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Gazeta
do Povo, 14 de janeiro de 2008
ECONOMIA | ESTUDO
Emprego e PIB crescem juntos, sem risco
de bolha
São Paulo – O Produto
Interno Bruto (PIB) e o emprego formal, aquele com carteira de trabalho
assinada, cresceram praticamente no mesmo ritmo em 2007, aponta um
estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). “Em
todos os anos desta década até 2006, o emprego formal
crescia mais do que o PIB”, afirma o consultor do Iedi e ex-secretário
de Política Econômica do Ministério da Fazenda,
Júlio Sérgio Gomes de Almeida. Isso mostra, segundo o
economista que a criação de postos de trabalho – que
proporciona mais renda, consumo e novos empregos – agora começa
a aparecer também no desempenho do PIB.
Enquanto o PIB, a soma de todas as riquezas criadas no país, deve ter
aumentado 5,2% no ano passado, segundo estimativa do Iedi, o emprego com carteira
assinada cresceu 5,1% até novembro na comparação com o mesmo
período de 2006, de acordo com a Pesquisa Mensal do Emprego (PME) do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis regiões metropolitanas
do país. A convergência entre o indicador de emprego e de geração
de riquezas é um processo cumulativo, afirma o economista. Ele acredita
que a forte sintonia entre o PIB e o emprego formal registrada no ano passado
consolida essa tendência.
Projeções da LCA Consultores,
a partir dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) do Ministério do Trabalho, indicam que perto de 1,7
milhão de empregos formais foram criados no ano passado. Nas
contas do Iedi, o emprego formal representa 45% do emprego total,
que inclui a informalidade. Para este ano, a perspectiva é de
que o ritmo de crescimento do PIB e do emprego formal mantenha essa
sintonia, prevê o consultor. Ele pondera, no entanto, que o
quadro poderá mudar se o Banco Central (BC) optar por aumentar
a taxa básica de juros para conter as pressões inflacionárias.
Com isso, diz ele, poderá ocorrer uma reversão nas
expectativas.
Na avaliação de Gomes de Almeida,
o fato de o PIB e o emprego formal estarem no mesmo ritmo reflete
que o crescimento é sustentável. “O que está acontecendo
hoje na economia brasileira não é uma bolha, tem respaldo
no emprego formal e na renda”, diz o consultor do Iedi.
A massa real de rendimentos do trabalho,
que é o total de trabalhadores ocupados multiplicado pelo
salário recebido, cresceu 16,7% entre 2002 e 2006, aponta
o estudo, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(Pnad) do IBGE. Para 2007, o Iedi estima um crescimento de 7% na
massa. Se a previsão se confirmar, em cinco anos a massa de
rendimentos do trabalho terá crescido entre 22% e 23% em termos
reais. “Essa taxa é muito expressiva”, diz Gomes
de Almeida. É exatamente esse combustível que alimenta
o consumo e o mercado interno.
Ele observa que o estudo foi feito para avaliar
até que ponto o crescimento do consumo das famílias
no país e o dinamismo do mercado doméstico, movido
em boa parte pelo crédito, é semelhante ao dos Estados
Unidos ou tem sustentabilidade.
Na década de passada, lembra, por
causa de curtos períodos de crescimento interrompidos, fase
conhecida na literatura econômica como “stop and go”,
e da abertura comercial mal dosada que provocou um grande número
de demissões em vários setores da indústria,
houve um descolamento entre o desempenho do PIB e do emprego formal.
De acordo com o estudo, a formalização
crescente do mercado de trabalho ocorreu porque as oportunidades
de emprego foram criadas pela indústria de transformação,
pelo funcionalismo público e pelo setores de prestação
de serviço ligados a empresas. Esses setores normalmente empregam
apenas trabalhadores com carteira assinada.
Carteira assinada é o sonho
A administradora de empresas Thais Abakerli do Amaral, 26 anos, que acaba de
ser contratada na capital paulista para uma vaga de assistente financeira,
está feliz. Depois de mais de um ano fora do mercado de trabalho, ela
conseguiu um emprego com carteira assinada. “A situação
melhorou, e muito. Agora tenho a segurança do registro em carteira”,
diz ela. Isso significa ter direito ao 13.º salário, férias,
descanso semanal remunerado e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS). No emprego anterior, como assistente administrativa, Thais era autônoma
e prestava serviços por meio de uma cooperativa.
Além da falta de segurança,
ela conta que trabalhava mais e ganhava menos do que no emprego atual.
Hoje, ela trabalha 40 horas por semana. No emprego anterior, eram
44 horas semanais. Além disso, o salário que recebia
era a metade do atual, pois tinha de pagar uma comissão para
a cooperativa contratada pela empresa para prestar serviços. “Com
a carteira assinada o funcionário trabalha melhor: tem garantias,
pode fazer planos para o longo prazo e não se considera descartável.”
Entre os planos de Thais está a compra
da casa própria. Casada e mãe de Pedro Henrique, de
um ano e dois meses, ela pretende fazer uma poupança junto
com o marido para dar entrada num apartamento, dentro de dois anos.
Além da maior segurança, ela acredita que o emprego
com carteira assinada lhe traz melhores perspectivas em sua carreira
profissional. Segundo ela, as empresas que contratam formalmente
têm um plano de carreira para os seus funcionários. “Com
isso, a gente rende mais.”
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 14 de janeiro de 2008 | Dinheiro
Emprego na indústria cresce
pelo quinto mês consecutivo em novembro
da Folha Online, no Rio
O nível de emprego na
indústria brasileira subiu 0,3% em novembro. É o quinto
mês consecutivo que o índice medido pelo IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística) apresenta alta, na comparação
com o mês imediatamente anterior.
Em relação a igual
mês do ano anterior, a taxa de emprego na indústria apresentou
crescimento de 3,9%, a maior taxa desde dezembro de 2004, quando a expansão
chegou a 4,1%. De janeiro a novembro, esse índice acumula alta
de 2,1%, e no acumulado dos últimos 12 meses, 2%.
No confronto com novembro de
2006, o contingente de trabalhadores cresceu em 12 dos 18 segmentos e
em 12 dos 14 locais pesquisados. Setorialmente, os maiores impactos positivos,
na média nacional de empregos, vieram de alimentos e bebidas (4,8%),
meios de transporte (11,8%) e máquinas e equipamentos (10,3%).
Por região, São
Paulo (6,5%) exerceu a maior contribuição no total do país
de novembro de 2006 para 2007. O Estado representa 37% do total empregado
na indústria brasileira. O emprego na indústria do Paraná cresceu
4,6%, e na região Norte e Centro-Oeste teve expansão de
4,3%. Em sentido contrário, Espírito Santo (-4,5%) e Ceará (-1,3%)
foram as únicas regiões pesquisadas que apresentaram decréscimo
nesse índice.
De janeiro a novembro, 13 locais
e 12 segmentos registraram mais empregados em relação a
igual período em 2006.
Destacam-se alimentos e bebidas
(4,3%), meios de transporte (7,3%), produtos de metal (6,9%) e máquinas
e equipamentos (6,6%). Por outro lado, calçados e artigos de couro
(-7,1%), vestuário (-3,7%) e madeira (-5,8%) exerceram os principais
impactos negativos no índice geral.
Contratações
São Paulo (3,5%), Paraná (2,9%)
e região Nordeste (1,4%) foram os principais destaques nessa comparação.
Segundo o IBGE, "a evolução
positiva dos índices do emprego industrial está em linha
com o maior dinamismo da atividade produtiva ao longo de 2007".
O comunicado do órgão ressalta que o acumulado no ano (2,1%)
aponta até novembro resultado superior ao fechamento de 2004 (1,8%),
ano em que a produção cresceu 8,3%.
Já o valor da folha
de pagamento real dos trabalhadores da indústria caiu 3,5% entre
outubro e novembro, na série com ajuste sazonal, resultado que
interrompe uma seqüência de cinco taxas positivas. Sobre
2006, porém, a renda também teve a maior expansão
desde dezembro de 2004, de 6,4%.
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ESTADÃO.COM/ SÃO
PAULO, 14 de janeiro de 2008 | Economia & Negócios
IBGE: valor da folha de pagamento
cai após 5 altas
JACQUELINE FARID - Agencia Estado
RIO - O valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria
caiu 3,5% em novembro de 2007 ante outubro do mesmo ano, na série com
ajuste sazonal, segundo o IBGE. O resultado negativo interrompe uma seqüência
de cinco taxas positivas nessa base de comparação.
Houve aumento, entretanto, de
6,4% na comparação com novembro de 2006, o que representa
o melhor resultado desde dezembro de 2004 (10,7%). No acumulado do ano
passado até novembro, o valor da folha de pagamento real dos trabalhadores
cresceu 5,3%. No período de 12 meses até novembro de 2007,
o aumento foi de 4,8%.
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ESTADÃO.COM/ SÃO
PAULO, 14 de janeiro de 2008 | Economia & Negócios
Cadastro positivo dará juros
menores a bons pagadores
Consumidor poderá decidir se quer
ou não aderir ao serviço, válido para operações
de empréstimo
Rosangela Dolis
Proposto há cinco anos, o cadastro positivo de consumidores, cujo objetivo é reduzir
a taxa de juro dos empréstimos para bons pagadores, tem agora chance
de entrar em vigor no segundo semestre. A expectativa é que a tramitação
do Projeto de Lei nº 836, que o criou em 2003, chegue ao fim no Senado
em meados do ano. A Associação Comercial de São Paulo
(ACSP) e a Serasa já estão com tudo pronto para colocar seus
cadastros em ação. Hoje, como a taxa cobrada no crédito é única,
os bons pagadores arcam com juros maiores para compensar as perdas que o banco
terá com quem não honra suas dívidas.
De acordo com o projeto, caberá ao
consumidor decidir se deseja ou não fazer parte da lista. "O
consumidor só será inscrito no cadastro positivo se der
sua autorização", diz Marcel Solimeo, economista da
ACSP. Mas emenda: "Se ele não autorizar, porém, é claro
que isso já vai ser um sinal negativo." Isto significa que
o sucesso do cadastro dependerá da adesão de consumidores.
Para seus defensores, a mudança
beneficia o consumidor correto, porque dá visibilidade no mercado
a uma boa ficha cadastral e propicia o acesso a juros menores em empréstimos
e crediários. Os órgãos de defesa do consumidor
dizem, no entanto, que não há nenhuma garantia de que isso
venha a ocorrer, e receiam que a lista caia em mãos de empresas
especializadas em marketing.
Os cadastros que existem hoje
incluem apenas consumidores com histórico negativo, relativo à falta
de pagamento. O novo modelo revelará dados negativos e positivos,
além de todas as dívidas que a pessoa já possui.
Com a ficha cadastral completa
do consumidor, os agentes de crédito poderão saber se ele
tem casa própria, há quanto tempo está empregado,
qual sua renda e quanto dela está comprometida com aluguel e demais
despesas. Mostrará também todas as operações
de crédito feitas anteriormente. Desta forma, antes de conceder
um empréstimo, bancos e lojas terão instrumentos para verificar
o grau de endividamento do requerente, ou seja, quanto de seus recursos
deve ser destinado a outros compromissos e financiamentos.
O cadastro revelará também
a pontualidade nos pagamentos, apontando quais deles foram realizados.
COMO VAI FUNCIONAR
Segundo Solimeo, ao solicitar
crédito em uma loja ou banco, o consumidor escolherá ou
não autorizar o repasse ao cadastro dos dados de seu histórico
e do empréstimo que está contratando. "Se ele der
a autorização, toda vez que pagar uma prestação,
ou deixar de fazer o pagamento, isso será registrado, e o valor
da dívida será atualizado no cadastro", explica.
Dessa forma, todas as operações
de crédito do consumidor serão reunidas e ficarão
disponíveis para o mercado. Quando a pessoa pedir um novo empréstimo
em outra instituição, esta terá acesso aos seus
dados cadastrais, ao seu nível de endividamento e de pontualidade
dos pagamentos. "Com base nisso, ela poderá ou não
dar uma taxa diferenciada, menor que a de mercado, para aquele consumidor",
explica Solimeo.
Para ele, a experiência
internacional mostra que o cadastro positivo promove aumento da oferta
de crédito e queda de juros. "É difícil calcular
a redução, mas é uma queda importante, porque o
maior componente dos juros do crédito é a inadimplência",
diz Solimeo. Elcio Anibal de Lucca, presidente da Serasa, acrescenta
que ele diminui custos administrativos nas lojas e ajuda o consumidor
a evitar o endividamento.
Solimeo afirma que a ACSP está preparada
para operar de imediato o mercado de cadastro positivo. "Temos o
programa e a tecnologia, em parceria com a Fairisaac, empresa americana
especializada em modelagem estatística." A Serasa vai contar
com o know how da Experian, que controla 70% do capital da empresa e
já opera nos EUA e Inglaterra, entre outros países.
PROCON
Roberto Pfeiffer, diretor-executivo
da Fundação Procon-SP, só concebe a existência
de um cadastro positivo caso a lei seja aprovada mantendo o critério
de que o consumidor é quem decide se quer ou não ter seus
dados disponíveis nele. Além disso, defende a existência
de instrumentos que inibam abusos, como a venda de dados do consumidor
para empresas de marketing ou o condicionamento de concessão de
crédito à inscrição no cadastro.
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O GLOBO (ON LINE), 14 de
janeiro de 2008 | País
Sindicatos acusam ministro do Trabalho
de beneficiar entidade filiada à Força Sindical
Bernardo Mello Franco - O Globo
BRASÍLIA - Sindicatos
de frentistas acusam o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, de usar o cargo
para supostamente favorecer a criação de uma nova entidade
filiada à Força Sindical. A central é controlada
pelo partido do qual Lupi é presidente, o PDT. No início
de novembro, Lupi outorgou o registro do do Sindicato dos Empregados
em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo
do Rio (Sinpospetro-RJ). Segundo reportagem publicada nesta segunda-feira
no "Correio Braziliense", ao fazer isso o ministro teria ignorado
uma liminar concedida em agosto de 2005 pela 37ª Vara do Trabalho
do Rio, que desautorizou a nova entidade, filiada à Força
Sindical, a negociar em nome dos frentistas do estado. Lupi creditou
a briga a uma disputa pelo imposto sindical e negou irregularidades na
concessão do registro.
- Vocês não vão
encontrar atos do ministro Carlos Lupi que não sejam republicanos
e transparentes. Ninguém do PDT me pediu nada disso aqui - afirmou
o ministro.
Lupi disse ter se baseado numa
decisão de 2004 do Supremo Tribunal Federal que permitiu o desmembramento
da Federação Nacional dos Trabalhadores no Comércio
de Minério e Derivados de Petróleo, fundada em 1953 e controlada
pela CUT. O julgamento permitiu a criação de uma nova federação
de frentistas ligada à Força Sindical e ao sindicato cujo
registro foi concedido em novembro. Lupi alegou que a liminar foi concedida
numa disputa comercial e não teria poder para influir sobre decisões
do ministério.
O presidente da federação
cutista, Raimundo Miquilino, disse que a concessão dos novos registros
contraria o princípio da unicidade sindical, estabelecido pela
Constituição para que a mesma categoria não seja
representada por sindicatos diferentes. Ele acusou Lupi de mobilizar
técnicos do ministério para conceder pareceres favoráveis à criação
de entidades ligadas à Força Sindical.
- O Ministério do
Trabalho não pode dar pareceres para fortalecer uma central
sindical. Estão tentando esvaziar uma central para encher o
papo da outra - afirmou.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
14 de janeiro de 2008
Hotel e prestadora de serviços
são condenados por terceirização ilícita
O juiz Edilson Carlos de Souza Cortez, da 5ª Vara do Trabalho de Porto
Velho (RO), condenou o Aquarius Selva Hotel pela contratação
de serviço terceirizado, e a prestadora de serviços F.A. Souza-ME,
por prática ilícita de intermediação de mão-de-obra.
A decisão atende ação
proposta pela Procuradoria Regional do Ministério Público
do Trabalho da 14ª Região (Rondônia e Acre), que constatou
irregularidades na terceirização de serviços praticadas
pelo hotel, que rescindia o contrato de trabalho de seus funcionários
e, em seguida, contratava a empresa F.A. Souza para prestar os mesmos
serviços executados pelos mesmos ex-funcionários.
Pela decisão, o hotel
deve anotar as carteiras de trabalho e assumir a condição
de empregador de todos os trabalhadores que prestam serviços ao
estabelecimento hoteleiro e que foram contratados como "terceirizados" por
intermédio da empresa prestadora de serviço, devendo o
contrato observar as datas em que cada um deles efetivamente começou
a trabalhar para o hotel.
Já a prestadora de serviço
terá de se abster de intermediar mão-de-obra de trabalhadores
para prestar serviços habituais, pessoais e subordinados a terceiros
contratantes, em sua atividade-fim, sob pena de pagar multa no valor
de R$ 3.000 por trabalhador e por mês que cada um prestar serviços.
De acordo com informações
do Ministério Público do Trabalho, a prática ilícita
de intermediação de mão-de-obra ficou ainda mais
evidenciada pela circunstância de o proprietário F.A. Souza
também ser o gerente do departamento pessoal do estabelecimento
hoteleiro e de sua empresa prestar serviços somente ao hotel.
Em sua decisão, o juiz
do trabalho, com base nos fatos apurados pelo Ministério Público
do Trabalho, entendeu que a terceirização ilícita
caracteriza "tentativa do hotel de se eximir das suas responsabilidades
trabalhistas, transferindo para uma empresa economicamente inidônea
os deveres pecuniários decorrentes das relações
empregatícias".
A intermediação
de mão-de-obra é proibida na legislação,
de acordo com os artigos 2° e 3° da CLT (Consolidação
das Leis do Trabalho) e reconhecida pela jurisprudência brasileira,
especialmente por meio da Súmula 331 do TST (Tribunal Superior
do Trabalho), conforme manifestação do Ministério
Público do Trabalho, no processo.
No caso envolvendo o Aquarius
Hotel e prestadora de serviços A.F. Souza-ME, as funções
exercidas pelos funcionários contratados pela microempresa,
os quais foram dispensados pelo hotel, "são inerentes à atividade
hoteleira, e expressamente constantes na cláusula terceira do
contrato social da acionada", ressaltou o Ministério Público
do Trabalho.
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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de janeiro de 2008 | Economia
Boa época para procurar um
estágio
Ligia Martoni
Vislumbrando boas oportunidades em um futuro emprego, o estudante de Direito Álvaro
Martins Rotunno, de Curitiba, trocou pela terceira vez as viagens e o descanso
de férias da universidade por uma vaga de estágio. O esforço
se justifica: “Se deixar para mais tarde, a concorrência aumenta
e o número de vagas diminui”, explica. Uma equação
que, segundo o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), responsável por encaixar
estagiários nos quadros de diversas empresas e instituições
espalhadas pelo Estado -, se traduz em números: em janeiro, enquanto
o crescimento das vagas de estágio é de 30%, a queda no número
de estudantes disponíveis a ocupá-las diminui em 50%.
Justamente por essa falta de
pessoal, a psicóloga do IEL, Rosana Odahara, explica que as chances
de conseguir estágios em grandes empresas neste período
são grandes. “Essas corporações trabalham
com programação de entrada e é no início
do ano que renovam o quadro de funcionários”, afirma. “Mas,
ao mesmo tempo, a época entre o início de dezembro até o
fim do Carnaval é a mais crítica, porque os estagiários
saem da cidade, seja para uma viagem de férias, seja para visitar
familiares”, complementa.
Por isso mesmo, o IEL espera
contratar muitos estagiários em janeiro - pelo menos 500 vagas
estão à espera desses alunos. E como o que importa para
as empresas na hora de empregar um estagiário é o perfil,
apenas o fato de disponibilizar-se a abrir mão das férias
para trabalhar já pode ser um diferencial: “Procuramos alunos
pró-ativos, que tenham bom relacionamento e iniciativa. Dessa
forma, eles acabam demonstrando esses requisitos e, com certeza, têm
chances de encontrar uma boa oportunidade”.
As áreas são as
mais diversas, mas a maioria das vagas é destinada à administrativa.
Em contrapartida, as vagas mais difíceis de ser preenchidas são
as das engenharias, em especial a mecânica, além de informática.
E se abrir mão das férias pode render boas possibilidades
de estágio seguido de uma esperada efetivação, o
orçamento de início de ano também pode ser beneficiado. “As
bolsas variam muito e vão da faixa de R$ 350 até R$ 1.000,
dependendo do porte da empresa, fora os benefícios de vale-transporte
e refeição”, complementa Rosana.
O estudante do ensino médio
André Luiz Oliveira também tratou de não deixar
a oportunidade passar e conseguiu logo um estágio no Tribunal
de Contas do Estado (TCE). “É meu último ano no
colégio e depois pretendo fazer faculdade e seguir carreira
jurídica, por isso achei o estágio uma ótima oportunidade.
Além disso, aproveitar o período de férias é bom
para começar a trabalhar. Sobrecarrega menos e a gente pode
se dedicar mais a aprender a função.”
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Gazeta
do Povo, 14 de janeiro de 2008
POLÍTICA | FINANÇAS
Prefeituras fecham ano com sobras das
câmaras
Vereadores não conseguem gastar todo
o dinheiro do orçamento
por MARIA GIZELE DA SILVA, Dirceu
Portugal e Andye Iore
Rodolfo Büher/Gazeta do Povo

Derrosso: recursos que não foram gastos estão depositados num fundo
de reserva
Grande parte das câmaras municipais do estado fez a lição
de casa e devolveu às prefeituras sobras do orçamento destinado
ao Legislativo no ano passado. O dinheiro extra no fim de ano foi convertido
pelos prefeitos em pagamento de 13º salário do funcionalismo e obras
de interesse coletivo. O repasse vem sendo possível devido a fatores como
a contenção de despesas provocada pela redução do
número de vereadores, determinada em 2005 pelo Supremo Tribunal Federal
(STF), e pelo índice de até 8% do orçamento municipal destinado às
câmaras, que não chegam a gastar o montante recebido pelas prefeituras.
Em Londrina, a devolução de
recursos para a prefeitura somou R$ 1,08 milhão. O presidente
da Câmara, vereador Sidney de Souza (PTB), afirma que a sobra é fruto
da contenção de despesas de custeio, como conta de água,
luz, telefone, gastos com cópias e serviços terceirizados
de limpeza, vigilância e copa.
A devolução
já se tornou hábito na Câmara de Ponta Grossa.
O presidente da Casa, vereador Valfredo Dzazio (PRP), afirma que
nesse ano o montante chegou a R$ 1,1 milhão. A recomendação
dada ao Executivo é que a verba seja aplicada em pavimentação.
Em 2004, R$ 1,6 milhão devolvidos pelos vereadores foram empregados
na construção da Avenida dos Vereadores – que
ganhou esse nome devido à origem dos recursos. Apesar disso,
a via não chegou a ser totalmente concluída e está abandonada.
As prefeituras têm independência para aplicar o dinheiro devolvido.
Mas em Carambeí, na região dos Campos Gerais, o Executivo deve
seguir a orientação dos vereadores, que aprovaram a devolução
de R$ 310 mil no fim do ano passado. O dinheiro deve ser destinado para a implantação
de uma praça na região central da cidade, com direito a playground
e espaço cultural. A presidente da Câmara, vereadora Patrícia
Kremer (PMDB) lembra que o repasse foi possível devido à economia
feita no decorrer do ano, depois da troca de plano de telefonia celular usado
pelos vereadores e pela redução do número de cursos realizados
por eles.
Em Telêmaco Borba,
também nos Campos Gerais, a Câmara devolveu R$ 1,5 milhão
aos cofres municipais (o equivalente a 40% do orçamento da
Casa). A prefeitura comprou equipamentos para a manutenção
de ruas e deve aquirir, em breve, uma ambulância com UTI.
Em Castro, nos Campos Gerais,
os vereadores, por meio de um acordo com a prefeitura, aceitaram
que o repasse anual da prefeitura para financiar as atividades parlamentares
fosse reduzido de R$ 3,5 milhões para R$ 1,6 milhão,
ficando as sobras automaticamente depositadas nos cofres do muncípio. “E
ainda conseguimos devolver mais R$ 350 mil em dezembro, o que aumentou
para quase R$ 2 milhões o dinheiro destinado à prefeitura”,
completou o presidente da casa, José Otávio Nocera
(PMDB).
Em Maringá, no Noroeste do Paraná, a Câmara de Vereadores
devolveu apenas R$ 151 mil para a prefeitura, pouco, quando comparado com o
orçamento do Legislativo em 2007, que foi de R$ 10,4 milhões.
Segundo o chefe de gabinete do prefeito Sílvio Barros, Ulisses Maia,
o dinheiro já entrou na conta do município e deve ser usado para
comprar motocicletas para fiscalização da Secretaria de Desenvolvimento
Urbano e Habitação.
A redução de
despesas dos vereadores também possibilitou à Câmara
de Campo Mourão devolver recursos à prefeitura. Cerca
de 10% do orçamento da Câmara, não gasto durante
o ano e devolvido aos cofres do município, vem servindo para
manutenção da máquina administrativa e o fechamento
do caixa no fim do ano, diz o secretário municipal de Fazenda
e Administração, Altair Casarim.
Desde o fim de 2004, quando
a Câmara perdeu sete vereadores, mas não teve o orçamento
de R$ 2,1 milhões nem as despesas anuais (de cerca de R$ 1,8
milhões) reduzidos, o Legislativo repassa à prefeitura
cerca de R$ 300 mil em sobras. “Reduziu o número de
vereadores. Mas, por exigências dos próprios parlamentares
permaneceram os assessores”, diz o presidente da Câmara,
Eraldo Teodoro de Oliveira (PMDB).
Mesmo com a maioria de oposição
na Câmara de Campo Mourão, o dinheiro não gasto
durante o ano volta ao caixa da prefeitura. “A Câmara é obrigada
por lei a devolver as sobras, resultado de economias na estrutura
do Legislativo”, garante Oliveira. O presidente da União
dos Vereadores do Paraná (Uvepar), Bento Batista da Silva,
lembra que independente da posição política
das câmaras com relação às prefeituras,
o repasse deve ser realizado.
Vereadores de Curitiba decidiram não
devolver a verba extra
Curitiba é uma das poucas cidades onde não ocorreu a devolução.
O presidente da Câmara, vereador João Cláudio Derosso (PSDB),
explica que foi aprovado um fundo de reserva onde a verba excedente da Câmara
será depositada até que os recursos sejam suficientes para a
construção de um novo plenário.
O Legislativo, segundo ele,
não vai conseguir fazer caixa se devolver dinheiro para a
prefeitura. “Nós não estamos conseguindo recursos
do Fundo de Desenvolvimento Urbano (FDU) para financiar a obra por
causa da briga do governo e da prefeitura,”explicou Derosso.
Para o tucano, a proposta
de emenda constitucional que corta os orçamentos dos vereadores é descabida. “As
câmaras são mais bem avaliadas do que o Congresso
Nacional, como mostrou a pesquisa publicada pela própria
Gazeta do Povo. Isso porque o vereador trabalha e mora na cidade.
Ele sabe dos problemas da população.”
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Gazeta do Povo, 14 de janeiro
de 2008
POLÍTICA | FINANÇAS
Congresso Nacional discute corte no
orçamento anual dos vereadores
por MARIA GIZELE DA SILVA
O orçamento anual das câmaras
municipais poderá diminuir na próxima legislatura caso
seja aprovada a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limita
as despesas das câmaras de acordo com o tamanho da população.
Atualmente, a Constituição enquadra os gastos em faixas
que variam de 5% (municípios maiores) a 8% (municípios
menores) da receita total do município.
Se a nova legislação
for aprovada serão criadas 6 faixas de valores. Por exemplo, a
Câmara de Vereadores de um município com até 100
mil habitantes, poderá receber até 7,5% da receita do município.
O Legislativo de uma cidade acima de 3 milhões de moradores vai
receber 4%.
A discussão da PEC – que
também propõe o aumento no número de vereadores
no país – está avançada no Congresso Nacional
e deve ser votada até o mês de março.
O presidente da Associação
dos Municípios do Paraná (AMP), Moacyr Fadel, concorda
com a redução. “Como as câmaras não
utilizam a totalidade dos recursos, está se discutindo a redução
do repasse das prefeituras para os Legislativos municipais. Para as prefeituras
isso é muito mais interessante porque elas podem aplicar esses
recursos em outras áreas”, afirma Fadel. Segundo ele, a
grande maioria das prefeituras usou o recurso extra repassado pelas câmaras
para incrementar o 13.º do funcionalismo. “Foi muito interessante
principalmente porque nesse ano houve uma queda na arrecadação
do ICMS”, completa.
Já o presidente
da União dos Vereadores do Paraná (Uvepar), Bento Batista
da Silva, vê a proposta com reservas. “Para casos específicos, é importante
que se reduza o índice, mas propomos que se busque um indicador
que chegue ao melhor coeficiente, sem prejudicar as câmaras”,
diz ele. Silva afirma que há câmaras com custo muito baixo
de manutenção e que o repasse das prefeituras não
se justifica. “Temos cerca de 200 câmaras municipais nessa
situação. Elas recebem até 8% de repasse anual
do orçamento municipal e o dinheiro sempre acaba sobrando”,
diz.
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Gazeta do Povo, 14 de janeiro
de 2008
BRASIL | IMPOSTO
Políticos que receberam apoio
de bancos vão votar aumento da CSLL
88 deputados e senadores foram financiados
pelo setor bancário
Rio – Um em cada sete dos
parlamentares que decidirão se aprovam a elevação
da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido
(CSLL) dos bancos de 9% para 15%, proposta pelo governo após
o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF), teve parte dos gastos de campanha financiada pelo
setor bancário em 2002 e 2006. Um levantamento feito no Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) mostra que estão nessa situação
24 dos 81 senadores (29,6%) e 64 dos 513 deputados (12 4%). Ao todo,
são 88 políticos – 48 oposicionistas e 40 aliados
do governo.
O recordista foi o senador Aloízio Mercadante (PT-SP), que em 2006 recebeu
R$ 1,6 milhão de quatro bancos – o que respondeu por 13,7% de
seus gastos. O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), recebeu
R$ 400 mil, também de quatro bancos. Oposicionistas como o senador Arthur
Virgílio (PSDB-AM), com R$ 210 mil, e o presidente do DEM, deputado
Rodrigo Maia (RJ), com R$ 80 mil, estão na lista daquele ano.
A ajuda financeira a partidos
e candidatos não representa, em si nenhum ilícito. As contribuições
foram registradas de acordo com o que pede a legislação
eleitoral. Para alguns analistas, no entanto, a situação
criada com esse tipo de apoio dá margem a muita discussão. “Esses
parlamentares deveriam se dar como impedidos de votar qualquer projeto
sobre bancos”, diz o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro,
presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS). Ele faz
uma comparação com a situação de juízes
que, nos tribunais, se sentem impedidos quando têm que julgar questões “que
envolvem minimamente os seus interesses”.
Para o historiador Marco Anônio
Villa, a ajuda dos bancos a candidatos não é, por si, determinante: “Há deputados
que votam sempre com o governo independentemente de quem os financiou”.
A origem do financiamento, em sua opinião, não deveria
comprometer o voto de um Congresso com valores éticos fortes. “Mas
em um Congresso como o atual, é possível que a ética
seja atropelada”.
Beneficiados
Em 2006, as planilhas do TSE
apontam contribuições feitas por 20 bancos, num total de
R$ 11.431.670,00. Não há preferências partidárias:
a lista de beneficiados inclui tanto políticos do DEM ou do PMDB
como do PPS ou PC do B, por exemplo. Entre os maiores bancos nacionais,
Unibanco, Bradesco e Itaú aparecem como os principais doadores,
com valores acima de R$ 2,3 milhões cada. A lista de congressistas
que receberam ajuda expressiva inclui a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) – R$
500 mil –, o senador Osmar Dias (PDT-PR) – R$ 600 mil – e
o candidato a governador derrotado em Mato Grosso do Sul Delcídio
Amaral (PMDB R$ 400 mil).
Em 2002, a ajuda dos bancos a
candidatos ao Senado que se elegeram – e continuam no Congresso – somou
R$ 1.880.260, em valor não corrigido. Dos 13 beneficiados, quatro
receberam contribuições em 2006: Arthur Virgílio,
Roseana, Osmar Dias e Cristovam Buarque (PDT-DF).
Parlamentares
repudiam comprometimento
Parlamentares beneficiados por contribuições de bancos descartam
a possibilidade de o dinheiro recebido do setor bancário influenciar
o comportamento no Congresso. “Isso não mexe com a minha racionalidade”,
diz o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), um dos mais
duros críticos do governo Lula. “Tive ajuda de empreiteiros e
pedi com energia a CPI das Empreiteiras”, exemplifica. Virgílio
sustenta que nenhuma das doações que recebeu foi essencial “no
bolo do financiamento” de sua campanha. Ele atribui o auxílio
a empresas que o vêem como alguém sem preconceitos. “Não
tem um gesto meu que mostre que estou a serviço de algum setor” ,
afirma.
O presidente nacional do DEM,
deputado Rodrigo Maia (RJ), também garante que as doações
de bancos não têm “influência nenhuma” em
seus votos. “Quando a Febraban me criticou e a meu partido, disse
que iria convocá-los a se explicar na Câmara.”
Maia prossegue: “Trabalhei
em dois bancos, BMG e Icatu, que agora não é mais banco,
e mantenho uma relação imparcial com o setor, como com
qualquer outro que tenha doado.” Na sua avaliação,
a votação da CSLL “não tem nada a ver com
os bancos”, que, afirma, repassarão os novos custos aos
clientes. “O que o governo fez foi encarecer ao crédito
ao consumidor”, opina.
Tanto Virgílio como
Maia dizem que votarão contra o aumento da alíquota da
contribuição. O senador tucano afirma ser contra o aumento
da carga tributária e lembra que os aliados de Lula “jamais
ganharam tanto dinheiro (de campanha) dos bancos.”
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FOLHA DE LONDRINA, 14 de
janeiro de 2008 | Economia
Aumento de IOF e CSLL não
vai inibir economia
Brasília - O pacote do governo que elevou o Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
(CSLL) dos bancos foi mal recebido pelos agentes econômicos, mas seu
efeito sobre a economia não deverá inibir o crescimento. Setores
como comércio, automotivo, construção civil e têxtil
mantiveram suas projeções de expansão em 2008. ''O efeito
financeiro é neutro, mas o psicológico é negativo'', resumiu
o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do
Brasil (AEB), José Augusto de Castro.
As projeções se
mantiveram porque, ao lado da elevação dos dois tributos,
a economia foi liberada da Contribuição Provisória
sobre a Movimentação Financeira (CPMF). ''Em tese, a sociedade
saiu ganhando porque o governo está colocando sobretaxa de R$
10 bilhões, mas deixa de receber R$ 40 bilhões'', comentou
o diretor da Associação Brasileira da Indústria
Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel.
''Mas precisamos avaliar se era o caso de aumento.''
Dentre os setores consultados
pela reportagem, o de construção é o mais otimista.
Após uma expansão de cerca de 5% em 2007, a expectativa é de
uma taxa de crescimento de 6%. O pacote não atingiu o financiamento à casa
própria, mas encareceu as outras linhas de crédito. ''Vai
encarecer, mas não tanto a ponto de nos levar a rever a projeção'',
disse o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da
Construção (CBIC), Paulo Safady Simão.
O que o empresariado mais lamenta
não é o pacote, mas o que ele representa. ''Estou muito
pessimista em relação à reforma tributária'',
disse Simão. ''Há uma proposta pronta desde setembro, que
o governo não encaminha ao Congresso.'' A opção
pelo remendo, em lugar de uma reforma fiscal mais ampla, também
foi criticada pela Anfavea e pela Federação Brasileira
de Bancos.
Lu Aiko Otta
Agência Estado
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FOLHA DE LONDRINA, 14 de
janeiro de 2008 | Política
Oposição se une contra
gastos com cartão
Brasília - Partidos de oposição
anunciaram mobilização esta semana para impor controle
dos gastos do governo com cartões corporativos, que cresceram
129% em 2007 em relação ao ano anterior. Estão
em estudo a edição de decreto que obrigue o governo
a dar transparência aos gastos; a convocação
do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para dar esclarecimentos
ao Congresso; e até mesmo um pedido ao Ministério
Público de abertura de ação de improbidade
administrativa.
De janeiro a dezembro, a despesa
somou R$ 75,6 milhões, 4,3 vezes mais do que em 2004. ''É preciso
fazer algo para conter a sanha gastadora desse governo'', afirmou o líder
do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
O governo explicou que
os maiores responsáveis pelo aumento dos gastos foram ações
específicas como os censos agropecuário e populacional
de pequenos e médios municípios.
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FOLHA DE LONDRINA, 14 de
janeiro de 2008 | Política
PMDB cobrará mais nomeações
nesta semana
Brasília - A cúpula
do PMDB aguarda que o governo oficialize a partir desta semana
uma série de indicações do partido para cargos
de confiança em estatais. Segundo cálculos do partido,
ainda falta mais uma dezena de nomeações.
Interlocutores afirmam que a
expectativa aumentou depois que o presidente Lula disse aos peemedebistas
que a nomeação para o Ministério de Minas e Energia
seria a primeira da lista do PMDB. Na quinta à noite, Lula aceitou
o nome do senador Edison Lobão (PMDB-MA) para Minas e Energia.
Mas avisou que só formalizaria a nomeação nesta
quarta-feira, após retornar das viagens à Guatemala e a
Cuba.
De acordo com os peemedebistas,
a lista de indicações inclui o nome do ex-governador de
Santa Catarina Paulo Afonso Vieira para a Eletrosul, além cargos
na Eletrobrás, na Eletronorte e em diretorias de Furnas.
Folhapress
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Folha de São Paulo,
14 de janeiro de 2008
Ganho de R$ 2 bi com taxação
maior de banco é subestimada
Para especialistas, aumento na contribuição
sobre o lucro líquido de 9% para 15% deve arrecadar ao menos
R$ 3 bi a mais, enquanto Receita estima R$ 2 bi
TONI SCIARRETTA
FÁTIMA FERNANDES DA REPORTAGEM LOCAL
O governo federal subestimou
o quanto pode subir a arrecadação com a alta de 9% para
15% da alíquota da CSLL (Contribuição Social sobre
Lucro Líquido) para o setor financeiro para reduzir as perdas
com o fim da CPMF, nas contas de especialistas em finanças e tributação,
com base nos balanços mais recentes dos bancos.
Para o governo, a arrecadação anual com a CSLL maior trará ganho
de R$ 2 bilhões. Nas contas de especialistas, esse valor deve superar
R$ 3 bilhões e, nos cálculos da Febraban (federação
dos bancos), pode chegar a até R$ 3,5 bilhões.
Ildo Oliveira, analista financeiro do Inepad (Instituto de Ensino e Pesquisa
em Administração), afirma que somente os dez maiores bancos do
país devem pagar mais R$ 3 bilhões em CSLL neste ano. A conta
não considera a arrecadação de bancos médios e
pequenos, seguradoras, corretoras e as Bolsas, que deixaram de ser instituições
sem fins lucrativos, e que também passarão a recolher a CSLL
maior. O Brasil tem cerca de 2.400 instituições financeiras entre
bancos, financeiras, seguradoras, corretoras de valores e agora as Bolsas.
Também não estão considerados eventuais créditos
tributários ou resultados de planejamento tributário das instituições.
Segundo tributaristas, essas deduções costumam reduzir praticamente
pela metade a arrecadação com a CSLL.
Estimativa
conservadora
" Com certeza, o governo foi bem conservador na sua estimativa de arrecadação
com o aumento da CSLL", disse.
Oliveira chegou a esse número ao considerar os resultados antes do pagamento
de impostos dos dez maiores bancos do país de janeiro a setembro do
ano passado. Nas suas contas, o resultado desses dez bancos foi de R$ 37,47
bilhões. Com a alíquota de 9% de CSLL, eles teriam pago ao governo
R$ 3,37 bilhões de CSLL.
Se a nova alíquota estivesse em vigor, os bancos teriam pago R$ 5,62
bilhões -ou R$ 2,25 bilhões a mais. Nos seus cálculos,
o Itaú registraria o maior aumento de arrecadação de CSLL,
de R$ 631,39 milhões. O Bradesco viria em segundo, com R$ 470,71 milhões
e, em terceiro, o Banco do Brasil, com R$ 341,7 milhões a mais.
Planejamento
tributário
Só em 2006, ano em que uma amostra de 120 bancos lucrou R$ 30,328 bilhões,
esse aumento da CSLL teria gerado arrecadação extra máxima
de R$ 2,452 bilhões com alíquota de 15% aplicada sobre o total
de R$ 40,876 bilhões do lucro antes de IR e CSLL, segundo a consultoria
Austin Rating.
Como os bancos reduzem essa base de tributação por meio de planejamento
tributário, o recolhimento efetivo da CSLL ficou bastante menor.
Por exemplo, se a base de cálculo fosse integral, os bancos teriam recolhido
R$ 3,678 bilhões com a alíquota de 9% da CSLL em 2006. Mas a
arrecadação efetiva ficou em R$ 1,813 bilhão -menos da
metade.
Segundo a Austin Rating, de janeiro a setembro do ano passado esses mesmos
bancos tiveram lucro líquido de R$ 32,726 bilhões, o que somou
uma base de arrecadação para a CSLL de R$ 44,987 bilhões
e permitiu uma arrecadação efetiva de R$ 2,037 bilhões
-seria de R$ 4,048 bilhões se não fosse o planejamento tributário.
" Reproduzindo o que aconteceu nos últimos dois anos, e o quanto
os bancos pagam de CSLL, podemos afirmar que a previsão de arrecadação
foi subestimada", disse Luis Miguel Santacreu, da Austin Rating.
Everardo Maciel, consultor tributário e ex-secretário da Receita
Federal, discorda das projeções de arrecadação
da CSLL feitas por especialistas.
Com base na arrecadação realizada de CSLL das instituições
financeiras de janeiro a novembro do ano passado, de R$ 4,28 bilhões,
como consta no site da Receita Federal, Everardo acredita que esse aumento
na alíquota da CSLL não deva passar de R$ 2,3 bilhões
neste ano, já que a medida, se aprovada pelo Senado, produziria efeitos
só a partir de maio.
" A equipe da Receita Federal que cuida das projeções tem
enorme experiência. Especialistas do mercado financeiro estão anualizando
os números e esquecendo dos créditos tributários e do resultado
de planejamento tributário das instituições financeiras",
afirma.
Febraban
Na estimativa da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos),
a arrecadação anualizada adicional da CSLL deve somar entre R$
3,288 bilhões e R$ 3,574 bilhões, dependendo do crescimento do
PIB.
Se o adicional for cobrado a partir de abril, essa arrecadação
extra deve ficar entre R$ R$ 2,46 bilhões e R$ 2,68 bilhões. "Talvez
esse número caia porque os lucros estão caindo. É muito
provável que o governo arrecade os R$ 2 bilhões e mais um delta
[um percentual a mais]. O potencial de arrecadação é forte",
disse Nicola Tingas, da Febraban.
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Notícias do Tribunal Superior do Trabalho
14/01/2008
Escriturário da SPTrans
consegue salário de digitador
A São Paulo Transporte S.A. – SPTrans – foi condenada a
pagar diferenças salariais a um escriturário que, durante vários
períodos, exerceu a função de digitador. A decisão,
da Justiça do Trabalho da 2ª Região (SP), foi mantida pela
Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho. O entendimento que prevaleceu
foi o de que, com as mudanças freqüentes de função,
a empresa desvirtuou o conceito de “função em comissão” para
mascarar uma promoção indefinidamente passível de revogação.
O trabalhador foi admitido em março de 1990 e demitido quatro anos depois.
Na inicial da reclamação trabalhista, alegou que, embora a função
anotada em sua carteira de trabalho fosse a de escriturário, era “constantemente,
e por exigência da empresa, convocado a exercer funções
de digitador”, recebendo por isso a diferença salarial correspondente.
Esta comissão, porém, conforme afirmou, era retirada arbitrariamente
pela empresa – inclusive nas vésperas de férias, quando
recebia o que tinha direito pelo salário de escriturário, menor
que o de digitador. A 4ª Vara do Trabalho de São Paulo julgou os
pedidos parcialmente procedentes e condenou a SPTrans ao pagar ao escriturário
as diferenças salariais decorrentes das supressões do comissionamento
e a integração dessa parcela ao salário, com os reflexos
daí decorrentes.
A empresa, ao recorrer ao TRT/SP, alegou que o exercício da função
de digitador era feito em comissionamento, e que o empregado “estava
ciente de que, uma vez cessado o comissionamento, cessaria a comissão”.
O Regional, porém, julgou correta a sentença. “A chamada
função ‘em comissão’ não pode mascarar
a intenção do empregador de pagar salários maiores por
funções melhor remuneradas apenas quando são desempenhadas,
rebaixando o salário do empregado quando volta ao ‘cargo efetivo’”,
afirmou o acórdão do TRT/SP. “A promoção
temporária ou é em razão de experiência ou para
substituição eventual. Não se pode admitir promoção
indefinidamente revogável, como a do caso vertente.”
No recurso de revista ao TST, a SPTrans manteve a tese defendida no TRT, de
que as funções de digitação eram eventuais e o
trabalhador tinha pleno conhecimento dessa condição. Alegou que
a decisão violaria o artigo 450 da CLT, que trata do exercício
de cargo em comissão e da substituição. O ministro Emmanoel
Pereira, porém, rejeitou o recurso – inicialmente por despacho
e depois como relator de agravo para a Quinta Turma. O relator lembrou que
a Vara do Trabalho já havia concluído que o comissionamento não
existiu, uma vez que o empregado não tinha, enquanto digitador, qualquer
resquício de função de confiança, nem se demonstrou
tratar de substituição temporária. “Assim, não
há como reconhecer violação literal do artigo 450 da CLT,
que trata de cargo em comissão em sentido estrito”, concluiu.
(A-RR-622647/2000.9)

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