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Folha de São Paulo, 9 de janeiro de
2008
PARTIDOS
Pedidos na Justiça para cassar
os "infiéis" superam os 6.000
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Justiça Eleitoral recebeu mais de 6.000 pedidos de cassação
de mandatos por infidelidade partidária. O levantamento, divulgado ontem
pelo TSE, inclui 22 Estados, mais o Distrito Federal, além dos 17 processos
que já tramitam no tribunal.
O número pode ficar maior, já que nem todos os tribunais eleitorais
concluíram os seus levantamentos.
O prazo para o recebimento do processo era 30 de dezembro. A data, porém,
pode variar de acordo com o entendimento do juiz. Os processos foram apresentados
após resolução do TSE, que entendeu que os cargos pertencem
aos partidos. O prazo para mudar de sigla em cargos proporcionais foi 27 de
março e 16 de outubro para os majoritários.
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VERMELHO, 09 dem janeiro
de 2008 | Brasil
A reforma política e o voto
distrital
Em artigo , o deputado Rubens Otoni (PT-GO)
analisa a reincidência no noticiário do tema que trata
da reforma política. Ele lembra que, mesmo quando o legislativo
não consegue consenso para promovê-la, ela volta à pauta
através de "atabalhoadas intervenções
de tribunais superiores" ou pela "colocação
de propostas mistificadoras e demagógicas por parte de quem é contra
qualquer reforma". O texto foi publicado no jornal O Popular
do dia 25 de dezembro último.
Sobre o voto distrital
A questão da reforma
política não sai da pauta. Mesmo quando o Poder Legislativo
se mostra incapaz de reunir uma maioria para produzir uma reforma política
séria, ela teima em voltar ao noticiário através
de atabalhoadas intervenções de tribunais superiores, invadindo áreas
que não são de sua competência, ou da colocação
de propostas mistificadoras e demagógicas por parte de quem é contra
qualquer reforma. Agora parte dos tucanos a proposta mágica do
voto distrital como solução para os problemas de nosso
sistema eleitoral. Partindo do pressuposto de que a melhor reforma política
será a que vier para ampliar e consolidar nosso sistema democrático,
examinemos a experiência do sistema distrital.
O sistema distrital cria as
condições para a exclusão política das minorias.
Nele, os moradores do distrito elegem por voto majoritário um
representante. Este método cria a possibilidade estatística
de um partido, mesmo obtendo 49% dos votos em cada distrito, ficar sem
representação parlamentar. Mas ele é também
capaz de deformar a expressão da vontade popular ao ponto de fazer
com que uma minoria da população eleja uma maioria parlamentar.
Jairo Nicolau, em Sistemas Eleitorais,
página 9, registra: "O Partido Liberal do Reino Unido tem
sido freqüentemente prejudicado, pois o percentual de cadeiras que
recebe é sempre inferior ao seu percentual de votos. O partido
foi sub-representado em todas as eleições para a Câmara
dos Comuns no pós-1945: com uma média de 12,4% dos votos,
obteve uma média de 1,9% das cadeiras. A diferença mais
acentuada aconteceu em 1983, quando recebeu 25,4% dos votos e elegeu
apenas 3,5% dos representantes".
Na mesma página 9, Jairo
Nicolau, comentando as eleições para a Câmara dos
Deputados do Canadá em 1993, sublinha a capacidade do sistema
distrital de produzir deformações severas: "O Partido
Conservador, com votação dispersa pelo país, obteve
16% dos votos, mas elegeu apenas 2 deputados, enquanto que o Bloco de
Quebec, com votação concentrada numa região, recebeu
18% dos votos e elegeu 54 deputados, e o Partido da Nova Democracia,
com apenas 7% dos votos, elegeu 9 deputados".
Os exemplos acima citados falam
por si. As deformações apontadas são irrefutáveis.
Tanto é assim que nas últimas eleições inglesas
Tony Blair prometeu reformas no sistema. Cumpriu apenas parcialmente
sua promessa. A sucessão na Casa dos Lordes (Senado) deixará de
ser hereditária, mas o sistema para eleição dos
membros da Casa dos Comuns não foi alterado, certamente porque
beneficia os trabalhistas e os conservadores.
Outra coisa estranha. No Brasil,
os que falam das virtudes do voto distrital, logo acrescentam que defendem
o distrital misto. Ora, se o sistema é virtuoso, por que não
defendê-lo em sua pureza, em sua integralidade? Na Alemanha, para
atenuar as deformações provocadas pelo sistema distrital,
foi adotado um sistema misto. Lá, metade do parlamento é eleita
na lista partidária. A outra metade, pelo sistema distrital que
produz tantas deformações. Ou seja, pelo menos metade do
parlamento alemão é eleita dentro de um sistema democrático.
Além das objeções
citadas, caberia sublinhar ainda que o sistema distrital contribui para
potencializar os efeitos do poder econômico, na medida em que candidatos
que dispõem de tal poder não precisariam dispersá-lo
por todo o Estado. Naturalmente iriam concentrá-lo em um único
distrito, aumentando assim sua eficácia.
Uma mistificação
em torno do voto distrital é o chamado controle do eleito pelo
eleitor por causa da proximidade geográfica entre os dois. Em
verdade, na Inglaterra, o deputado não tem nenhuma obrigação
de morar no distrito pelo qual é eleito. E existe até a
figura do distrito "puro sangue" que é reservado para
eleger os figurões de cada partido.
Outra fonte de distorção
seria a redefinição periódica do mapa dos distritos,
que provocaria uma guerra entre partidos, personalidades e caciques em
busca da demarcação do distrito ideal para cada um dos
interessados.
O sistema distrital não
tem virtudes, mas graves defeitos. Os tucanos não estavam numa
hora de inspiração democrática quando adotaram esta
lamentável bandeira. Temo até que daqui a pouco eles venham
nos propor o restabelecimento do voto censitário, do voto de qualidade
do brigadeiro Eduardo Gomes, ou algum cargo de senador vitalício
para FHC.
Expresso minha certeza de que
a sociedade e o parlamento brasileiros saberão rejeitar esta tentativa
de reduzir nossos espaços democráticos, lutando por uma
reforma política que amplie a democracia, estabelecendo o financiamento
público de campanha, o voto em lista, a fidelidade partidária,
a proibição de coligações nas eleições
proporcionais, a eliminação da figura estranha do suplente
de senador, etc.
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VERMELHO, 09 dem janeiro
de 2008 | Brasil
Relator diz que obras do PAC serão
poupadas dos cortes
Os recursos para obras do Plano
de Aceleração do Crescimento (PAC) devem ser preservados
de cortes. A declaração foi feita pelo relator do orçamento
de 2008, deputado José Pimentel (PT-CE), antes de entrar na reunião
com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, nesta quarta-feira (9)
para discutir os cortes que precisam ser feitos no orçamento com
o fim da CPMF. O presidente da Comissão Mista de Orçamento,
senador José Maranhão (PMDB-PB), também participa
da reunião.
"O PAC terá tratamento
difererenciado", destacou Pimentel, lembrando que a Lei de Diretrizes
Orçamentárias (LDO) já traz a previsão de
R$13,8 bilhões do Projeto Piloto de Investimentos (PPI) para o
PAC.
Pimentel disse que o corte de R$20 bilhões no orçamento deve
ser resultado da contribuição de todos os setores, confirmando
as palavras do Presidente Lula de que os Três Poderes - Executivo, Legislativo
e Judiciário - serão atingidos.
A perda de receita de R$40 bilhões
oriunda da arrecadação da CPMF vai mexer com o reajuste
dos servidores e as emendas parlamentares entre outros setores.
Sobre o reajuste salarial dos servidores, incluindo os militares, Pimentel
lembrou que de 2003 até este ano a folha de pessoal do setor público
subiu de R$75 bilhões para R$ 130 bilhões, variação
acima da inflação do período, destacando que "com
a retirada de R$40 bilhões, todos terão que dar sua contribuição".
Para o corte das emendas parlamentares, ele argumenta que o fim da CPMF foi
criado pelos parlamentares que votaram contra a prorrogação do
tributo e agora cabe aos parlamentares resolver esse problema. Confirmou que
haverá corte nas emendas, mas não adiantou quais tipos de emendas
parlamentares serão preservadas dos cortes.
José Pimentel descartou a hipótese de fazerem cortes lineares
na proposta. Os cortes deverão ser seletivos, de acordo com as sugestões
encaminhadas pelos representantes dos três Poderes e do Ministério
Público, indicando quais obras e programas devem ser poupados.
Bernardo, Pimentel e Maranhão não deverão anunciar logo
hoje as obras e programas eu serão sacrificados, mas anteciparão
as diretrizes e critérios a serem adotados.
Mais discussões
Até o dia 12 de fevereiro,
o relator deve concluir seu parecer sobre a matéria. A partir
desta semana, ele espera receber as sugestões de vários
setores que participaram de discussões do texto. Segundo ele,
desde o dia 13 de dezembro tem sido feita uma série de reuniões
com o Legislativo, o Judiciário, o Executivo e o Ministério
Público, buscando sugestões de possíveis cortes.
Os cortes no Orçamento
serão discutidos nesta quinta-feira (10) entre o governo e os
líderes dos partidos da base aliada no Congresso, o relator e
o presidente da Comissão Mista de orçamento.
Segundo o ministro da Secretaria
de Relações Institucionais, José Múcio, ele
e o ministro Paulo Bernardo se reunirão com o grupo para discutir
o assunto. Embora admita que cabe à comissão definir as áreas
que sofrerão os cortes, o governo quer participar das discussões. "É um
trabalho que deve ser feito a muitas mãos e de forma combinada",
disse o ministro.
De Brasília
Com agências
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VERMELHO, 09 dem janeiro
de 2008 | Brasil
Aposentados têm direito a passagens
interestaduais de graça
Aposentados e pensionistas
com mais de 60 anos e renda de até dois salários
mínimos têm direito a passagem de ônibus interestadual
gratuita. Para usufruir do benefício, é necessário
se cadastrar nos postos de atendimento com carteira de identidade
e comprovante de residência. Os postos ficam nos centros
de Desenvolvimento Social e nas secretarias municipais de Assistência
Social.
O prazo de entrega da carteira é de
30 dias. As pessoas cadastradas que ainda não receberam a carteira
podem adquirir as passagens, desde que informem o número do registro
e apresentem documento de identificação.
Em entrevista hoje ao programa
Revista Brasil, da Rádio Nacional, a assessora Maria das Graças
Bibas, do Departamento de Proteção Social Especial do Ministério
de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, informou que cada ônibus é obrigado
a disponibilizar dois assentos de graça para aposentados ou pensionistas.
Esgotados os assentos, eles podem comprar com 50% de desconto e, nesse
caso, não há limite desde que seja para uso próprio.
Segundo a assessora, os idosos
não precisam ter receio quanto à burocracia. “O procedimento é muito
simples e as empresas de transporte, até o momento, não
colocaram nenhum empecilho”. Cerca de 47 mil idosos já utilizam
o benefício.
“ O principal objetivo desse trabalho é proporcionar a essas pessoas
o direito de viajar a outros estados para tratamentos médicos”,
disse Maria das Graças.
Outras informações
podem ser obtidas no telefone 0800 7072003.
Fonte: Agência Brasil
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
09 de janeiro de 2008
Empresa é condenada por assédio
moral no Ceará
O juiz da Vara do Trabalho de Sobral (CE), Lucivaldo Muniz, condenou por assédio
moral a Universal Administração de Condomínios e Serviços.
A empresa forçava seus trabalhadores a abrirem mão de direitos
trabalhistas perante a Justiça como forma de permanecerem empregados.
Pela decisão, a empresa
deve pagar indenização por dano moral coletivo de R$ 30
mil, destinada ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), e se abster de
assediar moralmente seus empregados a abdicarem da garantia legal de
postular direitos trabalhistas perante o poder Judiciário, sob
pena de multa de R$ 10 mil por ocorrência.
A decisão atende à ação
proposta pelo procurador do Trabalho Ricardo Araujo Cozer, titular do
Ofício de Sobral. Ele propôs a ação depois
que a empresa, condenada em reclamações trabalhistas, apresentou
petições acompanhadas de declarações assinadas
pelos trabalhadores renunciando a direitos judicialmente conquistados.
Em audiência, os trabalhadores disseram ao juiz que assinaram as
declarações por medo de serem despedidos.
Diante da constatação
da prática de assédio moral, o MPT (Ministério Público
do Trabalho) instalou procedimento administrativo visando a celebrar
um termo de ajustamento de conduta em que a empresa se comprometeria
a não mais adotar a prática.
Porém, de acordo com informações
do MPT, a Universal não enviou representante à audiência
para a qual foi convocada. Assim, o procurador do Trabalho ingressou
com ação civil pública.
Na ação, Cozer
enfatizou que "o assédio moral na relação de
emprego traduz-se em qualquer comportamento do empregador que infunda
acentuado temor nos empregados, principalmente no tocante à possibilidade
de demissão".
Em sua decisão, o juiz
Lucivaldo Muniz concluiu que o procedimento adotado pela empresa, conforme
comprovado no processo, "causa repulsa, na medida em que coage os
trabalhadores à prática de atos divorciados do seu íntimo
interesse, com o objetivo único de obter vantagem financeira em
detrimento de direitos por ela sonegados, mas reconhecidos aos trabalhadores
pelo Poder Judiciário".
Para o magistrado, o efeito
intimidatório intencionado pela empresa se aplica tanto aos
trabalhadores coagidos a abrir mão de créditos a que
tinham direito quanto a futuros empregados, por isso a punição
indenizatória tem função preventiva e pedagógica. "A
conduta da empresa deflagrou, não resta a menor dúvida,
dano moral coletivo, desencadeando violação à dignidade
da pessoa humana", concluiu Muniz.
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Agência Diap, 9 de
janeiro de 2008
INCLUSÃO
Economia solidária recupera
empresas falidas e cria novos postos de trabalho
A economia solidária tem
se consolidado como uma importante alternativa para inclusão de
trabalhadores no mercado de trabalho. O último mapeamento do setor
realizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no ano passado
revela um crescimento significativo dessa modalidade econômica.
Alcançando um total de
2.274 municípios brasileiros, o estudo aponta a existência
de 23 mil empreendimentos com características solidária
no Brasil, envolvendo mais de 2 milhões de pessoas.
A política de fortalecimento
da economia solidária teve início em 2003, quando o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, criou a Secretaria Nacional de Economia
Solidária (Senaes), responsável pela elaboração
de políticas para estimular o setor.
A prioridade da Senaes tem sido
a consolidação da economia solidária como alternativa
de oportunidade de geração de emprego e renda. Para tanto
o MTE vem investindo recursos no programa Economia Solidária em
Desenvolvimento que se constitui de várias iniciativas de apoio
aos empreendimentos, por meio de diversas parcerias com prefeituras e
entidades da sociedade civil.
Caracteristicas
São características dos empreendimentos solidários a união
de esforços, a autogestão do negócio e a divisão
de lucros. Para incentivar esses princípios a Senaes treina, desde 2006,
cerca de 510 agentes solidários.
Os agentes são pessoas
residentes em mais de 400 comunidades carentes do país com a finalidade
de oferecer apoio e assessoria aos empreendimentos já existentes
ou para a implantação de novas iniciativas.
Hoje esse projeto beneficia diretamente
mais de 35 mil trabalhadores e indiretamente esse número chega
a 212 mil pessoas, inclusive para os participantes do Bolsa-Família.
Gestores
Outra política que vem obtendo resultados positivos é a formação
de gestores públicos solidários. Só o ano passado o Ministério
treinou 200 gestores para o desenvolvimento de políticas solidárias
em estados e municípios brasileiros.
Para potencializar essa política
a Senaes, por meio de parcerias com estados e municípios, tem
investido na criação de Centros Públicos de Economia
Solidária pelo país, oferecendo aos moradores das localidades
beneficiadas com a construção dos centros a possibilidade
de inserção no mercado de trabalho por meio da economia
solidária.
Em 2007 foram mais de 2.500 empreendimentos
contemplados com políticas solidárias, por meio da constituição
de redes de produção principalmente nos setores têxtil,
metalúrgico, artesanato e da agricultura familiar.
Cursos
Esses trabalhadores participaram de cursos de qualificação profissional,
por meio do Plano Nacional de Qualificação (Planseq) da economia
solidária, que realiza cursos específicos aos participantes dos
empreendimentos autogestionários.
Para facilitar a comercialização
de produtos manufaturados pelos empreendimentos, a secretaria vem implantando
em todo país feiras regionais de economia solidária. Nesses
espaços os empreendimentos colocam seus produtos à venda
e trocam experiências entre si.
O Coordenador do Comércio
Justo da Senaes, Haroldo Mendonça, responsável pelo projeto
no MTE, explica que esta ação tem servido como piloto para
a implantação de um sistema nacional de comércio
justo solidário no Brasil.
Recursos
O acesso ao crédito e fomento aos empreendimentos tem sido uma política
contínua, desde a criação da secretaria pelo governo.
Na busca de propiciar acesso ao crédito e financiamento às comunidades
e empreendimentos excluídos do setor bancário tradicional.
A parceria feita com o Banco
do Nordeste do Brasil propiciou a criação de 17 fundos
solidários no Nordeste. Atualmente, são 13 bancos comunitários
que são apoiados pelo MTE, com destaque para o 1º banco comunitário
quilombola, em Alcântara, no Maranhão.
A recuperação de
empresas em dificuldade financeira por trabalhadores tem se tornado uma
tendência comum nos últimos anos. Uma ação
de grande impacto da economia solidária é o apoio às
iniciativas de funcionários na autogestão de empresas falidas.
Parceiria
Numa parceria com a Fundação Banco do Brasil, o MTE desenvolve
a "Ação de Recuperação de Empresas pelos Trabalhadores
em Autogestão", que tem permitido o acesso à assessoria
técnica, qualificação profissional e o apoio necessário
aos trabalhadores de centenas de iniciativas de autogestão no Brasil.
Uma dificuldade dessa modalidade
de gestão é o acesso ao crédito. Para esse fim,
o governo criou uma linha específica de crédito para os
empreendimentos cooperativados de trabalhadores.
São R0 milhões,
disponíveis pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
Social (BNDES) para essa finalidade. Para ter acesso a essa linha, as
informações estão no site do banco www.bndes.gov.br.
Além disso, a constituição
de empreendimentos solidários tem sido fortalecido por meio do
conhecimento universitário. Pelo Programa Nacional de Incubadoras
Tecnológicas de Cooperativas Populares (Proninc) a Senaes investe
no apoio a 43 incubadoras universitárias em todo país.
O trabalho desenvolvido
pelas universidades é prestar assistência técnica
e de gestão aos empreendedores e gerou, no ano passado, 14 mil
postos de trabalho diretos. Outras 36 universidades estão também
aderindo ao Proninc este ano.
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O ESTADO DO PARANÁ,
09 de janeiro de 2008 | Economia
Renda maior e juro menor turbinaram
poupança em 2007
Agência Estado
A caderneta de poupança
encerrou 2007 com o melhor resultado da história. Especialistas
dizem que o desempenho pode ser explicado por dois fatores principais:
aumento da renda e queda dos juros. Juntos, esses dois fatores têm
levado pessoas de classes de menor renda a poupar mais e, ao mesmo tempo,
fizeram com que alguns investidores de classe média saíssem
dos fundos de renda fixa e voltassem para a poupança.
"Na classe baixa, o aumento
da massa salarial tem feito sobrar mais dinheiro no final do mês",
diz o administrador de investimentos Fabio Colombo. "Já entre
clientes de parte da classe média, muita gente que estava em fundos
de investimento com altas taxas de administração, como
4% ou 5%, tem voltado para a poupança, porque não paga
essa taxa nem o imposto de renda", completa.
O superintendente-geral da Associação
Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança
(Abecip), José Pereira Gonçalves, comemora o desempenho
da poupança. Para ele, o ano de 2007 terminou com uma mudança
na imagem das cadernetas. "Com a Selic (taxa básica de juros)
menor, a rentabilidade de parte dos fundos de renda fixa passou a ficar
com apenas um dígito. Isso diminuiu muito a vantagem na comparação
com a poupança e a diferença não é mais perceptível",
diz.
Outro ponto que tem pesado a
favor da poupança é a facilidade de investimento. "Fizemos
uma pesquisa que mostrou que o cliente acha, muitas vezes, complicado
aplicar em fundos, já que existem vários perfis e condições
que variam de banco para banco. Para o cliente que prefere evitar essa
complexidade, a poupança é como uma velha conhecida, já que é igual
em todas as instituições", diz Gonçalves.
Para 2008, o crescimento
da economia deve manter o fluxo de depósitos para as cadernetas,
avaliam os especialistas. O resultado, contudo, deve ser menor que
o recorde de 2007. Apenas uma eventual mudança na política
monetária poderia reverter o cenário positivo. Se, por
exemplo, a inflação permanecer pressionada e o BC for
obrigado a elevar a Selic, os fundos de renda fixa ganharão
competitividade em relação à caderneta de poupança.
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Agência Diap, 9 de
janeiro de 2008
Agenda necessária e agenda
possível
(*) Gustavo Krieger
O ano legislativo será curto em 2008. Vai, no máximo, até julho.
Depois disso, os parlamentares estarão inteiramente voltados às
eleições municipais. Uma equação conhecida em política
diz que deputados ajudam a eleger prefeitos e vereadores. E
dois anos depois, eles garantem a eleição dos congressistas.
Vai se repetir a rotina de todos
os anos eleitorais. O Congresso entra em “recesso branco” no
segundo semestre, interrompido apenas por alguns dias de “esforço
concentrado”, nos quais os políticos viajam a Brasília
para mostrar serviço.
Isso significa que qualquer agenda
legislativa terá de ser posta em prática a partir de fevereiro.
Especialmente se envolver mudança na Constituição.
Como se sabe, emendas constitucionais só são aprovadas
se receberem três quintos dos votos em dois turnos de votação
na Câmara e depois no Senado. É muito difícil que
uma emenda tramite em menos que um semestre legislativo.
Governo e Congresso fecharam
2007 anunciando intenções grandiosas. Prometem fazer a
reforma tributária e a reforma política. São dois
assuntos que vêm à tona em
todos os momentos de crise, mas não costumam sobreviver aos primeiros
debates. E são ainda mais complicados de lidar em anos eleitorais. A
proximidade das urnas faz
aumentar a natural desconfiança entre os partidos.
A reforma tributária está em
primeiro lugar na fila, graças ao buraco causado pela rejeição
da emenda que prorrogava a CPMF (Contribuição Provisória
sobre a Movimentação Financeira) até 2011. A queda
do imposto do cheque retirou dos cofres públicos uma arrecadação
estimada em R$ 40 bilhões. Boa parte dessa bolada seria redistribuída
a estados e municípios.
Até mesmo os partidos
de oposição concordam que é necessário repor
boa parte do dinheiro perdido. Como ninguém quer falar em aumento
de impostos, todos se aferram à expressão mágica:
reforma tributária. O termo evoca um país moderno, com
distribuição mais justa dos valores arrecadados. Muito
bonito. Na hora em que o assunto chega à mesa de discussões,
o clima muda.
O governo federal não
quer dividir seu caixa. Estados e municípios querem mais dinheiro.
Empresários se movem para reduzir seus impostos. Normalmente,
esse jogo de empurra termina num empate técnico. A estrutura tributária
do país não muda. O governo federal aumenta sua mordida
na economia. Prefeitos e governadores também levam sua fatia.
E a gente termina pagando mais
imposto. Uma reforma tributária real seria fundamental para modernizar
o país. Ninguém duvida disso. Difícil é acreditar
que ela acontecerá num ano em que todos os partidos preparam-se para
enfrentar-se nas urnas. O mesmo acontece, até em grau mais radical,
com a reforma política. Na prática, ela define as regras do jogo.
Em ano de eleição, é como
reunir todos os times que vão disputar um campeonato às
vésperas do primeiro jogo para definir as regras do torneio. Quem
já jogou uma pelada de fim se semana sabe que as chances de sucesso
são muito reduzidas. Talvez os partidos consigam chegar a um entendimento
sobre assuntos que interessam a todos.
O financiamento público
de campanha, por exemplo. Serve ao PT e aos partidos de esquerda, que
sempre defenderam a tese. E também ao PSDB e ao DEM. As duas legendas
estão na oposição, o que sempre dificulta a arrecadação
com financiadores privados.
Em compensação,
dispõem de estruturas nacionais e bancadas no Congresso capazes
de lhes garantir uma parcela importante do financiamento público.
Quanto a mudanças mais profundas, como o voto distrital, é de
se duvidar que um acordo seja possível.
Não apenas há divergências
entre os partidos, mas dentro dos partidos. Nesse caso, os políticos
tendem a uma impressionante coincidência: acreditam que o melhor
sistema para o país é exatamente aquele que mais favorece
a própria eleição.
Como cada um vem de um
quadro diferente, é muito difícil chegar a um modelo.
A experiência política diz que reformas devem ser aprovadas
no primeiro ano de mandatos de governantes e parlamentares. Ou então
não acontecem. Esse ano foi 2007 e o Brasil perdeu.
(*) é jornalista do Correio Brasiliense
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Diário Vermelho, 9
de janeiro de 2008
Polarização PT-PSDB
faz mal para o país, diz Erundina
A polarização entre
o PT e o PSDB nas disputas eleitorais faz mal para o país. A avaliação é da
deputada Luiza Erundina (PSB-SP), uma das pré-candidatas do bloco
de esquerda -- PSB, PDT e PCdoB -- à Prefeitura de São
Paulo nas eleições 2008. Para a socialista, tanto os petistas
como os tucanos têm o mesmo projeto de poder que não enfrenta
os problemas estruturais do país, como as reformas tributária
e política.
" O PT e o PSDB têm o mesmo projeto de poder que não traz uma
proposta para enfrentar os problemas estruturais do país. É a mesma
receita político-econômica que traz restrições aos
investimentos, além de não realizar as necessárias as reformas
política e tributária", avaliou Erundina.
A deputada acredita que o bloco
de esquerda poderá ser uma alternativa para "quebrar" a
polarização. Por isso, mais que um nome, Erundina defende
que o bloco deve apresentar um projeto de governo com propostas para
a cidade.
Na avaliação da
socialista, tanto o PT como o PSDB não têm respondido ao
que a sociedade espera tanto no governo federal --com o presidente petista
Luiz Inácio Lula da Silva-- como no governo do Estado --com o
governador tucano em São Paulo, José Serra-- ou na Prefeitura
de São Paulo --com o prefeito democrata Gilberto Kassab, aliado
dos tucanos.
"Independente de quem seja
o candidato do PT ou da aliança PSDB-DEM a prefeito de São
Paulo, o projeto político é o mesmo", disse Erundina,
que espera que o candidato do bloco de esquerda seja uma alternativa
em São Paulo. "Temos espaço para uma candidatura de
esquerda democrática que vai além do PT e do PSDB",
comentou.
Segundo Erundina, o bloco de
esquerda deve começar a discutir a escolha do candidato a partir
de fevereiro. O objetivo é construir o consenso e indicar um nome
que possa concorrer com os tucanos e petistas.
Fonte: Folha Online
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Agência
Brasil, 9 de janeiro de 2008
Previdência Social reduz desigualdades
regionais, diz Ipea
A Previdência Social ajuda a
reduzir as desigualdades regionais no Brasil. É o que aponta
o estudo Previdência Social e Distribuição Regional
de Renda, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Marcelo
Caetano, economista do Ipea e autor do estudo, explica que a pesquisa
procurou focar a distribuição de renda regional entre
os municípios brasileiros. Foram utilizados dados municipais
referentes à arrecadação e à despesa
previdenciária, ao Produto Interno Bruto (PIB) municipal, à quantidade
e proporção de idosos na população,
ao PIB per capita e ao benefício previdenciário médio.
O estudo revela que a Previdência
Social funciona como instrumento de redistribuição
de renda, retirando recursos, por meio de contribuições
previdenciárias, das regiões mais ricas para repassá-los,
mediante pagamento de benefícios, para as regiões mais
pobres.
“A estatística
mostrou que a Previdência Social, de fato, serve como mecanismo
de redistribuição de renda do ponto de vista regional.
Você vê que os municípios mais ricos acabam por
transferir renda para os municípios mais pobres por meio da
previdência”, explica Caetano.
Exemplo
Marcelo explica que municípios
como São Paulo e Rio de Janeiro, considerados ricos, arrecadam
contribuições previdenciárias em montante maior
do que aquilo que recebem de benefícios. Já diversos
municípios do interior, mais pobres, arrecadam pouco, mas
recebem uma quantidade de benefícios previdenciários
muito alta.
“A Previdência
Social está servindo para transferir renda dos municípios
mais ricos para os mais pobres”, afirma. Para o pesquisador,
a conclusão do estudo pode ser vista como algo positivo, mas
deve ser analisada com cautela.
“Um aspecto preocupante é que
o grande mecanismo de redistribuição de renda passa
a ser a Previdência Social. Nesse aspecto, é ruim, porque
você não está criando condições
para esses municípios, no futuro, passarem a não depender
mais do governo”, avalia Caetano.
Marcelo acredita que o ideal
seria que os municípios mais pobres conseguissem desenvolver
indústrias e atividades agropecuárias locais para que
pudessem, não por meio de um serviço de transferência
do governo, mas pelo próprio esforço, garantir geração
de renda.
A solução,
segundo o pesquisador, seria conjugar políticas de curto prazo,
como a própria Previdência Social e o Bolsa Família,
a políticas de desenvolvimento de longo prazo, que dêem
condições para que os municípios desenvolvam
renda por conta própria, sem dependência do Poder Público.
“É interessante
para identificar que a Previdência Social, de fato, atua na
redução de desigualdades regionais de renda, mas, com
certeza, não seria a política mais adequada para fazer
redistribuição de renda regional”, destaca o
especialista.
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Valor Econômico, 9
de janeiro de 2008
Brasil tem o menor gasto com juros
dos últimos dez anos
O Brasil gastou o equivalente
a cerca de 6,3% do Produto Interno Bruto (PIB) com o pagamento de juros
em 2007, o menor percentual desde os 4,61% do PIB de 1997. Para 2008,
a expectativa é de uma nova queda, devido à perspectiva
de que os juros serão ligeiramente mais baixos do que em 2007
e de que a economia vai continuar a crescer a um ritmo forte. Os mais
cautelosos apostam que a carga de juros ficará em torno de 6%
do PIB, enquanto os mais otimistas acreditam num número mais próximo
de 5,5% do PIB.
As despesas com juros são inferiores aos gastos com os benefícios
do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), hoje na casa de 7% do PIB ao
ano e equivalem a mais de 18 vezes os dispêndios com o Bolsa Família
(algo como 0,34% do PIB). Vale ressaltar que o resultado fiscal de dezembro
ainda não foi divulgado. Os gastos com juros nos 12 meses até novembro
atingiram 6,32% do PIB, número próximo do qual deve fechar o
acumulado no ano. Em valores absolutos, as despesas financeiras de 6,32% do
PIB equivalem a R$ 160,285 bilhões.
Gasto ainda alto
Apesar de estarem no nível
mais baixo desde 1997, as despesas com juros do setor público
brasileiro ainda são muito elevadas. Numa lista de 116 países
com estimativas da agência de classificação de risco
Standard & Poor's (S&P), os 6,3% do PIB só são
menores do que os da Jamaica (13,2% do PIB), do Líbano (10,5%
do PIB) e da Turquia (7,7% do PIB).
O economista Fernando Fenolio,
do Unibanco, acredita que os gastos com juros ficarão na casa
de 6% do PIB em 2008. "Será uma queda modesta em relação
a 2007." Fenolio diz que a taxa Selic média será apenas
um pouco mais baixa do que a do ano passado, num cenário em que
o Banco Central (BC) mostra cautela em relação ao comportamento
da inflação. Ele projeta uma Selic média de 11,25%
ao ano em 2008, apostando que a taxa ficará inalterada ao longo
de 2008. Com isso, ficará próxima da média de 11,9%
do ano passado. Fenolio espera um crescimento ainda robusto da atividade
econômica, de 4,8%, um pouco inferior aos 5,3% projetados para
2007.
O economista Cristiano Souza, do ABN Amro, acredita numa queda um pouco mais
forte dos gastos com juros do setor público em 2008, estimando despesas
de 5,6% do PIB. Ele projeta uma Selic estável em 11,25% neste ano e
aposta num crescimento do PIB de 4,7%. Souza aponta ainda dois outros fatores
que podem aliviar a carga de juros neste ano: os gastos com os encargos da
dívida externa devem ser relativamente baixos em 2008 e – aposta
ele – o dólar tende a subir em relação ao real.
O consultor de análise econômica do Itaú, Joel Bogdanski,
não descarta nem mesmo que a valorização do câmbio
continue em 2008. Se alguma agência de rating elevar o Brasil a classificação
de grau de investimento, o fluxo de dólares para o país pode
aumentar, derrubando a moeda para a casa de R$ 1,65 a R$ 1,70, diz ele, que
projeta gastos com juros abaixo de 6% do PIB neste ano, na casa de 5,8% do
PIB. Os juros médios deverão ser um pouco menores neste ano e
o crescimento ainda será razoável, próximo a 4,5%, avalia
Bogdanski.
Razão
dos gastos
Os elevados gastos com juros do Brasil se devem a dois fatores, dizem os analistas.
O primeiro é que o país ainda tem uma dívida muito elevada,
ainda que ela esteja em queda como proporção do PIB, como nota
Lopes. Em novembro de 2007, a dívida líquida do setor público
equivalia a 42,6% do PIB. Lopes acrescenta que o endividamento tem caído
como proporção do PIB, mas continua a aumentar em termos absolutos,
já que o setor público brasileiro ainda tem déficit nominal
(quando se incluem os gastos financeiros no resultado das contas públicas),
atualmente na casa de 2% do PIB. Em novembro, a dívida líquida
era de R$ 1,127 trilhão.
O outro fator é que a
taxa básica de juros no Brasil ainda é muito alta. Embora
a Selic tenha caído de 19,75% em setembro de 2005 para os atuais
11,25%, os juros reais brasileiros continuam muito elevados. Se descontada
a inflação projetada para os próximos 12 meses,
a taxa real está em 6,7%, ainda alta para padrões internacionais.
Mesmo com esses dois problemas,
os gastos com juros do setor público como proporção
do PIB mostram de fato uma tendência de queda razoável – vale
lembrar que, nos 12 meses até agosto de 2003, as despesas financeiras
do setor público totalizaram 9,66% do PIB.
Fonte: Valor Econômico
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Congresso em Foco, 9 de janeiro
de 2008
Governo ignorou R$ 9,5 bilhões
de emendas parlamentares em 2007
Valor corresponde à metade do que
deve ser cortado no orçamento deste ano para compensar a CPMF.
Levantamento mostra que congressistas da base aliada foram privilegiados
com a liberação de recursos.
Erich Decat e Eduardo Militão
O contingenciamento de emendas parlamentares é uma hipótese viável
para o corte proposto pela equipe econômica do governo, que se reúne
hoje (9) com integrantes da Comissão Mista do Orçamento para
decidirem quais são os projetos prioritários para 2008, ou seja,
livres da tesoura. Para compensar a perda da CPMF, o governo quer reduzir R$
20 bilhões em gastos nos três poderes, uma economia que deve atingir
as emendas parlamentares.
Se prevalecer a lógica dos cortes nas emendas do orçamento de
2007, a tesoura vai poupar as emendas individuais, utilizadas pelos deputados
e senadores inclusive como mote eleitoral em suas bases.
No ano passado, 52% das emendas individuais deixaram de existir, porque sequer
foram empenhadas até 31 de dezembro – índice que significa
R$ 857 milhões. Já as emendas coletivas sofreram um corte maior,
de 65%, ou R$ 8,63 bilhões. O total não empenhado foi de aproximadamente
R$ 9,5 bilhões – quase a metade do que o governo quer economizar
para enquadrar o orçamento deste ano à nova realidade sem a CPMF.
Os dados foram extraídos de levantamento da assessoria do DEM na Câmara.
Emendas de governistas têm maior índice de empenho (em %)
TABELAS COMPLETAS

Emendas empenhadas – Emendas pagas
Para o líder do DEM, deputado Onyx Lorenzoni (RS), a possibilidade de
novos cortes nas emendas não assusta a oposição. “Acho
que o problema maior será para a base governista, que vai ver os recursos
diminuírem. A oposição já recebe muito pouco. Quem é oposição
não trabalha com a idéia de emendas individuais”, disse
o deputado ao Congresso em Foco.
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), acredita que o governo pode “perfeitamente” usar
a experiência do ano passado para fazer ajustes. “Isso deve ter
sido feito [em 2007] com um custo político não tão grande,
porque não houve esse desmoronamento da base”, ponderou o peemedebista. “Cabe
ao governo reavaliar a experiência dele.”
Aliança rentável
Na análise do orçamento de 2007, os parlamentares da base governista
se beneficiaram, em detrimento dos que fazem oposição ao Palácio
do Planalto, segundo os dados da assessoria do DEM. Os pagamentos das emendas
de deputados e senadores somaram R$ 1,9 bilhão. Já os empenhos
(reservas para pagamento posterior) foram de R$ 5,5 bilhões. A maior
parte das emendas individuais beneficiou parlamentares governistas.
Os partidos alinhados ao Planalto tiveram R$ 48,3 milhões pagos para
suas emendas, um índice de execução de 4,23%. Ao contrário,
a oposição ficou com quatro vezes menos – R$ 12,1 milhões –,
valor que representa apenas 2,41% de tudo o que os deputados e senadores solicitaram
ao orçamento.
As emendas de parlamentares sem partido receberam R$ 1 milhão (6,87%
de execução). As emendas coletivas (de bancadas estaduais, de
comissões e de relatorias) somaram R$ 1,89 bilhão (13,80%).
Mesma lógica
A mesma lógica de beneficiar os aliados e minguar os recursos para a
oposição é observada nos empenhos das emendas. Os governistas
tiveram R$ 612,7 milhões empenhados. Esse valor representa 53,70% de
todo o dinheiro que eles pediram. Na outra ponta, a oposição
conseguiu empenhar apenas R$ 182,6 milhões, o que representa só 36,38%
de reserva do que DEM, PSDB, PPS e Psol pediram.
O índice é menor até do que a média de empenhos
de todas as parlamentares, que foi de 36,58%. “É uma forma discricionária
que o governo utiliza para punir a oposição”, lamenta o
senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que sofreu na pele o problema. Dos R$ 500
mil que ele colocou no orçamento, nada foi empenhado. “Tem que
ter um critério que não pode ser político”.
Deputados e senadores sem partido empenharam exatos R$ 6 milhões, o
que representa 38,10% do que solicitaram. As emendas coletivas somaram R$ 4,67
bilhões em empenhos.
O PMDB teve o maior volume empenhado com um total de R$ 147 milhões,
seguido pelo PT, com R$ 142 milhões. Já o Psol, o Prona (agora
incorporado ao PR), o PSDB e o DEM estão entre os últimos na
fila dos partidos que, percentualmente, menos recursos conseguiram empenhar
em relação ao que solicitaram. “O PMDB sempre teve suas
emendas empenhadas porque sempre vai dar sustentabilidade ao governo, seja
ele do PT ou do PSDB”, disse à reportagem o vice-líder
do partido no Senado, Wellington Salgado (MG).
Oposição 100%
Garibaldi diz que o benefício a alguns partidos na liberação
das emendas é perceptível, como o do PMDB: “Ninguém
vai tapar o sol com a peneira, não”. Mas o presidente do Senado
acha “simplista” a idéia de que os governistas são
sempre protegidos e os oposicionistas, discriminados. “Isso não é como
se procura dizer. Há parlamentares sem ligação com o governo
que têm suas emendas empenhadas”, defendeu Garibaldi.
Exemplos não faltam. Pelo menos cinco parlamentares do PSDB tiveram
100% de empenho de suas emendas: o senador Eduardo Azeredo (MG) e os deputados
Carlos Alberto Leréia (GO), Nárcio Rodrigues (MG), Gervásio
Silva (SC) e Nilson Pinto (PA).
Do lado governista, Olavo Calheiros (PMDB-AL) conseguiu empenhar 100% de suas
emendas. Mais, ele foi o campeão em emendas nos valores absolutos. Conseguiu
garantir R$ 5,6 milhões em emendas – como os R$ 4,8 milhões
destinados a melhorar a infra-estrutura de universidades federais e hospitais
universitários de Alagoas. Outro que conseguiu a façanha dos
100% foi o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima
(PMDB-BA).
Longe do cargo, mas sempre pelos corredores do Congresso, o ex-deputado Nilton
Capixaba (PTB-RO), acusado de ser um dos líderes da máfia das
ambulâncias, também empenhou todos os R$ 4 milhões pedidos
por ele. Desse valor, R$ 1,8 milhão será destinado à “estruturação
de unidades de atenção especializada em saúde” no
estado de Rondônia.
Zero
Até um deputado governista com livre acesso ao presidente não
conseguiu empenhar nada, assim como o senador Flexa Ribeiro. O ministro das
Relações Institucionais, deputado José Múcio Monteiro
(PTB-PE), não conseguiu garantir os R$ 50 mil solicitados no orçamento
do ano passado. O mesmo aconteceu com os senadores governistas José Sarney
(PMDB-MA) e Cristovam Buarque (PDT-DF), o ex-senador Antero Paes de Barros
(PSDB-MT) e os “rebeldes” Mão Santa (PMDB-PI) e Mozarildo
Cavalcante (PTB-RR).
Cristovam diz que a culpa não é sua. Para ele, faltou mobilização
por parte do governo do Distrito Federal e das entidades da área da
cultura e educação que, segundo o senador, seriam contempladas
com os recursos das emendas que tiveram dotação de R$ 2,1 milhões. “Eu
não fico pedindo para o governo federal que aprove minhas emendas. Acho
que faltou mobilização daqueles que receberiam os recursos”,
disse Cristovam ao Congresso em Foco.
Tesoura
Os donos do orçamento (notadamente o Executivo e o Judiciário)
passaram a tesoura nas emendas dos parlamentares. Dos quase R$ 15 bilhões
de emendas solicitados por eles no orçamento de 2007, mais da metade
(63%) foi contingenciado, porque sequer foi empenhado até 31 de dezembro
passado, perdendo sua validade.
Dos cerca de R$ 5,5 bilhões empenhados, R$ 1,9 bilhão foi pago.
A diferença fica para ser paga neste ano ou nos próximos exercícios
financeiros, os chamados “restos a pagar”, na linguagem burocrática.
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FOLHA DE LONDRINA, 09 de
janeiro de 2008 | Política
AGU definirá se Lupi permanece
no governo
Brasília - O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva deve aguardar o parecer conclusivo
da Advocacia Geral da União (AGU ) para definir se vai ou
não manter o ministro Carlos Lupi (Trabalho) no cargo apesar
da recomendação da Comissão de Ética
Pública para demiti-lo. Em análise preliminar, a
AGU disse que não há ilegalidade na permanência
de Lupi no Ministério.
Em 26 de dezembro, a Comissão
de Ética Pública, ligada à Presidência, recomendou
ao presidente demitir o ministro, pois sua função no governo
entraria em conflito com sua condição de presidente do
PDT. Interlocutores ligados a Lula afirmam que ele ainda não recebeu
a recomendação da comissão. O ofício da comissão
foi encaminhado ao presidente por intermédio do chefe de gabinete
adjunto da presidência da República, Cezar Alvarez.
Segunda-feira, Lupi reiterou
que permanecerá no governo apesar de se achar vítima de
''bombardeio'' desencadeado pela comissão. Também avisou
que se o presidente demiti-lo, vai manter-se fiel ao governo. ''Estou
sofrendo um bombardeio de pressões. Mas sou cana de canavial,
e queimada e facão não vão me arrancar a raiz'',
afirmou o ministro.
Renata Giraldi
Folhapress
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FOLHA DE LONDRINA, 09 de
janeiro de 2008 | Política
Reunião ministerial vai definir
cortes no orçamento
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai discutir
com a equipe ministerial, no dia 21, o corte de R$ 20 bilhões nos gastos
públicos para compensar a perda da receita da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), tributo
derrubado pelo Senado no mês passado. Na reunião com os 37 ministros,
a primeira de 2008, ele deverá pedir prioridade nos investimentos e
adaptação ao novo tempo, um cenário sem o imposto do cheque.
É o terceiro encontro
do presidente, no segundo mandato, com os ministros. No dia 2 de abril,
no Palácio do Planalto, e no dia 30 de agosto do ano passado,
na residência da Granja do Torto, Lula e ministros influentes do
governo, como Dilma Rousseff, da Casa Civil, apresentaram um cenário
positivo, destacando números da economia e ações
do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado
meses antes, em fevereiro de 2007.
Em novembro, Lula chegou a cogitar
uma reunião até o final do ano com os ministros para avaliar
o andamento do programas considerados importante pelo governo. Até ali
o presidente contava com os R$ 40 bilhões da CPMF. Lula deixará bem
claro, segundo um líder governista, que a perda do dinheiro do
imposto do cheque não poderá ser usada como pretexto para
a lentidão no andamento de alguns projetos.
O ministro José Múcio,
da Secretaria de Relações Institucionais, pasta responsável
pelas negociações com o Congresso, irá dizer aos
demais ministros que uma boa relação com o Congresso pode
evitar derrotas como a que ocorreu em dezembro no Senado, quando o governo
não conseguiu aprovar a prorrogação da CPMF.
Leonencio Nossa
Agência Estado
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Agência Diap, 9 de
janeiro de 2008
IMPOSTO
Presidente terá que explicar
aumento de impostos para compensar CPMF
A presidente do Supremo Tribunal
Federal (STF), ministra Ellen Gracie, deu prazo de dez dias para que
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva forneça informações
sobre o decreto que aumentou o Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF).
Na segunda-feira (7), o Democratas
(DEM) entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade
(Adin) contra o aumento do IOF. E nesta terça-feira (8), entrou
com nova ação, desta vez, contra a elevação
da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)
para instituições financeiras.
“Diante da inegável
relevância da matéria tratada na presente ação
e do seu especial significado para a ordem social e a segurança”,
Ellen Gracie aplicou procedimento previsto na Lei 9.868/99, segundo o
qual a ação será julgada em definitivo pelo plenário
do STF, a partir de fevereiro, quando termina o recesso dos ministros,
sem apreciar o pedido de liminar (decisão provisória).
Após o prazo de dez dias,
a Advocacia Geral da União (AGU) e o Ministério Público
Federal (MPF) terão cinco dias cada para prestar informações.
Ações
Na avaliação do DEM, a medida provisória que aumentou
a CSLL de 9% para 15% é inconstitucional e não poderia valer
este ano. O presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), afirmou que,
apesar de o STF já ter analisado a questão em ações
anteriores e dar ganho de causa ao governo, a nova composição
da corte poderá favorecer a oposição.
No caso do IOF, de acordo com
o presidente da legenda, o argumento é que haveria dupla cobrança
do imposto e que foi desrespeitado o princípio constitucional
da isonomia.
Pelas medidas anunciadas
pelo governo, a alíquota diária do IOF para pessoas físicas
passou de 0,0041% para 0,0082% e criou-se um alíquota extra
de 0,38%. O partido considera que há dupla cobrança para
o contribuinte. (Fonte G1)
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FOLHA DE LONDRINA, 09 de
janeiro de 2008 | Economia
Receita libera 1º lote de declarações
retidas na malha-fina
Brasília - A Receita Federal vai liberar hoje, a partir das 8 horas,
a consulta ao primeiro lote de restituições do Imposto de Renda
Pessoa Física 2007 que ficaram retidos na malha-fina. No lote desta
quarta-feira, serão liberadas 395.389 declarações, sendo
119.111 com imposto a receber. As restituições somam R$ 149,16
milhões. O total de contribuintes com imposto a pagar é de 133.919,
com um volume financeiro de R$ 221,01 milhões. O número de pessoas
sem imposto a receber ou a pagar é de 142.359.
A consulta pode ser feita pela
página da Receita Federal (www.receita.fazenda.gov.br) ou pelo
Receitafone (0300-789-0300). As restituições serão
corrigidas em 8,31%, correspondentes à variação
da taxa Selic de maio a dezembro e mais 1% referente ao mês de
janeiro. Os recursos estarão disponíveis nas contas dos
contribuintes a partir do dia 15.
''O contribuinte com direito à restituição
que não solicitou crédito em conta poderá fazê-lo
a partir do dia 15 de janeiro de 2008. Os valores estarão disponíveis
no Banco do Brasil (BB). O contato pode ser feito pessoalmente em qualquer
agência do banco ou pelo BB responde (4004-0001 nas capitais ou
0800-729-0001 nas demais localidades) para agendar o crédito em
conta corrente ou de poupança em seu nome, em qualquer banco'',
informa a Receita.
Fabio Graner
Agência Estado
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Folha de São Paulo, 9 de janeiro de
2008
Crédito consignado para aposentados é liberado
Operações estavam suspensas
desde o último dia 2
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) liberou ontem as operações
de crédito consignado para os aposentados e pensionistas, que estavam
suspensas desde o dia 2. As contratações foram reabertas com
a publicação no "Diário Oficial" da União
das novas regras para concessão dos empréstimos.
O Ministério da Previdência disse que os contratos fechados pelos
bancos entre os dias 2 e 7 deverão ser revistos pelas instituições
financeiras. Os bancos deverão entrar em contato com os segurados para
promover as mudanças, ajustando o documento às novas regras.
Com as alterações, os empréstimos com desconto na folha
de pagamento estão limitados a um comprometimento mensal de 20% da renda
do aposentado. Antes, esse limite era de 30%. O corte de 10% será destinado
para os aposentados realizarem operações exclusivamente de crédito
consignado por meio de cartão de crédito.
O prazo para pagamento do empréstimo também foi alterado pelo
INSS. De 36 meses, foi ampliado para 60 meses. Essa mudança está em
vigor desde 20 de dezembro, quando o instituto publicou uma instrução
normativa com alterações no crédito consignado.
A Previdência considera que o texto dessa norma deu margem a interpretações
equivocadas por parte do mercado financeiro e decidiu editar nesta semana uma
nova instrução para complementar a anterior. Segundo o ministério,
os bancos entenderam que o prazo havia sido alterado para 60 meses, mas o limite
de comprometimento da renda, mantido.
Isso acarretaria uma ampliação do crédito aos aposentados,
o que não era a intenção do governo, afirma a Previdência.
De acordo com a assessoria do ministério, ainda não há uma
determinação sobre que tratamento será dado aos contratos
fechados com esse entendimento entre o dia 20 e a suspensão das operações
no dia 2.
O programa de crédito consignado está em vigor desde maio de
2004. Mais de R$ 30 bilhões já foram contratados. Hoje, os juros
máximos para esses empréstimos são de 2,64% ao mês.
No caso da modalidade de cartão de crédito, a taxa mensal é de
3,7%. Essa cobrança só ocorre se o aposentado entrar no crédito
rotativo.
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Gazeta do Povo, 9 de janeiro
de 2008
ECONOMIA | AUTOMÓVEIS
PR: Renault suspende sindicalistas
por FERNANDO JASPER
A fábrica da Renault em São José dos Pinhais suspendeu
ontem, por três dias, três funcionários da linha de produção
que fazem parte da delegação sindical. Na segunda-feira, quando
a unidade voltou a funcionar após férias coletivas de 20 dias,
os sindicalistas promoveram a paralisação da produção
de veículos em todo o primeiro turno, entre 6 h e 14h40. O coordenador
da delegação sindical, Robson Jamaica, um dos suspensos, diz
que 320 veículos deixaram de ser produzidos.
O sindicalista diz que
a paralisação foi um protesto contra o que chamou de “abordagem
agressiva e discriminatória” na entrada dos operadores
de produção. Segundo ele, todos foram revistados com
detectores de metal, para evitar que entrassem na fábrica
com máquinas fotográficas ou celulares que pudessem
captar imagens de um novo modelo que estaria sendo desenvolvido na
unidade. Jamaica alega que funcionários de nível hierárquico
mais alto, como gerentes e supervisores de produção,
não teriam sido abordados. Os sindicalistas suspensos prometem
ficar acampados até sexta-feira em frente à fábrica.
Segundo o coordenador da delegação sindical, a atitude
da montadora “não ajuda a restabelecer a harmonia na
relação entre empresa e trabalhadores”. A Renault
não comentou o assunto.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
09/01/2008
Digitadora obtém enquadramento como
bancária do Banrisul
A Seção Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1)
do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou recurso do Banco do Estado do Rio
Grande do Sul (Banrisul) contra decisão da Justiça do Trabalho
da 4ª Região (RS) que reconheceu a condição de bancária
de uma ex-digitadora da Banrisul Processamento de Dados Ltda. De acordo com
o voto vencedor do ministro Milton de Moura França, ficou plenamente
demonstrado no processo que o serviço foi prestado diretamente para
o banco.
A digitadora foi contratada em
1980 pela empresa de processamento de dados e, em 1997, ajuizou a reclamação
trabalhista em que pedia seu enquadramento como bancária e as
vantagens daí decorrentes, como a jornada de seis horas e o pagamento
das horas excedentes como extras. A sentença de primeiro grau
julgou o pedido parcialmente procedente e declarou a existência
do vínculo de emprego diretamente com o Banrisul. Esse entendimento
foi mantido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região,
apesar das alegações das empresas no sentido de que não
se pode confundir a atividade bancária com a ligada à área
de informática, que é atividade meio, e não fim.
O TRT/RS constatou que as tarefas
executadas pela trabalhadora eram essenciais ao banco, e destacou que
este era beneficiário direto de 98,77% dos serviços prestados
pela processadora de dados, além de garantir o pagamento de todas
as suas despesas – entre elas a folha de pagamento – e de
fornecer espaço físico e móveis. E concluiu que,
na prática, a Banrisul Processamento de Dados era um departamento
do banco. “Não se pode permitir que a estratégia
utilizada (criação de empresa, com personalidade jurídica
própria, ao invés de simples departamento) resulte em fraude
aos direitos do trabalhador bancário”, registrou o Regional. “A
contratação por empresa do mesmo grupo econômico
visa, em verdade, mascarar uma relação jurídica
de emprego havia direta e exclusivamente com a instituição
bancária, muito embora sua contratação se dê através
da empresa prestadora de serviços de informática.”
No julgamento do recurso de revista
do Banrisul, a Quarta Turma do TST rejeitou a alegação
da empresa de que a condenação seria contrária a
jurisprudência do TST. A Súmula nº 239 estabelece que,
para fins de enquadramento como bancário de empregado de empresa
de processamento de dados, a empresa prestadora deve dirigir sua atividade
exclusivamente ao banco. Em sua defesa, o Banrisul sustentou que a empresa
tinha outros clientes fora do grupo econômico. Mas o relator da
revista, ministro Ives Gandra Martins Filho, lembrou que, de acordo com
o TRT, apenas uma ínfima parcela da receita da empresa (1,23%)
provinha de serviços prestados a terceiros. “Ademais, restou
patente que a empresa dependia inteiramente do banco, quer no aspecto
financeiro (o banco assumia as despesas com fornecedores e folha de pagamento)
quer no administrativo (partilhavam o mesmo espaço físico
e estrutura administrativa, e eram comandados pelos mesmos diretores)”,
afirmou.
Nos embargos à SDI-1,
o banco insistiu na existência de outros clientes da prestadora
de serviços de informática e na má aplicação
da Súmula nº 239 do TST. Mas o ministro Milton de Moura França
entendeu que, diante do contexto apresentado pelo TRT e das peculiaridades
do processo, a decisão não merecia reforma. (E-RR-804955/2001.4)
(Carmem Feijó)

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