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Gazeta do Povo, 11 de janeiro
de 2008
ECONOMIA | TRIBUTOS
Pacote tributário é mais
pesado para quem depende de crédito
Troca de CPMF por aumento no IOF beneficia
quem pode pagar à vista

Para ajudar a cobrir o rombo de R$ 40 bilhões provocados pelo fim da
Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF), o governo lançou na semana passado um pacote tributário
no qual dobra a alíquota de Imposto sobre Operações Financeiras
(IOF) para pessoas físicas em empréstimos, financiamentos e uso
do cheque especial. O tributo também passou a ser cobrado em operações
que antes eram isentas. Na prática, a mudança afeta menos gente,
mas recai principalmente sobre o consumidor que quer gastar, mas precisa de
dinheiro emprestado para isso.
Na média, segundo cálculos
do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o brasileiro
vai gastar menos: passa a pagar R$ 45 anuais ao governo, contra R$ 200
que seriam pagos se a CPMF ainda estivesse valendo.
A troca foi mais vantajosa para
quem compra à vista. Mas quem depende de crédito vai compensar
a mudança. “Ela é cruel. Todos pagavam a CPMF e gastava
mais quem mexia mais com dinheiro. O IOF atinge os menos privilegiados”,
avalia o consultor financeiro José Arthur Assunção,
diretor da ASB Financeira.
O tamanho da “mordida” com o aumento do tributo vai depender do
valor e do prazo de pagamento. Para um eletrodoméstico pago ao longo
de dois anos, a diferença na mensalidade não chega a ultrapassar
os centavos de real. Em um carro financiado em quatro anos também não
há grande variação no valor da parcela, mas o preço
final pode aumentar mais de R$ 1 mil.
O governo espera arrecadar R$
8 bilhões a mais com o IOF em 2008, graças à tributação
dos empréstimos. Não é otimismo em excesso. A venda
recorde de veículos registrada em 2007, por exemplo, teve nos
financiamentos a principal modalidade de pagamento: 42% do total das
vendas de janeiro a setembro, segundo dados da Associação
Nacional das Empresas Financeiras de Montadoras (Anef). “A decisão
de aumentar o IOF não faria sentido se a economia estivesse travada.
Eles estão pensando no volume de consumo”, diz o professor
de finanças do Estação Ibmec, Antonio Carlos Bellio.
O governo não se preocupa
com redução de consumo porque conta com o costume brasileiro
de olhar o preço das prestações e não o valor
final. O setor produtivo e os especialistas não acreditam que
o aumento tributário afete as vendas. A idéia é que
quem não deixa de comprar um carro por pagar quase o dobro ao
financiá-lo não vai se importar com a diferença
na alíquota. “Não faz parte da cultura brasileira
modificar sua intenção de compra por uma pequena variação
de preço”, diz o professor de Administração
da Faculdades Integradas Rio Branco, Carlos Stempniewski.
O casal Fernando e Adelene Custódio,
que pretende comprar um carro usado financiado, não se abalou
ao saber que o pagamento parcelado vai ficar mais caro. “Eu comparo
preço à vista e juros, mas o que vai determinar mesmo é o
valor da parcela”, diz Fernando. Rubens Cancela da Luz, sócio
em uma loja de automóveis usados, diz que o pacote não
espantou a clientela, mas dificultou os cálculos. “As financeiras
ainda estão fazendo os cálculos e passaram a trocar de
tabela com mais freqüência. Fica difícil fazer uma
proposta para o cliente e saber se poderemos cumpri-la na próxima
semana.”
Comprador tem poucas alternativas
Quem não quiser pagar mais ao governo este ano vai ter dificuldade para
comprar produtos parcelados. “As lojas teriam de passar a aceitar pagamentos
parcelados, sem recorrer aos bancos. Para isso, teriam de ter capital sobrando
e estar dispostas a correr o risco da inadimplência”, diz o professor
de finanças Antônio Carlos Bellio.
Para a compra de veículos,
uma alternativa é o leasing, sobre o qual não incide o
tributo. “Mas a pessoa deve estar consciente de que não
terá desconto para pagamento antecipado, que o veículo
não ficará em seu nome e haverá mais burocracia
para a transferência no fim”, avisa Rubens Cancela da Cruz,
sócio de uma loja de carros.
Como existe a possibilidade
de a medida ser derrubada pela Justiça, devido às contestações
da oposição, outra alternativa seria aguardar uma definição
do assunto. “Acredito que até metade de fevereiro já esteja
definido se a liminar será ou não concedida”, avalia
o especialista em Direito Tributário, José Machado de
Oliveira. “Se o governo tiver sucesso, nada muda. Se a medida
for derrubada, a pessoa pode tentar buscar a diferença de volta.
Não é impossível, mas é trabalhoso.” (PK)
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Gazeta
do Povo, 11 de janeiro de 2008
BRASIL | PACOTE
Base aliada propõe nova CPMF com
alíquota de 0,20%
Ministro do planejamento garante que o
Executivo não reeditará o imposto do cheque
Brasília – Os líderes governistas
defenderam ontem a recriação da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
Eles sugerem que a cobrança faça parte de uma reforma
tributária que seria encaminhada em fevereiro ao Congresso.
A diferença é que a nova CPMF seria permanente, e não
provisória.
O líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS),
disse que essa idéia é consenso dentro da base governista. “O
governo percebeu que não é fácil cortar recursos”,
disse o líder, explicando que os recursos da nova CPMF serviriam para “qualificar
e ampliar” os serviços de saúde.
Ele sugere uma alíquota de 0,20% para
a nova CPMF. A antiga CPMF tinha uma alíquota de 0,38%. A prorrogação
da cobrança foi rejeitada no ano passado pelo Senado.
Fontana criticou a oposição por
ter contestado no Supremo Tribunal Federal (STF) o aumento da alíquota
da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)
paga pelo setor financeiro. Para o deputado, metade dos R$ 20 bilhões
da CPMF destinados à saúde sairá deste aumento. “A
oposição comete um equívoco ao questionar o aumento
da CSLL. As medidas tomadas são positivas, porque garantem o
conjunto de investimentos”, disse Fontana. Ele participou ontem
de uma reunião com os ministros Paulo Bernardo (Planejamento)
e José Múcio (Relações Institucionais)
e com os outros líderes partidários da base aliada sobre
cortes no Orçamento de 2008.
Embora os aliados tenham dito que a nova CPMF
seria enviada na proposta de reforma tributária do governo,
Paulo Bernardo e José Múcio se apressaram em negar essa
pretensão. “Não há hipótese. O governo
tem passado para a base a preocupação com os recursos
para a saúde, mas essa proposta não será apresentada.
Será apresentada a reforma tributária”, disse Múcio.
Segundo o ministro, será mantido o compromisso do presidente
Lula de que a CPMF não ganhará nova edição.
No entanto, Bernardo disse que o Congresso é soberano
e pode propor a recriação da CPMF. “Se algum líder
do governo ou da oposição buscar essa solução,
tem o direito e a autonomia. O Parlamento não depende do Executivo”,
afirmou o ministro.
Após perder a receita prevista com a
CPMF – que deveria arrecadar cerca de R$ 40 bilhões neste
ano –, o Planalto determinou que fossem cortados R$ 20 bilhões
do Orçamento deste ano. Os cortes devem ser feitos pelos três
Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.
Após a reunião, Paulo Bernardo
afirmou que os critérios para o corte não foram definidos.
Mas admitiu que a tesoura pode atingir 50% das emendas de bancada de
parlamentares.
Adin
O PSDB entrou ontem no Supremo Tribunal Federal
(STF) com a terceira ação direta de inconstitucionalidade
contra o pacote anunciado pelo governo na semana passada para compensar
o fim da CPMF. O partido, assim como já fez o DEM, questiona
o aumento da alíquota do Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF).
Manifesto - Movimentos sociais apóiam
alta tributária
Representantes de movimentos sociais lançaram ontem o manifesto “Por
uma Reforma Tributária Justa”, um texto com dez parágrafos
que contém elogios ao aumento do Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
(CSLL) e à retomada do imposto sobre exportação.
O texto é subscrito por mais de 100
lideranças de movimentos, como João Pedro Stédile,
da direção do Movimento dos Sem-Terra (MST), Plínio
de Arruda Sampaio (PSol), presidente da Associação Brasileira
de Reforma Agrária (Abra), além de religiosos e professores
universitários.
Em diversos momentos, a carta critica a Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Federação
Brasileira de Bancos (Febraban) por sua batalha contra a CPMF no ano
passado e suas críticas ao aumento do IOF e da CSLL: “Estão
mentindo quando dizem que a população será mais
afetada pelo imposto, enquanto escondem que o maior custo das compras
a prazo são as taxas de juros exorbitantes, sobre as quais se
calam, pois são delas favorecidos”, diz a carta.
Por meio de nota, o presidente da Fiesp, Paulo
Skaf, afirmou que a entidade defende uma reforma tributária
democrática e que o tema não pode ser abordado sob o
enfoque anacrônico do confronto de classes. A Febraban, por intermédio
de sua assessoria de imprensa, informou que não comentará o
assunto.
O manifesto foi enviado ontem ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, aos ministros da Fazenda, Guido Mantega,
e do Planejamento, Paulo Bernardo, além de todos os senadores
e deputados federais.
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Folha
de São Paulo, 11 de janeiro de 2008
Ação no STF contra pacote
fiscal de Lula racha PSDB
Serra telefonou para o presidente do partido
para criticar medida judicial
| Sérgio Guerra afirmou ao governador que PSDB não entraria com
a ação; horas depois, partido anunciou decisão de recorrer
ao STF
CÁTIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A decisão do PSDB de questionar no STF (Supremo Tribunal Federal) o
aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) provocou
um racha entre os tucanos. O governador de São Paulo, José Serra,
se colocou contra ao ato. Na quarta-feira, num telefonema ao presidente nacional
do partido, senador Sérgio Guerra (PE), Serra disse que qualquer medida
judicial contra o aumento de tributos seria inútil.
O governador estava em Washington. Na conversa, Guerra teria assegurado a Serra
que o partido não adotaria medidas judiciais a exemplo das feitas pelo
DEM, afirmando que o partido se restringiria a um discurso contrário
a aumento de impostos, qualquer que fosse. "Só vamos dizer que
somos contra a aumento de impostos", afirmou.
Horas depois, o PSDB anunciou a decisão de entrar com a Adin (ação
direta de inconstitucionalidade), que foi protocolada ontem no STF, contra
o aumento do IOF.
Ontem, o vice-governador de São Paulo e secretário de Desenvolvimento,
Alberto Goldman, disse que considera "positivo" que o governo federal
tenha optado pelo aumento de um tributo que não tem impacto direto nos
preços. Goldman lembrou que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
se valeu do mesmo expediente.
Apenas ressalvou: "O presidente Lula não deveria ter prometido
que não haveria aumento de imposto".
Justiça
Os tucanos repetem atitude do DEM que, na segunda-feira, protocolou ação
contra o aumento de imposto.
A ação do PSDB, porém, concentra-se no seguinte argumento: "ao
não prorrogar a CPMF, o Senado votou pela redução da carga
tributária. O aumento de um tributo, portanto, burla uma decisão
do Legislativo", disse Guerra, ao chegar ao STF.
" O governo descumpriu a palavra de que não aumentaria impostos e
contrariou a vontade do povo e do Congresso", completou ele.
Guerra foi ao Supremo acompanhado por mais três tucanos: os senadores
Arthur Virgílio (AM) e Tasso Jereissati (CE) e o deputado Antonio Carlos
Pannunzio (SP). O partido não pretende entrar com outra ação
para contestar o aumento da CSLL (Contribuição Social sobre o
Lucro Líquido), segundo advogados do partido.
Para tentar derrubar judicialmente as mudanças do IOF, o DEM afirma
que o aumento representa dupla incidência do imposto nos financiamentos.
Isso porque o consumidor vai pagar 0,38% do valor do empréstimo quando
contratar a operação de crédito e mais 0,0082% ao dia
(3% ao ano).O DEM também evoca o princípio da isonomia tributária,
em que todos deveriam pagar a mesma alíquota de cada imposto, já que
as alíquotas passaram a ser diferentes para pessoas físicas e
bancos.
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Agência
Câmara, 11 de janeiro de 2008
Fórum: o lulismo venceu o petismo
Apesar da derrota na CPMF, o presidente Lula
se revelou um articulador político prudente e hábil ao chamar
para si a coordenação do governo e acabar com a figura dos
superministros, avalia Antônio Augusto de Queiroz.
Presidencialismo de malabarismo
Antônio Augusto de Queiroz*
O presidencialismo de coalizão, independentemente da orientação
político-ideológica do governo, exige do presidente da República
equilíbrio de malabarista.
Nesse sistema, quando o governo supera uma disputa interna, imaginando ter
pacificado sua base política e administrativa, logo surge outra com
potencial desorganizador igual ou superior.
De fato, nada imobiliza mais um governo do que as disputas internas e as crises
em sua base de sua sustentação política. Se a disputa
se dá entre pessoas com poder e força política, entre
membros da administração ou entre ocupantes de postos-chave no
Parlamento, por exemplo, a situação se complica ainda mais.
As disputas e crises no governo do presidente Lula foram constantes ao longo
desses cinco anos. No Congresso, os primeiros dois anos do primeiro mandato
foram de certa tranqüilidade, mas de muita disputa no Poder Executivo,
onde se instalaram e se consolidaram dois pólos de poder preocupantes
que tutelavam o governo. De um lado estava o ministro-chefe da Casa Civil,
José Dirceu, e, de outro, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em
duelo permanente para hegemonizar a orientação de governo.
O presidente, nesse período, ficou na incômoda situação
de arbitrar os conflitos entre esses dois pólos de poder, ora em favor
de um, ora em favor de outro, o que lhe trouxe desgaste emocional, pressão
e, principalmente, a perda de tempo, que é o bem mais precioso de um
presidente da República, especialmente num sistema em que o titular
do poder Executivo acumula as relevantes funções de chefe de
Governo, chefe de Estado e líder da Nação.
Os três últimos anos, incluindo os dois finais do primeiro mandato
e o primeiro do segundo, foram afetados por crises políticas, que se
iniciaram com a denúncia envolvendo Waldomiro Diniz, passaram pela derrota
na presidência da Câmara e pelo calvário do mensalão,
até a crise no Senado que culminou com a renúncia de Renan Calheiros
e a derrota da CPMF.
De todos esses problemas, o que mais imobilizou a administração
foi a disputa entre os dois superministros no interior do governo. Tanto que,
após o fim dela, o presidente da República assumiu as rédeas
do poder e passou da condição de coordenado para a de coordenador
de seu governo, num salto de qualidade que assegurou a reeleição
e a manutenção de elevados índices de popularidade.
No posto de comandante e única fonte de poder do governo, o presidente
Lula precisou trocar seus apoiadores e articuladores políticos, numa
operação que desagradou a muitos aliados, especialmente aqueles
históricos, com compromisso programático com um governo de esquerda.
Mas esse foi o preço para estancar a luta por posições
políticas no interior do governo.
Passada aquela fase dos superministros, o governo, em geral, e o presidente
da República, em particular, puderam dedicar tempo e energia aos projetos
prioritários, como o Bolsa Família e o Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), as duas principais prioridades das gestões Lula.
Desde o terceiro ano do primeiro mandato que não há outra fonte
de poder no governo que não seja o próprio chefe do Poder Executivo.
Foi uma nova fase que pode ser classificada, para efeito de análise,
como a substituição do petismo pelo lulismo. O presidente, na
condição de coordenador do governo, revelou-se extremamente hábil,
podendo reivindicar para si o mérito das principais realizações
do Poder Executivo.
Esse padrão de mando e comando melhorou a qualidade da administração
e deu estabilidade ao governo, apesar das crises, como a do mensalão
e a que dominou o Senado em 2007, e das derrotas, como a eleição
de Severino Cavalcanti (PP-PE) para a presidência da Câmara e a
recente rejeição da CPMF. Lula, além de líder de
massa, revelou-se um administrador prudente e realizador.
*Antônio Augusto de Queiroz é jornalista, analista político
e diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria
Parlamentar (Diap).
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FOLHA DE LONDRINA, 11 de
janeiro de 2008 | Economia
Custo com alimentos puxou inflação
do idoso em 2007
Índice subiu 5,04% no ano passado,
maior alta desde 2004
Rio - A inflação entre
a população idosa (acima de 60 anos) registrou, no
ano de 2007, o mais elevado patamar em dois anos. A informação é do
economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV),
André Braz. Ontem, a fundação anunciou o Índice
de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), que subiu
5,04% no ano passado - a mais forte alta desde 2004, quando o indicador
subiu 6,58%.
O economista lembrou que os preços
dos alimentos ''dispararam'' no ano passado, principalmente no segundo
semestre de 2007. Safras ruins, problemas climáticos prejudicando
a oferta de itens agrícolas e forte demanda por alimentos - tanto
no mercado interno quanto externo - foram os fatores que fizeram com
que os preços dos alimentos ficassem mais caros no ano passado.
Esse cenário, sentido
por todos os consumidores brasileiros, de uma maneira geral, teve um
impacto profundo no orçamento familiar do idoso. ''O grupo alimentação é o
que mais pesa no cálculo do IPC-3i'', disse, explicando que os
idosos gastam mais com alimentos do que a média da população,
em todas as faixas etárias. Entre os alimentos, o destaque de
elevação de preços ficou por conta do feijão
carioquinha, que subiu 128,48% no ano passado, no âmbito do IPC-3i.
Por isso, a inflação
entre os idosos também encerrou o ano de 2007 com taxa acima da
registrada pelo IPC-BR, que mede a inflação no varejo em
todas as faixas etárias e subiu 4,60% no mesmo período.
Isso não é um fenômeno novo. A FGV, ao divulgar seus
resultados anuais para o IPC-3i, também detecta um patamar mais
elevado de inflação entre a população idosa,
em comparação com a média de consumidores em todas
as faixas etárias. Segundo Braz, de 2001 para 2007, o IPC-3i acumula
elevação de 64,13%; no mesmo período, o IPC-BR registra
elevação de 56,97%.
Entretanto, ao se analisar a
movimentação de preços entre os produtos, no âmbito
do IPC-3i, o destaque ficou por conta da elevação em plano
e seguro saúde (6,95%), produto que mais influenciou a composição
da inflação dos idosos em 2007. ''Esse item pesa muito
no índice, porque os idosos dispensam grande parte do seu orçamento
para pagar os planos'', afirmou.
Alessandra Saraiva
Agência Estado
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Agência Câmara,
11 de janeiro de 2008
Projeto permite uso do FGTS para pagamento
do Fies
Diógenes Santos

Verde: "O objetivo da proposta é aliviar a situação
financeira dos recém-formados que já trabalham."
De autoria do deputado Cleber Verde (PTB-MA), o Projeto de Lei 1447/07 permite
a utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) para o pagamento total ou parcial de financiamento contraído
junto ao Fundo de Financiamento ao Estudante de Ensino Superior (Fies). "O
objetivo da proposta é aliviar a situação financeira dos
recém-formados que já trabalham", argumenta o autor.
Em sua concepção,
o FGTS não sofrerá impacto significativo, uma vez que o
contingente de trabalhadores estudantes representa percentual reduzido
no universo dos segurados. "Ademais, como os potenciais beneficiários
são jovens que iniciam a vida profissional de nível superior,
o tempo de contribuição ao fundo será longo. Como
os seus salários serão mais elevados do que quando eram
estudantes, o fundo será recomposto com facilidade", acrescenta.
Tramitação
Em regime de prioridade, o projeto será analisado conjuntamente com
o PL 3961/04, do Senado, que permite a utilização dos recursos
do FGTS para pagamento de anuidade escolar do trabalhador ou de seus dependentes
de até 24 anos. Ambos terão análise em caráter
conclusivo das comissões de Educação e Cultura; de Trabalho,
de Administração e Serviço Público; de Finanças
e Tributação; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
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ÂMBITO JURÍDICO,
11 de janeiro de 2008
Turma mantém revisão
de aposentadoria por tempo de contribuição
A 1ª Turma manteve revisão de aposentadoria por tempo de contribuição,
levando em conta tempo de serviço especial, a trabalhador cuja atividade
o expunha a agentes nocivos nos períodos de 1º de janeiro de 1972
a 1º de janeiro de 1976 e de 13 de novembro de 1979 a 29 de maio de 1983.
Trata-se de trabalhador que exercia
atividade de pintura automotiva com pistola. Alega que a atividade encontra
enquadramento nos Decretos nºs 83.080/79 (item 1.2.10 - hidrocarbonetos
e outros compostos de carbono) e 2.172/97 (item 13 - hidrocarbonetos
alifáticos ou aromáticos), devendo portanto ser reconhecidos
os períodos de 01/01/72 a 01/01/76 e 13/11/79 a 29/05/83, como
tempo de serviço especial, com possibilidade de conversão
para tempo comum (art. 70, § 2º, Decreto nº 3.048/99,
com redação do Decreto nº 4.827/03).
O relator, Juiz Federal Convocado,
Itelmar Raydan Evangelista, explica que, no caso, em se tratando de período
anterior à edição da Lei nº 9.032/95, não
há necessidade de comprovação de exposição
permanente e efetiva aos agentes nocivos, conforme a Instrução
Normativa 84 do INSS, de 22.01.2003.
O Juiz Federal, em seu voto,
pronunciou entendimento, conforme jurisprudência do STJ, de que "o
segurado que presta serviço em condições especiais,
nos termos da legislação então vigente, e que teria
direito por isso à aposentadoria especial, faz jus ao cômputo
do tempo nos moldes previstos à época em que realizada
a atividade. Isso se verifica à medida em que se trabalha. Assim,
eventual alteração no regime ocorrida posteriormente, mesmo
que não mais reconheça aquela atividade como especial,
não retira do trabalhador o direito à contagem do tempo
de serviço na forma anterior, porque já inserida em seu
patrimônio jurídico"
Fonte: TRF1
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CONSULTOR JURÍDICO,
11 de janeiro de 2008
Direito ao descanso
Lavradores podem se aposentar pelo
INSS, decide TRF-1
Por terem comprovado o exercício da profissão de lavradores,
trabalhadores rurais terão direito de aposentadoria pelo Instituto Nacional
de Seguridade Social (INSS). A decisão é da 2ª Turma do
Tribunal Regional Federal da 1ª Região que, por unanimidade, determinou
a inclusão de trabalhadores rurais de Rondônia como beneficiários
do INSS.
De acordo com a juíza
federal convocada, Kátia Balbino, os documentos e depoimentos
de testemunhas demonstraram que o casal de trabalhadores exercia a atividade
rural. A certidão de casamento dos autores, título eleitoral,
contrato de parceria rural, serviram para demonstração
dos fatos. A 2ª Turma considerou que houve demonstração
simultânea do início de prova material e de prova testemunhal
relativa ao exercício das atividades rurais dos trabalhadores.
Segundo os juízes, atendidos
os requisitos indispensáveis à concessão do benefício
previdenciário, como início de prova material a demonstrar
a condição de trabalhador rural e faixa etária, é devido
o benefício de aposentadoria por idade, de acordo com os artigos
55, parágrafo 3º, e 143, da Lei 8.213/91.
Ao recorrer da sentença
que julgou procedente os pedidos dos trabalhadores, o INSS alegou que
as provas apresentadas pela partes não comprovavam o preenchimento
dos requisitos necessários à concessão da aposentadoria.
A prova testemunhal, por sua vez, foi considerada inútil para
a concessão do benefício.
O TRF-1 manteve a sentença.
O INSS foi condenado ao pagamento mensal de um salário mínimo
aos trabalhadores, além dos benefícios previdenciários
vencidos.
Apelação Cível
2005.01.99.011.049-2/RO
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
11 de janeiro de 2008
MPT ajuíza ação contra empresa acusada de não pagar
funcionários
O MPT (Ministério Público do Trabalho) em Pernambuco ajuizou
ação civil coletiva contra a Future Log Serviços Logísticos
Ltda.. A empresa é acusada de não pagar os salários dos
funcionários desde o mês de setembro, incluindo o 13º salário.
Os demitidos recentemente também não teriam recebido verbas rescisórias.
Segundo informações
do MPT, ao todo são 108 funcionários vinculados à empresa
em todo o país. A audiência inicial do processo está marcada
para o próximo dia 31.
A ação foi proposta
pela procuradora do Trabalho Lívia Viana de Arruda a partir de
uma denúncia, e tramita na 2ª Vara do Trabalho do Recife. “Com
base nessa ação, os empregados poderão promover,
futuramente, ações individuais de liquidação
e execução”, explicou.
A empresa encerrou suas atividades
no Recife no dia 15 de dezembro, depois de fechar as filiais de Teresina
(PI), São Luís (MA), Salvador (BA) e Maceió (AL).
Só em Recife, a Future Log emprega 58 funcionários, tendo
ainda filiais em Natal (RN), João Pessoa (PB) e Fortaleza (CE).
Em dezembro, o MPT ajuizou
ação cautelar com pedido de liminar, que foi deferida
pelo juiz da 2ª Vara do Trabalho, para resguardar os direitos
dos empregados e ex-empregados, evitando que os créditos recebidos
pela empresa fossem usados para outros fins que não o pagamento
de salários e verbas rescisórias.
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SINTRACOM Londrina,
09 de janeiro de 2008
SINTRACOM em Ação 2008
Ação
do Sintracom-Londrina garante pagamento de salários para
96 trabalhadores da Construtora CTO
Mario Fragoso

Foto: Carlos Bozzelli
Os 96 trabalhadores da Construção
Civil contratados pela Construtora CTO, que estavam em greve desde
o dia 20 de dezembro último, receberam hoje, dia 9, os salários
de dezembro e o 13º salário que estavam atrasados. No total,
foram mais de R$ 90 mil que entraram nos bolsos desses operários.
Esses trabalhadores estão
executando a reforma e ampliação dos hospitais das Zonas
Norte e Sul de Londrina e, pela sexta vez, tiveram que entrar em greve
por causa dos constantes atrasos nos pagamentos, além do não
cumprimento de outros benefícios previstos na Convenção
Coletiva de Trabalho.
Num primeiro momento, a diretoria
do Sintracom-Londrina, que esteve e estará sempre junto dos
trabalhadores, tentou negociar a solução do problema
com a Construtora Crupp, de Astorga, subempreiteira da CTO que está,
de fato, tocando as obras nos hospitais.
Como a empresa não resolveu
as pendências, o presidente do Sintracom-Londrina, o carpinteiro
Denílson Pestana da Costa, entrou em contato com a CTO e, também,
com a Secretaria de Obras do Paraná, para encontrar uma solução
e garantir o pagamento dos valores devidos aos trabalhadores.
Cautelar – No
processo de negociação, Pestana foi informado que a Secretaria
não havia repassado os recursos devidos à Construtora
porque a mesma não teria apresentado certidões negativas
previstas na licitação. Apesar da irregularidade, a Secretaria,
finalmente, liberou os recursos.
Agora, apesar de os trabalhadores
terem recebido os atrasados, a assessoria jurídica do Sintracom-Londrina
está avaliando a possibilidade entrar com uma ação
judicial pedindo uma medida cautelar para que a empresa cumpra integralmente
a Convenção Coletiva de Trabalho.
Rescisões – No
dia 18 próximo, a empresa deverá rescindir o contrato
de trabalho de 45 operários. O Sintracom-Londrina vai ficar
de olhos atentos para que esses trabalhadores tenham todos os direitos
assegurados.

Foto: Carlos Bozzelli

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