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Congresso em Foco, 13 de janeiro de 2008
Lula era o alvo do golpe em 2002,
diz Chávez
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou ontem
(12), que golpe de estado sofrido em 2002 contra seu governo tinha
o objetivo impedir a eleição do presidente Lula. “Se
nos batem, batem na Bolívia, batem até no Brasil,
apesar do seu tamanho. O golpe de Estado contra mim tinha como
objetivo afetar a candidatura do Lula, para ativar o efeito dominó contra-revolucionário
na América Latina, mas não conseguiram”, disse
o venezuelano, segundo a BBC Brasil.
Em 2002, Chávez sofreu um golpe de estado frustrado que o tirou
do poder por dois dias. O movimento golpista era liderado por pela
Fedecámaras, uma associação empresarial da Venezuela,
e foi discretamente comemorado por diplomatas dos EUA.
As declarações de ontem foram feitas durante o Congresso
de fundação do Partido Socialista Unido da Venezuela
(PSUV). Segundo a agência France Presse, representantes do PT – partido
do presidente Lula –, PCdoB e o Movimento dos Trabalhadores Rurais
Sem Terra participam do evento. (Eduardo Militão)
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Gazeta do Povo, 13 de janeiro de 2008
BRASIL | ELEIÇÕES 2008
109 deputados federais são
pré-candidatos a prefeito
Pleito deve servir de palanque
para 2010, quando será escolhido o sucessor do presidente
Lula
Antonio Cruz/ABr

Luiz Sérgio, líder do PT na Câmara – partido
tem 17 candidatos: “Tem muita pré-candidatura”
Brasília – A nove meses das eleições, 109
deputados federais – um em cada cinco – são pré-candidatos
na disputa pelas mais de 5 mil prefeituras do país. A maioria
das candidaturas é de deputados aliados: 77, para 32 oposicionistas.
No Senado, apenas 3 senadores – todos da base aliada – mostraram-se
dispostos até agora a entrar na eleição.
A conquista de prefeituras, principalmente das capitais e cidades
com mais de 200 mil habitantes, faz parte da estratégia tanto
dos partidos governistas como dos de oposição. Ambos
estão de olho nas eleições gerais de 2010, quando
será escolhido o sucessor do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Por isso, lutam para eleger o maior número
possível de prefeitos e, assim, criar palanques para seus
candidatos presidenciais.
Com uma bancada de 92 deputados, o PMDB é o maior partido
da Câmara, mas apenas 12 deles (13% do total) são apontados
como pré-candidatos. “Hoje temos 1.150 prefeitos e nossa
meta é ampliar esse número”, diz o líder
do partido na Casa, Henrique Eduardo Alves (RN). Segundo ele, a legenda
quer reforçar as alianças nas bases eleitorais e, por
isso, está aberto às coligações.
O PT, a segunda maior bancada na Câmara, com 80 deputados,
tem 17 que pretendem disputar a eleição. “Tem
muita pré-candidatura” alerta o líder, Luiz Sérgio
(RJ). Em Salvador, por exemplo, dois deputados são pré-candidatos:
Nélson Pellegrino, que já disputou a prefeitura da
capital baiana três vezes, e Walter Pinheiro.
Proporcionalmente, o PDT é o partido da base aliada com o
maior número de deputados federais pré-candidatos a
prefeituras este ano: 13 do total de 25 da bancada.
Oposição
A oposição também se prepara para lançar
seus candidatos. O DEM e o PSDB juntos têm 21 deputados pré-candidatos. “O
DEM está muito animado com a possibilidade de fazer prefeitos
em um grande número de municípios do país. Vai
apostar todas as suas fichas em 2008 na construção
de um projeto arrojado”, diz o deputado Antônio Carlos
Magalhães Neto (BA), provável candidato do partido à prefeitura
de Salvador.
No PSDB, o lema é o mesmo: conquistar o maior número
de prefeituras em 5 de outubro. Tanto é assim que a ordem é lançar
candidatos em todas as grandes cidades. Dez deputados tucanos aparecem
nas listas de prováveis candidatos.
O tempo até a definição oficial das candidaturas,
no fim de junho, ainda vai mudar o quadro. A expectativa é que
entre 60 e 70 deputados federais acabem disputando as eleições.
Em 2004, 87 deputados federais concorreram aos cargos de prefeito
ou vice-prefeito. Somente 19 conseguiram se eleger.
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The New York Times, 13 de janeiro de 2008
Descoberta em Tupi torna Brasil
candidato à elite do petróleo
Enquanto alguns dos maiores produtores de petróleo,
incluindo o México e o Irã, lutam para permanecerem
exportadores, o Brasil está caminhando na direção
oposta. Um imenso campo de petróleo submarino descoberto no
final do ano passado tem o potencial de transformar o maior país
da América do Sul em um exportador considerável e lhe
conceder uma cadeira à mesa do cartel mundial do petróleo.
O novo petróleo, juntamente com os projetos de refino em
andamento da Petrobras, a empresa estatal de petróleo, também
pode vir a transformar o Brasil em um grande exportador de gasolina,
aumentando a oferta nos Estados Unidos e outros países onde é praticamente
impossível a construção de novas refinarias.
A região subsal onde se encontra Tupi, o novo campo em águas
profundas cuja estimativa é de conter entre 5 bilhões
e 8 bilhões de barris de petróleo leve, está provocando
agitação entre as maiores companhias de petróleo
do mundo. Elas têm tido dificuldade recentemente em encontrar
projetos de escala global nos quais valha a pena investir, mesmo
com o petróleo chegando a US$ 100 o barril. Tupi é a
maior descoberta mundial de petróleo desde o campo de 12 bilhões
de barris encontrado no Cazaquistão, em 2000.
Mas a conversa do governo brasileiro de endurecer os termos de investimento
para a nova fronteira de exploração marítima
poderia conter rapidamente o entusiasmo internacional. O Brasil está até mesmo
gerando comparações com a Bolívia e Venezuela,
dois países sul-americanos que nacionalizaram parte de seus
setores de energia nos últimos anos.
Ainda assim, o Brasil continua bem mais aberto ao investimento estrangeiro
do que esses vizinhos, e tem encorajado companhias estrangeiras de
petróleo como Exxon Mobil, Shell e Chevron a investirem bilhões
de dólares na exploração marítima, apesar
de sem muito sucesso até o momento.
Mesmo se a Petrobras pedir ajuda de outras grandes companhias de
petróleo, o desenvolvimento de Tupi exigirá a solução
de desafios técnicos espinhosos e a execução
de um projeto em uma escala que nunca tentou antes. As primeiras
quantidades comerciais de petróleo deverão estar disponíveis
apenas em sete anos.
José Sérgio Gabrielli, o presidente da Petrobras,
disse estar otimista de que a empresa será capaz de desenvolver
o campo com pouca ajuda externa.
"Nós achamos que podemos desenvolver o campo mais rapidamente
do que pensávamos a princípio", disse Gabrielli
em uma entrevista aqui, na semana passada. "Nós não
achamos que temos um desafio insuperável no lado tecnológico."
Há apenas uma década, a idéia de que o Brasil
se tornaria auto-suficiente em energia, muito menos despontar como
um exportador, parecia absurda -mesmo na cidade litorânea ensolarada
do Rio, onde fica a sede da Petrobras. A empresa foi criada há cinco
décadas em grande parte como uma importadora de petróleo
para atender ao crescimento da economia brasileira, que agora é a
10ª maior do mundo e sustenta mais de 185 milhões de
habitantes.
Mas há dois anos, mesmo sem Tupi, o Brasil atingiu sua há muito
pretendida meta de auto-suficiência em energia, em parte com
a expansão de suas reservas domésticas de combustível
fóssil e em parte com o desenvolvimento de uma grande indústria
de etanol a partir da cana-de-açúcar. Atualmente a
Petrobras tem a meta de elevar a produção brasileira
de óleo cru em pelo menos 100 mil barris por dia a cada ano.
Com Tupi, os 12,2 bilhões de barris de reservas comprovadas
do Brasil passariam para cerca de 17,2 bilhões, colocando
o Brasil à frente dos 17,1 bilhões do Canadá e
dos 12,9 bilhões do México. O país ficaria entre
a China e a Nigéria na escala mundial, segundo a BP Statistical
Review of World Energy. A Venezuela, em comparação,
possui cerca de 80 bilhões de barris de reservas comprovadas.
O rápido crescimento econômico e o declínio da
produção em países ricos em petróleo
como a Indonésia, México e Irã estão
atrapalhando quanto podem exportar, estressando o mercado global
de petróleo. Em alguns casos, os governos desses países
subsidiam enormemente a gasolina em casa, o que tende a encorajar
hábitos perdulários.
Mas o Brasil, com um crescimento econômico em ritmo saudável,
vende combustível aos seus cidadãos basicamente a preços
de mercado. E o imenso esforço de três décadas
para transformar cana-de-açúcar em etanol tornou o
Brasil o maior consumidor de biocombustíveis vegetais do mundo.
O governo exige que a gasolina contenha um mínimo de 25% de álcool
e que todo posto de combustível tenha pelo menos uma bomba
de etanol puro.
O crescimento do programa de etanol está colocando o Brasil
em uma melhor posição para tirar proveito da riqueza
de Tupi, disse Gabrielli. A Petrobras espera que o uso do etanol
crescerá à medida que mais veículos flex cheguem às
ruas. "Nós teremos mais gasolina para exportar do que
temos hoje", ele disse, "porque parte do espaço
da gasolina será tomado pelo etanol".
A Petrobras atualmente vende cerca de 90% de seus produtos refinados
no mercado brasileiro. Para assegurar um futuro como exportadora,
a Petrobras está construindo duas novas refinarias que deverão
entrar em operação em 2010 e 2014, que aumentarão
a capacidade de refino do país em quase 40%. A empresa também
está investindo em unidades que expandirão sua produção
de diesel a partir de petróleo pesado, e está investindo
US$ 8,6 bilhões na redução do enxofre em suas
11 refinarias.
Mas o maior desafio será desenvolver Tupi em grande campo
produtor. O campo fica cerca de 7 quilômetros abaixo da superfície
do oceano. Para chegar até ele, a Petrobrás terá que
atravessar mais de 2 mil metros de água e depois perfurar
mais de 5 mil metros de areia, rocha e uma imensa camada de sal que
se estende por centenas de quilômetros. Perfurar ao redor ou
através do sal representa um desafio mais significativo do
que perfurar as camadas de sal do Golfo do México, que são
mais dispersas, disseram analistas.
Alguns analistas prevêem que Tupi poderá custar mais
de US$ 20 bilhões para ser desenvolvido, uma estimativa não
confirmada por Gabrielli. Plataformas de perfuração
estão em falta no mundo, com os preços chegando a quase
US$ 600 mil por dia para os maiores navios.
A primeira grande tarefa, disse Gabrielli, é encontrar um
escoamento para as imensas quantidades de gás natural também
presentes no campo de Tupi, que fica a quase 320 quilômetros
da costa. Dadas as dificuldades de construção de um
gasoduto vindo de local tão remoto, a Petrobrás está considerando
a construção de usinas flutuantes de liquefação
de gás natural ou uma turbina flutuante a gás para
geração de eletricidade.
Para enviar o petróleo para a costa, os engenheiros da empresa
terão que encontrar formas inovadoras para manter os oleodutos
aquecidos e desenvolver revestimentos mais fortes para os poços
resistirem aos efeitos da corrosão do sal.
A nova fronteira de petróleo descoberta pela Petrobras e
suas parceiras -incluindo a BP do Reino Unido- na Bacia de Santos,
onde Tupi se encontra, poderá levar a empresa a reduzir seus
investimentos na África e no Golfo do México em prol
de um maior gasto no desenvolvimento das reservas brasileiras. "A
empresa estará sobrecarregada e terá que rever sua
estratégia", disse Roger Diwan, um sócio da PFC
Energy, em Washington.
A descoberta de Tupi mudou o estado de espírito no Brasil
aparentemente da noite para o dia. O presidente da Venezuela, Hugo
Chávez, brincou com o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, o chamando de "xeque do petróleo". O próprio
Lula declarou que a descoberta era prova de que "Deus é brasileiro" e
prometeu que o Brasil buscará o ingresso na Organização
dos Países Exportadores de Petróleo em alguns anos.
O sucesso da Petrobras está longe de ser um acidente. Em
1997, o governo brasileiro abriu a divisão de exploração
e produção da Petrobras para empresas estrangeiras
e a abriu para investidores privados. Mais importante, a empresa
desenvolveu perícia em exploração em águas
profundas que a colocam no mesmo patamar que a Shell e a Exxon Mobil.
"Ela não é tão fechada quanto muitas empresas
estatais de petróleo", disse Donald Hertzmark, um consultor
de energia internacional em Washington. "Ela é amplamente
considerada de classe mundial em exploração em águas
profundas e tem buscado uma série de joint ventures em todo
o mundo."
A ascensão da Petrobras contrasta enormemente com o declínio
de outra grande companhia de petróleo na América do
Sul, a Petroleos de Venezuela, a estatal venezuelana conhecida como
PDVSA. Enquanto a Petrobras atinge produções recordes,
a produção da PDVSA tem caído desde que Chávez
foi eleito em 1998.
Chávez renacionalizou partes do setor venezuelano ao impor
termos muito mais duros para as companhias de petróleo estrangeiras.
Gabrielli disse que Petrobras evitará seguir o caminho adotado
pela Venezuela e pela Bolívia. Ele disse ser a favor da imposição
de termos mais duros para a região subsal onde Tupi está localizado,
algo que está sendo considerado pelo Congresso brasileiro.
Mas ele disse que a Petrobras já arcou com o risco considerável
de exploração, tornando uma aposta muito menor para
as empresas estrangeiras que desejarem explorar ainda mais a região
marítima. E ele acrescentou que a maioria dos grandes países
produtores de petróleo, não apenas aqueles que proclamam
suas ambições socialistas, impõe termos mais
duros às companhias de petróleo estrangeiras, especialmente
em tempos de altos preços do petróleo.
"Após a descoberta que fizemos", ele disse sobre
os lucros potenciais a serem obtidos pelas grandes companhias de
petróleo, "isto é como comprar um bilhete premiado
de loteria".
Tradução: George El Khouri Andolfato
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Gazeta do Povo, 13 de janeiro de 2008
BRASIL | RECURSOS
Mais de 1 milhão não
sacou abono do PIS/Pasep
Mais de uma milhão de trabalhadores em todo país ainda
não sacou o abono do PIS/Pasep referente ao ano-base de 2006.
Essas pessoas têm até o dia 30 de junho para retirar os
R$ 375 a que têm direito. Têm direito ao abono quem trabalhou
pelo menos 30 dias em 2006 com carteira assinada por empregador contribuinte
e que receberam, em média, até dois salários mínimos
mensais.
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Gazeta do Povo, 13 de janeiro de 2008
ECONOMIA | CRÉDITO
2008 terá dinheiro mais caro
e menos volume de empréstimos
Pacote tributário reforça
cenário pouco otimista para financiamentos
por FERNANDO JASPER
Considerado a “mola propulsora” da economia brasileira
no ano passado, responsável pela forte expansão do setor
imobiliário e de segmentos como o comércio de eletrodomésticos
e veículos, o crédito começa 2008 com novidades
pouco animadoras. Embora bancos e analistas apostem na continuidade
da expansão do crédito no país, ainda que em ritmo
um pouco mais lento, tudo indica que o custo dos empréstimos
e financiamentos vai ficar mais caro, invertendo uma trajetória
que dura mais de dois anos.
Saiba mais sobre a queda dos juros e o aumento do crédito:

O avanço da inflação, a turbulência dos
mercados internacionais e as perspectivas de manutenção
ou aumento da taxa básica de juros (a Selic) já colocavam
em dúvida a persistência da queda dos juros cobrados de
empresas e pessoas físicas – que vêm recuando quase
sem interrupções desde setembro de 2005. Para piorar,
o pacote tributário anunciado pelo governo logo no segundo dia
do ano, que afetará justamente a concessão de crédito,
reforçou a avaliação de que o dinheiro vai ficar
mais caro. A própria Febraban, representante dos bancos, deixou
bem claro na semana passada que a elevação do Imposto
sobre Operações Financeiras (IOF) e da Contribuição
Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) vão encarecer os
empréstimos.
“ O aumento dos impostos deve interromper a fase benigna que
vimos nos últimos dois anos. Provavelmente o custo do crédito
vai crescer”, avisa o especialista em finanças Rafael
Paschoarelli, professor de várias faculdades em São
Paulo. “Além disso, a Selic, que serve de referência
para empréstimos e financiamentos, deve parar de cair. Acho
provável, inclusive, que ela suba ainda no primeiro semestre.”
Reduzida em 18 reuniões consecutivas do Comitê de Política
Monetária (Copom) do Banco Central, a taxa básica caiu
de 19,75% para 11,25% ao ano entre setembro de 2005 e outubro de
2007. Como a Selic é referência para o dinheiro que
os bancos tomam emprestado, seus movimentos influenciam as taxas
de mercado. Com isso, o juro médio cobrado de pessoas físicas
recuou de 62% para 45% ao ano durante o período de queda da
Selic, segundo os dados mais recentes do Banco Central, referentes
a novembro. Para as empresas, o juro anual caiu de 33% para 23%,
aproximadamente.
A Associação Nacional dos Executivos de Finanças,
Administração e Contabilidade (Anefac), que usa uma
metodologia diferente, aponta que, para pessoas físicas, a
taxa média anual está em 131% e, para empresas, em
62% – em ambos os casos, elas caíram nos últimos
dois anos. Ou seja, apesar de continuarem muito altos, os juros vinham
caindo e, com o auxílio do alongamento dos prazos de pagamento,
contribuíram de modo decisivo para o crescimento da economia.
No entanto, a preocupação com o cenário externo
e com a inflação brasileira fez com que o Copom mantivesse
a Selic em 11,25% em seus dois últimos encontros – e
boa parte dos analistas passou a rever suas projeções
para a taxa. “Vale lembrar que estamos em ano eleitoral, que
historicamente tem inflação mais alta. O Copom deve
ser ainda mais cauteloso, e a tendência é de que eleve
sua taxa. Com isso, eu apostaria em aumento das taxas de mercado”,
opina o doutor em Economia José Guilherme Vieira, professor
do Unicenp. “Ao menos neste momento, todos os fatores jogam
contra os tomadores de crédito.”
O vice-presidente da Anefac, Miguel Oliveira, mostra-se mais otimista.
Para ele, os juros bancários só devem ser elevados
a partir de abril, quando entra em vigor o aumento de quase 70% da
CSLL – e a Justiça ainda pode derrubar o pacote do governo. “Para
a Selic, ainda espero uma queda em 2008, mas não mais no curto
prazo. Provavelmente só a partir do segundo trimestre.”
Mesmo com juro alto, crédito
deve crescer 20%
Nem mesmo um aumento dos juros deve inibir a tendência de expansão
do crédito no Brasil, que em novembro atingiu seu maior patamar
em 12 anos e meio. Graças a um crescimento de 27% em 12 meses,
no fim do ano passado o volume total dos empréstimos atingiu
o equivalente a 34,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o
maior nível desde junho de 2005, quando chegou a 34,7% do PIB.
Pesquisa do Banco Central mostrou que as instituições
financeiras esperam que o chamado “estoque de crédito” cresça
algo em torno de 20% em 2008, o que o fará atingir quase 40%
do PIB até o fim do ano. Se confirmado, esse índice será o
maior da série histórica do BC, iniciada há quase
20 anos.
“O mercado de crédito ainda tem um potencial muito
grande para crescer. E pequenos aumentos nos juros não devem
inibir a população, que em geral tende a se preocupar
mais com a parcela mensal do que com o custo do financiamento ou
do empréstimo”, avalia o economista Márcio Cruz,
professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Para Gílson Garófalo, professor da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), dificilmente
haverá uma queda na procura por crédito, graças às
facilidades que vêm sendo ofertadas nos segmentos de veículos,
imóveis e crédito consignado. “No caso dos aposentados,
o comprometimento máximo da renda mensal caiu de 30% para
20%, mas, por outro lado, o prazo de pagamento foi dilatado. Além
disso, no crédito pessoal, as classes menos favorecidas querem
saber apenas se a prestação cabe no orçamento
mensal. E elas têm participação importante na
recente expansão do crédito.”(FJ)
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Gazeta do Povo, 13 de janeiro de 2008
ECONOMIA | EMPREGO
Empresas “importam” trabalhadores
Frigorífico do Norte Pioneiro
vai buscar mão-de-obra a 80 quilômetros de distância
por MARCO MARTINS E ROSANA FÉLIX
O auxiliar Aníbal Raimundo migrou
de Jacarezinho para Joaquim Távora, distante 50 quilômetros
Joaquim Távora – O auxiliar de produção
Aníbal Aparecido Raimundo, 21 anos, teve que deixar a família
em Jacarezinho, no Norte Pioneiro, e mudar-se para Joaquim Távora,
distante cerca de 50 quilômetros, para poder preencher uma das
muitas vagas que estão disponíveis no abatedouro Frangos
Pioneiro. Ele é apenas um exemplo do que está acontecendo
na empresa, que aproveita o bom momento vivido pela avicultura para
expandir seus negócios, mas sofre com a escassez de mão-de-obra
na cidade.
Maior empregador do município e responsável pela queda
da taxa de desemprego em Joaquim Távora de 10% para menos
de 4%, o Frangos Pioneiro está desde o ano passado buscando
mão-de-obra em outras cidades da região, porque não
há mais trabalhadores disponíveis na cidade. De acordo
com o assessor da empresa, Renato Módolo, sem opções,
a empresa foi buscar operários em Guapirama, Santo Antônio
da Platina, Cambará, Jacarezinho e até Ribeirão
Claro, distante quase 80 quilômetros da sede do abatedouro.
Em dezembro, a empresa tinha 700 funcionários. Hoje são
850 empregados, a maioria na linha de produção, como é o
caso de Aníbal Raimundo, que começou a trabalhar há 16
dias. Ele divide uma república com outros seis trabalhadores
de várias cidades do Norte Pioneiro e só volta no final
de semana para visitar os pais e os cinco irmãos que deixou
em Jacarezinho. Com os R$ 500 que ganha por mês ele pretende
comprar uma moto e se manter na nova cidade. “Já avisei
meus amigos de Jacarezinho que estão desempregados que aqui
sobram vagas, muitos estão vindo para cá”, revela
o auxiliar.
De acordo com Renato Módolo, a empresa, de olho no mercado
externo, está investindo R$ 30 milhões para aumentar
a produção diária de 55 mil para 160 mil aves
em pouco mais de um ano. Para isso, vai precisar contratar muita
gente. Pelo menos mais 1,5 mil trabalhadores, estima o assessor.
Como há escassez de mão-de-obra em Joaquim Távora
o abatedouro sabe que vai ter de continuar importando trabalhadores
para a sua linha de produção.
Para trabalhar na empresa não é preciso ter experiência.
O Frangos Pioneiro oferece treinamento e em 15 dias os operários
estão prontos para pegar nas facas e espátulas. O salário
médio é de R$ 500. “Isso só está acontecendo
porque a avicultura é um ramo promissor. No futuro viveremos
bons momentos”, aposta Módolo.
Para o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea) Ricardo Amorim, esse cenário é altamente positivo. “Se
as empresas precisam buscar, fora de suas cidades, mão-de-obra
com baixa qualificação, isso reflete um crescimento
econômico ímpar da região”, avalia. Segundo
um estudo divulgado pelo Ipea em novembro passado, as empresas sofrem
principalmente com a falta de mão-de-obra qualificada. “Se
permanecer essa situação, as empresas deverão
oferecer salários maiores e melhorar as condições
de trabalho”, avalia.
De acordo com o Ipea, cerca de 90 mil vagas de empregos em todo
o país não foram preenchidas no ano passado por falta
de profissionais qualificados. O setor com maior escassez (25 mil) é o
da indústria química e petroquímica, seguido
pela indústria de produtos de transporte (23 mil), produtos
mecânicos (21 mil) e extrativista mineral (20 mil vagas em
aberto).
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Gazeta do Povo, 13 de janeiro de 2008
IMÓVEIS | CONSTRUÇÃO
CUB subiu 5,79% em 2007
O Custo Unitário Básico (CUB) da construção
civil pesquisado pelo Sindicato da Indústria da Construção
Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR) foi reajustado em 0,36%,
em dezembro, em relação ao mês anterior, conforme
a norma técnica NBR 12.721/2006, que entrou em vigor em fevereiro
de 2007. O indicador de custos da construção acumulou
nos últimos dez meses aumento de 5,79%, porcentual menor do
que a inflação de 7,75%, medida pelo Índice Geral
de Preços do Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação
Getúlio Vargas.
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O Estado do Paraná, 13 de janeiro
de 2008
Direito e Justiça
Magda Barros Biavaschi:
o Direito do Trabalho no Brasil
Edésio Passos
“O Direito do Trabalho no Brasil, 1930-1942. A construção
do sujeito de direitos trabalhistas”, de Magda Barros Biavaschi,
edição conjunta da LTr e da Associação
Luso-Brasileira de Juristas do Trabalho (Jutra), compõe-se
de duas partes (1) a excelente análise, que reproduz tese
de doutorado da autora defendida no Instituto de Economia da Unicamp,
do “Direito e seu papel nas sociedades modernas”, “da
origem do Direito do Trabalho e de seus fundamentos” e dos “princípios
do Direito do Trabalho” (2) anexo composto de legislação
e documentação, com a reprodução do Decreto-Lei
n.º 1.237, de 2 de maio de 1939, pelo qual o então Presidente
Getúlio Vargas, em 119 artigos, organiza a Justiça
do Trabalho. O período analisado 1930 a 1942 abrange a Revolução
liderada por Getúlio Vargas, desvendando “as principais
fontes materiais do regramento jurídico brasileiro de proteção
social ao trabalho e ver como foram impulsionadas as instituições
do Estado aptas a fiscalizá-las e a concretizá-las
e, ao fazê-lo, evidenciar quão equivocada é a
tese de que a legislação trabalhista brasileira é cópia
da Carta Del Lavoro...” (pág. 73). É justamento
o período histórico que, do ponto de vista jurídico-legislativo,
se concentra no Decreto-Lei n.º 5.452, de 1.º de maio de
1943, que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho.
Magda Barros Biavaschi é desembargadora aposentada do TRT
do Rio Grande do Sul, mestre em Direito pela UFSC, doutora pela Unicamp,
professora de Direito do Trabalho e integrante da Comissão
Coordenadora do Memorial da Justiça do Trabalho no Rio Grande
do Sul. O jurista Márcio Túlio Viana escreveu sobre
a obra: “Escrito por uma gaúcha, este livro não
nega as origens: na calma do chimarrão, repensa o que foi
contado; com a mesma largueza dos pampas, enxerga para além
do que víamos; ousado como um peão, desnuda e derruba
os mitos; no sopro do minuano (e como na Revolução
Farroupilha) faz tremular a bandeira em defesa do Direito”.
O economista Luiz Gonzaga Belluzzo assinala: “Este livro, ao
discutir o nascimento do Direito e da Justiça do Trabalho
no Brasil, acaba por desmistificar não apenas a idéia
de que o arcabouço jurídico trabalhista brasileiro é cópia
fascista, mas, também, a de que os tempos do nacional desenvolvimentismo
foram “40 anos de burrice”, como ainda insistem em afirmar
certos liberais de carteirinha”.
O ministro Arnaldo Süssekind foi, para a autora, “guia
de uma caminhada em busca das fontes materiais da legislação
consolidada no País” e são reproduzidas duas
entrevistas concedidas pelo Mestre, de grande importância para
o esclarecimento de fatos e conceitos fundamentais na história
do Direito e da Justiça do Trabalho. Também é ele
que prefacia a obra. É um breve prefácio de duas páginas,
singulares e marcantes, onde acentua: “Se o Direito e o Processo
do Trabalho sofreram modificações após a sistematização
e a indispensável complementação realizada em
1943 pela CLT, é inquestionável que os fundamentos
históricos explicados neste livro têm tido salutar influência
nas leis que se seguiram legislação que, ressalvadas
algumas normas de execução do governo anterior ao atual,
mantém a intervenção básica do Estado
nas relações de trabalho” (pág, 16).
A obra de Magda Barros Biavaschi se inscreve no ról dos estudos
que têm sido publicados recentemente que reafirmam os princípios
históricos do Direito do Trabalho. Em sua introdução,
confessa: “A tese, que deu origem a este livro, foi escrita
em tempos de sério abalo dos direitos sociais e das instituições
republicanas. Foi exatamente diante desse abalo que esta autora,
com toda uma vida profissional dedicada ao Direito do Trabalho, viu-se
mobilizada no sentido de recuperá-lo em seus fundamentos e
recolocá-lo em seu papel histórico como um direito
social integrador. Tentando compreender os dilemas da (des) construção
dos direitos na área do trabalho e de suas instituições
garantidoras, tratou de resgatar o significado de sua constituição,
adotando uma perspectiva mais ampla, de longa duração”.
Quer pelo conteúdo da análise, como pela sustentação
documental, o livro não é apenas para ser lido e referenciado
mas, e principalmente, recomendado a todos os que, no seu campo de
ação e resistência, persistem na linha de construção
de uma sociedade fraterna, solidária e igualitária.
***
“Nós” da qualificação
Enviou-me o dirigente sindical Carlos Zimmer, presidente do Conselho
Estadual do Trabalho, a mensagem, que reproduzo, pela sua oportuna
atualidade:
Processo de capacitação: “Quando
falamos “nós”, podemos nos referir ao pronome
pessoal e nos incluir no processo de capacitação para
formar mão de obra qualificada com o intuito de atender a
tão propalada demanda no país. Essa é uma prerrogativa
constitucional em seu artigo décimo quando faculta aos trabalhadores
e empresários compor as instâncias que debatem as políticas
públicas e neste caso específico políticas relacionadas
ao trabalho que qualificam mão de obra, utilizando-se recursos
do FAT Fundo de Amparo ao Trabalhador.
Nós a desatar: Mas os “nós” que
queremos nos referir são realmente aqueles que devemos desatar.
Existem diversos, mas a necessidade premente não deixa de
ser em primeiro lugar o envolvimento da sociedade no processo, focando
a destinação de recursos públicos para ações
que visem o desenvolvimento local e regional. Em segundo podemos
apontar questões técnicas que podem dificultar que
qualifiquemos a mão de obra necessária para a demanda,
entre as quais destacamos: falta de atrativos ou dispositivos que
mantenham os qualificandos no processo até seu término.
Bolsa e escolaridade: Os atrativos por assim dizer
deveriam contemplar em primeiro lugar uma bolsa qualificação
que mantenha o trabalhador no curso, recebendo por isso o que além
de motivá-lo, inibirá sua desistência quando
lhe for oferecida uma vaga. Essa bolsa poderia ser construída
com a utilização dos recursos já existentes
de políticas públicas entre as quais o próprio
Seguro Desemprego. Outro atrativo é a elevação
da escolaridade dos qualificandos. Essa já é uma meta
do PNQ Plano Nacional de Qualificação, a qual é descartada
por falta de ação. A grande maioria dos trabalhadores
que precisam de qualificação tem baixa escolaridade.
Um curso de qualificação que contemple esses dois aspectos,
com certeza seria eficaz.
AP’s e ES: No Paraná, os integrantes
do CET Conselho Estadual do Trabalho, estão perseguindo a
forma ideal de qualificar os trabalhadores e neste ano de 2007 já direcionaram
recursos priorizando o desenvolvimento territorial, através
dos APLs Arranjos Produtivos Locais e ES Economia Solidária.
Falta agora, além de manter essa política, vencer os
outros desafios que vão com certeza manter o trabalhador no
processo de qualificação, com certificação
da elevação da escolaridade e com a bolsa qualificação”.
TV Pública
O jurista, professor da UFPR e advogado Luiz Edson Fachin integra
o Conselho Curador da EBC/TV Brasil. Nesta condição,
enviou ao professor Luiz Gonzaga Belluzzo, presidente do organismo,
posicionamento sobre o que é uma TV Pública e propostas
para o regimento interno do Conselho. Daquele posicionamento, reproduzimos
afirmações do professor Fachin, por ser o tema da TV
Pública fundamental para nosso país:
“(1) O Conselho Curador tem o dever de mostrar à sociedade
brasileira a que veio e que não é “chapa-branca”.
Deve ter função também fiscalizatória,
não se confundindo com a gestão ou administração
nem com o Conselho Fiscal. Não somos um colegiado do governo
(seja qual for) nem do Estado, e sim formado a partir da sociedade
no âmbito de um Estado que ainda precisa realizar os objetivos
fundamentais da República: construir uma sociedade justa,
livre e solidária (como bem a proclamou Niemeyer em seu centenário
de lucidez!), erradicar a pobreza e marginalização,
reduzir as desigualdades sociais e regionais, garantir o desenvolvimento,
promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça,
sexo, cor, idade ou qualquer outra forma de discriminação.
(2) A TV pública pode auxiliar o patrimonialista
Estado brasileiro a encontrar o destino da Nação brasileira.
Por isso, entendo que o Conselho deva, desde logo, se desinstalar
do costumeiro caráter meramente homologatório que assumem
colegiados dessa natureza tomados pelo conformismo, pelo palavrório
da verborragia, e às vezes (não é, aqui, certamente
a hipótese) pela atração (maior ou menor, dependendo
do “quantum”) de “pro labore” (do qual, como
anunciei na primeira reunião, já expressei, por escrito,
renúncia integral e irrevogável)
(3) Não pode ser um “jogo de cartas
marcadas”, sob pena de tornar sem sentido a função
de membro de um Conselho Curador. A excelente exposição
inicial do Ministro Franklin indica, em meu ver, precisamente nesse
sentido de uma verdadeira função do Conselho. Temos
o dever (e o direito) de ver (e fazer) o discurso transformado em
práxis.
(4) Dessa tendência clientelista e parasitária
de colegiados precisamos nos afastar em todos os momentos de nossos
afazeres. Um exemplo simbólico e real é a criação,
mesmo, de uma Corregedoria, já anunciada, como disse, publicamente
pelo nosso Presidente de Conselho na coletiva de ontem.
(5) Sem prejuízo de idéias ou colaboração
adicionais posteriores, principio por reforçar, enfaticamente,
a proposição que fiz, na reunião de instalação
do Conselho, quanto à existência, instalação
e funcionamento de uma Corregedoria da TV pública. Na ocasião,
o Sr. ministro Franklin Martins, em meu ver, apoiou a idéia
que foi, também, acolhida pelo professor Belluzzo e reforçada
na mídia da coletiva publicada ontem nos jornais. Tal encampar
da idéia mitigou minha preocupação com o sentido
e o alcance do Conselho Curador, cuja razão de ser ainda está à prova”.
Licença-maternidade
Projeto de Lei do Senado n.º 281, de 10/8/2005, que “Cria
o Programa Empresa Cidadã, destinado à prorrogação
da licença-maternidade mediante concessão de incentivo
fiscal”,de autoria da senadora Patrícia Saboya Gomes,tem
a seguinte redação:
O Congresso Nacional decreta:
Art. 1.º Fica instituído o Programa Empresa Cidadã,
destinado a prorrogar por sessenta dias a duração da
licença-maternidade prevista no art. 7.º, XVIII, da Constituição
Federal.
Parágrafo único. A prorrogação será garantida à empregada
da pessoa jurídica que aderir ao Programa, desde que a empregada
a requeira até o final do primeiro mês após o
parto, e concedida imediatamente após a fruição
da licença-maternidade de que trata o art. 7.º, XVIII,
da Constituição Federal.
Art. 2.º Durante o período de prorrogação
da licença-maternidade, a empregada terá direito à sua
remuneração integral, nos mesmos moldes devidos no
período de percepção do salário-maternidade
pago pelo regime geral de previdência social.
Art. 3.º No período de prorrogação da
licença-maternidade de que trata esta Lei, a empregada não
poderá exercer qualquer atividade remunerada e a criança
não poderá ser mantida em creche ou organização
similar.
Parágrafo único. Em caso de descumprimento do disposto
no caput deste artigo, a empregada perderá o direito à prorrogação.
Art. 4.º A pessoa jurídica que voluntariamente aderir
ao Programa Empresa Cidadã terá direito, enquanto perdurar
a adesão, à dedução integral, no cálculo
do imposto de renda da pessoa jurídica, do valor correspondente à remuneração
integral da empregada nos sessenta dias de prorrogação
de sua licença-maternidade.
Art. 5.º O Poder Executivo, com vistas ao cumprimento do disposto
nos arts. 5.º, II, 12 e 14 da Lei Complementar n.º 101,
de 4 de maio de 2000, estimará o montante da renúncia
fiscal decorrente do disposto nesta Lei e o incluirá no demonstrativo
a que se refere o § 6.º do art. 165 da Constituição,
que acompanhará o projeto da lei orçamentária
cuja apresentação se der após decorridos sessenta
dias da publicação desta Lei.
Art. 6.º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação,
produzindo efeitos a partir do primeiro dia do exercício subseqüente àquele
em que for implementado o disposto no artigo anterior.
Contribuição Sindical
O Partido Popular Socialista (PPS) apresentou emenda sobre a Contribuição
Sindical ao final da votação, na Câmara dos Deputados,
do projeto de lei sobre as Centrais Sindicais, no sentido de que
o trabalhador autorize expressamente o desconto de um dia de seu
salário em favor da entidade sindical representativa. Esta
emenda não foi aprovada no Senado, que restabeleceu a redação
original do projeto de lei, mas a matéria retornará para
debate e votação na Câmara dos Deputados. Agora,
o PPS, através de seu Presidente, Roberto Freire, ingressou
com Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental
(ADPF 126), com pedido liminar, no Supremo Tribunal Federal, requerendo
a suspensão imediata da obrigatoriedade do recolhimento da
contribuição sindical e a revogação dos
artigos 579, 582, 583 e 587 da Consolidação das Leis
do Trabalho. O Fórum Sindical dos Trabalhadores, integrado
pelas Confederações Sindicais de Trabalhadores, decidiu
ingressar no processo como “amicus curiae”, na medida
em que o pedido afeta diretamente todos os organismos de representação
sindical. O advogado Hélio S. Gherardi publicou parecer sobre
a ação na página eletrônica do DIAP (www.diap.org.br).
Ameaças. Desenvolvimento sustentável
“O discurso dominante dos governos, das grandes instituições
multilaterais, das empresas em geral e até da linguagem jornalística
se concentra ainda na expressão desenvolvimento sustentável.
Ela representa um marco orientador especialmente para os projetos
econômicos e para as iniciativas ambientais. Entretanto, os
fatos foram revelando que o tipo de desenvolvimento realizado a nível
globalizado é tudo menos sustentável pelo fato de gerar
uma escandalosa desigualdade e falta de equidade mundial, de criar
um incomensurável riqueza de um lado e uma vegonhosa pobeza
de outro, além de exigir um custo ambiental de grandes proporções.
Os dados que nos vêm das várias instituições
que se ocupam do estado da Terra são cada vez mais amedrontadores” (Leonardo
Boff, da Comissão da Carta da Terra, texto “Ameaças
que pesam sobre Gaia e a Humanidade”, in Caderno do IV Encontro
Cultivando Água Boa, edição Itaipu, novembro
2007).
Como é ser juíza do trabalho em
Guanambi?
“Formiga sabe a folha que corta. Ninguém nunca me pressionou
de nenhum lado, nem de sindicato, empresas ou trabalhadores. Desde
que ingressei na magistratura tenho mantido a minha liberdade e conseguido,
como cidadã, publicar e escrever as minhas reflexões.
E até hoje, como magistrada, não sofri pressões.
Na época em que era advogada sim, inclusive, ameaça
de morte por parte de pistoleiros de latifundiários”.
(Da entrevista concedida pela juíza do trabalho de Guanambi,
Bahia, Márcia Novaes Guedes, à revista Caros Amigos)
“Somente um Estado de Bem-Estar Social, adequado às
peculariedades latino-americanas e brasileiras em particular, será capaz
de tomar as medidas eficazes assecuratórias de um significativo
crescimento econômico com a simultânea construção
de justiça social.” (Maurício Godinho Delgado
e Lorena Vasconcelos Porto, in “O Estado de Bem-Estar Social
no Século XXI”, edição LTr, junho 2007).
Edésio Passos é advogado
e ex-deputado federal (PT/PR). edesiopassos@terra.com.br
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Folha de São Paulo, 13 de janeiro
de 2008
Brasil ganha 60 mil novos
milionários
Total de brasileiros com mais
de US$ 1 milhão aplicado cresce 46% e chega a
190 mil em 2007; fortuna atrai bancos de investimento
Recorde da Bolsa, abertura de capital, aquisições,
investimentos estrangeiros diretos e valorização do
real explicam crescimento
JULIO WIZIACK, FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
Com R$ 20 mil, os irmãos Fábio, 31, e Fernando Cunha,
35, montaram, há quatro anos, a Clube de Estilo, uma empresa
que aproxima estilistas de lojistas. Toda vez que um negócio é fechado
entre eles, os irmãos ganham um percentual. Em 2007, a dupla
movimentou R$ 4 milhões e, se quisesse vender a empresa, com
sede no bairro dos Jardins, área nobre de São Paulo,
não embolsaria menos de R$ 2 milhões.
Os irmãos Cunha são um exemplo de brasileiros que viram
o patrimônio ultrapassar rapidamente a casa dos seis dígitos
nos últimos anos devido a uma combinação de fatores:
faro para os negócios, bom desempenho da economia brasileira
e alta rentabilidade oferecida pelo mercado financeiro.
Em um ano, o Brasil elevou o número de milionários em
60 mil, segundo levantamento do BCG (The Boston Consulting Group).
No ano passado, havia 190 mil milionários no país. Em
2006, eles eram 130 mil -expansão de 46,1%.
A fortuna desses milionários está estimada em aproximadamente
US$ 675 bilhões, o que equivale a praticamente metade do PIB
(Produto Interno Bruto) brasileiro. Para o BCG, milionários
são aqueles que têm mais de US$ 1 milhão aplicado
no mercado financeiro.
André Xavier, sócio-diretor do BCG no Brasil, diz que,
para identificá-los, os especialistas entrevistaram gestores
de fortunas de 111 instituições financeiras em 60 países.
Foi a primeira vez que uma equipe veio pessoalmente ao Brasil para
fazer o levantamento.
" A concentração de riqueza no país é um fenômeno
que está chamando a atenção dos bancos e dos gestores do
mundo", diz Xavier, que monitora o comportamento dos endinheirados há cerca
de sete anos.
Economia em alta
Vários fatores explicam a explosão do grupo dos milionários
no Brasil. Apenas em 2007, 64 empresas abriram o capital na Bovespa,
que bateu o recorde de R$ 4,9 bilhões negociados diariamente. "O
Ibovespa foi o índice que, no mundo, mais rentabilidade ofereceu
aos investidores", afirma Xavier.
De acordo com Eduardo Oliveira, diretor do departamento de gestão
de fortunas do UBS Pactual, a abertura de capital tem um efeito multiplicador
que pesa bastante na geração de riqueza dos empresários. "É como
vender um apartamento adquirido por R$ 100 mil cujo valor de mercado é o
dobro."
Outros motivo para o crescimento do total de milionários no
Brasil são a valorização do real e os investimentos
estrangeiros diretos, que, segundo Lywall Salles, diretor-executivo
do "private" do Itaú, chegaram a US$ 87 bilhões
em 2007.
O bom momento da construção civil, o fortalecimento do
agronegócio no Centro-Oeste e os negócios relacionados à produção
de álcool, na região Sudeste, também fizeram novos
milionários, segundo os bancos de investimentos consultados.
Além disso, cresceu o time de executivos brasileiros em companhias
estrangeiras recebendo parte dos salários em ações
da empresa. "Por si só, o rendimento desses papéis
já virou um patrimônio considerável", afirma
Alexandre Xandó, sócio da Verax Serviços Financeiros,
que administra fortunas que somam R$ 330 milhões.
" Em geral, esses executivos têm um perfil mais agressivo, aplicam
em ações e conseguem multiplicar seus recursos rapidamente",
afirma. Nos últimos anos, Xandó diz ter aumentado a quantidade
de jovens e de mulheres que delegam a administração de suas fortunas
a gestores independentes ou ligados a bancos.
" Vemos ainda mais famílias planejando a divisão de seu patrimônio
entre os herdeiros." A presença desses milionários acirra
as disputas dos bancos por esses clientes e faz aumentar as vendas de marcas
de luxo. Resultado: uma nova onda de grifes se anuncia e as que já operam
no país estão mudando seu modelo de negócio, cada vez mais
lucrativo.
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Folha de São Paulo, 13 de janeiro
de 2008
Só na China fortunas
crescem mais rápido
Investimentos dos brasileiros com
mais de US$ 1 mi aumentam a um ritmo anual médio
de 22,4%, ante 23,4% dos chineses
Estabilidade da economia e do real e juros elevados
incentivam boa parte dos milionários a investir no mercado
interno
DA REPORTAGEM LOCAL
Além de ser um dos países em que o número de
milionários mais cresce no mundo, o Brasil é o segundo
na lista dos países onde as fortunas se multiplicam mais rapidamente.
De acordo com o levantamento do BCG, nos últimos seis anos,
os investimentos dos brasileiros com mais de US$ 1 milhão
aumentaram a um ritmo anual médio de 22,4%, índice
que só perdeu para o da China, onde as riquezas inflaram 23,4%
no mesmo período.
Os especialistas do BCG detectaram ainda uma mudança de comportamento
dos milionários brasileiros. Boa parte deles já prefere
investir no próprio país a procurar aplicações
no exterior, como fundos "off- shore" e títulos do
governo norte-americano. Para Marcos Falcão, presidente da BRZ
Investment -braço do grupo GP Investimentos-, a valorização
do real e a estabilidade econômica diminuíram a insegurança
em relação ao Brasil. Além disso, a recente insegurança
quanto ao desempenho da economia norte-americana afugentou os investidores
brasileiros dos Estados Unidos.
Mas não é só por isso que os milionários
decidiram apostar no Brasil. Segundo Lywall Sal- les, diretor-executivo
do "private" do Itaú, setor do banco que gerencia
o patrimônio dos clientes mais abastados, a taxa de juro real
no país, uma das mais altas do mundo, incentiva aplicações
no Brasil. "Somos uma pseudo-Suíça com taxas de
juros altas", afirma Salles. Como a estabilidade ajudou a derrubar
os juros, boa parte dos milionários passou a arriscar mais nos
investimentos.
Segundo dados da Anbid (Associação Nacional dos Bancos
de Investimento), em 2007, do total de recursos aplicados, 34,7% foram
direcionados aos fundos multimercado e de ações, que
oferecem riscos mais elevados. Em contrapartida, a rentabilidade é maior
que a dos investimentos conservadores, como os de renda fixa, que acompanham
a Selic, hoje em 11,25%.
" Não há mais taxas de 25% ao ano, que tornavam, no passado,
a renda fixa e outros investimentos conservadores atraentes", diz Eduardo
Oliveira, diretor do departamento de gestão de fortunas do UBS Pactual. "Agora,
temos de buscar fundos agressivos, partir para a Bolsa", afirma. (JW)
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Folha
de São Paulo, 13 de janeiro de 2008
Comércio de luxo avança
17% em 2007
Alex Almeida/Folha Imagem

A diretora de marketing Helena Cauduro no veículo de R$ 390 mil
que pretende comprar
DA REPORTAGEM LOCAL
O consumo de luxo movimentou, em 2007, US$ 4,3 bilhões,
17% mais que em 2006. É o que revela a prévia de
uma pesquisa inédita feita pela MCF, consultoria especializada
em gestão de luxo. Segundo Carlos Ferreirinha, diretor
da MCF, carros importados, jatos executivos e helicópteros
lideraram as vendas.
Henning Dornbusch, presidente da BMW do Brasil, concorda. Em 2007, foram
emplacadas 2.608 unidades, 22% mais que no ano anterior. "O Brasil
superou até o México." Os modelos mais caros têm
fila de espera que pode durar até dois meses. Em 2007, quase todos
os modelos BMW 760 foram vendidos. Eles são os mais luxuosos da
montadora e custam cerca de R$ 700 mil.
A Land Rover teve seu melhor ano, com um crescimento de 58%. Passou de
2.001 carros emplacados, em 2006, para 3.156. "Com os juros baixos
do financiamento de veículos, os clientes estão preferindo
aplicar o valor integral do automóvel e comprá-lo parcelado",
afirma Luiz Tambor, diretor da montadora.
Helena Cauduro, 34, diretora de marketing de uma empresa de informática
em São Paulo, vai comprar o modelo mais caro da marca, um Range
Rover Vogue, de R$ 390 mil. "Vou dar uma entrada e pagar a diferença
em três vezes", diz. Em 2007, o Brasil recebeu o primeiro
barco mais caro da marca italiana Spirit 880, cujo preço estimado é de
5 milhões. A Folha apurou que o estaleiro já produz com
capacidade máxima para dar conta dos pedidos no país.
Para Eduardo Brandão, diretor comercial da OceanAir Táxi
Aéreo, representante da empresa canadense de jatos Bombardier
e dos helicópteros italianos Agusta, 2007 foi um ano histórico. "Chegaram
cinco jatos Global Express, de US$ 60 milhões cada um, e dez helicópteros
Agusta A139, de US$ 13 milhões a unidade", afirma.
O desempenho do setor de luxo no Brasil está chamando a atenção
de investidores internacionais. Antes eles vendiam no país por
meio de representantes. A Folha apurou que as grifes Hermés, Gucci
e Stella McCartney já estão em fase avançada para
abrir filiais no país. A Ralph Lauren também quer ter sua
subsidiária.
A Rimowa, que concorre com as malas Samsonite, abriu filial em São
Paulo há um mês e tem planos de expansão. "Serão
quatro lojas até 2009", afirma Ulrich Wescott, presidente
para a América Latina. Para ele, essas marcas estão interessadas
no Brasil porque o país oferece retorno rápido e taxa anual
de crescimento superior a 10%. (JW)
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Folha
de São Paulo, 13 de janeiro de 2008
O ano do FGTS
Quem ganha mais que R$ 4.900 passa a financiar
a casa própria com dinheiro do fundo
EDSON VALENTE
EDITOR-ASSISTENTE DE IMÓVEIS E CONSTRUÇÃO
Para quem incluiu na sua lista de resoluções do
Ano Novo o objetivo de comprar a casa própria, a novidade
sobre financiamento imobiliário diz respeito ao FGTS (Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço). Famílias com
renda bruta superior a R$ 4.900, por exemplo, passaram a ter
acesso ao crédito com recursos que o banco captará do
fundo.
Isso significa juros mais baixos, de 8,66% anuais -antes, pagavam-se
10,16% com recursos provenientes da poupança. Para usar o FGTS é preciso
ter três anos de contribuição. Segundo cálculos
de Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac (associação
nacional de executivos de finanças), essas famílias passam
a ter uma economia que chega a 18% no valor total pago pelo bem.
Outra novidade é que o cliente pode usar o FGTS para financiar
imóveis que custem até R$ 350 mil, em um prazo que chega
a 30 anos. Quem tem renda familiar bruta entre R$ 1.800 e R$ 4.900 também
se vale das medidas anunciadas pelo Conselho Curador do FGTS: juros anuais
caíram de 8,16% para 7,66% (bens de até R$ 130 mil). Famílias
que ganham até R$ 1.875 mensais pagam 6% ao ano.
Outro efeito
Taxas menores, além de beneficiarem o contribuinte do fundo, têm
um efeito adicional. "Provocam uma competição maior
no sistema financeiro, com redução no custo dos empréstimos",
avalia Oliveira. Um sinal da atratividade do crédito imobiliário
para os bancos é a movimentação dos privados para
viabilizarem o financiamento com recursos do FGTS -o Itaú foi
o primeiro.
Se há boas notícias, quem pensa em comprar deve observar
se não haverá aumento de taxas bancárias de financiamento
no segundo trimestre, pois, a partir de março, os bancos terão
um aumento na CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido),
de 9% para 15%.
"É importante consultar várias instituições
financeiras para escolher a melhor proposta de crédito", aconselha
o advogado Tiago Antolini, diretor da AMM (Associação de Mutuários
e Moradores das Regiões Sul e Sudeste do Brasil).
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Revista
Consultor Jurídico, 13 de janeiro de 2008
Mercado de trabalho
Empresas desconhecem regras para
contratar deficientes
por Crislaine Vanilza Simões Motta
A preocupação com a inclusão social do
deficiente físico é pauta constante da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), que protege os deficientes através
das Recomendações 99, 111, 150 e 168 e das Convenções
111 e 159, ambas ratificadas pelo Brasil. Aqui, além da
Constituição Federal, que prevê inúmeros
instrumentos de proteção aos deficientes, há a
Lei 7.853/89, a Lei 8.213/91 e o Decreto 3.298/99.
A legislação brasileira determinou que as empresas
obedeçam às exigências legais a fim de preencher
a cota de deficientes prevista no artigo 93, da Lei 8.213/91.
A regra, embora em vigor há mais de 15 anos, é desconhecida
por muitos empresários. Há algumas empresas que
até conhecem a legislação, desconhecendo,
porém, qual a melhor forma de se adaptar às regras.
A legislação determina uma cota de 2% a 5% dos
seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas
portadoras de deficiências nas empresas com 100 ou mais
empregados, nas seguintes proporções: até 200
empregados, 2%; de 201 a 500, 3%; de 501 a 1.000, 4%; e de 1.001
em diante, 5%.
O sistema de cotas tem alguns aspectos interessantes. Um deles
prevê que a empresa somente pode dispensar um empregado
inserido no sistema de cota se ocorrer a contratação
de um substituto em condição semelhante. Ocorre
que muitas empresas têm encontrado dificuldade em contratar
profissionais especializados com deficiência ou até mesmo
com o mínimo de preparação paras as vagas
disponíveis. Outras, de forma bastante desonesta, se baseiam
neste mesmo argumento para não contratá-los.
Também existem deficientes que não conseguem um
emprego digno por falta de capacitação profissional.
Eles enfrentam inúmeros obstáculos diariamente,
como o preconceito, a dificuldade do acesso pelo transporte público
ou pelas vias públicas (falta de rampas, ausência
de semáforos para deficientes visuais, corredores estreitos,
entre outros), impedindo que se especializem e se preparem para
o mercado de trabalho.
Outro problema encontrado é a falta de comunicação
entre as empresas, os sindicatos e a Secretaria da Fiscalização
do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego.
O prazo de adaptação às regras impostas
pelo Ministério do Trabalho muitas vezes é exíguo,
impedindo que a empresa se adapte rapidamente ao sistema de cotas.
Isto porque, para algumas empresas, de fato faltam no mercado
de trabalho os profissionais capacitados. Os sindicatos, por
sua vez, não possuem listas de seus associados que poderiam
ser admitidos através das cotas. E o Ministério
do Trabalho ainda não tem como avaliar se as argumentações
empresariais são verdadeiras ou não, aplicando
indiscriminadamente, por conseguinte, multas que variam de R$
1,2 mil a R$ 140 mil.
No entanto, existem algumas soluções que poderiam
e deveriam ser adotadas em primeiro plano. Para as empresas,
o ideal é inicialmente estar conscientes da necessidade
de contratação e integração desses
empregados e fazer uma avaliação interna dos cargos
para verificar quais deles podem receber o deficiente. Uma das
formas de buscar profissionais é procurar instituições
que se dediquem à capacitação e formação
de trabalhadores deficientes físicos e oferecer treinamentos
especializados após a contratação.
Para os deficientes, é interessante procurar junto a
sindicatos o nome das empresas que possuem mais de 100 empregados
e encaminhar seus currículos com as habilidades profissionais.
Existe ainda um programa do Ministério do Trabalho chamado
Consórcio Social da Juventude, que atende pessoas com
deficiência.
Os sindicatos poderiam fazer um banco de dados tanto dos deficientes
(dados pessoais e qual o tipo de deficiência, habilidades
profissionais e área de atuação) quanto
das empresas, além de disponibilizarem seus murais para
comunicação entre empregados e empregadores. Também
poderiam negociar normas destinadas à melhoria das condições
de trabalho dos deficientes físicos nos Acordos Coletivos.
É bom ressaltar que deverá constar no contrato
de trabalho, expressamente, que a contratação do
deficiente é pelo sistema de cotas, de acordo com o artigo
93, da Lei 8.213/91, Lei 10.098/2000 e Decreto 3.298/99. Após
a contratação, é necessária a adaptação
do espaço físico, como rampas, acesso à empresa,
adaptação das mesas e utensílios de trabalho,
entre outros, bem como conscientização de todos
os empregados acerca da importância da inclusão
social do deficiente e da responsabilidade social da empresa.
Os empregados antigos, aliás, devem estar preparados para
recepção dos novos colegas.
Na maioria dos casos, inclusive, é possível que
a avaliação periódica do desempenho profissional
tenha os mesmos critérios entre deficientes e demais empregados.
Com a contratação, só existirá o “sistema
ganha-ganha”. Além da empresa e do deficiente, ganha
o país, com a diminuição do desemprego e
maior inclusão social. Além disso, dentro da empresa,
os empregados certamente se orgulharão da proposta da
empresa, além de criar um ambiente inovador e satisfatório
a todos. A empresa, certamente, terá um real ganho de
imagem perante seus subordinadores, fornecedores, clientes e
comunidade, sem contar em possível aumento de produtividade.
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