco, mas vai aprovar", disse ontem o ministro Paulo Bernardo
(Planejamento), ao ao fazer um balanço da execução do Orçamento
de 2007. Segundo ele, os recursos reservados para serem gastos neste ano, chamado
de restos a pagar, foi o maior da história.
Boa parte dessas obras que devem render dividendos políticos nas urnas
só começaram a deslanchar nos últimos meses de 2007 e
uma paralisação por falta de orçamento neste início
de ano poderia comprometer a conclusão antes da disputa eleitoral nos
municípios.
Os R$ 41 bilhões anunciados incluem investimentos e despesas de custeio
em geral que estão assegurados justamente porque o governo separou o
dinheiro antes do encerramento do ano. Na virada de 2006 para 2007, o volume
de restos a pagar foi de R$ 28 bilhões.
Na época, o PAC não havia sido lançado. Em 2007, o governo
teve de retirar uma série de obstáculos que foram desde a falta
de projetos a impedimentos ambientais para conseguir iniciar obras essenciais
do programa, lançado em janeiro.
Do limite de R$ 39,1 bilhões estabelecido no Orçamento de 2007
apenas para investimentos, R$ 35,6 bilhões foram empenhados (tiveram
o valor para gastar comprometido). Mas só R$ 20,6 bilhões foram
efetivamente desembolsados pelo governo e, desse total, o PAC representou menos
da metade: R$ 7,2 bilhões. Inicialmente, o governo esperava gastar R$
16,5 bilhões no programa.
" Agora há maior velocidade nos pagamentos", comemorou Bernardo.
Segundo o ministro, a queda-de-braço com a oposição, iniciada
com as discussões sobre a CPMF e que deverá continuar nos debates
sobre o Orçamento de 2008, não ameaçará a continuidade
do PAC.
Mínimo
O ministro também afirmou que o reajuste do salário mínimo
será mantido para 2008 e que o governo honrará o acordo feito
com as centrais sindicais, de fazer a correção pela inflação
adicionada do PIB de dois anos anteriores.
Bernardo rebateu críticas da oposição sobre o caminho
encontrado pelo governo para recompor a perda da CPMF, com aumento de impostos.
" Estranho seria se os líderes da oposição dissessem
que vão ajudar o governo. Eles fazem a parte dele e temos que fazer a
nossa. O que não pode é a oposição querer administrar
o país, principalmente, lá da praia", disse, sem citar nomes.
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Gazeta do Povo, 4 de janeiro de 2008BRASIL
| 2007
PT é o partido com maior número
de filiações
Com 108 mil novas adesões em 2007, o PT, partido do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, foi o campeão de filiações
entre as 27 siglas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No total,
815 mil pessoas se associaram a partidos políticos no ano passado. O
número de filiados subiu de 11,58 milhões para 12,4 milhões,
em um universo de 127,2 milhões de eleitores. Segundo dados divulgados
pelo TSE em 2006, o PMDB tinha 2 milhões de filiados; o PP, 1,2 milhão;
o PSDB, 1,098 milhão e o PT, 1,048 milhão.
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Agência Câmara,
4 de janeiro de 2008
Projeto limita execução
de dívida trabalhista de sócios
A Câmara analisa o Projeto de Lei 870/07, do deputado Marcelo Guimarães
Filho (PMDB-BA), que limita a responsabilidade dos sócios por dívidas
trabalhistas executadas pela Justiça proporcionalmente à participação
dos mesmos no capital social da empresa. Pela proposta, esse limite independe
da comprovação de o sócio ter praticado fraude ou ato
ilícito.
Atualmente, segundo o autor,
a Justiça do Trabalho tem penalizado muitos sócios minoritários
de empresas, definindo o pagamento de valores acima da participação
societária. Para o deputado, "é injusta a integral
responsabilização de dívida de sociedade de determinado
sócio que detenha apenas parte de seu capital social".
Marcelo Guimarães Filho
defende que cada sócio deve responder pela proporção
exata do capital social, ainda que não tenha colaborado para a
formação da dívida. O texto define que os sócios
só poderão ser incluídos na ação no
caso de a empresa não ter bens suficientes para saldar a dívida
trabalhista.
Tramitação
O projeto tramita apensado ao PL 5140/05, que trata de assunto semelhante.
As propostas ainda serão analisadas pela Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania e pelo Plenário.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
04 de janeiro de 2008
Licença-maternidade de 6 meses
beneficia empresas, diz senadora
Marina Diana
As empresas que aderirem à extensão
da licença-maternidade só terão benefícios.
A afirmação é da senadora Patrícia Saboya
(PSB-CE), autora do projeto que prolonga o benefício de quatro
para seis meses. Aprovado em outubro no Senado, o projeto também
passou, em 8 de novembro, pela CCJ (Comissão de Constituição
e Justiça) da Câmara dos Deputados.
Em entrevista a Última
Instância, a senadora rebateu as críticas de que a ampliação
irá prejudicar as empresas e defendeu a importância do projeto
que aumenta o tempo de convivência entre as mães e seus
bebês. “O projeto foi discutido durante dois anos com todas
as classes, principalmente o empresariado, através Fiesp (Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo). Fizemos inúmeras
audiências públicas e só tivemos elogios da classe
empresarial”.
Além disso, a adesão é optativa
e negociada livremente entre empresa e trabalhadora. Mas, na hora de
acertar as contas com a Receita Federal, os empregadores poderão
descontar integralmente o que pagaram. As funcionárias, por sua
vez, receberão o salário todo. Em contrapartida, não
poderão exercer nenhuma atividade remunerada nos 120 dias em que
estiverem fora da empresa.
A senadora explica também
que, na ausência da empregada que está em licença-maternidade,
o empregador não sofrerá no bolso o preço dessa
dispensa. “O empregador já precisa contratar alguém
para ficar por quatro meses nesta vaga temporária. Só vai
aumentar mais dois meses Quem pagará por esses 120 dias excedentes
será o Tesouro Nacional”.
Outra crítica ao projeto é o
risco de que a ausência do trabalho por seis meses, ou sete caso
sejam incluídos os 30 dias de férias, prejudique a mulher
no mercado de trabalho.
Mas a senadora contesta. “Somos
52% de mulheres. Logo, os outros 48% são nossos filhos. Essa discussão
já foi levantada em 1988, quando da Constituição
Federal, sobre os quatro meses de licença. Esse tipo de argumentação é infundada,
isso melhora a vida da trabalhadora e, por conseqüência, a
rentabilidade dela na empresa. É interessante para todos, inclusive
para a classe empresarial”.
A senadora não acredita
que, pelo fato de a empresa ter benefícios fiscais com a ampliação
da licença, exista a possibilidade de coação para
que a empregada fique em casa. “Não queremos impor nada.
O que se pretende é criar um movimento de responsabilidade social
em que todos percebam como esse tempo extra é importante para
a mãe, para a criança e para a sociedade, como um todo” diz
Patrícia.
Os outros direitos da trabalhadora
permanecem os mesmos. A gestante tem o direito de ser dispensada do horário
de trabalho pelo tempo necessário para realização
de, no mínimo, seis consultas médicas e demais exames complementares.
Segundo dados da SBP (Sociedade
Brasileira de Pediatria), o Sus (Sistema Único de Saúde)
gasta por ano, apenas com internação de crianças
com menos de seis meses, em decorrência da pneumonia, cerca de
R$ 300 milhões.
Um estudo da Consultoria Legislativa
do Senado concluiu que, se todas as empresas concedessem a licença-maternidade
de seis meses a todas as suas funcionárias em idade fértil,
o valor da renúncia fiscal seria de R$ 600 milhões por
ano.
Em novembro, projeto similar
foi aprovado pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.
A licença de seis meses já vale para servidoras públicas
de pelo menos 58 municípios.

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