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FOLHA DE LONDRINA, 08 de janeiro de 2008 |
Política
'É preciso cortar na veia',
diz Lula
Presidente disse que só conseguirá compensar
a perda da CPMF com a redução de R$ 20 bilhões
nos gastos dos três poderes
Brasília - Em meio às
queixas de parlamentares e juízes dos tribunais com os cortes
de despesas anunciados pelo governo, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva disse que só conseguirá compensar a perda
da Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF) com a redução de R$ 20 bilhões
nos gastos dos três poderes. ''Resolvemos com muita seriedade e
tranqulidade anunciar ao Brasil que temos que cortar na veia outra vez'',
afirmou. ''Temos que cortar os gastos'', completou. ''Isso vale para
o Poder Executivo, o Judiciário e o Legislativo.''
Numa entrevista divulgada ontem
pelo programa de rádio ''Café com o Presidente'', Lula
observou que os banqueiros, por exemplo, não reclamaram do aumento
da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL)
dos bancos, de 9% para 15%, uma das medidas anunciadas pelo governo.
''Não reclamaram porque os bancos tiveram muito lucro nesses últimos
anos'', avaliou. ''Agora, os bancos estão ganhando, eles vão
poder pagar um pouco mais.''
A Câmara, o Senado e os
tribunais de Justiça planejavam uma farra de obras neste ano,
com reformas de gabinetes e construções de anexo. As medidas
anunciadas na semana passada pelo governo para compensar a perda de R$
40 bilhões da receita do imposto do cheque não foram bem
recebidas por parlamentares e ministros do Judiciário.
Nas contas de Lula, o aumento
da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras
(IOF) e da contribuição dos bancos vão render ao
governo ''por volta'' de R$ 10 bilhões e o corte de despesas mais
R$ 20 bilhões. Ele pretende atingir os R$ 40 bilhões, receita
anual estimada da CPMF, com o crescimento da economia.
O presidente comentou as obras
previstas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC),
como a refinaria de petróleo em Pernambuco, a ferrovia Norte-Sul
e a transposição das águas do rio São Francisco.
Lula também citou o programa de financiamento de moradia da Caixa
Econômica Federal, que já contratou R$ 17 bilhões.
''O governo está tranqulo com as coisas que estão acontecendo,
porque fizemos sacrifício no primeiro mandato'', disse. ''Certamente,
estaremos sempre muito vigilantes para que a gente não permita
que haja nenhum desvio nas metas que nós já traçamos
para chegar a 2010.''
Lula ressaltou que o governo
pretende manter os programas sociais, mesmo com o suposto rombo no orçamento.
Ele ainda destacou as ações na área do ensino, com
a ampliação da rede universitária e de escolas técnicas.
O governo está investindo na construção de dez novas
universidades e 214 escolas de ensino profissionalizante.
À tarde, o presidente
recebeu no gabinete do Palácio do Planalto a rainha e as princesas
da Festa da Uva de Caxias do Sul, que acontece de 21 de fevereiro a 9
de março. Lula, que já participou de duas edições
do evento como presidente, disse pretende retornar à serra gaúcha
na abertura da festa neste ano, segundo organizadores.
Leonencio Nossa
Agência Estado
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Gazeta do Povo, 8 de Janeiro de 2008
BRASIL | IMPOSTOS
PSDB tenta anular no Senado o aumento
do IOF proposto por Lula
Alvaro Dias pede convocação
da Comissão do Congresso, que pode suspender projeto
por KEYSE CALDEIRA E AGÊNCIAS
Curitiba – O senador paranaense
Alvaro Dias (PSDB) apresenta hoje no Senado um decreto legislativo para
anular o decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que
aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no último
dia 3. Essa é a primeira ação da oposição,
leia-se PSDB e DEM, contra o pacote fiscal anunciado pelo governo para
compensar a perda de R$ 40 bilhões com o fim da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
O presidente do Senado, Garibaldi
Alves (PMDB-RN), irá decidir se convoca a Comissão Representativa
do Congresso Nacional. A Comissão pode colocar em votação
o decreto que será apresentado hoje pela oposição.
“Se o presidente do Senado
não convocar a Comissão, a votação fica para
fevereiro. Acredito que ele não irá convocar porque não
quer desagradar ao governo federal nesse momento”, disse o senador
Alvaro Dias à Gazeta do Povo. Se a decisão ficar para fevereiro,
Dias acha que no Senado será aprovada, mas na Câmara não
teria tanta certeza. “Na Câmara, cerca de 150 deputados serão
candidatos a prefeito. Muitos não querem sofrer desgaste eleitoral.”
A Comissão é composta
por 17 deputados e oito senadores e tem o poder de sustar atos normativos
do Poder Executivo.
O líder do DEM no Senado,
senador José Agripino Maia (RN), disse que também quer
apresentar um decreto legislativo com teor semelhante. “O ano começou
com o quadro tenso, a corda esticada”, comenta o senador.
O pacote do governo enterrou
de vez qualquer chance de aprovação da reforma tributária
em 2008, disse Agripino.
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FOLHA DE LONDRINA, 08 de janeiro de 2008 |
Política
DEM entra na Justiça contra
aumento do IOF
O argumento é que há cobrança
dupla do imposto; presidente dos democratas diz que pacote do governo é um
desrespeito com o Congresso
Brasília - O DEM entrou
ontem no Supremo Tribunal Federal (STF) com ação direta
de inconstitucionalidade (Adin) contra as medidas que aumentaram a alíquota
do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Num segundo
movimento contra o pacote tributário do governo, o DEM entra hoje
com outra ação na Corte contra o aumento da alíquota
da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL)
para o setor financeiro. O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ),
chamou de cínico o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que alegou
que o compromisso do governo de não aumentar impostos era apenas
até o dia 31 de dezembro de 2007.
''O ministro foi completamente
cínico e fez uma coisa atrapalhada e desrespeitosa'', resumiu
Maia. ''A nossa intenção é anular a decisão
do governo em relação ao aumento da carga tributária'',
explicou. No dia 2 de janeiro, o governo anunciou um pacote com o reajuste
das alíquotas de impostos para compensar o fim da cobrança
da Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF), derrubada pelo Senado em dezembro. Para aprovar a
Desvinculação das Receitas da União (DRU), o governo
havia se comprometido a não baixar pacote com aumento de impostos.
No final da tarde de ontem, o
presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), foi ao Supremo e entrou
com a Adin contra o aumento do IOF. O argumento do democratas é que
há cobrança dupla do imposto. Além disso, alega
o partido, a medida do governo feriu o princípio da isonomia uma
vez que a alíquota para empréstimo a pessoa física
dobrou, enquanto a da pessoa jurídica permaneceu inalterada, em
0,041%.
Hoje, o DEM deverá entrar
no Supremo com Adin contra o aumento da CSLL, a partir de abril, para
o setor financeiro. O argumento da oposição é que
essa majoração tem de respeitar o princípio da anualidade,
o qual estabelece que o aumento da contribuição só pode
entrar em vigor no ano seguinte ao de sua implantação.
Ou seja, o aumento do IOF só poderá ocorrer em 2009.
Em 1988, segundo explicou Maia,
o Supremo considerou inconstitucional a criação e a cobrança
no mesmo ano da CSLL. Mas, em 1989, o mesmo tribunal deu aval à contribuição.
Os democratas estão esperançosos que agora o Supremo não
deixe que o aumento da CSLL para os bancos comece a vigorar já este
ano. Rodrigo Maia rebateu os argumento do governo de que apenas os bancos
serão prejudicados com o aumento da CSLL. ''Só na cabeça
do ministro da Fazenda e do presidente Lula é que banqueiros não
assimilam custos de impostos. Ou seja, esses custos serão repassados
ao cidadão'', previu Maia.
O presidente do DEM afirmou ainda
que o pacote do governo é um ''desrespeito'' com o Congresso.
Maia lembrou também que o líder do governo no Senado, Romero
Jucá (PMDB-RR), havia dado sua palavra de que não haveria
aumento de impostos para compensar o fim da CPMF. Além das ações
de inconstitucionalidade, o DEM junto com o PSDB pretende apresentar
decreto legislativo para tentar anular o decreto do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva que aumentou o IOF.
Maia anunciou ainda que o partido
começará a recolher assinaturas para criação
de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar
a revelação feita pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu
que admitiu que recursos provenientes de caixa 2 financiaram a construção
da sede do PT, em Porto Alegre. Segundo Maia, a idéia é criar
uma CPI mista, formada por senadores e deputados federais. São
necessárias as assinaturas de 171 deputados e 27 senadores para
que a instalação da CPI.
Eugênia Lopes
Agência Estado
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FOLHA DE LONDRINA, 08 de
janeiro de 2008 | Política
Para Bernardo, STF vai barrar questionamento
São Paulo - O ministro
do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou ontem que não acredita
que o governo terá problemas para manter as elevações
de tributos anunciadas na semana passada. Para ele, a atitude da
oposição de questionar as medidas na Justiça
faz parte do processo político, mas ele acha que o questionamento
vai terminar barrado no Supremo Tribunal Federal (STF).
Bernardo afirmou que no caso
do IOF está clara a prerrogativa do Executivo de elevar o imposto
e lembrou que o próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
tomou tal decisão. Ele também disse que não considera
que ocorra bitributação no IOF, como apontado pelo DEM.
''É só uma fórmula de cálculo. Não é bitributação.''
No caso da CSLL, o ministro destacou
que a apuração do lucro dos bancos é trimestral
e, por isso, não vê chance de prosperar a tese de que ela
só poderá ser cobrada a partir de 2009. Bernardo reuniu-se
ontem com o ministro da Articulação Política, José Múcio,
para consolidar as informações e organizar a ação
do governo ao longo da semana.
Ele informou que na quarta-feira, às
11 horas, ele fará reunião com o relator do Orçamento,
deputado José Pimentel (PT-CE), e o presidente da Comissão
do Orçamento, José Maranhão (PMDB-PB). Na quinta-feira,
os três voltam a se encontrar junto com Múcio e líderes
da base aliada.
Segundo Bernardo, o governo tem,
sim, pressa para aprovar a peça orçamentária, para
dar continuidade aos projetos do PAC e também para passar um sinal
positivo aos agentes econômicos. Ele também afirmou que é um
''absurdo'' a notícia de que o governo cortaria emendas parlamentares
apenas de partidos da oposição. Segundo ele, os cortes
serão feitos independentemente de partido.
Fabio Graner
Agência Estado
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FOLHA DE LONDRINA, 08 de
janeiro de 2008 | Política
Aliados avisam que cortes devem piorar
tensão
Brasília - Com o diagnóstico pronto sobre a situação
da base aliada no Congresso depois do anúncio das medidas que buscam
compensar a perda de arrecadação causada pelo fim da CPMF, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai reunir a coordenação
política na quinta-feira.
A idéia é traçar
a estratégia a ser implementada pelo governo para garantir a execução
das medidas e a aprovação do texto do Orçamento
Geral da União. Antes, os assessores diretos de Lula receberam
mensagens dos aliados de que o governo deverá evitar cortes de
emendas parlamentares na tentativa de impedir o acirramento do clima
no Senado e na Câmara.
Ontem os ministros José Múcio
Monteiro (Relações Institucionais) e Paulo Bernardo (Planejamento)
receberam do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR),
um recado enviado por vários integrantes da base aliada. A reportagem
apurou que deputados e senadores prevêem deterioração
nas relações com o Congresso caso a equipe econômica
resolva cortar emendas parlamentares de bancada e também individuais.
Apesar de os eventuais cortes
terem de ser discutidos pela Comissão Mista de Orçamento
do Congresso, a possível recomendação do governo
pesará sobre a posição assumida pelos partidos.
Hoje, Múcio deverá fazer uma nova rodada de reuniões
com Bernardo e Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência). Na
quinta-feira, Lula faz a reunião de coordenação.
Segundo interlocutores, Jucá teria dito a Bernardo e Múcio
que o descontentamento da base aliada aumentou também em decorrência
da demora na nomeação de cargos para presidências
e diretorias em várias estatais. Na quarta-feira, o presidente
deve jantar com o comando do PMDB.
Folhapress
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FOLHA DE LONDRINA, 08 de
janeiro de 2008 | Política
Cassação de deputado
pode levar Severino à Câmara
Brasília - O processo de cassação do mandato do deputado
federal Marcos Antônio Ramos da Hora (PRB-PE) por infidelidade partidária
poderá reconduzir o ex-presidente da Câmara dos Deputados Severino
Cavalcanti (PP) à Casa, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em 2005, Cavalcanti renunciou à presidência sob acusação
de cobrar propina do empresário Sebastião Buani, dono de um restaurante
na Câmara.
A petição contra
Da Hora foi ajuizada no TSE no último dia 31. Nela, o suplente
de deputado federal Fernando Antônio Rodovalho (PSC-PE) tenta reaver
o cargo de Da Hora, que após ser eleito pelo PSC teria passado
por outras duas legendas em menos de seis meses. De acordo com o TSE,
Cavalcanti é o primeiro suplente da coligação que
elegeu Marcos da Hora. O ministro Cezar Peluso será o relator
do caso. O julgamento poderá esclarecer se o mandato pertence
ao partido ou à coligação.
Elvis Pereira
Agência Estado
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Gazeta do Povo, 8 de Janeiro de 2008
BRASIL | INSS
Governo suspende empréstimo
consignado a aposentado
São Paulo – O governo
suspendeu no último dia 2 as operações de crédito
consignado a aposentados e pensionistas. A suspensão será mantida
até que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) consolide
todas as mudanças nas regras das operações. Em dezembro,
o INSS ampliou o prazo máximo de pagamento dos empréstimos
com desconto em folha de pagamento de 36 para 60 meses.
De acordo com a assessoria do
Ministério da Previdência Social, o INSS deve agora mudar
o valor da prestação. Atualmente, os aposentados e pensionistas
podem comprometer até 30% do total do benefício no pagamento
dos empréstimos, e o INSS deverá reduzir esse limite para
20%.
Os empréstimos ficarão
suspensos até que o novo porcentual seja publicado, o que deve
ocorrer ainda neste mês. A mudança no prazo foi estabelecida
na Instrução Normativa N.º 24, publicada no dia 20
de dezembro no Diário Oficial da União. A taxa de juros
aplicada às operações de empréstimos consignados
para aposentados e pensionistas é de até 2,64% ao mês.
Nos últimos três
anos, foram realizados 20,7 milhões de operações
de empréstimo com desconto em folha por aposentados e pensionistas.
De acordo com balanço do Ministério da Previdência
Social, de maio de 2004 até agosto de 2007, 8,4 milhões
de pessoas recorreram aos empréstimos e os recursos liberados
totalizaram R$ 27,3 bilhões. Somente em agosto, o valor de empréstimos
foi de R$ 904,1 milhões.
De acordo com a assessoria
do Ministério da Previdência, as operações
de empréstimo consignado – com desconto em folha – a
aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)
começaram a ser realizadas em maio de 2004.
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FOLHA DE LONDRINA, 08 de
janeiro de 2008 | Opinião
Eleição: exercício
democrático e transtorno
Este é também o último
ano de mandato de prefeitos e vereadores e um tempo de entediantes
auto-elogios
São muitos os defensores da coincidência de eleições,
evitando-se a periodicidade bienal ora vigorante, que para os brasileiros (e
vale para qualquer campanha eleitoral) é mais um transtorno que um exercício
democrático. Este 2008 é ano eleitoral e os pré-candidatos
a prefeito já se movimentam. Reportagem de ontem da jornalista Catarina
Scortecci, da sucursal da FOLHA em Curitiba, informa que duas dezenas de deputados
estaduais já se habilitam a concorrer às prefeituras dos respectivos
municípios. Em Londrina, pelo menos cinco candidatos potenciais já levantam
suas bandeiras: os deputados estaduais Antonio Belinati e Luiz Eduardo Cheida
e os federais Alex Canziani, André Vargas e Luiz Carlos Hauly. Eles
são ''eternos'' candidatos em qualquer pleito que venha pela frente.
Este é também o
derradeiro ano de mandato dos prefeitos e vereadores e poderá ser
um período de esforço extra para mostrar realizações.
No caso dos prefeitos, eles irão raspar o fundo do tacho das verbas
disponíveis e aplicá-las onde for possível. Quem
está no poder e não visa reeleição, foca
suas vistas em outros cargos eletivos futuros, porque daqui a dois anos
tem mais eleição, dessa vez para deputados estaduais e
federais, senadores, governadores e presidente da República. Ou,
se não pensa nisso, pode desejar eleger um sucessor do mesmo partido,
o que significa também uma forma de prestígio. A reportagem
mostra sinais de que o ano será de pouca produtividade na Assembléia
Legislativa por conta da faina eleitoral.
Se o rendimento já não
era grande, os deputados tenderão a apresentar e discutir projetos
de repercussão momentânea, no entender do analista Antonio
Celso Mendes, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná,
citado na reportagem. Eles correrão para diante das câmeras
e debaixo dos holofotes. Um novo palco de campanha dos deputados candidatos
a prefeito ou que apóiam parceiros será a TV recentemente
inaugurada na Assembléia. A disputa, como todas as outras, deverá ser
ferrenha também com vista às câmaras municipais,
não tanto por espírito público e o ideal de servir
e sim porque se trata de um excelente emprego. Quem contestar que isto
não é levado em conta (em muita conta) já começa
mentindo ao eleitorado. Esse anseio primordial não é apenas
desses candidatos específicos e sim de todos os que buscam eleger-se
pela primeira vez ou reeleger-se.
O analista mencionado declara
que a política se tornou uma atividade rentável e que
a tendência é os políticos se eternizarem no poder,
porque eles sempre têm mais chance que os candidatos estreantes.
Ele propõe, e com sentido, uma reforma da legislação,
de modo a evitar isso. O ideal seria que o mandato dos eleitos para
cargos legislativos tivesse a mesma duração dos mandatos
executivos. Estes nove meses que antecedem as eleições
(que serão dia 5 de outubro, em primeiro turno) são um
tempo precioso para os eleitores avaliarem seus candidatos. Prefeitos
que tiveram fraco desempenho e vereadores carreiristas não merecem
ser reeleitos.
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FOLHA DE LONDRINA, 08 de
janeiro de 2008 | Opinião
Participação Popular
- Só o povo consegue mudar a cabeça dos políticos
Para o cientista político Ricardo
Oliveira, da UFPR, Congresso só funciona sob pressão; ‘Boa
parte dos parlamentares se considera super-homem, acima das Leis’
Arquivo FOLHA

‘ A questão do plebiscito para mudança de Constituição
enfrenta desgaste na América do Sul, mais especificamente na Venezuela
e na Bolívia’, afirma Oliveira
O Congresso Nacional deve discutir, assim que voltar do recesso, um projeto
que prevê a realização de plebiscito para revisão
constitucional ligada às reformas política e tributária.
Segundo a proposta do deputado Flávio Dino (PCdoB/AL), parlamentares
eleitos em 2010 teriam a tarefa de promover alterações na Carta
Magna nacional, respeitando as cláusulas pétreas para não
prejudicar direitos dos trabalhadores e sociais.
Em entrevista à FOLHA,
o cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR),
Ricardo Oliveira, mostrou-se contrário à realização
do plebiscito, argumentando que a consulta popular não é o
ponto principal da questão. Para ele, em primeiro lugar é preciso
discutir a cultura política e uma série do comportamentos
do brasileiro, que precisa cobrar mais dos seus representantes.
O que o senhor acha da
idéia de fazer plebiscito para saber se a população
aprova uma revisão na Constituição?
A questão do plebiscito
para mudança da Constituição enfrenta um grande
desgaste na América do Sul, mais especificamente na Venezuela
e na Bolívia, que achavam que poderiam resolver graves problemas
estruturais apenas modificando a Constituição. A idéia
de que uma Constituinte irá refundar todo um país, achando
que as Leis podem mudar toda uma realidade mostrou-se uma farsa. A grande
questão não é alterar a Constituição.
Além disso, dificilmente o atual governo teria espaço político
para qualquer nova proposta de emenda constituicional. Já há um
desgaste em função da derrota da CPMF, mostrando que o
governo não tem a maioria para aprovar qualquer proposta.
O plebiscito traz uma
falsa sensação de democracia?
Referendos e plebiscitos são
extremamente importantes para o fortalecimento da democracia, mas antes
você precisa preparar a população e discutir o assunto.
Mais importante do que achar que um plebiscito vá resolver o problema é discutir
toda uma cultura, uma série de comportamentos. No referendo do
desarmamento, não estava em jogo apenas a questão das armas,
mas todo um contexto social e estrutural que gera violência, corrupção
na polícia, cultura da impunidade. É um processo político
muito mais complexo do que uma falsa visão de que uma mudança
no arcabouço jurídico ou constitucional irá, como
em um passe de mágica, resolver problemas graves do país.
Não é pela Lei que você transforma a realidade comportamental.
Como será possível
mudar o sistema político do país então?
Com diálogo, entendimento.
A própria Justiça Eleitoral é que está regulando
e adequando Leis para tentar moralizar as eleições, já que
o próprio poder legislativo não consegue fazer isso. Algumas
coisas precisam mudar com urgência, como por exemplo a figura do
suplente. É um absurdo. Muitas vezes o senador é eleito,
ocupa outro cargo, e assume um suplente que não teve votação
direta.
O que mais pode ser feito
para moralizar a política nacional?
Outro ponto em que a Justiça
Eleitoral pode ser mais rigorosa e efetiva para ajudar a controlar o
Legislativo e os maus parlamentares é a questão patrimonial.
Nós temos uma verdadeira casta de políticos profissionais,
que começam a carreira como vereador, viram deputados, governadores,
senadores, ministros, e o patrimônio tem um aumento completamente
incompatível com a trajetória deles. Cada vez o parlamentar
quer mais vantagens, mais salário, verba de gabinete, verbas indenizatórias,
e ele tem uma movimentação financeira sem limite, porque
não tem quem controle.
É possível
sobrepor os interesses tanto de governo quanto de oposição
para promover estas mudanças?
É preciso vontade não
apenas dos partidos, situação e oposição,
mas principalmente da sociedade civil organizada. Nós temos que
ter um envolvimento de entidades como a OAB, movimentos sociais, estudantis,
associações de empresários, sindicatos, ou seja,
uma mobilização de verdade para coibir os excessos. A atividade
parlamentar está se convertendo cada vez mais em uma atividade
cara, que só beneficia o abuso do poder econômico, e aí vira
uma plutocracia. Só se elege quem tem muito dinheiro ou é financiado,
seja na esfera pública ou na esfera privada. Isso quando não
entra financiamento de atividades como caixa dois - que de certa forma
ainda é admitido quando tinha que ser pesadamente combatido -
ou ainda financiamento de atividades criminosas como narcotráfico,
roubo de cargas.
Sobre a participação
das entidades, podemos dizer que o Congresso só funciona sob
pressão?
Exatamente, tem que ser assim.
Se não houver fiscalização, aquilo lá vira
a casa dos privilégios. Boa parte dos parlamentares se considera
super-homem, acima das Leis. Com a pressão da sociedade, isso
muda. É a única forma de colocar um freio nestes abusos.
Marco Feltrin
Reportagem Local
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| GAZETA DO POVO, 08 de janeiro de 2008 | Cursos & Palestras |
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Agência Senado, 8 de Janeiro de 2008
Lúcia Vânia quer incluir
na CLT medidas de proteção ao trabalhador idoso

Projeto de lei da senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) visa incluir
na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) capítulo com
medidas de proteção ao trabalho do idoso. Os dispositivos reproduzem
recomendações da Organização Internacional do Trabalho
(OIT), de 1980, destinadas a reduzir as dificuldades dos trabalhadores com
mais de 60 anos. A proposta da parlamentar reitera ainda determinações
do Estatuto do Idoso (Lei 8.842/94) quanto aos direitos do exercício
de atividade profissional dessa faixa etária, desde que respeitadas
as condições físicas, intelectuais e psíquicas
desse trabalhador.
" As diferenças de tratamento em relação ao trabalhador
idoso devem servir como forma de proteção e não para discriminar
essa parcela da população", ressalta a senadora na justificação
do projeto. Para Lúcia Vânia, ainda, o trabalhador idoso deve contar
com a proteção do Estado em relação aos trabalhos
penosos, insalubres, perigosos, "ou que sejam exercidos em ambientes com
alta carga de pressão psicológica, sob pena de serem considerados
atos atentatórios aos direitos ao trabalho e à igualdade do idoso".
De acordo com dispositivos do projeto, há possibilidade, mediante convenção
ou acordo coletivo, de prorrogação do número de horas
trabalhadas em até duas horas diárias, independentemente de acréscimo
salarial, desde que o excesso de um dia seja compensado pela redução
em outro. A jornada de trabalho dos idosos, determina ainda a proposta, não
poderá exceder a 44 horas semanais ou outro limite inferior legalmente
fixado.
Em situações excepcionais ou por motivo de força maior,
e quando o trabalho do idoso for imprescindível ao funcionamento do
estabelecimento, a prorrogação também poderá se
dar até o máximo de 12 horas. Neste caso, a proposta exige acréscimo
salarial de, pelo menos, 50% sobre a hora normal. E ainda, sempre que o trabalhador
idoso tiver seu período de trabalho prorrogado por quaisquer motivos,
deverá observar um descanso de 30 minutos antes de começar o
trabalho extraordinário. Já os idosos que trabalham sob condições
penosas, perigosas ou insalubres, determina o projeto de Lúcia Vânia,
terão a jornada diária reduzida em 30 minutos, sem prejuízo
do seu salário.
Ainda de acordo com a proposta, não podem ser admitidos idosos para
trabalhos que exijam força muscular superior a 20 quilos em trabalho
contínuo, ou 25 quilos, quando ocasional. Tal determinação
não compreende o trabalhador idoso que utiliza vagonetes sobre trilhos
ou carrinho de mão, bem como outros equipamentos ou máquinas
para a execução do trabalho.
Qualificação
A proposta da senadora Lúcia Vânia também estabelece que
5% das vagas do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai),
do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat), bem como
do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) serão reservadas
para profissionalização de idosos.
Estabelece ainda o projeto que o empregador deve realizar exames médicos,
bem como de visão, na admissão, semestralmente e na demissão
de trabalhadores com mais de 60 anos. Multa no valor de R$ 300 a R$ 3.000 poderá ser
imposta ao infrator de quaisquer dos dispositivos. Na hipótese de ficar
provado emprego de artifício ou simulação para fraudar
a aplicação das medidas propostas, bem como em caso de reincidência,
a multa será aplicada em seu valor máximo.
O projeto ((PLS 315/07) está em exame na Comissão de Direitos
Humanos e Legislação Participativa (CDH) e, posteriormente, será encaminhado à Comissão
de Assuntos Sociais (CAS), para votação em decisão terminativa.
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FOLHA DE LONDRINA, 08 de
janeiro de 2008 | Cidades
Acidente deixa operário paraplégico
Um acidente de trabalho deixou Wesley Aparecido de França, 24 anos,
paraplégico, ontem, em Londrina. Segundo o Corpo de Bombeiros, um carrinho
de aproximadamente 700 quilos caiu sobre ele. O fato ocorreu no frigorífico
Diplomata Agroindustrial (antiga Comaves), localizado no Parque das Indústrias
Leves (Zona Leste), por volta de 12 horas.
O supervisor de Recursos Humanos
da empresa, Maurício Chiesa Carvalho, disse que o rapaz trabalhava
no departamento de produção e, no momento do acidente,
empurrava um carrinho carregado de frangos congelados. ''Estamos apurando
os detalhes e, provavelmente, em sete dias deveremos saber o motivo do
acidente'', afirmou Carvalho, que desconhecia a gravidade do caso.
França foi encaminhado
ao Hospital Evangélico (HE), onde realizou uma série de
exames durante o dia. Conforme a assessoria de imprensa do hospital,
até o final da tarde, nenhum funcionário do Diplomata ou
parente do rapaz acompanhou os procedimentos médicos, embora residam
na cidade. Hoje, ele será submetido a cirurgia na coluna e, por
enquanto, não existe previsão de alta.
Há seis meses, Anderson
Spandor, 18 anos, teve o braço direito arrancado por uma centrífuga
de roupas dentro do frigorífico Diplomata. Sobre este fato, Carvalho
atribuiu a responsabilidade à vítima, que era funcionário
terceirizado de uma empresa catarinense. ''Cumprimos apenas o que diz
a lei'', arrematou o supervisor de Recursos Humanos.
Betânia Rodrigues
Reportagem Local
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CONSULTOR JURÍDICO,
08 de janeiro de 2008
Motorista e cobrador
Para PGR, estados não podem
legislar sobre trabalho
Motorista de ônibus pode exercer também e simultaneamente a função
de cobrador. A afirmação é do procurador-geral da República,
Antonio Fernando Souza, em parecer encaminhado pela inconstitucionalidade da
Lei 12.252/06, de São Paulo, que proíbe os motoristas de veículos
destinados ao transporte público de exercer ao mesmo tempo a atividade
de cobrador.
A Ação Direita
de Inconstitucionalidade foi proposta pelo governador do estado de São
Paulo, José Serra. O procurador afirma que a lei viola o inciso
XVI do artigo 22 da Constituição Federal, segundo o qual
compete exclusivamente à União legislar sobre a organização
do sistema nacional de emprego e condições para o exercício
de profissões.
“Ao vedar que certa categoria
exerça uma específica atribuição está o
estado de São Paulo a pretender regular determinada profissão.
Ocorre, contudo, que pelo nosso modelo constitucional, as profissões
devem receber tratamento jurídico planificado, uniforme em todo
o território nacional”, afirma o MPF.
O parecer vai ser analisado pela
ministra Carmem Lúcia, relatora do caso no STF.
ADI 3.960
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
08/01/2008
Prazos no TST estão suspensos até 31
de janeiro
Em função das férias
coletivas dos ministros dos tribunais superiores, os prazos recursais
no Tribunal Superior do Trabalho estão suspensos até o
dia 31 de janeiro e voltam a contar a partir do início do ano
judiciário, dia 1º de fevereiro.
A suspensão, prevista
na Súmula nº 262 do TST, baseia-se no artigo 179 do CPC
e no artigo 177 do Regimento Interno do TST.
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08/01/2008
Acordo homologado judicialmente prevalece
sobre convenção coletiva
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho
negou provimento a embargos interpostos por um aposentado do Banco do
Estado de São Paulo S. A. – Banespa que pretendia receber
reajuste previsto em convenção coletiva não aplicada
aos servidores da ativa. Anteriormente, a Segunda Turma do TST já havia
rejeitado recurso de revista e embargos declaratórios do aposentado,
que insistia na discussão da complementação de aposentadoria
e na não prevalência de um acordo coletivo homologado nos
autos de dissídio coletivo sobre a convenção coletiva
anterior.
Segundo o aposentado, a decisão
da Turma violou preceitos legais e constitucionais. Argumentou que o
acordo coletivo de trabalho firmado pelo banco substituiu, para os empregados
em atividade, o reajuste de 5,5% pela estabilidade no emprego para o
período de 2002/2003, enquanto os aposentados ficaram sem o reajuste,
por não se enquadrarem no requisito da garantia de emprego. Invocou
a aplicação da convenção coletiva, norma
mais favorável a ele.
O relator dos embargos, ministro
Aloysio Corrêa da Veiga, citou o acórdão da Segunda
Turma, no julgamento do recurso de revista para lembrar que, segundo
o Regulamento de Pessoal do Banespa, a complementação da
aposentadoria tinha seu reajuste vinculado à majoração
dos vencimentos da ativa. Destacou, ainda, que o artigo 620 da CLT dispõe
que “as condições estabelecidas em convenção,
quando mais favoráveis, prevalecerão sobre as estipuladas
em acordo”. No caso, os empregados da ativa não receberam
o reajuste e o abono pretendidos pelo aposentado. “Se a convenção
coletiva não é aplicável aos empregados em atividade,
por força do acordo coletivo homologado judicialmente, também
não será aplicável aos aposentados, que têm
os reajustes salariais atrelados aqueles que se encontram em atividade”,
afirmou o relator.
O ministro Aloysio Veiga destacou
que a jurisprudência do TST baseia-se no princípio da unicidade
das normas coletivas e na aplicação da teoria do conglobamento,
que analisa de forma global as normas aplicáveis. “Não
se interpretam as cláusulas coletivas de forma isolada, e sim
sistemicamente”, ressaltou. Por unanimidade, a SDI-1 julgou manteve
a decisão da Turma e julgou indevido o pagamento do reajuste de
5,5% ao aposentado do Banespa. (E-ED-RR-1009-2002-074-15-00.2)
(Mário Correia)
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