 |
Agência Diap, 6 de janeiro de 2008
TRIBUTOS
PSDB contesta tese governista
Estudo sobre a arrecadação
para este ano revela, segundo tucanos, que o Planalto tem dinheiro
de sobra
Para se armar contra o pacote de aumento de alíquotas anunciado
pelo Governo
Federal, o PSDB encomendou um estudo aos técnicos da liderança
do partido na Câmara. Os números, consolidados ontem,
revelam que a União tem tudo para ter, este ano, um aumento
de R$ 19,9 bilhões na arrecadação se comparado
a 2007. Os tucanos se reúnem na próxima terça-feira
(08) para definir as medidas que pretendem tomar contra o governo.
O Democratas já se prepara para acionar a Justiça e tentar
derrubar os aumentos.
Na última quarta-feira (02), a equipe econômica do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o aumento de 0,38 ponto percentual
em todas as alíquotas do Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF) e elevou de 9% para 15% a alíquota da Contribuição
Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do setor financeiro. A decisão
foi tomada para compensar os prejuízos com o fim da CPMF que,
segundo o governo, abriu um rombo de R$ 40 bilhões nos cofres
públicos.
O estudo feito pelos tucanos, contudo, indica que o país crescerá o
suficiente para minimizar o buraco do Orçamento. O aumento é quase
o dobro da projeção divulgada pelo governo ao anunciar
as medidas de compensação da CPMF. “Isso mostra
que não seria necessário punir o contribuinte, pois o
governo terá aumento expressivo de receita, mesmo com o fim
da CPMF”, diz o deputado Gustavo Fruet (PSDB/PR), que encomendou
o estudo. De acordo com ele, o PSDB agora tem elementos suficientes
para justificar uma posição contrária ao aumento
do IOF.
O líder dos tucanos na Câmara, deputado Antônio
Carlos Pannunzio (SP), lembra que os cálculos foram feitos com
números do governo federal. A proposta orçamentária
elaborada pelo governo para 2008 prevê receita líquida
de R$ 526,2 bilhões, o que representa um aumento de R$ 16,833
bilhões em relação a 2007. O estudo do PSDB também
contabiliza a projeção de crescimento do Produto Interno
Bruto (PIB), que passou de 4,7% para 5,3%, segundo o próprio
governo.
Proposta
Pannunzio diz que, se confirmado esse aumento de 0,6 ponto percentual
do PIB, a arrecadação aumenta em mais R$ 3,1 bilhões.
Para dos tucanos, a conta é simples. Somado o aumento do PIB aos
R$ 16,8 bilhões previstos na proposta orçamentária,
o país vai crescer mais de R$ 19,9 bilhões. “O que
prova que, mesmo sem a CPMF e esse aumento das duas alíquotas,
o governo tem recursos para o que deixou de arrecadar”, completa
Gustavo Fruet.
Procurada, a Receita Federal não atendeu ao pedido do Correio
para comentar os números levantados pelo PSDB. Segundo o líder
Pannunzio, o governo recorre mais uma vez ao terrorismo com o objetivo
de impor medidas que há tempos queria colocar em vigor. “Primeiro
vieram as ameaças à saúde, agora faz terror com
o funcionalismo, dizendo que vai suspender concursos e reajustes salariais”,
argumenta o tucano. Pannunzio diz que, com R$ 20 bilhões nas
mãos, todas essas medidas anunciadas são completamente
desnecessárias.
|
Diário Vermelho, 6 de janeiro de 2008
Altamiro Borges: "Sinais
contraditórios no sindicalismo"
O sindicalismo brasileiro vive um período bastante
contraditório. A sua trajetória sempre foi errática,
com altos e baixos, avanços e crises. Mas na fase recente
esta ação pendular se agravou. Duramente golpeado
pela ditadura militar, que proibiu greves, interveio em quase
mil sindicatos e prendeu, torturou e matou inúmeras lideranças,
ele voltou a jogar papel de relevo a partir do final dos anos
70. Tornou-se recordista mundial em greves, renovou suas direções,
rearticulou sua ação horizontal com a fundação
das centrais, enraizou-se no campo, e projetou várias
lideranças políticas – o maior exemplo é o
do atual presidente da República, Lula, que se tornou
referência nacional a partir das greves metalúrgicas
no ABC paulista.
Com a destrutiva ofensiva neoliberal e a intensa reestruturação
produtiva nos anos 90, que resultaram na explosão do desemprego
e na precarização do trabalho, o sindicalismo ingressou
numa profunda crise. As taxas de sindicalização despencaram – de
28%, em 1989, para 16,73%, em 2001, segundo a Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílio (Pnad); as assembléias se esvaziaram;
as greves se escassearam; os sindicatos perderam poder de barganha
e as centrais tiveram sua ação bastante debilitada. Com
a histórica vitória de Lula em 2002, muitos apostaram
na reanimação do sindicalismo – alguns inclusive
se iludiram e passaram a adotar uma postura passiva diante do novo
governo. Contudo, a retomada não se verificou de imediato. Agora,
porém, surgem sinais de certo revigoramento do sindicalismo,
ainda que carregado de dúvidas. A situação é mais
favorável ao movimento sindical, o que permite ações
mais ousadas.
Tímida recuperação
Segundo pesquisas recentes do economista Marcio Pochmann, o índice
de sindicalização no país voltou a crescer e atingiu
18,35% dos trabalhadores ocupados. Esta tênue recuperação
tem causas econômicas e políticas. Em primeiro lugar,
decorre do próprio crescimento da economia. Embora modesto e
empacado pela ortodoxia dos juros altos, arrocho fiscal e câmbio
supervalorizado, este crescimento tem reflexos objetivos e imediatos
no aumento do nível de emprego formal. No primeiro semestre
de 2007 foram contabilizados 966 mil novos empregos com carteira assinada,
o segundo melhor resultado histórico deste período. Os
números acumulados dos últimos 12 meses registram aumento
de 6,02% no nível de emprego formal, com a criação
de 1,45 milhões de postos de trabalho.
Enquanto o desemprego acua os trabalhadores e fragiliza os sindicatos,
o crescimento econômico causa o inverso. “No setor urbano,
o que eleva a taxa de sindicalização é a recuperação
do emprego com carteira assinada”, afirma Pochmann. Para ele,
a tendência atual é de certa revitalização
sindical. “Se o Plano de Aceleração do Crescimento
(PAC) for para valer, vai crescer a taxa dos sindicalizados”.
Outro incentivo se dá no campo. O governo Lula aportou volumosos
recursos no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar
(Pronaf), nos quais os sindicatos avalizam os acessos ao crédito
rural.
Há também fatores políticos. A própria
discussão recente sobre a legalização das centrais,
que exigirá critérios mínimos de representatividade,
estimula muitos sindicatos a adotarem planos mais ousados de sindicalização.
Além disso, o atual governo tem adotado uma postura mais democrática,
não criminalizando as lutas sociais e grevistas. Bem diferente
do governo FHC, que não negociava com os sindicatos e até acionou
o Exército para reprimir a greve dos petroleiros. Este fator
subjetivo incentiva a sindicalização e a participação
dos trabalhadores, mesmo que ainda tímida, nas lutas coletivas.
Poder de barganha
A modesta retomada econômica, que encoraja os assalariados
e dá mais fôlego aos sindicatos, já produz efeitos
positivos nas negociações coletivas. Em 2006, os trabalhadores
conquistaram aumento real acima da inflação em 86% dos
acordos firmados – o melhor resultado dos últimos onze
anos. Segundo Clemente Ganz, diretor do Dieese (Departamento Intersindical
de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas), com
a geração de emprego aumenta a sindicalização
e o poder de barganha do sindicato. “Ele passa a ter mais visibilidade
e força junto às bases”. Além do aumento
real, algumas categorias conseguiram brecar, via negociações
ou greves, os planos regressivos das empresas. Houve reversão
de acordos prejudiciais, como os que impuseram o banco de horas e os
contratos parciais e temporários de trabalho. Os metalúrgicos
da Volkswagen, por exemplo, barraram 1.800 demissões, após
longa e heróica greve no final de 2006.
Ainda não há, porém, uma retomada do movimento
grevista. Mesmo no setor público, que continua sendo o mais
mobilizado e o recordista em greves, o número de paralisações
diminui – foram 185 em 2004, 162 em 2005 e 113 em 2006. No geral,
os sindicatos aparentam mais de força e as empresas optam por
ceder antes da eclosão de conflitos – até porque
têm lucrado muito com o crescimento da economia, estão
sem estoques e temem perder mercados. Ainda persiste o clima de defensiva,
com o sindicalismo temendo ousar para exigir os frutos da retomada
econômica. Não há certezas sobre sua real capacidade
de pressão.
Reação do patronato
O capital já percebeu os novos ventos e antecipa-se para evitar
o pior – que seria uma nova ofensiva dos trabalhadores para exigir
redistribuição da renda e mudanças estruturais
o país. Suas últimas iniciativas, sempre com o apoio
descarado da mídia e a cumplicidade do Judiciário, visam
pressionar o governo Lula e impor novas barreiras às lutas sindicais.
De forma sorrateira, a bancada patronal aprovou a Emenda-3, que precariza
o trabalho ao incentivar o contrabando da Pessoa Jurídica (PJ)
e ao limitar a fiscalização das empresas. Num momento
de coragem, o presidente Lula vetou a medida, mas o patronato ainda
não desistiu deste golpe. Na seqüência, os partidos
das elites, PSDB e Demo, tentaram inviabilizar a ação
dos fiscais do Ministério do Trabalho na apuração
e punição dos deprimentes casos de trabalho escravo.
No mesmo sentido, a bancada patronal tentou barrar o projeto do governo
que reconhece as centrais – um fato histórico no Brasil,
que nunca teve este direito assegurado. Ela rasgou acordo firmado pelas
centrais para viabilizar sua legalização, que mantinha
e redistribuía os recursos da Contribuição Sindical.
Além de sabotar as centrais, o capital tentou asfixiar financeiramente
os sindicatos, reduzindo o seu poder de fogo. Descarada, a direita
proibiu o desconto em folha de pagamento para as entidades dos trabalhadores
e fixou a sua fiscalização externa pelo Tribunal de Contas
da União (TCU), mas manteve a contribuição compulsória
para as entidades patronais e garantiu a ausência de transparência
nas contas do Sistema S.
Por último, desta vez com o incentivo do governo, o Judiciário
impôs sérios limites ao direito de greve dos servidores
públicos. Sem tergiversar, os juízes confessaram que
a medida arbitraria visa reduzir em até 90% o número
de paralisações no setor. Em síntese, o que se
observa é uma ofensiva do capital para abordar a possibilidade
de uma nova reanimação do sindicalismo.
Dificuldades estruturais
Os obstáculos impostos pelo capital e as dubiedades do governo
Lula podem protelar uma nova ofensiva do sindicalismo e a superação
da sua crise estrutural. Há sinais positivos de recuperação,
mas os sintomas de defensiva ainda persistem. A sindicalização
cresceu, mas timidamente; as greves continuam em baixa; as assembléias
mantêm-se esvaziadas; o poder de fogo dos sindicatos permanece
reduzido; predomina o individualismo e a negação da ação
coletiva, principalmente entre os mais jovens e sem tradição
de luta.
A crise de representação decorre de fatores objetivos
e subjetivos. O retraído crescimento da economia capitalista,
que mantém taxas elevadas de desemprego e de subemprego; a ofensiva
neoliberal dos anos 90, que desmontou o trabalho – via terceirizações,
contratos temporários e parciais e jornadas flexíveis – e
a intensa reestruturação produtiva – que economiza
o trabalho vivo através das novas tecnologias e das técnicas
gerenciais de cooptação do trabalhador – ajudam
a explicar as dificuldades que ainda não foram superadas. Estes
fatores afetaram a materialidade de classe dos trabalhadores e acuaram
o movimento sindical no mundo inteiro, independentemente das correntes
e opções políticas dos seus dirigentes.
Estas razões objetivas também agravaram os problemas
subjetivos, de direção. Muitos sindicatos se voltaram
para as lutas imediatas, econômicas e corporativas, sem enfrentar
as causas de fundo da crise. Passaram a privilegiar as negociações
de cúpula em detrimento das mobilizações das bases.
Voltaram-se mais para as máquinas sindicais, atualmente contaminadas
por brigas fratricidas pelo poder, distanciando-se dos locais de trabalho.
O sindicalismo tornou-se mais institucionalizado, burocratizado e envelhecido.
Ele não consegue dar respostas às mudanças no
mundo do trabalho nem expressar o novo perfil de classe dos trabalhadores
e a sua subjetividade. Diante da relativa reanimação
da economia, que potencialmente favorece sua ação, o
sindicalismo ainda patina em dificuldades.
Lula e a “crise existencial”
A chegada de um ex-líder sindical à presidência
da República foi encarada por muitos como o ponto de virada
da crise. A experiência dos últimos cinco anos revela,
porém, que isto não se dá automaticamente. O processo
de recuperação sindical é lento e tortuoso; não
depende apenas do crescimento da economia e da geração
de empregos. Para complicar ainda mais este quadro, o primeiro mandato
do presidente Lula gerou uma grave crise de identidade, “existencial”,
numa expressiva parcela das direções sindicais. Parte
resvalou no extremo da passividade acrítica e outra caiu no
extremo oposto do voluntarismo esquerdista.
A primeira encarou a vitória de Lula como um fim em si mesmo,
como se “a classe operária chegasse ao paraíso”.
Ela evitou pressionar e fazer críticas ao governo, desqualificando-as
como se fossem iniciativas da oposição de direita. Como
efeito, a passividade acrítica resultou num sindicalismo tipo “chapa
branca”, sem autonomia, governista. Já o segundo extremo,
sem levar em conta a correlação de força adversa
e a natureza hibrida do atual governo, partiu direto para a oposição
frontal. O presidente Lula foi acusado de neoliberal, burguês
e imperialista, num menosprezo total aos avanços diante do triste
reinado de FHC. Em vários episódios, as críticas
deste setor se assemelharam às da oposição golpista
da direita. Em outros, ele ficou desarmado para defender as medidas
positivas do governo, como o veto à emenda-3 e o projeto que
reconhece as centrais sindicais. Estes dois extremos, próprios
de um fato histórico inédito – a chegada de um
operário ao governo central –, desarmaram e confundiram
o sindicalismo e as bases trabalhadoras.
Altamiro Borges é jornalista, membro
do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical
e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” (Editora
Anita Garibaldi, 2ª edição).
|
Congresso em Foco, 6 de janeiro de 2008
Pacote de Reveillon: É apenas
o começo...
O anúncio do “pacote de
reveillon” pela equipe econômica do governo completa
hoje quatro dias de vida, mas já sinaliza um longo período
de discussões em diversos setores da sociedade. Oposição
promete reagir com firmeza à suposta quebra de acordo
por parte do governo.
Em seu nascedouro, o “pacote de ano-novo” anunciado pela
equipe econômica do governo no primeiro dia útil de 2008,
na última quarta-feira (2), completa apenas quatro dias de vida
hoje (6), mas já provoca discussões dos mais diversos tons
e matizes. Considerado pelos oposicionistas uma retaliação
devido à perda dos R$ 40 bilhões anuais arrecadados anualmente
por meio da Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF), o também chamado plano compensatório
tem tudo para fazer deste ano – de eleições municipais, é bom
lembrar – um dos mais difíceis do segundo mandato do presidente
Lula.
Tudo indica que, nos 362 dias restantes de 2008 (estamos em ano bissexto),
a animosidade política seja acirrada entre governo e oposição. “O
PSDB não negociará mais com este governo”, anunciou
o líder do partido no Senado, Arthur Virgílio (AM), um
dos principais críticos da política econômica da
era Lula.
O tucano reclama que o Planalto traiu o acordo firmado em meados de
dezembro do ano passado, que propiciou a votação – e
conseqüente aprovação – da Desvinculação
das Receitas da União (DRU) em segundo turno no Senado. O governo
já havia perdido a batalha pela manutenção da
CPMF, mas, com a prorrogação da DRU até 2011,
poderia aplicar livremente 20% dos recursos vinculados ao Orçamento
da União. Em contrapartida, comprometeu-se a: não reeditar
a CPMF; não aumentar a carga tributária para compensar
a perda do tributo; promover a redução dos gastos com
a máquina pública; ampliar o debate sobre a regulamentação
da Emenda 29, a chamada “emenda da saúde”, em tramitação
no Senado.
Contenção versus aumento de carga
O pacote anunciado conjuntamente pelos ministros Guido Mantega (Fazenda)
e Paulo Bernardo (Planejamento) na quarta-feira (2) prevê a tal
redução de despesas – como queria a oposição –,
ressalvados os investimentos do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) e de outros programas sociais, como o Bolsa Família.
Com a intenção de reduzir gastos em R$ 20 bilhões,
inclusive nos repasses de recursos aos 37 ministérios, a ordem
do Planalto é “apertar os cintos, nem que seja preciso
fazer mais um furo”, como avisou Paulo Bernardo na ocasião
do anúncio do pacote. Aliás, alertou o ministro “isso
se dará nos Três Poderes”.
O aperto fiscal foi recebido com reações diversas na
Esplanada dos Ministérios. O ministro Fernando Haddad (Educação)
disse na quinta-feira (3) que a equipe do governo Lula já está ciente
de que terá de se adequar à nova realidade. “Todos
os ministros não só já sabem [que terão
limites com o pacote], como estão dispostos a colaborar, para
que seja mantido o equilíbrio fiscal”, garantiu.
Já o ministro da Justiça, Tarso Genro, reuniu-se na
sexta-feira (4) com o presidente Lula para convencê-lo da necessidade
de ser manter as verbas de investimento na sua pasta. Ao sair da reunião,
como informa matéria publicada ontem (5) pelo jornal O Estado
de S. Paulo, Tarso disse que os investimentos do governo em segurança,
na contramão do esforço de contenção de
gastos, deve praticamente até dobrar em 2008. “Continuo
absolutamente confiante de que não terei corte de recursos”,
declarou o ministro.
Contenção de gastos anunciada, outro item do acordo
vinha à baila: o não aumento da carga tributária.
Os ministros anunciaram o aumento de 0,38% na alíquota do IOF
(Imposto sobre Operações Finaceiras), para algumas operações
de crédito, fazendo a taxação subir de 1,5% para
3%, para pessoas físicas e jurídicas. Além do
IOF, outro tributo que teve alíquota aumentada com o pacote
foi a Contribuição Social sobre Lucro Líquido
(CSLL) para o setor financeiro (passa de 9% para 15%). “A rentabilidade
do setor financeiro não será afetada, porque tem rentabilidade
maior”, sustentou Guido Mantega. Juntos, os aumentos na alíquota
da IOF e da CSLL devem render quase R$ 20 bilhões aos cofres
da União (R$ 8 e R$ 10 bilhões, respectivamente).
Aumento de carga definido, acordo supostamente quebrado, guerra declarada. “Nós
vamos reagir”, vaticinou o líder do DEM no Senado, José Agripino
(RN), um dos artífices da derrota da CPMF na Casa. Segundo o
senador, a oposição irá “cerrar fileiras” para
impedir o reajuste da CSLL, numa espécie de reprise da vitória
contra a CPMF. À reportagem, Agripino ainda que o pacote “é um
gesto de traição”. “O presidente Lula disse
que não haveria nenhum pacote e já no segundo dia do
ano anuncia essas medidas”, reclamou.
Depois de seu último discurso em plenário no ano que
passou, Arthur Virgílio já demonstrava ao Congresso em
Foco desconfiança em relação à palavra
do governo. “Se isso acontecer , o governo terá três
anos de crise”, disse Virgílio, diante da hipótese
do descumprimento do acordo. (leia)
Reações em cadeia
Entre as medidas de contenção de gastos anunciadas no “pacote
de reveillon”, uma deve causar um enorme imbróglio jurídico
para a equipe econômica do governo: a suspensão do reajuste
salarial do funcionalismo público.
E o confronto deve partir da própria Justiça. Na sexta-feira
(4), o presidente da Associação dos Juízes Federais
do Brasil, Walter Nunes, anunciou que a entidade pode questionar judicialmente
a União, alegando que é inconstitucional a decisão
do governo que suspende eventuais reajustes não só para
os magistrados, como também para outras categorias do serviço
público.
Segundo Walter Nunes, os juízes da Ajufe – são
cerca de 1.500 associados – podem encaminhar ao Supremo Tribunal
Federal um recurso que mantenha as correções salariais. "O
artigo 37, inciso 10, da Constituição, determina a revisão
anual dos salários dos servidores. Revisão no caso é no
mínimo conceder a perda causada pela inflação",
declarou Nunes, como registra matéria do jornal Folha de S.Paulo
publicada ontem (5). "O governo não pode ter essa posição
porque tudo começou com a luta desenvolvida em favor do teto
remuneratório em busca da moralização e transparência
no serviço público."
Indústria, bancos e comércio
Mas não só as categorias profissionais manifestaram
contrariedade ao “plano compensatório”, como vem
sendo chamado o pacote. Duas das principais entidades representativas
da indústria, a CNI (Confederação Nacional das
Indústrias) e a Fiesp/Ciesp (Federação e Centro
das Indústrias do Estado de São Paulo) também
já saíram a campo contra as medidas anunciadas para minimizar
a perda da CPMF.
Na última quinta-feira (3), ambas as entidades se posicionaram
publicamente sobre o assunto. Entre os principais alvos, como é de
se imaginar, é o aumento nas alíquotas da IOF e da CSLL.
Para Paulo Skaff, presidente do sistema Fiesp/Ciesp, “a medida é descabida
e desnecessária, pois a União terá aumento de
arrecadação de R$ 40 bilhões em 2008, em relação
ao exercício anterior, já descontada a CPMF, que, felizmente,
a sociedade conseguiu derrubar no Senado”.
A opinião é reforçada pelo presidente da CNI,
Armando Monteiro Neto. “A CNI não concorda com o aumento
como forma de compensar o fim da CPMF. A alta das alíquotas
deverá se refletir em aumento das taxas de juros aos tomadores
finais”, disse.
Diretamente afetados pelas mudanças de taxação
nas operações de crédito, os bancos também
não viram com bons olhos o aumento da carga tributária
como alternativa à lacuna tributária deixada pela CPMF.
Por meio de nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban)
manifestou preocupação com impacto do aumento da alíquota
do IOF nas relações de consumo e investimento. “Onerar
o crédito acaba onerando os tomadores de empréstimos,
que constituem uma base enorme de pessoas que estão tendo acesso
ao consumo e ao investimento”, diz trecho do texto assinado pelo
presidente da entidade, Fábio Barbosa.
Já o chefe da divisão econômica da Confederação
Nacional do Comércio (CNC), Carlos Tadeu de Freitas, é mais
comedido em suas análises sobre o efeito das alterações
operadas na carga tributária. “O aumento do IOF irá incidir
principalmente sobre quem faz uso de crédito, mas isso não
será sentido em curto prazo”, disse ao Congresso em Foco.
Para Carlos Tadeu, ex-diretor do Banco Central, “a alternativa
dos bancos será aumentar o valor do crédito, mas para
compensar isso devem também optar por ampliar os prazos”.
Praianos
Alheio às críticas da oposição e de setores
da sociedade civil organizada, Paulo Bernardo foi irônico ao
comentar as reações negativas ao plano do governo. O
ministro fez graça com os senadores e deputados que, em pleno
período de recesso parlamentar, fazem questão de opinar
sobre a condução da política econômica.
“O que não pode é ocorrer uma inversão
de papéis, e a oposição querer governar o país.
Principalmente lá da praia”, alfinetou. Para ele, o fato
de a oposição ameaçar até mesmo atrapalhar
a aprovação do Orçamento da União para
este ano reflete um procedimento natural do jogo político. “Eles
fazem essa parte e nós temos de fazer a outra, que é manter
o equilíbrio fiscal.”
Contudo, tanto Paulo Bernardo quanto outro nome importante para os
planos do governo, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN),
sabem que o momento é de diálogo, e não de medidas
repentinas que atropelem o debate. “Eu esperava que o governo
pudesse debater mais com o meio político, a oposição,
empresários e entidades sindicais, mas isso não aconteceu.
Estou preocupado com o encaminhamento das decisões tomadas pelo
governo”, declarou Garibaldi, que teve a votação
da CPMF e da DRU como primeiro desafio à frente dos trabalhos
na Casa. (Fábio Góis)
|
Gazeta do Povo, 6 de janeiro de 2008
ECONOMIA | PERSPECTIVAS
Otimista, indústria do Paraná acelera
investimentos em 2008
Empresas começam o ano apostando
na chamada “herança estatística” de 2007
por CRISTINA RIOS
Saiba mais sobre as aplicações de recursos
da indústria:

Após um ano de recorde de vendas, as indústrias paranaenses
dos mais diversos setores estão ampliando a capacidade de produção
e diversificando suas linhas, de olho no consumo, que, ao que tudo indica,
deve se manter aquecido em 2008, apesar do pacote de aumento de impostos
lançados pelo governo federal. Embora alguns indicadores apontem
para um possível freio da economia norte-americana, para a alta
da inflação no Brasil e a manutenção dos
preços do petróleo em patamares históricos, as empresas
entraram o ano apostando na chamada “herança estatística” de
2007. Para a maioria, a combinação de juros mais baixos,
crédito farto – ainda que mais caro do que no ano passado – e
um crescimento econômico que poderá, mais uma vez, superar
a marca dos 5%, deve garantir vendas em alta.
Depois de um 2007 considerado de “ouro”, a fabricante
de tratores Montana espera um 2008 ainda melhor. “Vamos dobrar
nosso faturamento”, diz o presidente da empresa, Gilberto Zancopé.
No ano passado, a empresa cresceu 60%, com faturamento de R$ 95 milhões. “Estamos
recuperando as perdas que tivemos entre 2004 e 2006, quando, por conta
da crise do setor, vimos nossas receitas serem reduzidas a um terço.”
Agricultura
A dobradinha de boas safras agrícolas e bons preços
internacionais das commodities deve manter o mercado de máquinas
agrícolas aquecido e a empresa já está fazendo
novos investimentos para aproveitar o cenário favorável.
Com recursos de US$ 2,5 milhões, está implantando uma
linha de colheitadeiras de algodão na fábrica, localizada
em São José dos Pinhais, na região metropolitana
de Curitiba, com capacidade para 250 unidades por ano. O número
de empregados vai passar de 392 para 550.
Para Zancopé, se mantido o ritmo de procura por máquinas
de 2007, poderá “faltar” equipamentos no mercado.
A previsão é que ocorram filas de espera, a exemplo do
que já acontece no mercado de caminhões, e aumento de
preços, de 5% a 10%.
“Só não vendemos mais porque, por falta de peças,
não tínhamos como atender à demanda”, diz
Bernardo Fedalto, gerente de vendas da linha F da Volvo. A subsidiária
da fabricante sueca de caminhões encerrou 2007 com um gostinho
amargo em meio ao aquecimento das vendas totais do setor – que
bateram recorde, com avanço de 30% sobre 2006. No limite da
capacidade, a fábrica da Suécia que faz componentes de
caixas de câmbio e de eixos traseiros para as fábricas
do grupo não conseguiu atender à demanda por aumento
da produção. O problema só deve ser resolvido
em 2009, segundo Fedalto.
A fábrica de caminhões, localizada na Cidade Industrial
de Curitiba (CIC), trabalha em um único turno, com a produção
de 55 caminhões por dia, mas já poderia ter aumentado
o ritmo se não fosse o problema da falta de peças. Fedalto
aposta em um crescimento de mercado muito próximo ou ligeiramente
inferior ao de 2007 para esse ano. “O setor cresceu muito acima
da economia, o que mostra que realmente havia uma demanda reprimida
nos últimos anos, por conta principalmente da crise da agricultura”.
O aquecimento da demanda mundial também está beneficiando
a linha de cabines, que opera a todo vapor, em três turnos. Sem
o problema da falta de peças, a produção de cabines
encerrou 2007 com recorde de 17 mil unidades, das quais 7 mil direcionadas
a países como Austrália, Arábia Saudita e África
do Sul.
O forte ritmo de encomendas fez a Perfipar, fabricante de tubos de
aços industriais, com sede em Curitiba, reduzir o período
de férias coletivas no fim do ano passado e a empresa, que possui
quatro fábricas, prepara um novo plano de investimentos para
ampliar sua capacidade, segundo Teodorico Luis Coelho, diretor comercial
e industrial. A expectativa para esse ano é repetir o crescimento
de 22% registrado em 2007, quando a empresa atingiu faturamento de
R$ 162 milhões e produção de 55 mil toneladas.
Coelho acredita que a construção civil virá ainda
mais forte em 2008 e a indústria moveleira deve continuar aquecida,
impulsionada pela facilidade de crédito e o aumento da renda.
Juntos, esses dois segmentos respondem por 71% das vendas da Perfipar,
que ampliu seu quadro em 20%, para 480 pessoas. “O mercado de
construção civil está impulsionando o setor de
móveis, que deve se manter aquecido em 2008”, concorda
Jorge Hillmann, diretor da Masisa Brasil. Com a fábrica de Ponta
Grossa, na região dos Campos Gerais, operando no limite da capacidade – de
270 mil metros cúbicos de Médium Density Fiberboard (MDF) – a
empresa programa a implantação de uma nova em Montenegro,
no Rio Grande do Sul, em 2009, com recursos de US$ 119 milhões. “Acreditamos
em um crescimento sustentável para os próximos anos”,
diz.
Trabalho - Empresas prometem contratar
mais
Embalado pelos novos investimentos produtivos, o emprego promete estar
em alta em 2008. Uma sondagem da Fundação Getúlio
Vargas (FGV) mostra que dois terços das indústrias pretendem
contratar funcionários até fevereiro. Uma projeção
da LCA Consultores aponta que os novos empregos com carteira assinada
devem fechar 2008 em 1,567 milhão em todo país, mas o governo
federal é ainda mais otimista e estima a geração
de 2 milhões de empregos. No ano passado o saldo foi de 1,689
milhão. Somente o setor industrial deve gerar 450 mil vagas nesse
ano.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também
projeta queda nos níveis de desemprego, de 9,5% em 2007, para
9% em 2008. Mas, se por um lado haverá mais vagas, por outro,
segundo especialistas, a massa salarial deve crescer menos e a renda
real será pressionada pelo aumento da inflação.
As principais consultorias dos país estimam uma desaceleração
do crescimento da massa salarial real nos próximos dois anos.
A RC Consultores estima um aumento de 5% na massa salarial em 2008,
contra um avanço de 6% em 2007. A LC Consultores projeta um
crescimento de 5,36% e a MB Associados de 4,4%, contra uma evolução
estimada de 5,6% no ano passado (CR).
|
Gazeta do Povo, 6 de janeiro de 2008
ECONOMIA | PERSPECTIVAS
Empresários esperam vendas 8%
maiores no ano
Confira levantamento sobre o otimismo dos empresários
paranaenses:
Se não houver nenhuma mudança significativa nos cenários
interno e externo, as indústrias do Paraná deverão
ter mais um ano positivo, com crescimento de 7% a 8% nas vendas, segundo
previsão do departamento econômico da Federação
das Indústrias do Paraná (Fiep).
A expectativa da indústria do Paraná – os números
oficiais ainda não fora fechados – é ter encerrado
2007 com aumento de 11% nos negócios, segundo Maurílio
Schmitt, coordenador do departamento econômico da entidade. “Setores
ligados ao agronegócio, às indústrias automotiva
e de petróleo e álcool vão continuar impulsionando
o desempenho do setor.” A construção civil, que já teve
um bom resultado em 2007, deve manter o ritmo em 2008.
O otimismo do empresariado paranaense pode ser medido pela pesquisa
Sondagem Industrial, divulgada no fim de dezembro, que aponta que o
setor industrial nunca esteve tão otimista com um próximo
ano. O porcentual de empresários que acreditam que 2008 será favorável
alcançou 87,87%, recorde desde que o levantamento começou
a ser feito, em 1996.
Vale lembrar, no entanto, que a pesquisa foi realizada em outubro, portanto
sem a influência do fim da CPMF e do aumento do Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF) e a Contribuição sobre o Lucro Líquido
(CSLL), anunciado pelo governo federal no primeiro dia útil de
2008. A mesma pesquisa mostra que alta das vendas está acelerando
os investimentos em produtividade (com 58,47% dos recursos aplicados)
e aumento da capacidade produtiva, com 55,97%. Modernização
tecnológica, com 55,61% e melhoria de processos, com 53,12%, vêm
em seguida. (CR)
|
Gazeta do Povo, 6 de janeiro de 2008
IMÓVEIS | CONSTRUÇÃO
Bom ano para a cerâmica
por DA REDAÇÃO
Apesar da desaceleração das vendas no mercado externo,
em função do câmbio desfavorável, o setor
brasileiro de cerâmica para revestimento de pisos e paredes registrou
em 2007 um crescimento global de 6,37%, alavancado por um crescimento
de 10% do mercado interno.
Para 2008 a projeção continua positiva, apontando um
crescimento de 7%, segundo o presidente da Associação
Nacional dos Fabricantes de Cerâmica (Anfacer), Adriano Lima. “O
setor deve crescer acima do Produto Interno Bruto (PIB) e da construção
civil em geral. A grande ameaça que vivemos é a falta
de gás natural, uma vez que a indústria de cerâmica
para revestimento é dependente desse componente como fonte de
energia”, comenta.
O Brasil é um grande protagonista do setor de cerâmica
para revestimento (de pisos e paredes) no cenário mundial. No
ranking internacional é o segundo maior consumidor, o terceiro
maior produtor e o quarto maior exportador. O Brasil detém 16%
do volume importado pelos Estados Unidos (maior importador do mundo)
e exporta ainda para outros 130 países.
Para o superintendente da associação, Antonio Carlos
Kieling, a indústria brasileira encontra-se moderna e competitiva. “Nossa
participação em eventos internacionais consolidou a marca
Brasil no mercado externo”. Países como Argentina, Chile,
Estados Unidos, França, Itália, Reino Unido e Emirados Árabes
estiveram na agenda de atividades dos ceramistas brasileiros em 2007.
No mercado interno destaque para a Revestir – Feira Internacional
de Revestimentos, que a cada ano cresce em visitação
e negócios, ultrapassando os 30 mil visitantes e US$ 120 milhões
em 2007. Para 2008 (o evento será realizado de 11 a 14 de março
no Transamérica Expo Center – São Paulo), a previsão é de
32 mil visitantes e US$ 130 milhões em negócios.
O Fórum Internacional de Arquitetura e Construção,
evento integrado à Revestir, é também responsável
pelo grande avanço do setor. Com conteúdos e dias temáticos
para designers de interiores, revendedores de materiais de construção,
construtores e arquitetos, firmou-se como o maior encontro de debates
sobre as tendências e tecnologias da construção
civil, com mais de 3 mil participantes.
Para Lauro Andrade, diretor da Revestir e do Fórum, os eventos
são a maior vitrine do segmento na América Latina e,
em função das tendências e lançamentos apresentados,
eles são considerados pelos profissionais como a Fashion Week
da construção civil brasileira.
Vendas
636 milhões de metros quadrados foi o volume comercializado pelo
setor de cerâmica para revestimento em 2007 – um aumento
de 6,37% em relação ao ano anterior.
|
O Estado do Paraná, 6 de janeiro de
2008
Direito e Justiça
2008!
Edésio Passos
A primeira convocação que recebi para 2008 foi para
debater um tema palpitante: o ano dos 20 anos da Constituição
de 05 de outubro de 1988. Depois veio o convite, sempre renovado, para
participar do Seminário de planejamento sindical da Fetraconspar
de 28/31 de janeiro. E, logo a seguir, o dr. Geraldo Serathiuk, nosso
ex-Delegado Regional do Trabalho, o desafio para compor a agenda dos
trabalhadores nos debates do Fórum Social do Mercosul, dias
26 e 27 de janeiro. Mas, antes disso tudo, a dra. Gleisi Hoffmann,
candidata ao Senado em 2006 e hoje presidente do PT Estadual, quer
debater os problemas da cidade de Curitiba, na visão dos trabalhadores
e dirigentes sindicais, pois será uma das candidatas à prefeitura
de Curitiba, nas eleições de outubro próximo.
E na minha atual função de diretor administrativo da
Itaipu Binacional, já nos primeiros dias de janeiro, o organismo
coordenador da Eletrobrás sobre política de recursos
humanos, realiza sua primeira reunião nacional em Foz do Iguaçu.
Assim será dois mil e oito, certamente um ano que fará,
a todos nós, respirar fundo, mergulhar, segurar ao máximo
o ar nos pulmões e somente voltar à superfície
quando nosso corpo e mente exigirem. Isso mesmo, uma prova e tanto,
certamente muito mais do que o ano que se foi.
Na passagem do ano
O noticiário de TV é otimista de um lado: shoppings
e hotéis lotados, recordes de venda, produção
industrial no limite, importações e exportações
em crescimento, Presidente Lula na TV esbanjando otimismo. Mas, o outro
lado, vem junto: morte nas estradas, inflação rondando
os preços, governo federal segurando a política fiscal,
a violência permanece nos grandes centros. Se há o otimismo,
muita precaução é recomendada, pois a crise econômica
norte-americana está a caminho. E por lá, também,
as eleições gerais de novembro elegem o novo, ou nova,
presidente. Cautela e caldo de galinha são aconselháveis...
Transformação
Na tradicional troca de presentes desta época do ano, veio-me
um livro singular “Transformação. Um salto quântico
na evolução do ser”. É de Adilson Maestri,
de profissão engenheiro, mas na essência um médium,
atuante como terapeuta, palestrante da equipe filosófica do
Núcleo Espírita Nosso Lar, em São José,
Santa Catarina. Ele escreve esta lição: “O medium
conhece a dor sem motivos. Os exames médicos nada acusam. Os
sintomas passam assim que a limpeza estiver concluída. O corpo
físico faz o aterramento necessário para a descarga eletromagnética.
O médium não sofre para evoluir, sofre por estar evoluindo. É a
dor do crescimento. Podemos chamar a esse processo de transformação”.
Vamos enfrentar 2008 com a ajuda espiritual, necessária e fundamental
nesses dias de individualismo pragmático.
20 anos
A Constituição de 5/10/88 vai completar 20 anos em 2008.
Não é a mesma daquela data, pois já sofreu inúmeras
emendas. E as Disposições Transitórias tornaram-se
permanentes, serviram para resolver problemas corporativos de variados
segmentos. Mas, e no final, a marca que fica é de uma Constituição-Cidadã,
como afirmou Ulisses Guimarães. No plano do Direito do Trabalho,
foram incorporados os pontos básicos dos direitos dos trabalhadores
e de suas entidades sindicais representativas nos artigos 7.º e
8.º, fundamentais para impedir, em tempos neoliberais, a desconstituição
e desagregação de conquistas históricas. Entretanto,
ainda há vários dispositivos a serem regulamentados,
em especial o da garantia de emprego, que continua sendo matéria
transitória. Servirá a comemoração dos
vinte anos como momento de reflexão crítica e análise
construtiva de nossa Carta Magna.
Prefeitos e Vereadores
As eleições de outubro, a 5 e 26, marcam o momento do
encontro do povo com os partidos políticos e seus candidatos.
As eleições nas capitais e nas cidades com mais de 200
mil eleitores se caracterizam como ponto de equilíbrio da política
nacional, contrapeso entre os poderes nacional/estadual com as realidades
municipais. O movimento sindical dos trabalhadores tem tido participação
decisiva em relação a alguns pleitos e foram eleitos
vários de seus representantes, em especial para os Legislativos.
Para 2008 não há, ainda, uma proposta unificadora, mas
podem as Centrais Sindicais formularem, com base na Agenda dos Trabalhadores
pelo Desenvolvimento, proposições comuns a serem inseridas
nas plataformas eleitorais de prefeitos e vereadores.
Salvador
Luiz Salvador é um advogado incansável na defesa dos
direitos dos trabalhadores e uma das personalidades também na
defesa dos advogados trabalhistas. Preside a Abrat, integra a Alal
e a Jutra, todas entidades de advogados laboralistas. Está presente
em todos os eventos que solicitam sua fala incisiva, além de
manter a rede de advogados na internet. Mas o que é sua marca
de nascença está sempre visível: a defesa intransigente
das conquistas da classe trabalhadora. Não quer nem ouvir falar
em “reforma”, “nova CLT” e outras proposições
que constantemente ressurgem em debates e artigos. Com certeza, é um
dos dinossauros que se orgulham desse epíteto. Diz que 2008
será um ano decisivo nesse embate.
José Guilherme Assis
Eis aí um exemplo de editoria jurídica. José Guilherme
Assis é o editor do “Direito e Justiça”,
do jornal O Estado do Paraná, entrando no ano dezesseis e com
quase oitocentas publicações semanais. Rico em debates,
análises, informações em todas as áreas,
democraticamente acolhidas, com colaboradores das mais variadas tendências.
Não há jornal no Brasil que abra esse espaço,
regular e semanal, contribuição fundamental para o mundo
jurídico. Em 2008, vai avançar ainda mais.
Revistas
Além do caderno “Direito e Justiça”, há revistas
jurídicas que se tornaram tradicionais no Paraná. Do
editor Silvonei Sérgio Piovesan “Trabalho em Revista”,
nacional, que festeja vinte e seis anos de circulação,
juntamente com outras publicações da editora Decisório
Trabalhista, em especial de jurisprudência de Direito do Trabalho.
A Revista “Bonijuris”, que chega aos vinte anos, abrangendo
todos os campos da doutrina, jurisprudência e legislação,
também com 27 títulos lançados sobre todas as áreas,
além de livros sobre prática jurídica. Prometem
para 2008 várias novidades.
Informatização
O ano de 2008 será o ano do aprofundamento da informatização
do processo judicial. Na Justiça do Trabalho, já publicada
a Instrução Normativa nº30, de 2007, do TST, que
disciplina o uso do meio eletrônico na tramitação
dos processos judiciais, comunicação de atos e transmissão
de peças processuais, assim como o uso da assinatura eletrônica.
O STJ adiou para 29 de fevereiro de 2008 a data de início do
DJeletrônico, em substituição ao de papel. Já o
STF prevê a vigência do DJe para 23 de abril de 2008. O
Sistema de Peticionamento Eletrônico foi instalado pelo STF a
13 de dezembro e a primeira Ação Direta de Inconstitucionalidade
foi protocolada na mesma data pelo Procurador Geral da República
Antônio Fernando Souza (vide Resolução 344 do STF
e Lei 11.419/06). Relembre-se que no processo INQ 2245, julgado em
agosto, sobre o mensalão, todo ele foi digitalizado para que
os Ministros e os Advogados de Defesa pudessem ter acesso ao processo
ao mesmo tempo, com redução significativa na duração
dos atos processuais.
TRT e TST
Marca o ano de 2008 o desenvolvimento da nova direção
do Tribunal Regional do Trabalho no Paraná, com a desembargadora
Rosalie Michaele Bacila Batista na presidência, o desembargador
Luiz Eduardo Gunther na Vice-Presidência e o desembargador Ney
José de Freitas na Corregedoria. Dentre os projetos da nova
direção, destaque para uma nova sede, mais ampla e funcional,
para o TRT e, se possível, juntamente com as Varas do Trabalho
de Curitiba. No TST, nomeada a desembargadora Kátia Magalhães
Arruda, do TRT do Maranhão, para Ministro do Tribunal na vaga
do Ministro Gelson Azevedo, complementando o quadro de 27 magistrados
daquele Tribunal, com a instalação da sétima e
oitava Turmas, além do Órgão Especial composto
por 14 membros para dar mais agilidade às decisões que
seriam do Pleno. Na pauta de 2008, novas medidas para desafogar o TST
face o número de processos pendentes de julgamento. Para o Ministro
Corregedor João Oreste Dalazen será a preocupação
com o principal gargalo na Justiça do Trabalho, a execução
da sentença: 2,4 milhões de processos, até setembro
de 2007, aguardavam a execução.
Centrais Sindicais
Relegada a segundo plano, a reforma sindical está sendo efetivada
gradativamente. Volta à Câmara dos Deputados, já no
início da Legislatura, o projeto de lei oriundo do Executivo
que regulamenta as Centrais Sindicais. O debate, em verdade, se dará em
relação a um item do projeto, o artigo emendado pela
Câmara e revogado pelo Senado, que trata da manutenção
da contribuição sindical. Esse será o ponto do
principal embate dos sindicalistas para o início do ano.
Bancários de Curitiba
A presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba, Marisa
Stedile, mostra-me, com orgulho, a nova sede social e para assembléias
da entidade, na rua Piquiri.É um amplo espaço para cultura,
lazer e debates, aberto a outras entidades-irmãs, que será dinamizado
neste 2008. O sindicato é dois mais tradicionais, tendo completado
65 anos de fundação e faz parte da história das
lutas nacionais e locais da categoria que representa e de sua participação
nos demais movimentos populares.
Seminário da Fetraconspar
Geraldo Ramthun, presidente da Fetraconspar e secretário regional
da CNTI, já organizou o XVII Seminário de Dirigentes
Sindicais da Construção e do Mobiliário do Estado
do Paraná, de 28 a 31 de janeiro, no auditório da colônia
de férias da entidade em Itapoá/SC. Para 2008 será a
largada para a mobilização de uma das mais numerosas
categorias de trabalhadores em face aos seus inúmeros problemas
nas condições de vida, salário e trabalho. Sendo
ano eleitoral, os debates políticos também estão
pautados, além das questões relacionadas com o movimento
sindical nacional.
Fórum Social do Mercosul
Em Curitiba, de 26 a 29 de janeiro, realiza-se Fórum Social
do Mercosul, parte integrante do Fórum Social Mundial. Dia 26
será realizada a Marcha do Dia de Mobilização
e Ação Global do Fórum Social Mundial, partindo
do pátio da Reitoria da UFPR até a Boa Maldita, iniciando-se às
9:00 horas. A Agenda dos Trabalhadores pelo Desenvolvimento será das
10 às 12 horas do dia 28 de janeiro, com a participação
das Centrais Sindicais, contatos com o Dr. Geraldo Serathiuk (geserathiuk@dioe.pr.gov.pr).
A 29 de janeiro, das 8h30 às 16h30 horas será realizada
a programação sobre “Transporte: ferramenta de
integração entre os povos”, sob responsabilidade
da Fetropar e do Instituto São Cristovão, sendo um dos
palestrantes o lider sindical Epitácio Antônio dos Santos,
presidente da Fetropar/ISC (Informações: SEAE 41 3350
1212).
Livro
Será lançado, neste início do ano, o livro “Sindicalismo
no Brasil. Os primeiros 100 anos?”, coordenado por José Reginaldo
Inácio, com a participação dos seguintes colaboradores:
Antônio Augusto de Queiroz, Antônio Lambertucci, Delze
Santos, Domingos Giroletti, Edésio Passos, Fausto Arruda, Giovanni
Alves, João Paulo Pires de Vasconcelos, José Calixto
Ramos, Kátia Paranhos, Luíza Erundina, Manoel Frederico
Ribeiro, Márcio Pochmann, Paulo Paim, Ricardo Antunes, Ricardo
Oliveira, Sávio Bones, Sebastião Soares e Sérgio
Domingues. Edição da Crisálida Livraria e Editora,
364 páginas.
Porta de saída...
O ministro Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social, anuncia para
o primeiro semestre de 2008 a criação da Secretaria de
Geração de Oportunidades e de Inclusão Produtiva,
atuando em programas de capacitação profissional e de
geração de emprego e renda, na integração
de programas de microcréditos e da inclusão desses beneficiários
como mão-de-obra em obras do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC).É considerada a porta de saída para
programas como o Bolsa Família que, em 2008, tem previsão
orçamentária de R$10,3 bilhões, atendendo hoje
a 11 milhões de famílias, com transferência mensal
entre R$18 e R$112, dependendo da renda e do número de filhos.
Para o Ministro, as proposições serão ações
emancipatórias dos participantes do Programa.
...esmola e a opinião pública
Mas para o Bispo dom Luiz Flávio Cappio, que encerrou sua greve
de fome de quase 23 dias contra as obras de transposição
do rio São Francisco, o ano de 2008 será o ano do governo
Inácio da Silva, pois ele diz que o Lula morreu, pois “o
povo pobre e miserável do Brasil corre atrás de um presidente
que dá esmola”, segundo declarações à Folha
de S.Paulo, em 24/12/07. Não é o que diz o povo. Segundo
as pesquisas dos institutos de opinião pública, que constatam
a mais alta popularidade do presidente e do governo federal junto a
população.
Kasato Maru
Em 18 de junho de 1908, 165 famílias vindas do Japão,
a bordo do Kasato Maru, aportaram no porto de Santos, SP. Começava
a saga de um povo pioneiro, desbravador, disciplinado, tenaz e trabalhador,
participando da vida e nos costumes de nosso país, hoje totalmente
integrado em todos os setores da Nação. O Ministro Fernando
Eizo Ono, presidente do TRT.PR em 2004/5 e recém nomeado para
o TST, representará o Poder Judiciário na Comissão
Oficial do Centenário da Imigração Japonesa no
Brasil.
Em janeiro de 1808...
No dia 22, os navios que haviam saído de Lisboa, Portugal,
no dia 29 de novembro de 1807, ancoravam dentro da barra do mar de
Salvador, Bahia, e no dia seguinte, cerca das 9:00 horas, o rei D.
João VI e a família real desembarcavam diante da multidão
que congestionava o cais da ribeira. E na tarde do dia 7 de março
de 1808 a esquadra chegava na Baia da Guanabara.O desembarque, no Rio
de Janeiro, aconteceu no dia seguinte. “A colônia brasileira
ganharia muito com a vinda de D. João, a começar pela
sua independência, mas os problemas e o custo dos primeiros anos
da família real no Rio de Janeiro foram enormes” (dados
segundo o livro “1808”, do paranaense Laurentino Gomes,
na lista dos mais vendidos). Cento e cinqüenta anos depois da
fuga do Rei, com medo de Napoleão Bonaparte, vários artigos,
estudos e obras analisam os efeitos, para o bem e para o mal, da vinda
da família real para o Brasil.
E há sessenta e cinco anos...
... no dia 1.º de maio de 1943, era assinada a Consolidação
das Leis do Trabalho por Getúlio Vargas, Presidente, e Alexandre
Marcondes Filho, Ministro do Trabalho, e que entrou em vigor em 10
de novembro de 1943. Hoje, realimentada por sucessivos artigos que
a renovaram, mantém a mesma estrutura com que foi elaborada,
as regras do contrato individual do trabalho especificadas nas bases
em que foi criado, o do contrato-realidade, acrescida das regras das
convenções e acordos coletivos de trabalho. A reafirmação
de seus princípios de defesa dos direitos básicos do
trabalhador ainda é um imperativo social e político.
Gêmeos
Tatiana e André, nora e filho, passaram um natal diferente
e avançam este ano para uma nova experiência de vida.
Ela é professora da UFPR, de Direito Internacional, filha do
Nelton Friedrich, e ele é advogado e vereador em Curitiba. Mas,
agora, são pais dos gêmeos Fernanda e Marcelo. Criar e
educar um de cada vez já é difícil, mas aqueles
que são sorteados para a dupla missão, conhecem um mundo
novo, de como integrar dois seres, nascidos juntos, como pessoas de
personalidades criativas e próprias. É o desafio para
2008 e para o resto de suas vidas.
Tiê
Mas meu neto de 23 anos, Tiê, juntou-se a um grupo de mais nove
rapazes da mesma faixa de idade e, de bicicleta, romperam as barreiras
naturais e de Curitiba foram, depois de dez dias, desembarcar em Parati,
no Rio de Janeiro. Foi um longo planejamento para uma longa jornada,
desde os mapas da internet para escolher as estradas secundárias,
os rios e as ilhas a serem transpostos, os locais de parada, a escolha
dos alimentos, os instrumentos de manutenção das bicicletas
e tanto o mais a que se dedicaram durante dois meses. Lembrei-me dos
meus vinte anos, quando o mundo não tinha limites, a não
ser os de nossa própria vontade e esperança.
Que em 2008 avancemos, um pouco mais, rumo
a uma sociedade justa e fraterna, solidária e igualitária.
E-mail: edesiopassos@terra.com.br
|
Folha de São Paulo, 6 de janeiro de
2008
Governo mira emendas da oposição
para cortar gastos
Equipe econômica quer também
reduzir despesas com passagens e diárias
Parte do Orçamento será contingenciada
até abril, o que prejudicará pastas de Turismo e Esporte
devido a restrições no ano eleitoral
IURI DANTAS
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A equipe econômica do governo definiu três diretrizes
para reduzir gastos e dar o troco na oposição pela rejeição
da CPMF: 1) promover um corte "salgado" nas emendas parlamentares;
2) reduzir drasticamente os gastos com passagens e diárias;
e 3) bloquear parte do Orçamento até abril.
Segundo apurou a Folha, a tesoura do governo causará estrago maior
nas emendas de bancada, aquelas feitas por partidos políticos.
A idéia que dominava os debates até a noite de sexta-feira
era priorizar cortes nas emendas da oposição no Senado,
justamente onde a prorrogação da CPMF foi derrubada em
dezembro.
A chamada junta orçamentária, composta por técnicos
da Fazenda, do Planejamento e do Banco Central ainda não havia
fechado percentagens ou números até a noite de sexta.
Passado o alarme do fim da CPMF, os técnicos foram aos cálculos.
Vêm mapeando as viagens e diárias de cada ministério,
para estimar quanto é possível economizar. Concentram os
questionamentos nas viagens de servidores realizadas às segundas
e sextas-feiras, usualmente desculpas para retorno ao Estado de origem.
A terceira diretriz esconde uma maldade política. Ao bloquear,
ou "contingenciar" no jargão técnico, a equipe
econômica deixará ministérios como Turismo e Esportes
com o orçamento virtualmente cortado dadas as restrições
de ano eleitoral. Quando os recursos retidos começarem a ser liberados
(o que costuma ocorrer em maio), os ministérios não teriam
tempo hábil para empregar o dinheiro, pois terá começado
a proibição de gastos em período de eleições.
A meta do governo é acrescentar R$ 20 bilhões aos cofres
públicos até dezembro, para cobrir parte dos R$ 38 bilhões
que entrariam com a CPMF. Na semana passada, a primeira reação
do governo foi a elevação do IOF (Imposto sobre Operações
Financeiras) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro
Líquido). Agora, os técnicos aguardam o resultado da arrecadação
federal de janeiro, a primeira sem o reforço da CPMF, para avaliar
se será preciso novas medidas.
Oposição encurralada
A estratégia do governo é tentar jogar para a oposição
o ônus pelas medidas impopulares para compensar o fim da CPMF.
Integrantes da equipe econômica acreditam terem sido bem sucedidos
até agora. Primeiro, defendem que, ao aumentar a CSLL (Contribuição
Social sobre o Lucro Líquido) apenas para os bancos, deixaram
a oposição encurralada.
Isso porque para votar contra a medida, os parlamentares terão
que justificar porque querem que o sistema financeiro pague menos impostos
enquanto os tomadores de crédito pagarão mais.
Segundo, o governo concentra os cortes que precisarão ser feitos
no Orçamento deste ano nas emendas parlamentares, sobretudo, as
de bancadas e da oposição. Apesar de dizer que os detalhes
do corte de R$ 20 bilhões será negociado primeiro com o
Congresso, na prática, o governo acredita que entrará com
larga vantagem no debate já que a sua prioridade é o PAC.
As obras em andamento estão asseguradas com R$ 41 bilhões
do Orçamento de 2007 que a equipe econômica não conseguiu
gastar até dezembro, mas deixou reservados para utilizar neste
início do ano.
Segundo a Folha apurou, a avaliação é que, dessa
forma, o governo garantiu os "seus investimentos" que deverão
render dividendos políticos nas eleições municipais
deste ano, enquanto que a oposição terá que brigar
para assegurar recursos no Orçamento de 2008 para as "suas
obras".
Como o tempo é curto por causa das restrições eleitorais
e as obras devem ser iniciadas até o final de junho para ter direito
ao dinheiro, a equipe econômica argumenta que a oposição
deverá ter mais interesse em aprovar o Orçamento do que
o próprio governo.
|
Folha de São Paulo, 6 de janeiro de
2008
Baixa qualificação
puxa alta do emprego
No primeiro mandato de Lula, mercado
formal de trabalho avança com a criação
de vagas que exigem menor escolaridade
Entre as ocupações que mais empregaram,
estão as de vendedor e operário; cargos de supervisão
e gerência perderam, aponta ranking
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Por trás dos números recordes de geração
de emprego formal no governo Lula, o mercado de trabalho com carteira
assinada avança em ocupações de baixa escolaridade
e salários menores, enquanto, em nome da globalização
e dos ganhos de produtividade das empresas, posições
mais bem remuneradas nas áreas de supervisão e gerência
tendem à atrofia.
Um ranking das ocupações elaborado pelo Ministério
do Trabalho a pedido da Folha mostra as 15 atividades que mais geraram
postos e as 15 que mais fecharam vagas entre 2003 e 2006, período
do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os números indicam que a alta do emprego formal foi puxada pela
criação de vagas de baixa qualificação.
Os dados foram extraídos da Rais (Relação Anual
de Informações Sociais), uma espécie de censo anual
do mercado formal divulgado pelo governo no segundo semestre do ano seguinte
ao qual as informações se referem.
O governo avalia que os números de 2007 mostram a mesma tendência
de criação de vagas em ocupações que exigem
menos qualificação. A expectativa para 2007 é a
de criação de cerca de 1,6 milhão de empregos formais.
Confirmada, será novo recorde histórico.
O secretário de Políticas Públicas de Emprego, Sérgio
Vidigal, diz que "a maior parte da mão-de-obra [no mercado
formal] é de baixa escolaridade e tem baixa remuneração".
Vidigal ressalta que "esse atual ciclo de crescimento do emprego
tem atingido quase a totalidade da estrutura produtiva". Indústria,
comércio, construção civil e agricultura geram vagas.
De 2003 a 2006, a ocupação que mais rendeu empregos foi
a de vendedor do comércio varejista (315 mil vagas). Em seguida,
aparecem trabalhadores de linhas de produção (307 mil empregos)
e auxiliar de escritório (287 mil postos). Vidigal afirma que
a escolaridade da maior parte dessa mão-de-obra se situa entre
o ensino fundamental e o médio.
" O número de vagas é elevado, mas isso embute uma alta rotatividade.
Quem tem baixa escolaridade entra e sai do mercado com muita rapidez", diz
o secretário. Segundo ele, em novembro, para os 125 mil postos criados
no mercado formal, 1,1 milhão de trabalhadores foram contratados, e 1
milhão, demitidos.
Para Mário Fagundes, consultor do Grupo Catho, o ranking das ocupações
do Ministério do Trabalho é limitado porque compreende
apenas o mercado de trabalho formal, que responde por 40% da população
brasileira ocupada. No entanto, ele avalia que os números refletem
a tendência do mercado. "Temos um ranking diferente, mas que
aponta no mesmo sentido."
Na opinião de Vidigal, o mercado de trabalho não sustentará esse
ritmo de crescimento. A perspectiva para 2008 é a de que, em vez
de números vultosos de contratação, as empresas
passem a admitir menos funcionários, mas com maior grau de qualificação.
Vagas em extinção
O administrador de empresas Hamurabi Oliveira Santos, 29, brasiliense,
desde novembro entrou para as estatísticas não só de
desemprego como também nas de ocupações em ritmo
de extinção. Desde 2005, ele trabalhava em uma agência
bancária exercendo uma função similar à de
gerente de conta corrente.
A ocupação aparece em sexto no ranking das atividades que
mais fecharam vagas de 2003 a 2006. Supervisor administrativo e gerente
de loja e supermercado são os dois cargos que mais perderam lugar
no mercado no período, eliminando, juntos, mais de 40 mil postos.
" Fui demitido. Eles disseram que contratariam outra pessoa para a função.
Mas isso não aconteceu. Outros dez saíram na mesma época.
Eles vão enxugando para contratar com salário mais baixo e para
um fazer o trabalho de dois", relata. Das 15 ocupações em
queda, ao menos 5 estão diretamente ligadas ao setor bancário,
que vive uma onda de fusões.
O consultor Fagundes acrescenta que existe uma cultura de investir nos
chamados funcionários "multifuncionais". Esse "novo
funcionário" vem decretando a extinção de cargos
de gerência e supervisão. "É a globalização.
Para reduzir custos e aumentar a produtividade, as empresas estão
integrando as equipes", diz o secretário de Políticas
Públicas de Emprego. No ranking das ocupações que
mais perderam vagas, 11 são funções de supervisão
e gerência.
|
Revista Consultor Jurídico, 6 de janeiro
de 2008
População flutuante
Justiça manda IBGE refazer
censo em cidade gaúcha
por Daniel Roncaglia
A cidade de Cachoeirinha, no interior do Rio Grande do Sul, conseguiu
decisão liminar que a coloca na faixa daquelas que recebem o índice
de 3,4% do Fundo de Participação dos Municípios
(FPM). Pela contagem de habitantes do IBGE, a prefeitura deveria receber
o índice de 3,2%.
Se for mantida a decisão da juíza Maria Isabel Pezzi
Klein, da Justiça Federal de Porto Alegre, a cidade ganhará R$
1 milhão a mais da verba repassada. A liminar determina também
que a União reserve o dinheiro para a prefeitura caso ela vença
também no mérito.
O pedido de recontagem foi feito pelo procurador Adler Baum, que entrou
com uma Ação Ordinária reclamando do número
de habitantes levantado pelo instituto, que faz parte da administração
pública federal.
No levantamento divulgado em dezembro de 2007, foram computados 112.603
moradores. Faltaram apenas 2.862 habitantes para a cidade alcançar
o índice maior. Segundo o procurador, do período da contagem
em 2006 até agora a população aumentou. A informação
se baseia em dados das companhias de água e energia do Rio Grande
do Sul e do Detran.
Este argumento não foi aceito pela juíza. “A contagem
populacional é incumbência exclusiva do IBGE, presumindo-se
legítimos os números por ele apurados. Os dados apresentados
pela parte autora, ainda que sinalizem para eventuais equívocos
no processo de recenseamento, não têm o condão
de demonstrar conclusivamente o atual contingente populacional do Município”,
decidiu Maria Isabel.
A juíza considerou, no entanto, a margem de erro de 2 a 3%
que o IBGE admite. “Significa dizer que numa população
de 112.000 habitantes é perfeitamente normal que algo entre
2.200 e 3.400 pessoas não sejam de fato contabilizadas, sem
que, por isso, devam ser considerados inválidos os dados obtidos”,
anotou Maria Isabel.
Como a contagem de habitantes do IBGE é legitima para fundamentar
o FPM, segundo jurisprudência do Tribunal Regional Federal da
4ª (Porto Alegre), a juíza não determinou que o
valor seja repassado imediatamente, mas que seja reservado pela União.
Rebelião dos números
Os números do censo 2007 do IBGE provocaram uma rebelião
de prefeitos de todo país. Prefeitos e munícipes sempre
acreditam que vivem numa cidade maior e mais populosa do que ela é na
verdade. E sempre acreditam que suas impressões são mais
verdadeiras do que as estatísticas do censo. Ser maior, obviamente,
representa também vantagens na destinação de verbas
federais e estaduais para os municípios.
Em diversos estados, municípios estão entrando na Justiça
para exigir a recontagem porque a população foi reduzida.
O índice populacional tem impacto direto no cálculo do
FPM, principal receita de grande parte das prefeituras, e também
influi nos cálculos para repasse de recursos do Sistema Único
de Saúde.
Só na Justiça Federal da 5ª Região (Recife),
por exemplo, correm 106 ações do gênero: 35 em
Pernambuco, 26 em Alagoas, 16 no Rio Grande do Norte, 14 na Paraíba,
12 no Ceará e três em Sergipe. Segundo a Advocacia-geral
da União, o IBGE está preocupado com o efeito multiplicador
de decisões deste tipo favoráveis aos municípios.
Leia decisão liminar
AÇÃO ORDINÁRIA (PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO)
2007.71.00.047577-3/RS
AUTOR — MUNICIPIO DE CACHOEIRINHA - RS
ADVOGADO — ADLER BAUM
RÉU — UNIÃO - ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO
FUNDACAO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATISTICA - IBGE
DECISÃO (liminar/antecipação da tutela)
Vistos, etc.
Trata-se de analisar pedido de antecipação de tutela
em ação ordinária proposta pelo Município
de Cachoeirinha contra o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
- IBGE e a União, por meio do qual pretende seja-lhe garantido
o repasse de verbas do Fundo de Participação dos Municípios,
de acordo com o coeficiente de 3,4%, vigente no exercício de
2007.
Alega que o coeficiente do município foi reduzido de 3,4% para
3,2%, dando ensejo a uma diminuição de R$ 1.000.000,00
(um milhão de reais). Que tal fato ocorreu em virtude de falhas
no processo da contagem de população levada a efeito
pelo IBGE por ocasião do censo realizado neste ano. Afirma que
embora o IBGE tenha computado 112.603 habitantes, faltando apenas 2.862
habitantes para que fosse alcançado o contingente populacional
necessário à aplicação do coeficiente 3,4%,
foi constatado pelo Município que houve um efetivo crescimento
populacional na cidade. Aponta informações prestadas
pela CORSAN, RGE, DETRAN-RS e dados dos municípios vizinhos
como fundamento para comprovar o crescimento da população
de Cachoeirinha. Junta documentos (fls. 13/42).
A contagem populacional é incumbência exclusiva do IBGE,
presumindo-se legítimos os números por ele apurados.
Os dados apresentados pela parte autora, ainda que sinalizem para eventuais
equívocos no processo de recenseamento, não têm
o condão de demonstrar conclusivamente o atual contingente populacional
do Município, o que só será possível, em última
análise, mediante a realização de novo recenseamento
pelo próprio IBGE.
Por outro lado, há de se considerar que o processo de recenseamento,
embora tenha por objeto a contagem física da população,
possui uma margem de erro que pode ser estimada, segundo afirmações
obtidas na Internet, entre 2% e 3%. Significa dizer que numa população
de 112.000 habitantes é perfeitamente normal que algo entre
2.200 e 3.400 pessoas não sejam de fato contabilizadas, sem
que, por isso, devam ser considerados inválidos os dados obtidos.
Some-se a isso a tranqüila jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no
sentido da validade dos levantamentos populacionais realizados pelo
IBGE para fins de verificação da quota do Fundo de Participação
dos Municípios. Nesse sentido:
"PROCESSUAL CIVIL. FUNDO DE PARTICIPAÇÃO
DO MUNICÍPIO. RETENÇÕES. DADOS POPULACIONAIS.
DO IBGE A TÍTULO DE ESTIMATIVA.
1. É tranqüila a jurisprudência do colendo Supremo
Tribunal Federal de que o ato do Tribunal de Contas da União
que aplica redutor ao coeficiente da quota do Fundo de Participação
dos Municípios não ofende ao direito adquirido e ao princípio
da legalidade.
2. A Carta Federal delegou à Lei Complementar o estabelecimento
de normas sobre a entrega dos recursos referidos no art. 159 e sobre
os critérios de rateio dos fundos previstos no seu inciso I.
Competência do TCU para efetuar cálculo das quotas referentes
a esses fundos.
3. Não se pode pretender que o Poder Judiciário exerça
a competência atribuída pela Constituição,
em substituição à Corte de Contas."
(TRF 4ª Região, Agravo de Instrumento: 200704000131605/PR,
D.E. DATA: 15/10/2007, Relator(a) MARGA INGE BARTH TESSLER)
"FUNDO DE PARTICIPAÇÃO DOS MUNICÍPIOS.
CENSO. IBGE. VALIDADE ALTERAÇÃO DO COEFICIENTE POPULACIONAL.
LC 91/97 E LEI Nº 8.443/92. ÔNUS DA PROVA. ISENÇÃO
DE CUSTAS.
1. Os levantamentos populacionais, realizados pelo IBGE, e que influenciam
no coeficiente para recebimento da quota do fundo de Participação
dos Municípios, não restam descaracterizados com a apresentação,
pelo município, de indicadores próprios da densidade
populacional, isolados e assistemáticos, carentes de uma eficaz
metodologia de interpretação.
2. Não já ilegalidade na aplicação de
redutor ao coeficiente da quota do Fundo de Participação
dos Municípios, realizada na forma da legislação
em vigor (Lei Complementar 91/97), que obedece a dados populacionais
oficialmente fornecidos pelo IBGE. Precedentes do STF.
(TRF 4ª Região, Apelação Cível: 200004011404139/PR,
DJU DATA:02/10/2002 PÁGINA: 660, Relator(a) TAÍS SCHILLING
FERRAZ)
Ainda assim, entendo que há fundamento para a concessão
de liminar tão-somente para o fim de determinar à União
a reserva do valor relativo à diferença do coeficiente
do Fundo de Participação dos Municípios de 3,2%
para 3,4%, até o julgamento final da demanda.
Ante o exposto, defiro parcialmente o pedido de antecipação
de tutela, tão-somente para o fim de determinar à União
a reserva do valor relativo à diferença do coeficiente
do Fundo de Participação dos Municípios de 3,2%
para 3,4%, até o julgamento final da demanda.
Intimem-se as partes da presente decisão.
Após, citem-se.
Porto Alegre, 19 de dezembro de 2007.
MARIA ISABEL PEZZI KLEIN
Juíza Federal
|
Revista Consultor Jurídico, 6 de janeiro
de 2008
Iniciativa popular
População é responsável
por apenas 0,05% das leis
Apenas quatro projetos de origem popular conseguiram romper o cerco do
Congresso e viraram lei desde 1988, data da promulgação
da Constituição, até hoje. Isso representa menos
de 0,05% de um total de 9.429 proposições que se tornaram
norma jurídica no período, de acordo com dados da Secretaria
Geral da Mesa da Câmara dos Deputados. A reportagem é da
Folha de S.Paulo.
Até 2001, para encaminhar uma proposição, o caminho
era a coleta de cerca de 1 milhão de assinaturas de eleitores.
Pela Constituição, um projeto de iniciativa popular tem
de ser subscrito por, no mínimo, 1% do eleitorado (o equivalente
hoje a quase 1,27 milhão de pessoas), entre outras regras. Só quatro
projetos leis chegaram à Câmara por esse processo — três
viraram lei e um está em trâmite.
O PT quer entregar ao Congresso mais um projeto de iniciativa popular
neste ano. No mês passado, a sigla começou a coletar assinaturas
para a proposta que prevê a realização de plebiscito
para consultar o eleitorado sobre a convocação de uma
Assembléia Constituinte para tratar de reforma política.
De acordo com a reportagem, o projeto provocou polêmica. A oposição
o vê como tentativa de viabilizar um terceiro mandato para o
presidente Lula. O partido nega e alega que a Constituinte é necessária.
Segundo o secretário de comunicação do PT, Gleber
Naime, o partido quer recolher as assinaturas necessárias até o
fim deste semestre. "Não temos idéia de quantas
assinaturas foram recolhidas até agora porque esse material
ainda não foi reunido. Mas a campanha vai ser organizada pela
nova direção nacional do PT."
Um dos projetos que venceu a barreira de um milhão de assinaturas
foi o liderado pela novelista Glória Perez, que teve a filha,
Daniella Perez, assassinada em 1992. Ela conseguiu a alteração
da legislação, incluindo o homicídio qualificado
na relação dos crimes hediondos.
Outra proposta de iniciativa popular que se tornou lei foi a comandada
pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) em 1999.
Cerca de 215 políticos já tiveram seus mandatos cassados
por compra de voto, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE),
após a aprovação da proposta.
Para facilitar o acesso da população, foi criada em
2001 a Comissão de Legislação Participativa da
Câmara, que recebe sugestões de entidades, analisa as
propostas e pode aprová-las ou não para tramitarem na
Casa. Mas, a partir da comissão, só um projeto virou
lei desde o início de seu funcionamento.
|