 |
FOLHA DE LONDRINA, 07 de
janeiro de 2008 | Opinião
Vagas de emprego crescem, salário
não
São Paulo - As primeiras previsões para 2008 indicam que o emprego
estará em alta em vários setores produtivos no País. Uma
sondagem da Fundação Getúlio Vargas (FGV) , por exemplo,
mostrou que dois terços das indústrias pretendem contratar funcionários
até fevereiro.
A construção civil,
em particular, projeta bater recordes na contratação de
mão-de-obra. O setor automotivo planeja passar 3 milhões
de veículos fabricados, o que significa mais postos de trabalho.
Novas siderúrgicas entram em operação, tudo para
fazer frente ao crescimento de 10,8% na produção de aço
bruto para 2008 - a meta é praticamente dobrar a capacidade produtiva
até 2012.
Uma projeção da
LCA Consultores aponta que os novos empregos com carteira assinada devem
fechar 2008 próximos ao 1,7 milhão de 2007. O ministro
do Trabalho, Carlos Lupi, discorda: ''Alcançaremos sim os 2 milhões
de empregos, isso porque o investimento é maciço.'' Há quem
fale em números maiores para a geração de empregos,
dependendo do desempenho da economia.
Mas, mesmo com tanta confiança,
não há ninguém muito otimista com o aumento dos
salários. A expansão do emprego tende a ser maior para
quem tem mais estudo, vive fora das metrópoles e recebe menos
de 2 salários mínimos ou na faixa de 5 a 10 salários.
E a renda do trabalhador das regiões metropolitanas em novembro
deste ano, R$ 1.143,60, é ainda inferior aos R$ 1 167,96 do mesmo
mês de 2002. Segundo o Dieese, o valor mínimo para atender
todas as necessidades básicas de um brasileiro são R$ 1.726,24
mensais.
É nesse contexto de mais
empregos, porém com a média dos salários ainda em
rédea curta, que o brasileiro vive a retomada do crescimento da
economia. Em 2007, aumentou o emprego formal e diminuiu o desemprego.
A taxa de desocupação de 8,2% em novembro foi a menor desde
março de 2002. Lentamente, o País vai gerando mais postos
de trabalho do que o ingresso de novos trabalhadores no mercado.
A evolução da renda
real, porém, está sujeita às pressões inflacionárias.
O poder aquisitivo continuará submetido a teste em 2008, quando é provável
que as tarifas de serviços públicos voltem a subir após
a evolução desfavorável dos IGPs (que fecharam 2007
acima de 6%).
Por isso, a avaliação
do analista Fábio Silveira, da RC Consultores, é de que
apesar de continuar em crescimento, a massa real de rendimento dos brasileiros
desacelere nos próximos anos. ''Para 2007, estimou-se um aumento
da massa real de rendimentos (MRR) de 6%, com crescimento de 3% no pessoal
ocupado. Para 2008, o pessoal ocupado também deve crescer 3%,
porém a MMR deve crescer apenas 5%.'' em 2009, ainda menos: 4%.
Eduardo Nunomura
Agência Estado
|
FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 07 de janeiro de 2008 | Dinheiro
Queda da produção
industrial não interrompe crescimento, diz IBGE
da Folha Online, no Rio
A queda de 1,8% da produção
industrial em novembro não demonstra tendência de arrefecimento
do setor nos próximos meses, informou nesta segunda-feira o coordenador
de indústria do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),
Silvio Sales.
O desempenho em novembro, segundo
ele, foi resultado da combinação de uma forte base de comparação
do mês de outubro, quando a indústria teve expansão
significativa, e de menos dias úteis verificados em novembro.
"Esse resultado não
altera a trajetória de 2007, que segue positiva. Quando se olha
a comparação de novembro de 2007 com o período correspondente
em 2006, nota-se uma forte expansão. Essa relação
mostra que a tendência positiva permanece", afirmou. Na comparação
com novembro de 2006, a expansão foi de 6,7%.
Novembro teve dois dias úteis
a menos do que outubro e, segundo o economista do IBGE, contribuiu para
o resultado, sem ter sido determinante. Ele explicou que, por ser recente,
ainda não é possível fazer uma comparação
mais aprofundada dos efeitos do feriado do Dia da Consciência Negra,
em 20 de novembro. Este feriado foi decretado em 222 cidades. Desse total,
as 20 maiores que não tiveram atividade representam 23% do PIB
industrial.
Sales ressaltou também
que, historicamente, a indústria apresenta forte incremento em
outubro e acomodação no mês seguinte. Isso acontece,
segundo o pesquisador, devido às encomendas de fim de ano.
"A indústria se preparou,
em outubro, para atender à demanda de fim de ano. É como
se tivesse ocorrido um esforço de produção",
observou.
Silvio Sales acrescentou que,
caso as pesquisas de comércio confirmem a tendência de grandes índices
de vendas para o final de 2007, haverá espaço para reposição
dos estoques.
Em relação ao índice
de janeiro a novembro [alta de 6%], Sales avaliou que os principais fatores
para o resultado foram a ampliação do investimento, que
segundo ele, "cresceu de forma generalizada", o aquecimento
da demanda interna, a expansão do mercado de trabalho e da renda
do brasileiro.
Automóveis
Sales destacou ainda o incremento
da produção de bens de capital em novembro, que cresceu
24,3% na comparação com igual período em 2006. Sobre
a queda da produção de veículos automotores, o economista
explicou que o resultado é pontual.
Segundo Sales, há uma
forte base de comparação com outubro, cujo crescimento
chegou a 7% em relação a setembro. "Não há sinal
de retração na produção de automóveis",
comentou.
No acumulado de janeiro
a novembro, a indústria automobilística teve incremento
de 15,1%, segundo o IBGE, se configurando como o segmento de maior
impacto sobre o resultado geral da indústria.
|
FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 07 de janeiro de 2008 | Dinheiro
Automóveis respondem por maior
contribuição à indústria em 2007
da Folha Online, no Rio
Apesar de puxar a queda da produção
industrial em novembro, os veículos automotores respondem pela
maior contribuição para o setor no ano. A produção
caiu 1,8% no penúltimo mês do ano passado, enquanto automóveis
registrou queda de 3,9%, na mesma base de comparação.
No ano, porém, enquanto
a taxa de expansão da indústria foi de 6%, o setor de automóveis
teve incremento de 15,1%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística), se configurando como o segmento de maior impacto
sobre o resultado geral.
O coordenador de indústria
do IBGE, Silvio Sales, explicou que o resultado de novembro é pontual.
Segundo o economista, há uma forte base de comparação
com outubro, cujo crescimento chegou a 7% em relação a
setembro. "Não há sinal de retração
na produção de automóveis", comentou.
Tendência
Silvio Sales destacou hoje que
a queda de 1,8% da produção industrial em novembro não
demonstra tendência de arrefecimento do setor no próximos
meses.
O desempenho em novembro, segundo
ele, foi resultado da combinação de uma forte base de comparação
do mês de outubro, quando a indústria teve expansão
significativa, e de menos dias úteis verificados em novembro.
"Esse resultado não
altera a trajetória de 2007, que segue positiva. Quando se olha
a comparação de novembro de 2007 com o período
correspondente em 2006, nota-se uma forte expansão. Essa relação
mostra que a tendência positiva permanece", afirmou. Na
comparação com novembro de 2006, a expansão foi
de 6,7%.
|
FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 07 de janeiro de 2008 | Brasil
Governo define estratégia
para garantir pacote tributário
da Folha Online, em Brasília
O governo deve definir nesta
segunda-feira a estratégia que será implementada no Congresso
para garantir a execução das medidas anunciadas na semana
passada que buscam compensar o fim da CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira). O ministro
José Múcio Monteiro (Relações Institucionais)
tem reunião marcada com o líder do governo no Senado, Romero
Jucá (PMDB-RR), por volta do meio-dia de hoje.
"Vamos buscar sedimentar
a base aliada de apoio ao governo no Congresso. Também vamos atual
para tentar transformar a relação do governo com a oposição
em algo melhor do que está. Eu acredito em um entendimento",
disse Jucá à Folha Online.
Entre as medidas anunciadas pelo
governo está o aumento das alíquotas do IOF (Imposto sobre
Operação Financeira) e da CSLL (Contribuição
Social sobre Lucro Líquido) do setor financeiro, além da
realização de um corte de R$ 20 bilhões nas despesas
de custeio e investimento dos três Poderes.
Segundo Jucá, os líderes
dos partidos aliados deverão ser chamados para atuar na estratégia
que será definida hoje a partir da reunião com Múcio.
O senador admitiu que o início do ano Legislativo --que ocorrerá após
o Carnaval, em fevereiro-- será tenso.
"Certamente vamos ter um
início de ano [Legislativo] meio tumultuado. Mas também
não será nada impossível. O ministro Múcio
e eu estamos empenhados em buscar solução para as dificuldades",
disse.
Artificial
Jucá afirmou que a oposição,
liderada pelo DEM e PSDB, tenta "criar uma crise que não
existe". Segundo ele, o que há são "dificuldades". "Não é como
a oposição está falando. A oposição
quer fazer uma crise artificial", disse.
Em relação à Adin
(Ação Direta de Inconstitucionalidade) que o DEM preparou
contra as medidas que estabelecem aumento de alíquotas ao IOF
e à CSLL, Jucá disse que o governo vai aguardar a decisão
do STF (Supremo Tribunal Federal).
"Vamos esperar o Supremo
julgar. Política não se faz com ameaças, mas com
conversas, negociações e ações", disse
o líder.
De forma semelhante, Jucá reagiu
em relação à possibilidade de o PSDB vir a obstruir
as votações no Senado e na Câmara na tentativa de
impedir a aprovação da MP (medida provisória) que
define o aumento da alíquota da CSLL.
"A oposição
tem a linha da obstrução, mas nós vamos tentar
a negociação e um acordo até o final", disse.
|
BBC Brasil, 03 de janeiro
de 2007
Britânicos vão superar
americanos em renda, diz estudo
Uma pesquisa realizada por economistas britânicos indica que, em 2008,
a renda média dos britânicos deve superar a dos Estados Unidos
pela primeira vez desde o século 19.
A previsão, da consultoria
Oxford Economics, aponta que o PIB (Produto Interno Bruto) per capita
do Reino Unido deve superar o dos Estados Unidos em 250 libras (cerca
de R$ 860).
Segundo os analistas, em 2008,
o PIB per capita do Reino Unido vai atingir 23,5 mil libras (cerca de
R$ 81 mil), em comparação com os 23,25 mil libras (R$ 80
mil) previstos para os Estados Unidos.
De acordo com a previsão,
o PIB per capita do Reino Unido será 8% maior do que o dos parceiros
europeus na Alemanha e na França.
Para o economista Adrian Cooper,
que participou do estudo, nos últimos 15 anos, o desempenho econômico
britânico mudou de maneira dramática.
"Não somos mais os
primos pobres da Europa", diz Cooper. "A economia britânica
tem uma nova posição na economia global".
Longo prazo
Os dados da pesquisa revelam
que, em 1993, com a saída do Reino Unido do Sistema Monetário
Europeu e a recessão no país, o PIB per capita dos britânicos
era 34% menor do que o dos americanos, 33% menor do que o da Alemanha
e 26% mais baixo do que o da França.
Segundo os economistas, a melhoria
no padrão de vida dos britânicos reflete o crescimento econômico
do país desde o fim da recessão, em meados da década
de 90, e a força da libra esterlina em comparação
ao euro e ao dólar.
"O Reino Unido está se
aproximando do padrão de vida dos americanos de maneira estável
desde 2001", afirma Cooper. "Portanto, trata-se de uma tendência
bem estabelecida, e não simplesmente resultado da flutuação
de câmbio."
Apesar da previsão indicar
que os britânicos terão mais dinheiro do que os americanos
em 2008, a pesquisa revela que o poder de compra no Reino Unido continuará menor
do que nos Estados Unidos.
"O consumidor americano
continua a ter mais poder de compra por causa do preço relativamente
menor dos produtos e serviços nos Estados Unidos", diz
o economista.
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
07 de janeiro de 2008
Pensão por invalidez não
faz parte da partilha em separação judicial
A indenização ou pensão mensal decorrente de seguro por
invalidez não integra a comunhão universal de bens, e, portanto,
não pode fazer parte da partilha na separação judicial
do casal. A decisão é da 3ª Turma do STJ (Superior Tribunal
de Justiça).
No caso em questão, segundo
informações do tribunal, o casal propôs quatro ações.
A mulher ajuizou ações de separação judicial
e fixação de alimentos provisionais, sob a alegação
de ter sofrido agressões praticadas pelo marido por não
aceitar o pedido de separação amigável e de arrolamento
de bens, por meio da qual alegou que o ex-marido estaria vendendo os
bens do casal. O marido interpôs ações de separação
judicial com oferecimento de alimento e também de exoneração
de alimentos.
O juiz de primeira instância
negou os pedidos do marido e acolheu todos os pedidos da mulher: de separação
do casal com reconhecimento de culpa do marido, condenando-o a pagar à ex-mulher
alimentos no valor equivalente a 2,5 salários mínimos;
e de arrolamento e de seqüestro de bens do casal.
O TJ-RS (Tribunal de Justiça
do Rio Grande do Sul) foi além, determinando a partilha dos valores
recebidos pelo ex-marido, a título de indenização
por invalidez, em 50% para cada um, abatidas as despesas hospitalares,
médicas e de remédios efetuadas.
No recurso apresentado no STJ,
o ex-marido alegou que o seguro de vida tem caráter pessoal e
que a indenização, portanto, “não se comunica
para efeito de partilha”.
O STJ seguiu entendimento da
ministra Nancy Andrighi, que afirmou que a indenização
ou pensão mensal decorrente de seguro por invalidez não
pode integrar a comunhão universal de bens.
Segundo a magistrada, entendimento
em sentido contrário provocaria o comprometimento da subsistência
do segurado, com a diminuição da renda destinada ao seu
sustento após a invalidez e, ao mesmo tempo, causaria o enriquecimento
ilícito da ex-mulher, porquanto seria um bem conseguido por
ela apenas às custas do sofrimento e do prejuízo pessoal
suportado pelo ex-marido.
|
Agência Brasil, 7 de
janeiro de 2008
Correntista deixa de pagar por cheques,
saques e extratos
A partir de 30 de abril de 2008,
o fornecimento de cartão de débito não será mais
cobrado do cidadão que tem conta bancária. Além
disso, todo mês, ele terá direito, gratuitamente, a dez
folhas de cheque, dois extratos de conta, realização de
até quatro saques, inclusive com cheque, duas transferências
entre contas e consultas pela Internet. As medidas foram aprovadas nesta
quarta-feira pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Os cheque com valores baixos deixam de pagar tarifa e todos os correntista
terão direito a receber anualmente um extrato dos valores pagos
ao banco, discriminados mês a mês, que deve ser fornecido até o
dia 28 de fevereiro de cada ano, a partir de 2009. Os titluares da cadernetas
de poupança passam a ter os mesmo direitos.
Foram aprovadas três resoluções que aperfeiçoam
a regulamentação da cobrança de tarifas bancárias
e o custo de operações de crédito. Também fica
vedada a cobrança de tarifa quando não houver saldo em conta
corrente suficiente para pagamentos. Ou seja, o saldo em conta corrente não
poderá ficar negativo por conta da cobrança da tarifa.
O objetivo do CMN foi aumentar os níveis de concorrência no sistema
financeiro, com foco nas operações de pessoas físicas.
Em nota, o conselho informou que "a transparência é um instrumento
vital para o pleno exercício de direitos do cidadão e um elemento
fundamental para promoção da concorrência".
A primeira resolução trata da padronização da nomenclatura,
periodicidade de reajuste e criação do extrato anual de tarifas.
Os serviços foram classificados em quatro categorias: essenciais, prioritários,
especiais e diferenciados. Os serviços essenciais estão relacionados
com a conta corrente e de poupança de pessoas físicas.
A lista de serviços gratuitos foi ampliada e passou a incluir: fornecimento
de cartão de débito, fornecimento de um talonário de cheque
por mês, fornecimento de segunda via de cartão de débito,
exceto nos casos de perda, roubo, danificação e outros; realização
de até quatro saques por mês, inclusive em guichês de caixa,
por meio de cheque, cheque avulso ou em terminal de auto-atendimento, realização
de duas transferências de recursos entre contas na própria instituição
por mês em guichê de caixa , em terminal de auto atendimento ou
pela Internet.
Para a conta de pupança, o cidadão tem direito a gratuidade nos
serviços de fornecimento de cartão para movimentar a conta, 2ª via
do cartão, exceto nos mesmo da conta corrente; realização
de até dois saques por mês em guichê de caixa ou terminal
de auto atendimento; realização de até duas transferências
para conta de deposito, consulta pela internet e fornceimento de até dois
extratos da conta por mês.
|
Diário
Vermelho, 7 de janeiro de 2008
Lula usa medidas pós CPMF para
frear alta dos juros
Além da óbvia
necessidade de compensar a perda de R$ 38 bilhões, uma bolada
respeitável no Orçamento de qualquer país
do mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou o "pacote
da CPMF" para frear uma articulação que ganhava
força no Banco Central: elevação da taxa básica
de juros, a Selic.
Por Kennedy Alencar, para a Folha Online
No final de 2007, houve recrudescimento da crônica tensão entre
a Fazenda e o BC. A primeira, chefiada por Guido Mantega, preocupava-se menos
com o comportamento futuro da inflação. Já a turma de
Henrique Meirelles começava a falar em novo endurecimento da política
monetária com medo de forte reajuste nos preços em 2008.
Lula não gostou da conversa. Aumento de juros poderia quebrar expectativas
positivas do empresariado, reduzir investimento e diminuir a meta de crescimento
do PIB (Produto Interno Bruto) na casa dos 5% anuais. O presidente se lembrou
de que, ao longo do cinco de anos de governo, a direção do BC
o contrariou algumas vezes.
Conservador na economia, Lula procura proteger a independência formal
do BC. Publicamente, defende a política monetária. Quem acompanha
os bastidores do governo sabe, porém, que o presidente pressiona Meirelles
em conversas reservadas. Mais: Lula incentivou políticas de expansão
do crédito quando o BC fazia exatamente o contrário.
Para tentar evitar alta dos juros, o presidente quis acabar logo com a incerteza
sobre a substituição da CPMF. O BC aguardava essa solução
para dosar sua política.
Em reunião com Lula na quinta-feira, Meirelles reconheceu que o pacote
de medidas para compensar a perda da CPMF contribuiria para evitar nova subida
dos juros. Se houver uma grande crise mundial, é óbvio que isso
mudará de figura.
Gente graúda do mercado financeiro, por exemplo, considerou engenhosa
a solução que Mantega adotou para compensar a CPMF. O aumento
do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) elevará o
custo das operações de crédito e isso deverá diminuir
a expansão da tomada de empréstimos no país. Um dos efeitos
será menor pressão inflacionária. A alta do IOF pesará mais
sobre o crédito do que pesava a CPMF.
Por ora, portanto, parece mesmo afastada a possibilidade de alta da Selic,
que está em 11,25% ao ano. O período de manutenção
da taxa nesse patamar dependerá do comportamento das economia do mundo
e do Brasil ao longo de 2008.
Lula e Mantega apostam num cenário mais positivo. Analistas do mercado
financeiro avaliam que, na melhor das hipóteses, o BC reduzirá a
Selic em 0,25 ponto percentual por três vezes em 2008. O presidente e
seu ministro da Fazenda acham que deram uma contribuição nesse
sentido ao editar o "pacote da CPMF".
|
Diário
Vermelho, 7 de janeiro de 2008
Altamiro Borges: CTB, a novidade no sindicalismo
A crise do sindicalismo,
que já dura quase duas décadas, teve forte impacto
na fundação e funcionamento das centrais sindicais,
que têm como função superar a dispersão
das categorias isoladas e unificar a classe para interferir nos
rumos do país. No topo, o movimento sindical se encontra
dividido e fragmentado, bem diferente de outros períodos
históricos, nos quais sempre predominou uma única
articulação horizontal da classe – como a Confederação
Operária Brasileira (COB), dirigida pelos anarquistas no
início do século passado, ou a CGT, no final dos
anos 20, o Movimento Unificador dos Trabalhadores (MUT), nos anos
40, e novamente a CGT na década de 60, todas sob a hegemonia
dos comunistas.
Por Altamiro Borges*
A fragmentação do sindicalismo
Apesar do nome, a CUT nunca foi a central única dos trabalhadores. Na
década de 80, já concorria com a Confederação Geral
dos Trabalhadores (CGT). Nos anos 90, devido à tsunami neoliberal, a
fragmentação se agravou. A vitória de Collor de Mello
inspirou o surgimento da Força Sindical (FS); já o governo FHC
incentivou a fundação da Social-Democracia Sindical (SDS). Além
destas, neste mesmo período surgiram também a CGTB, a CAT e outras
entidades menos representativas. A “crise existencial” do sindicalismo
no primeiro governo Lula reforçou ainda mais esta divisão. Contraditoriamente,
a central que mais perdeu bases foi a inspirada pelo próprio presidente,
o que confirma as limitações e graves equívocos da CUT.
Num curto espaço de tempo, a central teve duas fraturas expostas – a
primeira deu origem à Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas)
e a segunda resultou na Intersindical. Ambas surgiram como oposição
ao governo Lula e elegeram a CUT como alvo principal das suas críticas,
taxando-a de pelega e governista. Apesar das abissais diferenças de
concepções e práticas, Conlutas e Intersindical se unem
no combate ao atual governo e as suas pretensas contra-reformas. Por sua oposição
frontal ao governo, ambas evitaram defender o veto do presidente à Emenda-3
ou o seu recente projeto de reconhecimento das centrais. A saída da
CUT destes dois setores reduziu o espaço das correntes cutistas mais à esquerda,
fortalecendo as visões hegemonistas na entidade e fragilizando ainda
mais o seu pluralismo e a democracia interna.
As limitações da CUT
Devido ao quadro de divisão no topo e à realidade adversa na
CUT, a sua segunda maior força interna, a Corrente Sindical Classista
(CSC), também decidiu sair da entidade e fundou, num congresso no final
de 2007, a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB). A fundação
reuniu distintas tendências e setores do sindicalismo – inclusive
federações e sindicatos da cidade e do campo que não se
sentiam representados pelas atuais centrais. A CTB defende uma tática
diante do presidente Lula que evite tanto a passividade acrítica da
CUT como o voluntarismo esquerdista da Conlutas e da Intersindical. Nem chapa-branca,
nem oposição sectária! Sem fazer o jogo da direita para
evitar qualquer risco de retrocesso, ela propõe apoiar as medidas progressistas
do governo Lula, mas também pressioná-lo para que avance nas
mudanças.
A CTB defende ainda que as distintas centrais construam um fórum unitário,
uma conferência das classes trabalhadoras (Conclat), para definir planos
de ação conjunta e para aumentar o poder de pressão sobre
o governo e contra os ataques do capital e da direita neoliberal. Sem adotar
uma postura de antagonismo diante da CUT, encarada como importante aliada,
a central classista acredita que esta padece de três graves problemas
e não tem mais condições de se colocar como pólo
de unidade dos trabalhadores.
Em primeiro lugar, os classistas criticam a ausência de democracia interna
e as práticas exacerbadas de hegemonismo da força majoritária.
Acusam a CUT de se tornar uma entidade partidarizada, que não dá espaço
para outras correntes de pensamento. Afirmam que não há no seu
interior respeito ao pluralismo e nem transparência na gestão – inclusive
nas finanças. A segunda crítica diz respeito à burocratização
e à institucionalização desta entidade, que teria refluído
no seu ímpeto combativo e se afastado das bases dos trabalhadores. Por último,
afirmam que esta central perdeu autonomia durante o governo Lula, adotando
uma postura de passividade acrítica que reforçaria as marcas
de uma entidade chapa-branca.
Várias das críticas dirigidas à CUT refletem as próprias
dificuldades objetivas do conjunto do movimento sindical. Elas, porém,
foram agravadas pela concepção e prática da sua corrente
majoritária. Num quadro político inédito, da existência
de um governo oriundo das lutas sociais, a central tinha tudo para crescer
e se tornar a principal referência de unidade dos trabalhadores. O que
ocorreu, entretanto, foi o inverso em decorrência do forte hegemonismo,
da crescente burocratização e da perda de autonomia. Isto explica
o descontentamento de vários setores e a atual crise vivida pela maior
central brasileira.
Algumas polêmicas antigas
Além destas críticas, os idealizadores da CTB retomam velhas
polêmicas, que sempre estiveram presentes no conjunto do sindicalismo
e no interior da CUT. Já no debate sobre a reforma sindical, promovido
no primeiro mandato do presidente Lula através do Fórum Nacional
do Trabalho (FNT), instância tripartite que reuniu representantes do
governo, do patronato e do sindicalismo, as diferenças de concepções
se aguçaram. A corrente majoritária da CUT defendeu o fim da
unicidade e da contribuição sindical e propôs uma estrutura
centralizada na cúpula, retirando autonomia dos sindicatos na base.
A CSC e várias entidades independentes, sem filiação às
centrais, uniram-se para barrar o perigo da pulverização sindical,
da redução dos recursos financeiros para as organizações
dos trabalhadores e da concentração de poder no topo. Graças
a esta atuação, a reforma sindical pretendida pela direção
da CUT não saiu do papel.
Para os classistas, a unicidade garantida em lei é um contraponto às
investidas do capital para dividir os sindicatos e instaurar a plurisindicalismo,
com a criação de milhares de frágeis entidades nos locais
de trabalho. O discurso contra a unicidade, feito a partir da ótica
liberal por dirigentes do campo majoritário da CUT, é um desserviço à unidade
da classe. Já a contribuição compulsória, descontada
na folha de pagamento, é o que garante a existência de quase 70%
dos sindicatos de base no país. Extingui-la de forma abrupta, sem qualquer
regra de transição e sem compensações para viabilizar
financeiramente a atuação dos sindicatos, representaria um duro
baque na luta dos trabalhadores. Quanto à legalização
das centrais, os classistas sempre lutaram por esta bandeira, mas nunca aceitaram
qualquer expediente legal que reduzisse a autonomia das entidades na base.
Este debate estratégico ressurgiu no ano passado com o projeto do governo
Lula de reconhecimento das centrais. O acordo firmado garantia a existência
da estrutura horizontal com a redistribuição dos recursos da
contribuição sindical – dos 20% que atualmente vão
para a “conta especial de emprego e salário” do Ministério
do Trabalho, 10% seriam investidos no fortalecimento das centrais. Coube ao
patronato atacar o sistema de custeio das lutas dos trabalhadores, aprovando
o projeto do deputado Augusto Carvalho, que extinguiria arbitrariamente a contribuição
sindical. A experiência concreta confirma que o capital almeja enfraquecer
o sindicalismo. A unicidade, a contribuição e a existência
de centrais incomodam o capital.
Sindicalismo internacional
O aumento das tensões na CUT, que resulta agora na criação
da CTB, também reflete o intenso processo de realinhamento do sindicalismo
mundial. No final do ano passado, num congresso na Áustria, foi criada
a Confederação Sindical Internacional (CSI), com a fusão
de duas antigas organizações: a Confederação Internacional
das Organizações Sindicais Livres (Ciosl) e a Confederação
Mundial do Trabalho (CMT). Estas duas entidades sempre cumpriram papel de freio
da luta dos trabalhadores, apostando na conciliação de classes
e adotando práticas cupulistas e burocratizadas. A primeira era ligada
ao pragmatismo sindical dos EUA e à social-democracia européia;
já a segunda era dirigida pela democracia-cristã. Com a fusão,
a CSI pretende garantir a total hegemonia do sindicalismo internacional, impondo
a sua visão de defesa do capitalismo “civilizado” e de domesticação
da luta de classe.
A CUT, assim como a Força Sindical e a CGT, já era filiada à Ciosl
e automaticamente se vinculou à “nova” central mundial – o
que representa grave contaminação do sindicalismo brasileiro.
As resoluções aprovadas no congresso da Áustria indicam
que a CSI será um estorvo para as lutas dos trabalhadores. Elas reafirmam
a intenção de “humanizar a globalização” capitalista,
de priorizar a atuação nas instâncias multilaterais do
capital, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização
Mundial do Comércio (OMC), e de reforçar a negociação
tripartite entre governos, patronato e os trabalhadores. Nas dez páginas
do seu documento final, ela prega o “desenvolvimento de um novo modelo
de globalização”, sem questionar a lógica capitalista
da opressão dos povos e da exploração do trabalho, e propõe
a ingênua “democratização dos órgãos
financeiros mundiais”.
Prova da forte influência das nações imperialistas, o congresso
quase não condenou o genocídio praticado pelos EUA no Iraque
e Afeganistão, que já causou mais de 700 mil mortes, mas dedicou
muitas páginas para condenar o governo da China. Ele também sequer
mencionou a heróica luta do povo cubano contra o criminoso bloqueio
econômico dos EUA e a resistência dos venezuelanos contra os golpes
e sabotagens patrocinados pelo “império do mal”. Diante
do real perigo representado pela CSI, que afirma representar 166 milhões
de trabalhadores de 156 países, há um esforço do sindicalismo
classista no mundo todo para reagrupar as suas forças. Este movimento
cresce principalmente na América Latina, onde a resistência dos
povos tem garantido expressivas vitórias nos últimos anos, com
uma viragem à esquerda na região.
Várias centrais nacionais, com destaque para as entidades de Cuba, Venezuela,
Bolívia, Equador e outras, têm tomado iniciativas para revitalizar
a Federação Sindical Mundial (FSM). Fundada em 1945, no bojo
da derrota do nazi-fascismo e do avanço das lutas revolucionárias,
ela sofreu duro golpe com a dissolução do bloco soviético
no final dos anos 80. Excluída do congresso de criação
da CSI por defender uma visão classista, a FSM agora ressurge como pólo
de atração dos que se contrapõem às concepções
conciliadoras e burocráticas. A CTB decidiu se somar aos esforços
de revitalização da FSM e de criação de um fórum
sindical na América Latina que ajude a unir forças no combate
ao imperialismo e à ofensiva do capital.
Desafios diante do governo Lula
Diante dos sinais contraditórios do sindicalismo, fica evidente que
ele terá enormes desafios pela frente. As possibilidades de revigoramento
da sua atuação, decorrentes do tímido crescimento da economia
e da postura democrática do governo Lula, não garantem por si
só que conseguirá superar sua crise estrutural e “existencial”. É preciso
dotar o sindicalismo de táticas e estratégicas ajustadas. Neste
sentido, a CTB, a maior novidade do sindicalismo no último período,
poderá dar importantes contribuições. No tocante ao governo
Lula, é necessário extrair as lições do primeiro
mandato para garantir três requisitos essenciais:
1) Preservar a autonomia. O sindicalismo não pode se confundir com o
Estado, mesmo que o governo de plantão seja oriundo de suas lutas, sob
pena de virar um mero apêndice, um dócil instrumento chapa-branca,
sem capacidade de crítica e de mobilização de suas bases.
Mesmo na experiência socialista na ex-União Soviética,
que decorreu de uma revolução e não de uma mera eleição,
a fusão do sindicato com o estado foi desastrosa. O sindicalismo perde
suas funções de instrumento de luta e pressão social;
2) Intensificar a pressão. No atual estágio da “globalização
neoliberal”, não basta mais eleger governos progressistas. A ditadura
do capital financeiro tem mecanismos, como o fascismo do mercado e o poder
manipulador da mídia, para enquadrar, domesticar ou desestabilizar estes
governantes. Daí a urgência de se intensificar a pressão
social como contraponto à pressão do capital. Qualquer postura
de passividade acrítica apenas prejudica governos oriundos das lutas
sociais, que ficam reféns do “fascismo de mercado”;
3) Agir com sagacidade. A direita neoliberal, derrotada nas urnas, está na
espreita para retornar ao poder e para aplicar seus planos destrutivos. Ao
mesmo tempo em que pressiona o governo para que ele avance nas mudanças,
o sindicalismo deve usar sua inteligência política para evitar
qualquer risco de retrocesso, para não fazer o jogo dos inimigos. Mantendo
a sua autonomia, deve apoiar as medidas progressistas do governo, como o veto
presidencial à Emenda-3, e denunciar todas as manobras das classes dominantes,
como o movimento golpista do “Cansei”. Não basta lutar, é preciso
saber lutar.
Autocrítica e desafios estratégicos
Além destes desafios táticos diante do governo Lula, o sindicalismo
necessita aproveitar este momento de maior democracia para realizar profundo
exame autocrítico da sua atuação. Os sombrios anos da
tsunami neoliberal resultaram no seu afastamento das bases e na perda do seu
poder de barganha. Para superar esta grave crise, que resultou na sua institucionalização
e burocratização, o sindicalismo necessita concentrar energias
e investir pesado na mobilização, conscientização
e organização dos trabalhadores. Mobilizar, conscientizar e organizar – eis
os três desafios estratégicos do sindicalismo.
Para isto é preciso refletir sobre a nova realidade do mundo do trabalho,
atuando junto aos terceirizados e aos demais precarizados, usando a criatividade
para atrair os jovens, priorizando a inserção das mulheres, concentrando
esforços na organização no local do trabalho e investindo
na formação política e sindical. Também é urgente
estreitar os laços de solidariedade com o conjunto das forças
populares, reforçando iniciativas como a da Coordenação
dos Movimentos Sociais (CMS). A realidade do trabalho hoje é mais complexa
e fragmentada e o sindicalismo, por si só, não tem mais como
cumprir o papel estruturante na resistência dos trabalhadores. Daí a
urgência de investir com mais ímpeto nos movimentos sociais.
* Altamiro Borges é jornalista,
membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate
Sindical e autor do livro As encruzilhadas do sindicalismo (Editora
Anita Garibaldi, 2ª edição).
|
Gazeta do Povo, 7 de janeiro de 2008
ECONOMIA | EMPRÉSTIMOS 1
Crédito para despesas de início
de ano
Vários bancos estão oferecendo linha de crédito especial
direcionada para o pagamento de despesas que se acumulam no início de
ano com escola (materiais e matrícula), com o carro (IPVA, seguro obrigatório
e multas vencidas) e com a casa (o IPTU). A idéia na formatação
dessas linhas de crédito é que o consumidor está sem dinheiro
para fazer frente a essas despesas, e a maioria das instituições
dá uma carência para o vencimento da primeira parcela. A primeira
parcela vence de 45 dias a 90 dias após a contratação
do crédito.
|
Gazeta do Povo, 7 de janeiro de 2008
ECONOMIA | EMPRÉSTIMOS 2
Orientação é procurar
outras possibilidades
Os prazos máximos para esses financiamentos estão entre 12 e
48 meses, com taxas de juros de 2,85% a 4,5% ao mês. Mas é preciso
analisar as condições com cautela, sobretudo depois do aumento
do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O professor de
matemática financeira José Dutra Vieira Sobrinho orienta que,
se tiver aplicação em caderneta ou fundos de investimento de
renda fixa, o consumidor deve fazer o saque para quitar esses compromissos à vista,
condição em que muitas vezes há desconto.
|
Folha de São Paulo,
7 de janeiro de 2008
Recessão e alta dos preços
assustam BCs
Escolha da política monetária
num momento de inflação e desaceleração
da economia domina debate em reunião na Suíça
| Contágio da crise nos EUA no restante do mundo e pressão
dos preços de alimentos e do petróleo são principais
preocupações
MARCELO NINIO
ENVIADO ESPECIAL À BASILÉIA
As incertezas que rondam
a economia mundial, que começa 2008 entre pressões inflacionárias
e a ameaça de recessão, dominam a primeira reunião
do ano do BIS (Banco de Compensações Internacionais),
que será concluída hoje na cidade de Basiléia,
na Suíça.
No encontro, que reúne presidentes de bancos centrais de vários
países do mundo, entre eles o brasileiro Henrique Meirelles, persiste
o temor de um cenário de "estagflação" para
2008. Ou seja, estagnação econômica -sob a influência
da crise hipotecária nos EUA- e inflação -causada pelo
aumento das matérias-primas, principalmente petróleo e alimentos.
Entre os banqueiros que participam da reunião bimestral do BIS, encontrar
a melhor política de juros entre esses dois perigos é "a
pergunta de US$ 1 bilhão", como definiu um deles. Se a crise imobiliária
desacelera a maior economia do mundo e cria ameaças de contágio
global, do outro lado do Atlântico, a maior preocupação
entre as autoridades monetárias continua a ser a inflação.
" As altas dos preços das commodities agrícolas e do petróleo
criam uma séria pressão inflacionária", disse o presidente
do BC polonês, Slawomir Skrzypek, acrescentando que a taxa de inflação
em seu país estava um pouco acima meta estabelecida pelo governo.
Por outro lado, ninguém esconde o receio de que a falta de liquidez
no mercado causada pela crise do "subprime" (hipotecas de alto risco)
nos EUA poderá persistir ainda por um bom tempo, esfriando as grandes
economias do mundo. Num temido cenário de recessão americana,
nem as economias emergentes como a do Brasil, que até agora sofreram
impacto limitado, ficariam imunes.
Para o presidente do BC mexicano, Guillermo Ortiz, a crise americana e suas
conseqüências na economia mundial devem se prolongar. Ortiz citou
uma frase do economista alemão Rudiger Dornbusch para ilustrar que espera
um ano de incertezas. "Os acontecimentos sempre demoram mais do que se
espera. Mas, quando chegam, ocorrem em uma velocidade também inesperada."
O maior motivo de tensão entre os banqueiros é em relação
ao comportamento dos consumidores nos EUA e o conseqüente desempenho da
economia americana neste ano. Em menor escala, o efeito sobre a Europa. A ação
recente das autoridades monetárias nos dois lados do Atlântico
mostra claramente quais são suas prioridades e ilustra o dilema atual.
O BCE (Banco Central Europeu) mantém-se firme na decisão de não
cortar as taxas de juros, hoje em 4%, para afastar o fantasma da inflação,
que no fim de 2007 atingiu 3,1% na zona do euro, a maior taxa em seis anos.
Nos EUA, o Fed fez três cortes seguidos na taxa de juros, que chegou
a 4,25%, a mais baixa desde que Ben Bernanke assumiu a presidência do
BC americano, em 2006.
Segundo o analista Robert Ward, diretor de previsões globais da Economist
Intelligence Unit, a alta do petróleo, cujo preço do barril bateu
na semana passada a marca de US$ 100 pela primeira vez na história em
termos nominais, aumenta a dor de cabeça para os BCs.
" Os altos preços do petróleo complicam o trabalho dos presidentes
de bancos centrais", explica. "Eles precisam cortar as taxas de juros,
mas são limitados pelo impacto inflacionário da subida nos preços
das matérias-primas. Isso significa que eles poderão ter menos
capacidade de cortar os juros na medida em que gostariam."
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
07 de janeiro de 2008
Aposentados podem ter vantagens para
abrir empresa
Marina Diana
Os aposentados que desejam abrir
um negócio próprio podem ganhar algumas vantagens interessantes
se for confirmada a decisão dos integrantes da Comissão
de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio
da Câmara dos Deputados.
No início de dezembro,
a comissão aprovou o Projeto de Lei nº 1899/07, do deputado
Uldurico Pinto (PMN-BA), que concede prioridade aos aposentados nos processos
de abertura de empresa e na aprovação de linha de crédito
para empreendimentos.
Segundo o deputado, o Estatuto
de Idoso já contempla hipóteses de estímulo à profissionalização
e atualização das pessoas por ele beneficiadas. Inclusive
com a obrigação de o Poder Público criar e estimular
programas dessa natureza, de cidadania, e de estímulo às
empresas privadas para admissão de idosos ao trabalho.
O advogado tributarista Bruno
Zanim, do escritório Mesquita Pereira, Marcelino, Almeida, Esteves,
aplaude a proposta. “A dignidade do ser humano está garantida
pela Constituição Federal. Especificamente em seu artigo
primeiro”.
Ele lembra que, em outubro de
2003, foi aprovada a Lei Federal nº 10.741/2003 que criou o Estatuto
do Idoso e que concede, de forma específica, vários direitos
aos maiores de 60 anos. Dentre eles estão o direito de receber
alimentos de seus familiares, direito à saúde, educação,
lazer, cultura, esporte, profissionalização, trabalho,
previdência social, assistência social, habitação
e ao transporte.
“O projeto corrobora com
as necessidades que os nossos idosos passam. Se a ciência do Direito
deve atender aos anseios da sociedade, nada mais humano do que estabelecer
ao Poder Público a obrigação de estimular ao idoso
abrir empresa pra atuar no mercado competitivo, bem como obter linhas
de crédito mais benéficas”, elogia o advogado Zanim.
Agora, a proposta será analisada
em caráter conclusivo pelas comissões de Desenvolvimento
Econômico, Indústria e Comércio; de Seguridade Social
e Família; de Finanças e Tributação; e de
Constituição e Justiça e de Cidadania. Ou seja,
passará por um rito de tramitação pelo qual não
precisa ser votado pelo plenário, apenas pelas comissões
designadas para analisá-lo.
O projeto só perderá esse
caráter se houver parecer divergente entre as comissões
ou se, após aprovado, houver recurso assinado por 51 deputados
(10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser votado
pelo Plenário.

|